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Assista ao que Ellie será capaz de fazer em The Last of Us Part II

No vídeo disponibilizado no canal oficial, PlayStation no YouTube, a equipe da Naughty Dog se aprofunda na nova e evoluída experiência de jogo de The Last of Us Part II. Apresentando algumas mecânicas novas na série, além do vídeo trazer algumas informações sobre o enredo do jogo.

Assista ao vídeo, abaixo.

The Last of Us Part II, como já sabemos é protagonizado por Ellie, e um dos fatores apontados pela equipe de produção do game, é que Ellie é claramente diferente de Joel, inclusive em relação as suas características físicas. E reestruturar as mecânicas do jogo era algo necessário, para que o jogador pudesse se sentir mais imerso no universo de The Last of Us Part II.

 

Essas atualizações irão permitir que Ellie seja capaz de pular objetos mais altos, e até mesmo escala-los. O cenário vai ser muito mais “utilizável” em The Last of Us Part II , além da habilidade de escalar, Ellie pode se esconder entre a vegetação, rastejando e será capas de esgueirar-se por baixo de automóveis e destroços de edificações.

Mecânicas já conhecidas como a coleta de suprimentos, o desbloqueio de novas habilidades, a construções e melhorias de seu arsenal estão mantidas.

The Last of Us Part II será lançado em 19 de junho de 2020 para o PlayStation 4.

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5º aniversário de The Witcher 3: Wild Hunt chegará com promoções!

Em comemoração dos 5 anos de lançamento de The Witcher 3: Wild Hunt, a CD PROJEKT RED disponibilizará descontos em vários títulos da franquia em várias plataformas.

“É difícil acreditar que já se passaram cinco anos desde que Geralt de Rivia embarcou em sua última aventura épica. Sua ajuda para encontrar Ciri, lutar contra a Wild Hunt e dominar Gwent foi inestimável, amigos! Obrigado, não seria o mesmo sem você!”. Este foi o agradecimento da empresa aos fãs da franquia. 

Abaixo, segue as ofertas especiais para jogos de The Witcher no PlayStation 4, Xbox One e PC!

PlayStation (até 27 de maio)
  • The Witcher 3: Wild Hunt — Game of The Year Edition 70% off
Xbox (até 25 de maio)
  • The Witcher 2: Assassins of Kings 85% off
  • The Witcher 3: Wild Hunt base game and Game of The Year Edition 70% off
  • The Witcher 3: Wild Hunt expansions 60% off
  • Thronebreaker: The Witcher Tales 50% off
GOG.COM (até 26 de maio)
  • The Witcher: Enhanced Edition 85% off
  • The Witcher 2: Assassins of Kings 85% off
  • The Witcher 3: Wild Hunt base game and Game of The Year Edition 70% off
  • Witcher 3: Wild Hunt expansions 60% off
  • Thronebreaker: The Witcher Tales 50% off
Steam (até 25 de maio)
  • The Witcher: Enhanced Edition 85% off
  • The Witcher 2: Assassins of Kings 85% off
  • The Witcher 3: Wild Hunt base game and Game of The Year Edition 70% off
  • Witcher 3: Wild Hunt expansions 60% off
  • Thronebreaker: The Witcher Tales 50% off
Epic Games Store (até 4 de junho)
  • Witcher 3: Wild Hunt — Game of The Year Edition 70% off

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Assassin’s Creed Valhalla terá o maior mapa da franquia

Em uma entrevista com o YouTuber Julien Chièze, Julien Laferrière produtor de Assassin’s Creed Valhalla, fala um pouco sobre o novo jogo  e seu mapa. “Eu diria que em termos de alcance (Assassin’s Creed Valhalla) é provavelmente um pouco maior que o Assassins Creed Odyssey“. Assassin’s Creed Odyssey (2018), possui até então o título de jogo com maior mapa, produzido pela Ubisoft. Com aproximadamente 144 quilômetros quadradas de área jogável.

Além disso Julien Laferriére, ainda comenta que não sabe ao certo quantas missões há no jogo, e que a equipe criou não apenas a Inglaterra digitalmente, como também uma boa parte da Noruega. E deixou escapar que dentro do jogo haverão ainda mais lugares “secretos”. “Não é um jogo pequeno” afirmou Laferrière, e disse que os jogadores terão muitas horas de jogo.

Sabemos que Assassin’s Creed Valhalla permitirá a exploração de cidades como Londres e York em sua totalidades, mas depois dessa entrevista podemos afirmar que Valhalla está acima de qualquer expectativa.

Animado para a próxima aventura de Assassin’s Creed dentro da mitologia que cerca os vikings? Fique ligados para mais notícias a respeito do game, aqui na Torre de Vigilância.

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Turtles in Time | O Melhor Game das Tartarugas Ninja de Todos os Tempos

O ano era 1991, o desenho animado das Tartarugas Ninja estava no auge, ou melhor, a franquia estava no seu auge. Seu filme lançado no ano anterior tinha alcançado uma altíssima bilheteria sendo a produção cinematográfica independente mais lucrativa da história, perdendo o posto para A Bruxa de Blair em 1999, o segundo filme já estava no circuito sendo um sucesso, uma linha de brinquedos rendendo milhões e uma franquia de games de sucesso. O mundo respirava as Tartarugas. Então a Konami coloca no mercado de games o Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Aquele que é considerado o melhor game dos personagens de todos os tempos.

Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time foi a estreia dos personagens nos consoles de 16 BITS, o mais ponto da tecnologia de games caseiros daquela época. Mais precisamente no Super Nintendo. O game foi um verdadeiro vendaval nos fãs. As locadoras ficavam lotadas com a galera disputando o cartucho ou então um horário para jogar. E ainda acirrou ainda mais a disputa entre Mega Drive e o SNES. Que até então não tinham nenhuma aventura nos consoles da SEGA. A estreia foi somente em 1993, no The Hyperstone Heist. Um jogo bem curto, de cinco fases que mais parecia (ou era) um reaproveitamento de sobras do Turtles in Time. O game em si não era ruim. Era uma história original e com o Tatsu, o carequinha dos filmes, como um dos BOSS.

Os jogos das Tartarugas eram muito populares naquela época. Os games do Nintendinho eram super divertidos, e o Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time seguiu a numeração sequencial desses games. Só para situar na linha de tempo, no Nintendinho foram lançados: Teenage Mutant Ninja Turtles (1989), Teenage Mutant Ninja Turtles: The Arcade Game (1990) e Teenage Mutant Ninja Turtles: The Manhattan Project (1991). O que pouca gente aqui no Brasil sabe, é que o Turtles in Time foi lançado primeiro na versão arcade como continuação direta de Arcade Game. Entretanto, a versão japonesa, país onde o console era chamado de Super Famicon, manteve o título original não numerado.

As fases:

Big Apple, 3 AM
Alleycat Blues
Sewer Surfin’
Technodrome – Let’s Kick Shell!
BC 2500000000 – Prehistoric Turtlesauras
AD 1530 – Skull and Crossbones
AD 1885 – Bury My Shell At Wounded Knee
AD 2020 – Neon Night-Riders
AD 2100 – Where No Turtle Has Gone Before
AD 1992 – Technodrome – The Final Shell-Shock

O Arcade Game, foi lançado originalmente em 1989, e depois ganhou uma versão para Nintendinho. Turtles in Time foi lançado na versão arcade em 1991 e depois uma versão em 1992. Embolado nesse meio ainda tiveram games avulsos originais para PC, GameBoy e Pinball.

Sem o numeral IV, Turtles in Time rapidamente se tornou o arcade mais vendido pela Konami em 1991. O jogo trazia inovações no simples “andar e bater” dos anteriores. Na trama, o Destruidor confronta as Tartarugas e Krang rouba a Estátua da Liberdade. Após chegarem no Technodrome, o Destruidor aciona um túnel do tempo e joga as Tartarugas em uma porradaria contra vilões no passado e no futuro. Mas o que ficou realmente marcando foram os golpes, como por exemplo jogar os soldados do Clã do Pé contra a tela. Havia disputa de quem fazia mais nas locadoras. Aquilo foi uma loucura na época.

Matéria da Revista Ação Games Nº 17

Uma outra coisa legal do game, na versão do SNES, foi introduzir personagens que até então eram inéditos nos games, como o Rei Rato, Slash (a tartaruga alienígena que já teve várias origens) Metalhead, o Battletank do Destruidor e os mutantes Tokka e Rahzar (do recente segundo filme Segredo do Ooze). Na versão do SNES, os bichões são confrontados no Technodrome e Bebop e Rocksteady são os Boss na fase AD 1530 – Skull and Crossbones. Na versão arcade, Tokka e Rahzar são enfrentados no navio.

Versão SNES/ Versão Arcade

Os sons das duas versões também são diferentes. Na versão do SNES está faltando algumas amostras de voz para os personagens e a música tema da versão arcade, “Pizza Power”, foi substituída por uma versão instrumental do tema do desenho animado. E no SNES foram incluídos os inimigos Roadkill Rodneys e Mousers.

Turtles in Time IV também foi o pontapé inicial para um game de luta no estilo Street Fighter, que na época estava se tornando a gigantesca franquia. O modo VERSUS, onde você escolhia uma das Tartarugas, e com Splinter como juiz, poderia lutar uma contra a outra. Esse modo originou o game Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters que foi lançado em diversas plataformas entre os anos de 1993 e 1994. Os personagens se variavam entre as versões es, era possível jogar com April, Casey Jones, Wingnut, Ray Fillet, Karai entre outros.

Reza a lenda que o sucesso de Turtles in Time foi o pavio idealizador do terceiro filme das Tartarugas Ninja. Aquele filme em que eles encontram um cetro mágico que os mandam para um Japão Feudal onde todos falam inglês com sotaques americanos. O filme era muito estranho e se distanciava muito dos outros dois primeiros. Ele conseguiu se pagar, mais ficou longe do desempenho dos outros dois e foi um fracasso total de crítica, enterrando a franquia dos personagens nos cinemas. Até o lançamento da animação em 2004.

Um remake de Turtles in Time foi desenvolvido pela filial em Singapura da Ubisoft para PS3 e XBox 360 em 2009. Infelizmente, o game intitulado Re-Shelled, que foi todo modernizado, não teve o sucesso esperado e foi um total fracasso.


Turtles in Time
se consolidou como o melhor game das Tartarugas Ninja até hoje. Seja por introduzir personagens que estavam no auge nos filmes e no desenho animado. Além de inovar com novos golpes, modos de game player e introduzir um game de luta, que foi o encerramento da franquia naquela geração de games.

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Sonic nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 já está disponível

A SEGA anunciou que Sonic nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 já está disponível. O mais novo game do ouriço já pode ser encontrado no Google Play, na App Store e na Amazon Appstore.

Mesmo com os Jogos Olímpicos adiados, Sonic e sua turma irão te ajudar a sentir o gostinho da competição. O jogo conta com 15 modalidades olímpicas, incluindo as mais recentes como Karatê e Escalada Esportiva. Além dos Eventos EX.

Confira mais do jogo, no trailer abaixo:

Em compensação aos 2 milhões de fãs que fizeram o pré-registro no jogo, a SEGA preparou algumas recompensas especiais que podem ser desbloqueadas no lançamento. Basta baixa o game, para adquirir os presentes abaixo:

Faixas musicais: 

  • Ocean View de Team Sonic Racing
  • Reach For The Stars de Sonic Colors 
  • Glimmering Gift – Super Transformation de Sonic Mania

Badges:

  • “Miraitowa”, a mascote dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
  • Sonic Clássico 
  • Super Sonic

Pontos de Treino: 

  • 1200 pontos

Para mais informações do jogo acessem o site oficial de Sonic nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Vale lembrar também que o jogo está com localização em português do Brasil.

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Terceira temporada de Westworld mostra desgastes, mas mantém qualidade

“Dolores foi feita com uma sensibilidade poética”, afirma Bernard (Jeffrey Wright) em certo momento do sétimo episódio dessa nova temporada. Divertido notar a sutil semelhança que esta frase guarda com o como Westworld fora concebida: uma série com uma sensibilidade poética. Isto é, a forma de trazer assuntos tão presentes no gênero da ficção científica mais sofisticadamente. Sendo assim, fica óbvio entender a construção de um mundo que dialoga tanto com o western, representando a dissociação entre a evolução tecnológica e a simplicidade humana; afinal, em um futuro onde prédios parecem raciocinar sozinhos, quem iria optar pelo mundo do oeste? Aliás, os anfitriões do parque, que representam um dos marcos mais importantes da relação entre humanos e tecnologia, foram criados por um homem culto e ambicioso, atraído pela arte, que buscava em suas criaturas muito além da pura diversão perversa. Estes exemplos, entre outros, representam como Westworld tratou de sensibilizar sua abordagem à histórias que poderiam soar previsíveis e clichês.

Agora, o cenário que antes nos aproximava da humanidade, é substituído pelo ambiente pautado pela tecnologia. O mundo real parece menos real do que dentro do parque recreativo criado pela Delos; há um tom ameaçador nas arquiteturas rebuscadas e detalhadas dos prédios e monumentos, o elemento humano é pouco presente e quase desaparece nas cidades, a representação perfeita da ínfima relevância que o fator humano tem em um cenário controlado, onde o artificial e o real se confundem. Essa aproximação à estética cyberpunk cria um contraste interessante com o que vinha sendo o padrão de Westworld. Contudo, a luta de Dolores se mantém a mesma.

Dolores é a figura feminina mais bem trabalhada nas produções audiovisuais recentes. Embora a sua busca por emancipação esteja em um contexto amplo da consciência, e não puramente social, é notável ver como o protagonismo feminino da série cutuca assuntos atuais. Após anos tendo sido imposta a narrativas diversas, arquitetadas, tendo seu comportamento moldado e constantemente supervisionado, a sua vida no mundo real parece ser libertadora. Não há mais cordas e amarras, sua batalha será trilhada por si própria, e o objetivo de criar uma revolução sem precedentes é o grande foco da temporada. Enquanto nos habituamos com o novo cenário e alguns novos personagens, acompanhamos o desenrolar do plano de Dolores e entendemos gradualmente as intenções pouco óbvias da personagem. Esse mistério acerca da trama de Dolores nos deixa inquietos com uma indignação razoável: até onde valeria a luta pela nossa independência? Talvez a resposta seja cruel demais.

Além disso, o figurino de Dolores dá preferência a roupas mais escuras – distanciando-se do vestido azul predominante no parque -, refletindo o raciocínio da produção, que busca diminuir a aparência humana no cotidiano das cidades. Com o estilo pautado nas temáticas da história, o desenvolvimento da protagonista ganha volume e seriedade com a incrível atuação da Evan Rachel Wood, que já vinha de um trabalho fabuloso nas últimas temporadas, mantendo a expressividade dúbia que a carrega emocionalmente, e acompanhando o amadurecimento de suas convicções, estas, que colocam Caleb (Aaron Paul) na jogada.

Caleb é um ex-soldado do exército americano, onde sofreu perdas irreparáveis. Se o compararmos com qualquer outro arco de Westworld, é o personagem que mais se distancia dos eventos ocorridos no parque.  Entretanto, é parecido com tantos outros do gênero, melancólico e isolado, além de guardar experiências traumáticas providas pela guerra civil que participara. Aaron Paul, prestigiado após Breaking Bad, mantém o nível – sempre alto – das performances do elenco, mesmo que a direção não consiga acompanhar as reviravoltas o envolvendo.

A participação de Caleb adiciona um contexto político e militar pouco aproveitado nas temporadas anteriores, e Serac (Vincent Cassel), assumindo o papel do “antagonista” (entre aspas, já que Westworld nunca propôs lados definidos, deixando o espectador julgar livremente as ações – discutíveis – de todos os envolvidos), amplia o tema para a influência do corporativismo na política mundial. Qualquer mundo cyberpunk tende a mostrar empresas privadas manipulando as políticas públicas em prol de seus próprios interesses e convicções. As redes de dados se tornaram arma fundamental para a prática do imperialismo das empresas, espalhando zonas de domínio com imposição de poder. E, se os dados providos pela Delos, ao estudar seus integrantes, tinham destinos pouco compreendidos por um momento, o que descobrimos sobre eles é completamente sórdido.

Serac também tem um panorama emocional profundo e bem detalhado. Apesar de apresentar certos clichês do “empresário malvado”, o seu passado meio obscuro e relatado em alguns flashbacks – e a possível guerra química ocorrida na França poderia ser explorada adiante -, ajudam a compreender as ações dele. Ademais, é responsável pela construção da inteligência artificial Rehoboam, capaz de, através de dados e estatísticas, projetar a narrativa de vida de qualquer ser humano. O que, certamente, impacta na liberdade individual do mundo (real?).

Mesmo com novos integrantes, Westworld tenta manter sua identidade com Maeve (Thandie Newton) e Bernard. Ambos ainda estão muito conectados com as vidas nos parques, e, de certo modo, precisam tomar atitude e escolher um lado na luta de Dolores. Infelizmente, Maeve é bem subaproveitada, enquanto fora um dos pilares da segunda temporada, aqui é só uma ninja que pouco compreende o porquê de estar lutando. Bernard idem, já que se transporta de locais com uma facilidade absurda e pouco agrega narrativamente. Contudo, nem todos os personagens já conhecidos pelo público são subaproveitados. Charlotte Hale, interpretada por Tessa Thompson, revela a dificuldade de conciliar seu comportamento ao estilo de vida da contraparte humana. As consequências severas dos atos de Hale irão refletir nos próximos anos.

William, interpretado magistralmente por Ed Harris, é o melhor personagem, com o melhor arco, da terceira temporada. Depois de passar duas temporadas tentando compreender a rebuscada história arquitetada pelo Dr. Ford (Anthony Hopkins) e Arnold, o Homem de Preto precisa entender a si próprio, combatendo seus demônios internos – entende-se como suas versões antigas. William nunca se encontrou na realidade, entendendo que o parque era o que mais o aproximava da vida, ao mesmo tempo que almejava a destruição dos anfitriões e o fim do labirinto de Arnold. Como um pequeno anfitrião, reprodução de um Dr. Ford criança, profetizou, o jogo encontraria William, que assume o papel do Homem de Branco, aquele que salvará o mundo da ameaça artificial.

A transformação do Homem de Preto e as reviravoltas de Caleb, contudo, são um pouco prejudicadas pelos mesmos responsáveis por deixar tantos personagens subaproveitados: diretores e roteiristas. O primeiro parágrafo fala, justamente, sobre a sutileza poética de Dolores e de Westworld, e o que vemos nesse terceiro ano é o desgaste dos responsáveis criativos. Em busca pela maior linearidade da história – requisitada por muitos, após episódios que abordavam linhas temporais diversas e que, em certo momento, se entrelaçavam – o roteiro força momentos que aparentam ter revelações bombásticas, ou sínteses dignas de um Pulitzer, mas que, na verdade, apresentam frases clichês e excessivamente expositivas. Enquanto, na direção, vemos uma narrativa apressada e deslocada – a pós-crédito é exemplo disso -, não conseguindo imprimir ritmo e tom harmônicos, atrapalhando a coesão e certas construções de personagens.

Nessa terceira temporada, o que vemos é a busca pela linearidade afetando a estética narrativa, trunfo de Westworld. Embora ainda mantenha ótimos personagens, tramas emocionalmente eficientes e um futuro promissor, há um notável desgaste na criatividade e na sensibilidade. Buscar novamente a essência de uma história que discute humanidade e consciência através da ficção, da perversão, da política e da arte, deve ser o objetivo principal dos criadores. Esse resgate trata de reconhecer a importância dos temas levantados por Westworld, comprovada na imagem sutil da abertura: uma mão artificial tocando um piano, até deixá-lo tocando sozinho. Existe maior representação de livre arbítrio do que essa?

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Quinto ano de Better Call Saul atinge o nível de Breaking Bad

Better Call Saul é incansável. Embora a história de Saul Goodman (Bob Odenkirk) pareça estar chegando ao seu final, isto é, seu início em Breaking Bad, os criadores Vince Gilligan e Peter Gould continuam a construir personagens e subtramas complexas. Em contrapartida das outras temporadas, a quinta demonstrou um nível de tensão e preciosismo técnico nunca visto antes, e, por conta disso, estabeleceu uma aproximação aos personagens da mesma forma que fomos nos aproximando de Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (AaronPaul). Se, na temporada anterior, Mike (Jonathan Banks) e Saul tinham se tornado aquilo que seriam por anos, nessa, Kim Wexler (Rhea Seehorn) toma para si sua transformação, e Lalo Salamanca (Tony Dalton) se impõe como um dos maiores “antagonistas” do universo Breaking Bad.

Foi a primeira vez que vimos Saul Goodman dar as caras na série. Depois de Jimmy McGill viver sempre à sombra de seu irmão Chuck (Michael McKean), contando fracassos na sua vida jurídica, sua transformação em Saul revela um homem renovado e corajoso para tomar qualquer atitude que fortaleça a sua imagem como advogado dos mais necessitados. A dinâmica dos julgamentos, das negociações de casos e da abordagem para com a clientela criam um ótimo início de temporada. Bob Odenkirk entrega sua performance ressoando quase que por completo sua atuação em Breaking Bad; audacioso, manipulador e sensacionalista. O caso do banco Mesa Verde, especificamente, tratou de trabalhar a figura de Saul Goodman como um manipulador de narrativas e casos, fortalecendo a figura inescrupulosa do personagem. Entretanto, a série desenvolve dilemas morais que colidem com os seus interesses, flertando com um lado mais humano e sentimental que permanece em seu consciente.

Enquanto isso, Mike vive um conflito interno depois do assassinato que cometera no final da quarta temporada. Sua indignação e incômodo com os negócios envolvendo Gustavo Fring (Giancarlo Esposito) criam a tensão perfeita, acrescentado emoção ao terço inicial da temporada. A relação com sua neta e a viúva de seu filho mantém o lado dócil do personagem, mas a abordagem é menor comparada às outras temporadas. O principal arco dele está ligado ao personagem de Nacho Varga (Michael Mando), que está infiltrado na família Salamanca a mando de Fring.

Já Kim Wexler surpreende por transmitir características e ambições semelhantes aos de Goodman. Se nas temporadas passadas a personagem mantinha uma ética profissional intacta, preocupada com as estratégias um tanto quanto criminosas de Saul e comprometida fielmente com os seus casos jurídicos, agora ela foi desenvolvida como se tivesse se transformado no oposto disso. Kim se torna cúmplice das ações do namorado, e acaba se envolvendo parcialmente em suas decisões duvidáveis.

O núcleo da família Salamanca é o que tem de mais interessante na quinta temporada. Composto principalmente por Nacho Varga e Lalo Salamanca, a família do cartel mexicano já é velha conhecida dos fãs deste universo, mas guarda uma potencialidade nunca antes exibida. Os dois administram os negócios dos Salamanca na região, enfrentando a concorrência e os diversos planos arquitetados por Gustavo Fring. A espionagem promovida por Varga carrega as cenas entre ele e os mexicanos de tensão absoluta. A opção da direção de fotografia  por planos fechados, que retratam as expressões de insegurança e nervosismo, como também marcam os olhares dos personagens, sempre sombrios e misteriosos, montam cenas a partir do perigo iminente existente nos trabalhos dos cartéis. Embora Breaking Bad aborde de maneira excepcional os mecanismos da máfia, Gilligan parece ter refinado ainda mais sua abordagem para com os detalhes do tráfico de drogas.

A partir dessas pequenas explicações, entende-se que a série tem pernas próprias há um bom tempo. Antes havia uma sombra de Breaking Bad que incomodava, e que poderia ser determinante para comprometer a qualidade da série, mas Gilligan e Gould entenderam que a submissão ao material fonte seria um tiro no pé – na verdade, na cabeça. O que se vê é uma história com uma identidade temática e visual própria e autêntica. Os núcleos se desenvolvem individualmente e coletivamente, culminando em um terço final que esbanja qualidade técnica, da direção a atuação. Com os personagens plenamente desenvolvidos, ainda que guardem surpreendentes reviravoltas, quando todos contracenam juntos estabelecem uma química tão perfeita e inacreditável, que o resultado é simplesmente a superação em relação a Breaking Bad.

Quando assistia os episódios, sempre estava à procura de alguma referência a Breaking Bad. A cada início havia o despertar de uma nova esperança que algum personagem da série principal fosse aparecer – e isso acontece, já que Hank Schrader (Dean Norris) aparece para matar as saudades -, afinal, Walter White e Jesse Pinkman marcaram uma geração na televisão. Contudo, as subtramas e os conflitos de interesse de Better Call Saul juntando com as atuações de alto nível e as mentes criativas de Gilligan e Gould me fazem esquecer de possíveis conexões com a trama original. Óbvio que se espera essa ligação entre as séries, mas a narrativa do spin-off é, inegavelmente, única e independente.

O terço final da série realmente se destaca dos demais episódios, não só pelo ritmo intenso, mas também pela preocupação em deixar alguns ganchos para a sexta e – já confirmada – última temporada. O antepenúltimo episódio, gravado quase inteiro no deserto, coloca os protagonistas em momentos de opressão psicológica e de reflexão moral. Depois, o penúltimo traduz as consequências dos atos dos personagens e encerra com uma das cenas mais tensas do ano na televisão, culminando na melhor performance de Kim – que ganha a série para si. Chegando ao último episódio, temos a exploração visceral da violência, que era mais implícita nas passagens de tensão do que uma verdadeira exposição de sangue e mortes. Em relação  aos ganchos construídos, fica evidente o desafio que será para encerrar os arcos de Better Call Saul, que, ao mesmo tempo, deverá entregar a ponte entre sua história e Breaking Bad.

Better Call Saul, assim sendo, é indiscutivelmente uma das melhores produções anuais da televisão. Saber quem era Saul Goodman antes da fama parecia ser o trunfo da história, mas, ao nos aproximarmos cada vez mais do final, percebemos que a conjuntura que envolve todo o universo de Breaking Bad antes de Heisenberg é mais rica do que pensávamos, e merecia uma narrativa densa e bem construída como essa. Que bom que Gilligan e Gould perceberam isso.

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KonoSuba: Lenda do Carmesim traz o retorno explosivo de Kazuma e seus companheiros

KonoSuba é um dos animês recentes que eu mais tenho apreço. A maneira como ele pega o gênero Isekai (yikes) e transforma todos os seus clichês em ótimas piadas é algo que me fascinou desde o seu começo lá em 2016.

Desde o final da segunda temporada em 2017, os fãs esperam por uma nova adaptação de KonoSuba, e ficaram ainda mais ansiosos quando o filme foi anunciado. Mas isso trazia uma dúvida: um filme original ou uma continuação do animê? Pois bem, em 2019, KonoSuba: Lenda do Carmesim foi lançado, chegando à Crunchyroll em 25 de março de 2020. O filme adapta o volume 5 da light novel, sendo uma continuação direta do animê, que terminou no volume 4.

Como é uma continuação direta, o filme não é recomendado como uma porta de entrada para a série. Muito do humor e relacionamento entre os personagens se perde caso você não tenha visto as duas temporadas do animê. Ainda mais se você não está acostumado com o tom do mesmo.

Não sou leitor da light novel, então não sei o que mudaram ou adicionaram no filme, não cabe a mim dizer se foi uma ótima adaptação ou não. Mas o filme é espetacular.

Nele, Kasuma e seus companheiros tem a missão de ir na Vila dos Demônios Carmesim, após Yunyun, amiga de Megumin, dizer que a vila está sendo atacada pelo Rei Demônio, o grande vilão de KonoSuba, e que o filho de Kasuma com ela será o responsável por derrotá-lo. Após alguns pingos nos is, o grupo de aventureiros decide ir para a Terra Natal de Megumin.

O roteiro é simples, mas funciona.

Todo humor de KonoSuba é elevado nesse filme, desde as personalidades dos nossos protagonistas, quanto ao absurdo que é aquele mundo. Megumin é a estrela do filme. A maga explosiva ganha bastante destaque e mais do seu background é apresentado, e em decorrência disso, Yunyun, que no anime era apenas uma piada de rival recorrente, também é mais explorada. A relação entre as duas era apenas superficial durante o animê, mas aqui é melhor explicada.

O filme não traz nada de novo ou extraordinário, que irá mudar a indústria da animação. É apenas uma nova aventura, que dá continuação ao animê. É algo simples.

Apesar de ser ótimo, o filme me deu a confirmação de que KonoSuba funciona melhor em formato de animê para TV. O longa tem 1h30 min. e tive a impressão dele ter ficado bastante corrido. Talvez seja por eu já ter me acostumado a assistir KonoSuba em animê, mas o filme simplesmente não para.

Aqua e Darkness acabaram ficando escondidas nesse filme, mas era algo que eu já esperava. A hora delas ainda deve chegar. Mais sobre os aliados do Rei Demônio foi apresentado, mas sem muito aprofundamento. E como foram apenas 5 novels adaptadas, eu não acho que isso será explorado tão cedo em animê. A light novel, no entanto, já está rumando para seu final.

Agora, assunto sério. Quando o filme saiu nos cinemas americanos, alguns críticos acusaram-no de ser transfóbico. E sim, tem piadas sobre isso no filme e a resolução dele vem por causa disso. É algo bem ofensivo e que deveria ser extinguido. Infelizmente é esperar demais do Japão. Não sou a pessoa certa para opinar sobre isso, mas foi ofensivo, sim.

Diferentemente das duas temporadas do animê, que foram produzidas pelo Studio Deen, o filme foi produzido pelo J.C. Staff, que ganhou uma má fama nos últimos anos pela má produção de seus animês, devido a quantidade de projetos que o estúdio pega. No entanto, mesmo com a mudança de casa, toda a equipe de produção do animê retornou para o filme, incluindo o diretor Kanasaki Takaomi. E tenho que falar, a animação do filme está impecável.

Um dos charmes de KonoSuba são as caretas e reações dos personagens e isso que foi mantido aqui, e ainda teve espaço para show de luzes e magias, além de cenas de lutas. Vários cenários possuem mais detalhes, claramente houve um grande investimento por parte da produção.

KonoSuba: Lenda do Carmesim é o retorno que os fãs esperavam. O filme traz novamente o humor absurdo do animê e o expande ainda mais com uma animação primorosa e ótimos efeitos, apesar de ser corrido.

Nota: 8.5/10

O filme e as duas temporadas do animê estão disponíveis na Crunchyroll. As duas temporadas possuem dublagem em português.

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5 animês “Slice of Life” para você lembrar como era a vida antes do Coronavírus

A frase “parece que foi ontem” nunca pareceu tão fora de lugar quanto no ano de 2020. Ela é uma carrasca que nos lembra que infelizmente, não passamos nem de um terço desse ano que parece não ter mais fim. Com todas as loucuras (para não dizer coisa pior) que vêm acontecendo, pode ser que você tenha se esquecido como a sua vida costumava ser.

Que horas você costumava acordar? Como se calça um sapato? O que é um “jeans“? Essas e outras perguntas devem ter passado por sua mente no último mês (sim, pois é, faz tipo um mês apenas). Por conta disso, nada melhor do que aproveitar o tempo que você “ganhou” com uma preparação para voltar ao normal: se lembrando do como era sua vida no passado distante.

A equipe da Torre selecionou alguns animês Slice of Life, que abrangem diversos tipos de atividades e rotinas, para que você assista e fique melancólico por aquilo que você perdeu.

  • Está no Ensino Fundamental? Tsukigakirei

Primeiramente, se você é tão jovem, eu não recomendaria nem você estar assistindo animê. Você não fez PROERD não? De qualquer maneira, Tsukigakirei é um show absurdamente doce e gentil, que mostra com realismo a vida de pré-adolescentes. Desde a forma de pensar até a reação exagerada dos pais, esse é um slice of life que te lembrará como era a vida na época do fundamental. Com apenas doze episódios, pode ser sua diversão dominical (se é que você lembra que dia da semana estamos).

A sinopse do show, cortesia da Crunchyroll, onde você pode assistir Tsukigakirei na íntegra e com legendas em português:

“Último ano do ensino fundamental. Kotaro, um rato de biblioteca que quer se tornar um novelista, e Akane, uma atleta que adora correr, se encontram na mesma sala pela primeira vez. Eles ficam encarregados de cuidar dos equipamentos do festival esportivo, e vão aos poucos se aproximando via LINE. Como Kotaro vai lidar com os sentimentos que está nutrindo por ela? Enquanto isso, Takumi está apaixonado pela Akane desde o primeiro ano. Chinatsu, amiga de Akane, também fica interessada por Kotaro. Uma história de amor encantadora que se passa em Kawagoe.”

  • Está no Ensino Médio? Sound! Euphonium

Se você está no ensino médio, provavelmente está aproveitando bastante esse caos, não está? Mas não se acostume que logo, logo, você terá que voltar a acordar cedo para ir pro colégio, pegar fila na cantina e se manter acordado naquela aula de biologia que resolveram colocar de segunda-feira 7h da manhã.

Esse período da vida é um pouco complicado, pois a experiência média japonesa é bem distante da que temos aqui no Brasil, então pode ser que você estranhe alguns pontos, com coisas do tipo “eu não lembro de fazer isso“. É normal, não é sua memória do passado se destruindo. Não ainda. Apesar da forte temática musical, Sound! Euphonium ainda possui o quintessencial de uma vida adolescente: obsessões com hobbies inusitados; discussões absurdas por temas bobos; engrandecimento de coisas que não merecem tanto valor; e etc.

Com duas temporadas, que totalizam 27 episódios, você passará tanto tempo com essas personagens que é capaz de esquecer os seus colegas de sala de verdade. O show está, também, na Crunchyrolle a sinopse que eles oferecem está logo abaixo:

“O clube de música da escola de ensino médio Kitauji já foi um clube de alto nível que vem caindo no ranking após a saída de seu conselheiro. No entanto, um novo conselheiro veio para colocar os alunos em rédeas curtas a fim de moldá-los. Em seu primeiro ano no ensino médio, Kumino Oumae e suas colegas Hazuki e Sapphire decidem dar uma olhada na banda de metais”

  • Já está na faculdade? Golden Time

O desespero começa a bater, pois você sente que nunca vai se formar? Seu curso presencial se tornou a Netflix mais cara que você já assinou? Já até esqueceu o gosto do corote azul? Pois é, amigo, Golden Time é para você. Se bem que, você realmente deveria parar de tomar corote, sério.

Você vai se sentir em casa muito, mas muito rápido, pois uma das primeiras coisas que nosso protagonista, Tada Banri, faz, é esquecer completamente tudo que sabia. E se tem alguma sensação mais representativa da vida de universitário, eu não conheço. Com 24 episódios que te tirarão ainda mais a vontade de ver aulas EAD, esse slice of life vai te lembrar do real objetivo de todo universitário: sobreviver.

Com legendas em português disponíveis na plataforma, a Crunchyroll nos diz o seguinte sobre o animê:

“Tada Banri é o mais novo aluno na escola de direito particular de Tóquio. Contudo, devido a um acidente, ele perde suas memórias. Durante sua integração, ele encontra outro calouro, Yanagisawa Mitsuo. Sem se lembrarem um do outro, suas vidas começam a se tornar cada vez mais interligadas, como se fosse obra do destino. Mas qual é o destino deles? Haverá felicidade ou somente outra memória a ser esquecida?”

  • Esqueceu como é a vida no escritório? Servant x Service

Tudo bem, eu sei que a maioria de vocês já são adultos, que trabalham e se sustentam. Afinal, para estar aqui, precisam ter algum hobby extremamente caro, que não dá pra ter sem uma renda fixa. Tá difícil pra todo mundo, seja você cinéfilo, nerd ou civil. Eu também sei que você tem feito todas as reuniões por vídeo com uma camisa social e bermuda de pijama. Mas o que importa é que você precisa lembrar de coisas fundamentais da vida no escritório: a pausa pro café; a habilidade de dar ALT+TAB pra planilha do Excel; amaciar seu colega o máximo possível para evitar que um assunto que podia ser resolvido por e-mail vire uma reunião de uma hora; entre outras habilidades essenciais para sobreviver na selva de pedra.

Em Servant x Service, vemos de forma bem-humorada o dia a dia de Lucy no escritório, e você vai, inevitavelmente, reconhecer os seus colegas em cada uma das personagens. É quase “The Office“, só que com um tema de abertura surpreendentemente mais dançante. Com apenas 13 episódios, você pode fazer esse exercício de teamwork até mesmo entre as meetings do seu squad, no lugar do coffeebreak que você sente tanta falta.

Também na Crunchyroll, a sinopse de Servant x Service é:

“Numa certa prefeitura de uma determinada cidade, em Hokkaido… A prefeitura onde Yamagami Lucy foi contratada emprega muitas pessoas únicas. Yamagami e seus colegas estão cheios de energia e segredos de como eles se esforçam (?!) nesta comédia de trabalho!”

  • Mas Torre, eu moro no interior! Esses animê de cidade grande não me ajuda em nada!“: Non Non Biyori

Concordo com ocês, meus querido cumpadre caipira. Esses animê de cidade grande num dá nem uma ajudadinha pá nóis. Como um conterrâneo que mora no serrrrtão e puxa os R em porrrta, porrrteira e em porrrtão, entendo que nenhum dos citados acima aprecia os pequenos detalhes que apenas quem mora no fim do mundo conhece.

Tantos episódios e em nenhum momento eles vão passear na praça? Nunca saem pra “ir na cidade” (que na verdade é só o centro)? Não encontram nenhum conhecido na rua, mesmo passando por aquele bocado de gente? Pois é, né, essas coisas que só quem é do interior conhece e deve também estar sentindo falta. Non Non Biyori explora o interior do Japão com uma certa dose de fofura. Acaba sendo chamado de “tedioso” por muitos, por não ter nada de extraordinário e mostrar apenas coisas mundanas. Mas quem é que está rindo agora, desesperado pelo mundano, hein?

Com duas temporadas, que dão um total de 24 episódios, Non Non Biyori (e sua segunda temporada, Non Non Biyori Repeat) pode ser visto, você já sabe, na Crunchyroll. A sinopse deles é a seguinte:

“A vida de ritmo reconfortantemente lento das quatro meninas na pequena Escola Asahioka Branch continua com Natsumi, Komari, Renge e Hotaru frequentando a escola de uma turma só e com o total de 5 estudantes. Embora o ambiente descontraído seja uma grande mudança para Hotaru, que veio da agitada Tóquio, ela ainda encontra algo de encantador e relaxante na vida no campo no interior do Japão.”


E é isso por hoje. Espero que todos vocês fiquem em casa e se lembrem de como era a vida lá fora com esses cinco shows que selecionamos com carinho.

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Os princípios da comédia em “A Destructive God Sits Next to Me”

A cada três meses – em situações normais, pelo menos – nós somos inundados com toneladas e toneladas de novos animês. E toda temporada temos que passar pela mesma história: tem aquele show absurdamente popular; os dezessete isekais que parecem ser sempre a mesma coisa; aquele um isekai que faz sucesso mesmo assim; diversos títulos que nos fazem questionar a racionalidade da humanidade; e, é claro, aqueles shows que ninguém assistiu, e você fica revoltado pois ele foi o melhor da temporada mas “puxa vida ninguém viu essa porcaria?!”.

No começo do ano, quando o mundo ainda era mundo, tivemos a temporada de janeiro seguindo o roteiro à risca. E eu, particularmente, fiquei revoltadíssimo com a baixa repercussão de um dos shows mais engraçados não só da temporada, como dos últimos anos. “A Destructive God Sits Next To Me” deu uma aula de comédia por doze semanas seguidas, ao não só respeitar como doutrinar sobre os três princípios da comédia.

Inclusive, vou quebrar minha regra de usar “os três princípios da comédia” como piada no final de postagens, e irei comentar sobre elas de verdade, dessa vez. Como vocês sabem, o primeiro princípio da comédia é a repetição. E é justamente ela que faz o humor do show. O protagonista, Koyuki Seri, está lidando sempre com o mesmo problema, e o próprio animê reconhece e abraça essa repetição, usando ela para manter a piada rolando, e fazer meta-piadas com o próprio senso de ridículo que toda essa situação representa.

As ‘mortes’ de Koyuki ao longo da série representam aquilo que meu professor de teatro sempre me disse: “a verdadeira comédia é a desgraça alheia”

Seguindo o nosso cronograma, o segundo princípio da comédia é a repetição. E normalmente é aqui que a maioria das comédias fracassa. Eles conseguem seguir o primeiro princípio, mas acabam repetindo a mesma coisa e isso acaba ficando chato. É o clássico “a piada ficou velha” e perdeu a graça. Eu já perdi a conta de quantos animês tiveram dois ou três episódios maravilhosos, só para cair no mais do mesmo pelo resto da temporada. A chave para o sucesso do nosso show nesse quesito está, na verdade, no próximo ponto.

Pois é, como você deve ter imaginado, o terceiro princípio da comédia é pegar o público desprevenido. Quando você já sabe o que esperar, a comédia perde o efeito. Em “A Destructive God Sits Next To Me”, esse princípio começa a tomar efeito antes mesmo de você assistir. Dê uma lida na sinopse do show, olhe com bastante atenção para a imagem de capa, e me diga com sinceridade: você daria algum trocado pra isso? A resposta mais honesta é que não. Eu também não dei. E justamente por não esperar nada dali que tudo se torna ainda melhor.

A sinopse, aliás, retirada da Crunchyroll: “Koyuki Seri é um estudante do colegial com propensão para mandar tiradas bem ácidas… E ao mesmo tempo, ele odeia quem merece receber essas tiradas! Para sua infelicidade, ele atraiu a atenção de Hanatori Kabuto, que sofre de delírios de grandeza. Seri promete a si mesmo que não vai comentar as extravagâncias de Kabuto, mas ele não consegue se conter. E pra piorar, outros sujeitos anormais estão se aproximando dos dois… Está começando uma comédia colegial que vai te fazer rir de montão (e te encantar um pouquinho, também!

Um ponto a mais que preciso acrescentar sobre o terceiro princípio é a maestria com que ele é utilizado. Com o passar dos episódios, você começa a entender como o show funciona, e começa a pensar que sabe o que está acontecendo. Mesmo quando você sabe que algo absurdo vai acontecer, mesmo estando preparado para o pior, o animê ainda consegue te pegar com as calças arriadas. Sério, é inacreditável, eu sinceramente não faço a menor ideia de como eles conseguiam se superar toda semana, mas conseguiam. Quando eu achava que não tinha como ficar mais absurdo, eles iam lá e me provavam errado.

E se isso tudo não fosse o suficiente, a parte técnica é de uma qualidade surpreendente. Não só contando com uns dubladores que parecem ser mais areia do que o caminhãozinho do show pode carregar (Takahiro Sakurai, Jun Fukuyama e Ai Kayano, só para citar alguns), ainda temos uma direção que criou alguns dos aspectos visuais mais geniais do século (agradecimentos a Atsuhi Nigorikawa!).

A arte e animação do estúdio EMT², que já foi comentado por mim antes, quando tratamos de Assassins Pride e Renai Boukun, quebrou minhas expectativas (hah!) ao ser muito mais consistente do que tem qualquer direito de ser… É um show que, poupando termos técnicos que agradam poucos, mostrou serviço e botou o pau na mesa e conseguiu seguir firme com seus próprios pés.

Desculpe, mas se você não vê que isso é praticamente A MONA LISA MODERNA, eu não tenho mais nada para falar com você

Claro que, agora que sua expectativa tá lá em cima, você vai chegar e acabar se decepcionando. Faz parte. Pra mim, só de você ter visto o que eu julgo como sendo um dos candidatos a melhor animê do ano, já estou de barriga cheia. Se depois disso tudo, você quiser dar uma chance para “A Destructive God Sits Next To Me”, o show está disponível na íntegra, com legendas em português, na Crunchyroll.