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Review | Kingdom Hearts III

Após quase quatorze anos do lançamento de Kingdom Hearts II, a conclusão da história criada por Tetsuya Nomura enfim viu a luz do dia. É claro, que durante esse tempo, inúmeros jogos dando continuação ao segundo jogo foram lançados e expandiram (e complicaram) a trama.

Kingdom Hearts III segue os eventos de Dream Drop Distance, lançado em 2012 para Nintendo 3DS, onde Sora precisa recuperar seus poderes e enfim derrotar Xehanort, de uma vez por todas.

Assim como os títulos anteriores, temos a presença de mundosbaseados em filmes da Disney, são eles: Hércules, Enrolados, Toy Story, Monstros S.A, Frozen, Operação Big Hero e Piratas dos Caribe, além de uma breve participação do Ursinho Pooh. Apesar de serem divertidos, e ser o grande chamariz do jogo, os mundos não acrescentam tanto na história em si. É claro que os membros da Organização XIII aparecem, e jogam diálogos expositivos a rodo, mas no geral, não soma em nada, e pega grande parte do jogo.

Já na parte do lore em si, o jogo utiliza as primeiras horas para contextualizar os plots que foram deixados em aberto, e que seriam revolvidos no game. Foi uma boa escolha da equipe do jogo. A grande maioria das dúvidas acerca da história foram respondidas. Algumas outras foram deixadas em aberto, para um novo game da franquia. O próprio diretor, Tetsuya Nomura, já havia confirmado, que Kingdom Hearts III não seria o último jogo da série.

A parte final poderia ter sido melhor trabalhada. Há muitas quebras de ritmo no gameplay, por causa da forma que dividiram as batalhas.

Alguns dos personagens secundários poderiam ter sido melhores explorados. Eles acabam ficando lá somente como apoio à Sora, e levando em conta a importância deles na franquia, é uma pena.

Kingdom Hearts sempre foi uma franquia que possuiu visuais estonteantes, seja pelas mudanças de estética, baseadas nos filmes ou seja nas cutscenes, e em Kingdom Hearts III, não foi diferente. As diferentes formas que Sora, Donald e Pateta tomam ao adentrar em algum mundo são ótimas. As cutscenes do jogo são um show a parte de tão bem feitas e lindas. Tudo isso regado pela maravilhosa trilha-sonora, composta mais uma vez por Yoko Shimomura.

O combate de Kingdom Hearts III é fluido, divertido e simples. Simples até demais, apesar de possuir estratégias  e combos diferentes, qualquer pessoa pode terminar o jogo, somente esmagando o botão de ataque. O jogo em si é bastante fácil. Não senti tantas dificuldades, tirando a reta final do jogo, e olha que nem cheguei a fazer grind.

O game também possui alguns minigames, como coletar ingredientes para cozinhar com Remy, de Ratatouille, tirar fotos de Lucky Emblems, símbolos com o formato da cabeça de Mickey, necessários para desbloquear o final secreto do jogo, snowboarding, desafios de batalhas, entre outras coisas.

Kingdom Hearts III é a culminação do universo criado por Tetsuya Nomura, do PlayStation 2 ao Smartphone. E o epílogo confirma que teremos muito mais desse mundo em breve, e não podemos estar mais ansiosos e com medo.

Nota: 8.0

Kingdom Hearts III está disponível para PlayStation 4 e Xbox One.

Agradecimentos à Square Enix pelo envio do código.

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Tela Quente

Com Polar, Mads Mikkelsen e violência se tornam excelentes sinônimos

Aposto que após assistir ao filme, você que aqui se encontra não conseguiu tirar da mente de como seria a parceria mortal entre John Wick e Duncan Vizla, certo? Pois então, saiba que não está sozinho neste desejo. A violência em Polar se faz presente, porém não foi o único chamariz atrativo.

Estrelado pelo excelente Mads Mikkelsen, a história mostra os preparativos de seu personagem, Duncan, prestes a se aposentar e seguir com uma vida de paz absoluta. Quem não quer se aposentar um dia, não é mesmo? O diferencial aqui é o trabalho no qual exercia. Assassinato.

Só que esta paz entrou em conflito quando precisou retomar suas atividades para evitar que seja morto. Daí em diante veio uma enxurrada de adrenalina para deixar o telespectador se contorcendo no sofá com os golpes, mutilações e muitas fraturas.

O grupo de antagonistas impõe a sensação de perigo que o protagonista enfrenta e mostra completa sintonia em seus atos ao longo de toda a trama, porém não o suficiente para representar um elemento preciso para derrotá-lo. Já Matt Lucas como Blut entrega um vilão bem caricato e cheio de trejeitos, o que torna esta caçada ainda mais divertida de acompanhar.

Vanessa Hudgens foi uma boa adição ao elenco, onde conseguiu transmitir através dos olhares, o medo e por consequência, o trauma sofrido no passado. É com ela que somos apresentados ao plot twist da história, que apesar de ser uma revelação frequentemente usada em alguns filmes de ação, ainda sim é mostrado aqui de forma suave e sem pressa. O longa não dependia deste fator, pelo contrário, foi se sustentando bem e a informação nova trouxe um sabor a mais.  A interação entre Mads e Vanessa é muito boa, tendo ambos os atores bem equilibrados em demonstrar suas emoções. O sisudo de Duncan se complementa com o reservado de Camille.

Katheryn Winnick apresenta de forma dividida sua personagem Vivian, uma vez que trabalha contra Vizla e ao mesmo tempo, mostra preocupação em atiçar a onça com vara curta.

Polar possui uma salada bem agradável de elementos que permite um excelente entretenimento em sua duração de quase duas horas. A chance de uma sequência é bastante real e o gancho mostrado só corrobora por este caminho. Há potencial para até encerrar numa trilogia, se isso for possível. Quem iria reclamar? Até porque, queremos ver mais de Duncan Vizla dando uma boa surra em que se meter no seu caminho.

Polar é uma adaptação cinematográfica da Netflix do gibi de mesmo nome da Dark Horse escrita e ilustrado pelo espanhol Victor Santos.

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Review | Tales of Vesperia: Definitive Edition

A série Tales of é uma das mais conhecidas franquias de JRPG que existem, juntamente com Final Fantasy e Dragon Quest. Em 2019, Tales of Vesperia, um dos títulos mais aclamados da série, completará 11 anos de seu lançamento original, para Xbox 360. Sim, por incrível que pareça, o jogo foi lançado como exclusivo da Microsoft.

No entanto, em 2009, uma nova versão de Tales of Vesperia foi lançada para PlayStation 3, exclusivamente no Japão. Essa versão trazia novos conteúdos, como mais diálogos entre o elenco, aprofundando a relação entre eles e novos personagens jogáveis, além de praticamente ter o jogo inteiro com falas dos atores, coisa que na versão do console da Microsoft, era limitada.

E então, na E3 2018, a Bandai Namco surpreendeu a todos, com o anúncio de Tales of Vesperia: Definitive Edition, uma versão remasterizada, com todos os conteúdos adicionais, e para todas as plataformas, em comemoração aos 10 anos de lançamento.

  • O primeiro contato com a franquia

Apesar de já estar em meu radar há algum tempo, eu ainda não havia achado uma oportunidade perfeita para jogar algum game da série, mesmo com Tales of Berseria estando disponível no Brasil. Então, quando anunciaram na E3 do ano passado, decidi começar por ele. E não poderia ter sido melhor. O elenco de personagens é incrível, e a história é ótima, apesar de alguns problemas. Ver esses personagens evoluindo, foi de longe a melhor coisa do jogo.

  • Quando o gráfico ajuda na construção dos personagens

Se estiver familiarizado com animes e mangás, saberá como as personalidades do nosso grupo principal, são um tanto clichês. As reações deles são bem o que você espera desse tipo de personalidade, porém, funcionam muito bem. E para isso, há dois fatores importantes para os personagens funcionarem tão bem: a engine “ultrapassada” e a localização.

O gráfico mais “anime” permite que você remasterize o jogo sem precisar alterar toda a modelagem dele sem perder os tanta qualidade. As reações de personagens como Yuri e Raven, que possuem uma veia mais de “malandros”, ajudam a caracterizar esses personagens. A localização para PT-BR ficou espetacular, o jogo inteiro está traduzido e com legendas, mais um ótimo trabalho da Bandai Namco do Brasil. Há um uso de gírias que me tiraram bastante risadas.

As cenas em anime em si, no entanto, só receberam um upscale na resolução, e ficaram com uma qualidade bem abaixo até mesmo da cena da abertura (que não consigo pular de tão boa que é!). Poderiam ter refeito as mesmas, mas não é algo que estrague a experiência.

A narrativa do jogo é quase perfeita. Digo quase, pois há momentos em que o jogo basicamente empurra mais coisa para poder se estender. Quando você pensa que está chegando no final, sempre há mais um plot twist. Dito isso, a progressão entre “precisamos recuperar a blastia aquae para tampar a inundação” para “fim do mundo”, é bem natural, as coisas se encaixam. O jogo é bem linear e intuitivo, você sabe exatamente pra onde tem que ir.

Os puzzles são simples, e não se repetem. Se você tiver que fazer duas vezes o mesmo puzzle em uma dungeon, será muito.

  • A jornada de Estelle e a justiça de Yuri

Após algumas horas de jogo, percebi que Estelle é a verdadeira protagonista de Tales of Vesperia. Uma garota inocente, protegida do mundo em seu Castelo, decide fugir e viver uma jornada. Estelle quer cuidar de todos, sem ter medo do que acontece consigo mesmo, e após certas revelações, a personagem, que no início era um pouco irritante, começa a crescer.

E o que falar de Yuri Lowell? Acho que poucas vezes me surpreendi com personagens de videogame, ou provavelmente nas mídias em geral. Yuri é o nosso herói, aquele quem controlamos durante o jogo inteiro. As ações tomadas por ele são duvidosas, apesar do jogador entendê-las. Os jogadores, assim como Repede, se tornam cúmplices de suas escolhas e são obrigados a carregar o peso de suas ações junto à Yuri. No entanto, isso é algo que fica meio esquecido, conforme o jogo vai se aproximando do final.

  • Combate fluido, mas com funções problemáticas

Diferente de alguns JRPGs, Tales of Vesperia não possui batalhas em turno. O jogador vai até o inimigo e então tem acesso a uma tela de batalha. O combate é fluido e simples, pelo menos no começo. No decorrer do jogo, mais comandos vão sendo apresentados, e quando menos se esperar, estará utilizando todos os botões do controle nas lutas. É difícil se acostumar, ainda mais quando os controles não respondem na hora, mas depois fica tranquilo. Agora, câmera é um tanto bugada e o sistema de lockdown terrível. Diversas vezes você acabará travado no meio de inimigos e não conseguirá sair.

O jogo não possui a necessidade de fazer grind, os pontos de experiência são bem distribuídos, claro, que isso vai levar em conta se o jogador batalhou ao menos uma vez contra cada inimigo nas dungeons. Alguns dos chefes são mais fáceis que os outros, porém não é gradual. Um chefe no começo do jogo, como o Gattuso por exemplo, pode ser mais difícil que um lá pelo final.

Veredito:

Tales of Vesperia: Definitive Edition é uma ótima forma de introduzir novos fãs à franquia. Sua história é bem conduzida em grande parte do tempo, e o elenco de personagens é extremamente cativante.

Nota: 8.5

Tales of Vesperia: Definitive Edition foi testado em um PlayStation 4. O game também está disponível para Xbox One, Nintendo Switch e PC (via Steam).

Agradeço a Bandai Namco pelo envio do código para review.

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Gameplay Games

Review | Resident Evil 2

Ele está entre nós! Jogamos Resident Evil 2 e como um dos jogos mais esperados desse ano, eu já inicio esse texto dizendo que o jogo conseguiu cumprir tudo o que prometeu e ainda conseguiu surpreender quem aguardava pelo seu lançamento.

O game, que foi um remake do que foi lançado em 1998, nos trouxe muito mais do que uma reprodução da obra antiga para os consoles atuais, ele nos trouxe um novo jogo, e que por incrível que pareça superou o seu antecessor.

Leon na delegacia

Por ser um remake, o jogo foi produzido do zero, ou seja, não se manteve nada do original como geralmente fazem os remasters (que geralmente só melhoram a qualidade gráfica). Mas mesmo sendo um jogo novo, todas as características do seu antecessor estavam presentes, agradando também os fãs da franquia mais antigos.

Dentre as diferenças que pudemos analisar entre os jogos, está a jogabilidade em 3ª pessoa e com mira, que foi introduzida na franquia a partir de Resident Evil 4. já que nos jogos anteriores era apresentado um esquema de diferentes câmeras onde à medida que o jogador passava pelos lugares, o jeito como ele via o personagem mudava (o que ajudava mais ainda no horror in game).

Claire Redfield

O esquema adaptativo de dificuldade presente desde Resident Evil 4 também está presente no jogo. Se você vai bem, o jogo continua mandando zumbis, já que você está conseguindo mata-los “normalmente”, mas se você está morrendo muito, o jogo vai facilitando e reduzindo a quantidade de inimigos.

Os puzzles presentes no jogo mudaram, ou seja, não adianta ter as soluções do jogo anterior por que elas não funcionarão novamente. Isso é um ponto extremamente positivo, já que assim antigos jogadores da franquia, aproveitam ainda mais a experiência e a imersão proposta.

O enredo também foi modificado e inimigos novos foram inseridos na história, formando realmente um novo jogo e mais uma vez conseguindo permitir que tanto players antigos quanto novos, consigam ter a mesma imersão.

Mas afinal, vamos àquela pergunta que muitos fãs devem estar se fazendo: “o jogo se manteve um survival horror?” Sim! Apesar de terem implementados elementos que tornaram a franquia a partir do quarto jogo, um gênero mais voltado para ação, como a mudança de câmera e a inserção de mira, os elementos de survival horror ainda estão totalmente presentes em Resident Evil 2. Você continuará tendo que economizar sua munição e regular o que você carrega em sua mochila, além de ser obrigado a sair correndo de medo de alguns lugares.

Ah! e falando em mochila, ela também sofreu algumas alterações. Agora itens podem ser combinados a outros que estiverem no chão, ou seja, se você estiver com a mochila cheia, e achar uma planta de cura no chão, mesmo sem espaço você consegue combina-la à outra planta que está guardada no inventário.

Novos itens também foram adicionados ao jogo, nesse remake você pode lacrar janelas com placas de madeira que encontra pelo caminho para impedir surpresas e jump scares futuros. As armas podem ser aprimoradas no decorrer do jogo, mas o jogador precisa ter a consciência de que alguns aprimoramentos aumentam o uso do espaço na mochila, ou seja quanto maior o aprimoramento, mais espaço a sua arma vai precisar.

O mapa também se tornou mais interativo, os lugares onde você visitou ficam em vermelho e se o player explorou todo o lugar (pegou todos os itens e afins) ele muda para a cor azul mostrando que a região está 100% explorada. Isso se torna extremamente útil já que assim você acaba não perdendo muito tempo em uma região por medo de ter deixado algo para trás e aproveita mais o que deve ser aproveitado.

O padrão de salvamento criado no primeiro jogo onde é mostrado quantas vezes você salvou num intuito mais competitivo também está presente, e dependendo da dificuldade escolhida, se escolher jogar no mais difícil por exemplo, você pode precisar daquelas famosas fitas de salvamento.

Mister X está de volta!

Portas não são mais sinônimos de lugar seguro, os zumbis conseguem abri-las após um tempo, inclusive nas salas onde possuem máquinas de escrever (as áreas de salvamento do jogo), não somente os zumbis, mas também o próprio Mister X, sai por aí batendo as portas à sua procura, sim, ele está de volta e nas duas campanhas (tanto na da Claire quanto na do Leon) e está mais assustador do que nunca.

As roupas dos personagens, mesmo estando atualizadas para épocas atuais podem ser alteradas depois de desbloqueadas. Isso mesmo! Quem quiser jogar com as skins clássicas podem ficar tranquilos, elas estão disponíveis no game e sem precisar pagar nada a mais para usar.

A dinâmica do jogo é extremamente precisa e satisfatória, sempre que o player consegue terminar algum enigma ou passar por alguma parte difícil. Se você achou que o tiro em terceira pessoa tiraria parte da experiência, fique tranquilo, isso não aconteceu. Dependendo da arma utilizada, apenas um tiro na cabeça não é o suficiente para eliminar um inimigo comum, esse esquema provavelmente veio por ser mais fácil acertar um inimigo na cabeça devido a existência da mira. A quantidade de tiros na cabeça do inimigo necessária para mata-lo também é imprevisível, enquanto alguns zumbis normais podem morrer com dois tiros na cabeça, outros levam três, caem e se levantam novamente.

Enfim chegamos ao nosso veredito e responderemos a pergunta que não quer calar “Mas e aí, o jogo vale a pena?” : Sim! O jogo vale muito a pena para você que é fã da franquia, para você que não é e só quer conhecer, e também para você que apenas quer cag*#r de medo e atirar em zumbis pelo caminho.

Nota: 9,8

Agradecimentos à Capcom pelo envio do código, o game foi testado em um PlayStation 4.

O jogo estará disponível a partir de sexta feira (25/01/2019) para PlayStation 4, Xbox One, e PC.

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Detective Comics Quadrinhos

Os 10 melhores quadrinhos republicados no Brasil em 2018

O ano que ficou pra trás foi marcado por muitas mudanças – positivas e negativas – no cenário de quadrinhos do Brasil. Como pôde ser observado na nossa listagem dos “Melhores quadrinhos estrangeiros publicados no Brasil em 2018“, apenas com títulos inéditos o mercado trouxe diversas obras maravilhosas. Mas não somente de novidades vivem as editoras.

Esta listagem tem como objetivo elencar, com base exclusivamente na opinião pessoal do redator que vos relata, os dez melhores quadrinhos republicados no Brasil no ano passado.

Os critério utilizados para seleção foram: deve ser uma obra que já foi publicada no Brasil, e não estão sendo contadas as reimpressões. Devem ser verdadeiros relançamentos, ou seja, a editora também deve ser diferente da primeira a trazer determinado gibi ao país no passado. Sem mais delongas, confira a listagem completa abaixo!

Bone: O Vale ou Equinócio Vernal

A obra-prima do genial Jeff Smith finalmente está recebendo o tratamento que merece no Brasil. Bone, um épico de fantasia dos quadrinhos norte-americanos (e de todos os tempos, vale dizer) teve duas outras tentativas de publicação no Brasil, uma pela editora Via Lettera e outra pela HQM Editora, ambas não levando a obra até o fim. Agora, a editora Todavia publicará, em três volumes (coloridos, com tradução de Érico Assis) toda a saga de Bone, Phoney Bone e Smiley Bone, e todos os outros personagens fantásticos desta aventura.

Bone, resumidamente, narra as aventuras dos três Bones após serem expulsos de sua vila e chegando a um misterioso vale fantástico. A trama se desenvolve em um épico de fantasia que não deve nada a Senhor dos Anéis e outras grandes obras. Uma leitura essencial para a vida.

Sláine: O Deus Guerreiro

Uma das mais famosas criações do roteirista Pat Mills (de Juiz Dredd, Guerreiros A.B.C., Marshall Law e Réquiem) Sláine já foi publicado no Brasil em algumas circunstâncias. A minissérie O Deus Guerreiro (The Horned God no original) é sua saga mais famosa de todos os tempos. Não é pra menos: esta história conta com os inspiradíssimos desenhos de Simon Bisley. A primeira publicação da série se deu no Brasil pela extinta Pandora Books, e em 2018 a Mythos Editora relançou a obra completa em uma edição de luxo.

Sláine é um bárbaro celta. Suas histórias são repletas de ação e mitologia céltica em perfeita harmonia, e O Deus Guerreiro é provavelmente o ápice da criatividade de Mills com o personagem (que depois ainda teve sagas fantásticas nas mãos de outros artistas como Clint Langley e Simon Davis). Narra a história de Sláine unindo as tribos de Tir Nan Og e se tornando o Rei dos Reis. A arte de Bisley também está em seu auge.

Tekkon Kinkreet

Provavelmente a obra mais famosa do mangaká Taiyo Matsumoto, Tekkon Kinkreet retornou ao Brasil em lançamento da editora Devir através do selo Tsuru. Publicada pela primeira vez no Brasil pela editora Conrad (com nome Preto & Branco), esta série é situada numa cidade de “ferro” e “concreto” (significado em japonês de Tekkon Kinkreet), onde vivem personagens também implacáveis e indomáveis.

Kuro (o preto) e Shiro (o branco) são órfãos. Para sobreviver, eles têm de roubar, lutar e se esconder em um mundo sombrio, solitário e corrupto, onde a própria cidade os afaga ou os despreza, como se fosse um ser vivo. Matsumoto é muito consagrado por sua fabulosa arte, porém a história narrada em Tekkon Kinkreet leva o leitor a momentos de angústia e felicidade em extremos opostos, bem como possui cenas verdadeiramente emocionantes. Esta obra possui uma adaptação cinematográfica e já venceu o Prêmio Eisner de Melhor Edição Internacional em 2008.

Fun Home: Uma tragicomédia em família

A obra-prima da autora Alison Bechdel, Fun Home já havia sido publicada no Brasil pela editora Conrad. Nesta autobiografia de sua vida e de sua família (em especial de seu falecido pai), Alison narra todo o conturbado relacionamento desta estranha casa. Seu pai, um homem cheio de segredos e gostos diferentes; ela, uma garota que descobre sua homossexualidade; o negócio da família, uma casa funerária.

E aos poucos Alison aborda cada mínimo detalhe de seu relacionamento com o pai, que faleceu poucas semanas após ela ter revelado ser gay. Sua morte, envolta em mistérios (pode ou não ter sido um suicídio), é o gatilho para que a autora se abra neste quadrinho excepcional. A nova edição de Fun Home foi trazida ao Brasil pela editora Todavia.

Cinco por Infinito

A mais famosa obra do gênio espanhol Esteban Maroto retornou ao Brasil após 45 anos desde sua primeira publicação pela editora Ebal que, em 1973, encerrou a série com seus 20 tomos. E além da republicação, agora em uma belíssima edição de luxo (um verdadeiro totem) pela editora Pipoca & Nanquim, o encadernado definitivo de Cinco por Infinito também possui um capítulo inédito da saga!

Antecedendo obras como Star Wars e 2001: Uma Odisseia no Espaço, com o clima sci-fi dos anos 60 de seriados como Star Trek e Perdidos no Espaço, Cinco por Infinito é um dos quadrinhos de ficção científica mais aclamados da história. Narra a jornada de cinco heróis terráqueos, Exploradores do Espaço, solucionando problemas pelo universo, perpetuando conhecimento de diferentes culturas e buscando a paz universal.

O Corvo – Edição Definitiva

O expurgo dos demônios internos de James O’Barr, que tornou-se um cult do quadrinho underground norte-americano (ganhando até mesmo um famoso filme live-action protagonizado por Brandon Lee, que morreu nas filmagens), O Corvo é simplesmente fenomenal. A noiva de O’Barr foi morta por um motorista bêbado, e a melhor forma que o autor encontrou para tirar de dentro de si toda a raiva e frustração contidas foi através da produção deste gibi.

O Corvo narra a vida de Eric Draven, que retorna para perseguir seus assassinos depois que estes interromperam uma vida de sonhos ao lado de sua amada Shelly. A publicação nos EUA foi independente a partir de 1981, e este ícone pós-punk já havia sido lançado no Brasil pela Pandora Books e retornou com uma Edição Definitiva da editora DarkSide.

Blood: Uma História de Sangue

Da parceria de J. M. Dematteis (roteirista) e Kent Williams (ilustrador) surgiu uma das mais cultuadas séries publicadas nos EUA através do selo Marvel Epic. Blood foi uma minissérie tão contundente (trazida ao Brasil pela primeira vez pela editora Abril) que alguns anos após sua publicação original, houve uma republicação pelo selo Vertigo da DC Comics. Ou seja, esta história foi impressa com os dois selos adultos mais famosos do quadrinho mainstream norte-americano! Com poético texto de Dematteis e estupenda arte de Kent Williams, Uma História de Sangue é definitivamente um dos destaques do ano passado, que retornou às livrarias pela editora Pipoca & Nanquim.

Um rapaz encontrado ainda bebê, num rio, e criado em um Monastério, descobre que não é a mão divina que escreve os livros que regem sua doutrina, mas sim a de seu mentor. Ele se sente traído e foge, mas não sem antes assassinar o homem, em um acesso de fúria. Sem rumo certo, ele dá início a uma jornada de autoconhecimento, até se deparar com uma tribo de vampiros em uma floresta que, contra a sua vontade, o transforma em um deles. Nesse dia nasce Blood, o vampiro…

Como uma luva de veludo moldada em ferro

A editora Nemo vem fazendo um trabalho espetacular com as obras de Daniel Clowes. Após Paciência e a republicação de Ghost World em 2017, em 2018 foi a vez da editora trazer de volta às livrarias do Brasil uma das obras mais famosas do autor, Como uma luva de veludo moldada em ferro, publicada no país há exatos 16 anos pela Conrad.

A sinopse: Ao tentar desvendar os mistérios por trás de um _snuff film_ – gênero em que as mortes filmadas são reais –, Clay Loudermilk se vê envolvido com um elenco cada vez mais bizarro de personagens, incluindo uma dupla sádica de policiais que entalha um estranho símbolo no seu calcanhar; uma suburbana de meia-idade e libidinosa, cujo encontro sexual com uma misteriosa criatura das águas gerou uma filha mutante grotescamente disforme, mas não menos libidinosa; um cão sem qualquer orifício (que tem de ser alimentado via injeções); duas vítimas sinistras de implantes capilares terrivelmente malfeitos; um carismático líder de culto, no melhor estilo Charles Manson, que planeja sequestrar um famoso colunista de autoajuda e muito mais!

Dampyr – Volume 1

Um ótimo personagem da italiana Sergio Bonelli Editore, criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo, Harlan Draka é o protagonista da série Dampyr. A trama explora o mundo dos Mestres da Noite, superpredadores que se alimentam de seres humanos. Porém, o nascimento de Draka, filho de uma humana com uma dessas criaturas, gera o único inimigo natural de tais ameaças: um Dampyr. Draka cresce para tornar-se o caçador dos Mestres da Noite, e conta com aliados como o soldado Kurjak e a vampira Tesla.

As aventuras, que muitas vezes são situadas em Praga porém rodam todo o mundo, já haviam sido publicadas no Brasil pela Mythos Editora, que trouxe os 12 primeiros números da revista original. A Editora 85 assumiu as rédeas da série há algum tempo, dando continuidade de onde a Mythos havia parado, porém agora também está relançando as primeiras edições, com novo – e ótimo – acabamento gráfico. Dampyr é uma grata surpresa originada da mente de um dos maiores gênios da Itália, e o cuidado editorial da 85 tem se provado excelente.

Marada: A Mulher-Lobo

O selo Marvel Epic mais uma vez está sendo mencionado neste TOP 10, agora com uma famosa obra de Chris Claremont (sim, o roteirista que definiu os X-Men para todo o sempre) e do fabuloso artista John Bolton (de Sandman e Os Livros da Magia). Marada: A Mulher-Lobo também já havia sido publicada no Brasil pela editora Globo através do selo Graphic Globo, em 1989. A obra retorna ao Brasil pela editora Pipoca & Nanquim republicando o que já havia sido lançado pela editora anterior, e também entregando material inédito!

Marada é uma fantasia medieval (gênero espada e feitiçaria) protagonizada pela mais poderosa guerreira que o Império Romano já conheceu. Entretanto, Marada jaz alquebrada, derrotada, entregue e indefesa. A história então, focada nos aliados da heroína de cabelos prateados, narra o que pode ter acontecido com a incrível espadachim. Recheada de feitiçaria, barbarismo, guerras e traição, hoje os direitos de publicação desta saga estupenda estão com a editora Titan Books, e o sucesso motivou a editora P&N a trazer mais uma obra de Claremont e Bolton, o inédito Dragão Negro.


Encerramos aqui este TOP 10 de melhores quadrinhos republicados no Brasil em 2018. Concorda com a lista? Discorda de algum título escolhido e possui sugestões, críticas ou elogios? Sinta-se a vontade para trocar uma ideia nos comentários logo abaixo, e torceremos juntos para que em 2019 outras maravilhas da nona arte há muito esquecidas pelo mercado retornem pelas editoras que vêm desbravando o cenário brasileiro!

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Primeiras Impressões | The Rising of the Shield Hero

Se tem uma coisa na indústria de animês que está mais saturada que o Reclame Aqui depois da Black Friday, com certeza é o gênero “isekai“. Eu sou um cara que gosta de clichês e que curte sempre as mesmas coisas repetidas vezes, mas mesmo pra mim… Putz mano, isekai já tá forçando a barra, não é mesmo?

Acontece que japonês é um povo estranho e não pensa assim, e continuamos com nossa leva sem fim de animês isekai sendo adaptados das mais diversas fontes. E como você pode imaginar, o que vamos falar hoje é justamente um isekai vindo de uma Light Novel.

Escrita por Yusagi Aneko, “Tate no Yusha no Nariagari” (lit. “A ascensão do herói do escudo“), como você pode suspeitar, fez relativo sucesso lá pela terra do sushi. Vendendo aproximadamente 3,3 milhões de cópias, recebeu adaptação em mangá, spin-offs e tudo que você tem direito.
Só quando foi licenciado nos Estados Unidos, pela One Peace Books, que sua “fama” cresceu no oeste. E eu uso as aspas pois a fama que Shield Hero tem no ocidente não é nada boa.

Você raramente vai me ver falando sobre assuntos polêmicos “da atualidade” pois do meu histórico, a maioria das pessoas que falam, não sabem do que estão falando. Eu incluso! Por isso, prefiro apenas omitir minha opinião sem embasamento (e queria que mais pessoas fizessem o mesmo). Mas quando o dever chama, acabamos precisando comentar. E é o caso aqui. A tal “infâmia” de Shield Hero se dá por conta de alguns temas delicados no ocidente.

Basta ler a sinopse, que você já identifica o primeiro: o protagonista, Naofumi Iwatani, é – falsamente – acusado de assédio sexual, e perde praticamente tudo que tinha recebido ao chegar no mundo alternativo. É um assunto complicado, ainda mais nos dias atuais, onde mais e mais alegações de assédio surgem na mídia. Foi um lançamento na hora errada, e no lugar errado.
Já o segundo não está tão escancarado, mas nota-se logo de início: como o autor e sua personagem principal lidam com o já famoso tropo de “escravidão num mundo alternativo“. Acho que não preciso entrar em detalhes sobre qual a causa da discórdia aqui, né?

Aquele momento que a personagem secundária é self-aware.

Da mesma forma que recentemente tivemos um surto da utilização da violência sexual como ferramenta de roteiro (Goblin Slayer, Sword Art Online Alicization, entre outros), vemos as alegações contra Shield Hero dividindo opiniões. Há quem diga que é apenas uma ficção e que esse tipo de ação só serve como engrenagens para girar a obra; e há quem diga que essas coisas são inaceitáveis, independente de qual o meio ou por qual motivo elas são empregadas.

Qualquer que seja sua opinião sobre o assunto, acontece que o autor já escreveu o negócio, e tal negócio já foi adaptado em animação, e cá estamos nós. Eu estava legitimamente surpreso com a qualidade da escrita nos primeiros momentos da obra. A reação das personagens aos acontecimentos eram muito reais e convincentes, dentro do pouco que nós conhecemos delas. Nos quarenta e tantos minutos iniciais da obra (que teve um primeiro episódio duplo), eu realmente me vi simpatizando com o pobre herói do escudo.

Mas… O resto dos episódios aconteceu. A história e o protagonista deram uma virada tão grande, tão rápidos, que eu quase fiquei zonzo. Do nada, tudo se tornou sombrio e forçado demais, parece que o autor se esforçou pra fazer com que o roteiro se tornasse o mais edgy possível. Forçou tanto, que acabou fazendo até com que sua personagem principal se descaracterizasse completamente. O pior é que logo depois, ele começa a mesclar as “duas personalidades” do cara, e o herói do escudo se torna um herói inconsistente, tentando ser edgy e fofo ao mesmo tempo. Simplesmente não dá.

Outro ponto a se levantar é sobre a construção de mundo. Não é incomum uma ambientação acabar sendo muito mais legal do que uma história (como eu vivia dizendo sobre Re:Zero). E o mundo de Shield Hero é um desses casos interessantes… Ao menos no papel.
Um reino com profecias antigas proclamando o fim dos tempos; problemas sociais e preconceitos conduzindo o subconsciente popular e corrompendo pessoas; uma sociedade matriarcal, onde a mulher é a autoridade maior. Mas quando vemos a realidade, temos apenas uma trama genérica sobre heróis que salvarão o mundo; uma sociedade escravocrata e que não tem nenhum desconforto com o seus preconceitos; e um reino matriarcal que é governado… Por um homem. São boas ideias, mas que ficam só no campo das ideias mesmo e nunca são executadas.

Ao menos a gente consegue salvar qualquer coisa através de memes, não é mesmo?

Quando olhamos para a parte técnica, porém, não há nada sobre o que reclamar. A animação está linda (pelo estúdio Kinema Citrus), a dublagem me deixou boquiaberto (meus destaques vão pro Kaito Ishikawa, Yoshitsugu Matsuoka e pra Asami Seto, o Herói do Escudo, o Herói da Espada e Raphtalia, respectivamente), as músicas fazem jus ao momento (por Fumiyuki Gou), e por mais conturbado que seja o material original, a direção fez o que pôde para torná-lo assistível (palmas para Takao Abo). É uma equipe e tanto trabalhando para tentar tirar leite de pedra.

A conclusão que se pode tirar é que se não parecesse tanto ser uma ficção de auto-realização vingativa, o show poderia ser melhor. Ele tem algumas ideias boas e algumas personagens interessantes, o único problema é que tudo isso é deixado em segundo plano, para dar foco a uma vingança forçada e que se esforça para parecer “adulta e sombria”, quando na verdade acaba tendo um efeito contrário, fazendo-a parecer boba e sem sentido.

Com o que temos pra hoje, a obra fica muito abaixo do que poderia ser, e embora ainda seja assistível, beira o medíocre e não traz muito divertimento. As primeiras impressões sobre o herói do escudo o deixam com uma nota de 4/10, e só podemos torcer para que o desenvolvimento da trama faça com que as partes boas sobreponham as partes ruins, que tiveram o foco até então.

Você pode assistir a The Rising of the Shield Hero pela Crunchyroll, que faz a transmissão simultânea com o Japão, com novos episódios todas as quartas-feiras.

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Vidro | O fim da perfeita trilogia de M. Night Shyamalan

M. Night Shyamalan é um cineasta que consolidou-se produzindo obras autorais e não de terceiros (vamos esquecer O Último Mestre do Ar e Depois da Terra, ok?), considerado por boa parte de sua ”fanbase’‘, como um dos melhores diretores da última década.

Contudo, logo no início dos anos 2000, Shyamalan concebeu para as telonas o controverso Corpo Fechado, protagonizado por  Bruce Willis e Samuel L. Jackson. Um longa-metragem sobre super-humanos que sofrem de uma complexabilidade nos quais acreditam ser super-heróis em uma sociedade composta apenas pessoas ”normais”.

Dezesseis anos depois, chega aos cinemas o famigerado Fragmentado, um thriller  com James McAvoy no papel principal. Nele, Kevin Wendell Crumb é um sociopata que sofre de transtorno dissociativo de identidade, que sequestra três adolescentes com a finalidade de viverem em cativeiro para um propósito muito maior.

A maior surpresa veio com o final de Fragmentado, quando David Dunn (Bruce Willis), o vigilante de Corpo Fechado, dá as caras de maneira surpreendente, revelando que as duas produções se passam no mesmo universo. Pouco tempo depois, Vidro é anunciado como a última parte de uma trilogia que estava em desenvolvimento por Shyamalan desde 1999.

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Vidro é sobre dramas pessoais, onde três homens tentam achar seus devidos lugares em uma sociedade não habituada com indivíduos superpoderosos. Os superpoderes e as associações feitas com heróis de quadrinhos, são apenas um pano de fundo para posteriormente trazer uma mensagem avassaladora sobre sua própria trama, que mesmo começando de uma forma não tão glamourosa, evolui para perfeição ao decorrer que cria uma metalinguagem com o espirito de todos os personagens ali presentes e não apena dos protagonistas.

A trama é lenta mas necessária, que começa a ganhar força quando o terceiro ato finalmente dá as caras. Outro ponto interessante, são as presenças recorrentes das cores Roxo, Verde e Amarelo, que representam a personalidade de cada protagonista, onde está desde os cenários até nos detalhes das roupas.

Definido como um filme de ação, o elemento está presente de uma forma mais real e menos fictícia, já que diferente de outras produções do gênero que usufruem do componente  como um instrumento e não como uma simbologia, aqui, o item é empregado como parte  do próprio cenário, sendo construído de forma bruta e rústica ao decorrer que as personas centrais vão descobrindo cada vez mais sobre si mesmas.

É impressionante como Corpo Fechado, Vidro e Fragmentado são peças de um quebra-cabeças que se encaixam perfeitamente entre si. Diferente de outros universos cinematográficos que possuem longas-metragens mais infantilizados e que não usufruem muito da lógica para andarem de mãos dadas, essa trindade não tão heroica construída por M. Night Shyamalan possui um intelecto incomparável quando se diz a respeito de conexões, pois prova para os telespectadores que é possível ligar todos os pontos de maneira íngreme e simples. 

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 A atuação de Samuel L. Jackson é a única que impressiona de verdade. O ator vive o antagonista Elijah Price, que carrega consigo o nome do filme. Logo é explicado a relação entre o personagem e o título, moldada de forma extraordinária entre criador e criatura. Jackson não entrega uma performance memorável, entretanto,  sai totalmente de sua zona de conforto para ficar 100% do conto sentado em uma cadeira de rodas agindo apenas com a mente.

James McAvoy continua com sua integridade vista em Fragmentado, não há nada de impressionante aqui, apenas uma repetição do espetacular (e que continua espetacular) visto três anos atrás. Isso não tira o mérito de McAvoy, mas não tem nenhuma surpresa quanto seu comportamento como Kevin Wendell Crumb.

Os atores que trabalham de maneira menos impressionante são Bruce Willis e Sarah Poulson, que diferente dos outros dois artistas citados acima que demonstram seus sentimentos de forma natural,  os intérpretes de David Dunn e Doutora Ellie Staple agem beirando a inaturalidade, com feições superficiais. Não chega a ser um problema, mas apenas um pequeno incômodo. 

Apesar do pouco tempo de tela, Charlayne Woodard, Anya Taylor-Joy e Spencer Treat Clark como Senhora Elijah, Casey Cooke e Joseph Dunn, honram seus respectivos papeis como excelentes coadjuvantes, que na verdade, são as áureas iluminadas de Price, Crumb e Dunn.

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Há três plot twists (também conhecido como as famosas reviravoltas) espetaculares um seguido do outro perto do ápice final da obra. Com esses três fundamentos, Vidro encerra perfeitamente a trilogia quase sem erros criada por M. Night Shyamalan, que decidiu dar um ponto final para uma fábula que estava dezenove anos em construção. Admito, além de me fazer arrepiar, a produção me arrancou várias lágrimas com um belo e grande sorriso em meu rosto. Shyamalan criou uma franquia espetacular.

Obrigado, até a próxima e lembrem-se, devem haver limites para o que um homem pode ser.

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Papo de Saloon | Tex Graphic Novel: Justiça em Corpus Christi

No finalzinho do ano que ficou pra trás, a Mythos Editora brindou as bancas e livrarias do Brasil com a nova edição da série Tex Graphic Novel. Uma das linhas autorais que mais admiro nos quadrinhos do ranger Tex Willer, esta série de graphic novels já foi tema de um artigo da Torre de Vigilância, onde o conceito da coleção foi apresentado. E o mais recente lançamento, Justiça em Corpus Christi, é a primeira história com senso cronológico dentro deste selo de aventuras lindamente ilustradas!

Serpieri, Mario Alberti, Angelo Stano, Gianfranco Manfredi, Giulio De Vita, Stefano Andreucci, Corrado Mastantuono e Mauro Boselli. Estes são os grandiosos nomes por trás dos seis volumes de Tex Graphic Novel lançados no Brasil até o momento. E Boselli é o nome que se repete mais vezes: os roteiros de quatro, das seis aventuras, são deste que é um dos maiores nomes responsáveis por Tex Willer de todos os tempos, não somente como roteirista mas também como editor.

As aventuras contadas neste selo autoral não possuem amarras cronológicas. Os autores podem ir e vir nas vidas de todos os personagens de Tex como bem entenderem, e esta liberdade permite que as histórias contadas se situem em momentos bem específicos da jornada do herói. No volume cinco, O Vingador, Boselli levou os leitores à trama de vingança de Tex, indo atrás dos assassinos de seu pai, culminando na tramoia que o tornou injustamente um fora da lei. Esta história se passa antes das origens inicias contadas há muitos anos na revista mensal de Tex. Justiça em Corpus Christi se situa logo após os acontecimentos desta história, sendo o primeiro caso de continuidade deste selo moderno!

O irmão de Tex, Sam, ainda vive. Após Tex completar sua vingança (que até então havia sido parcial, pois os facínoras que foram mortos por ele há algum tempo eram apenas uma parcela de um grupo maior), e com a parceria do ranger Jim Callahan, o mandante Bronson finalmente teve o que merecia. E com as manipulações feitas para incriminar injustamente Tex por roubo de gado, o herói parte em busca de uma forma para limpar seu nome.

Willer age como um justiceiro, indo atrás de uma enorme quadrilha de pistoleiros que é protegida pelo xerife de Corpus Christi. As ações de Tex e Callahan, feitas no volume anterior com relação aos mexicanos, reverbera na aventura narrada aqui. E o herói conta, quase literalmente, apenas com o apoio do ranger Callahan. A amizade dos dois torna-se aos poucos algo muito especial, e a jornada do grupo montado em busca de justiça é, pra dizer o mínimo, muito empolgante.

No decorrer, os heróis agem com astúcia para encurralar aos poucos cada um dos salafrários que regem Corpus Christi. Sam, irmão de Tex, possui um envolvimento direto com Harris, a dona de um pequeno rancho atacado pelos pistoleiros chefiados por Zeb Mason com apoio do xerife Donahue. E todas estas serpentes do Satanás, ótimos vilões, tentam piamente tirar vantagem de cada movimento e possível deslize de Tex, Callahan, Dan Bannion (outro ranger) e Sam Willer. Como toda boa história da Sergio Bonelli Editore, eles chegam bem perto de conseguir algum sucesso. Mas rapidamente nossos heróis os levam a sete palmos debaixo da terra.

Como todas as histórias mostradas nesta série de GN, Justiça em Corpus Christi foge um pouco do politicamente correto das aventuras mensais (ou especiais) do ranger. Isso acaba por se tornar uma faca de dois gumes, pois pode desagradar os fãs mais puritanos, mas também atrai novos leitores. Entretanto, O Vingador e Corpus Christi são exatamente situados em momentos da vida de Tex onde o “incorreto” reinava. E Boselli trabalha com maestria o lado justiceiro do personagem.

Corrado Mastantuono, o artista desta edição, é famoso por seu trabalho em Nick Raider Magico Vento, além dos trabalhos feitos para a Disney. Como os cinco volumes anteriores, um chamariz incrível desta edição é a belíssima arte, valorizada pelo formato magazine da revista e também pelas cores de Matteo Vattani. Mastantuono segue um pouco a linha de Stefano Andreucci (do volume anterior), porém não emula completamente o desenho deste artista, tornando a continuação algo também original.

O jovem Tex de Mastantuono é um dos mais esguios apresentados até então, e a ambientação da cidade e dos arredores (com longas passagens pelo deserto) é também digna de nota. E as 48 páginas deste volume correm muito bem graças a narrativa fluida do ilustrador. Esta não é sua primeira história do Tex, então é perceptível que já há reconhecimento por parte do mesmo. Em Tex 583 e 584, por exemplo (Missouri! e I due guerriglieri), Corrado trabalhou com Boselli num arco. Esta era sua segunda história de Tex, primeira para a série normal.

E os méritos de roteiro e arte também são expansíveis para a edição nacional. A Mythos segue publicando os volumes desta coleção em formato magazine (28 x 20,2 cm), com capa cartão e preço de capa acessível – R$ 32,90. A tradução, como sempre, é do veterano Júlio Schneider, e fica o pedido dos leitores para que a editora lance o próximo volume, Cinnamon Wells, com roteiro de Chuck Dixon (já entrevistado pela Torre, clique aqui para conferir) e arte de Mario Alberti.

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Sword Art Online: Aincrad – Livro 1

Surpreendendo a todos que estavam presentes em sua palestra no Anime Friends 2018, a Editora Panini resolveu – finalmente! – se abrir para o mercado de Light Novels, e, sob o selo “Romance Panini Books“, anunciou diversos títulos. Dentre eles, “Sword Art Online: Aincrad“.

Completo em dois volumes, esse é o “material original” que deu origem ao animê que, com o perdão do clichê… ABALOU AS ESTRUTURAS da indústria com seu COLOSSAL SUCESSO. Mesmo achando que não preciso introduzir SAO para ninguém, não custa nada, não é?

Inicialmente publicado como uma webnovel, o arco inicial de SAO fez sua estreia em 2002. O autor, Reki Kawahara, escreveu uma cacetada de capítulos na internet, até conseguir que sua obra fosse publicada em 2009. Daí pra frente é história.

Mas a história que queremos contar hoje não é essa, mas sim sobre a edição nacional e como ela está, onde vive e do que se alimenta. Vou começar pelo conteúdo do livro, e depois falo sobre detalhes técnicos – como capa, tradução e revisão, qualidade do papel, e essas coisas de sommelier.

Comparação de tamanho, moeda de cinquenta centavos para padrão, vocês sabem como funciona.

Existem dois tipos de consumidor para esse produto, e para cada um deles, haverá uma experiência bem diferente. Existe o consumidor de primeira viagem – o cara que nunca assistiu ao animê de SAO e que estará conhecendo a obra e as personagens pela leitura – e o consumidor manjado – que já assistiu o animê e já sabe do que se trata. Eu me encaixo no segundo grupo, e vou dar início por ele.

Se você já conhece SAO e já assistiu o animê (que está disponível na Crunchyroll e na Netflix, aliás), a novel é incrivelmente melhor do que você poderia esperar. Claro, ninguém nunca espera muita coisa de Sword Art Online (inclusive isso vem fazendo a sua recente temporada, Alicization, ser até que decente), e essa expectativa baixa acaba servindo de impulso pra qualidade do livro.

Toda a história de Aincrad, do beta-test ao final do jogo, acontece dentro do livro um. O autor deixa todas as histórias paralelas (famosas “side quests” dos RPGs) para serem contadas no segundo tomo, fazendo com que o primeiro seja um condensado de apenas dois personagens: Kirito e Asuna.

Temos, então, praticamente duzentas páginas inteiramente dedicadas a explicação de como o relacionamento dos dois protagonistas veio a ser. Já que você já sabe de tudo que aconteceu, ter esse “flashback” sobre os acontecimentos do passado e entender de forma mais profunda de onde eles se conheceram e essas coisas românticas aí, acaba sendo uma expansão do universo.

Créditos da edição brasileira.

Só que a porca torce o rabo se você for um novo leitor. Os acontecimentos são jogados pra lá e pra cá, as personagens têm interações tortas, dramas nunca explicados e personalidades que não se encaixam com o pouco que vemos delas. A decisão de dividir o arco em “parte principal” e “todo o resto da história” foi, na minha opinião, um tiro no pé. Tanto que durante a adaptação em animê, resolveram colocar tudo em ordem cronológica.

Uma das partes mais importantes de uma Light Novel, muito mais do que sua história ou seu desenvolvimento, são as suas personagens. Light Novels são obras focadas em suas personagens. Quando você não gosta do protagonista, nem a história mais interessante do mundo pode salvar sua leitura.

A falta do “miolo” da trama faz com que as personagens pareçam rasas, sem motivações e incoerentes. Você conhece um Kirito egoísta no primeiro dia de jogo, e algumas páginas depois, encontra-o socializando tranquilamente com seus BFFs, e mais algumas páginas além, você o vê choramingando por “não ter o direito de ter amigos” ou algo emo desse jeito. Simplesmente não dá para entender o que se passa na cabeça do espadachim. E a culpa nem é sua. A culpa é do autor, que fez diversos desenvolvimentos para mudar a personagem, e simplesmente NÃO TE CONTOU.

O que pode ser concluído disso tudo é que, por mais contraditório que isso pareça, ser spoilado do livro, ao assistir ao animê, é a melhor forma de aproveitar a leitura.

Ednaldo Pereira – Ednaldo Pereira (E.P.)

Tenho alguns pontos a levantar sobre a tradução e revisão da obra, também. No geral, o primeiro volume foi bem consistente e apresentou pouquíssimos erros (contei apenas dois). Mas algumas decisões tomadas me deixaram com a pulga atrás da orelha.

A começar pelos honoríficos. A tradução optou por manter os honoríficos nos nomes das personagens (por exemplo, Kirito-kun, Asuna-sama, etc). Falando apenas por mim, sou contra deixá-los em qualquer tipo de obra e que são facilmente substituíveis por equivalentes no idioma que você está traduzindo, mas entendo quem gosta deles, e só peço uma consistência ao utilizá-los. A grande questão é que ao deixá-los, você está, essencialmente, não traduzindo uma parte do texto. Se você opta por deixá-los, é sua obrigação explicar ao leitor o que é isso, e o que diabos significa.

Em uma passagem, Kirito se sente incomodado ao ouvir uma personagem chamar Asuna de “Asuna-sama”. -sama é um honorífico que denota o maior grau de respeito, normalmente utilizado para com líderes religiosos e políticos. A reação do Kirito é normal, afinal, estranhar que uma garota comum seja chamada por -sama é o que qualquer um teria sentido. Mas em momento nenhum isso é explicado. Se você não sabe o que o honorífico significa, a passagem se torna inútil.

Outro ponto é sobre a utilização de termos em inglês. Imagino que no original em japonês, todos os termos que estou citando estavam, também, em inglês, por isso a escolha de mantê-los num idioma estrangeiro. Mas, de novo… Estamos falando de uma edição brasileira, que deveria estar em português. Nem todo mundo sabe inglês, e manter nomes e frases num idioma diferente do nosso acaba impedindo que certas pessoas leiam a obra completa.

Entendo que é preciso manter em inglês para trazer a “autenticidade” que o autor queria, visto que os termos estavam em inglês no original, mas ainda é fácil de mantê-los lá, mas sem prejudicar a leitura. A NewPOP tem um caso semelhante com Log Horizon, e eles souberam resolver o problema: lá, o termo em inglês é imediatamente seguido por sua tradução para o português. Não é tão difícil assim.

Em cima, SAO. Embaixo, Log Horizon. É uma solução simples…

Esses são pontos importantes de se levantar, não só por querer ser bom samaritano e defensor patriótico, mas também pelo próprio marketing que a editora está fazendo. Ao chamar as suas Light Novels como “Romances“, ela está tentando desvincular a imagem de “mangá” de suas novels, tentando fazer o livro ter um mercado mais amplo. E um mercado mais amplo (fora do ‘nicho Otaku‘) não faz a menor ideia de o que é um honorífico, e nem é obrigado a saber inglês. Se quiser manter esses elementos, o mínimo que deveria ser feito é adicionar uma nota de rodapé.

Mas tirando esses pontos, que são mais implicâncias pessoais do que qualquer coisa, a leitura foi bem fluida e teve poucos “truncamentos” e os diálogos pareciam naturais. A parte física do negócio também está de parabéns, pois o papel e a capa, ambos tem um bom toque e fazem a leitura passar rápido, e as ilustrações ficaram excelentes.

Fazendo as malas e empacotando tudo, dá pra dizer que pra quem já é fã da série, pegar esse livro é um excelente negócio. Só o que dói é o bolso, pois o preço está um pouco salgado. É um preço pagável, caso você esteja disposto a fazê-lo, mas com certeza é um preço muito acima do que Sword Art Online vale.

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Comece a ler Dylan Dog com sua Nova Série

Em março de 2018 a Mythos Editora começou a publicação de seus novos títulos Bonelli, sendo eles respectivamente: Dylan Dog, Martin Mystère, Nathan Never e Nick Raider. Trazendo histórias clássicas dos personagens com acabamento gráfico fiel ao original (em formato italiano), o plano inicial consistia na publicação de quatro volumes como um teste de mercado. Dando certo, as séries poderiam ser continuadas. Dylan Dog foi um caso de sucesso e agora o Investigador do Pesadelo está estreando sua segunda revista no Brasil, em publicação simultânea com a iniciada no ano passado, e trazendo histórias modernas que funcionam como porta de entrada para novos leitores!

Dylan Dog é um dos personagens mais famosos da Itália, rivalizando até mesmo com o imbatível Tex Willer. Com histórias focadas na investigação do sobrenatural, Dylan lida com coisas misteriosas no seu dia-a-dia, convivendo com seus ótimos e fantásticos coadjuvantes como Groucho Marx e o Inspetor Bloch. O investigador foi criado em 1986 por Tiziano Sclavi e já foi abordado na Torre de Vigilância em um post de apresentação do personagem escrito por Luiz Costa.

Suas aventuras foram publicadas por diversas editoras no Brasil ao longo das últimas décadas, totalizando: 12 números pela Editora Record, 1 pela Editora Globo, 6 pela Conrad, 3 pela Lorentz e 46 pela Mythos. Porém, como citado acima, em 2018 retornou às mãos da Mythos, que vem publicando histórias clássicas e inéditas do herói na revista principal (que já ruma para sua sexta edição) e acabou de dar início à denominada Nova Série do personagem.

Mas quais seriam as diferenças das primeiras revistas para as da Nova Série?

No quinto volume de Dylan Dog, “O Homem Que Viveu Duas Vezes“, o editorial da Mythos apresentou nas páginas finais o novo vilão recorrente, John Ghost, que marcará presença neste reinício. E a Nova Série nada mais é do que um recomeço. O primeiro volume desta revista traz a edição 338 italiana (de 2014), marcada pela tão aguardada (e surpreendente) aposentadoria do Inspetor Bloch, feita pelas mãos da roterista Paola Barbato com arte magistral de Bruno Brindisi, um dos ilustradores recorrentes da revista.

O quinto volume de Dylan Dog apresentou o vilão principal da Nova Série do herói em suas páginas finais.

A aposentadoria de Bloch pega Dylan de surpresa, e agora o investigador terá de se acostumar com a falta de colaboração por parte da Scotland Yard ao mesmo tempo que investiga um misterioso caso onde uma jovem foi assassinada porém continuou viva. Esta trama também traz para a Londres de Dylan um pouco de modernização: agora, os personagens utilizam celulares, tablets e computadores. Tudo é mais moderno, situando as aventuras no nosso presente real.

E o respiro de novidade (que funciona bem para que novos leitores tenham contato com este universo) não é somente estético. Ao longo das próximas edições, como em Dylan Dog Nova Série #2 (edição 339 italiana), os roteiristas apresentam os novos policiais com que Dylan deverá lidar costumeiramente – o inspetor Tyron Carpenter e a sargento Rania Rakim, impactando os leitores antigos e criando novidades para os iniciantes. E enquanto a trama da primeira edição era um pouco mais sentimental (especialmente para fãs antigos, angustiados com as reviravoltas das descobertas de Dylan), a história contada no segundo volume é digna de um filme de terror policial, com uma pitada de discussão social e, claro, um leve humor ácido.

O roteiro desta história é de Gigi Simeoni e a arte é de G. Casertano.

Polêmica, a história contada na edição 339 de Dylan Dog dividiu opiniões na Itália.

A fase atual de Dylan é consistentemente elogiada na Itália, e ao que tudo indica a revista da Mythos Editora seguirá a publicação cronológica a partir da edição 338 original, sem cortes e interrupções. Em paralelo, para os saudosos e admiradores, as histórias clássicas seguirão sendo publicadas na outra revista, possibilitando que todo mês (em alternância, um clássico e uma novidade) os leitores brasileiros possam usufruir das tão queridas histórias do DyD.

E a curiosidade segue atiçada, pois John Ghost ainda não fez sua primeira aparição (entretanto, outra “vilã” famosa de Dylan – e não somente dele – já deu as caras logo na primeira revista da Nova Série). O embate épico entre os dois personagens promete ser inesquecível!

Dylan Dog Nova Série está sendo publicada em formato italiano (21 x 16,8 cm), e cada volume possui 100 páginas. Compre suas edições com desconto na Amazon ou na Loja da Mythos Editora!