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Uma Nuvem no seu Oliveira, conheça a HQ que está em campanha no Catarse

Quem nunca teve na sua rua um velhinho rabugento? Aquele que reclama das crianças que ficam brincando na rua, que reclama se está calor demais, se está frio demais; o rabugento só reclama. Partindo desse personagem tão comum nos bairros brasileiros, os quadrinhistas Phellip William Gruber e Eduardo Ribas, produziram a HQ Uma nuvem no seu Oliveira, que está em campanha de financiamento coletivo no Catarse.

Em um pequeno bairro do interior do Paraná, vive Joana. Ela e seus amigos tentam aproveitar as férias com o melhor que as crianças podem fazer no começo dos anos 2000: soltando pipa, jogando bete-ombro na rua, atirando laranjas para o alto, essas coisas.

Contudo, eles terão que encarar o rabugento Seu Oliveira, um velhinho que mora na rua de Joana. Ele fará de tudo para “educar” as crianças, mostrando que mesmo um dia ensolarado pode rapidamente virar uma tempestade se tem gente briguenta por perto.

A campanha de financiamento coletivo já está à todo vapor e já passou mais da metade da meta estabelecida. Uma nuvem no Seu Oliveira, ainda terá uma galeria de convidados e curiosidades sobre a produção.

Uma nuvem no seu Oliveira terá formato 26 cm x 17 cm e 80 páginas coloridas. Para saber mais sobre as campanhas, recompensas, valores e para apoiar, clique AQUI.

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Lobonauta é a Nova HQ de Felipe Castilho no Catarse Assinaturas

Um lobisomen astronauta? Isso mesmo! E porque não? A HQ Lobonauta apresenta Russo, um lobisomen astronauta que busca mundos que possam ser dominados pelos vampiros, que dominaram a Terra. O quadrinho tem roteiro de Felipe Castilho (Ordem Vermelha: Filhos da Degradação) e desenhos de Tiago Holsi (Floresta Morta), a publicação será exclusiva par apoiadores do financiamento coletivo recorrente de Felipe no Catarse Assinaturas.

Lobonauta marca o início da segunda temporada da campanha de Felipe Castilho no Catarse Assinaturas, que tem a ideia de trazer histórias em quadrinhos todo mês. Na primeira temporada, Felipe buscou parcerias com artistas do Brasil inteiro, entregando cinco HQs digitais que fazem parte do acervo dos apoiadores. Agora, a segunda temporada será toda temática dentro de um único universo. Para saber mais detalhes clique AQUI.

Confira a sinopse de Lobonauta:

O planeta Terra sofreu um rebranding e tornou-se o planeta Sangue, dominado por vampiros que arrebanharam a humanidade cruelmente em suas numerosas Fazendas de Sangue. Russo, o protagonista da HQ, é um humano descartado como alimento para vampiros e usado como cobaia para missões espaciais. Com seu código genético manipulado para transformar-se em lobisomem, a sua missão é encontrar mundos habitados e “abrir as portas” para que os sanguessugas os dominem – já que a regra vampiresca do “não pode entrar sem ser convidado” se mostrou válida também para a entrada de vampiros em outros planetas. Porém, Russo não tem o mínimo interesse em servir seus senhores, criaturas milenares que se tornaram ignorantes após tanto tempo de consumo de sangue humano pasteurizado.
O Lobonauta visitará mundos, se metendo em encrencas, conhecendo aliados e procurando uma maneira de se livrar do rastreio do Planeta Sangue… sempre temeroso dos efeitos imprevisíveis de tantos satélites naturais espalhados pela galáxia. Afinal, se uma Lua pode fazer com que um lobisomem enlouqueça, já imaginou uma transformação em um sistema com dezenove delas?

Saiba mais detalhes sobre o Catarse de Assinaturas de Felipe Castilho, suas metas estendidas, informações clicando AQUI.

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Um Grande Acordo Nacional, de Robson Vilalba, narra o período recente da política brasileira

Episódio recente da história do Brasil ganhou uma adaptação para os quadrinhos, começou a pré-venda e Um Grande Acordo Nacional, do jornalista em quadrinhos Robson Vilalba com publicação da Elefante Editora. O título faz referência ao diálogo entre o empresário Sérgio Machado e o então senador e futuro ministro Romero Jucá.

Um Grande Acordo Nacional apresenta Robson em uma tentativa de entrevistar Dilma Rousseff em Curitiba mesclando com uma busca pessoal para entender as razões que levaram à destituição da primeira presidenta do Brasil e a reconstituição dos episódios mais relevantes da trama golpista que deixou a população atenta ao noticiário político em 2015 e 2016.

A graphic novel imprime sinceridade e perplexidade à narrativa gráfica enquanto resgata cenas das Jornadas de Junho; do humilhante 7 a 1 na Copa do Mundo; da trajetória da jurista Janaína Paschoal; da operação Lava Jato; do protagonismo nefasto do deputado Eduardo Cunha; e da esdrúxula votação do impeachment na Câmara, entre outros momentos decisivos para a queda de Dilma, seguindo para a posse do vice Michel Temer e explica como o Brasil chegou no ponto político que estamos hoje em dia.

Robson Vilalba que é ilustrador e animador, tem em sua bagagem reportagens em quadrinhos publicadas pela Folha de S. Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil e Gazeta do Povo. Em 2014, ele recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos por Pátria Amada Brasil.

Um Grande Acordo Nacional tem formato 18,2 x 25,5 cm e 160 páginas. O lançamento oficial será em maio de 2021, a pré-venda já começou no site da Elefante Editora com um belo desconto e frete grátis. Para garantir o seu exemplar clique AQUI.

 

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Editora Comix Zone começa a Pré-Venda de Crônicas Ameríndias

Já começou a pré-venda do mais novo quadrinho da editora Comix Zone, agora é a vez de Crônicas Ameríndias, quadrinho argentino que tem roteiro de Gustavo Schimpp e desenhos de Enrique Alcatena.

Ao longo de dez histórias, Crônicas Ameríndias mergulha nas lendas e tradições dos povos indígenas da região dos Grandes Lagos. Schimpp e Alcatena apresentam as sociedades ritualísticas, as quais coragem e covardia não necessariamente se opõem, crueldade e violência fazem parte da vida cotidiana, e em que a relação com a natureza está muito além da nossa compreensão.

Crônicas Ameríndias tem formato 21,5 x 29 cm, 144 páginas, capa dura, tradução de Jana Bianchi e o valor de R$ 89,90. Comprando na pré-venda na Amazon você garante 30% de desconto.

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Assombracontos – Causos que o povo conta Está em Campanha no Catarse!

Já está no ar a campanha de financiamento coletivo para Assombracontos – Causos que o povo conta, uma parceria do quadrinhista Kiko Garcia, da Kikomics com o jornalista e escritor Roberto Beltrão, de Recife Assombrado e La Ursa Livros.

Uma clareira no meio de um antigo cemitério tomado pelo mato. Quatro jovens se acomodam junto às lápides de pedra. Fogueira acesa! É hora de começar a contar os causos que o povo conta. Kiko Garcia e Roberto Beltrão trazem até você, corajoso leitor, quatro contos do mais puro horror brasileiro. Contos que vão mexer com a sua imaginação, num macabro passeio por lendas de sítio, de folclore, de susto, de medo e de assombrar a alma.

Assombracontos traz quatro histórias inspiradas em lendas ou no universo dos causos regionais do interior do Brasil. Essas histórias, que diversas pessoas juram de pés juntos que são reais, são o grade tema do livro.

para Assombracontos – Causos que o povo conta tem formato 26 x 18 cm, capa colorida e 80 páginas. Para saber mais sobre a campanha, as recompensas, valores e para apoiar, clique AQUI.

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Confira os detalhes de A Voz das Mulheres nos Quadrinhos Nacionais

Neste sábado, dia 06/03, será lançado A Voz das Mulheres nos Quadrinhos Nacionais, o segundo episódio da série documental A Importância do Quadrinho Nacional, produzida pela plataforma Social Comics. O novo episódio tem apresentação da dupla Aline Diniz e Patrícia Gomes e conta com a participação de mais de 20 mulheres que trabalham com quadrinhos.

A Voz das Mulheres nos Quadrinhos Nacionais fala sobre o trabalho das pioneiras nas HQs brasileiras, o surgimento de coletivos e eventos criados para reforçar a presença das mulheres, jornalismo e política em quadrinhos, mangás, pluralidade de gêneros, descentralização de narrativas e muito mais.

Entre as participantes do episódio estão Marina Takeda e Sousa, Adriana Melo, Larissa Palmieri, Sonia Luyten, Germana Viana, Natália Bridi, Marina Shoji, Lilian Mitsunaga, Helô D’Angelo, Gabriela Güllich, Marília Marz, Ju Loyola, Petra Leão, Thaís Carmo, Marcela Godoy e Gabriela Franco.

Você pode conferir A Voz das Mulheres nos Quadrinhos Nacionais pelo canal do YouTube da Social Comics, clicando AQUI.

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Deus em Pessoa, graphic novel do francês Marc Antoine-Mathieu, é publicada pela Comix Zone

A editora Comix Zone iniciou a pré-venda de Deus em pessoa, graphic novel do francês Marc Antoine-Mathieu. Esse é o debute do autor no Brasil, com a obra que recebeu o Grande Prêmio da Crítica da ACBD – Associação dos Críticos e Jornalistas de Quadrinhos, em 2010. Uma das premiações mais importantes na França.

Em uma fila do censo, um homenzinho aguarda pacientemente sua vez. No momento de se identificar, ele se apresenta sob o nome de Deus. Não tem casa, nem documentos, nem inscrição no instituto de previdência. A irrupção desse enigma metafísico “em pessoa” desencadeia um enorme fenômeno midiático. Um grande processo judicial é organizado contra esse “Culpado Universal”.

Deus em pessoa é um sarcástico relato sobre os processos midiáticos e as campanhas de publicidade. O autor, Marc-Antoine Mathieu, nos mostra que as dúvidas sobre a existência de Deus continuam atuais e que tanto aqueles que creem como os que não, têm sempre algo a dizer sobre o assunto. De como a humanidade tem Deus como um fenômeno social que está presente em qualquer lugar, em diversas culturas e mídias. Deus é comercial, mais mesmo assim as pessoas consideram que ele deve prestar contas à justiça humana, quando as coisas dão erradas. E são as mesmas pessoas que agradecem por tudo quando as coisas dão certas.

Mas Deus é responsável pelos seus atos?

Deus em pessoa tem formato 21,5 x 29 cm, 128 páginas, capa dura, tradução da dupla Érico Assis e Fernando Paz e o preço de R$ 79,90. No link abaixo você consegue adquirir o seu exemplar com 30% de desconto e frete grátis para os assinantes prime.

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Novo Quadrinho do Cara-Unicórnio Está em Campanha no Catarse

Está em campanha de financiamento coletivo a nova edição de Cara-Unicórnio, a nova HQ do sensacional personagem criado por Adri. A. O projeto falta pouco mais de um mês para encerrar no Catarse.

O que aconteceria se um cara fosse picado por um animal radioativo e desse incidente ele recebesse superpoderes? E se esse cara ainda morasse com uma tia muito querida? Não. Não estamos falando do outro amigão da vizinhança, e sim do Cara-Unicórnio!

O primeiro livro da saga foi publicado em 2018, e alcançou um enorme sucesso contando a origem do Cara-Unicórnio, sua atrapalhada vida heroica e as pessoas que compõem o seu universo. Cara-Unicórnio VOL. 2 vai apresentar para o leitor mais do passado e segredos dos personagens, e vai presenciar a estreia do ajudante mirim do Cara-Unicórnio (ele não podia ficar sem seu próprio Robin, né?).

Além disso tudo, o novo livro mantém a principal proposta da série desde o princípio: tratar de diversidade, com protagonistas LGBTQIA+, promovendo representatividade e visibilidade àqueles que de alguma forma não se enquadram no que é tido como norma na sociedade. A HQ continua zoando e desconstruindo clichês de super-heróis e de cultura pop, e ainda é um quadrinho de humor com momentos sensíveis e tensos; mas abordar e dar protagonismo à diversidade, ainda mais nesses dias loucos que a gente vem vivendo, tem uma importância cada vez maior, e o Cara-Unicórnio vai continuar falando desses temas em voz cada vez mais alta.

Cara-Unicórnio VOL. 2 terá formato 15 x 21 cm, 192 páginas coloridas e para saber mais da campanha, valores, recompensas e claro para apoiar, clique AQUI.

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Quem é de fato Degenerado?

Desde que o Grupo Editorial Autêntica decidiu se aventurar no mercado de histórias em quadrinhos brasileiro fundando a Nemo, seu selo voltado a esse mercado passou por algumas transformações: começou intercalando entre material nacional e estrangeiro com autores consagrados do mercado franco-belga em publicações com grande formato e capa dura. Experimentando novas fontes e em busca de adaptação perante as exigências do mercado e público, estabeleceu-se com material autoral da cena alternativa europeia e norte-americana. Prestes a completar uma década de vida em 2021, a Nemo traz em seu mais recente lançamento Degenerado, um título que, mesmo que de forma indireta, tem muito a ver com suas mudanças ao longo desses anos.

Não é fácil ser alguém. Mesmo cada um em particular pode não saber profundamente quem é ou o que gostaria de ser. A vida e nossa forma de viver é feita de experiências, de riscos que trazem acertos, erros, vitórias e derrotas. Não existe vida sem risco. Em boa parte ou até por pura teimosia, só temos consciência do resultado de nossas escolhas caso as coloquemos em prática.

Paul Grappes e Louise Landy conheceram-se ainda jovens em uma confraternização entre amigos. Como diversos casais afogados na ingenuidade da paixão de um pelo outro, casaram-se desejando passar o resto de suas vidas juntos. Mas então veio o serviço militar e Paul, por uma lei que ia além de seu poder, precisou se alistar no exército. Então em 1914 estoura A Grande Guerra, a Guerra das Trincheiras, trincheiras que foram usadas não só para separar o militar recém-promovido a cabo de seus adversários, mas também de sua amada.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Afetado pelos horrores que presenciou, Paul torna-se desertor no intuito de voltar aos braços de Louise e para fugir da prisão iminente aos que abandonam o campo de batalha, começa a se vestir e comportar como mulher assumindo a identidade de Suzanne. Porém, Paul aos poucos vai não apenas se adaptando, mas desfrutando de sua nova vida, assim percebendo que talvez agora sim era a pessoa que desejava ser e que sempre esteve dentro de si, e não a pessoa que era outrora e apresentava em seu exterior.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Em uma alternância quase impossível, os desenhos de Chloé Cruchaudet conseguem ao mesmo tempo serem pesados e delicados. O clima pesado e os horrores da guerra coexistem em uma Paris retratada quase sempre em tons de cinza, salvo raras exceções onde as cores azul e vermelho, que representam na cultura popular liberdade e fraternidade na bandeira da França, gritam por espaço na narrativa densa como uma neblina.

Baseada em uma história real, Degenerado é em grande parte sobre uma crise existencial em consequência da guerra, mas pouco abordada ou sequer imaginada por muitos de nós. Suzanne na verdade pedia socorro dentro de Paul Grappes para mostrar que existia. A possibilidade de contar sua história que resultou no livro La Garçonne et L’Assassin mostra que sua necessidade de se esconder era na realidade a chance de se libertar adentrando em um novo mundo. O ser humano é frágil como uma casca de ovo, porém quase sempre é obrigado a ostentar-se tal qual uma pele grossa e pouco permeável como a de um réptil.

IMAGEM: Grupo Autêntica

Estabelecendo-se já há algum tempo em um formato característico, edição da Nemo segue os padrões anteriormente adotados pela editora, com capa cartonada e papel couchê em formato 25 x 19 cm. Esta é a primeira obra de Cruchaudet publicada no Brasil, e a escolha por Degenerado em sua estreia provavelmente deve-se à quantidade de prêmios arrebatados pela obra principalmente na França e Itália. Assim como já fez com outros quadrinistas da Europa, a exemplo de Fabién Toulmé e Gauthier, vale a pena apostar em outras obras da autora por aqui, mesmo outras sendo menos conhecidas ou agraciadas, mas ainda assim trazendo frescor ao mercado brasileiro. Como sugestão, vale conferir por exemplo Groenland Manhattan e La croisade des innocents, publicadas originalmente em 2008 e 2015.

Degenerado
Chloé Cruchaudet (roteiro e arte)
Renata Silveira (tradução)
Bruna Emanuele Fernandes (revisão)
190 páginas
25 x 19 cm
R$69,80
Capa Cartonada
Nemo
Data de publicação: 11/2020

 

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A confortável viagem na sinestesia de Paul Está Morto

Muito se idealiza sobre o passado. Existe sempre uma aura de sagrado em tempos anteriores pois o distante parece irretocável. Na literatura, Luis de Camões já demonstrava essa questão em Os Lusíadas, onde os portugueses em vias de desembarcar e explorar as Américas no século XVI enfrentavam criaturas que iam além da compreensão humana em mares nunca antes navegados. Na Idade Contemporânea não é necessário ir muito longe para alcançar um período onde o real e fantástico se entrelaçam: a segunda metade da década de 60 do século XX isso era visto tanto na música quanto nas histórias em quadrinhos, pois nem a lama de Woodstock foi capaz de sujar essa época.

Nos quadrinhos, a editora Éric Losfeld trazia ao público europeu cores berrantes e viagens psicodélicas que muito se questiona a respeito da sobriedade de seus autores. Barbarella, Kris Kool, Saga de Xam, Les Aventures de Jodelle e outras histórias estavam na vanguarda da narrativa gráfica em uma onda que até hoje não se desfez. O datado aqui não existe e o tempo nem sequer pode ser considerado relativo: na verdade, ele nem é cogitado. Por isso, todas essas obras continuam futuristas até hoje.

Kris Kool e Saga de Xam marcam o experimentalismo e psicodelia na narrativa gráfica até os os tempos atuais (IMAGENS: 50watts.com e formidablemag.com)

Investigando esse mesmo fenômeno no ramo da música, chegamos logo aos Beatles. Os rapazes, que eram o sonho de qualquer qualquer filha para se casar, deixavam para trás sua marca de bem-comportados. Tal atitude se tornou mais evidente em 28 de agosto de 1964 quando em um quarto de hotel Bob Dylan os apresentou a maconha. O quarteto até tentou disfarçar: lançou logo depois os álbuns Beatles For Sale e Help! que ainda trazia sua marca já conhecida, mas o logotipo do subsequente Rubber Soul, lançado menos de quatro meses depois do álbum anterior, já denotava que algo diferente já pairava não só no ar, mas também nos pulmões e na cabeça da banda mais célebre de Liverpool. Para nossa sorte, o “estrago” feito por essa e outras drogas já estava feito e os melhores álbuns dos Beatles foram lançados a partir daí.

IMAGEM: Comix Zone

Paul Está Morto se passa justamente nesse período: no ano seguinte ao lançamento de Rubber Soul e entre o lançamento dos aclamados álbuns Revolver e o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. As cores das roupas, os experimentos nas gravações em estúdio, as discussões estressantes de uma vida que era dedicada quase que em sua totalidade ao trabalho dos músicos atacaram o hemisfério direito dos autores estreantes no mercado editorial brasileiro Paolo Baron (roteiro) e Ernesto Carbonetti (desenhos) em busca de uma narrativa livre sobre o que pode ter acontecido nos bastidores do que viria ser o ápice dos Beatles, mas que resultou na dissolução da banda cinco anos depois. O hemisfério direito do cérebro, responsável pela criatividade humana responsável por parir Paul Está Morto, é coincidentemente a mesma região mais influenciada pelos efeitos da marijuana, musa do grupo musical a partir de então.

Por isso mesmo, não dá para fugir da psicodelia gráfica em Paul Está Morto: as cores são extremamente vivas e ditam o ritmo da narrativa. As cores marcam a tensão, velocidade e linha temporal a cada quadro em que a história se desenvolve. As cores pulam, esparramam e fogem dos quadros quase espirrando no rosto do leitor, trazendo-o para dentro da história e o colocando como testemunha ocular da turbulenta vida particular que era abafada pelos sorrisos talvez forçados fotos para revistas e jornais, gravações de discos, aparições na TV e qualquer representação de mídia onde era praticamente uma obrigação passar a imagem de que os Beatles era uma banda formada por pessoas perfeitas, mas a verdade era muito diferente.

IMAGEM: Comix Zone

Como já bem denota no título, a HQ mostra a tentativa de abafar a notícia da suposta morte de Paul McCartney e suas irreversíveis consequências. A influência dos Beatles era tão grande a ponto de temer uma onda de suicídios em massa por fãs da banda. Era mais do que necessário que a situação nunca viesse à tona, inclusive buscando um hipotético sósia. O mais interessante dessa visão nas entranhas na história da música é o destaque dado a Geoff Emerick (engenheiro de som), George Martin (produtor) e principalmente Brian Epstein, empresário dos Beatles. Tais personagens costumam cair no esquecimento e seus nomes são apagados como marcas na area da praia, mas não aqui.

IMAGEM: Comix Zone

A edição da Comix Zone faz jus à questão gráfica da HQ. A impressão da Ipsis Gráfica mantém o nível das cores que, caso não fosse bem executado, estragaria a leitura. O papel couchê aqui se torna imprescindível para trazer as cores mais vivas e reluzentes possíveis da arte de Carbonetti, justamente como se via nos projetos gráficos oficiais que envolviam os Beatles de 1966 em diante. Como extras, temos depoimentos e comentários dos autores a respeito de seu roteiro e arte, e como trouxeram sua marca pessoal em uma história já tão conhecida e com personagens mais famosos ainda, ainda mais usando como referência imagens reais dos personagens. É difícil trazer algo novo para uma história que praticamente se tornou um conto do folclore mundial, ainda mais mantendo um ritmo quase musical à leitura.

Até hoje especula-se se Paul de fato é o mesmo ou foi substituído. Diversas teorias da conspiração são discutidas através de supostas mensagens subliminares nas capas de álbuns dos Beatles do Sgt. Peppers até Let it Be, último álbum da banda. No fim das contas, podemos somente imaginar. Nada é comprovado, e não sabemos se isso é o mundo real ou mais uma viagem psicodélica como tantas outras. Para nós, basta apenas se divertir com tudo isso, e a versão apresentada em Paul Está Morto cumpre esse papel.

Paul Está Morto
Paolo Baron (roteiro)
Ernesto Carbonetti (arte)
Thiago Ferreira (tradução)
Audaci Júnior(revisão)
120 páginas
24 x 17 cm
R$59,90
Capa Dura
Comix Zone
Data de publicação: 09/2020