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Ad Astra: Uma jornada ao não tão desconhecido

Sintetizar os temas de Ad Astra: Rumo às Estrelas seria um tremendo erro de minha parte. Não só por menosprezar o ótimo trabalho do diretor James Gray, mas também por querer simplificar questões que exigem engajamento do espectador para decifrá-las e compreendê-las. Portanto, é bom deixar claro que o filme aborda diversas temáticas difíceis para serem absorvidas de uma vez, e que devem impactar as pessoas de modos distintos. Mesmo assim, há alguns momentos que devem nos tocar de uma maneira muito semelhante, porque condizem com a nossa necessidade inerente de autoconhecimento.

O filme tem Brad Pitt como o protagonista Roy McBride, um astronauta altamente competente e que guarda uma influência familiar dentro do trabalho: seu pai. Interpretado por Tommy Lee Jones, Clifford é um dos astronautas mais conhecidos na história americana por seus trabalhos referentes à exploração de vida extraterrestre. Após anos dado como morto, o governo adquire pistas de que ele possa estar vivo, – além de ter relação com uma possível ameaça à Terra – e decide enviar o próprio filho para tentar se comunicar com o pai.

A sequência que presenciamos a partir daí é a jornada íntima de Roy em busca do pai, mas também à procura de respostas em relação a si próprio. E esta é uma beleza nítida na trama de Ad Astra, porque apresentas duas jornadas que se complementam, mas partem para objetivos diferentes. Enquanto um se esforça e trabalha para alcançar um conhecimento que vai além da humanidade, o outro encontra-se em resolver sua própria humanidade.

Este esforço de Roy é o que garante a intensidade da dramatização da história. Desde os primeiros minutos, o personagem narra sua história e transmite um estado vazio emocionalmente. Seu olhar, suas expressões, e até mesmo a forma de andar, não conversam com o prestígio que ele tem nas divisões da NASA. Há um incômodo constante pouco explicado, criando uma atmosfera claustrofóbica ao seu redor. Em todo momento ele quer fugir, escapar daquela vida, e o filme nos mostra tantas memórias e pensamentos do protagonista, que nos impede de definir sua agonia.

Brad Pitt está tendo um grande ano. Após uma interpretação maravilhosa em Era Uma Vez em Hollywood (2019), aqui, o ator transforma-se em um ser que sempre está com a aparência de derrotado. O drama do personagem tem influência quase total do ator, porque este entrega uma performance formidável, conseguindo espelhar as indignações do personagem e sua profunda dor emocional. Explicando a expressão “quase”, a direção de Gray não pode ser ignorada de maneira alguma, porque é a que sustenta tecnicamente essa prisão psicológica.

A maneira de extrapolar os usos do primeiro plano e do primeiríssimo plano ressalta a importância de sentirmos seus dramas.  O filme vai e volta várias vezes com flashbacks que retomam a relação entre Roy e sua mulher (Liv Tyler), além daqueles que juntam ele e o seu pai na infância. Me lembrou na hora das cenas de A Chegada (2016), que também se utiliza de flashbacks para sensibilizar a vida da personagem e aproximá-la para com o público. E a montagem não para por aí, porque intercala nos momentos corretos diversas cenas desconexas, mas que criam a cadeia psicológica que Roy está. Ele precisa escapar.

Focando em uma abordagem mais técnica, Ad Astra pode cometer alguns erros científicos, mas cinematograficamente tem uma condução brilhante pela constituição das cenas. A fotografia de Hoyte van Hoyteman destaca a saturação de cores específicas, aplica certas luzes e sombras em cenas mais amplas e gerais e, embora o diretor abuse das sombras nos rostos dos personagens, cria uma passagem interessante e significativa no terceiro ato. Há, também, movimentações e ângulos de câmera que se conversam durante o filme, – e você deve ficar atento – mas seria spoiler se descrevesse-os aqui.

Outro ponto fortíssimo é a concepção de cenários, que remete um pouco ao 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) e ao Solaris (1971). Há uma brincadeira de cores em determinada parte que se assemelha ao recente Blade Runner 2049 (2017). Existe a adição de surpreendentes cenas de ação, que, além de serem bem gravadas e conterem uma brutalidade marcante, dão um contraste com a trama rígida e reflexiva.

Chegando no terço final do longa, o filme estava me parecendo um pouco desgastante e, mesmo estando fascinado, senti que o final estava prestes a não entregar nada. Erro rude, porque é aqui que nós partimos da jornada íntima de Roy para um dos temas centrais de Ad Astra. A relação entre Roy e Clifford serve como instrumento para nos levantar questões acerca da busca pelo conhecimento. Afinal, o que buscamos de verdade? De onde surgiu a necessidade instantânea de conhecermos o universo, e de expandirmos horizontes? Seria algo bom realmente? Mais dúvidas e dores? Mais respostas duras para enfrentarmos?

A viagem para o desconhecido, o descobrimento da extensão do universo, a imposição da racionalidade humana diante dos segredos das galáxias, não parecem ser um caminho fácil. E Ad Astra demonstra, com a jornada de Roy e a sua relação paterna, que talvez já tenhamos as respostas, mas não conseguimos enxergá-las, ou, na verdade, nunca quisemos entendê-las.

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Químico da USP analisa a ciência em Dr. STONE: Episódio 1

Eu sempre soube que, algum dia, todos os anos dedicados em minha graduação serviriam para algo. E esse dia chegou. Começaremos por introduções: O redator que vos digita é graduando em Bacharelado em Química com ênfase em Química Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), como aponta a minha biografia (que você pode conferir no final do texto). Também, como um cara que atualmente trabalha no setor educacional, tenho contato diário com as outras ciências.

Dr. STONE é um dos mangás de maior sucesso na Shonen Jump atual (é publicado no Brasil pela Editora Panini), e a inevitável adaptação em animê foi ao ar no começo de julho. A sinopse do show, retirada do site da Crunchyroll, que possui os direitos de exibição e simulcast do animê no Brasil, segue:

Milhares de anos após um misterioso fenômeno transformar a humanidade inteira em pedra, desperta um garoto extraordinariamente inteligente e motivado pela ciência – Senku Ishigami. Diante de um mundo de pedra e do colapso generalizado da civilização, Senku decide usar sua mente para reconstruir o mundo. Ao lado de Taiju Oki, seu amigo de infância absurdamente forte, eles começam a reestabelecer a civilização do zero… Representando os dois milhões de anos da história da ciência, desde a Idade da Pedra até os dias atuais, esta aventura científica sem precedentes está prestes a começar!

Claro que com a difusão da obra por conta do animê, surgiram diversas discussões sobre a credibilidade e/ou exatidão dos então chamados de “conhecimentos científicos” do protagonista, Senku Ishigami. Não é essa a discussão que eu quero entrar, pois isso já foi amplamente discutido. Para se divertir com uma obra de ficção (olha o nome!), é preciso aceitar a suspensão de descrença (link do TVTropes, esteja avisado) e entender que nem tudo vai ou pode ser completamente real. E que nem por isso algo vai deixar de ser proveitoso ou divertido.

Tendo isso em mente, acredito, porém, que ainda seja um exercício válido o de tentar analisar o desenvolvimento da obra, e ver o quanto daquilo seria plausível. É pra isso que estamos aqui, e vamos falar um monte de abobrinhas que muito provavelmente vão estar em grego para maior parte de vocês (e o pior é que, em alguns casos, vai estar literalmente em grego!). Um episódio por vez, pois o protagonista inventa coisas demais.

  • Fazer gasolina a partir de tampinhas de garrafas PET?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Logo nos primeiros minutos do episódio, temos uma afirmação do Sr. Senku que diz que é possível fazer gasolina a partir do Polietileno encontrado em tampinhas de garrafas PET (Cena começa em 1:15). Dá mesmo?

Bem… A primeira ressalva é sobre o material em si. Nem todas as tampinhas de garrafa são feitas de Polietileno (abreviarei como “PE” a partir de agora). Mas até aí, tudo bem. Basta pegar tampinhas que sejam, de fato, feitas de PE. Seguimos.

A reação proposta por ele é a de simplesmente “…cortar as moléculas de hidrocarbonetos para ficarem do mesmo comprimento que a de gasolina“. Vamos também perdoar a linguagem errada pois o pobre tradutor da Crunchyroll não é obrigado a saber química. Colocando de uma forma mais criteriosa, o que ele sugere é a quebra das cadeias poliméricas do PE em cadeias menores, na faixa de 4 a 12 carbonos (especialmente 8 carbonos), característicos da gasolina comercial.

Um artigo publicado em 2016, de Jia, X. e outros (DOI: 10.1126/sciadv.1501591) mostrou estudos que obtiveram, com sucesso, a exata proposta do protagonista: transformar PE em combustível. De certa forma, o animê está certo. Que ressalvas eu tenho a fazer?

Bem, devemos lembrar que o herói da obra é um adolescente, trabalhando num laboratório didático de uma escola de ensino médio. Dentro dessas condições, algumas matérias-primas seriam de difícil acesso… Por exemplo, duvido muito que qualquer escola possua catalisadores complexos de irídio. Ou que um adolescente possua dinheiro o suficiente para comprar isso do seu bolso. Se é que isso é vendido em algum lugar.

Então dá? Dá. Mas putz. Próximo.


  • Morcegos produzem ácido nítrico?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Não é bem uma “produção” dos morcegos. Como explicado pelo próprio Dr. Senku (cena começa em 15:35), o guano de morcegos pode gerar ácido nítrico. Basicamente, esse “guano” é um monte de cocô de morcego, que contém vários tipos de nutrientes, e por isso era utilizado como fertilizante antes do advento da síntese de amônia via fixação de nitrogênio por Habber e Bosch.

De forma mais direta… Sim, você pode conseguir ácido nítrico a partir de cocô de morcego. Em condições naturais, o processo pode ser catalisado por microorganismos. A ressalva está na quantidade gerada. Um artigo de William H. Hess (não confundir com Henri Hess, o da termoquímica) publicado pelo The Journal of Geology em 1900 (como comentado, guano era muito usado – e estudado – no passado), aponta que apenas por volta de 6% da massa de guano de morcego in natura é de ácido nítricoAinda, aponta que gotas de água que caem do teto de cavernas onde há guano de morcego presente possui uma concentração de ínfimos 5,71 miligramas de ácido nítrico por litro de água.

Ou seja… Até tem ácido nítrico ali no balde que nosso amigo cientista posicionou estrategicamente, mas rapaz… Tá tão diluído que demoraria um bom tempo (e uma boa destilação) pra conseguir o suficiente. Boa sorte com isso. Próximo.


  • Produzir Nital caseiro?

RESPOSTA: Surpreendentemente, verdadeiro.

Na cena que começa em 17:13, Senku, Ph.D diz que com etanol e o ácido nítrico obtido no item anterior, ele poderia fazer Nital. E dessa vez, não tenho nenhuma reclamação. Nital é simplesmente uma solução de um álcool de cadeia pequena (normalmente se usa etanol mesmo, mas pode ser feito também com metanol) e ácido nítrico. Não há nenhum processo extraordinário envolvido nem nada do tipo, então sua produção em condições precárias não seria nada muito sobrenatural.

Eu poderia tentar contestar a utilidade de Nital na situação em que eles estão, tendo em vista que ele é normalmente utilizado para capagem de materiais metálicos. Mas sinceramente? Seria uma boa hipótese. Próximo.


  • Destilação de vinho para concentrar o álcool?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Com algumas uvas e muita paciência, a dupla de protagonistas consegue fazer um vinho improvisado. Agora, para extrair o etanol presente na bebida, o Sábio Senku propõe uma destilação (cena começa em 18:56). Inclusive, eu simplesmente adorei a descrição do processo que ele deu: “Aqueça, resfrie e deixe pingar” é um ótimo resumo.

De fato, poderíamos conseguir etanol “mais concentrado” através de uma destilação. Minha ressalva é sobre o equipamento necessário para tal. O show até brinca com isso, fazendo o primeiro “destilador” de Senku não funcionar. Temos dois problemas com o equipamento: o material de que ele é feito, e o método de resfriamento.

Sobre o material, vemos claramente que Senku utiliza barro. Tudo bem, nós conhecemos diversas coisas feitas de cerâmica e similares, não? Meu questionamento é sobre como conseguir o tipo de cerâmica desejado. Pra começar, “cerâmica” nem é o termo certo, pois estamos em estágios menos avançados. Para “endurecer” o barro, é preciso “queimá-lo”, colocando no fogo a determinadas temperaturas. A faixa de temperatura vai determinar as propriedades do resultado final.

Como mostrado no animê, ele utiliza apenas uma fogueira para a queima do barro. A temperatura da queima de madeira possui, em média, uns 600ºC na melhor das hipóteses. Mesmo assumindo essa hipótese, ainda estaríamos muito longe da temperatura necessária para queimar o barro e formar Grés, o estágio mínimo que seria necessário para trabalhar com líquidos. Grés só se forma por volta de 1100ºC.

Sobre o resfriamento, eles até lidaram com isso bem. Fica um pouco aberto para interpretação, mas deu a entender que a destilação só deu certo no inverno. Se esse for o caso, então tá ótimo. Agora, se o processo funcionou antes, daí eu gostaria de entender como o Senku fez para resfriar o vinho em ebulição, sendo que a temperatura ambiente estava na faixa dos 20 e poucos graus.

Então é, a ressalva fica por conta da falta de poder de fogo (desculpem o trocadilho) para conseguir o equipamento necessário.


E assim, terminamos as baboseiras científicas presentes no episódio 1 de Dr. STONE. Dependendo da reação popular, podemos fazer a análise dos outros episódios também.

Caso tenha ficado interessado nessa história pós-apocaliptica, você pode assisti-la na Crunchyroll. Novos episódios são transmitidos simultâneamente com o Japão todas as sextas-feiras, às 11h30.

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NBA 2K20 | A cesta de três ponto no estouro do cronômetro

Os games de esportes são uma febre, sem dúvida. Esta época do ano, devido ao início das temporadas de competições estrangeiras, os lançamentos deste segmentos saem a todo vapor, com os esportes americanos não é diferente. NBA 2K a franquia de basquete virtual mais famosa do mundo está em sua 20º edição. NBA 2K20 chegou!

NBA 2K20 trouxe como proposta principal a simplificação de controles, em comparação as edições anteriores, também uma série de melhoria em seus recursos visuais, e nada mais justo que a última lista de transferências da liga de basquete americana. Além da tão esperada inclusão de uma lista da WNBA, a liga feminina. Entretanto pouco mudou do ano passado para cá, mecanicamente falando, é claro. Passes simples, dribles e arremessos ainda funcionam da maneira mais didática possível, e ainda podem ser realizados com mais “habilidade”, caso você conecte os passes a movimentos na alavanca analógica do controle.

Trazer a física, ao mesmo tempo que tenta equilibrar a liberdade artística dos movimentos do basquete com a I.A, em meio a trilhões de possibilidades de manipulação da ação dos jogadores em campo, nunca será tarefa fácil, e é característico do gênero esportivo, estar sempre na corda bamba da simplificação extrema de um jogo mais arcade gênero há muito se encontra na linha entre a simplificação no estilo arcade e um programa de simulação complicada. Alguns movimentos, por vezes podem ser confundidos com combos de jogos de luta, onde você necessita de uma série de botões apertados em sequências ou ao mesmo tempo, para que sua ação seja reconhecida. De fato, você pode muito bem não utilizar deste meio, mas seu leque de movimentos e finalizações para a cesta serão apenas um décimo de todo o potencial do jogo, o que por mais incrível que pareça, ainda o torna interessante.

A I.A, as vezes te faz parecer um bebê jogando sem entender muito bem dos controles, mas seu padrão de jogo é previsível e fácil de se adaptar, logo o multiplayer local e online, preenche esse vazio, o que torna estes jogos esportivos um marco. Infelizmente, os servidores estavam funcionando vagarosamente dias após o lançamento, com um número inaceitável de partidas que não conseguiam se conectar ou se desconectavam repentinamente no meio do jogo.

Felizmente a franquia MyCareer está de volta e melhor do que nunca, seguindo os passos de outros jogos de esporte. Aqui vivemos o sonho americano de jovens americanos, somos um universitário destinado a jogar na NBA, mas antes temos que trilhar nossa personalidade e criar nossas ambições principais, ser midiático ou se aquele atleta que pensa apenas em melhorar suas habilidades e determinado com a carreira, que está por vir. O conteúdo foi produzido pela SpringHill Entertainment, empresa de LeBron James, e logo percebemos os esforços para transformar este modo de jogo em um experiência quase cinematográfica, o elenco conta com Idris Elba, Rosario Dawson e Thomas Middleditch, cada um interpreta personagens-chave na história de seu personagem, apelidado de Che. Desde sua primeira partida até o tão sonhado Draft da NBA, temos uma gameplay de cinco horas.

O que não poderia faltar aqui é o clássico, MyTeam. Se você está familiarizado com os modos de jogo deste nicho, óbvio que você conhece a criação de equipes, onde os jogadores da liga aparecem como cartas e seu objetivo é criar a equipe dos sonhos. De fato, é uma experiência empolgante, e quem é fã de basquete não pode deixar de ter uma grande alegria em unir uma equipe, com os melhores de cada posição. Embora o conceito principal seja convincente e teoricamente inofensivo, qualquer um que tenha um pocuo mais de experiência na área, sabe que, no fundo, o ecossistema dentro de modos assim, evolui para um Pay-to-Win, e o MyTeam no NBA 2K20 não fica atrás. Desde o início, somos bombardeados com luzes e placas coloridas que nos levam até ganchos, alavancas e roletas para ganhar bônus no jogo. Um verdadeiro caça-níquel.

Além de todos os modos conhecidos ou familiarizados pelos jogadores, a WNBA está finalmente presente em um grande título de basquete! O basquete feminino que recebe o tratamento de AAA é um dos pontos inesperadamente mais brilhantes em NBA 2K20. As atletas foram recriadas meticulosamente na quadra virtual com tanto cuidado e nuances quanto seus colegas mais bem pagos, poderiam ser facilmente o melhor modo de jogo, se não possuísse os mesmos problemas do resto do jogo. Há esperança de que esses obstáculos possam ser superados em futuras atualizações, mas por enquanto é a única coisa que prejudicada o jogo como um todo.

NBA 2K20 é mais um grande simulador de basquete que por conta de sua alta demanda técnica acaba destruindo alguns pontos positivos de jogos de esporte, como o divertimento por divertimento, apenas. A jogabilidade evolutiva mas com uma curva de aprendizado longa e cansativa, com uma pitada de realismo a todo custo tende a cansar. Ao mesmo tempo que NBA 2K20 melhora em certos pontos e traz novidades pontuais, ele corta alguns conteúdos, e traz uma série de novos problemas por conta de sua evolução abrupta. Por trás de tudo isso, a diversão ainda é gratificante. Se você assim como milhões é fã de basquete, principalmente dos astros da NBA, NBA 2K20 é essencial para sua coleção.

OURO- Recomendável

Agradecimentos à 2K pelo envio do código para análise.

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Quadrinhos Torre Entrevista

Sobrevoando a Carniça | Batemos um papo com Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos

Lá pelos idos de 2017, surgia no quadrinho nacional Carniça. A HQ nasceu na parceria do roteirista Rodrigo Ramos e o desenhista Marcel Bartholo, tornando-se um sucesso e criando o embrião do selo independente Carniça Quadrinhos. Onde, em 2018, foi publicado Lama, confira nossa resenha AQUI. A terceira publicação desse “casamento” será agora no final do ano  com Canil. Na nova HQ vai levar o leitor ao presídio de Guarás. Um verdadeiro lugar de terror e morte onde a sociedade descarta aqueles que ela já esqueceu.

Para adquirir as publicações da Carniça Quadrinhos, clique AQUI.

Rodrigo Ramos é autor, roteirista, jornalista especializado em quadrinhos de terror, crítico e autor de Medo de Palhaço. Enquanto Marcel Bartholo é ilustrador, quadrinista, artista plástico, sócio fundador do Estúdio Ideaboa e vocalista da banda Efeito Imoral. Batemos um papo com a dupla e falamos sobre Canil, o selo Carniça Quadrinhos, Antologia VHS, projetos futuros, política nos quadrinhos e de uma possível “Cachaça Carniça”.

1 – Canil está chegando em dezembro, o que podemos esperar dessa  história e qual foi a maior inspiração para ela?

Rodrigo: Com a boa recepção que tivemos de Carniça e Lama, a ideia de lançar um título por ano foi devidamente sedimentada com a criação do selo Carniça Quadrinhos. Canil traz uma mistura de origens e referências. Primeiro, é a ideia de contar uma história sobre um dos meus monstros preferidos – que vai ficar em segredo pra não dar spoiler –  e dar o fechamento pra uma trilogia meio conceitual que acabou tomando forma conforme trabalhávamos em cada HQ. Cada um destes nossos três primeiros trabalhos traz um aspecto diferente do homem e lida com a desumanização a partir destes aspectos. Isso ficará bem claro quando virem as três capas em conjunto. Carniça falava da alma, Lama da mente e Canil tratará do corpo. Portanto espere algo bem gráfico e violento.

Marcel: O embrião de Canil surgiu juntamente com os primeiros esboços conceituais de Lama. Na época preferimos deixar o projeto para 2019 mesmo, uma ideia mais simples, raiva e confinamento.

2 – Podemos esperar o já tradicional terror com aquela ponta de crítica social, presente em Carniça e Lama, em Canil também?

Rodrigo: Sempre! Mas enquanto em Lama isso era muito mais presente, pois falava do Brasil assustador que surgiu no período das Eleições passadas, Canil será uma história mais direta. Tem uma mensagem ali, mas ela não conduz a história, ela só contextualiza e dá camadas de interpretações caso o leitor queira mergulhar no nosso universo. Caso contrário, será só uma boa e violenta história de terror como deve ser.

Marcel: O que mais me atrai em nossa empreitada carniceira é contar boas histórias de terror brasileiras. Histórias que possam de alguma maneira dialogar universalmente, mas mostrando nossa cultura. Não tem como falar de Brasil, sem uma visão crítica, e o gênero do terror é sempre crítico, seja por metáforas alegóricas, ou sátiras divertidas. Temos uma gama enorme de possibilidades para o futuro.

3 – Os quadrinhos sempre serviram para passar mensagens. Seja o estilo que ele for. Nas publicações da Carniça Quadrinhos, temos visto isso acontecer. É algo pensado, do tipo: “precisamos nos expressar” ou é algo que com o desenvolver da história acaba acontecendo naturalmente?

Rodrigo: Como fã e pesquisador do horror no cinema e nos quadrinhos, esse tipo de história sempre me atraiu mais que as outras. George Romero, John Carpenter e Wes Craven sempre fizeram um terror que tinha algo mais a dizer além de contar uma história assustadora. Os zumbis de Romero e Eles Vivem! do Carpenter são talvez as obras mais emblemáticas neste sentido. Eu não acredito em uma obra apolítica. Toda forma de expressão é politizada e isso não quer dizer que você está apoiando este ou aquele partido, mas sim que toda obra traz um pouco do seu contexto e um traço do seu tempo. É impossível se expressar sem colocar um pouco do que você pensa para fora. É deste tipo de política que estou falando. Em Carniça o contexto social estava ali apenas para desencadear a história que eu queria contar, mas em Lama, aí sim eu realmente queria falar algo além da história. Canil está mais próximo de Carniça neste sentido.

Marcel: Eu acho que a mensagem, o discurso por trás de uma história não pode ser desequilibrado com o ato de contar a história em si. Todo artista se expressa com a sua carga cultural e sua visão crítica do mundo. Acho que estamos com uma boa sintonia, na arte das Hqs eu busco trazer soluções diferentes a cada história, novas influências ,inspirações e técnicas que na minha visão combinem com o roteiro.

4 – Todas as publicações da Carniça Quadrinhos foram de vocês dois.  Existe algum planejamento de lançar algo de outros artistas (claro desde que fique no âmbito do selo)?

Rodrigo: Inicialmente estamos trabalhando como uma dupla, mas nada impede que isso possa se expandir no futuro, talvez com obras individuais ou outras mídias, mas ainda é cedo para falarmos nisso.

Marcel: Pois é, sinceramente ainda não falamos sobre isso. Estamos no começo, acho que o trabalho como dupla ainda pode ganhar uma consistência cada vez maior. Virtualmente nada impede que possamos agregar novas ideias no futuro. Um passo de cada vez.

5 – Como funciona o processo de criação da dupla? Vocês se encontram, um chega a dar pitaco no trabalho do outro e tal?

Rodrigo: Nosso processo de criação é mais simples do que eu gostaria. Eu tenho uma ideia, discutimos em conjunto, o Marcel dá suas sugestões e, se ambos concordarmos, passamos para o roteiro. Quando a arte começa, ele vai me mandando os esboços e vamos reconfigurando e ajustando o que for necessário. Às vezes nos falamos online, mas o processo todo demanda cada vez menos ajustes. São as vantagens de uma parceria de três anos.

Marcel: O processo é simples, chegamos no conceito e ideia juntos… Rodrigo escreve o resumo do roteiro e eu vou pesquisando as minhas referências e técnicas que acredito ilustrar melhor a ideia. Com o roteiro escrito, durante a fase de esboços vamos diagramando melhor página a página. Temos uma dinâmica tranquila.

6 – Com o Brasil do jeito que está, com lideranças duvidosas, casos e ameaças de censura, é um prato cheio para uma HQ de terror. Mas também acredito que devemos alertar e tentar falar abertamente sobre isso.  Caberia isso em alguma publicação da Carniça Quadrinhos?

Rodrigo: Este é um problema com o debate político atual no Brasil. Ser oposição ao governo não é ser a favor deste ou daquele governante. O povo tem sempre que fazer oposição ao governo. De maneira coerente e racional. Questionar e fazer valer o seu voto não é “torcer contra”, mas garantir que as coisas caminhem como o país precisa. As pessoas hoje estão muito passionais quando se trata deste tema e isso acaba podando alguns artistas que ficam com receio de se posicionar. Mas desde que a história não seja panfletária e não deixe o discurso falar mais alto, não vejo problema. O discurso pode te fazer perder este ou aquele leitor, mas uma boa história vai manter todo mundo atento ao seu trabalho. Este é o segredo. A partir daí, qualquer tema cabe em nossos quadrinhos.

Marcel: O Brasil é uma fonte inesgotável de decepções, um abismo que nunca chega, como diria o querido Fausto Fawcett. Eu particularmente sempre me posicionei criticamente a TODOS os governos que tivemos, e sigo assim. Política não é torcida de futebol. Com o mar de ignorância e cegueira ideológica avançando, o diálogo vai se embrutecendo. Eu sou um otimista relutante…vivo no meu mundinho, fazendo o que posso e está ao meu alcance.
Tudo pode e deve ser refletido na produção artística…sigamos em frente.

7 – Indo para outros trampos agora… Recentemente foi lançada a  campanha no Catarse da antologia VHS. O Rodrigo é um dos cabeças, junto com o Fernando Barone, e ainda escreve a  história “A Nova Ordem”.  Fale um pouco sobre o projeto e sobre a história Rodrigo.

Rodrigo:  A ideia surgiu há algum tempo atrás quando falávamos sobre criar um coletivo de horror em quadrinhos pra publicar histórias inéditas anualmente. Durante a CCXP no ano passado muitos dos autores de horror acabaram ficando bem próximos no que acabamos chamando entre nós de “beco do horror” e a ideia foi tomando forma aí. O Barone tem experiência como editor e topou embarcar nessa pra tirar esse projeto do papel. Abrimos uma espécie de “processo seletivo” e recebemos muitas histórias boas de muita gente com quem sempre quis trabalhar o que acabou resultando em uma coletânea de mais de 280 páginas! O resultado está muito bom e espero realmente que a campanha dê certo, pois a VHS merece ser lida!

A Nova Ordem, minha HQ que faz parte da coletânea é ilustrada pelo incrível Leopoldo Anjo, que trouxe exatamente a pegada oitentista que eu queria pra história. Aqui vemos um casal de heróis, Marreta e Ceifador, em direção a uma base alienígena de onde uma série de ordens mentais são enviadas para dominar a humanidade. É uma mistura de Eles Vivem!, Fuga de Nova Iorque e Thundercats. Coloquei de tudo um pouco das minhas referências adquiridas durante milhares de horas em frente à TV nos anos 80, além de, é claro, trazer a aventura pro nosso contexto atual. Se eu falar mais, vai estragar as surpresas, afinal é uma história curta.

8 – O Marcel também está em VHS, você fez a arte de “Controle de  Pragas Abençoado” que tem roteiro do estreante Hedjan Costa. Poderia falar um pouco sobre a história?

Marcel: Conheci o trabalho do Hedjan na antologia de contos de Terror “Narrativas do Medo vol 2”, onde fiz todas as ilustrações . Achei muito bacana ele se aventurar a também escrever quadrinhos. “Controle de Pragas Abençoado” é uma história que me divertiu muito trabalhar. Ela aborda o tema do machismo com toda uma estética “TRASH”. Acompanharemos  a dedetizadora Ângela em mais um dia normal de trabalho…rarararara. Não posso contar muita coisa, mas posso dizer quais foram algumas das minhas influências nessa Hq… Evil Dead, Ratos de Porão,Caça-Fantasmas,Tartarugas Ninja…rararara . VHS está MUITO bacana mesmo!

Arte de Canil

9 – Em termos de influências para escrever e desenhar, quais foram as maiores para vocês?

Rodrigo: Talvez minha principal influência seja meu já falecido tio-avô que me apresentou ao mundo das lendas e mitos do nosso folclore. Passei muitas horas em claro depois de ouvir suas histórias da época em que minha família morava na zona rural no interior. Também tenho muita influencia do j-horror e de Junji Ito, do body horror do David Cronenberg e do cinema crítico do John Carpenter. Os quadrinhos da EC Comics, os contos Edgar Allan Poe e Nelson Rodrigues e as músicas de Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Maynard James Keenan (Tool) também acabam no meu balaio de referências e inspirações.

Marcel: É importante o artista beber em diversas fontes para ir sedimentando sua identidade. Apesar de trabalhar com Hqs há pouco tempo, tenho uma carga de experiência com pintura, ilustração, caricaturas e tudo acaba refletindo no meu trabalho de alguma forma. Vou tentar citar algumas das influências para meu trabalho. Na pintura, Cândido Portinari, Van Gogh, Goya e Bosch. Nas Hqs, Richard Corben, Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Mutarelli, Walter Simonson. Na literatura, H.G Wells, Ray Bradbury, Monteiro Lobato, Dostoievski. 

10 – A Carniça Quadrinhos é bem querida por todos. Pela qualidade nas publicações e em suas histórias. Teremos alguns produtos relacionados às publicações? Como camisas, adesivos ou quem sabe até mesmo uma bebida alcoólica? Uma pimenta ia combinar legal…

Rodrigo: Já chegamos a conversar sobre isso. Estamos pensando em criar produtos que possam reforçar a marca e também recompensar nossos leitores que sempre nos acompanham. A ideia da camiseta e do boné já passou pela nossa cabeça, com o perdão do trocadilho, mas a ideia da bebida seria uma boa. Quem sabe um “Marafo Carniça” como a clássica cachaça que trazia o querido Zé do Caixão no rótulo? Alô fabricantes de pinga!

Marcel: Pois é, estamos ainda devendo nessa questão…mas são ideias que já conversamos e precisamos botar em prática. Em breve…quem sabe…

11 – Além de VHS e Canil, quais os próximos projetos de vocês?

Rodrigo: Para este ano, além destas duas HQs, também terei uma história minha publicada em Astrum Argentum de Aleister Crowley, da Draco, ao lado do grande artista e amigo Samuel Sajo. Para o ano que vem, além de mais um título do Carniça Quadrinhos, tenho planos de expandir o universo de Marreta e Ceifador com um álbum solo da dupla, novamente ao lado do Leopoldo Anjo, mas o projeto ainda está em fase de discussão sem data para lançamento.  E, se tudo der certo, quem sabe um segundo volume de VHS não pinta no Catarse ano que vem?

Marcel: Em 2019 já lancei a Hq “A Necromante” no primeiro semestre, agora em dezembro será lançada “Orixás” do roteirista Alex Mir, onde sou um dos desenhistas participantes, além das já citadas VHS e Canil. Para 2020 embarcarei na produção do álbum “João Verdura e o Diabo” do roteirista Lillo Parra (La Dansarina) , e faremos mais uma publicação pelo Carniça Quadrinhos que já está sendo definida conceitualmente. Tentarei participar de mais um volume da VHS, ou outras publicações de histórias curtas. Para 2021 quem sabe consigo lançar minha primeira HQ ,fazendo roteiro e arte. Muito café e trabalho por aqui….

 

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Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Oito animês com temática LGBT para você assistir hoje

Sem nenhum motivo particular em mente, a nossa equipe resolveu fazer uma coletânea de obras de animação japonesa que abordam, de uma forma ou de outra, uma “temática LGBT“.

Todos os títulos escolhidos podem (e devem) ser assistidos legalmente, com legendas em português, via algum site de streaming (que gentilmente te indicaremos), e você pode aproveitá-los hoje mesmo. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã, não é?

SARAZANMAI

Sarazanmai

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 11

Ano: 2019

Sinopse:

Um dia, em Asakusa, três estudantes do fundamental – Kazuki Yasaka, Toi Kuji e Enta Jinnai – conhecem Keppi, um misterioso kappa que rouba suas jóias místicas e os transforma em kappas. Para voltar para sua forma original, eles precisam enfrentar kappas zumbis e roubar as jóias místicas deles. Ao mesmo tempo, algo estranho está acontecendo na delegacia onde trabalham Reo Niiboshi e Mabu Akutsu. Esta é a história de três garotos que não conseguem se conectar com alguém que lhes é importante, e estão aprendendo o verdadeiro significado dessas conexões. (Via: Crunchyroll)

CITRUS

citrus

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 12

Ano: 2018

Sinopse:

Quando a mãe de Yuzu, uma gyaru colegial que nunca se apaixonou, resolve se casar novamente, ela é transferida para um colégio feminino. Yuzu fica mais que chateada de não poder encontrar um namorado lá. Até que, no primeiro dia de aula, ela conhece Mei, a belíssima morena que comanda o conselho de classe, nas piores circunstâncias possíveis. E para piorar, ela descobre também que Mei é sua meia-irmã, e que ambas viverão sob o mesmo teto! (Via: Crunchyroll)

 

GIVEN

given

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 9 (Em andamento, completo em 11)

Ano: 2019

Sinopse:

Por algum motivo, a guitarra que ele amava tocar e o basquete que ele adorava jogar perderam a graça. Essa era a vida de Ritsuka Uenoyama até encontrar Mafuyu Sato. Ritsuka tinha começado a perder seu amor pela música, mas ao ouvir Mafuyu cantar pela primeira vez, a canção ressoou em seu coração e a distância entre os dois começou a encurtar. (Via: Crunchyroll)

 

LOVE STAGE!!

Love Stage!!

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 10

Ano: 2014

Sinopse:

Seu pai é um renomado cantor, sua mãe uma famosa atriz, seu irmão mais velho é o líder da superpopular banda de rock CRUSHERZ e ele… bem, ele é só um otaku comum. A única aspiração de Izumi Sena é se tornar um mangaka e, para isso, ele se dedica muito! No entanto, ele recebe o convite para participar de uma comemoração aos 10 anos de um comercial de TV que ele fez quando criança ao lado do hoje famoso Ryouma Ichijou, que só aceitou participar com a condição de que o elenco original fosse chamado. Já Izumi não quer participar porque, para isso, ele teria que se vestir de garota. (Via: Crunchyroll)

 

SUPER LOVERS

SUPER LOVERS

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 20 (2×10)

Ano: 2016

Sinopse:

Enganado pela notícia da morte de sua mãe, o adolescente Kaido Haru conhece um menino que insiste em dizer que é seu irmão. Haru faz de tudo para domar o arisco e teimoso Ren, mas parece haver um segredo por trás do nascimento do menino. E logo quando Ren começa a se apegar a Haru, a tragédia acontece… Cinco anos depois, Haru reencontra Ren, crescido em Tóquio, mas… (Via: Crunchyroll)

 

BLOOM INTO YOU

Assista em: Hidive

Número de Episódios: 13

Ano: 2018

Sinopse:

Yuu sempre sonhara em receber uma confisão de amor, mas ao não sente nada ao finalmente receber uma de um garoto. Confusa, ela começa seu primeiro ano no ensino médio e conhece Touko. Será que o coração de Yuu finalmente acelerará? (Tradução livre, via: Hidive)

 

FROM THE NEW WORLD

From The New World

Assista em: Crunchyroll; Hidive

Número de Episódios: 25

Ano: 2012

Sinopse:

Nascida numa utopia futurística, Saki e seus amigos vivem em uma comunidade pacata onde a tecnologia é obsoleta. Porém, quando Saki descobre um artefato perdido, a fachada se quebra, e eles encaram verdades estarrecedoras sobre a sua até então “perfeita cidade”. (Tradução livre, via: Hidive)

 

YURI!!! ON ICE

Yuri!!! on ICE

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 12

Ano: 2016

Sinopse:

Yuri Katsuki carregava a esperança de todo o Japão no Grande Prêmio de Patinação Artística, mas sofreu uma derrota esmagadora nas finais. Ele volta à sua terra natal em Kyushu e se esconde na casa de seus pais, indeciso entre continuar patinando e se aposentar de vez. É então que Viktor Nikiforov, pentacampeão mundial na categoria, aparece de repente com seu colega de treino, Yuri Plisetsky, um jovem atleta prestes a superar seus veteranos. É assim que os dois Yuri e o campeão russo partem para competir num Grande Prêmio como o mundo jamais viu! (Via: Crunchyroll)


Esperamos que você possa aproveitar esses shows e celebrar a liberdade de expressão e de amor que deve ser sempre um dos pilares de nossa cultura 💕

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Detective Comics Quadrinhos

De repente, alguns líderes deveriam ler mais quadrinhos

Com atitudes como a do Prefeito Crivella, que, no dia 05/09, ordenou o recolhimento, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, do quadrinho Vingadores – A Cruzada das Crianças de Allan Heinberg e Jim Cheung, publicada pela Salvat, as palavras de Charles Xavier se tornam reais: “as pessoas temem o que não compreendem”. Mas me permito a discordar do Professor X, não é temor, é o fato de opinar sem ao menos saber do que se trata. Segundo Crivella, a publicação consta com conteúdo sexual para menores. Ora Sr. Prefeito, se você conhecesse pelo menos um pouco da história, ou pelo menos tivesse visto a publicação, ela apenas mostra, em uma única página, um beijo de dois jovens apaixonados. Essa ordem foi considerada um ato autoritário e homofóbico.

Os quadrinhos sempre puderam falar abertamente sobre tudo que ocorre na sociedade, de modo que todas as idades possam compreender e aceitar (ou não). Mas, principalmente, a nona arte sempre buscou ensinar (preste atenção na palavra) as pessoas que o respeito é fundamental. Em X-Men aprendemos que o preconceito e a diferença entre raças é errado e mortal. Alias, uma história dos mutantes seria muito bem aplicada agora: Deus Ama, o Homem Mata de Chris Claremon. A mesma coisa que temos, sendo relatada historicamente com uma perfeição ímpar, sobre os atos nazistas em Maus de Art Spiegelman. Aprendemos em quadrinhos como Socorro! Polícia! de Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes, publicado pela Editora Draco, que a rotina policial é tensa, perigosa e poucas vezes reconfortante.

Quadrinhos apresentam belas histórias que podemos levar como experiência de vida, como Não era você que eu esperava de Fabien Toulmé publicado pela Nemo. Ou o Virgem Depois dos 30, publicada pela Pipoca & Nanquim, baseado no livro de Atsuhiko Nakamura, que revelou o gravíssimo problema social por trás dos virgens de meia-idade existentes no Japão. O livro foi adaptado para o formato mangá por Bargain Sakuraich. E o registro histórico de A Marcha publicado também pela Nemo, e recontando a luta de John Lewis e Martin Luther King contra a terrível segregação racial. Na Graphic MSP Jeremias – pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa, mostra como o racismo é sutil e terrivelmente cotidiano em todos os lugares. Os quadrinhos são tão importantes que deveriam estar em salas de aulas, como Angola Janga do Macelo D’Salete.

 

E sem contar todas as vezes que os quadrinhos contaram belas histórias de amor. Peter Parker e Mary Jane. Clark Kent e Lois Lane. Mônica e Cebolinha (nas versões jovens). O amor sempre foi tema recorrente. E todo o tipo de amor.

Esse tipo de pessoa deveria ler mais quadrinhos. Pois todo tipo de quadrinho falar sobre amor. Talvez falte nesse tipo de pessoa, deva ler um quadrinho sobre um amor verdadeiro e puro. como o do casal Clementine e Emma, da graphic novel Azul é a Cor Mais Quente da francesa Julie Maroh. Deveria ler Apolo e Meia-Noite, que um casal homossexual é totalmente igual a qualquer outro, enfrentando problemas com o dia a dia e combatendo o crime. Deveria ler Batwoman. Onde Kate Kane divide o fato de ser uma vigilante com sua coragem de cair de cabeça dentro dos relacionamentos com outras mulheres. Aprender sobre ter coragem e sensibilidade. Achou que já passou da hora de conhecer a latina América Chavez da Marvel. Talvez para uma pessoa como essa, lhe falte ler Justin de autoria de Gauthier ou conhecer Bendita Cura do brasileiro Mário Cesar. Ou deveria ler sobre Arlequina e Hera Venenosa. Um relacionamento que cresceu muito nos últimos anos por ser sincero e alegre. De repente uns momentos alegres que falte para esse tipo de pessoa. Quer continuar a alegrar o seu coração? Então leia o Cara-Unicórnio de Adri A.

E eu nem toquei em outras diversas obras, sejam nacionais ou gringas, que falam e relatam sobre o assunto. E produzidas por quem entende. E a nona arte não se prende em ensinar sobre o amor LGBTQ, também temos fatos históricos, ecológicos, contra a violência, contra racismo, contra xenofobia, contra homofobia etc e tal. Não são os quadrinhos que fazem as pessoas empunhar armas, a espancar negros, hostilizar homossexuais… assim como os videogames, filmes e músicas NÃO transformam pessoas em psicopatas assassinos. Como eu disse antes, os quadrinhos ensinam a formar o caráter e a respeitar a escolha de cada um. Respeitar é a palavra que precisamos. Não precisamos de censura em cima de quadrinhos.

De repente, você está precisando ler mais quadrinhos Sr. Prefeito.

 

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Detective Comics Quadrinhos

Graffic Noire Jersey | Scorsese, Tarantino e uma boa trilha sonora em quadrinhos

Uma leitura que passeia por influências de filmes de máfia de Martin Scorsese e os tiroteios violentos, tensos e uns tantos pastelões de Tarantino. Essa seria uma boa explicação para a Graffic Noire Jersey, HQ do estreante Gerson de Lima. Publicada esse ano via financiamento coletivo, a trama apresenta um jogo de assassinos nos melhores estilos dos filmes dos já citados cineastas, com reviravoltas, flashbacks, bom texto, excelente músicas (sim, isso mesmo) e muita ação.

A trama começa um dia após de um trabalho barulhento feito por Jack, nosso protagonista. Jack é um assassino profissional, à serviço de uma grande organização chamada de AGÊNCIA e Frank é o contato que lhe consegue os seus alvos. O encontro desses dois começa a destrinchar o que aconteceu no trabalho de Jack, que era para ser simples, e acabou se tornando um grande circo. O alvo era o poderoso Julian, um dos maiores matadores do mundo e um dos líderes do sindicato dos assassinos. E esse alvo, para Jack, é perfeito. Só que uma série de coisas acontecem no lugar e acaba até com um restaurante destruído. E Frank, a mando da AGÊNCIA, quer saber o que aconteceu.

A arte de Graffic Noire Jersey apresenta personagens que planam entre o realismo e o caricato. Mas o que realmente se destaca são os enquadramentos. Eles são praticamente personagens na história. Mas o casamento perfeito acontece entre os enquadramentos e a narrativa visual. As cenas de ação onde se misturam tiroteios, brigas e até lutas de espadas, são cinematográficas e não ficam cansativas e nem confusas para o leitor. Os detalhes como nomes dos personagens ou letras de músicas, como trilhas sonoras, em onomatopeias funcionam e não deixam perdido ao longo da história.

A trama em alguns momentos soa como um clichê, mas ela é funcional e prende. Apesar de ser um tema muitas vezes recorrente como uma organização de assassinos, sempre existem novas formas de serem contadas e criar o interesse de quem for consumir o produto. Gerson transforma Jack em um personagem destemido e sem muita complexidade. Sendo até mesmo simples demais, mas de forma proposital. Pois percebemos que Jack é um cara que sabe onde está e quer ficar ali. Assim como Julian que flerta entre o onipresente e o humano, como uma verdadeira estrela do rock intocável, mas que de repente está no meio do supermercado vivendo coisas normais de pessoas normais. E assim como Jack, Julian sabe de sua “supremacia de lenda-viva” e mantém a sua áurea poderosa.

Graffic Noire Jersey tem todo um ar, como eu disse antes, de grandes filmes de Scorsese e Tarantino misturados com o cinema chinês. E ela transmite um ar meio que noir e sua trilha sonora, que contém Johnny Cash, Bob Dylan, Pixies, Queen entre outros. contribui muito. Aconselho a lerem a HQ ouvindo a trilha no Spotify, faz a ambientação ficar muito mais agradável.

No balanço geral, Graffic Noire Jersey é uma das boas surpresas do ano no quadrinho independente nacional. É uma bela estreia do Gerson de Lima, que estará na CCXP 2019 com a continuação Graffic Noire Memphis.

Graffic Noire Jersey está sendo publicado pelo selo editorial Meia-Noite e para adquirir o seu exemplar, você pode entrar em contato direto com o Gerson de Lima em seu perfil no Twitter: @theimmigrantart.

[ATUALIZAÇÃO] Graffic Noire Jersey está sendo publicado pela Editora Skript em formato 25,8 x 10.8 cm e 80 páginas.

 

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Yesterday: Um mundo sem os Beatles

Em certa passagem do filme, quando o mundo já desconhece os Beatles, o protagonista Rick Maleki (Himesh Patel) canta um trecho de Yersterday – justificando o título – para um grupo de amigos. Imediatamente, as pessoas se emocionam e ficam tocadas ao ouvir uma letra tão bela e poética, atribuindo a concepção da música diretamente ao protagonista. E talvez esta seja a passagem que sintetize o significado de todo o filme; embora os Beatles sejam uma das maiores bandas da história, suas músicas são memoráveis não só por serem tocadas pelos seus artistas, mas por transcenderem a própria existência destes.

Basicamente, a trama gira em torno da não-existência dos Beatles. Quando Maleki percebe o fracasso que é a sua vida profissional na música, decide reconstituir todas as músicas da banda britânica, e montar uma carreira inteira em cima do sucesso daqueles que desapareceram da memória coletiva. O melhor de Yesterday é conseguir brincar e desenvolver sua premissa de maneira criativa e empolgante. A forma como as músicas vão sendo lembradas pelo protagonista, ou quando elas são apresentadas em shows que remetem vários momentos únicos da banda, são exemplos que demonstram as inúmeras possibilidades dos roteiristas para com o desenrolar da narrativa.

E são nessas possibilidades que se encontra um grande trunfo de Yesterday. Mesmo que o filme trabalhe bastante o romance entre Maleki e Ellie (Lily James), ele carrega consigo diversas homenagens ao grupo formado por McCartney, Starr, Harrison e Lennon. Diferencia-se, portanto, de obras como Rocketman (2019) e Bohemia Rhapsody (2018), porque parte de um diferente ponto de vista, reproduzindo as carreiras lendárias através da lembrança de um fã apaixonado.

Porém, a idealização de músicas da década de 60/70 contrastam com a produção musical contemporânea, e esta dualidade é outro ponto fortíssimo de Yersterday. A participação de Ed Sheeran é totalmente proposital, não só por sua popularidade – importante para os produtores -, mas também pela representação de uma época em que a música transformou-se em um produto puramente comercial. E, obviamente, quando Maleki apresenta certas músicas, apesar de ser ovacionado, tem um confronto entre as necessidades do mercado e o seu processo “criativo”.

Dessa forma, Yesterday faz críticas contundentes à indústria musical e à transformação do interesse artístico pelo simples fator monetário. As críticas partem da própria ridicularização de Ed Sheeran – que interpreta a si mesmo – pois trata as composições dele como superficiais e pouco criativas comparadas com as antigas. Esse ato provocador não parece ter a pretensão de julgar o presente, mas de demonstrar como as escolhas e os gostos musicais transformam-se durante a história, sendo moldados pela fama e publicidade. Não que não houvesse isso na época dos Beatles, contudo, o interesse econômico tem degradado a qualidade artística de certos músicos.

Um fortíssimo exemplo dessas oposições é quando – está nos trailers – Sheeran tenta influenciar Maleki a trocar Hey Jude para Hey Dude, demonstrando como as composições ficam em prol de um refrão ou expressão que fiquem marcados de forma instantânea nas pessoas. O impacto no coração deve ser menor do que no bolso.

Diante de tantas qualidades conceituais, Yesterday transmite simplicidade em sua cinematografia, mas esbanja inteligência. Há uma montagem e edição eficazes por aplicar as músicas em passagens de tempo e locais, além de ditar tons de certos momentos. Note como as lembranças de certas músicas são feitas através de movimentos de câmera que se encaixam no vai e volta da cabeça do protagonista, que acaba errando alguma frase ou letra. Além disso, o ápice do longa ocorre em seu terço final, em uma sequência sensacional e surpreendente, que guarda um sentimentalismo e até uma singela prática íntima do diretor Danny Boyle.

Após sete parágrafos elogiando e enaltecendo as melhores partes de Yersterday, gostaria de encerrar o texto com uma das frases mais clichês e precisas de uma crítica: “fecha com chave de ouro”. Contudo, o que acontece nos minutos finais beira ao medíocre. A relação entre Maleki e Ellie não é o maior foco, mas é o que dá substância à história dos personagens. E, depois de um terceiro ato que melhorava a cada minuto, o filme encerra de maneira clichê e completamente previsível tal romance. Se o seu desenvolvimento traduz um ótimo filme, seu desfecho traduz o final de uma novela das nove, porque extrapola o romantismo na relação do casal, e entrega conclusões pífias para as suas discussões.

Yesterday consiste em uma obra cinematográfica que busca enaltecer suas inspirações, e refletir certo otimismo ao espectador. Ainda que estrague um pouco seu final, o filme cumpre suas funções em homenagear os Beatles e desmembrar a indústria musical, que, mesmo com suas ambições financeiras, não consegue substituir o valor artístico das composições que têm como função inspirar e transcender ao longo da história.
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Entretenimento

Torre de Vigilância e Mythos Editora organizam evento em São Paulo

A LEI ACONTECE EM SAMPA! No dia 07 de setembro a Mythos Editora e Torre de Vigilância comemoram juntos o dia do cara mais casca grossa das HQs, o Juiz Dredd, em parceria com a hamburgueria LE Burger!

Quando Pat Mills desenvolveu a revista semanal britânica “2000 AD”, em 1976, levou seu ex-parceiro de escrita, John Wagner, para desenvolver os personagens. Wagner tinha escrito várias histórias no estilo “policial durão” e sugeriu um personagem que levou esse conceito ao seu extremo lógico, imaginando um homem da lei ultra-violento que patrulhasse uma Nova York no futuro, com o poder de administrar a justiça de forma instantânea. Mills tinha desenvolvido uma tira de terror chamada Judge Dread, mas abandonou a ideia. O nome, no entanto, com a ortografia modificada para “Dredd” por sugestão de Gosnell Kelvin, sub-editor, foi adotado por Wagner para o personagem final.

Tantos nomes que passaram por esse ícone da 2000 AD comemoram sua criação. E a Mythos Editora conclama seus revolucionários leitores para um encontro na Sampa do Futuro que vem declarar, definitivamente, GUERRA TOTAL!

O encontro de seguidores da Torre de Vigilância, que acontecerá na mesma hora e local, também será organizado para celebrar o Dia do Dredd, que será comemorado de forma magistral no Reino Unido pela casa editorial do personagem.

Na LE Burger estarão disponíveis quadrinhos, lanches, bebidas e sobremesas (obviamente), bate-papo amigável entre todos e a participação do desenhista Sam Hart (Atômica, Juiz Dredd, 10 Dias Perdidos), além de uma surpresinha comemorativa do Juiz mais casca grossa de Mega-City Um!

Confirme presença no evento do Facebook clicando aqui!

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Torre entrevista | Daniel Sousa, o verdadeiro Homem-Polvo dos Quadrinhos

O mercado de quadrinhos brasileiro vem se consolidando cada vez mais nos últimos anos, principalmente quando pegamos a área independente do nicho, vemos que novos escritores e desenhistas surgiram com ótimos trabalhos. E suas publicações têm ido de vento e popa. O que é o caso do Daniel Sousa.

O Daniel Sousa é morador de Campinas/SP, é designer gráfico e ilustrador, e encarou o desafio de publicar suas HQS em 2018, quando lançou a hqs Entrespaço e O Bar do Pântano. Como um verdadeiro Homem-Polvo, ele fica em diversas frentes com os mais variados projetos: é o artista das webcomics Niilismo Apologético e Rascunho do Inferno, capista do zine do podcast Benzina, está em campanha no Catarse com Histórias para (NÃO) Dormir, esse ano ainda começam mais duas campanhas: Antologia VHS  e Tachyon (que você pode conferir uma prévia no site Tapas), é presença confirmada no Artist Alley da CCXP 2019, fica de frente à loja virtual do Cavernna e ainda encontra tempo para ser paizão de quatro crianças. O homem não para, mesmo assim conseguimos trocar uma ideia com ele para o Dá o Papo Comics:

1 – A campanha no Catarse de Histórias para (NÃO) Dormir é um sucesso (até aqui já estava com 98%). Como surgiu a ideia e o convite para participar dessa antologia?

Daniel: O bacana desse projeto é justamente a vontade de quadrinistas iniciantes de enfiar as caras na produção de quadrinhos. A ideia veio de uma conversa entre o Lucas e o Rafael em um grupo de discussão, e em pouco tempo eles já tinham organizado tudo. A inspiração na obra do Lovecraft foi o ponto em comum entre os autores, e daí o projeto caminhou. Além disso, foram feitos alguns convites para pessoas que já tem um nome estabelecido nas hqs, como o Eric Peleias, Edson Bortolotte, Ede Galileu, e isso foi muito importante não só para ajudar a chamar a atenção do público, mas também para estimular os novos artistas. Essa vontade de colaborar só reforça o que costumo afirmar: Que a comunidade de quadrinistas independentes aqui no Brasil é muito unida. Eu fui convidado meio que em cima da hora para participar do projeto. O artista que inicialmente ilustraria o roteiro do Eric precisou se afastar do projeto, e foi nesse momento que eu fui convidado. Eu já conhecia o Lucas, e ele já havia me convidado anteriormente, mas eu não pude aceitar por estar envolvido em outros projetos, mas o segundo convite bateu certo com o meu cronograma, e eu fiquei feliz em conseguir colaborar.

Tenho ajudado também com a experiência que tive com minhas hqs no Catarse para ir arredondando as pontas da campanha, mas o mérito é todo deles, eu só faço o spam. Mas sim, alcançar praticamente os 100% da meta antes da metade da campanha é um feito bem bacana, e a intenção é continuar arrecadando para oferecer aos leitores ideias que ficaram inicialmente de fora por motivos de orçamento. Então quem está acompanhando o projeto pode esperar metas estendidas com algumas novidades, incluindo uma hq extra com um roteirista experiente e um quadrinista novo, mas espetacular! E pra quem ainda não apoiou, sugiro que dê uma passada na página da campanha no Catarse. Muita recompensa bacana, inclusive um pacotão de hqs anteriores dos artistas envolvidos e arte original.

2 – A história O Chamado de Deus é sua com o roteiro do Eric Peleias. Como foi essa dobradinha e o que pode adiantar da história?

Daniel: O roteiro do Eric é – e não podia ser diferente – excelente. Por se tratar de histórias curtas (7 páginas), espera-se pouco espaço de manobra para se contar uma boa história, e o Eric contornou isso com maestria. Sem abrir mão do horror e suspense, a trama é bem costurada e tem uma carga dramática que dificilmente alguém conseguiria desenvolver em uma narrativa curta como esta.

Tanto o Eric quanto eu estamos em cronogramas individuais apertados, e eu ataquei o roteiro já finalizado. Mas justamente pela qualidade das direções do Eric no roteiro, pude ilustrar as páginas de uma vez só. Mantivemos nossa comunicação mas tudo foi resolvido sem muitas intervenções de um lado ou de outro, e fiquei contente com o resultado. E mais importante para mim, o Eric também.

Sobre a história em si, sem entregar os spoilers, se passa em um hospital psiquiátrico e tem como ponto central os limites entre a loucura e a sanidade – tema sempre presente na produção de Lovecraft. Dizer mais do que isso já é entregar a história.

3 – A gente vê uma galera seguindo muito na vibe de H.P. Lovecraft. O quadrinho nacional bebe muito dessa fonte, o que é natural, pois Lovecraft foi um gênio sem sombra de dúvidas. Quando surgiu a ideia de Histórias para (NÃO) Dormir, rolou algum receio do tipo: “ah mais uma HQ sobre isso” ou se tornou um desafio de fazer algo diferente do que já tinha sido apresentado?

Daniel: Sem dúvidas, a obra do Lovecraft é um tema que sempre foi muito explorado pelos autores de horror e suspense. Com a maioria de suas obras passando para domínio público essa produção só aumentou, e isso tem seus lados bons e ruins. Se por um lado pode parecer um atalho rápido para se produzir material de horror, por outro é um bom ponto de partida e sempre um porto seguro. O fato é que a produção de ficção costuma passar por fases: vampiros, zumbis, worldbuilding medieval, cyberpunk… Acho que o que vale é o mérito do autor em desenvolver uma boa história e tentar se destacar no meio de tantas publicações.

Além disso, é um conteúdo que tem seu público cativo. Se não houvesse saída para esse tipo de material, certamente não veríamos tantas publicações do gênero. Então a questão não é se perguntar “ok, vou fazer mais uma hq sobre esse tema?”, e sim “ok, como posso contar uma história bacana sem cair no lugar comum?”. E sob essa ótica, eu acredito que tivemos sucesso.

4 – O Catarse é uma baita plataforma para artistas independentes e até editoras. E ultimamente temos visto muitas campanhas, principalmente de julho para cá. Como agir para uma campanha não “canibalizar” outra?

Daniel: Antes de mais nada é preciso ressaltar que eu sou cria justamente dessa geração do crowdfunding, hahaha. Da publicação de Entrespaço no ano passado até o final deste ano terei participado de pelo menos 6 campanhas, então esse é o único caminho que utilizei para conseguir publicar minhas hqs.

Eu vejo o financiamento coletivo como um grande marketplace para quadrinistas independentes. Conheci o trabalho de muita gente ao navegar pelas campanhas em andamento, da mesma maneira que há 20 ou 30 anos eu folheava títulos em bancas em busca de algo para ler, e sei que muitos dos meus apoiadores chegaram até meus títulos dessa mesma maneira. Então eu simplesmente não tenho como achar ruim que haja cada vez mais títulos disputando apoio. Isso é sinal que há cada vez mais gente com possibilidade real de ter seu trabalho publicado. O aumento no número de projetos no segundo semestre é algo natural. A CCXP acontece em Dezembro, e é o evento mais visado pelos quadrinistas, então uma concentração de novos projetos nesse período é inevitável já que o processo de seleção prioriza artistas que tenham algo de novo para o evento. Este ano, especificamente, não tivemos o FIQ ou a Bienal de Curitiba para dar vazão a lançamentos ainda no primeiro semestre, então isso influenciou ainda mais. Talvez não seja o ideal, mas estamos longe de estar em uma situação complicada. Ano passado financiei a publicação de duas hqs, uma no primeiro e outra no segundo semestre. A quantidade de apoiadores foi praticamente a mesma. Então eu não quero apresentar uma solução definitiva para essa situação, mas talvez a questão não seja a do autor disputar um possível apoiador com outros autores, e sim pensar em como trazer novos leitores para esse mercado, independente se a campanha acontece em Maio ou em Setembro.

Mas claro, existem outras soluções. O apoio recorrente é uma delas, e nos últimos meses tenho estudado e me preparado para utilizar essa variação de financiamento coletivo como maneira de disponibilizar meus títulos. Gostaria de já estar com isso no ar, mas ficará para o ano que vem.

Mas esse é um daqueles problemas que eu fico feliz em ter para resolver, hahaha. Pior seria se não houvesse esse tipo de plataforma e a produção precisasse ser bancada inteiramente do próprio bolso. Aí sim estaríamos ferrados, pois a quantidade de gente publicando de maneira independente é cada vez maior, e o alcance seria infinitamente menor. O crowdfunding é mais do que uma vaquinha para você bancar sua publicação. É uma ferramenta que cria todo um mercado de leitores. Vale a máxima: em tempos de crise, tem gente que chora e tem gente que vende lenço.

5 – Entrespaço foi a sua estreia nos quadrinhos. Ela tem um peso particular de um momento de sua vida. Já foi lançada até em inglês, sendo bem elogiada por várias pessoas. Como você vê Entrespaço ainda?  Ela chegou onde você queria ou ainda pode alcançar voos maiores?

Daniel: Eu tento não olhar muito para ela hahaha. Sim, tive um retorno muito legal por parte do público com essa hq, e isso me deixa feliz porque o texto é bem pessoal, a metáfora do astronauta é meio que o meu manifesto em forma de quadrinhos.

Artisticamente falando? Foi meu primeiro trabalho em arte sequencial, e se por um lado eu gostei do resultado estético, do outro a narrativa visual me incomoda. E o meu traço estava bem cru nesse trabalho. Tenho consciência que evoluí de lá para cá, mas ainda preciso melhorar bastante alguns aspectos do meu desenho.

Para um primeiro trabalho, acho que ela chegou inclusive mais longe do que eu imaginava. O lançamento no FIQ 2018 foi excelente – foi meu primeiro evento, lançando minha primeira hq – e até hoje encontro leitores que me puxam de lado para contar o quanto se identificaram com a publicação.

Hoje estou com a tiragem dessa hq quase esgotada (espero que sobrem algumas edições para a CCXP19), mas ela está disponível em formato digital na Comixology em inglês (como Interspatial) e português.

6 – Você está presente na Antologia VHS, que reúne uma galera muito boa e está sendo bem aguardada. O que poderia adiantar sobre VHS e sobre a sua história?

Daniel: Cara, poder participar da VHS com esse tanto de gente boa é uma honra pra mim. Para quem não conhece o projeto, é uma coletânea com quase 300 páginas de quadrinhos, organizada pelo Rodrigo Ramos e pelo Fernando Barone e a ideia é homenagear a trasheira dos filmes de terror da década de 80.

A dupla conseguiu juntar uma equipe de primeira pra essa publicação, e eu fiquei chocado quando soube que iria ilustrar um roteiro do demente Victor Freundt, do qual sou fã incondicional. Aliás, eu estou verdadeiramente preocupado com o resultado dessa hq. O roteiro do Victor pega não em só uma, mas em pelo menos uma dúzia de feridas diferentes, e tem um desfecho monstruoso. Estou seriamente considerando contratar um guarda-costas com o resultado das vendas hahaha.

Falando sério, tem sido uma experiência muito boa trabalhar com o Victor nesse projeto. Em Entrespaço eu escrevi e desenhei uma hq. Com O Bar do  Pântano e Histórias para Não Dormir, tive a oportunidade de trabalhar com roteiristas, o Tazzo e o Peleias, e foi um aprendizado pela dinâmica nova. Com o Victor, a diferença é que ele também é um ilustrador, e a dinâmica muda novamente no vai e vem das páginas. O aprendizado tem sido incrível.

7 – No final do ano passado, você e o Felipe Tazzo lançaram o Bar do Pântano. Quando voltaremos a visitar o bar no inferno?

Daniel: Este ano o Bar do Pântano foi indicado, para nossa surpresa, como um dos melhores lançamentos independentes de 2018 do Troféu Angelo Agostini, e não dá pra deixar isso passar em branco. Não levamos o prêmio, e esperamos novamente não levar em 2021, mas para isso precisamos publicar o próximo volume em 2020. Então SIM, veremos mais material. Os compromissos com as duas coletâneas e os dois títulos solo que eu me comprometi a lançar este ano acabaram adiando um pouco os planos, mas não confirmo e  não nego que 2020 possa trazer uma surpresa ou outra. Desde que começamos a pensar nessa hq o Tazzo aproveitou para elaborar todo um universo que pudéssemos ter de base para futuras histórias, e foi nesse vai e vem de conversas pelo WhatsApp e um ou outro encontro movido à base de cerveja que a segunda história presente na revista surgiu.

Então o que temos é um monte de regras, situações, personagens e possíveis acontecimentos que estão fermentando em algum lugar obscuro de nossas mentes, e que em breve serão organizados para um próximo volume do Rascunho do Inferno, que é como carinhosamente decidimos chamar esse universo que criamos.

8 – E aquele papo de animação do Bar do Pântano que surgiu no Twitter?

Daniel: Pois é, temos uma animação em andamento! O Tazzo é um cara ambicioso e eu sou um mosca morta. Pense em Pinky e Cérebro. Os planos para esse universo não estão limitados unicamente às hqs, e isso é algo que o Tazzo tem em mente desde que começamos a conversar sobre esse projeto. A ideia sempre foi expandir isso para webcomics, podcasts, animação, literatura e qualquer outra mídia que a gente puder perverter o suficiente.

No caso específico da animação, no momento não estou tão envolvido com o processo quanto gostaria de estar. O roteiro gira em torno da primeira história da revista, e o Tazzo tem contado com a ajuda do incrível Daniel Ete, também conhecido como baixista do Muzzarelas, para desenvolver a parte visual da coisa. Mas é um processo demorado, e assim que os compromissos com essa pilha de quadrinhos que estou envolvido terminar, volto para dar uma força na animação (e nas outras frentes desse plano). Mas o que tenho visto de todo o processo já está deixando bem claro que vai ser algo insano.

9 – Recentemente, você publicou no Tapas, Tachyon – prologo. Com a descrição de ser uma “hq semi-biográfica que pode ou não conter elementos de verdade”. A HQ ainda vai entrar em campanha no Catarse, mas poderia adiantar alguma coisa sobre Tachyon?

Daniel: Tachyon é uma mistureba de autobiografia, misticismo, vidas passadas, referências artísticas que eu preciso colocar para fora do meu sistema e mais um monte de ideias malucas. Eu passo boa parte do meu tempo acordado absorvendo informações, seja através de notícias, conversa, terapia, twitter, o meu vizinho maluco que insiste em bater boca com o meu cachorro (spoiler: ele ainda não conseguiu ganhar uma discussão)… tem muita merda acontecendo nesse mundo e é um desperdício isso não ser aproveitado em uma boa história. A trama, no final das contas, é uma espécie de exorcismo pessoal. Não no sentido clássico – eu não escrevo terror – mas no sentido de resolver pontas soltas da minha vida, colocar isso em pratos limpos e poder seguir em frente. Então o que você vai ler, não cronologicamente, é uma história de nascimento e morte. Enquanto Entrespaço foi uma espécie de foda-se para interferências externas em minha vida, em Tachyon eu mando o mesmo foda-se para as interferências internas, ou seja, é hora de crescer e entender o quanto você mesmo é responsável pelas suas derrotas e suas vitórias. Mas se você me conhece, sabe que eu não vou fazer isso de uma maneira linear ou, sei lá, didática.

Acredito que seja um trabalho que vai atender aos leitores de Entrespaço, que pedem por mais material nessa linha, mas que ao mesmo tempo tem uma proposta diferente o suficiente para não parecer mais do mesmo. E sim, eu sei que não falei quase nada. É surpresa. Leiam o prólogo e partam do princípio que aquilo é só o comecinho.

Arte para o podcast Benzina.

10 – Você tem histórias autobiográficas, terror, “horror-fantástico-maluco” como Bar do Pântano… qual seria um tema ou gênero que você gostaria de abordar diferente desses? Algo mais político ou mais “faroeste”, futurista…

Daniel: Alguns temas eu prefiro trabalhar com um roteirista. Terror é um deles. Eu não me vejo escrevendo terror em um futuro próximo, acredito que ainda não consegui pegar o jeito para esse tipo de narrativa. Por isso, os meus 3 últimos trabalhos, que são nessa linha, contam com o roteiro de outras pessoas (e posso dizer que pelo menos mais um está nos planos para o ano que vem, já que fui pego de surpresa com um convite bem bacana). Se formos falar de quadrinhos que eu escrevo, aí sim tenho minhas predileções. Futurista, posso dizer que com certeza sim. Política? Claro, mas não no sentido panfletário. É preciso lembrar que política não é (ou não deveria ser) o jogo de poder que vemos em Brasília, mas sim defender ideais que contribuam para a sociedade. E isso pode ser feito tanto através de alegorias quanto numa abordagem mais direta. No final do dia, o que importa é você se sentir à vontade para escrever sobre o assunto.

11 – Eu acredito que estamos vivendo um momento muito bom nos quadrinhos nacionais. Diversos artistas talentosos, uma galera boa se abraçando para divulgação, até mesmo os chamados “grandes sites” têm olhado diferente para o movimento. Mas, uma vez o Aléssio Esteves me falou, e concordo com ele, que não seria uma Era de Ouro essa atual. Porque já tínhamos uma galera trampando antes, e trampando muito bem. O que você acha desse momento? É o momento certo para fazer quadrinhos no Brasil, que se tornará mais duradouro, ou é apenas uma fase que tem uma galera “surfando”?

Daniel: Cara, o momento atual é muito bacana. Minha carreira como quadrinista é recente, mas eu acompanho o cenário nacional a tempos, e a coisa só tem embalado. Mas eu concordo com vocês. Definitivamente estamos colhendo os frutos desse pessoal que praticamente pavimentou na marra o caminho para as hqs independentes. Hoje temos ferramentas de financiamento coletivo que não existiam a 10 anos, e isso facilita imensamente o processo de publicação. Redes sociais, grupos de discussão, tudo isso ajuda muito não apenas para mostrar o seu trabalho, mas também para se relacionar com outros quadrinistas e com o público. Tive muitos apoiadores nos dois extremos do país, um alcance que eu jamais teria se não fosse por essa facilidade. Mas todo o mérito é desse pessoal que está fazendo quadrinhos desde antes dessas ferramentas estarem disponíveis para a maioria do público. Esses sim são os verdadeiros heróis.