Tela Quente

Em Mortal Kombat, a maior luta é se manter coeso

FIGHT! Após dois filmes e um curta-metragem, a grande franquia de jogos Mortal Kombat recebe uma nova adaptação, moderna e muito, muito violenta. Dirigido pelo novado Simon McQuoid e escrito por Greg Russo, Oren Uziel, David Callaham, o filme se consolida, porém, há seus deslizes significativos.

A história segue o lutador de MMA fraco, Cole Young (interpretado por Lewis Tan), que não fazia ideia que o sangue em suas veias tinha uma herança sanguinária e importante. Com isso, Young é perseguido por Sub-Zero (Joe Taslim), e precisa da ajuda de Sonya Blade e Jax para descobrir o seu destino e proteger sua família. Partindo disso, discorreremos sobre seu roteiro.

É um pouco difícil decifrar como esse longa foi escrito, muitas das cenas têm diálogos precários, mas que se encaixa em o que se propõe, um filme de ação focado em sua violência. O que incomoda, é como muitas partes da história são corridas e pouco desenvolvidas, e como certos personagens importantes simplesmente não tem tanto foco. Mas para pontuar a pior coisa, devemos falar sobre seu protagonista, Cole, que impressionantemente não tem desenvolvimento algum até o fim do filme; e mesmo assim, seu desenvolvimento acontece nos quinze minutos finais. Enquanto personagens como Scorpion, que aparece relativamente pouco, tem mais desenvolvimento que ele, lembra muito a protagonista dos filmes originais de Resident Evil, se não estivesse ali, ninguém sentiria falta. Mas de resto, com tudo apresentado,  os personagens originais fazem jus para suas versões digitais. Talvez, a direção não soubesse como levar toda uma história em uma hora e cinquenta minutos, talvez até uma meia-hora a mais ajudaria a não ser tão corrido.

Mas nem tudo está perdido. Visando suas lutas, é sensacional. A forma na qual a releitura é feita para as telonas é incrível, até mesmo falas do jogo aparecem aqui (por mais que sejam estranhas em algumas de suas cenas). Todas caem como luvas, a utilização das arcanas e fatalities foram executadas com maestria e viram cenas memoráveis. Os efeitos especiais também ajudam muito na criação das lutas fantásticas, principalmente quando se há muito sangue, e quando Sub-Zero está em tela.

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Outros pontos que merecem muitos elogios são suas partes artísticas, a cenografia dos lugares é maravilhosa e muito bem adaptada. E os figurinos também tem suas características únicas, sabem modernizar e ter sua originalidade para o filme. O visual de Scorpion, Sub-Zero, Raiden e Kung Lao são os pontos altos dessa discussão.

Já sua fotografia também é uma montanha-russa, muitas vezes linda, e outras que parece que foi esquecida; enquadramentos estranhos e utilização de cor/iluminação que parecem aleatórios. Sua edição também é esquisita, para não dizer outra coisa. Quando conhecemos o protagonista, um mar de cortes desnecessários chega a dar náusea. Sua montagem normaliza, mas ainda sofre alguns deslizes. E sua trilha-sonora é bem trabalhada, mas não recebe o destaque que merece, o fato de terem utilizado o tema clássico, recriando em algo moderno, é uma nostalgia boa aos fãs.

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Enfim, Mortal Kombat é um filme com falhas, porém extremamente divertido, e necessita de mais para fazer essa franquia tão importante se concretizar. Um roteiro fraco e apressado fez com que várias oportunidades aqui fossem jogadas fora, e também, a possibilidade de se criar um protagonista original e cativante. Por outro lado, o seu universo ainda pode ser muito bem explorado, com seus icônicos personagens sendo tão bem reproduzidos. A verdade é, se aqui fosse feito uma série, sua qualidade poderia melhorar de forma significativa, e vários de seus problemas poderiam ser resolvidos. Agora, é esperar pelo melhor, e que seu futuro possa soar como uma ‘Flawless Victory’.

Nota final: 2.8/5 – Prata

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Sobre o Autor

Eduardo Kuntz Fazolin

"I dwell in Possibility" -Emily Dickinson

Estudante de audiovisual, amante de música estranha e gosto controverso para video-games. Meu amor em escrever sobre tudo isso, é o mesmo amor que Kanye sente por Kanye.

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