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Vidro | O fim da perfeita trilogia de M. Night Shyamalan

Escrito por Daniel Estorari

M. Night Shyamalan é um cineasta que consolidou-se produzindo obras autorais e não de terceiros (vamos esquecer O Último Mestre do Ar e Depois da Terra, ok?), considerado por boa parte de sua ”fanbase’‘, como um dos melhores diretores da última década.

Contudo, logo no início dos anos 2000, Shyamalan concebeu para as telonas o controverso Corpo Fechado, protagonizado por  Bruce Willis e Samuel L. Jackson. Um longa-metragem sobre super-humanos que sofrem de uma complexabilidade nos quais acreditam ser super-heróis em uma sociedade composta apenas pessoas ”normais”.

Dezesseis anos depois, chega aos cinemas o famigerado Fragmentado, um thriller  com James McAvoy no papel principal. Nele, Kevin Wendell Crumb é um sociopata que sofre de transtorno dissociativo de identidade, que sequestra três adolescentes com a finalidade de viverem em cativeiro para um propósito muito maior.

A maior surpresa veio com o final de Fragmentado, quando David Dunn (Bruce Willis), o vigilante de Corpo Fechado, dá as caras de maneira surpreendente, revelando que as duas produções se passam no mesmo universo. Pouco tempo depois, Vidro é anunciado como a última parte de uma trilogia que estava em desenvolvimento por Shyamalan desde 1999.

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Vidro é sobre dramas pessoais, onde três homens tentam achar seus devidos lugares em uma sociedade não habituada com indivíduos superpoderosos. Os superpoderes e as associações feitas com heróis de quadrinhos, são apenas um pano de fundo para posteriormente trazer uma mensagem avassaladora sobre sua própria trama, que mesmo começando de uma forma não tão glamourosa, evolui para perfeição ao decorrer que cria uma metalinguagem com o espirito de todos os personagens ali presentes e não apena dos protagonistas.

A trama é lenta mas necessária, que começa a ganhar força quando o terceiro ato finalmente dá as caras. Outro ponto interessante, são as presenças recorrentes das cores Roxo, Verde e Amarelo, que representam a personalidade de cada protagonista, onde está desde os cenários até nos detalhes das roupas.

Definido como um filme de ação, o elemento está presente de uma forma mais real e menos fictícia, já que diferente de outras produções do gênero que usufruem do componente  como um instrumento e não como uma simbologia, aqui, o item é empregado como parte  do próprio cenário, sendo construído de forma bruta e rústica ao decorrer que as personas centrais vão descobrindo cada vez mais sobre si mesmas.

É impressionante como Corpo Fechado, Vidro e Fragmentado são peças de um quebra-cabeças que se encaixam perfeitamente entre si. Diferente de outros universos cinematográficos que possuem longas-metragens mais infantilizados e que não usufruem muito da lógica para andarem de mãos dadas, essa trindade não tão heroica construída por M. Night Shyamalan possui um intelecto incomparável quando se diz a respeito de conexões, pois prova para os telespectadores que é possível ligar todos os pontos de maneira íngreme e simples. 

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 A atuação de Samuel L. Jackson é a única que impressiona de verdade. O ator vive o antagonista Elijah Price, que carrega consigo o nome do filme. Logo é explicado a relação entre o personagem e o título, moldada de forma extraordinária entre criador e criatura. Jackson não entrega uma performance memorável, entretanto,  sai totalmente de sua zona de conforto para ficar 100% do conto sentado em uma cadeira de rodas agindo apenas com a mente.

James McAvoy continua com sua integridade vista em Fragmentado, não há nada de impressionante aqui, apenas uma repetição do espetacular (e que continua espetacular) visto três anos atrás. Isso não tira o mérito de McAvoy, mas não tem nenhuma surpresa quanto seu comportamento como Kevin Wendell Crumb.

Os atores que trabalham de maneira menos impressionante são Bruce Willis e Sarah Poulson, que diferente dos outros dois artistas citados acima que demonstram seus sentimentos de forma natural,  os intérpretes de David Dunn e Doutora Ellie Staple agem beirando a inaturalidade, com feições superficiais. Não chega a ser um problema, mas apenas um pequeno incômodo. 

Apesar do pouco tempo de tela, Charlayne Woodard, Anya Taylor-Joy e Spencer Treat Clark como Senhora Elijah, Casey Cooke e Joseph Dunn, honram seus respectivos papeis como excelentes coadjuvantes, que na verdade, são as áureas iluminadas de Price, Crumb e Dunn.

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Há três plot twists (também conhecido como as famosas reviravoltas) espetaculares um seguido do outro perto do ápice final da obra. Com esses três fundamentos, Vidro encerra perfeitamente a trilogia quase sem erros criada por M. Night Shyamalan, que decidiu dar um ponto final para uma fábula que estava dezenove anos em construção. Admito, além de me fazer arrepiar, a produção me arrancou várias lágrimas com um belo e grande sorriso em meu rosto. Shyamalan criou uma franquia espetacular.

Obrigado, até a próxima e lembrem-se, devem haver limites para o que um homem pode ser.

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Sobre o Autor

Daniel Estorari

With great powers...

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