Serial-Nerd

Winterfell enche os telespectadores com reencontros, mas mantém uma certa inércia.

Última temporada terá seis episódios.
Escrito por Tassio Luan

Quando a gente se depara com uma série com o pacote reduzido de episódios do que estamos acostumados a acompanhar em emissoras abertas como CW e ABC, é completamente natural que a trama dê aquela acelerada para movimentar seus diversos plots permeando por situações mais calmas para preparar o terreno para algo. Com todo o hype de quase dois anos sendo guardado pelos fãs, Game of Thrones opta por desacelerar o ritmo e como consequência, gerou um efeito frustrante.

Winterfell começa com uma singela homenagem ao Piloto da série (Winter is Coming), onde a comitiva de Daenerys Targaryen chega sob olhares curiosos e ranzinzas dos nortenhos. Lembrando bem da chegada de Robert Baratheon para rever seu amigo Ned Stark. Trazendo um pouco de nostalgia quando tudo ainda estava calmo demais. Como se estivéssemos diante daquele velho amigo que não conversamos há anos. E este episódio abusou bastante deste recurso.

Tendo que lidar com apenas seis episódios em sua temporada final e precisando iniciar os preparativos para a grande Batalha em Winterfell, presenciamos uma sequência de reencontros que foram jogados para os telespectadores sem cerimônia. Como se tivessem o intuito de se livrar desse lado mais emocional para focar naquilo que importa para a trama. Por conta disto, o mais bonito e esperado foi de Jon e Arya. Algo que esperávamos há anos finalmente aconteceu e não decepcionou. Já outros foram bem mais apáticos e abordados como se os personagens tivessem se visto antes desse momento.

A função de promover esses reencontros além do fator emocional, também serve para fechar as famosas pontas soltas. Jaime e Bran é o exemplo mais claro disso. Como o primeiro imaginaria que aquele garoto que caiu da torre conseguiria sobreviver? Jaime já recebeu sua redenção numa trajetória maravilhosa após perder a mão, mas faltou exatamente isso. E podemos fazer nossas apostas para Theon rever Bran desde os eventos do cerco em Winterfell?

Não queria, mas precisamos falar de Jonerys. A sétima temporada tratou de jogar esse fanservice de uma forma abrupta e infelizmente, esse caminho continuará sendo feito aqui. Enquanto o Rei da Noite segue com sua marcha em direção a Winterfell, nossos pombinhos possuem tempo para brincar de entra-no-meu-castelo em paisagens nortenhas e voar num pega-pega com Rhaegal e Drogon.

O que era para ser emocionante ao ver Jon Snow/Aegon Targaryen montando no dragão nomeado em homenagem a Rhaegar Targaryen, seu pai, acabou sendo ofuscado pelo romance açucarado do nosso casal principal. Mesmo que Rhaegal tenha reconhecido a linhagem de seu montador, não tira o fato que essa cena foi preguiçosa. Nem vou entrar no mérito de Daenerys não ter sequer colocado na cabeça o fato que Snow era um parente depois dessa empreitada.

A revelação sobre a sua linhagem só trará a verdadeira tensão nos próximos episódios, pois aqui não surtiu muito bem o efeito desejado. A pressa se torna um grande vilão de desenvolvimento quando não é trabalhado da forma certa. Ou seja, não esperaram uma cena grandiosa para a revelação na frente de todos para deixar aquela estática sinistra e o puro silêncio. Claro que podem seguir por este caminho, o que esperaria muito que acontecesse. Porém, com a limitação de episódios, capaz de encerrarem do mesmo jeito que iniciaram. Só nos resta esperar e torcer que não façam da pretensão deles uma brincadeira de criança. Já não bastou Stannis com o mantra de que o Trono era dele.

Contudo, mesmo diante de cenas questionáveis, fomos agraciados com a cena de puro horror com a criança da Casa Umber que tinha retornado para a Última Lareira para trazer o seu exército. Muito bem executado e mostrando que Rei da Noite não está de brincadeira. Vimos também que Cersei continua excelente amiga do vinho e segue aliada a Euron Greyjoy junto com a Companhia Dourada. Só com esse episódio não dá para traçar esse plot separado dela. Ainda está bem nebuloso. O mais interessante foi ver Qyburn entregando para Bronn o arco que Tyrion usou para assassinar seu pai, Tywin Lannister.

Tendo o retorno mediano e mais para situar o status quo de todos, pode-se garantir que a partir do segundo episódio o cenário começará a mudar para os preparativos a Grande Guerra.

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Sobre o Autor

Tassio Luan

Isto é um trabalho para o Superman!

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