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O Melhor que Podíamos Fazer Amassa o seu Coração para Depois te Amar

Escrito por Ricardo Ramos

Amassar o seu coração em uma viagem temporal. Essa deve ser a principal proposta de O Melhor que Podíamos Fazer, Graphic Novel autobiográfica de Thi Bui, publicada aqui no Brasil pela Editora Nemo. A história me levou às lágrimas algumas vezes, me trouxe aflição, me deu asco e me encheu de esperança. Uma saraivada de sensações e sentimentos na história da sofrida família.

Thi Bui escreve e desenha O Melhor que Podíamos Fazer, que começa com a protagonista em trabalho de parto acompanhada por sua mãe Má e por seu marido Travis. As primeiras impressões de conflito de gerações já começa ali, com sua mãe e seus ideais e costumes diferentes em relação a maridos. Thi, com muita maestria, começa a contar a história de sua família e de seus seis irmãos. Uma viagem do tempo regressa, somos apresentados a cada nascimento e como cada costume atingiu cada um de seus irmãos. E ao mesmo tempo, a ser contada a biografia da mãe, acabamos assumindo a sua visão e sentimentos. E é nesse momento que as coisas ficam mais tensas para o leitor.

é uma mulher criada com os costumes orientais no Vietnã. Com as mazelas daquele país. E sentimos em cada nascimento. Em cada aperto, perda, alegria ou como ela se vira com o seu marido. A narrativa apresenta um pai frio e orgulhoso. Às vezes o olhamos como o “vilão” da história. Mas quando voltamos no tempo e acompanhamos a vida de , com sua infância extremamente difícil,  sem muitas esperanças, começamos a ter uma certa empatia e passamos a entender sua frieza. E em meio essa salada de emoções temos a Guerra do Vietnã como personagem e fato que faz todo o destino da família mudar.

A família vai para o s EUA e começa uma jornada entre fagulhas de esperança por uma vida melhor e mais próspera, misturada com a convivência com o ódio e xenofobia. Agressões físicas, morais e trotes telefônicos de mau gosto são rotineiros e convivem com as crianças. E cada uma leva um jeito para reagir sobre cada caso. E não somente pesam sobre seus ombros e mentes infantis os casos de violência racial, mas também o convívio com o pai.

Thi Bui

O Melhor que Podíamos Fazer também não se prende somente aos dramas de Thi Bui e sua família. A Graphic Novel é uma aula de história. Os detalhes do Vietnã, desde sua colonização, passando por uma época da Segunda Guerra Mundial, e culminando no famoso conflito da década de 60 são ricos e de fácil entendimento. Mas a “aula” se dar mesmo quando vemos que cada período histórico, cada fato, atinge e influencia o seu povo. E como sempre durante décadas a família de Bui é atingida por esses fatos. Como um grandioso fantasma, o Vietnã assombra até mesmo quando a família vai para os EUA fugindo da guerra.

Mas como uma narrativa sensível, O Melhor que Podíamos Fazer é uma leitura esperançosa. E a esperança começa no início da Graphic Novel com o nascimento do bebê de Thi. E como a família se renova. Como o mundo se refaz. E como todo nascimento temos um novo começo, mas com a sabedoria do passado. O Melhor que Podíamos Fazer faz jus ao nome, mas não por conformidade, e sim que apesar de tudo, de todas as dificuldades, tentamos fazer o melhor.

Já pensou em levar isso para a sua vida?

Em tentar fazer o melhor que se pode fazer?

 

 

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Sobre o Autor

Ricardo Ramos

Gibizeiro, escritor, jogador de games, cervejeiro, rockêro e pai da Melissa.

Contatos, sugestões, dicas, idéias e xingamentos: ricardo@torredevigilancia.com

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