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Winterfell enche os telespectadores com reencontros, mas mantém uma certa inércia.

Quando a gente se depara com uma série com o pacote reduzido de episódios do que estamos acostumados a acompanhar em emissoras abertas como CW e ABC, é completamente natural que a trama dê aquela acelerada para movimentar seus diversos plots permeando por situações mais calmas para preparar o terreno para algo. Com todo o hype de quase dois anos sendo guardado pelos fãs, Game of Thrones opta por desacelerar o ritmo e como consequência, gerou um efeito frustrante.

Winterfell começa com uma singela homenagem ao Piloto da série (Winter is Coming), onde a comitiva de Daenerys Targaryen chega sob olhares curiosos e ranzinzas dos nortenhos. Lembrando bem da chegada de Robert Baratheon para rever seu amigo Ned Stark. Trazendo um pouco de nostalgia quando tudo ainda estava calmo demais. Como se estivéssemos diante daquele velho amigo que não conversamos há anos. E este episódio abusou bastante deste recurso.

Tendo que lidar com apenas seis episódios em sua temporada final e precisando iniciar os preparativos para a grande Batalha em Winterfell, presenciamos uma sequência de reencontros que foram jogados para os telespectadores sem cerimônia. Como se tivessem o intuito de se livrar desse lado mais emocional para focar naquilo que importa para a trama. Por conta disto, o mais bonito e esperado foi de Jon e Arya. Algo que esperávamos há anos finalmente aconteceu e não decepcionou. Já outros foram bem mais apáticos e abordados como se os personagens tivessem se visto antes desse momento.

A função de promover esses reencontros além do fator emocional, também serve para fechar as famosas pontas soltas. Jaime e Bran é o exemplo mais claro disso. Como o primeiro imaginaria que aquele garoto que caiu da torre conseguiria sobreviver? Jaime já recebeu sua redenção numa trajetória maravilhosa após perder a mão, mas faltou exatamente isso. E podemos fazer nossas apostas para Theon rever Bran desde os eventos do cerco em Winterfell?

Não queria, mas precisamos falar de Jonerys. A sétima temporada tratou de jogar esse fanservice de uma forma abrupta e infelizmente, esse caminho continuará sendo feito aqui. Enquanto o Rei da Noite segue com sua marcha em direção a Winterfell, nossos pombinhos possuem tempo para brincar de entra-no-meu-castelo em paisagens nortenhas e voar num pega-pega com Rhaegal e Drogon.

O que era para ser emocionante ao ver Jon Snow/Aegon Targaryen montando no dragão nomeado em homenagem a Rhaegar Targaryen, seu pai, acabou sendo ofuscado pelo romance açucarado do nosso casal principal. Mesmo que Rhaegal tenha reconhecido a linhagem de seu montador, não tira o fato que essa cena foi preguiçosa. Nem vou entrar no mérito de Daenerys não ter sequer colocado na cabeça o fato que Snow era um parente depois dessa empreitada.

A revelação sobre a sua linhagem só trará a verdadeira tensão nos próximos episódios, pois aqui não surtiu muito bem o efeito desejado. A pressa se torna um grande vilão de desenvolvimento quando não é trabalhado da forma certa. Ou seja, não esperaram uma cena grandiosa para a revelação na frente de todos para deixar aquela estática sinistra e o puro silêncio. Claro que podem seguir por este caminho, o que esperaria muito que acontecesse. Porém, com a limitação de episódios, capaz de encerrarem do mesmo jeito que iniciaram. Só nos resta esperar e torcer que não façam da pretensão deles uma brincadeira de criança. Já não bastou Stannis com o mantra de que o Trono era dele.

Contudo, mesmo diante de cenas questionáveis, fomos agraciados com a cena de puro horror com a criança da Casa Umber que tinha retornado para a Última Lareira para trazer o seu exército. Muito bem executado e mostrando que Rei da Noite não está de brincadeira. Vimos também que Cersei continua excelente amiga do vinho e segue aliada a Euron Greyjoy junto com a Companhia Dourada. Só com esse episódio não dá para traçar esse plot separado dela. Ainda está bem nebuloso. O mais interessante foi ver Qyburn entregando para Bronn o arco que Tyrion usou para assassinar seu pai, Tywin Lannister.

Tendo o retorno mediano e mais para situar o status quo de todos, pode-se garantir que a partir do segundo episódio o cenário começará a mudar para os preparativos a Grande Guerra.

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Gameplay Games

Review | Trials Rising

Já tivemos muitas experiencias com aventuras em motocicletas, e por incrível que pareça, Trials ainda continua a nos surpreender. A RedLynx consegue transformar, Trials Rising, que seria um jogo monótono e simples numa experiência diferenciada, com seus designs criativos e uma jogabilidade bem desenvolvida e escalonada.

Mesmo que entre 2014 e 2016 a desenvolvedora tomou algumas atitudes erradas em relação a seus jogos, como Trials Fusion (2014) e Trials of the Blood Dragon (2016). Eles passaram longe de serem jogos ruins, entretanto os mesmos não mereciam levar o nome Trials em seus títulos, os dois jogos mais recentes, ficaram abaixo das expectativas para a maioria dos fãs. Fusion chegou com uma ideia de inovar através de uma temática levemente futurística porém sem inspiração, e buscou referências rasas de alguns filmes, séries e claro jogos pra montar sua estrutura, mas infelizmente o resultado foi um background super sem sentido em meio a motocicletas tunadas e coloridas. Já Blood Dragon, até hoje é um enigma de como surgiu a ideia por trás do jogo, e de como seu desenvolvimento se prolongou sem nenhuma crítica ou qualquer problema relacionado a choque de ideias, se o jogo fosse lançado anos seguintes ou sem o título de Trials, com certeza se sairia melhor que em 2016.

Trials Rising definitivamente afasta qualquer fantasma que tínhamos dos jogos anteriores e nós leva de volta aos raios de luz de Trials HD e do grande Trials Evolution. De toda forma isso não significa que temos aqui em Rising todas as engrenagens girando as mil maravilhas, mas a maneira como o jogador é apresentado ao novo/antigo jeito de ser de Trials é um retrocesso satisfatório da série. Dessa forma temos uma gameplay limpa, sem muitas alegorias o que pode facilitar a compreensão e a curva de aprendizagem dos novos jogadores, e fazer com que os mais adeptos da série se sintam em casa.

De forma simples, os níveis de Trials Rising, são divertidos. Depois de compreender como funciona a gameplay em Rising, questões de aceleração, inclinação, tudo será resumido em memória muscular. A RedLynx sempre enfrentou problemas em buscar equilíbrio entre atender às necessidades de jogadores hardcore e conseguir apresentar a jogabilidade para os novatos. Um jogo como o Trials engloba uma ampla gama de conjuntos de controles e habilidades, e os desenvolvedores precisavam concentrar todo o esforço em preparar um novo sistema que atendesse a todos se quiserem continuar aumentando seu público. Desta vez, esse esforço foi recompensado e recebemos uma jogabilidade simplesmente limpa e bem didática, com as necessidades dos hardcores sendo voltadas para a complexidade das pistas.

A estratégia do novo sistema de progressão é interessante, em vez de simplesmente obter medalhas e avançar para o próximo estágio, o mapa em Trials Rising começa com locais pontuais e lentamente se completa com novas pistas, minijogos e tutoriais avançados à medida que o jogador sobe seu nível ao receber XP no final de cada estágio. É uma boa maneira de manter os jogadores envolvidos em uma mesma sequência de pistas sem a necessidade de completá-la sem erros. Mas não se engane, mesmo com esse novo sistema o caminho continua árduo para todos. Com esse sistema de avanço de estágio, o novo modelo de obtenção de itens fica ainda mais divertido. A cada nível que obter, peças de roupa variadas e adesivos para personalizar as motocicletas serão entregues a você. E sim, você ainda pode comprar itens dentro do jogo.

Mesmo que você nunca acabe nunca tocando no multiplayer online, co-op, no editor de pista ou qualquer uma das criações propostas pela RedLynx para a utilização do usuário, Trials Rising o manterá bastante ocupado desde sua compra. Alguns dos elementos fora de hora poderiam ser evitados, mas não é nada que prejudique uma última análise. Alguns outros aborrecimentos pontuais existem de fato, como os tempos de carregamento levemente lentos, ao entrar em níveis um pouco mais complexos que necessitam de um pouco mais de processamento. Dito isso, o RedLynx acertou as coisas importantes.

VEREDITO:

CATIVANTE

A maneira como as físicas das motocicletas são propostas em Rising agradará os mais céticos, os desenhos das pistas e o seu trajeto são muito interessantes, sem distanciar do mundo real. Trials Rising consegue ser envolvente, e desafiador, construindo sobre uma jogabilidade auto suficiente, além de corrigir problemas do passado. Seu editor de pistas continua pouco convidativo, e alguns obstáculos podem parecer depender muito mais da sorte do que simplesmente habilidade. Trials Rising não é uma reinvenção da franquia, é um convite para reviver tudo que já foi bom na série e perder algumas horinhas para se distrair.

PONTOS POSITIVOS:

  • Jogabilidade.
  • Novo sistema de avanço de estágio.
  • Customização do personagem e motocicleta.
  • Fases interessantes e convidativas.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Modo multiplayer sem profundidade.
  • Editores de pistas pouco instrutivo.
  • Jogo um pouco curto.
  • Carregamento exagerado em certos estágios.

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Quadrinhos

Lançado pela Mythos o Prelúdio para Morrer, novo encadernado de luxo de Dylan Dog

Já está disponível o mais novo encadernado de luxo capa dura de Dylan Dog, personagem de sucesso da italiana Sergio Bonelli Editore publicado no Brasil pela Mythos Editora em mais de uma revista, com lançamentos mensais. Confira detalhes!

Quem é Laís, a belíssima e misteriosa modelo por quem Dylan Dog se apaixona na inauguração de uma mostra fotográfica, e que parece ter desaparecido de repente? Para seguir as pistas da moça, o Investigador do Pesadelo deverá escavar num mistério sórdido que o levará diante de uma verdade horrenda e imprevisível.

Uma história sombria como a noite, em que o lendário mestre do terror italiano Dario Argento interpreta as atmosferas do personagem de Tiziano Sclavi segundo o seu estilo onírico e profundamente inquietante. Nos pincéis, o principal desenhista das atmosferas góticas, o grande Corrado Roi.

Com o selo Prime Edition (destinado às publicações luxuosas da editora Mythos), Prelúdio para Morrer é uma história fechada tal qual sua antecessora, Mater Dolorosa. Dylan Dog retornou pela Mythos Editora em duas séries publicadas em formato italiano: a clássica, chamada apenas de Dylan Dog, e a Dylan Dog Nova Série, que traz aventuras mais modernas do personagem após sua reformulação com a aposentadoria de Bloch. A Nova Série foi comentada em detalhes aqui.

O intuito da coleção deluxe do personagem é apresentar histórias fechadas desenhadas por grandes nomes do quadrinho italiano. O formato, maior que o padrão Bonelli, serve para dar destaque aos quadros e valorizar os desenhos.

Dylan Dog: Prelúdio Para Morrer possui 108 páginas encadernadas em capa dura e formato de graphic novel. O preço de capa sugerido é R$ 69,90. Garanta sua edição na Amazon clicando aqui.

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Cinema

Pistoleiro não estará mais em Esquadrão Suicida, mas Idris Elba continua no elenco. Entenda

De acordo com um dos sites de entretenimento mais renomados dos Estados Unidos, a Variety revelou que o Pistoleiro não estará mais em Esquadrão Suicida dirigido por James Gunn. O personagem seria interpretado por Idris Elba, que substituiria o Will Smith.

Entretanto, Elba continua no elenco, visto que o ator dará vida a um personagem que está sendo mantido em sigilo. As principais apostas são Tigre de Bronze (diga de passagem, o vilão tem o mesmo temperamento do Pistoleiro) e Tubarão Rei.

A Warner Bros. concluiu que não é uma boa escolha tirar o Smith do papel, visto que segundo a empresa, a atuação do ator foi uma das melhores em Esquadrão Suicida de 2016. O astro deve voltar a interpretar o anti-herói apenas depois de 2021.

Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Rick Flagg (Joel Kinnaman) NevascaCaça Ratos, Tubarão-Rei, Pacificador e Mister Polka Dot serão a nova formação da equipe.

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Tudo indica que o filme será menos fantasioso e mais realista,  baseada na fase de Jon Ostrander e Kim Yale, publicada na década de 80. Na trama, o Esquadrão terá que se infiltrar em uma base militar do Jihad, para impedir uma operação terrorista.

Esquadrão Suicida estreia em 6 de Agosto de 2021.

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Serial-Nerd

The Walking Dead desperdiça a chance de encerrar a nona temporada com chave de ouro

Não, meu caro! Game of Thrones não retornou mais cedo na sua TV ou tela do notebook. Era só The Walking Dead apresentando seu Season Finale com um grande diferencial em sua paisagem e o resultado disso ficou muito bom e significativo.

Por incrível que pareça, era a primeira vez que a neve se fez presente na série e do jeito que foi mostrado, se comportou como um personagem. Sempre interagindo com os demais e afetando-os de todos os jeitos. A paisagem carregando melancolia caiu como luva para lidar com os sentimentos de todos após o trágico evento das estacas no episódio anterior. A atmosfera pesada estava ali como um forte lembrete das perdas sofridas e como seria difícil seguir em frente mesmo que um dos planos era justamente seguir em frente numa outra comunidade.

Apesar disso, eles ainda conseguem parar e se divertir. A cena da guerra de neve no final é bem singela, porém entrega o sentimento de esperança, amizade e amor para com todos que permanecem vivos. E todos são gratos por esse misto de sensações.

Pena que este lado mais emocional foi a única parte mais chamativa do episódio, uma vez que não foi o suficiente para torná-lo adequado para os padrões de um término de temporada. Ao se permitirem desacelerar a trama, perderam a chance de instigar os telespectadores para a décima temporada. Nem o retorno de alguém respondendo no rádio criou uma expectativa esperada digna de deixar as pessoas sedentas para outubro deste ano.

Quando uma série introduz um vilão icônico com uma interpretação fantástica é natural que mantenham-no nesse papel de antagonista durante uma ou mais temporadas. Isso ajuda a conhecer o personagem melhor e tentar ao menos entender suas motivações. Além disso, inicia-se o processo de sua humanização.

Conhecendo-o mais a fundo, permitimos simpatizar com esse ser que até então tínhamos criado ódio e rancor. Supernatural teve Lucifer e Crowley. The Originals teve Klaus. The Walking Dead tem Negan. O status quo dele deu uma guinada que nem parece ser a mesma pessoa que assassinou de forma brutal Abraham e Glenn com a ajuda de Lucille. Não posso reclamar, porque adoro Jeffrey Dean Morgan. Porém, ao longo do tempo, fica cansativo esse tratamento. Negan continua preso, mas até quando? O perdão virá algum dia? Em breve saberemos.

Num panorama geral, a nona temporada pode ser considerada de regular a boa com uma presença imponente dos Sussurradores que trouxeram sensação de perigo a todo instante. Apesar de descrente e assistindo por questão de honra, fico na esperança de uma temporada classificada como boa a ótima. Caso contrário, a tendência é chegar num nível de zumbificação completa.

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Tela Quente

Chorar de Rir: Só deu para chorar…

Partindo de uma opinião muito particular, acredito que a comédia seja um dos gêneros mais difíceis de se fazer atualmente no cinema. Apesar de termos uma quantidade enorme de filmes neste estilo, não é difícil encontrarmos vários que não nos arrancam nenhuma risada. Textos que abrangem o humorismo tendem a ser complexos por trabalharem com diversas possibilidades – a história pode seguir um rumo mais físico, referencial, ou até mesmo escatológico, dependendo da sua proposta. Outro fator é a contínua adaptação em relação ao público, há certas piadas e momentos que não funcionam como antes. Entender o seu público, o tom e ritmo da história, além do timing entre as cenas e os próprios personagens resultam na dificuldade de trabalhar com o gênero.

Sabendo deste desafio, diversas obras caem na generalidade em pouco tempo de tela. A falta de criatividade, a não habituação aos novos tempos, etc, são exemplos do que pode ocorrer em filmes genéricos. E, obviamente, Chorar de Rir cai direto nesta zona. Não só por entregar uma comédia sem a menor graça, como também apostar tanto no passado e ignorar o presente promissor.

Leandro Hassum (Nico Perequê) é um comediante famoso que ganhou diversos prêmios pela carreira. Além de ter um programa bastante conhecido – este, que é o Chorar de Rir – Nico mantém uma estabilidade financeira e social. Porém, ele se depara com o distanciamento existente entre o cômico e o dramático no âmbito profissional. Seu trabalho artístico é menosprezado enquanto atores dramáticos são exaltados, e suas obras, valorizadas. O desenrolar da trama conta com Nico tentando mostrar sua capacidade artística para o drama, mesmo que isso custe toda sua fama e dinheiro.

A premissa parte de um argumento válido e coerente. Talvez a única coisa que se salve é a reflexão feita nos minutos iniciais, mesmo que esta desapareça ao longo da trama. O mundo artístico está recheado de preconceitos de diversos tipos, e há uma clara supervalorização do drama, enquanto a comédia vira sinônimo de passatempo e diversão. Tal olhar para com os filmes cômicos prejudica o cinema de modo geral. Desvalorizar a qualidade e capacidade artística de um determinado gênero é virar as costas para inúmeras possibilidades críticas, analíticas e sentimentais. Não é só fazer rir, mas também pensar, refletir, criticar, se inspirar, sonhar, entre tantas outras.

O parágrafo anterior foi uma tentativa falha de tentar aumentar o significado do fraco Chorar de Rir. Apesar de abordar alguns questionamentos, a discussão depende absolutamente do espectador. O filme, em nenhum momento sequer, levanta o assunto com autoridade e parcialidade, tornando-se covarde ao dizer quase nada e, além disso, criar uma incoerência assustadora no final. Deixando de lado qualquer substância dentro do roteiro, ficamos com pouca coisa para falar sobre.

Leandro Hassum sempre foi um dos grandes humoristas do Brasil. Seu humor está entre o pastelão e o físico, sendo uma mistura muito bem-vinda entre os dois estilos. Porém, nada do filme se aproveita do seu talento, criando um personagem sem identidade e graça. A falta de criatividade fica nítida quando Chorar de Rir usa seu protagonista para gritar falas e piadas a todo momento, porque o ator parece não se afeiçoar com a trama, forçando excessivamente a comédia física – que está bem ultrapassada.

E o principal problema, causador de todos os outros, é justamente a implicância com um mesmo tipo de comédia, deixando tudo nas costas de Hassum. Enquanto temos outros personagens que tinham um potencial maior e, mesmo não sendo engraçados pelo limitado roteiro, conseguem arrancar alguma risada, o diretor Toniko Melo prefere estruturar toda sua narrativa ao redor do humor mais antigo e ultrapassado do momento. Não estou julgando a importância do elemento físico, mas o filme pecou em não explorar coisas mais atuais. “Habituação aos novos tempos”, como disse anteriormente.

Vivemos em um mundo diferente, conectado, repleto de vídeos, gifs, stickers, etc. Memes, stand-ups e montagens tomaram proporções gigantescas. As referências se tornaram mais comuns com tantas marcas, programas e sites existentes nos dias de hoje. O Porta dos Fundos, por exemplo, é um projeto que deu certo no YouTube por trazer o mix entre o humor negro, satírico e físico, rodeado pelas referências mais inusitadas: de nomes na Coca-Cola, até o próprio restaurante Spoleto.

Chorar de Rir conta com o fantástico Rafael Portugal, do próprio Porta. Falas mais ágeis e imprevisíveis são marcas da própria veia cômica provida pela internet, e Portugal deixa bem claro dentro da história, criando a única cena engraçada dentro de 1 hora e 43 minutos. Contudo, seu personagem é completamente esquecido e aparece por pouquíssimo tempo. Outro expoente da internet, Caito Mainier, comanda um programa de fofoca, Fama News, que funciona como uma sátira a todos os programas que abordam o dia a dia de famosos e celebridades. Achou que eles iriam aproveitá-lo? ACHOU ERRADO, OTÁRIO.

O que vemos é uma constante e excessiva necessidade de exaltar o passado, ignorando o potencial do presente, resultando em uma obra fraquíssima e nada engraçada. Ah, lembra-se daquela discussão abordada no começo? Então, ao invés de provar a existência do valor artístico da comédia, o roteiro vai para o lado contrário, deixando uma incoerência enorme entre a problemática proposta e sua conclusão. Finalizando com um discurso bonitinho, mas pouco inspirador, Chorar de Rir deixa um gosto amargo na boca. Deve-se respeitar o passado com toda a certeza, mas precisa saber a hora de colocar o presente em campo.

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Gameplay Games

Review | The Division 2

The Division 2 se passa no mesmo universo do seu antecessor. O Veneno Verde acabou com o Natal em Nova York, e agora Washington D.C é o próximo alvo. A sua missão como membro da Divisão é gerenciar a cidade para que ela não entre em colapso total.

Podemos dizer que The Division 2 é um exemplo a ser seguido. Depois de uma campanha um pouco fraca do jogo anterior, que sofreu muito inclusive com suas missões de preenchimento e conteúdo extra que nunca conseguiu a atenção que gostaria. Foi preciso uma série de erros para que aqui tivéssemos tudo para fazer com que essa sequência fosse digna, e poder ser um jogo superior. É claro que não é totalmente perfeito, mas poder contribuir de forma positiva para se destacar, depois de uma série de problemas, é muito bom jogar algo incrivelmente divertido.

Se olharmos o que The Division 2 nós traz, vemos que é mais do que veio antes, porém entendendo sua proposta e seus limites. É um shooter convincente, na terceira pessoa, focado no cooperativismo com quatro facções diferentes e desenvolvendo habilidades, e uma série de equipamentos que complementa sua gameplay. Mas é o fato de você se sentir parte de tudo o tempo todo, de você enxergar suas ações refletindo no que acontece na cidade, em vez de simplesmente deixar as coisas abertas sem profundidade que torna o mais recente mundo aberto da Ubisoft uma delícia para explorar e lutar. O mundo reage à sua ação e se desenvolve de acordo com tudo que você realiza. Há muito o que fazer aqui.

Seu objetivo é tecnicamente simples, recuperar o controle de Washington D.C., de três facções e ajudar os cidadãos que restaram a terem um pouco de paz nesse momento sombrio da sociedade, mas isso envolve recuperar os Pontos de Controle, acabar com as fortalezas inimigas e lentamente acumular armas e equipamentos. As habilidades são particularmente gratificantes, o que na verdade são gadgets para usar em combate. Eles variam de uma minas explosivas, drones, a escudos balísticos.

Quanto mais você se sente cercado pela ambientação de The Division 2, mais você percebe o quão longe você pode chegar aprimorando seu estilo de jogo, através de suas habilidades, assim como a maneira que você trabalha em equipe, dentro de um esquadrão. Sua gameplay solo pode funcionar, mas em questão de esquadrão misturar as habilidades para fazer mais com o time é a premissa do jogo. Algo como aconteceu em Ghost Recon; Widlands. O jogo faz com que você queira jogar como uma equipe nas maiorias das missões.

The Division 2 lida incrivelmente bem com o ritmo de suas missões principais, com momentos de ação e combates que constantemente fluem a história de uma forma que é surpreendentemente incrível. Suas missões principais se desenrolam através do mundo aberto, que está espetacular, com um design de nível que consegue transmitir toda a atmosfera mórbida e conceber um espetáculo visual. O fato de que o The Division 2 consegue fazer esse tipo de enredo linear dentro de uma estrutura de mundo aberto, se assemelha ao clássico Assassin’s Creed, um mundo aberto atraente é seriamente aplaudível, mesmo que a repetição de missões seja ainda um problema quando falamos de jogos com essa característica linear.

Se você considerar que uma cidade baldia pós-pandêmica pode ser considerada bonita, através de um trabalho incrível da equipe de design, é um pouco vergonhoso que isso tente se conectar com um enredo fraco. As várias interações com alguns personagens secundários, que deveriam dar mais profundidade ao caos instaurado na cidade, parece não se encaixar no contexto do jogo, não há realmente muita história para se falar, uma cidade que foi devastada tanto por doenças quanto por tumultos e combates, nenhum de seus bastidores é explorado de maneira apropriada.

A questão da interação dos personagens e a falta de profundidade emotiva com o que acontece na cidade, é praticamente a única coisa que impede que o The Division 2 seja um jogo completo, porque tudo o que ele tem para oferecer, está acontecendo desde o primeiro segundo de gameplay, do início ao fim do jogo. Você pode não estar preparado para as mudanças que acontecem no decorrer do jogo, mas acredite, vale a pena. Os inimigos não se importam com isso e vão tentar destruir tudo que você luta para proteger. E óbvio que aqui também há a Dark Zone do PvP para explorar, com vimos no original, mas desta vez são três. Entretanto um pouco diferente do que conhecemos antes. Ainda é extremo, é claro, mas é uma grande mudança de ritmo na área principal de Washington D.C..

VEREDITO:

As equipes da Ubisoft realmente conseguiram fazer de The Division 2 um shooter impressionante, e satisfatório. Porém devido ao seu imenso universo co-op, pode ser que Washington D.C. acabe para a maioria dos players, mas aproveitar e se divertir com tudo que a cidade tem para oferecer vai mante-lo ocupado por um bom tempo.

PONTOS POSITIVOS

  • As progressões dão resultados na cidade
  • Jogabilidade
  • Design de produção de alta qualidade

PONTOS NEGATIVOS

  • História pouco desenvolvida, assim como a interação com os NPC´s
  • Funciona melhor em co-op

SELO: OURO – RECOMENDÁVEL

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Cinema Detective Comics Quadrinhos

Hellboy Day! O novo filme do Hellboy e as referências aos quadrinhos

O novo filme do Hellboy, criação máxima do quadrinista Mike Mignola, chegará em breve aos cinemas, onze anos após a última adaptação cinematográfica do Garoto do Inferno, situada em universo que possui tom de “contos de fadas” pelas mãos do diretor Guillermo del Toro. Quais serão as expectativas com relação ao novo filme, denominado como um remake do personagem?

A nova película é dirigida por Neil Marshall com roteiro de Andrew Cosby. David Harbour assume o papel do protagonista, substituindo Ron Perlman, e o elenco também conta com Milla Jovovich (no papel de Nimue), Ian McShane (Trevor Bruttenholm), Sasha Lane (Alice Monaghan), Daniel Dae Kim (Ben Daimio) e Thomas Haden Church (Lagosta Johnson). E com tantos personagens, com base no que foi apresentado até o momento em dois trailers, quais serão as principais semelhanças com os quadrinhos?

Abaixo, listaremos alguns pontos que remetem diretamente aos gibis do Hellboy, publicados nos EUA pela Dark Horse Comics e trazidos ao Brasil pela Mythos Editora. Vale lembrar que a semelhança pode ser puramente visual ou situacional, entretanto, todas podem vir a deixar um fã do personagem cada vez mais feliz. Também é importante ressaltar que o texto abaixo pode conter spoilers.

Você pode conferir todos os detalhes acerca do universo do Hellboy em nosso Guia de Leitura completo, clicando aqui.

A origem de Hellboy

O filme deverá reapresentar a origem  do HB. Trazido à Terra pelas mãos de um grupo de cientistas nazistas liderados por Rasputin, o experimento trouxe o Garoto a este plano por engano. Nos quadrinhos, Hellboy foi invocado pelo Mago Louco, porém surgiu próximo às tropas americanas. O filme, com base no que foi apresentado nos trailers, retomará este momento tão icônico da saga do personagem, mostrada em detalhes no arco Sementes da Destruição e retomada por Astaroth em Hellboy no Inferno.

Trevor Bruttenholm

Pai adotivo de Hellboy, Trevor é o cientista responsável por acolher o recém-invocado Hellboy após o experimento de Rasputin. Um pai amável, Bruttenholm é responsável pela boa índole humana presente na personalidade do garoto. No filme, será vivido por Ian McShane, e a relação do herói com seu pai será levemente conturbada. Trevor aparenta ser bem mais áspero no longa em comparação com sua persona nos quadrinhos. O filme será uma adaptação dos arcos O Clamor das Trevas, Caçada Selvagem e Tormenta e Fúria. Neste momento da cronologia do Hellboy nos quadrinhos, Trevor já está morto há bastante tempo, e esta será uma das mudanças do filme.

B.P.D.P

O Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal (B.P.D.P.) é a organização para qual Hellboy prestou serviços durante muito tempo de sua vida. Fundada na década de 40 por Trevor Bruttenholm, a organização atua no combate e na pesquisa de fenômenos estranhos. A importância do B.P.D.P. para a mitologia de Hellboy é sem precedentes, e a organização privada é tão famosa que possui histórias em quadrinhos próprias. HB decidiu demitir-se do B.P.D.P. após os eventos da história O Verme Vencedor, passando por um momento de viagens pela África logo em seguida. Diversos agentes do Bureau conquistaram os fãs, destacando-se Abe Sapien, Liz Sherman, Roger e Johann Krauss, boa parte deles presentes nos dois primeiros filmes do personagem. O que nos leva aos próximos assuntos:

Ben Daimio e Alice Monaghan

No filme, Sasha Lane e Daniel Dae Kim viverão os personagens Alice Monaghan e Ben Daimio, respectivamente. Ao que tudo indica, ambos serão agentes do B.P.D.P. que ajudarão Hellboy nesta aventura. Nos quadrinhos, Alice foi salva quando bebê, após ter sido sequestrada por fadas. Apesar disso, Alice continuou a conviver com as criaturas mágicas enquanto crescia, e isso afetou sua vida de forma que ela quase não envelheceu mesmo após 50 anos. As ações de Hellboy envolvidas no resgate de Alice na história O Corpo vieram a afetar o futuro de forma grandiosa na trilogia Clamor das Trevas, Caçada Selvagem e Tormenta e Fúria. Alice é também interesse amoroso do herói nos quadrinhos, e no filme ela será uma agente do B.P.D.P. que ganhou alguns poderes mágicos após o sequestro.

Ben Daimio é outro agente do Bureau. Considerado morto pela Marinha dos Estados Unidos, Daimio sofre de uma maldição que o transforma em uma criatura similar a um jaguar. O incidente que deixou a cicatriz em seu rosto (durante uma missão na Bolívia) também o matou, mas após três dias, quando levado para a autópsia, Ben retornou ao plano consciente após ter tido visões de um espírito de jaguar que disse que sua nova vida havia começado. Nos quadrinhos, o personagem já está morto – desta vez, definitivamente.

Os vilões

O filme contará com uma verdadeira galeria de criaturas e inimigos do Hellboy. Os personagens listados abaixo marcaram presença em diversas histórias e arcos do herói nos quadrinhos, destacando-se: Hellboy no México, Clamor das Trevas, Caçada Selvagem, Tormenta e Fúria, O Corpo e O Despertar do Demônio.

Caçada Selvagem

Caçada Selvagem é um dos principais arcos do Hellboy. Nele, o herói se envolve com os chamados Caçadores Indômitos para participar de uma busca e extermínio de gigantes que retornaram às terras inglesas. É revelado que até mesmo Trevor Bruttenholm fez parte do grupo, e o chefe do pelotão utiliza o elmo de veado representando Herne, o deus das caçadas. Visando impedir que Hellboy ocupasse o trono da Inglaterra (por ser descendendo direto do Rei Arthur), o grupo trai o herói, tentando assassiná-lo.

Tanto nos quadrinhos como no filme, a convocação de Hellboy vem por parte do Clube Osíris, que possui história ligada a Irmandade Heliópica de Rá.

Gigantes

Após os eventos descritos acima, Hellboy se depara com gigantes reais. Ao lutar contra eles, o herói é tomado por uma fúria interminável, que o faz cometer um massacre e desmembrar os monstros com uma espada. Possesso, Hellboy começa a liberar seu lado “destruidor de mundos”, o chamado Anung Un Rama, após entrar em êxtase causada pelo derramamento de sangue. Entretanto, ele consegue retomar os sentidos. O evento acaba por marcá-lo profundamente.

Gruagach/Grom

Tendo estreado pela primeira vez na história O Corpo, e sendo uma figura diretamente ligada às origens de Alice Monaghan, Gruagach é peça central de parte da mitologia do universo de Hellboy. Um antigo guerreiro capaz de se metamorfosear em outras criaturas, após cair em desgraça gerada por engano ao se apaixonar, Gruagach foi o bebê que substituiu Alice quando ela foi raptada. Descoberto por Hellboy, que o tratou de forma cruel, o monstrinho se fundiu ao monstro Grom e assumiu a forma pela qual ficou reconhecido nos quadrinhos e estará presente no filme (um suídeo ambulante). Gruagach foi responsável pelos eventos que desencadearam a morte de Hellboy (na trilogia já citada neste post, de Clamor das Trevas à Tormenta e Fúria), tendo invocado Nimue.

Nimue

A principal antagonista do filme, Nimue (Milla Jovovich) desempenha papel importantíssimo na mitologia dos quadrinhos. A Rainha de Sangue, invocada por Gruagach e outras criaturas, foi a maior bruxa que existiu na Inglaterra. Nimue está ligada diretamente às Lendas Arthurianas, que desempenham papel crucial no passado de Hellboy. Tornou-se insana após perder o controle sob influência dos Ogdru Jahad, a entidade cósmica que é a vilania suprema dos quadrinhos. A feiticeira foi invocada (esta estava presa em um caixote, tendo sido desmembrada) após Hellboy banir Hecate, a antiga líder das bruxas, da existência. Nimue serviu de receptáculo para os Ogdru Jahad, e ao final do arco Tormenta e Fúria, arrancou o coração de Hellboy, matando-o.

Baba Yaga

Outra figura central da mitologia de Hellboy, Baba Yaga é uma bruxa do folclore russo, que vive dentro de uma casa com pernas de galinha. Na história que leva seu nome, Hellboy encontrou Baba Yaga (que estava sequestrando crianças) e foi o responsável por atirar em seu olho esquerdo, tornando-a caolha. Ela retornou posteriormente no arco O Despertar do Demônio, e teve papel de destaque na história O Clamor das Trevas. Entretanto, sua presença sempre esteve ligada a algumas histórias, seja em menção ou epílogos. A personagem é, talvez, a bruxa mais conhecida pelos fãs do personagem, se destacando no universo do HB.

Hellboy no México

Uma das cenas do trailer destaca Camazotz, um lutador com aspecto de morcego que Hellboy enfrentou enquanto esteve no México em 1956. Nesta aventura, Hellboy se envolve com luchadores em uma história completamente descompromissada, cheia de bebedeiras, cenas sem noção e a espetacular arte de Richard Corben. A luta com Camazotz é o momento-chave da história, que fez tanto sucesso (e foi tão bem-quista pelos autores), que posteriormente Mike Mignola e Corben inseriram HB novamente numa aventura mexicana. Camazotz é revelado como um dos irmãos luchadores (o mais novo) que havia desaparecido, e acabou morrendo pelas mãos do vermelhão – após este ter descoberto a forma monstruosa de Camazotz -, retornando então à forma humana.

Excalibur

Os trailers apresentados ao público até então também trazem outros elementos dos quadrinhos, tal qual a espada Excalibur (sim!) e Hellboy como destruidor do mundo após assumir sua sina demoníaca. Nas HQs, a espada Excalibur está ligada a todo o passado da mãe humana de Hellboy, a bruxa Sarah Hughes, descendente do Rei Arthur por parte de Mordred, o filho bastardo de Arthur com Morgana Le Fay. No arco Caçada Selvagem, toda a linhagem histórica da família humana de Hellboy é peça central da trama, e a decisão de assumir o posto de rei paira sobre a cabeça do herói durante um bom tempo. Como rei, Hellboy poderia liderar o exército de Arthur contra as forças do mal de Nimue.


E as inspirações para o filme não aparentam ser somente essas! A equipe criativa por trás do novo longa foi fundo nas pesquisas para montar um roteiro que una diversos pontos-chave da mitologia do Garoto do Inferno, podendo ter mais surpresas na manga esperando para o dia da estreia, que está marcada no Brasil para 16 de maio de 2019.  O herói da infância de Hellboy, Lagosta Johnson (vivido por Thomas Haden Church), ainda não foi mostrado nos trailers e clipes, por exemplo. E então, ansiosos?

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Salvar pessoas! Caçar coisas! O negócio da família! 15° temporada de Supernatural será a última

Os Winchester finalmente vão se aposentar da caçada!

O anúncio foi feito pela emissora CW nesta sexta-feira e claramente, chegou de surpresa por boa parte dos fãs que continuam assistindo a série. Uma vez que o principal pensamento era de que a produção de longa data ainda teria mais gasolina para gastar no Impala.

Os produtores executivos Robert Singer e Andrew Dabb divulgaram a seguinte declaração sobre o final de SPN:

”Primeiramente, gostaríamos de agradecer a todas as pessoas que estiveram envolvidas no programa, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Para nós, foi uma experiência de toda a vida. O apoio que temos da Warner Bros Television e da The CW tem sido incrível. Gostaríamos de agradecer especialmente a Jensen, Jared e Misha por tornar esta jornada tão especial. Agora é mais importante para nós dar a esses personagens que amamos o que eles merecem.”

Além disso, as estrelas Jared Padalecki, Misha Collins e Jensen Ackles se uniram para fazer o anúncio em um vídeo compartilhado em suas mídias sociais.

A 14° temporada está sendo exibida atualmente e recentemente, Supernatural alcançou o episódio de número 300.

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O retorno às origens de Martin Scorsese

Martin Scorsese é um dos melhores diretores vivos atualmente. Sua contribuição ao cinema é inegável e lendária, e basta conferir sua filmografia e constatar a quantidade de obras excepcionais que esta contém. Porém, tal sequência inacreditável de ótimos filmes não foi ao acaso ou pela sorte. Obras cinematográficas, de modo geral, são constituídas através dos olhares e interpretações de diretores e roteiristas. Nós, espectadores, veremos o que eles querem nos mostrar ou dizer; óbvio que a interpretação e o impacto dependem do público (outro fator fundamental), mas a construção estética e argumentativa está centrada nos pensamentos dos respectivos autores.

Dito isso, Scorsese sempre trabalhou em filmes as próprias percepções diante da realidade. Nascido em Nova York e tendo vivido grande parte da infância em Little Italy, tinha duas rotinas no seu dia a dia: ir ao cinema e à igreja. Obviamente que a primeira opção de profissão foi ser padre, mas as coisas, como sabemos, foram se desvirtuando aos poucos. Martin sempre foi amante e apaixonado pelo cinema, o documentário A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies (1995) explora esta paixão. Depois de estudar na escola de cinema da Universidade de Nova York, seu trabalho passou a ser de dirigir alguns curtas enquanto ia descobrindo seu potencial.

Aos poucos começou a se arriscar e lançar longas-metragens. Who’s That Knocking at My Door (1968) e Boxcar Bretha (1972) foram os primeiros, até chegar em Mean Streets, de 1973. Apesar de Boxcar Bretha já ser um filme do gênero policial, Mean Streets é a consolidação máxima da visão de Martin sobre máfia, criminalidade e o subúrbio de Nova York – em Little Italy, bairro em que viveu. Sendo assim, é através deste exemplo que conseguimos notar a conexão existente entre as suas experiências e as implicações de seus filmes.

O gênero policial, o drama, a criminalidade, o sistema mafioso, a sujeira e o pessimismo exalados pelo subúrbio, estão intrínsecos na mente genial do diretor. Nota-se como a vida de Travis Bickle – interpretado maravilhosamente por Robert De Niro, já chegamos nele – e os cenários ao seu redor, são retratados em uma perspectiva pessimista e desacreditada em Taxi Driver (1976). Ou como o sistema fraudulento de cassinos é desmistificado e exemplificado em Cassino (1995). Até em Os Bons Companheiros (1990), quando acompanhamos a infância e o crescimento inteiro de Henry Hill (Ray Liotta) dentro da máfia. Estes são apenas alguns exemplos das diversas e variadas formas que ele consegue encaixar novas visões no mesmo foco temático.

Embora esteja constatada a qualidade para abordar esses elementos na linguagem cinematográfica, não há como deixar de lado algumas figuras que construíram suas carreiras ao lado dele; sendo elas: Robert De Niro, Joe Pesci e Harvey Keitel, prioritariamente, mas não esquecendo da ascendência de Jodie Foster, ou do crescimento de Leonardo DiCaprio.

De Niro e Scorsese poderiam se dizer irmãos, porque ninguém desconfiaria. Tantos filmes que estes dois trabalharam juntos, entregando coisas indescritíveis e inesquecíveis, que não iria se estranhar algum vínculo familiar. O jeito que se conduz atores/personagens é único. Dar liberdade ao ator para improvisar e, consequentemente, se conectar com o personagem, é um primeiro passo arriscado, mas corajoso, que sempre adotou nas gravações. Visto que há domínio na condução do elenco, fica nítido o porquê de tantos artistas se destacarem após trabalharem com ele. Robert DeNiro foi seu braço direito por muito tempo, até se consolidar como o grande ator que conhecemos.

Joe Pesci e Harvei Keitel são outras pérolas providas da filmografia de Scorsese. O primeiro filme de Keitel foi o próprio Who’s Knocking At My Door, e continuou atuando em outras histórias que abordavam crimes e máfias. Se destacou por iniciar a carreira junto a do diretor e depois, apesar de não trabalharem mais juntos, amadurecer em papéis importantes como em Thelma & Louise (1991), Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction (1994), entre outros. Joe Pesci, contudo, teve seus principais personagens nos próprios filmes do senhor Scorsese: Cassino, Os Bons Companheiros e Touro Indomável. Sua atuação se separava em duas habilidades: entonação dos diálogos e repetição de fuck’s por segundo. É inigualável como Pesci entende o comportamento, o modo de dizer e entoar, além dos trejeitos do arquétipo de mafiosos.

Entretanto, Martin não se afirmou através de um só gênero. Os filmes foram se diversificando ao decorrer do tempo, temos A Última Tentação de Cristo (1988) – retrato bastante pessoal sobre a história bíblica – até O Lobo de Wall Street (2013), que abordou de forma complexa e frenética a vida corruptiva do mundo dos negócios. O único elemento que sempre esteve inerente em todas as histórias é a abordagem íntima com os personagens e as narrativas. Todos os roteiros, na mão dele, são traduzidos de maneira didática e contextualizada. Estamos aprendendo a cada assistida, e impressiona a quantidade de conhecimentos difundidos. Seja sobre máfia, religião, business ou o próprio cinema (A Invenção de Hugo Cabret (2011) prova isso), possui todos os assuntos na palma da mão.

Colocando o presente em análise, o século XXI nos registrou como um diretor, de décadas passadas, possa fazer cinema nos dias de hoje modernizando técnicas e linguagens, porém, nunca perdendo a identidade. Os próprios O Lobo de Wall Street e Ilha do Medo (2010) exemplificam a energia e o fôlego inovadores na estruturação dos ambientes e personagens. E tal modernização fica notória em Os Infiltrados (2006), que se tornaria o último filme de máfia por um longo período.

Remake de Mou Gaan Dou (Conflitos Internos, 2002), obra chinesa, Os Infiltrados funciona como uma homenagem a toda a carreira construída até aqui. Uma linguagem moderna e atual, auxiliada pelas experiências acumuladas em mais de trinta anos resultaram em um dos melhores filmes do gênero do século. O conflito entre os personagens, a dualidade moral entre polícia e máfia, além da violência física e psicológica, demonstram o domínio de todas as etapas cinematográficas. E, finalmente, depois de tantas injustiças, Martin Scorsese ganha o seu merecidíssimo Oscar, em 2007, de Melhor Diretor. Os Infiltrados também ganhou de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

Agora, em 2019, fará quase 13 anos sem um filme como Os Infiltrados no cinema. Tanto tempo sem o gênero policial maduro, que sempre nos presentou, faz muito mal ao cinema nos dias de hoje. Mas parece que a espera irá acabar. Foi anunciado, pela Netflix, The Irishman, adaptação do livro I Heard You Paint Houses. Previsto para estrear no final desse ano, a obra, além de muito promissora, parece ser o retorno às origens de tudo o que nós vimos durante décadas. Não é uma homenagem ou a celebração de toda uma história, é o acúmulo inacreditável, e nunca visto, de experiências dentro do cinema americano.

O retorno do seu braço direito, Robert De Niro, a volta da aposentadoria do fucking Joe Pesci e, juntando com o cara que iniciou tudo, Harvey Keitel, The Irishman é o Vingadores: Ultimato da vida de Martin Scorsese. É o cúmulo de toda a filmografia baseada na vida e história do próprio. E, mesmo assim, após diversas películas com o mesmo foco temático, podemos ter certeza que teremos novas visões e perspectivas, porque há uma extrema agilidade e versatilidade em explorar as potencialidades do sistema mafioso e dos dramas pessoais existentes nos personagens.

Tem como ficar melhor? Sim, por incrível que pareça. Outra adição incrível no elenco é o famoso, o talentoso e o mestre, Al Pacino. Um dos maiores e melhores atores da história, além de estrelar a trilogia do O Poderoso Chefão (1972), – ápice na vida de qualquer ator – Pacino tem o mesmo sangue nas veias. Sua contribuição para o gênero policial, e as interpretações de diversos mafiosos e criminosos, foram o ponto máximo da profissão. Scarface (1983) e O Pagamento Final (1993) são grandes exemplos disso.

Bem, se temos este elenco admirável e extremamente capaz, podemos esperar outro grande filme. Além disso, temos um dos – e repito mesmo – maiores diretores do século XX e XXI, Martin Scorsese, coordenando o projeto. Portanto, talvez estejamos próximos de mais uma obra-prima do diretor, que traduziu sua vivência e suas experiências em obras humanas, pautadas na realidade nua e crua, provando a marca autoral existente no Cinema.

Ah… e se for ruim? Como diria Joe Pesci: Foda-se, o cara tem crédito.