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A Redenção de Adam Sandler em Jóias Brutas

Escrito por José Victor

Antes de começar essa crítica, precisamos falar sobre Adam Sandler.

Conhecido por suas comédias pastelonas e de fórmulas repetidas, a carreira de Sandler se tornou marcada por elas. Entretanto mesmo diante de diversos filmes criticados negativamente, como Jack & Jill (Cada Um Tem a Gêmea Que Merece), That’s my boy (Este é o Meu Garoto), Gente Grande e suas últimas comédias feitas para a Netflix, vale lembrar que o ator também é responsável por diversos filmes bons – sejam eles de comédia, como seus longas clássicos, ou de drama. Em seu último drama feito para a Netflix, The Meyerowitz Stories (Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe), Adam Sandler provou que não é um mal ator, apenas que faz péssimas escolhas a respeito dos filmes que irá fazer e que, consequentemente, faz com que ele caia sempre na mesma comédia sem graça e com fórmula datada.

Entretanto, em Jóias Brutas, observamos a redenção de Adam Sandler e a prova de que ele é sim um bom ator – sendo, inclusive, uma injustiça o ator não ter sido indicado ao Oscar.

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A trama de Uncut Gems gira em torno de Howard Ratner (interpretado por Adam Sandler), um joalheiro extremamente malandro e enrolado que gera mais problemas ao tentar resolver os pendentes através de desvios de dinheiro, apostas em esportes e outros esquemas ‘ilegais’. Todo o longa gira em torno disso em um sistema de ação-consequência, ou seja, a cada atitude que Ratner toma no decorrer do filme, logo em seguida chega sua consequência até o momento do plot final.

A direção e a narrativa dos Irmãos Safdie é semelhante ao que foi visto em Good Times (Bom Comportamento, com Robert Pattinson): os diretores utilizam para sua construção os sons de uma Nova York extremamente barulhenta, figurantes conversando alto ao fundo de uma cena e cortes brutos para criar um ritmo agitado e uma imersão do telespectador ao longa. Junto com toda a situação do ambiente, a fotografia com destaque ao urbano e ao neon e a trilha sonora trazem uma experiência sensorial que já é a marca registrada dos diretores.

Todos esses fatores, em conjunto, tornam a narrativa dos Irmãos Safdie extremamente frenética e única. Entretanto, em alguns momentos isto se torna um problema pois fica difícil de acompanhar tanta informação.

A atuação de Adam Sandler é memorável, e talvez esta aqui seja a melhor da sua carreira. O ator sustenta o filme inteiro através de sua interpretação, se não fosse por ela, a trama não teria o peso que tem e possivelmente o longa não apresentaria a qualidade que possui. Por mais que todos os outros detalhes técnicos citados acima chamem a atenção, é a sua atuação que conduz o longa.

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Apresentando uma narrativa acelerada e conturbada feita pela direção única dos Irmãos Safdie em conjunto com a atuação de Sandler tornam o filme algo único e bem feito, podendo ser definido como uma sinfonia: Uncut Gems é uma composição frenética e bruta orquestrada pelos Safdie e conduzida por Adam Sandler.

Por fim, foi lançado recentemente um curta intitulado Goldman v Silverman, onde vemos novamente a parceria entre os diretores e o ator. Vale a pena conferir após o longa.

Nota: 4/5

 

Howard Ratner (Adam Sandler) é o dono de uma loja de joias, que está repleto de dívidas. Sua grande chance em quitar a situação é através da venda de uma pedra não lapidada enviada diretamente da Etiópia, cheia de minerais preciosos. Inicialmente Howard a oferece ao astro da NBA Kevin Garnett, um de seus clientes assíduos, mas depois resolve que conseguirá faturar mais caso ela vá a leilão. Para tanto, precisa driblar seus cobradores e a própria confusão que cria a partir de suas constantes mudanças.

Jóias Brutas (Uncut Gems) está disponível na Netflix a partir de hoje, dia 31 de Janeiro.

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Sobre o Autor

José Victor

Estudante de Odontologia durante o dia e redator da Torre de Vigilância durante a noite, onde escrevo sobre cinema, jogos e séries.
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