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A Importância Histórica e Sentimental de Paracuellos

“Adeus Pablito… cê é meu melhor amigo… valeu… se não fosse por você…”

Em muitas resenhas usamos o famoso jargão: “esse quadrinho provoca uma mistura de sentimentos enquanto lemos”, e Paracuellos de Carlos Giménez não foge disso. Mas o diferencial da obra é que incrivelmente você se sente como um dos meninos nos abrigos, chamados de Auxílio Social. Você sente a angustia de estar lá, o medo das governantas, a expectativa perto da visita dos pais, a alegria de alguma brincadeira entre eles, os sonhos de cada um, a violência que sofriam… até quando sentem fome, você sente também.

Particularmente, em alguns momentos foi uma leitura muito difícil. As seis primeiras histórias me deixaram com o coração muito apertado. Paracuellos já começa com os dois pés na porta, onde Carlos Giménez já deixa claro a proposta de contar aquela história. Como eu disse, em alguns momentos a leitura foi muito difícil para mim. Os meninos dos abrigos, em sua maioria tem entre três, quatro, cinco, seis anos… e muitas vezes pensava em minha filha que tem quatro. Como a crueldade de um regime fascista pode chegar e atingir não somente os adultos e locais, mas também as crianças. De como uma uma ideologia religiosa forçada e doentia é perigosa e violenta. Mas, também como eu disse antes, Paracuellos também tem seus momentos mágicos. De esperança. Em que sorrimos das brincadeiras dos meninos. Sonhamos os seus sonhos.

E acho que seguir os sonhos dos meninos é uma das coisas mais gostosas em Paracuellos. Carlos Gímenez, que foi um desses meninos, e também sofreu, sentiu fome, saudades da família, sentiu o abandono… mas também sonhou. Giménez conduz em histórias que passam do limite de ser “somente quadrinhos”. Paracuellos tem sentimentos e desperta sentimentos. E engana-se que somente é no sofrer que nos vemos na pele de Pablito, Modesto, Adolfo, Peribañez e outros. O humor faz esse papel muito bem! O humor que Giménez emprega cria empatia juntamente com um traço um tanto cartunesco.

Além de demonstrar os sentimentos, medos, sonhos desses meninos, Paracuellos tem um papel importante em quebrar um longo período de silêncio, apesar de inúmeros esforços para deixar as atrocidades no limbo, e desnuda um capítulo da história espanhola que não era mais falado. De como os acólitos de Francisco Franco usavam de todas as ferramentas para subjugação (disciplina, regulamentação do tempo, classificação corporal e segregação forçada) para reeducar as mentes jovens. A denúncia de Giménez ao próprio regime que criou os lares para moldar a ferro e fogo meninos obedientes, transformada em uma linha narrativa perfeita. Muitas vezes o leitor esquece que os volumes são tiras costuradas e a transição entre uma história e outra fascina e envolve o leitor de tal forma que, sendo repetitivo aqui, faz o leitor criar laços e se sentir como um dos meninos.

Paracuellos é um registro histórico importante e fundamental para os dias de hoje. Vale lembrar que muita dessas histórias do Regime Franquista ficou escondida, acobertada, sendo deturpada como qualquer ditadura covarde faz. E sabemos disso, porque a história brasileira recente ainda é muito nebulosa. Giménez começou a fazer Paracuellos um ano após a morte de Franco, o maior simbolo desse tempo terrível. A farsa dentro das casas sociais eram embasadas com as cartas dos meninos que só iam para os seus pais ou parentes, se estivessem de acordo com os administradores dos abrigos, é somente um dos exemplos do desvio de verdades que acontecia.

A edição da Comix Zone está com todo luxo que uma obra que tem um peso histórico importante e em seu currículo praticamente todos os prêmios de quadrinhos europeus, inclusive o Melhor Álbum no Festival de Angoulême (1981). O volume de 208 páginas e capa dura, apresenta metade da obra de Paracuellos. O prefácio de Pedro Bouça introduz o leitor no clímax da época e de Carlos Giménez e a edição está muito competente. A tradução é de Jana Bianchi. Mais um belo trabalho da editora que vem se firmando no mercado nacional com grandes obras.

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Nascido para Matar (1987): As cicatrizes profundas da Guerra

Stanley Kubrick tinha certas obsessões em sua curta, porém excepcional, filmografia. Em sua primeira empreitada no mundo cinematográfico, abordou questões envolvendo a militarização no filme Medo e Desejo (1953). Após alguns anos, fez um drama se utilizando da temática de guerra, Glória Feita de Sangue, em 1957. Pouco menos de dez anos depois, em 1964, Kubrick se dispôs a discutir e colocar o seu ponto de vista sobre a moralidade das potências bélicas acerca do conflito por zonas de influência ao redor do mundo, na sátira Dr. Fantástico.

Mesmo depois de três filmes abordando assuntos semelhantes, o diretor lançou mais duas obras que iriam retratar as suas antigas obsessões: Barry Lyndon, de 1975, e, se consagrando como o seu último filme de guerra, Nascido para Matar, uma carta de ódio aos responsáveis pela Guerra do Vietnã – o momento que intensificou a frágil relação entre Estados Unidos e União Soviética durante a conhecida Guerra Fria. Impondo um ritmo particular e construindo uma atmosfera ameaçadora, Kubrick entrega sua visão sobre ocorrido de maneira ácida, crítica e extremamente dolorosa.

A sequência inicial sugere o tom irônico e crítico que irá permear a obra; alguns planos focados nos personagens tendo seus cabelos raspados, concretizando a entrada no ambiente militar, enquanto, ao fundo, ouve-se Hello Vietnam (Johnny Wright), criando o contraste entre o tom sereno da música e a expressividade vazia dos atores. Logo depois, há uma das sequências mais memoráveis da história, onde o Sargento Hartman se encontra pela primeira vez com o pelotão. Tratando a cena a partir de um senso técnico apurado, Kubrick entende como aproveitar ao máximo o monólogo apavorante de Ronald Lee Ermey (repare os planos sequência que acompanham o ritmo do Sargento e o ambiente (as janelas e o verde claro), que refletem a frieza do momento), intérprete de Hartman e que foi Sargento na vida real, durante sua passagem no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Por essa experiência, ficou fácil transmitir em suas falas e gestos toda a rigidez necessária, onde ações agressivas, psicologicamente e fisicamente falando, apelidos maldosos, e pressões constantes são elementos totalmente normalizados.

O pelotão é constituído por Leonard Lawrence, apelidado de Pyle, interpretado por Vincent D’Onofrio – que marcaria a carreira com este filme -, por J. T. Davis (Matthew Modine), o Joker e pelo Cowboy, de Arliss Howard; além de outros que servem como elenco de apoio. Pyle é o soldado que demonstra dificuldades mentais e físicas na conclusão de tarefas do treinamento. As dificuldades passadas por ele são exaltadas pelo comprometimento absurdo de D’Onofrio ao papel, ficando entre os melhores personagens da filmografia de Kubrick. A falta de determinação e os obstáculos vividos pelo soldado transformam o treinamento militar em um espetáculo conduzido por Hartman, ao passo em que ele constantemente zomba e abusa psicologicamente de Pyle. Contudo, os que acabam sofrendo as consequências pelos atos falhos de Pyle são os integrantes do próprio grupo.

Dessa maneira, Kubrick trata de observar a academia militar para a Guerra do Vietnã por uma perspectiva altamente combativa, ridicularizando – de maneira sutil – o preparo para o Vietnã. Contudo, não é porque o assunto é tratado com certa ironia, que o diretor esquece de discuti-lo com seriedade. O que vemos, primeiramente, como uma simples – se podemos chamá-la assim – pressão e rigidez militar, se transforma em uma conclusão verdadeiramente diabólica. A trama parece que se estenderá do começo ao fim do filme, porém, termina em apenas 45 minutos, na mais pura e brilhante “linguagem kubrickiana”. Quando Alfred Hitchcock fez Psicose (1960), e gravou a famosa cena da banheira – violentíssima para a época -, ele queria incutir uma certa angústia aos espectadores, que se sentiriam durante o resto do filme ameaçados com a promessa de uma cena ainda mais assustadora, mas que nunca iria se cumprir. O que Kubrick faz é justamente isso, criando uma sequência angustiante, e que fica conosco até os últimos minutos, embora nunca mencionada posteriormente.

Linguagem kubrickiana, isto é, a linguagem rebuscada e perceptível com certa regularidade nos filmes de Kubrick. Porém, após os primeiros quarenta e cinco minutos, Nascido para Matar vira um filme de guerra extremamente competente, mas não tão único como outras obras que só Kubrick faria, já que encontramos similaridades em relação a outros do gênero. O ambiente do campo da marinha dá lugar ao campo de guerra que se tornou o Vietnã, e Joker reaparece como jornalista militar. Embora não tenha detalhes minuciosos, há diversos toques provenientes da genialidade do diretor. Enquanto a tropa, constituída por Joker e Cowboy, integram missões potencialmente fatais, ocorre uma cobertura jornalística auxiliada por câmeras e microfones, na qual a metalinguagem trata de exemplificar como a guerra também era vista através da teatralidade propagandística. Onde os relatos dos soldados fizessem alusão a estrutura de um reality show.

Outra ferramenta para criticar o genocídio que a Guerra do Vietnã se tornou é o uso das personagens femininas. A primeira mulher que realmente tem certa importância narrativa é uma vietnamita que está sendo prostituída por vietnamitas locais em troca de armas e dinheiro. Contudo, o que se vê é o embate constrangedor entre soldados – às vezes até pelo tamanho do órgão – para ver quem seria o primeiro a ter chance com a moça, fundamentando a imbecilidade e a selvageria que o exército americano carregava. No terço final do filme, há a morte de uma jovem vietnamita que marca todos os soldados profundamente, e que Kubrick se utiliza dos mesmo planos inicias – da raspagem do cabelo – para julgar os responsáveis por aquele ato violento. De certa forma, Kubrick tenta iluminar a consciência dos protagonistas com um “tapa na cara” moral, esvaziando o imaginário perverso da guerra, e entregando a dura e crua realidade.

Podemos pensar em Pyle, nas vietnamitas, ou até no Sargento Hartman, e todos terão o mesmo destino sombrio e cruel. A intenção de Stanley Kubrick, portanto, é produzir um incômodo profundo na mente do espectador, deixando-o pensar em como a guerra pode trazer consequências duras e difíceis para aqueles que estão diretamente ou indiretamente ligados à ela. É ironizar – e até mesmo satirizar – passagens marcadas por ódio e violência, seja o ríspido Sargento como caricatura, ou os soldados durões que só conseguem se provar por meio do tamanho do membro. Nascido para Matar serve justamente para destruir essas concepções imaginárias sobre a postura e a moralidade do homem, evidenciando o que elas tentam esconder: a mediocridade humana.

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Necronator: Dead Wrong trás uma campanha completa e agradável

Necronator: Dead Wrong é desenvolvido pela empresa Toge Productions e distribuído pela Modern Wolf. O jogo une alguns conceitos estratégicos em tempo real, construção de  construção de decks de cartas e um tower attack, onde temos que avançar no mapa adversário, com um exército de mortos-vivos.

Em Necronator: Dead Wrong devemos guiar um exército crescente de condenados mortos-vivos em um ataque as propriedades humanas, saqueando aldeias e esmagando os líderes oponentes, para isso é preciso montar seu baralho pensando na melhor tática. A gameplay apresenta uma curva de aprendizagem bem básica, logo no início somos apresentados as mecânicas principais e a medida que vão se fazendo necessárias, novos mecanismos de jogabilidade são apresentados, para que suas forças sejam competentes o suficiente para sobrecarregar as defesas dos adversários humanos, derrubando todas as construções que encontram-se no caminho de suas hordas.

Durante as batalhas temos as waves de minions que são direcionadas para avançar no campo e tentar conquistar os portal adversário, mas só isto não é o suficiente, é necessário unir seu poder de ataque com as cartas presentes em seu baralho, que são liberadas na medida em que são atingidos seus pontos, que funcionam como mana. Mesmo que as batalhas funcionem de forma tranquila e não complexa, ainda é exigido um grau de atenção, para lançar as tropas corretamente, abrir o caminho certo, no momento certo e gastando recursos de maneira inteligente.

Necronator: Dead Wrong apresenta um humor descontraído, tanto por conta de das histórias e diálogos, quanto por parte das animações. E tudo isso é possível entender graças à localização feita inteiramente pela Agência Masamune.

A beleza das cores presentes no jogo são um ponto alto, mesmo jogando por algumas horas o visual não cansa, e ajuda na imersão dentro do universo proposto. Para servir de auxílio, a trilha sonora é de grande valia. Mesmo que seja visível um pequeno downgrade de qualidade gráfica e sonora durante as batalhas, não diminui em nada a solidez do jogo.

CONCLUSÃO:

Para aqueles que curtem jogos no estilo tower defense, com alguma pitada de deck builders, com certeza Necronator: Dead Wrong será uma ótima diversão. E até mesmo para nunca teve a oportunidade de jogar algo nesse estilo, este jogo é uma porta de entrada para iniciar neste mundo. 

É sem dúvida um excelente passatempo, uma diversão para qualquer momento do dia.

PONTOS POSITIVOS:

  • Gráficos elegantes.
  • Jogabilidade prazerosa.
  • Áudio imersivo.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Campanha curta.
  • Jogo pouco desenvolvido.

Necronator: Dead Wrong foi lançado oficialmente no dia 30 de junho para PC. Agradecimentos à Modern Wolf e a Agência Masamune pelo envio do código.

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Gameplay Games

Trails – O que é, por onde começar e onde jogar?

Longe de ser uma das franquias de JPRG mais conhecidas do mundo, como Final Fantasy e Dragon Quest, Trails vem aos poucos ganhando novos fãs fora do Japão. Com mais de 15 anos de existência, a subsérie da Nihom Falcom tem como características a sua narrativa, diálogos e world-building primorosos.

O que é Trails, como entrar nessa franquia, quantos jogos são, como e onde jogar, preciso realmente jogar todos? Nesse pequeno artigo, irei responder essas perguntas.

O que é Trails?

Como dito acima, Trails é uma subsérie. Mas de qual, você deve se perguntar. Pois bem, a série original, de onde Trails veio, se chama The Legend of Heroes. O primeiro game da série, Dragon Slayer: The Legend of Heroes, foi lançado em 1989 no Japão, e não possui qualquer relação com Trails, além de carregar o nome. Não é preciso jogar esses títulos, nem ao mesmo os da Trilogia Gagharv, série que veio antes de Trails.

Trails ou Kiseki no Japão, possui ao todo nove jogos já lançados, com o décimo chegando em Agosto desse ano na terra do sol-nascente. Além de um spin-off, que até certo ponto pode ser ou não considerado cânon. Os jogos são divididos atualmente em três arcos, todos sendo sequência um do outro, que complementam uma narrativa que vem sendo escrita há mais de 15 anos e sem data para acabar. A série foi criada em 2004 por Toshihiro Kondo, atual presidente da Nihom Falcom.

A série traz um combate em turnos clássico, com utilização de golpes, magias e habilidades especiais, conhecidas como Crafts. Seu ponto forte é a narrativa e construção de mundo. Tudo ao seu redor está vivo, é incrível ver como até mesmos os NPCs tem narrativas próprias. Sem falar na trilha-sonora magnifica feita pela Falcom JDK Band.

Quais são esses nove jogos?

Como dito anteriormente, Trails atualmente é divido em três arcos, sendo eles: Arco de Liberl com três jogos, Arco de Crossbell com dois jogos e Arco de Erebonia com quatro jogos.

Trails in the Sky FC (2004)

Aqui nós temos o começo de tudo, com Trails in the Sky FC. Para quem se pergunta, FC vem de First Chapter. Essa adição ao título veio posteriormente, assim como a remoção de The Legend of Heroes VI, para apenas The Legend of Heroes. Tudo que você PRECISA saber sobre a franquia é apresentado nesses três jogos.

Lançado aqui em 2011, em Trails in the Sky nós temos como protagonista Estelle Bright, uma garota que acaba se tornar uma Bracer, uma espécie de aventureiros de todo o mundo de Trails, que fazem qualquer trabalho, entre salvar gatinhos e derrotar monstros (é dai que vem as sidequests do game). A história começa com Estelle e seu irmão adotivo Joshua, saindo em busca de seu pai, Cassius, que está desaparecido.

É com essa premissa SUPER SIMPLES que damos o pontapé inicial na franquias de JRPG mais bem escrita da atualidade, em minha opinião. O ponto mais negativo, que muitas pessoas citam, é que o começo do game é lento. Sim, de fato é, ele tem todo o tempo do mundo para introduzir todos os conceitos do mundo e vai engatando aos poucos, com plots de guerra e políticas envolvidos. Sem falar no final de fazer a pessoa engolir em seco. Eu gosto do ritmo do game e acho bem feito, mas entendo a reclamação.

Onde jogar e comprar:

Trails in the Sky está disponível no Ocidente para PC e PSP, podendo ser jogado no Vita. Sendo o PC, a plataforma mais indicada. Tem gráficos melhorados, modo turbo e a possibilidade de colocar mods de voz retirados do remaster de PS VITA.

Steam | GOG | PlayStation Store

Trails in the Sky SC (2006)

Se passando horas após o primeiro game, Trails in the Sky SC (de Second Chapter, obviamente), lançado por aqui em 2015. melhora em tudo o seu original, trazendo um ritmo mais rápido e sidequests melhoradas.

Onde comprar e jogar:

Assim como o seu antecessor, Trails in the Sky SC está disponível para PSP e PC. Novamente, a versão de PC é a mais recomendada. Também é possível colocar mod de vozes. É possível utilizar o save do game anterior para conseguir um bônus no segundo jogo.

Steam | GOG | PlayStation Store

Trails in the Sky the 3rd (2007)

Chegamos ao último game da trilogia, Trails in the Sky the 3rd. Para mim, o melhor dos três primeiros jogos. Ele tem como protagonista Kevin Graham, personagem que apareceu no segundo jogo. O game se diferente em quase tudo dos jogos anteriores. Saímos de um mundo “aberto” para uma espécie de Dungeon Crawler. Em vez de sidequests, temos portas, com histórias longas, curtas e minigames, sim MINIGAMES.

É um dos jogos mais importantes da série, em questão de lore, Há coisas aqui que até hoje ou não foram explicadas ou ainda não apareçam na série. E já temos a confirmação, que uma das portas apresentadas aqui, irá reaparecer no vindouro game da série, Hajimari no Kiseki. Mais do que isso, é spoiler.

Onde comprar e jogar:

Aqui temos o primeiro impasse da série, mas que não é grave. O game chegou ao Ocidente apenas em 2017 apenas para PC. Ainda que no Japão tenha saído também para PSP, a XSEED, responsável pela localização dos jogos na época, optou apenas pelo lançamento nos computadores, mesmo que o seu anterior, que chegou aqui em 2015, tenha saído para o portátil da Sony. É possível carregar os saves do game anterior para ele também, além de mod de vozes, e vai por mim, vocês IRÃO QUERER vozes nesse game.

Steam | GOG

Chegamos no grande problema de Trails no Ocidente: o Arco de Crossbell. São dois jogos, Zero no Kiseki e Ao no Kiseki. Originários de PSP, eles nunca foram lançados aqui no Ocidente. Os motivos, são um tanto claros, o PSP já não tava mais em alta aqui pós-2017 e o Vita já estava morrendo. Além do mais, no Japão, apenas Zero no Kiseki obteve um port para PC e o port de Ao no Kiseki para computadores foi feito na China. Ficaria inviável trazer para o Ocidente. Por sorte, nada está perdido.

Ambos os jogos receberam agora em 2020, uma remasterização para PlayStation 4. Isso abre portas para a publicação dos jogos aqui no Ocidente. O próprio Kondo já afirmou que um dos pontos principais dos remasters terem sido feitos, é para que tenha uma possibilidade deles serem localizados. Os jogos também tiveram um pequeno retcon.

PORÉM, enquanto a gente espera alguma empresa anunciar a localização dos jogos, nós podemos jogá-los em inglês.

Ambos os jogos possuem traduções de fãs, e todas bem feitas. Zero no Kiseki em específico, ganhou uma nova tradução para o PC recentemente, com features exclusivas, como log de diálogos, framerate aumentado, mais slots para salvar e modo turbo funcional. Tudo feito pela Geofront, um grupo de fãs focados em Trails.

Ao no Kiseki possui uma tradução muito funcional também, com inclusão também de um modo turbo. E melhor, a própria Geofront, já está fazendo um patch para o game, com as mesmas funcionalidades do game anterior. Atualmente, o patch se encontra com 90% da primeira edição concluída e não deve demorar muito para ficar pronta. A paixão é tanta que eles conseguiram convencer a loja CHINESA a liberar uma opção de pagamento para o ocidente. Apesar disso, eu recomendo jogar com a tradução recente, caso a da Geofront ainda não tenha sido lançada quando você estiver lendo isso. A tradução atual é originária do PSP e foi sendo refeita e aplicada para a versão de PC.

Mesmo que a Falcom não tivesse planejado esse arco desde o começo, é sem dúvida o melhor e o mais importante da série. Tanto em elenco e em história. Os acontecimentos desses jogos repercutem até hoje da série, sendo a fundação para tudo que acontece a partir de Cold Steel III. Ele também fecha um dos plots deixados na primeira trilogia.

Zero no Kiseki / Trails From Zero (2010) – Tradução por Geofront

Aqui nós temos como protagonista Lloyd Bannings, um detetive que acaba de voltar para Crossbell, sua cidade natal, após três anos fora. Ele se vê no comando da S.S.S, uma equipe de policiais baseada nos Bracers. A trama política já presente nos jogos anteriores, é expandida aqui, trazendo inúmeras reviravoltas.

Onde comprar e jogar:

No PC e bem, como falei, o game não está disponível oficialmente no ocidente. O que nos obriga a importá-lo. No site da Geofront, tem um tutorial em inglês de como comprar e aplicar a tradução. Sim, a situação econômica do Brasil está bastante complicada e nós da Torre de Vigilância não incentivamos pirataria, mas é possível encontrar pela internet o jogo já com a tradução aplicada. Também é possível aplicar mod de vozes.

Geofront: Tutorial de Importação e Aplicação do Patch

Ao no Kiseki / Trails to Azure (2011) – Traduções por Guren/Flame e Geofront (em breve)

Ao no Kiseki se passa um tempo depois do final de Zero no Kiseki. A S.S.S, agora com novos membros, estão finalizando os detalhes do último caso, quando uma guerra entre Calvard e Erebonia está prestes a acontecer. Para mim e para muitos, é o melhor jogo da série inteira.

Como comprar e onde jogar:

Novamente, só é possível jogar oficialmente importando e aplicando o patch. No site da Geofront já tem um tutorial para importar o game e se preparar para o vindouro patch deles. Para o patch atual, eu não consegui achar um tutorial para isso ou se a versão comprada aceita o mesmo. As versões pela internet já se encontram patcheadas, incluindo com a versão mais recente. Também é possível aplicar mod de vozes. Aqui, só irei deixar o link com o PATCH. É possível carregar o save de Zero no Kiseki.

Tutorial de Importação da Geofront| Reddit com o Patch do Guren/Flames

Chegamos ao arco mais atual e por onde muita gente acaba começando Trails, mesmo sendo a maneira “errada”. Já començando com um meio “spoiler”, dá pra dividir esses quatro jogos em duas etapas. Trails of Cold Steel I e II se passam no mesmo momento que Zero no Kiseki e Ao no Kiseki. Então, em termos de tempo, a série não avança. Já Trails of Cold Steel III e IV, avançam no tempo.

Muitas pessoas acabam começando por Cold Steel por serem jogos mais atuais, com visuais 3D e mais atraentes pros olhos. Porém, acabam perdendo muita coisa essencial do universo, pois Trails é uma série contínua, mesmo que dividida em arcos. O primeiro problema ocorre no final de Cold Steel II, mas não falarei por motivos de spoiler, porém, grande problema é quando os jogadores começam a jogar Cold Steel III e se deparam com personagens e eventos que nunca tinham visto antes, mas que a série trata como “normal”. Pois são coisas que vieram dos arcos anteriores.

Em Cold Steel IV, por exemplo, nós temos os protagonistas dos arcos anteriores aparecendo para vocês terem uma noção.

Trails of Cold Steel (2013)

Adeus Bracers e Detetives, agora somos estudantes! Nosso protagonista é Rean Schwarzer, um estudante ordinário que acaba de ingressas em Thors, uma academia militar de Erebonia. Sim, Erebonia, o lugar tido até agora como um dos antagonistas de Trails. Basicamente aqui, além de Rean, temos vários outros estudantes da Class VII, uma turma focada em resolver tarefas em outras cidades por Erebonia.

Rean é meio que um reflexo de sua época, o longínquo ano de 2013, rs. Menino de cabelo preto com espada e com cara de tacho. Ele começa como uma espécie de self-insert e vai evoluindo aos poucos durante os jogos. Para quem veio dos jogos anteriores, é bastante esquisito se acostumar com o novo jeito de Trails. Agora temos bonding system, um sistema de relacionamento a lá Persona. Sim, em Zero e Ao já tínhamos um pseudo bonding system, mas era bem específico. Aqui em Cold Steel eles exageram.

Eu pessoalmente não curto esse sistema, por além de ser uma espécie de harém, que não adianta muita coisa, pois narrativamente falando, já tem uma garota certa para o Rean, mas os diálogos e desenvolvimento dos outros personagens ficam presos nele.

As sidequests são boas e muita coisa sobre o mundo é revelada. O game foi lançado no Ocidente em 2015.

Onde comprar e jogar:

O jogo saiu originalmente para PS3 e PS Vita. Tendo também versões de PC e PlayStation 4, que são as que eu recomendo. Tem gráficos melhores e modo turbo. E agora, oficialmente, temos dublagem, tanto em inglês quanto japonesa.

Steam | GOG | PS3 | PSVita | PS4

Trails of Cold Steel II (2014)

Aqui nós temos o que é na minha opinião o game mais fraco da série. Trails of Cold Steel II saiu no Japão em 2014 e se passa 1 mês após os eventos do primeiro jogo. O jogo traz um diferencial na sua estrutura. Até então, todos os jogos tinham os seus eventos divididos em capítulos normais. Aqui, o jogo é dividido em 3 atos, um intermission (muito importante para que veio de Crossbell) e o Finale.

O grande problema do jogo está em seu segundo ato. Ele é enorme e cansativo, beirando o tedioso em certos momentos. Isso enquanto uma guerra está acontecendo. Dito isso, o final do game é um dos melhores da franquia. Importante ressaltar que o Rean nesse game já demonstra uma melhora como personagem.

Onde compra e jogar:

Mesmo esquema do anterior. Ele saiu pra PS3, PS Vita, PC e PS4. Sendo as duas últimas plataformas as mais recomendadas.

Steam | GOG | PS3 | PS Vita | PS4

Trails of Cold Steel III (2017)

Chegamos ao lançamento mais recente da franquia aqui no Ocidente: Trails of Cold Steel III. Lançado no Japão em 2017 e aqui em 2019, Trails recebeu uma nova casa por aqui, agora sendo localizado pela NIS America e não pela XSEED que trouxe os outros jogos. Mas não se preocupe, uma boa parte da equipe da tradução dos outros games trabalhou também nesse game.

Em Trails of Cold Steel III, temos Rean como professor e não mais aluno e ele se tornou um ótimo personagem, vejam só vocês. Mas sério, eu acho inacreditável o quanto Rean evoluiu e o quanto esse jogo é maravilhoso! Quase chegando perto de Ao no Kiseki no meu TOP. A nova Classe VII é incrível, pessoalmente gosto de todos os novos personagens. E sobre o bonding system, nesse game ele está ótimo e funcional.

Nesse game nós vemos o quão bem escrito é essa série e como tudo chegou nesse ponto da história.

Onde e como jogar:

Cold Steel III foi feito direto para a geração atual, então nós temos versões para PlayStation 4, PC e Nintendo Switch.

Pera, Nintendo Switch???

Sim, a NISA decidiu portar o game para Nintendo Switch e essa versão também foi lançada posteriormente no Japão.  É o primeiro Trails para o console da Nintendo e é o oitavo jogo da série. Não vejo como isso pode dar certo para alguém de primeira viagem, mas bem, é uma plataforma a mais.

Um aviso, NÃO é possível carregar o save de Cold Steel II, pois originalmente os jogos eram de PlayStation 3 e Vita. A Falcom também não colocou a opção nos remasters.

Steam | GOG | PS4 | Switch (não lançou na E-Shop Brasileira)

Trails of Cold Steel IV (2018)

Trails of Cold Steel IV saiu no Japão em 2018 se passa logo após o estonteante final de Cold Steel III. Bom, eu não tenho o que falar desse aqui, pois ainda não joguei. O jogo será lançado aqui no ocidente em 27 de outubro de 2020 para PlayStation 4 e em 2021 para Nintendo Switch e PC, pela NIS America.

Segundo impressões dos japoneses e de fãs que já jogaram a versão original, o jogo não chega a ser tão bom quanto o seu antecessor. Ele aparentemente se perde um pouco no bonding system também e que estrutura dele também é em atos, assim como Cold Steel II. Mas ainda traz o DNA de Trails consigo, com world-building e escrita incrível com os NPCs. Resta esperar para tiramos as próprias conclusões. É possível carregar o save de Cold Steel III.

Uma curiosidade, a versão japonesa conta com “The End of Saga” em seu título. Ele foi retirado na versão ocidental.

Onde comprar e jogar:

Steam | PS4 

Confira nossa review do jogo.

Bom para o futuro de Trails, temos as seguintes coisas:

Hajimari no Kiseki (2020)

O próximo game da franquia, Hajimari no Kiseki sai em Agosto desse ano para PlayStation 4. É o décimo jogo principal da franquia e tudo indica que ele terá uma estrutura similar à Trails in the Sky the 3rd. Não há previsão para lançamento aqui visto que Cold Steel IV ainda nem saiu. Mas tudo indica que seja em 2022, já que dois anos tem sido o intervalo. O save é carregado de Cold Steel IV.

Os remasters de Zero no Kiseki e Ao no Kiseki

Como dito anteriormente, Zero no Kiseki e Ao no Kiseki ganharam versões remasterizadas para PlayStation 4. Esperamos que essas versões, e um port para o PC, cheguem aqui em breve. A NIS America ainda não falou nada sobre o assunto e tão pouco a XSEED.

Nayuta no Kiseki (2012)

Trails tem um spin-off chamado Nayuta no Kiseki, lançado para PSP e que nunca saiu do Japão. Ele é bem diferente dos jogos da franquia, trazendo um combate de ação parecido com o de Ys, outra franquia da Falcom, e ele se passa MILHARES de anos antes dos tempos atuais. Não sabemos se ele irá ganhar algum remaster ou cair no esquecimento.

Atualmente ele não é canônico na franquia, ainda que tenha algumas aberturas para isso acontecer. Existem várias referências, incluindo uma personagem com mesmo sobrenome do protagonista do jogo. Ele possui uma tradução feita por fãs. Eu cheguei a jogar metade dele mas ainda não terminei, apesar de ter gostado do que eu joguei.

Símbolo de Calvard

Tudo leva a crer que o próximo arco de Trails se passará em Calvard. É um dos lugares citados desde o primeiro Trails in the Sky que ainda não visitamos. O próximo jogo, depois de Hajimari, já está em produção, – a Falcom já havia confirmado que tinham dois jogos sendo feitos simultaneamente -, e terá uma nova engine. Muito provavelmente ele será lançado para o PlayStation 5.

Ver a imagem de origem
Akatsuki no Kiseki

Além de tudo isso, também temos um gacha de Trails chamado Akatsuki no Kiseki. Somente em Japonês. Nunca joguei.


Qual a ordem que devo jogar?

Pois bem, apresentei todos os jogos e dei uma pequena opinião sobre eles. Por onde você deve começar? A ordem mais correta e recomendada é a de lançamento: Liberl, Crossbell, Erebonia e um dia, Hajimari.

Há uma outra ordem, que mesmo não sendo recomendada, pode ser usada para adentrar na franquia. Ela seria: Cold Steel, Cold Steel II, Liberl, Crossbell, Cold Steel III e IV, e posteriormente, Hajimari. Sim, vocês teriam que retornar pro passado por conta dos acontecimentos e suas consequências em Cold Steel III.

Basicamente, a melhor ordem, novamente, é a de lançamento e a melhor plataforma acaba sendo o PC, pois todos os jogos estão lá. Já o PlayStation 4 acaba sendo a plataforma que contém todos os Cold Steel, incluindo o lançamento antecipado do IV.

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Folklore é um perfeito devaneio

O substantivo “folclore” tem como significado a reunião de de costumes e tradições de um povo que são contadas de forma oral, atravessando gerações. De origem inglesa, a palavra vem do termo “folklore”, que é também o título do oitavo álbum de estúdio de Taylor Swift.

Todos nós já tivemos contato com o folclore, histórias macabras, divertidas e cativantes. No nosso país, desde a infância ouvimos sobre o Saci Pererê, o Curupira, a Iara, a Mula Sem-Cabeça e tantos outros. Já em outros, há histórias sobre os mais diversos seres como, gnomos, duendes, fadas e fantasmas. É, de fato, algo universal. Porque boas histórias atravessam fronteiras e o tempo.

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Taylor surgiu no mundo da música country, há mais de 13 anos atrás, chamando atenção pela sua excelência artística como compositora. Ela era tão jovem, mas sabia como poucos escrever grandes canções. Com o passar dos anos, Swift se tornou um fenômeno global. Mergulhou de cabeça na música pop, vendeu mais de 80 milhões de discos no mundo todo e virou dona da segunda maior turnê feminina da história, ficando atrás somente de Madonna. 

Porém, a música pop é cheia de regras e estruturas a serem seguidas. O que podem fazer com que muitos artistas não consigam extrapolar certos limites devido a todo mercado em jogo. E Taylor sofreu com isso. É claro que com seu talento, ela conseguia escrever grandes hinos pop como “Style” ou “New Romantics”, mas ainda não havia encontrado o caminho certo para voltar a explorar todo o seu potencial enquanto compositora. Mas felizmente, ela agora o encontrou. 

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folklore é nada mais do que um álbum de histórias. E boas histórias. Taylor está contando e cantando sobre personagens que surgiram em seus devaneios, principalmente durante o isolamento social nos últimos meses. São perspectivas e experiências que vão além dela. 

Passeamos por narrativas cotidianas e até históricas. Há conto de uma viúva mal vista por sua cidade inteira, há homenagem aos profissionais da saúde que estão no combate a COVID-19 e principalmente, há histórias de relacionamentos. 

Swift compõe com toda maestria e sensibilidade de que se pode esperar de um compositor. Tudo é tão detalhado que, caso não soubéssemos que as histórias são de personagens, pensaríamos que seriam experiências da própria Taylor. Os pontos altos das composições estão nas faixas “the 1″, “exile”, ”epiphany” e nas já lendárias “cardigan”, “illict affairs” e “betty”, trio de músicas interligadas que contam uma só história: Um triângulo amoroso entre adolescentes e todos os seus pontos de vistas e nuances. 

A produção está no mesmo nível de qualidade quanto às composições. A maior parte das faixas são produzidas por Aaron Dessner, membro da banda The National. Aaron faz um excelente trabalho dentro do disco. Principalmente nas faixas “epiphany” (a música dedicada aos profissionais de saúde) que tem a melhor atmosfera do disco, ela é transcendente. E “exile”, parceria com Bon Iver, favorita a receber a coroa de melhor música do projeto com o passar do tempo.

Além disso, há na jogada Jack Antonoff, parceiro musical de longa data de Taylor. Jack tem fama de Rei Midas. Absolutamente tudo que ele produz, é ouro. (Ouça Melodrama de Lorde ou Masseduction de St. Vincent para entender isso). “august”, “mirrorball” e “betty”, única faixa produzida por Antonoff e Aaron, não deixam mentir esta afirmação. 

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Entretanto, há pontos que fazem com que folklore não consiga abraçar a completa perfeição, embora toque-a. Ter um álbum longo, de 16 faixas e 1h de duração é perigoso, ainda mais em um projeto que possuiu um conjunto de faixas maravilhosas. Algumas boas, mas não tão boas, acabam se perdendo no meio da curadoria. Isso quando não fazem o álbum soar massivo e cansativo, que é o caso de faixas como “the last great american dynasty”, “mad woman” e “hoax”. Que não são de todo mal, mas não fariam diferença se não estivessem ali. 

Há algumas faixas em folklore onde Taylor levemente flerta com elementos do experimentalismo, e é uma pena que seja de maneira tão simples. Talvez a cantora esteja guardando essa ideia para álbuns futuros quando acreditar que ela e seu público terá mais maturidade musical para tal coisa. Mas que é uma pena não explorar mais as faixas com sons “esquisitos” e longas durações de instrumental, isto é. “epiphany”, como já citado anteriormente, tem a melhor atmosfera do álbum, é uma faixa que poderia facilmente passar dos 6, 7, 8 minutos. E o próprio primeiro single, cardigan tem sons muito interessantes na parte final do seu instrumental que poderiam ser mais explorados. 

Por fim, folklore já nasce se consolidando um dos melhores álbuns do ano e quiçá, o melhor da carreira de Taylor Swift. Seus pequenos defeitos não são suficiente para descredibilizar toda sua qualidade e maturidade. Taylor finalmente achou sua redenção em entregar perfeitas composições na música pop, e ter flertado com o som alternativo foi essencial para isso. folklore fica melhor a cada nova reprodução, e por isso, parece que irá envelhecer como um bom vinho. Ou melhor, será repassado de geração em geração porque é isso que acontece com boas histórias, elas viram universais. 

Nota: 9.0/10

 

 

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Palm Springs: um bom clichê com loop temporal

Dirigido por Max Barbakow, Palm Springs teve seu lançamento em Janeiro no festival de Sundance e estreou recentemente no serviço de streaming da Hulu. O longa se trata de uma comédia romântica misturada com uma ficção científica que aborda um loop temporal como seu tema principal.

palm springs - Universo Reverso

A trama gira em torno de 9 de Novembro, onde Nyles (Andy Samberg) acorda com um casamento para ir. Logo de início somos introduzidos ao personagem e vemos que ele não está se importando com a ocasião, se preocupando apenas em beber e usar suas roupas casuais – inclusive, utilizando elas no evento. Durante o casamento, Nyles conhece Sarah (Cristin Milioti) e após isso um incidente acontece e descobrimos que Nyles está vivendo o mesmo dia várias vezes e, como consequência do incidente, Sarah começa a viver o loop temporal com ele. Por mais que o primeiro ato do longa apresente algumas piadas que, ao meu ver, foram bem forçadas, a partir do segundo ato ele engrena e toma seu rumo para se tornar uma boa experiência. O roteiro é bem simples, porém muito bem executado.

Por mais que a trama tenha seus pontos originais, ela segue todos os clichês de uma comédia romântica e de filmes que abordam o loop temporal – tais como A Morte te dá Parabéns ou o clássico Feitiço do Tempo: ambos os protagonistas se envolvem romanticamente com o passar do tempo e vivem todos os dias como se fossem os últimos, fazendo coisas que normalmente não fariam caso fosse um dia rotineiro enquanto procuram formas de resolver a situação. Mas isso não quer dizer que é de todo ruim, pois a forma que Barbakow dirige o longa faz com ele foque na construção dos personagens envolvidos na situação.

Palm Springs (2020) directed by Max Barbakow • Reviews, film + ...

Como foi dito acima, o roteiro é simplório porém nota-se que ele não é o foco da trama. O foco (e a originalidade do filme) é desenvolver seus personagens a partir da situação específica – não sabemos nada a respeito do passado deles, apenas o que eles conversam entre si e o que cada um desenvolve a partir de determinadas situações. A construção dos personagens combinada com a química entre Andy Samberg e Cristin Milioti são os pontos altos do filme. Mesmo que tenha um personagem de apoio, que é interpretado por J.K. Simmons – e que protagoniza a melhor cena do longa, a trama apenas foca nos dois protagonistas e no desenvolvimento de sua relação durante o decorrer do filme. O elenco trabalha bem e Samberg foi a melhor escolha para interpretar Nyles.

Palm Springs é uma grande surpresa de 2020. O longa trás junto com seus clichês de comédia romântica uma reflexão acerca da rotina e de relacionamentos, além de funcionar bem em sua execução e apresentar um final satisfatório. É um filme que, mesmo com um roteiro simples, é extremamente divertido de se ver e que cumpre a sua função de entreter o telespectador durante seus noventa minutos de exibição

Nota: 3/5

Durante o casamento de sua irmã (Tala, interpretada por Camila Mendes), Sarah (Cristin Milioti) testemunha a estranha perseguição sofrida por Nyles (Andy Samberg), um dos convidados com quem ela estava passando momentos bastante agradáveis. Ao seguí-lo para dentro de uma caverna, a dama de honra se vê presa num loop temporal do qual apenas eles parecem ter ciência, vivendo o mesmo dia de novo e de novo.
Tudo se complica quando ela descobre que Nyles está preso há muito mais tempo do que ela e não faz a menor ideia de como sair dali.

Palm Springs já está disponível no serviço de streaming Hulu.

 

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Primeiras Impressões | The Misfit of Demon King Academy

Sejamos sinceros: você, eu, e todos os envolvidos nisso aqui sabemos exatamente com o que estamos lidando, e decidimos lidar com isso de qualquer maneira. Nós olhamos para a mais patética combinação de nome, título e sinopse, e imediatamente pensamos o quão idiota e ridículo seria esse show inteiro.
E justamente por isso que nós decidimos assisti-lo.

Detesto todas as generalizações e já disse um milhão de vezes que odeio exageros. Deveria ser claro para todos que a minha pessoa é a maior defensora de nunca julgar um livro pela capa e que devemos dar uma chance para tudo, pois sempre existe a possibilidade dela te surpreender.

…Mas esse não é o caso. “The Misfit of Demon King Academy” é exatamente tudo que você poderia ter imaginado, sem tirar nem pôr. Porém, estou aqui para fazer um comício sobre como isso não é algo ruim, muito pelo contrário!

Em tempos de incerteza, há um conforto calmante em saber exatamente o que esperar de algo. O Rei Demônio foi renascido e vai utilizar seus poderes ordens de grandeza maiores do que do resto da população para torcer a realidade à sua vontade? Claro que vai. O que mais ele faria? Quando você liga a TV ou acessa sua rede social e tudo que existe é o caos… Ter a possibilidade de simplesmente desligar o cérebro e aproveitar uma porradinha sincera e singela é uma bênção.

Quem não tem avó sentada no sofá, malha com castelo.

Confesso que por mais batido que seja o tema, e mesmo sabendo exatamente o que ia acontecer em cada situação, o show ainda conseguiu me pegar desprevenido algumas vezes, com um humor sucinto e eficaz. É surpreendente ver que souberam diferenciar momentos sérios de momentos cômicos, fazendo cada um deles mais impactante.

Claro que nem tudo são rosas no jardim do Rei Demônio, e precisamos comentar sobre o elefante na sala: Pelo amor de Deus que animê corrido jesus amado do céu. Tudo acontece numa velocidade frenética, não te dando tempo nem para respirar ou digerir qualquer informação que lhe foi dada. Eu tenho a impressão de que passamos por dez volumes de Light Novel em apenas dois episódios. O que é impossível, pois a novel original só tem cinco volumes publicados.

Isso é uma pena, pois parece que a história tem um aprofundamento interessante e um mundo com detalhes bacanas que poderiam ser explorados… Mas que passam quase desapercebidos por terem tão pouco tempo e muita informação pra passar de uma vez só. Qual a lógica por trás dos nomes dos feitiços? Alguém explicou o conceito de realeza que foi trazido umas cinco vezes no episódio? O que aconteceu para a história do Rei Demônio ser tão distorcida? O que diabos aqueles olhos mágicos deveriam fazer? Etc, etc, etc.

Chorando pois passaram voando pela sua introdução e nem deram tempo de te deixar fazer um monólogo de 17 páginas.

Na parte técnica, a animação do estúdio Silver Link. nos entregou cenas de ação mais bonitas do que um show como esse tinha qualquer direito de ter, e um design de personagens que faz cada pessoa ser distintamente ela mesma, sem parecer muito “animêsco”. A dublagem surpreende, ao trazer um protagonista experiente (Suzuki Tatsuhisa) para atuar com duas novatas na área (Natsuyoshi Yuuko e Kusunoki Tomori), trazendo confiança e renovação num só pacote.

Na prática, percebemos que “The Misfit of the Demon King Academy” não passa de mais um harém escolar mágico genérico que amamos, e serve como um lembrete de que um show não precisa ser bom para ser divertido. Definitivamente vale a pena conferir os dois primeiros episódios, se você souber o que está fazendo e já tiver experiência em atravessar mares conturbados. Para a estreia, eu daria uma nota 6/10, mas que no meu coração vale muito mais.

O animê pode ser assistido legalmente, com legendas em português e vídeos em alta resolução, na plataforma de streaming Crunchyroll, com novos episódios todos os sábados.

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A Crítica ao Real e a Sátira ao Virtual em Upload

Já imaginou viver em uma sociedade futurista onde o virtual coexiste com o mundo real? Bom, é inegável que estamos próximos desta realidade, tendo em vista que atualmente grande parte de nós é dependente da tecnologia. Enfim, imagina que após a sua morte você continua vivo através de um mundo online, com algumas semelhanças ao Habbo Hotel, que pode ser visitado através de realidade virtual – fazendo com que você permaneça vivo de forma online. Imaginou? Essa é a premissa de Upload, série original da Amazon criada por Greg Daniels (responsável também por The Office e Space Force).

Download Amazon Prime's new sci-fi comedy, Upload, this Friday ...Lançado esse ano no serviço de streaming, Upload acompanha a história de Nathan Brown (interpretado por Robbie AmellThe Flash e Code 8: Renegados), um programador que morre após sofrer um acidente de trânsito. Por conta disso, sua namorada acaba pagando o seu upload e ele é carregado para o servidor Lake View – um hotel de luxo no mundo virtual. Ao se encontrar em uma nova vida e sem algumas memórias do passado e de como sofreu o acidente, Nathan se juntará com o seu Anjo (interpretado por Andy Allo), que é uma espécie de ‘moderadora’ do mundo virtual, para descobrir a principal causa de sua morte enquanto precisa lidar com sua namorada possessiva, descobrir formas de como passar o tempo neste mundo virtual e conhecer novas pessoas.

Toda a premissa de Upload é bem semelhante com a de The Good Place, entretanto não apresenta a mesma qualidade. Por mais que a trama seja boa – mesmo com o plot óbvio que pode ser deduzido logo nos três primeiros episódios – não há um bom desenvolvimento de personagens. A série abre diversas lacunas e não explora quase nenhuma, com exceção do relacionamento de Nathan com sua Anjo e a relação dela com o seu pai para convencer com que ele aceite o upload.

Mesmo assim é interessante ver que cada episódio consegue manter sátiras cirúrgicas sobre o mundo virtual, seja por meio de um anúncio em plena Lake View, pelos famosos bugs que ocorrem em todos os jogos do gênero ou até mesmo com a presença de uma deep web, da mesma forma que consegue criticar o comportamento da sociedade no mundo real, mostrando em tela atitudes hipócritas que visam apenas fazer mídia de uma vida perfeita ou até mesmo mostrando a desigualdade social presente nela.

Upload review: Greg Daniels' new series merges Black Mirror with ...Diferente de seus trabalhos anteriores, Robbie Amell atua bem como Nathan e consegue a empatia do público, assim como consegue também dar uma personalidade ao seu personagem – mesmo que ele ainda sofra com o clichê que seu personagem em The Duff.

Por mais que haja certas falhas ao decorrer da série e falte desenvolvimento de algumas questões, Upload é uma crítica ao real e uma sátira do virtual que provou ser uma comédia bastante promissora. Vale a pena assistir, inclusive o término do primeiro ano deixa um enorme gancho para sua segunda temporada, que já está confirmada. A série apresenta 10 episódios, onde cada um destes tem em média 30 minutos de duração.

Nota: 3/5

Upload é ambientado em um futuro em que os seres humanos são capazes de “carregar” a si mesmos em sua escolha preferida de vida após a morte. Quando Nathan (Robbie Amell) encontra sua morte prematura, ele é recebido por Nora (Andy Allo) em sua versão do céu

 

Upload está disponível na Amazon Prime Video.

 

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Você perdoaria Caravaggio?

Após um espaço de quase cinco anos a contar do lançamento da primeira parte no Brasil, a Veneta traz o segundo e derradeiro tomo da saga contada pelo veterano quadrinista Milo Manara a respeito de seu compatriota Michelangelo Merisi de Caravaggio, pintor renascentista cuja obra garantiu sua imortalidade em museus e igrejas desde o século XVI. Neste segundo volume, Caravaggio se empenha em suas pinturas em busca de seu perdão espiritual. Em maioria focadas em temas religiosos, essas podem ser um deleite para os que apreciam, mas dificilmente entregam o calvário de seu autor para concluí-las.

Para surpresa de quem já teve contato com a bibliografia de Manara, aqui sua mais famosa característica quase não é vista. O autor é conhecido por transformar inclusive seus roteiros adaptados em contos eróticos (Gulliveriana) e pornográficos (A Metamorfose de Lucius), mas aqui sua marca está em segundo ou terceiro plano, sendo apenas a nudez presente e ainda assim de forma pontual. O foco está na mente perturbada de Michelangelo Merisi de Caravaggio e seu comportamento explosivo que lhe devolve como frutos mais e mais problemas em sua vida.

Inclusive este foco maior no âmbito psicólogo e menor no físico pode ser considerado raro quando trata-se de uma obra “solo” de Manara. Em sua extensa carreira, suas obras onde a mente dos personagens é melhor explorada quase sempre acontece quando outro artista faz o roteiro e ele cuida apenas da arte. Quando trabalha sozinho, o quadrinista já várias vezes caiu em sua própria armadilha de valorizar somente o prazer e fetiche do erotismo, resultando em roteiro de histórias medianas e até fracas como em Clic, Kama Sutra e Encontro Fatal, este último talvez seu trabalho mais chocante. Em Verão Índio, El Gaúcho, Viagem a Tulum e Borgia temos uma faceta totalmente diferente, mas muito por estas terem roteiros assinados por Hugo Pratt, Federico Fellini e Alejandro Jodorowski. Em Caravaggio, Manara consegue um êxito no roteiro que poucas vezes conseguiu sozinho, a vasta bibliografia sobre o pintor rebelde descrita ao fim da publicação claramente ajudou nesta construção.

Em um estilo de traço usado desde Borgia, sua série anterior, temos uma progressão na arte de Manara que pouco se vê ou até se espera de alguém já nesta fase de sua carreira. Note-se que, quando a publicação de Borgia teve início, posteriormente resultando em quatro partes, Manara já era um sexagenário e por uma expectativa um tanto pejorativa que naturalmente que o ser humano faz, espera-se que o desempenho de uma pessoa em diversas áreas, inclusive na ilustração, esteja em uma descendente com o avanço da idade.

Não é o caso aqui. Seu traço só evoluiu desde então e em Caravaggio visualmente podemos contemplar o, por enquanto, auge de sua carreira nesse aspecto, pois mesmo após uma breve observação nas páginas pode fazer pensar que este possa ser a conquista do topo de sua escalada como artista, não se pode duvidar que o autor ainda possa extrair mais de si mesmo. Aqui suas cores são densas e vivas, ganhando maior profundidade e expressão, assim como Caravaggio fazia em suas telas. Como o período histórico deste título é o mesmo de Borgia, é possível ver referências em comum nos dois trabalhos, como se Caravaggio fosse uma sequência de Borgia dentro de um “Manaraverso”.

Neste período, o interessante é ver como a transição da Idade Média para a Idade Moderna não é muito diferente do que se vê hoje no alto patamar da sociedade. A hipocrisia sempre esteve presente com líderes religiosos que sequer cumprem os Dez Mandamentos Bíblicos, que recriminam manteúdas e meretrizes mas de certa forma as aceitam como modelos para obras de arte com cenário angelical. Caravaggio está oscilando neste limiar, e isso é o que mais o perturba.

Chega a dar angústia acompanhar o sofrimento do pintor em seus últimos anos de vida. Seu talento na pintura era diretamente proporcional ao de conseguir desafetos, por isso viveu como nômade entre várias cidades-Estado da hoje República Italiana, necessariamente fugindo de seus problemas e não teve seu trabalho reconhecido em vida como pensou que deveria, deteriorando cada vez mais sua condição mental.
Caravaggio – O Perdão é o quarto título de Manara publicado pela Veneta. Da extensa obra do autor, uma grande parte já foi publicada no Brasil, algumas inclusive em mais de uma edição e/ou editora. Porém, justamente outra história sua que tem o meio artístico como tema principal teve apenas uma tímida publicação por aqui e parece ter caído no esquecimento. Trata-se de Rever as Estrelas, uma narrativa da série Giuseppe Bergman que foi publicada no Brasil somente uma vez na revista Heavy Metal nº22 em 1998. Nesta obra, Bergmann segue os passos de uma mulher obcecada por quadros retratados em um livro. Não satisfeita, esta recria a cada momento poses e cenários das vênus presentes em cada uma delas. Assim como todo o material da saga de Giuseppe Bergman, esta história merece ser republicada em uma nova edição por aqui. 

A obra de Caravaggio ganhou toda posteridade da História humana. Inclusive no Brasil seus quadros foram tema de uma disputada exposição no Museu de Arte de São Paulo em 2012 alavancando para o recorde de 556 mil o número de visitantes do museu naquele ano, marca só superada em 2019 com mais de 729 mil. Os números mostram que, mesmo que não precisasse pedir, Caravaggio já foi perdoado há muito tempo. Manara “apenas” fez sua parte para ajudar nesse propósito.

 

Caravaggio – O Perdão
Milo Manara (roteiro e arte)
Michele Vartuli (tradução)
Lilian Mistunaga (letras)
Andréa Bruno (revisão)
64 páginas
31 x 24 cm
R$94,90
Capa Dura
Veneta
Data de publicação: 03/2020

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Serial-Nerd

Nossa rotina em isolamento social sendo representada com bom humor em Diário de um Confinado

Desde março, a população viu-se imersa numa espécie de confinamento até então inédita e sem precedentes. Uma nova rotina onde começamos a acompanhar o ambiente exterior apenas pelas janelas, iniciando um tutorial recorrente de cuidado reforçado sempre que for sair de casa. Quatro meses se passaram e ainda estamos vivenciando esse isolamento, tirando é claro vocês que estão precisando trabalhar em diversos setores e até na linha de frente como profissionais da saúde (já deixo aqui o meu sincero obrigado).

Diante de uma mistura de emoções que afloram em segundos, é preciso dar uma respirada, certo? Relaxar a mente e distrair-se com qualquer coisa que seja útil para nós. É nesse intuito que ganhamos o excelente Diário de um Confinado, nova série multiplataforma do Globoplay que narra as aventuras diárias do isolado Murilo Barros (Bruno Mazzeo) em seu apartamento no Rio de Janeiro. O resultado disso foi justamente uma boa dose de humor ao retratar de forma fiel situações que possamos nos identificar de prontidão.

Sabe a vizinha que sempre evitamos numa situação normal? Agora imagina tendo que aturá-la durante o isolamento social. Imaginou? Essa é a Adelaide, personagem da Débora Bloch. Sempre precavida, neurótica e tentando passar adiante o seu conhecimento sobre os principais métodos de higiene nessa pandemia ao Murilo. A vivência entre os dois gera momentos engraçados e aproxima ainda mais seus telespectadores que passaram por alguma situação parecida nos últimos meses. O mais interessante é que Débora é realmente vizinha de Bruno na vida real e por conta disso, foi possível contracenarem juntos. Foi a única atriz que fez isso. O resto do elenco foi tudo remoto.

Renata Sorrah interpreta a mãe de Murilo e como toda progenitora que se preze, mantém, mesmo que remotamente, toda a preocupação para que o filho não se infecte. Com isso, é bombardeado por sua mãe com notícias falsas compartilhadas em grupos de WhatsApp, leva esporro por andar sem máscara ou se desesperam sobre como jogar devidamente uma embalagem de pizza.

Diário de um Confinado foi elaborado pela diretora artística Joana Jabace junto com o próprio Mazzeo. Os dois são casados e cederam o apartamento para a realização das gravações. O primeiro desafio foi adaptar o apartamento e logo encontraram a solução em dar uma leve bagunçada em alguns cômodos com o acréscimo de novos objetos. Sem falar nas pausas dadas por causa dos filhos aparecendo nas cenas para dar aquela boa descontraída.

O outro desafio foi como gravar com o elenco recluso, mas isso foi tirado de letra. Arlete Salles, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Lúcio Mauro Filho, Marcos Caruso, Matheus Nachtergaele e Sorrah receberam kits de gravação por celular juntamente com a regra de escolher cômodos de suas casas para iniciarem suas cenas.

A série consegue conquistar o seu público ao mostrar situações do cotidiano que estamos aprendendo a lidar durante essa pandemia e quando nos identificamos com Murilo, isso quer dizer que a proposta foi alcançada com sucesso. Você ri e logo se identifica, pois não é ficção. É real. Estamos há quatro meses (e contando) imersos numa atmosfera que nunca imaginávamos presenciar. Criamos uma nova rotina para conciliar àquela que já tínhamos ou ao menos tentamos. Precisamos tentar. Até porque também temos o nosso Diário de um Confinado.

Gostou e quer assistir? Está disponível no Globoplay, a Rede Globo começou a exibir no sábado (4) e o Multishow ontem (6) com dois episódios seguidos exibidos todos os dias.