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Ousadas: a série em quadrinhos sobre trinta mulheres excepcionais

Serializada de forma impressa na França entre 2016 e 2017 pela editora Gallimard, a série Ousadas (Culottées no original) é uma criação da quadrinista Pénélope Bagieu (Uma morte horrível) feita inicialmente para seu blog, tendo chegado completa ao Brasil graças a uma iniciativa da editora Nemo entre 2018 e 2020, em dois volumes.

A coleção Ousadas apresenta ao longo de suas 300 páginas trinta mulheres excepcionais de suas respectivas épocas que, com suas atitudes, perduram até hoje de maneira icônica – ou também acontecimentos modernos, mais recentes. São histórias reais de figuras importantes que revolucionaram de alguma forma a política, a arte, os esportes e outras esferas da sociedade predominantemente dominadas por homens.

Caixa especial com a coleção completa em dois volumes. Já à venda.

Pénélope Bagieu narra, tanto no primeiro quanto no segundo volume, de forma similar. Cada “capítulo” conta a história de vida e importância de determinada mulher, somando quinze no total em cada edição. Sua narrativa se mantém parecida em todos os capítulos: são cerca de seis a sete páginas, cada página composta por nove quadros. Em seguida, uma ilustração grande que preenche duas páginas. Seguindo esta fórmula, a autora habilmente possui espaço para mostrar todos os pontos relevantes do nascimento, vida e às vezes morte da figura histórica que aborda sem problemas, visto que é um esquema de narrativa basicamente perfeito.

Seus desenhos, claros e belos, transmitem quadro a quadro os principais pontos que o texto destaca, seja em recordatórios ou em balões. E suas cores mudam conforme a abordagem de cada capítulo, seja apenas pela mudança de tom como também pelas diferenças geográficas, visto que cada mulher é de um local diferente do planeta.

A autora segue uma narrativa dividida em nove quadros por página.

É importante ressaltar que as histórias de vida narradas por Bagieu não se limitam apenas às tragédias. Todas têm, de alguma forma, uma mensagem poderosa a ser passada. Entretanto, algumas são puramente espirituosas e divertidas, e ao mesmo tempo inspiradoras – enquanto outras são, de fato e necessariamente, revoltantes.

No segundo volume, o mais recente lançado no Brasil – e que completa a coleção – temos histórias de uma rapper, de uma astronauta, uma vulcanóloga, jornalista investigativa, inventora, ativista dos direitos dos animais, entre outras. Todas são unidas de alguma forma por incompreensão, machismo intrínseco às suas culturas e/ou tragédias pessoais. E todas são Ousadas o suficiente para iniciarem suas próprias revoluções.

Ao final de cada capítulo o leitor é premiado com uma bela ilustração que ocupa duas páginas. Os estilos de arte variam conforme a temática do capítulo.

A quebra dos preconceitos é emocionante e inspiradora. Todas as histórias são bem embasadas de acordo com as biografias (oficiais ou não) de cada mulher, e a autora cita, em determinados momentos, algumas fontes que podem ser ou foram conferidas para a narração daquilo que está em quadro.

A coleção nacional é, como padrão da Editora Nemo, um primor gráfico e editorial. Como fator de curiosidade, vale citar que a coleção Ousadas em inglês apresenta vinte e nove e não trinta histórias. O que ocorreu foi uma censura da história de Phoolan Devi, a Rainha Bandida da Índia, por apresentar cenas de estupro quando ela tinha apenas dez anos de idade, por seu marido imposto pela família.

No Brasil você pode conferir as trinta histórias na íntegra. Na França, Ousadas já vendeu mais de 200.000 cópias. Ficou interessado(a)? Clique aqui para comprar suas edições com desconto!

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Cinema Entretenimento Tela Quente

O Hulk de Ang Lee

Sem dúvida alguma o Hulk, alter ego de Bruce Banner, é um personagem bastante conhecido pelos fãs de quadrinhos e dos filmes de heróis. Atualmente vivido por Mark Ruffalo no cinema, o personagem foi criado por Stan Lee e por Jack Kirby tendo sua primeira aparição no quadrinho The Incredible Hulk nº1 em 1962.

O Gigante Esmeralda que conhecemos era para ser cinza, entretanto, por conta de erros na gráfica ganhou a coloração esverdeada e, além disso, sua criação foi inspirada no clássico ”O Médico e o Monstro” de Robert Louis Stevenson. Em sua origem dos quadrinhos, o Hulk nasceu através de um teste militar após Bruce Banner salvar um jovem que estava na área no momento errado – como resultado, a explosão de raios gama fez com que o doutor não morresse, mas sim se transformasse no monstro que conhecemos.

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Em 2003, o personagem ganhou uma nova adaptação para os cinemas – nova, pois anteriormente já havia uma série de televisão e filmes do personagem com outros grandes nomes da editora como Thor e o Demolidor – dirigida por Ang Lee, diretor responsável por filmes conhecidos como O Tigre e o Dragão, As Aventuras de Pi e Projeto Gemini. Na época, o cinema de Heróis como conhecemos hoje estava em sua fase inicial com X-Men (2000; dir: Bryan Singer) e Homem-Aranha (2002; dir: Sam Raimi), sendo estes em conjunto com Hulk e outros títulos da época podendo ser considerados até uma espécie de vanguarda do gênero, afinal, é inegável que os elementos que deram certos nestes longas foram aproveitados em diversos títulos atuais.

Em Hulk, Ang Lee criou um filme autoral ao mesmo tempo que fez a adaptação dos quadrinhos. A narrativa caminha em uma frágil linha entre o rídiculo e o dramático, acertando bem no seu tom e não se comprometendo, tornando-se fielmente cartunesco. Para isso, o diretor usou em sua fotografia cores vivas e em sua edição divisão de quadros para dar a sensação de que o espectador está lendo uma história em quadrinhos. Em um determinado momento do filme ainda, o corte de uma cena para outra simular uma troca de página. Atualmente, junto com alguns efeitos visuais, esse momento envelheceu mal – entretanto é uma excelente cartada utilizada pelo diretor e é uma passagem bem interessante de se observar.

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Na trama, houveram algumas modificações em relação a origem do verdão: seu pai, David Banner, trabalhava para o exército e experimentou em si próprio um soro criado para melhorar o soldado. Com isso, ele acaba passando para o seu filho. Alguns anos depois, Bruce Banner não se lembra de seu passado e, trabalhando junto com Betty Ross, sofre o acidente com a radiação gama. Após isso, todos já sabem o que acontece: o General Ross entra em cena e quer caçar o monstro verde a todo custo para usá-lo como arma militar. Junto com isso, seu pai reaparece e Bruce descobre o que houve em seu passado.

O diretor foca mais no drama entre pais e filhos e em como isso influecia no desenvolvimento do Hulk do que no comportamento destrutivo do herói e isto, talvez, tenha sido o motivo de rejeição do filme na época. Lee se preocupa mais em mostrar a tragédia presente na vida dos personagens e em como Bruce está lidando com o retorno de seu pai abusivo e com o surgimento de sua segunda personalidade do que em mostrar cenas de ação onde o Hulk, literalmente, esmaga.

O CGI do Hulk também foi um ponto que provavelmente trouxe as críticas negativas ao longa, visto que pela limitação da época não dava para se esperar um visual excelente (como visto em seus sucessores, O Incrível Hulk, de 2008 e em Os Vingadores, de 2012). Porém, depois da segunda transformação, o telespectador se acostuma com o visual. Uma curiosidade é que durante a primeira transformação, a cor do Hulk é meio acizentada por conta da história citada na introdução deste artigo.

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Mesmo com um CGI limitado, o filme apresenta boas sequências de ação como a primeira transformação de Bruce em Hulk e sua fuga pelo deserto. Porém, o confronto final entre o protagonista e o vilão foi extremamente fraco e deixou a desejar. A escolha de vilão também não ajudou muito, o Homem-Absorvente tem o poder de – como o nome já fala – absorver qualquer material da natureza e com os recursos limitados era evidente que não seria bem aplicado. Entretanto, no fim das contas, funciona. Um último elemento que ajuda a compor o longa de Ang Lee é a trilha sonora feita por Danny Elfman, que combina perfeitamente com o personagem e com a tensão e o tom dramático do longa.

Por mais que o Hulk de Ang Lee tenha tido uma baixa bilheteria e recebido críticas negativas há 17 anos atrás, é inegável que sua montagem cartunesca inspirou diversos filmes, como por exemplo Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010; dir: Edgar Wright). Além disso, mesmo que tenha envelhecido mal por conta de seus efeitos visuais e sua edição, o longa apresenta uma excelente releitura do Hulk e um ótimo estudo de personagem e sua relação com Betty Ross, General Ross e seu pai. Hulk merece mais atenção, pois é uma experiência extremamente divertida e única com os fãs do gênero ao mostrar uma das inspirações do que conhecemos hoje nos filmes baseados em histórias de quadrinhos.

 

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Gameplay Games

Doom Eternal chegou pra te fazer correr, gritar e atirar freneticamente

Doom Eternal é o mais novo jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa desenvolvido pela id Software e publicado pela Bethesda Softworks. A sequencia do reboot de 2016 é uma grande montanha russa de emoções destrutivas. O jogo se destaca em momentos de pura adrenalina, onde você precisa decidir entre correr e atirar, ou correr e atirar depois, enquanto uma horda de seres infernais aparecem em sua tela preparados para ficarem ensopados de sangue, com ajuda de uma variedade de armas, projetadas especialmente para a destruição dos demônios.

Doom Eternal é muito parecido com seus antecessores, durante a gameplay dificilmente você não irá levantar um canto da boca com um sorriso de satisfação, enquanto acontece toda a violência exagerada que você conhece de Doom, ou que acabou de conhecer. É uma exposição gratuita a repulsa sanguinária, totalmente desnecessária mas indescritivelmente agradável.

O problema com esse show de horrores satisfatórios é que acaba, mas acaba muito rápido, ou pelo menos é o que parece. Não estou falando do final do game em si, mas o final da sequência de tiros e correria, de diálogos desnecessários do “elenco de apoio” e do barulho dos demônios correndo em sua direção. A desaceleração ao final de cada etapa é um balde de água fria quando você está em seu melhor momento de frenesi. Mesmo com esse detalhe, podemos afirmar que Doom Eternal é um clássico moderno, com algumas ressalvas, que o distancia de alguns shooters mais famosos e principalmente de seus antecessores. Mas nada que o diminua em frente a outras grandes franquias.

Definitivamente, o combate em Doom Eternal é incrível, todos os momentos de explosões e tiros em demônios é fantástico. Felizmente, estes momentos compõem a grande da gameplay do jogo. Doom Eternal não é tão focado quanto o seu antecessor, e às vezes fica preso em novas mecânicas e adições desnecessárias. Mas eles não comprometem a experiência principal. Doom Eternal é uma versão maior e mais completa que Doom (2016) e, na em sua maioria muito mais divertido. Você enfrentará alguns chefes com características tradicionais. Mesmo que a desenvolvedora tenha tido um grande esforço para adaptá-los a uma nova fórmula, você vai notar um desdobramento familiar ao longo das batalhas, claro que os gráficos te oferecem grandes atualizações visuais no combate e do ponto de vista da jogabilidade.

Doom Eternal pede que você trabalhe duro por poucas recompensas dentro do jogo, mas está longe de ser uma aventura insuficiente, pois você será recompensado pela história e pela gameplay que o jogo te oferece, além das horas de diversão sem prudência alguma, e da satisfação de vencer os demônios mais desafiadores.

 

Praticamente todos os aspectos do seu personagem podem ser aprimorados e, felizmente, existem várias possibilidades de fazê-lo dentro do jogo. Dentro de cada nível, você pode encontrar uma variedade de itens, o mais interessante é que eles aparecem de forma natural, durante a matança, sem a necessidade real de uma exploração a fundo do cenário. Uma alternativa aceitável quando notamos que a verdadeira intenção do jogo.

Essas novas adições de Doom Eternal transformam você em um exército de um homem só, mas o combate passa a ser mais estratégico. Cada ação, tem uma reação por parte dos demônios, agora eles não mais ficarão assistindo você exterminar cada um deles sem uma resposta a altura. Matar de formas diferentes podem te conceder alguns itens a mais desde kits de saúde a munição para que não falte durante o extermínio. Cada jogador pode interpretar isso de maneiras diferentes, podendo até chegar no ponto de entender isto como um modus operandi ou um manual de regras de como matar seus adversários, criando um ciclo tedioso de ações repetidas, o que mais lentamente pode vir a se transforma em uma ação instintiva.

Um ponto importante a ser mencionado, é que os demônios agora têm pontos fracos. E existem várias maneiras de explorá-los durante a batalha.

Durante a batalha temos uma enorme quantidade de informações visuais, facilmente algo irá passar despercebido, mas é certo afirmar que cada luta parece perfeita, o ritmo e a intensidade estão intactos. Dominar todas as armas e aprimorar completamente o seu traje levará um bom tempo, mas conquistar a campanha principal não é ruim, mesmo que não tenha encontrado tudo que estava escondido nos cenários. A cada fim de campanha você sente a necessidade de jogar novamente, mas desta vez buscando novos desafios. Assim, selecionando uma dificuldade maior. E Doom Eternal encoraja você a fazer isto, em nenhum momento o jogo que faz perder a cabeça como em jogos no estilo Dark Souls, aprender e  utilizar as armas que o jogo disponibiliza é prazeroso.

 

Doom Eternal eleva a experiência de matança em várias maneiras, com novas adições na medida certa para manter as coisas atualizadas em cada nível, sem que tudo pareça desproporcional, com um design de nível meticuloso. A campanha é satisfatória, sem muitos exageros e sem enxugar demais o conteúdo. Se Doom (2016) parecia algo muito bem finalizado, Doom Eternal é a prova que tudo pode ser melhorado, se respeitado suas necessidades enquanto franquia. A trilha sonora em constante evolução nos envolve na atmosfera da retalhação de demônios. Todas as opções de gameplay disponibilizadas, faz com que todos os tipos de jogadores sejam bem recepcionados.

Doom Eternal reinventa sua própria história sem abandonar seus pilares clássicos. Ele tem toda a diversão sangrenta e cheia de adrenalina que esperamos de um jogo Doom, além de adicionar vários novos elementos de RPG que nem sabíamos que precisávamos.

SELO PLATINA – Obrigatório!

Pontos Positivos:

  • Combate rápido e frenético.
  • Gráficos impressionantes.
  • Arenas de demônios mais naturais e desafiadoras
  • Níveis com evolução gradativa
  • Curva de aprendizagem suave.

Pontos Negativos:

  • Cortes podem quebrar a empolgação durante a gameplay.

Agradecimentos à Bethesda pelo envio do código.

Doom Eternal foi lançado em 20 de março de 2020 para Google Stadia, Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One, com previsão de lançamento para Nintendo Switch ainda para este ano. No dia do lançamento desta análise, não tive a oportunidade de experimentar o Battlemode, e o novo modo multijogador slayer versus demons.

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Gameplay Games

Trails of Cold Steel III chega ao PC e se torna a versão definitiva do jogo

Trails of Cold Steel III saiu no final do ano passado para PlayStation 4 e é com certeza um dos melhores JRPGs da geração e um dos melhores jogos da séries Trails. Agora, em março de 2020, a NIS America lançou tão a esperada versão para PC , já que grande parte da franquia só está disponível nessa plataforma, e nos cedeu uma cópia para darmos uma conferida.

Esse texto é a apenas para falar sobre a performance do jogo, clique aqui para o review completo

Mesmo com todos os seus méritos em roteiro, gameplay e trilha-sonora, a versão de PlayStation 4 tinha alguns problemas técnicos, como queda de framerate em diversos locais do jogo, em especial no Capítulo 4, e loadings excessivos, que, mesmo que não maioria das vezes não incomodavam, quebraram o ritmo do jogo em dos momentos mais apoteóticos do jogo.

O port feito pela PH3 Games, comandada por Peter Durante, que trabalhou também nos ports dos dois primeiros Cold Steel. Durante também é conhecido pelo famoso fix de Dark Souls, que deixou o game jogável no PC.

Logo de cara, o jogo dá diversas opções e presets para escolher: Portable, Console, High e Maximum. Cada um podendo ser customizável para a forma que o jogador quiser.

Durante manteve a tradição e novamente colocou Fie na tela de configuração.

Diversas novidades foram incluídas nesse port, como auto-save, suporte à 480 FPS e ultrawide. O campo de visão também foi aprimorado, podendo ver os cenários e inimigos à distância.

Em nossos testes, jogamos no High, com um i5-4590, uma GTX 960 e SSD 860 EVO, e o jogo se manteve firme até o final.

As mudanças entre cenários ocorriam quase que instantaneamente. O capítulo 4 rodou liso e os loadings no final do jogo foram diminuídos, ainda que tenham durado mais do que os outros ao decorrer da gameplay. Os problemas vistos no PlayStation 4 foram corrigidos em sua grande maioria.

Quando testamos, o patch de day-one ainda não havia saído e alguns bugs ocorreram, como DLCs não traduzidas, diálogos com vários idiomas ao mesmo tempo e câmera não sabendo onde focar. Também rolou um crash durante o vídeo de abertura, coisa que só aconteceu uma vez durante o gameplay. A NISA já confirmou que esses problemas serão resolvidos com um update no dia do lançamento, que ocorre em 23 de março.

Uma demo do jogo está disponível na Steam para quem quiser dar uma olhada.

Agradecimentos à NIS America pelo envio do código e ao Guilherme Azuma por ter testado o game.

The Legends of Heroes – Trails of Cold Steel III chega no dia 23 de março para PC.

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Tela Quente

Contágio (2011): Ética e empatia em tempos de calamidade

Assistir ao filme Contágio (2011), principalmente na época em que estamos, não foi uma tarefa das mais fáceis. Por partir de uma situação similar às nossas condições atuais, os acontecimentos fictícios ganham uma perspectiva muito mais densa, pautada pela realidade observada. Ao abordar a proliferação de um vírus desconhecido, o roteiro se divide em quatro importantes tramas, que apresentam setores diversos da sociedade relacionados a doença: uma família comum, um jornalista, os cientistas e pesquisadores, e os servidores públicos e militares. A partir desse ponto, Contágio discute as particularidades de todos os envolvidos na epidemia, entrelaçando as causas e consequências, e permitindo uma ótima discussão sobre os reais interesses governamentais, a falta de ética que permeia o confronto com a doença e a perda gradativa da empatia da sociedade mundial.

Se pegarmos qualquer um dos assuntos listados acima, poderíamos facilmente abri-los e discuti-los no cenário atual. Essa forte ligação com o real mostra a evidente veracidade científica que permeia o roteiro do filme, e, consequentemente, o atribui uma credibilidade maior. Dessa forma, Contágio exemplifica conceitualmente as capacidades da contaminação do vírus, enquanto ainda demonstra as medidas governamentais necessárias para a diminuição da contaminação – soa familiar? – (Fechar escolas, universidades, locais públicos etc para evitar aglomerações; construir locais temporários para as pessoas contaminadas se estabelecerem e serem observadas; entre outras medidas).

Do ponto de vista político, Laurence Fishburne e Bryan Cranston representam homens públicos que estão dispostos a erradicarem o vírus, mesmo que isso leve tempo e o ocultamento de dados importantes para a população. Nesse sentido, entra o confronto direto com a parte científica dessa produção. Os pesquisadores e cientistas, liderados por Fishburne, têm um objetivo claro de acelerar os conhecimentos acerca dos detalhes da doença, enquanto, o governo, pretende ocultar certos dados para não causar pânico instantâneo nas pessoas. Resulta-se, portanto, em um embate passageiro de interesses, já que um lado está disposto a conceder certos níveis de informação, enquanto o outro preocupa-se na preservação social para não atingir setores da economia e da saúde, passando por questões burocráticas e governamentais. Embora haja o alinhamento desses grupos ao longo do filme, fica óbvio que o diretor Steven Soderbergh pretende debater os limites éticos das gestões governamentais em tempos de crise e colapso.

Tais limites éticos introduzem o personagem Alan (Jude Law) – o elenco é excepcional – que será um fator determinante para a discussão sobre a democratização da informação. Alan é um jornalista independente, que tem um blog pessoal onde escreve artigos sobre casos políticos, principalmente sobre o vírus que está assolando o planeta. Sua investigação acusa que o governo estaria acobertando uma possível cura para o vírus, por conta de interesses da indústria farmacêutica. O filme todo tenta convencer a bondade ética e moral do jornalista, mesmo que seus métodos sejam duvidáveis e o final guarde momentos reveladores. Em momentos como esse, diversos veículos de informação tentam achar algum furo de reportagem, montam discursos e matérias sensacionalistas na tentativa desprezível de alcançar o maior número de pessoas, valorizando seus canais de propaganda.

Contudo, a desinformação estrutural nem sempre está conectada com interesses econômicos. Há aqueles que necessitam dos holofotes para se autopromoverem publicamente. Isto é, independente dos riscos que as fake news podem causar, alguns cidadãos preferem inventar curas impossíveis, ou criar conspirações políticas que, de certa forma, os apresentam como os reais portadores da verdade. Os que “visualizam” as quebras do sistema e não se deixam enganar pelas amarras manipuladoras dos políticos, sendo mais inteligentes do que as organizações mundiais responsáveis.

Essa irresponsabilidade informacional e a inescrupulosa necessidade de ficar por cima refletem na fragilidade das relações sociais que, em momentos de uma epidemia nessa escala, sofrem com um estresse intenso, seja pelo medo da contaminação, ou pelo receio da falta de abastecimento nos mercados e farmácias. Podemos dizer que esse momento do filme – sim, ainda estamos nele – transmite o fator humano, que é corrompido de forma melancólica. Mitch (Matt Damon) é o marido da primeira paciente (Gwyneth Paltrow) que apresentou os sintomas, e se vê em uma situação delicada quando ela e seu filho estão fortemente contaminados. O que resta para o personagem é uma profunda angústia e tensão, enquanto presencia o caos social instaurado e a desestruturação parcial da típica sociedade sob catástrofe.

O desencadeamento de uma insatisfação popular parece distante em certo momento de Contágio, mas conforme o agravamento das letalidades causadas pela infecção do vírus, ela se torna mais nítida e presente. E o filme tenta encontrar causas pertinentes que desencadearam a depredação de locais públicos e os constantes furtos em mercados e lojas de qualquer departamento: a negligência do governo e dos meios de comunicação. A falta de compromisso do governo para com a população soa como clichê, mas o que Soderbergh faz é também mostrar as dificuldades de manter a ordem pública, seja por comandos superiores ou pela falta de recursos para tal. Em relação a comunicação, uma das revelações de Alan é determinante para causar ainda mais tumulto e caos, que se mostra uma falsa esperança para os que acreditam fielmente.

Contudo, há um fator pouco claro que, se seguirmos os conceitos concretos apresentados pelo filme, não conseguimos encontrar de maneira explícita: a perda da empatia. Evidente que o número de mortes apresentado pelo filme, e a alta infecção, deixaria todos em pânico e, de certa forma, justificaria os extremos praticados pela população. Mas o ato de puro pânico demonstra-se pautado na arrogância e no egoísmo, já que, ao invés das pessoas terem uma consciência coletiva, elas se tratam como inimigas e competidoras; saltam de seu estado comportado para o seu estado puro e natural. E a violência de Contágio está concentrada em uma cena particular e precisa, que mostra que o medo é só uma justificativa para o desnecessário uso da violência.

Sim, o texto tem confusões temáticas claras. Estaria eu falando sobre o filme, ou sobre a atualidade? E, sim, a confusão é proposital por motivos óbvios. Não há necessidade para pânico, e tampouco para o esvaziamento de mercados e farmácias. Há a necessidade de nos conscientizarmos sobre a atual situação, seguir as medidas profiláticas, e compartilhar informações confiáveis de fontes seguras com credibilidade. Porém, não sou nenhum especialista para dizer o que você deve ou não fazer, contudo, como essa é uma coluna sobre cinema, me vejo na responsabilidade de te dar uma dica para a sua quarentena: assista a filmes e séries, leia livros e contos, e, além disso, reflita sobre o que acabara de ver/ler. Faça o seu tempo valer a pena, aproveite os momentos livres em casa para fortalecer e desenvolver a sua sensibilidade.

É através da sensibilidade que adquirimos empatia. Embora Contágio apresente diversas problemáticas e desperte certa melancolia, não deixa de introduzir um vislumbre de um futuro promissor que, certamente, com ética e empatia, aparecerá para nós também.

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Música Vitrola

A melancólica e oitentista redenção de The Weeknd em After Hours

“Você pode encontrar amor, medo, amigos, inimigos, violência, dança, sexo, demônios, anjos, solidão e companheirismo, tudo isso tarde da noite.”

 – The Weeknd descrevendo After Hours.

 

The Weeknd, lançou hoje (20) seu novo álbum de estúdio After Hours. 3 anos e alguns meses desde seu último trabalho, Starboy (2016). O disco que já conta com o hit single número 1 das paradas americanas, Heartless e o provável também hit número #1 das próximas semanas, Blinding Lights é focado no amadurecimento da persona de Abel Tesfaye nos últimos anos.

Se em Starboy, The Weeknd estava contando sobre a fama, expondo os lados positivos e negativos e se gabando por ser uma estrela. Em After Hours, depois de algumas mudanças conturbadas na sua vida pessoal e profissional como o polêmico relacionamento com Selena Gomez, a recepção morna do público do seu EP My Dear Melancholy, de 2018 e outras coisas, o canadense está disposto a colocar o pé no chão e sair de um pedestal que ele mesmo ficou após criar o alter ego do seu último álbum.

Antes, ele se sentia no topo do mundo, afinal ele realmente estava, e cantava sobre isso, cantava sobre ser inalcançável e inatingível. Porém, parece que por agora, ele começou a aprender mais sobre como as coisas realmente funcionam. Tanto que na última música do disco, Untill I Bleed Out, Abel confessa que “Eu não quero mais tocar o céu / Eu só quero sentir o chão quando estiver descendo”.

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Durante a jornada de descobrimento de uma humildade, as músicas possuem certo tom melancólico acompanhado com o medo dá uma solidão. Umas mais do que outras é claro. Algumas como Scared to Live conseguiram me passar até a sensação banzeira que um Vaporwave consegue transmitir. Essa questão da melancolia, não está ligada a apenas a sonoridade do projeto, ela é bem presente em todo conteúdo lírico. O que pode ser visto já na primeira faixa, Alone Again.


“Eu não sei se posso ficar sozinho de novo
Não sei se consigo dormir sozinho de novo
Verifique meu pulso pela segunda vez
Tomei demais, não quero morrer”

 

Ainda sobre a sonoridade, After Hours têm um grande acerto e um grande erro. O grande acerto é a aposta da sonoridade oitentista completamente inspirada pelo synth-pop da época. Abel e seus produtores conseguiram mergulhar nessa sonoridade de forma tão majestosa que, se o álbum tivesse um pouquinho mais dessa pegada, não restaria dúvidas que seria o melhor de sua carreira. Blinding Lights, que de longe é a melhor música desse trabalho é o melhor exemplo disso. Também há canções maravilhosas como In Your Eyes e Save Your Tears. Que estão em uma sequência muito bem pensada dentro da tracklist, fazendo com que qualquer um que ouça o álbum se teletransporte imediatamente para década de 80.


Já o grande erro, se assim podemos dizer, é a repetição de uma sonoridade já conhecida de The Weeknd. Talvez essa fosse a minha maior preocupação quando ouvi Heartless, o primeiro single, assim que foi lançado. Heartless, assim como Snowchild, Escape From L.A e Faith poderiam facilmente estar no Starboy ou em qualquer outro trabalho antigo de Abel. Embora elas tenham produções mais sofisticadas. As 4 músicas só não podem ser consideradas fillers pelo storytelling presente entre as faixas 6 e 10.

Quem acompanha o trabalho de The Weeknd há um bom tempo, sabe que ele gosta de contar narrativas através de seu trabalho. Seu álbum Beauty Behind the Madness de 2015, tem os clipes de Tell Your Friends, The Hills e Can’t Feel My Face contam só uma história. Em Starboy, no clipe da faixa título e no de I Feel It Coming o mesmo acontece. E agora, em After Hours já temos os vídeos de Heartless e Blinding Lights que também contam uma história só. Entretanto, a visão que eu tive enquanto ouvinte de uma arte é que nesse projeto, The Weeknd está mais ambicioso.

Escape From L.A soa como pontapé de toda história que Tesfaye quer contar. Não é a toa que nos clipes já lançados do álbum ele realmente está tentando fugir de Los Angeles. As letras de Escape, Heartless, Faith, Blinding Lights e In Your Eyes estão interligadas de forma cronológica. O que deixa tudo mais genial e faz perdoar a decepção com as produções nada inéditas na discografia do mesmo.

 

 After Hours que mostra a visão e a reflexão de um popstar, ou melhor, de um starboy, nos seus recém completos 30 anos sobre toda jornada que ele passou nesse curioso e estranho mundo da fama. Mistura muito bem todas as referências acumuladas desses últimos anos e vira um trabalho de identidade singular. É honesto, humilde, forte e inovador. Pode ser um álbum que com o passar do tempo, torne-se ainda maior para muitos, e até mesmo o maior de toda discografia. The Weeknd desconstruiu a armadura que tinha criado anos atrás e abraçou um novo doloroso processo de amadurecimento, seja na forma lírica ou sonora. É realmente um álbum perfeito para servir de companhia durante a madrugada. Sejam elas felizes, tristes, melancólicas, psicodélicas ou pós-festivas.

Nota: 4/5

 

 

 

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Entretenimento Gameplay

Resident Evil 3 | Primeiras Impressões

Foi lançado hoje (19/03/2020) na Steam e nos serviços online da Sony e da Microsoft, a demonstração do novo remake da CapcomResident Evil 3. Na demo foi possível observar um pouco de Raccoon City, os novos visuais de Jill Valentine e Carlos Oliveira e, além disso, um rosto familiar que grita S.T.A.R.S.! Será que o novo título remasterizado será tão bom como foi seu antecessor?

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A demo durou cerca de 30 minutos explorando cada detalhe do mapa, não revelando muito sobre o jogo – mas o suficiente. Começamos no metrô e, após subirmos até a superfície, nos deparamos com uma cidade devastada e repleta de zumbis – estes que, assim como no remake de Resident Evil 2, demoram para morrer com os tiros na cabeça. Isso foi uma coisa bastante negativa pra mim, não pela dificuldade mas sim pelos zumbis não serem desmembrados e demorarem cerca de cinco/seis tiros para perderem a cabeça. Não sei se isso é por conta do produto não estar completamente finalizado na demo ou pela dificuldade imposta, mas isso foi uma coisa que me incomodou um pouco.

Com exceção disso, tudo que foi visto na demo está excelente e a gameplay é semelhante a que foi vista em Resident Evil 2, entretanto com algumas coisas novas. As novidades vistas durante a jogatina incluem a possibilidade da Jill desviar dos ataques e a faca, que agora não apresenta mais durabilidade – ou seja, não desgasta conforme você usa e você não perde ela no corpo de um zumbi. Das armas disponíveis na demo estavam a pistola inicial e uma espingarda e, mais uma novidade, foi possível acoplar uma mira na pistola para maior precisão.

Quanto aos gráficos, a Capcom utiliza a mesma engine de Resident Evil 7 e também a mesma de Resident Evil 2. Não há alterações bruscas a respeito disso. A demonstração rodou sem travamentos no computador utilizando as configurações altas.

Por último, mas não menos importante, tivemos a presença do grande vilão do jogo: Nemesis. Ele está mais agressivo que o normal e bem mais assustador do que o Mr. X. O antagonista agora é capaz de correr mais rápido do que a Jill, de dar enormes saltos para te pegar, de puxar a protagonista com tentáculos e de realizar combos de golpes que podem te matar instantaneamente. Junto com o Nemesis, fomos apresentados a uma nova forma de zumbi criada pelo próprio vilão – basicamente, é o zumbi normal mas com tentáculos na cabeça (semelhante aos Ganados de Resident Evil 4).

Previsto para lançar em Abril desse ano, o remake de Resident Evil 3 parece manter a mesma qualidade de seu antecessor e tem chance de superar apresentando um vilão ainda mais ameaçador e assustador. Além disso o jogo virá com um modo online chamado Resistance, onde você e mais três jogadores precisam se ajudar para derrotar um monstro da franquia – semelhante ao famoso Dead By Daylight. O jogo aparenta ser bem promissor.

Por fim, no término da demonstração foi exibido um trailer inédito do jogo. Confira abaixo:

Resident Evil 3 será lançado dia 3 de Abril para PC, Xbox One e Playstation 4. O jogo já está disponível para pré-venda nas plataformas.

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Gameplay Games

Persona 5 Royal é um ótimo retorno ao mundo dos Phantom Thieves

Quando joguei Persona 5 em 2018, um ano após seu o lançamento ocidental, fiquei maravilhado com a série. A ponto de comprar um PlayStation Vita para jogar Persona 4 Golden. Porém, ao decorrer do tempo, quanto mais eu pensava sobre o jogo, mais ele caía no meu conceito, além de ter jogado outros JRPGs, que acho melhor escritos, incluindo o próprio Persona 4 Golden. Ainda o considero um dos melhores do gênero da última década, e é uma ótima porta de entrada para quem quer conhecer o mesmo

Agora em 2020, tive a chance de rejogar o game, mas em uma versão aprimorada, nomeada de Persona 5 Royal. Assim como Golden, novos conteúdos, social links e features foram incluídos nessa nova versão.

Voltar ao mundo de Persona 5 foi bem gratificante. Toda ambientação, estilo gráfico e trilha sonora me deixaram feliz. Explorar Tokyo com seus amigos continua sendo algo maravilhoso. Por 80% do tempo, o jogo permanece o mesmo de 2017, com pequenas alterações no roteiro para se encaixar com os novos acontecimentos. Basicamente tudo aquilo que fez o original ser consagrado, como seu roteiro, ainda está presente, na maior parte do tempo.

As mudanças já aparecem logo de cara, com o gancho e os novos confidants, Kasumi e Maruki, surgindo logo no começo do jogo. Diferente de Marie, de Persona 4 Golden, Kasumi é jogável e faz parte dos Phantom Thieves. Ela vai crescendo ao longo do jogo e sendo mais explorada após a metade do jogo. No entanto, devo dizer que, mesmo com as mudanças feitas no roteiro, o plot de Kasumi e Maruki deixa bastante a desejar, ainda que o conceito seja ótimo.

Um dos personagens que teve seu enredo alterado, foi Akechi Goro. Não vou entrar em detalhes por motivos de spoiler, mas ele ganha mais destaque no jogo. Haru Okumura é outra personagem que é melhor trabalhada em Royal, aparecendo desde o início do jogo, e não simplesmente aparecendo do nada.

O Mementos também foi alterado, com a presença de José, uma misteriosa criança que é capaz de mudar o status da área, trazendo bônus de mais XP, dinheiro e itens. Também é possível utilizar flores encontradas no lugar para trocar por itens.

Foi adicionado um local onde você pode matar tempo com seus confidants: o Thieves Den. É uma espécie de galeria, com estátuas de personas e bosses que você derrota durante o jogo, e minigames. O lugar pode ser acessado diretamente do menu principal ou no menu de pausa. Ele não conta como atividade diária.

Em termos de gameplay, o jogo ganhou várias melhorias, que, em minha opinião, foram as melhores coisas dessa nova versão. O gancho é uma boa uma maneira de você rejogar as dungeons sem se enjoar. Isso fez com que o layout delas sofresse leves mudanças. O Batton Pass agora dá um buff extra cada vez que você passa para outro membro da party.

Falando no Batton Pass, com a inclusão de uma nova cidade, Kichijoji, é possível aumentar o nível de poder dele ao jogar dardos com os seus amigos. Ao jogar sinuca, um dos seus status, com exceção de Kindness, aumenta aleatoriamente. Além do All-Out Attacks, há agora o Showtime, onde os membros atacam simultaneamente, mas diferente do All-Out, ele só é ativado em certos momentos da história.

Morgana agora não te obriga a dormir durante a noite, somente em momentos específicos, fazendo com que Joker tenha liberdade para aprimorar seus status. Novos personas foram adicionados, incluindo novas formas para os Phantom Thieves.

Em termo de gráficos, o jogo é mais polido que a versão original, e roda liso no PlayStation 4. O jogo original havia saído também para o PlayStation 3. A localização também foi melhorada, com alguns diálogos sendo reescritos e momentos de cunho homofóbicos excluídos.

  • Mas afinal, não poderia ter sido lançado via DLC?

Sim, poderia. Eu entendo que Persona 3 FES foi relançado por no Play Station2 não ter DLC e Persona 4 Golden por ser em uma plataforma totalmente diferente, mas atualmente já existem jeitos adicionar conteúdos em jogos sem o jogador, que já possui o game, ter que pagar preço cheio para ter as novidades.

Colocar todo o conteúdo presente em Royal, como se fosse uma espécie de New Game Plus, teria sido um jeito melhor de lidar com isso e, para quem nunca jogou, teria a edição completa à disposição. Então, para aqueles que já jogaram, recomendo esperar uma promoção.

Veredito:

Persona 5 Royal é um ótimo retorno ao mundo dos Phantom Thieves e uma excelente porta da entrada para novos jogadores. Apesar de errar no novo enredo, ele traz ótimas melhorias para o gameplay e continua sendo um dos melhores JRPGs da geração.

Agradecimentos à Atlus e Sega pelo envio do código.

 Para quem já jogou: Ouro – Recomendável

Para quem nunca jogou: Platina – Obrigatório

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Bloodshot é uma grata surpresa e inova as adaptações de quadrinhos

Após as dezenas de adaptações de quadrinhos da Marvel e DC, outras editoras quiseram explorar o mundo das salas de cinema. E dessa vez foi a Valiant Comics que quis entrar com um novo universo compartilhado, com seu mais novo filme, Bloodshot. Estrelando Vin Diesel, Eiza González, Guy Pearce e grande elenco, longa conta a história do soldado americano Ray, que após uma tragédia, é submetida à uma experiência chamada “Projeto Espírito em Ascensão“; em que nanites (nanorobôs) são injetados em seu corpo, apagando a memória e assim dando ‘poderes’ ao soldado.

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O filme tem um começo extremamente genérico, com uma edição estranha e fatores que podem deixar meio confuso a narrativa, sendo que o filme tem a pretensão de ser algo mais ‘pé no chão’, tomando caminhos caricatos demais. Para quem tinha um pé atrás com o projeto, isso era um mal sinal e talvez um presságio de que o resto não seria do agrado. Felizmente, não é isso que acontece. A partir do seu segundo ato, ou meio da história, somos apresentados à um plot-twist que se encaixa e funciona perfeitamente, e após isso, o filme toma um rumo único e inusitado. Pode se dizer, esse é o que faz esse filme se tornar um ponto fora da curva no atual mundo de filmes adaptados de quadrinhos.

As personagens ao longo da trama são carismáticas, e que deixam a curiosidade de conhecermos mais sobre. Eiza Gonzalez e Lamorne Morris roubam várias vezes a cena para suas personagens, e Lamorne traz a melhor parte do humor do filme, que não chega a funcionar tanto em outras personagens. O vilão do filme infelizmente não é tão memorável, mas funciona. Em parte de atuação, apenas Vin Diesel peca e traz cenas sem emoção, o que deixa a imersão um tanto quanto difícil.

Duas coisas que são feitas com maestria no longa: Os efeitos especiais e a fotografia. Uma das principais críticas aos filmes de heróis é a saturação de CGI desnecessário, e que deixa o filme com um visual plástico. Em Bloodshot, os efeitos visuais são como um personagem, e o personagem mais importante e mais bem desenvolvido. Claro, ele não é totalmente perfeito, mas pode chegar perto disso; cenas em slow-motion e dos nanites (que reconstroem o personagem de Diesel) são de tirar o fôlego.

Já sua fotografia, pode se dizer que é uma das melhores do meio em que o filme se encontra. A forma que as luzes e as cores são usadas mostra que Bloodshot quis tentar ser diferente de outras franquias, que não trabalham tanto com isso, deixando de lado. Por outro lado, o filme ainda peca em algumas cenas de ação, usando uma técnica de tremer demais a câmera, que atrapalha a apreciação da cena e da coreografia.

A trilha-sonora do filme ficou um tanto deixada de lado, o que chega a entristecer. Mas, a edição de som do filme é muito boa, o que também adiciona demais para sua imersão.

Assistir esse filme dá a sensação de estar vendo um filme clássico dessa era de filmes baseados em quadrinhos, como Homem de Ferro, Homem Aranha de Sam Raimi, e o longa tinha esse propósito, já que abre o universo da Valiant. Com cenas de ação ótimas, personagens novos e um universo inteiramente único, Bloodshot é um filme que diverte e conquista o público. Agora é esperar para que o filme faça sucesso, para explorarmos mais desse novo mundo.

Nota: 3,5/5

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Resenha | Napping Princess: A Minha História Que Eu Não Conhecia

Publicado pela Editora NewPOP em setembro de 2019, esse volume único, além de uma leitura divertida e leve, é também um exemplar importante para o mercado, por ser uma excelente porta de entrada para o mundo das Light Novels.

Mas vamos começar do começo, e apresentar a obra: “roteiro” do filme de mesmo nome, que saiu em 2017 e foi pré-indicado ao Oscar de animação, a novel foi escrita pelo diretor Kenji Kamiyama (que você talvez conheça por ter dirigido, também, Ghost in the Shell Stand Alone Complex).

A história segue Kokone Morikawa, uma garota “caipira” que vive no interior do Japão com seu pai, o mecânico Momotarou. Com apenas três dias para a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio, o passado do pai de Kokone vem à tona da forma mais inesperada possível. Com isso, a garota se vê numa missão de salvá-lo de caras maus, tendo como arma apenas um tablet rachado e… As informações que ela consegue no mundo de seus sonhos.

O charme de uma Light Novel está em suas personagens, e o maior gosto de se ler uma série está em acompanhar o crescimento e desenvolvimento dos protagonistas. Por conta disso, livros em volume único acabam sendo meio perigosos pois podem não dar tempo o suficiente para que você se importe com a personagem em questão.
Esse é um problema que eu não encontrei em Napping Princess: em poucas páginas, você já acaba se interessando por Kokone, já que ela é uma personagem tão… Como posso dizer? Intensa. Seja a sua versão do mundo “real” ou dos “sonhos“, ela está sempre fazendo algo, buscando algo. Não há um único minuto sequer pra parar e respirar.
Quer dizer, a menos que você feche o livro. Esse é um dos lados bons de livros né? Você pode parar pra respirar, se quiser.

Como essa imagem do filme mostra… A menina não para!

Para falar da história, acho que já posso ligar com o segundo ponto lá do parágrafo de introdução, sobre essa novel ser uma boa iniciação em Light Novels. De forma grosseira, podemos dizer que uma LN está no meio do caminho entre um Mangá e um Livro, e por causa disso, acaba afastando pessoas de ambos os extremos, com medo da semelhança com o outro lado.
E o que eu acredito é que Napping Princess poderia ajudar a trazer pessoas que gostam de livros de ficção, mas nunca se aventuraram em Light Novels, por serem “muito animê“. A história, mesmo se passando no Japão e dependendo de diversos clichês comuns da mídia, não soa como uma coisa “otaku“, por ter uma ambientação muito mais global.
Em 2020, apesar das iniciativas de guerra e de doenças fatais estarem tendo o maior foco nesse começo de ano, em breve voltaremos nossa atenção ao Japão, por conta das Olimpíadas. É um contexto onde as pessoas param de encarar o país como um “antro de otaquices” e provavelmente lembrarão que se trata de um lugar como qualquer outro. Justamente aqui que nossa história se passa, com todos os holofotes do mundo voltados para a pequena ilha asiática. Dessa forma, conseguimos apresentar, superficialmente, aquilo que você pode esperar de uma obra mais comum do gênero.

Inclusive, esse livro é genial por conseguir atrair pessoas de dois lados opostos da ficção, que normalmente nunca se encontram: aquelas que gostam de fantasia, e aquelas que preferem uma história mais realista. Tendo “dois núcleos” absurdamente diferentes, você pode se interessar mais por um do que por outro, e se divertir na parte que te agradar mais. Eu, por exemplo, fiquei muito intrigado com o mundo de Heartland no ínicio, enquanto as aventuras de Kokone no mundo real não me interessaram muito. Mas com o passar dos capítulos, me vi interessado mais com os acontecimentos de Tóquio do que do mundo fantasioso.

O último ponto que tenho a levantar sobre isso é a ausência de ilustrações. Uma das marcas registradas de Light Novels são seus desenhos internos, a maioria das vezes em “estilo mangá” (ou, como meu pai gosta de dizer, “que parece uns mangázinho“). É mais uma das características que acabam afastando potenciais leitores por passar a impressão de que o material é “muito animê“. Tirando a – belíssima, por sinal – ilustração de capa, não temos mais nada dentro, além de palavras: o miolo é praticamente um livro comum.
Isso pode assustar quem vem do mundo dos mangás, mas para quem está partindo do mundo dos livros, pode ser a bênção que eles precisavam.

Com toda essa baboseira de lado, vamos para a parte importante e o provável motivo de você estar aqui: vamos ser sommelier de lombada. O livro é no “Formato Pocket“, que a editora insistentemente lembra que não é um formato pocket pois é publicado assim no Japão. Dessa forma, você pode colocá-lo lado a lado com seus exemplares de Fate/Zero, No Game No Life, Toradora ou Shakugan no Shana, apenas para citar alguns de mesmo tamanho. Também segue a tendência recente, de vir com miolo em papel Polén Soft e capa cartonada, e se encerra com 246 páginas, fazendo-o não ser muito grosso. Honestamente, um belo exemplar para a sua estante.

Nas questões técnicas, eu devo dizer que não encontrei problemas com a versão nacional. A tão temida revisão da NewPOP vem melhorando nos últimos tempos, e nesse livro, me lembro de encontrar apenas um único erro que passou por ela. A adaptação e tradução também foram bem interessantes, optando por deixar o texto o mais “brasileiro” possível (sem honoríficos, com nomes na ordem ocidental, etc.) e colocando notas de rodapé apenas para conversões monetárias (afinal, ninguém é obrigado a saber quanto que dez mil ienes valem, né?). Foram escolhas que ajudam ainda mais a deixar o livro amigável para quem for marinheiro de primeira viagem.

Créditos da versão nacional.

No geral, uma leitura que não pesou no bolso e nem na cabeça, e que conseguiu me entreter por toda a sua duração. Recomendo a leitura para quem já está acostumado com Light Novels e para quem não está.

Se ficou interessado, você pode ter uma dessa só para você: a Light Novel está disponível e com desconto na loja da Amazon.