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Expectativas e Realidade em “The Misfit of Demon King Academy”

Já fazem alguns anos que escrevo aqui para a Torre de Vigilância, e um dos quadros mais recorrentes que eu participo é o “Primeiras Impressões”. Além de ser um conteúdo – na maioria das vezes – fácil e rápido de produzir, acredito funcionar como um dever cívico para com as pessoas interessadas: É o famoso “eu fiz para que você não precise fazer”.
O ditado diz que “a primeira impressão é a que fica”, e justamente por isso, é um quadro importante: Se o começo for ruim, ou nos passar uma impressão ruim, acabamos nem vendo o final, não é? Isso quer dizer que, na maior parte dos casos, quando decidimos continuar com um show, só existem duas possibilidades: Ou ele se mantém no nível que nos fez querer ficar, ou ele piora.

Por causa disso, é sempre uma gratificante surpresa quando um show resolve ficar melhor do que aparentou ser no início. O que “The Misfit of Demon King Academy” fez, em seus dois primeiros episódios, não chega aos pés do mérito que ele merece. Aparentando ser um simples show de porradinha, eu fui muito cruel e desrespeitoso com ele nas minhas “Primeiras Impressões“. Apesar de manter a porradinha que a gente gostou, ele foi um passo além, e por conta disso, venho me desculpar com essa postagem.

Existem diversas expectativas e esperanças para um “shonen de lutinha”: Você espera uma história simples, extremamente preto no branco, onde os vilões são maus e os mocinhos são bons, e você gasta metade da temporada em um arco de torneio absolutamente desnecessário e que não acrescenta em nada à história. Que história, aliás? É um shonen de lutinha!

Mas é claro que Anos Voldigoad, o Rei-demônio da Destruição, não poderia deixar isso barato. Vocês acharam mesmo que ele teria um show genérico e sem graça, só porque você achou a premissa e a sinopse genérica e sem graça? Com uma história ainda genérica, mas muito bem trabalhada e, principalmente, bastante divertida, nos vemos investidos no mistério do mundo, tentando entender o que aconteceu nos dois mil anos que passaram.

Frases de efeito. Frases de efeito que são uma contradição absurda e só fazem sentido no contexto que elas são ditas. Esse show é maravilhoso.

Muito se comenta sobre “protagonistas invencíveis”, onde qualquer conflito que envolva violência ou força física não traz nenhuma tensão para o espectador: Nunca há uma real chance de os mocinhos serem derrotados, então, aquela luta não tem sentido. Várias obras tentam circunver esse obstáculo ao deixar seu protagonista de lado, e permitir que as personagens de apoio tenham seu tempo no holofote. One-Punch Man faz isso com maestria, sempre dando alguma desculpa para que o patrono do show esteja no lugar errado na hora que precisamos dele. Isso funciona um número de vezes, até você perceber que no final, o protagonista invencível sempre vai chegar e resolver o problema.

A forma que “The Misfit of Demon King Academy” encontrou de resolver esse problema é interessante: Fazendo o conflito principal não ser uma batalha de forças, mas uma batalha de ideais. Afinal, como já comentamos, não haveria história alguma se o problema pudesse ser resolvido na base da porrada. Nem mesmo o todo-poderoso Rei-demônio da Destruição pode derrotar mil anos de racismo sistêmico. Pelo menos, não em uma noite.

Porém, acredito que o maior mérito do show seja no seu caráter genuinamente misterioso. O grau de absurdo do show atinge níveis estratosféricos logo no primeiro episódio, te dando a impressão de que aquilo não passa de uma descarada paródia, afinal, não há como algo assim ser sério… né?
Depois de alguns episódios, você percebe a seriedade com que tudo é tratado, mesmo quando estamos tratando de coisas ordens de grandeza piores do que deveria ser permitido. Você fica sem saber dizer se a intenção era ser uma paródia ou era ser levado a sério, e, pra mim, esse é um efeito mágico que só pode ser alcançado com completa maestria sob a escrita. Não é fácil fazer algo assim, que pode ser interpretado de ambas as formas e te deixa irritado não importa qual delas você resolva adotar. O animê realmente merece os parabéns.

Ele tem a PACHORRA de mandar um “estava usando meros 10% do meu poder” na metade da temporada. E fala isso com a cara mais séria do mundo. Sinceramente…

Outra coisa que precisa ser comentada é sobre o aspecto técnico do show. Mais uma vez, temos uma impressão de que animês “como esse” tendem a ser mal produzidos, tendo animação desajustada, direção porca e coreografia desanimadora. Embora seja verdade na maior parte dos casos, “The Misfit of Demon King Academy” nos mostrou, outra vez (já é o quê? A terceira vez? Só nessa postagem?), que nem tudo deve ser levado apenas por impressões.
A animação, do estúdio Silverlink, é belíssima e se mantém consistente ao longo de todos os treze episódios; a direção, do dueto Shin Oonuma e Masafumi Tamura, fez jus à complexidade da obra e conseguiu torná-la ainda mais marcante; e a coreografia tornou cada luta em um espetáculo digno de um season finale.

A grande lição que temos que tirar disso tudo é que julgar um livro pela capa etc etc etc. Já conhecemos o ditado, né? De verdade, a lição que fica é sobre expectativas e como o resultado se compara a elas. Eu acabei adorando “The Misfit of Demon King Academy” pois fui com a expectativa mais baixa do mundo, e me deparei com um resultado surpreendentemente acima do que esperava. Isso fez com que minha visão da obra fosse um enorme sorriso. Quando você espera um 2/10 e consegue um 6/10, ele parece muito melhor do que um 6/10 que parecia ser um 9/10. Na prática, o show é um 10/10 no meu coração, que me divertiu horrores por toda sua exibição e provavelmente liderará a minha lista de melhores do ano, para semear ainda mais caos por lá.

Encerro pedindo desculpas ao show, e desculpas A VOCÊ, leitor, que agora vai assistir o animê com uma expectativa super alta e vai se decepcionar. Foi mal.

“The Misfit of Demon King Academy” está disponível na plataforma de streaming Crunchyroll, com todos os 13 episódios com legendas em português.

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O Menino Maluquinho, Ziraldo, Meu Pai e boas Lembranças

O ano realmente eu não consigo me lembrar. Acho que eu deveria ter uns 10 ou 11 anos, ou seja, entre os anos de 1990 e 1991, realmente não lembro. Mas todos os momentos daquela leitura ficaram vivos e pulsantes na minha cabeça. Mas foi por toda atmosfera em volta e tudo aquilo que o livro O Menino Maluquinho representou para minha vida. A representação veio em formas diversas, com memórias deliciosas, conscientização de como o tempo passa, aproveitar a infância e pela divisão de leitura com o meu pai.

Contextualizando o tempo para vocês, O Menino Maluquinho me foi apresentado via os famosos livros extraclasses que as escolas pediam para ler durante o ano letivo, um adendo aqui em relação essa prática, que desculpem a ignorância, não sei se as escolas ainda adotam. Mas lembro de muitos alunos não ligarem para a leitura, por associarem aquilo à alguma prova, ou teste, e simplesmente não realizaram as leituras e por uma associação imbecil, não tiveram, e não quiseram, ter o hábito de ler na vida em geral. Mas esse método me apresentou Pedro Bandeira, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Jorge Amado, Quino e claro Ziraldo. E assim, por meio de uma lista de material escolar, me chegou O Menino Maluquinho.

A versão que meus pais compraram foi a uma pocket, que infelizmente se perdeu com o tempo. O livro era pequeno, o que tinha se tornado uma novidade para mim, pois até então nunca tinha visto uma versão daquela. E quando chegou a época de realizar a leitura mergulhei no livro. E sim, foi uma leitura voraz e veloz. Fiquei tipo: “ué… mas já acabou?”. E retornei mais uma vez a leitura, e reli, reli, reli, reli… tinha me tornado craque no livro e extremamente apaixonado. Ali me inspirei em brincadeiras com meu irmão. Fazia mapas de tesouro e criava corridas de dados, assim como estão descritas por Ziraldo.

O Menino Maluquinho traz a história de um garoto, entre seus 8 e 9 anos, muito esperto, ativo, que usa uma panela na cabeça e se diverte muito com os amigos, sempre usando demais a imaginação, criando brincadeiras e aprontando traquinagens. E essa imaginação, típica de uma criança, é o que me fazia viajar e também me trouxe pensamentos sobre a vida. Afinal, o Menino Maluquinho, no final das contas não era Maluquinho, era um menino feliz. E isso me fez pensar muito se eu tinha essa felicidade na época. Obviamente uma coisa que uma criança de 11 ou 12 anos não deveria pensar, e resolvi aproveitar a infância.

A editora Melhoramentos está lançando uma nova edição que será um item digno de colecionador, com 120 páginas, acabamento cartonado, capa dura e miolo colorido. E tem, como complemento, um marcador de páginas especial, ao estilo do personagem, além de um paper art, que o leitor destaca e monta, formando um objeto ser guardado. Entre as curiosidades na edição,  fala que desde seu lançamento, em 1980, já teve 129 edições, em mais de 10 países, e vendeu 4 milhões de exemplares.

Em 2020 temos muito o que comemorar, o livro O Menino Maluquinho completa 40 anos e recebeu. olha só! Está com a minha idade! O mestre Ziraldo irá completar 88 anos no final de outubro e podemos e devemos sempre agradecer e repassar a sua obra para o futuro, assim como passarei O Menino Maluquinho para a minha filha de 4 anos. Assim como meu pai leu comigo na minha época. A lembrança dele alternando comigo a leitura e falando de macaquinhos no sótão ou vento nos pés são fortes e reconfortantes. Meu pai foi um cara que veio da Bahia para o Rio de Janeiro, trabalhou a vida toda atrás de um volante de ônibus e nunca deixou de apresentar cultura para mim e meus irmãos. E mesmo assim, quando dava, no meio da sua correria de trabalho, ainda realizava alguma leitura. E essa é a melhor memória que tenho d’O Menino Maluquinho. Uma leitura que abraçou pai e filho no início da década de 90.

Obrigado por ajudar realizar essa lembrança Ziraldo.

E obrigado por tudo Menino Maluquinho.

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O Dilema das Redes (2020): A utopia e distopia das redes sociais

Desative suas notificações!

Não clique em vídeos recomendados para você no YouTube!

Saia do sistema!

Tenha domínio das redes sociais e não o contrário!

São com esses pedidos que o recente documentário da Netflix encerra o seu debate sobre um assunto atual e amplamente debatido entre diversos níveis da sociedade: a influência das redes sociais nas pessoas. O Dilema das Redes trouxe como convidados os principais representantes ou ex-representantes em inúmeros setores dentro das principais mídias como Google, Facebook, Twitter, Pinterest e Instagram, entre outros. O objetivo da produção era mostrar os dois lados da mesma moeda: apresentar os pós e contra da criação dos principais entretenimentos digitais da humanidade. Posso adiantar que o debate conseguiu ser provocativo o suficiente para reflexão e mostrar a realidade: somos apenas produtos dessa indústria tecnológica.

Se o seu celular está ao seu lado, posso supor que esteja lendo esse texto ao mesmo tempo que se atualiza nas notificações que estão bombardeando seu celular neste exato momento. Aquelas conversas no WhatsApp, os tweets no Twitter, as curtidas no Instagram e os comentários no Facebook de algum meme que você postou ou alguma posição que tomou sobre algum assunto. Mesma coisa quem está usando o PC/Notebook. Ninguém está imune daquela ansiedade quando aparece notificação nova, certo? Aquela tentação de parar o que está fazendo para ver uma dessas mídias. Não precisa ser vidente para adivinhar algo tão óbvio que se enraizou na nossa sociedade nos últimos anos.

“Se você não estiver pagando pelo produto – você é o produto”

Os especialistas não fazem rodeios nos tópicos apresentados e expõem diretamente todo o planejamento feito para mantermos conectados de uma forma cada vez mais intensa e frenética. Aquela sensação de termos tudo, mas ainda assim queremos mais. Muito mais. O documentário ganha muito com essa abordagem e consegue tirar-nos dessa bolha mágica de que as redes sociais só servem para a nossa diversão e criar essa conexão com nossos amigos.

As notificações são as principais causas para a criação deste grande ciclo vicioso e ansioso ao olharmos as novas mensagens ao longo dia. Só paramos quando não tem mais nada, porém em poucos minutos estaremos repetindo esse processo. Nós estamos seguindo exatamente o propósito desses especialistas convidados e por conta disso, o poder deles se amplifica. A manipulação entra aqui. Somos manipulados todos os dias e vamos continuar sendo. Até porque time que está ganhando não se mexe, não é mesmo?

É nesse viés que a produção da Netflix também explora a saúde mental dos jovens nas redes sociais e a relação com o desenvolvimento de depressão, ansiedade e suicídio. Os comentários depreciativos ou os chamados gatilhos são apresentados de maneira descontrolada nas mídias, ou seja, mostra como não estão prontas para lidar com essa faixa etária. Isso foi muito bem apresentado com a caçula de uma família fictícia que se viu numa situação delicada quando recebeu um comentário ofensivo em seu filtro. Assim como ela, seus entes queridos também apresentam uma grande dependência do celular e de suas redes. E é através do irmão que desenvolvem o outro lado emblemático da tecnologia: o mundo político.

Nos últimos anos, o Facebook presenciou o seu nome ser mencionado diversas vezes na mídia mundial pela forma que lida com as informações de seus usuários e também pelas acusações de influenciar as eleições norte-americanas que elegeram Donald Trump em 2016. É notável como as carreiras políticas estão encontrando essa rede com o objetivo de alavancar suas intenções de voto. Como pontualmente mencionado, a campanha de Jair Bolsonaro foi nela. Temos vistos muitos levantes partidários ganhando seguidores. Discussões intensas são presenciadas diariamente e toda essa bola de neve culminou na cultura das fakes news.

“A verdade é chata.”

Um entrevistado pontua que criaram um sistema que privilegia informações falsas, pois é mais lucrativo às empresas do que dizer a verdade. É isto! É mais gostoso uma mentira bombástica do que uma verdade mediana. Esse mecanismo gera mais engajamento em seus usuários, uma vez que acontece o famoso telefone sem fio. Eu repasso para você e você repassa para seus amigos no WhatsApp em letras garrafais ”URGENTE! FULANO FEZ ISSO” e seus amigos repassam para mais amigos. Vai crescendo como um vírus faminto por mais hospedeiros que repassem a palavra.

 

Mesmo que a família fictícia não tivesse o mesmo impacto dos relatos, a proposta de mostrar o vício nas redes sociais foi explorada de forma pontual. O final do documentário consegue ser ainda mais provocativo com os dizeres sobre os filhos dos especialistas ficarem longe das próprias mídias que criaram e eles dão conselhos para evitar esse crescente poder sobre nós. Os próprios sabem como essa moeda é dividida entre utopia e distopia. Vivemos os dois ao mesmo tempo. Porém, você aí que leu tudo quer esquivar-se dessa manipulação digital? Volte para as frases que abrem este texto. É sério! Você conseguiria?
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Gameplay Games

Mafia: Definitive Edition: o retorno de um clássico

Reviver toda a carreira de Tommy Angelo, com toda a carga nostálgica que carregamos desde os anos 2000, quando fomos iniciados em jogos cinematográficos, é realmente um papel com uma responsabilidade muito grande e que poderia ter dado muito errado. Mas pra nossa alegria esse não foi o caso de Mafia: Definitive Edition.

Jogar na década de 30, no ápice de um contexto da lei seca e numa época que foi considerada a melhor fase da história da Máfia dentro dos Estados Unidos é uma experiência completamente memorável que muitos já passaram no PC e, posteriormente, no PlayStation 2, mas a necessidade de recriação disso tudo acaba surgindo com o passar dos anos, seja para conquistar um novo público ou mesmo para não deixar um jogo tão completo ser esquecido ou ficar no catálogo de alguns como um jogo ultrapassado. Essa recriação foi muito bem feita pela Hangar 13, e foi completamente fiel à obra original, ao mesmo tempo que conseguiu atualizar tudo para a geração atual dos games.

Dentro de sua história principal, Máfia é completamente linear e se passa em capítulos, dando sempre chance de explorarmos a cidade também durante a campanha, mas seu modo sandbox é separado do jogo principal, o que gerou estranheza em alguns, e um alívio para outros.

Em teoria poderíamos dizer que essa separação pode ter acontecido pela recepção negativa que tivemos com Mafia III, que continha cenários vastos e missões um pouco repetitivas. Seria um medo do estúdio em errar a mão com algo que já estava bom? Talvez… E de certa forma eu preferi assim, essa opção não tirou nada da diversão que tive ao revisitar o jogo. Claro que falando sobre a campanha, já que o modo Direção Livre, como ele é chamado, seria mais para brincar dentro do cenário (que é bastante amplo) mas logo logo você enjoa dele com falta de objetivos.

É importante ressaltar que por mais fiel que seja o jogo, ele é um remake, ou seja, ele foi refeito completamente do zero com novos atores, uma nova engine, e claro, novas mecânicas. Deixando ainda uma responsabilidade muito maior na mão do estúdio responsável.

Voltando um pouco para a jogabilidade, em minha opinião tivemos o melhor controle de direção para os veículos dentre todos os jogos da franquia, os controles não são nenhum pouco travados e fluem muito depois de um tempo jogando. As motocicletas pela primeira vez também foram adicionadas, e são literalmente uma mão na roda pra quem gosta de mais velocidade e ao mesmo tempo de se esgueirar nos becos e caminhos estreitos que encontramos.

Outro detalhe que achei muito legal ao dirigir é o jeito que os objetivos são mostrados na estrada. No lugar de termos uma faixa pintada no chão mostrando onde temos que ir (o que tira um pouco a imersão), agora temos placas de transito que nos apontam a direção certa e somem assim que passamos por elas.

A história do jogo, é com certeza o ponto mais alto dele. Todo o contexto já citado lá em cima, junto com todo o desenvolvimento do nosso protagonista que de um taxista sem muito futuro, cresce e consegue um cargo importante dentro da Máfia, é uma mistura é sensacional. E claro que esse pequeno resumo é justamente para você não perder nenhuma experiência enquanto estiver jogando.

É importante ressaltar que mesmo o primeiro jogo sendo absolutamente completo e independente, quando pegamos o pacote Mafia: Trilogy, onde temos o Mafia: Definitive Edition (remake do primeiro), Mafia II: Definitive Edition (remaster do segundo jogo) e o Mafia III: Definitive Edition (que é a versão original, com todas as suas DLCs), a experiência se torna muito mais completa, já que todos os jogos em algum momento se misturam.

Um exemplo disso é encontrarmos o Tommy (protagonista do primeiro jogo) em algum momento do Mafia II. Outro exemplo disso é o Vito (protagonista do segundo jogo) ser um NPC super importante dentro do Mafia III e por aí vamos revirando mais e mais sobre esse universo completamente interligado.

Apesar de tudo que falamos, o jogo tem sim seus defeitos. O combate, seja no corpo a corpo, ou durante os tiroteios, é um pouco travado, o que não muda muito do que vemos nos outros jogos, talvez seja uma característica da franquia. Foi possível também, durante a jogatina encontrar alguns bugs. Em algum momento um carro voou de repente no meio do transito, em outro tivemos uma queda de frames no chão, mas são tipos de bugs que acabam se tornando comuns em lançamentos e resolvidos com atualizações posteriores, então não me preocupei muito.

Dando o veredito, o jogo vale sim muito à pena, ele consegue ser realmente melhor do que seu antecessor, é como se estivéssemos jogando o mesmo jogo lá atrás, mas com a maioria dos problemas resolvidos e com gráficos absurdos, e novos conceitos e conteúdos.

Agradecemos a 2K pelo envio do código. O jogo foi testado em um PlayStation 4 Slim.

Nota: Ouro

Ele já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC, separadamente ou junto com os outros jogos no pacote Mafia: Trilogy.

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Enola Holmes: A sessão da tarde que precisamos

A nova obra distribuída pela Netflix promove uma sessão leve e tranquila. Se tivéssemos filmes como Enola Holmes no programação da Sessão da Tarde estaríamos muito bem servidos. Assistir à história da pequena detetive resulta em uma leveza totalmente necessária por agora. Contudo, sua leveza não é obstáculo para tratar assuntos sérios e pertinentes de maneira correta, com a extrema sensibilidade requisitada por eles.

Enola Holmes é irmã do mais conhecido detetive da literatura e das artes, Sherlock Holmes. Com adaptações, tanto na TV como no cinema, além das diversas edições produzidas por Arthur Conan Doyle, sua fama foi o construindo em um verdadeiro símbolo da cultura. Palavras e expressões como “elementar” e “meu caro Watson” ficaram popularmente conhecidas e usadas ao redor do mundo; a perspicácia do detetive aliada à complexidade das tramas que Doyle concebera o fizeram ser uma figura incontestável, de julgamentos indispensáveis. Através da obra de Nancy Springer, tivemos o surgimento de uma caçula na família Holmes, Enola, onde esta toma o protagonismo para si. E em sua adaptação cinematográfica, Enola é justamente a caçula que toma as rédeas da história, colocando às vezes o próprio “maior detetive da história” no bolso.

E é nessa mudança de protagonismo que Enola Holmes funciona tão bem, como filme e discurso. Millie Bobby Brown, que fez sucesso escandaloso em Stranger Things, interpreta aqui uma menina completamente transgressora das regras sociais impostas na Inglaterra do século XIX. Sua postura é resultado da criação provida pela mãe, Eudoria Holmes (Elena Bonham Carter), que participa de movimentos feministas ingleses enquanto ensina a filha tudo o que for necessário para torná-la uma cidadã exemplar, mas, principalmente, livre. O desaparecimento da mãe, contudo, ocorre de forma repentina e serve como ponto de partida ao desenrolar da trama, fazendo com que Enola saia em uma busca desenfreada. Millie, aliás, é impressionante no papel, conseguindo aplicar um tom equilibrado à personagem, enquanto consegue mostrar rigidez e descontentamento nas horas corretas, também sabe evidenciar as dificuldades e os conflitos internos da protagonista, afinal, é apenas uma garota de 16 anos.

Como elenco de apoio, temos Sam Claflin e Henry Cavill como Mycroft e Sherlock, respectivamente. Ambos compõem a família Holmes e são irmão de Enola. Por ser o irmão mais velho, Mycroft, devido ao desaparecimento da mãe, se torna responsável pela guarda de Enola e decida colocá-la em um internato. E digo logo de cara que Claflin está ótimo, mesmo com poucas cenas e cumprindo um papel burocrático, o ator tem as feições e os gritos de um verdadeiro malfeitor de um filme infantojuvenil. Do outro lado, temos o nosso detetive Superman – e talvez isso seja suficiente. Diferentemente de Millie, que consegue distanciar Eleven de Enola, Cavill se tornou tão icônico no papel de Superman que não se consegue diferenciá-lo de Sherlock, e a atuação dele, embora não comprometa, pouco ajuda nessa desassociação. Entretanto, não há só lados negativos na interpretação de Cavill, seu figurino e sua maquiagem, além do notório físico do ator, dão imponência à presença de Sherlock no ambiente – repare na cena do internato, onde a luz solar se confunde com a figura de Sherlock; nela, podemos dizer que há realmente um Sherlock Holmes.

Acerca da narrativa, há surpresas agradáveis na direção de Harry Bradbeer. O diretor encontra soluções criativas para o desenvolvimento da história, como o uso fluido dos flashbacks na montagem junto às cenas do presente; quando Enola se encontra em uma enrascada, se lembra imediatamente da mãe a ensinando e a treinando – existe uma passagem particular onde ocorre uma briga física (até onde a classificação 12+ permite), e as cenas do passado e do presente se intercalam criando um ritmo muito satisfatório. Complementando esse sensação, a trilha sonora composta por Daniel Pemberton é animada e eleva o tom aventuresco do filme. Outra solução interessante de Bradbeer é o uso da quebra da quarta parede; quando o autor olha para a câmera e conversa diretamente com o espectador. Millie parece dominar a técnica há anos, conseguindo, através de poucos olhares à câmera, expressar tudo o que ela está passando. E o estilo da movimentação da câmera – captando a ação das cenas juntamente às quebras de Enola – é um ponto altíssimo da cinematografia de Giles Nuttgens (com belo currículo.).

Contudo, o virtuosismo técnico de Enola Holmes esbarra na própria limitação do diretor. A quebra da quarta parede e a montagem dos flashbacks são bem executados, mas usados em excesso constrangedor, porém, compreensível pelo público-alvo. A Enola fala tanto, mas tanto com a câmera, que esse elemento começa a se desgastar e você só quer que a história dê prosseguimento no meio de inúmeras interrupções. Os flashbacks também são excessivos, usados demasiadamente na explicação de QUALQUER momento importante ou decisivo dos mistérios apresentados. Parece que o Bradbeer se acomodou nesses elementos e esqueceu que um filme investigativo também pode ser solucionado e desenvolvido com outros auxílios, sem excessos ou soluções fáceis (presentes aqui).

Em relação ao tema proposto de Enola Holmes, só elogios a serem feitos. A história é sobre emancipação e amadurecimento, onde coloca uma garota tendo que enfrentar diversas opressões, de caráter social principalmente, que ditam normas e regras pautadas em um conservadorismo moral gritante. Mesmo que estes assuntos espinhosos estejam dimensionados a um público mais infantil, o filme não deixa de tratá-lo com a seriedade devida, servindo como incentivo para jovens que buscam viver seus próprios desejos e convicções. Além disso, a mensagem construída no final aquecerá até o coração dos mais velhos, concluindo uma trama marcada por superações e pela busca de autonomia.

Enola Holmes é, indiscutivelmente, a sessão da tarde em sua melhor expressão. Há aqueles que tratarão o filme como um simples conto infantojuvenil – e ele também é isso – e deixarão escapar significados que possam interessá-los. A lição que fica é nunca subestimarmos filmes que, no início, possam parecer que não têm nada a dizer. Esta obra não é o caso, embora passe longe de ser perfeita.Para quem está trabalhando?”, “Inglatera.”, é um bom exemplo de diálogo que reflete a capacidade de um filme infantojuvenil ser tão sutil e, ao mesmo tempo, tão ambicioso ao trabalhar seu discurso. Em tempos difíceis como esse em que vivemos, talvez essa ambição seja o que precisamos.

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‘Tudo Bem’: Curta-metragem brasileiro aborda história de amor no ”novo normal”

Desde março, a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil e a população entrou em quarentena. Eventualmente, se adaptando a realizar as atividades em casa e ao que chamamos de ”novo normal”. Diante desse cenário, nasceu o curta-metragem brasileiro ‘Tudo Bem’.

No curta acompanhamos Hugo (Daniel Rangel) conhecendo Dandara (Heslaine Vieira) uma semana antes da quarentena, com uma breve conversa e sem troca de contato. Quando o período de quarentena se inicia, Hugo começa a pensar se irá conseguir encontrá-la de novo enquanto precisa lidar com os problemas que grande parte das pessoas lidaram durante este período.

Daniel Rangel estrela curta sobre pandemia de Covid: “Emoções à flor da pele” - Quem | EntrevistaAs gravações foram realizadas em apenas dois dias seguindo de forma rígida todos os protocolos de segurança, com o apoio da Prefeitura Municipal de Nilópolis – que foi responsável por isolar a área da gravação para a segurança da equipe. O curta foi dirigido e roteirizado por Caio César.

‘Tudo Bem’ foi disponibilizado nesta terça-feira (22/09) no Youtube. Confira o curta abaixo:

Acompanhe o projeto no instagram: @curtatudobem

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O Diabo de Cada Dia: A Narrativa Através da Maldade Humana

Baseado no Livro ‘The Devil All The Time’ (traduzido aqui como ‘O Mal Nosso de Cada Dia’), escrito por Donald Ray Pollock, ‘O Diabo de Cada Dia’ estreou essa semana na Netflix. O longa, dirigido por Antonio Campos, se trata de uma adaptação bem fiel da obra original onde acompanhamos diversas tramas que se entrelaçam e que tem como principal motor a maldade humana e suas consequências, fazendo com que a história tome seu rumo e siga em frente até sua conclusão.

Entenda o real significado do final de O Diabo de Cada Dia na NetflixO filme já começa situando o telespectador ao ambiente e a época onde a história se passa, com a narração do autor da obra que deu origem ao título. Diante disso, acompanhamos um veterano de guerra e seu filho, um casal de serial killers e um pastor um tanto como alienador e suas histórias particulares marcadas por tragédias e dramas que, durante a exibição do longa, fazem com que as tramas pessoais se entrelacem.

Diante disso, já podemos elogiar o longa como adaptação e dizer que o principal condutor do longa não é o narrador e nem são os protagonistas que aparecem no decorrer do filme, mas sim a maldade humana, exibida na tela de forma nua e crua, e suas consequências que fazem com que a história se guie cruzando o caminho de todos os personagens envolvidos – da mesma forma que no livro. Há sim algumas alterações, momentos que passam de forma corrida e bastantes cortes na trama, como é típico ocorrer em adaptações – entretanto, a estrutura é a mesma. Afinal, Pollock utiliza a violência como chave e Campos adapta para as telas de forma igual.

A narração em segundo plano feito por Donald Ray Pollock, ao mesmo tempo que é inconveniente em alguns momentos pois serve apenas para tampar alguns buracos de roteiro e acelerar a trama, é válida pois ajuda a história a se situar em algumas ocasiões para quem não leu o livro. De certa forma, pode-se comparar a narrativa de ‘O Diabo de Cada Dia’ com uma típica realizada por Quentin Tarantino em seus longas, um pouco menos elaborada porém que funciona perfeitamente no filme.

O Diabo de Cada Dia", da Netflix, é um violento mergulho na fé | A GazetaO elenco está absurdamente bom. Tom Holland rouba a cena como Arvin, que acaba sendo o elemento principal da história – afinal, no primeiro ato acompanhamos sua infância conturbada e os problemas que seus pais (interpretados por Bill Skarsgård e Eliza Scanlen) enfrentavam, e logo após vemos as consequências provocadas posteriormente. Arvin é o pivô central da trama e Holland consegue manter uma atuação incrível e que cresce conforme o filme se desenvolve.

Robert Pattinson também é destaque ao interpretar um pastor alienador novo na cidade e Jason Clarke consegue passar bem todas as características de seu personagem. O restante do elenco também é marcado por grandes nomes como Sebastian Stan e Mia Wasikowska, porém estes acabam sendo subutilizados e deixados de lado por conta da trama correr em alguns pontos – o que é uma pena, pois é um desperdício de potencial.

O Diabo de Cada Dia: Quem é o narrador? Verdade surpreende fãs da NetflixEntão, é bom?

‘O Diabo de Cada Dia’ é, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do ano. O longa apresenta uma narrativa envolvente que se desenrola e une os personagens da trama através da maldade do homem e suas consequências, que se entrelaçam nas histórias individuais de cada personagem. O elenco está sensacional, com destaque ao Tom Holland e ao Robert Pattinson, que roubam a cena dos demais. Inclusive, esse sem dúvidas é um dos melhores papéis da carreira de Holland. Além disso tudo, a trama é envolvente e prende o telespectador do início ao fim. Resumindo, um ótimo filme que inclusive pode acabar atraindo a curiosidade para ler a obra que o título adaptou – que, inclusive, é uma excelente leitura a ser feita para quem gostou de sua adaptação.

A quem se interessar, o livro foi publicado no Brasil pela Darkside Books e está em promoção na Amazon. Confira clicando aqui.

Nota: 4.5/5

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A Babá: Rainha da Morte homenageia o trash com seu próprio estilo

Em 2017 a Netflix lançou ‘A Babá’, um filme de Terror B – ou seja, trash – onde acompanhamos Cole, de 12 anos, e a relação com sua babá, Bee. Em sua casa, após dar a hora de dormir, ele decide ver por curiosidade o que a Babá faz enquanto ele dorme e presencia Bee com um grupo de amigos assassinando um homem para realizar um ritual e que, para completar ele, o grupo precisa do sangue de Cole. Logo, começa uma caçada onde o garoto precisa sobreviver em sua própria casa.

Com uma trama bem semelhante ao clássico ‘Esqueceram de Mim’ e com uma montagem típica do gênero de Terror B (ou o clássico ”Terrir”), ‘A Babá’ divertiu grande parte do público. Agora, dois anos após seu lançamento, o longa ganhou uma sequência – ‘A Babá: Rainha da Morte’ chegou nessa Quinta-Feira (10/09) no serviço de streaming e conseguiu superar o seu antecessor no trash, se tornando o filme mais insano e violento do ano, até então.

A Babá: Rainha da Morte ganha trailer oficial e confirma data de estreiaNa sequência, dois anos se passaram e Cole sofre as consequências do longa anterior: seus pais acreditam que tudo foi uma alucinação e após inúmeras tentativas de desacreditar o rapaz, planejam enviar ele para uma instituição psiquiátrica. Depois de descobrir os planos do pai, Cole conta para sua amiga Melanie – que estava presente na noite do primeiro filme – e, então, eles decidem fugir para uma festa no lago. Entretanto, o grupo responsável pelo culto retorna e, mais uma vez, ele precisa sobreviver à caçada durante a noite.

O título de fato parece uma sequência desnecessária, afinal, o seu antecessor teve um arco fechado e a trama desse se apresenta solta durante o seu primeiro ato. Porém, após um plot interessante no segundo ato, o longa assume uma personalidade diferente – mesmo que essa reviravolta seja esquecida logo após dez minutos. Infelizmente, o desfecho não é dos melhores, e nota-se que o diretor pretende fazer mais uma sequência com a presença de cena pós-créditos.

A Babá: Rainha da Morte tem ligação com O Exterminador do FuturoAlém disso, a sequência repete a mesma fórmula que o longa de 2017, mas acrescentando mais violência gratuita, mortes estupidamente mais insanas e aumentando o nível das piadas – ou seja, aumentando completamente o nível do trash e, assim como o primeiro, sendo uma homenagem ao gênero. Resumindo, ele pega todos os acertos do primeiro filme e potencializa todo o gore nesta sequência.

McG se preocupa também em apresentar por meio de flashbacks a motivação de cada membro do culto, sendo estas sequências bem engraças de se ver. O interessante também é ver que o título, mesmo utilizando os elementos técnicos que constituem um filme trash, consegue criar seu próprio estilo através da montagem do longa. Quanto ao elenco, não tem muito o que comentar: todos repetem as suas atuações do primeiro filme onde cada um é um clichê que saiu de um filme adolescente norte-americano (e essa é a graça).

A Babá: Rainha da Morte | Conheça o novo filme de terror da Netflix

Então, é bom?

Por mais que apresenta um desfecho relativamente fraco, ‘A Babá: Rainha da Morte’  acerta ao repetir a mesma fórmula  e os acertos que seu antecessor, inclusive superando-o em alguns momentos. É um longa divertido de se assistir e que consegue atingir seu objetivo utilizando elementos técnicos clássicos do gênero de terror trash da forma correta para entreter o telespectador e homenagear o gênero. Por fim, é um filme que diverte o telespectador e que merece ser assistido no seu tempo livre.

Nota: 3/5

 

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Star Renegades: Um Excelente e Nostálgico JRPG

Desenvolvido pela Massive Damage, a mesma responsável pelo excelente Halcyon 6: Starbase Commander, Star Renegades foi lançado na terça-feira (08/09) e mistura em sua gameplay elementos de JRPG com roguelite, mantendo o gênero de ficção científica em uma trama simples, porém bem elaborada, de seu título anterior em gráficos 2D.

Em Halcyon 6: Starbase Commander, a empresa mostrou um título onde o jogador era responsável por administrar um acampamento, explorando a área em busca de recursos e combatendo os inimigos que ameaçavam o a base, tudo isso em um universo sci-fi. Star Renegades segue essa mesma premissa como base, porém adiciona os elementos já citados acima e se prova como sendo um excelente e nostálgico jogo.

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A história do jogo é bem simples, bem curta e por conta disso acaba não tendo um merecido destaque ao longo da gameplay. Em Star Renegades, o mundo está sendo dominado e destruído pelo Imperium, sem esperanças de derrotar o inimigo, um cientista envia um robô para uma outra dimensão onde o inimigo não invadiu ainda. Por fim, cabe aos heróis estudarem a estratégia do Imperium e impedir que eles conquistem mais um mundo, mas caso conquistem, há a chance de ir para outra dimensão e ter uma nova tentativa. Por mais que seja básica e não tão bem desenvolvida durante a jogatina, a trama é muito boa e poderia ser melhor explorada em obras futuras.

E, basicamente, a jogabilidade de Star Renegades segue a trama misturando elementos do gênero roguelite – já visto em Dead Cells, por exemplo – com elementos clássicos de RPG apresentando um sistema de combate em turnos focados na estratégia. De início, você tem três heróis que precisam derrotar o Imperium em três dimensões diferentes até chegar no mundo final para derrotar o chefão. Em cada planeta, há diversos tenentes inimigos seguidos por um comandante e o jogador pode explorar o planeta para recolher recursos, upar os personagens e derrotar os inimigos que, caso te derrotem, voltam mais fortes. – sendo semelhante ao sistema nêmesis visto em Middle-Earth: Shadow of Mordor e em sua sequência.

Star Renegades 2019, HD Games, 4k Wallpapers, Images, Backgrounds, Photos and PicturesTodo esse esquema de jogabilidade faz com que o jogador necessite de uma estratégia para montar seu esquadrão, upar ele e derrotar o vilão. Os personagens da equipe não recuperam saúde e nem armadura após as batalhas, apenas nas fases de acampamento, então é preciso se planejar muito bem durante cada fase do jogo.

Por mais que seja interessante colocar esses dois sistemas juntos, também torna o jogo com uma dificuldade maior do que deveria ter, o que pode desanimar o jogador eventualmente. A dificuldade adicionada chega a ser um pouco absurda as vezes, ainda mais pelo fato de que quando você morre, você precisa retornar tudo novamente.

O combate em turnos é o maior destaque do título. Na tela de combate, você observa a ação que o inimigo irá realizar e qual personagem irá sofrer ela, dando a opção de se defender ou atacar – caso seja essa sua escolha. E como cada um dos cinco personagens apresentam habilidades específicas, há um leque enorme de opções para ser utilizado nas batalhas.

De fato, as únicas críticas negativas que tenho para fazer desse jogo é sobre a dificuldade excessiva em alguns pontos do título e pelo fato de que não há tradução para a nossa língua, algo que é raro hoje em dia. Tirando isso, Star Renegades apresenta gráficos 2D, combates em turnos e um sistema roguelite que torna o JRPG bastante nostálgico, sendo semelhante aos jogos dos anos 90.

Star Renegades is coming to Steam in September | PC Gamer

Vale a pena jogar?

Star Renegades é extremamente divertido e nostálgico ao trazer elementos de jogos dos anos 90 em um JRPG  com uma história extremamente surpreendente e uma gameplay excelente. Infelizmente, o jogo não é para todos: caso você não esteja familiarizado com o estilo retrô ou com roguelite, não conseguirá se divertir. Além disso, o jogo também não apresenta legendas em português, algo raro nos tempos atuais. Por fim, o título consegue criar uma aventura com uma história sensacional e uma jogabilidade única ao misturar o melhor dos dois elementos. Divertido, cativante e nostálgico, Star Renegades merece sua atenção.

Agradecimentos especiais à Raw Fury pelo código do jogo. Star Renegades foi testado na Steam e não apresentou nenhum problema durante a jogatina.

Ouro: Recomendável

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Tela Quente

Estou Pensando em Acabar com Tudo: Desconfortável e Tedioso

Baseado no livro de mesmo nome e dirigido por Charles Kaufman (conhecido por seu trabalho em Quero ser John Malkovich e em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças), ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’ estreou sexta-feira passada na Netflix e dividiu opiniões: enquanto um lado diz que o filme é excelente, outro diz que o longa é ruim e confuso. E, bom, já é notável pelo título da crítica que me enquadro no segundo grupo.

Ela é famosa: você de onde você conhece estrela de Estou Pensando em Acabar com TudoEm ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’, acompanhamos uma mulher que está viajando com seu namorado, Jake (interpretado por Jesse Plemons), para conhecer seus pais (Toni Collette e David Thewlis). Entretanto, durante a viagem e na casa dos pais, acabam acontecendo eventos estranhos demais. Não dá para falar muito sobre a trama sem dar spoilers e estragar a experiência do longa, então acaba que esse é o básico que se deve saber.

A direção de Charles Kaufman pode ser resumida em cenas longas com diálogos complexos que não chegam a lugar nenhum, tornando-as arrastadas e chatas de serem acompanhadas. Os diálogos entre os personagens e as situações que ocorrem geram diversas dúvidas no telespectador, que se sente perdido diante de tanta informação, e o filme não se preocupa em responder nenhuma delas, empurrando-as em cena porém sem chegar a lugar nenhum. Há até uma tentativa de tentar explicar o contexto do filme por meio de elementos visuais soltos no decorrer da trama, porém acaba sendo falha ao se misturar com outros elementos que não recebem uma resposta concreta.

Junto a isso, o diretor transmite uma atmosfera desagradável como parte de sua narrativa durante as cenas e, usando uma dimensão 4:3 na fotografia, consegue potencializar essa sensação. O grande problema, é que tudo isso em conjunto torna o filme extremamente tedioso e desagradável de se assistir, fazendo com que o telespectador desista em seu início ou queira pular logo para o final. Por fim, tudo isso torna o filme pretensioso demais.

Ficha Técnica | Estou pensando em acabar com tudo (Original Netflix) - Entreter-seKaufman acaba fazendo com que seu filme seja restrito, ou seja, apenas quem leu o livro de mesmo título conseguirá ter uma total compreensão de sua trama e do seu objetivo. Fazendo assim com que o longa falhe como adaptação ao jogar diversos elementos em tela que só fazem sentido para quem teve contato prévio com a obra ou caso o telespectador preste bastante atenção no decorrer do filme, coisa que o diretor não consegue fazer por conta de toda a atmosfera monótona do longa.

Mesmo diante de todos esses elementos negativos, há coisas boas no filme: as atuações do elenco estão excelentes. Jessie Buckley e Jesse Plemons interagem bem e conseguem transmitir toda a estranheza da situação através dos diálogos e de suas expressões, assim como David Thewlis e Toni Collette estão sensacionais como os pais de Jake. Outro ponto positivo é a fotografia do longa, a dimensão 4:3 ajudaria bastante na narrativa se ela fosse bem estabelecida pelo diretor.

I'm Thinking of Ending Things review – A haunting highwire act

Então, é bom?

Estou Pensando em Acabar com Tudo‘ é um filme bastante restritivo, voltado apenas para o público que leu a obra original e não se preocupando em explicar o contexto e a finalidade do título. Com isso, conforme passa sua exibição de 2 horas, a trama se desenrola e parece não responder nenhuma dúvida do telespectador para que, no fim, o deixe com a sensação de tempo perdido durante a exibição do título. Por mais que o elenco esteja muito bom, com destaque ao papel de Toni Collette, e que a fotografia em 4:3 ajude na narrativa que o filme possui, ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo‘ se resume a ser apenas um longa desconfortável, tedioso e pretensioso para quem não leu o livro – se consolidando como umas das piores experiências cinematográficas que eu tive durante esse ano e este período de quarentena, fazendo com que eu nem tenha vontade de ler a obra adaptada.

Por fim, na minha opinião, quando uma adaptação não consegue trazer as ideias e os objetivos da obra principal para as telas: seja contando a história de forma acelerada ou com detalhes que apenas quem leu o livro irá sacar (como é o caso deste título), ela acaba falhando como uma adaptação ao todo e já não pode ser considerado um bom trabalho para o público geral.

Essa é a crítica de quem não leu o livro, espero que quem tenha lido possa ter uma experiência melhor do que a minha, onde tive vontade de largar o filme em diversos momentos.

Nota: 1.5/5