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Mafia: Definitive Edition: o retorno de um clássico

Escrito por Guilherme Chaves

Reviver toda a carreira de Tommy Angelo, com toda a carga nostálgica que carregamos desde os anos 2000, quando fomos iniciados em jogos cinematográficos, é realmente um papel com uma responsabilidade muito grande e que poderia ter dado muito errado. Mas pra nossa alegria esse não foi o caso de Mafia: Definitive Edition.

Jogar na década de 30, no ápice de um contexto da lei seca e numa época que foi considerada a melhor fase da história da Máfia dentro dos Estados Unidos é uma experiência completamente memorável que muitos já passaram no PC e, posteriormente, no PlayStation 2, mas a necessidade de recriação disso tudo acaba surgindo com o passar dos anos, seja para conquistar um novo público ou mesmo para não deixar um jogo tão completo ser esquecido ou ficar no catálogo de alguns como um jogo ultrapassado. Essa recriação foi muito bem feita pela Hangar 13, e foi completamente fiel à obra original, ao mesmo tempo que conseguiu atualizar tudo para a geração atual dos games.

Dentro de sua história principal, Máfia é completamente linear e se passa em capítulos, dando sempre chance de explorarmos a cidade também durante a campanha, mas seu modo sandbox é separado do jogo principal, o que gerou estranheza em alguns, e um alívio para outros.

Em teoria poderíamos dizer que essa separação pode ter acontecido pela recepção negativa que tivemos com Mafia III, que continha cenários vastos e missões um pouco repetitivas. Seria um medo do estúdio em errar a mão com algo que já estava bom? Talvez… E de certa forma eu preferi assim, essa opção não tirou nada da diversão que tive ao revisitar o jogo. Claro que falando sobre a campanha, já que o modo Direção Livre, como ele é chamado, seria mais para brincar dentro do cenário (que é bastante amplo) mas logo logo você enjoa dele com falta de objetivos.

É importante ressaltar que por mais fiel que seja o jogo, ele é um remake, ou seja, ele foi refeito completamente do zero com novos atores, uma nova engine, e claro, novas mecânicas. Deixando ainda uma responsabilidade muito maior na mão do estúdio responsável.

Voltando um pouco para a jogabilidade, em minha opinião tivemos o melhor controle de direção para os veículos dentre todos os jogos da franquia, os controles não são nenhum pouco travados e fluem muito depois de um tempo jogando. As motocicletas pela primeira vez também foram adicionadas, e são literalmente uma mão na roda pra quem gosta de mais velocidade e ao mesmo tempo de se esgueirar nos becos e caminhos estreitos que encontramos.

Outro detalhe que achei muito legal ao dirigir é o jeito que os objetivos são mostrados na estrada. No lugar de termos uma faixa pintada no chão mostrando onde temos que ir (o que tira um pouco a imersão), agora temos placas de transito que nos apontam a direção certa e somem assim que passamos por elas.

A história do jogo, é com certeza o ponto mais alto dele. Todo o contexto já citado lá em cima, junto com todo o desenvolvimento do nosso protagonista que de um taxista sem muito futuro, cresce e consegue um cargo importante dentro da Máfia, é uma mistura é sensacional. E claro que esse pequeno resumo é justamente para você não perder nenhuma experiência enquanto estiver jogando.

É importante ressaltar que mesmo o primeiro jogo sendo absolutamente completo e independente, quando pegamos o pacote Mafia: Trilogy, onde temos o Mafia: Definitive Edition (remake do primeiro), Mafia II: Definitive Edition (remaster do segundo jogo) e o Mafia III: Definitive Edition (que é a versão original, com todas as suas DLCs), a experiência se torna muito mais completa, já que todos os jogos em algum momento se misturam.

Um exemplo disso é encontrarmos o Tommy (protagonista do primeiro jogo) em algum momento do Mafia II. Outro exemplo disso é o Vito (protagonista do segundo jogo) ser um NPC super importante dentro do Mafia III e por aí vamos revirando mais e mais sobre esse universo completamente interligado.

Apesar de tudo que falamos, o jogo tem sim seus defeitos. O combate, seja no corpo a corpo, ou durante os tiroteios, é um pouco travado, o que não muda muito do que vemos nos outros jogos, talvez seja uma característica da franquia. Foi possível também, durante a jogatina encontrar alguns bugs. Em algum momento um carro voou de repente no meio do transito, em outro tivemos uma queda de frames no chão, mas são tipos de bugs que acabam se tornando comuns em lançamentos e resolvidos com atualizações posteriores, então não me preocupei muito.

Dando o veredito, o jogo vale sim muito à pena, ele consegue ser realmente melhor do que seu antecessor, é como se estivéssemos jogando o mesmo jogo lá atrás, mas com a maioria dos problemas resolvidos e com gráficos absurdos, e novos conceitos e conteúdos.

Agradecemos a 2K pelo envio do código. O jogo foi testado em um PlayStation 4 Slim.

Nota: Ouro

Ele já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC, separadamente ou junto com os outros jogos no pacote Mafia: Trilogy.

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Sobre o Autor

Guilherme Chaves

Empresário de dia, estudante de Administração Pública de noite e redator da Torre nas horas vagas.

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