Imagina juntar influências de Berserk, Conan, The Boys, Preacher e séries como Ash vs The Evil Dead em uma só HQ? O resultado é Vlad, o quadrinho de fantasia sombria e humor ácido que abre a discussão sobre a opressão causada pela religião em um mundo sem heróis. A obra está em financiamento coletivo no Catarse. Confira a sinopse abaixo:
“Vlad, um dos melhores mercenários (e uma das piores pessoas) a caminhar sobre a terra se vê obrigado a aceitar o contrato para ajudar seu odioso pai a chegar em segurança ao único bruxo capaz de protegê-lo de um culto autodenominado Os Filhos de Deus. Entre batalhas na neve e entidades cósmicas, nada os prepara para o que está por vir. É bom que o serviço pague bem.”
Vlad é de autoria de João Gabriel, que já fez trabalhos tanto para o mercado editorial e recentemente lançou em formato físico a elogiada Definhar (webcomic que foi lançada em 2017) e a Nobre/Lobo, que é co-autor ao lado do roteirista Gustavo Tertoleone pela SESI-SP Editora.
Vlad tem formato 17 X 26 cm, lombada quadrada, capa em papel triplex 300g e miolo em offset. Entre as diversas recompensas da campanha, estão artes exclusivas e limitadas de artistas consagrados como Caio Yo e Mario Cau, outros trabalhos do autor e até uma aventura RPG exclusiva ambientada no universo da HQ.
“Delirium tremens (DT) é um estado confusional breve, acompanhado de perturbações somáticas, que usualmente acomete usuários de álcool gravemente dependentes em abstinência absoluta ou relativa.”
Um dos grandes palcos do quadrinho nacional é o terror. Nesse estilo, arrisco dizer, que a nossa nona arte é uma das melhores do mundo, com artistas que escrevem e traçam belíssimas histórias que realmente metem medo, criam um sentimento de repulsa, que (às vezes) fazem o leitor concordar com o mal exposto na trama. Além, obvio, das produções muito bem editadas. Como um grande show de sua banda favorita, nossas obras encantam e fascinam. E Delirium Tremens de Edgar Allan Poe da Editora Draco é uma dessas.
Delirium Tremens de Edgar Allan Poe conta com oito histórias que fariam o lendário autor se orgulhar da nossa galera. São contos realmente assustadores, alguns mais, alguns menos, mas dentro de uma proporção que exploram o asco e a repulsa. E outros que fazem você concordar com o mal. A coletânea foi organizada pelo editor Raphael Fernandes, que juntou os roteiristas Dana Guedes, Murilo Zibetti, Antonio Tadeu, Larissa Palmieri, Airton Marinho, Gabriel Correia e Alexey Dodsworth. Os desenhos são por Erick Pasqua, Eder Santos, Ioannis Fiore, Má Matiazi, LuCas Chewie, Ebá Lima, Flávio L. Maravilha e Tiago Palma.
Logo de cara, Delirium Tremens mostra que não veio à passeio. A tenebrosa Smiley Away de Dana Guedes e Erick Pasqua surge como um hit pesado e amedrontador, no melhor estilo de música que uma banda abriria um show levantando o público. A vontade de ler mais sobre o esquizofrênico Eduardo em novas investidas ficou com o final da história. Outra trama que impressiona é Murder. Com roteiro de Alexey Dodsworth e ilustração de Flávio L. Maravilha, a trama segue uma policial que investiga uma série de assassinatos de membros de uma rede de pedofilia. Com uma batida que lembra muito Garth Ennis, a história vai envolvendo não somente no grande mistério mas também no desenvolvimento da personagem principal. É incrível como a história cresce e remonta passado com presente e ainda sobra espaço para críticas sociais. Alexey fez um trabalho impecável nessa história, por colocar tantos elementos e camadas em poucas páginas, como é de praxe em coletâneas.
Se Delirium Tremens de Edgar Allan Poe fosse um show de banda de rock, um dos hits que seriam cantados unissono com a galera seria In Articulo Mortis. O roteiro da Larissa Palmieri é macabro e parece que foi tirado das entranhas de Edgar Allan Poe. A trama, que tem desenho da Má Matiazi, conta a história de Natália, que se apaixona por um hipnotizador. Depois de um grave acidente, a jovem fica sobre o efeito hipnótico do rapaz. Impossibilitada de ter qualquer ação própria. Como um cárcere privado. O que acaba espelhando como um relacionamento abusivo, que infelizmente é a realidade de milhares de pessoas. Larissa Palmieri foi muito bem cirúrgica em reunir um ritmo no melhor estilo de Edgar Allan Poe e dar a sua pitada particular social na trama.
Na linha de macabro misturado com repulsa, temos a interessante O insólito caso de vossa excelência deputado Mendes, com roteiro de Gabriel Correia e desenhos de Ebá Lima. Na trama apresenta um mundo muito conhecido da política podre brasileira, com o deputado Mendes como protagonista. A história se mistura em flashbacks de uma grande orgia em Brasília às vésperas de uma grande votação para o Brasil. E assim temos um grande grupo de políticos misturados. Os desenhos fortes de Ebá Lima fazem o leitor olhar cada detalhe da página, mas o asco que ela espuma provoca desvio de olhares ao mesmo tempo. É uma experiência visual interessante, teve momentos em que era difícil encarar um quadrinho dessa história.
E para o encerramento desse show, nada melhor do que algo icônico. Butim que foi escrito por Raphael Fernandes e ilustrado por Tiago Palma é uma cereja (a mais) nesse bolo de Delirium Tremens de Edgar Allan Poe. A trama coloca o leitor no olhar de um velho que é odiado pela família, mas que tem uma grana guardada. Quando ele é morto, o protagonista quer descobrir quem o matou. A partir daí uma agonia salta das páginas pelos excelentes desenhos do Tiago Palma. A captação do feeling agônico do texto escrito por Raphael Fernandes pelo desenhista é uma das grandes sacadas e remete ao leitor sentir o que é ver a autopsia do próprio corpo. Com um protagonista totalmente estático, vemos o mundo e as pessoas se movimentarem ao seu redor com expressões, trejeitos e diálogos. Possivelmente uma das mais criativas histórias que li no segmento de terror nos últimos tempos.
No apanhado geral, Delirium Tremens de Edgar Allan Poe é uma coletânea que nenhum fã do gênero e do aclamado autor pode colocar defeito. Mas assim como em qualquer show de rock, de qualquer banda, tem umas notas desafinadas. Algumas histórias não estão à altura das outras, mesmo assim são deveras interessantes e no final formalizam uma publicação de grande qualidade no quadrinho nacional. O que é uma das características da Editora Draco.
Delirium Tremens de Edgar Allan Poe tem formato 17 cm X 24 cm, 184 páginas e capa dura.
Você sabe o que significa Incels? É uma referência a membros de uma subcultura online que se definem de encontrar um parceiro romântico ou sexual, apesar de desejarem ter um. Os auto identificados Incels são exclusivamente homens heterossexuais.
Mas também é usado para todos aqueles (idiotas) que praticam bullying virtual, são misóginos ou preconceituosos. Iguais aos nerds tóxicos que se proliferam, como ratos, na internet. E é para esse tipo de pessoa que a Editora Skript reuniu um time de artistas, no melhor estilo das revistas MAD, para “homenagear” essa galera com As Inconcebíveis Aventuras do Super-Incel e os Cabulosos Nerds Tóxicos! A ideia não é devolver na mesma moeda o que eles têm praticado contra mulheres, gays, negros e todas as minorias sociais, mas trazer um alerta aos males que essa atitude causa. Debater e satirizar essas posturas é retirar a força delas em sua essência.
Infelizmente, nem tudo é piada. Muitos incels (reforçando, como a publicação irá chamar todas as pessoas que têm posturas misóginas e preconceituosas na internet) vão além das postagens. Ameaçam e perseguem, sobretudo, mulheres. O problema é o comportamento, o ódio, não as pessoas. Por isto, esta luta será em um nível maior, uma guerra promovida pela arte, onde a arma é a caneta e o combustível a criatividade!
As Inconcebíveis Aventuras do Super-Incel e os Cabulosos Nerds Tóxicos é composto por pessoas que não estão defendendo ninguém pois todas e todos são capazes disto. São artistas que se cansaram e decidiram usar sua arte para lutar contra os nerds tóxicos, denunciando e satirizando-os.
Compõem o time de As Inconcebíveis Aventuras do Super-Incel e os Cabulosos Nerds Tóxicos: Bruno Brunelli, Bruno Felix, Caio Oliveira, Daniel Sousa, Diego Moreau, Douglas Freitas, Fábio Ianzer, Felipe Manhães, Felipe Tazzo, Fernando Rodrigues, Gabriel Kolbe, Guilherme Santos, Guilherme Smee, Italo Souza, João Gutkoski, J.V. Santos, Lucas Machado, Luciano Abraão, Lucas Oliveira, Marcel Bartholo, Mário César Oliveira, Murilo Zibetti, Nilo Niquelatte, Rafel Nasic, Rodrigo Geraldo, Rodrigo Selback, Sandro Zamboni, Thomas Krening, Thomas Grotto, Val Oliveira e Yuri Perkowski Domingos.
As Inconcebíveis Aventuras do Super-Incel e os Cabulosos Nerds Tóxicos tem formato 20 x 27 cm, capa e miolo em couchê de alta gramatura com mais de 50 páginas. O lançamento será na CCXP no final do ano. Para saber mais sobre a campanha, recompensas e valores, clique AQUI.
Preparem as suas espadas para beber com os Deuses em Valhala! A Editora Draco iniciou a campanha de financiamento coletivo de Vikings: Morte ao Troll, nova HQ dos Dragões Roxos. No comando da navegação da publicação está o roteirista Eduardo Kasse e o desenhista Carlos Sekko, dupla altamente tarimbada nesse universo nórdico.
Em Vikings: Berserker (2018) de autoria de Eduardo Kasse, um bando de jovens sonhadores comete imensa afronta a um poderoso jarl. Um crime passível de severa punição, até mesmo de morte. Mas nem os mais sábios poderiam prever os verdadeiros desígnios dos Deuses. No mesmo ano, o roteirista se uniu ao Carlos Sekko e publicaram a HQ Vikings: Noite em Valhala, onde narra de forma crua uma batalha em algum lugar do território que viria se tornar a Escócia.
Em Vikings: Morte ao Troll, você vai reencontrar o bando de nórdicos que batalhou em Vikings: Noite em Valhala, em uma história original e, por que não, épica! E não se preocupe! Mesmo sem ter lido a anterior, você pode entrar de cabeça nessa batalha. Aliás, essa é uma característica dessa saga: tanto o livro Vikings: Berserker, quanto os quadrinhos trazem histórias completas e fechadas, sem spoilers entre elas.
As recompensas de Vikings: Morte ao Troll vão de marca páginas, a publicações já citadas nessa matéria, HQs da Draco como A Teia Escarlate e livros da série Tempos de Sangue. Para saber mais detalhes da campanha no Catarse, clique AQUI.
Lá pelos idos de 2017, surgia no quadrinho nacional Carniça. A HQ nasceu na parceria do roteirista Rodrigo Ramos e o desenhista Marcel Bartholo, tornando-se um sucesso e criando o embrião do selo independente Carniça Quadrinhos. Onde, em 2018, foi publicado Lama, confira nossa resenha AQUI. A terceira publicação desse “casamento” será agora no final do ano com Canil. Na nova HQ vai levar o leitor ao presídio de Guarás. Um verdadeiro lugar de terror e morte onde a sociedade descarta aqueles que ela já esqueceu.
Para adquirir as publicações da Carniça Quadrinhos, clique AQUI.
Rodrigo Ramos é autor, roteirista, jornalista especializado em quadrinhos de terror, crítico e autor de Medo de Palhaço. Enquanto Marcel Bartholo é ilustrador, quadrinista, artista plástico, sócio fundador do Estúdio Ideaboa e vocalista da banda Efeito Imoral. Batemos um papo com a dupla e falamos sobre Canil, o selo Carniça Quadrinhos, Antologia VHS, projetos futuros, política nos quadrinhos e de uma possível “Cachaça Carniça”.
1 – Canil está chegando em dezembro, o que podemos esperar dessa história e qual foi a maior inspiração para ela?
Rodrigo:Com a boa recepção que tivemos de Carniça e Lama, a ideia de lançar um título por ano foi devidamente sedimentada com a criação do selo Carniça Quadrinhos. Canil traz uma mistura de origens e referências. Primeiro, é a ideia de contar uma história sobre um dos meus monstros preferidos – que vai ficar em segredo pra não dar spoiler – e dar o fechamento pra uma trilogia meio conceitual que acabou tomando forma conforme trabalhávamos em cada HQ. Cada um destes nossos três primeiros trabalhos traz um aspecto diferente do homem e lida com a desumanização a partir destes aspectos. Isso ficará bem claro quando virem as três capas em conjunto. Carniça falava da alma, Lama da mente e Canil tratará do corpo. Portanto espere algo bem gráfico e violento.
Marcel:O embrião de Canil surgiu juntamente com os primeiros esboços conceituais de Lama. Na época preferimos deixar o projeto para 2019 mesmo, uma ideia mais simples, raiva e confinamento.
2 – Podemos esperar o já tradicional terror com aquela ponta de crítica social, presente em Carniça e Lama, em Canil também?
Rodrigo:Sempre! Mas enquanto em Lama isso era muito mais presente, pois falava do Brasil assustador que surgiu no período das Eleições passadas, Canil será uma história mais direta. Tem uma mensagem ali, mas ela não conduz a história, ela só contextualiza e dá camadas de interpretações caso o leitor queira mergulhar no nosso universo. Caso contrário, será só uma boa e violenta história de terror como deve ser.
Marcel:O que mais me atrai em nossa empreitada carniceira é contar boas histórias de terror brasileiras. Histórias que possam de alguma maneira dialogar universalmente, mas mostrando nossa cultura. Não tem como falar de Brasil, sem uma visão crítica, e o gênero do terror é sempre crítico, seja por metáforas alegóricas, ou sátiras divertidas. Temos uma gama enorme de possibilidades para o futuro.
3 – Os quadrinhos sempre serviram para passar mensagens. Seja o estilo que ele for. Nas publicações da Carniça Quadrinhos, temos visto isso acontecer. É algo pensado, do tipo: “precisamos nos expressar” ou é algo que com o desenvolver da história acaba acontecendo naturalmente?
Rodrigo:Como fã e pesquisador do horror no cinema e nos quadrinhos, esse tipo de história sempre me atraiu mais que as outras. George Romero, John Carpenter e Wes Craven sempre fizeram um terror que tinha algo mais a dizer além de contar uma história assustadora. Os zumbis de Romero e Eles Vivem! do Carpenter são talvez as obras mais emblemáticas neste sentido. Eu não acredito em uma obra apolítica. Toda forma de expressão é politizada e isso não quer dizer que você está apoiando este ou aquele partido, mas sim que toda obra traz um pouco do seu contexto e um traço do seu tempo. É impossível se expressar sem colocar um pouco do que você pensa para fora. É deste tipo de política que estou falando. Em Carniça o contexto social estava ali apenas para desencadear a história que eu queria contar, mas em Lama, aí sim eu realmente queria falar algo além da história. Canil está mais próximo de Carniça neste sentido.
Marcel:Eu acho que a mensagem, o discurso por trás de uma história não pode ser desequilibrado com o ato de contar a história em si. Todo artista se expressa com a sua carga cultural e sua visão crítica do mundo. Acho que estamos com uma boa sintonia, na arte das Hqs eu busco trazer soluções diferentes a cada história, novas influências ,inspirações e técnicas que na minha visão combinem com o roteiro.
4 – Todas as publicações da Carniça Quadrinhos foram de vocês dois. Existe algum planejamento de lançar algo de outros artistas (claro desde que fique no âmbito do selo)?
Rodrigo:Inicialmente estamos trabalhando como uma dupla, mas nada impede que isso possa se expandir no futuro, talvez com obras individuais ou outras mídias, mas ainda é cedo para falarmos nisso.
Marcel:Pois é, sinceramente ainda não falamos sobre isso. Estamos no começo, acho que o trabalho como dupla ainda pode ganhar uma consistência cada vez maior. Virtualmente nada impede que possamos agregar novas ideias no futuro. Um passo de cada vez.
5 – Como funciona o processo de criação da dupla? Vocês se encontram, um chega a dar pitaco no trabalho do outro e tal?
Rodrigo:Nosso processo de criação é mais simples do que eu gostaria. Eu tenho uma ideia, discutimos em conjunto, o Marcel dá suas sugestões e, se ambos concordarmos, passamos para o roteiro. Quando a arte começa, ele vai me mandando os esboços e vamos reconfigurando e ajustando o que for necessário. Às vezes nos falamos online, mas o processo todo demanda cada vez menos ajustes. São as vantagens de uma parceria de três anos.
Marcel:O processo é simples, chegamos no conceito e ideia juntos… Rodrigo escreve o resumo do roteiro e eu vou pesquisando as minhas referências e técnicas que acredito ilustrar melhor a ideia. Com o roteiro escrito, durante a fase de esboços vamos diagramando melhor página a página. Temos uma dinâmica tranquila.
6 – Com o Brasil do jeito que está, com lideranças duvidosas, casos e ameaças de censura, é um prato cheio para uma HQ de terror. Mas também acredito que devemos alertar e tentar falar abertamente sobre isso. Caberia isso em alguma publicação da Carniça Quadrinhos?
Rodrigo:Este é um problema com o debate político atual no Brasil. Ser oposição ao governo não é ser a favor deste ou daquele governante. O povo tem sempre que fazer oposição ao governo. De maneira coerente e racional. Questionar e fazer valer o seu voto não é “torcer contra”, mas garantir que as coisas caminhem como o país precisa. As pessoas hoje estão muito passionais quando se trata deste tema e isso acaba podando alguns artistas que ficam com receio de se posicionar. Mas desde que a história não seja panfletária e não deixe o discurso falar mais alto, não vejo problema. O discurso pode te fazer perder este ou aquele leitor, mas uma boa história vai manter todo mundo atento ao seu trabalho. Este é o segredo. A partir daí, qualquer tema cabe em nossos quadrinhos.
Marcel:O Brasil é uma fonte inesgotável de decepções, um abismo que nunca chega, como diria o querido Fausto Fawcett. Eu particularmente sempre me posicionei criticamente a TODOS os governos que tivemos, e sigo assim. Política não é torcida de futebol. Com o mar de ignorância e cegueira ideológica avançando, o diálogo vai se embrutecendo. Eu sou um otimista relutante…vivo no meu mundinho, fazendo o que posso e está ao meu alcance. Tudo pode e deve ser refletido na produção artística…sigamos em frente.
7 – Indo para outros trampos agora… Recentemente foi lançada a campanha no Catarse da antologia VHS. O Rodrigo é um dos cabeças, junto com o Fernando Barone, e ainda escreve a história “A Nova Ordem”. Fale um pouco sobre o projeto e sobre a história Rodrigo.
Rodrigo: A ideia surgiu há algum tempo atrás quando falávamos sobre criar um coletivo de horror em quadrinhos pra publicar histórias inéditas anualmente. Durante a CCXP no ano passado muitos dos autores de horror acabaram ficando bem próximos no que acabamos chamando entre nós de “beco do horror” e a ideia foi tomando forma aí. O Barone tem experiência como editor e topou embarcar nessa pra tirar esse projeto do papel. Abrimos uma espécie de “processo seletivo” e recebemos muitas histórias boas de muita gente com quem sempre quis trabalhar o que acabou resultando em uma coletânea de mais de 280 páginas! O resultado está muito bom e espero realmente que a campanha dê certo, pois a VHS merece ser lida!
A Nova Ordem, minha HQ que faz parte da coletânea é ilustrada pelo incrível Leopoldo Anjo, que trouxe exatamente a pegada oitentista que eu queria pra história. Aqui vemos um casal de heróis, Marreta e Ceifador, em direção a uma base alienígena de onde uma série de ordens mentais são enviadas para dominar a humanidade. É uma mistura de Eles Vivem!, Fuga de Nova Iorque e Thundercats. Coloquei de tudo um pouco das minhas referências adquiridas durante milhares de horas em frente à TV nos anos 80, além de, é claro, trazer a aventura pro nosso contexto atual. Se eu falar mais, vai estragar as surpresas, afinal é uma história curta.
8 – O Marcel também está em VHS, você fez a arte de “Controle de Pragas Abençoado” que tem roteiro do estreante Hedjan Costa. Poderia falar um pouco sobre a história?
Marcel:Conheci o trabalho do Hedjan na antologia de contos de Terror “Narrativas do Medo vol 2”, onde fiz todas as ilustrações . Achei muito bacana ele se aventurar a também escrever quadrinhos. “Controle de Pragas Abençoado” é uma história que me divertiu muito trabalhar. Ela aborda o tema do machismo com toda uma estética “TRASH”. Acompanharemos a dedetizadora Ângela em mais um dia normal de trabalho…rarararara. Não posso contar muita coisa, mas posso dizer quais foram algumas das minhas influências nessa Hq… Evil Dead, Ratos de Porão,Caça-Fantasmas,Tartarugas Ninja…rararara . VHS está MUITO bacana mesmo!
Arte de Canil
9 – Em termos de influências para escrever e desenhar, quais foram as maiores para vocês?
Rodrigo:Talvez minha principal influência seja meu já falecido tio-avô que me apresentou ao mundo das lendas e mitos do nosso folclore. Passei muitas horas em claro depois de ouvir suas histórias da época em que minha família morava na zona rural no interior. Também tenho muita influencia do j-horror e de Junji Ito, do body horror do David Cronenberg e do cinema crítico do John Carpenter. Os quadrinhos da EC Comics, os contos Edgar Allan Poe e Nelson Rodrigues e as músicas de Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Maynard James Keenan (Tool) também acabam no meu balaio de referências e inspirações.
Marcel:É importante o artista beber em diversas fontes para ir sedimentando sua identidade. Apesar de trabalhar com Hqs há pouco tempo, tenho uma carga de experiência com pintura, ilustração, caricaturas e tudo acaba refletindo no meu trabalho de alguma forma. Vou tentar citar algumas das influências para meu trabalho. Na pintura, Cândido Portinari, Van Gogh, Goya e Bosch. Nas Hqs, Richard Corben, Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Mutarelli, Walter Simonson. Na literatura, H.G Wells, Ray Bradbury, Monteiro Lobato, Dostoievski.
10 – A Carniça Quadrinhos é bem querida por todos. Pela qualidade nas publicações e em suas histórias. Teremos alguns produtos relacionados às publicações? Como camisas, adesivos ou quem sabe até mesmo uma bebida alcoólica? Uma pimenta ia combinar legal…
Rodrigo:Já chegamos a conversar sobre isso. Estamos pensando em criar produtos que possam reforçar a marca e também recompensar nossos leitores que sempre nos acompanham. A ideia da camiseta e do boné já passou pela nossa cabeça, com o perdão do trocadilho, mas a ideia da bebida seria uma boa. Quem sabe um “Marafo Carniça” como a clássica cachaça que trazia o querido Zé do Caixão no rótulo? Alô fabricantes de pinga!
Marcel:Pois é, estamos ainda devendo nessa questão…mas são ideias que já conversamos e precisamos botar em prática. Em breve…quem sabe…
11 – Além de VHS e Canil, quais os próximos projetos de vocês?
Rodrigo:Para este ano, além destas duas HQs, também terei uma história minha publicada em Astrum Argentum de Aleister Crowley, da Draco, ao lado do grande artista e amigo Samuel Sajo. Para o ano que vem, além de mais um título do Carniça Quadrinhos, tenho planos de expandir o universo de Marreta e Ceifador com um álbum solo da dupla, novamente ao lado do Leopoldo Anjo, mas o projeto ainda está em fase de discussão sem data para lançamento. E, se tudo der certo, quem sabe um segundo volume de VHS não pinta no Catarse ano que vem?
Marcel:Em 2019 já lancei a Hq “A Necromante” no primeiro semestre, agora em dezembro será lançada “Orixás” do roteirista Alex Mir, onde sou um dos desenhistas participantes, além das já citadas VHS e Canil. Para 2020 embarcarei na produção do álbum “João Verdura e o Diabo” do roteirista Lillo Parra (La Dansarina) , e faremos mais uma publicação pelo Carniça Quadrinhos que já está sendo definida conceitualmente. Tentarei participar de mais um volume da VHS, ou outras publicações de histórias curtas. Para 2021 quem sabe consigo lançar minha primeira HQ ,fazendo roteiro e arte. Muito café e trabalho por aqui….
Depois de debutar com A Canção de Roland, a editora Comix Zone está lançando uma importante HQ argentina, OEternauta 1969. A publicação é um documento contemporâneo de alta tensão da esquerda daquele país no final dos anos 1960. Escrita magistralmente por Héctor Germán Oesterheld e com arte inconfundível de Alberto Breccia, a trama tem uma forte influência de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells.
A trama de O Eternauta 1969 apresenta a invasão de uma raça alienígena, conhecida como “Eles” à Buenos Aires. Então acompanhamos Juan Salvo resiste a alienígenas, viaja no tempo e, apesar de si mesmo, se torna o legatário final de toda a humanidade.
Capa de Hora Cero
Capa da publicação original de 1969
OEternauta foi publicado originalmente na revista Hora Cero Semanal, entre os anos de 1957 e 1959, com arte de Francisco Solano López. Dez anos depois, à convite da revista Gente, Héctor Germán Oesterheld fez o remake da história, mudando em alguns detalhes e dando a ela um tom político mais acentuado. Somando a arte de Breccia, que cria um mundo totalmente novo, mais sombrio e distópico. O que transforma O Eternauta 1969 em um dos clássicos dos quadrinhos mundiais e um dos capítulos da história da terrível ditadura argentina.
Foi depois de O Eternauta 1969, que o compromisso político de Héctor Germán Oesterheld aumentou mais. Destacando a publicação de O Eternauta II, com ilustrações de Francisco Solano López novamente. Serializado entre 1976 e 1978, O Eternauta II marcou a fogo a história dos quadrinhos argentinos e a de seus autores. Oesterheld, comprometido militante dos Montoneros, escreveu esta obra na clandestinidade, depois do sequestro e do assassinato de suas filhas e da apropriação de dois de seus netos pelo governo, e antes de ser sequestrado pelas forças-tarefa da ditadura. Ele foi torturado e assassinado. Seus restos mortais, assim como os de muitos outros desaparecidos, daquele período negro, nunca foram encontrados. Solano López, por sua vez, precisou se exilar na Espanha para salvar a vida de seu filho e poder terminar o trabalho.
O Eternauta 1969 tem 64 páginas e já se encontra em pré-venda na Amazon com um desconto de 30%. A publicação se tornou a mais vendida no site.
Com atitudes como a do Prefeito Crivella, que, no dia 05/09, ordenou o recolhimento, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, do quadrinho Vingadores – A Cruzada das Crianças de Allan Heinberg e Jim Cheung, publicada pela Salvat, as palavras de Charles Xavier se tornam reais: “as pessoas temem o que não compreendem”. Mas me permito a discordar do Professor X, não é temor, é o fato de opinar sem ao menos saber do que se trata. Segundo Crivella, a publicação consta com conteúdo sexual para menores. Ora Sr. Prefeito, se você conhecesse pelo menos um pouco da história, ou pelo menos tivesse visto a publicação, ela apenas mostra, em uma única página, um beijo de dois jovens apaixonados. Essa ordem foi considerada um ato autoritário e homofóbico.
Os quadrinhos sempre puderam falar abertamente sobre tudo que ocorre na sociedade, de modo que todas as idades possam compreender e aceitar (ou não). Mas, principalmente, a nona arte sempre buscou ensinar (preste atenção na palavra) as pessoas que o respeito é fundamental. Em X-Men aprendemos que o preconceito e a diferença entre raças é errado e mortal. Alias, uma história dos mutantes seria muito bem aplicada agora: Deus Ama, o Homem Mata de Chris Claremon. A mesma coisa que temos, sendo relatada historicamente com uma perfeição ímpar, sobre os atos nazistas em Maus de Art Spiegelman. Aprendemos em quadrinhos como Socorro! Polícia! de Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes, publicado pela Editora Draco, que a rotina policial é tensa, perigosa e poucas vezes reconfortante.
Quadrinhos apresentam belas histórias que podemos levar como experiência de vida, comoNão era você que eu esperava de Fabien Toulmé publicado pela Nemo. Ou o Virgem Depois dos 30, publicada pela Pipoca & Nanquim, baseado no livro de Atsuhiko Nakamura, que revelou o gravíssimo problema social por trás dos virgens de meia-idade existentes no Japão. O livro foi adaptado para o formato mangá por Bargain Sakuraich. E o registro histórico de A Marcha publicado também pela Nemo, e recontando a luta de John Lewis e Martin Luther King contra a terrível segregação racial. Na Graphic MSP Jeremias – pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa, mostra como o racismo é sutil e terrivelmente cotidiano em todos os lugares. Os quadrinhos são tão importantes que deveriam estar em salas de aulas, como Angola Janga do Macelo D’Salete.
E sem contar todas as vezes que os quadrinhos contaram belas histórias de amor. Peter Parker e Mary Jane. Clark Kent e Lois Lane. Mônica e Cebolinha (nas versões jovens). O amor sempre foi tema recorrente. E todo o tipo de amor.
Esse tipo de pessoa deveria ler mais quadrinhos. Pois todo tipo de quadrinho falar sobre amor. Talvez falte nesse tipo de pessoa, deva ler um quadrinho sobre um amor verdadeiro e puro. como o do casal Clementine e Emma, da graphic novel Azul é a Cor Mais Quente da francesa Julie Maroh. Deveria ler Apolo e Meia-Noite, que um casal homossexual é totalmente igual a qualquer outro, enfrentando problemas com o dia a dia e combatendo o crime. Deveria ler Batwoman. Onde Kate Kane divide o fato de ser uma vigilante com sua coragem de cair de cabeça dentro dos relacionamentos com outras mulheres. Aprender sobre ter coragem e sensibilidade. Achou que já passou da hora de conhecer a latina América Chavez da Marvel. Talvez para uma pessoa como essa, lhe falte ler Justin de autoria de Gauthier ou conhecer Bendita Cura do brasileiro Mário Cesar. Ou deveria ler sobre Arlequina e Hera Venenosa. Um relacionamento que cresceu muito nos últimos anos por ser sincero e alegre. De repente uns momentos alegres que falte para esse tipo de pessoa. Quer continuar a alegrar o seu coração? Então leia oCara-Unicórnio de Adri A.
E eu nem toquei em outras diversas obras, sejam nacionais ou gringas, que falam e relatam sobre o assunto. E produzidas por quem entende. E a nona arte não se prende em ensinar sobre o amor LGBTQ, também temos fatos históricos, ecológicos, contra a violência, contra racismo, contra xenofobia, contra homofobia etc e tal. Não são os quadrinhos que fazem as pessoas empunhar armas, a espancar negros, hostilizar homossexuais… assim como os videogames, filmes e músicas NÃO transformam pessoas em psicopatas assassinos. Como eu disse antes, os quadrinhos ensinam a formar o caráter e a respeitar a escolha de cada um. Respeitar é a palavra que precisamos. Não precisamos de censura em cima de quadrinhos.
De repente, você está precisando ler mais quadrinhos Sr. Prefeito.
Pegue vídeos de russos bêbados, tretas do jogo do bicho e o filme Snatch – Porcos e Diamantes, misture tudo com uma malandragem brasileira e quadrinhos. No resultado você terá Trambik, a HQ que embola tudo isso com bom humor negro, sarcasmo e um psicopata que adora alicates. A publicação está em campanha de financiamento coletivo no Catarse. E já alcançou a casa dos 10% com apenas um dia no ar.
Trambik conta a história de Boris, Sacha e Wassilu, três russos muito loucos e imbecis que fogem para o Brasil após se envolverem em um acidente na Rússia que acabou resultando em uma vítima fatal: um dos primos do presidente Putin. Ao chegarem em terras Tupiniquins, o trio resolve montar uma biqueira na casa da tia deles, uma senhorinha idosa totalmente insana e violenta que fala mais palavrão que traficante dando esculacho.
Isso já seria ruim o bastante se não fosse pela participação de dois otários que ganham a vida através do jogo do bicho. A partir daí, a ideia passou de ruim para péssima e atingiu os níveis catastróficos de “vai dar merda” estabelecidos pela ONU.
Trambik tem roteiro de Airton Marinho (HellDang, Cabra D´Água, Demônios da Goetia), artes de Gustavo Lambreta (Revista Escape, Traje de Rigor) e foi colorida por Raphael Paiva (Decahedrom). As recompensas vão de marcadores de páginas, adesivos, prints, artes originais e outras publicações dos criadores.
Trambik terá formato 17 x 26 cm, capa cartão e papel couché. O lançamento oficial será durante a CCXP 2019. Para saber mais detalhes, valores e, claro, para apoiar, clique AQUI.
Uma leitura que passeia por influências de filmes de máfia de Martin Scorsese e os tiroteios violentos, tensos e uns tantos pastelões de Tarantino. Essa seria uma boa explicação para a Graffic Noire Jersey, HQ do estreante Gerson de Lima. Publicada esse ano via financiamento coletivo, a trama apresenta um jogo de assassinos nos melhores estilos dos filmes dos já citados cineastas, com reviravoltas, flashbacks, bom texto, excelente músicas (sim, isso mesmo) e muita ação.
A trama começa um dia após de um trabalho barulhento feito por Jack, nosso protagonista. Jack é um assassino profissional, à serviço de uma grande organização chamada de AGÊNCIA e Frank é o contato que lhe consegue os seus alvos. O encontro desses dois começa a destrinchar o que aconteceu no trabalho de Jack, que era para ser simples, e acabou se tornando um grande circo. O alvo era o poderoso Julian, um dos maiores matadores do mundo e um dos líderes do sindicato dos assassinos. E esse alvo, para Jack, é perfeito. Só que uma série de coisas acontecem no lugar e acaba até com um restaurante destruído. E Frank, a mando da AGÊNCIA, quer saber o que aconteceu.
A arte de Graffic Noire Jersey apresenta personagens que planam entre o realismo e o caricato. Mas o que realmente se destaca são os enquadramentos. Eles são praticamente personagens na história. Mas o casamento perfeito acontece entre os enquadramentos e a narrativa visual. As cenas de ação onde se misturam tiroteios, brigas e até lutas de espadas, são cinematográficas e não ficam cansativas e nem confusas para o leitor. Os detalhes como nomes dos personagens ou letras de músicas, como trilhas sonoras, em onomatopeias funcionam e não deixam perdido ao longo da história.
A trama em alguns momentos soa como um clichê, mas ela é funcional e prende. Apesar de ser um tema muitas vezes recorrente como uma organização de assassinos, sempre existem novas formas de serem contadas e criar o interesse de quem for consumir o produto. Gerson transforma Jack em um personagem destemido e sem muita complexidade. Sendo até mesmo simples demais, mas de forma proposital. Pois percebemos que Jack é um cara que sabe onde está e quer ficar ali. Assim como Julian que flerta entre o onipresente e o humano, como uma verdadeira estrela do rock intocável, mas que de repente está no meio do supermercado vivendo coisas normais de pessoas normais. E assim como Jack, Julian sabe de sua “supremacia de lenda-viva” e mantém a sua áurea poderosa.
Graffic Noire Jersey tem todo um ar, como eu disse antes, de grandes filmes de Scorsese e Tarantino misturados com o cinema chinês. E ela transmite um ar meio que noir e sua trilha sonora, que contém Johnny Cash, Bob Dylan, Pixies, Queen entre outros. contribui muito. Aconselho a lerem a HQ ouvindo a trilha no Spotify, faz a ambientação ficar muito mais agradável.
No balanço geral, Graffic Noire Jersey é uma das boas surpresas do ano no quadrinho independente nacional. É uma bela estreia do Gerson de Lima, que estará na CCXP 2019 com a continuação Graffic Noire Memphis.
Graffic Noire Jersey está sendo publicado pelo selo editorial Meia-Noite e para adquirir o seu exemplar, você pode entrar em contato direto com o Gerson de Lima em seu perfil no Twitter: @theimmigrantart.
[ATUALIZAÇÃO] Graffic Noire Jersey está sendo publicado pela Editora Skript em formato 25,8 x 10.8 cm e 80 páginas.
Está em campanha de financiamento coletivo no Catarse, o livro-reportagem São Francisco. Um projeto que une quadrinhos e fotografia abordando, em forma de narrativa jornalística, três aspectos: água, seca e obra. A obra é recheada de histórias reais vivenciadas pelas margens do Velho Chico.
Durante 15 dias, a jornalista-quadrinista Gabriela Güllich e o fotojornalista João Velozo passaram por todas as cidades do Eixo Leste da Transposição do São Francisco, percorrendo mais de 1000km. O que resultou no livro-reportagem São Francisco.
Além de falar sobre uma das obras mais importantes do país, São Francisco, narra com perfeição histórias da vida sertaneja, a relação das pessoas como Rio e o fenômeno da seca. É um registro importante e necessário onde é apresentado uma cultura, sendo eternizada para as futuras gerações.
São Francisco terá 110 páginas. As recompensas vão de adesivos, marcadores páginas, fotografias em A3 e até um zine com bastidores da viagem. Para saber mais sobre a campanha e seus valores clique AQUI.