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O suspense dinâmico e eletrizante de O Culpado

Chegou à Netflix o novo suspense estrelado por Jake Gyllenhaal (Donnie Darko, O Abutre), que ficou no top 10 no Brasil desde seu primeiro dia. Sob a direção de Antoine Fuqua (Dias de Treinamento) e roteiro assinado por Nic Pizzolatto (True Detective), a produção é um remake do filme dinamarquês Culpa, de 2018. Na história, Gyllenhaal interpreta Joe Bayler, um detetive que após um problema em seu emprego, fora rebaixado ao cargo de atender chamadas de emergência. Situado durante os incêndios florestais de Los Angeles, que aconteceram verdadeiramente em 2019, Joe atende diversas chamadas, porém quando uma mulher liga desesperadamente pedindo ajuda por ser sequestrada, ele mergulha em uma experiência alucinante para ajudá-la. Apesar de ter apenas Gyllenhaal em tela, o elenco é composto por nomes famosos que emprestaram suas vozes, como Ethan Hawke (Antes do Amanhecer), Paul Dano (The Batman) e Peter Sarsgaard (A Órfã).

Por se passar em um dos eventos catastróficos que marcou o mundo nos últimos anos, nos sentimos mais próximos da trama, o que foi uma ótima sacada do longa, pois também mostra o caos e o desespero em que o país se encontrava, além de ser um fator que atrapalhou as buscas na história. A narrativa se constrói, sobretudo, através de diálogos, eles são o elemento essencial do longa, tanto que teria êxito se ocorresse só por meio deles, como um podcast, ainda que a atuação de Gyllenhaal tenha acentuado ainda mais este drama policial. E apenas por meio deles, funcionando através de chamadas telefônicas, a tensão é bem construída e não depende, necessariamente, do visual. O tumulto e aflição das vozes consegue por si só criar uma atmosfera apreensiva em um tipo de roteiro que poderia facilmente deslizar para a monotonia se não fosse pela ótima direção e atuação. Ao passo que Joe se envolve na trama de Emily -mulher que fora sequestrada- para ajudá-la, sua própria trama é desenvolvida e sua história é aprofundada gradativamente. Até o final, todas as peças são encaixadas, como o porquê do personagem perder seu posto de detetive, o porquê de seu casamento estar com problemas, ser um homem um tanto explosivo e o motivo dele sempre olhar para a foto de sua filha. Assim, no terceiro ato, percebemos a complexidade do protagonista e a razão de seu caos interior.

Netflix's "The Guilty" isn't as progressive and critical of cops as it pretends to be | Salon.com

Jake Gyllenhaal entrega uma ótima atuação, o que não é surpresa visto seu trabalho em excelentes obras como Animais Noturnos e O Abutre. Sua interpretação corresponde aos momentos de aflição e espanto e, de forma genuína, o ator apresenta a reação que muitos teriam se passassem pela mesma situação. A performance de Gyllenhaal não é nem um pouco escassa em cenas de nervosismo, ansiedade e raiva. Ainda que só vejamos o intérprete de Joe, as atuações são encaixadas de forma eficiente por meio do trabalho de voz, e só por elas e suas variações de tom, é bem perceptível o ótimo trabalho de elenco. No longa, vemos que para o suspense se estabelecer, a operação técnica e condução das dublagens foram um dos aspectos cruciais e que ditaram a criatividade do enredo. O filme foi gravado no auge da pandemia, em novembro de 2020, e, por isso, os atores foram orientados de suas casas através de chamadas pelo Zoom, fato que não afetou o produto final. Mostrando, assim, que mesmo durante a pandemia, houveram boas produções audiovisuais.

A fotografia é um ótimo ponto a ser destacado também. Com uma visão intimista e muitas vezes com um desfoque, sentimos junto de Joe a perturbação e o suspense, principalmente porque nesses momentos a câmera se mantém colada ao rosto dele. Desse modo, embora o longa se passe no mesmo cenário durante todas as suas 1h30m de duração, a direção de fotografia consegue ser dinâmica e sempre pegar pontos diferentes. Também, a maquiagem teve sua contribuição para evocar a aparência de cansaço e agitação de Joe, tal como a iluminação do local.

O Culpado é um suspense que, apesar de ser mais um remake americanizado não necessário, possui uma trama bem desenvolvida que faz o espectador imergir nessa experiência caso não tenha assistido ao original. Com um plot twist que quebra -em um bom sentido- a expectativa construída desde seu início, e que questiona nossa interpretação, o título conversa diretamente com sua narrativa.

Nota: 4/5 – Ouro

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A dualidade das personagens em Cruel Summer (2021)

Para quem não conhece ou não lembra, a Freeform ficou conhecida por exibir uma série que fez muita gente de trouxa: Pretty Little Liars. Neste ano, especificamente entre abril e junho, a emissora colocou Cruel Summer em sua grade de programação. Com uma temática voltada para o mistério, o fantasma de Pretty Little Liars veio assombrar para trazer uma grande dúvida na cabeça do telespectador: Cruel Summer valeu a pena ou era só uma armadilha? Eu digo com toda a certeza que valeu muito a pena ter assistido.

Cruel Summer acompanha a pequena cidade fictícia de Skylin, no Texas, onde a linda adolescente popular, Kate Wallis (Olivia Holt), é sequestrada sem deixar vestígios. Em 1995, uma garota tímida e nerd chamada Jeanette Turner (Chiara Aurelia), aparentemente sem nenhuma ligação a Kate, deixa de ser vista como uma doce garota e muda de personalidade completamente. Jeanette, aos poucos, assume tudo em relação a vida de Kate, os amigos, o namorado, a vida social, e acaba se tornando a menina mais popular da escola. Teria Jeanette uma conexão com o desaparecimento de Kate?

A sinopse conseguiu transmitir o mistério que pairou em seu ano de estreia sobre o que aconteceu com Kate e a provável culpada disso, pois o outro objetivo alcançado pela sinopse foi criar uma única suspeita: Jeanette. Tudo parecia muito óbvio, porém a série mostrou com maestria a clássica frase: Nem tudo é o que parece.

Esse mistério se tornou trilateral quando tiveram a excelente ideia de fragmentar a história em três anos:

  • 1993 mostrando a rotina normal das meninas em seus círculos de amizade e família. Aqui as cores das cenas estavam vivas e sempre tinham cenas ensolaradas como reflexo da áurea boa dos personagens;
  • 1994 começou a pesar no drama do desaparecimento repentino de Kate e o ambiente passou a refletir essa situação: O ensolarado não dava mais o tom e no seu lugar veio uma camada mais fria e o ambiente foi ficando cinza. As principais relações estavam fragmentadas e não era mais a mesma coisa. Mesmo assim, Jeanette estava tendo o seu momento ao sol através de uma mudança radical;
  • 1995 pesou ainda mais nessa camada mais fria e a paleta azulada chegava a sufocar pela sua densidade. A fagulha de esperança estava quase apagando e todos ainda estavam lidando com as consequências do desaparecimento.

Apesar dessa boa intenção em trazer uma dinâmica diferente para montar esse quebra-cabeça, alguns episódios ficaram confusos na montagem dos eventos 94-95. Principalmente quando começou a apresentação da perspectiva de Kate, mas prestando atenção nos detalhes acaba se localizando sem problemas.

O problema da primeira temporada ter tido dez episódios foi ter permitido que a trama ficasse arrastada em determinados momentos, causando então um certo cansaço e pressa por respostas relevantes.

O conceito de inocente e culpada apresentado em Cruel Summer fez-me lembrar da novela A Favorita, exibida pela Rede Globo entre 2008 e 2009. A trama também mostrava a dualidade de duas personagens principais (Donatela e Flora) e o público bancava o detetive para descobrir quem era a vilã e mocinha. Revelação esta que aconteceu eventualmente no folhetim das nove.

A série foi até mais fundo nisso: Kate e Jeanette conseguiram apresentar os dois lados da moeda em ambas. Não eram totalmente culpadas, porém também não eram inocentes. Suas atitudes questionáveis andavam de mãos dadas com as mais louváveis. Não posso dar muito spoiler, mas tem outra personagem que fecha essa trindade de personagens cinzas. Sem falar que as interpretações de Olivia Holt e Chiara Aurelia ajudaram bastante que o público se identificasse com o sofrimento das duas ao longo da série.

Resumo do mistério: Mesmo com deslizes comuns, a primeira temporada de Cruel Summer apresentou uma trama consistente e atraente com essa narrativa misteriosa. Com a segunda temporada confirmada pela Freeform, fica o hype para saber como será a próxima trama e torcer que não faça a gente cair no mesmo conto de Pretty Little Liars.

Ah, o último episódio tem uma cena extra.

Nota: 4/5

Cruel Summer está disponível no Amazon Prime Video.

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1A de Gossip Girl (2021) tenta inovar, mas continua presa na energia do original (E isso é muito bom)

De um tempo para cá, estamos sendo bombardeados com inúmeras produções ressuscitando através de reboots, remakes, soft-reboots ou qualquer termo para oficializar que determinada série e/ou filme está de volta para o público. Considero compreensível quando a reação não é muito boa por parte de quem consumiu a produção original, porém não acho um pecado a ideia de trazê-la de volta. Dá para aceitar de braços abertos quando o revival é feito com carinho e atenção, ganhando o público novo e até quem sabe o mesmo de antes. Sucesso garantido. Depois de 9 anos do desfecho de Gossip Girl, eis que o HBO Max teve a ideia de trazer a fofoqueira mais ácida de Upper East Side de volta. Será que deu certo?

A equipe criativa tentou se separar, mesmo que brevemente, da série-mãe trazendo mais diversidade no elenco e foi um ponto positivo. Só que apesar dos personagens serem novos, fica fácil captar as personalidades do grupo original através das atitudes desses colegais ao longo da primeira parte da temporada. Fica um interessante jogo de detetive para lembrar quem já fez a mesma coisa durante as seis temporadas.

Outra diferença significativa foi trazer o vício nas redes sociais como uma pauta para o ano de estreia e com isso, modernizou Gossip Girl. Estamos 100% conectados com tudo e todos, então nada mais justo que a blogueira também tivesse o seu lugar ao sol no Instagram, conhecido como a Rede da Utopia. Lá tudo é perfeito e todos vivem maravilhosamente. Só que GG retornou com o lembrete de que tudo poderia desmoronar ao simples sopro do vento e/ou também com uma pequena ajuda sua.

A revelação sobre quem era Gossip Girl aconteceu da forma mais rápida possível, ao contrário da série anterior que levou bastante tempo para o plot twist acontecer (E até hoje continua controverso). A recepção do público em saber que os professores ficariam responsáveis por todo o caos que veio a seguir foi recebida de forma mista. A ideia até pode parecer sem sentido, mas estamos falando de professores frustrados com o tratamento errático de seus alunos ricos. Era o momento da virada de conseguir o respeito mesmo que indiretamente.

Se alguns elementos vieram para diferenciar com GG original, algumas outras permaneceram como uma lembrança que ainda estávamos diante dos mesmos dramas charmosos e também irritantes da elite. A rivalidade iô-iô das irmãs Julien e Zoya era um dos plots que cansavam de jogar na nossa cara e acabavam deixando personagens interessantes de lado em prol de vermos as duas sendo amigas agora, mas depois virando rivais em poucos segundos. Tudo isso com o gomadinho Otto entre as duas.

Luna foi a personagem que mais cativou e tudo indica que a segunda parte teremos mais destaque para ela. Quem caiu no gosto do público também foi o trio Aki-Audrey-Max com toda a tensão sexual que exalava entre eles, além da excelente química entre os atores. +desse trio e -do outro trio, por favor.

O que seria da continuação sem nossa querida Kristen Bell, não é mesmo? A atriz que emprestou sua voz para as narrações retornou e continuou mostrando o motivo de GG ser tão irresistível ao divulgar suas fofocas. Referências aos personagens antigos também foram agradáveis de ver e ajudou a manter a conexão entre as duas séries.

Resumo da fofoca: O soft-reboot de Gossip Girl tentou inovar ao trazer ideias que não tinham aparecido na série original, mas não conseguiu se livrar da áurea da mesma. E isso é bom demais, pois a graça era acompanhar todos os dramas, as tretas e inúmeras coisas que apareciam a cada episódio. Xingávamos e amávamos, então era uma relação de amor e ódio com a série-mãe. Assim como está sendo com a nova versão.

Nota: 3/5

A segunda parte de Gossip Girl retorna em novembro pelo HBO Max. Até lá, xoxo!

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Venom: Tempo de Carnificina revitaliza a era galhofa de uma forma simples e divertida

Quando Venom estreou nos cinemas em 2018, houve centenas de avaliações negativas por parte da crítica especializada, na qual reprovava o seu excesso de humor e história simplória com elementos superficiais. Por outro lado, o público amou a produção por ser capaz de aproveitar a dinâmica entre Eddie Brock (Tom Hardy) e o simbionte (também interpretado por Hardy), além de levantar uma trama acessível para o público de todas as idades sem perder a essência do Protetor Letal.  

A produção de Venom: Tempo de Carnificina foi oficializada pouco tempo após o seu antecessor alcançar ótimos números nas bilheterias. Ruben Fleischer, o diretor da primeira obra cinematográfica, deixou o cargo de diretor (mas retorna como produtor executivo) e deu lugar ao ator e cineasta Andy Serkis assumir a nova aventura do anti-herói, que soube aproveitar todos os elementos bons de Venom para montar uma história divertida, simples e com muita galhofa, que deixaria até Joel Schumacher (diretor de Batman Eternamente e Batman e Robin) orgulhoso.

Bite Venom GIF - Bite Venom Venom Let There Be Carnage - Discover & Share GIFs

Após os eventos do primeiro filme, o relacionamento entre Eddie (Tom Hardy) e o Venom está evoluindo. Buscando a melhor forma de lidar com a inevitável simbiose, esse dois lados descobrem como viver juntos e, de alguma forma, se tornarem melhores juntos do que separados. Brock tenta reviver sua carreira ao entrevistar o serial killer Cletus Kasady (Woody Harrelson), que escapa da prisão e se torna o novo hospedeiro do simbionte Carnificina.

Quando a sua duração foi registrada nos sites das principais redes de cinema dos Estados Unidos da América, muitos fãs ficaram preocupados quanto o desenvolvimento da trama, afinal, filmes de quadrinhos costumam ter mais de duas horas de duração, enquanto Tempo de Carnificina estava registrado com uma hora e meia. Felizmente, isso está longe de ser um problema. 

O tempo não é prejudicial para o seu desenvolvimento, dado que o seu progresso é fluído e com poucas enrolações, tendo-se a impressão de que os personagens sabiam que não podiam enrolar para resolver os problemas que envolvem o grande antagonista: Carnificina

Como mencionado no segundo parágrafo, o enredo é simples, sem a necessidade de ficar criando subtramas sérias para atender a demanda de um público mais nichado. A galhofa está por toda parte: desde piadas envolvendo galinhas até uma cabeça enorme de um simbionte faminto por bandidos saindo das costas de Eddie para eles terem um bate papo. Mas, se você achou que o sentido de galhofa neste texto é algo pejorativo, você está muito enganado, pois é esse detalhe que deixa tudo muito melhor; sem ele, Venom: Tempo de Carnificina não seria uma diversão saudável e descomplicada. 

Em paralelo, comparo a nova peripécia de Venom e Eddie Brock com os filmes Batman Eternamente e Batman e Robin, de Joel Schumacher. Os três longas tem a noção de que as suas composições não devem ser levadas a sério, pelo ao contrário, elas existem especificamente para serem divertidas e nada mais, mesmo que isso custe algumas vergonhas alheias, fator que traz toda a magia.

Venom: Let There Be Carnage': If Box Office Recovers, This May Tell | IndieWire
As galinhas são minhas amigas, Eddie!

O ponto alto está entre a dinâmica dos dois protagonistas: Eddie e Venom. Aqui, temos uma abordagem de amizade misturada com romance, visto que, mesmo Brock não gostando da ideia de ser um hospedeiro de um alienígena que parece uma ameba, Venom adora o seu ”companheiro de quarto”, mas por ter tido uma vida diferente em outro planeta, o Protetor Letal acaba não compreendendo as reais necessidades de seu amigo. 

É evidente que Tom Hardy ama estes personagens e que ele quer estar envolvido em tudo que envolvam eles no futuro. Tom entrega uma atuação com amor, caindo de cara nas dificuldades de Eddie Brock e nas alegrias e raivas de Venom

Em comparação a primeira produção, a dinâmica entre eles é muito mais fluida e natural (afinal, eles estão juntos há um ano), todavia, o humor está muito mais presente na vida de ambos em relação ao primeiro filme, que havia decido em ser algo um pouco mais sério (mesmo com uma grande quantidade de anedotas). 

VENOM: LET THERE BE CARNAGE - Official Trailer (HD) on Make a GIF

Com exceção de Michelle Williams, o elenco de apoio é fraco e com motivações rasas. Michelle traz uma atuação um pouco mais cômica em relação a Venom, porém, ela é um pouco menos participativa, mas mesmo assim, possui extrema importância em uma cena específica. 

Naomie Harris e Stephen Graham interpretam respectivamente Shriek e Detetive Mulligan, personagens que só estão presentes na história para preencher um vazio que seria existente caso eles não fossem inseridos. Shriek possui uma alta relevância, mas baixa simpatia, enquanto Mulligan, uma baixa relevância, mas uma pertinência que será explorada em uma eventual sequência. Ambos são incapazes de cativar os telespectadores. 

Por fim, Reid Scott retorna ao papel de Dan Lewis, o noivo de Anne, ex-namorada de Eddie e personagem de Michelle. O roteiro tenta ajudar Lewis, pondo eles em situações engraçadas (e algumas importantes) para tentar salvar a sua reputação. O resultado, é um figurante com mais tempo de tela e algumas falas adicionais. 

Line of Duty star's Venom 2 role could be more significant than you realise
Stephen Graham como o Detetive Mulligan. Nos quadrinhos, ele se torna o simbionte Toxina.

Woody Harrelson foi uma escolha certeira para dar vida ao serial killer Cletus Kasady e ao vilão Carnificina na primeira sequência de Venom

Harrelson da o seu melhor para trazer uma abordagem sádica e perversa à sua persona, assim como nos quadrinhos. Cletus é um assassino frio, mas aqui, ele possui um comportamento divertido, sendo o oponente ideal para Eddie.

Quanto ao Carnificina, ele é uma versão muito mais feroz e impiedosa de seu pai. O seu desenvolvimento é breve, mas extremamente satisfatório, fazendo jus ao seu nome: Carnificina. As cenas de ação entre ele e Venom são superiores em relação entre o anti-herói e o Riot presentes no primeiro longa, dando gosto de ver uma ameba preta e outra vermelha trocando socos. 

Todavia, nem tudo são flores. A motivação de Cletus não é a das melhores, fazendo com que o espectador se indague toda vez que Kasady reforça os seus motivos de ser mal ao decorrer da história. 

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Afinal, é bom?

Sim, e eu posso garantir que o seu ingresso de meia-entrada vale a pena. O principal objetivo de Andy Serkis com Venom: Tempo de Carnificina, é aperfeiçoar aquilo que já estava estabelecido no universo de Venom, mas sem perder a sua essência, que é o humor galhofa. Em inúmeros momentos, tive a sensação de que estava lendo um quadrinho do personagem lá dos anos 90, quando o mesmo tentou ser um herói por um tempo. 

O futuro de Venom e Eddie Brock será brilhante, e há muita história para contar. Agradeço por ter lido até aqui, e lembre-se de sempre checar se não há um parasita escondido dentro de você.

Agradecemos à Sony Pictures Brasil pela oportunidade de nos convidar para a cabine de imprensa do filme. 

NOTA: 4/5

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Black as Night (2021): A aposta no humor para contar uma história sobre vampiros

Depois de um ano de espera, eis que a parceria do Amazon Prime Video com o conceituado estúdio Blumhouse Productions retornou para a próxima rodada com mais 4 filmes de terror. Começando ontem (01) com o lançamento de Bingo Hell e Black as Night na plataforma de streaming e vou falar um pouco do que vocês podem esperar do segundo filme.

Parecia mais um verão comum em Nova Orleans, mas tudo mudou quando uma jovem foi atacada por vampiros sem-teto. Agora, ela vai se unir com seu melhor amigo, o garoto por quem ela sempre teve um crush e uma garota rica peculiar em busca de vingança contra os vampiros da cidade.

aviso de antemão para quem estava esperando uma produção imersa no horror: Black as Night não tem nada disso. O roteiro assinado por Sherman Payne resolveu contar essa história de vampiros de uma forma mais humorada através de determinadas cenas que beiram ao ridículo e isso não é um demérito. Achei bastante válido como foi usado e trouxe um pouco de diversão com a caçada realizada pelos personagens principais.

O vício nas drogas e a desvalorização do bairro pós-Katrina foram as pautas desenvolvidas no longa sob o olhar de Shawna, onde precisa lidar com sua mãe viciada e quando menos espera, suas férias mudam drasticamente após ser atacada ao sair de uma festa.

A história vai se desenrolando através de clichês já conhecidos com essa temática e ainda arruma espaço para brincar com os principais elementos da mitologia dos vampiros. Como eu disse, tudo com um cunho humorístico. Existem sim diálogos que passam um certo ar de seriedade até para lembrar o propósito dessa missão suicida.

Não espere atuações fantásticas do elenco juvenil, mas destaco a participação de Fabrizio Zacharee Guido por ter ficado responsável pela maioria dos diálogos engraçados. O longa teria ficado muito mais apático sem ele como alívio cômico. O tipo de amigo que entende do plano ser perigoso, mas mesmo assim vai junto por causa da amiga.

Vale mencionar a colocação do personagem de Keith David sobre a criação de seu exército num bairro deteriorado e remete diretamente ao racismo e gentrificação. Pessoas que sempre foram invisíveis tendo a chance de estarem numa situação menos lamentável que antes e terem algum propósito, mesmo que este envolva se alimentar de humanos. Isso acaba trazendo um ar moderno no longa que traz seres milenares e uma região com certa elegância histórica como é Nova Orleans.

Resumo da caçada: Esquecendo a seriedade para tratar das criaturas da noite, Black as Night vai direto ao ponto em apostar na galhofa para contar sua história para o telespectador. Então, nada de criar expectativas demais e depois ficar decepcionado com o resultado. O trailer já deixava claro de como seria a proposta do filme. Apenas aperte o play e divirta-se!

Nota: 3/5

Black as Night já pode ser visto no Amazon Prime Video.

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A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais: Dois Lados de uma Mesma Moeda

O Caso Richthofen foi responsável por chocar o país em 2002, fazendo com que houvesse grande comoção nacional e com que a população acompanhasse o caso até o seu desfecho – tanto que, na época, grandes emissoras de rádio e televisão lutaram para poder transmitir o seu julgamento e houve uma  grande procura das pessoas para acompanhar ao vivo na plateia do tribunal.

Antes da pandemia, foi anunciado que o caso ganharia duas adaptações: A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais – ambos os filmes adotando a perspectiva dos envolvidos no crime. Tal anúncio repercutiu na internet e criou uma certa polêmica, pois muitos achavam que Suzanne Richthofen receberia pelos longas.

Entretanto ambas as narrativas são exclusivamente baseadas nos autos dos processos, estes documentos disponíveis no caso público. Sendo assim, nenhum dos envolvidos receberá algum lucro pela produção pois suas autorizações não são necessárias para que a produção ocorra. Enfim, depois de certas polêmicas e atrasos por conta da atual pandemia, o longa ficou disponível para streaming na Amazon Prime Video.

Ator revela o que ele e Carla Diaz fumaram em A Menina Que Matou os Pais

Os longas de Maurício Eça, com roteiro de Ilana Casoy e Raphael Montes, procuram abordar a narrativa de ambos os acusados a respeito do crime que cometeram em 31 de Outubro de 2002. Ambas as partes dialogam entre si e se complementam ao mostrar os dois lados da história, porém infelizmente os filmes repetem suas cenas e contam o que já foi visto anteriormente.

Esse recurso faz com que a experiência seja cansativa e monótona, tendo em vista que ambas as versões se resumem apenas em rotinas do casal onde ambos utilizam drogas e transam até a noite do crime – mesmo que haja diferenças em certos detalhes tratados durante a exibição. Acaba que, por fim, um filme só seria necessário para abordar todo o caso e, quem sabe, da melhor forma possível sem fazer com que os longas caíssem em algo simples quando, na verdade, tinha potencial para ser algo excepcional.

A Menina que Matou os Pais: Fotos de filmes sobre caso Richtofen trazem família unida antes do crime

O ponto forte do filme são as atuações de Carla Diaz e Leonardo Bittencourt. Carla consegue incorporar bem os trejeitos de Suzanne, mesmo que em alguns momentos pareça forçado. Enquanto isso, Bittencourt se enquadra bem em ambas as versões e aborda o lado dramático de toda a situação com maestria. Os dois foram excelentes em seus papéis, e caso o roteiro fosse melhor, com certeza  o filme alavancaria.

Então, é bom?

A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais apresentam uma premissa interessante de narrar o caso através das duas perspectivas presentes nos autos, entretanto, pecam em sua execução. O lançamento simultâneo das duas versões é um bom instrumento narrativo pois os títulos dialogam entre si e fazem com que o telespectador tenha uma compreensão geral dos fatos, porém não são ousados e tão pouco inovam em sua composição – sendo assim, ambos os autos poderiam facilmente ser adaptados em um único filme.

Os títulos dividem a opinião do público: se por um lado, parte não gosta por conta de seus artifícios narrativos, outro assiste e aprecia o conteúdo exposto em tela. Em minha opinião, os dois títulos pecam somente ao querer fazer uma ousada narrativa e não saber por onde começar, mantendo assim um ritmo morno e inconsistente em sua exibição que se resume no casal vivenciando um ciclo de drogas e sexo até a noite do crime.

O material base apresenta um grande potencial cinematográfico e narrativo para se encaixar na proposta, porém, acaba que o livro escrito por Ilana Casoy – que também está envolvida no roteiro do longa – é mais completo que dois filmes com tal objetivo. Por fim, ambos os títulos apresentam dois lados de uma mesma moeda e tentam revolucionar de alguma forma sua narrativa, mas acabam se tornando mais do mesmo – desperdiçando assim uma boa chance de se contar a história completa de um dos casos que marcou o país.

Nota: 3/5

 

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Paramount+ | Madame X e segunda temporada de Star Trek: Lower Decks são os destaques de outubro

Setembro chegando ao fim e o Paramount Plus já liberou o que veremos de novidade em outubro. Desde o documentário da Madonna até Legado Explosivo ou acompanhar a segunda temporada de Star Trek: Lower Decks.

01/10

No Limite

Um famoso chefão do crime força dois ladrões de carros lendários a roubar um veículo para recuperar sua liberdade. Junto com duas lindas mulheres, a equipe tem uma semana para realizar o ousado assalto ou arriscar perder tudo, inclusive a vida.

Legado Explosivo

Tom Carter é um especialista em demolição e uma lenda entre os criminosos. Ele conseguiu roubar uma fortuna sem nunca ter sido pego, mas tudo muda quando ele se apaixona por Annie e decide deixar o crime para trás. Disposto a mudar de vida, Tom aceita se entregar para a polícia em troca de uma sentença reduzida. Mas ele não imaginava que seria enganado por agentes corruptos do FBI, que o incriminam por um assassinato e o obrigam a fazer justiça com as próprias mãos para limpar o seu nome.

Santiago dos Mares (Primeira temporada)

O capitão Santiago, o sapo Kiko, o primo Tomas e a sereia Lorelai levam um navio pirata mágico em heroicas missões marítimas, levando na esperteza os vilões e inimigos que encontram ao longo do caminho.

08/10

Madame X

Filmado em Lisboa, Portugal, local que influenciou criativamente Madonna no disco homônimo. O documentário apresenta encantadoras performances da turnê da rainha do pop e, assim, somos levados em uma jornada íntima e audaciosa ao lado da cantora.

Drama Club (Primeira temporada)

Comédia de estilo pseudo-documentário sobre o funcionamento interno de um clube de teatro do ensino médio.

14/10

Guilty Party (Primeira temporada)

Uma jornalista desacreditada e desesperada para salvar sua carreira que se apega à história de uma jovem mãe condenada à prisão perpétua por mutilar e assassinar seu marido, crimes que ela afirma não ter cometido. Tentando descobrir a verdade, Beth se encontra em apuros enquanto luta contra os contrabandistas de armas do Colorado, a cultura do clickbait, a estagnação do casamento e seu próprio passado sombrio.

https://www.youtube.com/watch?v=8cSLxMT9VN4&ab_channel=JoBloStreaming%26TVTrailers

23/10

Club 57 (Segunda temporada)

Os irmãos Eva e Ruben acidentalmente viajam no tempo para 1957. Eva se apaixona por JJ e decide ficar, mas sua decisão desencadeia um efeito borboleta de mudança de vida.

27/10

Star Trek: Lower Decks (Segunda temporada)

Em 2380, a tripulação de apoio do USS Cerritos, uma das naves menos importantes da Frota Estelar, deve manter suas tarefas usuais e vida social enquanto uma multidão de anomalias abala a nave.

https://www.youtube.com/watch?v=IX2lvDNxfBY&ab_channel=Setozy

30/10

The Bite (Primeira temporada)

Segue a vida de duas vizinhas, Rachel e Lily, enquanto elas embarcam em tempos sem precedentes quando uma nova cepa mortal de um vírus chega. Navegando no novo normal na cidade de Nova York, Rachel trabalha em casa fazendo malabarismos com seus clientes de telemedicina e um casamento instável com seu marido, Dr. Zach , que tem um trabalho de prestígio a quilômetros de distância, em Washington DC. E Lily tenta convencer sua clientela de Wall Street de que seu conjunto de habilidades específicas ainda é tão valioso por meio de uma tela de vídeo quanto em pessoa.

Fiquem de olho para os próximos lançamentos aqui na Torre de Vigilância. Confira também:

Amazon Prime

Disney Plus

Netflix

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Netflix | Confira todos os lançamentos de Outubro

A Netflix divulgou recentemente os títulos que entrarão no catálogo neste mês de Outubro. Neste mês, mais de 70 títulos estarão disponíveis pelos próximos trinta dias, com destaque para todas as temporadas de Seinfeld, para a nova temporada de Você, para o spin-off de Army of the Dead, Exército de Ladrões: Invasão da Europa e para  Venom – cuja continuação estreia neste mês exclusivamente nos cinemas.

Confira os lançamentos do mês de Outubro:

  • 01/10 – MAID
  • 01/10Seinfield 
  • 01/10 – Diana: O Musical
  • 01/10 – O Culpado
  • 01/10 – Difícil de Engolir
  • 01/10 – Carandiru
  • 01/10 – Wimbledon: O Jogo do Amor
  • 01/10 – Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile – 1ª Temporada
  • 01/10 – Magias & Miados – 1ª Temporada
  • 01/10 – Beyblade Burst Rise – 1ª Temporada
  • 01/10 – The Seven Deadly Sins: Cursed By Light

  • 03/10 – Scissor Seven – 3ª Temporada
  • 04/10 – On My Block – 4ª Temporada
  • 04/10 – Pistas de Blue e Você – 1ª Temporada
  • 06/10 – Casamento às Cegas: Brasil
  • 06/10 – A Vingança das Juanas
  • 06/10 – Cozinhando o Impossível
  • 06/10 – Tem Alguém Na Sua Casa
  • 06/10 – Jogo Comprado – Volume 1
  • 06/10 – Luccas Neto em O Mapa do Tesouro 2
  • 07/10 – Batalha Bilionária: O Caso Google Earth
  • 08/10 – Pretty Smart
  • 08/10 – Flagrantes de Família – 3ª Temporada
  • 08/10 – Dano Colateral
  • 08/10 – O Mistério das Mortes de Burari
  • 08/10 – The Spokeswoman
  • 08/10 – Um Conto Sombrio dos Grimm – 1ª Temporada
  • 08/10 – Pokémon: O Filme – Segredos da Selva

  • 09/10 – Venom
  • 09/10 – Blue Period – 1ª Temporada
  • 12/10 – Tudo Por Um Pop Star
  • 13/10 – O Fio Invisível
  • 13/10 – Entre Frestas
  • 13/10 – Violet Evergarden – O Filme

  • 14/10 – Outra Vida – 2ª Temporada
  • 15/10 – Você – 3ª Temporada
  • 15/10 – The Trip
  • 15/10 – No Jogo do Amor
  • 17/10 – Valentina
  • 19/10 – A Casa Mágica da Gabby – 3ª Temporada
  • 20/10 – As Passageiras
  • 21/10 – Goop: Muito Além do Prazer
  • 21/10 – A Vida é um Bug
  • 21/10 – Insiders
  • 21/10 – One of Rock: Flip a Coin
  • 21/10 – Komi Can’t Communicate – 1ª Temporada
  • 22/10 – Lock & Key – 2ª Temporada
  • 22/10 – Departamento de Conspirações – Parte 1
  • 22/10 – O Desconhecido Mundo Animal
  • 22/10 – Dinastia – 4ª Temporada
  • 22/10 – Maya e os 3 Guerreiros

  • 27/10 – Sintonia – 2ª Temporada
  • 28/10 – Luis Miguel: A Série – 2ª Temporada
  • 28/10 – Hospital Playlist – 2ª Temporada
  • 29/10 – Colin em Preto e Branco
  • 29/10 – O Tempo Que Te Dou
  • 29/10 – Guia Astrológico para Corações Partidos
  • 29/10 – Mytho – 2ª Temporada
  • 29/10 – Fale Com Meu Agente… em Bollywood

  • 29/10 – Exército de Ladrões: Invasão da Europa
  • 29/10 – A Origem do Mundo
  • 29/10 – O Assassino da Capa de Chuva: Caça ao Serial Killer Coreano
  • 30/10 – Amor, Casamento e Divórcio – 2ª Temporada

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AHS: Double Feature (Red Tide) e a escassez da pílula preta para encerrar de forma positiva a primeira parte

Tenho a leve impressão de que algumas pessoas possam concordar com o título que abre essa crítica. Ainda mais aqueles que continuam reféns, assim como eu, de tudo que envolva a franquia American Horror Story. Ao bem da verdade, estamos cansados de prever com exatidão a direção torta que cada temporada seguirá após um primoroso início. Chega a ser clichê todo ano soltarmos frases como: Ah, vamos esperar em qual episódio tudo desandaráFalei que iria estragar tudoMurphy e cia., vão se tratar!. A qualidade das nove temporadas anteriores sempre foi bastante polarizada, mas não estou aqui para falar delas. Vim em paz (ou não) para comentar brevemente da atual décima temporada que encerrou há quase uma semana sua primeira parte.

Seguindo a tradição, Double Feature é o subtítulo da temporada e Red Tide foi o nome dado para a Parte I. Em relação ao tema, não tenho do que reclamar. O visual não deixou a desejar em nenhum momento, pois a ambientação litorânea se tornou um essencial personagem para contar para nós o que precisávamos saber sobre o local junto com seus habitantes misteriosos. O tom melancólico ditou as regras principalmente nos ambientes externos e ajudou a criar o clima necessário para que comprássemos a ideia dessa primeira parte sobre a Maré Vermelha.

A ganância do ser humano para conseguir os seus objetivos foi a pauta e trouxe uma questão que traz muita reflexão: Somos talentosos ou pensamos que somos?. Cada personagem tinha fome de poder e sucesso, pois acreditavam no seu potencial. Ou queriam acreditar apenas para terem algum norte a seguir e não ficarem vagando enquanto a vida passa diante de seus olhos. Esse tema não é original, porém como o assunto foi tratado aqui foi mais um elemento que tornou Red Tide excelente até sua derrapada habitual.

O elenco de American Horror Story sempre foi bastante versátil em trazer novos ângulos para seus personagens apesar de seus rostos já serem conhecidos desde Murder House (2011). Vou continuar rasgando elogios para Sarah Paulson, Lily Rabe e Frances Conroy, que seguem dando um show de interpretação. Não posso deixar de mencionar também Leslie Grossman, pois essa nasceu para interpretar personagem ácida. Evan Peters e Finn Wittrock estão ok em seus respectivos papeis. Angelica Ross entregou uma ótima interpretação como a Química e com isso, ajudando a criar diversas teorias entre os fãs sobre a possível ligação com Death Valley (Parte II).

Macaulay Culkin estava ótimo como Mickey, mas a estrela foi a atriz mirim Ryan Kiera Armstrong. Ela conseguiu trazer uma excelente Alma Gardner com facetas excelentes de personalidade. Quando a temporada começa, temos uma Alma fofa e dedicada. Com a trama avançando, conhecemos um lado mais perverso dela. Você só queria um destino cruel para Alma e tudo isso foi possível pela atuação ótima de Ryan.

O público ficou surpreso positivamente com  o roteiro em Red Tide e também fui atingido com esse sentimento. Por ter somente seis episódios, não teve aquela trama arrastada para revelar os pontos cruciais da história. Desde o episódio duplo que abriu a temporada até o quinto episódio, a qualidade era inegável. Claro que com algumas ressalvas em certas situações, mas isso não tirou o gosto bom que ficou. Blood Buffet (S10E04) e Gaslight (S10E05) foram os melhores episódios.

Era para ser um desfecho satisfatório, mas acabou dando tudo errado. Winter Kills (S10E06) foi desajeitado do início ao fim em seus quase 40 minutos e o espectador não conseguiu tirar proveito de quase nada do que foi resolvido na trama das pílulas pretas. Boa parte do que aconteceu daria para ter mudado para melhor. Muito melhor!

A esperança é que Death Valley não repita esse erro em sua conclusão, mas se for depender da mente alucinada de Ryan Murphy e cia. já sabemos o que nos aguarda no Vale da Morte.

Nota: 4/5

Então, o que preferem: Pílula preta, azul ou vermelha?

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O problema de se prolongar demais em Hamefura X

Uma das citações mais famosas da ficção é aquela que você provavelmente já ouviu em vários contextos: “Ou você morre herói, ou vive o bastante para ver você mesmo virar vilão“. É comum, no mundo do entretenimento, a criação de histórias longas, e, enquanto algumas delas não duram tanto quanto gostaríamos (ou quanto era necessário…), o caso oposto também é recorrente: histórias que se estendem muito mais do que precisavam.

Diversas franquias estão presentes há anos, até décadas, e continuam gerando novos conteúdos. Mas chega um momento em que até mesmo o mais aficionado fã vai encarar o seu novo filme (ou quadrinho, livro, temporada, álbum…) e pensar “Putz, esse aí já foi pura ganância“.

Vários exemplos podem ter passado pela sua cabeça (e eu até prefiro não citar nenhum para não causar uma polêmica, mas cada um sabe, lá no fundo, do que estamos falando), só que eu queria dar um exemplo que você provavelmente não conhece, e um exemplo que talvez não seja tão radical quanto esse começo fez soar, mas que precisa ser dito antes que chegue nos patamares acima.

Captura de tela do episódio 1 de "Hamefura X", mostrando Catarina, com a legenda "Por que as coisas acabaram assim?!"
A pergunta que muitas fãs fazem… (Reprodução: Crunchyroll)

Ano passado, eu comentei sobre “My Next Life as a Villainess: All Routes Leads to Doom!” (abreviado para “Hamefura”, por seu nome japonês), um animê isekai que me divertiu horrores com sua premissa absurda e execução impecável.

A primeira temporada teve uma história com início, meio e fim. Seu clímax foi interessante e me deixou intrigado pela sua resolução, e o que foi entregue conseguiu encaixar perfeitamente todas as peças, numa conclusão satisfatória e eloquente. Acompanhar a vida da Catarina, desde sua infância, até o momento de sua “programada” morte, era um conceito interessante: Cada evento tinha importância, nos fazia pensar em como isso alteraria o futuro que já estava escrito. Até que ponto as mudanças que ela causou a ajudariam? A parte “séria” da história funcionava por causa dos conhecimentos prévios que ela tinha.

Por outro lado, o humor funcionava em cima da incapacidade da Catarina de entender qualquer coisa ao seu redor, que não fosse tentar sobreviver. Ela é abobada e sem nexo parcialmente por sua inexperiência, mas principalmente por realmente não estar dando bola para qualquer coisa que não seja evitar sua própria morte. A própria ideia de ter todas aquelas pessoas gostando e se interessando por ela era absurda, afinal, elas seriam as responsáveis por seus “fins de destruição”.

Captura de tela do episódio 1 de "Hamefura X", mostrando Catarina, e com a legenda "Escapei!"
Mas convenhamos, é a junção da história e da bobeira da Catarina que me fez gostar da primeira temporada (Reprodução: Crunchyroll)

Então, chegamos na segunda temporada, que estreou em julho deste ano (e está na Crunchyroll)… O anime tenta se manter o mesmo, e fez isso com bastante maestria. O problema é que o clima não é mais o mesmo. As coisas não funcionam mais tão bem na atmosfera que foi criada num mundo de Hamefura pós-primeira-temporada.

A história de “Fortune Lover“, o jogo que Catarina conhecia, já terminou. Os conhecimentos prévios dela se esgotaram. A partir desse ponto, a trama se torna um mistério comum. Ele perdeu parte do charme, pois não temos mais uma “base” para comparar e perceber o quanto as coisas mudaram.

Para piorar, a ambientação acaba impondo um limite de quantas coisas diferentes você pode fazer para gerar tensão. Quando você me conta que, pela terceira vez, alguém foi sequestrado por um usuário de magia negra… Eu não vou ficar preocupado, eu vou é revirar os olhos.

Captura de tela do episódio 3 de "Hamefura X", mostrando Catarina, e com legenda "Não posso dizer que estava tão confortável que até esqueci que fui raptada."
Admiro a coragem de fazer um meta-humor com isso, mas poxa vida… (Reprodução: Crunchyroll)

Essas são apenas algumas das coisas que eu pensava enquanto assistia aos novos episódios. O questionamento geral sempre era: “Precisava de mais?“. Mesmo a segunda temporada tendo sido até que divertida, trabalhando em cima dos pontos fortes da série, e explorando seu rico elenco (além das excelentes adições), ela não chegou nem perto da genialidade da primeira.

A impressão que eu tive é que o primeiro episódio deveria ter sido um “especial“, um extra para a primeira temporada. Um clássico “agora que nossas crianças salvaram o mundo, vamos deixá-las se divertir um pouco!“, e então, encerrar por ali. A criação de uma nova narrativa não só pareceu forçada, ela era totalmente desnecessária.

No geral, Hamefura X foi uma existência que não precisava existir, mas já que existiu, pelo menos se esforçou para dar o seu melhor. E, enquanto o seu melhor não é tão bom quanto o seu antecessor, ainda é melhor do que muita coisa que se encontra por aí. A história ainda não se tornou vilã, mas está tentando perigosamente viver por tempo demais. Para a segunda temporada, a nota do redator é 3,0/5,0.

Hamefura X (e também sua primeira temporada) está disponível na plataforma de streaming Crunchyroll, completo em 12 episódios (24 com as duas temporadas), e com legendas em português.