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O Melhor que Podíamos Fazer Amassa o seu Coração para Depois te Amar

Amassar o seu coração em uma viagem temporal. Essa deve ser a principal proposta de O Melhor que Podíamos Fazer, Graphic Novel autobiográfica de Thi Bui, publicada aqui no Brasil pela Editora Nemo. A história me levou às lágrimas algumas vezes, me trouxe aflição, me deu asco e me encheu de esperança. Uma saraivada de sensações e sentimentos na história da sofrida família.

Thi Bui escreve e desenha O Melhor que Podíamos Fazer, que começa com a protagonista em trabalho de parto acompanhada por sua mãe Má e por seu marido Travis. As primeiras impressões de conflito de gerações já começa ali, com sua mãe e seus ideais e costumes diferentes em relação a maridos. Thi, com muita maestria, começa a contar a história de sua família e de seus seis irmãos. Uma viagem do tempo regressa, somos apresentados a cada nascimento e como cada costume atingiu cada um de seus irmãos. E ao mesmo tempo, a ser contada a biografia da mãe, acabamos assumindo a sua visão e sentimentos. E é nesse momento que as coisas ficam mais tensas para o leitor.

Má é uma mulher criada com os costumes orientais no Vietnã. Com as mazelas daquele país. E sentimos em cada nascimento. Em cada aperto, perda, alegria ou como ela se vira com o seu marido Bô. A narrativa apresenta um pai frio e orgulhoso. Às vezes o olhamos como o “vilão” da história. Mas quando voltamos no tempo e acompanhamos a vida de Bô, com sua infância extremamente difícil,  sem muitas esperanças, começamos a ter uma certa empatia e passamos a entender sua frieza. E em meio essa salada de emoções temos a Guerra do Vietnã como personagem e fato que faz todo o destino da família mudar.

A família vai para o s EUA e começa uma jornada entre fagulhas de esperança por uma vida melhor e mais próspera, misturada com a convivência com o ódio e xenofobia. Agressões físicas, morais e trotes telefônicos de mau gosto são rotineiros e convivem com as crianças. E cada uma leva um jeito para reagir sobre cada caso. E não somente pesam sobre seus ombros e mentes infantis os casos de violência racial, mas também o convívio com o pai.

Thi Bui

O Melhor que Podíamos Fazer também não se prende somente aos dramas de Thi Bui e sua família. A Graphic Novel é uma aula de história. Os detalhes do Vietnã, desde sua colonização, passando por uma época da Segunda Guerra Mundial, e culminando no famoso conflito da década de 60 são ricos e de fácil entendimento. Mas a “aula” se dar mesmo quando vemos que cada período histórico, cada fato, atinge e influencia o seu povo. E como sempre durante décadas a família de Bui é atingida por esses fatos. Como um grandioso fantasma, o Vietnã assombra até mesmo quando a família vai para os EUA fugindo da guerra.

Mas como uma narrativa sensível, O Melhor que Podíamos Fazer é uma leitura esperançosa. E a esperança começa no início da Graphic Novel com o nascimento do bebê de Thi. E como a família se renova. Como o mundo se refaz. E como todo nascimento temos um novo começo, mas com a sabedoria do passado. O Melhor que Podíamos Fazer faz jus ao nome, mas não por conformidade, e sim que apesar de tudo, de todas as dificuldades, tentamos fazer o melhor.

Já pensou em levar isso para a sua vida?

Em tentar fazer o melhor que se pode fazer?

 

 

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Canil | O Terror e Agonia Que Amadurece a Trilogia Carniça

Canil é um amadurecimento. Ou pelo menos tem um gosto de amadurecimento. Além do sabor de horror e sangue. Mas a HQ que encerra a trilogia de terror de Marcel Bartholo e Rodrigo Ramos abrilhanta com uma evolução a série que começou em Carniça, continuou em Lama e termina agora. Essa parceria, uma das mais talentosas dos quadrinhos nacionais na atualidade, rendeu o selo Carniça Quadrinhos, abrindo um leque para o horizonte nas produções do gênero.

O amadurecimento que Canil traz para a trilogia, e muito fundamentada com a base da ousadia. A série tem essa marca de criticar e expor mazelas da sociedade e dos maus tratos de seus governantes ou então das grandes empresas e seus conglomerados milionários. Canil não fica atrás e apresenta uma critica social onde envolve, política, ego, abuso de menor, crime organizado e o corrupto sistema carcerário. E no meio disso tudo ainda temos espíritos e o mito da licantropia sendo explorado. E com uma ousadia de inovar em um lobisomen original, monstruoso e único.

Fica impossível analisar o roteiro de Rodrigo Ramos sem mesclar com a arte de Marcel Bartholo. Impossível. Assim como queijo com goiabada, é incrível como eles se completam. O roteiro do Rodrigo é reto e sem firulas. Você assimila bem o que está sendo proposto principalmente na metáfora do Homem e a Besta-Fera Interior. Um rapaz condenado vivendo em uma prisão, quando na realidade a verdadeira prisão é ele mesmo. A agonia, o medo e o prazer depois de transformado é repassado na narrativa de Canil. Assim como o pavor dos outros detentos e oficiais da prisão.

E todo esse horror, agonia, terror e prazer depois da transformação, é bem reproduzida na arte do Marcel Bartholo, que está entre um dos melhores desenhistas nacionais. O olhar profundo e sem esperança do jovem amaldiçoado é como uma prisão, um canil, durante a sua estadia na cela enquanto luta contra o seu monstro interior e entrega sua desistência para a vida exterior. Os obscuros cenários com o tom vermelho sangue, em alguns momentos incomoda. Passa desconforto. Como toda prisão brasileira passa com seu falido sistema. É tenebroso e assustador a sequência após a transformação e o Lobisomem atacando os outros presos e guardas.

Como dito antes arte e roteiro fazem um casamento perfeito em Canil, e acaba transformando a HQ na mais madura em termos de roteiro e arte da Trilogia. Assim como Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo repassam esse amadurecimento para o leitor com uma história que traz critica social, terror e repulsa. Tradicional característica da Trilogia Carniça.

Carniça, Lama e Canil podem ser adquiridas no site e pelas redes sociais dos artistas. Links abaixo:

marcelbartholo.com

facebook.com/CarnicaHQ

 

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Sherlock Time, obra de Oesterheld e Breccia, finalmente chega ao Brasil!

A editora Comix Zone está em plena campanha de lançamento de Sherlock Time, HQ argentina é o primeiro trabalho em conjunto dos icônicos Hector Germán Oesterheld e Alberto Breccia, Mort Cinder,  Che – Os Últimos Dias de um Herói, O Eternauta 1969 e muitos outros. O Eternauta, aliás, também publicado pela editora aqui em terras tupiniquins.

Na trama, Julio Luna é um recém aposentado que compra uma mansão por um preço muito baixo, e logo descobre que há coisas estranhas acontecendo ali. Envolto de tanto mistério, Lina tromba com um jardineiro que lhe avisa que a casa é mortalmente amaldiçoada. Esse jardineiro é Sherlock Time que entra em cena e revela que a mansão é na verdade uma nava espacial preparada para capturar humanos para experiências alienígenas.

 

Sherlock Time foi publicado originalmente na revista Hora Cero entre 1958 e 1959, em onze histórias com casos como “monstro da semana”. Como é de costume de Oesterheld, episódios curtos que vão lentamente apresentando detalhes dos personagens. Essa obra é um dos trabalhos de Oesterhld com a maior influência do escritor argentino Jorge Luís Borges, mas é possível perceber elementos de Edgar Alan Poe e Conan Doyle na trama, que é misteriosa, cheia de armadilhas para os humanos, que só Sherlock parece conhecer e que de alguma forma o mesmo parece ser um grande defensor da humanidade. Mas ao mesmo tempo não sabemos quem é Sherlock Time, sua origem, do que ele é capaz e nem se ele é realmente humano!

Sherlock Time é também onde podemos ver a arte de Breccia dar os primeiros passos do seu estilo de claro e escuro que se tornaria marcante na sua carreira.

Sherlock Time tem formato 29,2 x 21,2 cm, 176 páginas e já pode ser adquirido na Amazon Brasil.

Mais recentemente o perfil Fora do Plástico divulgou que o próximo lançamento da Comix Zone será a HQ Boca do Diabo. A obra marca a estreia do desenhista François Boucq, que assina o quadrinhos com Jerome Charyn. A graphic novel é inspirada no romance de Herman Melville e narra o recrutamento de um jovem ingênuo e talentoso pelo serviço secreto soviético. Para informações sobre o começo das vendas de Boca do Diabo, fique ligado na Torre de Vigilância.

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Bando de Dois, de Danilo Beyruth, ganhará uma versão comemorativa de 10 anos

Um dos quadrinhos nacionais que teve mais destaque nos últimos anos e que alavancou a carreira de Danilo Beyruth, está sendo relançado em uma nova versão. Bando de Dois está completando 10 anos e a Zarabatana Books publicará uma edição especial colorida por meio de financiamento coletivo no site Catarse.

A trama apresenta a dupla Tinhoso e Caveira de Boi, os dois últimos sobreviventes de um bando de 20 cangaceiros. Ferido, Tinhoso tem uma visão de seu comandante e seus companheiros mortos pedindo que os ajudasse, que os levasse para o descanso. Então a dupla parte para uma busca das cabeças decepadas de seus companheiros, e juntos, decidem enfrentar um exército.


Bando de Dois
venceu o Troféu HQ Mix de 2011 como Melhor Edição Especial Nacional. A obra foi publicada em Portugal pela editora Levoir. A nova versão terá cores do francês Fabien Alquier.

Bando de Dois tem formato 22,3 X 30 cm, 96 páginas e capa dura. Para saber mais sobre a campanha, recompensas e valores clique AQUI.

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Marvel Comics irá Revelar a Origem do Terrível Maestro

E o Maestro vai dar as caras novamente nas publicações da Marvel Comics. Já se vão 28 anos desde a primeira publicação em Hulk – Futuro Imperfeito e as mais recentes em anos anteriores em Guerras Secretas II e Velho Logan, e até então a sua origem era um mistério. Bem, pelo menos até o próximo mês de agosto.

A Casa das Ideias anunciou a minissérie Maestro onde, finalmente, conheceremos a origem do personagem. Em Futuro Imperfeito somos apresentados a um mundo apocalíptico em que os heróis estão mortos. E esse lugar desolado é governado pelo misterioso e violento ditador conhecido como Maestro, que nada mais é do que a versão envelhecida do Hulk.

A história vai mostrar a queda dos heróis e a ascensão do Maestro. E como o Bruce Banner/Hulk chegaram a esse ponto.

“Eu não fazia ideia que o personagem ficaria tão popular. Até agora foram feitas alusões à sua origem, então estou empolgado em explorar isso na nova série e mal posso esperar para os fãs começarem a ler”, disse Peter David, roteirista de Futuro Imperfeito e da nova minissérie.

Além dos roteiros de Peter David, a minissérie terá desenhos de Gérman Peralta e Dale Keown. Uma das capas variantes será de George Pérez.

Maestro #1 será lançado em agosto nos EUA.

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Jordi Bernet em dose dupla pela Figura Editora no Catarse

A Figura Editora lança sua nona campanha pela plataforma de financiamento coletivo Catarse com novidades. Dessa vez, dois títulos estão buscando apoio dos leitores para serem integralmente publicados pela primeira vez no Brasil: Torpedo 1936 e Kraken, ambos com arte de Jordi Bernet e respectivos roteiros de Enrique Sánchez Abulí e Antonio Segura.

O primeiro tomo de Torpedo 1936 terá 228 páginas com 20 x 25 cm em preto-e-branco e capa-dura. Torpedo é Luca Torelli, um cruel assassino profissional na Nova Iorque dos anos 1930. Luca é um sujeito absolutamente amoral, capaz dos atos mais bárbaros, agindo no submundo da máfia norte-americana. Torpedo é o personagem mais bem-sucedido internacionalmente dos quadrinhos espanhóis, sendo publicado em cerca de 20 países. Torpedo 1936 tem previsão de ser publicado na íntegra em um total de três volumes. A primeira parte da edição brasileira terá como adicional as duas primeiras histórias do personagem, quando ainda eram desenhadas por Alex Toth.

 

Já Kraken terá as mesmas dimensões e formato com 188 páginas, também em preto-e-branco. O protagonista da série é o tenente Dante, anti-herói que lidera os Krakeneiros, um esquadrão que patrulha as gigantescas cloacas de Metropol, a mais corrupta e violenta das cidades, local onde atuam os mais sórdidos criminosos – de políticos corruptos a sádicos assassinos – e lar do Kraken, o monstro mítico composto pelos dejetos de toda a podridão e maldade humana. A Figura tentou anteriormente a captação de Kraken em um projeto solo, mas o valor não atingiu a meta esperada.

Ambos os títulos já foram publicados por outras editoras no Brasil, porém igualmente de forma apenas parcial. Torpedo 1936 teve aparições nas revistas Animal e Circo, além de cinco álbuns pela Editora WMF Martins Fontes com cerca de 52 páginas cada. Já Kraken teve passagem ainda mais modesta, com somente quatro aparições na já citada Animal.

Dentre as opções de apoio, pode-se adquirir cada um dos títulos em separado ou os dois juntos. Para esta última opção, está no ar com preço promocional de R$100,00 + frete por tempo limitado, válido apenas para as primeiras 36 horas de campanha. Além dos lançamentos, é possível garantir como recompensas pôsteres exclusivos e outros títulos do catálogo da editora com desconto.

 

Para apoiar, basta acessar a página da campanha no catarse em https://www.catarse.me/torpedo_kraken e escolher sua opção. O prazo de apoio até o dia 03/07/2020.

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Biblioteca Will Eisner – Volume 2, da Devir Brasil, está em pré-venda

A Devir Brasil anunciou o início da pré-venda de Biblioteca Will Eisner – Volume 2 – O Milagre da Vida. Completando assim a coleção de dois volumes de diversas obras do grande autor norte-americano. O primeiro volume, intitulado Um Contrato com Deus, reuniu as graphic novels: Deus, A força da vida e Avenida Dropsie, foi publicado ano passado.

Biblioteca Eisner – Volume 2 – O milagre da Vida reúne as histórias Assunto de Família, Um Sinal do Espaço e Pequenos Milagres. O volume ainda traz Brasil Will Eisner Reader, uma coleção de sete histórias curtas inéditas no Brasil.

O que cientistas, espiões, políticos, matadores de aluguel, velhinho aposentados, donas de casa e meninos de rua têm em comum?

Há histórias ocultas nos lugares mais improváveis. Nas ruas de uma vizinhança sofrida, os milagres podem acontecer em qualquer esquina ou beco sujo. Até mesmo fora daqui, na escuridão que aloja os possíveis sinais de vida inteligente vindos de um outro mundo. Como as pessoas reagem a isso tudo? De que maneira elas lidam com ressentimentos que estavam soterrados pelo tempo e voltam à tona para destruir qualquer vestígio de esperança?

 

São contos de incrível coincidência e demasiada sorte recheados de amor, perda, esperança e surpresa reunidos neste volume que confirma o saudoso Will Eisner como um verdadeiro mestre no gênero dos quadrinhos.

Biblioteca Will Eisner – Volume 2 – O milagre da vida tem formato 19 x 26 cm, 416 páginas, capa dura e o preço de R$ 165,00 e já se encontra em pré-venda na Amazon Brasil com o frete grátis.

 

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The Last Ronin | História apresentará um futuro distópico das Tartarugas Ninja

A IDW Publishing divulgou as primeiras páginas de Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin, a história que apresenta um futuro sombrio e distópico do universo das Tartarugas Ninja. A minissérie terá cinco edições com roteiro de Kevin Eastman (co-criador dos personagens) e Tom Waltz. Os desenhos são de Andy Kuhn.

The Last Ronin vai apresentar uma Nova York sitiada onde uma solitária Tartaruga está em uma missão sem esperança para obter justiça para sua família e amigos. A história foi baseada em um script escrito por Kevin Eastman e Peter Laird em 1987 e estava na gaveta desde então.

“Cerca de dez anos atrás, eu encontrei um esboço de 20 páginas para uma história da TMNT que Peter e eu escrevemos juntos em 1987”, disse Eastman em comunicado sobre a nova série. “A história se passava 30 anos no futuro, ou seja 2017. Atualizar e terminar essa história é como um poema de amor sincero para todos os universos da TMNT.”

 

O roteirista Tom Waltz disse que ficou impressionado quando leu a esboço original de 1987, por apresentar uma previsão assustadora de Peter Laird sobre os avanços tecnológicos e sociológicos da sociedade como uma ideia de história empolgante e versátil, projetada de forma que pode ser facilmente modificada. A trama foi revisada e atualizada, e agora se passa no ano de 2040.

Cada edição de Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin terá 48 páginas, sendo que a primeira edição terá três capas diferentes: uma edição regular com arte de Eastman e duas edições de incentivo ao varejista. Com uma capa de Estman e uma do brasileiro Mateus Santolouco, um dos principais artistas da mensal das Tartarugas Ninja publicada pela IDW.

Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin será lançada ainda esse ano.

 

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A frágil proteção da existência humana de Love Kills

Em seu segundo título pela Darkside, Danilo Beyruth lança história cujo tema se encaixa de forma mais contundente na proposta da editora especializada em terror.

Desconsiderando seus quadrinhos feitos para a Marvel e Maurício de Sousa Produções, Beyruth traz ao público sua oitava publicação  original  em menos de 10 anos, e pouco mais de um ano após Samurai Shirô, com uma trama voltada à atuação da máfia japonesa em São Paulo. Sua prolífica produção de histórias é proposital e o auxilia na constante mudança de temas entre um trabalho e outro.

Como era de se esperar, a editora que agora traz ao mundo dos vivos esta HQ, já visitou o mundo dos semi-mortos com 30 dias de Noite, de Ben Templesmith e a referência-mor do gênero, com duas versões de Drácula de Bram Stocker. Mas, agora a trama está em nosso terreno, e as semelhanças não se resumem apenas entre a proximidade de idiomas, já que romeno e português são ramos do mesmo tronco linguístico.

Marcus trabalha arduamente todos os dias para sobreviver na cinzenta capital paulista mas, apesar de seu esforço, em pouco é reconhecido por isso. Passando pelas duras críticas e falsas ideias de ascensão de cargo prometidas por seu chefe, sua monótona rotina muda quando involuntariamente atravessa o caminho de Helena, uma vampira que, mesmo com sua aparência de jovem, guarda um fardo de séculos, e muito maior do que aparenta conservar seu corpo.

Seu passado datado como distante para nós é como ontem para ela. Seu histórico na terra é como uma trajetória utópica e pertenceria apenas aos livros de História para os seres humanos. Suas marcas na terra, apesar de serem guardadas com afeto por diversas recordações que a mesma insiste em manter, também carrega um passado turbulento e mal resolvido.

IMAGEM: Cortesia do autor

Helena é perseguida por uma gangue de sua espécie que busca vingança pelo que ela fez a eles e a Leander, este último alguém que Helena possui um laço muito mais estreito, numa intensidade similar ao vínculo formado com Marcus, que misteriosamente não pode ser controlado pelos poderes de Helena, embora seja totalmente humano.

A narrativa de Love Kills começa com apenas imagens nenhum texto por mais de 10 páginas, mecânica parecida com outro trabalho com participação de Beyruth: O longa-metragem Motorrad, com seus 15 minutos iniciais sem falas ou interjeições. A leitura flui facilmente e é surpreendentemente rápida. As mais de 200 páginas do tomo passam de uma forma tão dinâmica que mal parece ter essa extensão. Um dos artifícios que ajudam nesse aspecto é a constante movimentação, com diversas cenas de ação e perseguições.

IMAGEM: Cortesia do autor

Os elementos clássicos das histórias de Vampiros estão aqui com uma adição constante de metáforas entre eles, humanos e animais. Suas crises existenciais são expostas como pouco se vê e a casca de sua aparente imortalidade se mostra mais frágil do que parecia.

Todos os elementos então são condensados na sombria São Paulo com sua vida noturna, submundo das drogas e vidas despedaçadas, passando por detalhes minuciosos como seu deficiente esgoto aos pisos de taco, tão comuns nos apartamentos de várias regiões da cidade a partir dos anos 70. Beyruth mergulha mais uma vez em seu cenário mais recorrente, porém dessa vez explorando uma outra faceta da cidade que ele mesmo considera ser várias em uma só e, de fato, em sua mão se torna um abismo sem fundo aparente, onde a cada descida descobre-se um até então inexplorado nível ou subnível.

IMAGEM: Cortesia do autor


Já algumas vezes Beyruth afirmou temer tornar-se esquecido, e também por isso está em constante produção. Apesar de considerarmos um medo exagerado, não vemos problemas em sua lista de trabalhos estar sempre em atualização pois, assim como os contos vampirescos, suas histórias estarão sempre ao nosso redor.

Love Kills
Danilo Beyruth
250 páginas
26 x 17 cm
R$69,90
Capa Dura
Darkside Books
Data de publicação: 01/2020

 

 

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Devir Brasil anuncia The Bojeffries Saga de Alan Moore e East of West de Jonathan Hickman

A Editora Devir anunciou dois lançamentos durante a live do Mundo Gonzo no último dia 17 de abril. E serão obras de dois pesos pesados dos quadrinhos mundiais: a hilária The BoJeffries Saga de Alan Moore e a distópica East of West de Jonathan Hickman. A revelação foi feita por Paulo Roberto da Silva Jr, gerente editorial da Devir Brasil.

The BoJeffries Saga

Publicada pela editora britânica 2000 AD, entre 1983 e 1991, The BoJeffries Saga é um dos primeiros trabalhos de Alan Moore. Ela foi escrita durante o mesmo período de clássicos como V de Vingança e fazia uma revolução em Miracleman. A história de uma família monstro, que reside em um bairro de casas populares em Northampton, que é composta por Jobremus Bojffries (o patriarca) Ginda Bojeffries (a filha, um brucutu ameaçador), Reth Bojeffries (o bebê que produz energia atômica), Tio Raoul Zlüdotny (um lobisomen), Tio Festus Zlüdotny (um vampiro inepto) e o Vovô Podlasp (uma criatura antiga, amorfa e poderosa). Como toda boa sátira, The Bojeffries Saga tira um bom sarro da vida cotidiana dos ingleses em trejeitos totalmente autobiográficos que repetem à infância de Moore. A série possui artes de Steve Parkhouse e indicada ao Eisner Award, o Oscar dos quadrinhos, na categoria Melhor Álbum Gráfico.

Desde a sua última publicação, tanto Alan Moore, quanto Parkhouse deixaram em aberto o futuro de The BoJeffries Saga. No ano de 2009, Moore falou que tinha uma ideia para uma nova história onde mostraria o impacto da cultura atual nos personagens. Mas isso foi a dez anos atrás e todos sabemos como é o Moore…

East West

Já East of West foi considerado um dos melhores quadrinhos autorais de 2013 e foi publicado originalmente pela Image. Com roteiro de Jonathan Hickman e desenho de Nick Dragotta, a trama passa em um futuro distópico, misturando faroeste com ficção científica, onde os cavaleiros do apocalipse Guerra, Peste e Fome renascem com a missão de cumprir seu destino bíblico de iniciar o Fim dos Tempos e matar o quarto cavaleiro, a Morte. Ao contrário de seus ex-colegas, Morte busca vingança contra o grupo conhecido como Os Escolhidos.

Detalhes da publicação assim como datas de lançamentos ainda não foram divulgados. Mas devem chegar ainda no primeiro semestre desse ano. No mês passado, a Devir Brasil anunciou as reimpressões de The Boys, Paper Girls e Tekkon Kinkreet, saiba mais detalhes clicando AQUI.