Categorias
Quadrinhos Torre Entrevista

Entrevista | Raphael Fernandes, da Draco e um dos operários do quadrinho nacional

A Editora Draco está completando dez anos e com uma baita história de sucesso junto com ela. Sempre investindo em produtos inéditos e nacionais, a Draco já arrebata prêmios, grandes publicações, aborda um tom crítico (e necessário) e uma legião de fãs.

Esse ano, a Draco caiu de vez no mundo do Catarse. Em uma cruzada de praticamente uma campanha por mês, e todas elas bem sucedidas, a editora vem publicando grandes obras em diversos temas e gêneros. Batemos um papo com Raphael Fernandes, editor da Draco, já foi editor da MAD no Brasil, roteirista e um dos grandes “operários” do quadrinho nacional. Falamos sobre Catarse, sobre a Draco e sobre projetos futuros. Da editora e pessoal.

1 – Rapha, a Draco já andou por terrenos do Catarse no passado, mas em 2019 caiu de vez nessa estrada do financiamento coletivo. A campanha dupla de Cabra D’Água e a Peleja Contra os Gigantes e Opticus – Intervenções é a quinta do ano, como surgiu essa ideia de abraçar de vez a plataforma?

Raphael: Nosso principal objetivo como editora é alcançar o maior número de leitores com nossas histórias originais. Por isso, nós estamos nas grandes livrarias, na Amazon e em muitas das feiras de literatura, quadrinhos e cultura pop. Sentíamos que uma grande parcela do nosso público estava consumindo apenas nas plataformas de financiamento coletivo. Também percebemos que não é só uma questão de venda, mas de um conjunto de ações que apresentam o projeto da melhor maneira possível: vídeos, imagens, releases, muitas postagens etc. Tudo isso, ajuda a chegar em um número ainda maior de leitores. O financiamento coletivo é um caminho inevitável e o Catarse tem sido um grande parceiro.

2 – Quando se fala de Catarse, a gente sabe que é um “risco” que se corre. Do tipo se a campanha não for bem, se não chegar no planejado mesmo. Por exemplo, sabemos que o 100% é o top. Mas sabemos que podemos passar dessa marcar e ficar melhor ainda. Existe esse “receio” de não chegar? E se não chegar (vamos bater na madeira três vezes) tem um planejamento “coringa” para isso? Tipo uma reserva para completar a verba da campanha, ou algo assim?

Raphael: Depende muito, Ricardo! A real é que se o projeto não alcançar nem 50%, não faz sentido completar a grana. O Catarse nos ajuda a lançar as publicações com redução de riscos e também já com um número bacana de leitores de saída. Nós estamos no meio de uma crise editorial que deixou todas as editoras com problemas de caixa, as campanhas têm nos ajudado a sair dessa situação e conquistar novos leitores.

3 – Na Draco, vocês já estão bem carimbados na plataforma do Catarse, mesmo assim quando a campanha começa deve rolar aquele frio na barriga, do tipo “será que é esse o projeto correto para lançar agora?”. Como ocorre as escolhas dos projetos para irem nas campanhas?

Raphael: Para falar a verdade, quanto mais a gente faz, menos óbvio fica a produção e a escolha de um projeto. Por exemplo, nós tivemos relativa facilidade em arrecadar a meta mínima com as quatro primeiras obras, mas nessa campanha recente percebemos que não está tão fácil. A escolha das obras está relacionada com uma mistura de sua relevância cultural com o potencial de público da mesma. O frio na barriga vai do começo ao fim, acredite!

4 – Até agora, qual foi o projeto mais “tranquilo” que teve e o mais “tenebroso”?

Raphael: Eu ia dizer “Cyberpunk – Relatos recuperados de futuros proibidos”, mas só conseguimos bater as metas extras nos dois últimos dias. Para falar a verdade, nenhum deles foi tranquilo. Estamos seguindo um modelo muito próprio de campanha: 20 dias apenas, meta inicial baixa e o máximo de divulgação e buzz possível. Reduz o tempo do meio da campanha, mas torna todos os dias relevantes, não há descanso.

5 – Indo para Cabra D’Água e a Peleja Contra os Gigantes e Opticus – Intervenções… fale um pouco desses projetos, de como foi reunir o Airton e o Zanetic e o estalo de fazer um gibi de herói brazuca.

Raphael: Esses projetos estão em andamento há alguns anos! Trabalhamos com esses autores em diversas coletâneas e percebemos que era hora de lançar HQs de fôlego de ambos. Porém, com a crise do mercado, as obras coloridas foram sendo adiadas. Até que com o sucesso das outras campanhas no Catarse, percebi que era hora de colocar esse material pra rodar. Como as HQs tem certa sinergia e dividem um mesmo tipo de público, além dos caras serem amigos, acreditamos que poderia ser muito bacana juntar em uma mesma proposta. Por enquanto, tem dado muito certo!

6 – Está virando uma “tradição” do segundo semestre, uma onda de projetos de quadrinhos no Catarse. E todos os tipos de gêneros, alguns muito bons, outros nem tantos… às vezes acho que os leitores ficam meio que perdido em tanta coisa boa para apoiar. Essa onda de projetos é benéfica, mesmo sabendo que muitas pessoas têm que escolher qual projeto apoiar por causa de grana?

Raphael: Acredito que a onda é benéfica, mas cada campanha tem que trazer novos leitores e também incentivar que apoiem outros artistas. Nós fazemos parte da Coesão Independente, grupo de editoras indie que trabalham em conjunto, e nós ajudamos muito. Sinto que falta uma união maior dos autores de quadrinhos, mas uma boa parcela já colabora muito com as campanhas. E não falo de dinheiro, mas de divulgar o trabalho um do outro. Menos retroalimentação e mais troca de leitores.

7 – Eu pergunto benéfica do tipo: o Catarse é a melhor solução, a melhor forma ou é a forma que temos para publicarmos o que queremos?

Raphael: Sem dúvida, o Catarse é uma ótima plataforma de financiamento de um projeto. No entanto, a Draco sempre atua em diversas frentes: grandes livrarias, Amazon, comic shops e o próprio site da editora. Essa é uma das melhores formas de publicar, mas tem que ter outras cartas na manga.

8 – Saindo um pouco do Catarse, quais são os planos para o futuro da Draco?

Raphael: Estamos completando dez anos e lançando o máximo de coisas para celebrar com nossos leitores! Ainda haverá muitas surpresas, mas estamos esperando tudo ficar pronto para ir anunciando. Há até a possibilidade de uma festa. A agenda está muito cheia com CCXP, Horror Expo e Bienal do Livro do Rio! Alguns spoilers: as gangues estarão de volta, o treinamento só começou, parecia fantasia mas não era, uma estreia dramática, um épico sobre a guerra.

9 – E os planos do Raphael Fernandes? Quem te acompanha nas redes sociais, sabe que assunto é o que não falta para você. Teremos novos roteiros? Alguma coisa, quem sabe (vou dar uma dica se possível) relacionada ao rock? E o Fuzz Tarot, volta à ativa quando?

Raphael: AHHAHA! Gosto de produzir, me faz uma pessoa mais feliz! Estou sempre escrevendo novas histórias e no momento tenho trabalhado em alguns dos projetos da Draco pra 2020. No entanto, existe uma possibilidade de lançar uma ou duas HQs longas novas esse ano. Vai depender de alguns fatores, mas acredito ser plenamente possível. Sobre o rock, tenho um projeto, mas vai ficar pro futuro. Já sobre o Fuzz Tarot, só voltar será em outra plataforma que não o Instagram. Porém, continuo lendo tarot pra galera!

A campanha dupla de Cabra D’Água e a Peleja Contra os Gigantes e Opticus – Intervenções, já se encontra com 66% da meta alcançada. Para saber mais detalhes como valores, recompensas e claro para apoiar, clique AQUI.

 

Categorias
Games PC

R6: Team Empire se consagra campeã do Six Major Raleigh

O Six Major Raleigh 2019 de Rainbow Six Siege já conhece sua equipe campeã: Team Empire que desbancou a equipe multicampeã da G2 Esports , formada por Pengu, e companhia. O Six Major Raleigh ocorreu entre os dias 12 e 18 de agosto, na Carolina do Norte, EUA.

A Team Empire garantiu a vaga na Grande Final após vencer a Team Secret, por 2×1 em mapas. Já a G2 Esports, venceu a equipe da forZe, e chegou a final sem perder nenhum mapa durante todo o campeonato. 

Na Grande Final a Team Empire tratou de colocar respeito nos europeus da G2 Esports, vencendo o primeiro mapa (Fronteira) e quebrando a invencibilidade da equipe logo de cara. no primeiro mapa. Entretanto a equipe de Pengu, Goga, Fabian, Kanto e UUNO, venceram o Café Dostoiévski, após um overtime, empatando a série em mapas por 1×1. Mas os russos não desanimaram e ficaram a frente no placar em mapas após executarem muito bem o mapa Clube.

A decisão ficou para o quarto mapa (Litoral), onde a Team Empire montou um estrutura sólida de defesa, não dando chances para os europeus da G2 Esports, mesmo eles tendo aberto três rounds de vantagem.

A Team Empire então se consagrou campeã, levando o título para equipe formada por, JoyStiCk, karzheka, Scyther, ShepparD e Dan, e um prêmio de $200,000 para a Rússia.

No total, 16 equipes disputaram o campeonato e a premiação total para toda a competição foi de 500 mil dólares americanos. Confira a classificação final:

POSIÇÃO EQUIPE PREMIAÇÃO
Team Empire $200,000
G2 $80,000
3º4º Team Secret; forZe $40,000
5º-8º FaZe; Team SoloMid; Spacestation; Giants $20,000
9º-12º MIBR; Rogue; Evil Geniuses; DarkZero $10,000
13º-16º Nora-Rengo; CYCLOPS; Ninjas in Pyjamas; Fnatic $5,000

*Fonte da tabela maisesport

 

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

A leitura psicodélica, colorida e musical de Beatles – Yellow Submarine

“If you’re listening to this song, you may think the cords are going wrong. But they’re not. We just wrote it like that”

Tudo que os Beatles fizeram, acabou se tornando parte da história musical do mundo. Seja o que eles se interessaram em fazer, seja o que eles não estavam muito interessados em fazer. Nessa segunda opção temos, por incrível que pareça, Yellow Submarine. Concebido como décimo primeiro disco de estúdio da banda, ele foi gravado entre 1967 e 1968 no lendário Estúdio Abbey Road, sendo lançado em 1969. O projeto foi comercializado como banda sonora para o filme de animação do mesmo nome (que chegou aos cinemas em 1968).

Cartaz original do longa animado.

Os Beatles consideraram Yellow Submarine como uma obrigação contratual, o álbum em si possui 13 músicas no total, sendo seis compostas pela banda, incluindo a faixa-título e All You Need Is Love. O restante do álbum são regravações da banda sonora orquestral do filme pelo produtor George Martin. Já o longa animado foi recebido com muito agrado pela crítica. Mesmo com a banda não dando muita importância, eles não dublam seus próprios personagens por exemplo, o filme foi um sucesso de bilheteria justamente por ser uma das bandas mais populares do momento e por ser lançado no meio da cultura pop psicodélica da década de 1960.

E essa psicodelia toda está na graphic novel.

No aniversário de 50 anos de Yellow Submarine, a Titan Comics recrutou Bill Morrison, que tem em seu currículo Mad Magazine e Os Simpsons, para roteirizar e desenhar a adaptação. Morrison seguiu o estilo inigualável do filme e acertou na nota. Falar que a Graphic Novel é um prato cheio para os fãs é chover no molhado. Mas me impressiona como ela é gostosa de ler para quem não é ouvinte da banda. E esse texto, estimado leitor que não gosta de Beatles, é muito para você. Uma pequena curiosidade é que em 1968, também já tinha sido lançada uma adaptação em quadrinhos de Yellow Submarine.

 

“We all live in a yellow submarine… Yellow submarine, yellow submarine”

A trama começa com uma invasão na idílica Pepperland pelos Malvados Azuis, que odeiam música e tudo que o local representa. O recém-nomeado Almirante Fred embarca no Submarino Amarelo atrás de ajuda, recrutando Ringo, John, George e Paul, que voltam com ele para livrar aquela terra do domínio dos autoritários Azuis.

A primeira coisa que tem que se ter em mente para quem não é familiarizado ou simplesmente não curte os Beatles é: Não se prenda à razão. Yellow Submarine não foi feita para pensar muito. Ela é o retrato de uma viagem de ácido em uma kombi cruzando os EUA. Ela não tem momentos surreais. Ela é totalmente surreal. Como algo que só veríamos em histórias do Grant Morrison muito chapado com um baita colorista. A trama tem um norte, ela sabe para onde vai e sabe conduzir o leitor. Mas os devaneios no meio dela são de você se pegar pensando: “mas o que é isso que estou lendo?”

Bill Morrison usou e abusou de cores, nos tamanhos de personagens e nas páginas duplas. Diagramações e quadros exagerados ajudam a compor o estilo psicodélico que a trama exige e urra, às vezes você se pega em uma página dupla lendo uma sequência de diálogos tão ágil que misturada com a colorização te deixa atordoado. Isso sem contar os detalhes em cenários, roupas e personagens. Tudo tão intenso e forte. Mas o grande barato é a satisfação de se ler Yellow Submarine. Pois é uma leitura sem compromisso. Para quem vem de quadrinhos tensos, sejam de heróis ou de outro gênero, que te deixa vibrado ou sonolento no gibi, essa Graphic Novel é um alívio mental e te faz sair da caixinha total.

“All you need is love… All you need is love, love… Love is all you need”

Mas, assustadoramente, Yellow Submarine pode ser um tema atual. Onde vemos os Malvados Azuis que quer dominar a todos de sua maneira, usando de sua ignorância e afogando a cultura musical que dá alegria e vida ao povo de Pepperland. É fácil enxergar o genocídio da felicidade cometido pelos Azuis em alguns governantes atuais… mas, sinceramente… esse não é o papel dessa Graphic Novel. Ela só tem uma missão: te fazer desligar do mundo e curtir somente o barato e bom da vida. Nem que seja somente durante as suas 128 páginas.

Como de praxe, a edição da Darkside Books ficou formidável. Uma graphic novel bem bonita, com cores bem vibrantes que se destacam onde você estiver e que fazem bem aos olhos. Mais um excelente trabalho da editora.

Beatles – Yellow Submarine tem formato 29,4 x 19,4 cm, capa dura e contém extras como esboços originais.

 

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

Gás Negro: quando The Walking Dead e Crossed se encontram

A temática “zumbi” passou por seus altos e baixos nos últimos anos. Com uma explosão de retorno de popularidade no início da década passada, este subgênero de produções (em quadrinhos, livros, séries e filmes) aparentemente havia esgotado suas formas de inovação, caindo na mesmice e passando pela diminuição da febre e anseio do público. Entretanto, há obras que tentam inovar neste – quase – engessado universo. E Gás Negro, de Warren Ellis, seguiu nesta vertente.

Publicada nos EUA originalmente pela Avatar Press entre 2006 e 2007, a minissérie Gás Negro surgiu antes de Crossed, de Garth Ennis, que se consagrou com uma temática similar.

Em ambas as séries os autores desenvolvem um novo tipo de horror zumbi, que diferente do consagrado por George Romero, apresenta uma potencialização dos piores sentimentos das pessoas, que perdem o controle e tornam-se máquinas de matar sem necessariamente morrerem antes. Perde-se parte da discussão social, e apresenta-se um festival de matança desenfreado e chocante.

A trama gira em torno de uma pequena cidade na Costa Leste americana, construída em cima de uma pequena falha tectônica. Ellis desperta o apocalipse zumbi deste universo com uma antiga história, e uma grande tempestade, que rompe a falha e libera um misterioso gás escuro que se espalha por toda a pequena cidade na Ilha da Fumaça. O gás, quando em contato com as pessoas, as transforma em zumbis. Aparentemente apenas duas pessoas escaparam: o casal Tyler e Soo.

O casal que protagoniza (parte de) Gás Negro subitamente deve lidar com uma gigantesca onda de assassinatos ao redor de onde passam. Warren Ellis brinca com a desconstrução da vida em sociedade, fazendo com que seus personagens questionem diversas atitudes enquanto, ao mesmo tempo, devem tomar decisões difíceis. A história é simples e direta, e no momento de ruptura, ela se torna um frenesi com algumas das mortes (e frases) mais bizarras das histórias em quadrinhos. E rapidamente o que parecia The Walking Dead, com vários diálogos convincentes e humanos, se transforma em diversão pura, simples e inusitada.

A arte de Max Fiumara, com cores de Andrew Dalhouse, é escura e densa, porém funcional para o proposto, não fugindo da temática e ambientação. Algumas sequências de ação e perseguição, entretanto, saltam aos olhos pelo gore e pela quantidade absurda e desesperadora de “potencial de vai dar merda.” O leitor sente esperança em pouquíssimos momentos, e enquanto a doença se espalha fica claro que tudo está perdido e a Terra condenou a todos.

Ellis também estabelece logo no primeiro capítulo que o misterioso fenômeno já havia acontecido antes, e a mitologia da Ilha da Fumaça é depressiva por si só. Alguns infectados não perdem totalmente o controle de si mesmos, e parte da diversão da leitura é ver como são diferentes as atitudes que as pessoas tomam, indo do canibalismo ao estupro de uma página à outra. Essa loucura cria um sentimento de incerteza constante que move a leitura, por mais que os diálogos tornem-se cada vez mais simples.

A utilização da força policial e das forças armadas também diverte, com momentos apoteóticos de explosões gigantescas. Aos poucos é possível notar que nem tudo está perdido no momento em que a história está se passando, mas o descontrole é palpável e o inferno total está cada vez mais próximo, apesar de os personagens buscarem algum refúgio.

Gás Negro precedeu o que viria a se estabelecer pouco tempo depois como uma enorme diversão franca e violenta, atingindo muitos leitores por publicações da mesma Avatar Press. O final, bem direto, deixa claro qual é o destino do planeta e a edição trazida ao Brasil pela Mythos Editora compila toda a saga em quadrinhos e não possui extras.

Categorias
Quadrinhos

Juiz Dredd por Brian Bolland, com clássicos do personagem, está em pré-venda

O encadernado apresentando histórias clássicas inéditas do Juiz Dredd ilustradas por Brian Bolland já está em pré-venda, em mais um lançamento da Mythos Editora! Confira detalhes abaixo.

Brian Bolland é um dos nomes mais reverenciados na indústria dos quadrinhos por conta de suas belas artes e traço icônico. Porém, antes de se tornar o grande artista que viria a ser, ele desenhou inúmeras histórias do mais famoso personagem britânico: o Juiz Dredd.

A Mythos reúne nessa edição especial diversas histórias curtas de Bolland para a 2000 AD no começo de sua carreira, onde já demonstrava sua capacidade com primor. Com roteiros dos criadores do próprio Dredd, John Wagner e Alan Grant, é um lançamento essencial para fãs de Bolland e de Dredd!

Quer começar a ler Juiz Dredd? Clique aqui e veja nosso Guia de Leitura completo do personagem!

Bolland é um grande ícone dos quadrinhos mundiais, tendo ilustrado histórias como Batman: A Piada Mortal e Camelot 3000, e também marcou sua carreira produzindo capas para séries como Homem-Animal, Hellblazer e Lanterna Verde, firmando-se majoritariamente como capista da DC Comics.

Juiz Dredd por Brian Bolland possui 92 páginas encadernadas em capa cartão e formato magazine, com preço sugerido de R$ 24,90. Você pode garantir sua edição na pré-venda com 35% de desconto clicando aqui.

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

Placas Tectônicas: a autobiografia que mergulha na mente das mulheres

35 anos, uma filha, um divórcio. Placas Tectônicas é uma história que poderia facilmente ser transportada para as páginas de uma graphic novel através de um drama familiar. Entretanto, a artista Margaux Motin opta por mostrar sua rotina de erros, acertos e superações de forma muito real e divertida, mergulhando de cabeça em seus pensamentos mais íntimos, inesperados e (muitas vezes) totalmente pirados.

Tiras, aquarelas e composições diferentes e criativas dão vida à esta história, um misto de boas conversas e situações inusitadas recheadas de um humor especialmente feminino. Margaux Motin parte do seguinte princípio: após o término de um relacionamento de dez anos, é como se ela tivesse rejuvenescido dez anos. Seus 35 anos tornam-se 25 em suas atitudes, ideias e na forma como ela passa a encarar sua vida, sua rotina e seus afazeres profissionais.

A descoberta feita pela autora, demonstrando que o fim de “uma vida” pode se tornar o início de outra, torna-se rapidamente o fio condutor que guia sua narrativa, construída através de tiras de uma página e histórias curtas, sempre centradas em determinados aspectos de sua fase de adaptação. Motin é sincera, e sua sinceridade transforma Placas Tectônicas num mergulho na mente das mulheres, demonstrando seus gostos pessoais, realizações, desejos e muito mais.

A forma como se relaciona com amigas e familiares, incluindo suas divertidas conversas com a filha, revelam claramente a nova Margaux, se sentindo mais jovem e liberta às novas experimentações, permitindo-se descobrir coisas que até então não havia tido oportunidade de conhecer. E isso chega a incluir uma nova paixão, que também se torna rapidamente um grande destaque para a trama, expondo mais uma vez, honestamente, o que se passa em sua cabeça: paranoias, alegrias e uma miríade de sentimentos.

A narrativa, citada acima, é composta por tiras de página única e histórias curtas. Sua arte, entretanto, é uma bela mistura de linha clara com colagens e cores muito vivas, diversas vezes repletas de efeitos para transmitir determinados sentimentos. Não há divisão de quadros, e isso dá fluidez às suas ideias e sequências de ação (as mais variadas que você pode imaginar).

E sendo uma história autobiográfica, há sempre o receio de que o cotidiano do autor não seja tão interessante. Muitas vezes uma autobiografia é apenas uma fatia ou acontecimento específico da vida de alguém, transposta para determinada mídia, podendo ou não ser cativante. Porém, o cotidiano muitas vezes infantil da autora destaca-se como uma autobiografia que cativa, e ao mesmo tempo diverte e emociona, sem ser clichê. Este talvez seja seu maior mérito como narradora e também como pessoa.

A edição nacional publicada pela Editora Nemo segue o capricho editorial típico do catálogo da editora, recheado de obras-primas. As 256 páginas fluem rapidamente, e há mais de uma forma de degustar esta história, podendo ser uma leitura única e direta do começo ao fim, e também algo a ser consultado esporadicamente para saborear aos poucos algumas historietas que compõem a obra. Acredito que ambas as formas são plenamente possíveis.

E Placas Tectônicas, além de mergulhar na mente de muitas mulheres (com especial destaque para as que já passaram dos trinta anos), também serve como uma boa lição de vida, visto que há algo mais a ser passado. Tudo pode parecer simples, mas existem ideias para se absorver em cada história, e intencionalmente ou não, transmitir tantas mensagens positivas é uma grande capacidade da autora.

Categorias
Serial-Nerd

Big Little Lies encontra o seu final perfeito no último episódio da segunda temporada

Para os telespectadores de produções televisivas, é compreensível sentir um misto de emoções quando sua série favorita está chegando ao fim e por conta disso, muita expectativa é criada para ver os desfechos dos personagens e se isto, será agridoce ou agradável. O primeiro é capaz de derrubar toda a trajetória do show e ficar na memória apenas a decepção causada (oi, Game of Thrones), enquanto o segundo traz um certo alívio e a sensação de missão cumprida. É neste quadro que se encaixa Big Little Lies.

Começo de forma merecida a rasgar seda para a maravilhosa Meryl Streep e sua interpretação fantástica como Mary Louise. Sua entrada na atual temporada foi magistral e pontual. A atriz conseguiu deixar o público com ódio diante de suas intenções para com os netos e sua acidez sempre presente nos diálogos com as Cinco de Monterey. Precisávamos de uma presença assim, que já contava com Nicole Kidman e Shailene Woodley. Aliás, outra atriz se destacou bastante: Zoë Kravitz.

Sendo a pessoa responsável por empurrar o Perry das escadas, vimos Bonnie apresentar todo o estresse após um evento tão traumático como este. Se na temporada anterior,  só aparecia para trazer atrito com Madeline por conta da filha, aqui conseguimos acompanhar a sua evolução e como Zoë tem o bastante para oferecer quando o roteiro permite que a mesma receba a devida atenção. E isso foi catapultado com a chegada de sua mãe, abrindo desta forma, feridas que não tinham sido cicatrizadas completamente. Fico grato por ter presenciado uma atuação louvável, nada caricata para representar alguém com dor e precisando lidar com seus demônios internos.

Posso definir esta temporada numa única palavra: Provação. Assim como a Bonnie, as  outras mulheres do grupo nomeado pelos moradores como Cinco de Monterey também precisaram lidar com difíceis lições e encontrarem forças para se reerguerem. No caso de Madeline, envolveu seu casamento que estava por um fio devido a descoberta de sua traição. Reese Witherspoon mostrou estar bem confortável neste papel desde o ano de estreia da série e nos acostumamos com sua personagem de forma que nos importamos com ela completamente.

Celeste foi simplesmente um fenômeno da natureza. Ao perder o marido, ela também se perdeu. Apesar de todo o abuso sofrido, ainda o considerava como esposo e amor de sua vida. O seu desgaste emocional foi ao limite com a possibilidade de perder seus filhos para a sogra. Com isso, fomos apresentados para a cena muito bem construída do julgamento. As atuações de Kidman e Streep foram os pontos altos nesse clímax.

Quando Corey entrou em sua vida como interesse romântico, Jane se sentiu mais uma vez claustrofóbica com a violência sexual sofrida e acompanhamos a partir disso, um processo de confiança que a mesma estabeleceu para ele até se sentir mais confortável com essa nova fase de sua vida. Confesso que na primeira temporada não imaginaria ver Woodley numa atuação exemplar e gostei de morder a língua. Sendo uma das minhas favoritas, foi bom vê-la se curtindo e permitindo-se. Desfecho melhor que esse não existe, não é mesmo?

Renata é Renata. Simples! Tantos adjetivos para defini-la, mas que nem dá para colocar em ordem. A socialite precisou lidar com a possibilidade de não poder mais viver sua rotina de poder e luxo. Não bastando esse pequeno detalhe, ainda descobre numa audiência pública ter sido traída. O que ela faz diante de tudo se desmoronando? Surta até cansar. Foi uma boa ideia colocá-la numa situação inimaginável, pois permite que Laura Dern mostre um lado que não tínhamos visto de Renata. Sem deixar o jeito cômico dela de ser, é claro.

Quando a cena final revela que estas personagens resolveram contar sobre a morte de Perry, temos o melhor desfecho que a equipe interna de Big Little Lies poderia entregar para os seus telespectadores. Não precisávamos saber as consequências da confissão. Prisão? Trabalho voluntário? Nunca saberemos, porém não importa. O final em aberto não causa frustração e sim, a sensação de missão cumprida.

Big Little Lies deixará saudades mesmo com vida curta, porém é melhor reconhecer o momento certo de finalizar uma história do que permanecer com ela e causar o temido desgaste gerador da grande frustração de seriadores quando sua série favorita chega ao fim.

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

A Marcha – Livro 2 | Não Se Torne Amargo. Na Sua Luta, Persista e Vá em Frente

“Àqueles que disseram: ‘tenham paciência, esperem’. Há muito dizemos que não temos como ter paciência”
(John Lewis)

Exatamente sobre isso que A Marcha – Livro 2 retrata. Não há como mais se ter paciência. Não tem como mais esperar. A publicação segue os acontecimentos da primeira edição, que você pode ler mais detalhes AQUI, e percebemos que ela é um tanto mais tenebrosa e assustadora historicamente do que a sua antecessora. Continuando com a narração do parlamentar norte-americano John Lewis, o sonho do fim da segregação racial nos EUA, continua em fatos pesados e violentos. Em edição completamente recheada de momentos que embrulham o estômago, A Marcha – Livro 2, se torna uma aula de história, onde busca ensinar que a luta do passado reflete na liberdade que se tem no futuro.

Se no primeiro volume, temos uma espécie de “romantização” de um jovem buscando lutar por direitos básicos para a sua raça, como por exemplo, sentar-se em uma lanchonete, com um tom até que leve e esperançoso que abraça o leitor. A Marcha – Livro 2 chega com dois pés na porta. Sendo forte e necessário nos relatos que estão nele. E são atos que refletem muito no momento em que os EUA, e incluo que o Brasil também está enfrentando, por causa de seus líderes controversos. Nessa edição temos pais incitando os filhos a espancarem os negros. Temos governantes recém eleitos, em seus discursos de posse, alimentando o ódio e o preconceito contra raças. Temos políticos usando de ideologias políticas, que são contra e homofobia para menosprezar, perante a opinião pública, seus adversários que lutam pela liberdade e igualdade. A infinidade de violência policial também faz presente.

No segundo volume, John Lewis, com 23 anos, é eleito presidente do Comitê Coordenador Estudantil Não-Violento, alcança os holofotes e se torna um dos líderes do Movimento pelos Direitos Civis, conhecidos como os Grandes Seis. O transformando em um dos principais nomes da histórica Marcha sobre Washington por Trabalho e pela liberdade em 1963. Figuras como Malcolm X, A.Philip Randolph, Bayard Rustin, Robert F. Kennedy, o presidente John Kennedy e, claro, Martin Luther King Jr. estão presentes nessa edição.

Os Grande Seis (da esquerda para a direita) John Lewis, Whitney Young Jr., A. Philip Randolph, Martin Luther King Jr., James Farmer Jr. e Roy Wilkins. Arquivo Hulton /Getty Images.

 

Os relatos de John Lewis roteirizados por Andrew Aydin, são impactantes e transbordam uma genial mistura de biografia do parlamentar com a brutalidade das lutas e politicagem pelos direitos civis. Nessa edição acompanhamos como muitas figuras importantes já não consideram que os meios sem violência não são mais tão eficazes assim, fazendo Lewis testemunhar uma mudança, até um tanto lenta e gradativa, dos pensamentos de alguns de seus companheiros e da juventude negra em si. É tipo aquela velha máxima infeliz da humanidade: alguém luta para alguém usufruir. Mas quem acaba usufruindo não dá o devido valor de como essa luta aconteceu.

Vale destacar as páginas de reuniões e discursos presentes em A Marcha  – Livro 2. O que pode ser maçante e cansativo na linguagem dos quadrinhos, se torna prazeroso e visceral graças aos traços do artista Nate Powell. As palavras parecem que saltam das páginas e as expressões dos personagens, proporciona a sensação de que podemos ouvir o peso das palavras. Assim como podemos sentir os momentos em que a violência explode. Duas cenas ficaram muito fixas na minha memória: a da turba sulista que entra em confronto com os negros, e uma mãe pede para o filho espancar um negro caído e, em outro conflito, quando um policial branco para em frente à uma garotinha negra e agacha para conversar com ela. São dois momentos fortes, em que Powell transmite emoção nos seus traços.

A edição da Nemo é um luxo à parte. Por várias vezes temos músicas durante a história que estão na forma original, em inglês, nas páginas. Mas no rodapé vem a tradução. Ainda conta com o discurso original de John Lewis que foi realizado na Marcha em Washington. A tradução é do Érico Assis. Já estamos ansiosos para a terceira e última edição.

A Marcha – Livro 2 tem formato 23,8 x 16,8 cm, 192 páginas e é uma trilogia vencedora do Prêmio Eisner.

 

Categorias
Serial-Nerd

Pennyworth traz o charme necessário para mostrar a trajetória de Alfred antes de se tornar o famoso mordomo

Quando já temos uma versão estabelecida de certo personagem, não importa em qual mídia e quantos atores o encarnaram, é completamente compreensível sentir uma certa desconfiança quando tentam explorar a sua vida antes de ser o que estamos tão habituados de saber. Essa espécie de prequel ajuda a preencher certas lacunas para explicar características do cerne deste personagem para justificar determinadas ações.

Em Pennyworth, vemos completamente o contrário. O episódio Piloto não tenta construir de antemão certas ligações de Alfred com o seu futuro, sendo aqui um ponto bem positivo. Somos apresentados ao mundo dele como a família, amigos e uma paixão arrebatadora na pele da doce Esmé (Emma Corrin). A única ligação com os gibis foi a apresentação de Thomas Wayne, estabelecendo o primeiro contato entre eles.

Jack Bannon parece ter saído de alguma produção antiga sobre espionagem e isso contribuiu bastante para acrescentar na mitologia de nosso mordomo. Como um ex-militar, Alfred agora quer se encontrar no ramo da segurança e garantir o seu nome neste meio. Bastante habilidoso com armas e em práticas de luta, se assemelha ao Alfred de Gotham (como comentado, tudo indica que as séries se passam no mesmo universo).

O antagonismo fica por conta da Sociedade dos Corvos e logo de cara, já tivemos a maravilhosa presença de Paloma Faith na pele de Bet Sykes como a intermediária de Lord Harwood para assuntos mais radicais. Apesar do sotaque um pouco enjoativo, sua personagem impõe o medo necessário para alcançar os seus objetivos e a todo instante, temos a impressão de perder alguém próximo ao Alfred. (menos o próprio, já que né).

A duração com mais de uma hora pode até intimidar os telespectadores, mas é um mero detalhe que passa completamente despercebido. Pennyworth consegue te manter atento do começo ao fim, assim como alternar situações suaves com mais tensas em questão de um bater de asas. O elenco está bem entrosado e a ambientação é outro ponto legal neste primeiro episódio. Imersão total no clima sessentista. Vale a pena começar a assistir. Só não contem para o Robin de Jovens Titãs em Ação!

Pennyworth terá 10 episódios em sua temporada inicial.

Categorias
Categorias Tela Quente

Era uma Vez em… Hollywood mostra o vício do Tarantino em fazer obras primas

É realmente difícil ter que falar sobre essa obra sem suspirar, ou não querer empolgadamente falar das cenas favoritas. Acho que esse é algo que poderia ser chamado de “Efeito Tarantino“; é quando você, mesmo depois de dias, ainda não consegue assimilar o que viu e viveu ao ver o filme. Antes de começarmos, uma coisa deve ser explicada sobre ‘Era uma Vez em… Hollywood‘, isso não é uma biografia. É um filme do Tarantino. “É O filme do Tarantino!”, como diria minha cabeça ao terminar esse longa.

Resultado de imagem para once upon a time in... hollywood

O filme se situa no ano de 1969, contando as tramas de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), Sharon Tate (Margot Robbie) e Cliff Booth (Brad Pitt). Os personagens de DiCaprio e Pitt são dois grande amigos que trabalham juntos no ramo de cinema e televisão, e nisso damos início ao filme. Rick ao lado de Cliff, seu dublê, busca a fama de ser uma estrela, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na época. Assim, somos apresentados a Sharon Tate, que acaba de se mudar com seu marido, Roman Polanski, para Los Angeles. Com sua junção de fantasia e realidade, nós temos aqui uma história fantástica.

Provavelmente, esse é o longa mais puxado para o humor dramático que Quentin já dirigiu em sua carreira, e também um dos com menos violência (mas não se assuste, o filme tem partes de violência muito bem dirigidas). Também já vimos algo que o diretor fez em “Bastardos Inglórios“, juntando a realidade e a ficção, e isso merece reconhecimento. O filme consegue transitar entre ‘filme de época’ e a visão do Tarantino. Na medida que temos movimentos de câmeras mais usados da época, gírias e tudo remetente aos anos 60, ainda temos a fotografia, os diálogos e piadas que apenas ele poderia ter criado, e lógico, várias cenas com pés.

O desenrolar do filme funciona muito bem, a motivação de cada personagem, suas personalidades, tudo é muito bem desenvolvido. Por mais que no segundo ato do filme o roteiro acabe ficando um pouco mais arrastado, não quer dizer que faça perder qualidade, é nesse momento onde temos as partes mais importantes para o final, e onde entramos mais na cabeça e na história de cada personagem. Em todos os atos, a diversão é algo que não falta e poder ver a progressão de cada trama é eletrizante e curioso.

Resultado de imagem para once upon a time in... hollywood

Um dos feitos mais impressionantes do filme são as atuações, todos os atores estão dando o seu melhor. Enquanto DiCaprio consegue passar a dor de um ator fracassado, Brad Pitt consegue passar a imagem de um dublê misterioso e durão. Mas, a única crítica aqui vai pelo fato de não terem usado do magnifico talento da Margot Robbie, que apenas ganha suas falas após a uma hora de filme. Sendo que o filme tem como base o caso do assassinato de Sharon Tate, durante a primeira hora de filme nós apenas vemos a atriz sendo admirada, sem ter um impacto; praticamente usada só para mostrar a sensualidade de Sharon, que foi a sex symbol dos anos 60.

Talvez possa ter sido uma forma de falar do cinema da época, ou da forma em que a mulher era retratada, mas mesmo assim, é triste ver a Margot não podendo mostrar todo seu talento. Em suma, um baita espetáculo de atuação, praticamente uma aula de um elenco de peso como esse. Até mesmo os personagens secundários e alívios-cômicos conseguem um destaque com suas atuações.

Imagem relacionada

Não podemos esquecer da parte técnica do filme, que foi feita majestosamente. A fotografia do filme, como já mencionada, usa de cenários, ângulos e movimentos que remetem a outras obras dos anos 60, mas também é possível ter a visão do diretor nelas. Com imagens lindas que possuem de cores vibrantes, contraste e chamativas; literalmente um ”every frame a painting”.

Sobre a trilha-sonora, simplesmente fantástica e selecionada. Com músicas da época, o filme cria uma atmosfera que faz o espectador entrar para o mundo do filme, e todas conseguem tornar as cenas momentos mais memoráveis ainda. Em certos momentos, a trilha sonora é também utilizada para a transição de cenas, que funciona perfeitamente bem, e deixa um toque especial.

A maestria por parte do Tarantino e sua equipe técnica fazem com que o nível do filme se eleve cada vez mais, cena após cena, é impossível não se apaixonar pela fotografia, ou não ficar com vontade de dançar ao escutar músicas tão icônicas.

Imagem relacionada
Em conclusão, Era uma Vez em… Hollywood é um filme que respeita a base da sua história, que consegue cativar o espectador até o final e que ao mesmo tempo consegue entreter. Um filme que tem sua visão própria, mas que ao mesmo tempo consegue remeter aos clássicos da época, o nono filme de Quentin Tarantino é uma grande obra, e eu poderia dizer que uma das suas melhores, que até mesmo com suas falhas, tem seu encanto único.

“Era uma Vez em… Hollywood” chega aos cinemas brasileiros dia 15 de agosto.

Nota: 4.5/5