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Panini lançará nova coleção histórica do Wolverine

Mais uma fase clássica do Wolverine será republicada aqui no Brasil. A Panini, Lançará ainda esse mês, o volume 6 da Coleção Histórica Marvel, e com o foco no mutante canadense e sua áurea fase nos anos 90, quando sua mensal era uma das mais vendidas da editora. Essa fase foi publicada originalmente por aqui pela Editora Abril.

 

Esse volume reúne momentos memoráveis do Wolverine, com passagens por Madripoor, Japão, Canadá e um embate histórico com a Lady Letal. Personagens como Pigmeu (da Tropa Alpha), a fera Caçador das Trevas, Tigre e até Jean Grey participam das histórias. Confira a sinopse oficial divulgada pela Panini:

“No sexto volume desta coleção, a ganância de um grupo que alega existir uma cura para o câncer numa espécie animal quase extinta em Madripoor o coloca em confronto direto com o Caolho, o que o leva à raiz do problema no Japão! Depois, de volta ao Ocidente, Logan se envolve numa perseguição a um assassino nas montanhas canadenses… onde diferentes tipos de predadores espreitam! E ainda: um confronto com Lady Letal.”

Coleção Histórica Marvel – Wolverine vai reunir as edições #31 a #37 da mensal que tinha como equipe criativa Larry Hama (roteirista) e Marc Silvestri (desenhista).

 

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Diabolik | Editora 85 lança clássico italiano no Brasil

Já está a venda o clássico dos quadrinhos italianos, Diabolik. A Editora 85 realizou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse que foi bem sucedida. Os apoiadores já estão recebendo a edição com suas recompensas.

Diabolik tem como protagonista um anti-herói que tem uma inteligência acima da média e uma audácia incrível. Ele é o homem dos mil disfarces com suas mascaras especiais feitas de plástico, consegue modificar a fisionomia de seu rosto; com lentes de contato coloridas, muda a cor dos seus olhos, e graças a uma infinidade de truques é capaz dos crimes mais engenhosos. Sempre acompanhado de sua parceira Eva Kant. Mas o seu maior algoz Inspetor Ginko vive buscando encerrar a carreira do ladrão.

Criado pelas irmãs Angelas Giussani (1922-1987) e Luciana Giussani (1928-2001) no ano de 1962, Diabolik possui mais de 800 volumes, o que ocasionou o nascimento do subgênero “fumetti Neri”. Suas histórias eram publicadas pela editora Astorina.

Aqui no Brasil, Diabolik foi publicado pela Editora Record em 1991. O volume da Editora 85 reúne quatro histórias publicadas na Itália em 2015, os números #1 a #4 de Diabolik – Ano 54, com roteiro de Mario Gomboli e artes de vários artistas.

Diabolik tem formato 12 X 17 cm, 480 páginas e o preço de R$39,90. Você pode adquirir o no banner abaixo.

 

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Marvel divulga o novo uniforme do Wolverine

A Marvel Comics ressuscitou Logan. E nessa volta, o mutante mais popular da editora, chegou cheio de novidades, um tanto quanto controversas para a maioria dos fãs. Depois de revelarem o seu novo poder, em que as suas garras ficam incandescentes, foi a vez de um uniforme novinho em folha.

O novo traje foi idealizado pelo artista Declan Shalvey após um pedido especial do roteirista Charles Soule. Shavey ainda vai dividir algumas páginas com o desenhista oficial da HQ Steve McNiven. Confira na capa de Return of Wolverine #2:

“Estou muito animado por fazer parte desta história e ter a chance de trabalhar com Charles”, disse Shavey. “Sempre quis desenhar um história do Wolverine. Mas nunca imaginei que seria em um momento tão importante para a mitologia do personagem.”

Charles Soule, em Return of Wolverine, está fechando a sua trilogia com o mutante canadense que começou em A Morte de Wolverine (2014) e seguiu em Hunt For Wolverine três anos depois. Em Marvel Legacy #1, publicada ano passado, foi mostrado que Logan estava de volta, mas o seu retorno estava cercado de mistérios. A trama continuou em quatro minisséries distintas: Adamantium Agenda, Claws of a Killer, Mystery in Madripoor e Weapon Lost. Ao se encerrarem estas, será lançado Hunt For Wolverine: Dead Ends #1, que servirá de prelúdio para o retorno do carcaju.

 

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Palavra Líquida | SESC RJ realizará evento sobre quadrinhos nacionais e internacionais

O SESC RJ está trazendo de volta o projeto A Palavra Líquida. Onde são apresentadas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, cênicas, audiovisual e música), e nessa edição, a quarta do projeto, vai provocar uma reflexão sobre as novas práticas textuais a partis de temáticas relevantes na cultura brasileira. Agora será a vez do mundo dos quadrinhos ser o grande protagonista da programação.

A Palavra Líquida, que terá como tema O Universo dos Quadrinhos, será formado por palestras, workshops, espetáculos teatrais, artes visuais, filmes, apresentações musicais, desfile de cosplay, feira de troca de quadrinhos e muito mais. Tudo isso com participações de nomes como Marcelo D’Salete (vencedor do Prêmio Eisner 2018 com Cumbe), Marcello Quintanilha (que teve seu quadrinho Tungstênio adaptado para os cinemas recentemente), André Dhamer, Fabiane Langona, Rafael Coutinho, Shiko, Gabriela Masson, Mariana Paraizo entre outros.

Entre os nomes internacionais confirmados estão os ilustradores angolanos Tche Gourgel e Olímpio de Souza. Criadores do Luanda International Cartoon Festival. E do português Nelson Dona, diretor do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

O angolano Tche Gourgel é um dos nomes confirmados no Palavra Líquida.

 

Alemberg Quindins, gerente cultural do SESC RJ, revelou que o Palavra Líquida deste ano será o pontapé inicial para um evento internacional de quadrinhos que deverá ocorrer ano que vem. “Estamos planejando para 2019 um grande evento de quadrinhos, em que os artistas participantes assinarão uma carta pela criação de um festival internacional no Rio de Janeiro, assim como os de Portugal, Espanha e França.”

A Palavra Líquida – O Universo dos Quadrinhos começa no próximo dia 24/08 e terá o seu encerramento somente em 02/09. Todas as atividades são gratuitas. Para saber datas e horários de cada uma, clique no site oficial do evento AQUI.

 

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Watchmen – Quem Vigia os Vigilantes?

“Who Watches The Watchmen?” Muito já se falou sobre a maxissérie escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons. Ganhadora de uma honraria especial do prêmio Hugo e do Eisner Award de melhor roteirista, ambas em 1988; marco definitivo e pedra fundamental da cultura pop; obra-prima da carreira de Moore, considerada a história definitiva do gênero de super-heróis e eleita um dos 100 melhores romances do século 20 pela revista Time.

É interessante analisar a gênese de Watchmen e o período em que ela foi escrita, suas referências e escolhas artísticas envolvidas. Alan e Dave foram muito além de criar uma hq realista e sombria. Eles encararam o desafio de criar todo um novo universo para ambientar suas idéias.

Publicada pela DC Comics em doze capítulos entre setembro de 1986 e outubro de 1987, Watchmen foi publicada num período extremamente fértil para os quadrinhos americanos. De uma só tacada, os leitores foram presenteados ainda com O Cavaleiro das Trevas, Batman – Ano Um, Elektra Assassina e A Queda de Murdock, todos de Frank Miller; e ainda o primeiro volume de Maus, de Art Spiegelman, Love & Rockets, de Jaime e Gilbert Hernandez, entre outras obras menores, mas que exploravam o potencial dos quadrinhos, com experimentações inéditas até então. Watchmen fez parte de uma tendência nos quadrinhos americanos de teor mais adulto e realista, que desaguaria anos mais tarde na criação do selo Vertigo.

Alan e Dave, durante uma turnê de divulgação, na loja Sheffield Space Center, Sheffield, Inglaterra.

As mentes por trás de Watchmen se conheceram numa convenção de histórias em quadrinhos promovida pela Marvel Comics em 1980, no centro de Londres, por intermédio do editor Steve Moore. Anos após esse encontro, e já tendo trabalhado juntos em projetos menores, a dupla se encontrava em caminhos distintos: Moore vinha de uma bem-sucedida carreira nas revistas britânicas 2000AD e Warrior, e já havia escrito obras importantes como Halo Jones, Miracleman, V de Vingança e estava no meio de seu fenomenal run na revista do Monstro do Pântano. Gibbons já tinha experiència na 2000AD e na Doctor Who Magazine para a Marvel UK e havia ilustrado a Tropa dos Lanternas Verdes.

Superduperman, a sátira de Harvey Kurtzman e Wally Wood, publicada na MAD em 1953.

Miracleman era uma releitura de um popular personagem inglês dos anos 50 (uma clara cópia do Capitão Marvel da DC). Esse run, publicado na revista Warrior, foi a gênese do que viria a ser Watchmen, que já contava com uma visão pessimista e realista dos super-heróis. Moore conhecia a paródia do Superman, Superduperman, de Harvey Kurtzman e Wally Wood, publicada na Mad nos anos 50, e achava impossível fazer algo realmente interessante com personagens de hqs. Aos poucos, ele percebeu que, se jogasse o mundo real em seus mundos de cores primárias, as coisas podiam se tornar interessantes.

Da esquerda para a direita: Capitão Átomo, Besouro Azul, Questão, Pacificador, Thunderbolt e Sombra da Noite.

Em 1983 a DC Comics adquiriu os direitos de vários personagens da editora Charlton Comics, que estava em processo de falência, e Moore foi escolhido para produzir algo com eles. Inicialmente, ele os usaria em Watchmen, mas a editora achou que eram personagens bons demais para serem usados em apenas uma hq, e Moore e Gibbons acabaram por usá-los apenas como inspiração, criando assim o Dr. Manhattan (inspirado no Capitão Átomo); Coruja (Besouro Azul); Rorschach (Questão); Comediante (Pacificador); Ozymandias (Thunderbolt); e Espectral (Sombra da Noite). O Coruja, aliás, é baseado em um personagem que Gibbons criou na adolescência e tirou da gaveta especialmente para o projeto. Os personagens da Charlton acabaram estreando no mega-evento Crise nas Infinitas Terras (1985) e sendo definitivamente incorporados ao universo da editora.

Artes de divulgação da série.

Foram dois anos (1984-1986) de intenso trabalho para Moore e Gibbons. Mais de 400 páginas de quadrinhos foram produzidas, conceitos e idéias ficaram pelo caminho e outras surgiram. Nesse meio tempo, Moore ainda produziria o arco Gótico Americano, para o Monstro do Pântano, e ainda as histórias Para o Homem Que Tem Tudo (novamente ao lado de Gibbons) para a Superman Annual #11, e o arco O Que Aconteceu Com o Homem de Aço? para as edições Superman #423 e Action Comics #583.

Watchmen se passa numa realidade alternativa, onde os vigilantes encapuzados realmente existiram, na mesma época que surgiram os primeiros super-heróis dos quadrinhos. Mas neste universo, Superman, Batman e os demais heróis caíram no esquecimento pouco tempo depois de estrearem. Já que seus leitores podiam acompanhar heróis de verdade nas manchetes dos jornais, os gibis se focaram em contar histórias de outros gêneros, como os contos sobre piratas, que se tornaram febre nas décadas seguintes.

Da esquerda para a direita: Homem-Mariposa, Dollar Bill, Capitão Metrópole, Comediante, Espectral I, Justiceiro Encapuzado, Coruja e Silhouette.

Os primeiros super-heróis (Coruja, Espectral, Comediante, Capitão Metrópole, Homem-Mariposa, Silhouette, Dollar Bill e Justiceiro Encapuzado) formaram os Minutemen, primeiro grupo de vigilantes mascarados, que foram sucedidos nos anos 60 com os sucessores de Coruja e Espectral e novos heróis como Dr. Manhattan, Rorschach e Ozymandias. Eles atuaram no combate ao crime até 1977, ano em que, para conter os tumultos e protestos da polícia e da população contra os heróis mascarados, o governo aprovou a Lei Keene, que os baniu das ruas. Os únicos que permaneceram na ativa foram o Comediante e Manhattan. Mas essa não é a única diferença entre esse universo e os demais universos dos quadrinhos: Moore segurou o rojão de mostrar como seria se surgisse um super-herói com poderes, e como ele desequilibraria a balança de poder no planeta.

O Dr. Manhattan é o único ser com poderes de Watchmen, mas nada tão simples como capacidade de voo e superforça: além de ser invulnerável, ele simplesmente pode manipular a energia e a matéria em nível subatômico; pode se teletransportar e teletransportar objetos e pessoas; visão microscópica; alteração de escala, entre outros poderes. Além de mudar a economia mundial, com a fabricação em massa de carros elétricos, Manhattan se tornou o dissuasivo nuclear dos EUA, tornando a guerra com os russos muito mais perto do colapso nuclear do que foi em nossa realidade. Moore mostrou como seria impossível que nos universos tradicionais de quadrinhos houvessem tantos superseres e a ciência, tecnologia, sociedade e política permanecem inalteradas.

À Meia-noite, Todos os Agentes…
12 de outubro de 1985. Edward Morgan Blake é espancado e arremessado janela afora de seu apartamento. A investigação da polícia chama a atenção do vigilante mascarado Rorschach, que invade furtivamente a cena do crime e descobre que Blake era o vigilante Comediante.

 

Convencido de que Blake fora o primeiro de uma lista de super-heróis marcados para morrer, ele visita seus ex-colegas de combate ao crime, sendo considerado paranóico por todos. Ficamos conhecendo Daniel Dreiberg, o segundo Coruja; Adrian Veitd, o Ozymandias, conhecido como o homem mais inteligente do mundo; e Laurie Júpiter, ex-Espectral II, e Dr. Manhattan, que vivem no centro de pesquisas Rockfeller.

 

Amigos Ausentes
Durante o funeral de Blake, seus ex-colegas relembram momentos que passaram com ele. Sally Júpiter, mãe de Laurie e primeira Espectral, relembra quando Blake tentou estuprá-la, quando ambos faziam parte dos Minutemen; Veidt recaptula a reunião da nova geração de super-heróis, nos anos 60, onde o Comediante zombou da idéia de que a sociedade poderia ser salva; Manhattan relembrou quando os EUA ganharam a guerra do Vietnã, momento em que Blake matou a sangue-frio uma vietnamita que ele havia engravidado, logo depois dela cortar o rosto dele. E Dreiberg lembrou de quando o Coruja e o Comediante abafaram uma manifestação civil em Nova York, dois anos antes da Lei Keene. Esses flashbacks demonstram a personalidade completamente amoral do personagem, seu desprezo pelas pessoas e sua falta de fé na humanidade.

Esses flashbacks reforçam o contraste do relato do ex-vilão Moloch, que conta a Rorschach que Blake invadiu seu apartamento dias antes de ser assassinado, completamente arrependido de seus atos e em total desespero.

 

O Juiz de Toda a Terra
Se a narrativa de Watchmen já era diferente e ousada nos primeiros capítulos, em O Juiz de Toda a Terra as experimentações de Moore chegam a outro patamar. Intercalando habilmente um garoto lendo um gibi de piratas (uma idéia de Gibbons que se tornou uma trama paralela dentro da trama principal) e os comentários do dono da banca de jornal, Moore faz um excelente uso de metáforas e rimas visuais.

Várias passagens da trama se assemelham a aterradora saga do capitão de um navio naufragado pelo Cargueiro Negro, e sua jornada infernal para retornar a sua cidade natal, Davidstown, que ele acredita, será atacada pelo navio amaldiçoado. A hq, chamada Ilhado, é um paralelo da história de Adrian Veidt e as atrocidades que ele cometeu para atingir um bem maior, como na frase citada pelo náufrago em uma das páginas do gibi: “intenções nobres me levaram a cometer atrocidades”.

Manhattan tem uma discussão com Laurie, que o abandona. Ela se reaproxima de Dreiberg, e nessa mesma noite, Manhattan comparece a uma entrevista numa emissora de TV, onde é encurralado com acusações de ter provocado câncer em seus ex-colegas e amigos, inclusive de sua ex-namorada, Jenny Slater. Isso provoca seus afastamento e consequente abandono do planeta.

 

Relojoeiro
Em Marte, a mente de Manhattan viaja através das décadas. Presenciamos sua adolescência, quando Jon Osterman ainda seguia os passos do pai, que era relojoeiro, até seu ingresso na base de Gila Flats, em 1959, já como cientista; seu primeiro encontro com Jenny Slater; e o fatídico acidente na câmara de testes do campo intrínseco, que o desintegrou totalmente. Em pouco tempo, Osterman retornaria completamente diferente, como um ser com habilidades super-humanas e que provocaria as mudanças mais drásticas no mundo. É interessante ver sua visão sobre sua condição e as reações que sua existência provoca no planeta.

Rebatizado pelo governo como o Dr. Manhattan, ele filosofa sobre seu estado psicológico e o enorme poder que agora tem em mãos, o que prejudica seu relacionamento com Slater e com o resto da humanidade. Indo e voltando no tempo, Moore encarou o desafio de entrar na mente de um ser superpoderoso e revelar suas angústias. Com textos poéticos e carregados de filosofia, como no trecho “Eu vou contemplar as estrelas. Elas estão distantes e sua luz leva muito tempo para nos alcançar. Tudo que vemos das estrelas são suas velhas fotografias”, Relojoeiro é, sem dúvida, um dos mais belos capítulos de Watchmen.

 

Temível Simetria
Em Temível Simetria, a teoria do matador de mascarados se confirma quando Adrian Veidt sofre uma tentativa de assassinato em seu próprio edifício. Rorschach é capturado numa armadilha no apartamento de Moloch e levado para a prisão.

Moore usou um recurso interessante, o espelhamento dos quadros das páginas, as da primeira com a última, e assim por diante, culminando no miolo, onde Veidt desarma o assassino. A elaboração das páginas desse capítulo demonstra o controle que o personagem tem sobre toda a trama de Watchmen.

 

O Abismo Também Contempla
Em O Abismo Também Contempla, é revelada toda a história de Walter Kovacks, o Rorschach, durante várias sessões com o psicanalista Malcolm Long. Através do teste de Rorschach (o famoso teste com manchas de tintas em cartões e que inspirou o nome do personagem), testemunhamos o passado do personagem. Filho de uma mãe que lhe infligia abusos psicológicos e físicos e usava o próprio apartamento para receber clientes, Walter cresceu acreditando que a violência era inerente ao ser humano, e se torna cada vez mais brutal e insensível, o que o leva a se afastar das pessoas.

Seu comportamento lembra o do personagem de Robert DeNiro em Taxi Driver, clássico dos anos 70 que possui algumas semelhanças com a trajetória de Rorschach, principalmente a sua visão do mundo. Aliás, na minissérie Antes de Watchmen dedicada a Rorschach, o roteirista Brian Azzarello promove um curioso crossover com o personagem do filme de Martin Scorsese.

O mais chocante entre os relatos contados por Rorschach é o do sequestro da garota Blaire Roache, que derrubou os últimos pilares de sanidade da mente de Kovacks e que abala profundamente o psicanalista, a ponto de perturbar sua vida pessoal. De longe o capítulo mais sombrio da maxissérie, é nele também onde há uma das frases mais famosas da hq, proferida por Rorschach aos seus colegas de prisão: “ninguém entendeu. Eu não estou preso aqui com vocês. Vocês é que estão presos comigo“.

 

Irmão dos Dragões
O relacionamento de Dan Dreiberg e Laurie Jupiter se intensifica em Irmão dos Dragões, onde Dreiberg conta suas aspirações quando foi o segundo Coruja. Através de um tour pelo seu laboratório secreto, ele conta a Laurie os motivos que o levaram a se tornar um vigilante mascarado e as razões de porquê ele abandonou o capuz. Daniel é um homem quebrado, cujo passado heróico o assombra e também o deprime. Isso fica evidente em sua primeira tentativa de relação sexual com Laurie, e sua subsequente escolha em vestir novamente o uniforme e sair pela cidade a bordo de sua nave, o Arqui.

Laurie o acompanha como Espectral, e depois de quase uma década, o primeiro ato heróico de ambos é salvar os moradores de um prédio em chamas. A noite termina com a consumação do amor do casal e com Daniel enfim se convencendo da teoria de Rorschach, e sua decisão de soltá-lo da prisão.

 

Velhos Fantasmas
É noite de halloween. Hollis Mason e Sally Júpiter relembram do passado durante uma ligação telefônica. Rorschach reencontra velhos desafetos na prisão, como o criminoso Grande Figura e seus comparsas, que o ameaçam de morte. Coruja e Espectral voam até a penitenciária a bordo do Arqui, no momento em que uma rebelião se instaura logo após a morte de um detento que Rorschach agrediu usando óleo quente. Em sua cela, ele se liberta e segue no encalço de Grande Figura, dando-lhe uma lição definitiva. Após o trio chegar ao apartamento de Dreiberg, Manhattan está a espera de Laurie, e lhe diz que os dois terão uma conversa em Marte, para onde vão em seguida.

A noite termina com membros da gangue dos coques invadindo o apartamento de Hollis Mason e dando fim a sua vida de modo violento.

 

 

As Trevas do Mero Ser
Em Marte, acompanhamos uma longa discussão entre Laurie e Manhattan, no relógio flutuante que ele construiu. Ela procura convencê-lo a interceder nas tensões entre EUA e Rússia, enquanto penetra em suas próprias memórias. Em flashbacks, ela se lembra de quando ouviu uma discussão entre sua mãe e seu padrasto e de uma reunião em sua casa de sua mãe e seus antigos colegas dos Minutemen, Hollis Mason, Nelson Gardner, o Capitão Metrópolis e um já mentalmente abalado Byron Lewis, o Homem-Mariposa. Durante um tour pela vastidão do planeta vermelho, Laurie revive o dia em que conheceu o Comediante, e a reação de sua mãe, um misto de raiva e ressentimento. É então que ela descobre a terrível verdade: Blake era seu verdadeiro pai, e sua raiva e tristeza lhe fazem despedaçar o relógio de Manhattan.

Para consolá-la, Manhattan inicia um monólogo brilhante e emocionante, dizendo o quanto estava errado em achar que a vida era sem sentido ou algo extremamente valorizado: sobre o fato de cada pessoa ser única em sua existência, como um milagre termodinâmico, exemplificado no trecho onde ele diz “Mas o mundo é tão cheio de pessoas, tão repleto desses milagres, que eles se tornam lugar-comum e nós os esquecemos”. Esse é certamente um dos trechos mais poéticos não só do capítulo em si, mas de toda a hq.

 

Dois Cavaleiros Se Aproximavam
De volta à Nova York, Coruja e Rorschach retornam aos velhos tempos ao pressionar a bandidagem no submundo. Eles descobrem que a empresa Entregas Pirâmide está envolvida com o homem que tentou assassinar Veidt. Coruja descobre que Hollis Mason foi assassinado. A dupla decide avisar Adrian, invadindo seu prédio na calada da noite.

Para surpresa deles, descobrem que Veidt não apenas é o dono da Entregas Pirâmide, mas que também ele é o homem por trás de tudo que vem acontecendo. Partem então para Karnak, o retiro dele no ártico. Após um pouso forçado na neve com sua nave, Coruja e Rorschach são observados por Ozymandias e sua lince alterada geneticamente, Bubastis, assim que se aproximam de sua base.

 

Contemplai Minhas Obras, Ó Poderosos…
Em uma estufa verdejante encravada no meio do gelo ártico, Adrian Veidt relata a seus empregados toda sua trajetória até aquele momento. Seus pais morreram quando ele era adolescente e ele iniciou uma jornada seguindo os passos de Alexandre, o Grande, seu maior ídolo. Estudando durante anos pelas mais diversas filosofias, Adrian moldou o que viria a ser sua persona heróica e seu sucesso no mundo dos negócios. Após eliminar as últimas testemunhas de seu grande plano, ele se retira para jantar, quando Coruja e Rorschach lhe atacam mas acabam derrotados.

Adrian lhes explica todo seu plano, desde a reunião frustrada dos novos vigilantes mascarados, nos anos 60, onde o Comediante lhe abriu os olhos para o terrível futuro da humanidade, coberta sobre as cinzas da devastação nuclear, caso ele não agisse para impedir; sua aposentadoria dois anos antes da lei Keene e suas pesquisas para neutralizar Manhattan, causando câncer em seus amigos e conhecidos afim de abalá-lo psicologicamente; como sequestrou e usou dos talentos de artistas e cientistas, eliminando-os logo depois, em uma explosão num navio que os tirava da ilha onde ficaram isolados durante a criação de uma nova forma de vida; de como se livrou do Comediante, que havia descoberto o plano de Veidt quando pôs os pés na ilha quando voltava de uma missão para o governo; e por fim como contratou o assassino que tentou lhe matar, e como o calou usando uma cápsula de cianureto.

Achando tudo aquilo uma enorme insanidade, Coruja tenta convencer Adrian a desistir de seu plano, mas é tarde: Adrian o colocou em prática meia hora antes. Todos os personagens secundários que perambulavam nas esquinas onde ficavam a banca do jornaleiro e do garoto do gibi de piratas, como a taxista e sua namorada, o vendedor de relógios e o dr. Malcolm, são cobertos pela mais completa luz branca, concretizando assim o plano do homem mais inteligente do mundo.

 

Um Mundo de Amor Mais Forte
Meia-noite. Em painéis gigantes, vemos a destruição causada pela chegada do monstro criado por Veidt. Manhattan e Laurie chegam ao local logo depois, e Manhattan sente um forte pulso de partículas táquion vindo do Pólo Sul, e eles se teleporta para lá. Ao chegarem, Veidt é seguido por Manhattan, que usa um subtrator de campo intrínseco para desintegrar o herói. Convencido de que havia triunfado, Adrian não contava que o herói pudesse se reestruturar e retornar para impedí-lo.

É nesse momento que ele mostra a todos os frutos de seu plano: o cessar do conflito nuclear e os esforços do mundo em ajudar os EUA após a chegada do falso alien. A paz criada através de uma grande mentira deixa os heróis desestabilizados.

O único que decide não cooperar numa farsa é Rorschach, que parte de Karnak determinado a revelar toda a verdade. Mas é impedido por Manhattan, que o desintegra. O herói entende, sem julgar ou condenar, que os atos de Adrian de fato pararam o relógio do juízo final. Depois de todos esses acontecimentos, ele decide deixar a Terra, em busca de outra galáxia menos complicada. Veidt é deixado com o peso de seus atos sobre os ombros.

No fim, Dreiberg e Laurie visitam Sally, onde a ex-Espectral fica sabendo que a filha sabe sobre sua paternidade. Vemos que Sally, apesar de tudo que aconteceu no passado, amava a filha e tentou fazer de tudo para que ela fosse diferente do homem que a gerou.

 

A conclusão de Watchmen merece um capítulo a parte. Len Wein, que era amigo de Alan e editou os sete primeiros números da hq, teve uma discussão com o roteirista, pois achava que o capítulo final era uma cópia de um episódio da primeira temporada da série de TV Quinta Dimensão, exibida em 1963. No epísódio Os Arquitetos do Medo, da primeira temporada, um grupo secreto de cientistas criam em laboratório um falso alien e convencem a humanidade de que ele é parte de uma invasão alienígena, com o intuito de forçar um acordo de paz entre os governos á beira da guerra nuclear. Confrontado pelo editor, Moore admitiu o plágio, mas manteve sua versão. “Eu detestava na época e continuo detestando”, disse Len anos depois. Em 2013, para a minissérie Antes de Watchmen do personagem Ozymandias, Wein se referiu ao episódio, numa clara alfinetada a Moore.

Cena de “Os Arquitetos do Medo” (30 de setembro de 1963).

Aliás é do falecido cocriador do Monstro do Pântano uma das melhores sacadas da maxissérie: inicialmente planejadas para uma sessão de cartas, as últimas páginas ganharam seu excelente material extra porque Wein achava injusto com os leitores que escrevessem para as últimas edições, pois nunca teriam suas cartas publicadas, devido ao fato da publicação ser uma série limitada. Moore expandiu a idéia do amigo para uma série de complementos (capítulos do livro fictício Sob o Capuz, de Hollis Mason; anotações; prontuário do dr. Malcolm Lang sobre Rorschach; entrevista com Ozymandias, etc), que acabaram se tornando informações preciosas sobre a trama principal.

Imagem do primeiro capítulo do livro fictício Sob o Capuz, de Hollis Mason.

Alan e Dave, desde o início, queriam que Watchmen fosse visualmente diferente de qualquer hq daquele período. Em sua primeira edição, a capa trazia o título na vertical, sem uma cena de ação nem nenhum personagem em uma pose de ação clichê, apenas com o bótom do smile sobre um rio de sangue; as cores de John Higgins, um amigo de Gibbons que já havia trabalhado na 2000AD, que adotou uma paleta de cores secundárias perfeitamente casada com o clima da hq; e a ausência de balões de pensamento e onomatopéias.

As capas das doze edições originais americanas.

Em O Juiz de Toda a Terra, Moore percebeu que estava lidando com uma nova forma narrativa. A maneira como os quadros rimam, espelhando posturas de personagens, enquadramentos e ângulos de câmera inusitados, são um dos pontos altos da série.

O garoto Bernie em uma de suas leituras de “Ilhado”.

Falando em inovações, Gibbons sugeriu a Moore usarem o painel de 9 quadros clássico para ditar o ritmo de Watchmen. Esse esquema já era usado no Homem-Aranha de Steve Ditko e nas histórias de Harvey Kurtzman, da EC Comics. Isso deu a Moore um controle mais preciso sobre o ritmo e a justaposição dos elementos da história, e é interessante como qualquer alteração nesse ritmo causa um efeito impactante, exemplo disso é revelar o perfil psicológico de vários personagens da trama. As páginas em que Rorschach aparecem usam o recurso da grade de nove quadros, que demonstra como ele é incapaz de expressar sentimentos. Em Relojoeiro, os quadros apresentam uma variação intensa de painéis, devido a forma que Manhattan viaja entre passado, presente e futuro.

Página do Aranha do Ditko; página de Kurtzman; e Watchmen.

Apesar do clima pesado e violento que permeia cada página de Watchmen, Moore adora os super-heróis, suas tradições e sua cultura. Um exemplo disso é o cachorro de estimação de Hollis Mason, o primeiro Coruja: batizado de Fantasma e usando uma máscara assim como o dono, ele é uma homenagem a Ace, o Cão-Morcego, presença constante nas hqs do Batman nos anos 50.

Fantasma e Ace, o Cão Morcego.

Mais de 30 anos após sua publicação original, Watchmen vem sendo reimpressa desde então. No Brasil, foram seis vezes: três pela editora Abril (minissérie em seis edições e encadernado entre 1988-1989 e minissérie em 12 edições em 1999; minissérie pela Via Lettera em 2005-2006; e encadernado em duas partes em 2009 e em capa dura de 2011 em diante). Fora as minisséries prequels Antes de Watchmen, em 2012, e a atual Doomsday Clock, que integra os personagens da hq no mesmo universo da DC.

As 12 edições da versão da Abril, 1999.

Watchmen teve várias tentativas de transformá-la em filme. No final dos anos 80, Terry Gilliam tinha um projeto baseado na hq, que contava com Arnold Schwarzenegger como Dr. Manhattan. Anos depois, Paul Greengrass queria adaptar a história aos anos 2000. E finalmente, Zack Snyder encarou a empreitada num filme cuja versão estendida possui mais de três horas e meia de metragem, numa versão mais fiel possível ao material original. A rede HBO está preparando a sua versão, em formato minissérie e apenas inspirada na obra.

“Quem Vigia os Vigilantes?” Todos nós, leitores, quando abrimos a hq e acompanhamos a odisséia de ficção científica criada por Alan Moore e Dave Gibbons.

 

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Drowned Earth é a nova saga do Aquaman e da Liga da Justiça

Entre outubro e novembro, os títulos Liga da Justiça e Aquaman realizarão um crossover. Drowned Earth, será uma história dividida em 5 partes, escrita por Scott Snyder, James Tynion IV e Dan Abnett. Na trama, um novo panteão de deuses do mar surge e invade a Terra, a inundando. A HQ também explorará a origem de Atlântida e trará a morte de um deus. Confira as capas de cada edição, divulgadas com exclusividade pelo Comic Book Resources:

Os roteiristas Scott Snyder e James Tynion IV falaram um pouco sobre o evento e divulgaram um grande spoiler:

“Em Liga da Justiça #8, Arraia Negra e Mulher-Leopardo matam Poseidon. O assassinato faz parte do grande plano de Luthor em desbloquear A Totalidade.” – disse Snyder.

“Eles (Os deuses do mar) desencadeiam uma inundação cósmica sob essa água mágica a qual pode transformar qualquer um o qual entre em contato com ela, em uma monstro versão aquática de si mesmo.” – explicou Tynion IV.

Drowned Earth começará a ser publicado ao final de outubro. O crossover será composto por Justice League/Aquaman: Drowned Earth #1, Justice League #11, Aquaman #42, Justice League #12 e Aquaman/Justice League: Drowned Earth #1. Para saber sobre tudo o que acontece na Editora das Lendas, fique ligado na Torre de Vigilância.

 

 

 

 

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Já estamos vivendo a era dos Deuses Americanos “tupiniquins”

Deuses Americanos é uma das obras mais icônicas de Neil Gaiman. Ela é um dos clássicos do autor e é colocada quase no mesmo patamar de sua fase em Sandman. Publicado originalmente como livro em 2001, Deuses Americanos tem no seu currículo o Prêmio Hugo e o Prêmio Nebula, ambos na categoria Melhor Romance, em 2002. De lá pra cá, Gaiman chegou comentar que tem ideias para uma continuação, em 2017 ganhou adaptações para a TV e os quadrinhos.

Eu nunca tive contato com o livro e nem com a série da TV. Os quadrinhos foram lançados nos EUA pela Dark Horse Comics e foi dividida em três arcos: Shadows, My Ainsel e The Moment of the Storm, totalizando 27 edições. Aqui no Brasil, foi a Editora Intrínseca que segurou a responsa de publicar a obra, e vai realizar em três volumes. Em abril desse ano, chegou às livrarias Deuses Americanos – Volume 1 – Sombras, onde temos o ponto de partida das aventuras de Shadow Moon.

A trama, já muito conhecida por todos, fala sobre a guerra entre os deuses tradicionais que estão perdendo espaço para os novos mitos como a internet e os programas de TV, e caindo no esquecimento pelas novas gerações. O próprio Neil Gaiman produziu a adaptação para os quadrinhos, que tem roteiros de P. Craig Russell (que já trabalhou com Gaiman adaptando Coraline e fez os desenhos de Ramadan, publicada em Sandman #50) e desenhos de Scott Hampton.

Uma obra de tanto tempo e tão conceituada, já com inúmeras resenhas, escrever sobre ela, é como chover no molhado. Durante a leitura, minha mente viajou de como a obra se assemelha com a realidade. Como chegamos ao ponto de “endeusar” pessoas ou objetos que ditam a moda hoje em dia.

O fanatismo sempre existiu nas pessoas. Fãs que colecionam tudo, sabem tudo, conhecem tudo, se vestem igual, buscam ter mesmo pensamento, trejeitos e até modo de falar não é novidade. O fato de termos um ídolo, ou alguém que possa nos inspirar, não é todo ruim. É saudável até o ponto em que não perdemos nossa identidade, e a inspiração possa ser construtiva.

Hoje em dia, temos verdadeiras legiões de fãs que colocam em pedestais músicos, Youtubers, jogadores de futebol e políticos. Entretanto, muitos, me arrisco a dizer em sua maioria, são pessoas vazias, com pensamentos mesquinhos, que levantam multidões e introduzem ideais duvidosos no coletivo. Vemos diversos casos desses novos influenciadores/deuses modernos tem atitudes preconceituosas, escandalosas e mesmo assim as legiões de adoradores crescem cada vez mais. E como se deuses raivosos antigos, que punem, mas mesmo assim ainda continuam sendo adorados.

Em Deuses Americanos, os antigos deuses estão “morrendo” porque as novas gerações não pagam mais tributos, preces e não clamam por eles. Eles foram trocados por novos influenciadores modernos. O quadrinho em que a Lucy, do seriado I Love Lucy, fala que a TV é um tipo de Deus, e que as pessoas fazem sacrifícios para ela é a melhor explicação sobre o que está acontecendo. Na real quando as pessoas idolatram um Youtuber que prega algo que seus pais lhe ensinaram como errado, é o mesmo processo. Como por exemplo, um caso recente de um desses astros, que falou que fez sexo sem consentimento da sua namorada. Muitos condenaram a situação, mas existiu quem defendesse o rapaz.

Estamos vendo um novo processo de endeusamento. A moda ditando regras sempre aconteceu, mas a velocidade da informação hoje em dia é incrível. Um jogador de futebol que pinta o cabelo de manhã, de tarde já temos vários jovens fazendo o mesmo e defendendo ferrenhamente nas redes sociais o seu ídolo. O que está mais na moda, até por causa da proximidade das eleições, tem ficado insuportável a quantidade de pessoas defendendo candidatos A ou B. Estamos vendo amizades de anos se transformarem em ódio por causa de candidatos. Mas ninguém se preocupa em compartilhar as ideias e planos para o futuro de seu preferido.

E hoje em dia simplesmente aceitamos o que nos é passado.

Exatamente o que acontece com Shadow em Deuses Americanos. O protagonista não questiona nada que lhe é apresentado. Ele aceita e executa. Não se preocupa nem se instiga com o que está acontecendo ao seu redor, por mais absurda que a situação seja. Ele tem a dor da perda da esposa e pode ter ligado o foda-se. É algo como o pensamento daquele deputado: pior que está não fica.

Quantas vezes já pensamos nisso?

E assim como as informações são rápidas, Deuses Americanos é uma HQ em movimento. Não vemos sempre o mesmo cenário sempre e não conseguimos mensurar o que pode acontecer o que vem a seguir. A narrativa vai contextualizando, renovando, reinventando e apresentando algo novo para o leitor. A batida filosófica que Neil Gaiman implanta é forte, e transborda nas páginas da HQ. Ela não é uma leitura fácil às vezes, detalhes e excesso de diálogos dos personagens prendem mais do que o normal de uma HQ, digamos, comum.  Como eu não li a obra no formato original, acredito que esteja bem adaptado. A impressão que passa é que o carinho com a produção foi prioridade. E que tudo, ou a grande maioria, do que está no livro, foi transportado para a HQ.

Deixo alguns destaques para as pequenas histórias/contos que são espalhadas por Deuses Americanos. Do relacionamento dos humanos com os antigos deuses. Todas são interessantes. E obviamente a arte. As ilustrações que dividem os capítulos são divinas. Os traços são bem realistas, expressivas e alguns momentos assustadores. Mas apesar de buscar um ponto de realidade, o tom caricato dos personagens não se perde. A edição de Deuses Americanos da Intrínseca, ainda conta com 20 páginas de esboços de artes e notas.

Deuses Americanos tem formato 26 x 16,8 cm, 264 páginas e no link da Amazon Brasil abaixo está com 64% de desconto.

 

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Imaginário Coletivo | Conheça a primeira HQ nacional da Darkside Books

Está sendo lançado, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a HQ Imaginário Coletivo do quadrinista, ilustrador e animador Wesley Rodrigues. A publicação é a primeira da linha DarkSide Graphic Novel, da DarkSide Books. Imaginário Coletivo é a primeira investida da editora no mercado nacional de quadrinhos.

Imaginário Coletivo é uma fábula sobre liberdade e força de vontade. Onde acompanhamos as aventuras de uma vaca que tem um sonho peculiar: ela queria ser um pássaro. Ou seria ela um pássaro que nasceu como vaca? Durante toda a viagem, a pergunta é: será que sou tudo aquilo que poderia ser?

Confira uma pequena prévia e a capa de Imaginário Coletivo na galeria abaixo:

 

Em 2011, Imaginário Coletivo venceu o Primeiro Prêmio Barba Negra Rio Comicon de Quadrinhos Brasileiros. A obra seria publicada pela extinta editora Barba Negra, mas isso nunca aconteceu.

O autor Wesley Rodrigues é uma das maiores referências em animação do Brasil. Ele foi o grande homenageado na edição deste ano do Anima Mundi. O seu curta Faroeste – Um Autêntico Western ganhou uma menção honrosa no festival Sapporo no Japão.

Imaginário Coletivo tem o formato 16 x 23 cm, 427 páginas, capa dura e o preço de R$ 69,90.

 

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Artemísia – O Muiraquitã Original já se encontra em financiamento no catarse

Já começou a campanha de financiamento coletivo via Catarse de Artemísia – O Muiraquitã Original Vol.1. Escrita por Francélia Pereira, a HQ é baseada no terceiro capitulo da Light Novel Habitantes do Cosmos de autoria da mesma. Completam o time Ton Lima nas artes e Wesllei Manoel nas cores. Artemísia, a guerreira venusiana, sai em busca do Muiraquitã Original, aventura que herdou de seu antigo mestre.

Artemísia é uma jovem que nasceu em uma sociedade isolada do resto da humanidade, onde os homens eram criados para se tornarem guerreiros respeitados em todo o Sistema. Após ser sequestrada ainda quando criança, ela cresceu nas ruas e se tornou uma guerreira temida por todo o Sistema. Em certo momento da vida, ela sai em busca de autoconhecimento e nessa fase se torna discípula de alguns sábios.

 

O Muiraquitã Original é na verdade uma busca por uma cura interior, uma busca por autoconhecimento, e a mercenária terá em seu caminho desafios, terríveis inimigos e poderá definir guerras, espalhadas pelo Sistema Solar. Artemísia também irá se encontrar com algumas divindades femininas, chegando a ter elas ao seu lado nas batalhas.

O projeto é uma Graphic Novel que será dividida em dez capítulos. O primeiro volume reunirá os dois primeiros capítulos. O lançamento oficial será durante a CCXP 2018.

Artemísia – O Muiraquitã Original tem formato 16 X 23 cm e 44 páginas. Confira AQUI o projeto no Catarse com suas recompensas e valores.

 

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Inferno | Panini publica saga histórica dos X-Men

A Panini está lançando um dos clássicos dos Mutantes da Marvel. X-Men: Inferno marcou época e é considerada como uma das melhores sagas da Casa das Ideias. Lançada originalmente em 1989, sendo capitaneada pela dupla Chris Claremont e Marc Silvestri, ela se ramificou por diversos títulos mutantes como X-Factor, Novos Mutantes e Excalibur. Foi nela que os X-Men originais atuaram junto com a atual formação da equipe. Suas consequências ecoaram por todo o Universo Marvel.

“Os X-Men estão mortos. Ou pelo menos é isso que eles querem que o mundo pense. Na verdade, a maior equipe de mutantes está viva e se aventurando pelo outback australiano enquanto tenta manter sua existência oculta de todos. Ao mesmo tempo, os Novos Mutantes tentam lidar com luto pela morte de Cifra (Doug Ramsey) e enfrentam a Força Federal. O X-Factor se alia à Nave Celestial de Apocalipse e enfrenta Infectia. Mas, enquanto os três grupos combatem seus oponentes, algo se avizinha e ameaça a Terra. E se não tomarem cuidado, as chamas do próprio Inferno vão alcançar os X-Men.”

Aqui no Brasil, a saga foi publicada entre agosto e novembro de 1992 na revista X-Men 46-49 pela editora Abril.

X-Men: Inferno – Vol. 1 tem formato 26 X 17 cm, 276 páginas e reúne as edições X-Factor 27-29, X-Terminators 1-4, Uncanny X-Men 228-230 e New Mutants 62-66.