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Lendas | A inocência, o heroísmo e um novo universo DC

Os anos 80 foram uma época de grandes mudanças nos quadrinhos. O ideal heroico perfeito deu lugar ao herói moralmente ambíguo em obras como O Cavaleiro das Trevas e Watchmen. E nesta mesma época, a DC destruiu o seu universo com o maior evento já testemunhado no mundo dos gibis: A Crise nas Infinitas Terras. Com o multiverso destruído, era o momento perfeito para a editora relançar seus heróis para os novos leitores. O problema é que você não pode simplesmente relançar um universo com novos títulos, você precisa preparar um terreno. Com esse intuito, a minissérie Lendas surgiu.

A história antes foi pensada como uma segunda Crise, mas como era impossível chegar ao mesmo nível e escopo da obra de Wolfman e Pérez, a história acabou se tornando uma carta de amor ao heroísmo em meio a uma época de mudanças, que mais tarde nos anos 90 seriam completamente deturpadas. É possível ver algumas semelhanças com Watchmen, como por exemplo a criação de uma lei que proíbe os super-heróis de atuarem, a diferença é como Len Wein e John Orstrander tratam a premissa.

Lendas retrata a perda de fé das pessoas nos super-heróis. As pessoas estão sendo manipulados pelo Glorioso Godfrey, enviado por Darkseid, os roteiristas poderiam tratar essa ausência da fé com ambiguidade, talvez a humanidade já estivesse perdendo a fé naqueles que os protegem e não estão sendo manipulados pelo Senhor de Apokolips, mas isso seria contra a proposta do gibi. Ele não tem como objetivo questionar a moral dos heróis, se eles são bons ou maus, ele pode até apresentar alguns desses pensamentos em alguns diálogos, mas não é essa a ideia. O objetivo de Lendas é trazer uma história descompromissada e inocente que reúna a maior quantidade de heróis ou vilões possíveis para salvar o mundo.

Essa inocência é perfeitamente representada através das crianças. Elas acreditam nos super-heróis, elas não podem ser penetradas pela maldade de Darkseid pois são puras, como o próprio Vingador Fantasma diz observando tudo o que acontece enquanto discorda do vilão. Um dos momentos mais fortes e cativantes da narrativa é justamente este.

“Vê por que a derrota é inevitável, Darkseid? Esse é o campo de batalha onde você jamais triunfará: Os corações e mentes infantis! As crianças sempre vão acreditar em heróis!”

Não só como uma história inocente e descompromissada, Lendas como dito anteriormente, é a preparação de terreno para um universo novo. Alguns personagens como a Mulher-Maravilha aparecem e desaparecem, entende-se a intenção e a responsabilidade de Wein e Orstrander, mas os roteiristas poderiam ter pensado em introduzi-la de forma mais orgânica tal como fez – se me permitem mencionar – Chris Terrio e David Goyer durante o clímax do polêmico Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Outras ideias para o início deste novo universo são bem apresentadas, tais como a criação de uma Liga da Justiça mais clássica – que tem seu primeiro ano contado por Mark Waid em uma minissérie de 12 edições alguns anos depois – e uma nova versão do Esquadrão Suicida que posteriormente ganharia uma revista escrita pelo próprio Orstrander. Essa também é a história da primeira aparição da terrível, ameaçadora e manipuladora Amanda Waller.

John Byrne não é um dos artistas mais originais, ele se sai muito bem quando se trata de páginas de um quadro só. Ele sabe imprimir o heroísmo, destaque para a splashpage com a Liga, mas quando se trata de trabalhar com muitos quadros, o trabalho do artista é genérico e não é tão bonito quanto a arte de Pérez em Crise.

Recentemente a Panini publicou a minissérie no encadernado Lendas do Universo DC: Darkseid. A edição contém uma entrevista com o ex-editor Mike Gold que contextualiza a criação do quadrinho, além disso, a decisão de publicar a obra neste formato, torna o material mais acessível ao leitor e o papel offset realça as cores da arte de Byrne.  

Lendas é uma leitura obrigatória para fãs da DC. Pode não ser grandioso, mas é divertidíssimo testemunhar o surgimento de um novo universo em que os heróis precisam se unir e lutar contra um inimigo em comum. A prova de que premissas básicas de super-heróis não se tornam ultrapassadas quando executadas da maneira certa.

 

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Resenha | Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas

Foi um dia duro. O trabalho tinha me consumido, final de mês, metas apertadas, clientes que ainda não tinham recebido seus produtos e um trânsito infernal. Chego em casa exaurido. Cansado. Em frangalhos. Ao desabar no sofá, troco meia dúzia de brincadeiras com minha filha de 1 ano, mas com a cabeça ainda a mil. Eis que minha esposa diz: “isso chegou para você pelo correio”, peguei o pacote e vi no remetente o nome do meu amigo Felipe Castilho da Editora Plot! o novo selo de quadrinhos da Alto Astral. Já falamos dela aqui na Torre de Vigilância. Abro o pacote e puxo Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas. Tomo um banho e parto para a leitura. Melhor coisa do dia.

Ilustrado e idealizado pela quadrinista Psonha e com a contribuição de Thiago Ossostortos nos diálogos, logo conhecemos a carismática Mambay e sua fiel companheira Cassandra, a sua gata de estimação, que são praticamente “arrancadas” de casa para ir acampar com os pais sem noção. Uma vez no meio do mato, sem telefones, computadores e WI-FI a menina se perde e conhece Apolônio, um simpático vampiro que deixou de chupar sangue para se tornar um peixetariano. Então a dupla se mete em uma aventura com direito a coalas, garotinhos com chapéus de Napoleão, cogumelos pigmeus zumbis, vampiros obcecados por karaokê e um morcego que se chama Bruce. [Cole aqui o meme de referência do Capitão América].

Parece ser bem louco né? E pode ter certeza amado leitor, é bem louco. E é leve. Gostoso de ler. Um refresco para a mente (no caso da minha que estava cansada), e um bom recreio entre um quadrinho de super-heróis e outro. Apesar de ser uma loucura, não pesa a leitura e o teor meio que “descompromissado” ajuda no desenrolar da trama. A salada de cores que passa por azul, roxo, magenta, vermelho e um tom de verde para nos lembrar da floresta é bem aprazível aos olhos, ajudando na melhor concepção da história.

Em termo de história, Psonha usou e abusou de “viagens na maionese”. Em algum momento parece que estamos lendo/assistindo um episodio de A Hora da Aventura ou então Apenas um Show. Mas diferente de alguns casos, os absurdos apresentados durante a aventura de Mambay e Apolônio, não são forçados, eles simplesmente acontecem por que ali, naquela floresta, tinha que acontecer. Apesar de ser uma trama até que meio óbvia, são esses absurdos que ditam a batida da história. E eles funcionam muito bem.  E não se engane achando que o teor infantil é forte, longe disso, Peek a Boo agrada para todas as idades.

Os personagens são bem construídos. Impossível não olhar para a Mambay e não pensar em a criançada de hoje em dia, que vivem mais enfurnados nas tecnologias e acabam não sabendo muito sobre o mundo ao redor deles. Coisas simples como ver uma árvore dançando ao vento, estrelas e lua iluminando a noite, ou se socializarem pessoalmente com outras crianças. Coisas que estão ficando para trás. Saber lidar com outras pessoas, acreditando nelas de olhos fechados, é a maior lição de Peek a Boo. Mambay e Apolônio, cada um tem sua confusão pessoal com a sua família, e se completam e funcionam muito bem e o final fica o gostinho de quero mais.

Peek a Boo – A Masmorra dos Coalas é o cartão de visita da Editora Plot! e que belo começo. A edição tem o acabamento muito bonito, capa dura e algumas páginas mostram os primeiros esboços da produção. A Plot! chegou e mostrou que quer ficar no mercado cada vez mais concorrido dos quadrinhos nacionais. O próximo lançamento, que está acontecendo na Bienal do Livro do Rio, é Kombi 95 de Thiago Ossostortos. Que vai seguir o padrão de Peek a Boo, é sucesso garantido.

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Ronda Vermelha: os Justiceiros Policiais de Garth Ennis

Garth Ennis é um roteirista bom em muitas coisas. Em escrever cenas violentas, cenas bizarras, palavrões, momentos caóticos e apoteóticos, criar personagens divertidos e cativantes, entre outras qualidades. Por outro lado, Ennis também é um exímio autor capaz de escrever belas histórias mais realísticas. Histórias de guerra e dramas policiais também são áreas que o roteirista irlandês domina muito bem.

Em Ronda Vermelha, série publicada pela Dynamite e lançada no Brasil pela Mythos Editora, Ennis une os dois lados característicos de suas obras: o teor realístico de suas histórias mais “pé-no-chão”, com o palavreado diferenciado utilizado por seus personagens, protagonizando cenas violentas e divertidas inseridas num drama policial instigante e sedutor.

Ronda Vermelha (Red Team no original) é o nome de uma equipe que age de maneira similar à ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), famosa por “passar criminosos” em suas missões. Composto pelos policias Eddie, Trudy, Duke e George, este destacamento da Polícia de Nova York é especializado em combater o narcotráfico. Após perderem um companheiro da polícia, assassinado por ordem dada pelo gângster Clinton Days, os membros da Ronda Vermelha tomam uma difícil decisão: assassinar a sangue frio, sem deixar provas, o intocável traficante.

Ao longo das sete edições da minissérie, compiladas no encadernado de luxo da editora Mythos, temos o desenrolar das consequências da ação tomada pelos membros da Ronda. Ennis explora muito bem o lado psicológico de seus personagens, apresentando problemas familiares e sociais, seus pontos de vista (mostrados de maneira bem curiosa), e de forma cadenciada vai criando novos acontecimentos que os policias devem encarar.

A primeira atitude dos quatro tiras vai de encontro, obviamente, com quaisquer leis e direitos exercidos sobre os seres humanos, policiais ou não. A forma como os protagonistas agem, a linguagem utilizada (muito bem traduzida por Érico Assis) e seus equipamentos soam todos muito reais, característica que torna a leitura mais profunda e cativante, sem perder o bom humor típico dos textos de Ennis.

O senso de amizade e companheirismo dos quatro personagens da Ronda é bem explorado, e há quadros angustiantes por mérito exclusivo dos balões de fala, contrastando com outras cenas totalmente gore graças às imagens retratadas (esta segunda característica, em menor nível). E parte das muitas qualidades deste divertido quadrinho também recaem sobre os ombros do artista Craig Cermak.

Dono de uma arte simples, sem muitas firulas, mas que cumpre seu papel e se encaixa perfeitamente na proposta desta série, Cermak é um artista estreante que havia trabalhado somente na série Voltron: Year One e em uma edição da revista Liberty Comics antes de produzir Ronda Vermelha. Através de seus desenhos, todos os personagens de Ronda são reconhecíveis, realísticos em muitos sentidos (vestimentas, equipamentos, compleições físicas), e os cenários são bem detalhados e profundos. A impressão é que você está assistindo a um seriado policial.

E o lado Justiceiro adotado pelos policias, que mergulham cada vez mais fundo no sombrio dos acontecimentos, toma rumos que surpreendem. Outros membros da Polícia de Nova York são desenvolvidos (alguns, nem tanto), e a série caminha rumo ao final de forma empolgante, que constantemente cria a impressão de que “vai dar merda.”

Por ser uma série tão sincera e linear, sem muitos plot twists loucos (os últimos capítulos revelam algumas surpresas), Ronda Vermelha pode não agradar quem lê os quadrinhos de Garth Ennis esperando somente o absurdo. Entretanto, esta história, que possui o número perfeito de edições para que não seja muito longa, nem muito curta, é a prova concreta de que Ennis é capaz de escrever ótimas histórias mais simples, com boas premissas e desenvolvimento não-linear.

O encadernado nacional também apresenta as capas originais, por Howard Chaykin, além de extras que mostram um roteiro de Ennis e os esboços e layouts de Craig Cermak. A série ganhou sequência nos EUA, chamada Red Team: Double Tap, Center Mass, que pode ser lançada no Brasil caso o primeiro volume caia no gosto do público, e mais leitores sejam cativados e seduzidos pelos Policias Justiceiros de Ennis e Cermak.

Ronda Vermelha possui 204 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 17 cm com preço sugerido de R$ 69,90. Clique aqui para garantir sua edição com 20% de desconto.

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BATMAN | 7 histórias essenciais do personagem

Batman, um dos personagens mais queridos e populares da cultura pop não ganhou este título a toa. Ao longo de quase 8 décadas, o Morcego de Gotham ostenta uma rica mitologia e inúmeras histórias para contar. Neste artigo listarei as melhores histórias do personagem, que em minha opinião, abordam e exploram sua psique, motivações, e que definem o personagem e fazem ser o que ele é hoje. Uma tarefa árdua com tantos outros ótimos títulos para citar.

BATMAN: ANO UM

Publicado originalmente em Batman #404-407 (1987)

O ponto de partida definitivo para conhecer o personagem. A graphic novel  nos conta os primeiros meses de atuação do Cruzado Encapuzado, ainda inexperiente e aprendendo do jeito mais difícil com seus erros. Também mostra todas as suas motivações que o fizeram dedicar sua vida de combate ao crime. A escrita do mestre Frank Miller e o traço inconfundível de David Mazzucchelli se casam perfeitamente para criar a atmosfera noir da trama.


BATMAN: GUERRA AO CRIME

Batman: War on Crime (1999)

Lançado inicialmente em formato tablóide pela Editora Abril aqui no Brasil no começo dos anos 2000, Batman Guerra ao Crime conta com a dupla dinâmica Paul Dini e Alex Ross, que nos entregam uma obra-prima em todos os sentidos. Na história, vemos um pouco do lado social de Gotham, e os questionamentos sobre o que leva uma pessoa a entrar para o mundo do crime. A arte caprichada de Ross é um dos pontos altos da edição, e nos fazem perder muitos minutos contemplando cada quadro. Recentemente, a Panini Comics relançou Os Maiores Super-Herois Do Mundo em um encadernado primososo, compilando todos os volumes dessa série, incluindo Mulher-Maravilha, Superman, Shazam e Liga da Justiça. 


BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS

Batman: The Dark Knight Returns (1986) por Frank Miller e Klaus Janson

Na história, ambientada em um futuro distópico e autoritário, Bruce Wayne está aposentado há 10 anos de suas atividades como vigilante, após a trágica morte de seu parceiro, Robin (Jason Todd) e de diversas pressões governamentais, que tornara qualquer atividade de mascarados ilegais. O Batman não existe mais e o mundo vive em decadência, a mercê das gangues e da corrupção. Mas agora, com 55 anos, ele se vê obrigado a reviver velhos hábitos e vestir novamente o manto do protetor de Gotham. Uma história atemporal, de relevância histórica, com uma narrativa desafiadora que até hoje influencia os autores e personagens de quadrinhos. É, sem dúvidas, um material indispensável em qualquer coleção.


BATMAN: EGO

Batman: Ego (2000)

Quando o peso do manto começa a fazer pressão em sua mente, o Batman precisa confrontar o seu pior inimigo: Ele mesmo. Darwyn Cooke (1962-2016) é o gênio por trás da leitura fluida, dos desenhos estilizados e também o responsável por te fazer devorar a edição em poucos minutos. Batman Ego é uma história sobre reflexões e questionamentos morais, travada dentro da mente de uma criança traumatizada. Lançada pela  Mythos Editora em 2003, a edição se tornou uma raridade desde então, mas pode ser encontrada em sebos online.


BATMAN: O LONGO DIA DAS BRUXAS

Batman: The Long Halloween (1996)

Se você, assim como eu, adora as histórias de detetive com plot twists de cair o queixo, Batman: O Longo Dia das Bruxas é pra você. O clássico da dupla Jeph Loeb e Tim Sale nos mostra o trio incorruptível de Gotham, James Gordon, Harvey Dent e Batman tentando acabar com a Máfia. Mas um assassino está a solta, agindo sempre nos feriados. Vencedor do prêmio Eisner de 1998, O Longo Dia das Bruxas também serviu de inspiração para Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan em 2008. A continuação direta, Batman: Vitória Sombria mantém o mesmo nível, e pode ser lida imediatamente após. No momento, ambas edições nacionais estão esgotadas. Mas podem ser encontradas em sebos online.


ASILO ARKHAM: UMA SÉRIA CASA EM UM SÉRIO MUNDO

Arkham Asylum: A Serious House on Serious Earth (1989)

Perca sua sanidade! Com roteiros de Grant Morrison e a arte psicodélica e macabra de Dave McKean, Asilo Arkham te leva a uma viagem insana dentro das mentes mais perigosas do mundo. As metáforas e a narrativa intercalada com outra história paralela são outro ponto alto da HQ.  E prepare-se para ver pontinhos coloridos durante alguns dias, a arte de Dave McKean é entorpecedora.


UM CONTO DE BATMAN: VENENO

Batman: Legends of the Dark Knight #16-20

Por baixo da máscara, existe um herói, e por baixo do herói, um humano limitado. Após ser incapaz de salvar uma garotinha de um afogamento, o Morcego decide consumir uma droga que potencializa suas habilidades. Mas, a droga cobra um alto preço, e ele precisa decidir se aceita os seus limites ou se entrega de vez ao vício. Dividida em 5 partes na extinta série Um Conto de Batman da Editora Abril, Batman: Veneno pode ser encontrada apenas em sebos. Uma pena.


(+1 ) BATMAN: LOUCO AMOR

The Batman Adventures: Mad Love (1994)

Batman: Louco Amor é descrita por Frank Miller sendo a“melhor história da década.” E ele não está exagerando. Com roteiros de Paul Dini e os desenhos de Bruce Timm (que dupla!), Louco Amor foi vencedora do Eisner de 1994 como melhor história independente. Ácida e ao mesmo tempo divertida, ela funciona aos moldes da série animada do Morcego. A trama tem como personagem principal a Arlequina, que vê o Morcego como um obstáculo a ser eliminado, para que sua relação com o Coringa finalmente dê certo.

E chegamos ao fim! A tarefa de ter que escolher apenas 7 +1 histórias entre tantos bons títulos nem sempre é fácil, mas acredito que eu tenha me saído bem. E você, adicionaria mais alguma história a lista? Comente e nos dê o seu feedback.

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O nazismo em quadrinhos: conheça ótimas HQs sobre a Segunda Guerra

O nazismo tem retornado aos principais assuntos discutidos na mídia graças às recentes vertentes neonazistas dando as caras nos Estados Unidos, com protestos contra gays, judeus, negros e imigrantes. A ideologia de extrema-direita surgida no final dos anos 30 na Alemanha também é discutida em diferentes formas de arte, como no cinema, nos livros e nos quadrinhos.

Os quadrinhos em especial possuem um longo histórico de representação e batalhas contra os nazistas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos utilizaram as HQs para motivarem as tropas enviadas à Guerra, e personagens como Superman e Capitão América até mesmo lidaram diretamente com figuras como Hitler. A Sociedade da Justiça atuou durante a Segunda Guerra. Na Marvel, temos vilões como o Caveira Vermelha e a Hidra, enquanto na DC Comics temos o Capitão Nazi, vilão recorrente do Shazam. Além dos super-heróis, quadrinhos de guerra também eram populares durante os anos 40 e 50, e grupos como os Falcões Negros surgiram neste período, ao lado de personagens e séries como Soldado Desconhecido, Tanque Mal Assombrado e G.I. Combat, seguindo a mesma vertente. Obviamente, o assunto é muito mais extenso, e poderíamos falar sobre ele por longos parágrafos.

Após (e até mesmo durante) os conflitos da Segunda Guerra algumas obras-primas dos quadrinhos foram surgindo, lidando com o assunto das mais variadas formas. O mercado europeu, em específico, sentiu muito mais o conflito e por conta disso boa parte dos autores são impactados e influenciados pelo tema, além de possuírem muito mais conhecimento histórico que a média de autores de outros países. O Tintim de Hergé, por exemplo, era publicado durante a ocupação da França, e enfrentou problemas como a falta de papel e a necessidade de ser publicado em jornais pró-Alemanha Nazista. Spirou, de Rob-Vel, enfrentou problemas parecidos. Autores da época, na visão menos elucidada de alguns leitores, são assumidos como nazistas, quando na verdade como fator de comparação, o próprio Hergé criou em O Cetro de Ottokar um vilão chamado Mussler, um amálgama de Mussolini com Hitler, e criticou as formas de governo totalitárias em álbuns específicos como A Estrela Misteriosa. O impacto da Segunda Guerra nos quadrinhos europeus também é um assunto extenso e interessante, esmiuçado em literaturas e documentários.

O objetivo deste post é recomendar, com pequenos textos, ótimas obras sobre o assunto, que servem como verdadeiros relatos históricos ou misturam ficção e realidade, e tornam-se fontes de aprendizado para os leitores. Abaixo, segue uma lista de recomendações, com quadrinhos publicados no Brasil e de fácil (ou relativamente fácil) acesso:

Eu Sou Legião (Panini)

Europa, 1942, tempos de Segunda Guerra Mundial. Um ritual de sangue acaba com a morte de Victor Thorpe. O crime se torna um mistério para a inteligência dos Aliados. Enquanto isso, na Transilvânia Romena, uma garota capaz de controlar outros seres vivos à distância está prestes a se transformar na mais poderosa arma dos nazistas

Sorge, O Espião (Veneta)

Mais surpreendente que tantos espiões dos livros de ficção, Richard Sorge mudou a história da Segunda Guerra Mundial. Baseada nas mais recentes descobertas e pesquisas históricas, a alemã Isabel Kreitz criou esse livro, em quadrinhos, que retrata o homem que se tornou uma lenda. E o que ela revela é um herói contraditório, desesperado, bon vivant, mulherengo, mas pronto a morrer pelos seus ideais.

A Busca O Segredo de Família (Cia. das Letras)

A Busca é um abrangente panorama da perseguição nazista e de como as ideias de um homem afetaram de modo tão brutal a vida de milhões de pessoas. Com apenas dezesseis anos, Esther é bruscamente separada de seus pais e refugia-se em uma fazenda no sul da Holanda. Muitos anos depois, em companhia do filho e do neto, Esther visita o lugar que lhe serviu de esconderijo e conta, pela primeira vez, as atrocidades que ela presenciou e viveu durante o Holocausto.

Em O Segredo de Família, fiel aos acontecimentos históricos, pessoas comuns assumem papéis variados – vítima, observador, colaborador, criminoso – e têm que tomar as decisões mais importantes e difíceis de suas vidas. Quando Jeroen vai ao sótão da avó Helena procurar algo interessante para vender, ele descobre o livro de recortes que ela manteve durante a Segunda Guerra Mundial. Esse fato desperta memórias dolorosas, e leva a avó a contar pela primeira vez a Jeroen como foi ser uma menina em Amsterdam durante a ocupação alemã da Holanda e sobre a perda de sua melhor amiga judia, Esther.

Adolf (Conrad)

Mangá de Osamu Tezuka, a história é ambientada antes da Segunda Guerra Mundial e é centralizada em três personagens de nome Adolf. Adolf Kamil é um judeu Asquenaze que mora no Japão. Seu melhor amigo, Adolf Kaufmann, é descendente de japoneses e alemães. O terceiro Adolf é Adolf Hitler, ditador da Alemanha.

Maus (Cia. das Letras)

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros.

1945 (NewPOP)

Mangá de Keiko Ichiguchi, em 1945 Elen e Max são dois irmãos, adolescentes que não gostam nada do estilo dos nazistas, partido que comanda a Alemanha. Além dos dois, há também Alec, que é um dos protagonistas. Elen e Max se conhecem e se apaixonam, mas a guerra entra na vida dos três. Max e Alex vão para a frente de batalha e lutam contra a Rússia. Max fica horrorizado com a violência das batalhas e quando retorna à Alemanha, organiza um grupo de estudantes que passa a distribuir panfletos contra o regime nazista. Por outro lado, Alex entra para a Gestapo, motivado por seu ódio aos judeus. A partir daí você segue pelo roteiro que mostram as dúvidas de todos os principais personagens frente ao conflito da guerra.

A Guerra de Alan (Zarabatana Books)

Esse livro é o relato gráfico da vida do soldado norte-americano Alan Ingram Cope durante a Segunda Guerra Mundial. A graphic novel mostra a fase de alistamento e treinamento do jovem em bases militares norte-americanas, os combates nos últimos meses da guerra na França e Alemanha, e a vida de Alan no pós-guerra na Europa.

O Boxeador (8Inverso)

Narrada pelo ponto de vista do filho do pugilista amador Hertzko Haft, a história de O Boxeador retrata um lado ainda pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial – a prática do pugilismo como forma de sobrevivência em campos de concentração nazistas.

Campos de Batalha (Mythos Editora)

Coletânea de histórias de guerra escritas por Garth Ennis, publicadas pela editora norte-americana Dynamite, este encadernado possui histórias ambientadas no ano de 1942 e lida com esquadrões de bombardeiros, o lado oriental da guerra e todos os dramas de romance e tragédia da época.

A Força da Vida (Devir)

Em A Força da Vida o genial Will Eisner examina as vidas e os sonhos, as esperanças e os temores de personagens comuns que perseveram e sobrevivem à Grande Depressão econômica dos anos 30. Então, em meio a essa luta diária, a ascensão da Alemanha de Hitler projeta sua longa sombra sobre os moradores de um cortiço na Avenida Dropsie.

Era uma Vez na França (Galera Record)

Era uma Vez na França, de Sylvain Vallee, narra a história de Joseph Joanovici, um judeu na França ocupada na Segunda Guerra Mundial que construiu sua fortuna através dos nazistas. Mas qual será a verdade sobre sua história?

Jambocks! (Zarabatana Books)

Jambocks!, de Celso Menezes e Felipe Massafera, apresenta uma bela graphic novel sobre um tema pouco explorado nos quadrinhos brasileiros – a participação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial –, e que envolveu um grande trabalho de pesquisa dos autores, e conta como foram os primórdios da Força Aérea Brasileira e sua atuação na guerra.

O Mensageiro Verde-Cinza (SESI-SP Editora)

Em O Mensageiro Verde-Cinza, história situada em 1942, Bruxelas está ocupada e Spirou atua como um membro ativo da Resistência. Porém o coronel alemão Von Knochen, principal hóspede do hotel Moustic, está prestes a encurralar uma das mais importantes redes da resistência belga.

O Diário de um Ingênuo (SESI-SP Editora)

História situada em 1939, O Diário de um Ingênuo lida com o início da Segunda Guerra, sendo um dos mais premiados álbuns da série Spirou de, mostrando mais do lado e consciência política do personagem e seus coadjuvantes.


No Brasil outras editoras mais antigas, como Abril e Ebal, publicaram histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial. O catálogo de obras que exploram o assunto, tão antigo porém atual, é muito mais extenso. As recentes polêmicas nos EUA, que motivaram campanhas no Twitter onde pessoas publicam cenas antológicas de heróis batendo em nazistas, são retratos claros de como algumas pessoas não aprendem com os erros do passado, e também de como a ‘ideologia‘ preconceituosa ainda é tão forte no mundo, por mais surreal que isso possa parecer.

Cabe a cada um nós, como futura e atual geração, estudar sobre o assunto e tentarmos ser melhores com o passar dos anos, começando hoje mesmo. E como foi mostrado acima, muitas histórias em quadrinhos podem colaborar com essa mudança positiva e até mesmo ensinar história pra muita gente. É só saber onde procurar, evitando que se fale besteira na internet e na vida real.

Agradecimentos especiais ao Pedro “Hunter” Bouça

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Zenith – Volume Dois | A Crise nas Infinitas Terras de Grant Morrison

Após criar sua resposta a Watchmen nas primeiras Fases de Zenith, compiladas no encadernado Zenith – Volume Um, Grant Morrison retornou ao universo da série com o objetivo de expandir sua criação. Em Zenith – Volume Dois, lançamento da Mythos Editora, o escocês e mago do caos converge os elementos apresentados nas histórias anteriores e, com a magnífica escrita típica de suas obras, encerra o arco do super-herói pop star da música com o envolvimento de Terras paralelas, mais criaturas Lovecraftianas e a condenação do universo.

As Fases Três e Quatro de Zenith se opõem às duas primeiras na linearidade. Ao criar seu universo de super-heróis para a revista semanal britânica 2000 AD, Morrison se utilizou de alguns conceitos e metáforas para contar uma história linear, apesar dos elementos bizarros. O surgimento dos super-heróis, recriado como escapismo puro e jovial que serviu para pela primeira vez Morrison transportar-se para os quadrinhos, na persona do protagonista, estabelece as bases para o que vem a seguir: uma verdadeira Crise nas Infinitas Terras dos quadrinhos britânicos.

A Fase Três de Zenith germina as sementes plantadas ao longo das duas primeiras Fases da série. Com o envolvimento dos Multiângulos, dos vilões fantásticos Lloigor e de outros super-heróis, vindos de diferentes Terras (aqui, apelidadas de Alternas), Zenith e Peter St. John devem obedecer às ordens do Maximan de outra Alterna, com o objetivo de destruir o Omniedro e impedir que os Lloigor conquistem todo o Multiverso.

A temática desta história é similar a megassaga da DC Comics, Crise nas Infinitas Terras, publicada poucos anos antes nos Estados Unidos. Morrison estabelece o início de sua história com o uso de um herói velocista, que acaba por se desintegrar, remetendo diretamente ao uso de Barry Allen, primeiro Flash, na história de Marv Wolfman e George Pérez. A carreira de Zenith, neste momento (um ano após os acontecimentos da Fase Dois), está ruindo, e ser envolvido na batalha para salvar o universo é seu último desejo. E aparentemente, também não é algo que os outros personagens queiram: ao longo dos 26 capítulos, muitos dos heróis vão embora, morrem ou revelam-se como vilões. O caos proporcionado pelos Lloigor se espalha e tudo parece perdido, enquanto a última resistência luta para desvendar certos mistérios.

Estruturalmente a terceira Fase de Zenith lembra a ordem dos acontecimentos da primeira, porém o nível do perigo enfrentado é muito maior. Alguns personagens (como Ruby) sofrem mudanças drásticas, novos personagens surgem e, com a arte competente em alto contraste de Steve Yeowell, todas as Alternas e heróis possuem suas características próprias e reconhecíveis. Através do uso da mídia, Morrison transporta para a história alguns de seus temores mais íntimos da infância, como o medo nuclear. E com doses pontuais de bom-humor a história se desenrola para três anos depois, em 1992, com a Fase Quatro, que retorna ao início de tudo.

Lindamente colorida por Gina Hart, a quarta e última Fase de Zenith é uma crônica caótica e imaginativa. No final desta epopeia voltamos às origens dos superseres, com o surgimento de Masterman e Maximan em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, não estamos lá em corpo, mas sim em mente. Morrison traz de volta o criador da Era Heroica, Dr. Michael Peyne, que narra a ordem dos acontecimentos que levaram o mundo ao completo caos, dominado pelos Lloigor.

Neste fatídico fechamento da saga, um show visual que se sobressai quando comparado com as Fases anteriores, a história de Zenith e outros heróis remanescentes da aventura anterior possui doses do que, no futuro, viria a se tornar obras como Authority, onde os heróis passam a intervir nas ações dos seres humanos normais com a vontade de tornar o mundo um lugar melhor. Obviamente, a diferença aqui é clara: os Lloigor mais uma vez estão agindo, e se incubaram no Sol, que tornou-se uma grande esfera negra.

Com viagem no tempo ao futuro e de forma retroativa, e também com leves críticas às diferentes formas de veneração religiosa existentes, a trama da Fase Quatro possui as batalhas mais psicodélicas da série, com lutas mentais e cenas que, graças às cores, enchem os olhos constantemente, até mesmo nos menores quadros.

O segundo encadernado de Zenith fecha todas as tramas criadas desde a Fase Um, com Peter St. John e Robert lidando com o presente e recebendo, cada um, seus merecidos finais após os 14 capítulos da última parte. Um epílogo bem-humorado chamado zzzzenith.com foi produzido, situado no ano 2000 (oito anos após os acontecimentos da Fase Quatro), e brinca com figuras reais e música. Há também um conto ilustrado, escrito por Mark Millar (na época, parceiro de trabalho de Morrison), que faz piadas sobre a existência de tantos super-heróis e nenhum humano simples.

Zenith, desde o início, ressalta a imaginação fértil de Grant Morrison. Sua história tornou-se um verdadeiro cult dos quadrinhos ingleses, e agora republicada na íntegra pela Mythos Editora, com duas belíssimas edições de luxo e tradução de Érico Assis, recebeu o tratamento que merece. Divertida, criativa, escapista e bizarra, a saga do não-tão-herói Zenith se encerra com ainda mais qualidades que a primeira metade, por mais improvável que isso possa parecer. Mas a equipe criativa envolvida, conhecendo cada centímetro deste universo, se superou mais vez. Pelo menos até os Lloigor decidirem voltar…

Zenith – Volume Dois possui 252 páginas encadernadas em capa dura no formato 25,9 x 18,7 cm, com preço sugerido de R$ 84,90. Garanta seu exemplar com 40% de desconto na Amazon.

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Resenha | A Diferença Invisível

A Diferença Invisível é uma história tocante, interessante e didática. Todos os dias interagimos com alguém. De forma automática dizemos “como vai?“, perguntamos se “está tudo bem?” e temos como resposta (por nossa parte ou dos outros) um “tudo!“. Mas o que é esse tudo? Ele existe mesmo?

Por mais que pareçam fortes do lado de fora, por dentro muitas pessoas pedem ajuda. Marguerite é mais uma francesa: Tem seu emprego, namorado, bichos de estimação, tarefas diárias, cuida de sua vida… mas ainda assim se sente desencaixada do resto.

Ela tem dificuldades em realizar ações que para muitos são simples, como se relacionar com colegas de trabalho, viajar, ir à festas, usar roupas de determinados tecidos e até um despertador. Não entende piadas e um fim de semana longe de casa já é um estorvo. A solução encontrada durante grande parte de sua vida foi viver em seu casulo. Mas um casulo, apesar de protetor, é frágil. Em algum momento se quebra e é necessário encarar o que há fora dele.

Graças à esse déficit social Marguerite descobre que tem a Síndrome de Aspenger, uma variação do autismo. Ela não se abate com isso. Finalmente ela está livre e se sente levada a sério e a partir daí começa a se redescobrir.

Todas estas dificuldades vividas por Marguerite e mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo são apresentadas em A Diferença Invisível, publicada no Brasil pela Editora Nemo. A obra traz ilustrações de Mademoiselle Caroline e roteiro de Julie Dachez, que é ninguém menos que a própria protagonista Marguerite.

O número total de autistas equivale a 1% da população mundial. A sua perseverança mostra que não há o que é impossível de se fazer, se sim de ser feito de alguma outra forma. A vida para muitos precisa ser adaptada, e é assim que se segue. Assunto que, aliás, é pouco visto em HQs. Para quem é interessado em pesquisar sobre situações similares, a HQ Parafusos publicada em 2014 pela Editora Martins Fontes segue esta linha.

O uso de cores (que no início da HQ limita-se ao preto, branco, cinza e vermelho) vai se diversificando ao longo da história a cada nova descoberta de si mesma feita por Marguerite. Sua vida agora é outra: mais colorida, apropriada e dinâmica. O traço leve e simples de Caroline denota o tom direto de como o assunto é tratado na obra.

Um anexo chamado O que é Autismo? ao fim da edição esclarece também outros ponto importantes da síndrome. Dachez se tornou uma grande pesquisadora sobre o assunto. Vários textos e trabalhos seus podem ser consultados em seu blog http://emoiemoietmoi.over-blog.com/ (em francês) que ajudam principalmente a quem ainda tem dificuldade em se adaptar a este novo mundo que se revela para cada um deles. No Brasil também há instituições que trabalham para entender, identificar, tratar e a conviver com a situação, seja este indivíduo o diagnosticado ou pessoa próxima, e informações podem ser consultadas em http://autismobrasil.org/por exemplo.

A edição da Nemo não foge do padrão adotado em outras publicações da editora, em formato 24 x 17 cm e 192 páginas com papel offset encadernado em brochura com orelhas e com edição e conteúdo muito fiel à publicação original com preço sugerido de R$44,90, com sua distribuição destinada à livrarias e lojas especializadas. Vale a pena a descoberta, seja você Marguerite ou qualquer outra pessoa.

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Máquinas da Extinção | O retorno da megalomania à Liga da Justiça

Com a chegada de dois novos Lanternas Verdes no setor 2814, um Superman conhecido pelos fãs, mas não conhecido pelo atual Universo DC, a Liga da Justiça ganhou uma “nova” formação no Renascimento. No primeiro arco, as Máquinas da Extinção, temos a invasão da Estirpe, um grupo que surgiu no início dos tempos e veio à Terra para recuperar seus poderes roubados antes que a Praga chegue. É claro que esta é uma situação extremamente adequada para a Liga! Bryan Hitch, que já tinha escrito a equipe em LJA de 2015, agora assume os roteiros da revista principal.

O roteirista nas cinco primeiras edições conseguiu resgatar o clima megalomaníaco da fase de Grant Morrison. Ele não é tão hábil em escrever os personagens como o escocês, mas consegue escrever uma história que cumpre com a função de um quadrinho de super heróis: Entreter. O tom blockbuster hollywoodiano – bem presente nas obras de Hitch – está aqui, mas quem assume a missão de ilustrar o caos e a urgência em salvar o mundo é o desenhista Tony S. Daniel que se destaca nas belíssimas splash pages, o grande destaque é como o desenhista ilustra as cenas de ação do Flash, não o fazendo apenas um borrão vermelho. Ele peca em alguns quadros menores com expressões faciais estranhas, um exemplo disso, é com Jon Kent, o filho do Superman.

Comparado ao início do run anterior escrito por Geoff Johns, Hitch se saiu muito melhor, não fugiu do básico, mas não fez algo genérico e criou um “feijão com arroz” bem feito. Criar novos vilões também foi uma boa ideia, o conceito da Estirpe é ótimo e se fosse melhor aprofundado pelo roteirista, seria um espelho reverso perfeito para a Liga da Justiça, já que os poderes roubados, são os poderes da equipe. Gosto de como ele divide a Liga e não esquece de nenhum núcleo, o melhor deles, é o Superman em uma cena épica dentro do núcleo da Terra! Hitch mostra que conhece os personagens citando eventos anteriores de HQ’s de outros personagens, seja falando sobre a Força de Aceleração ou até mesmo da mitologia de Atlantida com os Cristais do Zodíaco. O roteirista peca um pouco na resolução, é um final apressado e até um pouco preguiçoso. 

Máquinas da Extinção é ótimo para aqueles que sentiam falta da megalomania ou para os leitores que só querem se divertir testemunhando os heróis e seus feitos épicos. Um bom início para a nova fase da Liga da Justiça.

O arco foi publicado no Brasil pela editora Panini nas a edições 1 à 3 da revista mensal da Liga da Justiça entre abril e junho de 2017

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A trajetória do Nirvana em Kurt Cobain: Quando Eu Era um Alien

Saindo originalmente pela editora Urban Comics, na Europa, e adaptado para o Brasil pela Conrad Editora há algum tempo, a HQ Kurt Cobain: Quando Eu Era um Alien se tornou mais um material que mostra uma parte da trajetória do ex-vocalista da banda Nirvana.

Capa da edição nacional

O encadernado foi publicado nos mesmos moldes da história de Amy Whinehouse com um tamanho diversificado dos outros encadernados e bem grande quando comparado ao formato americano (formato mais adaptado para a publicação).

Focando na visão “diferente” de Kurt para com o resto do mundo, podemos ver na HQ todo o inicio da sua trajetória e dos seus traumas desde quando era criança. Diversos conflitos como a separação dos seus pais, seu primeiro contato com a música e pessoas que ele conheceu também são bastante retratados no quadrinho.

Arte interna

Ainda dentro da visão e da cabeça de Kurt, que era bastante difícil de acompanhar, o quadrinho explora tudo ao seu redor, trazendo seu modo de pensar de acordo com o que ia acontecendo com ele. Um ponto bastante importante dentro da história era que como ele tinha uma certa dificuldade de socialização e não se identificava com diversas pessoas, começou a se ver como um extraterrestre, surgindo daí o “Quando eu era um alien“, e sempre que ele encontrava alguém com ideologias e visões parecidas, eram retratados pelo artista Toni Bruno como ETs.

Escrita por Danilo Deniotti e desenhada por Toni Bruno, Quando eu era um Alien não aprofunda em detalhes da vida da banda ou do autor quanto outros materiais publicados por aí, mas serve perfeitamente como um complemento dos mesmos, por justamente apresentar pontos de vista diferentes. Um excelente material de apoio para qualquer fã do ex-cantor.

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Doutor Estranho | Os Últimos Dias da Magia

Os Últimos Dias da Magia é o nome do segundo arco do novo quadrinho do Doutor Estranho que, aqui no Brasil, está sendo publicado pela Panini em formato mensal em um título próprio do Mago Supremo da Marvel.  Pela Panini, o arco saiu entre as edições 3-6 do quadrinho do personagem, que compila as edições de Doctor Strange Vol.4 #6-10 e Doctor Strange: Last Days of Magic #1. O roteiro é de Jason Aaron e arte é de Chris Bachalo, e ainda há participações especiais de outros desenhistas, como Mike Perkins, Danilo Beyruth e Leonardo Romero.

Os Últimos Dias da Magia continua o desenvolvimento do arco anterior (confira o review aqui), apresentando novos personagens místicos e a origem do Empirikul, o novo antagonista do Doutor Estranho que está assassinando a magia em  todo o multiverso Marvel

Um dos aspectos mais divertido dessa história envolve a criação de personagens místicos novos no Universo Marvel. Porém, eles são apresentados, mas não são muito aprofundados ou tem grande relevância na trama, e o mesmo acontece com os feiticeiros já existentes, como a Feiticeira Escarlate e Magia. Há um desenvolvimento superficial dos personagens secundários que poderia ser resolvido se a saga fosse um pouco maior, ou uma mega saga mais abrangente, mas isso não acontece porque o arco se limitou ao Doutor Estranho.

August Wu e Medico Místico, personagens novos.

Um outro aspecto interessante que merece destaque é a nova  abordagem que o Doutor Estranho ganhou nos quadrinhos Marvel a partir desse arco. Com a magia acabando, Stephen Strange agora não é mais tão supremo como já foi um dia, então ele começa a caçar artefatos mágicos com resquícios de magias que talvez o ajudem ele na luta contra o Empirikul, e isso rende momentos de ações bastante divertidos de se ver. Se antes Stephen só balançava as mãos e dizia meia dúzia de palavras para resolver seus problemas, agora, ele usa machados, arco e flechas até mesmo um taco de beisebol encantado.

O Doutor Estranho é um personagem difícil de ser trabalhado. Ele é tão grandioso e poderoso que mal pode se envolver com os outros heróis da Marvel para que seus poderes não destoem dos outros. As ameaças de Stephen precisam ser grandiosas, como o temível Dormammu. Limitar a magia do Universo Marvel foi uma estratégia inteligente para o novo Doutor Estranho, que está mais presente nas histórias em quadrinhos e, agora, precisa lidar com as ameaças a terra com uma magia limitada.

Doutor Estranho e suas armas encantadas

O antagonista da história não é nada grandioso, mas é no mínimo curioso. A origem do Empirikul foi claramente uma referência ao Superman e ainda e envolve um velho dilema entre ciência e magia. Ainda é notável a semelhança desse arco com O Carniceiro dos Deuses, que também foi escrito por Jason Aaron. No fim, a história e o vilão parecem uma paródia muita doida e bizarra do que o escritor fez em Thor. Pode parecer algo negativo, mas isso é um elogio, pois a bizarrice é muito bem vinda para o Doutor Estranho.

Há vários aspectos da trama que causam estranheza, como a resolução da história envolvendo um segredo de Stephen e o preço de se usar magia. Por mais bizarro que pareça, ainda sim funciona porque estamos falando de Stephen Strange. Talvez não funcionasse com outros personagens.

Empirikul

Os Últimos Dias da Magia de Jason Aaron e Chris Bachalo é um arco que causa estranheza, mas é divertido e empolgante com seus mistérios e muita ação. Umas pontas soltas ainda são deixadas para o próximo arco. A ameaça do Empirikul é detida, mas a Magia não é restaurada, ou seja, agora, o Mago Supremo não é tão supremo assim.