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The Boys é a sátira perfeita sobre a comercialização de super-heróis

Escrito por José Victor

É inegável dizer nos dias de hoje os super-heróis fazem parte não só da nossa cultura como de um comércio bastante lucrativo e popular  no ramo do entretenimento através de diversas mídias como cinema, jogos e quadrinhos. Também não se pode negar o quão amados e exaltados são os personagens e suas aventuras apresentadas tanto pela Marvel como pela DC – as principais editoras do ramo.

Mas e se os heróis de fato existissem? E se essa comercialização ditasse os seus atos? E se eles fossem sujos e corruptos? Pois bem, essa é a premissa de The Boys. A série é uma excelente sátira sobre como seriam os super-heróis caso eles existissem no mundo de hoje, sobre a comercialização e a exaltação dos mesmos e também é a representação perfeita de que o poder corrompe, mostrando o quão sujo seria um homem com super poderes e com os holofotes em si – se assemelhando ao estilo adotado por Zack Snyder em suas adaptações cinematográficas.

The Boys é uma série disponibilizada no serviço de streaming Amazon Prime e é baseada nos quadrinhos com o mesmo título, escrita por Garth Ennis e desenhada por Darick Robertson. A série em quadrinhos foi publicada inicialmente pela DC Comics e depois sua publicação foi para a Dynamite Entertainment.

A trama gira em torno dos Sete, uma equipe de super-heróis famosos, e de Hughie (Jack Quaid) – que perdeu sua namorada após um acidente envolvendo um desses heróis, o A-Train (Jessie Usher). Após isso Hughie começa a nutrir ódio pela equipe e se encontra com Billy Butcher (Karl Urban), que lhe oferece uma oportunidade de se vingar e acaba unindo um grupo com esse intuito.

Do outro lado acompanhamos também a heroína Starlight/Annie January (Erin Moriarty), que foi aceita recentemente para a equipe dos Sete. É através dela e do Homelander (Antony Starr) que acompanhamos como os heróis são corruptos, sujos e completamente babacas. De uma forma geral, cada membro dos Sete é uma paródia da própria Liga da Justiça. Homelander como Superman, Noir como Batman, Queen Maeve como Mulher-Maravilha, The Deep como Aquaman e A-Train como Flash. Isso torna tudo ainda mais interessante.

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Nesse caso chega a ser perturbador saber que se de fato existissem super-heróis, eles seriam exatamente da forma que são retratados durante os episódios. Como já dizia a Senadora Finch em Batman v Superman: ”O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. E aqui, não só foi o poder como também a fama e a adoração da população. A retratação dos heróis é executada de forma majestosa e é semelhante ao que Zack Snyder fez em Watchmen, Man of Steel e Batman v Superman, entretanto, em The Boys temos um extra: a comercialização dos mesmos.

Funcionando perfeitamente como uma crítica ao mercado de adaptações cinematográficas que acabou saturando o gênero, na série vemos como os heróis funcionam como uma mercadoria – com filmes, brinquedos, quadrinhos e diversos outros produtos. Além disso, para o governo eles são uma arma; para a empresa Vought, lucro; para a população, esperança e diversão. Diante de tudo isso, The Boys chega como um alívio por se apresentar diferente da fórmula conhecida e repetida ao longo desses 11 anos em termos de adaptações de quadrinhos para o audiovisual.

Outro ponto de destaque para a série é o desenvolvimento dos personagens, que é extremamente bem executado. Cada personagem tem um papel fundamental na trama e precisa lidar com suas próprias subtramas – mesmo que o foco principal seja em Hughie.

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A adaptação dos quadrinhos para a série está excelente, preservando bem o seu material fonte. Algumas modificações como por exemplo a ausência de Terror, o cachorro de Billy, estão presentes mas não pesam tanto. Além disso a violência gráfica apresentada nos quadrinhos foi bem transmitida através da parceria entre a fotografia e dos efeitos especiais, que juntos transmitem o ambiente violento e sombrio da série.

Diante de tantas séries e filmes que apresentam a mesma fórmula e saturam o gênero das adaptações de quadrinhos, The Boys chega como um presente não só para os fãs da obra original como para os fãs do gênero. Sendo uma sátira perfeita sobre a comercialização dos super-heróis, a série mostra como seria se o homem tivesse poderes no mundo real e como a sociedade reagiria – claro que há exceções, nem todos os heróis seriam babacas se fossem reais e mesmo assim a série também mostra isso, com a Starlight. Além disso, a season finale é surpreendente e deixa o espectador curioso pro que está por vir. Vale a pena dar uma conferida.

A 1ª Temporada de The Boys possui 8 episódios de, aproximadamente, 1 hora cada. A série foi lançada no dia 26 de Julho e está disponível no serviço de streaming Amazon Prime.

Nota: 4.5/5

 

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Sobre o Autor

José Victor

Universitário durante o dia e vigilante da Torre durante a noite. O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller é minha religião e nada me faltará. Escrevo sobre cinema, jogos, séries e o que mais me der vontade.
Contato: josevictor@torredevigilancia.com

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