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Loucura ou Grandeza: Os Deuses abençoaram ou amaldiçoaram Daenerys Targaryen?

“O Rei Jaehaerys disse-me um dia que a loucura e a grandeza eram dois lados da mesma moeda. “Sempre que um novo Targaryen nasce”, disse ele, “os deuses atiram uma moeda ao ar e o mundo segura a respiração para ver de que lado cairá.”

–  Sor Barristan Selmy (Arstan Barba-Branca) em Tormenta de Espadas.

Essa tradição foi tema do diálogo entre Tyrion e Cersei ainda na segunda temporada da adaptação televisiva.

https://www.youtube.com/watch?v=9kejw3PgapM

Um dos privilégios de George R.R. Martin em sua longa escrita é permitir que sua narrativa não seja algo simples. Seus personagens possuem camadas para serem descobertas pelos leitores e como consegue chamar atenção pela riqueza de detalhes sobre o passado do Mundo Conhecido e as principais Casas. O grande exemplo é a Casa Targaryen.

Desembarque de Aegon I aconteceu junto com suas irmãs-esposas, Visenya e Rhaenys.

Tendo uma duração de 300 anos, a dinastia Targaryen foi muito bem balanceada por reis e rainhas notáveis, sendo estes margeando entre a bondade, crueldade e piedade. Características estas que levaram os Sete Reinos numa tormenta (Maegor I, o Cruel) ou na paz absoluta (Jaehaerys I, o Conciliador) ou num período de fanatismo religioso (Baelor I, o Abençoado).

Essa balança permitiu alimentar a tradição do lançamento da moeda para definir o caráter do próximo que viria a sentar no Trono de Ferro. As linhas da fala de Selmy deixam bem claro como todos os habitantes ficavam apreensivos a cada nascimento. Dado ao histórico familiar, a inclinação para a loucura foi aumentando de forma gradativa a cada nova geração e podemos afirmar que esta mácula foi apresentava de formas distintas por seus portadores. Baelor I era o piedoso, porém fanático. Maegor I, Aerion, Aerys II e Viserys eram arrogantes insanos. Então, qual lado da moeda caiu para Daenerys Targaryen?

Tudo parece bastante fácil quando você possui dragões, que lhe garanta vitórias sucessivas. A confiança se transforma em arrogância e esta se torna em algo mais maligno o suficiente para apontar o dedo e confirmar que a maldição continua sendo palco de deuses cruéis. Daenerys já provou um pouco desses sentimentos ao longo da série e com o Series Finale chegando mais rápido que o Gendry bolt correndo sem parar do Além-Norte até a Muralha, a equipe criativa parece-me apressada em torná-la como seu pai, o Rei Louco.

Dany precisou somente de seis temporadas completas para amadurecer, criar um exército, passar por provações e tentar não cometer muitos erros. Até porque como conseguiria governar Westeros se não aprendesse as principais lições como uma Quebradora de Correntes por toda extensão da Baía de Escravos, certo? Ela não foi perfeita, porém deu muito de si para criar novas regras e por fim, esperar o momento certo para quebrar a tão famosa roda westerosi. Este momento chegou e vai custar quanto?

O episódio recente provou que ainda existia algo para ser tirado de nossa personagem principal e assim foi de forma brutal com Rhaegal num ataque surpresa feito por Euron Greyjoy, e no final com a decapitação de Missandei perante a um desesperado Verme Cinzento. Dany vira as costas e sai com um ódio que a chega a gelar a alma. Agora todo cuidado é pouco, pois ela se encontra num campo minado muito bem preparado por Cersei Lannister. Paz nunca foi uma opção. Agora é guerra. As duas rainhas não possuem mais nada a perder e estão dispostas a vencer. Custe o que custar.

É deste sentimento que a mácula se alimenta como um câncer e se alastra sem chance de cura. A Mãe dos Dragões está bem perto de abraçar essa insanidade que sempre esteve flertando com ela nas sombras. O Burn Them All! foi dito por Rei Louco como seu último ato extremo antes de Jaime Lannister assassiná-lo. Sua última ordem foi simplesmente trazer o fogo como o beijo da morte. Ela poderia estar repetindo a atitude do pai? Anteriormente, defenderia que jamais faria isso. Só que após a morte dos Tarly e os eventos deste episódio mais recente, não espero mais nada. Dany pode recuperar a razão e ser mais branda, enquanto acontece o cerco ou impor total medo como seus antepassados fizeram há séculos quando o céu era o palco para a Dança dos Dragões.

A disputa para o Trono ficará acirrada nestes dois últimos episódios.

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Gideon Falls | A Trinca de Terror, Mistério e Loucura do Celeiro Negro

Quando eu comecei a ler Gideon Falls – Vol. 1 – O Celeiro Negro, eu meio que já esperava o que estava por vir. O material em minhas mãos pulsava em induzir-me para uma trama de mistérios, terror e suspense. Bem, devo dizer que Gideon Falls tem um bocado dessas coisas, e tem outras coisas emboladas. Coisas boas e coisas ruins. O clima que esperamos na publicação é real. Um mistério meio que sufocante criado pelo roteirista Jeff Lemire, vai ditando uma narrativa que assemelha à filmes de suspense ou então a mais nova onda de séries de TV sombrias com o clássico Além da Imaginação. Existem momentos em que você pensa se vale a pena dá uma pausa, ir para uma outra leitura mais leve, ou então continuar. Principalmente se você ler como eu fiz as duas da madrugada. O suspense de Gideon Falls nem é tão aterrorizante assim, mas toda a sua construção, principalmente nos traços do (genial) Andrea Sorrentino, colaboram com o desenvolver de toda a trama.

A trama de Gideon Falls – Vol. 1 – O Celeiro Negro é contada a partir de duas narrativas. A do jovem Norton, ambientada em uma grande cidade, que tem em sua paranoia o Celeiro Negro, ele vive a revirar lixo atrás de artefatos ou pedaços que possam comprovar que não é louco. Ao mesmo tempo ele tem um acompanhamento psiquiátrico da jovem Dr. Xu, que com o passar da trama se vê envolvida na loucura ou possível realidade de Norton. A outra narrativa é do Padre Wilfred. Que chega na pequena cidade de Gideon Falls para substituir o antigo pároco. Wilfred é um sacerdote que tem em sua bagagem um passado nebuloso e desviado da Igreja Católica, e ficar de frente à comunidade cristã da pequena cidade, esquecida pelo mundo, lhe parece mais um castigo do que uma dádiva.

As duas tramas vão se misturando na medida em que o misterioso imóvel fantasmagórico vai fazendo suas aparições e a influência da lenda vai minando cada vez mais a história. A grande sacada de Lemire é criar a dúvida entre as duas tramas, enquanto uma vai apresentando momentos de insanidade, de conto da carochinha, a outra vai nos convencendo que o Celeiro Negro realmente existe.

Norton

O ponto negativo fica para o excesso de clichês que vão conduzindo a história. A própria dupla de protagonistas são clichês clássicos. Um padre que perdeu a fé. Um homem que não se sabe se é louco ou se está falando a verdade. Ainda temos uma psiquiatra que se envolve com o paciente, um velho que investiga o Celeiro Negro e todos o consideram maluco, uma policial emocionalmente envolvida com o mistério do imóvel fantasmagórico e que ao mesmo tempo não acredita nele e uma trama da igreja por trás disso tudo. Até mesmo um grande plot mais perto do final é meio que óbvio, mas pode parecer brincadeira, ele parece ser óbvio de propósito até. Jeff Lemire abusou de tipos que são comuns em diversas outras histórias para serem os condutores de sua trama, mas confesso que “ponto negativo” é algo meio que forte até pode soar como um baita defeito, mas o roteirista escreve muito bem os personagens, e tenta ao máximo tirar todos eles do lugar comum que geralmente são introduzidos. Essa construção do clichê para algo diferenciado se deve muito ao Sorrentino.

Padre Wilfred

Como dito aqui antes, os traços de Andrea Sorrentino são únicos. Eles ditam até as características emocionais e psíquicas dos personagens, como por exemplo Norton. Que sempre está com uma máscara cirúrgica e nunca aparece o seu rosto. O roteiro de Jeff Lemire é bem contado e desenvolvido graças as técnicas que o desenhista usa. A diagramação e os quadros ajudam nos momentos sufocantes da trama, fazendo elevar a expectativa pela próxima página. E ao mesmo tempo, nos momentos de calmaria fazem nossos olhos relaxarem. Vale ressaltar também o fabuloso trabalho de colorização de Dave Stewart. Conhecido pelas cores em Hellboy, Stewart fez das cores personagens à parte. Existem momentos em que estamos acompanhando um devaneio de Norton vendo a sua insanidade cinzenta bem ameno, ou um momento em que o Padre Wilfred está simplesmente conversando em tons pasteis atrativos para os olhos, e ao virar a página no momento de tensão em que o roteiro demanda, um tom vermelho sangue salta para cima do leitor. A colorização é uma das engrenagens que fazem o roteiro funcionar.

Eu não saberia dizer se a história que Jeff Lemire quis contar em Gideon Falls seria possível sem Andrea Sorrentino e o Dave Stewart, acho que o bolo final sem esses ingredientes ficaria sem sabor. Mas a soma dos três, vão conduzindo o leitor pela a história o segurando até o fim, valendo totalmente o investimento. Alguns leitores podem começar a leitura esperando com algo mais hardcore sendo entregue logo de início. Mas não é assim em Gideon Falls. A trama é toda uma construção, com suspense, ora com viés de terror, ora com viés psicológico.

Gideon Falls – Vol.1 – O Celeiro Negro tem formato 26,6 X 17,2 cm, 160 páginas e capa dura. No Brasil, a publicação está sendo pela editora Mino, que recentemente lançou o Volume dois.

 

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Gerard Way: da música aos quadrinhos

Nascido em abril de 1977, Gerard Arthur Way, mais conhecido apenas como Gerard Way, é hoje um dos nomes mais curiosos da indústria norte-americana de quadrinhos mainstream. Ex-vocalista da banda My Chemical Romance, Way possui um longo histórico de contato com HQs, tendo crescido no meio e sendo inspirado pelas histórias que impactaram sua vida para a escrita de suas músicas.

Alérgico a gatos e com pavor de agulhas, quem conhece Gerard Way pelo seu sucesso com a banda de rock My Chemical Romance, em atividade de 2001 a 2013, pode não imaginar a jornada do cantor até o estrelato. Antes da carreira profissional Way esteve em contato com a música desde muito cedo, na época da escola. Em paralelo com a experiência musical, durante a adolescência trabalhou em uma comic shop e até mesmo participou do Sally Jessy Raphael Show, um talk show onde o assunto abordado na ocasião foi a perspectiva de publicidade dada pelos quadrinhos aos crimes do serial killer Jeffrey Dahmer.

Aos 16 anos, Gerard Way esteve na plateia de um debate sobre quadrinhos de Jeffrey Dahmer, no Sally Jessy Raphael Show.

Seu contato com quadrinhos não-tão-mainstream se deu com a ajuda de um amigo chamado Scott. Nessa época seu encontro com tais obras foi especialmente marcado por séries diferentes do habitual como Flaming Carrot (da Renegade Press e Dark Horse Comics) e Patrulha do Destino (da DC Comics, na época escrita por Grant Morrison), entre algumas outras, sendo que esta segunda teve destaque especial em sua vida.

Sua primeira tentativa de entrar para o mundo das HQs foi com a série On Raven’s Wings, publicada pela Bonyard Press e cancelada após duas edições por conta da saída do artista do título. Way tinha apenas 16 anos neste momento.

Durante o período em que trabalhou na comic shop um evento terrível se desenrolou, quando houve um assalto e uma arma esteve apontada para sua cabeça enquanto o assaltante o pressionava contra o chão. Esta experiência trágica (e possivelmente traumática) foi marcante no futuro para a criação de parte de suas músicas e sua banda, além de colaborar com sua obsessão por assuntos relacionados a morte, algo existente desde muito cedo e que sempre ditou o tom de My Chemical Romance.

Com foco em seguir carreira no mundo dos quadrinhos, Gerard entrou para a School of Visual Arts de Nova York e graduou-se em 1999.

Crazy Jane diz ao Homem-Robô que “a vida não significa” nada. Trecho da Patrulha do Destino de Grant Morrison e Richard Case.

Influenciado por bandas como Iron Maiden, Queen, The Smiths e The Misfits, Gerard queria ser guitarrista. Sua avó, homenageada na música Helena, foi a primeira a incentivar sua carreira musical dando-lhe uma guitarra quando tinha oito anos. Ao desistir da ideia (depois de experiências ruins), manteve por um tempo o foco na carreira artística até, após os acontecimentos do atentado do 11 de setembro, escrever uma música que viria a se tornar o primeiro single de MCR, Skylines and Turnstiles.

O atentado mudou sua linha de pensamento e a vontade de fazer a diferença cresceu aos poucos. My Chemical Romance teve início em 2001 e no ano o seguinte o grupo lançou seu primeiro álbum. A composição da banda ficou marcada como: Gerard Way no vocal, Ray Toro e Frank Iero como guitarristas, Mikey Way (irmão de Gerard) no baixo, e o baterista Bob Bryar, com participação do tecladista James Dewees.

Three Cheers for Sweet Revenge, lançado em 2004, foi o primeiro sucesso comercial da banda (apesar de ser o segundo álbum da mesma), que desde então deslanchou completamente atingindo o ápice com The Black Parade (2006), seu álbum mais famoso e aclamado. Suas composições tornaram-se famosas por, além da temática e clipes que conversavam com muitos dos que viriam a se tornar fãs, contarem histórias completas através de letra e vídeo.

My Chemical Romance

Durante seus mais de doze anos de vida, My Chemical Romance teve certa influência nos quadrinhos e também herdou algumas características das preferências dos irmãos Way. O single Desolation Row, cover de uma música de Bob Dylan, foi lançado em 2009 e criado para estar presente nos créditos finais da adaptação cinematográfica de Watchmen, lançada no mesmo ano, dirigida por Zack Snyder e levando às telas a obra máxima de Alan Moore e Dave Gibbons.

A banda e os trabalhos artísticos ajudaram Gerard a lidar com depressão, alcoolismo e uso de drogas. As músicas que compuseram o álbum The Black Parade chegaram a impactar o famoso autor norte-americano Grant Morrison (ele mesmo, da Patrulha do Destino), ícone da juventude de Way que posteriormente viria a se tornar seu grande amigo.

Morrison esteve em alguns clipes de My Chemical Romance, sendo um deles SING, onde viveu um ciborgue que protege os interesses de sua empresa. Em Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na), Morrison deu vida a um líder de uma banda inimiga de mascarados. Em seu livro Superdeuses, Grant tece diversos elogios às músicas do MCR e as classifica como essenciais de um determinado período artístico moderno/punk/emo.

My Chemical Romance foi oficialmente encerrada em 2013, mas durante sua carreira musical em grupo Gerard começou a produzir o que veio a se tornar sua série de maior sucesso: The Umbrella Academy, uma família disfuncional de super-heróis.

Em 2007 o autor começou a escrever Umbrella Academy e desenhou a versão original, que posteriormente foi redesenhada pelo artista brasileiro Gabriel Bá; o primeiro arco ganhou uma compilação pela Dark Horse Comics no encadernado Suíte do Apocalipse, trazido ao Brasil pela editora Devir.

Ganhadora do prêmio Eisner de 2008, UA herdou muito de quadrinhos como Hellboy e da já mencionada Patrulha do Destino, inserindo uma perspectiva musical que pareceu ser uma associação óbvia vindo de quem escreve esta série. Dallas, o segundo arco, foi lançado ainda em 2008 e somente após dez anos o terceiro, Hotel Oblivion, chegou às comic shops norte-americanas.

O segundo encadernado também foi lançado no Brasil, e Gerard até mesmo veio à CCXP em 2015 para painéis e sessões de autógrafos. Em 2019 a série live-action produzida pela Netflix estreou e tornou-se um grande sucesso do serviço de streaming, criando novos fãs em todo o mundo.

The Umbrella Academy na arte de Gabriel Bá.

Way, entretanto, não se limitou a produzir Umbrella Academy. The True Lives of the Fabulous Killjoys, lançada em 2013, foi uma série co-escrita por Gerard e seu parceiro e ídolo Shaun Simon, com arte de Becky Cloonan. A minissérie, publicada nos EUA pela editora Dark Horse, serve como sequência ao álbum Danger Days do MCR e possui muita influência de Os Invisíveis, outra série original de Grant Morrison. Nesta época também fez alguns trabalhos para a TV, como a direção de episódios para The Aquabats! Super Show! do canal The Hub.

Em 2014 sua estreia na Marvel Comics se deu com a série Edge of Spider-Verse, que trouxe alguns universos alternativos do Homem-Aranha aos quadrinhos. Sua história criou a personagem Peni Parker, uma garota nipo-americana que pilota uma armadura bio-mecânica chamada SP//dr.

Peni Parker foi destaque no filme animado vencedor do Oscar, Homem-Aranha no Aranhaverso, lançado em 2018 e dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, mentes criativas por trás de Uma Aventura Lego.

Peni Parker, criação de Gerard Way, foi um dos destaques do filme Homem-Aranha no Aranhaverso.

Apesar das criações constantes para o universo dos quadrinhos, após o fim do My Chemical Romance Gerard iniciou sua carreira solo em 2014 assinando um contrato com a Warner Bros. Records. Algumas de suas músicas deste período estiveram na série de TV de Umbrella Academy, tanto nos trailers quanto nos episódios propriamente ditos.

Uma de suas ideias para o nome de um novo álbum solo foi Young Animal. Apesar de sonoro, este nome não chegou a estar presente em sua vida musical e tornou-se um selo de quadrinhos da DC Comics chefiado por Gerard como consultor criativo e marcando o que viria a ser sua publicação “mais esperada” nas palavras do próprio: sua versão da Patrulha do Destino.

O selo Young Animal concretizou um dos maiores sonhos de Gerard: criar sua própria versão da Patrulha do Destino.

DC’s Young Animal teve início em 2016 com foco em relançar alguns personagens esquecidos da DC Comics visando atingir novos públicos. Com proposta similar ao que foi feito com a Vertigo, as séries apresentadas neste selo focam no experimental e na liberdade criativa dada aos roteiristas e artistas, que publicam de acordo com seus ritmos. A diferença é que além dos editores, Gerard é o curador das obras lançadas por aqui.

A primeira encarnação de Young Animal chegou às comic shops com Patrulha do Destino (de Gerard Way e Nick Derington), Shade the Changing Girl (de Cecil Castellucci e Marley Zarcone), Cave Carson has a Cybernetic Eye (de Jon Rivera, Gerard Way e Michael Avon Oeming) e Madre Pânico (de Jody Houser e Tommy Lee Edwards). Esta última série é baseada em uma ideia inicial de Way, ambientada na cidade de Gotham. A seleção das equipes criativas foi feita de acordo com as características de cada série, com mulheres chefiando revistas como Shade the Changing Girl, por exemplo.

Atualmente Young Animal já possui outros títulos e os mencionados acima seguem sendo publicados sem periodicidade definida. Sua própria versão da Patrulha do Destino, como contado em entrevistas, sofreu algumas alterações ao longo dos anos e passou de uma obra mais séria e densa a algo mais descompromissado, porém com ideias verdadeiramente criativas que falam sobre assuntos muito humanos.

A Patrulha do Destino de Gerard Way introduz novos personagens e resgata os clássicos.

Em entrevista dada ao Fatman on Batman, de Kevin Smith, Gerard mencionou que no ponto atual de sua carreira não existem itens em sua “Lista de Desejos” e basicamente todos seus maiores sonhos de infância e juventude já se concretizaram, especialmente com o sucesso de sua Patrulha. Em uma das edições da revista, a comic shop em que trabalhou quando adolescente aparece na história, e esta foi sua homenagem prestada ao passado.

Nas redes sociais, com destaque para o Instagram, o autor divulga as obras do Young Animal e as comenta, uma por vez. Sua jornada de fã até se tornar um profissional da área é verdadeiramente inspiradora. Hoje, muitos ícones do passado já trabalharam em suas obras ou estiveram em contato próximo. Alguns nomes são Brian Bolland, que desenhou uma das capas variantes de Patrulha do Destino, e Frank Miller, com quem teve a oportunidade de jantar em reuniões da DC Comics.

O terceiro arco de histórias de sua Patrulha começará em julho nos Estados Unidos. No Brasil, as obras do selo Young Animal estão sendo publicadas pela editora Panini em encadernados com acabamento luxuoso em capa dura, e são encontrados atualmente em algumas bancas, lojas especializadas e livrarias.

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Séries

The Handmaid’s Tale | Presencie o nascimento da revolução em trailer inédito da terceira temporada

A adaptação televisiva de grande sucesso da Hulu ganhou seu primeiro trailer oficial da terceira temporada recheada de cenas inéditas. Confira abaixo:

”Heresia. É por isso que você é punido. Não por ser parte da resistência, porque oficialmente, não há resistência. Não por ajudar as pessoas a fugirem, porque oficialmente, não existe fuga.” – narração feita por June (Elizabeth Moss).

A nova temporada focará na tão esperada revolução das Aias para acabar de uma vez por todas com o futuro distópico criado.

A série é baseada no romance de Margaret Atwood.

The Handmaid’s Tale retornará com episódios inéditos em 5 de junho.

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Review | Weedcraft Inc.

Weedcraft Inc. é um jogo desenvolvido pela Vile Monarch que explora os negócios, a produção, e a venda de ervas nos Estados Unidos, mas não qualquer erva. Aqui temos vários aspectos para serem aprofundados sobre tudo que está por trás do financeiro, da política e cultura que envolvem o complexo relacionamento dos EUA com essa planta problemática e promissora.

Weedcraft Inc. traz uma abordagem um tanto quanto colorida do mercado da maconha, entretanto  não deixa de lado suas questões éticas e moral, mesmo que tudo isso esteja um pouco fantasioso na ideia geral do game.  No jogo, somos Jhonny, que por ocasionalidade do destino, acaba se envolvendo no mercado da maconha, logo após abandonar a faculdade. Ou seja, temos um grande simulador mercadológico, com várias informações e processos legais e ilegais que podem ser utilizadas em sua gameplay a bel-prazer, o que o faz brilhar, por outro lado Weedcraft Inc. tropeça, quando tenta se aprofundar no relacionamento dos personagens, mas felizmente não atrapalha em nada a experiencia quando você já está dominando por completo toda a papelada e gestão de seu novo ramo.

É óbvio que a maconha  é o personagem principal aqui, você é apenas um intermediário que a fará mais conhecida do que nunca. Ela pode ser vista de várias formas no jogo, digo isso por que tratando de negócios você precisa adequar seu produto à clientela, dessa maneira a maconha que é comercializado por seu avatar possui várias formas e sabores. A medida que for entrando dinheiro em seu caixa, novas variedades podem ser desbloquear com nomes bem criativos – Fiquei em dúvida entre Granddaddy Purple e Space Queen sobre qual seria o melhor rótulo do produto – Cada um destes novos rótulos possuem seus próprios sabores e efeitos, que o tornam popular entre grupos sociais distintos, desde turistas até pacientes que precisam da erva para tratamento, todos eles são potenciais clientes, e para isso é preciso ter uma mentalidade muito bem estruturada sobre negócios, principalmente entre preço e qualidade.

O início de seu cultivo é bem simples, mas ao decorrer da gameplay começa a ganhar status de business, e uma cara um tanto quanto mais séria. A mecânica do jogo ganha complexidade a medida que você evolui junto a seu negócio. A parte divertida do game é tentar melhorar a qualidade da sua erva. Testar as combinações de nutrientes, encontrar o equilíbrio certo de nitrogênio, fósforo e potássio te faz parecer o Walter White da maconha. Temperatura e umidade são um ponto importante que não podem ser deixados de lado. Outro aspecto já citado é a identificação de um nicho de mercado, estabelecer um crescimento visando apenas um público, ou expandir desenfreadamente ocupando várias camadas sociais, é uma dúvida constante. As inúmeras possibilidades presentes em Weedcraft Inc. é o que te fará parar e refletir por algum tempo.

Depois que você consegue compreender toda a mecânica de Weedcraft Inc., suas necessidades são outras, ao invés de se preocupar com suas vendas, você precisa aperfeiçoar seu produto, fazendo com que a clientela continue fiel, e a contratação de funcionários se faz necessária, é a partir daqui que o jogo ganha um novo visual, e tudo parece andar um pouco devagar.

Um pequeno detalhe que para muitos pode passar despercebido, a trilha sonora. Desde o início de Weedcraft Inc., você é bombardeado por uma trilha sonora muito bem escolhida, desde músicas a sons in game, hip-hop e vocais instrumentais irão te acompanhar nessa jornada por um mercado marginalizado mesmo em locais onde seu uso é autorizado.

VEREDITO:

Weedcraft Inc. é um simulador de gerenciamento bem desenvolvido com uma arte elegante e sofisticada, recada a uma trilha sonora cativante. De forma geral, entrega o que propõe e um pouco mais que isso. Se seu estilo não combina com administrar coisas e a agitação que envolve este tipo de negócio, este jogo não é para você, sua inabilidade pode te mandar para a prisão. Porém o jogo te dá uma porta aberta caso você queira aprender um pouco mais sobre o ramo de negócios, mesmo que você não seja um expert. No entanto, seus personagens são claramente segurados pela mecânica envolvente do jogo, seus diálogos chegam a ser cansativos, além de tratarem certos aspectos da sociedade de forma não muito agradável. Suas discussões socio-culturais são de extrema importância para o cenário atual que vivemos, mas infelizmente sua tentativa de caricaturar a realidade acaba afastando um pouco o que seria proveitoso para a vida real.

PONTOS POSITIVOS:

  • Simulação desafiadora.
  • Gráficos condizentes com a proposta do jogo.
  • Trilha sonora.
  • Gameplay com curva de aprendizagem justa.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Missões pouco instrutivas.
  • Erros na localização pt-br.
  • Diálogos cansativos e repetitivos.

Agradecimentos à Devolver Digital pelo envio do código.

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Último Assalto | Salve Kevin, santo guerreiro do boxe!

Diz a história que Jorge foi um grande guerreiro do exército romano e que ascendeu muito rapidamente na carreira militar, se tornando, aos 30 anos, guarda pessoal do imperador Diocleciano (r. 284 – 305), em Nicomédia. No ano de 303, o imperador publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Jorge foi ao encontro de Diocleciano para protestar e perante a corte declarou-se cristão. Depois de tentar fazê-lo desistir da fé oferecendo riquezas, o imperador mandou torturá-lo durante dias, e a cada vez que era levado perante a autoridade máxima, era perguntado para Jorge se renegava sua fé em Jesus e iria adorar os deuses romanos. A cada negativa de Jorge, ele era levado de volta à tortura. Seu martírio ficou famoso entre os romanos, até que Diocleciano, mandou degolar o jovem soldado.

Diz a história de Último Assalto, que Kevin, um jovem afrodescendente que tinha um promissor futuro como lutador de boxe, depois de passar dois anos detido por um crime, tenta voltar a sua vida normal. Precisando cuidar do seu tio doente, trabalhando em um emprego, onde vive sendo humilhado, mas que foi o único que aceitou, e precisando voltar a lutar, mas tendo que correr atrás do tempo perdido nos treinos. E enfrentando a desconfiança, o preconceito e as tentações que a “vida fácil” lhe propõe a todo momento.

Salve Jorge! Salve Kevin!

Escrito por Daniel Esteves e com artes de Alex Rodrigues, Último Assalto fala sobre começar de novo. De ser guerreiro. De resistir a cada soco. De tirar força não se sabe de onde para superar os rounds. De resistir as torturas impostas pela sociedade e suas visões preconceituosas.

O texto de Daniel é preciso e apresenta uma ópera bíblica na vida de Kevin que tende a ser trágica, pelas escolhas ruins que ele sempre tende a fazer. Mesmo sabendo que será o maior prejudicado em todas elas. Mesmo sabendo que será, assim como Jorge, torturado até a morte, Kevin mantém suas convicções para proteger quem ama. E faz assim uma escolha difícil, abrindo mão de diversas pessoas e se rendendo ao “imperador” na HQ, que vem em forma de um empresário obscuro. Mesmo se sentindo combalido, com sua tortura particular e mental, Kevin é um guerreiro, de coração bom e forte. E se mantém firme no que acredita e abraça o seu sonho de forma única. Assim como Jorge a cada dia torturado se abraçava a sua fé. Kevin é cascudo e com várias idas às lonas da vida, ele se levanta e encara a vida. Por mais machucado que possa estar. Por mais sofrimento que esteja passando. A ambientação da trama no boxe não seria mais certeira.

Os desenhos de Alex Rodrigues é um primor que se casa perfeitamente com a trama. É possível vivenciar a academia humilde, que fica debaixo do viaduto em algum lugar no Centro de São Paulo. As artes das lutas no ringue, com seus movimentos, posicionamento dos lutadores, e atmosfera de um lugar underground são transmitidas com louvor para os leitores. Sem contar nas riquezas de detalhes, como um carinha treinando ao fundo, prédios, postes com seus fios, as tatuagens dos personagens, materiais da academia já bem gastos. Tudo é um deleite para se ver e rever.

Obviamente, sendo uma história com o boxe como cenário, as referências estão lá. É possível ver menções a boxeadores brasileiros como Maguila e Éder Jofre. E claro para filmes de boxe. Como uma referência sensacional ao clássico Rocky.

A única coisa que me incomodou, mas foi algo bem mínimo, foram os cortes. Às vezes me passavam a sensação que ficou incompleta a cena. Mas nada que atrapalhasse o prazer de ler Último Assalto, apesar desse ponto, narrativa em si não fica comprometida.

Último Assalto é sobre redenção. De acreditar até o fim. Lutar até às últimas consequências. De ser guerreiro, mesmo que seja sofrido e torturante para atingir os objetivos e no que acredita. Um drama bem atual, que lida com preconceitos, violência, do modo em que as pessoas e o Estado tratam os menos favorecidos e como o outro caminho “fácil” é sedutor. Kevin é um protagonista que você se apega e torce por ele até o fim. Que assim como Jorge, acredita até o fim no que faz, que apesar de sofrer com a escolha, não esmorece e vai até o final. No geral é um dos grandes lançamentos nacionais do ano.

Último Assalto terá formato 20 x 28 cm, 160 páginas P&B, capa colorida e o preço de R$ 35,00. A publicação será da Zapata Edições e ela foi uma das selecionadas pelo ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

Você pode adquirir Último Assalto clicando AQUI.

 

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Confira a lista de lançamentos da coleção Mágico Vento Deluxe

A Mythos Editora está republicando a famosa série da Sergio Bonelli Editore, Mágico Vento, através de encadernados luxuosos em capa dura e com histórias totalmente coloridas! Fique por dentro de todos os lançamentos mais recentes da coleção acompanhando a lista abaixo, que será atualizada conforme novidades forem chegando, além de disponibilizar os links das melhores lojas para compra de cada volume:

Volume 1 – Forte Ghost

Um fragmento de metal no cérebro apagou a sua memória, mas deu-lhe o poder da visão. Para os índios, ele é Mágico Vento, porque o vento o guiou até eles. Mas ele era o soldado Ned Ellis, sobrevivente da explosão do comboio militar em que viajava. Quais tramoias se escondem por trás daquele que, oficialmente, foi um trágico acidente? Para descobrir, Ned deverá iniciar uma atormentada viagem em seu passado, e, só no fim do caminho, entre os fantasmas do Forte Ghost, ele poderá saber a verdade.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e na Loja Mythos.

Volume 2 – Lady Caridade

Anjo dos pobres de Chicago, a dama conhecida como Lady Caridade não é exatamente o que parece. Willy Richards, vulgo Poe, não demora a se dar conta, mas corre o risco de enlouquecer ao ser envolvido na teia que a diabólica mulher teceu para ele. Mágico Vento está longe demais para poder socorrer o amigo, mas o fio que os une permitirá que ele receba a tempo o pedido de ajuda do corajoso jornalista.

Disponível no marketplace da Amazon Brasil e na Livraria Saraiva.

Volume 3 – Faca Comprida

Louis Beaumont, um fanático seguidor da seita do Vodu, que veste um velho uniforme de oficial confederado, decapitou com sua espada o pai espiritual de Mágico Vento. Além disso, o fantasmagórico assassino levou a cabeça de Cavalo Manco, e Mágico Vento deverá medir forças com o poder obscuro da Serpente do Vodu para devolver a paz ao velho xamã. Ao mesmo tempo, Poe reúne as provas de uma manobra cínica levada a cabo contra os índios por Howard Hogan, um empresário inescrupuloso, cujo caminho já se cruzou com o do xamã branco.

Disponível na Amazon Brasil, Livraria Saraiva e Loja Mythos.

Volume 4 – Whopi e Wendigo

A misteriosa jovem índia que chegou ao forte junto com a esposa do major Eccles é Whopi, filha do espírito do Bisonte Branco. Porém, a violência cega dos homens a faz ser dominada pelo bisonte louco. Mágico Vento deverá aplacar a alma enfurecida de Whopi quebrando a maldição que a brutalidade dos soldados desencadeou. O urro do Wendigo, um gigantesco predador de carne humana, rasga o céu nas terras dos ojibways e espalha o terror. A fome do monstro cresce com o aumento das suas vítimas, e Mágico Vento se verá mais próximo da morte como jamais lhe aconteceu antes.

Disponível na Amazon Brasil e Loja Mythos.

Cada volume da coleção possui 204 páginas encadernadas em capa dura e formato 26,8 x 20,4 cm.

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The OA: Parte 2 consegue captar com maestria o lado metafísico da história

O que é a vida? Por que estamos aqui? Qual o sentido de estarmos aqui? Podemos mudar o nosso destino? Ocasionalmente, temos respostas prontas para certas perguntas com esse teor. Só que isso é uma variável que segue por vários caminhos, uma vez que minha interpretação pode ser diferente de você que segue lendo este humilde texto. The OA entra por este caminho e lá em 2016 quando foi lançada pela Netflix, surpreendeu por sua sutileza em abordar temas como vida, morte e EQM (Experiências de Quase-Morte). Podendo aparentar confusão na extensão de seus episódios, se começarmos a ”expandir nossa mente”, é possível captar as mensagens que a série vai passando.

Até reencontrarmos OA/Prairie no primeiro episódio, parecia que estávamos diante de alguma série policial. Conhecemos o detetive Karim investigando o sumiço de Michelle Vu e se depara com um jogo surreal, onde os jovens precisam desvendar enigmas para passar de nível e o grande prêmio é descobrir a verdade oculta na vidraça. Paralelo à este plot, descobrimos que OA conseguiu saltar para outra dimensão numa versão diferente a sua, se tornando Nina Azarova. Esses plots foram muito bem trabalhados ao longo da temporada e ao se cruzarem, elevaram o nível da trama de uma forma muito satisfatória.

Os coadjuvantes também foram essenciais para o sucesso desta atual temporada. O reencontro do grupo cativo na nova dimensão foi bonito e trouxe a urgência de sair mais uma vez das garras de Hap. Já o outro grupo que ouviu com tanta atenção a história de Prairie iniciaram separados após o incidente na escola, mas embarcaram numa nova missão graças a revelação de Buck no espelho. A interação entre eles continua ótima e o retorno de BBA fechou o pacote. O suicídio de Jesse trouxe de volta para uma realidade em que uma pessoa não consegue suportar o trauma vivido e mesmo com todos os sinais explícitos, a tragédia só é percebida quando acontece. Isso é The OA, que explora o inimaginável e ainda assim, mantém o crível.

The OA possui uma mitologia riquíssima e abre inúmeras portas para oque convencionalmente nomeados como desconhecido ou até fantasioso. A produção soube utilizar cada item de maneira perfeita, ou seja, trouxe elementos visuais que cativam e emocionam. A coreografia dos cinco movimentos pode parecer bastante bizarro quando assistimos, porém ela vem carregada de significados. Há sintonia. Há beleza. Há emoção em cada expressão. Você se conecta com aquele momento único.

A fantasia se conecta com a realidade quando estabelece a natureza como um grande organismo vivo e pensante na Terra. A cena em questão é carregada de informação científica, mas não tira o peso da mitologia imposta e nem a desmerece. Pelo contrário, a corrobora. Uma floresta só consegue sobreviver ao existir harmonia. A conexão entre as raízes das árvores permite trocas de informações, que permite a sua longevidade. Sim, elas se comunicam da mesma forma que conversamos naturalmente.

Você acredita nas experiências de quase-morte? Este um tema delicado que permite várias interpretações sobre suas implicações. A série discorre sobre os eventos das EQM e suas consequências para as pessoas que as vivenciam. Ao sequestrar os personagens na temporada anterior, Hap se permitiu estudar mais a fundo sobre como deveria acessar este ponto localizado na penumbra da ciência sem pensar na ética de seus atos.

O surpreendente foi saber que o Outro Lado não era um vislumbre do Pós-Vida e sim, a existência de múltiplas dimensões configurando o que chamamos de Multiverso. Os cinco movimentos eram parte do processo para essa passagem, porém através de Elodie fomos capazes de descobrir que existem outros meios para viajar. Trazendo agora para a nossa realidade: Seria muito egoísmo nosso supor que somos os únicos seres dominantes deste Sistema Solar? Parece papo de maluco, mas temos que pensar fora da caixinha e perceber estas possibilidades.

Hap. Homer. OA. Conectados por um destino e várias dimensões. Habitantes da mesma constelação. Esses três personagens estão longes de estarem num triângulo amoroso. Apenas configuram como o ponto central das viagens dimensionais, ou seja, estão fadados a se encontrarem em qualquer realidade. São completamente dependentes um do outro. A adição de Elodie permitiu algumas explicações sobre os saltos, tornando-se relevante para a trama. Caso role a terceira temporada, que ela seja regular.

Bolão: Consciência do Homer está no corpo do Steve na terceira dimensão ou é o próprio Steve? Façam suas apostas.

Netflix conseguiu manter um excelente padrão para uma produção original que teve um hiatus de três anos e apesar da cena final indicar certo desfecho para a história em si, ainda tenho esperança da renovação para finalmente ver Steve, Buck, BBA, French e Angie reencontrando OA. Para quem quebrou a quarta parede, nada mais é o limite.

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Humanos, Androides e Philip K. Dick

ATENÇÃO: Este post contém spoilers do livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?

O que nós somos?  Como se define o ser humano? Ao longo de nossas vidas, ouvimos e iremos ouvir este tipo de pergunta com certa frequência. A curiosidade sobre nossas origens, funções e destino é inerente a nós. Há uma necessidade natural de buscarmos respostas sobre o porquê de nossas vidas. Ora, se estamos pensando, digitando e respirando neste momento, deve haver uma motivação para isso tudo. Nossas vidas precisam fazer sentido, pelo menos para nós próprios. Ou será que não? Será que apenas vivemos em um pedaço de tempo até o completo esquecimento, sem nenhum impacto no mundo? Os momentos da vida, sejam de alegria ou tristeza, se perderão como lágrimas na chuva?

Perguntas são o princípio da discussão e de diversas descobertas. A dúvida deve ser o único elemento possível que nos coloca em confronto diante do universo. Se não fossemos nós que duvidássemos da nossa própria capacidade de ir ao espaço, ou da curiosidade em relação a vidas fora do planeta, provavelmente nunca estaríamos progredindo em questões científicas e espaciais. Então, se a dúvida provoca a pergunta, é através dela que podemos dar passos para trás e analisarmos em uma perspectiva maior e complexa. Philip K. Dick introduz uma pergunta no título de sua obra: Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, nos convidando, logo de cara, a uma discussão profunda sobre humanidade, da ascensão até sua previsível queda.

Rick Deckard representa o pior do homem. Sua descrição física condiz com a de um homem derrotado pela vida. Tendo um único e simplório objetivo de comprar um animal que não seja elétrico – algo difícil e caro na história -, com pouco a acrescentar ao mundo, desestimulado dentro do trabalho e da própria vida pessoal. O caçador de androides é retratado do começo ao fim como um ser humano desprezível e problemático. O que incomoda dentro dessa caracterização, é a semelhança assustadora entre nós e ele. Mesmo que o personagem esteja inserido em um cenário mais pessimista e caótico do que o nosso – ou não – é fácil encontrarmos similaridades entre a realidade e a ficção. Identificar pessoas sem propósito e desejo em 2019 não parece ser tão difícil. Ao passo em que a tecnologia avança, a sociabilidade e o senso de comunidade desaparecem, degradando a saúde mental e psicológica daqueles que se isolam socialmente.

Dito isso, Deckard não é só o pior do homem, mas a síntese de todas as ideias de Philip K. Dick. Enquanto o autor caracteriza-o minuciosamente, expõe críticas ao jeito único do caçador. Sua vontade de matar androides aliada com a autorização oficial para fazê-la, o coloca em uma posição máxima de autoridade na Terra radioativa, em que aqueles personagens tentam sobreviver. Mesmo que sua função seja uma das mais importantes: eliminar androides proibidos dentro do planeta, a profissão é menosprezada pela sociedade.

Sendo assim, a jornada começa com essa premissa. Rick Deckard é um homem com pouquíssimas convicções e vontades, exercendo uma das mais relevantes profissões da época. Deste ponto em diante, ocorre um longo processo de desenvolvimento de personagem, onde vemos o simples homem sem virtudes, encontrar respostas significativas acerca da segregação entre humanos e replicantes.

O livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? serve como uma fundamentação teórica para as duas adaptações cinematográficas, Blade Runner, o Caçador de Androides (1982) e Blade Runner 2049 (2019). O contexto ainda é o mesmo, o mundo está em um caos após uma guerra de proporções mundiais irradiar vários países. Aqueles que gozavam de dinheiro e um estilo de vida financeiro agradável e vasto, foram para as colônias espaciais, deixando para trás o lixo e a sujeira.

Pobres, problemáticos, deficientes, entre outros, ficaram aqui, se afogando dentro do mar de merda que o mundo se tornou. O que mais impressiona nas descrições de Philip K. Dick, que ganham sustentação com as composições estéticas/fotográficas criadas por Jordan Cronenweth, é o quão se aproxima esta distopia dos dias de hoje. Prédios empresariais e domicílios se confundem na paisagem. As pessoas perderam sua identidade e se aglomeraram em vários pontos das principais cidades onde se encontra uma “melhor” condição de vida, mais distante da radioatividade. Elas ficam escondidas e passam despercebidas, sofrem uma pressão implícita de néons e outdoors publicitários em todo canto. Os avanços tecnológicos são detalhes perto do ambiente claustrofóbico das cidades “futurísticas”. E, para ficar ainda mais caótico, androides fugitivos das colônias interagem entre humanos, a vida “artificial”, portanto, se confunde com a real.

Enquanto presenciamos uma descrição minuciosa e criativa de Philip, há outras diversas camadas dentro do ambiente do livro que são extremamente importantes para a construção ética de toda a narrativa. Antes disso, é bom deixar claro como funciona o trabalho do autor. Sua obsessão com estas imaginações obscuras não é por acaso. A verdade é que sua obsessão sempre foi com a própria realidade. Mas qual seria a melhor forma de abordar as problemáticas reais, senão a construção de um cenário inteiramente “imaginativo” e metafórico, para colocar o real em desconstrução. Por conta disso, as intenções do autor são claras, mas não tão óbvias quanto parecem. A necessidade de se importar com as coisas ao nosso redor sempre esteve presente. E Philip K. Dick sabia isso.

Destacando algumas das várias camadas do livro, há duas que talvez sejam as mais relevantes: religião e sistemas manipuladores. O começo do livro nos mostra Deckard e Iran (sua esposa, ideia descartada dentro dos filmes) discutindo sobre em qual número eles iriam deixar seu sintetizador de ânimo. A conversa acontece naturalmente, e percebemos que estes personagens estão, de certa forma, condenados a manipulação. Suas mentes são completamente vulneráveis às influências de um sistema que não fica explícito dentro do livro. Outro exemplo é o Buster Gente Fina, que se assemelha a um Silvio Santos misturado com um Serginho Malandro. Buster Gente Fina é o único programa que passa na televisão o dia inteiro. Portanto, toda a sociedade vive em um casulo, onde as produções culturais e emocionais são previamente determinadas, limitando os sentidos daqueles que as consomem.

Outra marca autoral de Philip K. Dick é o simbolismo religioso. De alguma forma, às vezes menos, outras vezes mais, alguns elementos que remetem a religiosidade estarão difundidos na história principal. Discutir uma das estruturas sociais mais influentes das nossas vidas é constante nos trabalhos do autor. E, talvez, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? seja a obra mais pontual dele sobre o tema. Se estamos refletindo sobre a nossa própria existência, como não perceber o que a religião traz de sentido, seja ele positivo ou negativo. Todas essas ideias ficam centradas na figura de Mercer e o mercerismo. John Isidore, outro ignorado pela trama cinematográfica, é um dos personagens do livro mais conectados ao mercerismo. Não há uma explicação de fato sobre o que é Mercer. Alguns o entendem como um Deus, uma entidade mágica, mas todos os humanos já passaram pela experiência de se conectarem com ele pelo menos uma vez. Tal conexão também é bem confusa e pouco explicada dentro da obra, mas dá a entender que ocorre uma grande epifania psíquica e moral no encontro com Mercer e suas pedras.

Porém, o que mais importa dentro da história, pelo menos para o autor deste post, são os replicantes.

Se humanos já sofrem o suficiente, imagina aos seres em que a vida é, simplesmente e friamente, negada. Os androides, sem licença empresarial/política, estão proibidos na Terra, e os blade runners são os responsáveis para os aposentarem. Roy Baty, Irmgard Baty, Pris Stratton, Rachael Rosen, Luba Luft, Polokov e Garland, entre outros, representam os androides e a lista de recompensas de Rick Deckard. Todos estes personagens tem seus momentos gloriosos dentro da trama, as passagens que os envolvem colocam em julgamento a divisão existente entre o real e o artificial. Suas concepções pessoais sobre o que eles são e o que a vida significa nos coloca na posição de os acharmos mais humanos do que os próprios. Há um diálogo entre Luba Luft e Deckard, em que a replicante afirma: “A imitação é a melhor forma de vida.” Ou quando descobrimos que a real ocupação de Roy Baty nas colônias era de farmacêutico, e ele dava remédios alucinógenos para si e outros replicantes, que são impossibilitados de se conectarem com Mercer. Qual é justificativa para esse ato? Ele queria se aproximar de Deus.

É aqui que chegamos em um dos melhores momentos do livro. Significado e Deus se relacionam quando percebemos que é o que muitos de nós acreditamos. O amor que a humanidade sente por algum Deus, dependendo da religião, é só uma troca pela verdadeira necessidade humana: buscar seu significado. O replicante, portanto, é ser humano, porque a busca por Deus é a tentativa máxima de procurar justificativas para a existência. Sem crenças, ou sem descrenças, o que nós seríamos? E se os replicantes também buscam por respostas, por que nossas dúvidas valeriam mais que as deles?

Quando nos deparamos com tais perguntas, Philip K. Dick não se contenta só com isso, e destrói tudo o que as pessoas acreditavam. Mercer, na verdade, era um ator contratado para participar de uma produção cinematográfica, esta, que é a experiência conectiva do mercerismo. E, chegamos no desfecho mais arrebatador: a única prova que os humanos tinham de empatia se tornou lágrimas na chuva, parafraseando o final do filme – que não se assemelha em nada com o do livro. Mesmo que esta descoberta fique limitada só para os personagens principais.

Isidore, um “cabeça de galinha”, – termo criado para se designar aqueles que foram afetados pela radiação da Poeira, num sentido mental – que acreditava firmemente no mercerismo, vê sua crença se desmantelar. Sentia-se deslocado dentro da sociedade pelos seus problemas mentais, agora, parece ter sentido seu afastamento total. Quando ocorre o fato, entretanto, Isidore tenta compreender o que aconteceu, e discute com Mercer sobre o plano de fundo do local de conexão, que se assemelhava a uma paisagem natural, mas que era uma pintura. Mercer revela, enfim, que Isidore nunca percebeu porque sempre estava muito a frente, e nunca olhou por um ângulo mais distante.

O que prova, definitivamente, que os replicantes tinham um olhar mais apurado e profundo do que os seres humanos. Mercer é uma fraude, e a prova de empatia que dava significado a tantas insignificantes vidas foi desmantelada por androides marginalizados. O teste Voigt-Kampff, que diferencia humanos e replicantes através de respostas empáticas, parece não fazer mais sentido. Assemelha-se com a vida de Rick Deckard, que conseguiu, no fim, aposentar todos os androides restantes, mesmo que sua concepção de vida tenha se alterado. Enquanto Phil Resch, um dos outros caçadores, afirma que os blade runners são a divisão moral entre o real e o artificial, Deckard se depara com a conexão entre os dois contextos. Este homem, o pior dos homens, entende o real significado de empatia. Sua dúvida se Luba Luft era uma replicante, o relacionamento sexual com Rachael e, sua posterior demissão, resultam na sua evolução ética e igualitária.

Philip K. Dick constrói um futuro distópico que busca nos fazer refletir sobre o real cenário das coisas. Usando Rick Deckard como a representação perfeita e única da humanidade, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? é uma obra excepcional e genialmente trabalhada por um dos maiores autores da ficção científica. Em uma jornada simples de um caçador atrás de suas meras recompensas, nos deparamos com novas perspectivas sobre o como vivemos e o que fazemos enquanto estamos aqui. Não há uma definição exata do porquê, e quando se acaba a leitura, muito provavelmente não ocorrerá uma epifania sobre o sentido da vida. A obra não é sobre buscar respostas, mas de se contentar na ausência delas.

E pensar que tudo isso foi por causa de uma ovelha elétrica…

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Nem tudo é o que parece em Se Eu Fechar Os Olhos Agora, nova minissérie da Rede Globo

Com o término de mais uma edição do BBB, a emissora procura manter a atenção de seus telespectadores de forma que a audiência continue sólida e por conta disso, sua grade enche de novas produções como minisséries ou maxisséries. Uma delas é Se Eu Fechar Os Olhos Agora, adaptação televisiva do livro de mesmo nome do jornalista e escritor Edney Silvestre. Com a apresentação exibida na segunda (15), pode-se dizer que a Globo acertou mais uma vez.

Com o elenco formado por rostos já carimbados nas habituais novelas como Antônio Fagundes, Murilo Benício, Mariana Ximenes e Débora Falabella, a pacata cidade de São Miguel (localizado no interior do Rio de Janeiro) muda drasticamente quando a jovem Anita é encontrada morta dois anos após ter sido feita cativa por um homem. Nesta descoberta, os jovens Paulo Roberto (João Gabriel D’Aleluia) e Eduardo Massarani (Xande Valois) resolvem relatar a polícia o ocorrido. Os atores mirins são bons e possuem boa química em cena, permitindo que o público se importe com os dois de forma instantânea.

Apesar da temática Quem Matou? ter se tornado batida atualmente, a minissérie impõe mais mistério ao redor do assassinato pelo motivo dos personagens estarem envolvidos de forma direta ou indireta. Os diálogos sempre tentam entregar algo relevante para o telespectador, mas logo voltamos para o escuro e ficamos sem entender o que acontece de fato na cidade. São desde segredos, traições e até queima de arquivo que permeiam o local de forma energética.

Lembrem-se: As aparências enganam. Esse estilo de brincar com a mente de quem assiste acaba se tornando um belo atrativo, pois o tabuleiro é praticamente um campo minado e não sabemos as verdadeiras intenções de seus jogadores até que os próprios resolvam revelar as suas jogadas.

Com uma estreia ótima, tudo indica que esse clima de mistério e conspiração continuará rondando ao longo da temporada ao mesmo tempo que mais peças desse jogo vão surgindo para completar esse complexo quebra-cabeça.  E quem sou eu para reclamar? Pode mandar mais, Globo! 

Se Eu Fechar Os Olhos Agora é dirigida por Carlos Manga Jr. e roteirizada por Ricardo Linhares. A minissérie terá 10 episódios com exibição diária após a novela O Sétima Guardião.