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Mulher-Maravilha: Terra Um | Uma reinvenção ousada e criativa

Terra Um é uma série de graphic novels que reconta e atualiza as origens dos heróis da DC. Depois de Superman e Batman, é hora de testemunharmos a Mulher-Maravilha desta série. Escrita por ninguém mais ninguém menos que Grant Morrison, a HQ provavelmente, entre as três, é a que mais altera certos elementos da personagem, tais como sua personalidade. Aqui não temos a princesa que sai de Temiscira para uma missão oficial no Mundo dos Homens e sim, uma garota rebelde que se opõe a todos os costumes do seu povo e tem curiosidade em explorar o mundo lá fora, saindo sem a permissão da mãe.

O grande trunfo da HQ está na narrativa não linear e no Laço da Verdade, que funciona como um elemento narrativo muito eficiente e criativo. Ao invés de escolher um caminho tradicional para contar a história de Diana, o roteirista escolhe contá-la através de um julgamento. Não existem vilões aqui, este é um quadrinho sobre o prazer da descoberta. O choque cultural é sempre muito interessante nas histórias de Mulher-Maravilha, mas em Terra Um ele é gritante. Existe um certo humor involuntário nisso, principalmente na cena do hospital, onde a heroína não acredita que existam tantas mulheres doentes em um só lugar.

O núcleo de apoio também é ótimo. Algumas alterações foram feitas, por exemplo, Steve Trevor nesta versão é negro e o discurso feito pelo personagem na resolução do quadrinho é perfeito. Elizabeth Candy, que seria neste caso, a Etta Candy, não é uma militar amiga de Trevor e sim uma mulher extrovertida e feliz com o peso que tem. E esta é com certeza a Rainha Hipólita mais paranoica de todas as histórias da Princesa Amazona.

A arte de Yanick Paquette é bonita, não só pela sua Diana que tem um certo ar de superioridade em relação aos humanos, como também as diferentes e inusitadas vestimentas das Amazonas e as tecnologias utilizadas na Ilha Paraíso, que parecem ter saído de um filme de ficção científica. As expressões faciais são o grande destaque dos traços aqui, já que a obra não conta com muita ação.

Mulher-Maravilha: Terra Um é uma obra completa e reimagina de forma muito criativa e ousada a maior heroína de todos os tempos. Foge de todos os clichês possíveis: Seja a presença de um vilão maior ou uma narrativa linear. A editora Panini publicou o quadrinho no Brasil no início deste ano. Você pode adquiri-lo no link abaixo:

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Detective Comics Entretenimento

Você não precisa ser babaca para ser fã de quadrinhos

Quadrinhos, gibis, HQs, comics, revistinhas, banda desenhada. Todos termos que representam uma única coisa, que une as pessoas que compartilham uma mesma paixão ao redor do mundo. O amor pelas histórias em quadrinhos nasce de diversas fontes: adaptações cinematográficas, uma revista aleatória na banca, um encadernado na livraria, uma paixão de infância, curiosidade… E no meio nerd moderno, conforme o tempo passa, algumas pessoas tendem a desmerecer os costumes ou preferências de seus semelhantes, sempre ressaltando seu ponto de vista como o ideal, fazendo chacota do colega ao lado.

Apesar de não parecer, a geração de leitores de gibis está se renovando. O cinema tem sido o responsável por trazer novos ares a este mundo até então dominado por pessoas mais velhas, as mesmas que liam gibis trinta anos atrás, especialmente de super-heróis. Através da modernização não somente do público, o formato das histórias em quadrinhos tem se alterado bastante, passando do formatinho para o original, da revista para o encadernado, do capa cartão para o capa dura, da banca para a livraria, e mais recentemente para a mídia digital. E inevitavelmente surgem novos consumidores a cada mudança, que facilitam a introdução a este universo.

Pra começo de conversa, é importante ressaltar uma coisa: preferência é preferência. Você pode escolher degustar um gibi dos anos 70, em seu primeiro formato publicado, ao invés de comprar um encadernado de luxo que compila exatamente o mesmo material. Se você se sente melhor assim, vai fundo. Mas isso não lhe dá o direito de menosprezar quem opta por outras opções e formatos.

É comum, em grupos e sites espalhados pela internet, presenciarmos os famosos esteriótipos do mundo nerd. “Colecionadores de lombadas“, “bazingueiros” ou “civis” são termos que se difundiram na nossa cultura, e todos possuem o mesmo intuito: tratar o consumidor diferente de você como algo a ser ridicularizado, um “nerd inferior” da espécie nerdis inferioris, comparado ao outro que possui anos de experiência. E estas barreiras, que visam inicialmente o humor, fecham o mercado numa bolha. Uma bolha dentro de um nicho, quão ridículo isso possa soar.

Não há problema algum em colecionar e consumir somente encadernados, sejam eles com capa dura ou capa cartão. Nem há qualquer problema em fazer somente as coleções que formam um desenho na lombada, ornamentando a prateleira. O dinheiro é seu, e você faz o que bem entender com ele, sem que ninguém tenha o direito de julgar ou lhe menosprezar por isso. E a limitação mental de certas pessoas não parece demonstrar que, comprando para ler ou não, a pessoa está ajudando o mercado a continuar vivo, investindo seu rico dinheirinho naqueles gibis. Só isso já é algo a ser comemorado.

Termos como “bazingueiro” caem no antigo problema da aceitação no mundo nerd, que engloba também as garotas que tentam fazer parte deste nicho que possui pessoas tão lamentáveis. Se você é um iniciante, que está aprendendo ou só conhece filmes e determinadas histórias, automaticamente é tratado como um lixo por boa parte dos “nerds iniciados” (seja lá o que isso signifique, numa escala de nada a nada), que aparentemente são tão intelectuais que não conseguem conviver com outros perfis de leitores. Nem com as famosas mudanças de status quo, como já foi discutido aqui.

Todo mundo começou, em qualquer coisa, sem saber absolutamente nada sobre aquilo. Porém, anos atrás, não existia a internet para facilitar a vida dos iniciantes nem possibilitar que os iniciados destilassem seu ódio gratuito e elitista em direção aos mais novos. Não existe paciência em explicar qualquer coisa, há somente a raiva descrita em “começou agora e já tá falando merda“, ou o famoso “vai aprender sozinho, na minha época não tinha nada disso“. Uma mídia, uma forma de expressão que sempre pregou a união e aceitação entre as pessoas, hoje é dominada por um público que faz o exato oposto do que os valores pregados por seus heróis os ensinavam e continuam a ensinar. Ou tentam ensinar.

O fã do Homem-Aranha, que se identificava com Peter Parker sofrendo bullying na escola por ser nerd, hoje despreza e ofende o leitor iniciante que compra os encadernados por qualquer que seja a razão, desde a praticidade até o embelezamento da coleção. Peter Parker tornou-se Flash Thompson. E aparentemente, só ele não vê isso. E se vê, acha que está certo nas suas atitudes. “Onde já se viu ler somente gibis com capa dura, quando há tanto material bom sendo publicado em outros formatos?” Mas a coisa mais simples não passa pela cabeça de ninguém: cada um faz o que bem entender com a sua vida, e se eu quiser posso escolher comprar somente encadernados capa dura da Angélica ou da Revista do Gugu. Se é o que me interessa, posso não estar nem aí (pelo menos no momento) para o gibi cultuado que acabou de ser republicado. É meu direito comprar o que eu quiser. E não sou inferior a ninguém por isso. Somos todos leitores da mesma arte. E você deve ter muito tempo livre para se importar com o que eu leio ou não.

Os limites do bom senso são extrapolados há algum tempo. A famosa frase “sua liberdade termina quando começa a do próximo” não parece se aplicar no meio nerd, onde cada uma das pessoas faz questão de tecer seus comentários, positivos ou – especialmente – negativos, sobre o que bem entender, sem a vergonha de estar tentando parecer mais foda que o outro. Parabéns, você sabe tudo sobre o Batman. Grande conquista.

Estamos estagnados num perfil deplorável de leitores e consumidores de quadrinhos, agravado também por boa parte da “mídia especializada“, composta por sites, vlogs e podcasts. Convivendo diariamente na toxicidade da intolerância, inalamos gases que não nos dão super poderes, mas nos tornam retratos claros de vilões, ao encarar com naturalidade os comentários depreciativos do nerd superior, que deve achar incrível parecer o intelectual sobre um personagem fictício a ponto de menosprezar e ofender quem escolheu o diferente. Ou até agir como um juiz da leitura alheia. Mas tudo bem, afinal, ele faz parte do público que leu gibis durante toda a vida, não é mesmo?

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Discworld | O Aprendiz de Morte

Sinopse: ”No quarto volume de Discworld, Morte, um esqueleto com brilhantes luzes azuis em suas órbitas oculares e dono de uma voz semelhante a ” lajes de chumbo caindo sobre granito” , oferece a Mortimer, um desajeitado rapaz de interior, uma proposta irrecusável: tornar-se seu aprendiz. Após receber a garantia de que não é preciso estar morto para conseguir esse trabalho, Mort aceita o cargo. Mas os conflitos surgem quando a descoberta do amor passa a interferir nas responsabilidades do garoto.

O Aprendiz de Morte é o primeiro volume do ciclo da Morte dentro da saga Discworld, protagonizada por nada mais e nada menos que pela própria Morte, personagem ícone da saga por sua FALA PECULIAR… Ah, e seu aprendiz Mortimer, ou simplesmente Mort.

Publicada em 1987, O Aprendiz de Morte já foi adaptado como musical. A história começa com o Morte observando um garoto franzino que tem sérios problemas para arranjar alguma orientação na vida. O pai de Mortimer preocupado, leva o filho para uma feira para arranjar um ofício ao filho, quase sem sucesso por não aparecer nenhuma oferta, aparece uma figura encapuzada. Pronto! Mortimer está encaminhado para o serviço funerário… E que serviço!

Morte e Mort por Omar Rayyan

Mortimer será introduzido nas artes de ‘’CONDUZIR ALMAS PARA O PRÓXIMO MUNDO’’ (pode parecer estranho, mas as falas de Morte são todas em letras maiúsculas), contudo a parte humana talvez o atrapalhe nesse serviço ‘’mortal’’.

A Morte possui diversas representações na literatura mundial, mas com certeza não houve personagem tão carismático quanto o Morte de Pratchett. Nessa obra vemos a crise de ”identidade” de Morte, um pouco fadigado do emprego e em busca de algo bem humano: diversão.

Acompanhado de seu cavalo Pituco e do mais jovem aprendiz Mortimer (ou apenas ”garoto”), Morte nos leva aos dilemas da vida (e da morte claro) e ficamos diante poder do destino inexorável. O trabalho da Morte parece simples, mas diante da ”injustiça” no reino de Sto La, Mortimer intervém e provoca uma distorção na realidade.

Mortimer, Pituco e Princesa Keli por Omar Rayyan

Como já foi dito em resenhas anteriores sobre a saga Discworld, Terry Pratchett tem um humor único e inteligente. Em O Aprendiz de Morte, Pratchett nos apresenta um enredo cômico, trágico e até mesmo filosófico. Será a (ou o) morte o fim? Não podemos mudar nosso destino? Esses e outros questionamentos se encontram entre as linhas do livro.

A leitura é rápida e calorosa, nós divagamos pela Discworld no lombo de Pituco. Uma experiência cheia de aventura e ótima para passar o final da tarde lendo.

Infelizmente a obra está esgotada, mas pode ser encontrada facilmente em pdf. Em julho teremos o lançamento de Homens de Armas.

Confira nossas outras resenhas de Discworld: Direitos Iguais Rituais Iguais, Estranhas Irmãs e Lordes e Damas.

Escrito por RM

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Detective Comics Quadrinhos

O Monstro de Alan Moore, John Wagner e Alan Grant

Uma saga que soma elementos de clássicos monstruosos da ficção, Monstro narra a história de Terry, o monstro, e Kenny Corman, sobrinho do monstro, enquanto eles embarcam numa espécie de road trip de sobrevivência buscando ajuda. A série foi criada pelo gênio dos quadrinhos Alan Moore e continuada por John Wagner e Alan Grant, uma verdadeira santíssima trindade dos quadrinhos ingleses, e chegou ao Brasil em 2017 com uma edição de luxo publicada pela Mythos Editora!

Em março de 1984 a revista semanal britânica Scream!, uma antologia de horror, estreava para os ingleses. Com ela algumas séries em quadrinhos como The Dracula File, Library of Death e The Thirteen Floor, essa última o provável maior sucesso da época, alcançaram o inconsciente popular ao longo das pouquíssimas 15 edições do título. O catálogo da revista também continha o trabalho criado por Alan Moore, em um período marcante da carreira do autor, e Heinzl, que foi assumido posteriormente por Wagner e Grant sob pseudônimo Rick Clark, com arte de Jesus Redondo. O já citado Monstro, assim como Thirteen Floor, foi continuado após o cancelamento da Scream! (devido a uma disputa interna com a IPC Magazines) na revista Eagle, casa do clássico personagem Dan Dare. E anos depois, seguindo o costume das suscetivas mudanças, a 2000 AD obteve os direitos deste clássico obscuro, republicando-o numa luxuosa compilação que serviu como base para o encadernado nacional.

Ao enterrar seu pai abusivo no quintal de sua velha casa, Kenny Corman decide investigar a causa da morte, dirigindo-se ao sótão da mansão. As primeiras quatro páginas desta história foram escritas por Moore, que deu somente o pontapé inicial para a série. Ao ser substituído pela dupla Wagner e Grant, o leitor descobre que o monstro vivendo no sótão é Terry, tio de Kenny, que possui uma deformidade física e a mentalidade de uma criança de no máximo três anos. Criado a vida toda em situação precária e sem sair do sótão, Terry torna-se um fardo para Kenny, após os cuidados do tio serem passados ao garoto de 12 anos por sua falecida mãe. Com um detalhe preocupante: seu temperamento explosivo o faz matar com facilidade qualquer pessoa que venha a incomodá-lo.

Monstro é uma aventura que soma elementos de Frankenstein com os quadrinhos de horror dos anos 50 publicados pela EC Comics, como Tales from the Crypt, The Vault of Horror e The Haunt of Fear. A descrição perfeita para esta aventura seria “um monstro gentil em fuga.” A dupla de roteiristas brinca com a dualidade entre a criação e a falta de conhecimento e contato social de Terry, que o tornam um monstro a ser temido pela sociedade, constantemente perseguido pelas entidades governamentais. O “Monstro de Bricester” é realmente uma criatura malvada, ou apenas mais uma vítima inocente? E a atitude de Kenny, que decidiu fugir para buscar ajuda por estar com medo da reação das pessoas, foi a mais correta a se tomar? Essas questões permeiam a história do início ao fim, enquanto o leitor analisa cada um dos acontecimentos.

Se Dr. Jekyll e Sr. Hyde receberam o pseudônimo de “o Médico e o Monstro“, Kenny Corman e Terry, apesar de serem entidades separadas, podem ser descritos como “o Garoto e o Monstro.” As viagens da dupla, deixando um rastro de destruição por onde passam e sendo constantemente perseguidos pelos oficiais do governo, é um tipo de road trip do desastre. Na época, Moore estava iniciando sua fantástica Saga do Monstro do Pântano, e a dupla sucessora assumiu com maestria as rédeas do título, rumando para um estilo de narrativa diferente do início, onde há uma transformação de horror para uma espécie de horror reflexivo e algumas vezes até bem humorado.

A busca por ajuda médica em que Kenneth e Terry estão submetidos é magistralmente ilustrada pelo espanhol Jesus Redondo, que substituiu o artista italiano Heinzl. Com um traço “sujo” que brinca muito com o claro e escuro, Redondo é dono de uma arte que passa profundidade, dramaticidade e possui semelhanças nas expressões e movimentos com outros grandes mestres da nona arte, que também seguem a apelidada linha latina.

O texto também faz questão de deixar clara a consciência infantil de Terry, deficiente não somente física como também mentalmente. As situações em que os protagonistas se metem (por vezes, convenientes ou até cômicas) criam um desenrolar para a história que traz um ar de algo inesperado, visto que a cada virada de página um plot twist pode explodir na face do leitor. E no desenrolar das desventuras, as proporções dos problemas crescem exponencialmente.

A ideia do horror das primeiras páginas de Moore é mantida ao longo da trama. Mas seria o horror, a impressão de repulsa, que choca o leitor ou o faz refletir sobre todos os acontecimentos? A perspectiva dos policiais também é mostrada, com destaque para o Inspetor Halley, criando mais uma camada de entendimento dos civis comuns, que é expandida com a introdução de outros personagens “normais“, como médicos, famílias viajantes ou velhinhas viúvas.

Com capítulos de apenas quatro páginas, a leitura flui de maneira ágil e com uma sucessão prazerosa de reviravoltas. Na reta final a aventura chega a tomar proporções mundiais, rumando para um desfecho totalmente inesperado e apesar de tanta dificuldade, extremamente comum, fechando um ciclo para a vida de Terry. Porém, mesmo após o término, diversos questionamentos ficam em aberto, com a incessante busca por um culpado na mente do leitor.

Seria o inconsequente garoto, que negligencia diversos acontecimentos e piora todas as situações? Os pais de Terry, que o criaram como uma aberração? O pai de Kenny, que judiava do pobre cunhado preso no sótão? Ou um conjunto de pessoas desinformadas, que elevaram uma deficiência para algo extremamente caótico? Encarar o Monstro como uma vítima é o correto a se fazer, ou a forma conscientemente violenta como ele age é algo naturalmente ruim? Um diagnóstico poderia provar que a agressividade é originária da deficiência mental de Terry ou de seu temperamento? Como seria sua análise psicológica?

Algumas interpretações, no final, variam na mente de cada um. Um dos atrativos da história é poder ser analisada por diferentes perspectivas, algo que torna bastante especial e muito relevante o Monstro de Moore, Wagner e Grant. Uma história que merece ser conhecida.

Monstro possui 176 páginas encadernadas em capa dura no formato 25,9 x 18,7 cm, com preço de capa R$ 64,90.

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Resenha | One More Light – Linkin Park

O ano era 2000 e o consagrado estilo nü-metal estava na posição de perda fôlego, muito por causa das idiotices egomaníacas de Fred Durst no Limp Bizkit ou pelo excesso de drama do Korn em Issues (1999), os seus dois maiores representantes na época. Foi quando o Linkin Park surgiu como uma bomba e sacudiu todo o gênero. Os dois primeiros álbuns Hybrid Theory (2000) e Meteroa (2003), elevaram o grupo a super-estrelas da música mundial com sua saraivada de sucessos e seus clipes exibidos a exaustão na MTV. E deram também a confiança necessária para que os anos seguintes fossem usados para desbravar as fronteiras musicais e buscar novos estilos além da mistura de rock com hip-hop e eletrônico. Que já saturavam àquela altura do campeonato.

Depois de três álbuns buscando crescimento e maturidade musical, Minutes to Midnight (2007), A Thousand Suns (2010) e Living Things (2012) e um que voltava às raízes The Hunting Party (2014), o Linkin Park mais uma vez tenta se reinventar e evoluir, às vezes soando até como um grupo mais pop do que o habitual. O novo trabalho intitulado One More Light, lançado no ultimo dia 19 de maio, traz uma sonoridade algo um tanto pessoal e sincero. Mas ao decorrer das faixas parece faltar um pouco da identidade conquistada pela banda no inicio da carreira.

Temas como política, guerra, desigualdade social e racial são abordados nas letras de One More Light, algumas pessoas vão se identificar com algumas das letras, mas não espere um disco para pular e bater cabeça. Ele é para se ouvir relaxado e tranquilo.

O primeiro single divulgado foi “Heavy” gravada em parceria com a cantora Kiiara, uma levada meio pop meloso com direito a refrão grudento que pega na cabeça. Confesso que quando ouvi pela primeira vez fiquei esperando entrar os riffs de guitarras e esperei em vão. Penso eu que os saudosistas seguidores do Linkin Park não tenham curtido muito não.

O clima meio pop continua em “Good Goodbye”, “Battle Symphony” e “Invisible”. Ouvindo as faixas eu fiquei imaginando a pessoa que tem de lembrança a banda nos tempos de “In the End” escutando essas músicas. Obviamente tudo muda, para melhor ou para pior. Depende do que a pessoa quer ouvir e/ou gosta de ouvir. Mas o bacana é sentir que temos uma evolução, um passo adiante na carreira da banda. Pois o disco não é mal trabalhado, e as canções não são feias, mas faltou a identidade dos caras nesse trabalho.

“Talking To Myself” dá uma agitada no disco com suas guitarras unificadas e sua percussão. “Sharp Edges” tem uma levada harmônica graças ao piano e um toque extrovertido por causa do violão. uma batida eletrônica bem leve no fundo acompanha o ritmo. O piano também dá o ar da graça na diferente “Halfway Right”.

Vale resaltar que Chester Bennington e os programadores Mike Shinoda e Joe Hahn fazem um bom trabalho e são os destaques do One More Light. Apesar de não ser aquele Chester de antigamente, o que é normal, a voz se desgasta com o tempo e as vezes não é necessário berrar sempre. Agora o resto da banda praticamente passa despercebida no trabalho.

No conjunto da obra, One More Light, não é um disco ruim, e sim estranho. Mas é estranho para a carreira do Linkin Park. O problema não é tentar algo novo. Não é arriscar nos campos do pop, do eletrônico, ou aonde for. O grande X da questão é que em muitos momentos (momentos demais até) não lembra o Linkin Park de outrora. A identidade da banda ficou perdida em algum lugar, só resta agora que o novo trabalho seja o principio para reencontra-la.

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Artes conceituais de Thor por Russell Dauterman

Atualmente, o título The Mighty Thor da Marvel Comics, com roteiro de Jason Aaron e arte de Russell Dauterman, é um dos mais elogiados da editora, inclusive, é um dos indicados na categoria de Melhor série mensal do Eisner Awards 2017.

Em The Mighty Thor, Jane Foster é a nova Deusa do Trovão e, em meio à sombra de uma Guerra dos Reinos, Jane ainda tem que lidar com uma batalha muito delicada e pessoal: a luta contra o câncer. Nesse contexto, todo um cenário épico foi construído por Jason Aaron e Russell Dauterman. Já abordei as facetas épicas da fase do Aaron em Thor aqui.

Capa de The Mighty Thor #1 por Russell Dauterman e Matt Wilson

Dauterman, junto ao colorista Matt Wilson, são responsáveis por grande parte da beleza do quadrinho. A dupla constrói e colore o Universo Thor de forma mágica, capaz de encher os olhos do leitor com muitas cores e detalhes.

“Russell está ficando cada vez melhor. Quanto mais coisas eu jogar para ele, mais personagens ele tem para projetar, cenas maiores e mais loucas ele tem que desenhar. Ele apenas continua a ficar melhor, mais forte, mais surpreendente e mais inventivo.

Eu acho que Russell agregou muito a Thor em termos de seus projetos para os vários personagens e, especialmente, aos locais. Muito do que eu tenho feito no meu trabalho em Thor é dar corpo à configuração de todos os diferentes Reinos. Russell tem sido uma grande parte disso.

Ele percorreu um longo caminho até construção dos mundos e caracterização das pessoas e culturas dos diferentes locais.” – Jason Aaron elogiando o desempenho de Russell Dauterman durante uma entrevista. Confira a entrevista aqui.

Como o próprio escritor do título The Migthy Thor título disse, Russell Dauterman é muito inventivo em relação ás suas concepções do Universo Thor, trazendo novos detalhes que enriquecem o visual de alguns personagens já existentes nos quadrinhos, e também cria visuais incríveis para personagens novos.

Confira algumas artes conceituais de que Russell Dauterman disponibilizou em seu site:

 

Atualmente, The Mighty Thor de Jason Aaron e Russell Dauterman está sendo publicado pela editora Panini em uma revista mensal intitulada Thor.

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Le Chevalier | Os Arquivos Secretos do Cavaleiro steampunk

Imagine um grupo de inteligência e operações que atua na França em plenos anos 1800. Adicione o subgênero steampunk, tramas bem narradas com ilustrações que remetem a ótimas histórias em quadrinhos de grandes mestres da nona arte e você terá Le Chevalier: Arquivos Secretos, uma das graphic novels do catálogo da AVEC Editora, pertencente ao universo literário nacional de Le Chevalier.

Criada por Andre Zanki Cordenonsi, a série literária Le Chevalier está situada em meados dos anos 1860, em uma Paris onde as criações a vapor de Jules Verne impulsionaram uma revolução tecnológica que tornou a capital francesa o epicentro de uma renovada Europa.

O Bureau Central de Inteligência e Operações é uma organização que investiga casos a serviço de sua majestade, Napoleão III, e tem como principal agente um espião sem nome, sem passado e extremamente eficiente no serviço: o Cavaleiro, chamado apenas de Le Chevalier. Os Arquivos Secretos, como o nome sugere, tratam de aventuras paralelas às contadas no livro e nos eBooks, aprofundando ainda mais a imersão neste rico universo.

Em poucas páginas um leitor novato rapidamente sente-se a vontade e embarca facilmente na interação entre os personagens, e quem já está familiarizado reconhece sem delongas as características marcantes deste mundo. As duas aventuras presentes neste volume são auto-contidas e deixam ganchos para futuras continuações, mas ambas as tramas de investigação se desenrolam magistralmente pelo texto de Cordenonsi e não somente apresentam o universo como também explicam detalhadamente suas principais características, contando com fichas de personagens e recordatórios.

A provável maior inspiração para a confecção de Le Chevalier é o Hellboy de Mike Mignola. Em Arquivos Secretos os dois agentes do Bureau, Le Chevalier e seu companheiro Persa, investigam casos de assassinato e sequestro situados em Paris. Através de tramas diretas e inventivas o roteirista explora as tecnologias deste mundo retrofuturista e também não perde tempo em introduzir figuras históricas na narrativa, criando um apelo ainda maior para o leitor que deseja aprofundar seus conhecimentos. E a comparação com a obra-prima de Mignola se faz presente mais uma vez, com a utilização de um ótimo glossário que detalha cada um dos termos citados.

Os personagens são divertidos e possuem características marcantes. Chevalier é o típico protagonista misterioso e confiante, que age sem pestanejar para cumprir seus objetivos, e sempre possui uma carta na manga. Persa, apelido de Karim El Hadji, funciona como o alívio cômico da série, sempre focado no lado gastronômico de Paris e reclamando das confusões em que se mete, mas também atuando competentemente como ajudante de campo. E uma gama de personagens secundários encorpam o elenco principal, tornando críveis os relacionamentos.

O formato da publicação assemelha-se ao de álbuns europeus. Não bastasse a trama ser situada na França, com inimigos e conspirações políticas secretas englobando toda a Europa, a aventura soa como um arco fechado de um bom gibi franco-belga. A arte de Fred Rubim remete ao já citado mestre Mike Mignola, lembrando também o traço que Gabriel Bá utilizou na série The Umbrella Academy, da Dark Horse Comics. Todas as três séries possuem um estilo parecido, onde uma organização investiga casos diversos.

A versatilidade de Rubim é outro ponto de destaque que merece ser mencionado. Comparando seus traços em dois quadrinhos diferentes, Le Chevalier e Contos do Cão Negro, são nítidas as diferenças de estilo e narrativa empregadas em ambas as publicações. Em Arquivos Secretos o ilustrador utiliza linhas claras e um jogo de sombras, com um desenho mais caricato que casa perfeitamente com as aventuras. Além disso, o desenhista permite-se pirar nos aparatos tecnológicos que surgem no decorrer das investigações, com robôs, veículos e os divertidos drozdes, animais mecânicos com vida própria e fiéis aos seus amos, que representam o ápice da tecnologia Clockpunk. As cores, que também ficam a cargo de Rubim (o homem é uma máquina), criam uma aura própria ao redor de cada cena, trazendo com maestria um ar específico para os cenários.

E apesar dos cenários mais simples, sem muita tecnologia aplicada na arquitetura, toda a cidade de Paris soa constantemente como um retrato de uma época, e o leitor acaba se deparando com instrumentos e máquinas extremamente incomuns, frutos do subgênero steampunk em que a obra se baseia, que dão um charme para o interior das construções.

A forma como a dupla de autores conduz as narrativas, de maneira linear e com um ritmo próprio que prende a atenção, é a cereja do bolo deste ótimo material nacional, que acrescenta (e muito) aos universos ficcionais oriundos das mentes brilhantes de autores brasileiros, criando obras que não devem em nada às famosas histórias produzidas no exterior. E esperamos que outras aventuras do Chevalier sejam contadas em quadrinhos, mantendo vivas o que há de melhor no pouco explorado estilo steampunk.

Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 possui 64 páginas encadernadas em capa cartão no formato 28 x 21 cm, com preço de capa R$ 39,90.

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Depois de Logan, o que esperar?

Sim. Essa é uma pergunta que venho me fazendo desde a exibição de Logan. Um filme belo, conduzido magistralmente por James Mangold que conseguiu captar emoção e respeitar toda a história do Wolverine em um único filme. O resultado, muitos de vocês já presenciaram: uma obra prima, que destoa de quase todos do gênero.

Neste ano, filmes baseados em quadrinhos e heróis predominam em vários meses. A Marvel Studios fez sua primeira estreia do ano com Guardiões da Galáxia Vol. 2. A Warner Bros/DC Comics chega em junho com o aguardado e dito como a “esperança do UCDC”, Mulher Maravilha, além de vários outros. 2017 promete ser uma grande fonte de entretenimento para todos os fãs. Só que Logan já passou, estreou em março e saiu de exibição em vários cinemas. (Aliás, o blu-ray com a versão em preto e branco chega em junho). Logan foi o produto de anos e anos de aventuras heroicas e filmes de variados estúdios, resultando nas múltiplas mensagens e pensamentos que ele nos deixou. Posso estar sendo imprudente, mas isso redefiniu o gênero e encerrou uma era.

Não estou querendo dizer que Mulher Maravilha, Liga da Justiça ou Homem-Aranha devem ser melhores do que Logan e nem ultrapassá-lo qualitativamente.  A questão é: O que eu vou levar para casa?

Fui uma criança que sempre brinquei com os meus bonecos do Homem de Ferro ou do Superman. Ia ao cinema várias vezes ao ano, principalmente nos filmes do Homem-Aranha de Sam Raimi e do Batman de Christopher Nolan. Aquilo me despertava uma emoção que foi evoluindo e amadurecendo junto comigo. A geração (a minha) foi envelhecendo e querendo aventuras com mais seriedade e um leve toque dramático. É normal a necessidade disso, mas ao mesmo tempo, precisamos entender que os filmes de super- heróis não amadurecem como nós. Eles continuam tendo a famosa função de transmitir uma mensagem heroica através de uma batalha entre herói(s) e vilão. Depois de Logan, não é isso que eu quero mais; sair do cinema, assistir três vídeos: “Análise”, “Veredito”, “Crítica” e nunca pensar sobre novamente.

Essas linhas de produção precisam permanecer fazendo o que fazem. Filmes com aquela mensagem infantil e esperançosa. Porém, é realmente necessário parar no tempo? Vamos lá… não é uma discussão de querer se adaptar a um público mais velho (algo que não precisa acontecer), mas tentar fazer filmes que saiam do padrão e surpreendam de alguma forma, ainda mais com a concorrência e a exigência existentes no cinema atual.

A redefinição do gênero, que para alguns com a mesma opinião que a minha, ocorreu em março desse ano, é a prova mais que concreta que está na hora de haver mudanças, pois os longas de heróis vão cair no limbo e na repetição facilmente. Criar e inventar coisas novas. Novos personagens e conceitos que irão despertar a emoção novamente, tanto para mim quanto para os mais novos, e no final de cada filme, seja da Fox, da Marvel Studios, da Sony ou da DC, eu tenha a resposta para a minha pergunta: O que esse filme me deixou?

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GTO | O professor mais foda que você respeita

Em 1997 estreava nas páginas da japonesa Weekly Shōnen Magazine a série Great Teacher Onizuka, criada por Toru Fujisawa. Com serialização entre os anos de 97 e 2002, GTO (abreviação oficial) tornou-se rapidamente um fenômeno cultuado no mundo todo, figurando entre os 40 mangás mais vendidos do Japão. E com uma estreia fenomenal, este clássico da comédia japonesa chega ao Brasil pela NewPOP Editora, com um formato extremamente similar ao japonês e detalhes exclusivos da edição nacional.

Eikichi Onizuka é um personagem recorrente de diversas histórias do mestre Fujisawa. Shonan Junai Gumi e Bad Company foram séries produzidas antes da estreia de GTO, e as duas focavam na vida de Onizuka como um delinquente. A diferença, com a estreia da série que leva seu nome, foi a ideia aplicada: o delinquente Eikichi Onizuka, 22 anos, decide se tornar um professor… com o objetivo de ajudar (no sentido bíblico) alunas mais novas. E a trama se desenrola com foco em Onizuka tentando assumir o autodeclarado posto de “professor mais foda que virará uma lenda.”

Mangás com delinquentes marcaram uma época e quase sempre são sinônimos de boas risadas. Yu Yu Hakusho, Slam Dunk, Diamond is Unbreakable, Tenjō Tenge e tantos outros possuem o mesmo estilo de protagonismo, similar ao modo de agir do professorzinho de GTO. Através do absurdo conceito onde os delinquentes fazem coisas boas, os autores extrapolam suas ideias na comédia, algo que GTO consegue fazer em um nível muito elevado e mais adulto se comparado a outras obras do gênero. Séries do tipo permanecem vivas até hoje, com mangás recentes como Beelzebub, encerrado há poucos anos.

Great Teacher Onizuka apresenta um caráter sexual muito forte, já que a motivação inicial do protagonista é pura e simplesmente pegar garotinhas. Situações absurdas envolvendo os desejos do professor (e outros que o cercam), com uma arte extremamente caprichada e típica dos anos 90, tornam todas as situações da vida de Eikichi muito memoráveis (entenda o que quiser). Os personagens ao seu redor parecem inicialmente rasos e sem muito teor dramático, mas aos poucos as histórias são contadas e até os mal caráteres tornam-se extremamente relacionáveis com o leitor. Em 1998 a obra foi vencedora do Kodansha Manga Award na categoria shōnen.

A edição nacional, recém-lançada pela editora NewPOP, é o formato mais próximo de um volume japonês já publicado no Brasil. Com sobrecapa, papel especial de gramatura mais alta, sem transparência e dimensões quase iguais aos tankos japoneses, GTO é possivelmente um novo parâmetro de qualidade para os produtos nacionais, sendo importante ressaltar que as páginas coloridas apresentadas nesta edição não existem nos volumes do Japão, tendo sido negociadas como um adicional para a versão do Brasil. E apesar da quantidade absurda de textos e detalhes traduzidos em diversos quadros, erros de revisão interna não passaram, tornando o produto ainda mais caprichado.

O mangá foi adaptado em uma série animada entre 1999 e 2000, totalizando 43 epsiódios. Séries de TV e filmes live-action também foram produzidos e elogiados pelos críticos e fãs. Em 2014 Fujisawa deu início a sua nova série GTO: Paradise Lost, na Young Magazine japonesa, que conta com quatro volumes encadernados até o momento, adicionando mais história aos 25 volumes originais de GTO.

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Um dos anúncios mais empolgantes com um acabamento muito relevante para o mercado brasileiro, GTO é até o momento a estreia de mangá mais fantástica de 2017. Com personagens carismáticos, ótimas ilustrações e diversão com emoção a todo instante, a vida de Onizuka como um professor é um clássico obrigatório para a coleção de todos, reforçando a capacidade humorística dos mangakás japoneses.

GTO possui uma média de 192 páginas por volume encadernadas em formato 18 x 12 cm, com sobrecapa resistente, papel especial de alta gramatura e preço de capa R$ 23,90. Os volumes serão lançados bimestralmente, com assinantes e consumidores da loja Anime Hunter recebendo brindes exclusivos como bottons, marca-páginas e postais.

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Nos Domínios da Escuridão | Uma aventura canônica de Star Trek

Star Trek, a genial franquia criada por Gene Roddenberry em 1966, permanece um clássico da ficção-científica e do entretenimento, sendo reinventada constantemente com novos shows e produtos alternativos. Em 2009 a nova franquia cinematográfica dirigida por J. J. Abrams foi iniciada, contando atualmente com uma trilogia e uma série em quadrinhos produzida pela IDW desde 2011, que a Mythos Editora trouxe ao Brasil em um encadernado de luxo que respeita o legado e a mitologia deste universo e entrega histórias muito boas, ágeis e com ótimos diálogos.

A chamada Linha Temporal Kelvin, batizada assim pela CBS, refere-se à cronologia moderna de Star Trek, a linha do tempo que se passa em uma realidade alternativa à do seriado clássico. Kirk, McCoy, Spock, Uhura, Sulu, Chekov e tantos outros personagens existem nesta nova realidade com suas características típicas mantidas, porém com alguns detalhes alterados.

Em 2013 o filme Além da Escuridão estreou nos cinemas, recriando a história do clássico longa A Ira de Khan com diversas alterações, modernizando o conceito para uma nova geração. Nos Domínios da Escuridão, o encadernado lançado no Brasil em comemoração aos 50 anos da série e aqui resenhado, está situado logo após os acontecimentos do segundo filme, onde foram explorados os Klingons, a Seção 31 e a tensão na galáxia com relação aos Romulanos – utilizados no primeiro filme – e seus objetivos escusos.

As histórias apresentadas nesta compilação funcionam como continuações diretas do longa e respeitam não somente as características pré-estabelecidas desta linha temporal como também prestam diversas homenagens ao material clássico. O primeiro arco, focado no ritual vulcano do Pon Farr, é uma recriação do cultuado primeiro episódio da segunda temporada da série clássica, Tempo de Loucura, onde o ritual de acasalamento vulcano é explorado através das necessidades biológicas de Spock. Inserindo a ideia nos acontecimentos desta realidade, o texto de Mike Johnson (Superman, Supergirl) faz com maestria o difícil trabalho de costurar uma trama significativa para os personagens com os acontecimentos paralelos, que descambam em um arco de batalha – física e política – logo após a primeira aventura.

O Spock da Linha Kelvin, é importante ressaltar, não concluiu o ritual do Kolinahr, que visa expurgar todo e qualquer resquício de emoção da mente de um vulcano. Com isso, seu ritual do Pon Farr difere-se significativamente do realizado pelo Spock da Linha Clássica, mantendo as características mais emotivas e quase sexuais deste vulcano. Sua relação com Uhura é mantida, e a Carol Marcus, apresentada no segundo filme, também é utilizada como elenco de apoio.

Se não bastasse a referência direta a este clássico da franquia, em sequência uma história curta traz de volta os répteis humanoides Gorns, vilões conhecidos que surgiram no episódio Arena, décimo oitavo da primeira temporada da série original, onde Kirk protagoniza uma das lutas mais memoráveis (seja lá em qual sentido) de toda sua carreira. Sempre respeitando o cânone e modernizando os conceitos, ideias que se aplicam também às criaturas do universo.

Os desenhos ficam a cargo de Erfan Fajar e Claudia Balboni, que apesar da simplicidade narrativa, entregam uma fidelidade cinematográfica às feições de cada um dos personagens e detalhes dos cenários. Com os acontecimentos descambando para a trama maior, que engloba Klingons, Romulanos, a Seção 31 e a Federação, o grupo de Kirk se vê preso em uma guerra onde três lados lutam por motivos distintos, e a tripulação da Enterprise deve se adequar ao que for acontecendo para salvar quantas vidas estiverem ao seu alcance.

A Seção 31 é uma clássica organização que foge dos padrões éticos da Frota Estelar visando a defesa da Terra, e fora utilizada também como vilões centrais da história de Além da Escuridão. Com isso, todos os acontecimentos destas aventuras (que são canônicas e supervisionadas por Roberto Orci, consultor de tramas) fecham pontas soltas do longa de 2013, complementando a experiência como um universo expandido deve fazer como objetivo primário.

Nos Domínios da Escuridão apresenta o que há de melhor na nova franquia de Star Trek: ação, ótimos diálogos, caracterizações fidedignas ao material original e um visual deslumbrante, sem limitações orçamentárias típicas das séries mais antigas.

O bom material presente nesta compilação faz parte de uma longeva série publicada nos EUA há alguns anos, que com a ajuda do público consumidor brasileiro pode ser trazida pela editora Mythos através de encadernados, enchendo as livrarias com materiais essenciais para os trekkies de plantão, audaciosamente indo onde nenhum quadrinho jamais esteve.

Star Trek: Nos Domínos da Escuridão possui 208 páginas encadernadas em capa dura no formato 26,8 x 17,4 cm, com preço de capa de R$ 79,90.