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Doutor Sono: Uma continuação decente e respeitosa

Dirigir a continuação de uma das obras mais consagradas do cinema não parece ser tarefa fácil. Ainda mais quando o seu antecessor é simplesmente o trabalho de um dos maiores diretores da história. Afinal, como construir e elaborar uma narrativa que consiga ter pernas próprias, sem depender de comparações com o passado? Doutor Sono é a resposta surpreendente e consciente de Mike Flanagan; reverenciar e respeitar o passado, contudo, ter coragem de desenvolver temáticas contemporâneas e ideias inovadoras. Embora seja adaptação do livro de Stephen King, a obra se apega à concepção estética de Stanley Kubrick,  além de construir novas abordagens.

Ouvir os famosos acordes da trilha de O Iluminado (1980) é algo que arrepia até mesmo aqueles que desconhecem o filme. Essa memória icônica está presente logo nos segundos inicias de Doutor Sono, já deixando claro o quão integrado sua história está com a do antecessor. Adaptando o livro de mesmo nome, a narrativa acompanha Danny Torrance (Ewan McGregor) após mais de 30 anos do incidente no Hotel Overlook, um homem que está tentando tratar seu alcoolismo, ao mesmo tempo em que guarda o segredo de sua “iluminação”. A conexão entre os dois filmes é parte integrante da obra, mesmo com novos personagens e situações, os conflitos internos do protagonista estão centrados nos acontecimentos passados e, constantemente, a narrativa retoma esses momentos por meio de alucinações e flashbacks, que recriam cenas exatas de O Iluminado – com atores diferentes.

A necessidade que Flanagan tem de usar o estilo único de Kubrick não demonstra só competência – também expõe coragem. Seja na construção idêntica dos cenários, ou seja na recriação de cenas memoráveis, o diretor tem muito respeito com a concepção estética de Kubrick. Há um certo entendimento sobre o quão importantes são as composições cinematográficas para a criação da atmosfera e do ambiente em torno dos personagens. Nota-se como ocorre as rimas entre este e O Iluminado – só um exemplo para não dar muitos spoilers, o escritório em que Danny tenta arrumar emprego é muito semelhante, nas cores e na arquitetura, da sala em que o pai, Jack (Jack Nicholson), aceita o trabalho no hotel. Além disso, precisa ser mencionado o uso excepcional das técnicas de montagem e de movimentação de câmeras, que são idênticas às utilizadas por Kubrick; as transições de cenas através do crossfade e o uso de panorâmicas e travellings, quase sempre explorando as passagens dos personagens entre os cenários.

Enquanto o filme trata de abordar de forma respeitosa seu antecessor, há a introdução de novas temáticas e personagens. Principalmente as duas protagonistas, Abra (Kyliegh Curran) e Rose (Rebecca Ferguson), que agregam à história por serem a verdadeira distinção entre bem e mal. O embate entre as duas, já que Abra possui uma poderosa iluminação, e Rose se alimenta a partir da morte dos iluminados, apresenta um tratamento visual impressionante. A luta centra-se em um plano mais espiritual e ritualístico, favorecendo a utilização de sequências que abordem elementos reais de forma metafórica. Como, por exemplo, arquivos extensos representando as memórias.

Apresentando um elenco feminino fortíssimo, outra adição, que só aparenta ser de menos importância, é a atriz Emily Alan Lynd. Sua personagem, Snakebit Andi, não é uma simples iluminada que tenta esconder seus poderes e “capacidades psíquicas”, mas sim uma combatente diante dos abusos e da pedofilia praticada por homens adultos. O próprio discurso da personagem está muito ligado com a questão feminista, deixando claro a necessidade que ela tem de marcar suas “vítimas” como uma forma de os envergonharem publicamente. O Iluminado apresentava questionamentos semelhantes, contudo, seus debates eram muito mais implícitos devido a alta capacidade que Kubrick tinha de abordar o tema. Dessa maneira, Doutor Sono expande as barreiras do que é ser iluminado, não se limitando apenas em um poder inexplicável, porém, em uma possível ferramenta social.

E, obviamente, o título Doutor Sono não é por acaso, porque Danny entende sua iluminação além dos simples poderes. Mesmo assim, há certa relutância por parte dele em usar suas habilidades devido ao passado envolvendo seu pai e o Hotel Overlook. Além disso, seus problemas abordam questões reais e práticas como o alcoolismo, algo que o personagem está constantemente tentando escapar. Fica claro o como a obra articula a história de Danny com solidão e melancolia; tendo seu quarto semelhante à uma prisão psicológica. A atuação de Ewan McGregor reforças esses sentimentos e angústias, criando uma complexa dimensão do indivíduo.

Ao passo em que nos aproximamos da reta final, as referências ao Iluminado são quase inevitáveis. Com isso, Doutor Sono cria um terceiro ato que guarda ação, violência e sustos, mas sem deixar escapar o foco narrativo, que é a densa camada psicológica de todos os personagens. Todos ali enfrentam dores próprias e questionamentos, mas Danny é aquele que deve enfrentar seu passado. Quando tudo parecia levar a um final genérico, há um importante encerramento de um ciclo, que transmite a ótima química entre Abra e Danny, e a sensibilidade do diretor ao resolver as profundas e dramáticas dificuldades de seus personagens.

Doutor Sono consiste em uma sequência decente e respeitosa do material original. Tendo consciência da importância de seu antecessor, o filme tenta recriar de forma contemplativa a linguagem de Kubrick. Contudo, Mike Flanagan não se intimida em abordar e expandir temas que conversam com a época em que vivemos. Enquanto O Iluminado apresentava a insanidade e a prisão psicológica de Jack, Wendy e Danny, a nova história mostra como combatermos nossos demônios, sejam eles no plano real ou espiritual, emaranhados na densa teia psicológica do ser humano.

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Primeiras Impressões | ASSASSINS PRIDE

Esse show é exatamente o que você está imaginando, e é exatamente o que se propõe a ser. Dessa forma, não há muito o que comentar, além de chover no molhado: puta merda bicho, lá vamos nós de novo.

No início da década de 2010, vivemos o auge de um gênero conhecido (por mim, ao menos) como “Harém Escolar Mágico Genérico“. O nome diz tudo, e se você assistiu alguma coisa dessa época, com certeza sabe do que eu estou falando.
Por conta da explosão do isekai, os haréns escolares mágicos genéricos entraram em decadência, e passaram a ser exemplar raro ultimamente. Mas quando encontramos um…

Apenas membros de famílias nobres detêm o Mana, um poder que lhes torna capazes de enfrentar monstros. Kufa é um nobre, nascido numa família de duques, que é enviado para tutorar uma jovem chamada Merida. E em segredo, Kufa é encarregado de assassinar Merida caso ela não demonstre talento para utilizar o Mana. (Via: Crunchyroll)

Baseado numa Light Novel de mesmo nome, com autoria de Kei Amagi e ilustrações de Ninomotonino, ASSASSINS PRIDE é uma enorme reunião de tudo aquilo que torna um harém escolar mágico genérico em um… Bem, um harém escolar mágico genérico: o protagonista Kiritoface; as dezessete garotas, cada uma se encaixando em um estereótipo já conhecido; as roupas espalhafatosamente ridículas; o worldbuilding absurdo e que mesmo sendo cortado a menos de 10% do material original, continua sendo extremamente cansativo e repetitivo na adaptação; as batalhas escolares que por algum motivo colocam a vida dos estudantes em muito mais risco do que deveriam… E por aí vai.

De verdade, eu realmente não tenho nada a acrescentar sobre ambientação, sobre as personagens ou sobre a trama. É tudo tão engessado, é tudo tão clichê, que você já sabe do que se trata ou como as coisas vão se desenrolar. O que eu posso comentar sobre, porém, são as qualidades que diferenciam esse show dos seus antecessores.

A começar pela qualidade gráfica: eu não fazia ideia de que era legalmente permitido ter um harém escolar mágico genérico com visuais tão bonitos e consistentes. Não só as personagens, mas a cidade e o mundo são belos, e tanto as sequências calmas quanto as cenas de ação são coreografadas com uma maestria que parece estar sendo desperdiçada em um animê desse nível.
Até o episódio 3, tivemos algumas sequências de combate que foram de tirar o fôlego. Por mais que eu não entendesse metade dos motivos pelos quais as lutas estavam ocorrendo, ou que eu realmente não desse a menor bola para quem fosse sair vencedor, a violência gratuita foi tão gostosa de se ver que eu acabei gostando.

O negócio tá caprichadíssimo, e eu não sei como lidar com isso.

Outro ponto, que é aquele que sempre nos deixa com uma pulga atrás da orelha, é o excelentíssimo elenco de dublagem: temos nomes que claramente não deveriam estar emprestando suas vozes para algo desse naipe e talvez pudessem estar trabalhando em algo melhor, como Yuuki OnoYui IshikawaAzumi WakiMaaya UchidaTatsuhisa SuzukiAyane SakuraAsami Seto… Sinceramente, tirando umas duas dubladoras que estão em início de carreira, todo o elenco parece ser areia demais para o caminhãozinho de ASSASSINS PRIDE.

Como se pode imaginar, a dublagem está num nível altíssimo, com cada ator conseguindo trazer o melhor – e o pior – de sua personagem de uma forma que beira o inacreditável. Um detalhe que eu adorei foi como o protagonista, Kufa (dublado por Yuuki Ono) é um assassino treinado para esconder suas emoções, e mesmo nos momentos mais acalorados e intensos que tivemos até agora, ele conseguiu se manter calmo, e ainda assim passar todo o entusiasmo da cena. Como eu disse, inacreditável.

Vazaram cenas da versão dublada do animê, confira:

Apesar de parecer bonito e soar bonito (a OST e o uso musical no geral também são pontos a se exaltar), o animê continua sendo apenas o que é: um harém escolar mágico genérico, com uma construção de mundo ambiciosa demais e que foi transformada em frangalhos pela adaptação absolutamente acelerada, onde metade da história parece não estar sendo contada para você – e não está mesmo! – e todo o desenvolvimento parece voar pelos seus olhos… No quesito “direção“, o show é um caos, com todos os defeitos que poderiam ser imaginados, e há pouca coisa que uma pessoa que não teve contato com o material original pode fazer quanto a isso.

Quando se esforçam para te fazer o mais adorável possível, mas ainda assim o seu show acaba sendo uma shitstorm

No geral, a pergunta que fica é: você embarcaria no Titanic, mesmo sabendo que ele vai afundar e lhe causar uma morte terrível? Eu embarcaria. As partes boas conseguem sobrepujar as enormes falhas, que acabam sendo muito mais toleráveis quando é a sua quinquagésima vez lidando com elas, e o show consegue ser divertido. Para a estreia, minha nota é um surpreendente 5/10, pois sei que nem todo mundo tem a paciência de lidar com esse tipo de abobrinha.

Você pode assistir ASSASSINS PRIDE na Crunchyroll, que fornece o serviço de transmissão simultânea com o Japão e legendas em português, com novos episódios todas as quartas-feiras.

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Arthur Fleck – O Início, o Fim e o Meio do Vitimismo e do Desvario

“Tente me ensinar das tuas coisas. Que a vida é séria e a guerra é dura. Mas se não puder, cale essa boca, Pedro, e deixa eu viver minha loucura.”
(Meu Amigo Pedro)

Alguns momentos que leio Watchmen ou assisto a sua adaptação cinematográfica, minha mente pratica um exercício de imaginar a substituição daqueles personagens maravilhosos pelos pesos pesados icônicos da DC Comics. O mesmo que tentei fazer após que assisti Coringa do Todd Philips. Muitas pessoas falaram que poderia ser qualquer personagem ali, fosse de quadrinhos ou não, que o resultado seria o mesmo. O homem que passa por distúrbios mentais, com uma vida desgraçada, ignorado pela sociedade e que chegou ao seu limite. Talvez faça sentido. Mas tem coisa mais Coringa do que isso?

O filme de Todd Philips apresenta uma levada no melhor estilo Maluco Beleza, onde Arthur Fleck vai controlando sua maluquez misturada com a sua lucidez no meio que o turbilhão do sistema e do maremoto que vai destruindo a sua vida pessoal. Lidar com o fracasso, com o derrotismo, com a falta do amor ao próximo e sua mãe sonhadora. É um pesado fardo mas que ao mesmo tempo ele leva o fato de ser uma pessoa que nasceu para ser um agente de alegria para os outros. Quando ele assume para si ser o ativo da revolução dos oprimidos de Gotham City, Arthur Fleck entende que é uma forma de levar alegria para o povo. A revolução.

“A minha enfermeira tem mania de artista, trepa em minha cama, crente que é uma trapezista. Eu não vou dizer que eu também seja perfeito. Mamãe me viciou a só querer mamar no peito. Ehê, ahã! Quando acabar o maluco sou eu!”
(Quando Acabar o Maluco sou eu)

Não considero válido usar a imagem do personagem do filme como um “símbolo” nas recentes manifestações que estão ocorrendo ao redor do mundo atualmente. A revolução contra os poderosos, ou o sistema da podridão de Gotham é o cenário para a verdadeira face de Arthur Fleck aflorar. Mas ouso dizer que mesmo não existindo pessoas o seguindo e levantando essa bandeira revolucionária maquiada de palhaço no filme, o Coringa surgiria do mesmo jeito. Ele é a válvula de escape. É o motor ligado de Arthur. E que é iniciado sempre em sua dança.

“Por que cargas d’águas. Você acha que tem o direito de afogar tudo aquilo que eu sinto em meu peito.”
(Sapato 36)

Arthur Fleck é um personagem sofrido. Um personagem que tem um pesado fardo, mas que muitas vezes, ele mesmo enriquece bizarramente o peso desse fardo. Ele apanha da sociedade de todas as formas. Mas isso também não significa que ele seja um coitadinho. O filme, que tem uma forte crítica social que há tempos grita nos EUA, às vezes dá a sensação de criar um ar de vitimismo ao personagem. E muitas vezes ele abraça isso. O público abraça isso. Onde ele apoia seus argumentos, ou disfarça os seus argumentos, para chegar a insanidade do Coringa nisso. Quando ele tem seus argumentos confrontados pelo personagem Murray Franklin de Robert De Niro, como se fosse uma bronca de um pai, ele fica mais nervoso, a ponto de quase perceber que é algo estúpido beirando à “pirraça” de um cara grande. Mas ele tem o seu transtorno mental causado por uma série de fatos. Como por exemplo a falta de uma figura paterna mais caridosa. Já que seus exemplos de pai foram os ex-companheiros violentos de sua mãe. E Arthur procura muito essa figura paterna no apresentador e no Thomas Wayne. E isso contribui para a formação do personagem.

“É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro, evita o aperto de mão de um possível aliado. Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo. Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo.”
(Porque os Sinos Dobram)

A involução de sua sanidade, ou quando sua insanidade realmente mostra a sua cara, é medida por suas risadas. Ao longo da película acompanhamos as gargalhadas causadas pela risada patológica, também chamada de afeto pseudobulbar ou labilidade emocional. No início era sofrida, agoniante, beirando ao desespero. As risadas além de desesperadoras, fazem parte de um método do personagem para tentar se enquadrar no mundo. Um bom exemplo é a cena em que seu colega de trabalho faz uma piada com o anão, ele gargalha e, ao sair da vista deles, subitamente para, com a expressão séria, dando a entender que ele só fingiu que achou aquilo engraçado para poder se encaixar na situação. Outro termômetro de transtorno mental são as risadas fora de hora. Como quando ele está no bar assistindo ao show de comédia, e só ri quando a piada acaba.

Mas quando o Coringa realmente surge, a risada muda. As risadas se tornam prazerosas para o personagem. É a sua evolução. É quando ele se livra dos grilhões que considera impostos pela sociedade, pelas mentiras e maus tratos da mãe, pela violência doméstica quando era criança, da busca frustrada pela figura paterna e de suas próprias limitações que ele se impõe. É importante salientar que nesse momento, não existe mais Arthur Fleck. Nesse momento ele se matou. Até o enquadramento muda. Antes da icônica cena da dança na escada, vemos a câmera focando por cima. Como se o mundo pesasse nas costas do Arthur. E depois muda focando de baixo para cima, mostrando como ele cresceu. Mas vamos lembrar que o filme é contado pela ótica de um homem conturbado mentalmente.

“Eu sou o medo do fraco. A força da imaginação. O blefe do jogador. Eu sou, eu fui, eu vou!” (Gita)

O mundo particular de Arthur Fleck é atingido como um Trem das 7 desgovernado da realidade da vida. E ele não é capaz de lidar com rejeição e o fracasso que estão à bordo. Então somos levados para uma viagem em que não sabemos a linha tênue entre delírios e realidade. Assim como o relacionamento de sua vizinha foi tudo uma viagem de sua cabeça. Podemos discordar de outros momentos também? Como por exemplo a batida da ambulância na viatura onde o personagem está preso, e acontece aquela ovação. Será que aquilo aconteceu mesmo? Ou foi um delírio onde Arthur recebe o tão sonhado reconhecimento do publico finalmente? Seria o final do seu grande ato que começa no programa de TV. Uma cena me questionou é quando Arthur confronta Thomas Wayne no banheiro do cinema. Arthur está apoiado em uma pia. Quando acontece o corte, ele está na mesma posição. Logo após acontece a cena da geladeira. Será que realmente existiu essa conversa? Ou ele teve outro devaneio?

O Coringa de Todd Philips tem várias camadas e diversos caminhos que podemos nos sentar em uma mesa de bar e conversar durante horas sobre o que cada pessoa entendeu e assimilou do filme. Isso somado com uma atuação monstra do Joaquim Phoenix. Mas buscando a discussão que foi recorrente: qual é o Coringa desse filme? Vamos entender que o personagem sempre foi uma incógnita em todos os seus 80 anos de existência. Nem a própria DC Comics tem algo definitivo para sua origem. O mais próximo é A Piada Mortal de Alan Moore, que definiu uma espécie de origem plausível para o personagem. Mesmo assim, sem nunca dá um simples nome próprio para ele. Vale lembrar que A Piada Mortal só veio a ser considerada cânone depois da reformulação Renascimento da DC Comics. Mas ao mesmo tempo a editora considerou a existência de três Coringas no universo. Fato que até agora não foi publicado mais detalhadamente, mas que sabemos que terá uma edição futura sobre isso. Seja o Jack Napier do Jack Nicholson, ou o elogiado Coringa de Heath Ledger, o contestado de Jared Leto. Ou pode ser o Coringa dos desenhos de Bruce Timm, ou às inúmeras versões dos quadrinhos. Pegue todo o excesso, prazeroso, de versões dos personagens, e você pode abraçar e aceitar a versão Arthur Fleck. Sim ele pode ser o Coringa de algum lugar.

Se lembra do exercício mental que eu falei no primeiro parágrafo? Então realize-o usando outros Coringas.

 

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Cultura Japonesa Mangá

Panini anuncia a publicação de Monster Perfect Edition

Por meio de suas redes sociais, a Editora Panini anunciou a publicação de Monster Perfect Edition, a versão em kanzenban da obra de Naoki Urasawa. Essa será a segunda vez que a editora publicará o mangá no Brasil.

A nova edição reduzirá os 18 volumes em apenas 9 encadernados e começará a ser publicada em dezembro, muito provavelmente na CCXP 2019.

Monster narra a história do brilhante Dr. Kenzo Tenma, um famoso cirurgião com uma carreira promissora. Tenma arrisca sua reputação e carreira para salvar a vida de um garoto. Sem que ele saiba, a criança o está fadada a um terrível destino.

O mangá virá no formato 15 x 21 cm, com capa durasobrecapa e papel couchê 150g. O preço não foi divulgado.

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Games PC

The Last of Us Part II é adiado oficialmente

Agora é oficial, segundo o PlayStation.Blog, The Last of Us Part II tem uma nova data de lançamento, 29 de maio de 2020. 

A mudança veio devido a necessidades de melhoramentos no jogo. Segundo Neil Druckmann diretor de The Last of Us Part II, durante as últimas semanas, foi notado que o jogo poderia ficar ainda melhor e estar no nível de uma produção da Naughty Dog.

Apesar de estarmos aliviados de não ter que comprometer nossa visão, estamos desapontados de não poder evitar esta exata situação. Queríamos poder ter previsto a quantidade de trabalho que ainda é necessário, mas o tamanho e escopo do jogo levaram a melhor. Odiamos ter que desapontar nossos fãs, e por isso, pedimos desculpas.“. Comentou Neil.

O diretor ainda agradeceu aos fãs pela paciência e apoio com a equipe e com suas produções.

Assim, The Last of Us Part II será lançado oficialmente em 29 de maio de 2020.

 

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Games PC

Rumores apontam adiamento de The Last of Us Part II

The Last of Us Part II, é um dos jogos mais esperados de 2020. Sua desenvolvedora, Naughty Dog, divulgou a data de lançamento do game para 21 de fevereiro do próximo ano.

Entretanto, de acordo com rumores divulgados pela Kotaku, a continuação de The Last of Us será adiado para o próximo outono americano. Segundo o site, a mudança de data é devida a primeira metade de 2020, por possuir vários lançamentos importantes já programados.

Entre esses lançamentos estão, o remake de Final Fantasy VII para início de março e Cyberpunk 2077 em abril, o multi plataforma, também muito esperado. Assim The Last Of Us Part II viria a ser um dos últimos grandes exclusivos do PS4, já que a Sony está lançando o PlayStation 5 no segundo semestre de 2020.

Até o momento a Sony não confirmou a informação sobre o adiamento de The Last of Us Part II

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Quadrinhos

Descender de Jeff Lemire chega ao Brasil pela editora Intrínseca

Descender da Image Comics está chegando ao Brasil pelas mãos da mesma editora que vem publicando Black Hammer magistralmente, a Intrínseca. Confira detalhes abaixo!

A parceria entre os conceituados Jeff Lemire e Dustin Nguyen, dois dos nomes mais célebres dos quadrinhos, resultou em uma graphic novel incomparável, uma odisseia cósmica eletrizante e soturna que trata de temas complexos, como intolerância, medo, política e a relação muitas vezes conflituosa entre humanos e tecnologia.

O primeiro volume, Descender: Estrelas de Lata, reúne os fascículos 1 a 6 da série e nos apresenta a uma realidade desconcertante: robôs gigantes conhecidos como Ceifadores invadiram a galáxia e destruíram planetas e civilizações inteiras, criando nos que restaram uma aversão às máquinas. Desde então, foram implementadas políticas de perseguição e extermínio de robôs. Essa caça implacável põe em risco a vida de Tim-21, um jovem androide de aparência humana que passou uma década num sono profundo, mas que pode conter em seu código vestígios dos assassinos do passado, o que faz dele o ser mais procurado do universo. Por isso, só resta a Tim-21 fugir. Ao lado dos amigos Bandit e Perfurador, ele percorre planetas e galáxias, desviando de inimagináveis perigos com um único objetivo: sobreviver.

Dos vencedores do Eisner Awards, este épico arrebatador e comovente, de cores intensas e vibrantes, narra a trajetória de humanos e máquinas, que ficam frente a frente em uma guerra que traz uma única certeza: não haverá vencedores. Uma história tão impactante que, antes mesmo de ser publicada nos Estados Unidos, teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Sony Pictures.

A editora Intrínseca está publicando Black Hammer, também de Jeff Lemire, e vem lançando outra série da Image Comics, Oblivion Song de Robert Kirkman (The Walking Dead, Invencível). Descender possui seis encadernados compilando as trinta e duas edições originais, e uma série derivada intitulada Ascender está em publicação nos EUA atualmente.

Descender: Estrelas de Lata possui 144 páginas encadernadas em capa cartão, formato 26 x 17 cm, e o preço sugerido é R$ 49,90. Clique aqui para garantir sua edição na pré-venda com preço mais baixo garantido.

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Animais Noturnos (2016): Interpretação ilimitada

O que seria da arte sem o seu público? Talvez fosse apenas um artifício estético de contemplação e nada mais do que isso. Os limites de uma obra artística são ditados pelos seus respectivos apreciadores. Observar, interpretar e, consequentemente, expandir os significados da arte, são funções exclusivas do público. E esses pensamentos estão, provavelmente sempre, ligados às experiências e ao estilo de vida do espectador. Isto é, a observação da arte depende de um repertório próprio, único e estritamente pessoal. Nossas visões de mundo dependem das nossas vivências. Animais Noturnos trabalha com essa premissa, não dessa maneira tão direta, mas com o trabalho minucioso e cuidadoso de Tom Ford.

Amy Adams é a escolha perfeita para o papel de Susan Morrow, uma renomada profissional do mundo artístico, que trabalha no planejamento e na comercialização de exposições. Inclusive, é casada com um homem influente – fato relevante. Embora a sua vida aparenta ser estável, isto não reflete o vazio emocional sentido pela personagem. Outro elemento que nunca está exposto de modo tão visível em um primeiro momento, mas que vamos desvendando aos poucos pelo o que a obra nos mostra. E Amy Adams atua impecavelmente por transmitir a postura que Susan tenta manter, ao passo em que seu emocional demonstra-se fragilizado. A atriz tem expressões únicas para certas passagens, que remetem tanto as reflexões, quanto as incertezas de Morrow para com seu casamento e trabalho.

Após estabelecer as condições psicológicas, ocorre o ponto de partida. Susan recebe o livro do ex-marido Edward (Jake Gylenhall), intitulado Animais Noturnos, e embarca na narrativa densa e complexa proposta por ele. E, essencialmente, o filme é a leitura do livro que tem a sua história imaginada do ponto de vista da moça. Quando a leitura se inicia, a obra parece se dividir em duas, não só por apresentar narrativas que, aparentemente, são distintas, mas também porque se distinguem em tom. Enquanto a história de Susan remete a um padrão rigoroso, reflexivo e sereno, o livro é brutal, frio e deliberadamente dramático. Animais Noturnos – o conto – apresenta a família composta por um casal, Tony e Laura (Isla Fisher), e sua filha India (Ellie Bamber), que se preparam para uma viagem de carro. Na estrada, os três se desentendem com um grupo de amigos, entre eles o Ray Marcus (Aaron Johnson). A partir daqui, a família fica em uma situação grave, que guarda possíveis consequências incuráveis.

O fascínio está em como Tom Ford brinca sobre a forma da interpretação. Os personagens dos livros tem rostos familiares, atribuídos pela imaginação de Susan; Tony tem o rosto igual de Edward, – sim, Gylenhall interpreta dois personagens, e ambos brilhantemente – Laura se assemelha com a figura da protagonista, e India não aparenta ter uma conexão com alguma personalidade apresentada. Este imaginário não é atoa, porque a obra consiste na abordagem psicológica da leitora, que aplica seus dramas pessoais na trama obscura do livro. E, para embaralhar ainda mais informações, Ford nos brinda com flashbacks do mundo real, que recontam um passado confuso, porém esclarecedor.

Desse modo, as confusões providas pela junção do passado, do presente e do livro, criam uma profundidade que se desenrola aos poucos, culminando em uma trajetória árdua que explora o íntimo de Susan. Por conta disso, vemos que a produção artística do ex-marido mexeu com seu emocional e tratou de impacta-la, fazendo-a adquirir uma nova perspectiva para sua ideia de arte. O processo criativo de Edward afeta diretamente a satisfação pessoal que Morrow nunca encontrou nas exposições e na vida. Então, a interpretação diante da narrativa quebra barreiras íntimas causando certa transformação, nunca explícita.

Algo que garante as mudanças durante o filme é a técnica empregada por Ford em abordar os personagens com solidão, pessimismo e tristeza. Não há sequer um que fuja desses aspectos, seja pela câmera próxima aos olhares e rostos, ou pela situação em que se encontram. Fica a menção para o Detetive Bobby, que, além de ser interpretado pelo Michael Shannon com maestria, apresenta um desprendimento social e beira ao niilismo.

Animais Noturnos tem sua essência baseada na interpretação da arte, e como esta pode ser decisiva em determinadas circunstâncias.  No final, se Ford coloca sua protagonista para entender o livro por ela mesma, ele impõe ao espectador que faça o mesmo, colocando a veracidade do filme inteiro em dúvida, já que só estamos presenciando um único ponto de vista. Assim sendo, o desdobramento e as surpresas da conclusão ficam só em nossas cabeças, deixando clara a força da expressão do imaginário na arte. Afinal, o que seria dela sem o seu público?

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Gameplay Games

“A Ascensão dos Fantasmas” chegou quebrando tudo em RAGE 2

Para aqueles que acreditavam que as megalomanias de RAGE 2 haviam chegado ao fim, a Bethesda Softworks, junto a id Software e Avalanche Studios, lançaram a primeira de duas DLC´s. A Ascensão dos Fantasmas trouxe os mesmos combates insanos, corpos e explosões em sua tela e as quantidades incontáveis de munição descarregadas para matar seus inimigos durante as missões.

Como é costume na maioria dos jogos da Bethesda, ou melhor dizendo, “No velho estilo Fallout” você recebe uma transmissão de rádio, assim você segue até a sua fonte. Chegar no ponto o sinal está sendo transmitido, você percebe uma nova cidade surgida das cinzas. Overgrown City, não parece tão perigoso ao primeiro olhar, mas logo você entende o motivo de estar ali. Neste ponto, você está livre para escolher o que fazer a partir de agora, seguir pela linha da história principal ou realizar algumas missões paralelas.

É uma história a parte da história principal de RAGE 2, você não é necessariamente obrigado a jogar a DLC assim que ela é ativada, o jogo te da liberdade de decidir o que fazer. Uma dica, é jogá-lo após o termino da maioria das missões em RAGE 2, pois está DLC  não te dá um grande leque de habilidades e arsenal, ela acrescenta o que já foi ou será feito durante a linha principal da história.

A Ascensão dos Fantasmas tem toda uma campanha a parte do jogo principal, além de várias missões secundárias que preenchem espaços dentro do mundo aberto. Você encontrará um novo ponto de contato, novos retrato de personagens e ícones codificados. Santuários, os lares do membros da nova gangue, os fantasmas, refinarias de drogas, e antenas usadas para enviar mensagens e gotas de ar protegidas, são suas mais novas zonas de brincadeiras, nelas você vai realizar tudo o que é de costume aqui, atirar, explodir e matar. E como é a maioria de jogos em mundo aberto, as repetições e aborrecimentos são suas companheiras. Por sorte, tudo isto dura pouco mais de três horas, assim dada as devidas proporções a sensação de tédio pode passar despercebida.

Os novos inimigos, os fantasmas, são definitivamente mais difíceis de matar, se comparados aos demais que estavamos habituados em RAGE 2. O que de certa forma faz sentido, já que você tem que ter um repertório um pouco mais avançado de arsenal e habilidades para entrar de cabeça nesta DLC. Além dos membros da gangue dos fantasmas, algumas criaturas diferentes passam a aparecer, mas nada de grande relevencia, pelo menos até agora, pois nem o jogo se importa em explicar sobre eles. 

Como ja dito, a DLC é bem curta. Por tanto algumas propostas não conseguem se desenvolver. Diversos novos personagens não são desenvolvidos e você fica com a sensação de ter faltado algo mais em relação a eles. Infelizmente alguns momentos são bem curtos, de certo modo apressados, impedindo que o jogador sinta o peso de suas decições durante a gameplay. Overgrown City é de longe a coisa mais mal explorada dentro da DLC, toda sua extensão parece sem graça e sem vida em comparação com o resto do mundo criado para o jogo. Mas o final consegue superar as expectativas, e finalizar com um gostinho de quero mais, mesmo diante de alguns pontos negativos dentro da linha do história.

Essa expansão bebe do mesmo rio do jogo principal, falando em adrenalina, mas deixa a desejar, parecendo as vezes um jogo a parte, isolada da gameplay principal. Ainda é um jogo muito divertido, e se há possibilidade de você jogar está DLC, jogue-a. Entretanto o mercado irá receber alguns novos jogos,  como Borderlands 3 e DOOM Eternal e isto pode acabar com alguns planos futuros para possíveis DLC´s que estão para chegar.

O código Steam para a Deluxe Edition foi fornecido pelo editor para esta análise.

 

 

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Detective Comics Quadrinhos

O Som pesado e macabro de Delirium Tremens de Edgar Allan Poe

“Delirium tremens (DT) é um estado confusional breve, acompanhado de perturbações somáticas, que usualmente acomete usuários de álcool gravemente dependentes em abstinência absoluta ou relativa.”

Um dos grandes palcos do quadrinho nacional é o terror. Nesse estilo, arrisco dizer, que a nossa nona arte é uma das melhores do mundo, com artistas que escrevem e traçam belíssimas histórias que realmente metem medo, criam um sentimento de repulsa, que (às vezes) fazem o leitor concordar com o mal exposto na trama. Além, obvio, das produções muito bem editadas. Como um grande show de sua banda favorita, nossas obras encantam e fascinam. E Delirium Tremens de Edgar Allan Poe da Editora Draco é uma dessas.

Delirium Tremens de Edgar Allan Poe conta com oito histórias que fariam o lendário autor se orgulhar da nossa galera. São contos realmente assustadores, alguns mais, alguns menos, mas dentro de uma proporção que exploram o asco e a repulsa. E outros que fazem você concordar com o mal. A coletânea foi organizada pelo editor Raphael Fernandes, que juntou os roteiristas Dana Guedes, Murilo Zibetti, Antonio Tadeu, Larissa Palmieri, Airton Marinho, Gabriel Correia e Alexey Dodsworth. Os desenhos são por Erick Pasqua, Eder Santos, Ioannis Fiore, Má Matiazi, LuCas Chewie, Ebá Lima, Flávio L. Maravilha e Tiago Palma.

Logo de cara, Delirium Tremens mostra que não veio à passeio. A tenebrosa Smiley Away de Dana Guedes e Erick Pasqua surge como um hit pesado e amedrontador, no melhor estilo de música que uma banda abriria um show levantando o público. A vontade de ler mais sobre o esquizofrênico Eduardo em novas investidas ficou com o final da história. Outra trama que impressiona é Murder. Com roteiro de Alexey Dodsworth e ilustração de Flávio L. Maravilha, a trama segue uma policial que investiga uma série de assassinatos de membros de uma rede de pedofilia. Com uma batida que lembra muito Garth Ennis, a história vai envolvendo não somente no grande mistério mas também no desenvolvimento da personagem principal. É incrível como a história cresce e remonta passado com presente e ainda sobra espaço para críticas sociais. Alexey fez um trabalho impecável nessa história, por colocar tantos elementos e camadas em poucas páginas, como é de praxe em coletâneas.

Se Delirium Tremens de Edgar Allan Poe fosse um show de banda de rock, um dos hits que seriam cantados unissono com a galera seria In Articulo Mortis. O roteiro da Larissa Palmieri é macabro e parece que foi tirado das entranhas de Edgar Allan Poe. A trama, que tem desenho da Má Matiazi, conta a história de Natália, que se apaixona por um hipnotizador. Depois de um grave acidente, a jovem fica sobre o efeito hipnótico do rapaz. Impossibilitada de ter qualquer ação própria. Como um cárcere privado. O que acaba espelhando como um relacionamento abusivo, que infelizmente é a realidade de milhares de pessoas. Larissa Palmieri foi muito bem cirúrgica em reunir um ritmo no melhor estilo de Edgar Allan Poe e dar a sua pitada particular social na trama.

Na linha de macabro misturado com repulsa, temos a interessante O insólito caso de vossa excelência deputado Mendes, com roteiro de Gabriel Correia e desenhos de Ebá Lima. Na trama apresenta um mundo muito conhecido da política podre brasileira, com o deputado Mendes como protagonista. A história se mistura em flashbacks de uma grande orgia em Brasília às vésperas de uma grande votação para o Brasil. E assim temos um grande grupo de políticos misturados. Os desenhos fortes de Ebá Lima fazem o leitor olhar cada detalhe da página, mas o asco que ela espuma provoca desvio de olhares ao mesmo tempo. É uma experiência visual interessante, teve momentos em que era difícil encarar um quadrinho dessa história.

E para o encerramento desse show, nada melhor do que algo icônico. Butim que foi escrito por Raphael Fernandes e ilustrado por Tiago Palma é uma cereja (a mais) nesse bolo de Delirium Tremens de Edgar Allan Poe. A trama coloca o leitor no olhar de um velho que é odiado pela família, mas que tem uma grana guardada. Quando ele é morto, o protagonista quer descobrir quem o matou. A partir daí uma agonia salta das páginas pelos excelentes desenhos do Tiago Palma. A captação do feeling agônico do texto escrito por Raphael Fernandes pelo desenhista é uma das grandes sacadas e remete ao leitor sentir o que é ver a autopsia do próprio corpo. Com um protagonista totalmente estático, vemos o mundo e as pessoas se movimentarem ao seu redor com expressões, trejeitos e diálogos. Possivelmente uma das mais criativas histórias que li no segmento de terror nos últimos tempos.

No apanhado geral, Delirium Tremens de Edgar Allan Poe é uma coletânea que nenhum fã do gênero e do aclamado autor pode colocar defeito. Mas assim como em qualquer show de rock, de qualquer banda, tem umas notas desafinadas. Algumas histórias não estão à altura das outras, mesmo assim são deveras interessantes  e no final formalizam uma publicação de grande qualidade no quadrinho nacional. O que é uma das características da Editora Draco.

Delirium Tremens de Edgar Allan Poe tem formato 17 cm X 24 cm, 184 páginas e capa dura.