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Infelizmente, Dark Nights: Metal não deu liga

Anunciada em 2017, a saga Dark Nights: Metal chegou ao seu fim na última quarta-feira. Escrita por Scott Snyder e com desenhos de Greg Capullo, a história fez muitas promessas. A primeira delas, era apresentar o Multiverso Sombrio. A segunda, encerrar todas as pontas soltas deixadas pelo Batman dos Novos 52. E a terceira, definir o futuro do Universo DC. Nada foi cumprido, pois tudo foi mal executado. Essa é provavelmente a pior história da DC nos últimos anos.

A Crise nas Infinitas Terras inaugurou as mega sagas. Crise Infinita seguiu seu legado, assim como Crise Final, elevando essas concepções a outro patamar. Mas isso foi passado. Mega sagas só são atrativas quando extremamente bem planejadas. Quando o editorial está em sintonia com a equipe criativa. Isso evita muitos erros de continuidade. Mas o problema de Metal não foi o editorial, foi o próprio roteiro de Scott Snyder.

Capa da primeira edição.

Um amontoado de ideias extremamente promissoras como o Multiverso Sombrio. Terras negativas geradas pelo medo e com Batmen malignos. Eles estão ali apenas para vender os próximos licenciados da editora e nada mais. O mais famoso deles, o Batman que Ri, é quase um Boba Fett. Ou trazendo para a linguagem DC, um Superboy Prime. Visual interessante, background promissor, mas nunca sai do lugar e fica apenas na promessa. Na verdade, Metal às vezes nem promete. Apenas imagina. Vários elementos são introduzidos e esquecidos ao decorrer da trama. Os prólogos em Dark Days se provam inúteis, assim como muitos tie-ins.

Na verdade, os tie-ins são a parte boa de Metal. Alguns deles sobre as versões maléficas do Batman são bem escritos. Outros, como Wild Hunt – por Grant Morrison – soam como uma verdadeira sinfonia em quadrinhos. Eles realmente trazem a empolgação e aproveitam muito bem os conceitos. Para chegar na saga principal e tornar tudo superficial novamente. O grande problema é a banalização do massaveio.

Hunt
Leiam Wild Hunt.

Massaveio nada mais é quando um roteirista apela para ação e frases de efeito apenas para parecer legal. Nada contra isso, toda mega saga tem massaveio. Aliás, o que seriam delas sem momentos assim? Mas Metal não entende os limites disso. Logo na primeira edição, a Liga da Justiça forma um Megazord e o Batman monta em um dinossauro. Tudo em prol da loucura e do heavy metal. Personagens são jogados de forma extremamente aleatória, mas está tudo bem. Sabe por quê? O Batman está montado em um Dragão Coringa! Esqueça a trama, certo?

São tantos conceitos criados os quais ele não consegue lidar. Quando é chegado o clímax da saga, o que deveria ser catártico, se torna extremamente patético. Recursos de metalinguagem são inseridos de uma hora para outra. Scott Snyder acredita ser Grant Morrison. Mexe com o Retorno de Bruce Wayne, utilizando Barbatos, mexe com Multiversidade e apresenta uma solução extremamente semelhante a de Crise Final, mas nada funciona.

Megazord
Sim, a Liga da Justiça formou um Megazord. Já viu de tudo, certo? Ha! Mas não mesmo.

Na verdade, a reintrodução dos Gaviões ao Universo DC funciona e alguns momentos da Mulher-Maravilha são bons assim como a arte de Greg Capullo. Ele tem um estilo sujo perfeito para a proposta da história. Metal queria ser uma Crise, mesmo sem o nome. Essa era a intenção. Mas tudo não passou de uma história sem nexo apenas para satisfazer a tal loucura. A definição completa de potencial extremamente desperdiçado. Sandman poderia acordar e dizer ao Batman que tudo não passou de um pesadelo barulhento. Preparem-se para a nova Liga da Justiça.

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Ler O Jogo Mais Difícil do Mundo é como estar com a Sessão da Tarde nas mãos

Uma época onde ainda a internet não era uma coisa comum na vida de todos, ainda existiam as brincadeiras de rua, que pesquisas escolares eram feitas em livros nas bibliotecas e jogar videogame era dividir com um amigo o espaço no sofá ou rachar a hora na locadora. É assim que nos ambientamos em O Jogo Mais Difícil do Mundo. A HQ de Eduardo Ribas apresenta esse mundo tão comum na década de 90, não de forma tão explicita como Kombi 95 do Thiago Ossostortos, mas essa também não é a intenção do quadrinho. A verdadeira intenção eu vou falar mais abaixo.

 

Na trama o trio de amigos: Joaquim, Ana e JC se metem em uma aposta com Luizinho, o moleque mais mimado e mala do bairro. A aposta consistia em disputar uma partida do jogo mais difícil que tinha na locadora, mas acontece que Luizinho é super-viciado no tal game, e é um dos maiores pontuadores do mesmo. Mas o que o mimado não sabe é que o trio conhece a lenda das Pedras dos Navegadores, artefatos que uma vez unidos podem conceder um desejo para o seu portador. Então, Joaquim, Ana, JC e Gordo (o fofo cachorro de Joaquim), começam a perigosa saga de encontrar as tais pedras. Elas se encontram nas ruínas que estão perto de sua cidade.

 

A arte de O Jogo Mais Difícil do Mundo que Eduardo Ribas faz é uma mistura de mangá com um estilo cartunesco que sempre faz questão de lembrar que temos um produto divertido e colorido em mãos. Com páginas duplas, quadrinhos exagerados que parecem que vão saltar das páginas, o visual da HQ fluí bem dentro da proposta. Mas ao mesmo tempo, o visual colorido típico de um desenho da Cartoon Network, não esconde que a trama é recheada de perigos reais para os personagens, lembrando ao leitor que a história tem sim seu nexo sério.

A maior satisfação de ler O Jogo Mais Difícil do Mundo é o prazer de ler algo leve. Parece que estamos com um filme gostoso da Sessão da Tarde nas mãos. Muitos momentos, é impossível não lembrar de produções como Os Goonies, Conta Comigo, Indiana Jones e Uma Noite de Aventuras. E como nesses filmes, a diversão e aventura rola solta, até que chega um momento que a trama fica séria. E na HQ não é diferente. Algo que nenhum leitor no decorrer da história pensa que vai acontecer.

Divertir. Essa é a intenção da HQ. Com uma aventura de caça ao tesouro tão habituais nas produções Hollywoodianas da década de 80. Em tempos em que as produções estão complexas, com viradas mirabolantes, algo vem “simples” que funciona muito bem, conquista fácil o leitor, que fica ávido para concluir a leitura e chegar logo ao seu final, que deixa um gostinho de quero mais.

O Jogo Mais Difícil do Mundo é uma divertida HQ que vai te fazer lembrar daquele prazer de ler algo com gostinho de infância. Principalmente para quem viveu os anos 80 e 90. É um acerto de mão cheia do Eduardo Ribas.

 

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Multiplicidade: Quando o Superman conhece a Liga da Justiça Encarnada

O Renascimento do Superman resgatou tudo o que o herói representava: Verdade, justiça e esperança. Peter Tomasi e Patrick Gleason estão escrevendo o título mais divertido da iniciativa até hoje. Além de uma estrutura simples, a revista lida com questões complexas como: o herói não pertencer a cronologia. Essa questão começa a ganhar mais transparência em Multiplicidade, uma história que envolve o incrível Multiverso de Grant Morrison. 

 

Esse é um grande desafio para dupla. Depois de Multiversity, ninguém teve coragem de utilizar os conceitos da obra e a Liga da Justiça Encarnada. Todo cuidado é pouco. Tomasi e Gleason explicam conceitos complexos com muita simplicidade. Os diálogos expositivos contextualizam perfeitamente a obra do escocês aos novos leitores. Quando eles não explicam, então os artistas mostram com clareza. O encontro entre o Homem de Aço e a equipe de heróis protetora de universos é simplesmente épico. Multiplicidade traz boas e divertidas interações entre personagens desconhecidos. 

O roteiro também cria novos personagens como o vilão Profecia e seus seguidores chamados Coletores. O vilão não é tão bem desenvolvido, mas apresenta motivações extremamente plausíveis e pode ser bem aproveitado no futuro. O grande problema aqui é o tempo. O arco dura apenas 3 edições. Isso não é o suficiente para justificar algumas decisões durante o ato final. Tomasi e Gleason tomam algumas decisões as quais com certeza afetarão o rumo de Multiversity Too. Morrison será obrigado a reescrever o roteiro de novo (coitado).

Assim como Multiversity, Multiplicidade leva bem a sério o significado do seu nome. A história conta com múltiplos artistas: Ivan Reis, Ed Benes, Jorge Jimenez, Clay Mann e Tony Daniel. Cada um traz seu estilo único para essa aventura. A arte destoa, mas nunca perde a qualidade. Além disso, eles tiveram a responsabilidade de definir o visual de algumas terras nunca vistas.

Multiplicidade foi publicado entre as edições 8 e 9 da revista mensal do Superman pela editora Panini. É uma divertida história para aqueles que assim como eu, gostariam de rever o que Morrison criou, nas mãos de outro roteirista. Tomasi e Gleason seguem com o mistério cronológico do Superman enquanto se divertem bastante escrevendo esse título extremamente descompromissado. Não é perfeita, mas está muito longe de ser uma história ruim. 

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Eu Sou Suicida: “A escolha de um garoto. Para morrer.”

Em um dia normal como esse, Tom King tomou uma decisão polêmica: Dizer que Bruce Wayne já tentou suicídio. Esse fato deixou muitos fãs do Homem-Morcego divididos, pois talvez o roteirista estivesse passando dos limites. Entretanto, toda a ousadia é justificada em Eu Sou Suicida. Uma das histórias mais importantes do personagem nos últimos tempos. Na trama, Batman precisa resgatar o Pirata Psíquico para ajudar Gotham Girl. Para isso, o Morcego reunirá um time de vilões desconhecidos para invadir Santa Prisca, a nação de Bane. Nesta equipe temos: Tigre de Bronze, Pierrô, Colombina, Ventríloquo e Mulher-Gato

Em Eu Sou Gotham, o careca já provava escrever bem o personagem com um bom toque de ironia e exagero, tal como Grant Morrison alguns anos antes o escreveu. Agora, ele se distancia do estilo do escocês e explora a mente de Bruce Wayne. O Batman de King é frágil e não superou a morte dos pais, tal como outras versões do personagem. Entretanto, ele tem um fator a mais: O fator suicida. O seu Bruce é o mais frágil nesses 80 anos de existência na ficção. O roteirista compara o ato de vestir o manto do Morcego ao suicídio. “É a escolha de um garoto. Para morrer.” como Wayne diz durante a narrativa. Tudo isso através de uma carta. E aí entra outro fator essencial para a história: Selina Kyle

Ele fez o que poucos tiveram coragem. Aprofundar a relação entre a Mulher-Gato e o Batman. Não são apenas beijos em cima dos prédios, são duas pessoas sofrendo. A carta dela se complementa com a dele. King cria o romance perfeito. O Morcego precisa da Gata e vice versa. É um dos momentos mais tocantes e sensíveis da história do Cruzado de Capa. É claro que o roteirista não se foca apenas nos dois, ele também lida com o seu “Esquadrão Suicida”. Ele faz isso magistralmente. Todos os membros tem uma função na história, que cedo ou tarde, é revelada e surpreende o leitor. O destaque vai para o uso do Ventríloquo. A abordagem usada para esse vilão desconhecido é icônica. 

Outro destaque vai para Mikel Janín. Provavelmente o melhor artista do título até então. Os desenhos de Janín ao lado das cores de June Chung beiram a perfeição. É uma mistura de 2D com 3D muito eficiente e atraente. O jeito como a arte brinca com os layouts e os enquadramentos é genial. Passar as páginas e continuar a leitura é uma tarefa difícil. Os desenhos são muito bonitos e repleto de detalhes. É uma verdadeira aula de narrativa gráfica.

O arco também discute sobre alguns temas como a dependência das drogas. O personagem utilizado para representar isso é o Bane. O personagem é dependente do veneno para sua felicidade. É uma abordagem trágica e interessante. Essa dramaticidade se entrelaçará com a tragédia de Wayne em Eu Sou Bane, o próximo grande arco da revista. Por aqui, a história foi publicada entre as edições 6 à 8 da mensal do Morcego pela editora Panini. Eu Sou Suicida é a parte mais tocante da trilogia planejada por King. Adiciona camadas ao personagem enquanto desenvolve uma divertida e excelente história de assalto. O Batman não poderia estar em melhores mãos. 

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A polêmica em torno de Batman e Mulher-Maravilha

Hoje foi lançada a trigésima nona edição de Batman. A continuação do arco Superfriends trouxe uma história entre Batman e Mulher-Maravilha. Na trama, O Cavaleiro das Trevas e a Princesa Amazona passam 10 anos lutando contra monstros. O local da luta é uma dimensão onde o tempo não funciona normalmente. 3 horas aqui, são 10 anos lá. Até aí tudo bem, certo? Entretanto, o final da edição está causando polêmica entre os leitores. Bruce e Diana estão dentro de uma caverna e ela diz que ele não parece tão ruim sem as orelhas de morcego. O último quadro mostra os dois personagens prestes a se beijarem.

Batman e Mulher-Maravilha
Será que os pombinhos irão se beijar?

Se você acessa a Internet e é um fã da DC, sabe o quão comum é se deparar com fan-arts de Batman e Mulher-Maravilha como um casal. As pessoas apoiam os dois como casal, pois cresceram com a Liga da Justiça do Bruce Timm. Nessa série animada, a Princesa Amazona flerta com o Cavaleiro das Trevas. Por outro lado, você também deve saber que existem pessoas as quais detestam e abominam essa ideia. É uma verdadeira “guerra”. Embora a situação seja diferente no cinema, há anos a Mulher-Maravilha não recebe destaque nos quadrinhos. A fase escrita por Greg Rucka no Renascimento é um thriller psicológico interessante, mas tirando um ou dois momentos, não entrega cenas heroicas. No último ano, Batman lutou contra o Bane, Superman contra Sr Mxyzptlk e a Mulher-Maravilha estava em um hospício.

Então por um lado é compreensível os e as fãs odiarem esse final, mas por outro lado é incompreensível. Quem já leu os trabalhos do Tom King, sabe que ele não faz decisões polêmicas a toa. Uma das suas decisões polêmicas foi afirmar que Bruce Wayne já tentou suicídio após a morte dos pais. Ao final de tudo, essa decisão deixou a história Eu Sou Suicida muito mais imersiva e tocante. Acrescentou ainda mais camadas ao personagem. Talvez a decisão do autor em escrever esse final polêmico tenha uma justificativa. O arco se encerra na próxima edição. Além disso vamos fazer mais uma suposição:

Você passa 10 anos ao lado de alguém lutando, sem comida, sem outros seres ao seu redor, em algum momento você não se apaixonaria por essa pessoa? Somos humanos. Temos limitações morais e físicas. Pelo menos para mim está óbvio que King não tem intenção em transformá-los em um casal. Até porque isso não faz sentido para a própria narrativa e para o momento editorial. Afinal, Batman e Mulher-Gato vão se casar.

Além disso, vários leitores estão acusando King por plagiar Action Comics #761. Nesse quadrinho, Superman e Mulher-Maravilha lutam contra as hordas de Valhalla em um período de tempo maior: 10 mil anos. Eles até cogitam a ficar juntos, mas Clark diz que ama Lois e Diana o entende perfeitamente. Clark completa agradecendo: “Obrigado, Diana, por ser minha melhor amiga.”

Superman e Mulher-Maravilha
Action Comics #761

King disse que não fazia ideia de que esse plot já tinha sido utilizado antes. Vamos ser sinceros, ninguém sabia. A única história do Superman escrita pelo Joe Kelly que todo mundo conhece é Olho Por Olho. Enfim, seja lá qual for o fim dessa polêmica, só descobriremos daqui a duas semanas. Até lá se você quiser saber sobre tudo o que acontece na Editora das Lendas, fique ligado na Torre de Vigilância.

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Um novo começo ou o início do fim na HQ The Walking Dead?

“Esta porra de artigo contém spoilers. Mas contém spoilers pra caralho. Spoilers para a porra! Então se você não quiser ganhar spoilers no meio das fuças, sugiro que retire a sua cara feia e esquisita daqui. Para depois você não ficar igual a um babaquinha reclamando.”

Com amor, Negan.

Se a série de TV The Walking Dead não vem agradando aos fãs, com muitos reclamando das mesmices, do ritmo meio que lento, de suas tramas rasas que vem causando a queda de audiência. A HQ colocou uma ponta de dúvida nos leitores. Ao mesmo tempo que parece estar começando a soprar novos ventos que logo podem se tornar rajadas de mudanças. A trama nos quadrinhos parece que ainda tem muita lenha para queimar, mas mesmo o andamento do novo arco, começa a insinuar um possível final no horizonte.  Então duas questões surgiram: “Finalmente a HQ está entrando na sua reta final?” ou ainda “Teremos uma renovação no elenco dos quadrinhos?”

Desde o final da The Whisperer War, o novo rumo começou a ser tomado na HQ de The Walking Dead. As edições que seguiram mostraram os possíveis finais de arcos para alguns personagens, mas ao mesmo tempo abriu novas possibilidades. O vilão Beta, um dos líderes dos Sussurradores, não conseguiu a sua vingança contra o grupo de Rick e é derrotado por Jesus na edição #173, dando um ponto final, até que melancólico, ao personagem. Na mesma vemos que uma possível tragédia pode nascer em breve no trio Carl, Lydia e Sophia. Em uma cena, o rapaz vai ajudar Sophia e a filha da finada Alpha, lança um olhar enciumado nos dois.

A tão esperada vingança de Maggie em cima de Negan, não veio acontecer. Isso mesmo. Na edição #174 (uma das melhores da série), depois de tantos anos da morte do seu marido Glenn, a líder de Hilltop ficou finalmente frente a frente com o carismático vilão. Depois de um belo dialogo, o desfecho foi um tanto imprevisível, e vimos uma página finalmente sendo fechada na trama.

O novo arco New World Order, começou na edição #175, que foi lançada na semana passada nos Estados Unidos, começa com a comitiva que sai de Alexandria, formada por Michonne, Magna, Yumiko, Siddiq e Eugene. A trupe parte (na edição #171) para responder o chamado de uma mulher chamada Stephanie. Ao longo do caminho se junta a eles, a nova personagem, Juanita Sanchez, que se alto intitula como Princesa. E assim que eles chegam a The Commonwealth, tem uma recepção e tanta. Uma comunidade muito bem estruturada com soldados fortificados e bem organizada.

Juanita Sanchez.

Na entrada da cidade, a comitiva encontra com Lance Hornsby, que controla as entradas e faz perguntas sobre quem são eles, de onde vem e o que querem. Depois de um tempo de tensão e conversa, eles descobrem que The Commonwealth é composta de incríveis cinquenta mil cidadãos. Número que eles consideram fantástico, por se tratar da escassez de humanos nos últimos anos e na multiplicação dos mortos-vivos. E a cidade possui até um Estádio para eventos esportivos e shows. Mas um muro logo na entrada chama atenção. Algo como muro dos perdidos, onde os moradores colocam fotos de entes queridos, perguntando se alguém já encontrou algum deles. Entre as milhares de fotos, uma chama a atenção da comitiva. Uma foto da Michonne que está escrita: “Alguém viu a minha mãe? Michonne”.

 

Ou seja, Eloide, a filha da Michonne, que antes era dada como morta, está entre os cinquenta mil moradores de The Commonwealth. Assim como aconteceu com Negan e Maggie, o reencontro com a sua filha, poderia ser um fim digno para a personagem depois de tanto tempo e sofrimento na estrada. Ou pode ser um novo início e uma reciclagem para os três personagens.

Uma cidade com mais de cinquenta mil habitantes, abre um leque para introduções de novos personagens, ou simplesmente retorno de antigos. Como por exemplo: o irmão de Rick, Jeff Grimes. Ele foi apresentado na edição especial The Walking Dead: Alien. Produzido por Brian K. Vaughan e Marcos Martin, Alien conta como o irmão mais novo de Rick, tenta escapar de Barcelona, na Espanha, logo no começo do apocalipse zumbi. Jeff conhece Claudia, que planeja sair da cidade de barco. A dupla chega à embarcação, em maus lençóis, e é atacada por um zumbi que estava dentro do barco. Jeff salva Claudia mas é mordido no calcanhar esquerdo. Já se penitenciando, ele pede para a mulher lhe tirar a vida. O final fica em aberto, pois não vemos o golpe mortal.

O que indicia que podemos ter Jeff Grimes na HQ é que recentemente, o editor-chefe Sean Mackiencz, na coluna de perguntas dos leitores, falou que Rick pode ganhar um irmão. E já vimos ao longo da historia de The Walking Dead, que muitos personagens sobreviveram a mordidas de zumbis cortando a parte que foi infectada. Será que veremos Jeff e Claudia entre os moradores da enorme cidade? Ou somente ela? Já que o (talvez) ultimo pedido de Jeff foi para que a mulher encontrasse o seu irmão.

Outros personagens antigos que sumiram durante a trama poderiam ressurgir em meio as milhares de pessoas como por exemplo é a Lilly Caul. Para quem não lembra, ela foi a pessoa que atirou em Lori, Judith e por remorso do que tinha feito, matou o Governador na edição #48. A personagem é a protagonista da série de livros que englobam o universo criado por Robert Kirkman. Ela sempre quer voltar para levantar Woodbury, mas será que conseguiu o seu objetivo? Ou abandonou e tomou novos rumos?

Outras questões serão levantadas, como por exemplo, quem é a cabeça mandante em The Commonwealth? Os sobreviventes que conhecerem a nova cidade e todas as coisas que ela pode proporcionar, será que vão aceitar o sistema atrasado e feudal de Rick Grimes? E ele ainda terá fôlego para liderar alguém depois de sofrer tantas perdas por essas estradas? E caso ele venha liderar, será que veremos Rick tentando tomar The Commonwealth? 

A única coisa certa nas HQs de The Walking Dead é que estamos testemunhando que um novo rumo está começando. Seja para uma reformulação com a introdução de novos personagens, ou simplesmente o START para chegar no final. Vale lembrar que Robert Kirkman já disse diversas vezes que sempre teve o final da série já pronto na mente. Mas que tinha muita história para seguir.

A Torre de Vigilância ficará ligada no que pode acontecer em The Walking Dead.

 

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Multiverso é a maior ode aos quadrinhos de super-heróis já escrita

Talvez esse texto não dê conta de tudo o que essa história representa, mas mesmo assim eu o escrevo. Grant Morrison é um autor brilhante. Ele não expõe ou explica, ele sente. Suas histórias são movidas por sentimentos, não pela lógica. Talvez por isso ele escreva brilhantemente os personagens da DC. Por causa do sentimento. Por causa da ideia de provar para os leitores que quadrinhos não são apenas quadrinhos. Tudo isso fica extremamente claro em Multiverso, uma “continuação” de Crise Final. Uma história anunciada em 2009, reescrita diversas vezes e finalmente publicada em 2014. Valeu a pena a espera, pois o escocês trouxe até nós uma obra repleta de vida. Preparem-se, embarquem na Thule para conhecer esta brilhante história.

A trama

A premissa de Multiverso é extremamente metalinguística e metafórica. Nix Uotan, o último monitor, ao lado do Senhor Cotoco, um macaco pirata, investigam sobre um quadrinho chamado Ultra Comics. Isso os leva até a Terra-7, até a Aristocracia, a qual captura Nix. Heróis de diferentes terras-paralelas são convocados ao Lar dos Heróis para se unirem e combater o mal que ameaça toda a existência. Uma trama simples repleta de camadas. A primeira delas é o fator metafórico do quadrinho. Com exceção do primeiro e do último, cada capítulo é focado em uma terra diferente.

Visitando mundos

Todos os capítulos se relacionam de alguma forma com cada era da indústria de quadrinhos. Sociedade dos Super-Heróis aborda a era pulp, para esse capítulo, temos os desenhos de Chris Sprouse de Tom Strong. O roteirista fala sobre a ascensão e a queda desse gênero. Em seguida, temos os Justos. Um universo onde os heróis estão entediados por não ter mais pelo que lutar. Talvez uma metáfora aos leitores cansados de tramas genéricas, ou ao excesso de futuros alternativos nos quadrinhos. A arte de Ben Oliver retrata perfeitamente o ego e o estilo dessa terra. Além disso, Morrison indica um romance entre Batman e Superman. Um certo desejo de muitas pessoas, inclusive do autor deste texto.

Logo depois, a Pax Americana. Uma paródia de Watchmen com personagens da Charlton Comics – personagens os quais Alan Moore usou como inspiração para sua obra. Pax retrata perfeitamente a última metade dos anos 80. Heróis desconstruídos e moralidades ambíguas. Um detalhe interessante sobre esse capítulo é a ausência de linearidade. É possível lê-la de trás para frente. Além disso, Frank Quitely faz um trabalho incrível com 12 ou até mais quadros por página. É incrível como consegue aprimorar a narrativa de 9 quadros e espelhada de Watchmen. Deixamos os tempos sombrios e vamos para As Aventuras no Mundo Trovão. Uma história do Capitão Marvel contra o Doutor Silvana. Uma trama absurda acompanhada dos traços cartunescos de Cameron Stewart. Uma excelente homenagem aos personagens da Fawcett e a inocência e descompromisso da Era de Prata.

Por último, o capítulo menos impressionante, mas ainda assim incrível: Superiores. Nesta terra os ícones da DC são nazistas. Morrison fez algo ainda mais ousado em relação a Mark Millar com o Superman. Torná-lo socialista é simples, torná-lo nazista é mais complicado. Basicamente uma inversão de certa parte da história da indústria. Inúmeros super-heróis foram criados para incentivar o combate ao nazismo. Então, por que não, uma terra onde aconteça o inverso? Além de criar splashpages sensacionais, Jim Lee imprime bem o caos, a violência e o poder. Não existe Superman mais imponente do que o de Lee. Essa figura imponente ele já demonstrava em Pelo Amanhã e agora acabou de ficar ainda mais imponente carregando o símbolo do nazismo.

Ultra Comics

Leia Multiverso, escravo.
Ultra Comics

A trama de Multiverso gira em torno de um quadrinho amaldiçoado chamado Ultra Comics. E é aqui onde começa a metalinguagem na obra. Ao decorrer das edições, temos sempre pelo menos um personagem lendo a obra. Alertando sobre como ela é perigosa. Morrison fez muito bem em plantar menções ao longo da trama, deixando todos os leitores com expectativas altíssimas para lê-lo. Pois é, um quadrinho criando expectativa sobre outro que está dentro desse. Brilhante.

Felizmente, quando chegado o momento, Ultra Comics consegue superar todas as expectativas e se torna inesquecível. A trama consiste na criação de um super-herói chamado Ultra. Ele tem um uniforme colorido, um sorriso radiante e uma personalidade completamente relacionável. Como um super-herói mesmo. A edição começa com o herói o alertando para não ler esta revista até o fim. Isso obviamente deixa o leitor ainda mais curioso, o que se se segue nas próximas páginas é maravilhoso. Acompanhamos todo o processo de criação do herói, mas o maravilhamento acaba por aí. Ele precisa enfrentar o pior desafio para um personagem fictício: O mundo real. Entre esse contraste de realidade e ficção, você se torna o Ultra. Acompanha os pensamentos dele como se fossem os seus. É uma metalinguagem fantástica. Além disso, me arrisco a dizer que Ultra Comics é a perfeita compilação da jornada dos heróis dos quadrinhos.

Ultra experiencia a Era de Ouro, completamente inocente, até a Era Moderna, mais ambígua. A arte de Doug Mahnke é simplesmente perfeita. O personagem já se torna icônico nos traços dele. O desenrolar da trama é excepcional, toda a atmosfera começa a se tornar mais sombria aos poucos. Lentamente, a luz do herói vai se apagando. Em certo ponto da história, o roteirista aborda até mesmo o esquecimento dos personagens na cultura pop. Isso choca o leitor de imediato. Ultra Comics é o ápice de Multiverso.

A Justiça Encarnada

Chegou a Liga que vale
Os protetores do Multiverso

A trama principal apresenta um pouco da ideia do título original: Multiversity. Uma mistura de Multiverso com diversidade. Isso não falta na história. Liderados pelo Superman da Terra-23, Morrison torna os personagens-chave da trama principal extremamente carismáticos. Destaque para o Velocista da Terra-36, um herói fã de quadrinhos, conquistando o leitor de imediato. E também para o Capitão Cenoura, um herói com a física dos desenhos animados. Fica claro a intenção do roteirista ao priorizar certos personagens dentre muitos. Se houver uma sequência, tramas e conceitos não sustentarão a próxima história. Então, é possível se familiarizar com esses personagens estranhos, desconhecidos, mas absolutamente memoráveis.

Além disso, Ivan Reis faz um trabalho excelente com o Lar dos Heróis. É um trabalho tão grandioso quanto o de Pérez em Crise nas Infinitas Terras. Ele consegue trazer cenas épicas e splashpages sob ângulos memoráveis. Além disso, a arte constantemente luta contra a diagramação aqui. Achatar e alargar os quadros é uma ótima forma de tornar a experiência da leitura ainda mais vívida. Afinal, quadrinhos não são apenas quadrinhos em Multiverso. Morrison ao mesmo tempo que faz uma crítica às mega sagas e eventos intermináveis, trata sua história desta forma, mas vai além. Muito além.

A Edição Definitiva e o veredito

Leia Multiverso, escravo
Edição definitiva de Multiverso pela Panini

A editora Panini fez um excelente trabalho em Multiverso. O encadernado foi publicado em capa dura com 481 páginas. A edição contém a história em papel couche, diversos extras, como capas variantes e esboços e um mapa do Multiverso tornando a leitura ainda mais imersiva. O formato que a história definitivamente merece. Quadrinho obrigatório na estante de qualquer DCnauta ou fã de heróis. Quadrinhos são uma arma poderosa, adentram as nossas mentes e Multiverso prova isso. Apenas Grant Morrison poderia fazer isso. É a maior ode aos quadrinhos de super-heróis já escrita.

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Sala Imaculada: Concepção Imaculada é aterrorizante e engraçado.

Você gosta de cultos satânicos com atores hollywoodianos e uma boa pitada de horror e humor negro? Sala Imaculada é o quadrinho perfeito para você, seu pervertido. Na trama, acompanhamos a jornalista Chloe Pierce tentando descobrir o motivo do suicídio de seu marido. Coincidentemente, ele estava segurando um livro de auto-ajuda. Tendo ciência disso, ela vai atrás da escritora do livro, Astrid Mueller, para descobrir o que há de tão perturbador por trás da obra e levá-la a justiça.

O roteiro é de Gail Simone, uma escritora muito conhecida no mundo dos quadrinhos pela criação do movimento feminista Mulheres na Geladeira. O primeiro ponto a se destacar no seu modo de escrita, são as personagens. Ela escreve personagens femininas como ninguém. A protagonista, Chloe, é o dobro da Lois Lane, com palavrões, é uma personagem extremamente forte, determinada e humana. Todas as suas limitações são perfeitamente bem apresentadas ao leitor, inclusive a questão da perda. Astrid Mueller, a antagonista, é também outra grande personagem aqui. Ela é fria, calculista e os seus traumas também são bem apresentados, mas ainda existe um ar de mistério em torno da personagem, que deve ser explorado nos próximos volumes.

Sala Imaculada: Astrid Mueller (Esquerda) e Chloe Pierce (Direita)

O segundo ponto a se destacar é a atmosfera e a liberdade da construção do tom aqui. Essa é uma obra aterrorizante, claustrofóbica, sobrenatural e com um senso de humor muito particular aparecendo nas últimas duas edições. É uma mistura extremamente eficiente para tirar o leitor da sua zona de conforto, mas não traumatizá-lo. Esse é outro ponto alto. Talvez o único ponto negativo que o roteiro apresenta neste primeiro volume seja a conclusão do primeiro arco um pouco apressada, acredito que se o primeiro arco tivesse uma edição a mais, algumas ideias apresentadas e encerradas neste volumes, funcionaram melhor.

Essa é a arte menos assustadora de Hunt em Sala Imaculada.
A arte de Jon Davis-Hunt em Sala Imaculada. Não queria chocar vocês, peguei uma bem leve.

A arte é do Jon Davis-Hunt. Ele contribuí muito para essa atmosfera horripilante. Seus traços são extremamente simples e chocam justamente por isso. Existem tantas cenas grotescas dignas de Preacher do Garth Ennis, que você simplesmente não acredita que elas tenham sido representadas de forma tão simples, pois não apresenta podridão, é uma verdadeira quebra de expectativa muito bem-vinda. Além disso, os designs escolhidos para os demônios são extremamente interessantes e funcionam. É possível perceber inspirações em Alien: O Oitavo Passageiro e Lovecraft principalmente.

Recentemente, a editora Panini publicou o primeiro volume de Sala Imaculada em capa-cartão e papel LWC. Um formato bastante acessível ao leitor. Sala Imaculada: Concepção Imaculada é um ótimo início para uma promissora história sobrenatural e bizarra. Listamos outros grandes títulos da Vertigo moderna aqui.

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Entre a Foice e o Martelo é uma história extremamente humana

Superman é um dos personagens mais complexos das histórias em quadrinhos. O herói já foi interpretado de diferentes formas por diversos roteiristas e artistas, entretanto ninguém jamais ousou mudar o local da queda do foguete vindo de Krypton. Em todas as origens, ele cai em solo americano, o tornando consequentemente um símbolo americano. Em Entre a Foice e o Martelo, o foguete cai na Ucrânia e anos depois o Superman se torna o herói da União Soviética mudando o rumo da Guerra Fria, enquanto os Estados Unidos, representados por Lex Luthor, tentam destruí-lo. É um universo alternativo interessantíssimo, mas vai além disso se consagrando como uma das melhores histórias do Homem de Aço.

Super protetor. Seria o termo mais adequado para definir o Superman em Entre a Foice e o Martelo. Habilmente escrito por Mark Millar, o seu Homem do Amanhã é extremamente preocupado com tudo o que está ao seu redor, conversas políticas são facilmente interrompidas, pois ele sente a necessidade de ajudar as pessoas. Ele não liga para essas questões assim como o Superman o qual conhecemos. Entretanto, Millar acrescenta algo a mais nesse desejo extremamente purista, algo mais perigoso: Uma utopia. A necessidade se torna uma obsessão.

 

É uma construção para desconstrução. Não apenas Millar consegue demonstrar isso em seus roteiros, como a arte de Dave Johnson também. De repente, o Superman com traços nostálgicos remetendo a animação dos irmãos Fleischer dá lugar a um ditador. Ingenuidade, talvez seja outra palavra para defini-lo neste quadrinho, ele sempre acredita estar fazendo o certo e em alguns momentos leva o leitor a acreditar que o melhor caminho é a sua utopia – pelo menos até o final – e acredita que não precisará recorrer a violência para alcançar seus objetivos. Ainda bem que Lex Luthor existe.

Superman tinha boas intenções, Luthor também. “Não estaríamos trocando um demagogo por outro?” questiona uma personagem durante a narrativa. Ele e o herói se completam. Ambos querem salvar o mundo, mas Lex é mais realista, afinal, o mundo jamais será perfeito e ele sabe disso. Existe um porém, Luthor não gosta de pessoas, gosta dele mesmo, considera o trabalho mais importante do que a sua esposa. Ao mesmo tempo em que ele é humano, ele é desumano, assim como o Homem de Aço se invertermos os adjetivos. Um completa o outro. Mais uma excelente construção de personagem executada por Millar aqui.

Com a ajuda de Alex Ross, os desenhos de Dave Johnson, Andrew Robinson, Killian Plunket, Walden Wong beiram ao nostálgico e ao revolucionário, as locações e os designs para cada herói beiram a perfeição de tão criativas. Destaque para o Batman e sua Bat-caverna no fundo do mar. Eles também entregam ótimas cenas de ação. Apesar da mudança na arte a cada capítulo, eles nunca destoam uma da outra, apenas se complementam. As cores de Paul Monts são claras e agradáveis aos olhos do leitor.

É incrível como o protagonista impacta a todos ao seu redor em Entre a Foice e o Martelo. Lois Luthor vê nele, uma figura confiável, o homem que a salvaria caso ela caísse de um prédio. Na verdade, o roteirista respeita bastante as regras do Multiverso onde o que é real em uma terra, é ficção em outra e brinca bastante com o relacionamento entre os dois em um monólogo onde Superman diz que um famoso poeta escreveria uma história onde ele e ela se tornariam amantes e que seria o livro mais vendido de todos os tempos. Pyotr, o filho de Stalin, se sente descartável com a presença do Superman, tratando tudo como uma competição, com ódio, pois enquanto ele voa pelos céus, nós estamos vivendo na sarjeta. Batman aqui é um homem sem moral, é a anarquia de preto, o símbolo de uma revolução que não aceita um governante alienígena. O confronto entre ele e o Kryptoniano é um dos melhores das histórias em quadrinhos rivalizando com a luta em O Cavaleiro das Trevas. Na verdade estes três personagens representam três sensações humanas: Amor, tristeza e coragem.

Recentemente, a editora Panini publicou a história em um encadernado capa dura com papel couche. A edição conta com alguns extras como artes conceituais de Dave Johnson e um depoimento de Tony DeSanto para a história. Entre a Foice e o Martelo fala bastante sobre humanidade, não só como uma sensação retirada de todos nós por um alienígena, mas como um todo. Provando que nem mesmo Superman ou Lex Luthor poderiam salvar este mundo, com ambos, estaremos fadados ao fim se procurarmos por perfeição. Devemos aceitar a sarjeta em que vivemos e suas falhas, contemplá-las e aprender a conviver com elas. Mark Millar trouxe até nós uma das melhores histórias já escritas sobre o personagem e ele nem precisou ser americano para isso.

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Detective Comics

Os Mais Perigosos do Mundo: A Liga da Justiça de Amanda Waller

Após os eventos de Trono de Atlântida, Amanda Waller, como uma boa estrategista, viu neste momento uma oportunidade de derrubar a Liga da Justiça criando uma nova equipe: A Liga da Justiça da América. Não pensem que esse é um Esquadrão Suicida 2.0. A equipe é formada por Caçador de Marte, Katana, Stargirl, Vibro, Gavião Negro, Lanterna Verde (Simon Baz) e Mulher-Gato. Eles são liderados por Steve Trevor. No arco Os Mais Perigosos do Mundo, temos a união da equipe e a sua primeira missão: Enfrentar a Sociedade Secreta.

O roteiro de Geoff Johns segue uma narrativa simples e cheia de ação, assim como seus trabalhos anteriores, ele se complica desnecessariamente em alguns momentos. O maior exemplo dessa complicação é com o Arqueiro Verde, um personagem importante para trama e que até a movimenta de certa forma, mas é um personagem extremamente desnecessário para o grupo. Personagens subdesenvolvidos são o que não faltam aqui, alguns são bem mais apresentados do que outros, como Vibro, Gavião Negro e Stargirl. Caçador de Marte, Mulher-Gato, Steve Trevor e Amanda Waller são os melhores personagens do quadrinho. O ponto mais positivo do roteiro de Johns está em como ele escreve Waller e Trevor. Uma figura manipuladora como de costume e extremamente estrategista e um homem obrigado a se corromper. Os heróis são convocados e não existe possibilidade deles dizerem não, ela pode usá-los contra eles mesmos.

A arte de David Finch é realista, sombria e violenta. Representa bem o espírito da equipe, o tom mais militarizado. Ele trabalha bem em quadros menores e principalmente em splashpages, garantindo ótimas cenas de ação. Entretanto, tudo muda quando a partir da quarta edição, Brett Booth assume a arte interna. Booth tem uma arte extremamente noventista com expressões faciais extremamente ovais e corpos sem a mínima noção de anatomia, a arte dele combinaria com o título se a história fosse mais cômica. As cores de Andrew Dalhouse prejudicam os desenhos de Booth e a narrativa.

O primeiro volume também conta com mini histórias do Caçador de Marte escritas por Matt Kindt e ilustradas por Andres Guinaldo. Kindt tem sucesso ao apresentar uma nova origem para o personagem e tornar ele ainda mais relacionável e arte de Guinaldo não é memorável, mas cumpre sua função em mover a narrativa.

Recentemente a Panini publicou o primeiro volume de Liga da Justiça da América em um encadernado capa dura com 164 páginas em papel couche. O formato é o mais adequado para obra e realça a arte de Finch. O ponto negativo fica a cargo da ausência de extras. Os Mais Perigosos do Mundo tem ideias interessantes e poderia se aprofundar mais na questão política, mas prioriza o massaveio. Garante divertimento com certeza, mas desperdiça um pouco do seu potencial para se firmar como uma ótima e simples história causando uma primeira má impressão sobre o título, mas não tão má assim.