Detective Comics Quadrinhos

Ousadas: a série em quadrinhos sobre trinta mulheres excepcionais

Escrito por Gabriel Faria

Serializada de forma impressa na França entre 2016 e 2017 pela editora Gallimard, a série Ousadas (Culottées no original) é uma criação da quadrinista Pénélope Bagieu (Uma morte horrível) feita inicialmente para seu blog, tendo chegado completa ao Brasil graças a uma iniciativa da editora Nemo entre 2018 e 2020, em dois volumes.

A coleção Ousadas apresenta ao longo de suas 300 páginas trinta mulheres excepcionais de suas respectivas épocas que, com suas atitudes, perduram até hoje de maneira icônica – ou também acontecimentos modernos, mais recentes. São histórias reais de figuras importantes que revolucionaram de alguma forma a política, a arte, os esportes e outras esferas da sociedade predominantemente dominadas por homens.

Caixa especial com a coleção completa em dois volumes. Já à venda.

Pénélope Bagieu narra, tanto no primeiro quanto no segundo volume, de forma similar. Cada “capítulo” conta a história de vida e importância de determinada mulher, somando quinze no total em cada edição. Sua narrativa se mantém parecida em todos os capítulos: são cerca de seis a sete páginas, cada página composta por nove quadros. Em seguida, uma ilustração grande que preenche duas páginas. Seguindo esta fórmula, a autora habilmente possui espaço para mostrar todos os pontos relevantes do nascimento, vida e às vezes morte da figura histórica que aborda sem problemas, visto que é um esquema de narrativa basicamente perfeito.

Seus desenhos, claros e belos, transmitem quadro a quadro os principais pontos que o texto destaca, seja em recordatórios ou em balões. E suas cores mudam conforme a abordagem de cada capítulo, seja apenas pela mudança de tom como também pelas diferenças geográficas, visto que cada mulher é de um local diferente do planeta.

A autora segue uma narrativa dividida em nove quadros por página.

É importante ressaltar que as histórias de vida narradas por Bagieu não se limitam apenas às tragédias. Todas têm, de alguma forma, uma mensagem poderosa a ser passada. Entretanto, algumas são puramente espirituosas e divertidas, e ao mesmo tempo inspiradoras – enquanto outras são, de fato e necessariamente, revoltantes.

No segundo volume, o mais recente lançado no Brasil – e que completa a coleção – temos histórias de uma rapper, de uma astronauta, uma vulcanóloga, jornalista investigativa, inventora, ativista dos direitos dos animais, entre outras. Todas são unidas de alguma forma por incompreensão, machismo intrínseco às suas culturas e/ou tragédias pessoais. E todas são Ousadas o suficiente para iniciarem suas próprias revoluções.

Ao final de cada capítulo o leitor é premiado com uma bela ilustração que ocupa duas páginas. Os estilos de arte variam conforme a temática do capítulo.

A quebra dos preconceitos é emocionante e inspiradora. Todas as histórias são bem embasadas de acordo com as biografias (oficiais ou não) de cada mulher, e a autora cita, em determinados momentos, algumas fontes que podem ser ou foram conferidas para a narração daquilo que está em quadro.

A coleção nacional é, como padrão da Editora Nemo, um primor gráfico e editorial. Como fator de curiosidade, vale citar que a coleção Ousadas em inglês apresenta vinte e nove e não trinta histórias. O que ocorreu foi uma censura da história de Phoolan Devi, a Rainha Bandida da Índia, por apresentar cenas de estupro quando ela tinha apenas dez anos de idade, por seu marido imposto pela família.

No Brasil você pode conferir as trinta histórias na íntegra. Na França, Ousadas já vendeu mais de 200.000 cópias. Ficou interessado(a)? Clique aqui para comprar suas edições com desconto!

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Sobre o Autor

Gabriel Faria

Assistente Editorial, apaixonado por quadrinhos, redator da Torre de Vigilância, criador do blog 2000 AD Brasil e otaku mangazeiro nas horas vagas.

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