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Confira a prévia do encontro entre Batman e Hortelino Troca-Letras

Foram reveladas as primeiras páginas de Batman/Elmer Fudd. O encontro entre o Homem-Morcego e o caçador Hortelino Troca-Letras. A HQ faz parte da série de publicações especiais dos personagens da DC Comics com os malucos desenhos da Looney Tunes. Confira mais detalhes AQUI.

 

“Depois de ter uma chance de encontrar o bilionário Bruce Wayne, a obsessão de Hortelino pelo Batman cresce ao ponto dele perseguir o Morcego pelos becos escuros e encontros da alta-classe de Gotham City,” diz a sinopse da edição.

Na história, Hortelino vai caçar o Batman pela cidade e ainda vai contar com a ajuda de um Pernalonga em versão humana (!). O roteiro é de Tom King e desenhos de Byron Vaughns.

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O Coração do Cão Negro | Um ótimo quadrinho nacional de bárbaros

O mercado de quadrinhos possui alguns títulos, personagens e séries de bárbaros. Conan, Red Sonja e quadrinhos de Esteban Maroto são alguns exemplos da temática muito bem utilizada. Em O Coração do Cão Negro, primeiro volume da série Contos do Cão Negro publicada pela AVEC Editora, temos um ótimo gibi produzido por autores nacionais com a temática de bárbaros, com boas reviravoltas e belíssima arte!

Cão Negro é uma série criada por Cesar Alcázar. Com o livro A Fúria do Cão Negro, publicado em 2014, o autor nascido em Porto Alegre e fã de Robert E. Howard deu início a este universo que viria a se tornar, posteriormente, uma série em quadrinhos que narra as aventuras do anti-herói e protagonista Anrath.

Arte da capa do primeiro volume, O Coração do Cão Negro.

Mercenário irlandês conhecido como “Cão Negro de Clontarf”, Anrath foi criado entre os vikings e possui um passado sombrio, cheio de tragédias que o destinaram a se tornar um renegado. Contratado pelo misterioso Inglês para encontrar um medalhão chamado “Coração de Tadg”, Anrath lida com as consequências de seu passado, enfrentando guerreiros que desejam a vingança e encarando horrores inimagináveis.

A sinopse acima detalha muito bem o teor da história presente neste primeiro volume. Nada revolucionária dentro do gênero espada e feitiçaria, porém dentro dos padrões de qualidade das melhores séries do gênero, a narrativa contém todos os clichés típicos da temática. O grande destaque fica para o jeito que é apresentada a aventura, de forma muito bem narrada, com roteiro e arte de qualidade acima da média!

Arte não finalizada de um dos quadros da história.

O estilo remete a  bons quadrinhos europeus, padrão das séries da AVEC Editora. Situado na Irlanda, este primeiro volume serve como uma introdução ao universo, apresentando Anrath, seu passado e personagens coadjuvantes. A personalidade do protagonista é o padrão dos bárbaros, sendo forte, exímio guerreiro e muito calado. E toda a apresentação à mitologia do Cão Negro é belissimamente ilustrada por Fred Rubim.

Nesta que é sua primeira publicação no mundo das HQs, Rubim, nascido em Porto Alegre e formado em Desenho Industrial, dá um show nas ilustrações. Utilizando muito bem as sombras, uma técnica semelhante ao que Mike Mignola faz em seus quadrinhos, o artista dá vida e movimento aos cenários e personagens, provando sua versatilidade especialmente quando comparado a outro quadrinho de sua autoria, Le Chevalier: Arquivos Secretos. Nesta série, sua arte parece uma fusão entre Mignola e John Buscema.

Sem um estilo caricato e mais simples, indo mais para o lado realístico e cinematográfico, o ilustrador retrata com fidelidade alguns objetos do período em que a aventura se passa (1022 D.C.), como vestimentas de guerreiros (escudos, elmos, espadas) e também barcos e construções. O estilo real dos personagens e animais fascina o leitor no decorrer das páginas, e quando o lado sobrenatural entra em cena, o visual torna-se fantástico e destoante, com cores que se destacam entre os quadros, separando o normal do fantasioso.

Quadro da segunda página da história.

O texto de Cesar Alcázar é apresentado como uma aventura de ação típica, porém o domínio do passado e características de cada um dos personagens deixa claro que este é seu universo, com seus personagens e criaturas emprestadas da literatura fantástica. A narrativa segue um padrão que reveza entre presente e passado, com alguns flashbacks, e guarda as principais reviravoltas para as páginas finais, onde os mitos criam vida.

A personalidade de Anrath e a forma como ele age com relação aos seus inimigos e companheiros, antigos ou recentes, é um charme para fãs deste tipo de história. Sua lenda está relacionada a belas mulheres, de anos que se passaram ou da atualidade, e seus inimigos são motivados pelo ódio gerado por graves erros. A forma como Anrath encara o sobrenatural, no entanto, difere-se de personagens como o Conan, que nutre certa aversão por feitiçaria.

Anrath entra em ação.

A violência também é marcante, com batalhas, mortes e muito sangue. Anrath é um habilidoso guerreiro, que ataca todo aquele que vier ceifar sua vida, agindo sem piedade contra seus inimigos. A sensação de que este anti-herói já possui uma fama pré-definida atiça a curiosidade para que mais de seu passado seja mostrado, abrindo possibilidade para histórias da sua juventude, entre os vikings, e períodos posteriores. Quem sabe até um álbum de origem. Ou podemos continuar simplesmente da forma que está, com sua vida sendo apresentada aos poucos para os leitores.

O Coração do Cão Negro é mais uma prova do ótimo desempenho dos autores nacionais em criarem boas histórias, séries e personagens que não devem em nada para os quadrinhos publicados no exterior. Com boa mitologia, texto bem escrito e revisado e arte de ponta, o primeiro volume desta série é um dos grandes destaques dos quadrinhos brasileiros, e a edição e acabamento gráfico apresentados também são de ótima qualidade. Um segundo volume já foi anunciado e está previsto para ser lançado ainda em 2017.

Contos do Cão Negro Vol. I: O Coração do Cão Negro possui 64 páginas encadernadas em capa cartão no formato 28 x 21 cm, com preço de capa de R$ 39,90.

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Marvel homenageará suas grandes histórias em nova iniciativa

O editor-chefe da Marvel, Axel Alonso, havia prometido um grande anuncio para hoje (23 de junho) em relação a Marvel Legacy, a próxima iniciativa editorial da Casa das Ideias. Confira o comunicado de Alonso aqui.

“Marvel Legacy apresentará histórias que agradam a todos, recém-chegados e fãs de longa data – porque a Marvel é o primeiro nome da ficção“, disse  Axel Alonso sobre a nova empreitada da Marvel.

Marvel Legacy #1 por Mark Brooks

Marvel Legacy começará com uma história especial lançada em one-shot com roteiro de Jason Aaron e arte de Esad Ribic. A história ligará o Universo Marvel atual em um grande ciclo de Legado que vai de 1.000.000 aC até os dias atuais, com a presença de personagens lendários da Marvel, como Fênix, Odin e Agamotto. Para mais informações, confira aqui.

“O que Jason Aaron e Esad Ribic criaram é mais grandioso e mais gigantesco do que qualquer coisa que já vimos antes e introduz conceitos e personagens nunca vistos no Universo Marvel. Os fãs vão testemunhar um olhar totalmente novo sobre o Universo Marvel, começando em um dos primeiros momentos do tempo até o presente.” disse Alonso sobre a história da dupla Aaron e Ribic.

Marvel Legacy #1 por Joe Quesada

A novidade da vez sobre a iniciativa Legacy está na divulgação de diversos gifs que unem algumas capas das grandes histórias da Marvel com uma nova roupagem envolvendo o Universo Marvel atual dos quadrinhos.

Confira os gifs divulgados pela Marvel:

 

Marvel Legacy começa em Setembro nos EUA a partir do one-shot Marvel Legacy #1 de Jason Aaron e Esad Ribic.

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Marvel promete mudar a indústria dos quadrinhos com nova iniciativa

A Marvel Comics divulgou uma imagem de Marvel Legacy – para mais informações confira aqui – dizendo que os fãs, antigos e novos,  terão um anúncio de algo muito desejado nessa sexta-feira (23 de Junho), que culminará na mudança da indústria das histórias em quadrinhos.

“Uma nova iniciativa que levará as coisas à nossa história icônica, com um olhar firme no futuro. Marvel Legacy apresentará histórias que agradam a todos, recém-chegados e fãs de longa data – porque a Marvel é o primeiro nome da ficção“, disse o editor chefe da Marvel, Axel Alonso, em um comunicado. “Nossos títulos vão desenterrar elementos ricos da história da Marvel, lembrar os leitores das conexões entre os personagens e inaugurar o retorno de alguns personagens importantes que sumiram. Queremos lançar nossos quadrinhos com uma alta dose de diversão!”.

Marvel Legacy #1

Alex Alonso fez um comunicado bastante audacioso sobre o futuro dos quadrinhos da Marvel. Para mais informações sobre a próxima inciativa da Casa das Ideias, fique ligado na Torre de Vigilância.

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Resenha | Valerian Integral: Volume 1

Valerian é um agente espaço-temporal. Laureline, sua parceira, divide o protagonismo das aventuras. Clássico dos quadrinhos europeus, com mais de vinte álbuns publicados, esta série de ficção científica retornou ao Brasil pela SESI-SP Editora, possibilitando que novos leitores tenham contato com tudo que torna Valerian e Laureline uma obra-prima.

Frutos da imaginação transbordante de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, os personagens Valerian e Laureline surgiram pela primeira vez nas páginas da revista Pilote n° 420, em 1967. Por sua inventividade e audácia, a série rapidamente se tornou referência absoluta para os leitores de histórias em quadrinhos de ficção científica. Cinquenta anos após o início de sua publicação original, Valerian retornou ao Brasil pela SESI-SP Editora (já tendo sido publicado por aqui n’O Globinho), que publicará os sete volumes integrais da série, compilando todas as aventuras.

Uma característica típica das obras de ficção científica que envolvem viagem no tempo, especialmente da década de 60, é começar com uma viagem ao passado. Doctor Who, The Time Tunnel, It’s About Time e outras produções dividem essa característica em comum. Valerian não é diferente. Em seu primeiro álbum, publicado em 67, Valerian volta à Idade Média para impedir um vilão, Xombul, que possui planos nefastos.

A simplicidade do plot de Os Maus Sonhos é refletida na simplicidade do início de Valerian como uma publicação de quadrinhos. Mézières não estava em seu auge artístico, ainda assim entregando cenários bem detalhados e personagens caricatos. Christin, que assinava como Linus, também estava refinando seu texto, com boas doses de absurdo e bom humor. Nesta primeira história Valerian conhece Laureline, uma garota da Idade Média, que vem a se tornar sua parceira. E com toda a simplicidade narrativa, destaca-se sempre a criatividade da dupla de artistas.

“Ano 2720, Galaxity, capital da Terra e do Império Galáctico Terrestre.” Com estas palavras, o primeiro quadro de Os Maus Sonhos chama a atenção do leitor pelo vislumbre do futuro. Apesar de primitiva, esta história faz a apresentação dos elementos básicos da série, com criaturas fantásticas, cenas divertidas e batalhas. Aqui temos a chance de visitar uma Idade Média com fórmulas mágicas, répteis gigantes e unicórnios.

Em A Cidade das Águas Movediças, de 1970, a dupla de autores parece estar encontrando o ponto ideal de suas capacidades. Perseguindo Xombul mais uma vez, Valerian e Laureline viajam para o futuro, especificamente para o ano de 1986, onde a Terra passa por um grande cataclismo e os EUA é um local instável. Nova York está submersa e Yellowstone sofre tremores e erupções, e o caos parece reinar. O mundo ruma aos seus últimos suspiros.

Esta segunda aventura, mais longa, parece um conto de literatura de onde Christin tirou parte de sua inspiração, enquanto vivia nos EUA. Na altura, Mézières aparenta estar refinando sua arte, entregando lindos quadros de paisagens devastadas e personagens menos caricatos. Parodiando figuras reais, como o pianista Sun Ra, o elenco de personagens de apoio é bem mais interessante quando comparado a primeira aventura. E em sua continuação, Terras em Chamas, o arco de perseguição a Xombul finalmente acaba.

Apesar dos pontos positivos das histórias anteriores, é nítida a adaptação para que seja atingida a plena utilização dos talentos envolvidos. Ambas as histórias servem como uma grande apresentação a este universo, com a viagem no tempo e a organização para qual Valerian responde, bem como a introdução ao status da humanidade no século XXVIII. E então, surge O Império dos Mil Planetas, de 1971.

O terceiro álbum de Valerian é uma aventura fantástica do início ao fim. Com um texto poético, situações dignas do melhor da ficção científica e desenhos em pleno potencial, O Império dos Mil Planetas mostra a que veio este clássico. E lidando de forma humanista com uma situação que envolve o domínio de um planeta inteiro, Mézières e Christin narram juntos este conto que, numa crescente, introduz elementos fantásticos, cenas memoráveis e batalhas incríveis com tecnologias de cair o queixo, além de questionarem a devoção às figuras religiosas e falarem sobre escravidão e miséria.

Enquanto os álbuns anteriores criavam a pedra angular da série, O Império dos Mil Planetas refina a construção deste universo, com o que viria a se repetir nas histórias subsequentes, alcançando a popularidade que possui hoje, graças a viagens fantásticas pelo espaço, lutas contra vilões ditadores e diálogos profundos, com tramas fechadas e belas ilustrações não somente nos cenários, como também em todos os seres de outros planetas.

A figura de Laureline, uma das pioneiras no protagonismo feminino dos quadrinhos, é adaptada com o passar das histórias, ganhando mais força no decorrer das aventuras. Independente, forte, sensível e bela, a garota ruiva fica com os diálogos mais naturais, enquanto Valerian se assemelha a um estrategista militar. O bom-humor característico dos quadrinhos franco-belgas é marcante em ambos os personagens.

O Império dos Mil Planetas também é uma história marcada pela forte influência exercida na criação de Star Wars, de George Lucas. Algumas ideias e visuais da trilogia original foram nitidamente inspirados em situações deste álbum, e cenas de álbuns seguintes também vieram a criar visuais de Guerra nas Estrelas. Uma imagem presente nos extras da edição nacional faz a comparação entre as duas obras, após uma grande entrevista com os autores e com o diretor Luc Besson.

Besson, fã declarado e apaixonado pela série, está lançando em agosto de 2017 o filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, onde após alguns anos de ideias e preparações, os atores Dane DeHaan e Cara Delevingne darão vida aos personagens na telona.

O retorno de Valerian e Laureline ao Brasil é um dos eventos mais fantásticos do ano para fãs da nona arte, marcado inclusive por um evento especial de lançamento realizado há cerca de um mês. A edição nacional da SESI-SP Editora possui um capricho gráfico louvável, bem como um tratamento editorial ótimo. Com orelhas, efeito metálico e papel de boa qualidade, a coleção dos volumes Integrais de Valerian será uma belíssima adição às livrarias de todo o Brasil.

E enquanto admiramos a volta deste clássico space opera de viagem no tempo, fica a esperança de que os fãs brasileiros abracem a série, tornando-a mais um sucesso franco-belga no Brasil, tal qual Asterix e Tintim.

Valerian Integral: Volume 1 possui 160 páginas, capa cartão, e compila as três primeiras histórias da série, em formato 29 cm x 22 cm. O preço de capa sugerido é R$ 58,00.

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O órfão de dois pais

É triste dizer, mas em paz não existiriam heróis. A figura do herói, que vem de ἥρως (heros: Protetor, em grego) surge somente perante um momento crítico. Na vida real ou ficção, tendemos a torcer pelo herói, o protagonista de uma situação dramática que esperemos que acabe bem. O herói de um pode ser o vilão de outro e por isso vemos tantos heróis surgindo após tragédias pessoais.

Quem nunca ouviu falar do Homem-Morcego? É um clichê absurdo já há mais de meio século afirmar que Batman, o Cavaleiro das Trevas e alter ego de Bruce Wayne, é um fenômeno cultural. Pudera: sem contar as diversas HQs que a cada mês são publicadas no mundo inteiro (sendo atualmente sete títulos mensais ligados ao Batverso disponíveis em seu país de origem), o cidadão de Gotham City que se tornou órfão ainda jovem possui 39 jogos de videogame; 12 filmes de longa-metragem em formato live-action (marca registrada no Guinness, o livro dos recordes), sendo 10 desses como único protagonista e mais 38 filmes em animação; Séries de TV que transformou quem o representasse em celebridades instantâneas, com legados intactos mesmo após sua morte; Diversos licenciamentos como cadernos, brinquedos, lancheiras, toalhas, cobertores, e até produtos alimentícios. A lista é imensa e aumenta a cada dia. Todo esse legado, que teve início com a morte de Martha e Thomas Wayne obviamente não pode ser creditado apenas a Joe Chill, assassino dos pais de Bruce. Ele não apertou o gatilho sozinho.

Existem heróis esquecidos e, em determinados casos, o esquecimento é proposital. É o caso de Bill Finger. Finger criou grande parte do personagem que conhecemos hoje. Criou sua ideia de uniforme, os roteiros de suas primeiras histórias, Robin, a batcaverna, o batmóvel e até mesmo Gotham City. Mas viveu como um anônimo até para quem lia seu trabalho.

Uma das tentativas de consertar este anonimato é o lançamento pela prataforma de streaming Hulu do documentário Batman & Bill dirigido por Don Argott e Sheena M. Joyce com apresentação de Marc Tyler Nobleman. O trabalho também faz uma retrospectiva da carreira de Finger na indústria e sua relação com Bob Kane, intercalado por simulações em forma de animação e depoimentos dos quadrinistas Kevin Smith, Todd McFarlane e Roy Thomas, além de  familiares de Bill.

O documentário foi lançado em 6 de maio de 2017 porém está disponível apenas nos Estados Unidos e Japão, únicos países onde a Hulu opera.

Mais de um

Graças à um acordo entre Bob Kane e os editores, apenas o nome de Kane apareceria nas páginas de Detective Comics e também nos créditos posteriores de histórias do Batman. Essa prática, mesmo que vista como absurda hoje em dia, era comum na era de ouro e prata das HQs. “Com frequência escritores foram passados para trás sobre receber créditos em co-criações, como foi o caso de Bill Finger. Também foi o caso de Gardner Fox ter crédito em Flash e não no Gavião Negro, etc. Às vezes os artistas é que eram cortados, como H. G. Peter no novo filme Mulher-Maravilha que, por outro lado, tem George Pérez, Robert Kanigher, Ross Andru e etc. Todos creditados e nem uma palavra sequer sobre a pessoa que, mesmo que a [família] Marston sempre tenha negado, seja o co-criador da MM. Quem está do lado do Bill Finger deveria também direcionar sua indignação nesse caso, mas possivelmente não vão”, declara Roy Thomas, escritor e editor de quadrinhos desde os anos 70 em entrevista exclusiva.

Dentre profissionais e fãs, Thomas foi um dos poucos que tiveram contato ou ao menos conheceram Finger pessoalmente. O evento aconteceu pouco antes de sua primeira e única aparição pública. Segundo Thomas, ele acabou chegando atrasado em um painel que também contou com a participação de “Jerry [Bails], Gardner [Fox], Otto Binder e Mort Weisinger” na Comic Con de Nova Iorque em 1965, ocorrida em 31 de julho e 01 de agosto no Broadway Central Hotel. O local não existe mais, uma vez que por problemas estruturais, veio abaixo em 3 de agosto de 1973 matando 4 pessoas e ferindo outras 12. “O conheci em julho de 1965, até onde me lembro na noite anterior ao início da convenção de Nova Iorque, em seu apartamento. Eu estava na companhia de Jerry Bails, meu então colega de quarto David Kaler e (talvez) mais duas ou três pessoas. Jerry e/ou Dave marcaram o encontro. Jerry conheceu Bill em fevereiro de 1961 quando visitou o escritório da DC Comics e manteve contato com ele desde então por cartas.”

Jerry Bails já nos anos 60 defendia o nome de Bill Finger nos créditos do personagem quando suspeitou que Bob Kane possivelmente não era o único autor de tantas histórias. Bails tinha um fanzine onde em 1965 escreveu um artigo sobre o assunto batizado de “If The Truth be Known OR Finger in Every Plot“, fruto de contatos que teve com a DC Comics e então descobriu a participação de um autor que não aparecia nos créditos. Recentemente, essa página original foi republicada na edição 139 da Alter Ego, revista especializada em quadrinhos e editada pelo próprio Roy Thomas, que ainda lembra vagamente no encontro com Bill Finger de “Jerry e Bill mostrando uma folha de papel em que os nomes alternativos para o Robin eram mencionados (Wildcat, Tiger e etc.) e foi isso. Acho que ficamos por lá por cerca de uma hora.” Thomas ainda diz que o foco em seu então novo trabalho na Marvel o distraiu sobre ser mais curioso em relação ao assunto naquele período, inclusive sobre a contribuição de Finger em outros dois conhecidos personagens da DC Comics: Lanterna Verde (Alan Scott) e Pantera, hoje membro da Sociedade de Justiça.

Artigo original de Jerry Bails na primeira tentativa conhecida de nomear Bill Finger como co-autor do Batman (Reprodução: noblemania.blogspot.com)
Sequência (Reprodução: blogs.larepublica.pe/comics_info/)

 

O mais cedo possível

Esse foi o principal alicerce para a criação do livro Bill The Boy Wonder, também de autoria de Marc Tyler Nobleman. O livro contém ilustrações de Ty Templeton e publicado em 2012 pela editora norte-americana Charlesbridge Publishing. Segundo o autor, sem o sem o artigo de Bails seu livro possivelmente não existiria.

O livro, em capa dura e com 48 páginas é voltado ao público infanto-juvenil, com cores leves e traços de linha clara. A ideia de atingir este público em específico veio da urgência dos fãs saberem o quanto antes sobre esta história. Em conversa com a Torre de Vigilância, Nobleman informa que “[a primeira vez que ouviu falar de Bill] foi entre o fim dos anos 90 e começo dos anos 2000. Comecei a restaurar o legado de Bill em 2006 quando iniciei as pesquisas para meu livro. O documentário [Batman & Bill] começamos a fazer em 2008, dois anos antes de eu conseguir o contrato para a publicação do livro! Mas não deu certo e comecei de novo com outras pessoas em 2011. Dessa vez, também não foi longe… mas quando em 2015 a alteração dos créditos aconteceu, começamos a trabalhar nele de novo.”

Capa do livro Bill The Boy Wonder (Reprodução: noblemania.blogspot.com)

Apesar de BTBW ser um livro presumivelmente voltado para crianças, Nobleman o rotula como “um livro ilustrado para todas as idades. Escrevi alguns outros livros para crianças antes desse então eu já estava acostumado aos desafios. Crianças são inteligentes. Há uma forma sensitiva de dizer à elas quase tudo. Este é um conto cauteloso. Espero que crianças aprendam a não tratar os outros como Bob tratou Bill e não deixar que as pessoas as tratem do jeito que Bill deixou Bob fazer.”

Bob Kane viveu uma vida de celebridade: Sempre era visto em programas e eventos relacionados ao Batman que faziam o personagem se tornar uma marca ainda mais valiosa. Apesar das denúncias, continuava a declarar que era o único criador do personagem e que Finger “estava tomando mais crédito do que merecia”. Aproveitando o sucesso, Kane vendia telas com ilustrações do Batman no estilo que o consagrou na era de ouro e prata. Porém, a autoria destas telas é discutível. Tom Andrae, co-autor do livro Batman & Me, autobiografia de Bob Kane publicada em 1989, chegou a dizer que tais pinturas não eram da autoria de Kane, mas não se sabe ao certo quantas telas foram produzidas nem o nome de seu(s) autor(es). Em um evento de exposição destes quadros até Tim Burton, diretor dos filmes do Batman de 1989 e 1992, esteve presente. Como homenagem póstuma, Kane teve seu nome imortalizado na calçada da fama em Hollywood.

Bob Kane com algumas telas de autoria contestada (Reprodução: popculturesafari.blogspot.com)

Tais problemas em relação aos devidos créditos a produtos relacionados gerou inimizade de Bob Kane com outros autores, como por exemplo, Jim Steranko. Ainda em sua autobiografia, Kane chega a informar que Bill Finger teria “50% ou mais” de participação na criação de Batman. Apesar de tentar consertar a falta de crédito dada a Finger, Kane no mesmo livro publica uma folha com sketches datada de 1934 com várias características ligadas ao que se tornaria o Homem-Morcego inspirada nos esboços que Leonardo da Vinci fazia para suas criações.

Sketches datados de 1934 (Reprodução: www.entrecomics.com)

 

“Super-heróis são ficção. Seus criadores, claro, são reais, o que os fazem ser humanos e o que tornam imperfeitos. Não espero que ninguém seja perfeito mas espero que todos sejam bons e justos, até se você NÃO criou personagens que são conhecidos por serem bons e justos! Eu não respeito Bob pelo desrespeitoso jeito que ele tratou Bill e outros que o ajudaram em sua carreira”, completa Nobleman que, com seu trabalho no livro e no documentário, teve acesso a arquivos de áudio com conversas de Bill Finger e conheceu uma neta de Bill que até então não sabia que existia.

Depois de tudo

Além de seu trabalho como roteirista nos quadrinhos, Finger também foi parar na televisão, inclusive escrevendo o roteiro de dois episódios da série de TV Batman dos anos 60 (The Clock King’s Crazy Crimes / The Clock King Gets Crowned, respectivamente, 11º e 12º episódios da 2ª temporada). Ainda nos quadrinhos, tentou no início dos anos 70 trabalhar para a Marvel de acordo com Roy Thomas, que tem “certeza que foi na época (se não, um pouco antes) de eu ser o editor-chefe, mas eu não me lembro do Stan [Lee] sugerindo a mim interesse em ter Bill escrevendo para a Marvel. Estranho… porque por mim poderíamos usá-lo nas [então] novas revistas em preto e branco, ao menos. […] eu gostaria de por conta própria ter buscado Finger para escrever algo ou que ele tivesse vindo até mim em meados de 1972 (quando eu me tornei o editor-chefe) porque eu poderia ter oferecido algum trabalho à ele ou então sugerir a outros (como Marv Wolfman) para fazer. Claro, ele morreu não muito depois… então não posso sequer ser 100% seguro que ele estava procurando trabalho naquele dia que ele (provavelmente a seu próprio pedido) ter se encontrado com Stan, embora é difícil imaginar qualquer outra razão pela qual ele estava lá. Porque Stan não o referiu a mim, eu não sei…”

Bill Finger morreu pobre e solitário em 18 de janeiro de 1974, num apartamento em Nova Iorque com sua TV em preto e branco ligada em um canal fora do ar. Seu cadáver foi encontrado por Charles Sinclair, um amigo que tinha a cópia da chave do apartamento. O laudo médico apontou causas naturais. Sua morte deixou no ar vários mistérios, um deles, por que nunca reivindicou um direito maior sobre suas criações. Uma suspeita é que sua condição financeira não permitiu.

Por muito tempo veiculou-se que Finger foi enterrado como indigente, porém em Batman & Bill é informado que seu filho Fred Finger atendeu o desejo do pai de ser cremado e espalhou suas cinzas em uma praia sob uma marca na areia em forma de morcego. A informação não é dada diretamente por Fred Finger, que morreu em 1992 devido problemas de saúde ocasionados por ser portador do vírus HIV. Fred era bissexual e teve uma filha chamada Athena, nascida em 1976 que lutou para o nome de seu avô ser creditado nas publicações relacionadas ao super-herói, cujo acordo firmado teve início nas edições Batman and Robin Eternal nº 3 e Batman: Arkhan Knight – Genesis nº 3, ambas datadas de outubro de 2015.

Uma das primeiras HQs a darem crédito a Bill Finger, mais de 40 anos após sua morte (Reprodução: comixology.com)

Intermináveis agradecimentos a Roy Thomas e Marc Tyler Nobleman pela ajuda na realização desta matéria

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Nova edição de Tex Graphic Novel chega às bancas e livrarias

Dando continuidade à coleção Tex Graphic Novel, a Mythos Editora está lançando mais um volume, com roteiro de Mauro Boselli e arte de Angelo Stano.

Drama no Deserto, terceiro volume da série Tex Graphic Novel, já está disponível nas bancas e livrarias de todo o país, contendo uma história fechada que também pode ser lida por não-leitores do personagem.

O assalto do bando de Earl Crane ao banco de Triumph, Novo México, culminou com o rapto de Debra Nelson, esposa do xerife Scott Nelson. Tex e Tigre salvam a vida do jovem xerife no Deserto Pintado e prometem libertar a mulher… A perseguição os levará ao misterioso Pueblo abandonado de Sombra Verde, local de lendas, espíritos e magia, onde cada um dos atores deste drama encontrará o seu próprio destino.

Por muitos anos, Tex ficou atado às amarras cronológicas e dos mesmos moldes de publicação, até que em 2015 foi lançada na Itália a história “O Herói e A Lenda” (L’eroe e La Leggenda), de Paolo Eleuteri Serpieri, dando início a uma série de graphic novels apelidadas de “Tex D’autore“, onde os autores estão livres para reinventarem o personagem da forma que bem entenderem, e sem precisarem necessariamente se ater à cronologia, podendo voltar ou avançar no tempo conforme suas vontades.

O roteiro de Drama no Deserto é de Mauro Boselli, figurinha carimbada nos quadrinhos Tex que já escreveu diversas histórias para a Sergio Bonelli Editore, também supervisionando tudo que é feito com o ranger. Angelo Stano, o artista desta edição, é famoso por seu trabalho no personagem Dylan Dog.

Na Itália há também um quarto volume publicado, Sfida Nel Montana.

Tex Graphic Novel: Drama no Deserto possui 52 páginas encadernadas em formato 27 x 21 cm, com preço de capa de R$ 29,90.

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Revelada a identidade do novo Thor Ultimate dos quadrinhos

Quando o Universo Ultimate da Marvel acabou, de alguma forma, o Mjolnir do Thor dessa terra sobreviveu ao fim  e viajou até o Universo principal da Marvel, antes conhecido como Universo 616 e, agora, Universo Prime. Portanto, agora, existem dois Mjolnir em um único Universo.

No final da minissérie The Unworthy Thor (O indigno Thor) de Jason Aaron e Olivier Coipel uma questão surgiu com o aparecimento de uma nova figura portando o martelo Ultimate. E a questão é: Quem será o novo portador do Mjolnir Ultimate?  Isso foi respondido em The Mighty Thor #20!

O Novíssimo Thor Ultimate, o Thor da Guerra, se trata de Volstagg, o Volumoso!

Volstagg presencia uma cena trágica em uma visita a Nidavellir, a Terra dos anões, que o traumatiza. Ainda traumatizado pelos eventos decorridos na terra dos anões, o herói ouve o chamado do Mjolnir Ultimate sobre os dez reinos precisarem de novo tipo de Thor e então se torna o Thor da Guerra.

Arte Conceitual do Thor da Guerra.

Com a Guerra dos Reinos chegando, os 10 reinos da Árvore dos Mundos acabam de ganhar um novo protetor. A partir de agora, o Thor da Guerra será um personagem frequente nas histórias de The Mighty Thor e dividirá espaços com os outro dois Thors: Jane Foster e Odinson.

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Divulgada a equipe criativa da HQ do John Wick

Você soube aqui na Torre de Vigilância que a Dynamite Entertainment em parceria com a Lionsgate, vão lançar produzir uma HQ do John Wick. Personagem que ficou famoso na pele de Keanu Reeves nos filmes De Volta ao Jogo (2014) e John Wick – Um Novo Dia Para Matar (2017). Agora a editora anunciou a equipe criativa e divulgou três capas da HQ.

Já tínhamos noção que os desenhos seriam do artista Giovanni Valleta, pois alguns esboços foram sido divulgados meses atrás. A novidade será no roteiro que ficará a cargo do premiado Greg Pak (Planeta Hulk).

 

“Eu já estava a bordo quando recebi uma ligação e ouvi ‘John Wick’. Amei os filmes e sou um grande fã de Keanu Reeves” disse Pak. A mitologia intrigante e a ação cinética são perfeitas para quadrinhos. Quando vi os desenhos de Valleta, cheios de ação emocional, dinamismo e emoção, explodiu minha mente de vez. O mais legal que não iremos somente contar uma história divertida do personagem, e sim vamos adicionar algo à sua mitologia!”

A trama vai focar na vida de John Wick no começo da sua carreira de assassino, antes de ficar conhecido como “Baba Yaga”. Partindo do momento em que ele sai da prisão e embarca em sua primeira vingança épica. Ele acaba se deparando com uma estranha e poderosa comunidade de assassinos e tem que aprender tudo sobre o Livro das Regras que guiam seus negócios letais.

John Wick #1 tem previsão de chegar ao mercado americano no começo de setembro.

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DC Comics e Dargaud anunciam Batman de Enrico Marini

As editoras DC Comics e Dargaud, em parceria, anunciaram hoje a publicação de um novo especial do Batman, que será escrito e ilustrado pelo superstar europeu Enrico Marini.

Com planejamento definido para dois volumes, Enrico Marini produzirá uma história que, até o momento, não teve título divulgado. O primeiro volume será lançado no dia 3 de novembro de 2017, enquanto a continuação está prevista para a primavera de 2018.

Enrico Marini é um artista italiano famoso por séries como Gipsy, Scorpion (mais de 2 milhões de álbuns vendidos mundialmente), Les Aigles de Rome e Predadores, publicada no Brasil pela editora Devir. Sua arte é marcada por um estilo único de narrativa cinematográfica, e seu trabalho com o Cavaleiro das Trevas será um evento especial para o mercado europeu.

“Estou muito orgulhoso por fazer parte deste projeto,” disse Marini. “Batman é meu herói favorito desde a infância. Ter a oportunidade de reinterpretar seu universo e adicionar meu ponto de vista é um grande privilégio.“

Em entrevista, o Publisher da DC Comics Jim Lee, disse: “Nós estamos muito empolgados por termos Enrico Marini proporcionando sua visão e habilidade excepcionais a este projeto, que trará uma história original do Batman para os fãs da DC Comics na Europa.“

No Brasil, as histórias da DC Comics são licenciadas pela editora Panini. A série do Batman de Marini é a primeira investida das editoras em uma parceria para produção de material inédito.