“Bela Vingança”, ou “Promising Young Woman” em inglês, alcançou cinco indicações ao Oscar deste ano, vencendo na categoria de Melhor Roteiro Original. Carey Mulligan(OGrande Gatsby; Drive) é a protagonista do longa escrito e dirigido por Emerald Fennell, e seu elenco apresentou algumas outras participações de figuras já conhecidas no cinema, como Adam Brody (Shazam!), Christopher Mintz-Plasse (Kick-Ass) e Alfred Molina (Homem-Aranha).
Na trama, Cassandra Thomas é uma mulher que, devido aos seus traumas do passado, passa as suas noites fingindo-se de bêbada com intenção de dar uma punição nos homens que tentam assediá-la ou aproveitar-se de sua “vulnerabilidade”, além de arquitetar sua vingança contra uma pessoa do seu passado.
O filme consegue passar a noção de começo, meio e fim de forma eficiente conforme apresenta gradativamente a narrativa dos personagens, bem como demonstra toda a atmosfera carregada do drama. É difícil não se compadecer da história de vida de Cassandra e sua perda e sofrimento, de forma que não conseguimos deixar de apoiar suas ideias de castigo, por mais perturbadoras que sejam. Suas motivações parecem dignas, e toda a complexidade emocional da protagonista é totalmente compreensível e profunda, resultante de uma sociedade machista e baixa, fato retratado de forma maestral e que ainda manifesta a realidade consternada das mulheres.
A atuação de Mulligan não é de deixar pasmo, mas é digna de aplausos. A frieza que a atriz consegue transmitir para sua personagem e suas rápidas mudanças de expressão são impressionantes. É ainda mais empolgante como consegue passar a sensação de nervosismo e inquietação para o telespectador durante suas artimanhas. Sua vingança prende a nossa atenção para o que virá a seguir ao passo que torcemos para que ela a cumpra, se tornando talvez uma heroína, dependendo do ponto de vista.
Suas críticas sociais são bem claras desde a sinopse até trailers, e a cultura do estupro é o tema central a ser analisado e criticado na película. Quando se chega ao final da história, a mensagem a ser passada fica inteiramente clara. No entanto, quem acha que o filme se apoia no suspense ou até mesmo um pouco de terror pode se decepcionar. O longa se concentra muito mais em suas críticas e piadas ácidas com um grande fundo de verdade do que na composição do suspense em si, ainda que suas poucas cenas desse tipo consigam instaurar a agonia necessária para faltar palavras, assim como seu final, que pode dividir opiniões e te deixar boquiaberto.
Em suas partes técnicas, a fotografia possui um perfeito enquadre, e as músicas também tem seu papel na instauração da sensação de suspense.
Em suma, Bela Vingança é um daqueles filmes necessários para contextualizar a atualidade social, seus problemas de gênero e abusos que, infelizmente, ainda se fazem presentes. Seu roteiro original escancara essa problemática de forma singular e criativa, sem fugir ou perder a força do seu argumento, e graças a isso teve seu devido reconhecimento na premiação mais famosa.
Você é do time que prefere livros ou graphic novels? Independente da sua preferência, tenho certeza que essa lista despertará 100% do seu One for All literário.
Fahrenheit 451
Situado em um futuro distópico, Fahrenheit 451 nos mostra uma sociedade em que ler e ter livros é estritamente proibido. Os “bombeiros”, funcionários responsáveis por cessar tais atos ilícitos, se encarregam de queimar os livros e perseguir aqueles que os possuem. O título da obra faz alusão à temperatura de queima do papel, em graus fahrenheits. Publicado pela primeira vez em 1953, o romance de Ray Bradbury ganhou uma adaptação em quadrinhos em 2009, escrita e ilustrada por Tim Hamilton e publicada aqui no Brasil pela editora Excelsior.
1984
Grande clássico de George Orwell, 1984 também se passa em uma realidade distópica, mais precisamente no ano que dá nome ao livro. Situado na “Pista de Pouso Número 1”, na província do superestado da “Oceania”, Orwell nos mostra uma vida completamente vigiada, pensamentos totalmente reprimidos, ideias cerceadas e um governo absurdamente totalitário. Tendo o “Grande Irmão” como líder do Partido regente, os cidadãos são direcionados a uma total obediência e submissão, não sendo permitida qualquer tipo de discordância e dissidência. Adaptado e ilustrado pelo artista brasileiro Fido Nesti, o quadrinho foi lançado em 2020 pela editora Quadrinhos na Cia..
A Revolução dos Bichos
Também de George Orwell, A Revolução dos Bichos é uma breve e potente fábula que aponta as ironias e contradições do regime socialista da União Soviética stalinista. A trama se passa em uma fazenda, e temos a percepção dos fatos através dos animais que habitam o local, bem como a sua indignação com o tratamento à que são submetidos pelos humanos da propriedade. Tendo como objetivo sua emancipação e liberdade, os animais, liderados pelos porcos, se “rebelam” contra os humanos e passam a viver em uma sociedade utópica. No entanto, com o passar do tempo, percebe-se que “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”. A adaptação foi realizada pelo também brasileiro Odyr, e publicada em 2018 pela editora Quadrinhos na Cia..
Sapiens – Uma Breve História da Humanidade
Baseada no best-seller homônimo de Yuval Harari, esta graphic novel nos conta, de forma didática e muito bem ilustrada, a evolução humana e, consequentemente, a evolução do mundo. Passando dos neandertais até o homo sapiens sapiens, temos um excelente panorama científico, histórico e cultural da até então espécie dominante do planeta Terra. Adaptada por Daniel Casanave e ilustrada por David Vandermeulen, Sapiens foi publicada pela editora Quadrinhos na Cia. em 2020.
Uma prática usual na vida dos consumidores de conteúdo é aguardar as principais novidades que chegarão nas plataformas de streaming. São séries novas, retornos de outras e diversos filmes. Sendo assim, saiba o que a Netflix preparou para este mês de maio:
01/05
Death Note
O filme centra-se no universitário Light Yagami que decide livrar o mundo do mal com a ajuda de um caderno sobrenatural que mata qualquer pessoa cujo nome é escrito nele.
Death Note – O Último Nome
Light põe em prática um complexo esquema para afastar as suspeitas de que é o responsável pelas mortes. No percurso, ele conhece uma fã apaixonada e disposta a ajudá-lo.
Death Note: Iluminando um Novo Mundo
Com Light morto, a força-tarefa Death Note é reintegrada. O mundo está em alerta máximo, com novos assassinatos. Um investigador privado se junta ao grupo.
02/05
Operação Overlord
Uma tropa de paraquedistas americanos é lançada atrás das linhas inimigas para uma missão crucial. Mas, quando se aproximam do alvo, percebem que não é só uma simples operação militar e tem mais coisas acontecendo no lugar, ocupado por nazistas.
04/05
Selena: A Série (2° temporada)
Nos novos episódios, iremos ver que à medida em que a carreira da cantora ganha notoriedade, ela precisa encontrar formas de se manter fiel aos seus princípios, arranjar tempo para passar com quem ama e expandir os seus negócios.
Zé Coleta (2° temporada)
Hank é um garoto de seis anos e seu melhor amigo é um caminhão de lixo. Na companhia de animais especiais, eles exploram o mundo ao redor e vivem aventuras fantásticas!
05/05
Os Filhos de Sam: Loucura e Conspiração
O caso Filho de Sam se tornou uma obsessão para o jornalista Maury Terry, para quem os assassinatos estavam associados a uma seita satânica.
07/05
O Legado de Júpiter (1° temporada)
A primeira geração de super-heróis passa o bastão para os filhos, mas as tensões aumentam — e as regras antigas não se aplicam mais.
https://www.youtube.com/watch?v=78QltZcT7Ws
Garota de Fora (2° temporada)
Nanno está de volta para expor os problemas da escola e dos colegas — e, desta vez, ela não está sozinha.
Monstro
Um jovem estudante talentoso se vê envolvido em um roubo seguido de morte e luta para provar sua inocência contra um sistema judiciário que já o condena.
500 Mil Quilômetros
Depois de alcançar a marca de 500 mil quilômetros rodados, um caminhoneiro enfrenta a ameaça de perder o emprego para um novo estagiário.
08/05
The Bold Type (Temporadas 1 a 4)
Série inspirada na vida da executiva da revista Hearst, Joanna Coles, e oferece um olhar sobre os bastidores dos responsáveis de uma revista para mulheres chamada Scarlet.
10/05
Boi Neon
Iremar é um vaqueiro de curral que viaja pelo Nordeste trabalhando em vaquejadas. Seu maior sonho é largar tudo e começar uma nova carreira na moda como estilista no Polo de Confecções do Agreste.
11/05
Outlander (5° temporada)
Os Frasers se esforçam para prosperar dentro de uma sociedade em que, como Claire bem sabe, está marchando em direção à Revolução Americana.
Explicando…Dinheiro
Nós o gastamos, emprestamos e poupamos. Mas agora vamos falar sobre as armadilhas do dinheiro, como os cartões de crédito, os cassinos, os golpes e o crédito estudantil.
12/05
Família Upshaw
Nesta série de comédia, uma família cheia de histórias para contar tenta equilibrar os desafios e as alegrias do dia-a-dia.
https://www.youtube.com/watch?v=Rod29FKKKk0
Oxigênio
Uma mulher acorda em uma unidade criogênica totalmente sem memória. A reserva de oxigênio começa a se esgotar, e ela precisa se lembrar de quem é para sobreviver.
Peter Tatchell: Do Ódio ao Amor
Este documentário conta a história do ativista de direitos LGBTQIA+ Peter Tatchell e sua luta por justiça em meio a controvérsias e comoções políticas.
13/05
Amor, Casamento e Divórcio
A vida de três mulheres bem-sucedidas que trabalham em um programa de rádio vira de cabeça para baixo quando seus casamentos são ameaçados por segredos e reviravoltas.
Castlevania (4° temporada)
A série conta a história dos caçadores de vampiros Trevor Belmont, Sypha e Alucard, que, no começo do seriado, defendiam o condado de Valáquia do temível Drácula e do exército de demônios do lorde vampiro.
14/05
Love, Death & Robots (2° temporada)
De aventuras selvagens em planetas distantes a encontros perturbadores perto de casa: a antologia vencedora do Emmy está de volta com novas histórias instigantes.
https://www.youtube.com/watch?v=Gj2iCJkp6Ko
Eu Vi (3° temporada)
Uma mansão horripilante. Uma melodia sinistra. Um gato demoníaco. Mais pessoas comuns compartilham histórias assustadoras de seu passado — e a verdade é apavorante.
A Caminho do Céu
Existe vida nos pertences de quem já faleceu. Um jovem com síndrome de Asperger e seu tio ex-presidiário descobrem e relatam essas histórias para aqueles que ficaram.
A Mulher na Janela
Confinada pela agorafobia, uma psicóloga fica obcecada com seus novos vizinhos e quer resolver um crime violento que testemunhou de sua janela.
Ferry
Antes de construir um império das drogas, Ferry Bouman volta à sua cidade natal em uma missão de vingança que põe à prova sua lealdade — e encontra um amor que muda sua vida.
15/05
Sicario: Dia do Soldado
Para investigar cartéis mexicanos suspeitos de terrorismo, um agente federal pede a ajuda de um assassino. Mas essa guerra acaba virando uma batalha pessoal.
Irmã Dulce
A história de uma mulher que enfrentou todas as adversidades para dedicar a vida aos mais necessitados, deixando um legado que perdura até hoje.
Kuroko no Basket
Kuroko, Kagami e o resto do time enfrentam os adversários mais difíceis da região com um objetivo em mente: vencer o torneio de inverno.
https://www.youtube.com/watch?v=vChKfGQleqk
19/05
Quem Matou Sara? (2° temporada)
Para se vingar, Álex terá que revelar o lado mais sombrio da irmã e aceitar o fato de que nunca conheceu a verdadeira Sara.
The Last Days
Este documentário vencedor do Oscar conta a emocionante história de cinco judeus húngaros que resistiram ao terror do holocausto e do domínio de Hitler.
20/05
Special (2° temporada)
Afastado da mãe, Ryan continua explorando o mundo por conta própria, enfrentando todos os altos e baixos da vida e do amor.
21/05
Army of the Dead: Invasão em Las Vegas
Após uma invasão zumbi em Las Vegas, um grupo de mercenários se aventura pela zona de exclusão para realizar o maior assalto de todos os tempos.
O Vizinho (2° temporada)
Javi achava que já tinha dominado essa coisa de ser super-herói, mas ainda vai precisar enfrentar uma concorrência improvável e alguns visitantes extraterrestres.
Os jovens na Ilha Nublar estão de volta para mais uma temporada em que, juntos, tentam fugir da ilha habitada por dinossauros.
22/05
Olá? Sou Eu!
Fracassada e infeliz, uma mulher sente que perdeu a alegria de viver — até dar de cara com uma versão mais jovem de si mesma, que aparece exigindo mudanças.
26/05
O Divino Baggio
Um relato dos 22 anos de carreira do craque italiano Roberto Baggio, incluindo a difícil estreia nos campos e os conflitos com alguns de seus treinadores.
Da África aos EUA: Uma Jornada Gastronômica
Arroz, quiabo, até mesmo o famoso macarrão com queijo. A culinária afro-americana teve (e tem) grande importância no cenário gastronômico dos Estados Unidos. Nesta minissérie, Stephen Satterfield analisa esse impacto.
Atentados em Londres
Este documentário conta a história dos atentados contra minorias em Londres, em 1999, e a corrida para encontrar o extremista de extrema-direita responsável pelas explosões.
27/05
Milagre Azul
Um grupo de crianças e o dono do orfanato onde moram se unem a um marinheiro rabugento para uma lucrativa competição de pesca esportiva, na tentativa de salvar a instituição.
Soy Rada: Serendipia
O humorista argentino Agustín Aristarán, conhecido como Soy Rada, está de volta para falar sobre família, filhos, magia e música.
Eden (1° temporada)
A história de robôs que cuidam da última criança humana.
https://www.youtube.com/watch?v=q3oekuh5Vyw
28/05
Lucifer (5B)
Lucifer protagoniza um retorno memorável à terra dos vivos para fazer as pazes com Chloe. E vem pegando fogo.
O Método Kominsky (3° temporada)
Um novo capítulo se abre para Sandy, que deve lidar com uma difícil perda, um problema financeiro, uma reunião importante e um grande impulso na carreira.
EncrenCão
A vida privilegiada de um cão mimado vira de cabeça para baixo quando ele se perde e precisa aprender a sobreviver nas ruas da cidade grande.
29/05
O Mito de Sísifo
Depois de um incidente estranho, um engenheiro descobre segredos perigosos e conhece uma mulher que veio do futuro procurar por ele.
31/05
Imóveis de Luxo em Família
Este reality show acompanha a família Kretz e sua imobiliária de luxo em Paris.
Isso é tudo, vigilantes. Próximo mês estará caprichado de produções para agradar todo o tipo de público e agora é se programar, pois maio está logo aí. Boa maratona para todos!
Desde os créditos de Godzilla: Rei dos Monstros (2019), onde observamos o titã enfrentando Kong em uma pintura rupestre, os fãs do Monstroverso – este oficializado em 2017 com a cena pós-créditos de Kong: Ilha da Caveira – ficaram ansiosos esperando o confronto dos dois personagens. Finalmente, após muita discussão na internet acerca de quem ganharia a batalha, a espera acabou com o lançamento de Godzilla vs Kong em Abril deste ano.
Dirigido por Adam Wingard, responsável pela adaptação live-action de Death Note na Netflix, o título entrega uma diversão honesta com sequências bem construídas e com uma trama sólida, mas infelizmente comete os mesmos erros que o seu antecessor do universo compartilhado.
Na trama, Godzilla ataca a sede da Apex Cybernetics e, logo após isso, o presidente da mesma procura investigar com segundas intenções as origens dos monstros e da energia do titã presentes no planeta através de uma teoria denominada ‘Terra Oca’. Para isso, utilizam Kong como guia para o determinado local e isso provoca o confronto entre os dois titãs – que por si só já são inimigos naturais. Em paralelo, um grupo de humanos procura investigar as conspirações envolvendo a mesma.
O roteiro apresenta um argumento sólido, porém, é desenvolvido de forma expositiva e conveniente com todos os personagens envolvidos. Seguindo os mesmos problemas de Godzilla: Rei dos Monstros, os diálogos extremamente clichês entre os personagens servem apenas para explicar algo que já foi exposto visualmente ou para quebrar o clímax do longa com piadas sem graça. O ponto de vista dos humanos apresenta dois lados: um deles sendo protagonizado pelos personagens envolvidos com a Monarch e com a ApexCybernetics, empresa envolvida com o plot do título, enquanto o outro dá ênfase na personagem de Millie Bobby Brown e seus amigos.
Enquanto o primeiro – apresentando os problemas estruturais de roteiro descritos acima – cumpre um papel importante para o desenrolar da trama e para o confronto dos titãs, o outro serve apenas para aumentar o tempo de tela do filme e não acrescenta em nada para o desenrolar da história, não contribuindo para o seu desenvolvimento. Caso os personagens do núcleo de Millie fossem removidos na edição final do título, a trama continuaria a mesma. Por último os humanos por si só não cativam o telespectador e fazem com que o desenrolar do filme seja arrastado em certos momentos, um exemplo disso é o primeiro ato do título que arrasta a trama até que ela consiga apresentar um ritmo, sendo este interrompido em diversas vezes pelos diálogos e interações entre os mesmos.
Em suma, o roteiro utiliza os humanos e suas interações para deixar tudo mastigado ao público como se o mesmo não fosse capaz de tirar suas próprias conclusões acerca do que ocorre em tela – o que acaba prejudicando e muito a experiência pois, em quase duas horas de filme, 75% de sua duração conta com as interações entre os personagens.
Kong e sua história acabam sendo o centro da trama e o que cativa o telespectador a descobrir mais sobre o universo exposto desde 2014 nas telas e, por mais óbvio que seja o fato que Godzilla é o mais forte do confronto, é inegável dizer que o carisma e a humanização do primeiro personagem não faça com que a torcida se volte para ele. Dito isso, Godzilla vs Kong acaba se tornando uma trama de titãs prejudicada pela participação dos humanos – assim como os dois filmes do titã nuclear, cujo no primeiro só aparece em tela durante oito minutos de longa.
Deixando o roteiro de lado, os confrontos entre os monstros são épicos e os efeitos visuais, em conjunto com a fotografia, são sensacionais. Toda a enrolação provocada pela trama no ponto de vista humano e pelos quarenta minutos iniciais, que são extremamente maçantes, acaba sendo compensada quando ocorre o primeiro encontro entre os dois e nas cenas de ação seguintes.
Então, é bom?
Por mais que a trama envolvendo o ponto de vista humano estrague grande parte da experiência do filme, as cenas de ação bem executadas e os efeitos visuais do longa compensam todos os defeitos e entregam um bom título. Godzilla vs Kong entrega com maestria o que vendeu em seu marketing: uma diversão honesta envolvendo um confronto épico e de tirar o fôlego entre os dois maiores titãs do audiovisual com uma conclusão satisfatória para os amantes do universo estabelecido pela Warner em 2014.
Para os que caíram aqui de paraquedas, The Signifier já possui uma análise, feita por nós da Torre de Vigilância. O que vamos falar aqui é sobre sua principal DLC, o Director’s Cut. O plot inicial do jogo, nós já conhecemos.
Mas para ambienta-los melhor (caso você não leu a análise ainda -triste por você-), vamos fazer uma pequena retrospectiva. The Signifier é um drama interativo, com boas doses de suspense psicológico.
Localizado em um futuro onde é possível recuperar partes da memória de pessoas já falecidas através de uma IA (Inteligência Artificial), jogamos com Frederick Russel, especialista em psicologia digital. E junto ao doutor, precisamos descobrir mais a respeito da morte da vice-presidente de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a Go-At. No decorrer da gameplay vamos nos deparando com puzzles, no melhor estilo point and click.
Falando agora do que temos em mãos. The Signifier: Director’s Cut trás melhorias ao jogo já sólido, que tínhamos jogado anteriormente. Então me pergunto a necessidade desta DLC, entretanto logo me vem a resposta simples em mente. O que é bom pode ficar ainda melhor, ou não! Felizmente, aqui tudo correu para o lado certo.
The Signifier:Director’s Cut não altera em nada a jogabilidade habitual do jogo. Que é bem simples, point and click clássico, em uma perspectiva de primeira pessoa, focando suas forças em criar puzzles de variados níveis, em cenários grandiosos, com pequenos detalhes as vezes imperceptíveis aos olhos de um jogador casual, mas mesmo este perfil de jogador se impressionará facilmente com a melhoria gráfica presente no Director’s Cut.
Aqui no Director’s Cut temos a oportunidade de ir mais além em algumas memórias da vice-presidente Johanna, e acabando por descobrir que a sua morte esta conectada em uma rede de tramas ainda mais complexa do que vimos anteriormente, e por sua vez é necessário descobrir as respostas de diferentes puzzles acrescentados nesta DLC. Só avançamos na história se as peças corretas estiverem em seus respectivos lugares, afinal, estamos aqui para recuperar e analisar memórias. Como seria difícil analisarmos memórias fragmentas não é?
É claro que não ficaríamos presos dentro de um laboratório o jogo inteiro, Frederick Russel ainda precisa ter uma vida social, mesmo que não a queira. Tanto fora da IA, quanto lá dentro, os diálogos são pontos altos durante toda a sua experiência, principalmente quando interagimos com os personagens, buscando por pistas a respeito da vítima, ou buscando entender melhor sobre a filha de Russell.
As camadas criadas através dos diálogos são impressionantes, uma exploração super valiosa ao que se diz respeito da psicanálise. E ainda melhor aqui em The Signifier: Director’s Cut, onde algumas pontas soltas, acredito que propositalmente para servir anteriormente como fonte de teorias, hoje são praticamente inexistentes, a medida que vamos encontrando mais pistas e as cruzamos com informações cedidas por algum personagem, está vazio vai sendo preenchido de forma natural, nada de jogar informação na sua cara.
Além dessas camadas mais peculiares dos diálogos, as memórias que acessamos possuem uma profundidade e importância ainda maior. Elas não servem como um livro de informações e uma atividade de quebra-cabeça. E para melhorar temos a ainda bela trilha sonora, que mistura o suspense com o terror psicológico, totalmente coerentes com a gameplay apresentada desde o início do jogo.
Assim, The Signifier: Director’s Cut melhora alguns problemas da edição inicial. Principalmente quando falamos em otimização, na versão inicial, durante as lembranças, propositalmente eram apresentadas falhas, assim como uma televisão antiga, chiados, desfoques e instabilidade visual. Entretanto anteriormente tínhamos uma espécie de salada mista destes problemas, onde não era possível compreender o que deveríamos fazer. Já com a DLC, nós temos essas falhas presentes, porém, nos momentos onde elas devem existir, para poder criar a ambientação do jogo.
Uma coisa que eu gostei bastante desta DLC foi sua extensão, o jogo consegue entregar tudo que é necessário, em poucas horas, se comparado com outros jogos que seguem a mesma linha racional da sua. Visto que funciona realmente como um passatempo, um filme ou uma pequena série, que pode ser “assistida” entre o seu horário de trabalho e o seu horário de almoço.
Por fim posso dizer que The Signifier: Director’s Cut, não é um jogo para qualquer um. Seus dramas e gameplay podem não agradar a todos, mas caso você seja um curioso, mesmo que não seja seu estilo de jogo, pode ter certeza que terá uma ótima experiência, e por conta de sua curta gameplay, mesmo que você não goste do jogo como um todo, não será um tempo gasto em vão, certamente alguma informação será absorvida de forma subconsciente, e consequentemente você se lembrará dele ao comentar, que estivesse presente nas diversas camadas do jogo.
O que temos aqui é uma melhoria do jogo que tínhamos anteriormente, o que não diminui o mérito dos desenvolvedores e produtores, que pegaram o seu material e o exploraram com mais esmero. Mesmo com finais alternativos adicionados aqui, The Signifier: Director’s Cut permanece com uma conclusão muito impactante, além de todo o seu peso como final, ela é arremessada a você, quando menos esperar ela estará no seus braços e você vai tentar entender como ela foi parar ali.
Contudo, The Signifier: Director’s Cut traz um futuro um tanto quanto curioso, com dilemas e questões morais a serem explorados ainda mais. Sua imersão ao mesmo tempo que cativa, cria uma atmosfera de tensão e repulsa. Mesmo sendo um jogo com nicho bem específico a experiência esquisita e amedrontadora por traz de toda a gameplay o jogo consegue ser incrivelmente belo.
Veredito: Prata- Considerável
The Signifier: Director’s Cut, foi testado através de código, enviado antecipadamente para teste. Esta versão está disponível para PCs a partir do dia 22 de abril, e posteriormente terá versões para Mac, PlayStation e Xbox tanto da geração atual quanto da anterior das empresas.
Uma coisa é inegável em toda a história da Marvel Studios, é que todo o universo do Capitão América é um dos melhores, vide que sua trilogia é a melhor de todo MCU. Com Falcão e o Soldado Invernal não foi diferente, a série com seis episódios dirigida por Kari Skogland atinge um novo patamar para o estúdio.
Quando WandaVision, a primeira série da Marvel na Disney+ terminou, foi bombardeada com críticas ao seu roteiro, direção inconstante e uma história muito mal explorada. Surgiu então o medo que a próxima fosse por esse caminho, e felizmente, ela provou fazer justamente o contrário; a qualidade, carinho e dedicação que se tem em cada ponto é de cair o queixo. Começando pela sua direção, que sabe regular muito bem o seu timing, seja com a ação, drama, comédia ou suspense. Se for comparar com algum filme da marca, seria com a de ‘Capitão América 2: O Soldado Invernal‘, o pináculo dos filmes do MCU e dos Irmãos Russo. Cada detalhe sobre o passado, sobre como transmitir o que se passa nos personagens e no mundo ali criado, é muito difícil comparar com outros, por tamanha qualidade.
Seu roteiro também consegue dar uma aula de como se executar com maestria. A forma na qual Malcolm Spellman consegue arquitetar sua escrita de forma tão natural, combina perfeitamente nas mãos de Skogland. As explorações das histórias do Capitão América são adaptadas de forma coesas e que instigam, a criação e redenção de John Walker, a dor de Isaiah Bradley, a motivação de Karli, e a atenção para a adaptação das personagens principais aqui são o puro diamante da casa de ideias. Até mesmo como conseguem reconstruir todo o Barão Zemo para uma versão extremamente fiel a sua persona dos graphics novels e a maior e melhor utilização da Sharon Carter, coisas que foram muito criticadas em ‘Capitão América: Guerra Civil‘, aqui acertam com precisão. Isso é algo que foi totalmente diferente ao Wandavision. Ao invés de criar uma falsa expectativa no público, e ter os dois pés para trás ao pensar em ser ousado e inovador, eles criam um início e fim que se completam com propriedade e com a próximas histórias perfeitamente definidas; diferente de uma série que desconstrói oito episódios em um e cria um final genérico incoerente com seu universo e com milhares de pontas soltas que se perderam do interesse com o tempo. A escrita dessa série é tão bem pensada, que não precisa usar de falsas expectativas para cativar seu público, ela apenas precisa do que já tem; e o que ela tem? O melhor. Também, a forma sútil na qual a série aborda temas mais pesados como racismo e política foram necessários e ditaram o rumo da história. Um dos únicos problemas do roteiro, e por vez da direção, é acabar sendo lento em alguns momentos (especificamente nos episódios um e cinco), e acabam perdendo o ritmo, que se recupera nos momentos finais, mas pode atrapalhar bastante para quem assiste.
Não precisa nem falar sobre seu elenco, Anthony Mackie e Sebastian Stan entregam suas melhores performances e criam uma química ótima, até melhor do que que Sebastian tinha com Chris Evans. Wyatt Russel rouba a cena em muitos momentos, tanto que, sua atuação em um dos maiores momentos de choque da série precisava de uma atuação boa, e ele entregou seu máximo. Daniel Bruhl, Emily VanCamp e Erin Kellyman também não ficam de fora, roubam a cena em todos os momentos em que aparecem.
Uma das coisas que também se destacam são os detalhes técnicos, a fotografia é simplesmente maravilhosa, a Marvel é conhecida por não se importar tanto em seus filmes com isso, mas aqui é outra história; desde o trabalho nas cores até enquadramentos, cria uma estética única para a série. Sua trilha-sonora, cenografia (principalmente em suas cenas em Madripoor) e figurinos são tão bem trabalhos quanto em qualquer outra produção do MCU. Também, sua edição é simples, porém, deleitável.
Com tudo isso, Falcão e o Soldado Invernal é digno de palmas, com acertos tão brilhantes e poucos erros, pode se dizer que essa série é o que a Marvel precisa focar em seu futuro, pois é um dos suprassumos de toda a filmografia do estúdio. Explorar mais suas histórias, sem medo, e entender diferentes estilos de gênero para suas produções é o que cria esperança para um futuro tão brilhante quando foi iniciado aqui.
– Pai, agora você vai ficar aqui e a enfermeira vai cuidar do senhor. Vai ficar tudo bem. – Obrigado por cuidar de mim. – Sempre vou cuidar do senhor, pai.
Esse foi o meu último dialogo com meu pai antes dele falecer em setembro de 2020, depois de passar uma madrugada com ele no hospital. Ele teve um câncer que em um mês e meio o levou. Fui o último filho a vê-lo com vida. E ainda não é fácil.
No posfácio de A Casa, Fernando Marías diz que a morte do pai é um dos grandes desafios da literatura. Por um lado é complicado para o autor não seguir somente os instintos e sentimentos, à mercê de dúvidas racionais que chegam de todos os lados. Por outro lado, a escrita meio que flui mais tranquila, parecendo que o pai morto está passeando com o filho. E realmente a obra de Paco Roca você sente a presença do pai dos personagens vivendo e pulsando pela casa em questão.
“As mesmas histórias tristes que se ouve dizer. Dessa vez o escolhido fui eu.” (Honrar teu Nome – CPM #22)
A história gira em torno de três irmãos que perderam o pai e agora precisam decidir o que fazer com a casa, que antes era de veraneio quando eram crianças, e veio se tornar a moradia definitiva dos pais. Assim como é o normal da vida, todos os filhos seguiram seus destinos, saindo das tutelas familiares, mas chegou o momento de encontrar novamente com o passado e o pior, ter que decidir o que fazer com esse passado.
Em meio a lembranças, que na maioria dos casos são boas, os três filhos se apegam a casa que o pai deixou em uma viagem no tempo com essas lembranças. E como eu disse são lembranças boas, porque é do ser humano lembrar somente das coisas boas de pessoas recém falecidas. Isso me remete ao pequeno dialogo que está no inicio desse texto, por mais que seja uma lembrança dolorosa é uma boa lembrança. Pois ali eu vi que pela primeira vez em um mês em meio, o meu pai estava em paz. Ele estava se sentindo bem. Por isso guardo esse momento com tanto carinho. Obviamente existem momentos melhores.
Com uma leveza pura e uma arte que descansa os seus olhos, A Casa de Paco Rosa é uma delícia de leitura, todo detalhe dela parece ter sido feita com amor e cuidado de não forçar um sentimento no leitor, mas sim de fazer a gente adentrar na casa e se sentir membro da família e se sentir apegado e amado pela casa. É como o leitor fosse um “quarto irmão”. Não é uma história de manter legados e sim de cultuar e celebrar o que foi construído. Não somente em bens materiais, mas também com sentimentos, ensinamentos e lembranças.
“Naquela mesa ‘tá’ faltando ele. E a saudade dele ‘tá’ doendo em mim” (Naquela Mesa – Nelson Gonçalves)
A Casa também fala de elos quebrados e “desquebrados”. A família tinha um elo de união que era a casa onde passavam as férias, quando cada um segue a sua vida, esse ela é partido. E o elo se refaz, e esse elo é o pai recém-falecido, ela já não se encontra mais unida há tempos (o que é normal também), a obra apresenta como o único elo que era a união da família depois de quebrado, pode vir a unir todos depois. Pois isso também é da natureza humana, sofrer um machucado e lamberem as feridas juntos. Mas se essa união irá continuar… quem sabe?
A Casa atinge em cheio quem já perdeu um ente querido, seja qual membro familiar for ou até mesmo aquela amizade. Mas a obra também atinge quem não perdeu ninguém. Pois faz aflorar a ideia que temos que celebrar enquanto estamos vivos, criar boas lembranças, pois um dia tudo vai passar. No meu caso não foi uma obra fácil de ler, mas também não me levou às lágrimas. Ela me passou uma coisa boa, e um tanto clichê, de que a vida é assim. Tudo passa e que devemos continuar sempre em frente.
A Casa foi publicada aqui no Brasil pela Devir, tem formato 24,7 x 17,9 cm, capa dura, 136 páginas coloridas e a tradução da Jana Bianchi.
Filmes que narram a trajetória de personalidades famosas e históricas têm a responsabilidade de trazer consigo a veracidade de eventos referentes ao contexto da época, cenários e conflitos, ao passo que devem instaurar o drama. Alguns podem se desorientar no meio do caminho ou fugir quase totalmente da representação da realidade. Radioactive não é um desses filmes que se perdem no roteiro, embora se atrapalhe na sua execução e partes técnicas.
Dirigido por Marjane Satrapi, o longa chegou à Netflix recentemente e ficou no top 10 do streaming no Brasil durante sua semana de estreia. Com nomes conhecidos no elenco como Rosamund Pike -que mostra mais do seu talento e multifacetas em seu histórico de atuações- e Anya Taylor-Joy, a biografia apresenta a jornada da cientista Marie Curie que veio a pesquisar e descobrir a radioatividade.
Desde o começo, já somos apresentados ao universo de Curie, onde frascos de experimentos e pequenos laboratórios constroem o cenário, sobretudo na sequência em que, após descobrir o polônio e o rádio, ela descobre também a radioatividade. A Química é, de fato, o coração da obra, assim como a forma que a protagonista lida com as adversidades da vida, principalmente sociais. O sexismo exacerbado da época e a perseguição foi algo bem aprofundado, trazendo temáticas pertinentes, ainda que tais problemáticas não impeçam Marie Curie em sua carreira e objetivos, sendo este o cume do longa.
Os motivos de Marie para iniciar sua pesquisa ficam claros após descobrirmos que ela perdeu sua mãe para uma doença, sendo esta uma situação que acompanha sua trajetória e marca profundamente seu psicológico. Assim, o fato de que sua descoberta contribui para o tratamento de câncer a fascina e motiva, e a partir daí sua transformação para um tipo de heroína se desenvolve, de forma lenta, até o final, onde fica evidente sua vontade de ajudar a vida de soldados da primeira guerra mundial.
O ponto principal do longa-metragem -e que foi um grande acerto- é a demonstração das consequências futuras dessa descoberta, podendo elas serem boas ou ruins. Se por um lado a radioatividade ajuda no tratamento de câncer ou no raio-x de ferimentos de soldados, ela também contribui para artefatos nocivos, como bombas nucleares radiativas. Vale dizer que essa dicotomia é apresentada de forma bem planejada e executada.
Falando sobre os defeitos do filme, eles se fazem muito presentes em vários cortes abruptos de cenas, além de que os primeiros 20 minutos se sucedem de forma bastante apressada. Isso resulta numa apresentação pobre de personagens e uma linha narrativa pouco sólida, que ao passo que desperta no telespectador a curiosidade de pesquisar sobre o assunto, não entrega novidades.
Radioactive é uma biografia bastante interessante que vale o tempo assistido, pois a contribuição de Marie Curie para acontecimentos históricos é algo importante de se saber e apreciar. A performance de Rosamund é ótima e sua entrega à personagem é inegável, mesmo com alguns defeitos do filme e suas falhas técnicas.
Indicado ao Oscar 2021 na categoria de ‘Melhores Efeitos Visuais’ e estrelado por Dylan O’Brien, conhecido pelo seu papel em Teen Wolf e na adaptação da trilogia Maze Runner, Amor e Monstros estreou ano passado nos Estados Unidos e chegou na Netflix semana passada, dia 14 de Abril. Apresentando uma história boba e um protagonista cativante, o título diverte do início ao fim.
Na trama do longa, o mundo foi dominado em sua superfície por monstros logo após a ameaça provocada por um meteoro – que fez com que os humanos se refugiassem no subterrâneo. Sete anos após o fatídico evento e escrevendo inúmeras cartas para sua namorada, Joel consegue contato com ela no rádio e descobre onde a mesma está escondida. Após algumas semanas conversando, com medo e inseguranças em sua mente, o protagonista decide ir até o esconderijo e percorrer todo o perigoso caminho da superfície para encontrar sua amada. Em suma, a trama pode ser resumida como um webnamoro durante o apocalipse.
O roteiro por si só é bem simples e apresenta uma conclusão clichê, porém é bem trabalhado durante toda a exibição do longa. Em dez minutos de filme já somos introduzidos na presente situação, e a partir disso o título explora com excelência a ambientação e o desenvolvimento do protagonista durante toda a sua jornada através dos obstáculos que o mesmo encontra, explorando também o lado dos monstros na trama e outros personagens que surgem no meio do caminho. A história é conduzida de forma leve pelo diretor, que consegue manter um ritmo constante do começo ao fim – fazendo com que os elementos clichês da trama sejam ignorados pela experiência em si.
O elenco do filme funciona bem em conjunto: por mais que o tempo de tela seja maior no personagem de Dylan O’Brien, quando este se encontra com outros personagens durante sua jornada na superfície, a química flui de forma natural e divertida, colaborando também para o crescimento emocional do personagem. Infelizmente, o terceiro ato do longa se apressa um pouco para finalizar logo o título, entretanto mesmo assim a história consegue fluir perfeitamente.
E quanto aos efeitos visuais, são simplesmente incríveis. Tanto a ambientação como a composição dos monstros conseguem trazer uma atmosfera de tensão a cada frame que ameaça o surgimento de um antagonista, assim como deixa o telespectador mais intrigado ainda sobre o universo do filme. Sua indicação ao Oscar é merecida e, dentre os indicados, este se tornou meu título preferido para levar a estatueta de ouro.
Então, é bom?
Com uma trama boba, um roteiro simples e um final clichê com um discurso motivacional, Amor e Monstrosconsegue ser extremamente cativante e divertido – cumprindo, assim, o seu papel para entreter o telespectador. Os personagens apresentados e o desenvolvimento do protagonista dentro das situações apresentadas fazem com que quem assiste torça para que tudo acabe bem.
Por fim é difícil não comparar este filme com o fiasco que foi a adaptação de Paul. W.S. Anderson do jogo Monster Hunter, por mais que ambos os títulos apresentem premissas diferentes, a temática é semelhante e neste longa não só a ambientação e os antagonistas são explorados como também o protagonista e seus sentimentos têm um peso significativo na história: conseguindo fazer tudo o que o longa supracitado não fez.
Simples e extremamente divertido, o novo título disponível na Netflix é a escolha perfeita para se assistir no fim da tarde e passar o tempo.
Não faço segredo para ninguém que comédias-românticas são um dos meus gêneros prediletos. Eu adoro comédias no geral, e defendo que animê, como mídia, é perfeita para gerar humor. Juntar a mídia perfeita com um dos subgêneros mais bem sucedidos dela é como um pastelzinho com caldo de cana: Mesmo se der errado, ainda vai ter valido a pena.
Com autoria de Negi Haruba, “As Quíntuplas” (no original, “Gotoubun no Hanayome“) é um mangá de comédia-romântica, completo no Japão em 14 volumes, e que se transformou em, até o momento, duas temporadas de animê, com 24 episódios no total. E, é claro, foi a minha inspiração para essa postagem.
Quando a primeira temporada saiu, em 2019, eu comentei sobre ela no “Primeiras Impressões“, e o show acabou se tornando o meu animê predileto daquele ano – desbancando títulos como Kaguya-sama e Demon Slayer – e por um bom motivo: Foi uma das melhores comédias-românticas que eu já assisti, a ponto de me fazer sobreviver 2020 para assistir a segunda temporada. E ainda bem que eu consegui.
Eu pensando no pastelzinho com caldo de cana enquanto escrevo o resto da postagem
Com o mangá recentemente lançado no Brasil, eu tive a oportunidade de consumir a mídia das duas formas: No original e na adaptação. E fico muito feliz em poder dizer que as duas são equivalentemente boas, com cada uma delas trazendo aspectos e características diferentes para uma mesma história, fazendo com que cada versão possa agradar um público diferente.
Fora as mudanças claras que existem na forma de consumir cada mídia (e isso, talvez, já pode servir como diferenciação de público. Eu, por exemplo, não tenho costume de ler mangá, então fiquei um pouco desconfortável com o livro em mãos), os dois grandes fatores em jogo são cor e som.
Isso pode parecer óbvio, mas a mera existência desses dois fatores faz com que o animê seja uma experiência completamente diferente. Quando tratamos das irmãs Nakano, nós sabemos que elas são quíntuplas idênticas. Logo, não deveria existir diferença na voz ou na cor dos cabelos entre as cinco garotas. Isso não é um problema no mangá, que é todo em preto-e-branco, e onde a voz não passa de um balão de fala. Quando elas “brincam” de trocar de lugar uma com a outra, a versão impressa torna a história muito mais acreditável, e levanta mistérios muito mais potentes, por nunca sabermos, de fato, quando alguma irmã está se passando por outra, ou qual delas é a responsável.
Por outro lado… O animê diferencia as garotas com cores de cabelos imaginárias, e nenhum produtor em sã consciência deixaria sua dubladora fazer cinco personagens num show semanal (que era a ideia inicial, como pode ser visto nesse comercial do mangá, que precede o animê), então temos também diferentes vozes. Como você pode imaginar, isso destrói completamente a brincadeira de adivinhação, fazendo com que o show acabe se tornando acidentalmente mais engraçado, de tão idiota que é a situação. E pra mim, que veio assistir uma comédia-romântica por conta do primeiro pedaço, isso é um ponto positivo.
Ok, o tamanho dos cabelos entrega um pouco… Mas a falta de cor já ajuda a confundir todas as cinco, não ajuda?
Aliás, já que toquei no assunto… Apesar de gostar muito de comédias-românticas, elas parecem ter um problema que é estrutural, impossível de fugir: Elas costumam virar um drama na segunda metade.
E isso não é exatamente um “problema“… Acaba sendo uma das características que fazem o gênero ser o que é, e, para muitos, pode ser o fator determinante entre gostar ou desgostar de uma obra.
Aí eu só posso falar por mim, mas tem vezes que essa virada de chave é muito repentina e/ou muito brusca pro meu gosto. Eu não me importo muito com o drama, mas eu simplesmente prefiro a comédia, então, quando o show faz um completo 180º e se torna um drama completo, isso me deixa um pouco decepcionado.
Talvez seja um “azar” meu, mas esses casos de troca violenta de ritmo parecem ser muito comuns, pelo menos nas coisas que eu assisto. Por causa disso, eu precisei aplaudir de pé a coragem que “As Quíntuplas” teve ao ser muito mais sutíl em sua abordagem dessa mudança, que, aparentemente, é obrigatória em todo e qualquer tipo de comédia-romântica.
Em sua segunda temporada, o animê entra na inevitável parte dramática, e ao perceber o caminho que estávamos indo, eu já revirei meus olhos em desgosto. Porém, vocês podem imaginar o tamanho do meu sorriso ao perceber que, embora o drama tivesse chegado, o humor havia se mantido. Num balanço quase inacreditável de cenas sérias e cenas absurdas, o show conseguiu ter quase dois arcos inteiros e consecutivos de histórias de novela, sem abandonar suas raízes como comédia, fazendo com que eu me mantivesse dando risadas mesmo quando o mundo estava literalmente em chamas.
É um caso exatamente oposto ao de outra comédia-romântica que eu já comentei aqui: Oregairu. Não me levem a mal, eu adoro Oregairu, e acredito ser um dos finais mais satisfatórios que eu já vi, mas… Logo no começo da sua segunda temporada, o show parece desistir de ser uma comédia e fica totalmente dedicado ao drama. Eu precisei parar de encarar as aventuras de Hachiman como uma comédia, e começar a encará-las como um drama. E como um drama, elas são excelentes.
No momento, o drama é assistir elas serem vacinadas e eu não estar nem próximo de tomar a minha…
Como já comentado, a mágica desse gênero está em atrair tanto quem goste de drama (e precisa passar por um sofrido começo cômico), como quem gosta de comédias (e acaba sofrendo com os finais dramáticos de suas obras prediletas). Com um desenvolvimento que mescla os dois lados da moeda, Negi Haruba parece ter empatado seu cara-ou-coroa ao derrubá-la de lado, trazendo tanto gregos como troianos para sua obra, com essa decisão tão diferente que parece até esquisita.
E ninguém esperava por isso. Não só com “As Quíntuplas“, mas com todas as comédias-românticas que existem, os fãs não sabem como uma obra vai se direcionar. Quanto tempo ficaremos na parte “cômica“, até entrar o drama? A história vai virar uma novela? Se sim, vai virar “Amor de Mãe” ou “Ti Ti Ti“? São perguntas que só podem ser respondidas conforme a própria obra se encaminha para seu desfecho. Se eu não fosse químico e odiasse o uso errôneo desse exemplo, poderia dizer que toda comédia-romântica é um “Drama de Schrödinger“, e que talvez esse mistério seja o maior motivador de fãs do gênero.
Caso tenha ficado interessado em “As Quíntuplas“, e queira conferir por você mesmo, o mangá é licenciado no Brasil pela Editora Panini, e você pode encontrar os volumes já lançados na Amazon. Se preferir o animê, as duas temporadas estão disponíveis na plataforma de streaming Crunchyroll, sob o nome “The Quintessential Quintuplets“, e possuem legendas em português.