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Thor: Ragnarok: Vale a meia-entrada

Thor: Ragnarok tinha uma missão grande nas mãos, as expectativas estavam altíssimas pela primeira empreitada do diretor Taika Waititi no universo Marvel, que poderia mudar completamente o jeito do estúdio de fazer cinema e apresentar um filme digno para um personagem tão querido pelos fãs de quadrinhos. Infelizmente, posso afirmar que este terceiro longa de Thor (Chris Hemsworth) é só outro genérico da Marvel, porém, se prova um ótimo filme para o personagem. Isso já paga metade do ingresso.

Em seus minutos iniciais, o filme abre com um monólogo do protagonista consigo mesmo, contextualizando os acontecimentos mais recentes com humor e até uma sutil imaturidade incomuns ao herói. Logo após, nos é apresentado um vilão VISUALMENTE ameaçador dentro de um cenário bem feito com cores escuras, que logo iriam contrastar com o resto do filme (colorido e vibrante), além da sequência de ação com a trilha “bombando” mostrando como a dupla Thor e Mjölnir são imbatíveis, colocando a câmera seguindo o homem e o martelo no excelente tratamento da pós-produção. Se você entender todo esse início, não é difícil desvendar o que te espera nas próximas duas horas.

E se essa previsibilidade já incomoda – as piadas excessivas, os personagens descaracterizados, um vilão “tanto faz” e esquecível, além das cenas de ação sem nenhum impacto – o potencial que é desperdiçado pelo subtítulo “Ragnarok” é outro incômodo para a cabeça. O apocalipse nórdico, numa visão completamente pessoal de Waititi, está lá para ser o centro dos problemas… só que apenas no ato final. Enquanto este não chega, todo o problema que está acontecendo em Asgard, a repressão que os asgardianos estão sofrendo pela vilã Hela (Cate Blachett) (esquecível em grande parte), fica completamente em segundo plano.

Como em Doutor Estranho (2016), Ragnarok não consegue se entender no ritmo e é mal resolvido. O diretor deve ter se lembrado no meio das gravações todo o potencial que tinha nas mãos, e coloca cenas – relação entre Odin (Anthony Hopkins) e os filhos, valquírias contra Hela são algumas delas – que não estão aliadas com a proposta cômica do filme. O problema é que elas representam um peso e até uma qualidade cinematográfica significativamente maior do que nos é apresentado, deixando o gostinho de que poderia ser uma história maior e melhor do ponto de vista narrativo. Poderia realmente mudar os rumos da Marvel Studios para sempre.

Mas Taika Waititi parece não se importar com grandes feitos e entrega uma aventura pelo menos decente ao seu personagem. Começando pela forma como este trata a relação entre Loki (Tom Hiddleston) e Thor, que não recebe o apelo melodramático como em O Mundo Sombrio (2013), mas que ganha outra abordagem interessante e leve ao procurarem seu pai na Terra até a diferença de ideais: Thor quer salvar Asgard, enquanto Loki quer ganhar os holofotes de Asgard. Além disso, há um envolvimento enorme de Thor com o universo compartilhado, talvez esse seja um dos filmes solo com mais conexões. A pequena participação do Doutor  Estranho (Benedict Cumberbatch) e a relevância de Hulk (Mark Ruffalo) demonstram isso.

Seguindo o padrão de título: Homem Formiga e Vespa, poderia muito bem se chamar Thor & Hulk. Já que o envolvimento de Bruce Banner/Hulk o torna protagonista ao lado de Thor. Todo o ato que se passa dentro do Planeta Sakaar é o mais divertido e envolvente. Não só pelos ótimos personagens introduzidos: o grão-mestre colorido e com a dose ácida de sarcasmo interpretado por Jeff Goldblum, perfeito para o papel. A valquíria interpretada por Tessa Thompson é ótima como alavanca para ação, e Korg que é realmente engraçado pela sua voz e seu jeitão desajeitado de ser. Mas também pelos diálogos e cenas escritas por Eric Pearson, que não necessitam de nenhum requisito tecnológico para se sustentarem, deixando a ação para a batalha entre os vingadores. E essa não é apenas uma jogada marketeira como Optimus Prime vs. Bumblebee.

Relacionado aos cenários escolhidos, as cores, os formatos, os figurinos, as câmeras em constante movimento, a cinematografia de Thor: Ragnarok é ótima. Remete à genialidade de Jack Kirby em criar quadros cósmicos perfeitos, utilizando pinturas e estruturas para construir uma ambientação perfeita. Sendo que todas as cores, tanto quente quanto frias, são completamente presentes e poluem a tela intencionalmente. Parece carnaval quando as tintas e as poeiras coloridas vão sendo jogadas pela população de Sakaar; ou até mesmo o visual de Thor que adquire marcas e faixas coloridas, representando sua inserção forçada com o planeta.

Após muita aventuras entre Hulk e Thor, o foco do terceiro ato finalmente está em Ragnarok e toma uma posição séria e madura, mas sem perder a leveza. Tudo o que o filme poderia ser foi reduzido em um ato, que literalmente salva a comédia muitas vezes forçada de Taika Waititi. E esse caminho poderia ser adotado pela Marvel. O ato que traz ação, emoção e humor sem se colidirem, criando um ritmo natural e muito melhor do que nos fora apresentado. Importante salientar como o público na sessão riu mais no terceiro ato, já que as piadas pontuais soavam em tom de equilíbrio com os apelos emocionais.

Thor: Ragnarok é longe de ser uma catástrofe. Tem muitos pontos positivos e diverte enquanto entretenimento. Porém, o que esse filme poderia representar para os heróis no cinema fica só na nossa mente, decepcionando expectativas que esperavam um filme empolgante, emocionante e memorável da Marvel. Deixando na dúvida a capacidade do estúdio de conseguir fazer algo que realmente nos faça lembrar e se apaixonar novamente.

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Melhores quadrinhos para ler no Halloween

O Halloween chegou! E com ele os espíritos mais sombrios passam a dominar os leitores de quadrinhos, que procuram por leituras temáticas para o Dia das Bruxas. Monstros e entidades não compreendidas pela mente humana fazem parte desta lista de melhores quadrinhos para saborear na noite de Halloween! Confira abaixo!

Wytches

Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre bruxas. Ninguém jamais contou para você que as mulheres queimadas nas fogueiras morreram para proteger uma terrível realidade escondida dos meros mortais: bruxas, bruxas de verdade, que existem e estão por aí.

Elas são criaturas muito mais perversas e diabólicas do que você poderia pensar — e, portanto, muito mais assustadoras. Ver uma é coisa rara; sobreviver a elas é mais raro ainda. Em Wytches, Scott Snyder e Jock trazem para os quadrinhos uma versão bem diferente das bruxas, com um arco envolvendo a família Rook e todo o domínio e pavor que as BRVXAS (Wytches) exercem sobre as pessoas. E as florestas ao redor de New Hampshire escondem algo macabro…

Frankenstein: Entre o Céu e o Inferno

Depois de um encontro com o Hellboy em uma luta livre mexicana, o Frankenstein de Mike Mignola conseguiu fugir da instalação secreta na qual estava aprisionado. Mas tanto a liberdade quanto a esperança de viver em paz são sonhos quase impossíveis para o amargurado monstro, pois o destino lhe reserva um misterioso papel em um sobrenatural conflito entre poderes ancestrais.

Cansado da perseguição humana, torturado pela solidão e padecendo de remorso pelas atrocidades que já cometeu, Frankenstein é levado às trevas abissais em busca de redenção… e de algum propósito para sua existência! Esta história, com arte de Ben Stenbeck e cores de Dave Stewart, traz a visão de Mignola (tão conhecido nos EUA por seus quadrinhos aterrorizantes e monstruosos) para a criação do Dr. Frankenstein.

Batman: Dia das Bruxas

Em três momentos distintos passados durante o Dia das Bruxas, o Cavaleiro das Trevas se vê às voltas com alguns de seus mais terríveis adversários, tendo que sobrepujá-los e, ao mesmo tempo, não sucumbir à loucura. Porém, sua batalha ganha contornos sobrenaturais quando o Cruzado Encapuzado é visitado por seres fantasmagóricos que pretendem mostrar-lhe de que modo sua vida pode acabar.

Concebidos pelo roteirista Jeph Loeb e o artista Tim Sale, os três contos que compõem Batman: Dia das Bruxas estão situados no início da carreira do Homem-Morcego. Anos depois, a mesma equipe criativa retornou para a temática com O Longo Dia das Bruxas, que rendeu-lhes muitos prêmios e fama mundial.

Legião

O autor argentino Salvador Sanz possui em seu currículo algumas das melhores obras de terror dos quadrinhos. Um dos destaques é Legião, que conta a história de um grupo de desconhecidos que tenta sobreviver a uma estranha invasão em Buenos Aires, após uma cor impossível irromper dos céus (como no conto de Lovecraft, A Cor Que Caiu do Espaço).

Com trama recheada de gore e mistérios, este grupo de sobreviventes deve fugir dos territórios ocupados por estranhas criaturas Lovecraftianas enquanto tudo ao seu redor está tomado por torturas e incertezas. Outros quadrinhos do autor, como Noturno e O Esqueleto, também são boas pedidas para o Halloween.

Paper Girls

A magnífica série de ficção-científica criada por Brian K. Vaughan, com arte de Cliff Chiang, chegou ao Brasil em 2017 pela editora Devir. Quatro entregadoras de jornal, no Dia das Bruxas de 1988, se veem envolvidas numa misteriosa batalha com viagens no tempo, criaturas bizarras, dinossauros e drama suburbano.

Muito similar às criações de Stephen KingStranger Things e Steven SpielbergPaper Girls possui um elenco de protagonistas cativantes e trama que prende o leitor do início ao fim. Com monstros e visuais de cair o queixo, Paper Girls é uma deliciosa jornada pelo Halloween norte-americano.

Creepshow

Primeira HQ (e roteiro de filme) de Stephen King, Creepshow da DarkSide Books é a adaptação em quadrinhos do filme de George A. Romero, uma das maiores mentes do cinema e do terror.  Em 1982, King juntou forças com o diretor para realizarem um filme inspirado em quadrinhos clássicos dos anos 1950, como Contos da Cripta, da EC Comics.

Para tornar a referência ainda mais memorável, King adaptou seu roteiro de cinema para os quadrinhos, contando com a arte do magistral Bernie Wrightson, um dos criadores e primeiro ilustrador do Monstro do Pântano, e capa de Jack Kamen, autor da EC Comics. As cinco histórias presentes neste compilado possuem zumbis, alienígenas e assassinatos, com o que algumas das maiores mentes das sombras sabem fazer de melhor!

Drácula: A Obra Completa

Pela primeira vez em mais de cem anos, a obra-prima de Bram Stoker foi restaurada por completo. Os escritores Leah Moore e John Reppion, responsáveis pela adaptação em quadrinhos de Alice no País das Maravilhas, unem-se ao talentoso artista Colton Worley (O Aranha: O Terror da Rainha Zumbi) numa odisseia pela vida, pela morte e pelo sangue que corre em nossas veias…

Trazido ao Brasil pela Mythos Editora, Drácula é um maiores clássicos da literatura de todos os tempos, e está adaptado para os quadrinhos nesta luxuosa edição em cores reunindo a minissérie completa publicada pela  editora Dynamite, além do conto O Hóspede de Drácula e das capas de John Cassaday.

Creepy: Contos Clássicos de Terror

Que outra forma de saborear o Halloween seria tão boa quanto ler alguns dos maiores clássicos do terror em quadrinhos? Esta coleção da editora Devir desenterra todas as histórias da macabra série original da revista Creepy. A Creepy e o publisher Jim Warren virou o mundo da narrativa gráfica de cabeça para baixo no começo dos anos 1960, quando artistas fenomenais como Joe OrlandoAlex TothWallace WoodGray MorrowAl WilliamsonFrank Frazetta e muitos outros atingiram novos patamares artísticos com suas explorações fascinantes de histórias de horror modernas e clássicas.

Um outro “charme” destas edições são as páginas que reproduzem anúncios de produtos relacionados a terror e que eram vendidos na época. Um deleite para todos os fãs!

Espíritos dos Mortos

Como tantos nomes já citados anteriormente, Richard Corben faz parte da seleta lista de melhores autores de quadrinhos de terror do mundo. Em Espíritos dos Mortos, Corben adapta uma coleção de clássicos de Edgar Allan Poe com a maestria única que somente seu traço é capaz de reproduzir.

Misturando características surrealistas com a prosa eloquente de Poe, esta edição da editora Mino (originalmente publicada pela Dark Horse) transmite alguns dos medos e impulsos mais básicos da humanidade, característica mais profunda e genial das melhores obras de terror.

Monstros Noturnos

A versão ilustrada que o artista Bernie Wrightson fez de Frankenstein, o grande clássico de Mary Shelley, conferiu-lhe renome universal. Quase 30 anos depois, ele retorna triunfalmente ao personagem, com a ajuda dos roteiros de seu frequente colaborador, Steve Niles, em Frankenstein Vivo!

Monstros Noturnos traz todo este material disponível do recém-falecido e já citado Bernie Wrightson, mestre dos quadrinhos de terror, em uma compilação maravilhosa de um dos personagens mais conhecidos da literatura!


E então? Pretende conferir alguma HQ assombrosa nesta reta final do Halloween de 2017? Acha que faltou alguma história nesta lista?

Não deixe de comentar, e cuidado… As criaturas das trevas surgem quando menos se espera. Ótima Dia Noite das Bruxas para todos! ☠✚

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Re:Zero: Começando uma Vida em Outro Mundo – Livro 1

Isekai. Essa é uma palavra que pode não ter muito sentido em português (e não tem mesmo), mas que adquiriu enorme proporção na mídia japonesa por conta da – literal – avalanche de títulos desse sub-gênero que tomou as prateleiras orientais.

Essa postagem de hoje é sobre o Volume 1 da Light Novel de “Re:Zero – Começando Uma Vida em Outro Mundo“, escrita por Tappei Nagatsuki, com belíssimas ilustrações de Shinichirou Otsuka, e publicada no Brasil pela Editora NewPOP.

É só que simplesmente não dá pra resenhar uma Light Novel Isekai, sem falar do próprio gênero Isekai antes: Traduzindo do japonês, “Isekai” significa “Outro mundo“. É um gênero que viu um crescimento tão grande quanto o da população chinesa, que retrata personagens sendo transportadas (por quaisquer desculpas esfarrapadas que sejam) para uma outra realidade, normalmente (mas não necessariamente) fantasiosa. Os motivos para a explosão do gênero são diversos mas não cabem ao momento, então ficaremos apenas com a introdução.

Dito isso, podemos cair de cabeça nessa tempestade de emoções que foi o primeiro volume de Re:Zero. Com um título que trás “Isekai” logo de cara (do japonês, Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu), não se podia evitar um começo cheio de confusões e mais perguntas do que respostas.

Subaru, nosso protagonista, é um “Hikikomori” (mais conhecido no Brasil pelo Fantástico termo “Nem-Nem”), que sabe-se-lá-Deus o motivo, acaba sendo teletransportado para um outro mundo. Utilizando-se de seu vasto conhecimento de histórias Isekai, adquiridos por ficar em casa o dia todo, Subaru consegue manter a calma, e procede em fazer todas as escolhas erradas possíveis.

Tá vendo como presta pra algo? [Capítulo 1, página 59]

O primeiro capítulo é involuntariamente hilário. Toda vez que o protagonista toma uma decisão, logo em seguida ele se arrepende amargamente, e vê-lo se dando mal nunca deixa de ser engraçado. Se a série se centrasse em simplesmente mostrar o Subaru se ferrando por suas más escolhas, eu não teria nenhuma reclamação a fazer. Acontece que, como toda história que se passa num mundo fantasioso medieval, precisamos ter uma história digna de um RPG. E como qualquer jogo do gênero deve ser jogado, as personagens também decidem ignorar completamente a missão principal e fazer todas as trezentas side-quests que lhe são oferecidas.

A “missão principal” do volume é bem simples e poderia ser resolvida de forma rápida, fácil e sem baixas. Eu consigo imaginar, no mínimo, sete ou oito tipos de desenrolar para a história onde tudo acabaria bem. Mas como o nosso protagonista parece sofrer de lapsos mentais convenientemente posicionados (já falo disso), temos a descoberta do maior ponto da novel: o “Retorno na Morte“.

Viagens no tempo precisam ser tratadas com cuidado pois, quando usadas da forma errada, podem acabar com uma história. Eu, particularmente, detesto viagens no tempo e vou matalas. Re:Zero revolucionou o gênero Isekai quando, não contente com ser um simples Isekai, decidiu também ser uma Light Novel de loops temporais. De forma tão bem explicada que levanta mais dúvidas do que você já tinha (como se ser transportado pra um outro mundo já não fosse estranho o bastante), Subaru possui esse poder de voltar no tempo sempre que morre.

Seria legal se cada vez que ele voltasse, o mundo ficasse mais VAPORWAVE

É o tipo de ferramente de roteiro que, pra mim, acaba completamente com qualquer tensão que uma história poderia criar. Isso é dito pelo próprio protagonista, que sabe que se alguma merda acontecer, ele pode simplesmente resetar o mundo e estará tudo bem. Contudo, ainda é muito cedo para julgar. Com a pequena quantidade de ‘loops’ que tivemos até agora, não dá para saber como o autor vai lidar com isso. Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem à mente). Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem à mente).

O elenco de Re:Zero é algo a se destacar. Todas as personagens são muito bonitas (graças às belas ilustrações de Shinichirou Otsuka), têm uma personalidade bem definida e conseguem se firmar bem na história proposta. Todos… Menos Subaru.

Parece ser algo padrão em histórias japonesas: Fazer o protagonista o cara mais absorto e desgostável possível. Não só sua personalidade e ações são horríveis, como ele também parece ser o único personagem mal-escrito da trama. Lembra dos lapsos de memória que eu comentei antes? O Subaru é um cara que possui um conhecimento enorme de… diversos tópicos. Ele os usa abundantemente durante o primeiro capítulo da novel. E apesar de várias vezes se dar mal por conta disso, ele consegue sim tomar algumas decisões sensatas com base neles.

Mas em diversos momentos ao longo do volume, Subaru parece simplesmente ESQUECER princípios básicos. O autor decide torná-lo burro sempre que lhe é conveniente, para fazer a história prosseguir no rumo planejado. A maior prova disso é que as melhores passagens do livro são justamente aquelas onde Subaru não está presente, ou está incapacitado de abrir a boca ou pensar. Basicamente, Re:Zero seria muito melhor sem ele, mas infelizmente estamos presos a esse protagonista. Pode se tornar até algo positivo, já que, quando se está no fundo do poço, o único caminho é pra cima.

Se você gosta de mundos de fantasia medieval, no melhor estilo Tolkien, The Elder Scrolls ou Warcraft, a ambientação vai com certeza te prender. Junte isso com um elenco de personagens excepcional, uma narrativa divertida (nos momentos mais leves da história) e descrições de cenas de ação muito bem elaboradas, e Re:Zero pode ser a sua praia. É só aguentar o protagonista mais irritante dos últimos anos.

Mas, agora que o conteúdo já foi analisado, podemos ir ao que realmente importa: a qualidade da edição brasileira. Afinal, somos todos sommelier de lombada, não é?

Como sempre, a NewPOP caprichou na impressão. A capa é linda (ambas são, inclusive. Vale como item de colecionador!), as ilustrações internas estão com qualidade excelente, e o papel é ótimo. O formato “pocket” (chamado assim por aqui, mas que é o original japonês para a obra) facilita muito a leitura, e ainda economiza espaço na estante. Nesse quesito, só pontos positivos para a editora do Sr. Júnior.

Comparação de tamanho. Moeda de um real para padrão.

Já a parte escrita possui algumas coisas que ficaram entaladas na garganta. A revisão sempre foi um problema, e apesar das incansáveis tentativas de melhorar (que estão funcionando! Não me levem a mal, está muito melhor do que era antes!), ainda vemos erros de digitação e palavras sobrando ou faltando. No volume como um todo, pude contar seis erros que se encaixariam nessa categoria.

A qualidade do texto está boa. Apesar de uma ou outra frase que poderia ter sido escrita de forma mais fluida, e um exagero no número de artigos antes dos nomes das personagens, a leitura aconteceu sem nenhum problema.

Re:Zero – Começando uma Vida em Outro Mundo – vale a pena? Eu diria que meu julgamento final é que sim, compensa a compra e rende uma boa leitura. Desde que você entenda que se trata de uma Light Novel. E se você não sabe do que se trata uma Light Novel, pode aprender clicando aqui.

Você pode adquirir Re:Zero pela loja online da NewPOP, ou pela Amazon (Capa normal | Capa variante).

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Os dez melhores quadrinhos da Image publicados no Brasil

A Image Comics tornou-se um símbolo de alta qualidade dos quadrinhos norte-americanos. Usufruindo de um processo que dá mais liberdade aos criadores a editora vem conquistando sua parcela do mercado, e, cada vez mais, atrai grandes nomes da indústria para trabalhar por lá. Com a qualidade, diversos prêmios vêm sendo – merecidamente – dados às suas séries.

E a evolução da Image nos EUA, tornando-se algo similar ao que a Vertigo já foi e representou com seus quadrinhos adultos, também vem aos poucos conquistando o mercado brasileiro. Apesar da pequena quantidade (se comparada ao total de material publicado lá fora), os títulos da Image publicados no Brasil nos últimos anos já entregam uma parte do que há de melhor para os leitores.

Este post especial irá apresentar algumas das melhores séries lançadas por aqui, conforme você confere abaixo!

Saga

A premiadíssima série de Brian K. Vaughan e Fiona Staples já soma 48 edições nos EUA, com oito encadernados lançados até o momento. Este épico de space opera conta a história de Alana e Marko, um casal proibido de raças inimigas, tetando sobreviver com sua filha recém-nascida, Hazel. Saga já acumula mais de 30 prêmios, divididos entre Eisner, Harvey, Hugo, Joe Shuster e British Fantasy Award. No Brasil, a editora Devir segue publicando a série em encadernados, tendo lançado até o momento cinco volumes. Saga impressiona pela magnífica criatividade dos autores, entregando uma construção de universo impecável com personagens muito cativantes e sinceros.

Cidade Selvagem

Cidade Selvagem (Fell no original) é uma série de Warren Ellis e Ben Templesmith que narra as desventuras de um detetive chamado Richard Fell, recém-transferido para a pior cidade da região: Snowtown. Lá, Richard deve lidar com os problemas locais e aplicar sua experiência como investigador. Somando características de filmes policias com uma dose de Sherlock Holmes e clima angustiante, Cidade Selvagem foi publicada entre 2005 e 2008, totalizando apenas 9 edições narradas em poucas páginas de nove quadros cada, compiladas no Brasil num encadernado de luxo da Mythos Editora. A série venceu dois Prêmios Eisner em 2006: Melhor Série Estreante e Melhor Série Continuada. Ellis também foi indicado ao prêmio na categoria Melhor Roteirista.

No momento em que esta postagem é escrita, Cidade Selvagem está com 70% de desconto no site da editora.

Eu Mato Gigantes

A emocionante história de Bárbara, uma garota excluída e sem amigos que vive imersa num mundo fictício ao melhor estilo Dungeons & Dragons, foi publicada no Brasil pela NewPOP Editora. Se perdendo em seu mundo de fantasia, tudo sobre o que Bárbara consegue conversar são: gigantes! Ela se prepara para a vinda iminente das criaturas, e convencida de que é uma matadora de gigantes, deve encarar seus problemas da vida real e superar a fantasia; pelo menos de acordo com as pessoas que vivem à sua volta. Eu Mato Gigantes é da autoria de Joe Kelly e J. M. Ken Niimura e foi publicado entre 2008 e 2009, totalizando 7 edições (apenas um encadernado). O quadrinho também ganhou um filme live-action.

Paper Girls

A magnífica série de ficção-científica criada pelo já citado Brian K. Vaughan, com arte de Cliff Chiang, chegou ao Brasil em 2017 pela editora Devir. Quatro entregadoras de jornal, no Dia das Bruxas de 1988, se veem envolvidas numa misteriosa batalha com viagens no tempo, criaturas bizarras, dinossauros e drama suburbano. Muito similar às criações de Stephen King, Stranger Things e Steven Spielberg, Paper Girls possui um elenco de protagonistas cativantes e trama que prende o leitor do início ao fim. A série já possui três encadernados lançados nos EUA, totalizando cerca de 17 edições, e segue como um dos títulos mais fortes e consistentes do catálogo da Image.

The Wicked + The Divine

The Wicked + The Divine fala sobre deuses que caminham entre os humanos. Mas nada poderia ser tão simples: os deuses também se assemelham a ícones pop da modernidade. A série foi criada por Kieron Gillen e Jamie McKelvie e recebeu diversas indicações ao Prêmio Eisner de 2014 pra cá. A narrativa segue a história de Laura, uma adolescente que tem ligações com as atividades do Panteão, um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação dos deuses, concedendo-os fama e poderes sobrenaturais, porém matando-os em dois anos. No Brasil, The Wicked + The Divine é da editora Geektopia, selo de quadrinhos da Novo Século.

Rat Queens

Quatro garotas. Muita magia e porrada. Sexo. Politicamente incorreto e bebidas. Tudo isso resume Rat Queens, série criada por Kurtis J. Wiebe e Roc Upchurch que tornou-se um símbolo e ícone da representação feminina forte e liberdade das mulheres, fazendo sucesso entre crítica e público. Publicadas no exterior pela Shadowline, um selo da Image, as aventuras das Ratas Rainhas Hannah, Dee, Betty e Violet são cheias de sangue, poderes, monstros malvados e reviravoltas, entregando o que há de melhor em aventuras de RPG. Bem construídas e com muita personalidade, as garotas protagonizam histórias medievais-fantásticas onde vale tudo, e a representação LGBT rendeu para esta revista o respeitado GLAAD Media Award. Upchurch foi afastado da série após agredir sua ex-esposa e foi substituído por artistas tão bons quanto: Stjepan Šejić, Tess Fowler e Owen Gieni. No Brasil a Jambô Editora está lançando os encadernados, com previsão do terceiro volume para dezembro de 2017.

Projeto Manhattan

Insana série de ficção-científica criada por Jonathan Hickman e Nick Pitarra, Projeto Manhattan narra os bastidores do projeto homônimo da Segunda Guerra Mundial que reuniu algumas das mentes mais brilhantes da época para, entre outras coisas, desenvolver a bomba atômica. Entretanto, esta série (já finalizada nos EUA) mostra que tudo isso é somente uma fachada para os projetos realmente importantes – e secretos – desenvolvidos pelo grupo de cientistas. Com ideias de explodir a cabeça, Projeto Manhattan é o fino do trabalho de Jonathan Hickman, que também trabalhou para a Marvel Comics e revolucionou os títulos por onde passou. A série foi lançada no Brasil pela Devir, totalizando cinco encadernados.

Alex + Ada

A história do rapaz chamado Alex que apaixona-se por uma androide X-5 de última geração é o plot de Alex + Ada. Criada por Jonathan Luna e Sarah Vaughn, esta série dramática sobre um homem solitário e uma criação inteligente foi publicada nos EUA entre 2013 e 2015, somando três encadernados (15 revistas) e muitos elogios por parte dos leitores e críticos, rendendo comparações aos filmes Ela (2013) e Blade Runner (1982). Apesar da arte extremamente simples de Jonathan Luna, todo o desenvolvimento de roteiro e personagens é impecável, e durante sua publicação a série chegou a ser estendida para melhorar a narrativa. No Brasil, Alex + Ada é um dos lançamentos de 2017 da Geektopia.

O Legado de Júpiter

Migrando rapidamente para os super-heróis temos um título de Mark Millar e Frank Quitely que reinventa muito bem o gênero. O Legado de Júpiter mostra a vida de Chloe e Brandon, filhos dos maiores heróis do mundo. Com uma narrativa saltada entre o passar dos anos, as decisões destes personagens trazem grandes mudanças para o planeta, passando da simplicidade dos tempos antigos para as crises mais modernas. A série possui publicação irregular nos EUA e foi trazida ao Brasil pela editora Panini, e com influências de Star Wars, King Kong, mitos romanos e similaridade com Authority, tornou-se rapidamente um dos mais bem-sucedidos títulos do vasto catálogo da Image Comics. Merecidamente.

Criminosos do Sexo

Matt FractionChip Zdarsky são os responsáveis pela criação de Criminosos do Sexo, série publicada nos EUA desde 2013 protagonizada pelo casal Suzie e Jon que, após dormirem juntos, descobrem ter a capacidade de parar o tempo ao alcançar o orgasmo. A decisão do casal é óbvia e inquestionável: eles resolvem utilizar este super-poder para assaltar bancos. Vencedor do Prêmio Eisner de Melhor Série Estreante em 2014, Criminosos do Sexo é um título imprevisível e lindamente ilustrado e colorido que, além da diversão proporcionada, toca em alguns assuntos delicados. No Brasil a editora Devir publica este título em encadernados de luxo, com o terceiro volume previsto para os próximos meses.


Pode parecer muito mas boa parte dos títulos primorosos da Image Comics permanecem inéditos no Brasil. Recentemente a editora Devir anunciou a publicação de Lazarus, de Greg Rucka e Michael Lark, mas revistas como East of West, Southern Bastards, ChewVelvet permanecem de fora dos anúncios das editoras nacionais.

Em paralelo, nos últimos anos alguns títulos da Top Cow (um dos selos da Image) como O Povo da Meia-Noite, Wanted e Rising Stars foram lançados pela Mythos Editora. Wytches foi publicado pela DarkSide, enquanto a Panini lançou MPH e America’s Got Powers. Pela Devir, os encadernados Happy! e Ministério do Espaço também chegaram às livrarias. E aos poucos parece haver uma expansão deste segmento do mercado, com um possível boost previsto para os próximos anos. Estaremos na torcida!

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Liga da Justiça | O que ler antes do filme?

A espera está acabando. Daqui a algumas semanas, os fãs da DC finalmente realizarão o sonho de ver a Liga da Justiça em ação nas telonas. Após a morte do Superman, Bruce Wayne recuperou sua fé na humanidade e reuniu um grupo de pessoas com habilidades especiais para conter uma invasão apocalíptica. O filme dirigido por Zack Snyder e escrito por Chris Terrio se inspirou em alguns quadrinhos para trazer vida à versão cinematográfica das Lendas. Saiba o que você deve ler antes de assistir ao filme:

1 – Liga da Justiça: Origem

Escrito por Geoff Johns e com desenhos de Jim Lee, este é o primeiro arco da revista da Liga nos Novos 52. Na trama, os heróis se unem ao acaso para deter a invasão de Darkseid. O filme não deve ter como inspiração apenas o primeiro arco, assim como a passagem inteira de Johns no título. Um dos motivos que reforçam isto é a presença do Ciborgue na equipe e sua origem ligada às Caixas Maternas, outro aspecto é o formato de cubo das Caixas no filme, também fruto dos Novos 52.

2 – Novos Deuses #7

Nessa edição de uma das suas maiores obras, Jack Kirby, conta a origem da Fonte, do Pai Celestial e do pacto entre Apokolips e Nova Gênesis. Além disso, temos a primeira aparição do Lobo da Estepe, o antagonista do filme da Liga. Se você quiser entender um pouco mais sobre determinados conceitos da mitologia dos Novos Deuses para não ficar perdido durante o filme, essa é uma leitura obrigatória. 

3 – Liga da Justiça: O Prego

Se você acha que não pode existir uma Liga sem o Superman, então você está certo. Se você acha que nunca existiu uma Liga sem o Superman, então você está enganado. O Prego é uma história do selo Elseworlds que traz uma formação das Lendas sem o Homem de Aço. É uma história extremamente sombria. Zack Snyder provavelmente usou o argumento dessa história como o argumento do filme da equipe. A diferença é que a versão cinematográfica trabalhará com o otimismo e a esperança. 

4 – LJA de Grant Morrison e Howard Porter

Com essa reformulação mais “clássica” da equipe, ao longo de 41 edições, Grant Morrison tratou os maiores heróis de todos os tempos como deuses caminhando entre nós em um run repleto de histórias grandiosas e complexas e a arte de Howard Porter pode ser extremamente noventista, mas é um trabalho gráfico fantástico. Todos nós sabemos que Zack Snyder ama grandiosidade e como vimos no último trailer, o filme promete ser realmente grandioso. Eu não tenho dúvidas de que o filme se inspirou na escala épica que Morrison trouxe à Liga. 

5 – O Retorno do Superman

Todos nós sabemos que o Homem de Aço irá retornar durante o filme, mas não sabemos como. Algumas teorias envolvem Caixas Maternas e até mesmo viagem no tempo para trazê-lo de volta. Até lá, que tal saber como o Homem do Amanhã voltou à vida nos quadrinhos? O Retorno do Superman traz um mundo desesperançoso com saudades do ícone enquanto surgem quatro pessoas para assumir o manto do herói: Erradicador, Superman Ciborgue, Superboy e Aço. Esse quadrinho reforça o quão importante o Superman é importante para o mundo, assim como Snyder pretende em seu longa. 

 

BÔNUS: Super Powers Volume 2

Como observado nos últimos trailers do filme, o céu está vermelho e o chão está sendo terraformado, possivelmente com o intuito de preparar a Terra para a chegada de Darkseid. Saiba que o plot de O Homem de Aço não está sendo repetido. Caso a teoria se confirme, então o segundo volume de Super Powers serviu como uma das inspirações. O quadrinho se passa após a queda de Darkseid, que planeja moldar a Terra à sua imagem enviando as Sementes da Destruição.

Liga da Justiça chega aos cinemas no dia 15 de novembro. Para saber sobre tudo o que acontece na Editora das Lendas, fique ligado na Torre de Vigilância.

 

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Análise | The Evil Within 2

Sebastian Castellanos reaparece para a sequência de um dos jogos de terror que mais recebeu elogios na geração atual e porque não afirmar, na passada. The Evil Within 2 infelizmente não tem a mesma premissa rica, psicologicamente perturbadora e esteticamente magnífica do primeiro jogo. Mas, apesar do que esperávamos, este thriller de terceira pessoa ainda é estranhamente agradável, bem como a companhia de um Castellanos cheio de contrapontos pessoais.

Três anos depois de sobreviver ao Beacon Mental Hospital, Sebastian se culpa pela morte de sua filha, Lily, que aparece logo no início em uma cena de abertura onde temos um vislumbre seu. Entretanto temos a revelação que Lily de fato, não morreu, e apartir daí começa o novo desafio do nosso protagonista, resgatar sua filha e sintetizar a consciência compartilhada do sistema STEM, assustador. Então, você não tem outra escolha. Tudo o que se tem a fazer é enfrentar os perigosos mortos-vivos, em uma pequena cidade virtual que se torce sobre si mesma com bairros inundados de sangue e outras coisas grotescas, enquanto sua filha espera o resgate.

Durante a gameplay é rapidamente visível que toda as motivações dos personagens e logística de solução dos problemas, assim como o enredo, são muito convenientes. Entretanto, nada disso vai interferir no seu desempenho, tudo o que você realmente precisa saber é que Sebastian está de volta e pronto para matar todos e quaisquer monstros estranhos assassinos para salvar sua filha. Nessa sequência temos novas vozes para Sebastian e Juli Kidman, diga o que quiser sobre as performances originais, mas pessoalmente não me irrita uma mudança desse nível, quando é nos dado uma explicação para tal, como por exemplo, mais tempo de fala ou então a necessidade de interpretação para novas situações, que os antigos encarregados não acompanhariam. Sempre me incomodei com o primeiro jogo, com as frases de Sebastian que não coincidem com o tipo de situação absolutamente horríveis que ele está regularmente exposto. Como soltar um “Merda” sem nenhum espasmo na voz ou sem o tom cansado de quem correu por uma cidade enorme fugindo de mortos-vivos, ou despertar de um sonho, nível “Hora do Pesadelo” e lançar um “Isso foi estranho”, muito caído.

Os modelos de personagem parecem ter assumido um estilo completamente diferente dos modelos adotados no jogo anterior. De alguma forma, apesar de o fato dessa sequência não ter sido feita para PS3 e Xbox 360 em mente, a apresentação visual deu um passo elástico para trás. Quando o jogo original fez um ótimo uso de texturas sujas e filtros visuais escuros para dar ao mundo um ar de ferrugem, lodo intestinal e decadência, The Evil Within 2 parece tentar trazer o mundo pop para sua formação. O resultado é um estilo visual estranhamente vibrante devido à agitação geral dos acontecimentos, como uma espécie de Fallout 4 no Resident Evil. De longe não podemos dizer que temos um jogo feio graficamente, excluindo os inimigos propositalmente horríveis que ficam ótimos apesar da falta de variedade. Mas, em comparação com The Evil Within, essa sequência tenta trazer novos pontos que não se encaixam num mundo aterrorizante.

Enquanto graficamente o jogo deixa a desejar em comparação ao seu antecessor. Quando falamos de imersão, não há o que reclamar de The Evil Within 2, haverá momentos em que você vai sentir receio de ter que dar um único passo a frente, ou para um lugar mais abaixo por um corredor escuro. Os destaques aqui vão para a equipe criativa que pensou nos cenários e na fotografia sádica do game, que evidentemente se inspiraram em designs de outras franquias famosas, como Silent Hill e Resident Evil. O áudio finamente sintonizado também está cheio de pequenos ruídos insidiosos que farão com que todos seus pelos se ericem, enquanto o jogo tenta te convencer através de uma falsa sensação de segurança com a música clássica vagamente dissoluta. Geralmente, uma atmosfera de suspense esmagadora ou momentos de fuga são muito mais eficazes e emocionantes do que a recompensa que vem em seguida, o que é muitas vezes um artifício do entretenimento de terror.

Se você jogou o primeiro jogo, você sabe o que esperar da jogabilidade de The Evil Within 2. Uma mistura de emoções, uma variação de preservação e de ação, vontade e racionalização. Alguns inimigos são mais difíceis ou rápidos do que outros, mas nenhum deles é particularmente inteligente, então você raramente precisa ajustar suas táticas de combate. Morrer tentando aqui é algo que se deve aceitar, um erro pode facilmente resultar em você ser machucado, enrolado e morto em questão de segundos. Esta sequência mergulha completamente no mecânico da gameplay do original, onde os cadáveres não queimados poderiam potencialmente reviver a qualquer momento, gerando uma desconfiança e pânico iminente com os cadáveres, já que você não tinha noção do que poderia acontecer, uma verdadeira ambientação de terror clássico.

The Evil Within 2 não consegue sair da sombra do primeiro jogo, mas embora não tenha o mesmo estilo unido e unificado, você não terá que se preocupar com mecânicos frustrantes ou com picos de dificuldade enfurecedores. Se você não tiver nada contra o jogo original em seu coração, você certamente curtirá essa sequência. Depois de jogar ao lado de Sebastian, você se lembrará com um olhar de carinho para The Evil Within 2, com sua mistura satisfatória de sustos, combates duros e impressionantes conjuntos de alucinação. The Evil Within 2 oferece outro passeio de terror divertido, desafiante e tenso que deve encantar os fãs do primeiro jogo.

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Amazing Adventures

Guia de Leitura ESPECIAL #26 | Star Wars

Star Wars, a Ópera Espacial que encanta gerações chegou na Torre de Vigilância. Criada por George Lucas, teve seu início em 1977, e desde então se tornou uma das franquias mais lucrativas e bem sucedidas de todos os tempos. Não se limitando apenas aos cinemas, Star Wars faz sucesso nos quadrinhos, séries de TV e livros, também conhecido como Universo Expandido, com centenas de títulos que contam o antes, durante e o depois, em uma linha do tempo que se estende por milhares de anos.

Após a venda da Lucasfilm para a Disney em 2012, a gigante das animações decidiu botar ordem na casa.

Selo Legends: Para separar tudo que havia sido escrito antes de 2012, a Disney decidiu colocar todas as obras dentro do selo Legends. A ideia do selo é transformar as histórias em lendas, ou seja, podem ou não ter acontecido.

O objetivo deste guia é organizar cronologicamente o Novo Cânone de Star Wars, e atualizar ele conforme novos materiais chegam, sejam eles filmes, HQ’s, livros ou séries. Inicialmente, darei foco para os materiais que já se encontram aqui no Brasil.

A linha do tempo será organizada pelo evento de Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, onde a Aliança Rebelde destruiu a Primeira Estrela da Morte durante a Batalha de Yavin.

ABY (Antes da Batalha de Yavin) 

DBY (Depois da Batalha de Yavin)

Vamos começar a nossa jornada, e cuidado com as desintegrações pelo caminho.

Apesar de ser do selo Legends, esta obra pertence ao Cânone oficial de Star Wars. Uma das raras exceções.

E por hoje é só, espero que tenham curtido e fiquem de olho nos próximos lançamentos de uma galáxia muito, muito distante. Que a Força esteja com você!

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Detective Comics Quadrinhos

Kombi 95 te leva para um passeio pelos anos 90

“Anos 90. Regras: Não há regras.”

Durante os anos de 1963 e 2001 em São Paulo, circulou um dos maiores sucessos editoriais do país: o jornal Notícias Populares. Ou simplesmente NP. A publicação entrou para história com suas manchetes violentas e sexuais. Suas matérias faziam sucesso na época, e o NP tinha como slogan os dizeres “Nada mais que a verdade”. Foi dele que surgiram matérias como o Bebê Diabo, O Desaparecimento de Roberto Carlos e a Gangue dos Palhaços.

A Gangue dos Palhaços era um bando, que segundo o Notícias Populares, composto na verdade por duas pessoas, um homem negro e uma loira. Ele vestido de palhaço e ela de bailarina. Eles atraiam crianças com balas e doces, e depois jogavam dentro de uma Kombi branca. Depois a criança que tinha sido raptada era encontrada sem órgãos. Eles atuavam sempre na frente das escolas. Apesar do NP sempre deixar bem claro em suas páginas que não passavam de boatos, o caso teve grande repercussão ao nível nacional. Tendo até relatos de testemunhas da tal Kombi. Havendo caso de palhaços de verdade que foram espancados por engando pelo povo. Os anos se passaram e o caso virou lenda urbana em todos os lugares do Brasil, por exemplo, eu sou da cidade de São Gonçalo/RJ, e aqui a lenda tem bastante força, inspirando até uma banda de punk/rock que tem o nome de A Kombi Que Pega Crianças. Confira o som dos caras no jabá AQUI.

É a partir dessa lenda urbana, noticiado com exaustão por cerca de dois meses seguidos pelo Notícias Populares, que a HQ Kombi 95 vira a chave da ignição e pisa no acelerador. A mais nova publicação do selo Plot! que é um dos braços da Editora Alto Astral, é escrita e desenhada pelo Thiago Cruz, o popular Thiago Ossostortos (sobrenome adquirido graças ao seu blog Ossostortos.blogspot.com.br), assim como foi com Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas da Psonha, confira a resenha AQUI,  do mesmo selo, a edição é bem colorida, com o acabamento bem feito e posso dizer que é um dos quadrinhos mais divertidos que li no ano. E Kombi 95 é uma grande homenagem a tudo que se refere aos anos 90.

E quando eu digo tudo, é TUDO mesmo.

Kombi 95 já começa de um jeito bem divertido que mostra, como a própria HQ diz: “Quando a rua era quintal”. A época que se andava na rua, brincava na rua, sentava-se nas calçadas para fofocar sobre o que acontecia na rua. A ode aos anos 90 que Thiago Ossostortos colocou nos remete a um momento onde as pessoas só tinham como interagir no tête-à-tête, sem telefones, computadores e afins. Isso sem contar nas DIVERSAS referências musicais, televisivas, de moda, tendências, comidas, comportamento dos jovens etc e tal. Logo de cara temos a grande referência, a capa da HQ é baseada no clássico disco do Green Day: Dookie (1994).

Mas vamos para a história, Kombi 95 começa com o sumiço do menino Albino, e o boato que ele tinha sido sequestrado pela Gangue dos Palhaços estava cada vez mais forte, seus amigos então resolvem investigar e montam uma força-tarefa chamada de Os Caça-Palhaços. Apesar dos meninos parecerem estar mais animados com a diversão que a investigação proporciona do que resolver o mistério mesmo. A partir daí a história se desenrola se misturando com elementos dos anos 90. Tais elementos são praticamente personagens da HQ, em momentos eles interagem com a história, e ao mesmo tempo parecem ser uma história a parte. Ao mesmo tempo em que nos afastam da trama principal eles nos trazem de volta. O desfecho de Kombi 95, confesso que foi algo que não esperava. E é bem legal quando uma reviravolta que você menos espera acontece do nada, algo meio raro nos quadrinhos de hoje em dia, principalmente em alguns casos gringos.

O modo que Thiago Ossostortos coloca de tudo um pouco nos desenhos é impressionante, e ao mesmo tempo não fica nada confuso visualmente. Em qualquer parte da HQ você encontra um pedaço dos anos 90. Coisas como a batalha dominical entre Gugu X Faustão pela audiência está lá, como também tem o simples fato de ter que usar todas as fotos do rolo para poder revelar fotos. Jogar videogame em locadoras, ir à banca de jornal para comprar figurinhas, algumas coisas são mais tradicionais de São Paulo como, por exemplo, a extinta loja Mappin. Mas mesmo que você não pegue tudo que está lá, ou simplesmente não venha conhecer, não atrapalha o desenvolvimento da trama.

As interações dos personagens com o modo de viver dos anos 90, não tem como sentir um pouco da nostalgia e saudades daquela época. Tanto nas amizades como nas paqueras. Rolando até um momento, digamos sublime, para todo o adolescente. Tudo que é referente à juventude daqueles anos está lá, algumas gírias, modo de vestir, skates, patins, bicicletas… sempre tinha um que o pai era melhor financeiramente e tinha uma mobilete. Ou mesmo um computador, que na época se resumia a jogar DOOM e outros jogos, um tempo em que a internet ainda começava a engatinhar. Acesso mesmo, que poucas pessoas tinham, somente depois de meia-noite, via telefone, com o ancestral barulhinho de conexão.

Mas o que dita fortemente são as músicas. Sim, podemos dizer que Kombi 95 tem a sua própria trilha sonora. As músicas se espalham no decorrer da história e tem até uma playlist para poder ouvir. Na HQ tem um QR CODE, onde pode ouvir a eclética setlist no Spotify recheada de sucessos dos anos 90. Raimundos, Mamonas Assassinas, Titãs, Leandro & Leonardo, Só Pra Contrariar, Chitãozinho & Xororó, Racionais MC’S entre outros fazem parte da lista de 13 músicas.

Kombi 95 diverte e entrega o que propõe com seu acabamento bonito e uma excelente produção. No final ainda rola alguns desenhos adicionais bem bacanas, e a contra-capa são com fotos do Notícias Populares. Mais um belo lançamento da Plot! que vale a pena ser conferido.

 

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Como se Tornar o Pior Aluno da Escola: o politicamente incorreto da forma correta

Em um momento tão turbulento no nosso país, esse novo filme baseado no livro de Danilo Gentili, Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, chegou na hora certa. Uma história que destaca várias problemáticas modernas – abusos sexuais, postura escolar desleixada, educação precária são algumas delas – e as coloca em um patamar completamente incorreto, mas que agrada por quebrar qualquer paradigma e não ter medo do que precisa ser dito, usando o humor do melhor jeito: uma forma de expressão.

Aos adolescentes, crianças e até professores que vivem no ambiente escolar: Como se Tornar o Pior Aluno da Escola foi feito para vocês. Toda a ambientação demonstra críticas severas para a educação. Como a escola cria um redoma em cima do aluno, pressionando-o a estudar e pensar sobre o futuro a todo momento, além do relacionamento entre professores e alunos, que se dá por desgastado e frustrante em alguns casos. Não que a mensagem do diretor Fabrício Bittar e a do roteirista, ator e produtor Danilo Gentili seja largar a escola, mas às vezes a socialização e o próprio aproveitamento da vida está ficando de lado, e estes precisam ser resgatados.

As piadas exageradas baseadas no humor negro, que sempre estiveram ligadas ao polêmico Gentili, criam boas passagens e provocam risadas sinceras. O filme não irá funcionar para  muitos, dependendo do espectador exclusivamente; sua visão de mundo e a forma como recepciona uma piada influenciam na forma de assistir. Para os mais sensíveis, que não gostam de um humor mais sarcástico, sujo e crítico, passe longe desse verdadeiro manual de como ser um pesadelo na escola. Particularmente, suas gracinhas funcionam e são eficazes, principalmente pelo elenco completamente diverso e cômico.

Carllos Villágran, o famoso Quico de Chaves, não consegue se desprender do personagem mexicano, mas seu esforço é satisfatório. Apesar do português péssimo, a tentativa de falar a língua nacional e ser um diretor escolar clichê, o inimigo dos alunos, encaixa perfeitamente na trama proposta. Fábio Porchat é um personagem polêmico que participa da cena mais polêmica do ano. Rogério Skylab faz a personificação perfeita do professor desleixado. E, surpreendentemente, no meio de grandes nomes, o ator/personagem que mais se destaca é o faxineiro rabugento interpretado por Moacyr Franco. Um dos humoristas mais importantes e esquecidos da nossa época tem uma presença incrível nas cenas, misturando o descontentamento do personagem com a sua dose humorística própria.

Já o núcleo principal composto por Danilo Gentili e os dois adolescentes Pedro (Daniel Pimentel) e Bernardo (Bruno Munhoz) seguem o caminho do Senhor Miyagi e de Daniel San para salvarem Pedro da reprovação, tendo que tirar 10 na prova final. Daniel Pimentel e Bruno Munhoz não parecem ser grandes atores, mas têm potencial. Dá para perceber que as falas e as atuações são mais robóticas do que naturais. Gentili interpreta a si próprio, não conseguindo tirar a sombra de sua fama como apresentador do personagem. Porém, tudo é bem intencionado, o humorista é consciente de que ele não é ator, forçando na interpretação que lembra o jeito exacerbado de Mike Myers em O Gato (2003).

Fabrício Bittar é o responsável pela direção, não é preguiçoso em usar efeitos práticos e ousar nas sequências. As cenas da perseguição de carros e a destruição dos banheiros destacam qualidades técnicas pouco vistas nos filmes de comédia brasileiros. Entretanto, no quesito de montagem, onde a história tende adquirir um fluxo narrativo coeso, talvez seja onde Como se Tornar o Pior Aluno da Escola falhe. Transições de cenários como nas novelas, narrações exageradas para cobrir buracos no roteiro, pulos temporais curtos feitos por linhas e desenhos de caderno não são tão eficientes pelo uso excessivo. E a montagem rápida atrapalha o background do protagonista. Sua insatisfação pela escola e os professores é óbvia e bem representada, mas na hora de construir o personagem, as justificativas e as consequências finais dele perdem impacto por essa interferência.

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola foi uma das maiores surpresas na comédia desse ano. É um filme que não se leva a sério, e que não deve ser levado a sério. Faz jus ao nome de Danilo Gentili pelas polêmicas colocadas e o nítido descontentamento com várias situações da vida moderna. Seguindo um dos ensinamentos mais importantes de Curtindo a Vida Adoidado (1986): aproveite.

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A Morte Te Dá Parabéns: a diversão dentro da simplicidade

O péssimo título adaptado para o Brasil te dá vergonha. Originalmente intitulado Happy Death Day, o filme conta a história de  uma garota universitária que entra em um ciclo vicioso no dia do aniversário sempre que é morta  por uma figura misteriosa. O conceito chama a atenção, mas é cercado por uma estrutura extremamente desgastada e simples. A Morte Te Dá Parabéns não foge dos clichês do gênero terror B para adolescentes. Apresenta a estudante bonitinha que tem um círculo de amigas invejosas, conflitos amorosos e uma grande lição de amadurecimento. Apesar disso, as cenas bem humoradas e o conceito temporal formam uma boa combinação e um entretenimento válido para assistir com os amigos.

Christopher B. Landon não tenta criar algo muito complexo. Sua direção está alinhada com a história e as atuações, totalmente básicas e feitas para arrecadar uma quantia regular de dinheiro (o longa não deve se sair tão bem nas bilheterias). A câmera do diretor foca nos eventos repetitivos da vida da garota Tree (Jessica Rothe) para mostrar que ela está passando pelo mesmo momento várias vezes. Suas demonstrações detalhistas e excessivas não exercem nenhuma função significativa para a narrativa, tratando o público como burro. Até mesmo alguns diálogos e falas parecem querer conduzir o pensamento do espectador, porque este não terá a capacidade mínima de compreender uma simples ação.

Landon não é de todo ruim. Dá para sentir boas intenções na ambientação que ele tenta criar em várias cenas. Seja pelo o uso da luz e das sombras ao favorecer o assassino com máscara de bebê, que sempre está bem posicionado em tela exalando perigosidade. As sequências de perseguição são muito bonitas de acompanhar, o travelling e o plano holandês tornam satisfatória a sensação de assisti-las. A falta de violência sanguinária incomoda, provavelmente por conta da classificação indicativa, e talvez deixaria o próprio filme mais interessante.

Não só na direção, mas também no roteiro desenvolvido por Scott Lobdell há boas intenções e erros. Os dias similares guardam características e consequências próprias provocadas pela protagonista. Enquanto ela morre e o dia renasce novamente, o emocional e a personalidade da personagem vão evoluindo constantemente. Suas descobertas e decisões são pautadas pelo o que acontece durante as tentativas de descobrir quem é o assassino. Méritos do roteiro, que tem coerência quase total, tirando alguns tropeços no timing dos acontecimentos e na falta de profundidade ao tratar suas mensagens.

O filme, porém, não guarda um resultado negativo. Seu conceito de morte e ressurreição é chamativo aos adolescentes em geral. Ainda há várias cenas que inserem um humor agradável e pontual. O próprio assassino tem um estilo mais moderno, seguindo os traços parecidos com os da série Scream da Netflix. A trilha sonora guarda uma junção entre traços musicais infantis e de suspense. Além desses atrativos, há um plot twist óbvio para alguns e surpreendente para outros, que trará algumas discussões breves após a sessão.

Apesar das imensas oportunidades perdidas, ao todo, A Morte Te Dá Parabéns traz um bom divertimento, uma trama instigante até certo ponto e alcança os seus pequenos objetivos. Junte seus amigos e vá assistir uma prova concreta de que a simplicidade traz bons frutos às vezes.