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Químico da USP analisa a ciência em Dr. STONE: Episódio 1

Eu sempre soube que, algum dia, todos os anos dedicados em minha graduação serviriam para algo. E esse dia chegou. Começaremos por introduções: O redator que vos digita é graduando em Bacharelado em Química com ênfase em Química Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), como aponta a minha biografia (que você pode conferir no final do texto). Também, como um cara que atualmente trabalha no setor educacional, tenho contato diário com as outras ciências.

Dr. STONE é um dos mangás de maior sucesso na Shonen Jump atual (é publicado no Brasil pela Editora Panini), e a inevitável adaptação em animê foi ao ar no começo de julho. A sinopse do show, retirada do site da Crunchyroll, que possui os direitos de exibição e simulcast do animê no Brasil, segue:

Milhares de anos após um misterioso fenômeno transformar a humanidade inteira em pedra, desperta um garoto extraordinariamente inteligente e motivado pela ciência – Senku Ishigami. Diante de um mundo de pedra e do colapso generalizado da civilização, Senku decide usar sua mente para reconstruir o mundo. Ao lado de Taiju Oki, seu amigo de infância absurdamente forte, eles começam a reestabelecer a civilização do zero… Representando os dois milhões de anos da história da ciência, desde a Idade da Pedra até os dias atuais, esta aventura científica sem precedentes está prestes a começar!

Claro que com a difusão da obra por conta do animê, surgiram diversas discussões sobre a credibilidade e/ou exatidão dos então chamados de “conhecimentos científicos” do protagonista, Senku Ishigami. Não é essa a discussão que eu quero entrar, pois isso já foi amplamente discutido. Para se divertir com uma obra de ficção (olha o nome!), é preciso aceitar a suspensão de descrença (link do TVTropes, esteja avisado) e entender que nem tudo vai ou pode ser completamente real. E que nem por isso algo vai deixar de ser proveitoso ou divertido.

Tendo isso em mente, acredito, porém, que ainda seja um exercício válido o de tentar analisar o desenvolvimento da obra, e ver o quanto daquilo seria plausível. É pra isso que estamos aqui, e vamos falar um monte de abobrinhas que muito provavelmente vão estar em grego para maior parte de vocês (e o pior é que, em alguns casos, vai estar literalmente em grego!). Um episódio por vez, pois o protagonista inventa coisas demais.

  • Fazer gasolina a partir de tampinhas de garrafas PET?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Logo nos primeiros minutos do episódio, temos uma afirmação do Sr. Senku que diz que é possível fazer gasolina a partir do Polietileno encontrado em tampinhas de garrafas PET (Cena começa em 1:15). Dá mesmo?

Bem… A primeira ressalva é sobre o material em si. Nem todas as tampinhas de garrafa são feitas de Polietileno (abreviarei como “PE” a partir de agora). Mas até aí, tudo bem. Basta pegar tampinhas que sejam, de fato, feitas de PE. Seguimos.

A reação proposta por ele é a de simplesmente “…cortar as moléculas de hidrocarbonetos para ficarem do mesmo comprimento que a de gasolina“. Vamos também perdoar a linguagem errada pois o pobre tradutor da Crunchyroll não é obrigado a saber química. Colocando de uma forma mais criteriosa, o que ele sugere é a quebra das cadeias poliméricas do PE em cadeias menores, na faixa de 4 a 12 carbonos (especialmente 8 carbonos), característicos da gasolina comercial.

Um artigo publicado em 2016, de Jia, X. e outros (DOI: 10.1126/sciadv.1501591) mostrou estudos que obtiveram, com sucesso, a exata proposta do protagonista: transformar PE em combustível. De certa forma, o animê está certo. Que ressalvas eu tenho a fazer?

Bem, devemos lembrar que o herói da obra é um adolescente, trabalhando num laboratório didático de uma escola de ensino médio. Dentro dessas condições, algumas matérias-primas seriam de difícil acesso… Por exemplo, duvido muito que qualquer escola possua catalisadores complexos de irídio. Ou que um adolescente possua dinheiro o suficiente para comprar isso do seu bolso. Se é que isso é vendido em algum lugar.

Então dá? Dá. Mas putz. Próximo.


  • Morcegos produzem ácido nítrico?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Não é bem uma “produção” dos morcegos. Como explicado pelo próprio Dr. Senku (cena começa em 15:35), o guano de morcegos pode gerar ácido nítrico. Basicamente, esse “guano” é um monte de cocô de morcego, que contém vários tipos de nutrientes, e por isso era utilizado como fertilizante antes do advento da síntese de amônia via fixação de nitrogênio por Habber e Bosch.

De forma mais direta… Sim, você pode conseguir ácido nítrico a partir de cocô de morcego. Em condições naturais, o processo pode ser catalisado por microorganismos. A ressalva está na quantidade gerada. Um artigo de William H. Hess (não confundir com Henri Hess, o da termoquímica) publicado pelo The Journal of Geology em 1900 (como comentado, guano era muito usado – e estudado – no passado), aponta que apenas por volta de 6% da massa de guano de morcego in natura é de ácido nítricoAinda, aponta que gotas de água que caem do teto de cavernas onde há guano de morcego presente possui uma concentração de ínfimos 5,71 miligramas de ácido nítrico por litro de água.

Ou seja… Até tem ácido nítrico ali no balde que nosso amigo cientista posicionou estrategicamente, mas rapaz… Tá tão diluído que demoraria um bom tempo (e uma boa destilação) pra conseguir o suficiente. Boa sorte com isso. Próximo.


  • Produzir Nital caseiro?

RESPOSTA: Surpreendentemente, verdadeiro.

Na cena que começa em 17:13, Senku, Ph.D diz que com etanol e o ácido nítrico obtido no item anterior, ele poderia fazer Nital. E dessa vez, não tenho nenhuma reclamação. Nital é simplesmente uma solução de um álcool de cadeia pequena (normalmente se usa etanol mesmo, mas pode ser feito também com metanol) e ácido nítrico. Não há nenhum processo extraordinário envolvido nem nada do tipo, então sua produção em condições precárias não seria nada muito sobrenatural.

Eu poderia tentar contestar a utilidade de Nital na situação em que eles estão, tendo em vista que ele é normalmente utilizado para capagem de materiais metálicos. Mas sinceramente? Seria uma boa hipótese. Próximo.


  • Destilação de vinho para concentrar o álcool?

RESPOSTA: Verdadeiro, mas com ressalvas.

Com algumas uvas e muita paciência, a dupla de protagonistas consegue fazer um vinho improvisado. Agora, para extrair o etanol presente na bebida, o Sábio Senku propõe uma destilação (cena começa em 18:56). Inclusive, eu simplesmente adorei a descrição do processo que ele deu: “Aqueça, resfrie e deixe pingar” é um ótimo resumo.

De fato, poderíamos conseguir etanol “mais concentrado” através de uma destilação. Minha ressalva é sobre o equipamento necessário para tal. O show até brinca com isso, fazendo o primeiro “destilador” de Senku não funcionar. Temos dois problemas com o equipamento: o material de que ele é feito, e o método de resfriamento.

Sobre o material, vemos claramente que Senku utiliza barro. Tudo bem, nós conhecemos diversas coisas feitas de cerâmica e similares, não? Meu questionamento é sobre como conseguir o tipo de cerâmica desejado. Pra começar, “cerâmica” nem é o termo certo, pois estamos em estágios menos avançados. Para “endurecer” o barro, é preciso “queimá-lo”, colocando no fogo a determinadas temperaturas. A faixa de temperatura vai determinar as propriedades do resultado final.

Como mostrado no animê, ele utiliza apenas uma fogueira para a queima do barro. A temperatura da queima de madeira possui, em média, uns 600ºC na melhor das hipóteses. Mesmo assumindo essa hipótese, ainda estaríamos muito longe da temperatura necessária para queimar o barro e formar Grés, o estágio mínimo que seria necessário para trabalhar com líquidos. Grés só se forma por volta de 1100ºC.

Sobre o resfriamento, eles até lidaram com isso bem. Fica um pouco aberto para interpretação, mas deu a entender que a destilação só deu certo no inverno. Se esse for o caso, então tá ótimo. Agora, se o processo funcionou antes, daí eu gostaria de entender como o Senku fez para resfriar o vinho em ebulição, sendo que a temperatura ambiente estava na faixa dos 20 e poucos graus.

Então é, a ressalva fica por conta da falta de poder de fogo (desculpem o trocadilho) para conseguir o equipamento necessário.


E assim, terminamos as baboseiras científicas presentes no episódio 1 de Dr. STONE. Dependendo da reação popular, podemos fazer a análise dos outros episódios também.

Caso tenha ficado interessado nessa história pós-apocaliptica, você pode assisti-la na Crunchyroll. Novos episódios são transmitidos simultâneamente com o Japão todas as sextas-feiras, às 11h30.

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Deadly Premonition Origins trás Horror e Nostalgia para o Nintendo Switch

Deadly Premonition Origins chegou ao Nintendo Switch como “versão definitiva” de Deadly Premonition Director’s Cut lançado para PS3 em 2013. Esta última era a versão melhorada do jogo original, Deadly Premonition que foi lançado para Xbox360 em 2010.

O jogo tem como protagonista o investigador do FBI Francis York, que foi designado para investigar um assassinato brutal em um macabro ritual em uma cidade do interior dos Estados Unidos.

Com claras influências de Twin Peaks e Silent Hill o jogo traz reflexões sobre a dualidade entre bem/mal como lados de uma mesma moeda e traz muitas perguntas que nem sempre são respondidas de um jeito bem peculiar.

O jogo é controverso desde o seu lançamento em toda comunidade gamer, e desponta como um survival horror de mundo aberto com propostas e execuções bem diferentes do convencional.

Na época em que o jogo original foi lançado as opiniões foram ferrenhamente divididas, pois vários aspectos dos jogos são visivelmente datados e em vários pontos você irá se perguntar se foi intencional ou não deixar o jogo assim, como por exemplo este bastante questionável menu de inventário:

Se já era considerado datado naquela época, temos as melhorias gráficas da versão de PS3, no entanto os gráficos do jogo não envelheceram nada bem e parecem mais antigos do que realmente são.

Por outro lado, o jogo traz um gameplay bem fora da curva com jogabilidade bem diferente de um survival convencional com pontuações variadas por performance, puzzles peculiares e cutscenes bizarramente interessantes, tudo aliado a uma boa trilha sonora.

A narrativa do game se constrói por meio dos diálogos entre Francis e os personagens da cidade de sanidade questionável e ao mesmo tempo bem lúcidos, como o próprio protagonista do jogo.

A perseguição de uma figura encapuzada deixa tudo mais eletrizante depois que ele engata e as coisas ficam mais emocionantes já que os próprios monstros causam reações variadas.

Apesar de algumas (várias) decisões de design bem questionáveis e gráficos e efeitos datados, o jogo é uma experiência à parte e deve ser apreciada como tal.

A excentricidade de como tudo vai sendo apresentado, mostrando os inimigos, as maletas clássicas (que funcionam de modo parecido aos baús da série Resident Evil para guardar e retirar itens) e suas características originais, como por exemplo, usar a habilidade “profiling” tentando enquadrar as pistas e prosseguir com a investigação são pontos bastante positivos. Dentro do Gameplay há até cards colecionáveis e é bem diferente do que estamos costumados a ver, convenhamos que isso é bastante louvável em meio a uma época de tantas fórmulas preestabelecidas.

Bronze- Jogável

Deadly Premonition Origins é uma experiência alternativa para àqueles que querem se aventurar em terrenos diferentes e peculiares do survival horror e cumpre bem esta missão, no entanto poderia ter tido um refinamento melhor em seu relançamento que não possui muita novidade em relação ao original senão as melhorias gráficas e de controle (Sem contarmos a característica de portátil do próprio Nintendo Switch).

Dito isto, o jogo ainda se destaca pela sua originalidade e visão única e excêntrica, possuindo uma narrativa convincente e intrigante com personagens críveis e bem desenvolvidos.

A Numskull Games, publisher europeia do jogo, está disponibilizando uma versão física de Deadly Premonition Origins com alguns brindes. Confira:

Agradecimentos à Numskull Games pela cópia digital do game, e ao Luiz Cláudio Andrade pelo desenvolvimento e ajuda.

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Editora NewPOP abre pré-venda de duas light novels

A Editora NewPOP, conhecida por sua diversidade cultural e de mídia, mas principalmente por ser a principal fonte de Light Novels no país, abriu a pré-venda de duas novels que já estavam anunciadas: Napping Princess e Lu Over The Wall. Ambas são volumes únicos (one-shots), e podem ser um bom começo para quem está interessado nesse tipo de leitura. Confira os detalhes a seguir.

Napping Princess: A Minha História que eu Não Conhecia

 

Sinopse: Kokone Morikawa anda tendo sonhos estranhos ultimamente, sobre um reino chamado Heartland, onde ela é uma princesa chamada Ancien que possui talentos mágicos proibidos naquela sociedade que valoriza a tecnologia. Mas quando o mundo real e seus sonhos começam a se entrelaçar, ela se vê no meio de uma intriga em ambos os mundos e parte em busca de respostas, sobre seus sonhos, sobre seu pai e sobre si mesma. Do diretor Kenji Kamiyama, chega o romance que originou o anime de sucesso, pré-indicado para o Oscar na categoria de animação!

Autor: Kenji Kamiyama
Formato: 10,6 x 14,8 cm, 248 páginas – Papel Polén Soft – Capa Cartonada
Preço: R$ 26,90
Previsão de lançamento: 25/09

A pré-venda da Amazon está com 15% de desconto! Clique aqui para ir até o site e garantir o seu!

 

 

Lu Over the Wall

 

Sinopse: Kai vive numa cidadezinha pesqueira com seu pai e seu avô supersticioso que sempre o alertava dos perigos da água e seus habitantes sereias. Por causa disso, sua família não trabalha mais no mar, nem sabem nadar, e são conhecidos como pescadores da terra. Um dia, desafiando as ordens do velho, Kai sai de barco com amigos da banda e acabam testemunhando atividade ilegais e sendo confrontados pelos criminosos. Nesse momento, surge Lu, uma sereia amigável e animada que afugenta os homens e ajuda os garotos. Logo Lu se une à banda, mas seus dias de paz e diversão são ameaçados quando ela é descoberta.

Formato: 12,8 x 18,2 cm, 272 páginas – Papel Polén Soft – Capa Cartonada
Autor:
Senya Mihagi e Masaaki Yuasa (História original)
Preço:
R$ 29,90
Previsão de lançamento: 25/09

Esse volume também se encontra com 15% de desconto na Pré-venda da Amazon, e garantia de menor preço! Clique aqui para reservar o seu!

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Gameplay

Gears 5 é a renovação que a franquia precisava

Em 2006, fomos apresentados a Marcus Fênix e sua luta contra os Locusts em Gears of War – um dos primeiros jogos exclusivos lançados para o atual console da Microsoft na época, o Xbox 360. Acompanhamos Fênix até o terceiro título da franquia, Gears of War 3, que encerrou a trilogia em 2011 e mostrou como os soldados da CGO derrotaram os Locusts. Depois disso, voltamos um pouco ao passado em Gears of War: Judgment e vimos Baird e seu esquadrão em eventos que sucederam o primeiro jogo da saga (e que dividiram a opinião dos fãs).

Após alguns anos sem nenhuma novidade para a franquia, a Microsoft decidiu revivê-la lançando Gears of War 4 para o Xbox One com o objetivo de abrir uma nova trilogia após os acontecimentos do terceiro jogo – repetindo a mesma fórmula de sempre, o jogo foi completamente desnecessário ao abrir uma nova trama após a saga dos Gears ter tido um final conclusivo. Entretanto, Gears 5 chegou para continuar a trama de seu antecessor e provou que o que a série precisava mesmo era de uma renovação.

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Tirando o foco dos Fênix, a trama gira em torno de Kait Diaz e começa logo após o término de Gears of War 4. Durante toda a campanha acompanhamos Kait em sua jornada para descobrir a origem da sua família e o seu parentesco com os Locusts.  Esse é um breve resumo para não dar muitos spoilers, pois a campanha é o ponto forte do jogo – diferente de seu antecessor, Gears 5 apresenta uma trama boa que prende o jogador a cada ato que se passa.

Em sua gameplay, o novo jogo da franquia retorna com a mesma fórmula de third person shooter apresentada nos seus antecessores. Entretanto, há diversas novidades que renovam não só a jogabilidade como também trazem um novo ar para a franquia. Há alterações simples, como mudanças no HUD e no combate, onde agora o jogador possui uma faca para o combate corpo a corpo, podendo matar os inimigos em stealth e alterações bem drásticas, como a interação com os robôs que acompanham o esquadrão. Presente desde o primeiro jogo, Jack agora pode ser controlado no modo cooperativo e o jogador pode dar ordem para ele usar suas habilidades durante o combate, que vão desde cegar os inimigos com flashs até controlar a mente deles a seu favor. Além disso, você comanda ele para abrir portas, pegar armas e munição e até mesmo colecionáveis. Conforme você progride no jogo, você recebe habilidades novas para Jack e componentes para upar as já desbloqueadas.

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A maior novidade do jogo é a presença de um mundo aberto em cada ato. Sim, isso mesmo, Gears 5 apresenta um mundo aberto. Bem pequeno, mas é algo inovador na franquia. Todo ato do jogo tem um cenário diferente, e esse cenário é um mini mundo aberto onde o jogador vai até as missões em um veículo, que na campanha chamam de bote. No mapa temos algumas missões secundárias em locais abandonados para o jogador explorar e encontrar novas peças para o drone, além de melhorias e complementar a história com subtramas. É uma adição muito bem vinda a franquia e que funcionou bem, sem parecer forçado e que aumenta a vida do modo campanha.

Quanto ao multiplayer, é o que já conhecemos: temos o modo casual com os mesmos modos que os jogos anteriores e o modo Horda, onde você e mais três amigos lutam contra diversas ondas de inimigos. Entretanto, há um novo modo chamado de Fuga – semelhante ao Horda, você e mais três amigos precisam fugir da colmeia dos locusts e sobreviver procurando armas e não ficando no gás venenoso (semelhante ao círculo presente nos battle royales). No multiplayer, podemos jogar com alguns personagens de Halo: Reach e também com Sarah Connor e o T-800, de Terminator: Dark Fate.

Os gráficos estão superiores aos do Gears of War 4 e o design da armadura dos Gears estão surreais. Cada detalhe pode ser visto, desde um simples arranhão até a falta de pintura em alguma parte, é uma arte à parte.

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Infelizmente, nem tudo é perfeito. Durante a jogatina, que foi iniciada no dia 6 de Setembro, o jogo apresentou diversos bugs. Eram bugs que estragavam a jogatina, me fazendo reiniciar o jogo no console pois meu personagem ficava preso ou continuava morto mesmo depois de ter retornado ao ponto de controle anterior. Além disso, o modo cooperativo também apresentou diversos bugs, onde o segundo jogador não conseguia se mexer ou simplesmente se tornava invisível, com somente a arma visível. Ainda hoje alguns bugs acontecem, então resta esperar uma atualização para a correção deles.

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Gears 5 prova ser a renovação que a franquia precisava. Após utilizar a mesma fórmula por cinco jogos seguidos, tornando a experiência maçante e mais do mesmo, inclusive com uma sequência (na época) desnecessária, a Microsoft trouxe um sopro de ar fresco para a saga com um mundo aberto interessante de se explorar, uma trama imersiva e bem construída, um multiplayer divertido e modos cooperativos que nunca perdem a graça. É um presente para os fãs de Gears of War que com certeza vale a pena ser jogado.

  • Positivo: história, jogabilidade, gráficos, mundo aberto, a interação/customização do Jack, multiplayer.
  • Negativo: bugs que atrapalham a jogatina.
  • Veredito: Recomendável

Nota: 4/5

Gears 5 está disponível para Xbox One e para PC. Os assinantes da Game Pass Ultimate possuem acesso ao jogo tanto para o console como para os computadores.

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NBA 2K20 | A cesta de três ponto no estouro do cronômetro

Os games de esportes são uma febre, sem dúvida. Esta época do ano, devido ao início das temporadas de competições estrangeiras, os lançamentos deste segmentos saem a todo vapor, com os esportes americanos não é diferente. NBA 2K a franquia de basquete virtual mais famosa do mundo está em sua 20º edição. NBA 2K20 chegou!

NBA 2K20 trouxe como proposta principal a simplificação de controles, em comparação as edições anteriores, também uma série de melhoria em seus recursos visuais, e nada mais justo que a última lista de transferências da liga de basquete americana. Além da tão esperada inclusão de uma lista da WNBA, a liga feminina. Entretanto pouco mudou do ano passado para cá, mecanicamente falando, é claro. Passes simples, dribles e arremessos ainda funcionam da maneira mais didática possível, e ainda podem ser realizados com mais “habilidade”, caso você conecte os passes a movimentos na alavanca analógica do controle.

Trazer a física, ao mesmo tempo que tenta equilibrar a liberdade artística dos movimentos do basquete com a I.A, em meio a trilhões de possibilidades de manipulação da ação dos jogadores em campo, nunca será tarefa fácil, e é característico do gênero esportivo, estar sempre na corda bamba da simplificação extrema de um jogo mais arcade gênero há muito se encontra na linha entre a simplificação no estilo arcade e um programa de simulação complicada. Alguns movimentos, por vezes podem ser confundidos com combos de jogos de luta, onde você necessita de uma série de botões apertados em sequências ou ao mesmo tempo, para que sua ação seja reconhecida. De fato, você pode muito bem não utilizar deste meio, mas seu leque de movimentos e finalizações para a cesta serão apenas um décimo de todo o potencial do jogo, o que por mais incrível que pareça, ainda o torna interessante.

A I.A, as vezes te faz parecer um bebê jogando sem entender muito bem dos controles, mas seu padrão de jogo é previsível e fácil de se adaptar, logo o multiplayer local e online, preenche esse vazio, o que torna estes jogos esportivos um marco. Infelizmente, os servidores estavam funcionando vagarosamente dias após o lançamento, com um número inaceitável de partidas que não conseguiam se conectar ou se desconectavam repentinamente no meio do jogo.

Felizmente a franquia MyCareer está de volta e melhor do que nunca, seguindo os passos de outros jogos de esporte. Aqui vivemos o sonho americano de jovens americanos, somos um universitário destinado a jogar na NBA, mas antes temos que trilhar nossa personalidade e criar nossas ambições principais, ser midiático ou se aquele atleta que pensa apenas em melhorar suas habilidades e determinado com a carreira, que está por vir. O conteúdo foi produzido pela SpringHill Entertainment, empresa de LeBron James, e logo percebemos os esforços para transformar este modo de jogo em um experiência quase cinematográfica, o elenco conta com Idris Elba, Rosario Dawson e Thomas Middleditch, cada um interpreta personagens-chave na história de seu personagem, apelidado de Che. Desde sua primeira partida até o tão sonhado Draft da NBA, temos uma gameplay de cinco horas.

O que não poderia faltar aqui é o clássico, MyTeam. Se você está familiarizado com os modos de jogo deste nicho, óbvio que você conhece a criação de equipes, onde os jogadores da liga aparecem como cartas e seu objetivo é criar a equipe dos sonhos. De fato, é uma experiência empolgante, e quem é fã de basquete não pode deixar de ter uma grande alegria em unir uma equipe, com os melhores de cada posição. Embora o conceito principal seja convincente e teoricamente inofensivo, qualquer um que tenha um pocuo mais de experiência na área, sabe que, no fundo, o ecossistema dentro de modos assim, evolui para um Pay-to-Win, e o MyTeam no NBA 2K20 não fica atrás. Desde o início, somos bombardeados com luzes e placas coloridas que nos levam até ganchos, alavancas e roletas para ganhar bônus no jogo. Um verdadeiro caça-níquel.

Além de todos os modos conhecidos ou familiarizados pelos jogadores, a WNBA está finalmente presente em um grande título de basquete! O basquete feminino que recebe o tratamento de AAA é um dos pontos inesperadamente mais brilhantes em NBA 2K20. As atletas foram recriadas meticulosamente na quadra virtual com tanto cuidado e nuances quanto seus colegas mais bem pagos, poderiam ser facilmente o melhor modo de jogo, se não possuísse os mesmos problemas do resto do jogo. Há esperança de que esses obstáculos possam ser superados em futuras atualizações, mas por enquanto é a única coisa que prejudicada o jogo como um todo.

NBA 2K20 é mais um grande simulador de basquete que por conta de sua alta demanda técnica acaba destruindo alguns pontos positivos de jogos de esporte, como o divertimento por divertimento, apenas. A jogabilidade evolutiva mas com uma curva de aprendizado longa e cansativa, com uma pitada de realismo a todo custo tende a cansar. Ao mesmo tempo que NBA 2K20 melhora em certos pontos e traz novidades pontuais, ele corta alguns conteúdos, e traz uma série de novos problemas por conta de sua evolução abrupta. Por trás de tudo isso, a diversão ainda é gratificante. Se você assim como milhões é fã de basquete, principalmente dos astros da NBA, NBA 2K20 é essencial para sua coleção.

OURO- Recomendável

Agradecimentos à 2K pelo envio do código para análise.

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Ousado, inovador e único: ‘Charli’ é um dos melhores trabalhos da Charli XCX

Ao longo de sua carreira, Charli XCX vem se mostrando extremamente flexível quando a questão é talento. Sua capacidade de transitar entre uma música comercial, como ‘Boom Clap’ e ‘Boys’  para algo totalmente conceitual, como ‘Delicious’ e ‘Vroom Vroom’; e único é totalmente perceptível, feito com maestria. Em seu terceiro álbum de estúdio, Charli, sua evolução musical é o que mais chama atenção, e sua visão tão fora de seu tempo.

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O álbum começa com a faixa ‘Next Level Charli‘, onde somos levamos em uma música mais festiva, para principalmente ser tocada em festas e ser mais comercial. Não decepciona, logo que sua letra é viciante, e sua musicalidade é diferente da grande maioria de músicas pop comerciais.

E logo em seguida, uma das mais queridas entre os fãs, ‘Gone‘, ao lado de Christine and The Queens, é focada em sua letra, que aborda a insegurança de Charli , de como mesmo estando em lugares lotados, ela se sente tão sozinha, em um ritmo de balada. A própria cantora disse o quão importante é o significado dessa música para ela: “A canção é sobre aquelas situações em que você se sente isolado e sozinho. Eu me sinto assim muitas vezes em situações sociais. Eu nunca sei o que fazer comigo mesma. Me sinto tão insegura, deslocada e perdida. Sinto que muitas pessoas que conheço se sentem assim. Quando é comigo, faço uma festa para escapar dos meus sentimentos ou vou totalmente desmoronar. As emoções que acompanham a ansiedade são tão grandes e incapacitantes. Essa música é sobre desmoronar, mas também sobre se libertar. Parece um grande grito de exteriorização. Tanto a canção como o clipe são uma grande liberação de energia para mim. Quando eu a escuto e danço, me sinto verdadeiramente eufórica e viva, como se puxasse dos pensamentos ruins da minha cabeça. É como se estivesse canalizando toda a raiva e frustração (às vezes tristeza) para dançar.

Cross You Out‘ é uma slow-dance, fazendo pela primeira vez uma colaboração com a cantora Sky Ferreira; que conta sobre o término e superação de um relacionamento, sua sonoridade é uma das melhores do álbum. Sinceramente, até parece algo que entraria para trilha sonora de algum filme sci-fi, como Blade Runner 2049.

Apenas a Charli é capaz de nos levar para o passado. ‘1999‘ é um dos maiores hits do álbum, uma música extremamente festiva e com elementos da época, tanto em música quanto elementos da cultura história em geral; isso é perceptível no vídeo clipe, onde é inteiramente feito em referências a coisas do ano. Na faixa, temos a colaboração do cantor norte-americano, Troye Sivian, que é uma adição incrível ao álbum.

Voltando sua colaboração com Tommy Cash e Kim Petras, ‘Click’ junta versos de rap com uma composição futurista e também começando a colocar seus elementos de PC Music. Mencionando seu EP ‘Vroom Vroom‘ e a primeira faixa do álbum, essa música foi feita para se escutar no volume máximo.

Provavelmente a que passa mais em branco no álbum inteiro, ‘Warm‘ já é mais voltada à uma música mais lenta, que conta sobre um amor não compatível. Junto com a banda HAIM, a harmonia da música é extremamente bela, e mesmo sendo a música menos aclamada, ela ainda é incrível, e entrega o que propõe. Com um beat que dá marcação de tempo bem feita, conseguimos ter um bom destaque tanto para a Charli quanto para as garotas do HAIM.

Chegando a ‘Thoughts‘, temos uma música marcada por seus sintetizadores e por uma letra marcante. Sendo bem nostálgica, a música conta sobre os pensamentos da cantora, sobre amizade, sobre dor e perda. O vocal de Charli nessa faixa é também muito bem produzido, combinando muito com o tom da música.

Blame It On Your Love‘ pega uma das melhores músicas de seu álbum anterior, ‘Pop 2 – Track 10‘, e a retrabalha em um single que cativa e que com toda certeza é a que vai mais se popularizar entre as rádios. Sem ser facilmente enjoativa, o final com a cantora Lizzo só adiciona mais qualidades à música. A cantora já veio a mencionar que ‘Track 10’ é um remix de Blame It On Your Love, e que ela decidiu lançar o remix primeiro do que a faixa original, Charli realmente está em 2099!

Tendo uma das letras mais emocionantes e tristes do álbum, ‘White Mercedes‘ é uma das melhores músicas do álbum, que cativa do início ao fim. Toda a musicalidade e produção dessa música é extremamente bem feita, e a Charli prova mais uma vez que sua voz é única. E também mostrando como a diversidade no álbum funciona muito bem. É tocante, é triste, é como um desabafo pessoal da cantora aos seus fãs.

Construído usando elementos de Nightcore e um Techno dos anos 2000’s/1990’s, ‘Silver Cross‘ traz uma música feita para baladas e festas. É impossível escutar essa música e não sentir uma vontade enorme de dançar, Charli consegue juntar a estética sonora que traz em seu álbum com esses elementos com pura maestria.

Indo um pouco mais para trás no tempo, com seu estilo mais synthwave e uma pegada mais dos anos 80, ‘I Don’t Wanna Know‘ é marcante. Sendo pelo sua escolhas de sintetizadores, um vocal extremamente bem trabalhado, e com uma letra melodramática. Em uma música você já pode dançar, e na outra, te confortar nos momentos difíceis.

Official também chegou um tanto quanto apagada quando o álbum saiu, porém, ela é amavél e tem seu próprio estilo. Ela parece ser um sample de várias músicas de video-games, com uma doce melodia, e uma das letras mais bonitas de todo álbum; uma letra sobre o amor.

Ousado, provocante, estranhamente e maravilhosamente, ‘Shake It‘ é uma canção de amor da Charli ao PC Music que funciona da melhor forma possível. Sendo uma das músicas que mais lembram ao seu EP “Vroom Vroom” e “Pop 2“, os elementos colocados na música, os efeitos e as colaborações de todos os artistas combinam perfeitamente. O highlight da música é a participação da brasileira Pabllo Vittar, que tem sua parte lírica sendo uma das mais icônicas entre os artistas que colaboraram no álbum. É indescritível como Shake It consegue ser tão única, provavelmente a música que mais chama a atenção diante das músicas mais dançáveis do álbum.

Continuando em um ritmo mais animado e com as letras maravilhosas, Clairo, Yaeji e Charli se unem em ‘February 2017‘, uma música sobre a dor de lembrar de seus erros do passado e acabar perdendo o que se ama. O que mais chama atenção nessa música é o final, que ocorre a parte cantada pela Yaeji, que tem um vocal maravilhoso.

Fechando de forma surpreendente o álbum, ‘2099‘ tem novamente a colaboração de Troye Sivian e traz um estilo futurista, extremamente diferente de ‘1999‘. Em uma música mais conceitual, onde dialoga sobre como as coisas são rápidas, troca de informações, ritmos e sintonia. Uma das mais destemidas e avançadas de Charli, só mostra como ela já está preparada para o futuro e de como ela sempre consegue revolucionar e inovar a música pop.

É realmente difícil ter que classificar esse álbum, é uma mistura sem coesão entre uma faixa e outra, e isso é o mais engraçado disso tudo: Funciona extremamente bem. Enquanto uma música se apoia em elementos dos anos 90, outra é um PC Music dos anos 2010’s totalmente futurista. Uma te faz querer dançar a noite toda, e a outra a com uma melodia e letras tristes para ser escutados nos dias ruins. Essa é a maior conquista de Charli, ter uma identidate em meio a várias, não usufruir de apenas um estilo, de não ter medo de arriscar. Vários artistas e bandas que tentam fugir um pouco do seu estilo acabam falhando, e muitas vezes deixando de tentar trocar a sonoridade e diversidade musical. Esse álbum só confirma que a cantora britânica já dominou com maestria seu talento, e que sempre está evoluindo e revolucionando seu meio, e deixando a sua própria marca.

‘Charli’ é original, envolvente e provocante. Um dos melhores trabalhos feitos pela Charli XCX e com toda certeza um dos melhores do ano, e da década. A evolução da cantora desde seu primeiro álbum de estúdio é claro, e mostra como ela nasceu para fazer o que fazer, ela é a melhor nisso. Cada música tem sua magia, sua energia, sua imagem; o que é extremamente difícil de funcionar.

Com certeza esse é o álbum que marcará a vida profissional de Charli. Como será que depois de uma obra-prima tão única, como ela prosseguirá agora? Será instigante ver o futuro de sua carreira, e aguardar por mais trabalhos dela.

Nota do álbum: 5/5

Charli já está disponível no Spotify, Deezer, Amazon Music, Apple Music, iTunes Store, TIDAL e mídia física. 

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A alucinação coletiva em Midsommar: O Mal Não Espera a Noite

Produzido pela A24 e dirigido/escrito por Ari Aster – diretor do excelente Hereditário, Midsommar: O Mal Não Espera a Noite é mais uma revolução do gênero terror feita pelo diretor. O segundo longa de Aster é difícil de se digerir inicialmente, talvez pelas sequências que não apresentam um sentido inicial ou pelo choque que o filme causa em sua primeira exibição, entretanto com o passar das horas, o objetivo do diretor se torna claro e o filme fica mais nítido.

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Em Midsommar acompanhamos Dani Astor (Florence Pugh), que em meio a todos seus problemas psicológicos se vê lidando com um novo trauma: o suicídio de sua irmã e a morte de seus pais e seu namorado, Christian (Jack Reynor), que não rompe sua relação com ela por medo do que ela poderá fazer. Em meio a esse momento delicado, o casal viaja com um grupo de amigos para o vilarejo de Peele (Vilhelm Blomgren), na Suécia, para vivenciar as tradições (um tanto quanto peculiares) da comunidade para comemorar o solstício de verão. Conforme as comemorações vão passando e eventos bizarros vão acontecendo, o pessoal começa a estranhar e a se perguntar o que de fato está acontecendo.

A trama é bem construída ao decorrer do filme, deixando algumas coisas em aberto para sua interpretação pessoal. É interessante notar o quanto a personagem de Florence, Dani, se fortalece em meio a cultura em que está sendo apresentada – de uma pessoa emocionalmente instável, com inúmeras crises de pânico e traumas, a uma pessoa forte que se sente vingada por enfrentar todos os seus problemas, que sorri no fim de tudo. E comentando brevemente sobre o elenco, os destaques do longa são o casal protagonista, interpretado por Florence Pugh e Jack Reynor – ambos conseguem transmitir com precisão seus sentimentos, seus medos e suas angústias de acordo com os eventos que vão acontecendo. O elenco secundário está excelente também.

Tecnicamente falando, Midsommar é um filme belo. A direção de Ari Aster é impecável e a fotografia é algo lindo de se ver: a paleta de cores em cada cômodo, representando desde a escuridão de um apartamento até o colorido de flores em conjunto com as vestimentas utilizadas pelas pessoas do vilarejo e pelo clima ensolarado da Suíça, além dos planos utilizados para representar as passagens entre diferentes cômodos, tornam o filme uma alucinação. E a imersão, em conjunto com o choque causado a cada rito de passagem define Midsommar como uma alucinação coletiva na sala do cinema.

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Um ponto negativo é que o diretor tenta abordar diversos assuntos e não consegue desenvolver todos da mesma forma, deixando algumas lacunas incompletas ao decorrer do filme e diversas dúvidas ao telespectador (assuntos esses que eu não posso comentar sem dar spoilers). Talvez esse seja um dos únicos defeitos do filme: ser ambicioso demais e não conseguir concluir totalmente as subtramas.

De certa forma, o objetivo de Ari Aster foi concluido com sucesso: deixar o telespectador em choque e sem reação durante a exibição do filme, fazendo com que ele ria de nervoso em diversos momentos e que ele fique tenso com o que está acontecendo. Por conta de toda a situação que o filme se desenvolve, com cores que remetem ”paz” mas com momentos que certamente é o oposto, o choque vem mais forte.

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Midsommar: O Mal Não Espera a Noite é uma alucinação coletiva pelo simples fato de chocar o público com cenas fortes, em uma paisagem um tanto como paradisíaca e que é semelhante daquelas vistas em folhetos de igrejas. Além da imersão que o filme trás ao telespectador. Focando mais no terror psicológico, o longa consegue deixar o público atento ao que está acontecendo com uma trama boa, uma direção bem executada e uma fotografia excelente. No final das contas, Midssomar é mais uma evolução do gênero ao deixar de lado os clássicos jumpscares do gênero e focando no terror psicológico e misturar brevemente com a fórmula clássica de um bom slasher, isso em conjunto com sua fotografia e sua ambientação tornam o filme algo único – podendo ser definido como uma jogada genial de Ari Aster.

 

Nota: 3/5

Um jovem casal atravessa a Suécia para visitar um grupo de amigos e participar de um festival local de verão. Ao invés das férias tranquilas com a qual sonhavam, os dois vão se deparar com rituais violentos e bizarros de uma adoração pagã.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite estreia nos cinemas brasileiros dia 19 de Setembro.

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Surfista Prateado: Parábola e a crítica de Stan Lee ao fanatismo religioso

Antes de mais nada,  é importante ressaltar que falaremos aqui sobre uma história em quadrinhos de 1988. E se você é um colecionador de quadrinhos, com certeza ou leu ou ao menos deve ter ouvido falar de Surfista Prateado: Parábola, HQ escrita por Stan Lee e ilustrada por Moebius.

“Mas por que falar de um quadrinho antigo e que já foi relançado tantas vezes por aqui?” Bom… O quadrinho pode ser antigo, mas infelizmente o tema é presente, e existe desde o início da humanidade.

Por ser um tema um pouco delicado, peço a todos que leiam de cabeça aberta e não associem a X ou Y. Pensem no contexto geral, e como tudo isso influencia nossas vidas e rotinas em sociedade. Ah…. já ia me esquecendo, o texto pode trazer SPOILERS, então aconselho ler o quadrinho antes de começar (Você consegue encontrar ele clicando aqui).

Logo no início, nos deparamos com o pânico da população a respeito de um objeto não identificado que se aproxima da Terra. Em poucas páginas já conseguimos ver o que o medo do desconhecido consegue causar na humanidade: Caos, tumulto, e o individual se tornando maior que o coletivo naquela atmosfera “Salve-se quem puder”.

Desespero da população nas páginas iniciais

A vontade de saber respostas, o medo de lidar com o desconhecido, ou até mesmo a simples necessidade de se curvar e adorar alguma coisa, tudo isso podem ser considerados fatores que levam a criação de uma nova crença. Teorias surgem e claro, com a ajuda de “intérpretes” das suposições criadas, surge uma nova “Religião”.

O personagem Colton Candell foi criado para retratar exatamente esse tipo de “Intérprete” de teorias de uma maneira bastante extrema e cumpre perfeitamente esse papel. No aparecer de uma figura misteriosa ele aproveita da sua influência e começa a disseminar entre a população todas suas convenientes verdades distorcidas.

 

Candell e Elyna

A figura misteriosa é Galactus, um vilão muito conhecido dentro do Universo MARVEL e por se alimentar de núcleos de planetas, também recebe a alcunha de “Devorador de Mundos”.

À medida que a crença se espalha, o fanatismo começa a se libertar, e quando surgem os questionamentos, a violência acaba prevalecendo como forma de doutrina, quem não concorda é espancado (Familiar?).

Para entender o contexto do quadrinho precisamos fazer um pequeno resumo do que havia acontecido no Universo MARVEL antes de tudo: “O Surfista prateado era um arauto de Galactus que se recusou a destruir a Terra e com a ajuda dos heróis terrestres conseguiu impedir sua destruição, como castigo, foi aprisionado pelo antigo mestre dentro do planeta por uma barreira invisível e ficou exilado (esse exílio também é comparado à história de Lúcifer, o anjo caído, condenado a ficar aprisionado no inferno, o que deixa ainda mais genial a escolha dos personagens para protagonizar a história, invertendo completamente os papéis). Além disso, Galactus também prometeu não destruir o planeta.”

Agora que sabemos mais sobre o que ocorreu anteriormente podemos retomar com uma pergunta: “Por que Galactus voltou se ele havia prometido não destruir mais a terra?” Ele observou duas características bastante incomuns nos seres humanos: A capacidade de se autodestruir e a busca constante por salvação.

Usando de todos esses pontos fracos, ele põe abaixo as leis criadas pelo homem e instaura o prazer próprio e o individualismo como propósito de todos, levando-os a autodestruição.

Logo a necessidade de adoração acaba e o medo começa a prevalecer, famílias começam a não questionar para não serem acusados de heresia e apenas aceitam o que está acontecendo.

E é aí que entra o papel do Surfista Prateado, trazer bom senso a população. De forma bem paciente ele tenta mas quando começa seu discurso, ele é alvejado pelo próprio povo que quer salvar. O terror e a mudança de opinião dos adoradores de Galactus só muda quando ele mata uma inocente, Elyna, irmã do agora reverendo Candell, derrubando o helicóptero que ela usava para tentar impedir a “auto-escravização” da humanidade.

Com a saída de Galactus do planeta, mais uma crítica é exposta no quadrinho. Mesmo depois de tudo que aconteceu, os seres humanos ainda pedem salvação, dessa vez para o Surfista Prateado, e começam em poucos segundos a tratá-lo como um deus, como se nenhuma consequência do que acabou de acontecer tivesse tido importância. Nesse momento é exposto a necessidade de liderança da espécie, a busca por sempre adorar um ser inanimado e isso automaticamente passa ao leitor uma sensação de medo. Medo não por ficarem assustados com um quadrinho, mas sim por perceberem que a situação é real, e só foi retratada de um modo diferente.

A facilidade de se criar uma religião hoje em dia, de convencer a todos que aquilo ali é uma verdade para as perguntas que sempre buscaram, deixar escutarem o que sempre quiseram ouvir… Isso é bastante perigoso e só pode ser superado quando começamos a questionar. As perguntas sempre irão nos levar mais longe do que as respostas.

Escrita por Stan Lee há mais de 3 décadas, a HQ nunca se tornou tão atual quanto no presente momento. Lembre-se que questionar não significa não ter religião ou não ter fé, até porque eu não sou ateu. Qualquer tipo de fé cega e intolerante faz mal, tanto para você quanto para a todos os que estão ao redor, portanto sempre pergunte! Um abraço a todos e até a nossa próxima aventura.

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Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

Oito animês com temática LGBT para você assistir hoje

Sem nenhum motivo particular em mente, a nossa equipe resolveu fazer uma coletânea de obras de animação japonesa que abordam, de uma forma ou de outra, uma “temática LGBT“.

Todos os títulos escolhidos podem (e devem) ser assistidos legalmente, com legendas em português, via algum site de streaming (que gentilmente te indicaremos), e você pode aproveitá-los hoje mesmo. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã, não é?

SARAZANMAI

Sarazanmai

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 11

Ano: 2019

Sinopse:

Um dia, em Asakusa, três estudantes do fundamental – Kazuki Yasaka, Toi Kuji e Enta Jinnai – conhecem Keppi, um misterioso kappa que rouba suas jóias místicas e os transforma em kappas. Para voltar para sua forma original, eles precisam enfrentar kappas zumbis e roubar as jóias místicas deles. Ao mesmo tempo, algo estranho está acontecendo na delegacia onde trabalham Reo Niiboshi e Mabu Akutsu. Esta é a história de três garotos que não conseguem se conectar com alguém que lhes é importante, e estão aprendendo o verdadeiro significado dessas conexões. (Via: Crunchyroll)

CITRUS

citrus

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 12

Ano: 2018

Sinopse:

Quando a mãe de Yuzu, uma gyaru colegial que nunca se apaixonou, resolve se casar novamente, ela é transferida para um colégio feminino. Yuzu fica mais que chateada de não poder encontrar um namorado lá. Até que, no primeiro dia de aula, ela conhece Mei, a belíssima morena que comanda o conselho de classe, nas piores circunstâncias possíveis. E para piorar, ela descobre também que Mei é sua meia-irmã, e que ambas viverão sob o mesmo teto! (Via: Crunchyroll)

 

GIVEN

given

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 9 (Em andamento, completo em 11)

Ano: 2019

Sinopse:

Por algum motivo, a guitarra que ele amava tocar e o basquete que ele adorava jogar perderam a graça. Essa era a vida de Ritsuka Uenoyama até encontrar Mafuyu Sato. Ritsuka tinha começado a perder seu amor pela música, mas ao ouvir Mafuyu cantar pela primeira vez, a canção ressoou em seu coração e a distância entre os dois começou a encurtar. (Via: Crunchyroll)

 

LOVE STAGE!!

Love Stage!!

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 10

Ano: 2014

Sinopse:

Seu pai é um renomado cantor, sua mãe uma famosa atriz, seu irmão mais velho é o líder da superpopular banda de rock CRUSHERZ e ele… bem, ele é só um otaku comum. A única aspiração de Izumi Sena é se tornar um mangaka e, para isso, ele se dedica muito! No entanto, ele recebe o convite para participar de uma comemoração aos 10 anos de um comercial de TV que ele fez quando criança ao lado do hoje famoso Ryouma Ichijou, que só aceitou participar com a condição de que o elenco original fosse chamado. Já Izumi não quer participar porque, para isso, ele teria que se vestir de garota. (Via: Crunchyroll)

 

SUPER LOVERS

SUPER LOVERS

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 20 (2×10)

Ano: 2016

Sinopse:

Enganado pela notícia da morte de sua mãe, o adolescente Kaido Haru conhece um menino que insiste em dizer que é seu irmão. Haru faz de tudo para domar o arisco e teimoso Ren, mas parece haver um segredo por trás do nascimento do menino. E logo quando Ren começa a se apegar a Haru, a tragédia acontece… Cinco anos depois, Haru reencontra Ren, crescido em Tóquio, mas… (Via: Crunchyroll)

 

BLOOM INTO YOU

Assista em: Hidive

Número de Episódios: 13

Ano: 2018

Sinopse:

Yuu sempre sonhara em receber uma confisão de amor, mas ao não sente nada ao finalmente receber uma de um garoto. Confusa, ela começa seu primeiro ano no ensino médio e conhece Touko. Será que o coração de Yuu finalmente acelerará? (Tradução livre, via: Hidive)

 

FROM THE NEW WORLD

From The New World

Assista em: Crunchyroll; Hidive

Número de Episódios: 25

Ano: 2012

Sinopse:

Nascida numa utopia futurística, Saki e seus amigos vivem em uma comunidade pacata onde a tecnologia é obsoleta. Porém, quando Saki descobre um artefato perdido, a fachada se quebra, e eles encaram verdades estarrecedoras sobre a sua até então “perfeita cidade”. (Tradução livre, via: Hidive)

 

YURI!!! ON ICE

Yuri!!! on ICE

Assista em: Crunchyroll

Número de Episódios: 12

Ano: 2016

Sinopse:

Yuri Katsuki carregava a esperança de todo o Japão no Grande Prêmio de Patinação Artística, mas sofreu uma derrota esmagadora nas finais. Ele volta à sua terra natal em Kyushu e se esconde na casa de seus pais, indeciso entre continuar patinando e se aposentar de vez. É então que Viktor Nikiforov, pentacampeão mundial na categoria, aparece de repente com seu colega de treino, Yuri Plisetsky, um jovem atleta prestes a superar seus veteranos. É assim que os dois Yuri e o campeão russo partem para competir num Grande Prêmio como o mundo jamais viu! (Via: Crunchyroll)


Esperamos que você possa aproveitar esses shows e celebrar a liberdade de expressão e de amor que deve ser sempre um dos pilares de nossa cultura 💕

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Detective Comics Quadrinhos

De repente, alguns líderes deveriam ler mais quadrinhos

Com atitudes como a do Prefeito Crivella, que, no dia 05/09, ordenou o recolhimento, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, do quadrinho Vingadores – A Cruzada das Crianças de Allan Heinberg e Jim Cheung, publicada pela Salvat, as palavras de Charles Xavier se tornam reais: “as pessoas temem o que não compreendem”. Mas me permito a discordar do Professor X, não é temor, é o fato de opinar sem ao menos saber do que se trata. Segundo Crivella, a publicação consta com conteúdo sexual para menores. Ora Sr. Prefeito, se você conhecesse pelo menos um pouco da história, ou pelo menos tivesse visto a publicação, ela apenas mostra, em uma única página, um beijo de dois jovens apaixonados. Essa ordem foi considerada um ato autoritário e homofóbico.

Os quadrinhos sempre puderam falar abertamente sobre tudo que ocorre na sociedade, de modo que todas as idades possam compreender e aceitar (ou não). Mas, principalmente, a nona arte sempre buscou ensinar (preste atenção na palavra) as pessoas que o respeito é fundamental. Em X-Men aprendemos que o preconceito e a diferença entre raças é errado e mortal. Alias, uma história dos mutantes seria muito bem aplicada agora: Deus Ama, o Homem Mata de Chris Claremon. A mesma coisa que temos, sendo relatada historicamente com uma perfeição ímpar, sobre os atos nazistas em Maus de Art Spiegelman. Aprendemos em quadrinhos como Socorro! Polícia! de Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes, publicado pela Editora Draco, que a rotina policial é tensa, perigosa e poucas vezes reconfortante.

Quadrinhos apresentam belas histórias que podemos levar como experiência de vida, como Não era você que eu esperava de Fabien Toulmé publicado pela Nemo. Ou o Virgem Depois dos 30, publicada pela Pipoca & Nanquim, baseado no livro de Atsuhiko Nakamura, que revelou o gravíssimo problema social por trás dos virgens de meia-idade existentes no Japão. O livro foi adaptado para o formato mangá por Bargain Sakuraich. E o registro histórico de A Marcha publicado também pela Nemo, e recontando a luta de John Lewis e Martin Luther King contra a terrível segregação racial. Na Graphic MSP Jeremias – pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa, mostra como o racismo é sutil e terrivelmente cotidiano em todos os lugares. Os quadrinhos são tão importantes que deveriam estar em salas de aulas, como Angola Janga do Macelo D’Salete.

 

E sem contar todas as vezes que os quadrinhos contaram belas histórias de amor. Peter Parker e Mary Jane. Clark Kent e Lois Lane. Mônica e Cebolinha (nas versões jovens). O amor sempre foi tema recorrente. E todo o tipo de amor.

Esse tipo de pessoa deveria ler mais quadrinhos. Pois todo tipo de quadrinho falar sobre amor. Talvez falte nesse tipo de pessoa, deva ler um quadrinho sobre um amor verdadeiro e puro. como o do casal Clementine e Emma, da graphic novel Azul é a Cor Mais Quente da francesa Julie Maroh. Deveria ler Apolo e Meia-Noite, que um casal homossexual é totalmente igual a qualquer outro, enfrentando problemas com o dia a dia e combatendo o crime. Deveria ler Batwoman. Onde Kate Kane divide o fato de ser uma vigilante com sua coragem de cair de cabeça dentro dos relacionamentos com outras mulheres. Aprender sobre ter coragem e sensibilidade. Achou que já passou da hora de conhecer a latina América Chavez da Marvel. Talvez para uma pessoa como essa, lhe falte ler Justin de autoria de Gauthier ou conhecer Bendita Cura do brasileiro Mário Cesar. Ou deveria ler sobre Arlequina e Hera Venenosa. Um relacionamento que cresceu muito nos últimos anos por ser sincero e alegre. De repente uns momentos alegres que falte para esse tipo de pessoa. Quer continuar a alegrar o seu coração? Então leia o Cara-Unicórnio de Adri A.

E eu nem toquei em outras diversas obras, sejam nacionais ou gringas, que falam e relatam sobre o assunto. E produzidas por quem entende. E a nona arte não se prende em ensinar sobre o amor LGBTQ, também temos fatos históricos, ecológicos, contra a violência, contra racismo, contra xenofobia, contra homofobia etc e tal. Não são os quadrinhos que fazem as pessoas empunhar armas, a espancar negros, hostilizar homossexuais… assim como os videogames, filmes e músicas NÃO transformam pessoas em psicopatas assassinos. Como eu disse antes, os quadrinhos ensinam a formar o caráter e a respeitar a escolha de cada um. Respeitar é a palavra que precisamos. Não precisamos de censura em cima de quadrinhos.

De repente, você está precisando ler mais quadrinhos Sr. Prefeito.