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Review | Tales of Vesperia: Definitive Edition

Escrito por Pedro Ladino

A série Tales of é uma das mais conhecidas franquias de JRPG que existem, juntamente com Final Fantasy e Dragon Quest. Em 2019, Tales of Vesperia, um dos títulos mais aclamados da série, completará 11 anos de seu lançamento original, para Xbox 360. Sim, por incrível que pareça, o jogo foi lançado como exclusivo da Microsoft.

No entanto, em 2009, uma nova versão de Tales of Vesperia foi lançada para PlayStation 3, exclusivamente no Japão. Essa versão trazia novos conteúdos, como mais diálogos entre o elenco, aprofundando a relação entre eles e novos personagens jogáveis, além de praticamente ter o jogo inteiro com falas dos atores, coisa que na versão do console da Microsoft, era limitada.

E então, na E3 2018, a Bandai Namco surpreendeu a todos, com o anúncio de Tales of Vesperia: Definitive Edition, uma versão remasterizada, com todos os conteúdos adicionais, e para todas as plataformas, em comemoração aos 10 anos de lançamento.

  • O primeiro contato com a franquia

Apesar de já estar em meu radar há algum tempo, eu ainda não havia achado uma oportunidade perfeita para jogar algum game da série, mesmo com Tales of Berseria estando disponível no Brasil. Então, quando anunciaram na E3 do ano passado, decidi começar por ele. E não poderia ter sido melhor. O elenco de personagens é incrível, e a história é ótima, apesar de alguns problemas. Ver esses personagens evoluindo, foi de longe a melhor coisa do jogo.

  • Quando o gráfico ajuda na construção dos personagens

Se estiver familiarizado com animes e mangás, saberá como as personalidades do nosso grupo principal, são um tanto clichês. As reações deles são bem o que você espera desse tipo de personalidade, porém, funcionam muito bem. E para isso, há dois fatores importantes para os personagens funcionarem tão bem: a engine “ultrapassada” e a localização.

O gráfico mais “anime” permite que você remasterize o jogo sem precisar alterar toda a modelagem dele sem perder os tanta qualidade. As reações de personagens como Yuri e Raven, que possuem uma veia mais de “malandros”, ajudam a caracterizar esses personagens. A localização para PT-BR ficou espetacular, o jogo inteiro está traduzido e com legendas, mais um ótimo trabalho da Bandai Namco do Brasil. Há um uso de gírias que me tiraram bastante risadas.

As cenas em anime em si, no entanto, só receberam um upscale na resolução, e ficaram com uma qualidade bem abaixo até mesmo da cena da abertura (que não consigo pular de tão boa que é!). Poderiam ter refeito as mesmas, mas não é algo que estrague a experiência.

A narrativa do jogo é quase perfeita. Digo quase, pois há momentos em que o jogo basicamente empurra mais coisa para poder se estender. Quando você pensa que está chegando no final, sempre há mais um plot twist. Dito isso, a progressão entre “precisamos recuperar a blastia aquae para tampar a inundação” para “fim do mundo”, é bem natural, as coisas se encaixam. O jogo é bem linear e intuitivo, você sabe exatamente pra onde tem que ir.

Os puzzles são simples, e não se repetem. Se você tiver que fazer duas vezes o mesmo puzzle em uma dungeon, será muito.

  • A jornada de Estelle e a justiça de Yuri

Após algumas horas de jogo, percebi que Estelle é a verdadeira protagonista de Tales of Vesperia. Uma garota inocente, protegida do mundo em seu Castelo, decide fugir e viver uma jornada. Estelle quer cuidar de todos, sem ter medo do que acontece consigo mesmo, e após certas revelações, a personagem, que no início era um pouco irritante, começa a crescer.

E o que falar de Yuri Lowell? Acho que poucas vezes me surpreendi com personagens de videogame, ou provavelmente nas mídias em geral. Yuri é o nosso herói, aquele quem controlamos durante o jogo inteiro. As ações tomadas por ele são duvidosas, apesar do jogador entendê-las. Os jogadores, assim como Repede, se tornam cúmplices de suas escolhas e são obrigados a carregar o peso de suas ações junto à Yuri. No entanto, isso é algo que fica meio esquecido, conforme o jogo vai se aproximando do final.

  • Combate fluido, mas com funções problemáticas

Diferente de alguns JRPGs, Tales of Vesperia não possui batalhas em turno. O jogador vai até o inimigo e então tem acesso a uma tela de batalha. O combate é fluido e simples, pelo menos no começo. No decorrer do jogo, mais comandos vão sendo apresentados, e quando menos se esperar, estará utilizando todos os botões do controle nas lutas. É difícil se acostumar, ainda mais quando os controles não respondem na hora, mas depois fica tranquilo. Agora, câmera é um tanto bugada e o sistema de lockdown terrível. Diversas vezes você acabará travado no meio de inimigos e não conseguirá sair.

O jogo não possui a necessidade de fazer grind, os pontos de experiência são bem distribuídos, claro, que isso vai levar em conta se o jogador batalhou ao menos uma vez contra cada inimigo nas dungeons. Alguns dos chefes são mais fáceis que os outros, porém não é gradual. Um chefe no começo do jogo, como o Gattuso por exemplo, pode ser mais difícil que um lá pelo final.

Veredito:

Tales of Vesperia: Definitive Edition é uma ótima forma de introduzir novos fãs à franquia. Sua história é bem conduzida em grande parte do tempo, e o elenco de personagens é extremamente cativante.

Nota: 8.5

Tales of Vesperia: Definitive Edition foi testado em um PlayStation 4. O game também está disponível para Xbox One, Nintendo Switch e PC (via Steam).

Agradeço a Bandai Namco pelo envio do código para review.

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Sobre o Autor

Pedro Ladino

"Just when I thought I was out...they pull me back in."
- Pedro Ladino, sobre seu vício em animes.

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