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Mulher-Maravilha | Conheça Diana Trevor

A passagem de George Pérez pela Mulher-Maravilha, é provavelmente a mais aclamada da personagem. Ele, Len Wein e Greg Potter não apenas reformularam a origem da heroína como também criaram um evento envolvendo os Deuses. Eles expandiram a mitologia da Princesa Amazona e criaram novos conceitos. Um deles, a guerreira que inspirou o nome da nossa heroína: Diana Rockwell Trevor

Sua primeira aparição ocorreu em Mulher-Maravilha #11. Rockwell era uma piloto que se casou com Ulysses Stephen Trevor, os dois tiveram um filho chamado Steve. Sua chegada em Temiscira, é semelhante a de seu filho. Um acidente de avião causado por uma tempestade. Ao chegar na Ilha, ela vê as Amazonas lutando contra a criatura chamada Coto. Sem hesitar, ela atira mas é morta. Elas transformam os símbolos de suas vestes em armas e em um traje que só pode ser usado pela maior das guerreiras. A arma é guardada como o último desafio do torneio das Amazonas: O desafio do Trovão, onde só sairá vitoriosa aquela que defletir mais balas. 

Diana Trevor não é apenas uma grande conexão para explicar a bandeira norte-americana e a águia do traje da Mulher-Maravilha, e sim, uma forma da heroína descobrir a si mesma e suas origens, sendo a ponte entre dois mundos: Deuses e Mortais. O acidente de Steve Trevor também não é mera coincidência e sim, uma obra do destino para aproximar a princesa do soldado. Pérez e Wein criaram uma personagem que consegue esclarecer todas as pontas soltas sobre a Mulher-Maravilha.

O arco Desafio dos Deuses foi recentemente publicado pela Panini no encadernado Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha George Pérez Volume 2. 

Mulher-Maravilha está em cartaz nos cinemas. Confira a nossa crítica do filme, do quadrinho Mulher-Maravilha: Terra Um, e conheça a espada Matadora de Deuses.

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Não era você que eu esperava | Uma história sobre amor e Síndrome de Down

Existem histórias em quadrinhos que emocionam, e outras que emocionam ensinando algo para o leitor. Em sua primeira graphic novel, chamada Não era você que eu esperava, o autor Fabien Toulmé desmistifica e lida com a Síndrome de Down de maneira humana, tocante e muito sincera, com uma verdadeira montanha-russa de emoções.

A grandiosa Editora Nemo, parte do Grupo Editorial Autêntica, possui um catálogo recheado de obras extremamente relevantes para o mercado e principalmente para seus leitores. Pílulas Azuis, de Frederik Peeters, desmitifica os tabus sobre a AIDS. Desconstruindo Una, da artista Una, fala sobre a violência contra a mulher. E com o sincero Não era você que eu esperava, um dos lançamentos de destaque de 2017, a editora mais uma vez acerta ao escolher publicar uma obra, francesa com um pé no Brasil, tão humana e expressiva.

Fabien Toulmé, nascido em Orleans, na França, morava com sua esposa Patrícia em João Pessoa. Brasileira, sua esposa também é mãe de sua primeira filha, Louise, nascida na cidade paraibana. Ao decidirem ter uma segunda criança, que aparentava não necessitar de cuidados especiais durante a gestação, com o nascimento veio à tona uma notícia: Julia, a segunda filha do casal, era trissômica. Popularmente conhecida como a deficiência Síndrome de Down. Já vivendo na França os pais devem aprender sobre a condição de Julia tida como “anormal” por outras pessoas, indo da fúria à rejeição, da aceitação ao amor, e descobrindo se aquela criança não era realmente quem eles esperavam.

O principal adjetivo para esta história é sinceridade. Fabien relata, de forma divertida e preocupada, todos seus medos com relação às possíveis implicações de ter um filho que necessite de atenção especial e que seja diferente de outras crianças. De uma maneira humana, as preocupações e receios tornam-se rapidamente raiva, frustração e profunda tristeza, mergulhando a vida do casal num poço de aprendizado infinito. E sem medo em demonstrar suas falhas e características preconceituosas, como um leigo no assunto, a narrativa (que é autobiográfica) ganha uma camada de realismo que põe o leitor em cheque.

Indignado, como se houvesse levado um fortíssimo soco no estômago, Toulmé deixa clara por muito tempo sua rejeição a sua filha. E quando chega ao estágio da aceitação, você passa a admirar sua coragem por relatar seus sentimentos mais obscuros, através de sua arte com traços simples e cores que ajudam a demonstrar o que o artista sentia em cada período da vida de Julia, que além de possuir a deficiência, também nasceu com uma complicação cardíaca que devia ser tratada ao completar de um ano após o seu nascimento.

O autor narra todo este período delicado dos primeiros anos de Julia de forma muito bem-humorada. Caprichando nas referências, mostrando os acontecimentos mais absurdos e principalmente lidando com a enorme mudança social e psicológica na vida do casal, a história é cheia de passagens engraçadas que proporcionam à leitura uma leveza especial mesmo tratando de algo que, para muitos, é um tabu da sociedade. E ao aprender mais sobre a condição de sua filha, o pai babão também passa muito conhecimento aos leitores ao demonstrar que a famosa trissomia do 21 é algo que, por mais baixas as chances de existir, deve ser tratada sempre com normalidade e respeito.

É impensável o que um pai deve sentir quando posto numa situação tão delicada e inesperada, e esta história lida com isso com maestria. Ao mostrar a perspectiva de outras pessoas, como médicos, parentes e amigos, Fabien torna este diário em quadrinhos do nascimento de sua filha um verdadeiro presente especial.

E através da convivência com Julia, é nítida a sensação de que este pai tornou-se outro tipo de pessoa. Pois Julia podia não ser o que esperava, mas com certeza trouxe a maior felicidade do mundo por ter vindo.

Não era você que eu esperava possui 256 páginas encadernadas em formato 17 x 24 cm, e é um dos fortes candidatos ao topo das listas de melhores lançamentos de 2017. O preço de capa sugerido é R$ 59,80.

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Asgard vs Shi’ar | Quando Star Wars encontra O Senhor dos Anéis

Imagine a possibilidade de ver os aliens de Star Wars se encontrarem com o povo da Terra Média de O Senhor dos Anéis. Visualize um encontro em que acontece um embate entre ficção científica e fantasia. É exatamente isso que é Asgard vs Shi’ar.

Asgard vs Shi’ar é o nome do arco que se passa entre as edições #15-19 do título The Mighty Thor da Marvel Comics. O roteiro é de Jason Aaron e a arte é de Rusell Dauterman e Matt Wilson.

The Mighty Thor #17

Com a sombra de uma guerra entre os Reinos da Árvore dos Mundos, os Asgardianos, de repente, se encontram em uma guerra contra o Império Shi’ar. A história já começa com Kallark, o Gladiador, surrando o Heimdall  e liderando a Guarda Imperial dos Shi’ar em um invasão a  Asgard em busca da Thor (Jane Foster) sem nenhum motivo aparente. Porém, no decorrer da história é revelado o motivo que levou a Guarda Shi’ar invadir o lar dos Deuses Aesir, e envolve Sharra e K’ythri, os Deuses do Império Shi’ar.

O altruísmo de Jane Foster sendo uma heroína que abdica de sua própria vida para ter o poder do trovão e se tornar a Deusa do Trovão para ajudar quem precisa fez com que ela se tornasse uma das maiores divindades do Universo. Não contentes com isso, Sharra e K’ythri decidem enfrentar a nova Deusa em um Desafio dos Deuses para testar a dignidade da Thor.

Sharra e K’ythri

Um aspecto bastante interessante da caracterização das divindades Shi’ar envolve um estereótipo de Deuses antigos que só se preocupam em ser adorados e não em ouvir as preces de seus devotos. Com Sharra e K’ythri, Jason Aaron retoma a abordagem sobre a dignidade dos Deuses que o escritor começou a desenvolver no arco O Carniceiros dos Deuses, lançado em Thor: God of Thunder #1-5, e ainda é tema na minissérie The Unworthy Thor com o Thor Odinson como protagonista. Na história, a personalidade dos Deuses Shi’ar contrasta com a da Thor, fazendo com que se torne um embate entre Deuses da Antiguidade vs Deusa Contemporânea.

Asgardianos marchando para a Guerra contra os Shi’ar

Enquanto o Desafio dos Deuses acontece, os Asgardianos não estão nada felizes de terem sido atacados pelo Império Shi’ar.  Sif e Cul organizam uma frente Asgardiana para guerrear contra os Shi’ar e resgatar a Thor, e, atravessando as galáxias em Drakkars, a guerra de Asgard vs Shi’ar começa.

É preciso dar uma pausa na trama para falar da arte magnífica de Russell Dauterman e Matt Wilson. A dupla responsável pela parte visual da história entrega um show estrondoso de batalhas épicas, expressões furiosas, cores berrantes, onomatopeias potentes, navios vikings no espaço, espaçonaves super tecnológicas e muito mais. O desempenho de Dauterman neste arco é um dos melhores trabalhos do desenhista desde que ele começou a desenhar Thor.

Shi’ar vs Asgardianos

Retomando a trama. Como se não bastasse enfrentar os Shi’ar, um novo desafio surge para a Thor e os Asgardianos: A Fênix, pulverizando tudo em seu caminho. Quando a Thor já não é mais suficiente para lidar com uma ameaça de magnitude cósmica é o momento de Quentin Quire, o maior rebelde mutante e futuro hospedeiro da Fênix, e Odinson aparecerem para ajudar a Deusa do Trovão. No embate contra a Fênix, com direito a uma luta psíquica na Sala Incandescente, os desafios da Thor tomam proporções épicas e, diante de uma experiência de quase morte, Jane Foster revê seus conceitos sobre como lutar a sua batalha contra o câncer e evitar uma Guerra entre os Reinos.

Quentin Quire

Algo a ser destacado sobre o desenvolvimento da história é referente a Jason Aaron ter retomado elementos das histórias de Wolverine e os X-Men e Thor: Deus do Trovão. Aaron traz elementos de sua fase em X-Men para desenvolver o Império Shi’ar e suas divindades e ainda insere na história Quentin Quire e sua relação com a Fênix. O escritor também retoma elementos de Thor: Deus do Trovão, pois traz de volta o questionamento sobre a dignidade dos Deuses e faz menções a acontecimentos envolvendo Gorr, o Carniceiro dos Deuses.

The Mighty Thor #19

Asgard vs Shi’ar encerra com novas questões deixadas em aberto para serem desenvolvidas futuramente na saga da Thor. O resultado final da trama foi um encontro épico entre ficção científica e fantasia. Repleto de frases de efeito, questionamentos filosóficos, cores magníficas, batalhas épicas e a maior a lição a se tirar da Thor: mesmo que pareça impossível vencer, apenas lute. Quem ainda não simpatizou com a Thor, com certeza, começara a amar a personagem a partir dessa história.

 

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Você não precisa exigir demais dos filmes de super-heróis

O princípio de ir ao cinema é querer a diversão, e os filmes de super-heróis na maioria dos casos proporcionam muita diversão, ou propõem algum tipo de reflexão ou inspiração. Entretanto, alguns consumidores exigem um padrão de qualidade absurdo desse tipo de filme. E será que deveria ser assim? Todos os filmes de super-heróis precisam ser obras-primas, ou algumas pessoas só estão ficando mais chatas conforme o tempo passa?

Existe uma frase máxima que diz: “Quando você vai consumir um produto com má vontade, você não irá gostar daquilo, mesmo que diga estar se esforçando.” Esta frase se encaixa em diversos contextos, desde o leitor de gibis até o consumidor de cinema, passando pelo fã de séries ou de música. É claro que todos devemos exigir um padrão de qualidade satisfatório para aquilo que gostamos, mas para algumas pessoas este padrão alcançou níveis inalcançáveis.

É comum, ao serem apresentadas para obras de uma qualidade acima da média, algumas pessoas passarem a desgostar de tudo que seja minimamente inferior (em quesitos técnicos ou não) àquela outra obra. E nisso, surgem pérolas como “este filme não é um Cavaleiro das Trevas, então não é tão bom“, girando uma roda de amargura infinita que aos poucos contamina a todos. Filmes de super-heróis não precisam ser obras-primas em 100% dos casos.

Digo isso baseando-me primeiramente no material de referência para tais filmes. Os quadrinhos, apesar de exceções que são verdadeiras perfeições, normalmente apresentam histórias consumidas como passatempo, feitas para entreter jovens e adultos que desejam sair um pouco da realidade e acompanhar aqueles personagens fictícios. E quase todos os filmes de super-heróis também são assim: você consome como um passatempo. Vai ao cinema, se diverte e fica tudo bem. Suspensão de descrença, como todos devem saber, refere-se à vontade de um leitor ou espectador de aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias. E o mundo fictício dos super-heróis é todo baseado nisso.

Se você começa a exigir demais de certos entretenimentos, a qualidade não irá melhorar milagrosamente. Primeiramente, porque você é um ninguém, já que está dando seu dinheiro para um produto que já sabe que não irá gostar. O que vai acontecer é você se tornar um verdadeiro chato, onde nada lhe entretém. E você passará sua vida remoendo as “insuperáveis obras clássicas da humanidade”, reclamando de efeitos especiais (em filmes onde personagens precisam voar e soltar raios), dos vilões (vindos de uma mídia onde eles fazem diálogos expositivos com seus planos) ou de seríssimas incongruências como a existência de um índio americano num filme de Primeira Guerra Mundial… onde existem amazonas e deuses do Olimpo. Que absurdo! Quero meu dinheiro de volta!

Se você chegou ao triste ponto de procurar pelo em ovo para manter sua postura de reclamão, acredite quando digo que você é um dos piores tipos de consumidor. Entra em incríveis debates com outras pessoas que, ilogicamente, gostaram daquilo que você odeia. Tenta criar argumentos e questões para convencer os outros de que aquilo que eles gostam é um lixo tóxico. E nada muda, é só você lamentavelmente tentando criar mais ódio baseado na sua “experiência” e não aceitando a opinião do fã que se entreteve. E isso também vale para o sentido oposto, apesar de ser uma atitude menos comum.

É claro que gosto é algo que não se discute. Você pode não gostar, eu posso gostar, e a vida segue. O problema é quando o gosto torna-se um problema, já que ninguém sabe conviver com pessoas que discordam da sua opinião super embasada. Mas não estamos falando de gosto pessoal aqui, e sim de uma postura que visa sempre não gostar das coisas.

Aparentemente todas as pessoas também estão virando críticos profissionais de cinema. Mas a verdade é que quase ninguém é. É difícil simplesmente gostar ou não de algo sem tentar justificar expondo falhas técnicas ou estruturais das quais você nem sabe do que está falando. Principalmente se a pessoa, supostamente, tiver alguma influência nas mídias sociais, como um site ou canal de YouTube. E argumentos como “o filme te trata como burro” são risíveis por um lado, e extremamente tristes por outro, deixando pré-definido que o inteligentão é muito superior ao pobre burrinho que adorou ir ao cinema. E as vezes, a pessoa que não entendeu é o tal inteligente, que deixou passar um simples diálogo que explica uma situação.

É importante lembrar: você pode ir ao cinema de forma descompromissada. Assim como você pode ler um quadrinho, assistir uma série ou ouvir uma música só pelo entretenimento da coisa. Ninguém precisa ser um crítico expert em todos os assuntos, nem precisa justificar nada de forma super embasada. Divirta-se, acima de tudo. E se você vai consumir algo com má vontade ou exigindo um padrão de qualidade elevado, faça um favor para si mesmo e nem perca seu tempo. É uma dica muito útil que estou dando, já que você poderá economizar dinheiro e também utilizar as horas perdidas fazendo algo mais inteligente e proveitoso. Quem sabe?

Garanto que uma pessoa que gostou de algo não quer saber sua opinião que tenta fazê-la desgostar daquilo. E nem está interessada em ouvir supostas falhas. Ela está satisfeita. Dificilmente você mudará isso, Sr. Entendido.

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O FX vem se tornando o melhor canal de séries

Enquanto os fãs de séries ficam brigando entre HBO e Netflix para ver quem tem as melhores produções (que com certeza não é a Netflix), o canal FX vem comendo pelas beiradas e nos entregando excelentes seriados que ultrapassam o nível da maioria das produções das já citadas empresas.

The Sopranos (HBO) e House of Cards (Netflix)

É claro que a HBO nos presentou com The Sopranos e The Wire, as duas melhores séries já feitas, mas o canal tem que aprender a se renovar e nos apresentar coisas novas. Por anos o canal tem vivido às custas de Game of Thrones, e infelizmente o publico também, esquecendo séries como The Leftovers. Ok que em 2016 o canal nos trouxe Westworld, The Night Of e The Young Pope, mas só a primeira chamou a atenção do público geral. Não podemos esquecer também da primeira temporada de True Detective (2014), que é uma obra prima.

Na Netflix já é o contrario. O serviço de streaming traz muitas séries com temas importantes, porém a maioria delas são bem abaixo da média. As séries da Netflix sempre fazem barulho nas redes sociais. Produções como 13 Reasons Why e Dear White People, por semanas ficaram como assuntos principais na Internet. Porém ambas são séries bem medianas. Com Stranger Things, que apesar de ser uma série muito boa, gerou uma enorme “babação de ovo” em cima dos astros mirins. Se os moleques respiravam, 500 sites comentavam sobre isso. House of Cards continua reinando como a melhor série do serviço de streaming, mas agora com retorno da mesma para a quinta temporada, pouco se comentou sobre ela nas redes sociais.

O critico Tiago Belotti, do canal Meus 2 Centavos, comentou em seu vídeo sobre a série Dear White People, que “importância temática não é sinônimo de qualidade”, e é exatamente isso que eu acho da maioria das séries da Netflix, e que o publico deveria saber.

The Shield, Sons of Anarchy e American Horror Story

Agora vamos ao canal FX.

Apesar de nos trazer boas séries desde o inicio do ano 2000, com The Shield, foi só em 2008 que o FX começou a chamar a atenção do público com a maravilhosa Sons of Anarchy. A série criada por Kurt Sutter sobre o clube de motoqueiros desnaturados nos trouxe ótimas cenas de ação equilibradas com um drama sobre irmandade e lealdade, que conquistou milhares de fãs pelo mundo. E falando em conquistar fãs, o canal também exibe American Horror Story, que apesar de não ser totalmente perfeita, sempre traz uma ótima audiência.

O canal também é dono das excelentes Fargo e The Americans, duas das melhores séries da televisão atual.

American Crime Story e Atlanta

Em 2016 fomos presenteados com American Crime Story e Atlanta, sendo que ambas arrecadaram uma enorme quantidade de prêmios. Também em 2016, Ryan Murphy reassumiu o controle de American Horror Story e nos entregou uma excelente trama de suspense que não víamos na série desde a segunda temporada, Asylum.

E o FX não para por ai. Só no início de 2017 já fomos presentados com Taboo, Legion e Feud, essa ultima forte candidata nas premiações deste ano. Além do quinto ano de The Americans e o terceiro de Fargo, que passou por um hiato em 2016.

Taboo, Legion e Feud

Claro que o FX também não é de ferro, The Bastard Executioner e The Strain estão aí para provar isso.

Para o futuro, a adaptação da HQ, Y – O Último Homem e o spin-off de Sons of Anarchy, Mayans MC, estão nos planos do canal.

Com uma quantidade de séries de boa qualidade acima da média de outros canais e serviços, o FX se destaca por deixar seus autores contarem suas próprias histórias, seja de um casal russo espionando nos Estados Unidos ou de uma comédia de erros com situações inimagináveis.

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Análise | Tekken 7

Tekken 7 é o mais novo jogo da saga Tekken, publicado pela Bandai Namco Entertainment. Ele será o nono jogo da série e também será o primeiro a utilizar o motor Unreal EngIne 4.

Durante seu período de desenvolvimento o produtor Katsuhiro Harada afirmou em algumas entrevistas que esse jogo seria mais sombrio do que nunca, com o tom próximo ao aclamado Tekken 4 e que serviria como uma conclusão da saga Mishima.

Podemos de dizer que o jogo que vamos debater é sem dúvida um verdadeiro Tekken.

Sim! Esse Tekken ainda é Tekken. Chutar seus adversários ainda te faz se sentir bem, os Mishimas continuam se digladiando entre penhascos, tudo parece estar certo com o mundo de Tekken. Mas para ser sincero a curva de aprendizagem do jogo é bem simples e facilmente você vai entender os comandos de praticamente todos os personagens, o que vai deixar você jogador casual feliz, mas ao decorrer de 100 lutas o tédio pode te alcançar. Mas você pode esperar muito mais do que simplesmente lutas em um jogo moderno desse estilo, e é aí que Tekken 7 prospera.

Vamos falar sobre o modo história primeiro. Se você jogou Injustice 2, você estará recém-ciente de que os jogos de luta podem contar histórias ao mesmo tempo que tecem combates de proporções grandiosas. O modo de história de Tekken 7, em comparação, não é tão bom. Ela veio com um propósito que foi providenciar algumas respostas entre os conflitos de Heihachi Mishima, Kazuya Mishima,Jin Kazama, e outros mistérios da história do universo Tekken. A Saga Mishima começa como uma lição de história, levando o jogador de volta aos dias de glória da Série quando Heihachi educou seu filho Kazuya de uma maneira um tanto quanto peculiar. Porque o que não te mata, o faz mais forte. Esse é o lugar perfeito para ser o ponto de partida de uma história feita para os amantes de Tekken. Aprender exatamente como a família Mishima se separou é uma perspectiva tentadora, mas acaba sendo mal implementada o que afasta um pouco o jogador. A história fica com alguns nós sem pontas, uma falta de sequência narrativa e uns personagens desnecessários, e os grandes revelam-se sem aprofundamento emocional. O modo história é normalmente o que cativa o jogador, é o que apresenta o jogo por completo para melhorar a experiência, mas, em vez disso, terminar o modo história em Tekken é uma tarefa árdua e pouco proveitosa.

A parte de luta da história é ao mesmo tempo muito divertido e muito maçante. Muitas batalhas ocorrem contra o mesmo personagem várias vezes, e se você perder uma vez que você começa a seção novamente. O jogo tenta aliviar a dificuldade através da adição de modificadores que permitem movimentos especiais, algo como um spam. Em vez de entender como o Tekken funciona, você faz seu caminho através de golpes especiais que você nunca aprende como utiliza-lo corretamente. Essa pode ter sido uma decisão terrível para a série e para o sistema de combate, mas independente de tudo isso, vale a pena finalizar o modo para conquistar os troféus incrivelmente fáceis que acompanham essas lutas. Além disso, a Saga Mishima é um jeito estranho de dar sequência para a história.

Os novos personagens apenas se apresentam, desperdiçando uma ótima oportunidade para incorporá-los na mitologia de Tekken. Em vez disso, você desbloqueia histórias de personagens individuais, que são rápidas e sem aprofundamento, onde você pode jogar separadamente. Essas missões são simplistas, e fazem com que as motivações dos personagens pareçam completamente fantasiosas e utópicas. Tekken é uma série alegre e autodepreciativa, essas coisas poderiam ter adicionado alguma legibilidade muito necessária para a Saga Mishima. E nada disso é uma sugestão para você esquecer o modo história. Se você quer um jogo de luta, é o que temos aqui, independente de profundidade de personagens ou coisas parecidas.

Sem classificá-los individualmente, a seleção de novos personagens é imaginativa e generosa. Lucky Chloe e Kazumi Mishima são os destaques, trazendo a mistura correta de estranheza e ameaça, mas a maioria das novas adições se sente como um ajuste natural para um jogo que prospera em adicionar lutadores totalmente diferentes. Akuma também trabalha em seu entorno, mesmo que pareça tímido em comparação com os outros lutadores mais conhecidos de Tekken. No geral, o saldo da lista é ótimo. A maioria dos favoritos da série fazendo um retorno, e se você já jogou um jogo Tekken, você encontrará algum lutador com o qual você se sente confortável. É uma pena, no entanto, que Lei Wulong não tenha sido adicionado. A preocupação vem pela ausência de Ganryu, mas nada que atrapalhe o jogo como um todo.

Tekken 7 é um jogo que incentiva você a se divertir. Está cheio de turnos de impulso selvagens e lutas audaciosas e cinematográficas, adequadas tanto para novatos como para veteranos. É menos técnico do que algo como Street Fighter, mas também é mais agressivo gratificante. Enquanto o Street Fighter o castiga por pressionar os botões, Tekken está feliz em deixar você jogar alguns jabs de teste, aprender o que seu oponente fará e reagir de acordo. Há momentos em que você se sente superado e impotente, mas eles são eclipsados pelos momentos em que você se sente empoderado.

Ao ficar entusiasmado com os principais sistemas à custa de tudo novo, é sentido que comemorar um jogo por apenas evoluir nos últimos 20 anos, mas Tekken sempre foi tão bom. É muito melhor está jogando do que conversar ou discutir sobre ele. Mas, apesar disso, há um pouco de tristeza sobre Tekken 7. Ao tentar competir com os modernos beat-em-ups, é simultaneamente mais e menos do que era nos jogos anteriores, e o fracasso das novas adições se mostra chato quando comparado aos modernos jogos de luta. Esta pode ser a última chance de entrada no mercado que Tekken terá para negociar com os jogadores, através de um sistema de luta alegre, mas por enquanto estou feliz em apreciá-lo pelo que é: um jogo de luta poderoso, gratificante e profundamente cinematográfico.

VEREDITO:

Apesar de alguns erros narrativos, o Tekken 7 ainda é uma experiência atraente e emocionante. Encontre o parceiro de sparring certo e irá entretê-lo por um bom tempo.

Até agora, o louvor para Tekken 7 não foi como esperado. Apesar do modo de história instável, Tekken ainda é incrível de ser jogado. E realmente um jogo para se “sentir”, de uma forma que a maioria dos beat-em-ups não fazem. A jogabilidade bem fluida ajuda no gameplay, você pode estudar seu adversário e ganhar um round, mas pode sofrer uma derrota esmagadora no próximo.

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Mulher-Maravilha | Conheça a Matadora de Deuses

Mulher-Maravilha finalmente chegou aos cinemas e é um tremendo sucesso de público e crítica. Um dos elementos mais importantes do filme é a espada Matadora de Deuses, mas ela não foi criada para o filme. Ela surgiu nos quadrinhos do Exterminador. Como assim? Explicarei detalhe por detalhe e farei algumas comparações com a versão do filme, contendo alguns spoilers.

Nos quadrinhos

O objeto surgiu durante a fase de Tony Daniel pelo Exterminador. Após voltar a ter uma aparência mais jovem, Hefesto contrata Slade para matar Jápeto, um titã que ameaça o Panteão. Para cumprir tal tarefa, ele precisa usar uma espada chamada Matadora de Deuses. Forjada por Hefesto, age como se estivesse viva, nem todos podem controlá-la. Ela tem uma vontade insaciável por sangue e morte, com a possibilidade de controlar quem a está usando. Ela também pode se adaptar conforme a batalha, dividindo-se em duas ou se tornando um bastão. Seu poder pode permitir contato com o ferreiro.

A arma apareceu na edição #7 do Exterminador do DCYou. O arco envolvendo a espada, tem participações especiais de Mulher-Maravilha e Superman. A história já foi publicada no Brasil pela editora Panini no encadernado Exterminador: O Assassino de Deuses.

No filme

SPOILERS A SEGUIR

No filme solo da Princesa Amazona, a espada foi feita também com um objetivo de matar um Deus: Ares. As Amazonas juraram que ele retornaria, e quando este momento chegasse, a maior das guerreiras a empunharia. E é esta a história que inspira a Diana do filme a se tornar a maior das guerreiras, título então ocupado por Antíope. Depois de Steve Trevor contar sobre a guerra que assola o Mundo dos Homens, ela acredita que Ares é o responsável por isso e deixa Temiscira, roubando a espada e o traje de guerreira. Precipitadamente, a Mulher-Maravilha mata o General Ludendorff pensando que ele era o Deus da Guerra. 

Quando a verdadeira identidade de Ares é revelada, nós descobrimos que a espada nada mais é do que uma farsa e que a verdadeira Matadora de Deuses é a Princesa Amazona

Comparações

Ambas foram criadas com propósitos semelhantes mas com alvos diferentes. O visual dos quadrinhos é muito mais exagerado em relação a versão cinematográfica. Slade Wilson é o portador da arma das HQ’s, no filme, Diana. A versão das telonas estabelece a espada como uma farsa inventada por Hipólita para proteger sua filha da verdade, assim como é feito em inúmeras de suas origens, mas de forma diferente. A das páginas, como uma arma letal no sentido literal.

Mulher-Maravilha já está em cartaz e você pode conferir a nossa crítica do filme aqui. Você também pode conferir a resenha do quadrinho Mulher-Maravilha: Terra Um aqui.

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Crítica | Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha, dirigido por Patty Jenkins, é o filme solo que a heroína deveria e merecia ter. Bem conduzido com ótimas atuações, cenas de ação magníficas e um roteiro simples e eficiente em que se propõe. Se para alguns faltava otimismo e esperança para o universo cinematográfico da DC nos cinemas, esse é o caminho que deve ser seguido.

Gal Gadot foi uma escolha polêmica dentre várias outras no elenco de Batman v Superman: A Origem da Justiça (2016). Passado mais de um ano, percebe-se uma mudança drástica na opinião da crítica e do público. Além de ser um dos destaques do filme de 2016, ela consegue se superar em seu filme solo. A atriz tinha uma missão muito importante em mãos: demonstrar a força feminina nos cinemas como nunca visto antes. E ela conseguiu. Uma atuação impecável com momentos de brilharem os olhos fazem Gal Gadot ser a Mulher-Maravilha que a nossa geração necessitava.

O roteiro é eficiente em trazer uma mensagem sobre paz, fraternidade e conflitos. Uma história que se passa na Primeira Guerra Mundial, mas que parece ser muito contemporânea. A delicadeza em que a heroína é colocada vai sendo moldada no desenvolvimento do longa até o resultado final: amadurecimento da personagem. Tendo sua visão própria de si mesma e das questões humanitárias.

Mas não é só de guerra que Mulher-Maravilha se sustenta. O primeiro ato, focado totalmente em contar a origem da personagem, se passa em Temiscira. Um espetáculo estético, tanto na fotografia quanto nas coreografias. Robin Wright (Antiope) e Connie Nielsen (Hipólita) praticamente conduzem sozinhas o roteiro nessa primeira parte. Os holofotes são alternados com a chegada de Steve Trevor, interpretado por Chris Pine.

Pine é um ótimo ator. Sabe equilibrar as emoções do seu personagem, que é muito relevante nas histórias em quadrinhos. Steve Trevor é bastante requisitado como alívio cômico, mas tem os momentos mais emocionantes e decisivos na narrativa.

Em toda história de super-herói, precisamos de um vilão. E aqui nós temos três. Ludendorff, Dr. Maru e Ares. Os dois primeiros são bastante dispensáveis, mal desenvolvidos e que acabam mais servindo como ponte para Ares do que outra coisa. Ares só participa do ato final e visualmente ficou incrível, seus diálogos com a Mulher-Maravilha são interessantes e necessários para o seu estabelecimento como antagonista principal. Porém, a batalha final poderia ser um pouco mais contida e não sair explodindo qualquer coisa para preencher a telona. São detalhes que poderiam ser evitados, mas que não prejudicam em nada.

Finalmente tivemos um filme solo de uma heroína. Mulher-Maravilha demonstra a força feminina, o otimismo e o carisma que tem o universo DC no cinema. Uma obra que nunca será esquecida, não só pela sua qualidade cinematográfica, mas também por suas mensagens e lições deixadas para nós. Só nos basta aceitá-las.

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Inuyashiki | A chocante sociedade japonesa retratada na ficção científica

Hiroya Oku é um autor controverso. Após 13 anos escrevendo e desenhando sua série mais longeva, Gantz, com a criação de Inuyashiki em 2014 o mangaká parece ter encontrado novos ares para sua habilidade primária: criar histórias de ficção-científica com algum valor moral, abordando aspectos da sociedade japonesa moderna através da violência típica de suas obras, com um visual extremamente realístico e cenas chocantes.

Em 1999 Oku lançou sua primeira obra com um pé no sci-fi. Zero One era uma história sobre um torneio de videogame, e o sucesso não foi alcançado como em sua série prévia de comédia romântica, Hen. Apesar do fracasso o autor iniciou em seguida sua mais duradoura e bem-sucedida publicação, Gantz, que rende frutos até hoje e através de uma narrativa louca, violenta e chocante, tornou-se um dos seinen mais marcantes dos quadrinhos japoneses.

Um dos aspectos de Gantz era, no meio da violência, sexo e alienígenas bizarros, tecer críticas à forma de viver dos seres humanos. Abordando a superficialidade do coletivo, preconceito e até mesmo falando sobre o papel da mulher no mundo (da forma mais rasa possível, mas está lá), as camadas mais “profundas” do mangá perdiam-se no meio de robôs gigantes e roupas coladas, com muitos peitos e bundas.

Com o fim da série em 2013, Oku levou um ano para bolar o que, aparentemente, é sua obra mais intelectual, sem deixar perder sua assinatura e estilo que ficaram marcados no universo de Gantz. Inuyashiki veio ao mundo nas páginas da revista Evening japonesa e agora alcança as bancas do Brasil em volumes bimestrais publicados pela editora Panini.

Inuyashiki possui uma premissa semelhante a de Parasyte (Kiseijuu), mangá de Hitoshi Iwaaki publicado no Brasil pela Editora JBC. A história é centrada em Ichiro Inuyashiki, um senhor de 58 anos que aparenta ser muito mais velho. Sua família não dá muita bola pra ele e constantemente o desrespeita, e no meio de sua vida infeliz, Ichiro descobre estar com um câncer terminal. Rodeado em desgraça, o senhor acaba por se envolver em um acontecimento que altera sua perspectiva da realidade: ele é transformado num ciborgue. E daí pra frente, a vida de Inuyashiki muda de forma radical.

Oku parece possuir uma missão com este mangá. Todo o primeiro volume é centrado quase que exclusivamente em criticar os aspectos mais deploráveis da sociedade japonesa moderna, que vão desde a marginalização dos jovens até o desrespeito e falta de empatia pelos mais velhos. Os idosos do Japão são desprezados, ignorados e solitários, enquanto as pessoas mais novas agem de forma egoísta, instável e passional. As críticas sociais, típicas de qualquer boa ficção científica, misturam-se com a vontade de Ichiro ao passar por esta experiência com “seres alienígenas” que mudaram seu corpo: tornar-se uma espécie de justiceiro, um super-herói que faz o bem para a humanidade, agindo onde ninguém mais parece enxergar os problemas.

Obviamente, surge também um possível antagonista que passou por essa “experiência” ao lado de Ichiro e tornou-se um psicopata assassino.

O autor pesa a mão na dramaticidade, algo extremamente necessário para uma história que toca em assuntos tão delicados. O objetivo aqui é chocar o leitor, propor uma reflexão que se aplica também ao nosso dia-a-dia, e tentar expandir a visão de mundo dos leitores, criando paralelos entre a personalidade do leitor com algum dos personagens secundários, cheios de falhas de caráter e vivendo suas vidas das formas mais comuns e desprezíveis.

A semelhança com Parasyte é traçada no modo em que a trama é abordada. De forma similar, os protagonistas passam por um de contato alienígena que os torna super poderosos, e tentam agir para o bem da sociedade. Da mesma forma, outra pessoa (no caso da obra de Iwaaki, outras) passa pela mesma mudança, e vai para o lado oposto. E no meio disso, as questões sociais, políticas e reflexivas são abordadas, com choques culturais e um texto sofisticado em ambos os casos.

Deixando de lado o principal atrativo, que é sua temática, Inuyashiki também é um mangá lindamente ilustrado. Oku-sensei refinou seu traço ao longo dos treze anos de Gantz, tornando-o ainda mais realístico, bem detalhado e fluido, com uma movimentação única que poucos profissionais conseguem retratar com clareza. A beleza da arte também contribui para a imersão, visto que este mundo é extremamente similar ao nosso, facilitando o reconhecimento e potencializando a mensagem que deve ser passada.

O mangaká também brinca com a metalinguagem, inserindo outros mangás na narrativa, tornando este mundo teoricamente fictício algo verdadeiramente inserido na realidade, um perfeito retrato do nosso mundo quando somado ao seu já citado belíssimo traço.

E apesar da narrativa mais calma, com capítulos cadenciados de forma bem amena, rapidamente o passar das páginas torna-se algo frenético, com ação e cenas marcantes, misturando emoção e repulsa pelos acontecimentos. Este desenrolar é típico dos mangás de Oku-sensei, que deixam o leitor empolgado e curioso para saber o que acontecerá em seguida. E ao contrário de Gantz, aqui ele não deve se perder na aventura, já que o final da obra está programado para setembro, quando o décimo e último volume da série será lançado no Japão.

Inuyashiki é tudo de bom que o gênero da ficção científica tem a oferecer. Apesar do currículo estranho de seu autor (ele mesmo brinca com isso), a obra parece vir para acrescentar algo ao mercado, unindo-se aos outros ótimos mangás com premissas mais reflexivas, como Assassination Classroom – que é uma crítica ao sistema de ensino – e Arakawa Under The Bridge, que fala sobre a aceitação do diferente na comunidade.

E sendo outro ótimo candidato ao posto de melhor mangá do ano, a obra de Hiroya Oku também acrescenta qualidade ao mercado, que passa atualmente por um belíssimo momento onde verdadeiros clássicos e novos-clássicos enchem as prateleiras de bancas e livrarias de todo o Brasil. A edição também conta com um belo glossário em suas páginas finais, que explica as referências e termos utilizados ao longo das 204 páginas do primeiro volume, que assim como a edição japonesa, possui um efeito holográfico especial em sua capa. Um capricho editorial respeitável, que faz valer cada centavo dos R$ 13,90 cobrados.

Recentemente o estúdio MAPPA anunciou que adaptará a obra para um anime, além de haver um filme live-action programado para 2018.

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Estudante de Medicina | Quadrinho nacional de qualidade

A Editora Veneta vem publicando há algum tempo quadrinhos autorais e alternativos, produzidos por artistas brasileiros, que são obras de excelente qualidade e podem dar aquela curva acentuada para quem quer sair um pouco do esquema super-heróis e/ou criaturas fantásticas.

Um desses quadrinhos é o elogiado Estudante de Medicina, primeiro álbum da Cynthia B., onde ela conta a sua trajetória de sete anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais tradicionais e concorrida faculdades do Brasil. E suas desventuras durante esse período estão na história.

Cynthia é hoje uma das principais figuras femininas dos quadrinhos brasileiros. Já publicou tiras na Folha de S. Paulo, na revista Piauí e criou fanzines como Golden Shower e Pintinho. Na HQ ela mostra que como qualquer outro estudante está empolgada para as aulas começarem, mas logo percebe que não é bem assim que funciona, e que a faculdade, mesmo sendo brasileira, segue a tradicional ideologia de filmes americanos, de festas e bebedeiras no final de semana. Algo que nem sempre é uma boa ideia.

Lidar com uma nova realidade, novas responsabilidades, amizades, relacionamento com a mãe e novos hábitos não tão saudáveis assim, não é algo tão fácil. E deixar seus medos de lado e ignorá-los pode se tornar uma bola de neve no futuro.

Estudante de Medicina toca em diversos assuntos de uma fora sincera e sem muitos rodeios, como o aborto, sexo casual, bebedeiras, festas e dilemas existenciais. Cynthia B. não deixa de expor o que pensa, mas tudo de uma forma franca e bem-humorada. Ele tem cenas estranhas, que fazem rir de algo que pode acontecer no nosso cotidiano e ainda traz informações didáticas. É um álbum totalmente indicado para quem gosta de quadrinhos.

Estudante de Medicina, tem 176 páginas todas em preto e branco, encadernadas com acabamento brochura em formato 17 x 24 cm, e foi lançado simultaneamente no Brasil e na França. Você pode adquirir seu exemplar clicando no banner abaixo.