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O que ler antes de Doomsday Clock?

Os dois universos estão colidindo. A primeira edição de Doomsday Clock foi lançada semana passada. A continuação de Watchmen escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank promete ser um marco para a cultura pop. Não é todo dia em que alguém decide mexer com o maior clássico dos quadrinhos. E já que estamos no hype para o fim do Renascimento, descubra o que você deve ler antes de revisitar esse mundo caótico.

1 – Watchmen

Antes de Doomsday Clock, você definitivamente precisa ler Watchmen. Na verdade, independentemente de qualquer coisa, você precisa ler esse quadrinho. Considerado um clássico da literatura, a obra escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons desconstrói completamente a ideia do super-herói. Apresenta personagens extremamente problemáticos e com moral duvidosa. Além disso, a trama se passa em plena época da Guerra Fria, onde a tensão era gigantesca. A construção de mundo é perfeita e se você é um daqueles leitores cheio de esperança, Watchmen irá destruí-la. Ao final, todos concordam: Não existe solução para este mundo, é o fim.

2 – Universo DC: Renascimento

Se Watchmen desconstrói os super-heróis, Universo DC: Renascimento é uma carta de amor a eles. Escrito por Geoff Johns e ilustrado por Ivan Reis, Ethan Van Sceiver, Gary Frank e outros artistas, este one-shot não apenas inicia uma nova fase para a editora, como também é uma perfeita metalinguagem em relação ao que os leitores sentiam lendo os Novos 52. Era possível gostar daquele universo, gostar daqueles personagens, mas faltava algo. Renascimento é o preenchimento deste vazio que existia no Universo DC.

3 – The Button

Idealizada por Tom King, Joshua Williamson, Jason Fabok e Howard Porter, The Button compila as edições Batman 21-22 e Flash 21-22. Os heróis investigam o botão sorridente encontrado na parede da Bat-caverna e embarcam em uma jornada envolvendo Ponto de Ignição, Professor Zoom e Hiper tempo. Nessa história, nossos heróis descobrem que existe uma espécie de Deus por trás de todas essas mudanças no universo. Ao final da história, um deles toma uma trágica decisão.

4 – Superman e Action Comics  

Como o Homem do Amanhã é um dos protagonistas então, precisamos entender como se encontra o personagem hoje. Action Comics de Dan Jurgens apresenta mistérios como o segundo Clark Kent, a presença do Apocalipse original e Lex Luthor como herói. Superman de Peter Tomasi, lida com a estranha vizinhança de Hamilton, os poderes de Jon Kent e antigos vilões. Os títulos têm um aspecto em comum: O Senhor Oz, uma figura misteriosa que apareceu na vida do nosso herói há uns três anos. Existem três arcos de extrema importância nessas revistas: Reborn, A New World e The Oz Effect. A primeira lida com o Homem de Aço dividido em duas metades, a segunda traz uma nova cronologia ao Superman e a última, revela a identidade de Oz e descobrimos um possível envolvimento de Manhattan nisso.

Para saber mais sobre Doomsday Clock e tudo o que acontece na Editora das Lendas, fique ligado na Torre de Vigilância.

 

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Espante os fantasmas e venda conosco! Conheça a Imobiliária Sobrenatural

Você tem uma casa que está assombrada por espíritos, aparições fantasmagóricas ou encostos bizarros? Você precisa vender/alugar o seu imóvel, mas o clima pesado que os fantasmas fazem no local atrapalham o seu negócio? Os seus problemas acabaram! É só entrar em contato com a Imobiliária Sobrenatural que eles têm a solução para o seu problema. Uma coisa: não ligue para o jeito do paranormal Jude Tobin de agir. Pode parecer estranho, mas é eficaz.

O Plot! Editorial, o selo de quadrinhos da editora Alto Astral está lançando no Brasil pela primeira vez Imobiliária Sobrenatural, escrito e desenhado por Dan Goldman, a obra foi indicada ao Eisner Award. Uma curiosidade é que o autor começou a produção do projeto quando ele estava morando em São Paulo em 2010. A HQ fala sobre uma firma familiar onde a especialidade é “limpar” as casas assombradas e colocá-las à venda por um valor mais abaixo do mercado.

O livro começa inocentemente com um anuncio da imobiliária. Aqui, os personagens são logo apresentados para o leitor: Jude é o fenomenologista, Cecília, sua esposa, é a corretora, Rhoda cuida da parte de empréstimos e Zoya é secretária e uma fotografa espiritual. Ainda temos completando o cast principal o pequeno Iuri, filho de Jude e Cecília. No anúncio passa a ideia de uma empresa bem familiar, onde todos se dão bem. Bem, quando se vira a página não é bem assim…

A realidade é bem mais dura do que o anúncio prega. A tensão entre os membros da empresa chega a saltar das páginas. Nosso protagonista é um misto de herói cansado com um fracassado de marca maior. As suas roupas lembram o típico perdedor que vemos em filmes americanos. Jude Tobin é um homem que está no seu limite e vive atormentado. Jude tem o dom de pode enxergar e comunicar com os fantasmas, e assim convencê-los a seguirem o seus caminhos divinos. Algumas vezes ele tem que ampliar o seu dom com uso de drogas pesadas ou ervas estranhas que deixam as páginas como uma viagem alucinógena como música dos anos 70. E as crises que se instalam na sua vida aumentarem o seu tormento.

Dan Goldman usa bem como plano de fundo o enredo das casas mal-assombradas para falar sobre crise. Na trama vemos crise no casamento de Jude e Cecília, crise no ramo imobiliário, crise de cotidiano, crise sexual, crise financeira… e Jude é a balança que tem que segurar todo esse peso sem deixar cair nada no chão. E ainda cuidar dos fantasmas. Até uma crise com o seu finado pai, que ele insiste em ter um relacionamento que nunca teve quando o velho era vivo, está nesse samba todo. E Goldman sabe tratar de cada coisa muito bem, colocando uma por cima da outra sem ficar confuso, deixando os personagens como boxeadores nas cordas só esperando o nocaute. E essa angustia passa para o leitor no decorrer da leitura.

Imobiliária Sobrenatural tem uma qualidade gráfica muito peculiar. Muitas vezes as fotos do mundo real servem de plano de fundo para uma cena, ou a arte é enquadrada dentro de um modelo 3D criado por Goldman. A arte foto realista impressiona quando mescla com os personagens, o sol de Miami também está lá, bem forte e vibrante, hora em tons amarelos, ora em tons avermelhados. Quase sendo um personagem constante da HQ.  As explosões de cores como nas entradas no mundo dos mortos são surreais. É boa parte da diversão da leitura. São momentos em que destoam dos quadrinhos tradicionais que estamos acostumados a ler. Os formatos dos layouts de páginas e das letras são incríveis e de fácil entendimento. Não tem aquilo de ficar meio que perdido na página, mesmo com tanta coisa acontecendo e colorido ao mesmo tempo. Os fantasmas são de uma cor meio amarelado-verde-vomito, mas que são prazerosos de se ver. E quando a página está em uma confusão ordenada de cores, Jude pode tropeçar, e as coisas voltam ao normal como um passe de mágica.

Imobiliária Sobrenatural é aquela leitura que te deixa com algumas perguntas no ar, mas ela também não se preocupa em te responder nada.  A HQ mostra um lado bem romântico e humano sobre a morte. Mesmo que não seja tão romântico assim. Ela preza que a morte na verdade é uma construção. Que está construindo a próxima etapa da sua alma. Apesar de todas as cores e do sol convidativo da Flórida, é uma história de humor negro que não é tão alegre. Pois tudo está morrendo. Como casamentos, negócios, relacionamentos… mas trata tudo de forma atraente e com grande desenvoltura.

Dan Goldman acertou em cheio em Imobiliária Sobrenatural em todos os aspectos. Seja nos personagens, nos dramas vividos por eles, nas mensagens que a HQ passa (mesmo não tendo nenhuma responsabilidade em passar) e nas artes fantásticas.

Imobiliária Sobrenatural tem o formato em 24 x 17 cm, 208 páginas e já se encontra em pré-venda. O seu lançamento oficial será durante a CCXP- Comic Con Experience, e terá a presença de Dan Goldman.

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Chega uma hora que a gente cansa de Marvel e DC

Super-heróis, no geral, são a alegria da infância e adolescência de muita gente. Raramente um leitor de quadrinhos não começou lendo Homem-Aranha, Batman e outros personagens icônicos. E a leitura contínua desses personagens em boa parte provenientes das editoras Marvel e DC Comics segue até a vida adulta, mesmo com tantas repetições no decorrer das histórias.

É claro que, muitas vezes, um leitor segue acompanhando os personagens que mais gosta por puro preciosismo. Aquele herói do coração sempre terá um espaço na prateleira, na ida à banca ou no acervo digital. Não importa quantos casamentos sejam apagados com pactos demoníacos ou quantas vezes o super-alienígena teve a mente dominada pelos vilões, seguimos acompanhando os altos e baixos na esperança de que surja algo diferente.

E muitas vezes essa espera é recompensada. Em um dos reboots anuais, uma equipe criativa (verdadeiramente criativa) pode soprar ar fresco para uma criação ultrapassada. O herói amargurado há 30 anos, de repente, retoma suas origens da Era de Prata e passa por um momento mais divertido. Ou um roteirista careca irlandês resolve trazer de volta conceitos descartados que renderiam boas histórias para o vigilante da cidade gótica. Essas mudanças são, sim, inovadoras após tanto tempo de mesmice, mas também são rapidamente ignoradas pelas editoras ou demoram para receber o destaque que merecem.

É fato que os leitores de quadrinhos de super-heróis muitas vezes buscam mais do mesmo e deixam de prestigiar algumas mudanças. A ideia de acompanhar um arco com o Vilão X atacando a cidade por meia dúzia de revistas faz parte da rotina do consumidor. No fim das contas a história pode ter um final ruim, mas valeu o passatempo. E algumas vezes esse hábito torna-se prejudicial.

No momento em que o leitor está anestesiado, acompanhando por rotina até os maus momentos de todos os personagens que gosta, seu senso crítico também torna-se mais do mesmo. “Ah, não vamos mudar isso. Tá funcionando assim.” E nesse ritmo tudo permanece… O mesmo. E a mesmice domina as HQs de super-heróis das grandes editoras por mais alguns anos.

Algumas pessoas notam que, no geral, quadrinhos de super-heróis são cíclicos, apesar de pérolas momentâneas que surgem de tempos em tempos. Nos últimos anos, inclusive, muitas novidades relevantes foram feitas. Mas essa percepção abre horizontes: ainda gosto de quadrinhos, mas o que ler após o cansaço? E editoras norte-americanas como a Image Comics, Dark Horse, IDW, Dynamite e tantas outras estão cheias de boas histórias esperando para serem lidas, algumas inclusive na temática dos super-heróis, porém com mais liberdade criativa. Todas elas contidas em uma parcela mínima das vendas de quadrinhos nos EUA.

E não só das grandes editoras vivem os quadrinhos, obviamente. O segmento underground e independente proporciona experiências fantásticas para leitores E autores. Ao expandir um pouco mais os horizontes, o mercado europeu (quadrinhos franco-belgas, italianos e outros) está cheio de obras-primas, enquanto no Brasil este permanece sendo um filão pouco prestigiado pelos consumidores. Mas não somente no Brasil: por aqui existem séries europeias que não foram lançadas nem nos Estados Unidos. É o caso, por exemplo, da excelente Lanfeust de Troy. Ou da série Elric, levada aos EUA somente por uma editora britânica. E também dá para mencionar os maravilhosos quadrinhos nacionais que necessitam de todo o apoio possível para alcançarem o estrelato.

É impossível afirmar que a insistência em revistas de baixa qualidade, afundadas no mais do mesmo dos heróis, impede que o leitor possa ‘sair da caixinha‘ para consumir novidades. Mas este é, sem dúvidas, um fator predisponente. Nunca haverá oportunidade (e dinheiro) para tentar explorar outros tipos de HQs enquanto todo o tempo e esforço for investido naquela rotina de 30 anos de vida ou mais.

E a questão não é cortar para sempre a leitura de materiais repetitivos que mais causam frustrações do que alegria. Se aquilo lhe proporciona diversão, não há nada de errado. Mas é possível manter um hábito mais variado, para quem ama quadrinhos, consumindo coisas diferentes. Ninguém vai te julgar se você deixar de ler uma revista do Flash. Também não existe problema nisso.

No Brasil, as portas para novas descobertas estão sempre abertas, inclusive pelas grandes editoras que publicam quadrinhos de super-heróis. Partes dessas editoras também fazem um esforço para trazer uma variedade de títulos ao mercado, nem sempre recebendo a atenção que merecem. E, pela falta de apoio de leitores mergulhados no mais do mesmo, diversos bons investimentos não dão certo.

A questão, claro, não é tão simples. Marketing por parte das editoras também ajudaria na expansão dos quadrinhos em terras tupiniquins, mas antes de tudo a cabeça dos leitores deve mudar um pouco: será que continuar com essa revista ou série de encadernados está valendo a pena? Minha insistência tornará impossível que eu esteja aberto a novidades? Ou não? E apesar do empecilho do preço (quadrinhos que fogem das duas “maiores editoras” dos EUA geralmente possuem menor tiragem, por venderem menos, e o preço é elevado), é sempre possível fazer um esforço. Com toda certeza, este esforço será recompensador.

Os super-heróis estão aí para receber o prestígio que merecem, especialmente quando estão nas mãos de bons roteiristas, desenhistas e editores. Fora disso, realmente fica difícil se empolgar com tantas grandes-mudanças-que-não-impactam-mais-ninguém. A não ser, é claro, que você já esteja anestesiado de tudo isso ou ainda se empolgue. Nestes casos, só permanece a sugestão de que existem HQs tão recompensadoras quanto por aí. É só procurar ou seguir boas dicas. Pessoas focadas em divulgá-las é o que não falta.

E saiba também que, dentro da Marvel e DC, o pensamento tem mudado. Iniciativas como o Batman de Enrico Marini (formato de criação totalmente europeu) são verdadeiros testes de mercado, algo similar à revolução das graphic novels proporcionada há algumas décadas, e o resultado pode ditar o futuro dos super-heróis nos EUA e no mundo. Somente o tempo dirá.

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Melhores quadrinhos para ler no Halloween

O Halloween chegou! E com ele os espíritos mais sombrios passam a dominar os leitores de quadrinhos, que procuram por leituras temáticas para o Dia das Bruxas. Monstros e entidades não compreendidas pela mente humana fazem parte desta lista de melhores quadrinhos para saborear na noite de Halloween! Confira abaixo!

Wytches

Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre bruxas. Ninguém jamais contou para você que as mulheres queimadas nas fogueiras morreram para proteger uma terrível realidade escondida dos meros mortais: bruxas, bruxas de verdade, que existem e estão por aí.

Elas são criaturas muito mais perversas e diabólicas do que você poderia pensar — e, portanto, muito mais assustadoras. Ver uma é coisa rara; sobreviver a elas é mais raro ainda. Em Wytches, Scott Snyder e Jock trazem para os quadrinhos uma versão bem diferente das bruxas, com um arco envolvendo a família Rook e todo o domínio e pavor que as BRVXAS (Wytches) exercem sobre as pessoas. E as florestas ao redor de New Hampshire escondem algo macabro…

Frankenstein: Entre o Céu e o Inferno

Depois de um encontro com o Hellboy em uma luta livre mexicana, o Frankenstein de Mike Mignola conseguiu fugir da instalação secreta na qual estava aprisionado. Mas tanto a liberdade quanto a esperança de viver em paz são sonhos quase impossíveis para o amargurado monstro, pois o destino lhe reserva um misterioso papel em um sobrenatural conflito entre poderes ancestrais.

Cansado da perseguição humana, torturado pela solidão e padecendo de remorso pelas atrocidades que já cometeu, Frankenstein é levado às trevas abissais em busca de redenção… e de algum propósito para sua existência! Esta história, com arte de Ben Stenbeck e cores de Dave Stewart, traz a visão de Mignola (tão conhecido nos EUA por seus quadrinhos aterrorizantes e monstruosos) para a criação do Dr. Frankenstein.

Batman: Dia das Bruxas

Em três momentos distintos passados durante o Dia das Bruxas, o Cavaleiro das Trevas se vê às voltas com alguns de seus mais terríveis adversários, tendo que sobrepujá-los e, ao mesmo tempo, não sucumbir à loucura. Porém, sua batalha ganha contornos sobrenaturais quando o Cruzado Encapuzado é visitado por seres fantasmagóricos que pretendem mostrar-lhe de que modo sua vida pode acabar.

Concebidos pelo roteirista Jeph Loeb e o artista Tim Sale, os três contos que compõem Batman: Dia das Bruxas estão situados no início da carreira do Homem-Morcego. Anos depois, a mesma equipe criativa retornou para a temática com O Longo Dia das Bruxas, que rendeu-lhes muitos prêmios e fama mundial.

Legião

O autor argentino Salvador Sanz possui em seu currículo algumas das melhores obras de terror dos quadrinhos. Um dos destaques é Legião, que conta a história de um grupo de desconhecidos que tenta sobreviver a uma estranha invasão em Buenos Aires, após uma cor impossível irromper dos céus (como no conto de Lovecraft, A Cor Que Caiu do Espaço).

Com trama recheada de gore e mistérios, este grupo de sobreviventes deve fugir dos territórios ocupados por estranhas criaturas Lovecraftianas enquanto tudo ao seu redor está tomado por torturas e incertezas. Outros quadrinhos do autor, como Noturno e O Esqueleto, também são boas pedidas para o Halloween.

Paper Girls

A magnífica série de ficção-científica criada por Brian K. Vaughan, com arte de Cliff Chiang, chegou ao Brasil em 2017 pela editora Devir. Quatro entregadoras de jornal, no Dia das Bruxas de 1988, se veem envolvidas numa misteriosa batalha com viagens no tempo, criaturas bizarras, dinossauros e drama suburbano.

Muito similar às criações de Stephen KingStranger Things e Steven SpielbergPaper Girls possui um elenco de protagonistas cativantes e trama que prende o leitor do início ao fim. Com monstros e visuais de cair o queixo, Paper Girls é uma deliciosa jornada pelo Halloween norte-americano.

Creepshow

Primeira HQ (e roteiro de filme) de Stephen King, Creepshow da DarkSide Books é a adaptação em quadrinhos do filme de George A. Romero, uma das maiores mentes do cinema e do terror.  Em 1982, King juntou forças com o diretor para realizarem um filme inspirado em quadrinhos clássicos dos anos 1950, como Contos da Cripta, da EC Comics.

Para tornar a referência ainda mais memorável, King adaptou seu roteiro de cinema para os quadrinhos, contando com a arte do magistral Bernie Wrightson, um dos criadores e primeiro ilustrador do Monstro do Pântano, e capa de Jack Kamen, autor da EC Comics. As cinco histórias presentes neste compilado possuem zumbis, alienígenas e assassinatos, com o que algumas das maiores mentes das sombras sabem fazer de melhor!

Drácula: A Obra Completa

Pela primeira vez em mais de cem anos, a obra-prima de Bram Stoker foi restaurada por completo. Os escritores Leah Moore e John Reppion, responsáveis pela adaptação em quadrinhos de Alice no País das Maravilhas, unem-se ao talentoso artista Colton Worley (O Aranha: O Terror da Rainha Zumbi) numa odisseia pela vida, pela morte e pelo sangue que corre em nossas veias…

Trazido ao Brasil pela Mythos Editora, Drácula é um maiores clássicos da literatura de todos os tempos, e está adaptado para os quadrinhos nesta luxuosa edição em cores reunindo a minissérie completa publicada pela  editora Dynamite, além do conto O Hóspede de Drácula e das capas de John Cassaday.

Creepy: Contos Clássicos de Terror

Que outra forma de saborear o Halloween seria tão boa quanto ler alguns dos maiores clássicos do terror em quadrinhos? Esta coleção da editora Devir desenterra todas as histórias da macabra série original da revista Creepy. A Creepy e o publisher Jim Warren virou o mundo da narrativa gráfica de cabeça para baixo no começo dos anos 1960, quando artistas fenomenais como Joe OrlandoAlex TothWallace WoodGray MorrowAl WilliamsonFrank Frazetta e muitos outros atingiram novos patamares artísticos com suas explorações fascinantes de histórias de horror modernas e clássicas.

Um outro “charme” destas edições são as páginas que reproduzem anúncios de produtos relacionados a terror e que eram vendidos na época. Um deleite para todos os fãs!

Espíritos dos Mortos

Como tantos nomes já citados anteriormente, Richard Corben faz parte da seleta lista de melhores autores de quadrinhos de terror do mundo. Em Espíritos dos Mortos, Corben adapta uma coleção de clássicos de Edgar Allan Poe com a maestria única que somente seu traço é capaz de reproduzir.

Misturando características surrealistas com a prosa eloquente de Poe, esta edição da editora Mino (originalmente publicada pela Dark Horse) transmite alguns dos medos e impulsos mais básicos da humanidade, característica mais profunda e genial das melhores obras de terror.

Monstros Noturnos

A versão ilustrada que o artista Bernie Wrightson fez de Frankenstein, o grande clássico de Mary Shelley, conferiu-lhe renome universal. Quase 30 anos depois, ele retorna triunfalmente ao personagem, com a ajuda dos roteiros de seu frequente colaborador, Steve Niles, em Frankenstein Vivo!

Monstros Noturnos traz todo este material disponível do recém-falecido e já citado Bernie Wrightson, mestre dos quadrinhos de terror, em uma compilação maravilhosa de um dos personagens mais conhecidos da literatura!


E então? Pretende conferir alguma HQ assombrosa nesta reta final do Halloween de 2017? Acha que faltou alguma história nesta lista?

Não deixe de comentar, e cuidado… As criaturas das trevas surgem quando menos se espera. Ótima Dia Noite das Bruxas para todos! ☠✚

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Os dez melhores quadrinhos da Image publicados no Brasil

A Image Comics tornou-se um símbolo de alta qualidade dos quadrinhos norte-americanos. Usufruindo de um processo que dá mais liberdade aos criadores a editora vem conquistando sua parcela do mercado, e, cada vez mais, atrai grandes nomes da indústria para trabalhar por lá. Com a qualidade, diversos prêmios vêm sendo – merecidamente – dados às suas séries.

E a evolução da Image nos EUA, tornando-se algo similar ao que a Vertigo já foi e representou com seus quadrinhos adultos, também vem aos poucos conquistando o mercado brasileiro. Apesar da pequena quantidade (se comparada ao total de material publicado lá fora), os títulos da Image publicados no Brasil nos últimos anos já entregam uma parte do que há de melhor para os leitores.

Este post especial irá apresentar algumas das melhores séries lançadas por aqui, conforme você confere abaixo!

Saga

A premiadíssima série de Brian K. Vaughan e Fiona Staples já soma 48 edições nos EUA, com oito encadernados lançados até o momento. Este épico de space opera conta a história de Alana e Marko, um casal proibido de raças inimigas, tetando sobreviver com sua filha recém-nascida, Hazel. Saga já acumula mais de 30 prêmios, divididos entre Eisner, Harvey, Hugo, Joe Shuster e British Fantasy Award. No Brasil, a editora Devir segue publicando a série em encadernados, tendo lançado até o momento cinco volumes. Saga impressiona pela magnífica criatividade dos autores, entregando uma construção de universo impecável com personagens muito cativantes e sinceros.

Cidade Selvagem

Cidade Selvagem (Fell no original) é uma série de Warren Ellis e Ben Templesmith que narra as desventuras de um detetive chamado Richard Fell, recém-transferido para a pior cidade da região: Snowtown. Lá, Richard deve lidar com os problemas locais e aplicar sua experiência como investigador. Somando características de filmes policias com uma dose de Sherlock Holmes e clima angustiante, Cidade Selvagem foi publicada entre 2005 e 2008, totalizando apenas 9 edições narradas em poucas páginas de nove quadros cada, compiladas no Brasil num encadernado de luxo da Mythos Editora. A série venceu dois Prêmios Eisner em 2006: Melhor Série Estreante e Melhor Série Continuada. Ellis também foi indicado ao prêmio na categoria Melhor Roteirista.

No momento em que esta postagem é escrita, Cidade Selvagem está com 70% de desconto no site da editora.

Eu Mato Gigantes

A emocionante história de Bárbara, uma garota excluída e sem amigos que vive imersa num mundo fictício ao melhor estilo Dungeons & Dragons, foi publicada no Brasil pela NewPOP Editora. Se perdendo em seu mundo de fantasia, tudo sobre o que Bárbara consegue conversar são: gigantes! Ela se prepara para a vinda iminente das criaturas, e convencida de que é uma matadora de gigantes, deve encarar seus problemas da vida real e superar a fantasia; pelo menos de acordo com as pessoas que vivem à sua volta. Eu Mato Gigantes é da autoria de Joe Kelly e J. M. Ken Niimura e foi publicado entre 2008 e 2009, totalizando 7 edições (apenas um encadernado). O quadrinho também ganhou um filme live-action.

Paper Girls

A magnífica série de ficção-científica criada pelo já citado Brian K. Vaughan, com arte de Cliff Chiang, chegou ao Brasil em 2017 pela editora Devir. Quatro entregadoras de jornal, no Dia das Bruxas de 1988, se veem envolvidas numa misteriosa batalha com viagens no tempo, criaturas bizarras, dinossauros e drama suburbano. Muito similar às criações de Stephen King, Stranger Things e Steven Spielberg, Paper Girls possui um elenco de protagonistas cativantes e trama que prende o leitor do início ao fim. A série já possui três encadernados lançados nos EUA, totalizando cerca de 17 edições, e segue como um dos títulos mais fortes e consistentes do catálogo da Image.

The Wicked + The Divine

The Wicked + The Divine fala sobre deuses que caminham entre os humanos. Mas nada poderia ser tão simples: os deuses também se assemelham a ícones pop da modernidade. A série foi criada por Kieron Gillen e Jamie McKelvie e recebeu diversas indicações ao Prêmio Eisner de 2014 pra cá. A narrativa segue a história de Laura, uma adolescente que tem ligações com as atividades do Panteão, um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação dos deuses, concedendo-os fama e poderes sobrenaturais, porém matando-os em dois anos. No Brasil, The Wicked + The Divine é da editora Geektopia, selo de quadrinhos da Novo Século.

Rat Queens

Quatro garotas. Muita magia e porrada. Sexo. Politicamente incorreto e bebidas. Tudo isso resume Rat Queens, série criada por Kurtis J. Wiebe e Roc Upchurch que tornou-se um símbolo e ícone da representação feminina forte e liberdade das mulheres, fazendo sucesso entre crítica e público. Publicadas no exterior pela Shadowline, um selo da Image, as aventuras das Ratas Rainhas Hannah, Dee, Betty e Violet são cheias de sangue, poderes, monstros malvados e reviravoltas, entregando o que há de melhor em aventuras de RPG. Bem construídas e com muita personalidade, as garotas protagonizam histórias medievais-fantásticas onde vale tudo, e a representação LGBT rendeu para esta revista o respeitado GLAAD Media Award. Upchurch foi afastado da série após agredir sua ex-esposa e foi substituído por artistas tão bons quanto: Stjepan Šejić, Tess Fowler e Owen Gieni. No Brasil a Jambô Editora está lançando os encadernados, com previsão do terceiro volume para dezembro de 2017.

Projeto Manhattan

Insana série de ficção-científica criada por Jonathan Hickman e Nick Pitarra, Projeto Manhattan narra os bastidores do projeto homônimo da Segunda Guerra Mundial que reuniu algumas das mentes mais brilhantes da época para, entre outras coisas, desenvolver a bomba atômica. Entretanto, esta série (já finalizada nos EUA) mostra que tudo isso é somente uma fachada para os projetos realmente importantes – e secretos – desenvolvidos pelo grupo de cientistas. Com ideias de explodir a cabeça, Projeto Manhattan é o fino do trabalho de Jonathan Hickman, que também trabalhou para a Marvel Comics e revolucionou os títulos por onde passou. A série foi lançada no Brasil pela Devir, totalizando cinco encadernados.

Alex + Ada

A história do rapaz chamado Alex que apaixona-se por uma androide X-5 de última geração é o plot de Alex + Ada. Criada por Jonathan Luna e Sarah Vaughn, esta série dramática sobre um homem solitário e uma criação inteligente foi publicada nos EUA entre 2013 e 2015, somando três encadernados (15 revistas) e muitos elogios por parte dos leitores e críticos, rendendo comparações aos filmes Ela (2013) e Blade Runner (1982). Apesar da arte extremamente simples de Jonathan Luna, todo o desenvolvimento de roteiro e personagens é impecável, e durante sua publicação a série chegou a ser estendida para melhorar a narrativa. No Brasil, Alex + Ada é um dos lançamentos de 2017 da Geektopia.

O Legado de Júpiter

Migrando rapidamente para os super-heróis temos um título de Mark Millar e Frank Quitely que reinventa muito bem o gênero. O Legado de Júpiter mostra a vida de Chloe e Brandon, filhos dos maiores heróis do mundo. Com uma narrativa saltada entre o passar dos anos, as decisões destes personagens trazem grandes mudanças para o planeta, passando da simplicidade dos tempos antigos para as crises mais modernas. A série possui publicação irregular nos EUA e foi trazida ao Brasil pela editora Panini, e com influências de Star Wars, King Kong, mitos romanos e similaridade com Authority, tornou-se rapidamente um dos mais bem-sucedidos títulos do vasto catálogo da Image Comics. Merecidamente.

Criminosos do Sexo

Matt FractionChip Zdarsky são os responsáveis pela criação de Criminosos do Sexo, série publicada nos EUA desde 2013 protagonizada pelo casal Suzie e Jon que, após dormirem juntos, descobrem ter a capacidade de parar o tempo ao alcançar o orgasmo. A decisão do casal é óbvia e inquestionável: eles resolvem utilizar este super-poder para assaltar bancos. Vencedor do Prêmio Eisner de Melhor Série Estreante em 2014, Criminosos do Sexo é um título imprevisível e lindamente ilustrado e colorido que, além da diversão proporcionada, toca em alguns assuntos delicados. No Brasil a editora Devir publica este título em encadernados de luxo, com o terceiro volume previsto para os próximos meses.


Pode parecer muito mas boa parte dos títulos primorosos da Image Comics permanecem inéditos no Brasil. Recentemente a editora Devir anunciou a publicação de Lazarus, de Greg Rucka e Michael Lark, mas revistas como East of West, Southern Bastards, ChewVelvet permanecem de fora dos anúncios das editoras nacionais.

Em paralelo, nos últimos anos alguns títulos da Top Cow (um dos selos da Image) como O Povo da Meia-Noite, Wanted e Rising Stars foram lançados pela Mythos Editora. Wytches foi publicado pela DarkSide, enquanto a Panini lançou MPH e America’s Got Powers. Pela Devir, os encadernados Happy! e Ministério do Espaço também chegaram às livrarias. E aos poucos parece haver uma expansão deste segmento do mercado, com um possível boost previsto para os próximos anos. Estaremos na torcida!

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Liga da Justiça | O que ler antes do filme?

A espera está acabando. Daqui a algumas semanas, os fãs da DC finalmente realizarão o sonho de ver a Liga da Justiça em ação nas telonas. Após a morte do Superman, Bruce Wayne recuperou sua fé na humanidade e reuniu um grupo de pessoas com habilidades especiais para conter uma invasão apocalíptica. O filme dirigido por Zack Snyder e escrito por Chris Terrio se inspirou em alguns quadrinhos para trazer vida à versão cinematográfica das Lendas. Saiba o que você deve ler antes de assistir ao filme:

1 – Liga da Justiça: Origem

Escrito por Geoff Johns e com desenhos de Jim Lee, este é o primeiro arco da revista da Liga nos Novos 52. Na trama, os heróis se unem ao acaso para deter a invasão de Darkseid. O filme não deve ter como inspiração apenas o primeiro arco, assim como a passagem inteira de Johns no título. Um dos motivos que reforçam isto é a presença do Ciborgue na equipe e sua origem ligada às Caixas Maternas, outro aspecto é o formato de cubo das Caixas no filme, também fruto dos Novos 52.

2 – Novos Deuses #7

Nessa edição de uma das suas maiores obras, Jack Kirby, conta a origem da Fonte, do Pai Celestial e do pacto entre Apokolips e Nova Gênesis. Além disso, temos a primeira aparição do Lobo da Estepe, o antagonista do filme da Liga. Se você quiser entender um pouco mais sobre determinados conceitos da mitologia dos Novos Deuses para não ficar perdido durante o filme, essa é uma leitura obrigatória. 

3 – Liga da Justiça: O Prego

Se você acha que não pode existir uma Liga sem o Superman, então você está certo. Se você acha que nunca existiu uma Liga sem o Superman, então você está enganado. O Prego é uma história do selo Elseworlds que traz uma formação das Lendas sem o Homem de Aço. É uma história extremamente sombria. Zack Snyder provavelmente usou o argumento dessa história como o argumento do filme da equipe. A diferença é que a versão cinematográfica trabalhará com o otimismo e a esperança. 

4 – LJA de Grant Morrison e Howard Porter

Com essa reformulação mais “clássica” da equipe, ao longo de 41 edições, Grant Morrison tratou os maiores heróis de todos os tempos como deuses caminhando entre nós em um run repleto de histórias grandiosas e complexas e a arte de Howard Porter pode ser extremamente noventista, mas é um trabalho gráfico fantástico. Todos nós sabemos que Zack Snyder ama grandiosidade e como vimos no último trailer, o filme promete ser realmente grandioso. Eu não tenho dúvidas de que o filme se inspirou na escala épica que Morrison trouxe à Liga. 

5 – O Retorno do Superman

Todos nós sabemos que o Homem de Aço irá retornar durante o filme, mas não sabemos como. Algumas teorias envolvem Caixas Maternas e até mesmo viagem no tempo para trazê-lo de volta. Até lá, que tal saber como o Homem do Amanhã voltou à vida nos quadrinhos? O Retorno do Superman traz um mundo desesperançoso com saudades do ícone enquanto surgem quatro pessoas para assumir o manto do herói: Erradicador, Superman Ciborgue, Superboy e Aço. Esse quadrinho reforça o quão importante o Superman é importante para o mundo, assim como Snyder pretende em seu longa. 

 

BÔNUS: Super Powers Volume 2

Como observado nos últimos trailers do filme, o céu está vermelho e o chão está sendo terraformado, possivelmente com o intuito de preparar a Terra para a chegada de Darkseid. Saiba que o plot de O Homem de Aço não está sendo repetido. Caso a teoria se confirme, então o segundo volume de Super Powers serviu como uma das inspirações. O quadrinho se passa após a queda de Darkseid, que planeja moldar a Terra à sua imagem enviando as Sementes da Destruição.

Liga da Justiça chega aos cinemas no dia 15 de novembro. Para saber sobre tudo o que acontece na Editora das Lendas, fique ligado na Torre de Vigilância.

 

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Kombi 95 te leva para um passeio pelos anos 90

“Anos 90. Regras: Não há regras.”

Durante os anos de 1963 e 2001 em São Paulo, circulou um dos maiores sucessos editoriais do país: o jornal Notícias Populares. Ou simplesmente NP. A publicação entrou para história com suas manchetes violentas e sexuais. Suas matérias faziam sucesso na época, e o NP tinha como slogan os dizeres “Nada mais que a verdade”. Foi dele que surgiram matérias como o Bebê Diabo, O Desaparecimento de Roberto Carlos e a Gangue dos Palhaços.

A Gangue dos Palhaços era um bando, que segundo o Notícias Populares, composto na verdade por duas pessoas, um homem negro e uma loira. Ele vestido de palhaço e ela de bailarina. Eles atraiam crianças com balas e doces, e depois jogavam dentro de uma Kombi branca. Depois a criança que tinha sido raptada era encontrada sem órgãos. Eles atuavam sempre na frente das escolas. Apesar do NP sempre deixar bem claro em suas páginas que não passavam de boatos, o caso teve grande repercussão ao nível nacional. Tendo até relatos de testemunhas da tal Kombi. Havendo caso de palhaços de verdade que foram espancados por engando pelo povo. Os anos se passaram e o caso virou lenda urbana em todos os lugares do Brasil, por exemplo, eu sou da cidade de São Gonçalo/RJ, e aqui a lenda tem bastante força, inspirando até uma banda de punk/rock que tem o nome de A Kombi Que Pega Crianças. Confira o som dos caras no jabá AQUI.

É a partir dessa lenda urbana, noticiado com exaustão por cerca de dois meses seguidos pelo Notícias Populares, que a HQ Kombi 95 vira a chave da ignição e pisa no acelerador. A mais nova publicação do selo Plot! que é um dos braços da Editora Alto Astral, é escrita e desenhada pelo Thiago Cruz, o popular Thiago Ossostortos (sobrenome adquirido graças ao seu blog Ossostortos.blogspot.com.br), assim como foi com Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas da Psonha, confira a resenha AQUI,  do mesmo selo, a edição é bem colorida, com o acabamento bem feito e posso dizer que é um dos quadrinhos mais divertidos que li no ano. E Kombi 95 é uma grande homenagem a tudo que se refere aos anos 90.

E quando eu digo tudo, é TUDO mesmo.

Kombi 95 já começa de um jeito bem divertido que mostra, como a própria HQ diz: “Quando a rua era quintal”. A época que se andava na rua, brincava na rua, sentava-se nas calçadas para fofocar sobre o que acontecia na rua. A ode aos anos 90 que Thiago Ossostortos colocou nos remete a um momento onde as pessoas só tinham como interagir no tête-à-tête, sem telefones, computadores e afins. Isso sem contar nas DIVERSAS referências musicais, televisivas, de moda, tendências, comidas, comportamento dos jovens etc e tal. Logo de cara temos a grande referência, a capa da HQ é baseada no clássico disco do Green Day: Dookie (1994).

Mas vamos para a história, Kombi 95 começa com o sumiço do menino Albino, e o boato que ele tinha sido sequestrado pela Gangue dos Palhaços estava cada vez mais forte, seus amigos então resolvem investigar e montam uma força-tarefa chamada de Os Caça-Palhaços. Apesar dos meninos parecerem estar mais animados com a diversão que a investigação proporciona do que resolver o mistério mesmo. A partir daí a história se desenrola se misturando com elementos dos anos 90. Tais elementos são praticamente personagens da HQ, em momentos eles interagem com a história, e ao mesmo tempo parecem ser uma história a parte. Ao mesmo tempo em que nos afastam da trama principal eles nos trazem de volta. O desfecho de Kombi 95, confesso que foi algo que não esperava. E é bem legal quando uma reviravolta que você menos espera acontece do nada, algo meio raro nos quadrinhos de hoje em dia, principalmente em alguns casos gringos.

O modo que Thiago Ossostortos coloca de tudo um pouco nos desenhos é impressionante, e ao mesmo tempo não fica nada confuso visualmente. Em qualquer parte da HQ você encontra um pedaço dos anos 90. Coisas como a batalha dominical entre Gugu X Faustão pela audiência está lá, como também tem o simples fato de ter que usar todas as fotos do rolo para poder revelar fotos. Jogar videogame em locadoras, ir à banca de jornal para comprar figurinhas, algumas coisas são mais tradicionais de São Paulo como, por exemplo, a extinta loja Mappin. Mas mesmo que você não pegue tudo que está lá, ou simplesmente não venha conhecer, não atrapalha o desenvolvimento da trama.

As interações dos personagens com o modo de viver dos anos 90, não tem como sentir um pouco da nostalgia e saudades daquela época. Tanto nas amizades como nas paqueras. Rolando até um momento, digamos sublime, para todo o adolescente. Tudo que é referente à juventude daqueles anos está lá, algumas gírias, modo de vestir, skates, patins, bicicletas… sempre tinha um que o pai era melhor financeiramente e tinha uma mobilete. Ou mesmo um computador, que na época se resumia a jogar DOOM e outros jogos, um tempo em que a internet ainda começava a engatinhar. Acesso mesmo, que poucas pessoas tinham, somente depois de meia-noite, via telefone, com o ancestral barulhinho de conexão.

Mas o que dita fortemente são as músicas. Sim, podemos dizer que Kombi 95 tem a sua própria trilha sonora. As músicas se espalham no decorrer da história e tem até uma playlist para poder ouvir. Na HQ tem um QR CODE, onde pode ouvir a eclética setlist no Spotify recheada de sucessos dos anos 90. Raimundos, Mamonas Assassinas, Titãs, Leandro & Leonardo, Só Pra Contrariar, Chitãozinho & Xororó, Racionais MC’S entre outros fazem parte da lista de 13 músicas.

Kombi 95 diverte e entrega o que propõe com seu acabamento bonito e uma excelente produção. No final ainda rola alguns desenhos adicionais bem bacanas, e a contra-capa são com fotos do Notícias Populares. Mais um belo lançamento da Plot! que vale a pena ser conferido.

 

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A Vertigo NÃO morreu: conheça as melhores séries modernas do selo

Em dezembro de 2012, a grande Karen Berger anunciou que estaria deixando, em março de 2013, seu cargo na Vertigo, selo da DC Comics criado por ela mesma em 1993 com o objetivo de contar histórias em quadrinhos mais adultas, para um público diferenciado que talvez buscasse algo mais maduro que os super-heróis. Hoje, a Image Comics é a principal alternativa dos fãs e autores quando o assunto é criar quadrinhos autorais nos EUA, tendo roubado o posto dominante da Vertigo.

Para muitos, a saída de Berger do cargo de editora-chefe marcou o início do fim do selo. Berger foi a responsável pelo desenvolvimento dos títulos mais clássicos, trabalhando com autores como Peter Milligan, Grant Morrison, Neil Gaiman e Alan Moore para a DC, revitalizando personagens e criando novas séries, como Sandman, Hellblazer, Monstro do PântanoHomem-Animal, Patrulha do DestinoShade O Homem Mutável e Orquídea Negra. Inicialmente o selo Vertigo ainda não existia, e a primeira série publicada sob ele foi Morte, de Neil Gaiman e Chris Bachalo.

A primeira leva de títulos da Vertigo trouxe mais séries fantásticas: Enigma, Kid Eternidade, Sandman: Teatro do Mistério, Sebastian O, Livros da Magia e outras. No final dos anos 90/começo dos anos 2000, séries foram canceladas e mais novidades aclamadas pela crítica surgiram: 100 Balas, Y: O Último Homem, Lúcifer, Os Invisíveis, Preacher, ZDM, Transmetropolitan e Fábulas são as principais. Muitas destas séries duraram até os “anos 2010”, quando outras novidades aclamadas já haviam surgido, como Sweet Tooth, iZombie, Joe O Bárbaro e Vampiro Americano.

É claro que durante esse longo período de 20 anos sob a tutela de Karen Berger, a Vertigo também publicou alguns fracassos e séries de qualidade questionáveis, mas no geral o saldo sempre foi positivo. A partir de 2012, com a reformulação da DC Entertainment, decisões polêmicas foram tomadas: John Constantine e Monstro do Pântano passaram a integrar o universo regular da DC, algumas séries foram canceladas e parecia haver uma escassez de novas ideias, especialmente por conta das brigas da editora com alguns dos autores.

A saída de Berger do posto de editora-chefe, passando o bastão para Shelly Bond, preocupou muitas pessoas com os rumos que a Warner Bros. estaria dando para a Vertigo. Atualmente, Mark Doyle é o editor-chefe. Acima de tudo, obviamente, é importante lembrar que SIM, existem séries de boa qualidade sendo publicadas pela Vertigo nos últimos anos, sejam elas curtas ou longas. O nível pode não ser o mesmo dos tempos áureos, mas existem boas ideias e algumas delas até chegaram ao Brasil recentemente, lançadas pela editora Panini.

Confira abaixo uma pequena lista contendo indicações de quadrinhos (séries e minisséries) da Vertigo produzidos apenas a partir de 2013:

Trillium

O aclamado autor Jeff Lemire (DescenderO Soldador Subaquático, Arqueiro Verde, Condado de Essex, Sweet Tooth) produziu para a Vertigo, entre 2013 e 2014, sua minissérie em oito partes chamada Trillium. Com cores de José Villarrubia, Trillium conta a história de um caso de amor inter-dimensional com viagem no tempo, entre um casal de períodos diferentes: William Pike, um veterano da Primeira Guerra Mundial perdido nos templos Incas do Peru em 1921, e Nika Temsmith, uma botânica do ano 3797. Separados por milhares de anos, a história de amor destes dois personagens ameaça o continuum espaço-tempo. Lemire possui longa carreira na DC Comics, e Trillium foi sua terceira série para a Vertigo, recebendo muitos elogios.

O Xerife da Babilônia

Não é de hoje que Tom King é altamente elogiado por fãs e críticos ao redor do mundo. Suas séries (Batman, Visão, Omega Men, Grayson) possuem roteiros acima da média se comparados a qualquer série continuada, cheias de novas ideias, e O Xerife da Babilônia é talvez sua melhor publicação até hoje. A história se passa em Bagdá, em 2003, e o reinado de Saddam Hussein acabou. Os americanos estão no comando e ninguém está no controle. O ex-policial e agora prestador de serviço contratado pelos militares Christopher Henry sabe disso melhor do que ninguém e está no país para treinar a nova força policial iraquiana. Um de seus recrutas é assassinado, e com a autoridade civil em frangalhos e corpos entulhando as ruas, Chris é a única pessoa realmente interessada em descobrir o culpado pelo crime – e a motivação por trás do ato. A série durou doze edições, indo de dezembro de 2015 a novembro de 2016, e a arte é de Mitch Gerads. Possivelmente, este é o título que pode ser chamado de novo clássico da Vertigo.

A Realeza: Mestres da Guerra

De Rob Williams, Simon Coleby e J. D. Mettler, A Realeza: Mestres da Guerra chegou recentemente ao Brasil mas foi publicada nos EUA em 2014, contendo seis edições. A história é simples mas eficiente: por muitos séculos, famílias reais governaram o mundo. O direito divino deles de comandarem o povo manifestou-se não por meio de coroas e tronos, mas também na forma de fantásticos e mortíferos superpoderes contra os quais exército algum seria capaz de fazer frente. Enfrentando algumas revoluções, as pessoas de sangue real juraram não usar seus poderes em batalha novamente, até estourar a Segunda Guerra Mundial e os votos de isenção serem testados até os limites. A Realeza é competente em mostrar dever e responsabilidade entrando em conflito, e entrega uma história fechada divertida e envolvente, com ótimas ilustrações.

DPF: Departamento de Polícia da Física

A física se deturpou. Falhas na gravidade, arcos entrópicos e buracos de minhoca ambulantes viraram regra. E isso nem é mais notícia. Agora, o cara mais desnorteado do Departamento de Polícia da Física (que trabalha reparando estas falhas), o Agente Adam Hardy, está prestes a lembrar – do modo difícil – o que o levou a entrar no departamento. Criada por Simon Oliver, Robbi Rodriguez e Rico Renzi, a série DPF (lá fora, FBP) teve início em julho de 2013 e soma muitos elementos científicos com arte fascinante e desenvolvimento ótimo, tendo se destacado com boa qualidade ao longo de exatas vinte e quatro edições, criada logo após a saída de Karen Berger do cargo de editora-chefe da Vertigo. No Brasil a série foi compilada em quatro encadernados pela editora Panini, lançados entre 2016 e 2017.

Art Ops: Agentes da Arte

Prevista para ser lançada no Brasil em breve, a série Art Ops: Agentes da Arte teve início nos EUA em 2015, com roteiros de Shaun Simon e arte do famoso Mike Allred (que para a Vertigo também criou iZombie). A trama é uma loucura, mas também é muito simples: obras de arte criam vida e saem de seus quadros, e cabe a Reggie Riot e aos agentes da Art Operatives o papel de rastreá-las antes que criem caos ao redor do mundo. Entretanto, alguns mistérios sobre o passado de Reggie podem influenciar sua habilidade de interagir com essas obras de arte…

Jacked

A minissérie em seis edições, Jacked, que foi publicada entre 2015 e 2016, funciona como uma visão moderna sobre o gênero dos super-heróis. Criada por Eric Kripke (o criador de Supernatural), em parceria com John Higgins (Hellblazer) e Glenn Fabry (Preacher), a história narra a saga de Josh Jaffe – um homem de família neurótico passando por crise de meia-idade -, que compra uma “pílula de inteligência” para aumentar seu foco e ajudá-lo a sair dessa fossa. Mas para a surpresa de Josh, a pílula lhe concede força e poderes, sendo em contraparte extremamente viciante. Brutal e realística, Jacked é uma visão bem moderna sobre os heróis, e sendo limitada e direto ao ponto, destacou-se como uma das séries mais elogiadas da Vertigo moderna.

Clean Room

De Gail Simone e Jon Davis-Hunt, Clean Room conta uma história cheia de elementos fantásticos, de assassinatos a monstros demoníacos, que circundam a misteriosa guru de uma gigantesca empresa, Astrid Mueller. Figura poderosa na indústria, da psicologia à religião, todos os mistérios que envolvem os planos de Mueller são explorados ao longo das dezoito edições da série, que encerram a Fase Um deste título. O passado de Astrid é revelado aos poucos, e as misteriosas Entidades malévolas possuem grandes planos para o mundo. Clean Room começou a ser publicada em 2015, e o final da série foi lançado em abril de 2017, totalizando três encadernados e permanecendo inédita no Brasil.

A Vertigo também começou sua expansão para a TV nos últimos anos, com as estreias de iZombie, Lucifer e Preacher, e a pré-produção de outros sucessos da editora, como Escalpo e Unfollow. Os quadrinhos seguem sendo lançados normalmente, com títulos como Astro City, Imaginary Friends, American Way e Savage Things, e a DC criou outro selo diferenciado, o Young Animal, com foco para um novo público com faixa etária variada.

É claro que a Era de Ouro da Vertigo já ficou no passado, porém algumas histórias merecem ser conferidas, especialmente as que entregam materiais de maior qualidade que muitos gibis lançados regularmente nos EUA. E obviamente todos ficam na torcida para que a aclamada Vertigo um dia retorne com maestria ao posto que já assumiu, superando com folga toda a concorrência.

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Juiz Dredd: os acontecimentos que levaram ao Dia do Caos

Dia do Caos, saga mais importante do Juiz Dredd dos últimos anos, está sendo lançada no Brasil no mês de setembro. Convergindo acontecimentos importantes de sagas posteriores, Day of Chaos (no original) foi um ponto de virada importantíssimo para a mitologia do Juiz, onde John Wagner (seu criador) alterou todo o status quo de Mega-City Um. Mais quais seriam os principais fatores que levaram à saga? Confira todos os detalhes abaixo!

Conforme explicado no Guia de Leitura do Juiz Dredd, a população de Mega-City Um variou com o passar dos anos e a principal mudança foi de 800 milhões de habitantes para 400 milhões durante a saga Guerra do Apocalipse (inédita no Brasil), onde a contraparte soviética de Mega-Leste Um deu início à uma guerra contra a cidade, e o Juiz Dredd impediu danos ainda mais catastróficos aniquilando a vida de toda a população da cidade inimiga.

Dia do Caos é, acima de tudo, uma sequência direta dos acontecimentos da Guerra do Apocalipse. Os Sovs sobreviventes de Mega-Leste Um buscam vingança pelo evento, que ocorreu nos quadrinhos em 1982, e hão de agir contra a cidade de Dredd das formas mais letais possíveis.

Obviamente, Dia do Caos não se baseia somente na premissa de ser uma sequência da Guerra. Como mostrado na história Origens, Dredd passou a reconsiderar a importância e modo de agir do Sistema Judiciário, com seu pensamento mostrado brilhantemente através de uma narrativa primorosa que explicou os detalhes do passado deste universo, desde o ano de 2031. Em Origens, John Wagner e Carlos Ezquerra também exploram mais sobre a Terra Maldita, abordando o passado do primeiro Juiz-Chefe, Fargo.

Motivado pelas mudanças e tratamento mais humanitário, no arco Mutantes em Mega-City Um diversos acontecimentos levaram à mudanças na posição do Juiz Dredd, até então o Juiz mais respeitado da cidade. Dredd foi o principal atuante na liberação do tratamento pacifista para com os mutantes do deserto nuclear da Terra Maldita, e atraiu a atenção de extremistas receosos do lado dos Juízes e da população. Questionado, prensado contra a parede e submetido à diversas armadilhas, Dredd cai exilado, enquanto há uma nova escolha para Juiz-Chefe da cidade, ao mesmo tempo que o prefeito fora assassinado, permitindo que o maníaco PJ Maybe (disfarçado de Byron Ambrose, simpático político) concorresse às eleições e fosse eleito.

Em Exílio, sequência direta do arco comentado no parágrafo anterior, Dredd está trabalhando na Terra Maldita cuidando dos campos de concentração para mutantes, e os Juízes que arquitetaram sua queda estão regendo Mega-City da forma que bem entendem, com passe livre após a renúncia da Juíza-Chefe Hershey e manipulação por trás do novo Juiz-Chefe, o astro de TV e Juiz do Povo Dan Francisco.

Com a possível queda de Francisco após uma misteriosa doença, Dredd pode tentar assumir (contra sua vontade) a posição de Juiz-Chefe e finalmente derrubar o maior inimigo e arquiteto destes caóticos acontecimentos, Sinfield, ao mesmo tempo que o prefeito PJ Maybe/Byron Ambrose começa a ser investigado, possibilitando sua exposição como assassino serial. Ao final de Exílio (o nome original destes arcos é Tour of Duty), PJ Maybe é sentenciado à prisão perpétua sem condicional, enquanto Sinfield é banido para Titã, a colônia penal para Juízes corrompidos. Dredd volta para as ruas, e Dan Francisco continua na posição de Juiz-Chefe.

Somando e continuando tudo que foi dito anteriormente, Dia do Caos não somente irá explorar mais deste questionamento de Dredd, como também dará uma resposta definitiva às suas dúvidas. As questões morais exploradas previamente recebem seus pontos finais, e o Sistema Judiciário mais do que nunca sofre grandes perdas. A saga, além de utilizar a Guerra do Apocalipse, também marca o retorno dos Juízes Negros, os quatro irmãos do universo paralelo onde “o crime é a vida, e a sentença é a morte.” Para saber tudo sobre os personagens, confira o encadernado Juiz Dredd nas garras do Juiz Morte.

Claro que Origens, Mutantes em Mega-City Um, Exílio e o Dia do Caos também trazem fatos e personagens de outros momentos cronológicos. A leitura de América, por exemplo, acrescenta muito para o entendimento do leitor, bem como o compilado Assassinos Seriais enriquece e apresenta personagens, com destaque especial para o já citado PJ Maybe.

E apesar de caótica como o nome bem sugere, a saga (que é dividida em dois encadernados, A Quarta Facção e Fim de Jogo) chega a ser reconfortante para fãs do Bom Juiz, entregando tudo que há de melhor em suas histórias: tramas envolventes, grandes artistas, texto primoroso e construção cadenciada, recompensando os leitores de longa data que estão seguindo cada passo da vida de Dredd, trazido ao Brasil pela Mythos Editora.

Ao final do Dia do Caos, o mundo realmente não é mais o mesmo, e cabe ao maior Juiz de Mega-City Um a difícil tarefa de aplicar a Lei aos cidadãos ao mesmo tempo que sua amada cidade está morrendo diante de seus olhos.

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O Sombra: a trajetória do personagem nos quadrinhos

O Sombra é um dos personagens pulp mais famosos até os dias de hoje. Criado em 1930, o intrigante herói encapuzado foi adaptado em diversas mídias: rádio, livros, videogames, quadrinhos e cinema, com um legado que ultrapassa gerações e inspirou a criação de grandes marcas como o Batman. Confira abaixo todos os detalhes sobre a criação e quadrinhos deste enigmático personagem, marcado por sua icônica risada e ferrenho combate ao crime.

Originalmente O Sombra era um misterioso narrador de rádio do programa Detective Story Hour com voz de James LaCurto, substituído e imortalizado por Frank Readick, criado com o objetivo de promover as vendas da Street and Smith Publications, tornando-se um personagem literário algum tempo depois, protagonizando a série pulp The Shadow Magazine escrita por Walter B. Gibson e criada graças à ânsia dos leitores por “aquela revista do Sombra.” A caracterização do Sombra dada por Gibson firmou os arquétipos de tudo que é usado até hoje nos super-heróis, incluindo sidekicks, identidades secretas e vilões.

Posteriormente, a revista (publicada até 1949, somando 325 aventuras) inspirou a criação da série de rádio, em 1937, que possuiu episódios narrados por Orson Welles. Neste programa, o sloganQuem sabe o mal que se esconde nos corações dos homens? O Sombra sabe” tornou-se parte da cultura pop americana, e algumas das habilidades do personagem foram reveladas em suas aventuras. Walter Gibson e Edward Hale Bierstadt foram os responsáveis pela criação da série, e Welles deu vida à Lamont Cranston, alter ego do Sombra. A série foi transmitida até 1954, com outras vozes escolhidas para o personagem conforme os anos passaram. Ela também foi a responsável pela criação de alguns personagens secundários como o interesse amoroso do herói, Margo Lane.

Nos quadrinhos

O Sombra possui vida longa nas histórias em quadrinhos. Sua primeira aparição se deu em 1940, também pelas mãos de Walter Gibson, em tiras diárias de jornal que adaptavam as histórias dos pulps. A arte era de Vernon Greene, e as tiras foram canceladas em 1942. Entretanto, a Street and Smith publicou 101 edições da revista Shadow Comics, entre 1940 e 1949, e durante os anos 50 o personagem apareceu em algumas edições da revista Mad.

Nos anos 60, durante a Era de Prata dos quadrinhos, a Archie Comics publicou uma minissérie em oito partes (1964-1965), que possuiu roteiros de Jerry Siegel, criador do Superman. Sua fase mais lembrada veio então nos anos 70, mais especificamente em 1973, com a série em doze edições publicada pela DC Comics com roteiros de Dennis O’Neil e arte de Michael KalutaFrank Robbins e E. R. Cruz. O personagem apareceu nas revistas do Batman (#253 e #259), referenciado pelo Homem-Morcego como “uma grande inspiração“, além de ser mencionado também em Detective Comics #446. Nesta fase, as histórias d’O Sombra estavam situadas nos anos 30, na Terra Um do Multiverso da DC, e o personagem lidava com criminosos e experimentos bizarros, característica típica dos heróis pulp.

Em 1986, a minissérie em quatro edições escrita e ilustrada por Howard Chaykin trouxe O Sombra para a modernidade, em Nova York, e atualizou seus equipamentos, quando passou a utilizar metralhadoras Uzi e lançadores de mísseis. Muito humor negro e violência foram utilizados, entretanto a minissérie Sangue & Sentença foi um grande sucesso que motivou a DC Comics a dar continuidade com uma série mensal iniciada em 1987.

A série foi continuada por Andy Helfer (que editou a série de Chaykin) e ilustrada por Bill Sienkiewicz (edições #1 a #6) e Kyle Baker (#8 a #19 e dois Anuais), com a sétima edição ilustrada por Marshall Rogers. O Sombra lida com cultos religiosos, inimigos corporativos e a corrupção que toma conta da cidade. Em 1988, O’Neil e Kaluta produziram uma graphic novel da Marvel Comics situada na Segunda Guerra Mundial, e no mesmo ano a Malibu Comics deu início à republicação das clássicas tiras de jornal.

Entre 1989 e 1992 a DC Comics publicou uma nova série d’O Sombra, The Shadow Strikes, com roteiros de Gerard Jones e arte de Eduardo Barreto. A revista trouxe o personagem de volta às origens pulp, com aventuras situadas em 1930, e mostrou seu primeiro team-up com Doc Savage, outro clássico personagem dos pulps. A série foi concluída com 31 edições e um Anual e tornou-se a maior revista do personagem, em duração, desde as tiras de 1940.

Os direitos então partiram para a Dark Horse Comics, que publicou algumas minisséries entre os anos de 1993 e 1995, com roteiros de Joel Goss e Michael Kaluta e arte de Gary Gianni, além de Steve Vance com Stan Manoukian e Vince Roucher. A editora também publicou alguns one-shots e adaptou o filme de 1994 para quadrinhos, com duas revistas feitas por Goss e Kaluta. Em 95, o crossover de Ghost com O Sombra também foi publicado, com textos de Doug Moench e arte de H. M. Baker e Bernard Kolle.

Após mais republicações das tiras de jornal por editoras diversas durante o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, em 2011 a Dynamite Entertainment licenciou o personagem para novas revistas e minisséries. O primeiro arco da série mensal foi publicado em 2012, escrito pelo superstar Garth Ennis com arte de Aaron Campbell, e a revista seguiu com outras equipes criativas até a edição #26, com a editora publicando neste período algumas minisséries e especiais como Máscaras (que mostra O Sombra encontrando outros personagens pulp como o Zorro, Besouro Verde e O Aranha), O Sombra/Besouro Verde: Cavaleiros das Trevas, O Sombra: Ano Um e o crossover com Grendel, personagem de Matt Wagner publicado pela Dark Horse. Em 2015 a editora deu início ao segundo volume da série mensal do personagem, além de ter republicado as séries da DC e Marvel citadas anteriormente.

E no Brasil?

Em terras tupiniquins, O Sombra foi publicado por muitas editoras. A editora Globo, no início dos anos 40, lançou as aventuras do personagem na revisa Gibi, e na revista Lobinho da Grande Consórcio Suplementos Nacionais o herói dividiu espaço com Batman, Superman e outros. Sua publicação teve continuidade através da editora Ebal, que lançou a primeira minissérie da DC Comics, e no final da década de 80/início de 90 a editora Abril lançou as histórias da DC criadas por Chaykin e Helfer, além da graphic novel da Marvel e a série de Gerard Jones e Eduardo Barreto na revista Os Caçadores.

Ausente das bancas e livrarias desde então, em 2013 a Mythos Editora começou a publicar edições de luxo contendo a fase moderna licenciada pela Dynamite, tendo lançado até agora cerca de sete encadernados do personagem, com seus crossovers, aventuras solo e republicações das clássicas fases mencionadas no parágrafo anterior com a coleção O Sombra: Grandes Mestres.

E aparentando ter encontrado uma casa estável no Brasil, o legado deste clássico justiceiro segue vivo para os leitores, que podem desfrutar das deliciosas histórias criadas por grandes nomes da Nona Arte. Mas quem sabe o que o futuro reserva para o herói? Apenas O Sombra sabe.

Ficou interessado em ler O Sombra e suas aventuras em quadrinhos? Conheça as edições de luxo publicadas no Brasil clicando aqui.