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Gideon Falls – A saga chega ao fim

A saga de grande sucesso chega ao fim e ao contrário do que ouvimos falar sobre os quadrinhos autorais de Jeff Lemire, que as histórias são muito similares, sempre com um drama familiar, Gideon Falls é um thriller capaz de arrepiar os cabelos, carregado de suspense e com uma pitada de horror na medida.

Lançada nos Estados Unidos pela Image Comics em 2018 pela dupla já conhecida Jeff Lemire e Andrea Sorrentino ( Arqueiro Verde e O Velho Logan) e o colorista Dave Stewart ( Hellboy e Daytripper) , foi publicada  em terras brasileiras pela Editora Mino, em 6 encadernados muito bem trabalhados.

Iniciamos essa narrativa com a história de Norton Sinclair, um rapaz com sérios problemas psiquiátricos atormentado pela escuridão. Calma! Não é o lado negro da força querendo tentar o nosso jovem “If you only knew the power of the dark side, Norton”. 

Brincadeiras à parte, a princípio não é possível saber o que o atormenta, deixando dúvidas se existe de fato algo a temer ou se tudo não passa de confusões criadas pela cabeça do rapaz. Norton dá muitos sinais de estar confuso e perdido dentro suas manias, como revirar o lixo da cidade em busca de pistas para obter respostas de um quebra cabeças que ele nem ao menos consegue explicar. 

Norton conta apenas com apoio de sua psiquiatra Dra. Xu, que mesmo cética em realação ao sobrenatural, dá o suporte que seu paciente necessita ao notar tamanho sofrimento que esse mistério lhe causa. Mas, o cetismo desta psiquiatra dura apenas até o momento em que ela mesma tem a visão o Celeiro bem diante dos seus olhos.

O segundo núcleo apresentado vive no interior de Gideon Falls, onde há uma pequena comunidade típica dos filmes de terror onde todos se conhecem e muitos possíveis suspeitos se formam. A pequena comunidade é agraciada com a chegada de um novo Padre, Wilfred. Um Padre totalmente fora do padrão, com problemas com alcoolismo e um passado bem obscuro. Sua chegada é precedida por um assassinato e o Padre é o primeiro suspeito desse crime, mas as coisas não seriam tão simples em Gideon Falls, tão pouco esse assassinato seria um crime comum. 

 

A cidade é assolada a gerações por uma lenda urbana, O Celeiro Negro. E suas aparições sempre são precedidas por mortes e terror. Mas, claro que essa lenda parece apenas uma bela oportunidade para se livrar da culpa dos mais hediondos crimes. 

Nada é comum em Gideon Falls, e como para todo boato existe uma possibilidade de fatos reais, um grupo autodenominado de lavradores atuam como a Mistério S.A da cidade atrás de pistas sobre o Celeiro.

O Celeiro Negro é muito mais do que uma aparição fantasmagórica, dentro dele habita um mal que anseia por liberdade e rasteja por entre as realidades, buscando uma forma de sair da prisão da qual se mantém. Esse mal que habita o celeiro é visto como o Homem que sorri na escuridão, uma visão repulsiva que atrai suas vítimas para um caminho sem volta, que tenta as pessoas através de suas fraquezas para tomá -las em busca de um receptáculo perfeito, como um gênio da lâmpada diabólico.

 

Com um roteiro quase cinematográfico, ler esse quadrinho é como ver  as cenas de um filme ou série de TV acontecendo bem diante dos seus olhos. A arte de Andrea Sorrentino colabora em grande parte para causar essa sensação, já que ela conta uma história à parte do roteiro, insinuando detalhes que complementam, como uma dança sincronizada,  essa narrativa.

Lemire faz bom uso da Teoria das realidades paralelas nessa história, explorando realidades alternativas e uma base temporal de dar inveja na série Dark da Netflix e no quadrinho Crise Infinita da DC Comics (Super Recomendo).

A saga gera  altas expectativas no leitor a cada volume e apesar de ter uma narrativa e personagens excepcionais, ela cria mais questionamentos do que os responde. Talvez, na ânsia  de criar um universo fantástico, Lemire tenha se esquecido de amarrar muitas pontas soltas, e o último volume intitulado O fim abre uma brecha para uma possível continuação. Para alguns leitores, esse final ambíguo foi decepcionante, para outros foi a oportunidade de ver um retorno dessa saga.

E por falar em continuação, na CCXP Worlds 2020 Sorrentino confirma a produção da  série de TV inspirada nesse thriller, tendo o diretor James Wan ( de Aquaman ) como o responsável por trazer essa adaptação dos quadrinhos para as telinhas. Será que esse foi o motivo de um final tão aberto? Só nos resta aguardar por mais detalhes.

Então, empolgados para esse show? Leiam Gideon Falls e deixem suas impressões aqui pra gente. 😏

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Trilogia Rua do Medo é nostálgica, mas esquecível

Para todos os fãs de terror, é muito fácil encontrar obras que fazem referência ao tão amado gênero, como por exemplo a icônica e revolucionária quadrilogia Scream, de Wes Craven. A trilogia Rua do Medo, dirigida por Leigh Janiak (Panic), chegou à Netflix no mês de julho e chamou atenção por ser lançado um filme a cada semana, sendo cada um em uma época diferente que se conecta à história antiga de uma bruxa. Funcionando como uma homenagem à série de livros do escritor R. L. Stine, e não uma adaptação direta deles, os três filmes giram em torno da maldição que paira sob a cidade Shadyside por gerações, sempre influenciando pessoas a cometerem assassinatos.

Rua do Medo: 1994 - Parte 1: Crítica do filme da Netflix

Parte 1

No primeiro longa, acompanhamos Deena (Kianna Madeira), seus amigos e seu irmão tentando salvar a namorada de Deena, Sam (Olivia Scott Welch), que após perturbar o túmulo da bruxa Sarah Fier, começa a ser perseguida por assassinos. Os jovens precisam sobreviver a uma noite perturbadora e descobrir como impedir a bruxa. Iniciando com a participação de Maya Hawke (Stranger Things) em uma cena à la Drew Barrymore em Scream, já fica claro a intenção de homenagear os slashers, trazendo certa nostalgia para os fãs do gênero, porém não funcionando no quesito terror. A cena conta com muitos jumpscares baratos que pecam pelo excesso. No entanto, os detalhes técnicos como a escolha de cores néon e iluminação, sua estética chamativa dos anos 90 e fotografia passam o sentimento cativante da época.

Talvez o maior problema do filme seja seus personagens, que não são nem um pouco carismáticos, com atuações caricatas demais. Geralmente, no terror não se precisa de um grande aprofundamento nos intérpretes, porém se faz necessário uma linha entre espectador e personagem, coisa que a obra não entrega. Além disso, outro grande defeito -e que infelizmente se perpetua nas sequências- é a quebra de momentos de tensão, que chega a ser patético. O principal exemplo é a cena onde os jovens estão na escola armando seu plano para pegar os assassinos e de repente todos começam a namorar, criando um cenário digno de vergonha alheia. A forma como vai muito fácil de nervosismo à romance é brusca, e faz com que não se estabeleça um sentido na linha narrativa geral, o que é muito frustrante. O roteiro se perde durante todo o filme, chega-se ao final e ainda não sabemos se é um terror sério ou um trash com mais humor como A Babá, fato que sabotou o primeiro filme. 

Nota: Prata

Parte 2

Na sequência é contada a história de Ziggy (Sadie Sink) e sua irmã Cindy (Emily Rudd) em suas férias de verão no acampamento Nightwing. Agora com o ar dos anos 70 e com direito aos clichês do gênero dessa época, vemos diversas referências à Sexta-feira 13, Carrie, O massacre da serra elétrica, entre vários outros. Ainda que seu primeiro ato se desenrole de forma um pouco mais lenta, o longa consegue instaurar um clima mais vibrante, sobretudo por não se passar em uma cidade que de repente fica deserta como foi em seu antecessor. Aqui os protagonistas instigam e conseguem tomar nossa atenção para como eles vão resolver as situações e sobreviver, e entregam mais carisma.

Crítica | Rua do Medo: 1978 – Parte 2 - Plano Crítico

A personagem Ziggy, apesar de indelicada, é quem traz a empolgação necessária para o filme, visto que a relação com sua irmã teve um bom desenvolvimento e as duas funcionam bem juntas em tela. A mitologia acerca da bruxa vai se aprofundando ainda mais, dando a impressão de que a história não está sendo desperdiçada. A parte 2 nos presenteia com cenas cheias de adrenalina e mais apreensão em sua narrativa, nos levando a indagar em quase todos os momentos o que vem a seguir. Rua do Medo 1978 não possui o mesmo problema do anterior acerca de não saber qual caminho seguir, aqui o roteiro parecia mais certo de qual tom se direcionar. Mostrando ser um pouco mais sério e sabendo em que momentos ser cômico, o segundo filme se consagrou como o superior da trilogia. 

Nota: Ouro

Parte 3

Na conclusão ambientada no ano 1666 durante a caça às bruxas, enfim é contada a história de Sarah Fier, como e porquê foi realizada a maldição da cidade, enquanto Deena e seu irmão tentam salvar Sam e livrar a cidade do mal em 1994. Até pouco depois da metade do longa é enjoativo e maçante ver a narrativa, acompanhada de uma fotografia crua. Fica claro que a parte 3 foi feita para dar respostas, por mais que demore a desenvolver o terror, sendo esse o que menos flerta com o trash.

Reviravolta de Rua do Medo: 1666 estava na cara dos fãs o tempo todo

A conclusão da trilogia entrega uma boa reviravolta mas que poderia ser mais embasada, e que se for mais analisada apresenta furos no roteiro. Nem todas as perguntas são respondidas e nem todas as respostas são satisfatórias, além de que algumas cenas e circunstâncias se tornam muito confusas por não serem explicadas com clareza, ao invés disso optaram por uma sobreposição de falas que causam uma verdadeira bagunça. Ainda, perto de encerrar, o longa apresenta cenas bastante toscas, como a dos assassinos atacando um ao outro. 

Nota: Bronze

Em suma, a trilogia Rua do Medo tem a clara a intenção de homenagear os clássicos do terror com seu tom de saudosismo, porém cansa de tanto que se agarra nisso, não trazendo sua marca e, assim, se tornando completamente esquecível, mas um passatempo para se assistir sem grandes expectativas. Um dos fatores que atrapalham a tensão dos filmes é a trilha-sonora. Em literalmente todos os aspectos de som, os três pecam de forma que quebra sua estética e tom. Sua sonoplastia é pouco trabalhada e o uso de sons genéricos faz parecer um curta humorístico. As músicas da época são encaixadas de maneira muito irregular, e não combinam com o que é visto. Já sua trilha-sonora original se baseia em filmes de ação, mas acaba lembrando uma ação ‘Indiana Jones’ do que um terror de fato.

Por se passar no universo criado por Stine, são utilizados até certos lugares e famílias que se tem nos livros, porém a trama de Shadyside e Sunnyvale não existe. Também, a escrita das obras são focadas no público infanto-juvenil, enquanto aqui, se tornou um slasher sangrento e adulto. A trama talvez fosse mais bem amarrada se adaptasse algum dos livros ao invés de tentar criar um aglomerado de ideias que se perdem em um devaneio da direção e roteiro. A edição dos três também não é de se aplaudir. Com cortes muito estranhos e que influenciam no ritmo do longa, o resultado é a quebra da imersão (que já é completamente danificada), e que não consegue achar seu espaço. Cenas simplesmente são jogadas na tela e nada bem trabalhadas. A maquiagem e figurino são um dos pontos altos, muito bem feitos, o visual criado aqui é digno de suas respectivas épocas e do gênero. O sangue e como o visual dos assassinos são feitos (muitos referenciando outros filmes de terror), se encaixam bem, mesmo que pouco explorados a origem de cada um. Já sua cenografia é estranha em alguns momentos, no primeiro filme (1994) é de se estranhar a ambientação, pois não se assemelha tanto com a época em certos pontos. Em 1974 é clara a escolha de referência ao “Sexta-Feira 13”, e aqui funciona extremamente bem. Já em 1666, sua parte no passado é bem elaborada e evoca o passado, mas quando volta ao “presente”, a ambientação volta a ser estranha. 

Enquanto o primeiro filme a todo momento falha em seu desenvolvimento e carisma, o segundo diverte ao passo que nos faz imergir na situação assustadora do acampamento, já o terceiro serve como um esclarecimento da história e o que menos se preocupou com a qualidade da narrativa. Se tanto o primeiro filme quanto o terceiro seguissem a mesma matriz de roteiro do segundo, e principalmente cumprissem com o terror proposto, a trilogia completa seria mais empolgante. Seu aspecto visual intenso aparenta ser um slasher contagiante, mas que porém é sabotado pelo roteiro e seu vício por variar entre o pânico e o cômico a todo momento. Sem assumir sua identidade, seu objetivo ou estilo, a história se perde em seu mix de referências.

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Resenha Semanal | The Detective is Already Dead #03

Para a minha própria surpresa, consegui chegar intacto na terceira semana de resenhas. “The Detective is Already Dead” continua com força total, e temos mais um episódio para comentar. Caso tenha perdido as resenhas anteriores, você pode ler aqui: Episódio 1 | Episódio 2.

Depois de introduzir a história e apresentar as regras do jogo, finalmente, com o terceiro episódio, começamos a ter um conto, de fato, de detetive. E a fundação toda está bem estruturada, precisamos apenas ver a execução (que virá nos próximos episódios) para descobrir se Tanmoshi será uma boa história de detetive, ou uma história de detetive medíocre. Vamos falar do que essa semana nos mostrou!

Captura de tela do episódio 3 de "The Detective is Already Dead"
Como o nome do episódio nos diz, a animação continua de qualidade. (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Episódio 3: “É de Qualidade Yui-nya!”

Mais uma vez, eu preciso gastar metade da postagem pra falar sobre a primeira cena do episódio. Foi uma cena incrivelmente bem dirigida, que contou uma história apenas com o visual, através de posicionamentos muito bem pensados. Claro que não é nada de extraordinário ou fora do comum, mas é sempre satisfatório ver quando a direção favorece tanto a narrativa. Quando a Nagisa escuta o Kimihiko dizendo que “Não é um detetive“, a reação dela é de imediatamente intervir. No final do episódio anterior, vimos o garoto dar a ela uma escolha (a escolha que ele não teve): Ela podia escolher viver uma vida comum, sem nenhum envolvimento naquele caos… Mas ela escolheu dar um passo a frente, e se apresentar como detetive para a nova personagem, a Yui (já falo dela).

E é essa cena que foi visualmente perfeita como uma metáfora dessa escolha. Nagisa estava na sombra, escondida pelo ponto de ônibus. Ao caminhar para o sol, com uma sincronia perfeita entre a sua fala, a música, e a transição entre luz e sombra, vimos sua decisão ser tomada. Um ponto interessante é que normalmente, se pensaria que a metáfora seria oposta: Ao entrar no “submundo” dos detetives, ela deveria estar caminhando para a sombra. Mas o que foi colocado em jogo não é a ambientação, mas sim, a caracterização das personagens. Pare pra pensar no design da Nagisa, em contraste com a da Siesta: As duas tem paletas de cores opostas. A Nagisa tem uma temática mais escura, com seus longos cabelos negros; enquanto a Siesta tem uma temática mais clara, com um curto cabelo branco, quase prateado. Ao sair para o sol, todo o tom da personagem se torna mais claro, como se ela estivesse admitindo a paleta de cores da Siesta nela mesma. Afinal, ela está tomando o lugar dela como a “lendária detetive”. Honestamente, uma cena que eu revi umas três vezes, de tão interessante que foi.

Captura de tela do episódio 3 de "The Detective is Already Dead"
Quando você deveria ser a protagonista, mas a protagonista antiga continua roubando a cena… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Novamente trazendo um tópico que eu falei semana passada, tivemos a introdução de uma nova personagem, e, novamente, foi uma introdução… conturbada. Estou tendo a impressão de que “The Detective is Already Dead” não é muito bom em introduzir personagens. Nessa semana, conhecemos a cantora mais famosa do momento, Yui Saikawa. Vou começar com um elogio, pra depois reclamar: Pelo menos o show foi extremamente realista ao fazer os dois adolescentes que estão atolados de problemas não fazerem ideia de quem é a celebridade da semana. Pelo menos eu consegui me relacionar bastante com o caso…

Então vamos aos problemas da introdução da idol. Parece que eu bato na mesma tecla, falando da mesma coisa outra vez, mas é um problema que se repetiu hoje: A introdução pareceu deslocada. Dessa vez, ao menos, isso aconteceu por um motivo diferente. Semana passada, a Nagisa que apareceu pela primeira vez se mostrou completamente diferente da Nagisa de verdade, fazendo com que tivéssemos duas garotas diferentes; Essa semana, a impressão inicial da garota foi até que bem feita. A Yui se manteve daquele jeito ao longo de todo o episódio.

O que me causou certo incômodo é a forçação de barra do humor escrachado, que não se encaixa dentro do clima do animê, e que é totalmente dispensável. Entendo que a ideia foi mostrar que a Yui é, de fato, uma personagem menos séria, e que podemos esperar certo humor vindo dela, mas isso pode ser feito de formas tão mais naturais. A própria introdução faz isso! O humor, bem mais natural, da garota achar um absurdo os outros dois não a conhecerem (afinal, ela é a idol mais famosa do momento! Como eles não a conhecem?!), já servia a esse propósito, e emendaria muito bem com as piadas que aconteceriam no decorrer do episódio. O humor da garota vem do fato dela viver em um “mundo próprio“, onde ela não tem muita noção de o que é “normal” para os outros.

Captura de tela do episódio 3 de "The Detective is Already Dead"
A cena na sala de reuniões da Yui foi um ótimo exemplo de humor que faz sentido no contexto, e não é jogado fora instantaneamente. (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Toda a história de forçar o assunto a chegar em “Kimihiko é um tarado” é dispensável, e, na minha opinião, nem é engraçado no contexto. Já falei disso na semana passada, então não vou me prolongar aqui, mas essa semana tivemos uma situação que acabou mostrando ainda mais o quão inútil é essa cena: Ainda na introdução da Yui, passamos quase dois minutos nessa piada, e o clima é simplesmente interrompido imediatamente com uma batida de pé da Nagisa, como se fazendo todo mundo voltar pra Terra e lembrar que eles tem um animê de detetive para fazer. E o mais incrível é que todo mundo volta imediatamente ao normal, como se nada tivesse acontecido, e continuam a cena na maior cara de pau. É uma coisa inacreditável…

Continuando, tivemos duas cenas, uma seguida da outra, e que se complementaram bastante: Os dois protagonistas, Kimihiko e Nagisa, tendo seus pensamentos expostos. O uso do contraste entre claro e escuro foi bastante comum nesse episódio, com o Kimihiko pensando na situação durante o dia, em pleno céu aberto (céu, aliás, que sempre aparece quando ele pensa na Siesta); enquanto a Nagisa nos contou suas ambições e traumas durante a noite, em um quarto escuro e fechado. Ambas as introspecções serviram para mostrar melhor o que se passa na cabeça dos protagonistas, e tiveram visuais que representaram bem o estado de espírito de ambos. Mais uma vez, um acerto da direção.

Considerações Finais (Bem, “parciais”, mas vocês entenderam)

Hoje, tivemos a oportunidade de analisar melhor o jeito como os protagonistas interagem e se relacionam. E o que eu senti é que temos a mesma coisa, mas não exatamente igual com o que vimos no primeiro episódio, entre a Siesta e o Kimihiko. As interações são diferentes, mas a essência é basicamente a mesma. Acredito que o que se tenta passar com isso é o ponto principal de “The Detective is Already Dead“: A Nagisa não é a Siesta, ela é ela própria. Ela é uma sucessora da lendária detetive, e não uma substituta. Ao assumir o título que era da Siesta, a “paleta escura” da Nagisa se torna um tom de cinza, e não a mesma “paleta clara” que era a da antiga dona do coração dela.

Por fim, a questão que eu estava esperando: Finalmente começamos a tratar o animê de detetives como um mistério de detetives. Como comentei na introdução, as estruturas do mistério foram colocadas, e, por enquanto, parece que tá tudo em ordem. Até encerramos o episódio com o detetive (bem, nesse caso, o assistente) chegando em uma conclusão que parece absurda, e que funciona como um cliffhanger para a semana que vem. A graça de mistérios é justamente você passar a semana inteira pensando “Mas gente, como assim? Como é que ele chegou nisso só com essas migalhas de informação? Será que eu perdi algo? Não estou ligando algum ponto que é óbvio?“. O divertimento vem na hora da revelação, ao descobrir a real resolução daquilo, e acompanhar a linha de raciocínio do protagonista.

E é aí que eu fico preocupado. Pelo menos pra mim, o negócio só é legal se eu tiver exatamente as mesmas informações que o detetive. Eu quero tentar ser tão sagaz quanto ele, eu quero tentar resolver o mistério com as “migalhas” que me foram dadas. Se a resolução acontece, e tudo que era necessário para se resolver estava ali, na minha frente, eu fico impressionado. Agora… Se a escrita do show tira alguma informação da cartola, algo que não tinha sido mostrado antes e que só o detetive sabia… Eu fico simplesmente frustrado. Qual a graça de resolver o mistério assim? Esse é o elemento que vai resolver ou destruir o animê.

Captura de tela do episódio 3 de "The Detective is Already Dead"
Esquecer de te contar informações cruciais só funciona e só é engraçado quando NÃO É O AUTOR que faz isso… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021, incluindo algumas dublagens para o português.

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Entretenimento Serial-Nerd Séries

Sem tempo e sem glória, Loki é uma grande decepção

Anos após anos, Loki se consolidou no universo Marvel como um dos personagens mais amados do público, e sempre que fazia uma ponta, roubava a cena. Tom Hiddleston deu ao personagem um carisma e empatia única, e Kevin Feige percebeu isso, então fomos presenteados com uma série solo do deus da mentira. Mas, será que a série foi só mais um truque para enganar o telespectador?

Com tamanha expectativa para a série, o universo seguindo um caminho completamente novo e explorando a linha do tempo, multiverso e novos vilões, é impossível ficar inquieto com essa possibilidade de ver coisas extraordinárias, histórias, viagens em outras épocas! Porém, a direção e o roteiro deixam a desejar em uma escala estrondosa. O vazio dentro dos episódios de em média de 46 minutos, só mostram que houve uma tentativa de criar uma nova fórmula para às séries da editora, e isso é o que mais machuca e prejudica a obra como um todo.

Loki (TV Series 2021– ) - IMDb

Partimos com um começo fantástico, todo o descobrimento da AVT (TVA, no idioma original), ver o Loki descobrindo mais sobre seu futuro e ver múltiplas variantes e o perigo eminente de uma guerra multiversal é de deixar qualquer fã maluco. O seu início foi com o pé direito e sorrisos, mas logo em seu segundo episódio, ele desliza muito. Vemos um episódio que enrola muito em pontos que não há necessidade de criar suspense ou de focar por tanto tempo, e diálogos exaustivos e sem solução, até que, nos últimos cinco minutos de episódio, acontece alguma coisa que te prende e o episódio acaba. E isso nos leva até o episódio três, que foi o maior tombo possível.

O desenvolvimento do personagem é muito importante, com toda certeza é, esse é o motivo das séries da Marvel. WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal, todos desenvolvem seus personagens de formas incríveis, porém, Loki esquece que ele tem uma história a se comprometer. Com muita influência do clássico “Antes do Amanhecer”, ele busca criar uma relação de interesse amoroso ao protagonista, porém, isso vira um episódio extremamente cansativo e que, novamente, só consegue fazer alguma coisa nos cinco minutos finais. A história vira um figurante no momento mais crucial. A falta de harmonia entre a criação de desenvolvimento da personagem e da trama é algo que incomoda, pois é uma facada nas costas da série e no telespectador.

Loki" The Nexus Event (TV Episode 2021) - IMDb

Já seu quarto episódio é quase esquecível, se não fosse (novamente) pelos minutos finais. Já focado mais em desenvolver a história, ele se perde no maior quesito da série: o vazio. Tudo que vem antes parece sem sentido, com muita falta de organização e coesão. Momentos que se repetem, e repetem, até chegar no minuto onde tudo começa a correr e acontecer, como se o roteirista não soubesse como escrever coisas para prender a atenção, e essa repetição de modelo escrito é entediante.

O quinto episódio é seu pináculo, aqui, foi extremamente bem pensado, a exploração da mitologia criada aqui, como isso interfere no mundo ao redor e em como essa história vai acabar. A interação e desenvolvimento dos personagens é algo feito com muito carinho e dedicação, como cada um se encaixa como um quebra cabeça e suas motivações, é fantástico. Também, aqui se tem uma das cenas mais épicas já feitas no MCU, e consegue cativar a querer o próximo episódio e o fim da primeira temporada.

I grandi film non li fanno più - MYmovies.it

O fim da temporada é decepcionante. Tem uma grande surpresa que foi a melhor parte disso tudo, e carregou o episódio nas costas, mas tirando isso, esse episódio é um grande vácuo em um roteiro que parece ter sido feito em 15 minutos. Cenas e diálogos que ficam se repetindo, as mesmas coisas acontecendo, e se não fosse pelo personagem apresentado aqui, tudo desmoronaria de forma horrenda. Seu final não fecha nenhuma ponta, apenas abre mais e mais, e termina com o clímax mais anticlimático possível. Quando finalmente começa a andar e realmente ficar interessante, sobe os créditos, e agora é ter que esperar mais uma leva de filmes e séries para se descobrir o que acontecerá, sendo que a série coloca o espectador no vazio.

Assim como WandaVision, a série tem medo de realmente ousar, de pensar, de usar o potencial que tem. Ao invés de criar e mostrar múltiplas variantes, deixar um final com um cliffhanger que não só os fãs de quadrinhos entenderão, e ir fundo em coisas espetaculares, eles cometem os mesmos erros dos filmes: Fórmulas. É cansativo assistir sabendo que gasta quase uma hora para nada acontecer, e quase todo episódio sendo assim, desgasta todas as tão grandes expectativas que foram criadas. A tão amada “Casa das ideias” que tem medo de sonhar, é trágico. Agents of S.H.I.E.L.D. explora o tempo de forma muito mais criativa e divertida que Loki, e realmente não tem medo de se explorar até seu limite.

Loki Episode 4: Release Date and Time in UK, USA, India and Europe - Daily Research Plot

Em sua questão técnica, aqui merece aplausos. Tirando sua direção e roteiro, as partes de fotografia, trilha-sonora, cenografia, efeitos especiais e atuações são magnificas, mas não ao ponto de salvar a série. Ver que agora a Marvel se importa com questões que eram deixadas completamente de lado em seus filmes é gratificante, pois faltava aquela beleza visual dos quadrinhos, que era substituído por um CGI que se fosse de videogame, seria considerado ultrapassado.

Loki é uma série que merecia mais carinho e atenção na sua história e criação, personagens tão carismáticos, histórias e pontos que poderiam ser abordados, todo um novo mundo, apenas comendo migalhas. As maiores críticas aos filmes do MCU é o uso exagerado de uma fórmula cansativa e previsível, e isso é algo que estão tentando recriar em suas séries. Isso destruiu a primeira temporada, e criou um remédio para insônia. Enquanto eles se confortam em uma cadeira, e os fãs aceitarem mais dessas minúsculas migalhas, o gênero de heróis se desgastará mais e mais, e citando Blade Runner, sumirá como lágrimas na chuva.

Nota: 2/5 – Bronze

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Viúva Negra e seu Potencial Desperdiçado

Desde a sua primeira aparição em Homem de Ferro 2 no ano de 2010, o público fã do MCU queria um filme solo da Viúva Negra. O desejo apenas aumentou quando, em Os Vingadores e em Era de Ultron, decidiram explorar no roteiro um pouco sobre o passado da heroína através de diálogos secundários e flashbacks. 

Finalmente, e após um bom tempo sem produções da Marvel voltada para os cinemas por conta da pandemia, Natasha Romannoff ganhou seu longa que serve tanto como uma despedida da personagem nas telonas (após os eventos de Vingadores: Ultimato) como também para apresentar quem levará o seu legado adiante. Entretanto este era um filme que deveria ter vindo mais cedo e, quem sabe, sido o primeiro de uma trilogia da heroína.

How To Watch Black Widow In The UKApós flashbacks mostrando a infância da heroína e o que a levou para o seu treinamento na sala vermelha, o longa tem início logo após os eventos de Guerra Civil: Natasha está foragida por ter violado o Tratado de Sokovia ao imobilizar o Pantera Negra e ajudar o Capitão América a fugir com Bucky Barnes. Com o Coronel Ross em seu rastro, Natasha está se escondendo das autoridades quando o seu passado vem à tona através de Yelena Belova, que procura a heroína com um antídoto ao controle mental que as Viúvas Negras sofrem na esperança que Romanoff a ajude contra a sala vermelha para encerrar, de uma vez por todas, os treinamentos para criar novas assassinas e o controle das já existentes por Dreykov, líder da sala. Entretanto, surge o Treinador como obstáculo, um vilão criado pelo antagonista que consegue analisar e copiar todos os padrões de combate dos Vingadores.

A história se preocupa em explicar alguns pontos expostos em diálogos de longas anteriores – como a trama de Budapeste – e em explorar, mesmo que brevemente, o passado de Romanoff e seu treinamento para se tornar uma Viúva Negra, ao mesmo tempo que serve para introduzir Yelena Belova como sua substituta em tela. Há uma problemática pois acaba resultando em vários elementos a serem trabalhados em sua exibição, fazendo com que alguns não se desenvolvam corretamente. Além disso, o plot do filme é totalmente fraco e já está entregue logo nos primeiros trinta minutos do longa.

Logo nos minutos iniciais, com uma cena de abertura e uma introdução semelhante a de uma série de ação, já se observa uma tentativa de trazer um clima diferente ao filme. A diretora Cate Shortland introduz bem no primeiro ato essa nova dinâmica, ao investir no drama para que haja empatia com os personagens e com o núcleo familiar presente e se assemelha em determinadas sequências aos clássicos de espionagem como filmes da franquia Bourne ou Bond, e até mesmo procura se igualar ao que os Irmãos Russo fizeram em Soldado Invernal. Porém, logo no segundo ato, a direção desliza esse clima se esvai fazendo com que o longa se perca e não apresenta o devido clímax nos momentos que deveriam.

Scarlett Johansson: I didn't want Black Widow to be a spy movie – Fashion NewsInicialmente com um flashback do ”núcleo familiar”, que em tese é o tema principal abordado no filme, nota-se que a diretora procura criar uma relação entre o telespectador com o mesmo, mas é tão rápido que no final não há vínculo e nem desenvolvimento com o passar dos atos – tanto que, o reencontro que era para ser um clímax de emoção, acaba não significando nada a não ser um monte de piadas na mesa do jantar.

Entretanto os personagens deste núcleo por si só conseguem ser carismáticos, com David Harbour e Florence Pugh roubando a cena durante todo o momento que aparecem em tela, o que em parte é bom já que o longa serve para introduzir a nova personagem ao universo cinematográfico da Marvel e deixa o telespectador desejando mais conteúdo a respeito da história do Guardião Vermelho, personagem de Harbour.

Infelizmente esse também é um ponto negativo, pois por mais que os personagens funcionem em tela e consigam transmitir com clareza toda a relação entre eles, a personagem de Scarlett Johansson acaba sendo ofuscada (principalmente por Pugh) e se torna coadjuvante em diversos momentos no seu próprio filme solo – que deveria ser uma homenagem e despedida para a mesma. Isso só confirma que o filme foi lançado de forma atrasada, sendo que idealmente este deveria ser o terceiro de uma trilogia da personagem. Por fim, acabam desperdiçando uma bela chance de homenagear a heroína e desenvolver melhor sua trama no universo estabelecido.

REVIEW) Black Widow (2021), Natasha Romanoff's 'Family' Story - The Flaz

Quanto ao vilão do filme: o Treinador é apenas um personagem genérico com uma máscara ameaçadora que depois de um tempo o telespectador se esquece de sua presença, pois o mesmo não aparece tanto e todas as suas cenas já foram expostas em trailers e spots do longa. E Dreykov, que seria o vilão principal, é apenas um personagem russo genérico tirado de um filme de ação dos anos 80 que não apresenta nenhuma ameaça. Ambos são personagens subdesenvolvidos e esquecíveis – no fim das contas, o filme todo é esquecível e parece um spin-off da Marvel.

Por fim as cenas de ação são bem feitas e as coreografias de luta são bem executadas, entretanto os efeitos visuais deixam a desejar em diversos momentos – principalmente no final do terceiro ato, que há uma cena extremamente vergonhosa envolvendo Yelena e Natasha, tanto pela situação em si como pelos efeitos utilizados. Por ser um filme de ação e espionagem, poderia ter sido optado o uso de efeitos práticos para trazer mais realismo em determinadas situações e, mesmo que não tenha como ser realista em um universo onde um homem se transforma em um monstro verde gigante, é melhor tentar do que fazer algo mal feito.Viúva Negra | Crítica - NerdBunker

Então, é bom?

O filme solo que serve como despedida de Natasha Romanoff acaba desperdiçando diversas oportunidades de homenagear a heroína após seu fim trágico em Vingadores: Ultimato e de desenvolver seu passado. Como foi dito acima, o ideal seria que esse longa fosse o terceiro de uma trilogia ou ao menos um segundo, onde o primeiro explorasse todo o passado da Viúva Negra incluindo a missão de Budapeste, seu relacionamento com o Gavião Arqueiro e seu treinamento na sala vermelha.

Acaba que o longa apresenta uma história simples que não consegue se desenvolver por apresentar diversos elementos, dois vilões extremamente bobos e genéricos, efeitos especiais que beiram ao ridículo e a personagem protagonista se transforma em coadjuvante em seu próprio filme. Não chega a ser um péssimo filme pois ao menos diverte o público, mas a Viúva Negra com toda a certeza merecia bem mais como despedida.

No fim das contas, acaba que a cena pós-créditos empolga mais do que grande parte do filme.

Nota: 2/5

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Funimation anuncia 5 simuldubs para Temporada de Verão de 2021

A Funimation, serviço de streaming de animê que estreou no Brasil em 2020, liberou mais informações sobre seu catálogo para a Temporada de Verão de 2021. Em especial, anunciou cinco títulos que receberão dublagem em português, no esquema de “simuldub”. Vale lembrar que a nomenclatura das temporadas de animê são baseadas nas estações do ano no hemisfério norte, assim, a “Temporada de Verão 2021” equivale ao nosso inverno, entre Julho e Setembro. Conheça os títulos:

“The Case Study of Vanitas”, um dos títulos que receberá simuldub (Reprodução: Funimation)

● The Case Study of Vanitas (simulcast já disponível, com legendas em português; episódios dublados devem ser disponibilizados em breve)
Um vampiro jovem e cauteloso une esforços com um médico enigmático. Sua missão? Descobrir a “cura” para todos os vampiros.

● How a Realist Hero Rebuilt the Kingdom (simulcast já disponível, com legendas em português; episódios dublados devem ser disponibilizados em breve)
Kazuya Souma é coroado rei num mundo de fantasia e planeja melhorar as condições de seu reinado com uma reforma administrativa. Sim, isso mesmo!

“Scarlet Nexus”, outro título que será dublado pela Funimation (Reprodução: Funimation)

● Scarlet Nexus Kingdom (simulcast já disponível, com legendas em português; episódios dublados devem ser disponibilizados em breve)
Salvo pela “Força de Supressão de Criaturas” quando criança e munido de habilidades especiais, Yuito se alista a um grupo de elite formado especialmente para combater os “inimigos da Terra”. A prodígio Kasane também é escolhida por suas habilidades. Os sonhos estranhos e recorrentes de Kasane acabam arrastando os dois protagonistas para um destino inevitável.

● Sonny Boy (simulcast, em breve)
O colégio onde Nagara estuda vai parar em outra dimensão e seus alunos desenvolvem poderes estranhos e novas formas de rivalidade. Será que eles conseguirão sobreviver a esse ambiente hostil e suportar uns aos outros?

“The Dungeon of Black Company” é um dos cinco títulos que serão dublados para português (Reprodução: Funimation)

● The Dungeon of Black Company (simulcast já disponível, com legendas em português; episódios dublados devem ser disponibilizados em breve)
Kinji não quer saber de trabalhar e faz o possível para ficar longe de qualquer ofício. Tudo vai bem até ele se ver endividado num mundo completamente novo. Vivendo sob as regras de uma mineradora demoníaca, ele será capaz de se livrar dessa roubada?

O sistema de simuldub da Funimation funciona da seguinte forma: Com um atraso de algumas semanas em relação ao lançamento original (com áudio em japonês), um episódio dublado é lançado por semana, para os usuários assinantes, até a obra estar concluída. Depois, todos os episódios continuam na plataforma e ficam disponíveis para todos os assinantes.

Além dos cinco shows já citados, a Funimation conta com outros animês para a Temporada de Verão 2021, totalizando 15 títulos em transmissão simultânea com o Japão, e legendas em português. Você pode ver a lista completa aqui. Vale reforçar que a empresa ainda não deu uma data para o início do lançamento dos episódios dublados.

Fonte: Release de Imprensa

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Resenha Semanal | The Detective is Already Dead #02

Mais uma semana, mais uma resenha semanal de “The Detective is Already Dead” (ou “Tanmoshi“, para abreviar o título japonês). Caso tenha perdido, a explicação da coluna e o comentário do primeiro episódio estão aqui.

O segundo episódio nos trouxe o começo da história de fato. Se o primeiro episódio foi uma grande introdução (e bota grande nisso, 47 minutos…), o de hoje foi quando finalmente colocamos as cartas na mesa e ensinamos como se jogar. Então vamos falar do que vimos!

Seja lá o que você esteja pensando sobre o animê, não pode negar que pelo menos bonito ele está… (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Episódio 2: “Ainda me lembro, depois de todo esse tempo”

A primeira cena nos trouxe uma última memória da Siesta e do antigo Kimihiko. Em questão de direção, foi uma escolha interessante, especialmente pelo jeito como ela começa: Nós vemos um avião no céu, nos lembrando de onde eles se conheceram, e os dois trocam uma conversa descontraída, exatamente como fizeram ao longo de todo o primeiro episódio. A função dessa cena foi para contrastar com o que vimos na semana passada. Se antes tivemos a duração inteira para os dois se conhecendo e interagindo no “passado”, para então termos uma pequena cena com o Kimihiko “do presente”, justamente para entendermos esse contraste entre as duas interações do garoto… no segundo episódio, tivemos a mesma coisa, mais invertida: tivemos uma pequena cena com a interação passada dele, para podermos contrastar com quem ele é hoje, que ocuparia todo o resto do episódio.

Descobrimos que o timeskip foi de quatro anos. Quatro anos! Fiquei impressionado com a passagem tão grande de tempo. Não por serem quatro anos em específico, mas gostei do fato de que agora, o Kimihiko é um aluno do terceiro ano do ensino médio. “Qual a importância disso, Vini?” você pode se perguntar. E é uma pergunta válida! A resposta é mais banal do que você deve estar imaginando, porém: Normalmente, animês que se passam no ensino médio nos mostram protagonistas como sendo alunos do primeiro ou do segundo ano. Quando tratam de alunos do terceiro ano, eles são vistos como “criaturas místicas, entidades superiores e misteriosas que irão MORRER ao final do ano letivo”, e sempre achei esse tratamento engraçado. Por isso, quando acompanhamos alunos que estão, de fato, no terceiro ano, o clima da obra parece mudar. Por exemplo, em “Just Because!“, acompanhamos alunos do terceiro ano em busca de entender o que o futuro deles reserva. Parece que os autores olham para a diferença de um ano e acham que é o suficiente para mudar completamente o gênero da narrativa. Quero ver como isso vai ser aplicado em “The Detective is Already Dead”.

Continuando, temos a apresentação da nossa “nova protagonista”… se é que dá pra dizer assim? Nagisa Natsunagi teve uma primeira impressão forte. Positiva? Acho que não, mas “forte”, com certeza. Conforme o episódio foi passando, eu consegui entender o tipo de personagem que ela é. Deu pra ver a personalidade e jeito de ser dela, e a cada cena que se passava, a introdução dela parecia mais e mais fora de personagem. Toda a primeira cena dela, com as ameaças, a mão na boca e os comentários sádicos foram extremamente esquisitos. A ideia que foi passada nessa cena foi completamente diferente de todo o resto que aconteceu no episódio. Mesmo com uma explicação futura, sobre como ela poderia estar “sendo influenciada” a fazer as coisas que fez… isso ainda não explica a mudança tão drástica.

Não importa o quão absurdo a coisa seja, sempre vai ser o fetiche de alguém… Talvez essa seja a explicação? (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Isso é pura especulação minha, mas o formato e a direção da cena me lembraram de Bakemonogatari. A cena clássica onde a garota, Senjougahara, enfia um grampeador na boca do garoto, Araragi, assim que se conhecem. A única coisa que consigo pensar, após ver várias referências no episódio anterior, é que o autor (ou diretor, não sei se essa cena é original do animê, embora pareça impactante demais para ser) quis homenagear essa outra obra, colocando uma cena parecida na sua própria. Acontece que em Bakemonogatari, a garota é daquele jeito mesmo. Ela é meio maluca, e por isso, enfiar um grampeado na boca de um desconhecido é algo que se enquadra na personagem dela. A impressão que todo o episódio passou sobre a Nagisa é de que ela é uma garota boa e honesta. Esquentadinha? Sim, mas com um bom coração (Ha! Trocadilhos!). A cena inicial parece deslocada e desnecessária.

Voltando ao protagonista, vimos como o “novo” Kimihiko é, depois de tudo que passou. Gostei bastante do jeito como ele foi escrito, pois eu consegui perceber que o “espírito” do garoto que conhecemos ainda está ali: Ele ainda é brincalhão, tranquilo e gentil, embora essas características tenham sido deixadas um pouco de lado por conta de seu amadurecimento. Amadurecimento esse que aconteceu tanto pela passagem do tempo, como pelo trauma que ele viveu. A conversa que ele teve com a Nagisa no café foi um bom exemplo disso, onde ele mostrou tanto alguns “tiques” que adquiriu com a Siesta, mas ainda se manteve autêntico com o que vimos anteriormente. Também achei interessante o quanto ele acabou se aproximando daquela policial, a Fuubi. É uma relação que parece bastante natural, dado o que ele passou os últimos quatro anos fazendo, e até o que ele fazia antes. Foi um toque legal.

Com a construção do episódio, estava claro que o coração que a Nagisa recebeu era, de fato, o da Siesta. Em nenhum momento eu tive dúvidas disso. Mas ter a confirmação de algo é completamente diferente do que apenas pensar sobre. Eles conseguiram explicar de uma forma que ficou tanto interessante como impactante ao mesmo tempo. As reações de ambas as personagens envolvidas foram dentro do que eu imaginava, mas, de novo, estar dentro da expectativa não faz com que o resultado seja medíocre: O Kimihiko mostrou seu amadurecimento ao ficar emocionado e até em negação, mas sem ter uma crise exagerada; e a Nagisa mostrou ainda mais a sua personalidade, de que é alguém que se baseia muito em sentimentos, mas que não é totalmente incapaz de usar a razão para puxar alguém de volta do mundo da lua.

Eu adoro tapões na cara, principalmente quando eles são merecidos. Esse foi merecido. (Reprodução: Twitter oficial, @tanteiwamou_)

Uma coisa que eu não gostei no episódio, porém, foi a cena onde os dois se encontraram na rua. Sim, você sabe do que eu estou falando: Quando passamos cerca de dois minutos falando sobre os peitos da Nagisa. É uma situação que está ali para ser engraçada, mas que acaba sendo simplesmente vergonhoso, principalmente por não se encaixar no contexto. Isso chega até a ser irônico, pois ontem mesmo eu estava falando sobre como a vergonha alheia é justamente o que faz “Girlfriend Girlfriend” ser engraçado. E, como eu comentei naquela postagem, é uma questão de atmosfera: Todo o resto do animê está se levando a sério, e mesmo possuindo ótimas cenas de humor, elas são de um outro tipo de humor, um que faz sentido de existir no contexto “sério” de “The Detective is Already Dead“. A cena acaba sendo apenas vergonhosa, e não uma “vergonha engraçada”.

Considerações Finais (Bem, “parciais”, mas vocês entenderam)

Esse episódio foi bem mais fraco do que o da semana passada, e isso já era de se esperar. É normal começarmos com um estouro, para prender a atenção de quem está assistindo, para então diminuir a tensão e explicar o que tá rolando de verdade, essa técnica é mais velha que andar pra frente. Isso só quer dizer que eles estão seguindo o ritmo comum de obras do gênero, e que daqui algum tempo, já estaremos investidos demais no animê para desistir. Se você quiser desistir, a hora é agora. Eu vou continuar.

A cena de exposição no café me fez espumar pela boca um pouquinho, pois “exposição num café” já virou um meme de tanto que acontece em animê. Parece que não tem outra forma de contar o que está acontecendo, e não duvidaria se isso estivesse sendo feito propositalmente, como uma forma de circlejerk entre os autores japoneses. Desavenças pessoais à parte, a cena até que se desenvolveu de forma satisfatória, com um bom uso da ambientação.

Por fim, achei incrível a inversão de papéis que aconteceu nesse episódio. Dessa vez, foi o Kimihiko que estava na posição de pessoa informada, daquele que sabe o que está acontecendo. Sendo que semana passada, esse papel era da Siesta, e o garoto estava no papel que, essa semana, foi da Nagisa. Essa inversão se encaixa tanto com o que eu comentei sobre a primeira cena do episódio, como serve para mostrar a gentileza do Kimihiko: Quando se viu em uma inversão de papéis, ele fez questão de dar uma escolha para Nagisa. Uma escolha que ele não teve. Quando se encontrou com Siesta, ele acabou “arrastado” para a situação, sem ter chances de recusar. Ele quis ter certeza de que a Nagisa poderia fazer essa escolha, de que ela não precisaria substituir a Siesta na vida dele, que ela poderia continuar sendo ela mesma. Mesmo com toda a influência e tutelagem da Siesta, o Kimihiko continuou sendo ele mesmo. Excelente toque para caracterizá-lo.

O animê está disponível na Funimation, com novos episódios aos domingos, e legendas em português. Além de “The Detective is Already Dead”, a Funimation também anunciou diversos outros títulos para a temporada de verão de 2021.

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Primeiras Impressões | Girlfriend Girlfriend

Nem só de resenha semanal vive um redator, e por isso, voltaremos às origens para falar uma vez só de algo que acabou de sair, para talvez revisitar com outra postagem no futuro: Mais um “Primeiras Impressões“!

O animê de hoje se chama “Girlfriend Girlfriend” (No original, “Kanojo mo Kanojo“, カノジョも彼女), baseado num mangá com arte e roteiro por “Hiroyuki“, ainda inédito no Brasil. Até o momento, o show possui dois episódios, animados pelo estúdio Tezuka Productions, e com direção de Satoshi Kuwahara.

No Brasil, os direitos de exibição simulcast são da Crunchyroll, que disponibiliza a seguinte sinopse e trailer:

Naoya, o protagonista, está no primeiro ano do colegial. Ele se declara para Saki, sua paixão de infância, que aceita se tornar sua namorada. Sua vida não podia estar melhor, quando uma bela garota chamada Nagisa o convida para sair. Indeciso e incapaz de magoar uma garota tão gentil quanto a Nagisa, Naoya chega a uma conclusão inusitada, dando início a um novo tipo de comédia romântica!

Vamos começar falando do elefante na sala. Simplesmente não vai ter como termos uma conversa franca sem alinharmos expectativas quanto a isso, então precisa ser falado o quanto antes:
Sim, este é um show sobre um “trisal” adolescente. É um caso de poliamor que se encaixa na definição de dicionário do termo. Não há “mas”, não é “poréns”, as três personagens estão num relacionamento aberto e estão todas cientes disso.

Com isso dito, a pergunta que eu faço para você, leitor, é a seguinte: Isso te incomoda? Isso é um problema? E faço essa pergunta com a cara mais lavada do mundo. Não quero pagar de diferentão, de desconstruído, nem nada do tipo. A minha opinião sobre o assunto (e, sinceramente, a sua também!) não poderia ser menos importante. Estou simplesmente alinhando expectativas pro resto do texto.

A ideia do show é justamente usar essa situação, que é bastante “inusitada” (principalmente no contexto em que acontece), como fonte de humor. E tudo nasce a partir disso. Se isso for algo que te incomoda, o animê simplesmente não é para você. E tudo bem! Faz parte, cada um tem seu gosto. A única coisa que eu peço é a seguinte: Ao menos tente assistir, pensando que se trata de uma comédia. Você não precisa levar o conceito a sério, e isso independe da sua opinião sobre o quão real o poliamor pode ser na vida real. Pois isso é uma ficção, e o próprio show deixa claro que não está se levanto a sério. Por que você deveria levar?

As duas reações mais comuns ao ler a sinopse (Reprodução: Crunchyroll)

Pronto, chega, sermão dado, oração feita, expectativas alinhadas. Vamos falar do animê em si, agora que sabemos que estamos olhando para uma comédia:

Um dos tipos mais clássicos de humor japonês é o “Manzai“, onde temos um “cara sério” (chamado de “Tsukkomi“) e um “cara bobo” (chamado de “Boke“). A ideia desse tipo de show é que o “cara sério” serve como a voz da razão, e reage aos comentários absurdos do “cara bobo”. E por qual motivo eu estou explicando isso ao invés de falar do animê, como prometi no parágrafo anterior? Pois isso é essencial para entender o show.

Embora tenhamos apenas três personagens principais, eu diria que podemos enquadrar quatro “coisas” nos títulos anteriores: Temos três Bokes e um Tsukkomi. O “cara sério” é, claramente, a garota que parece ser a mais sensata do grupo, SakiSaki (ou apenas “Saki”). Não haveria nada demais nisso, se ela fosse um Tsukkomi tradicional, que simplesmente reage aos absurdos dos Bokes e corta o barato deles. Acontece que a Saki é um Tsukkomi muito fraco, ela não tem a frieza e o bom senso necessários para aguentar tanto absurdo. Afinal, ela precisa lidar com seu namorado, Naoya, e a namorada dele, a Nagisa, como Bokes. E, pra piorar, a própria situação em que eles estão pode se enquadrar como um gigantesco, onipresente e francamente genial Boke.

O que me fez dar tanta risada com os dois primeiros episódios de “Girlfriend Girlfriend” foi justamente essa dinâmica pouco comum, onde a Saki, não conseguindo segurar as rédeas da situação, acaba se juntando ao absurdo e cada vez mais se vê afundadando na areia movediça dos outros dois. É um caso semelhante ao que existe em “A Destructive God Sits Next to me“, embora lá, o protagonista “sério” tinha um pouco mais de “força” para segurar os seus Bokes. Não o suficiente, mas já gerava um tipo diferente de humor.

E já que estamos falando de personagens, o ponto alto do show, pra mim, foi o fato de que não tem um único que se salva ali. Tá todo mundo completamente biruta. Se erguer o braço, Deus leva. Mesmo a Saki, que deveria ser a pessoa mais sã entre os três, já está muito mais pra lá do que pra cá, e é justamente essa instabilidade dela que se encaixa tão bem com a honestidade do Naoya, e com a inocência da Nagisa, para nos dar uma dinâmica maravilhosa. É uma dinâmica um pouco “cringe“, para usar o termo da moda? Sim, com certeza. Especialmente quando os adolescentes começam a discutir sobre sexo. Mas a ideia é justamente essa, é engraçado justamente por ser vergonhoso.

Eu fiquei o episódio inteiro pensando nessa imagem do The Joker™

Falando um pouco sobre a parte técnica, eu tenho dois comentários indispensáveis pra fazer: O primeiro é sobre a qualidade da atuação de Sakura Ayane, a dubladora da Saki. Com um alcance de voz absurdo, ela conseguiu dar vida a todo o caos e volatilidade necessários para interpretar a garota. Em um momento, ela está falando normalmente, e na próxima frase, já está gritando como se sua vida dependesse disso. É esse tipo de reação exagerada (que todas as personagens tem) que fazem o Manzai ser engraçado pra mim, e ter uma dubladora tão talentosa como a Sakura Ayane trabalhando nisso facilita muito o humor.
O segundo ponto é o uso cirúrgico da trilha sonora e de efeitos sonoros para incrementar cada piada. Cada música e cada som foi colocado com uma maestria, que somente uma pessoa extremamente qualificada conseguiria tal proeza. O responsável é o diretor de som Satoshi Motoyama, que trabalhou em mais comédias do que eu posso contar, e tem o know-how pra fazer mágica com os ouvidos.

Vi muitos comentarem que “Girlfriend Girlfriend” lembra muito de outro mangá-que-virou-animê, “Rent-a-girlfriend” (no Brasil, foi adaptado para “Namorada de Aluguel” pela Editora Panini). E, de certo modo, lembra mesmo. Porém, eu não poderia ter tido uma experiência mais desagradável com “Namorada de Aluguel“, e o motivo é simples: Ele tentava ser levado a sério. Ele tentava ser uma história coesa e sensata. No final, ao tentar tocar uma trama de novela, as desavenças se destacaram muito mais do que o humor, e ficamos com um show sobre relacionamentos abusivos, ao invés de uma comédia.

É até bom eu ter tocado nesse assunto, pois é uma preocupação que eu tive assistindo “Girlfriend Girlfriend“: Isso parece que poderia se tornar um relacionamento abusivo muito rapidamente. Embora estejamos tratando tudo na brincadeira e na suspenção de descrença, é um desenvolvimento que poderia acontecer facilmente, se assim o autor desejasse. Eu espero que não, e que continuemos pensando apenas no absurdo da situação para darmos gostosas risadas.

Minha cara quando a comédia-romântica inevitavelmente vira um drama na segunda metade (Reprodução: Crunchyroll)

Com um humor absurdo e absurdamente bem bolado, “Girlfriend Girlfriend” foi uma das estréias mais divertidas da temporada, e será o animê que ficarei mais ansioso por assistir. Se fosse para dar uma nota para esses dois primeiros episódios, seria um sólido 9/10, e, claro, acompanhado do recado de que o show é melhor apreciado ao não ser levado a sério.

O animê está disponível na plataforma de streaming Crunchyroll, com legendas em português, e novos episódios todas as sextas.

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Vinland Saga: A segunda temporada do animê está em produção

Um dos mangás mais populares da atualidade, Vinland Saga foi adaptado para animê em 2019, pelo Estúdio Wit. Desde então, os fãs tem pedido por mais, e esse pedido finalmente se tornará realidade.

Em um evento que ocorreu ontem (07), para a comemoração de dois anos da adaptação em animê, foi anunciado que a segunda temporada do animê já está em produção. Embora ainda não tenha sido dada uma data para o início de sua exibição, nem detalhes técnicos como o estúdio que produzirá a animação, alguns nomes do elenco foram divulgados:

  • Shuhei Yabuta retornará como diretor da série, após dirigir a primeira temporada;
  • Takahiko Abiru continuará o trabalho que fez na primeira temporada como designer de personagens.

Além dos nomes, também foi liberado um novo visual para a segunda temporada, que mostra o protagonista, Thorfinn; um vídeo com uma retrospectiva do que aconteceu até então (com legendas em inglês disponíveis); e três imagens promocionais, desenhadas pelo diretor e designer já mencionados, e uma desenhada por Makoto Yukimura, o criador do mangá. Confira abaixo:

Novo Visual (Reprodução: Twitter Oficial, @V_SAGA_ANIME)

Ilustração pelo criador, Makoto Yukimura (Reprodução: Twitter Oficial, @V_SAGA_ANIME)
Ilustração pelo Designer de Personagens, Takahiko Abiru (Reprodução: Twitter Oficial, @V_SAGA_ANIME)
Ilustração pelo diretor, Shuhei Yabuta (Reprodução: Twitter Oficial, @V_SAGA_ANIME)

O autor do mangá, Makoto Yukimura, tweetou, em japonês e em inglês, uma mensagem de agradecimento e disse estar esperando pela nova temporada junto com os fãs:

Tradução-livre: “A segunda temporada do anime Vinland Saga está em produção. Eu estou muito contente de poder dar a notícia que os fãs estavam esperando. Também estou ansioso pela segunda temporada. Vamos esperar juntos por novas notícias.

“Vinland Saga” é um mangá com roteiro e arte por Makoto Yukimura, e está em publicação no Japão desde 2006, ainda em andamento com 24 volumes. No Brasil, o mangá é publicado pela Editora Panini, que lança a obra em dois formatos: O formato regular (desde 2014), e o formato 2-em-1 (desde 2020), e você pode encontrá-los na Amazon.

O animê foi lançado em 2019, e atualmente está disponível apenas na Amazon Prime Video, com legendas em português. O site dá a seguinte sinopse para o show:

Em torno do fim do primeiro milênio, os Vikings, a tribo mais poderosa, porém também bárbara, estavam se espalhando por toda parte. Thorfinn, filho do maior dos guerreiros, passou a infância no campo de batalha e vivia em busca de Vinlândia, a terra de seus devaneios. Esta é a saga de um guerreiro real em uma era turbulenta.

Via: Comic Natalie, Twitter Oficial

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Um Lugar Silencioso: Parte 2 e a Expansão do Universo de Krasinski

Dirigido por John Krasinski e estrelado por sua esposa, Emily Blunt, em 2018 estreou nos cinemas Um Lugar Silencioso: longa de Terror onde acompanhamos um casal e sua convivência com seus filhos em um mundo pós-apocalíptico dominado por criaturas cegas que apresentam uma audição extremamente aguçada. Enquanto andam descalços ao ar livre e se comunicando por meio da linguagem de sinais, a família precisa sobreviver e evitar ao máximo fazer algum barulho para não atrair os monstros.

O título trouxe uma inovação para o gênero ao, tal como Christopher Nolan fez em Dunkirk, usar o som e sua edição – ou a ausência dele, neste caso – como elemento primordial da narrativa para criar a atmosfera e a tensão necessárias, envolvendo o telespectador no ambiente exibido nas telas. Após inúmeros adiamentos por conta da pandemia, Um Lugar Silencioso: Parte 2 finalmente chega aos cinemas deixando uma dúvida assim que começa – será que está é uma continuação necessária?

A Quiet Place 2': First Trailer: John Krasinski's Near-Silent Sequel | IndieWireCom o passar dos anos, surgiram diversos longas cuja as suas sequências comprometeram a premissa inicial criada no primeiro filme. Alien, por exemplo, apresentou em seu longa um clima de tensão e suspense no decorrer do título justamente pela demora da criatura a aparecer e pelo mistério de sua origem. Com suas continuações e prequels que buscavam explicar a origem do monstro, o clima criado pelo primeiro filme foi quebrado e os longas que vieram depois apresentaram qualidade duvidosa por conta disso – o mesmo ocorrendo com Predador e outros filmes atuais dos gêneros. É gratificante saber que, entretanto, isso não é o que ocorre com Um Lugar Silencioso: Parte 2 que cumpre seu papel e serve uma excelente expansão do universo composto por John Krasinski em 2018.

Começando com um prólogo mostrando o primeiro dia da invasão aos monstros sem revelar muito sobre sua origem e apresentando personagens relevantes para o decorrer da trama, a história deste é uma continuação direta do primeiro filme: depois de terem sua fazenda destruída pelas criaturas, a família protagonista precisa encontrar um novo lugar explorando a cidade na qual vivem. Enquanto isso Regan Abott, a filha do casal, procura uma forma de divulgar aos sobreviventes restantes sua descoberta para matar os monstros através do som.A year later, John Krasinski's 'Quiet Place' ready to make noise | WCTIO elemento interessante aqui é ver como o filme segue a mesma fórmula com algumas alterações do seu antecessor e funciona em harmonia com mesmo, servindo como um acréscimo que caso seja assistido com o primeiro filme funcione como um ato dele. John Krasinski trabalha bem na direção e utiliza elementos do cenário como primordiais para a narrativa fluir de forma coesa sem precisar explicar ao público por meio de diálogos expositivos. Além disso, se utiliza da mesma forma o recurso sonoro como forma de aumentar a tensão e ambientar os telespectadores a situação exibida em tela – porém, não consegue atingir ao ápice que o antecessor atingiu.

A narrativa do longa também consegue fluir entre os pontos de vista dos dois grupos de protagonistas: um, composto pelo personagem de Cillian Murphy e pela filha do casal enquanto o outro é composto pela personagem da Emily Blunt e seus dois filhos. Esta ruptura é bem trabalhada mas colabora com um dos pontos negativos do longa.

Por mais que seja bom, o título não consegue transmitir o mesmo que sua primeira parte, creio que seja por ter acabado com o mistério de como seriam as criaturas e pela lentidão de sua narrativa. Outro ponto que tira um pouco do brilho é as conveniências expostas no roteiro perante a exibição do longa, onde certas situações se resolvem de forma aleatória apenas para ajudar os protagonistas sem nenhuma explicação aparente. Por último o longa abre brechas durante sua exibição que acabam não sendo exploradas da devida forma, logo por mais que os 90 minutos de exibição sejam mais que o necessário para contar esta história, ele também sabota neste ponto e ajuda a não explorar os personagens da mesma forma que o primeiro desenvolveu. Um Lugar Silencioso - Parte II: Cillian Murphy aparece em imagem inédita do filme - Notícias de cinema - AdoroCinema

Então, é bom?

Um Lugar Silencioso: Parte 2 se apresenta como uma excelente expansão do universo que Krasinski trouxe para os cinemas três anos atrás. Enquanto o primeiro longa focava apenas na família protagonista em sua narrativa central, este trás novos personagens além destes e trilha entre dois pontos de vista diferentes mostrando que há mais a ser explorado.

John Krasinski trabalha de forma sutil e aceitando suas limitações durante os 90 minutos de exibição do longa e consegue manter toda a fórmula que compõe o longa antecessor sem que ele perca sua essência e sem nenhuma pretensão de ser algo além de um filme de suspense e sobrevivência, utilizando todos os recursos disponíveis em cena para contar sua história e criar a tensão necessária – mesmo que esta não tenha a mesma potência que teve no primeiro longa.

De forma geral quem gostou do antecessor irá adorar o título e vai pedir mais após seu desfecho, sendo que a continuação já está confirmada para 2023.

Nota: 4/5