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Watch Dogs: Legion e o futuro pela Ubisoft

Watch Dogs é uma franquia cheia de altos e baixos. Já logo no primeiro game tivemos grandes promessas mas acabamos recebendo grandes falhas. No segundo jogo já tivemos o efeito contrario, foi melhorado praticamente tudo em que o primeiro havia falhado, dando uma ideia bastante animadora do que viria a seguir, e a pergunta que fica é: seria o terceiro jogo da franquia, Watch Dogs: Legion o grande jogo que os fãs esperavam? Vamos descobrir!

Antes de começar a falar sobre o jogo achei bastante pertinente trazer uma observação: logo naquele menu de configurações do jogo, onde definimos brilho, tamanho da tela, entre outros ajustes, algo bastante interessante me chamou a atenção. Como trabalho em áreas inclusivas achei super pertinente o trabalho da Ubisoft em desenvolver um modo de Daltonismo para os jogadores que possuem essa deficiência, o que ainda infelizmente é raro hoje em dia nos jogos, fora as diversas opções de legenda e áudios que são focadas também em um público com restrições, ponto super positivo da Ubisoft. Aos poucos as empresas vem dando opções de acessibilidades.

A proposta principal de Watch Dogs: Legion é sair do protagonismo e nos fazer ser “todos” os personagens do jogo. Praticamente todos os NPCs e figurantes do jogo podem ser jogáveis se adicionados à equipe e apesar de ser bem ousado, conseguiram inserir essa mecânica de uma forma sensacional.

Cada personagem possui habilidades únicas, dentre elas temos a capacidade de hackear mais rápido, possuir veículos ou armas específicas e até mesmo empregos que nos ajudam a entrar em locais que poderíamos ser detectados utilizando outros personagens se não àqueles. O meio de consegui-los é por recrutamento, mas não significa que se conversamos com alguém na rua a pessoa vai simplesmente entrar para a equipe. Cada personagem gera missões específicas, que basicamente são favores pessoais que temos que fazer para conseguir recruta-los.

É interessante que antes de tentarmos recrutar os outros players conseguimos ver onde trabalham e por que possuem certas habilidades. Um exemplo disso é um empresário da bolsa que possui uma habilidade de ganhar mais dinheiro do que os outros personagens e por aí vai. Isso ajuda muito em tornar a lore do jogo mais real, já que cada habilidade tem uma explicação para existir. Podemos encontrar pessoas fúteis que as habilidades se resumem em possuir um veículo apenas, mas também conseguimos encontrar pessoas com diversas habilidades diferentes ao mesmo tempo.

Informações sobre os personagens

Com a possibilidade de jogar com vários personagens, pode vir à sua cabeça pensamentos como: “Será que preciso então fazer melhorias e upar todos?” As respostas são Não e Não! O conceito de level não existe dentro do jogo, não é um RPG, e cada habilidade comprada com pontos de melhoria como equipamentos, drones, armas de atordoamento, entre outros, podem ser usadas por todos os personagens.

Outro ponto interessante é que não é possível adquirir novas habilidades com um personagem, ou seja, o jogo te “obriga” a viver a experiência de ter que jogar e saber que cada personagem possui as habilidades certas para certos momentos, trazendo assim uma experiência incrível e completamente diferente do que estamos acostumados, deixando fazer mais sentido o fato de que quanto mais gente recrutarmos, mais “armas” teremos ao jogar.

Menu de seleção de personagens

Detalhe importantíssimo! Há opção de morte permanente para os players e você escolhe se quer aderir ou não logo antes de iniciar. Mas não é possível modificar essa opção depois, então escolha com sabedoria e caso opte por escolher essa opção não se apegue a nenhum personagem.

A história do jogo muda um pouco em comparação aos jogos anteriores. Aqui também somos membros da Deadsec, um grupo de “Hacktivistas” que querem transformar o mundo, mas que foram taxados como terroristas após alguns acidentes criados pelo grupo Zero Day. Logo após isso a Albion, uma agência de segurança privada, começa a culpar a Deadsec como responsável pelos ataques, e assim tomam o “controle” de Londres com a justificativa de gerar segurança e promover uma guerra contra hackers ativistas, claro que em meio a tudo, temos emoções e plot twists (alguns rasos), mas não iremos estragar nenhuma surpresa por aqui, já que a história e suas surpresas são partes fundamentais para a experiência do jogo.

No decorrer do jogo encontramos várias facções e inimigos além da Albion, e como em diversas outras propostas da empresa, temos aquela fórmula de reduzir a influência de facções e afins, para conseguirmos fazer com que as pessoas se rebelem contra os governantes (uma espécie de conquista de territórios). Você deve estar pensando que essa fórmula já esteja um pouco cansativa, mas uma das grandes diferenças de Watch Dogs: Legion é a qualidade das sidequests inseridas dentro das áreas. Elas não são parecidas e você demora muito tempo para “enjoar” de faze-las, o que deixa essa fórmula completamente mais dinâmica em relação à jogos anteriores.

Como nem tudo são flores, encontrei algumas coisas que realmente me incomodaram durante a gameplay. Uma delas foi a demora dos loadings em viagens rápidas e na entrada de algumas áreas (isso não acontece na troca de personagens ou no menu).

Outro ponto que me deixou bastante incomodado foi a inteligência artificial dos inimigos. o Stealth se torna algo bem tranquilo com o nível da IA, alguns inimigos praticamente conseguem ficar na sua frente e ainda assim não te perceber, claro que isso varia com a dificuldade escolhida, porém ainda assim temos uma IA um pouco “burra”.

Por que então por meio de apenas um jogo falamos no título sobre o futuro da empresa? Bom… Sabemos que a Ubisoft recebe diversas críticas em relação ao conteúdo “repetitivo” dentro de alguns jogos de mundo aberto lançados anteriormente e o conjunto que veio com Watch Dogs: legion foi algo completamente animador dentro desse aspecto. Porque nos é apresentado um mapa vivo e não repetitivo, é possível interagir com “todos” os NPCs e figurantes presentes dentro do mapa, somos capazes de recruta-los e cada um possui uma história diferente aumentando bastante a imersão.

Durante as nossas lives da Twitch (aproveitem e sigam o nosso canal por lá) jogando o game perguntei para algumas pessoas o que os prendia dentro de um mundo aberto com um mapa grande, e uma das respostas que mais me chamou atenção foi: “Acredito que dentro desses jogos urbanos, a protagonista é a cidade, o mapa e não o jogador… e se a cidade é viva o jogo é bom”. É exatamente isso que Watch Dogs: Legion nos apresenta, uma cidade viva e interativa e que foge completamente da repetição que iniciamos falando no parágrafo acima.

Respondendo àquela pergunta final que sempre fazemos: “Mas então… O jogo vale a pena?” Sim, bastante. Você terá horas e horas de um gameplay fluido, divertido e nada repetitivo.

Nota: Ouro

Agradecimentos à Ubisoft pela cópia digital do game.

O jogo foi testado em um Playstation 4, mas já está disponível para Xbox One e PC, assim como versões para a nova geração de consoles.

 

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Música Vitrola

Em “Positions”, Ariana Grande repete fórmula de sucesso, mas empaca.

Há 2 anos atrás, Ariana Grande chegava ao topo da indústria musical. A jovem de 27 anos vinha em uma crescente de hits, vendas, popularidade desde sua estreia no cenário pop em 2013. Entretanto, foi só com o lançamento de “thank u, next”, seu quinto disco, que a ex-estrela do Nickelodeon entrou pro seleto hall de artistas indiscutivelmente gigantes. 

De lá para cá, Ariana não parou. Ainda dentro da sonoridade de seu quinto registro, ela fez curadoria da trilha sonora de “As Panteras” no ano passado e ainda lançou a parceria “boyfriend” com o duo Social House. Diversificando seu catálogo, a intérprete de “7 Rings” colaborou na midtempo pop “Stuck With You” com Justin Bieber e na dançante “Rain On Me” com Lady Gaga. Ambas as canções estrearam em 1º lugar na Billboard Hot 100, principal parada americana, o que evidencia tamanha popularidade da cantora. 

Depois de todos esses acontecimentos, havia uma grande expectativa em saber qual seria o seu próximo passo. E agora nós sabemos. 

Anunciado de maneira repentina há apenas duas semanas atrás, “Positions”, está entre nós. No seu sexto álbum de estúdio, Ariana decide ir pelo caminho mais fácil e provavelmente mais perigoso: repetir a fórmula que deu certo no passado. 

Definitivamente, um dos principais fatores que fizeram com que o seu 5º e mais pessoal álbum fosse o de maior sucesso da carreira até então, foi a fusão entre o seu tradicional  pop/R&B com o trap, um dos sub gêneros mais ouvidos no mundo atual. 

Com certos resquícios do seu antecessor e explorando o R&B mais do que nunca, o novo registro não soa nem como uma evolução de “thank u, next”, mas sim, como um irmão mais velho, um adulto talvez. Maduro, sexual, porém chato. 

É válido falar que, apesar de parecer um irmão tedioso, de maneira alguma, o compilado de novidades de Ariana possuiu qualidade duvidosa. Inclusive, músicas como “motivate” com participação de Doja Cat que mistura dance music com R&B e “love language” que lembra um R&B no início dos anos 2000 no melhor estilo Janet Jackson são os pontos altos do disco. 

“Positions” possuiu as letras mais sexuais do repertório de Grande, algumas como “34+35” e “just like magic” são divertidas de cantar, assim como é divertido cantar alguns funks ditos “proibidões” em uma roda de amigos. Ainda no campo lírico, o maior destaque fica em “off the table”,segunda parceria com The Weeknd. 

Saindo um pouco do conteúdo sexual, a letra da colaboração narra o reencontro de um ex casal, chegando a lembrar bastante a balada “exile” de Taylor Swift e Bon Iver. E novamente, Abel e Ariana mostram uma química invejável em suas interações vocais como no hit “Love Me Harder” de 2014. 

Infelizmente, não são só um bocado de 5 ou 6 faixas que fazem um álbum ser incrível. Geralmente quando artistas se arriscam em lançar um álbum menos comercial, eles entregam obras que se destacam positivamente em sua discografia. E isso não aconteceu com Ariana.

Deixar de lado refrãos mais melódicos e chicletes, (mas não totalmente, vide que a faixa título, e primeiro single é a mais comercial do projeto e lembra até seu álbum “Dangerous Woman”) pode ser uma tendência muito válida para a trajetória de Grande. Mas desta vez, não rolou. 

“Positions”, enquanto conjunto da obra,  é pior do que ser  bom ou ruim. Ele é esquecível demais dentro do majestoso catálogo de Ariana. E na maioria das vezes, bem arrastado. O que é uma pena.

Lógico que esses fatores não irão impedir o álbum de ser um dos maiores sucessos comerciais do ano e nem irá impactar a persona artista de Ariana, a descredibilizando. Provavelmente, em longo prazo, ele será lido como o “Sweetener” de 2018, um álbum com o propósito de dividir águas. Só que dessa vez, sem o fator de novidade e originalidade.  

Nota: 6.0/10

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Cinema Tela Quente

O Novo Filme do Borat Incomoda por ser real (Mas incomoda quem tem que Incomodar)

O Ministério da Informação do Cazaquistão apresenta,
uma produção do Ministério da Agricultura e
da Vida Selvagem,

em associação com o Centro Almaty de Controle de Doenças:
A Resenha de Borat: Fita de cinema seguinte

 

Um ano complicado. O 2020 entrou para a história por ser um ano em que uma pandemia varreu o mundo e vitimou milhares de pessoas ao redor do globo. 2020 está sendo um ano pesado onde vemos casos de violências aumentando, racismo/preconceitos/xenofobias cada vez mais sendo explícito, líderes mundiais que tomam decisões equivocadas por simples orgulho e por nuances de ideologias políticas que disfarçam interesses obscuros próprios. E vemos cada vez mais as pessoas apoiando esse tipo de coisa.

E na quase reta final desse pardieiro trágico disfarçado de ano, temos o retorno de um polêmico personagem. E ele volta em momento muito oportuno. Borat: Fita de cinema seguinte traz de volta o segundo melhor repórter do Cazaquistão, com seu humor ácido e terrivelmente realista. Aqui temos Sacha Baron Cohen em grande forma, assumindo novos disfarces e buscando passar mensagens contra aqueles que consideramos os grandes vilões do mundo. O roteiro escrito por Sacha em parceria com Peter Baynham, Anthony Hines, Dan Mazer e Dan Swimer, é afiado e atinge de Disney passando por Kevin Spacey. Da Primeira Dama dos EUA e o Brasil. Nada escapa.

Mas apesar de tudo isso, o filme não é engraçado. E lá embaixo explico o motivo.

Borat: Fita de cinema seguinte não é tão impactante quanto foi o primeiro filme, sim o fator surpresa meio que se perde na continuação. Mas é o filme mais necessário que foi lançado em 2020 se tratando de como o mundo está reagindo a políticas fascistas, racistas, machistas em geral. Sacha ainda coloca pessoas em situações incomodas e aperta a ferida até o pus espirrar. E sim, como disse antes, é necessário colocar esse tipo de pessoas contra a parede. Como nas cenas que desmontam as finas camadas de hipocrisia como no baile das debutantes e na clínica médica, quando sua filha engoliu um brinquedo.

Aliás tem que ser destacado (e muito) a dobradinha Sacha Baron Cohen e Maria Bakalova. A atriz está imperdível como Tutar Sagdiyev, a filha adolescente e única da família que segue e acredita no pai. Pode-se dizer que a personagem é o ponto mais importante de Borat: Fita de cinema seguinte. Ela consegue ser engraçada e bizarra, como o seu pai tinha sido no primeiro filme e ainda evoluir para repassar uma mensagem importante. E essa mensagem é um tapa na realidade da sociedade e seus costumes patriarcais que são fortes.

Tutar Sagdiyev vive para satisfazer a sociedade patriarcal e desde tempo foi criada desse jeito. Como acontece na vida real de muitas outras meninas e mulheres, ela é condicionada em ficar como sempre como o ser inferior, que a vida é como o conto de fadas que ela assiste desde pequena, aceitando a submissão praticada por uma… digamos… “cultura”. O aterrador é saber que isso é a realidade em todo mundo, em qualquer país…

Mas Sacha Baron Cohen sabe muito bem onde atingir e expor as pessoas que praticam esses e outros costumes nefastos, ele atua em cima de suas decisões e onde eles se espelham: em seus líderes políticos e figuras da mídia. Quando ele mira em Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, que atualmente é advogado e conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, ele sabe que está atingindo não somente um politico como Trump. Mas também toda a sua campanha (o filme foi lançado propositalmente momentos antes da eleição presidencial americana) e o orgulho de seus eleitores que acreditam no discurso de família em primeiro lugar que esse tipo de político branda sem praticar na vida real.

Quando eu falo que Borat: Fita de cinema seguinte não é engraçado, eu na verdade armei uma falsa chamada para você, estimado leitor, chegar até esse ponto da resenha. Sim, você caiu na minha pegadinha. E sim, Borat tem momentos engraçados, mas ao mesmo tempo os momentos vão desnudando pessoas e atos terríveis onde Sacha aperta as fakes news como as que negam o Holocausto, ou eleva pessoas a cantarem que devemos queimar outras pessoas por terem posições políticas diferentes e cutuca o conservadorismo presente em todo lugar. Quando acontece essa transformação, o filme aborda, em sua forma ácida, assuntos sérios que são assustadoramente reais, a comédia fica por ali mesmo e faz  os espectadores (não todos, infelizmente) pensar.

Como eu disse lá pelo meio do texto, Borat: Fita de cinema seguinte não tem o mesmo impacto do primeiro filme, mas é tão importante e tão necessário como o seu antecessor. Arrisco dizer que ele é até mais importante, dado o momento em que vivemos. Tornando-se assim um dos melhores filmes do ano. E com um final totalmente genial!

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Gameplay

The Signifier: Uma Viagem à Mente Humana

Lançado recentemente (15/10) para PC na Steam, The Signifier é uma das maiores surpresas de 2020 no cenário dos jogos. O jogo, desenvolvido pela Play Me Studio e publicado pela Raw Fury, deve ser definido como um excelente thriller psicológico que facilmente poderia se tornar um filme, tendo em vista sua forte narrativa cinematográfica.

The Signifier review – A heady mix of cutting-edge tech and psychoanalysisNo título acompanhamos Frederick Russel, um neurocientista que desenvolveu uma inteligência artificial com o poder de explorar as memórias armazenadas dos indivíduos. Russel é chamado para investigar a possível morte de Johanna Kast, a vice-presidente da Go-AT – a maior empresa de tecnologia dentro do jogo. Por meio da inteligência artificial, Russel explora as memórias de Kast para encontrar o responsável por sua morte enquanto problemas externos afetam a investigação.

Misturando thriller com sci-fi, a trama do jogo poderia facilmente ser a de um filme ao apresentar uma narrativa cinematográfica e envolvente. Em conjunto a essa narrativa, a jogabilidade em primeira pessoa, a ambientação e os efeitos sonoros do jogo fazem com que o jogador tenha uma experiência completamente imersiva ao jogar o título.

Durante a jogatina, o seu objetivo é resolver puzzles e explorar três dimensões distintas em busca da verdade: a realidade, onde visitamos o apartamento da vítima, o laboratório de Russel e sua casa; as memórias objetivas da vítima, onde visitamos suas lembranças e os sonhos subjetivos da vítima, que mostram um ambiente deturpado e repleto de sentimentos reprimidos que são usados como um sistema de defesa. Para completar o objetivo, é necessário andar por essas dimensões e investigar cada canto, resolvendo puzzles e juntando peças que completam as memórias/sonhos.

The Signifier review | Adventure GamersA ambientação do jogo é incrível, onde há memórias deturpadas nas quais você precisa se concentrar para encontrar um caminho e desvendar o que está acontecendo e onde também há cenários que parecem retirados de um filme de terror – entretanto, não há nada de aterrorizante nelas. Junto com a ambientação, a sonoridade auxilia na imersão ao jogo e faz com que o jogador tenha uma experiência única desvendando todos os mistérios da mente humana.

E, por fim, o atrativo do jogo acaba sendo essa abordagem complexa sobre a mente humana e todos os sentimentos dentro dela, fazendo com que você literalmente faça uma viagem à mente humana de forma simples e direta durante a jogatina. The Signifier é um jogo único, entretanto, a sua conclusão aberta não chegou a me agradar tanto como deveria; mesmo assim, foi uma experiência muito boa e gratificante.

O jogo rodou perfeitamente no computador, sem apresentar queda de FPS e nem travamentos. Levei em média 7 horas para concluir a história.

Review: The Signifier Has You Step Into Memories to Solve a Mystery | Third Coast Review

Então, é bom?

The Signifier se prova como uma grata surpresa em 2020 e um excelente thriller, sendo um jogo intrigante e que prende o jogador do começo ao fim. De fato não é um jogo para qualquer pessoa: por ser focado apenas na história e na resolução de puzzles, muitos podem rejeitar o título por acharem tedioso (mesmo que o jogo prove ser o contrário disso). Mas, aos que gostam do gênero, o título apresenta uma história excelente com uma narrativa envolvente que chega a ser, inclusive, cinematográfica em diversos aspectos. Por fim, é um excelente título aos jogadores que curtem uma boa história e uma narrativa imersiva repleta de puzzles, que deixam o jogo dinâmico e imersivo para ser jogado em um final de semana.

Veredito: Ouro – Recomendável

O título está disponível para PC através da Steam e será lançado no início de 2021 para Xbox One e Playstation 4. Agradecimentos especiais à Raw Fury pelo código do jogo.

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#Alive: Isolamento Social e o Apocalipse Zumbi

Alguns anos atrás, o cinema sofreu com uma saturação de filmes com a temática de apocalipse zumbi. Todo ano havia em média de três a quatro filmes do gênero, em conjunto com as adaptações da franquia de jogos Resident Evil, onde todos apresentavam a mesma fórmula e os mesmos clichês. Junto a isso, a série The Walking Dead contribuiu para o processo. Claro que mesmo com esse excesso, havia alguns bons filmes sendo lançados. Quando a temática deu uma esfriada, tivemos bons lançamentos como Guerra Mundial Z (2013) e o longa sul-coreano Invasão Zumbi (2016) – que, em breve, receberá uma continuação aqui no Brasil.

#Alive também é um longa sul-coreano que apresenta uma premissa bem interessante e diferente, mas que infelizmente cai no clichê durante a exibição.

Alive tem um problema que fãs da Netflix não conseguem ignorarEm #Alive um misterioso vírus começa a se espalhar por Seul e este é responsável por transformar as pessoas em zumbis. Enquanto isso um jovem que, de certa forma, vive recluso jogando videogames em seu quarto precisa sobreviver dentro de seu apartamento. De início, o jovem utiliza toda a tecnologia disponível em seu quarto para investigar a situação e se manter em isolamento na espera de que tudo passe – sendo esta, inclusive, uma situação parecida com a que o mundo vive desde março com o surto da covid-19.

A forma como o roteiro retrata o vírus é bem interessante pois o telespectador não tem conhecimento sobre ele de forma direta, e sim através de noticiários, fazendo com que haja uma certa identificação com o protagonista. Afinal, da mesma forma que ele, nós que estamos assistindo também não sabemos o que está acontecendo fora do apartamento. Além disso, o longa trabalha com o uso da tecnologia para mostrar como seria um apocalipse zumbi nos dias atuais e mostra as consequências do isolamento social provocadas no decorrer do longa.

Review: Korea's "#Alive" Is a Perfect Zombie Movie for the Coronavirus Era | Cinema Escapist

No segundo ato, ainda, há a introdução de uma segunda personagem que lida com o apocalipse zumbi utilizando instrumentos clássicos como binóculos e outras ferramentas para sobreviver. De certa forma, ver esse paralelo e a forma na qual ambos os personagens interagem e lidam com a situação de maneiras diferentes são bem interessantes e bem trabalhadas pelo diretor.

Infelizmente, a partir do terceiro ato, o longa cai no clichê e se torna, em uma sequência, um filme de ação com uma conclusão previsível. Entretanto isso não tira o mérito do filme e nem estraga a experiência, apenas reduz o seu potencial de ir além em seu final.

Alive' Review: From Great Graphics, to Graphic - The New York Times

Então, é bom?

#Alive é um filme do gênero que inicialmente quebra um pouco do clichê que todo longa apresenta ao retratar a sobrevivência em um apocalipse zumbi. Entretanto, durante o seu terceiro ato, muda totalmente de gênero e recebe uma conclusão previsível e já vista em diversos filmes anteriores. A premissa do longa é muito interessante e bem trabalhada nos seus dois primeiros atos, mas no fim cai no que já vimos sempre – que é bem triste, pois havia bastante potencial para progredir a história se baseando nessa ideia inicial. Por fim, é um excelente filme do gênero para assistir e se divertir na Netflix, observando inclusive que ultimamente os melhores longas sobre zumbis são sul-coreanos.

Nota: 3.5/5

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Gameplay Games

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV é um presente para os fãs

Após o final apoteótico de Trails of Cold Steel III, com um cliffhanger de cair o queixo, a Nihon Falcom e a NIS America retornam mais uma vez para encerrar a saga de Rean Schwarzer e o Arco de Erebonia.

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV se passa quase um mês após os acontecimentos finais do jogo anterior. O mundo está sendo afetado pela maldição, Rean está desaparecido e Osborne acaba de declarar guerra contra Calvard. Ao mesmo tempo em que precisa amarrar as pontas soltas, o jogo reúne personagens de toda a série.

A review possui spoilers de jogos anteriores. Se você não jogou nada da franquia, por favor não leia.

É difícil comentar e jogar Cold Steel IV sem conhecer os jogos anteriores, e quando eu digo “anteriores”, não me refiro somente aos três primeiros Cold Steel, mas sim de toda a série Trails, passando por Trails in the Sky até Trails to Azure. Todo o worldbuilding e narrativa que a Nihon Falcom estabeleceu durante esses 16 anos, nos leva diretamente até Trails of Cold Steel IV. Eu falo mais sobre a franquia e seus jogos em um artigo aqui no site.

Já nos primeiros minutos, isso fica evidente, quando controlamos personagens dos jogos passados. Sem qualquer conhecimento prévio, toda essa parte se perde. Após isso, somos jogados no controle da nova classe VII, que parte em busca de Rean.

Quando o payoff é maior que a narrativa

Como eu falei anteriormente, Trails é uma série que vem sendo feita e construída primorosamente desde 2004. Em Cold Steel III tivemos a presença de alguns personagens de jogos anteriores e isso foi o bastante para me deixar animado e emocionado. Mas aqui, eu simplesmente desabei ao ver TODOS esses personagens juntos. Todas essas horas jogadas levaram até esse momento e eu não poderia ter ficado mais feliz com essa recompensa. No final, eu estava satisfeito.

Não somente personagens principais, mas NPCs importantes para todo o lore da franquia. Personagens que você acompanhou através de uma narrativa própria, estão aqui, também concluindo o seu arco. A cada personagem antigo que apareceria, eu abria um sorriso.

O jogo é recheado de grandes momentos e aparições que você nunca imaginaria ver em 3D e fico muito feliz por isso ter acontecido.

Foi o suficiente para eu revelar algumas coisas do roteiro. O jogo está longe de ser perfeito, e de ser um dos melhores da série, mas ele é bastante especial.

Tirar o Rean, temporariamente, do controle, foi uma boa decisão, para mostrar o quanto os estudantes da nova Classe VII evoluíram com seus ensinamentos. Os destaques em termos de personagens vão para Ash e Musse. São dois personagens que eu adorei desde que apareceram no jogo anterior, Ash, em especial, possui um ótimo desenvolvimento, além de ter ligação com um dos lugares mais emblemáticos da série. É um retcon que eu aprovo. 

Musse também teve o seu papel e se mostrou uma excelente estrategista durante a Guerra. Kurt brilha apenas no final, ainda não sei o que irão fazer com esse personagem. Já Juna, acaba sendo deixada de lado, já que acabou sendo desenvolvida em Cold Steel III, assim como Altina, que aprendeu o que são sentimentos e como é se relacionar com as pessoas. Ainda assim, é ótimo ver o quão diferentes esses personagens são um dos outros.

Crow está de volta e mostra novamente porque é um dos melhores personagens desse arco. Os personagens da classe VII original compõem o elenco de apoio e são mais importantes para o enredo. Em certos momentos de Cold Steel IIII, eles pareciam que estavam lá por serem obrigados.

Em Cold Steel III, tivemos uma grande evolução no Rean e comecei a gostar bastante dele, e aqui, após a sua volta, o roteiro deixa claro que ele é o alicerce dessa história. Sem ele, Cold Steel não funcionaria do jeito que é, por bem ou por mal.

A Ouroboros e seus membros ainda estão colaborando com Osborne e dando algumas pistas sobre o plano deles. Somente na reta final, a gente recebe alguns detalhes sobre o que eles estão fazendo ali e porque se uniram ao Chanceler. Isso é uma coisa que deixou a desejar nesse arco: o antagonismo total da sociedade, Osborne simplesmente tomou conta de tudo. Provavelmente veremos mais em Hajimari no Kiseki e no próximo arco. Cada membro possui uma personalidade forte e objetivo próprio, ainda que estejam à serviço da Grandmaster. McBurn, novamente, está ótimo aqui.

O plot da Maldição é algo que me deixou com uma pulga atrás da orelha desde que foi apresentado. Não sabia bem para onde ele iria e quais seriam as consequências disso. Me perguntei se “colocar a culpa na maldição”, seria algo que eles iriam fazer aqui. Em partes, foi. No entanto, apesar de eu não ter engolido algumas coisas sobre isso, os roteiristas fizeram de uma maneira que ficou convincente. Mas vejo muitos fãs torcendo o nariz para as explicações dadas e irei concordar.

Os dois finais do jogo foram ótimos. Sim, tem dois finais, para chegar ao final verdadeiro, basta fazer uma sidequest antes de partir para a Dungeon Final. O jogo praticamente deixa na cara que a missão é importante.

O primeiro final, mesmo sabendo da existência de Hajimari no Kiseki, bateu muito forte. Já o segundo, eu só chorei de alegria. Uma coisa que senti falta, foi uma conclusão geral, e com isso acredito que a NISA fez certo em retirar o subtítulo “The End of Saga“.

É Cold Steel II de novo, porém melhor

Estruturalmente falando, Cold Steel IV é exatamente igual à Cold Steel II. Para muitos, e para mim, no começo do jogo, isso pode ser um mal sinal. Afinal, ele possuiu um meio totalmente inchado e cansativo. Aqui, ainda bem, isso não acontece. Obviamente tem algumas barrigas, como todo RPG, mas no final dos atos, eu não fiquei cansado, muito pelo contrário eu só queria jogar mais.

Tudo que tivemos no segundo Cold Steel, retornou aqui. A divisão por atos, a busca e resgate de colegas, o deslocamento por Erebonia através de uma nave, as Shrines, os Trials Chests e muito mais. O que pode parecer muita coisa para se lidar, e de fato é, foi feito de uma maneira que não deixa o jogador carregado. A Falcom parece ter aprendido com as críticas à Cold Steel II e trouxe um jogo pesado em termos de conteúdo, porém mais enxuto e menos esgotante. Claro que não é desculpa para repetir quase que um plot inteiro do jogo, mas dá para relevar.

O mapa é o mesmo de Cold Steel III, mas com as adições das Shrines e locais secretos. Eu levei cerca de 81 horas para fechar o jogo, fazendo quase tudo que estava disponível. Em comparação, eu platinei o anterior com 70 horas.

A mesma gameplay

Em termos de gameplay, o jogo não mudou. As Brave Orders retornaram, e foram aprimoradas. No jogo anterior elas causavam um desbalanceamento nas lutas e as deixavam mais fáceis, aqui, elas começam fracas e vão evoluindo na medida com que você vai completando os Trials Chests. Temos a inclusão de Lost Arts, outra herança de Cold Steel II, elas drenam toda sua mana e só podem ser utilizadas uma vez em cada luta. São cinco no total, e são pegas ao enfrentar minibosses ao redor do mapa. Podemos também invocar nossos Panzer Soldats, ou Valimar no caso de Rean. Sinceramente, eu quase não usei essa mecânica, tirando em uma luta na reta final, onde você é obrigado.

As lutas de robôs estão de volta, e dessa vez como parte central da trama. Não irei entrar em detalhes por motivos de spoiler.

O jogo oferece uma enorme quantidade de personagens jogáveis e a desenvolvedora conseguiu deixá-los bem balanceados. É claro que há diferenças entre cada um deles, mas eles não quebram o ritmo da batalha. Algo que não se reflete em nosso time principal, com a combinação certa de quartz e equipamentos, você consegue causar um estrago. Como foi no caso do Kurt, desviando e contra-atacando os inimigos, e do Ash causando instakill.

Acontece, mas no geral, o jogo está mais difícil que o seu antecessor. Também está mais complicado de conseguir o AP máximo, devido aos requerimentos. O jogo tira todo proveito do seu conhecimento sobre o combate da série.

Achar itens e missões escondidas ficou mais fácil nesse jogo. Em CS III já tínhamos algumas indicações, mas aqui, a Falcom decidiu tornar algo muito mais acessível, só não coleta os itens e faz a missões quem não quer mesmo. 

O jogo está mais polido que o seu anterior, que apresentava enormes quedas de frames. Os modelos ainda são os mesmos e isso só deve mudar na nova engine da Falcom. O jogo também oferece um modo turbo, acho que esse tipo de feature é essêncial para a maioria dos JRPGS.

A maldição do bonding system

Uma das piores coisas envolvendo Cold Steel é o Bonding System. A clara influência de Persona em retalhar acontecimentos e desenvolvimentos em um sistema que te obriga a escolher com quem você quer passar o tempo é um mal que assola a série. Eu sei que surgiu primeiramente em Trails to Azure, mas lá era algo completamente diferente. Isso foi arrumado em Cold Steel III, onde você realmente só passava um tempo com seus amigos e não tinha nada muito relevante preso naquilo. 

Aqui, no entanto, foi bem diferente. Enquanto alguns eventos eram qualquer coisa, outros traziam acontecimentos que causavam impacto na história, e nem tudo é acessível na primeira gameplay.  Em uma série onde a narrativa é o mais importante, esconder coisas através de um sistema é fazer com que o roteiro acabe ficando mais fraco. Os personagens da Classe VII original possuem eventos melhores do que o restante, isso é algo que fica bem claro conforme você vai fazendo.

Sem falar no harém do Rean, onde algumas das escolhas acabam sendo bastante questionáveis ou forçadas. Já em outras, acabam acontecendo naturalmente. Eu espero muito que no próximo arco, eles não retornem com esse sistema. 

O retorno do Pom

Os minigames estão mais uma vez presentes em Cold Steel IV. Além da pesca e do jogo de cartas, novamente sendo Vantage Masters, que sofreu alguns buffs desde o jogo anterior, temos a volta do Pom, um game à la Tetris que surgiu em Trails to Azure, e ele está ainda mais complicado! 

O computador acaba roubando bastante para os personagens com quem você está disputando, mas a satisfação ao derrotar seus oponentes é enorme. Eu passava mais tempo jogando Pom do que nas próprias dungeons do jogo.

Localização da NISA e as guitarras malucas do Singa

Sobre a localização, mesmo não sendo um expert em inglês, eu senti que a tradução desse jogo trouxe uma linguagem mais básica que o anterior. Em questão de erros, eu vi alguns, que logo foram corrigidos através de uma atualização. Outra coisa é um nome de um personagem que, por mais que esteja correto, poderá causar uma certa reclamação entre os fãs. A tradução é a correta, mas a gente conhece por outro nome.

Eu joguei com vozes em Japonês, por ser mais acostumado, então não posso falar como ficou a dublagem em inglês, porém, trocando informações com outros jornalistas, verificamos a troca de alguns dubladores, em especial os de Laura e Osborne. A NISA não comentou nada sobre o assunto, mas em um ano de pandemia, dá para dar uma colher de chá.

A trilha-sonora, como sempre, está espetacular. Eu sei que muita gente critica as músicas compostas por Mitsuo Singa, principalmente por conta da guitarra, mas ao pouco suas composições cresceram em mim e passei a gostar delas. A música dos créditos me fez chorar.

Um presente

Em The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV, a Nihon Falcom abre mão da consistência para entregar um presente aos fãs da franquia. Foram anos de construção de mundo, amarrando quase todas as pontas e dando indícios para o futuro. Enfim chegamos ao final desse maldito conto de fadas, e que venha Hajimari. Trails é uma série de jogos especial, que todo mundo precisa experimentar.

Agradecimentos à NIS America pelo envio do código para a análise. O jogo será lançado para PlayStation 4 em 27 de outubro. As versões para PC e Nintendo Switch chegarão em 2021.

Ouro – Recomendável

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O Halloween de Hubie: Mais um Genérico de Adam Sandler

Depois de lançar o excelentíssimoUncut Gems (Jóias Brutas) ano passado, Adam Sandler voltou para suas raízes e fez mais um filme utilizando sua fórmula repetida de comédia e atuação. O Halloween de Hubie foi lançado neste mês de Outubro na Netflix e, mesmo que seja mais um filme genérico do ator, se prova como uma divertida homenagem ao Halloween e como uma paródia aos filmes de terror – apresentando inúmeras referências à franquias já conhecidas, como Halloween de John Carpenter e Pânico de Wes Craven.

O Halloween do Hubie: Adam Sandler pode ter usado Netflix para vingança; entendaNo longa acompanhamos Hubie (interpretado por Adam Sandler), um cidadão abobalhado da cidade de Salem que ama as tradições do feriado norte-americano de Halloween que sofre bullying por todos ao seu redor e é o ”garotinho” da mamãe, sendo um homem puro, inocente e que quer a segurança de todos durante o feriado. Durante as festividades, começam a ocorrer desaparecimentos pela cidade e Hubie irá precisar desvendar o que está acontecendo sozinho pois ninguém acredita nele. Por fim, a construção do roteiro é a mesma vista em toda comédia do ator.

A trama é bem fraca e bem bobinha, mas já é o esperado pelo público quando se vê o elenco e a sinopse do longa. Porém mesmo que seja simples, o roteiro utiliza diversos elementos presentes em filmes de terror slash e satiriza-os de forma cômica, indo desde a reação dos personagens – que sempre é criticada pelo telespectador ao assistir um longa do gênero, até o plot e a revelação da ameaça. É bobo, é simples mas é bastante divertido e cumpre o seu papel com o público.

Adam Sandler a 'Hubie, a halloween hőse' filmmel tér vissza a Netflix képernyőjére! in 2020 | Adam sandler, Halloween movies, NetflixO grande problema do filme são os alívios cômicos. Durante todo o longa, os momentos de graça giram em torno de três elementos: o bullying que o personagem de Adam Sandler sofre e seus sustos, coisas que são jogadas no personagem enquanto ele anda de bicicleta na rua e a quantidade de coisas que sua garrafa térmica pode fazer – quero dizer, além de guardar a sopa do personagem, o objeto é capaz de virar desde um canivete até um secador de cabelo. Todos esses alívios cômicos se repetem a cada 10 minuto durante a exibição do filme, tornando-se enjoativo e previsível no decorrer do longa.

Bom, o elenco do filme já é conhecido por estar em todas as comédias anteriores do ator – com exceção de Ray Liotta, Julie Bowen (conhecida por seu papel em Modern Family) e alguns outros nomes infanto-juvenis. Adam Sandler interpreta o mesmo personagem bobo e caricato de sempre, com as mesmas expressões faciais e a mesma atuação desajeitada de sempre. O mesmo ocorre com Kevin James e os demais integrantes da equipe de ouro que acompanha Sandler em seus longas.

Every single cameo in Adam Sandler's Hubie Halloween

Então, é bom?

Não se tem muito o que dizer sobre mais um filme do ator que segue sua fórmula pronta de comédia. O Halloween de Hubie se prova como mais um longa genérico de Adam Sandler. Entretanto, mesmo apresentando alívios cômicos repetidos inúmeras vezes e que giram em torno dos mesmos elementos durante todo o tempo de exibição do filme, o título consegue se mostrar como uma homenagem ao feriado norte-americano e como sendo também uma sátira aos filmes de terror do subgênero slasher ao construir seu roteiro em cima de referências a outros títulos. No geral acaba sendo um filme divertido de se assistir com o ator interpretando ele mesmo mais uma vez, cumprindo o seu papel mais importante: entreter o público.

Nota: 1.5/5

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Nocturne: O piano, a irmã e o demônio

Se juntarmos Whiplash (2014) e Cisne Negro (2010), teríamos como provável resultado Nocturne. Embora acredite que o filme não seja absolutamente uma mistura dos dois – porque o resultado de uma junção total seria potencialmente melhor -, Nocturne sugere uma história de terror aos moldes dessas narrativas, misturando elementos psicológicos e sobrenaturais, tratando da obsessão em um cenário musical extremamente competitivo, requisitando sacrifícios de seus competidores, sejam eles no âmbito físico, psicológico, ou até mesmo espiritual.

Nocturne se apoia em uma ambientação muito bem fundamentada. Começando por uma cena completamente aterrorizante, onde vemos um corredor vazio fazendo alusão à “perspectiva kubrickiana”, ao passo em que revela uma porta semiaberta e o cometimento de um suicídio sem explicação aparente, nos introduzindo um mistério que perturba tanto o espectador como a própria trama. Esse momento é parte importantíssima da obra, e é tratado pelas pessoas da cidade como qualquer outro personagem genérico do gênero: “Viram que tal moça morreu?”. Apesar de tantas limitações criativas, Nocturne cria um cenário harmônico interessante, onde a obsessão pela perfeição, a tensão competitiva e o mistério sobrenatural se correlacionam. Somos apresentados à Juliet e Vivian, irmãs gêmeas que estudam no mesmo colégio de música e batalham por uma vaga em um instituto altamente reconhecido.

Vivian e Juliet podem ser gêmeas, mas vivem vidas distintas, apenas compartilhando gostos e sonhos semelhantes. Enquanto Vivian é bem-sucedida nos ensaios e nas apresentações, conseguindo vagas para competições, além de ter uma vida cercada de amigos, sexualmente ativa, Juliet, a protagonista aqui, é introvertida, com poucos amigos e sem atingir o prestígio musical de sua irmã. Mesmo sendo esforçada desde pequena, Juliet viveu às sombras da irmã pela vida toda. O sentimento ambíguo por Vivian é tratado de maneira pouco surpreendente, sendo mais um elemento genérico (dentre vários). A tentativa de se sobressair à imagem da irmã, traçando um horizonte de vingança e ódio, é um aspecto ultrapassado que não consegue ser abordado por uma outra perspectiva, tratando as impulsões da protagonista por meio de justificativas superficiais, dignas de produções juvenis de baixíssima qualidade.

Pelos exemplos acima, dos personagens discutindo as mortes aos fundamentos da protagonista, percebemos que esses elementos, apesar de genéricos, funcionam até determinado ponto. A responsabilidade disso está nas mãos do diretor Zu Quirke, que parece tirar leite de pedra. Para ser mais exato, o diretor busca tirar algo de proveitoso de um roteiro que, nas mãos de alguém um pouco menos capaz, resultaria em um novo 7 Desejos (2017) (Deus nos livrou dessa). As construções visuais e as soluções propostas por ele para exemplificar os esforços e os conflitos de Juliet são de alto nível, sejam por reflexos através de objetos em cena, ou da inserção da trilha em planos que têm algum valor à trama. Contudo, tenho a leve impressão que os sintomas do roteiro são altamente transmissíveis, porque afetam o próprio trabalho do diretor. Apesar dos esforços e das belas concepções visuais, a execução trava na pouca ambição refletida do roteiro. Nocturne não tenta impactar o público, criar uma história única, ou tentar, mesmo estando na zona de conforto, apresentar um material de alta qualidade. Nocturne é mais um tapa-buraco do catálogo do Prime Video que uma obra cinematográfica digna de nota.

E onde está o terror em Nocturne? Não existe uma resposta concreta para a pergunta; posso relatar que não há jump scares convincentes, ou algo que se desenvolva para criar um cenário amedrontador, o filme é tão leve nesse sentido que talvez funcione até para crianças. Infelizmente, Nocturne se inspira em grandes filmes, contudo, não os aproveita como deveria. Se tratando de Whiplash, a obsessão pela prática e o caminho em busca da perfeição poderiam dar à narrativa um peso opressor e dramático substancial, mas são quase que descartados do meio pro final; enquanto, por parte de Cisne Negro, os conflitos psíquicos de Juliet são minimizados, tratando superficialmente as relações entre ela e os seus obstáculos, comprometendo sua transformação enquanto musicista. Devido às atuações das atrizes Sydney Sweeney e Madison Iseman – com um futuro brilhante pela frente – os conflitos das personagens ganham uma parcela de dramaticidade, porém, o filme não se encontra, ficando em uma corda bamba, nem indo para o lado da trama psicológica, tampouco ao terror sobrenatural, ambos reduzidos às conveniências do roteiro previsível.

Nocturne, portanto, é um filme que tem seus bons momentos e, através das soluções de seu diretor e das ótimas atuações de seu elenco, consegue apresentar um ambiente introdutório que dita um tom misterioso agradável. Entretanto, suas competências esbarram em um roteiro absolutamente limitado, que não sabe expressar as reais intenções da história. Há sempre um limite para a quantidade de leite, possível de ser retirado, de uma pedra. Em um gênero tão amplo e complexo, que ganha cada vez mais notoriedade nas mãos de grandes artistas, obras pouco ambiciosas ficarão nas sombras do esquecimento.

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Evil Eye (2020): A história se apoia num conceito religioso para abordar relacionamento abusivo

Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos, auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.

      –  Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas.

Neste mês de outubro, Amazon Studios junto com Blumhouse Productions lançou sua antologia de filmes formada por: The Lie, Black Box, Nocturne e Evil Eye. Estou aqui para falar brevemente deste último. Afinal, do que se trata esse filme e qual motivo comecei o texto usando uma definição sobre reencarnação? Pois bem, eu explico. A trama mostra a grande preocupação de Usha Kharti quando sua filha, Pallavi, começa a se relacionar com Sandeep. O roteiro resolve fugir do padrão e resolve adicionar esse elemento religioso para trazer mais suspense. Mas e aí, será que deu certo?

O que chama atenção no roteiro é a forma como ele vai lidando com a superstição de Usha, seja no bracelete para combater o mau-olhado ou o mapa astral guardado na gaveta servindo como principal apoio para conhecer os prováveis genros. São coisas simples que vão tomando uma nova proporção aqui. A proteção consegue beirar ao exagero que chega a criar uma atmosfera claustrofóbica para Pallavi e conseguimos sentir esse peso no decorrer da trama.

Usha passou por uma relação abusiva quando era mais jovem e por causa do trauma gerado, ela adotou um sistema rígido para sua filha com potenciais caras para seguir num relacionamento, porém nunca dava o fruto esperado devido a resistência de Pallavi em se acostumar com essa política adotada. O longa não demora muito para apresentar Sandeep e tudo segue bem até algumas coincidências começarem a incomodar essa mãe já bem protetora.

Conforme Usha vai se fechando sobre o avanço bem rápido da relação do casal, o roteiro brinca com os telespectadores sobre a consequência disso. Estamos lidando com um caso de reencarnação ou é apenas fruto da imaginação de uma mãe zelosa? O suspense acaba sendo arrastado até termos uma resposta definitiva sobre a situação, mas foi bem trabalhado. Não tem sustos ou qualquer elemento de horror que te faça pular do sofá, mas a tensão consegue te prender positivamente.

Fica notável como o plot da reencarnação é apenas um pano de fundo para lidar com o assunto delicado da violência doméstica, porém que precisa ser discutido. A ideia de reviver o horror no passado através de um corpo reencarnado é apenas a triste analogia do parceiro não saber lidar com um término, por exemplo, e começar a perseguir constantemente sua ex-parceira por não aceitar essa condição imposta. O terror psicológico que pode ocasionar um fim trágico para a mulher, como quase ocorreu com Usha. Isso é exemplificado no decorrer do filme, o que acaba enriquecendo bastante o debate.

Deixo abaixo o trailer de Evil Eye para atiçar a curiosidade:

Então, envolver religião com relacionamento abusivo deu certo? Deu. Poderia ter dado muito errado, mas o filme conseguiu conduzir bem e como mencionado anteriormente, o assunto religioso foi apenas um coadjuvante para o verdadeiro protagonista na história. Poderia ter sido apenas um filme direto em sua proposta de debater o assunto? Claro que poderia, mas o charme foi exatamente apresentar um pouco desse realismo fantástico. Porém, vale lembrar que a violência doméstica não foi minimizada em nenhum momento.

E dessa forma, me despeço. Que eu tenha conseguido convencê-los a dar uma chance para Evil Eye. Para finalizar: Não se calem. Denunciem! 

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The Boys: Mais Violência, Mais Sangue e Mais Insanidade em sua Segunda Temporada

We didn’t start the fire. It was always burning since the world’s been turning.

The Boys teve sua primeira temporada lançada ano passado e foi uma grande surpresa, tanto para quem conhecia os quadrinhos como para quem não conhecia – o lançamento, inclusive, fez com que as pessoas procurassem as HQ’s. Mês passado a Amazon Prime começou a exibir o segundo ano da série de forma semanal, ou seja, um episódio por semana após ter lançado três no mesmo dia. Acabou que a segunda temporada terminou recentemente e conseguiu ser melhor que sua antecessora, apresentando mais violência, mais sangue, mais insanidade e aumentando sua sátira a respeito das produções atuais do gênero.

The Boys”: segunda temporada ganha data de estreia e préviaO segundo ano da série começa do ponto de onde o primeiro terminou, Billy Bruto (Karl Urban) está desaparecido após encontrar sua esposa e o filho dela com Capitão Pátria (Antony Starr). Enquanto isso, Hughie está escondido com o restante do grupo e enquanto Bruto não retorna, eles procuram formas para acabar com a Vaught. No outro lado da moeda, Tempesta (Aya Cash) entra para o grupo dos Sete no lugar do falecido Translúcido e começa uma reviravolta na equipe.

Inicialmente a série apresenta uma sátira cirúrgica sobre os filmes atuais de super-heróis, mostrando uma produção da Vaught para os Sete intitulada ‘The Dawn of the Seven’ e em torno disso aborda diversos outros temas na mesma fórmula utilizando a medida certa para cada elemento. Porém, depois de alguns episódios, a série muda seu foco para a história e, enquanto o ano anterior focava mais na Luz-Estrela (Erin Moriarty), no Bruto e em Hughie, a segunda temporada decidiu explorar o desenvolvimento dos outros personagens:  Kimiko (Karen Fukuhara) , Francês (Tomer Kapon) e Leitinho (Laz Alonso) ganham mais espaço na trama e mais desenvolvimento para suas respectivas histórias e personalidades. Isso, sem deixar de lado os já citados anteriormente.

5º episódio da 2ª temporada de “The Boys” já está disponível no Amazon Prime Video – Categoria NerdDe qualquer forma, Antony Starr rouba a cena com sua excelente atuação como Capitão Pátria na maioria dos episódios e, em especial, no episódio final. Aya Cash se apresenta como uma excelente adição a série como Tempesta e sua trama carrega a temporada – por um lado, isso é ruim pois deixa algumas tramas secundárias de lado, por outro, dá espaço para desenvolvê-las de forma adequada nos anos seguintes. O interessante é ver como a sua trama é construída de forma gradual e objetiva, fazendo uma grande crítica a respeito do infeliz mundo atual que vivemos, cercado de intolerância e xenofobia mascarados em opiniões de pessoas influentes. O roteiro da segunda temporada está excepcional e prova que a série tem muito o que oferecer ainda.

Infelizmente nem tudo é perfeito: ao longo da temporada, a série apresentou alguns deslizes e falhou em alguns momentos, enquanto o último episódio da série acabou sendo corrido em diversos pontos e abriu mão do desenvolvimento para concluir logo o ano – de forma rápida e brusca. De qualquer forma, os defeitos são poucos se comparados com todas as qualidades que a segunda temporada de The Boys mostrou.

2ª temporada de The Boys bateu audiência da Netflix - Mix de SériesEntão, é bom?

A segunda temporada de The Boys superou a sua antecessora em diversos aspectos, tanto técnicos como de narrativa. Entretanto, apresentou algumas tramas secundárias que não prendem o telespectador enquanto outras são soltas no decorrer da temporada. Além disso essa temporada apresentou também uma conclusão rápida, como se tivesse sido feito às pressas. Por mais que tenha deixado um gancho interessante para o ano seguinte, senti falta de um maior desenvolvimento na narrativa de seu último episódio – poderia ter tido mais tempo de exibição ou apenas mais um episódio para concluir de forma adequada. Enfim, o segundo ano de The Boys foi muito bom e mal posso esperar para sua continuação.

Nota: 4.5/5