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Estou Pensando em Acabar com Tudo: Desconfortável e Tedioso

Escrito por José Victor

Baseado no livro de mesmo nome e dirigido por Charles Kaufman (conhecido por seu trabalho em Quero ser John Malkovich e em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças), ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’ estreou sexta-feira passada na Netflix e dividiu opiniões: enquanto um lado diz que o filme é excelente, outro diz que o longa é ruim e confuso. E, bom, já é notável pelo título da crítica que me enquadro no segundo grupo.

Ela é famosa: você de onde você conhece estrela de Estou Pensando em Acabar com TudoEm ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’, acompanhamos uma mulher que está viajando com seu namorado, Jake (interpretado por Jesse Plemons), para conhecer seus pais (Toni Collette e David Thewlis). Entretanto, durante a viagem e na casa dos pais, acabam acontecendo eventos estranhos demais. Não dá para falar muito sobre a trama sem dar spoilers e estragar a experiência do longa, então acaba que esse é o básico que se deve saber.

A direção de Charles Kaufman pode ser resumida em cenas longas com diálogos complexos que não chegam a lugar nenhum, tornando-as arrastadas e chatas de serem acompanhadas. Os diálogos entre os personagens e as situações que ocorrem geram diversas dúvidas no telespectador, que se sente perdido diante de tanta informação, e o filme não se preocupa em responder nenhuma delas, empurrando-as em cena porém sem chegar a lugar nenhum. Há até uma tentativa de tentar explicar o contexto do filme por meio de elementos visuais soltos no decorrer da trama, porém acaba sendo falha ao se misturar com outros elementos que não recebem uma resposta concreta.

Junto a isso, o diretor transmite uma atmosfera desagradável como parte de sua narrativa durante as cenas e, usando uma dimensão 4:3 na fotografia, consegue potencializar essa sensação. O grande problema, é que tudo isso em conjunto torna o filme extremamente tedioso e desagradável de se assistir, fazendo com que o telespectador desista em seu início ou queira pular logo para o final. Por fim, tudo isso torna o filme pretensioso demais.

Ficha Técnica | Estou pensando em acabar com tudo (Original Netflix) - Entreter-seKaufman acaba fazendo com que seu filme seja restrito, ou seja, apenas quem leu o livro de mesmo título conseguirá ter uma total compreensão de sua trama e do seu objetivo. Fazendo assim com que o longa falhe como adaptação ao jogar diversos elementos em tela que só fazem sentido para quem teve contato prévio com a obra ou caso o telespectador preste bastante atenção no decorrer do filme, coisa que o diretor não consegue fazer por conta de toda a atmosfera monótona do longa.

Mesmo diante de todos esses elementos negativos, há coisas boas no filme: as atuações do elenco estão excelentes. Jessie Buckley e Jesse Plemons interagem bem e conseguem transmitir toda a estranheza da situação através dos diálogos e de suas expressões, assim como David Thewlis e Toni Collette estão sensacionais como os pais de Jake. Outro ponto positivo é a fotografia do longa, a dimensão 4:3 ajudaria bastante na narrativa se ela fosse bem estabelecida pelo diretor.

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Então, é bom?

Estou Pensando em Acabar com Tudo‘ é um filme bastante restritivo, voltado apenas para o público que leu a obra original e não se preocupando em explicar o contexto e a finalidade do título. Com isso, conforme passa sua exibição de 2 horas, a trama se desenrola e parece não responder nenhuma dúvida do telespectador para que, no fim, o deixe com a sensação de tempo perdido durante a exibição do título. Por mais que o elenco esteja muito bom, com destaque ao papel de Toni Collette, e que a fotografia em 4:3 ajude na narrativa que o filme possui, ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo‘ se resume a ser apenas um longa desconfortável, tedioso e pretensioso para quem não leu o livro – se consolidando como umas das piores experiências cinematográficas que eu tive durante esse ano e este período de quarentena, fazendo com que eu nem tenha vontade de ler a obra adaptada.

Por fim, na minha opinião, quando uma adaptação não consegue trazer as ideias e os objetivos da obra principal para as telas: seja contando a história de forma acelerada ou com detalhes que apenas quem leu o livro irá sacar (como é o caso deste título), ela acaba falhando como uma adaptação ao todo e já não pode ser considerado um bom trabalho para o público geral.

Essa é a crítica de quem não leu o livro, espero que quem tenha lido possa ter uma experiência melhor do que a minha, onde tive vontade de largar o filme em diversos momentos.

Nota: 1.5/5

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Sobre o Autor

José Victor

''Fear is the mind-killer. Fear is the little-death that brings total obliteration. I will face my fear.''
Estudante de Odontologia durante o dia e redator da Torre de Vigilância durante a noite, onde escrevo sobre audiovisual e jogos.

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