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Golden Boy: o que te faz feliz?

Posso começar esse texto dizendo que sempre tive uma ideia quase que utópica de felicidade – e a palavra “estabilidade” foi predominante no meu conceito. Nós nascemos, crescemos um pouco, entramos na escola. Estudamos. Crescemos um pouco mais, nos formamos. Trabalhamos, e trabalhamos bastante. Se ousarmos escapar mesmo que de forma sutil dessa linha imaginariamente consensual, sofremos o risco do arrependimento ou até mesmo do medo de não estarmos seguindo o que se considera o mais aceitável. Mas… é só isso então? A vida é um corredor estático e segue apenas uma direção? O descobrimento de nossas próprias indagações não estaria entrelaçado unicamente à nós mesmos?

Ok, admito que essa foi uma introdução longa, mas no decorrer do texto vocês vão entender onde eu quero chegar.

Lançado em 1995, Golden Boy é um anime de 6 episódios, produzido pela Shueisha em conjunto com a KSS. Baseado no mangá de mesmo nome, o criador Tatsuya Egawa nos apresenta à jornada do jovem Oe Kintaro, um rapaz de 25 anos que optou por “largar tudo” e viajar com sua fiel bicicleta pelo Japão. Kintaro decidiu que iria aprender sobre a vida, percorrendo seu país não em busca de si mesmo, mas em busca de um aprendizado que só poderia ser conquistado através de uma vivência única.

Ao longo dos 6 episódios, vemos o personagem passar de cidade em cidade, de trabalho em trabalho, sempre buscando aprender o máximo que pode no lugar em que se encontra. O desapego que Kintaro tem com relação ao que a maioria considera como essencial é o que permeia toda a essência do anime, nos mostrando como a alegria pode ser encontrada nas menores e mais simples coisas.

No primeiro episódio, o jovem acaba conseguindo um emprego como faxineiro de uma empresa de informática comandada por mulheres. Mesmo ocupando uma função “simples” e que nada tinha a ver com a computação, Kintaro está sempre com um caderno em mãos, anotando tudo que as suas chefes lhe dizem e até mesmo tudo que elas falam entre si sobre programação e tecnologia. O ânimo em absorver o que o atual momento lhe proporciona é inclusive reparado pelas moças, que veem no jovem uma curiosidade excepcional.

Numa noite, ao estar sozinho no trabalho após o expediente, Kintaro vê um dos computadores ligados, e, numa falha tentativa de poupar energia e ajudar a natureza, desliga o aparelho. O ato ecológico, no entanto, acaba por jogar fora todo o trabalho de meses da empresa, que estava desenvolvendo um programa de computador para um exigente cliente. Perdendo o emprego, Kintaro sente que precisa, de alguma forma, compensar o erro e ajudar as mulheres, começando então a ele mesmo desenvolver o programa que havia deletado. Consultando suas próprias anotações do seu tempo na empresa e mais diversos livros, o jovem consegue criar do zero um software ainda melhor do que o deletado, entregando o arquivo na empresa com um pedido de desculpas e agradecendo por todos os ensinamentos que teve.

Ao perceberem o resultado e o talento de Kintaro, as empresárias procuram pelo jovem, que já havia subido em sua bicicleta e partido rumo à uma nova aventura. O rapaz sente que sua função ali já foi cumprida, que aprendeu o que podia e que conseguiu, de alguma forma, ajudar as pessoas que conheceu.

Em outro momento, vemos Kintaro agora trabalhando em um restaurante de massas artesanais. Morando provisoriamente em um quarto na casa dos proprietários, Oe fala que vai partir assim que o braço do responsável melhorar e o mesmo já puder preparar os pratos sem dificuldades. No decorrer desse tempo, percebemos como o jovem se importa com a família que o contratou – e o acolheu -, dando duro no trabalho, ajudando no que precisa e, o mais importante: vemos como ele está feliz em estar ali.

Sabemos – nós expectadores e a família do restaurante – que a estadia de Kintaro é passageira; sabemos que ele seguirá seu caminho e que as pessoas que ele conhecerá não embarcarão na mesma jornada. Entretanto, mesmo tendo ciência desses fatos, sentimos quando a despedida acontece. Novamente, ao sentir que ali cumpriu sua missão, Kintaro parte, carregando consigo a experiência que adquiriu e os laços que criou.

Kintaro nos faz refletir sobre nossos próprios conceitos de felicidade e aprendizado, nos ensinando (mesmo sendo ele quem está buscando aprender) a olharmos para as oportunidades como uma nova forma de encarar a vida. Percebemos como muitas pessoas irão passar pelos caminhos de Oe e que, mesmo que elas não permaneçam, suas marcas serão eternas. A  solidão de constantes separações acaba sendo compensada pelas belas paisagens que conhece, pelos lugares que visita e pelos encontros que essa incrível jornada lhe proporciona. E, uma coisa eu posso afirmar: Kintaro é feliz. Kintaro leva a felicidade aonde vai, e, do seu jeito, transforma a vida de quem cruza seu caminho, nos mostrando que parte da trajetória também é a partida.


Mesmo sendo um anime ecchi, com cenas de insinuação sexual e até mesmo nudez, Golden Boy consegue empregar a sexualidade de uma forma eficaz, sendo coerente com a narrativa, mesmo que as vezes acabe pesando um pouco na dose. Cabe ressaltar que, por ser uma produção de mais de 20 anos atrás, temos muitos conceitos e entendimentos da época, fazendo com que algumas cenas e piadas se tornem “datadas”. A animação é muito bem feita e produzida, tendo o estilo único que os anos 90 proporcionaram para os padrões estéticos e de traçado. Recomendo essa obra, do fundo do meu coração, não somente aos amantes de animações japonesas, mas à todos que procuram uma trama diferenciada quanto à mensagem que traz. O anime pode ser encontrado na Crunchyroll, clicando AQUI.

PS: se te der vontade de pegar uma bicicleta e sair pelo mundo… não esqueça: a vida é boa e merece ser vivida todos os dias.


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Anônimo: Espetáculo da violência e da mediocridade

Nobody (título original em inglês), lançado no Brasil como Anônimo, é sobre ninguém. O ninguém que mora na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, no seu país, ou até mesmo você. Há diversos ninguém vagando mundo afora, aqueles que vivem a vida de forma uniforme, sem mudanças drásticas, com um certo conformismo de que a vida é como ela é, e ponto final. Em Nobody, Hutch Mansell (Bob Odenkirk) aparenta aceitar essa condição,  embora esteja sedento por sangue.

A vida de Hutch reflete o estilo da classe média americana; um cotidiano repleto de comportamentos no modo automático, enquanto no trabalho as funções tornam-se repetitivamente excessivas e constantes, a sua família – formada por uma esposa e dois filhos, a representação padrão das famílias americanas – tem relações frágeis sustentadas por momentos de união no café da manhã e jantar. Mas nada muda em relação a isso; a tabela do Excel, o travesseiro dividindo o casal na cama, o horário do lixo… todos se mantém concretos e imutáveis, como se Hutch não tivesse nem controle do que estaria ocorrendo em seu em torno. 

Assim, uma das maiores qualidades de Nobody é justamente construir essa concepção de repetição imutável, intercalando várias cenas comuns do cotidiano de Hutch para representar o ciclo sem fim que o circunda. Contudo, a particularidade mais valiosa da produção é tornar Hutch em um homem vulnerável e incomodado. A forma com que Odenkirk se porta, fisicamente retraído e inseguro transparecendo certa fragilidade, além das inúmeras cenas que reforçam o olhar depreciativo das pessoas ao seu status, adicionadas ao seu desgaste psicológico, como se sempre estivesse a um passo da violência, próximo do retorno à vida que tinha, traduzem tanto o momento atual do protagonista como o seu passado. 

Este passado que é ponto principal da obra. Afinal, Nobody é um filme de ação visceral, que pode ser acusado de surfar na onda da bem-sucedida franquia John Wick, mas que ganha contornos próprios pelas decisões inteligentes dos criadores. Hutch era um auditor, assassino treinado contratado para eliminar qualquer pessoa que fosse alvo ou empecilho para alguém sem deixar um rastro sequer. Seu passado o atormenta, não como ameaça, mas como desejo, principalmente quando ocorre um assalto dentro de sua casa e ele deixa os brandidos escaparem sem nenhum tipo de reação, sentido-se obsoleto e frustrado. 

O que ocorre a partir daí é um espetáculo visual onde música e violência caminham juntas para criar uma melodia que torna os desejos mais obscuros de Nobody (nome dado à sua classificação enquanto assassino) numa realidade “bem concreta”, digo… com sangue jorrando, olhos roxos, ossos quebrados e corpos queimando. A direção de Ilya Naishuller é minuciosa ao retratar e acompanhar a movimentação dos atores e da ação pelas limitações decorrentes dos espaços selecionados, seja em um ônibus ou no galpão, a câmera promove a interação intensa e fluida dos personagens, trocas de soco, facadas, tiros pra lá e pra cá,  ainda que várias truques sejam utilizados, de posicionamentos de câmera a simples cortes precisos na edição; expondo cada detalhe da ação, o filme concebe um senso realístico extremamente eficaz que potencializa a brutalidade dos personagens – e dos riscos que estes estão submetidos.

E se mencionei John Wick lá atrás, é bom deixar claro o quanto Nobody se distingue deste. Embora tenha semelhanças, afinal os filmes partem de premissas próximas, Nobody se diferencia tanto na maneira que trata seu protagonista quanto na estética. John Wick abusa das luzes, do néon e dos cenários grandiosos e inventivos, da boate ao teatro; já Nobody prefere utilizar o cenário suburbano, casual, que se conecta melhor com a própria proposta, do simples ônibus à casa aparentemente comum. Em relação aos protagonistas, enquanto John Wick é o homem sem falhas, impecável a cada movimento, preciso e com uma agilidade impressionante, Hutch é um aposentado fora de forma, que ainda consegue ser um assassino brutal, mas visualmente sem a mesma destreza, errando movimentos, caindo, apanhando; realmente como um quarentão se portaria se decidisse matar todo o quarteirão.

Mesmo assim, sua figura antiquada dá espaço a um homem seguro de suas decisões, assumindo de vez a identidade que o pertencera e o define, além de comprar a empresa que trabalhava, administrada pela família da esposa, ele compra uma briga até a última gota de sangue com um ameaçador (descartável) mafioso russo estereotipado, interpretado por Alexei Walerjewitsch Serebrjakow. O desfecho não poderia ser mais catártico possível, não só pela proporção da violência e pelo cenário ser o próprio trabalho de Hutch, um fardo inegável, mas também por se tornar a pessoa que desejava voltar a ser, junto ao irmão e ao pai, interpretado por ninguém menos que Christopher Lloyd, com atuação contida mas que rouba todas as cenas em que aparece, além de proporcionar o melhor diálogo do longa. 

O filme deixa portas escancaradas para o futuro e parece apresentar só a pontinha do iceberg de um vasto universo, que facilmente poderia ser integrado a uma outra franquia – ou ser o início de uma. E a brincadeira entre o antiquado e o moderno, a realidade e o desejado, refletida até na linguagem cinematográfica empregada, como a simplicidade dos enquadramentos que servem para mostrar uma exuberância ou um virtuosismo visual, é fundamental para Ilustrar a tentativa de Hutch se sobrepor à mediocridade e se tornar quem deseja, o Ninguém… (ou um ninguém?) Estaria Hutch condenado a voltar à normalidade? Perguntas que o significado dúbio do título promove e instiga, e, de certa forma, complementa as contradições intencionais do filme; tornar a violência espetáculo já não seria um ato um tanto quanto medíocre? 

Desse modo, Nobody é a realização definitiva do real sonho americano. Destruir seu local de trabalho, atirar em alguns russos malditos e, ao final, comprar uma nova casa, a melhor do mercado, que não só irá propiciar um prazer inquestionável, como permitirá que continue se conformando com sua vida medíocre no luxo e no conforto (com prazo de validade).

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Amazon Prime Video | Documentário da P!nk e nova série de terror estão entre os lançamentos de maio

O Amazon Prime Video divulgou recentemente a sua lista de lançamentos para o mês de maio. O streaming contará com originais e outras produções. Confira abaixo:

01/05

Clube da Luta para Mulheres

Quando Anna Wyncomb (Malin Åkerman) é apresentada a um clube de luta clandestino só de mulheres com o objetivo de acabar com a confusão que virou sua vida, ela descobre que está muito mais conectada com a história do clube do que jamais poderia ter imaginado.

 

MIB: Homens de Preto – Internacional

Quando criança, Molly (Tessa Thompson) presenciou a abordagem de dois agentes do MIB aos seus pais, apagando a memória deles acerca da súbita aparição de um ser extraterrestre. Como estava escondida, a garota não foi atingida pela ação. Obcecada pelos mistérios do universo, ela cresceu com o sonho de ingressar no MIB. Após muita pesquisa, ela consegue descobrir a sede da agência e lá se candidata a uma vaga, sendo aceita por O (Emma Thompson). Ainda em experiência, e agora renomeada como agente M, ela é enviada a Londres para investigar algo estranho que tem ocorrido na agência local. É quando conhece o agente H (Chris Hemsworth), de grande renome pelos seus feitos no passado mas uma certa arrogância e displicência na execução do trabalho.

06/05

Depois a Louca Sou Eu

Desde a infância, Dani (Débora Falabella) lida com todo tipo de crise de ansiedade. Já adulta, ela recorre a terapias e medicações para conviver não só com Sílvia (Yara de Novaes), sua mãe superprotetora, mas todos os demais que a cercam. Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Tati Bernardi.

07/05

The Boy From Medellín

O filme acompanha Balvin enquanto se prepara para a maior performance de sua carreira até o momento: um show esgotado em um estádio de sua cidade natal, em Medellín, Colômbia.

08/05

Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2

Após lidar com a chegada de outro cãozinho, Max (Patton Oswalt) tem novos desafios: um bebê a caminho e uma viagem à fazenda. Ao lado de seu companheiro Duke (Eric Stonestreet), ele lida com as novidades e moradores do local. Enquanto isso, Gigi (Jenny Slate) e Bola de Neve (Kevin Hart) tentam salvar um tigre das mãos de um terrível dono de circo.

14/05

The Underground Railroad

A nova minissérie é baseada no livro The Underground Railroad: Os Caminhos Para a Liberdade, escrito pelo autor Colson Whitehead, vencedor do Prêmio Pulitzer. A história de The Underground Railroad segue Cora, uma escrava em uma plantação de algodão na Geórgia. A vida é um inferno para todos os escravos, mas especialmente ruim para Cora; uma rejeitada até mesmo entre seus companheiros africanos. Quando César, recém-chegado da Virgínia, conta a ela sobre a Ferrovia Subterrânea, eles decidem correr um risco terrível e fugir.

21/05

P!NK: All I Know So Far

O longa mostrará os bastidores da turnê “Beautiful Trauma World Tour”, além de uma apresentação que a artista fez no famoso Estádio de Wembley, no Reino Unido.

28/05

Panic

A história de Panic se passa em uma pequena cidade do estado do Texas, nos Estados Unidos, onde todo verão os estudantes do último ano do Ensino Médio participam de uma série de desafios e o vencedor ganha um prêmio – algo que acreditam ser a única chance para conseguirem ter uma vida melhor e escapar das circunstâncias de onde moram. Mas esse ano as regras mudaram: a quantidade de dinheiro do prêmio é maior e o jogo se tornou ainda mais perigoso. Os jogadores irão enfrentar cara a cara seus maiores e mais sombrios medos, e serão forçados a decidir até que ponto estão dispostos a correr riscos para ganhar.

Aqui no site, você também pode conferir os lançamentos da NetflixDisney Plus para este mês.

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Disney Plus | Confira os Lançamentos de Maio

Foi divulgado recentemente pela Disney a lista de títulos que serão lançados no mês de Maio em sua plataforma de streaming, com destaque para o lançamento de Cruella, filme estrelado por Emma Stone que contará a origem da vilã e para a nova animação de Star Wars, que será lançado em 4 de Maio – confira a lista completa:

04/05

  • Star Wars: The Bad Batch
  • Lego Star Wars: All-Stars
  • Lego Star Wars: As Aventuras dos Freemaker
  • Star Wars: Forças do Destino

07/05

  • Elefantes: Em Nome da Liberdade
  • Grandes Migrações
  • Derramamento de óleo do século
  • Ailo – A Jornada de uma Rena

14/05

  • Cruella – através do Premier Acess
  • Grand Canyon ao extremo
  • Marvel: Aventuras dos Super-Heróis – Temporada 4

28/05

  • Coleção Launchpad – Curta a Diversidade, com os seguintes curtas: The Little Prince(ss); American EidO; Jantar Está Servido; Seja um Tigre; Encarando Meus Segredos; O Último dos Chupa-Cabras.
  • Coop & Cami – Temporada 2
  • As Crônicas de Evermoore – minissérie
  • Desafio Impossível – Temporada 1
  • Dra. T: Clínica de Animais Exóticos
  • Expedição Marte
  • Marvel Rising: Initiation

Além dos títulos, a plataforma receberá novos episódios de Virando o Jogo dos Campeões, Big Shot: Treinador de Elite Por dentro da Pixar (Parte 4).

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Invencível: principais diferenças entre a série e os quadrinhos

Você sabia que o novo sucesso da Amazon Prime Vídeo é baseado em uma HQ? Escrita por Robert Kirkman (The Walking Dead, The Oblivion Song) e ilustrada por  Cory Walker e Ryan Ottley, Invencível começou a ser publicada em 2003 pela Image Comics, sendo concluída com 144 edições e 25 encadernados nos Estados Unidos.

Mesmo mantendo um padrão de narrativa muito parecido, as versões apresentam algumas diferenças entre si.  Abaixo, listamos as principais mudanças ocorridas na série, para que você não fique por fora de nenhum acontecimento.

Traço

As 7 primeiras edições de Invencível foram desenhadas por Cory Walker. Podemos dizer que a pegada de Cory é bem característica, entregando uma identidade única à obra. Logo após, quem assume os desenhos é Ryan Ottley, mudando um pouco o visual.

Mark por Cory Walker e, ao lado, por Ryan Ottley.

Na série, temos um estilo mais “fluido”, que nos lembra várias animações clássicas de super heróis. A animação é super competente, nos entregando ótimos planos e movimentações, além pegar pesado nas cenas de violência.

Mark e seus colegas de colégio na animação.

 

Assassinato dos Guardiões do Globo

Na série, Omni-Man, ainda no primeiro episódio, mata todos os Guardiões do Globo em uma cena extremamente gráfica e de violência explícita. Após uma luta árdua com seus companheiros, o até então “herói” consegue realizar seu objetivo, porém, acaba sendo gravemente ferido.

Omni-Man após assassinar os Guardiões na série e, abaixo, nos quadrinhos.

Nos quadrinhos, essa cena só ocorre na edição número 6, e é bem mais curta e menos violenta. Em poucos quadros, já vemos todos os heróis sendo mortos rapidamente, e Omni-Man sai ileso.

 

Luta contra os Flaxans

Na HQ, a primeira aparição dos Flaxans acontece enquanto Omni-Man e Invencível estão voando juntos. Pai e filho lutam contra a invasão alienígena, e Omni-Man acaba sendo sugado pelo portal interdimensional dos invasores.

Na série, contudo, o ataque dos Flaxans ocorre enquanto Omni-Man ainda está no hospital, ferido após massacrar os Guardiões do Globo. É durante a invasão que somos apresentados a Tropa Teen e seus integrantes, que combatem os verdinhos.

Flaxons
Flaxans em sua primeira aparição na série.

 

Tropa Teen

A primeira aparição dos jovens heróis também muda de uma mídia para outra. Enquanto na série isso acontece na primeira luta contra os Flaxans, nos quadrinhos é Mark quem acaba se encontrando com a Tropa.

Tropa Teen
Invencível junto com a Tropa Teen.

À noite, enquanto testava seus poderes de voo pela cidade, Invencível acaba se deparando com vilões roubando aparelhos de vídeo game em uma loja. Logo em seguida, chega a equipe para combater o crime, e temos uma breve interação entre os adolescentes.

Primeira aparição da Tropa Teen nos quadrinhos.

 

Origem do codinome “Invencível

Na versão em quadrinhos, após uma briga com um valentão, Mark vai parar na diretoria. É conversando com o diretor que surge a ideia para seu nome de herói, após o mesmo dizer para Mark se lembrar de que “não é invencível”. Entretanto, na série, a ideia surge a partir de uma fala do Omni-Man, que diz para Mark que ele é “realmente invencível”.

 

Debbie e Amber

Nos quadrinhos, o desenvolvimento das personagens femininas é bem raso. Tanto Debbie – mãe de Mark – como Amber, tem seus papeis reduzidos a meros assessórios do protagonista. Debbie está sempre em casa, sendo bem passiva com relação aos acontecimentos envolvendo seu marido e filho. O início do relacionamento entre Amber e Mark também é bem vazio – nem sabemos o nome dela até Mark abrir um bilhete que a garota lhe entrega. O casal tem poucas conversas e Amber também tem uma posição complacente quanto as constantes ausências de seu namorado.

Primeira interação entre Mark e Amber.

Na série, temos uma participação mais ativa das duas. Debbie tem mais voz, conversa bastante com Mark e tem um papel bem relevante na vida do personagem. Amber, seguindo na mesma linha, tem bem mais atitude do que nas HQ’s. Seu interesse em Mark é mais desenvolvido e o casal tem uma química que faz bem mais sentido.

 

Os adolescentes-bomba

Logo nas primeiras edições dos quadrinhos, somos apresentados a uma curta trama envolvendo o professor de física de Mark e Eve. Nela, o professor sequestra e transforma alguns de seus alunos em bombas humanas, com a intenção de vingar o rumo que sua vida tomou após a morte de seu filho.

A série, contudo, deixou de lado essa parte da história, não citando o ocorrido. Cabe frisar que tal ato não prejudica de forma alguma o rumo da história, e é totalmente descartável.


É importante dizer que a série ainda está em sua primeira temporada. Os criadores optaram por pegar alguns acontecimentos que ocorrem posteriormente nos quadrinhos e incorporá-los logo de início, mas isso não causa nenhum prejuízo à história. Se você gostou da animação, deixo aqui a minha sincera indicação das HQ’s, tanto como um “spoiler” dos próximos episódios como também uma complementação ao que foi apresentado.

Os quadrinhos de Invencível podem ser encontrados na Amazon através dos links abaixo!

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Em Mortal Kombat, a maior luta é se manter coeso

FIGHT! Após dois filmes e um curta-metragem, a grande franquia de jogos Mortal Kombat recebe uma nova adaptação, moderna e muito, muito violenta. Dirigido pelo novado Simon McQuoid e escrito por Greg Russo, Oren Uziel, David Callaham, o filme se consolida, porém, há seus deslizes significativos.

A história segue o lutador de MMA fraco, Cole Young (interpretado por Lewis Tan), que não fazia ideia que o sangue em suas veias tinha uma herança sanguinária e importante. Com isso, Young é perseguido por Sub-Zero (Joe Taslim), e precisa da ajuda de Sonya Blade e Jax para descobrir o seu destino e proteger sua família. Partindo disso, discorreremos sobre seu roteiro.

É um pouco difícil decifrar como esse longa foi escrito, muitas das cenas têm diálogos precários, mas que se encaixa em o que se propõe, um filme de ação focado em sua violência. O que incomoda, é como muitas partes da história são corridas e pouco desenvolvidas, e como certos personagens importantes simplesmente não tem tanto foco. Mas para pontuar a pior coisa, devemos falar sobre seu protagonista, Cole, que impressionantemente não tem desenvolvimento algum até o fim do filme; e mesmo assim, seu desenvolvimento acontece nos quinze minutos finais. Enquanto personagens como Scorpion, que aparece relativamente pouco, tem mais desenvolvimento que ele, lembra muito a protagonista dos filmes originais de Resident Evil, se não estivesse ali, ninguém sentiria falta. Mas de resto, com tudo apresentado,  os personagens originais fazem jus para suas versões digitais. Talvez, a direção não soubesse como levar toda uma história em uma hora e cinquenta minutos, talvez até uma meia-hora a mais ajudaria a não ser tão corrido.

Mas nem tudo está perdido. Visando suas lutas, é sensacional. A forma na qual a releitura é feita para as telonas é incrível, até mesmo falas do jogo aparecem aqui (por mais que sejam estranhas em algumas de suas cenas). Todas caem como luvas, a utilização das arcanas e fatalities foram executadas com maestria e viram cenas memoráveis. Os efeitos especiais também ajudam muito na criação das lutas fantásticas, principalmente quando se há muito sangue, e quando Sub-Zero está em tela.

Sledujte]▷ “ Mortal Kombat (2021) Celý Film “Online !Zdarma – GeoGebra

Outros pontos que merecem muitos elogios são suas partes artísticas, a cenografia dos lugares é maravilhosa e muito bem adaptada. E os figurinos também tem suas características únicas, sabem modernizar e ter sua originalidade para o filme. O visual de Scorpion, Sub-Zero, Raiden e Kung Lao são os pontos altos dessa discussão.

Já sua fotografia também é uma montanha-russa, muitas vezes linda, e outras que parece que foi esquecida; enquadramentos estranhos e utilização de cor/iluminação que parecem aleatórios. Sua edição também é esquisita, para não dizer outra coisa. Quando conhecemos o protagonista, um mar de cortes desnecessários chega a dar náusea. Sua montagem normaliza, mas ainda sofre alguns deslizes. E sua trilha-sonora é bem trabalhada, mas não recebe o destaque que merece, o fato de terem utilizado o tema clássico, recriando em algo moderno, é uma nostalgia boa aos fãs.

Mortal Kombat: První český trailer předělávky oblíbeného herního filmu | Prima Cool

Enfim, Mortal Kombat é um filme com falhas, porém extremamente divertido, e necessita de mais para fazer essa franquia tão importante se concretizar. Um roteiro fraco e apressado fez com que várias oportunidades aqui fossem jogadas fora, e também, a possibilidade de se criar um protagonista original e cativante. Por outro lado, o seu universo ainda pode ser muito bem explorado, com seus icônicos personagens sendo tão bem reproduzidos. A verdade é, se aqui fosse feito uma série, sua qualidade poderia melhorar de forma significativa, e vários de seus problemas poderiam ser resolvidos. Agora, é esperar pelo melhor, e que seu futuro possa soar como uma ‘Flawless Victory’.

Nota final: 2.8/5 – Prata

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A singularidade de Invencível no mundo dos super-heróis

Com tantas produções de super-heróis hoje, fica difícil achar uma que se destaque e realmente nos surpreenda, sem os mesmos eventos ou discursos previsíveis, e “Invencível” pode se encaixar dentro desta categoria.

“Invencível”, ou “Invincible” em inglês, é a nova série animada da Amazon Prime Video baseada nas histórias em quadrinho criadas por Robert Kirkman, autor também do universo de The Walking Dead. Na trama, Mark Grayson (Steven Yeun) é filho de um poderoso super herói, Omni-Man (J.K.Simmons), mas que não apresenta seus superpoderes até seus 17 anos, e que agora precisa se equilibrar entre sua vida de um garoto normal e de um super herói que enfrenta ameaças para proteger a Terra, isso com o auxílio de seu pai.

Invincible': TV Review | Hollywood Reporter

O elenco de dubladores da animação é sem dúvidas algo que precisa ser comentado e levado em conta para o seu sucesso. Temos Steven Yeun (The Walking Dead) dublando o protagonista, J.K. Simmons (Homem-Aranha) como Omni-Man, Sandra Oh (Killing Eve) e também Zazie Beetz (Coringa). E ainda, participações de figuras muito estimadas como Mark Hamill, Mahershala Ali, Ezra Miller, Lauren Cohan, entre outras. Certamente, a equipe de dubladores é vasta, com nomes que você provavelmente já ouviu antes. Esse foi um ponto forte e o que propiciou parte da personalidade única da série.

O primeiro episódio começa até então de um jeito despretensioso e típico do gênero: a equipe de heróis, chamados Guardiões do Globo, derrota os vilões. Em seguida, somos apresentados à trama de Omni-Man e seu filho, Mark Grayson, que deseja logo ter seus super poderes e seguir os passos do pai. Tudo parecia singelo e inofensivo, até o final do episódio, quando se tem a quebra de expectativa chocante que foi talvez a parte crucial para evocar a sensação de querer assistir mais. Parte disso se dá pelo enredo que vai sendo construído de forma excepcional, sempre cativando o telespectador e envolvendo-o com seu leque de personagens e arcos de forma divertida. 

Steven Yeun and the Cast of 'Invincible' on Bringing the Best-Selling Comic  to Life

É claro que a sátira permeia a obra, uma vez que os personagens são claramente inspirados em super-heróis já conhecidos. Contudo, essa não é a única e principal finalidade da animação. As histórias dos personagens são bem desenvolvidas e dispõem de algumas das famosas narrativas que gostamos de ver em um super-herói, afastando-se portanto do foco de uma sátira. Dado o alto teor de violência e cenas explícitas de tripas e globos oculares para fora, diga-se de passagem, pode suscitar uma lembrança da sérieThe Boys”, também da Amazon Prime Video. Entretanto, diferentemente de “The Boys”, “Invencível” não se preocupa em apenas fazer piada dos super-heróis das gigantes da editora. Ela tem seu humor próprio e não-óbvio, seu próprio universo sem ridicularização. E isso é ótimo, visto que as produções de heróis quando não pertencem à Marvel ou DC sempre são meramente sátiras.

Invincible Kills Off Its Version of the Justice League | CBR

Depois do episódio 7, que foi insanamente arrebatador e com um ritmo frenético, chegamos ao oitavo e último episódio da temporada, com muitas explicações, sequências atônitas e uma perspectiva até filosófica da relação de Mark com seu pai, e sobre o que significa ser um super-herói. E é claro, a ansiedade para uma próxima temporada de uma história rica em conteúdo.

“Invencível” tem o que todo fã do gênero super-herói gosta e um pouco mais: equipes de super- heróis; o mocinho versus o vilão; as particularidades de cada personagem e lutas de deixar boquiaberto. Também, o fato de não possuir tanto os já conhecidos clichês é um aspecto excelente, somando com todos os elementos necessários para viciar e deixar aquela curiosidade pro próximo episódio, surpreendendo mais a cada um que passa. Sua criatividade em um ramo já tão desgastado por produções similares umas às outras é de fato seu triunfo. Com certeza foi uma ótima surpresa do ano e, felizmente, sua segunda e terceira temporada já foram confirmadas pela Prime Video.

Nota: Diamante

Review: Steven Yeun leads 'Invincible,' a brightly colored superhero  cartoon series | Datebook

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A bela melodia no fundo do mar com Professor Polvo

O fascínio pelos mares não é uma prática recente do ser humano, uma vez que durante a nossa história inúmeros especialistas encararam esse gigante colossal líquido para conhecer os seus mistérios e conseguir entender toda a magia com os continentes, assim como a interação com a fauna e flora marinhas. Estamos falando de um organismo que consegue alcançar longas distâncias e profundezas exploradas por poucos. E mesmo com séculos de conhecimento, ainda não temos a menor ideia sobre esse importante mecanismo marinho.

Essa adoração pelo mar foi um dos pontos abordados em Professor Polvo, porém o excelente documentário de Pippa Ehrlich e James Reed conseguiu ir mais além disso ao explorar a bonita e inusitada amizade entre o cineasta Craig Foster e um polvo-fêmea (Octopus vulgaris). Parece até trama de ficção científica, porém não é. Já existem vários estudos relatando algumas espécies de animais criando laços afetivos ao longo de sua vida. Exemplo claro disso é uma característica conhecida como cuidado parental, que significa a estratégia realizada para a aumentar as chances de sobrevivência da prole.

Antes da primeira aparição do polvo-fêmea adorável, o nosso protagonista humano contou um pouco de sua vida e a sua motivação para praticar o mergulho na província do Cabo Ocidental, na África do Sul. Sua vocação começou ainda na infância ao morar numa casa que ficava de frente para o Oceano Atlântico e presenciou a fúria desse gigante d’água. Além disso, fazia mergulhos em poças de marés. Ou seja, era uma pessoa com tendência forte em continuar seguindo com esse contato com a natureza quando fosse adulto e assim foi. Passando por algumas dificuldades, ele retornou e criou uma rotina em mergulhar nas florestas gigantes de algas (formação de kelps).

E foram aqueles tentáculos! Aqueles benditos tentáculos que mudaram completamente a visão do cineasta sobre o ambiente marinho e o comportamento animal naquele meio. Conhecemos mecanismos usados para fugir de predadores e capturar suas presas. São estratégias importantes que garantem a sobrevivência de inúmeros indivíduos nessa furiosa cadeia alimentar.

Isso tudo foi capturado pelas lentes precisas de Craig e fomos contemplados com uma imersão maravilhosa no fundo do mar. A melodia perfeita entre o belo e o assustador. Todo o material nos trouxe a capacidade de pensar sobre a importância de tudo aquilo e nos fez refletir na construção dessa amizade. Todas as etapas dessa relação estavam ali: do medo e estranheza até a confiança completa naquele estranho invasor em seu território.

Ele aproveitou esse acompanhamento diário ao polvo-fêmea para registrar também toda a rotina de outros animais marinhos e como interagiam com a enorme floresta de algas. Com a narração, a história foi sendo contada em riqueza de detalhes. Com os registros, essa história ganhou forma e cor. Foi o excelente complemento que garantiu a nossa empatia para com essa amizade. Praticamente a mesma sensação de assistir alguma série ou filme e torcer pela felicidade desses amigos nos momentos bons e ruins.

O documentário deixou um espaço para explorar um pouco sobre a relação de Craig com seu filho Tom. É importante repassar o seu legado para a geração seguinte, assim como assegurar o cuidado parental necessário. Ao permitir que Tom seja o seu companheiro de mergulho, tudo fica ainda mais perfeito. Ele tinha um aluno para repassar todo o seu conhecimento sobre o mar. Foi uma aula de amor, carinho e respeito com o oceano. A produção ganhou muito com essa dinâmica.

Craig trouxe conscientização ao pensar no futuro das florestas de algas e resolveu agir para garantir essa proteção se juntando com outros mergulhadores. Se já tínhamos uma noção sobre sua importância, o final apenas reforçou como essas florestas precisam ser protegidas a todo custo. As florestas de kelps são essenciais para a regulação da cadeia alimentar marítima. São muitas as espécies que dependem dessas algas para se alimentar e buscar refúgio.

Professor Polvo foi uma carta aberta de amor, carinho e respeito aos nossos mares. Uma mensagem bonita sobre uma amizade improvável que rendeu frutos mútuos e deixou uma lição importante sobre a vida. Enquanto houver mar para admirar, teremos pessoas fascinadas pela imensidão azul.

Nota: Diamante

No último domingo (25), Professor Polvo recebeu a estatueta dourada de Melhor Documentário.

 

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O poder da oratória em Judas e o Messias Negro

Oratória é a arte de falar em público de forma estruturada e deliberada, com a intenção de informar, influenciar, ou entreter os ouvintes. A oratória refere-se ao conjunto de regras e técnicas adequadas para produzir e apresentar um discurso e apurar as qualidades pessoais do orador.

Grandes figuras históricas tinham como principal característica o dom da oratória e como consequência, arrastavam multidões em seus encontros e conseguiram influenciar toda uma massa com discursos memoráveis que reverberam até hoje em nossa sociedade. Por conta disso, é essencial que essas histórias continuem sendo contadas para o grande público para conhecer mais a fundo sobre os principais ideais que montaram esses movimentos sociais.

Estamos em 2021 sob o eco do importante Black Lives Matter (BLM), que voltou com força no ano passado com a morte de George Floyd após uma abordagem policial. Judas e o Messias Negro veio com esse propósito de trazer a voz potente e revolucionária de Fred Hampton na década de 1960 como o líder dos Panteras Negras. Afinal, a oratória de Fred era realmente potente como de Malcolm X e Martin Luther King?

Daniel Kaluuya (Corra! e Pantera Negra) se destacou como um gigante na multidão numa interpretação fantástica no papel do líder deste movimento e o reflexo disso veio com a sua vitória ao receber a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante na premiação do Oscar do último domingo (25). O ator conseguiu transmitir uma energia poderosa em cada discurso dado ao longo do filme e você conseguia perceber como a sua voz chegava para todos na mesma potência.

A cena do auditório já próximo do final representou bem esse poder de falar com o público de uma forma que todos compreendessem. Esse é um bom orador. Fred conseguia repassar a sua mensagem para o público presente. Seu discurso é bastante inflamado e conquistador. Sua lábia é excelente e envolvente. Você quer estar ali e ouvir, quer participar e agir também. O título do longa não está ali de bobeira, pois realmente tem um Messias Negro. É como se estivéssemos numa igreja ouvindo a palavra do pastor e ficamos admirados com suas palavras fortes. Ninguém quer tapinhas nas costas. Muito pelo contrário, a mensagem só possui o efeito desejado quando é feito para te causar reflexão e indignação sobre tudo que acontece ao nosso redor. Coincidência, né?

Bill O’Neal é o nosso Judas ao se infiltrar nos Panteras Negras para espionar todo o movimento planejado pelo grupo. Lakeith Stanfield também teve uma atuação notável, porém faltou um melhor aproveitamento no que diz respeito na forma de seu personagem verbalizar algumas coisas. Apenas um mero detalhe que não atrapalha totalmente no desenvolvimento deste infiltrado. Suas expressões são os pontos fortes.

O núcleo do FBI é bem aproveitado, uma vez que a agência se tornou a grande antagonista deste movimento e tentaram minar suas ações. Bill foi o Cavalo de Troia nesse plano e sua dinâmica com Roy Mitchell (Jesse Plemons) segue o filme de forma fluída. Quem merece também o reconhecimento é Martin Sheen irreconhecível como o J. Edgar Hoover. Assim como Hampton, o diretor do FBI possui um discurso inflamado e potente. Sendo um excelente orador e tendo como a sua plateia seus agentes. Seu poder aqui é convencê-los do perigo de ter esse grupo solto por aí. Funciona muito bem.

Judas e o Messias Negro foi composto por produtores negros: Shaka King, Charles D. King e Ryan Coogler (Pantera Negra). A direção de Shaka não deixou a peteca cair e o roteiro não ficou para trás. Ele foi bem desenvolvido para contar a história real dos Panteras Negras e toda a articulação de Bill até o assassinato de Fred. Quer saber mais sobre? Leia aqui .

Nota: Diamante 

E aqui me despeço. Espero que tenham gostado do texto e fiquem ligados para mais críticas dos principais filmes desse atual Oscar.

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Nomadland, a arte da compaixão em sua forma mais primordial

Sendo sincero, é um pouco difícil ter que falar sobre o maior vencedor da noite do Oscar 2021, Nomadland, de forma totalmente mais técnica e objetiva. Tanto quanto crítico e espectador, quando vemos um filme, nunca sabemos o que enfrentaremos ou adoraremos; com toda certeza, não estava esperando receber tamanha obra de arte, em um ano tão difícil para o audiovisual.

    O longa nos apresenta Fern (interpretada por Frances McDormand, que venceu como ‘Melhor Atriz’ no último domingo), uma mulher que perde seu marido e que deverá sair da casa onde morava, pertencente a empresa, que acabou falindo. Com isso, ela decide buscar esse novo caminho de sua vida vivendo pelas estradas dos Estados Unidos, com os nômades. Assim, começa uma grande jornada que explora lados pessoais e a tão aclamada ideia do “American Way of Life”. Desde empregos na Amazon (coisa na qual o longa foi duramente criticado no país, após polêmicas de como os funcionários são maltratados) e ajuda voluntária com outros andarilhos, vemos cada detalhe dessa vida que parece tão incomum, porém, enorme.

    É muito difícil abordar aspecto por aspecto do filme, já que o roteiro, direção e edição foram todos feitos pela aclamada Chloé Zhao. Ela consegue encaixar tão perfeitamente tudo tão bem como se fosse uma simbiose, cada pilar que sustenta a obra é firme e unido, o que é feito aqui é algo singular, coisa que vemos a cada 5, 10 anos no cinema. A direção aqui é tomada com tanta delicadeza, o ritmo do filme é lento – mas necessário. Você consegue sentir na pele, você cria uma empatia com cada personagem apresentado, e até com objetos. A imersão é humana, e tem um porquê disso.

    Uma coisa precisa ser dita que pode mudar totalmente sua experiência com o filme, e que surpreende ao ponto de ficar boquiaberto: A maioria das personagens aqui são não-atores. No máximo, somos apresentados 4 ou 5 atores de verdade. Todos os nômades aqui disseram que interpretaram a si mesmos, é por isso que quando assistimos, é tão real ao ponto de parecer um documentário. Ali são sentimentos reais, histórias reais, pessoas reais. Até mesmo ‘personagens’ em que o livro se baseia, escrito por Jessica Bruder, aparecem no longa, como o nômade Bob Wells, que ajuda a todos os seus companheiros de estrada a conseguirem se encaixar nessa vida. Mostra os motivos das pessoas estarem lá, seja por suas perdas, pelo o fator econômico; mostra que todos lá são um só, são uma família. Frances e todos seus companheiros de estrada dão o seu melhor e são a alma de tudo isso.

    A maior esnobação do Oscar, com todas suas letras em maiúsculo, devem se a fotografia dessa obra não ter ganho. O empenho de Joshua James Richards é de tirar o fôlego, cheio de close-ups, planos abertos, e independente do enquadramento, vemos a emoção e sentimento carregados aqui. A colorização também é outro ponto magnifico, desde cenas que passam solidão, até o calor da felicidade e descoberta. Um ponto também muito interessante de ser levantado, é que a diretora levou a as não-atrizes do filme, Linda May e Charlene Swankie, para o festival. E Frances, ao ganhar sua estatueta, uivou como um lobo em homenagem ao engenheiro de som, Michael Wolf Snyder, que faleceu no último mês de março.

    E com sua trilha-sonora composta por Ludovico Einaudi (Intocáveis, Samba) é também um ponto que cria uma atmosfera que dialoga com o que a protagonista sente. Com 11 faixas e tendo um foque enorme em seu piano, e sua parte em músicas autorais. É impossível não se apaixonar, se emocionar e se identificar.

CRÍTICA | Nomadland conta uma história real e invisível - Tribernna

    Vencedor de três Oscar’s, melhor filme pelo BAFTA, Globo de Ouro, Critic’s Choice Awards e outros inúmeros prêmios, Nomadland é um filme que você precisa ver pelo menos uma vez em sua vida. É uma experiência que apenas o cinema consegue transmitir, é uma montanha russa de sentimentos e descobertas.

Não há despedidas finais. Vejo você na estrada.

Nota final: 5/5 – Diamante