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Graffic Noire Jersey | Scorsese, Tarantino e uma boa trilha sonora em quadrinhos

Uma leitura que passeia por influências de filmes de máfia de Martin Scorsese e os tiroteios violentos, tensos e uns tantos pastelões de Tarantino. Essa seria uma boa explicação para a Graffic Noire Jersey, HQ do estreante Gerson de Lima. Publicada esse ano via financiamento coletivo, a trama apresenta um jogo de assassinos nos melhores estilos dos filmes dos já citados cineastas, com reviravoltas, flashbacks, bom texto, excelente músicas (sim, isso mesmo) e muita ação.

A trama começa um dia após de um trabalho barulhento feito por Jack, nosso protagonista. Jack é um assassino profissional, à serviço de uma grande organização chamada de AGÊNCIA e Frank é o contato que lhe consegue os seus alvos. O encontro desses dois começa a destrinchar o que aconteceu no trabalho de Jack, que era para ser simples, e acabou se tornando um grande circo. O alvo era o poderoso Julian, um dos maiores matadores do mundo e um dos líderes do sindicato dos assassinos. E esse alvo, para Jack, é perfeito. Só que uma série de coisas acontecem no lugar e acaba até com um restaurante destruído. E Frank, a mando da AGÊNCIA, quer saber o que aconteceu.

A arte de Graffic Noire Jersey apresenta personagens que planam entre o realismo e o caricato. Mas o que realmente se destaca são os enquadramentos. Eles são praticamente personagens na história. Mas o casamento perfeito acontece entre os enquadramentos e a narrativa visual. As cenas de ação onde se misturam tiroteios, brigas e até lutas de espadas, são cinematográficas e não ficam cansativas e nem confusas para o leitor. Os detalhes como nomes dos personagens ou letras de músicas, como trilhas sonoras, em onomatopeias funcionam e não deixam perdido ao longo da história.

A trama em alguns momentos soa como um clichê, mas ela é funcional e prende. Apesar de ser um tema muitas vezes recorrente como uma organização de assassinos, sempre existem novas formas de serem contadas e criar o interesse de quem for consumir o produto. Gerson transforma Jack em um personagem destemido e sem muita complexidade. Sendo até mesmo simples demais, mas de forma proposital. Pois percebemos que Jack é um cara que sabe onde está e quer ficar ali. Assim como Julian que flerta entre o onipresente e o humano, como uma verdadeira estrela do rock intocável, mas que de repente está no meio do supermercado vivendo coisas normais de pessoas normais. E assim como Jack, Julian sabe de sua “supremacia de lenda-viva” e mantém a sua áurea poderosa.

Graffic Noire Jersey tem todo um ar, como eu disse antes, de grandes filmes de Scorsese e Tarantino misturados com o cinema chinês. E ela transmite um ar meio que noir e sua trilha sonora, que contém Johnny Cash, Bob Dylan, Pixies, Queen entre outros. contribui muito. Aconselho a lerem a HQ ouvindo a trilha no Spotify, faz a ambientação ficar muito mais agradável.

No balanço geral, Graffic Noire Jersey é uma das boas surpresas do ano no quadrinho independente nacional. É uma bela estreia do Gerson de Lima, que estará na CCXP 2019 com a continuação Graffic Noire Memphis.

Graffic Noire Jersey está sendo publicado pelo selo editorial Meia-Noite e para adquirir o seu exemplar, você pode entrar em contato direto com o Gerson de Lima em seu perfil no Twitter: @theimmigrantart.

[ATUALIZAÇÃO] Graffic Noire Jersey está sendo publicado pela Editora Skript em formato 25,8 x 10.8 cm e 80 páginas.

 

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A24 e a sua promessa aos futuros clássicos do cinema

Você já ouviu falar sobre, ou viu um filme que começa com uma logo escrita ‘A24’? Caso sua resposta seja positiva, provavelmente teve o prazer de assistir um espetáculo do audiovisual. Se negativa, não tem problema, pois iremos agora decorrer sobre quem é essa produtora, e quais são seus filmes.

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A24 é uma produtora que foi fundada em agosto de 2012 por Daniel Katz, David Fenkel e John Hodges. Seu nome foi inspirado na Autoestrada 24, que fica na Itália; o motivo desse nome, foi que Katz estava passando por essa estrada quando decidiu fundar a empresa.

Logo após um ano, em 2013, a produtora fez seus primeiros longas, como o polêmico Spring Breakers. Já em 2014, abriram uma divisão para televisão, com a série Playing House, e também havia anunciado que financiaria e trabalharia em vários episódios pilotos.

Ao longo dessa década, a empresa já virou uma querida entre os cinéfilos, amantes de filmes de terror, filmes teen, filmes de comédia e romance. Tendo abordagens mais reais e direções maravilhosas, vários dos longas produzidos por eles dominam premiações e aclamações do público. Então, vamos mostrar os cinco longas mais importantes, e suas futuras produções;

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Provavelmente o filme que colocou o nome da produtora em um nível acima, The Witch (The VVitch: A New-England Folktale) conta uma história de pecado, culpa religiosa e histeria.   No século 17, a familia de Thomasin (Anya Taylor-Joy) culpa a jovem garota pelo desaparecimento do seu irmão mais novo, ainda bebê. Com sua trama centrada na religiosidade da familia, magia negra e terror psicológico fez com que o longa fosse aclamado por crítica e premiações, sendo chamado até de ‘melhor filme de terror dos últimos tempos’.

Mesmo dividindo a opinião do público, que teve várias críticas por achar o filme ‘complicado’ e ‘lento’, é inegável dizer que a direção do Robert Eggers não foi um dos pontos principais para que esse filme triunfasse. Tanto que ele e a atriz Anya Taylor-Joy foram os mais premiados durante o lançamento do longa. The Witch é um clássico atual, e foi o pontapé para a A24 decolar para produções grandiosas e icônicas.

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Um filme histórico. Moonlight: Sob a Luz do Luar conta três fases da história de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético e emocionante estudo de personagem.

O longa marcou história no Oscar 2017, por ser o primeiro filme com o elenco todos de negros, o primeiro filme com temática LGBT e o segundo filme com menor bilheteria americana a ganhar o prêmio de Melhor Filme.  Também foi o primeiro a conceder o prêmio de Melhor Ator para um mulçumano e a ter o prêmio de Melhor Edição para uma mulher negra.

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A fantasia do terror, o drama do amadurecimento, e agora à questão filosófica do sci-fi.

EX_MACHINA conta a história de Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador de computadores, que ganha um concurso na empresa onde trabalha para passar uma semana na casa de Nathan Bateman (Oscar Isaac), o brilhante e recluso presidente da companhia. Após sua chegada, Caleb percebe que foi o escolhido para participar de um teste com a última criação de Nathan: Ava (Alicia Vikander), uma robô com inteligência artificial. Mas essa criatura se apresenta sofisticada e sedutora de uma forma que ninguém poderia prever, complicando a situação ao ponto que Caleb não sabe mais em quem confiar.

O filme foi aclamado por crítica, público e premiações por toda sua parte técnica e visual. Alguns críticos até dizem que esse filme pode ser considerado um dos melhores, se não o melhor, longa de ficção cientifica atual.

Resultado de imagem para good timeNeon, arthouse, e de tirar o fôlego, com certeza todos que assistiram a Bom Comportamento definiriam o filme assim. Com uma das melhores atuações do Robert Pattinson, e direção dos irmãos Safdie, o longa conta sobre o plano de Constantine Nikas (Robert Pattinson), que era assaltar um banco e descolar uma boa quantia em dinheiro, mas nada sai como o planejado e seu irmão mais novo acaba sendo preso. Decidido a resgatá-lo, Constantine embarca em uma perigosa corrida contra o relógio, e onde ele mesmo é o próximo alvo da polícia.

Consagrando mais ainda a carreira dos diretores e de Robert Pattinson, Bom Comportamento foi extremamente aclamado e ainda gera discussões na internet. Com sua trama única, atuações que impressionam do inicio ao fim, esse longa já é considerado por vários um clássico atual.

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Para arrancar lágrimas, Lady Bird é aclamado como um dos melhores filmes ‘Coming of Age’, o longa conta a história de Christine McPherson (Saoirse Ronan), que está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, no entanto, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.

Com a aprovação de 99% no Rotten Tomatoes, o primeiro filme dirigido e escrito por Greta Gerwig, o longa foi aclamado em festivais de cinema, e até chegou a concorrer em quatro categorias no Oscar 2018.

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Agora uma menção especial: Como havíamos dito, a A24 não se limita apenas aos filmes, ela já produz e produziu dezenas de seriados americanos, e o que mais chamou a atenção foi
‘Euphoria’, estrelando a atriz Zendaya.

A série conta o dia-a-dia de adolescentes do ensino médio, mostrando seu amadurecimento, relacionamentos, traumas, redes sociais, drogas e vários outros assuntos que um bom ‘coming of age’ (assim como Lady Bird) precisa dialogar sobre.

A série é uma das favoritas para futuras temporadas de premiações, com destaque na direção, arte, maquiagem e atuação apresentadas na série.

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É realmente dificil ter que escolher apenas cinco longas para representar uma produtora que a sua maioria de filmes devem ser classificados como ‘ver antes de morrer’. Midsommar, Hereditário, Oitava Série, Mid90’s, High Life, Climax e First Reformed são alguns exemplos de filmes que também merecem ser vistos e apreciados, futuramente esses nomes ocuparão a lista de clássicos.

Resultado de imagem para lighthouse movie gifTambém não podemos deixar de citar as futuras produções da empresa, que prometem também entrar nessa lista tão magnifica. The Lighthouse, dirigido por Robert Eggers (o mesmo diretor de ‘A Bruxa’), trabalha ao lado de Robert Pattinson e Willian Dafoe em um terror marítimo, que foi concebido com muitos aplausos, críticas extremamente positivas em Cannes, o longa está sendo cotado como um dos favoritos para o Oscar 2020.

Também podendo ser citados nessa lista, The Last Black Man in San Francisco, elogiado e sendo uma aposta para um dos melhores filmes nas próximas temporadas de premiações, é um longa muito dramático, bonito e emocionante. Outro que entrou de surpresa para essa lista é Uncut Gems (dirigido pelos irmãos Safdie, os mesmos de Bom Comportamento), estrelado pelo Adam Sandler, o longa recebeu aprovação de 100% no Rotten Tomatoes e está sendo comentado como uma das melhores atuações de Sandler, e uma história única.

Resultado de imagem para the witch gifEntão, não se preocupe quando ver o nome da A24 em um filme; talvez você ache o filme controverso, mas esse é o papel de um longa. Criar discussões, te emocionar, assustar, divertir e marcar, é tudo isso que os filmes dessa grandiosa produtora oferecem, e garantem uma experiência única.

Você pode encontrar vários desses filmes citados em plataformas de streaming, cinemas e mídias-físicas. O próximo lançamento da A24 aqui no Brasil será Midsommar: O Mal Não Espera a Noite, no dia 19 de setembro, e terá sessões antecipadas no dia 13, uma sexta-feira.

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Yesterday: Um mundo sem os Beatles

Em certa passagem do filme, quando o mundo já desconhece os Beatles, o protagonista Rick Maleki (Himesh Patel) canta um trecho de Yersterday – justificando o título – para um grupo de amigos. Imediatamente, as pessoas se emocionam e ficam tocadas ao ouvir uma letra tão bela e poética, atribuindo a concepção da música diretamente ao protagonista. E talvez esta seja a passagem que sintetize o significado de todo o filme; embora os Beatles sejam uma das maiores bandas da história, suas músicas são memoráveis não só por serem tocadas pelos seus artistas, mas por transcenderem a própria existência destes.

Basicamente, a trama gira em torno da não-existência dos Beatles. Quando Maleki percebe o fracasso que é a sua vida profissional na música, decide reconstituir todas as músicas da banda britânica, e montar uma carreira inteira em cima do sucesso daqueles que desapareceram da memória coletiva. O melhor de Yesterday é conseguir brincar e desenvolver sua premissa de maneira criativa e empolgante. A forma como as músicas vão sendo lembradas pelo protagonista, ou quando elas são apresentadas em shows que remetem vários momentos únicos da banda, são exemplos que demonstram as inúmeras possibilidades dos roteiristas para com o desenrolar da narrativa.

E são nessas possibilidades que se encontra um grande trunfo de Yesterday. Mesmo que o filme trabalhe bastante o romance entre Maleki e Ellie (Lily James), ele carrega consigo diversas homenagens ao grupo formado por McCartney, Starr, Harrison e Lennon. Diferencia-se, portanto, de obras como Rocketman (2019) e Bohemia Rhapsody (2018), porque parte de um diferente ponto de vista, reproduzindo as carreiras lendárias através da lembrança de um fã apaixonado.

Porém, a idealização de músicas da década de 60/70 contrastam com a produção musical contemporânea, e esta dualidade é outro ponto fortíssimo de Yersterday. A participação de Ed Sheeran é totalmente proposital, não só por sua popularidade – importante para os produtores -, mas também pela representação de uma época em que a música transformou-se em um produto puramente comercial. E, obviamente, quando Maleki apresenta certas músicas, apesar de ser ovacionado, tem um confronto entre as necessidades do mercado e o seu processo “criativo”.

Dessa forma, Yesterday faz críticas contundentes à indústria musical e à transformação do interesse artístico pelo simples fator monetário. As críticas partem da própria ridicularização de Ed Sheeran – que interpreta a si mesmo – pois trata as composições dele como superficiais e pouco criativas comparadas com as antigas. Esse ato provocador não parece ter a pretensão de julgar o presente, mas de demonstrar como as escolhas e os gostos musicais transformam-se durante a história, sendo moldados pela fama e publicidade. Não que não houvesse isso na época dos Beatles, contudo, o interesse econômico tem degradado a qualidade artística de certos músicos.

Um fortíssimo exemplo dessas oposições é quando – está nos trailers – Sheeran tenta influenciar Maleki a trocar Hey Jude para Hey Dude, demonstrando como as composições ficam em prol de um refrão ou expressão que fiquem marcados de forma instantânea nas pessoas. O impacto no coração deve ser menor do que no bolso.

Diante de tantas qualidades conceituais, Yesterday transmite simplicidade em sua cinematografia, mas esbanja inteligência. Há uma montagem e edição eficazes por aplicar as músicas em passagens de tempo e locais, além de ditar tons de certos momentos. Note como as lembranças de certas músicas são feitas através de movimentos de câmera que se encaixam no vai e volta da cabeça do protagonista, que acaba errando alguma frase ou letra. Além disso, o ápice do longa ocorre em seu terço final, em uma sequência sensacional e surpreendente, que guarda um sentimentalismo e até uma singela prática íntima do diretor Danny Boyle.

Após sete parágrafos elogiando e enaltecendo as melhores partes de Yersterday, gostaria de encerrar o texto com uma das frases mais clichês e precisas de uma crítica: “fecha com chave de ouro”. Contudo, o que acontece nos minutos finais beira ao medíocre. A relação entre Maleki e Ellie não é o maior foco, mas é o que dá substância à história dos personagens. E, depois de um terceiro ato que melhorava a cada minuto, o filme encerra de maneira clichê e completamente previsível tal romance. Se o seu desenvolvimento traduz um ótimo filme, seu desfecho traduz o final de uma novela das nove, porque extrapola o romantismo na relação do casal, e entrega conclusões pífias para as suas discussões.

Yesterday consiste em uma obra cinematográfica que busca enaltecer suas inspirações, e refletir certo otimismo ao espectador. Ainda que estrague um pouco seu final, o filme cumpre suas funções em homenagear os Beatles e desmembrar a indústria musical, que, mesmo com suas ambições financeiras, não consegue substituir o valor artístico das composições que têm como função inspirar e transcender ao longo da história.
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Breaking Bad e o episódio da mosca

Breaking Bad continua sendo para muitos uma das melhores séries já feitas, finalizada há seis anos atrás. BrBa é um exemplo de como executar uma trama, desenvolver personagens e criar um final que deixa todos os telespectadores satisfeitos – por conta disso, se tornou uma série incrível do início ao fim. Entretanto, há um episódio que divide a opinião dos fãs: 3×10 – ‘Fly‘.

O episódio em questão gira em torno de uma mosca que invade o laboratório onde Walter e Jesse produzem o famoso cristal azul, além dos métodos que eles usam para expulsar o inseto e voltar para a produção. Esse breve resumo faz parecer que é um episódio chato e massante, inclusive eu mesmo tive essa impressão quando assisti a série pela primeira vez (lá pra 2014). Porém após rever o episódio hoje e ter uma interpretação completamente diferente da que eu tive anteriormente, descobri que esse é um dos melhores episódios e um dos mais geniais de todas as temporadas. Demorou alguns anos para que eu decidisse maratonar Breaking Bad novamente, mas finalmente maratonei e entrei para o time dos que amam o episódio da mosca.

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Em 2010, durante a terceira temporada da série, a produção estava com pouco orçamento para fazer o episódio e por conta disso ‘Fly’ se passa apenas no laboratório, com os protagonistas da série e uma mosca. Se passando em apenas uma locação do início ao fim e explorando de forma excepcional a relação entre Walter White e Jesse Pinkman (que naquele momento estava, como em todo o decorrer da série, bem tensa), o décimo episódio da terceira temporada é um dos mais geniais já feitos e o mais injustiçado.

É até entendível o porque algumas pessoas não gostam dele: em uma temporada que estava bem agitada e num ponto onde faltavam apenas três episódios para sua conclusão, ‘Fly’ acaba sendo um balde de água fria jogada na cara do telespectados. Um episódio calmo, simples e sem nenhum plot twist. Entretanto, ele é fundamental para a saga de Heisenberg.

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Esse episódio é essencial no desenvolvimento de ambos os personagens, afinal, durante todo o confronto com a mosca vemos os dois conversando e interagindo, além de vermos também Walter desabafando sobre querer ter morrido antes de sua esposa descobrir a verdade e quase revelando sobre Jane para Jesse, assim como Pinkman cuidando de seu ex-professor após ter lhe dado um calmante para ele poder descansar e esquecer um pouco a obsessão de matar o inseto. Aqui, observamos que mesmo com suas brigas, ambos se preocupam verdadeiramente um com o outro.

Além do desenvolvimento, da trama e de sua execução, não podemos deixar de elogiar os detalhes técnicos da produção. A direção de Rian Johnson aqui – diferente de seu trabalho em Star Wars: The Last Jedi, que sinceramente deixou e muito a desejar – está espetacular. Sua ideia de fotografia onde a câmera segue o ponto de vista da mosca é algo único, isso em conjunto com a paleta de cores já conhecida da série.

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O fato do episódio conseguir contar uma história com tão poucos recursos, ao se passar em apenas uma locação, e conseguir desenvolver os dois personagens principais de uma forma absurda nos 50 minutos de exibição, em conjunto com a direção de Johnson, torna ‘Fly’ um dos episódios mais geniais de Breaking Bad, do início ao fim. Breaking Bad é minha série favorita, não que ela tenha algum valor sentimental pra mim ou que tenha me ensinado alguma coisa, mas foi a série que mais me prendeu para chegar ao seu desfecho, que é memorável, único e o melhor final para um seriado que eu já assisti (aprende, Game of Thrones).

Se você ainda não assistiu Breaking Bad, assista. Se você assistiu e odeia o episódio da mosca, assista 3×10 ‘Fly’ novamente, com outros olhos, e veja o quão genial esse episódio é.

 

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Senhor Milagre: “Humanos são complicados. Deuses, ainda mais.”

Por alguma razão, existe uma certa tendência nos quadrinhos em reinventar personagens desconhecidos através de roteiristas renomados. O primeiro exemplo vindo a mente, é o run de Grant Morrison pelo Homem-Animal. O roteirista não apenas humanizou Buddy Baker em um nível extraordinário, mas também quebrou muitos padrões ao longo de 26 edições, se consagrando como uma das fases mais amadas de todas. Não seria errado constatar que o Senhor Milagre passou por uma situação semelhante recentemente.

Apesar de Jack Kirby ser o rei e o Quarto Mundo ser considerado uma grande obra, a nova minissérie por Tom King e Mitch Gerads parece ter levado o Novo Deus a outro patamar em termos de popularidade, passando por inúmeras reimpressões durante sua publicação. Os elogios são corriqueiros, tais quais postagens com a icônica frase Darkseid is. Todos esses fatores provavelmente explicam o porquê de Senhor Milagre ter sido vencedor do Eisner 2019, mas o que realmente faz do gibi, esse clássico moderno?

 

SPOILERS! MUITOS SPOILERS A SEGUIR!

Um gibi triste, mas muito além disso.

Há alguns meses, em entrevista ao Comicbook, Tom King declarou que escreve personagens tristes. Mas isso não significa levar o leitor a tristeza absoluta. King odeia como algumas obras exploram trauma constantemente, a cada página. De acordo com o escritor, o trauma é inconstante, em alguns momentos, é possível lidá-lo, em outros, não. É algo sempre presente no subconsciente, nunca no consciente.

Através dessa filosofia, ele constrói e desconstrói Scott Free do início ao fim, inconstante. Humanos são complicados. Deuses, ainda mais. O que o roteiro faz é questionar como o conhecimento exclusivo do ódio, da violência e da dor na infância, afetaria um homem em sua fase adulta? A trama de Senhor Milagre tem início com a tentativa de suicídio do próprio, mas no decorrer das edições, o leitor tem suas emoções testadas como uma montanha-russa, caminhando entre momentos de felicidade e tristeza profunda.

Boa piada. Rufam os tambores.

Dito isso, a quarta edição talvez seja o melhor exemplo desse artifício. Quando Órion vai à casa de Scott para julgá-lo e talvez condená-lo à morte, o cenário casual, a chegada de uma encomenda, elementos mundanos, contrastam com a tensão do julgamento, o qual oferece uma das melhores sequências de todos os tempos. O jogo de palavras de King é genial, eficiente e provocativo, limitando o protagonista a dizer verdadeiro ou falso enquanto os questionamentos transitam do político para o existencial. Isso ajuda não apenas a avançar com a narrativa, mas entender o misto de sensações ruins em Scott nesta cena.

Ao dizer: “Meu nome não é Scott, eu não sei qual é o nome. Meu pai nem mesmo se importou em me dar um nome.”, o coração do leitor, ao lado do personagem, pesa. O sentimento de tristeza é mútuo e ao atingir o brilhante fim do capítulo caracterizado por um surto total, o leitor está lá, assim como Barda, para confortá-lo. Sem explicações sobre backstory, apenas através de um julgamento, a HQ diz mais sobre ódio e raiva do que mil palavras jamais poderiam.

Eu choro toda vez que eu leio isso.

Não apenas através de brilhantes diálogos, Senhor Milagre foi reescrito diversas vezes visando uma conexão perfeita com arte de Mitch Gerads. Definitivamente, funcionou. Gerads é tão autor quanto King aqui, a forma como os rostos realistas, a sujeira, convivem lado a lado com elementos psicodélicos e as cores vibrantes da obra original de Kirby, é simplesmente brilhante.

Além de trazer um pouco de absurdo a realidade e vice-versa, ele utiliza um excelente recurso narrativo através de interferências de sinal de uma TV, expondo o estado desconcertante dos personagens e brincando com a sensação de realidade e ilusão, muito bem explorada na obra. Os traços também se destacam quando o artista emula cenas de ação em planos-sequência, trazendo uma enorme fluidez para a leitura.

 

 

 

Longa Vida ao Rei

Senhor Milagre não apenas mantém os visuais clássicos, mas também presta diversas homenagens a Jack Kirby. Seja através dos textos introdutórios das primeiras edições de Mister Miracle (1971), que estão presentes em cada edição da minissérie, adquirindo novos contextos, ou referências visuais, como o nome do autor na Calçada da Fama, abaixo das mãos do protagonista.

King também resgata diversos conceitos criados por Kirby e alguns deles, servem a um propósito real da narrativa. Aliás, o roteirista relembra a profecia de que Órion é o único capaz de vencer Darkseid, mas a utiliza de maneira inconvencional e extremamente criativa, tornando o meio para chegar ao fim, não apenas surpreendente, mas coerente com o que é estabelecido tanto no passado quanto no presente.

Criação encontra criador.

Mas a maior homenagem provavelmente reside no fato de que o filho do casal Scott e Barda é nomeado de Jacó. Apesar do roteiro justificar a nomeação através de uma história de vida simbolizando o desconhecido e a esperança, fica clara e explícita a homenagem. Principalmente, quando o chamam de Jack: O Rei. Entretanto, como dito anteriormente, há uma explicação dada durante a narrativa e sinceramente, traduz perfeitamente as intenções de King ao declarar que não é uma história exclusivamente com momentos tristes. Como dito anteriormente, há uma inconstância.

Pois bem, o ódio, a dor e a tristeza já foram abordadas acima, pois o melhor é sempre deixado para o final. O amor, o carinho e a felicidade em Senhor Milagre estão concentrados em Jacó, pois ele não é apenas o fruto do amor entre Scott e Barda, ele é a chance de ser o que Scott não conseguiu: Feliz. Ele pode crescer fora de tudo isso, os acordos de paz, a guerra, a Anti-Vida, ele é a esperança de melhora.

Nós também o amamos, Scott

Antes de nomeá-lo, na sétima edição, Barda fala sobre o quão bem faz pensar, durante a gravidez, sobre coisas confortantes e a personagem fala sobre a Escada de Jacó. Ela jamais conseguiria ver o topo da escada, mas sabia que lá, estava o desconhecido, o inimaginável, algo além da miséria, da crueldade, de Darkseid. Mas nada é tão fácil. O roteiro cria uma analogia com o Pacto feito entre Pai Celestial e Darkseid e esse é o momento em que Scott pode escapar, através do amor pelo seu filho, pela sua esposa, esquecer as tramas enormes as quais o cercam. Ele pode finalmente ver o rosto de Deus.

“Este é o Rosto de Deus”

Enquanto redijo este artigo, acabo de finalizar a minha quarta leitura da obra e a experiência foi, certamente, interessante. Porque novas interpretações, novos pensamentos, os quais precisava imediatamente registrá-los, sobre o Rosto de Deus, mencionado constantemente durante a história, vieram. Durante as minhas três primeiras leituras, concluí que era uma homenagem a Jack Kirby, mas não era apenas isso. Há algumas semanas, tinha escrito um parágrafo inteiro sobre isso, mas o modifiquei, pois cheguei a uma nova conclusão.

Durante a quinta edição, Free reflete sobre a famosa frase de Rene Descartes: “Penso, logo, existo.” e sobre o fato de que Deus é melhor que todas as coisas. Se é melhor ser bom, Deus é bom, se é melhor existir, Deus existe, assim como nós existimos. Em Genêsis (1: 27), é dito: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Logo, concluí-se que o enigmático rosto, nada mais é, do que nós mesmos. O que faz sentido, pois o Mestre Escapista é um deus e existe naquele mundo. Quando ele encontra o que há de melhor em sua vida, olha para si, de maneira metafórica, ele tem a chance de retornar para a cronologia sem sentido do Universo DC, ou permanecer morto, nesse mundo perfeito, nem mesmo o céu ou o inferno, apenas este Quarto Mundo.

Poetic Comic

 

Outra pergunta sempre intrigante para mim era: “O que aconteceu aos outros três mundos?” Sabe-se que os Deuses antigos tem sua essência retornada para a Fonte, mas King traz uma certa poesia para responder isso: O primeiro, é de onde nossos pais vieram, o segundo, quando nascemos, o terceiro, quando crescemos e o quarto, é a nossa imaginação, o anseio de escapar do que não podemos: A realidade.

Senhor Milagre por Tom King e Mitch Gerads é uma obra inesquecível. A dupla consegue homenagear o trabalho de Jack Kirby com bastante sutileza, ao mesmo tempo em que traz ainda mais profundidade ao Novo Deus mais icônico. Ora, cruel, ora, bem humorado, mas intrigante, criativo, emocionante e extremamente humano do início ao fim. Por todos esses e inúmeros outros fatores, é o novíssimo clássico moderno da DC Comics.

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Navie desbrava a si mesma com seu Duplo Eu

Dificilmente se encontram hoje em dia pessoas que, em algum momento da vida, não tiveram qualquer tipo de preocupação a respeito de seu peso. Essa vigilância é comum tanto para menos quanto para mais. Simpatias, cirurgias, alimentação regrada, produtos milagrosos e muito mais nos enchem a cabeça na busca de nossa forma ideal. Ideal para nós? Para os outros? Para ambos? Não há somente uma resposta. A vaidade nos prende. Nos põe em uma busca que não sabemos bem o resultado, mas que nos faz pensar que vale a pena.

Segundo dados do Ministério da Saúde de julho de 2019, 55,7% dos brasileiros estão acima do peso e destes, 19,8% são considerados obesos. Nesse último grupo, temos um maior índice em mulheres (20,7%) do que em homens (18,7%). Na França, a estatística é 50% acima do peso e 15,7% obesos. Distinguindo por sexo, os homens “vencem” na situação de obesidade por pouco: 15,8% contra 15,6% das mulheres. Dentre alguns exemplos de enfermidades, diabetes, fibrose, hipertensão e outros problemas cardiovasculares estão associados à obesidade. Indo muito além da questão estética, o peso é imprescindível para indicar situações  sobre saúde e doenças.

Apesar de fazer parte da ligeira minoria em sua terra, Navie está incluída nesse grupo de obesos, e pior: Na situação de obesidade mórbida, classificação máxima onde a pontuação de IMC (Índice de Massa Corporal) ultrapassa 40 pontos. Seu relato de drama pessoal é espantoso: Com auxílio dos desenhos de Audrey Lainé, Navie abre sua vida ao leitor como poucos teriam coragem. Através de estatísticas, cálculos, citações, humor e até analogias com referências de fábulas, a autora diz como buscou refúgio de problemas internos em sua hiperfagia e até que ponto o peso a influenciou em relacionamentos, honestidade, saúde e sexo.

Navie narra seu peso como um fardo que se transforma em sua consciência. Daí seu Duplo Eu. Ela conversa com si mesma, discute, debate e toma decisões sendo ela a própria discordância. Muitos confabulam com si próprio, mas no caso de Navie sua consciência se torna a antagonista. Por isso mesmo ela decide tomar atitudes, mudar para “se livrar de si”. Mas como quase sempre, a vida não tem consequências exatamente como se projeta.

O processo de perda de peso ao qual se submete mostra que o maior problema era a autora e seus obstáculos psicológicos. Ela se odeia e assim torna nociva sua mente e decisões. Esta narrativa gráfica também mostra como esse drama que atinge pessoas do mundo inteiro é explorado pela imprensa e mídia, em reportagens e programas de televisão transmitidos inclusive no Brasil. Quilo por Quilo, de Chris Powell, é um grande sucesso de audiência na TV por assinatura.

Há muitas pessoas que se consideram satisfeitas na forma e aparência que apresentam. Desde que continuem (como qualquer outro) tomando os devidos cuidados com sua saúde, se sentir bem é o que importa no fim das contas. A própria autora hoje participa de um site multimídia a respeito do assunto. No Brasil, coletivos como Projeto Cada Uma e Toda Grandona mostram relatos reais sobre o assunto que, poderiam não só serem HQs, mas toda outra mídia narrativa possível.

Duplo eu é uma saga sobre aceitar a si mesmo para à partir daí tomar decisões e não o contrário. A pessoa se perde no momento em que confunde esses dois caminhos e começa pelo fim. Ao menos quase sempre é possível se reavaliar e tomar a decisão necessária.

A Nemo mais uma vez nos brinda com algo diferente do habitual. Suas preferências editoriais sobre o mercado europeu mudavam como um camaleão desde a criação no selo pelo Grupo Autêntica em 2011. Passando por ficções de Moebius e Enki Bilal, parece ter encontrado seu lugar no Brasil trazendo HQs do velho mundo onde o foco principal é o drama da vida real. Os leitores que buscam algo diferente agradecem, porém material da “velha fase” da editora ainda está incompleto por aqui: Aâma, cujo volume 3 é o mais recente a sair no Brasil e veio para cá em 2017, tem um quarto e último tomo lançado há quase 5 anos na Europa e que conclui essa saga, mas ainda encontra-se inédito em português; A coleção Safadas também tem um derradeiro volume intitulado Ciné Fripon (Safadas Cinema, em tradução livre) que nunca chegou por aqui. Apesar do ótimo trabalho realizado em outros seguimentos, vale a pena a editora concluir essas coleções já iniciadas.

Duplo Eu
Navie e Audrey Lainé
144 páginas
Formato: 17 x 24 cm
R$54,90
Brochura
Editora Nemo
Data de publicação: 07/2019

 

 

 

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A inclusão na Nona Arte! Conheça 5 Quadrinhos sobre Deficiência Intelectual e Autismo

Deficiência Intelectual costuma ser um tema raramente abordado em mídias tradicionais.  Geralmente quem é acostumado a falar sobre isso, ou convive com quem possui, ou trabalha com serviços voltados para o assunto.

Eu poderia somente vir aqui e dizer que precisamos de mais materiais voltados para o tema, mas não é esse o objetivo do texto, é pertinente deixar bem claro, que por mais leituras que a gente realize, só conseguimos aprender o que é a deficiência de verdade, quando convivemos com ela, seja direta, ou indiretamente.

Mas mesmo dizendo isso no parágrafo anterior, eu ainda arriscaria dizer que existe mais um meio de sentir e nos colocar na pele de quem possui ou convive com a deficiência intelectual. E como o título já diz, estamos falando sobre os quadrinhos.

Do dia 21 ao dia 28 de Agosto desse ano, acontece a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual, e claro, aproveitando esse gancho, separamos aqui 5 obras que te ajudam a entender, e até mesmo, sentir na pele tudo que esse assunto nos trás.

Turma da Mônica: Um Amiguinho Diferente

Capa da Edição

Nada melhor iniciar a nossa Lista com quem nos ajudou (pelo menos a grande maioria dos atuais leitores Brasileiros) a iniciar nos quadrinhos desde a infância, o grande Maurício de Souza.

No ano de 2001, ele foi convidado para desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do autismo. E com alguns meses e bastante trabalho, foi criado mais um personagem da Turma da Mônica, o André.

No seu primeiro quadrinho, o André, de forma indireta conseguiu passar diversas informações sobre o autismo e o melhor de tudo, de um jeito claro e lúdico, de modo que crianças e seus familiares conseguiam compreender, de forma natural e sem preconceitos, do que se tratava o espectro.

Além do quadrinho, também foram criadas seis vinhetas de desenho animado, que alertam pais, familiares e professores para a importância do diagnóstico precoce e esclarecem o comportamento que deve ser adotado com a criança autista.

A turma da mônica sempre foi um grande exemplo de inclusão e representatividade. Além do André dentro do bairro do Limoeiro temos o Humberto, que é um menino mudo, a Dorinha que é uma menina cega, o Luca que é um menino cadeirante, e também a Tati que é uma deficiente intelectual com síndrome de Down.


A Vida Com Logan

Capa do Quadrinho

Também nacional, A vida com Logan nos mostra um pouco do cotidiano de uma criança com Síndrome de Down. Crenças limitantes são desfeitas dentro do quadrinho que é escrito por nada menos que o pai do Logan. Sim… o Logan é real! E é filho do quadrinista Flávio Soares, que graças a convivência com o filho, nos consegue passar uma ideia diferente de tudo que estamos acostumados a ouvir sobre o que é a Síndrome de Down.

Além de todas as aventuras e emoções no quadrinho, conseguimos também muitas informações sobre a Síndrome no final da obra e inclusive fotos do verdadeiro Logan.


A Diferença Invisível

Capa do Quadrinho

Saindo um pouco dos nacionais, chegamos a um quadrinho publicado pela Editora Nemo, que como de costume foge de todo o Mainstream.

A Diferença Invisível acaba trazendo, além de toda informação sobre o Autismo, uma história de descoberta. Já que a Francesa Marguerite, protagonista do quadrinho, após muito tempo se sentindo deslocada, consegue entender o porque de toda a angústia que sentia.

Há um tempo publicamos aqui uma resenha sobre esse quadrinho (Clique aqui para ler) e para não perder muito a graça da leitura do texto em si, sugiro que clique no link e aproveite mais a fundo a obra de arte que ele é, e consiga entender a importância da mistura de cores juntamente do desenvolver da história.


Bim, Um menino Diferente

Capa da edição

Voltando ao nacional, mas não deixando de inovar, trazemos um quadrinho simples (à primeira vista), não muito conhecido, mas de grande importância para o mundo dos Quadrinhos. Bim, Um menino diferente retrata a vida de um menino com Paralisia Cerebral, e consegue provar, que apesar de todas as suas dificuldades, ele consegue ser uma criança feliz.

Bom… Lendo a sinopse, daria pra pensar que seria mais uma história clichê de filmes de sessão da tarde presente nos quadrinhos. A diferença está em quem escreveu o quadrinho. Bim acaba se tornando um autorretrato do autor Fábio Fernandes, que possui paralisia cerebral e mesmo com todas suas limitações publicou o seu primeiro quadrinho e se inseriu no mundo editorial.


Não era Você que eu esperava

Capa da Edição

Finalizando a nossa lista, Não era você que eu esperava acaba sendo um dos quadrinhos mais emocionantes e que mais nos toca sobre o assunto tratado.

Fabien Toulmé narra e desmistifica, com bastante emoção e delicadeza, sua experiência com sua filha que possui Síndrome de Down. O ponto principal no quadrinho, ao meu ver, nem seria somente a deficiência em si, mas todo o contexto extremamente bem trabalhado, e as ocorrências na vida de todos que estão ao redor da família do protagonista. Acredito que essa obra deveria ter um espaço na coleção de todos, não somente pelo tema, mas sobre todo o modo em que ela é contada.

Eu até gostaria de falar mais sobre ele por aqui, mas como no caso de A diferença Invisível, também temos um texto muito bom e bastante detalhado sobre o quadrinho aqui na torre, que não precisa de nenhum complemento (Clique aqui pra conferir).


Finalizamos a nossa lista, mas espero que nunca finalizemos a luta por toda essa causa, se você conhece algum deficiente intelectual, se informe, interaja e utilize todo esse super poder que nos foi dado chamado inclusão. Uma excelente semana da Deficiência intelectual para todos e até a Próxima.

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A estagnação dos filmes de heróis

Ao longo da história do cinema, nós já tivemos vários filmes de super-heróis, grandes clássicos e extremamente influentes até hoje. Mas, durante todo este tempo, uma coisa não mudou: Não temos uma diversidade, ou subgêneros para tais longas. Pegue de exemplo o Universo Cinematográfico Marvel, que completa onze anos e atualmente com 23 filmes já lançados, e mais 12 em desenvolvimento; sem contar suas séries. Pensando em um todo, isso não saturou  um gênero em que quase não havia diversificação?

Marvel e a DC Comics sempre estiveram presentes desde o início do século 21 com seus filmes, X-Men (2000), Homem-Aranha 2 (2004) e Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), longas que sem dúvidas mudaram o rumo do audiovisual e dos blockbusters. Esses filmes foram extremamente importantes para a formação e a base para o que temos hoje, os universos compartilhados, novos efeitos de CGI, e bilheterias exorbitantes.

E pensando nisso, fica no ar uma questão que não quer calar, quando teremos um novo filme que  realmente mudará o cenário que nos encontramos? É dificil pensar nisso, já que praticamente estamos vivendo em uma homogeneização em estilos, formas e histórias, e o que sai deste padrão, é atacado. Isso é visivelmente comprovado em questões de crítica (tanto profissional, quanto de público) e de bilheteria.

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Um dos maiores problemas talvez seja feito diante da “Fórmula Marvel”, tão criticada pelos fãs mais antigos, porém bastante ignorada pelo público em geral. Essa Fórmula consiste em invariavelmente, como um ‘esqueleto’ para o todos os roteiros
“O protagonista geralmente está cheio de problemas e tem um interesse amoroso não reciproco,  ele descobre seus superpoderes, um vilão descartável aparece e derrota o herói, e no final o herói enfrenta o vilão, derrotando-o e conquistando a garota. Cena pós-credito”.

Mas, felizmente, nem todos os filmes da Marvel se baseiam dessa fórmula, temos uma minoria que consegue ter seu próprio estilo e roteiro inovador, como Capitão América 2: Soldado Invernal e Guardiões da Galáxia. Esse estilo de filme se tornou extremamente rentável ao estúdio, já que só esse ano, a Disney fez mais de 1 bilhão de dólares em três filmes da Marvel Studios!

Esse com toda certeza é um dos maiores motivos de provavelmente todos os filmes do estúdio seguirem dentro de uma bolha, mas não só em roteiro, como tambem em efeitos especiais, fotografia, direção e trilha-sonora; praticamente a parte técnica e artística nesses filmes sao totalmente deixadas de lado, o que cria mais ainda uma saturação ao gênero. E isso acaba se tornando uma bola de neve, já que temos uma onda de universos compartilhados se inventando e todos utilizando dessa estrutura que a Disney criou. E isso com toda certeza interfere no trabalho dos diretores, que querem trazer sua visão para dentro de um universo tão rico, mas entre ideias e dinheiro, acho que é de ciência de todos qual o estúdio prefere.

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Levando em consideração tudo o que já foi apresentado sobre como a Marvel homogeneíza os longas de super-heróis, temos de falar sobre qual é o problema da DC Films: a vontade de ser inovadora e a auto sabotação da Warner Bros.

É inegável que a DC tem seu próprio estilo de filmes desde a trilogia do Cavaleiro das Trevas, do renomado diretor Christopher Nolan. Tratando de questões sociólogas, filosóficas, psicológicas e adaptando o que tem de melhor nos quadrinhos, a visão de Zack Snyder para esse universo era única, diferente de tudo que a Marvel estava atualmente fazendo, mas acabou de tornando um tiro no escuro após ter que lidar com um público que não tem senso critico desenvolvido, e por executivos gananciosos.

Após Homem de Aço e Batman v Superman falharem em crítica, e deixar o público misto, chegou Esquadrão Suicida, o primeiro filme em que mudaram todo o conceito original para se tornar um filme mais rentável. Mesmo o filme tendo um roteiro fraco, com falhas e furos, e críticas pesadas, se o selo “Marvel Studios” estivesse ali, provavelmente seria totalmente aceito, assim como “Liga da Justiça”, que foi praticamente todo alterado por Joss Whedon, diretor de Vingadores (2012). Ambos os filmes tem em si elementos que os filmes do estúdio rival apresentam, elementos que são glorificados, agora odiados.

Mas agora, a DC está sendo pioneira novamente, com uma nova direção sobre a DC Films e a troca de CEO da Warner Bros. Já foi dito que cada herói terá seu próprio tom e temas, sendo sombrios, engraçados e afins. Também vale lembrar que a DC está abrindo um novo selo para seus filmes, que pretende trazer filmes mais adultos, sombrios e artísticos, fora do universo criado por Snyder. Então, já temos  uma produtora correndo atrás contra a mesmice dos heróis.

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Chegamos a parte de nos perguntar, “Onde estão os filmes como Cavaleiro das Trevas, Watchmen, V de Vingança? Quais serão os futuros clássicos?”. É com muito prazer que digo , finalmente estão voltando, aos poucos, e devemos agradecer principalmente a Warner e a FOX (atualmente Disney) por isso.

Como citado acima, a DC está para lançar um selo de filmes originais, adaptações fiéis aos quadrinhos e sombrios. Longas mais artísticos, focando em festivais de cinema e que tem a chance de marcar a história em si. Felizmente, o filme já foi descrito pelo co-diretor do festival canadense de cinema como ”uma grande conquista cinematográfica”. Já o diretor de arte do festival disse que Coringa é a melhor atuação do premiado e nomeado Joaquin Phoenix. Já temos provavelmente mais um filme para lista dos pioneiros na diversificação do gênero, e com o novo selo do estúdio, a tendência é vir mais e mais.

Vale lembrar que a DC também se envolve muito quando a questão é técnica em seus filmes, pegando diretores e atores premiados, como Steve Spielberg e Jared Leto, por exemplo.

Imagem relacionadaMas também não podemos deixar de citar como a FOX ajudou o gênero de heróis, filmes como X-Men: Primeira Classe, Deadpool e Logan são tão únicos como são bons, e todos deixaram a sua marca na história. Logan foi o primeiro filme de super-heróis a concorrer a categoria “Melhor Roteiro Adaptado” no Oscar, e também foi super bem recebido nas criticas, chegando a alcançar 93% no Rotten Tomatoes. Deadpool reacendeu a faísca que Watchmen criou ao ser um dos primeiros longas para maiores com o tema de heróis. A grande maioria dos X-men’s trouxeram filmes bem desenvolvidos e bons sobre a equipe, questões sociais e boas adaptações, como pode ser visto em Dias de Um Futuro Esquecido. Uma menção honrosa pode ser feita também para o seriado Legion, que é comparado por muitos como um ‘filho perdido’ de David Lynch.

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Mas não é só isso, a FOX também  se tornaria uma pioneira em praticamente criar o primeiro filme de super-heróis em que teria o subgênero de terror. Os Novos Mutantes é a promessa de um divisor de águas legitimo. Com um elenco cheio de futuras premissas de Hollywood, como Anya Taylor-Joy (A Bruxa, Fragmentado) e Maisie Williams (Game of Thrones),o longa também conta com a brasileira Alice Braga (Cidade de Deus) e Antonio Banderas (A Mascará de Zorro). Tudo ocorria bem, até que um problema maior bateu as portas: a venda da FOX para Disney.

Já foi reportado pelo site norte-americano, Variety, que o estúdio não se impressionou com o filme, e acha ele não fará sucesso. A empresa vê o filme como ‘limitado’, e que não será um sucesso de bilheteria. Chega a ser cômico eles pensarem desta forma, já que o gênero de terror e heróis são os que mais lucram todo ano, e eles já faturam bilhões por qualquer coisa com o selo ‘Marvel’ na frente. E mais uma vez, temos a Disney mostrando que não se importa com o gênero, muito menos com o potencial dele, o dinheiro fala mais alto, sempre. As ações gananciosas podem afetar não só Os Novos Mutantes, como também pode afetar Deadpool e os próprios mutantes!

Resultado de imagem para deadpool gifO próprio diretor do Deadpool 2, David Leitch, se pronunciou sobre o mercenário tagarela indo para o MCU com uma posição polêmica. Segundo Leitch, o terceiro filme da franquia não tem necessidade  ser para maiores: “Ele é classificado para maiores, que não é a marca do MCU. Mas ele não precisa ser necessariamente assim e a Disney não precisa apenas fazer filmes para maiores de 13 anos. Eu acho que vamos encontrar um bom patamar. Ainda há muito mistério sobre o que eles querem fazer com o Deadpool no mundo da Marvel, mas pelas discussões que eu ouvi, tudo é positivo. Eu acho que eles apenas estão tentando descobrir um jeito de colocar ele dentro, já que pode ser difícil com o Deadpool”.

Em 2018 a FOX tentou fazer a sua versão para maiores de 13 anos de Deadpool 2, intitulada ‘Era uma Vez um Deadpool’, e o resultado foi aprovação de 51% do público e da crítica no Rotten Tomatoes, e nota 4.0 no Metacritic pelos usuários. Tornar um personagem em algo feito para crianças com a versão já apresentada nos cinemas seria um erro fatal, já que sua imagem está associada para maiores. Seria o mesmo erro que Venom (2018) cometeu, prometer um filme para maiores e entregar um para menores, isso tirou o que o filme sempre propôs.

Outro medo é como a Disney pretende utilizar dos X-men, uma das equipes mais importantes dos quadrinhos. Desde que Stan Lee e Jack Kirby os criaram em 1963, os quadrinhos da equipe sempre abordaram temas políticos, sociais, diversidade e isso é algo que precisamos no cinema. Precisamos de diversidade, criar essa consciência de pensar no próximo, respeitar, por meio dos filmes que mais fazem sucesso atualmente. Não podemos deixar usar apenas mais uma ‘fórmula marvel’, precisamos que isso seja único.

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Diversidade é algo que felizmente anda crescendo no mundo dos heróis. Temos por exemplo Pantera Negra, que foi um sucesso de crítica, bilheteria e prêmios. Mulher-Maravilha sendo uma das personagens mais amadas pelo público prestes a ganhar seu segundo filme, ao lado das Aves de Rapina, o primeiro filme de uma equipe feminina em um universo cinematográfico. E depois de anos pedindo, finalmente teremos o filme da Viúva Negra.

Temos atores e atrizes LBGTQ+ atuando como grandes personagens, como por exemplo Chella Man, que é um ator trans e surdo, ele interpretará Jericho na segunda temporada de Titãs. Ezra Miller, o Flash, é abertamente queer. Grandes perspectivas estão a caminho.

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Concluindo, os filmes de heróis não fazem mal algum ao cinema, muito pelo contrário. Porém, precisam sair da zona de conforto, nao continuarem a ter sempre os mesmos esquemas de roteiro, ideias não originais; vilões genéricos, isso sim faz mal ao cinema e ao gênero. Abrindo novos caminhos, novas visões e adaptações, é necessário que abracemos a diversidade e caminhos diferentes. Assim como o terror, o gênero de herói precisa ter suas vertentes e subgêneros.

O futuro nos trás esperança com tantos projetos bons e novas visões vindo, o que nos resta é esperar, e torcer para que o gênero se enriqueça e não se sature.

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Bloodstained: Ritual of The Night não é perfeito, mas é o Castlevania moderno que o mundo precisava

Bloodstained: Ritual of The Night veio com a missão de resgatar o brilho dos clássicos jogos da franquia Castlevania, que agora se encontra abandonada no porão da Konami. Koji Igarashi, responsável pelos jogos mais bem sucedidos da franquia, retorna junto ao mundo dos jogos após uma bem sucedida campanha no Kickstarter, mas com um desenvolvimento infernal.

Em Bloodstained: Ritual of The Night controlamos Miriam que após ficar em coma por um bom tempo, acorda para poder deter seu irmão, Gebel. Miriam possui uma pele cristalizada, que absorve outros fragmentos, dando a ela a possibilidade de usar poderes baseados nos mesmos.

Como um não-jogador de Castlevania (algo que desejo mudar em breve), não possuo conexão com esse universo e com a figura do Iga em si. Nunca tive a oportunidade de jogar quando criança, então Bloodstained não foi algo que eu vinha esperando ansiosamente. 

Mesmo assim, eu acompanhava as notícias e os diversos updates que a equipe de desenvolvimento soltava.

É notável a influência do público durante o desenvolvimento do jogo, o que rendeu o vídeo de comparação feito pela própria desenvolvedora, mostrando as mudanças que o jogo recebeu, se baseando através do feedback da comunidade. Desde os gráficos às animações.

Ainda assim, mesmo após dois meses do lançamento do jogo, ele ainda possui problemas de performance. Enquanto jogava no PlayStation 4, o jogo crashava diversas vezes, além de travar direto em algumas partes, travamentos de cerca de 3~5 segundos. Como bem sabem, Bloodstained não possui autosave, então eu perdi progressos ao longo da jogatina.

Cheguei a pensar que fosse algo de errado com o meu console, mas procurando no Reddit e no Twitter, encontrei várias pessoas com o mesmo problema e em consoles diferentes. Claro que é algo que pode ser resolvido com atualizações, mas já se passaram dois meses desde que o jogo foi lançado e nada foi consertado.

Não só em performance o jogo peca, a renderização dos personagens em si, tanto na gameplay, quanto nos diálogos, é bastante feia. Muitas vezes estragando o ótimo character design que o jogo possui.

Em questão de roteiro o jogo não é tão inspirador. É uma história bem simples, mas que funciona. Já em lore, o jogo se sai bem. As histórias dos livros são bem interessantes e complementam aquele mundo. As descrições das armas são legais. Além de darem dicas para o jogo.

Quanto a ambientação do jogo, é incrível. Os cenários são variados e muito bem detalhados, além de serem interativos. A mistura entre Miriam e os cenários foi algo muito bem acertado pelos desenvolvedores. A arte é ótima. A trilha-sonora também é um dos grandes destaques, em especial a que começa a tocar assim que entramos no castelo pela primeira vez.

Agora, vamos falar do que importa: a gameplay.

A gameplay de Bloodstained é fluida e intuitiva. Temos uma variação enorme de poderes e descobrir em que situação usar cada um deles é interessante e divertido. Para isso temos os Fragmentos (Shards), que conseguimos ao derrotarmos X vezes uma criatura do jogo. Esses Fragmentos podem ser melhorados em uma das lojas do game, os tornando ainda mais fortes. Como há uma grande variação deles, o sistema do jogo tende a fazer com que o jogador experimente cada um deles, e decida qual é o melhor para se usar em cada situação.

As animações do jogo estão bem feitas, e isso faz com que a gameplay se torne ainda mais divertida. Há sistema de sidequests também, que são legais em questão de lore, mas pouco inspiradas, servem mais para dar itens melhores, que podem ser usados para o crafting.

Falando em crafting, assim como os fragmentos, cada arma de Bloodstained é única. Nem sempre a arma mais forte será a melhor opção em um chefe. Há armas de longo e curto alcance e lentas e rápidas. Cada chefe irá ditar o tipo de arma que você deve usar. Mas é claro que o jogador pode usar aquela que ele preferir.

Bloodstained: Ritual of The Night não é perfeito. Muito pelo contrário, sua história é rasa, há bugs e problemas de performance, mas o seu gameplay é ótimo e divertido. E que Koji Igarashi retorne com mais jogos, sejam eles metroidvanias ou novas aventuras.

Recomendável – Nota: 3.5/5

Agradecimentos à 505 Games pelo envio do código. O jogo foi rodado em um PlayStation 4 e está disponível também para Xbox One, PC e Nintendo Switch.

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A leitura psicodélica, colorida e musical de Beatles – Yellow Submarine

“If you’re listening to this song, you may think the cords are going wrong. But they’re not. We just wrote it like that”

Tudo que os Beatles fizeram, acabou se tornando parte da história musical do mundo. Seja o que eles se interessaram em fazer, seja o que eles não estavam muito interessados em fazer. Nessa segunda opção temos, por incrível que pareça, Yellow Submarine. Concebido como décimo primeiro disco de estúdio da banda, ele foi gravado entre 1967 e 1968 no lendário Estúdio Abbey Road, sendo lançado em 1969. O projeto foi comercializado como banda sonora para o filme de animação do mesmo nome (que chegou aos cinemas em 1968).

Cartaz original do longa animado.

Os Beatles consideraram Yellow Submarine como uma obrigação contratual, o álbum em si possui 13 músicas no total, sendo seis compostas pela banda, incluindo a faixa-título e All You Need Is Love. O restante do álbum são regravações da banda sonora orquestral do filme pelo produtor George Martin. Já o longa animado foi recebido com muito agrado pela crítica. Mesmo com a banda não dando muita importância, eles não dublam seus próprios personagens por exemplo, o filme foi um sucesso de bilheteria justamente por ser uma das bandas mais populares do momento e por ser lançado no meio da cultura pop psicodélica da década de 1960.

E essa psicodelia toda está na graphic novel.

No aniversário de 50 anos de Yellow Submarine, a Titan Comics recrutou Bill Morrison, que tem em seu currículo Mad Magazine e Os Simpsons, para roteirizar e desenhar a adaptação. Morrison seguiu o estilo inigualável do filme e acertou na nota. Falar que a Graphic Novel é um prato cheio para os fãs é chover no molhado. Mas me impressiona como ela é gostosa de ler para quem não é ouvinte da banda. E esse texto, estimado leitor que não gosta de Beatles, é muito para você. Uma pequena curiosidade é que em 1968, também já tinha sido lançada uma adaptação em quadrinhos de Yellow Submarine.

 

“We all live in a yellow submarine… Yellow submarine, yellow submarine”

A trama começa com uma invasão na idílica Pepperland pelos Malvados Azuis, que odeiam música e tudo que o local representa. O recém-nomeado Almirante Fred embarca no Submarino Amarelo atrás de ajuda, recrutando Ringo, John, George e Paul, que voltam com ele para livrar aquela terra do domínio dos autoritários Azuis.

A primeira coisa que tem que se ter em mente para quem não é familiarizado ou simplesmente não curte os Beatles é: Não se prenda à razão. Yellow Submarine não foi feita para pensar muito. Ela é o retrato de uma viagem de ácido em uma kombi cruzando os EUA. Ela não tem momentos surreais. Ela é totalmente surreal. Como algo que só veríamos em histórias do Grant Morrison muito chapado com um baita colorista. A trama tem um norte, ela sabe para onde vai e sabe conduzir o leitor. Mas os devaneios no meio dela são de você se pegar pensando: “mas o que é isso que estou lendo?”

Bill Morrison usou e abusou de cores, nos tamanhos de personagens e nas páginas duplas. Diagramações e quadros exagerados ajudam a compor o estilo psicodélico que a trama exige e urra, às vezes você se pega em uma página dupla lendo uma sequência de diálogos tão ágil que misturada com a colorização te deixa atordoado. Isso sem contar os detalhes em cenários, roupas e personagens. Tudo tão intenso e forte. Mas o grande barato é a satisfação de se ler Yellow Submarine. Pois é uma leitura sem compromisso. Para quem vem de quadrinhos tensos, sejam de heróis ou de outro gênero, que te deixa vibrado ou sonolento no gibi, essa Graphic Novel é um alívio mental e te faz sair da caixinha total.

“All you need is love… All you need is love, love… Love is all you need”

Mas, assustadoramente, Yellow Submarine pode ser um tema atual. Onde vemos os Malvados Azuis que quer dominar a todos de sua maneira, usando de sua ignorância e afogando a cultura musical que dá alegria e vida ao povo de Pepperland. É fácil enxergar o genocídio da felicidade cometido pelos Azuis em alguns governantes atuais… mas, sinceramente… esse não é o papel dessa Graphic Novel. Ela só tem uma missão: te fazer desligar do mundo e curtir somente o barato e bom da vida. Nem que seja somente durante as suas 128 páginas.

Como de praxe, a edição da Darkside Books ficou formidável. Uma graphic novel bem bonita, com cores bem vibrantes que se destacam onde você estiver e que fazem bem aos olhos. Mais um excelente trabalho da editora.

Beatles – Yellow Submarine tem formato 29,4 x 19,4 cm, capa dura e contém extras como esboços originais.