Foi divulgada a primeira imagem do crossover entre a Mulher-Maravilha e Conan, o Bárbaro. A parceria entre a DC Comics e a Dark Horse vai render uma minissérie em seis capítulos.
A trama começa com Conan chegando a uma terra desconhecida e encontra uma arena de lutas e a mais terrível guerreira do local: a Mulher-Maravilha. A arena é controlada por Dellos, um poderoso e rico Senhor de Escravos. Por circunstâncias ainda não explicadas, Diana e o Cimério são obrigados a lutar como escravos na tenebrosa arena. Enquanto isso, uma antiga magia negra desce sobre o local para destruí-los. Mas quem tem o poder para parar os mais talentosos gladiadores que já existiram?
“É o encontro da maior heroína da DC Comics com um dos personagens mais notáveis da cultura pop” disse o Editor-Chefe da Editora das Lendas, Bob Harras. “É um dos crossovers mais incríveis que já realizamos.”
A equipe criativa responsável pelo encontro é Gail Simone e Aaron Lopresti.
“Amo crossovers, amo a Mulher-Maravilha, e mostrar a maior guerreira da DC com o lendário personagem de Robert E. Howard juntos pela primeira vez, é a realização de um sonho” disse Simone. “E trabalhar junto com o Aaron é fantástico!”
Wonder Woman/Conan será lançado em setembro nos Estados Unidos.
A Marvel Comics anunciou que vai homenagear discos de rock em algumas capas variantes. As edições escolhidas até agora foram Guardiões da Galáxia, Inumanos, Thor, X-Men Blue e X-Men Gold. Confira as capas na galeria abaixo junto com os seus respectivos discos:
Os artistas autores das capas variantes são:
Guardians of Galaxy #9 – Nathan Fairbairn e Mike Hawthorne
Inhumans: Once and Future #2 – Damion Scott
Mighty Thor #23 – Marco Rudy
X-Men Blue #11 – Daniel Acuna
X-Men Gold #11 – Mile Del Mundo (que ainda não foi revelada)
Como a Marvel Comics não confirmou se vai produzir mais dessas capas variantes, estendendo a homenagem para outras edições, fica a torcida para que possamos ver os maiores heróis da Casa das Ideias em uma arte igual ao clássico dos BeatlesSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
Já foi noticiado aqui que Shea Fontana e Mirka Andolfo assumiram a revista da Princesa Amazona por 5 edições. Em setembro, o quadrinho mudará de equipe criativa mais uma vez. James Robinson, Carlos Pagulayan e Emanuela Lupacchino assumirão o título na edição 31. O trio será responsável pelo arco Children of The Gods o qual explorará Jason, irmão de Diana, revelado em Guerra Darkseid.
Jason
“Tirado de Themyscira no meio da noite, o misterioso Jason ( o único homem nascido na Ilha) foi escondido em algum lugar longe da vista dos deuses e dos homens. Mas a sua vida e a da Mulher-Maravilha estão prestes a se cruzar de forma aterradora, trazendo-os cara a cara com uma ameaça cósmica que nunca imaginaram.”
Capa de Mulher-Maravilha #31 por Bryan Hitch
A nova equipe criativa escreverá 6 edições, de setembro a dezembro. O Renascimento já está sendo publicado no Brasil pela editora Panini. Para mais informações, fique ligado na Torre de Vigilância.
A ilha de Aqui é um lugar perfeito. Tudo é meticulosamente organizado, certinho e todas as pessoas seguem suas vidas corretas. Dave, um assalariado com um forte senso de organização, é o protagonista de A Gigantesca Barba do Mal, uma história lançada pela Editora Nemo que lida com o medo do desconhecido, tece críticas à rotina e brinca com a linguagem dos quadrinhos.
Seguindo sua rotina como toda a população de Aqui, Dave tem medo de Lá. Todos tinham medo de Lá: um local afastado, além-mar, onde ninguém jamais esteve. Contudo, Dave também sonhava com Lá. Sonhos terríveis, pesadelos onde a desordem e caos reinavam. E num belo dia seu único fio de cabelo do rosto cresceu e trouxe a temida desordem para Aqui.
O crescimento da barba de Dave mergulha Aqui em um caos assombroso. Nesta sociedade onde tudo é perfeito, a barba é algo impensável. Os enormes fios no rosto de Dave interferem nas vidas alheias, impedindo fluxos e mobilizando governos. A rotina de Aqui é transformada, e as pessoas devem descobrir novas formas de tocar seus dias.
A genialidade por trás de A Gigantesca Barba do Mal, que é a estreia de Stephen Collins com graphic novels, é a crítica bem-humorada. Com esta premissa tão estranha, Collins sutilmente aborda os principais aspectos do dia-a-dia das pessoas de cidades grandes ou médias, onde todos são regidos por conservadorismo e ignorância com relação ao diferente.
A gigantesca barba de Dave, que chega a cobrir toda a cidade, é declarada um incidente nacional. Sem maiores explicações nada consegue ir contra a força dos pelos, e com o caos na vida dos moradores de Aqui, Collins também brinca com o caos na linguagem dos quadrinhos.
Trespassando quadros e consumindo páginas inteiras, a arte desta história é feita para criar a sensação de quebra. O início demonstra a rotina das pessoas com características ultra-certinhas, em páginas ideais e quadros perfeitos, e quando a rotina é rompida, rompem-se também os limites. A narrativa é transformada com o crescimento da barba de Dave, e as sátiras à ignorância e tédio também passam a abordar a forma como as celebridades são tratadas.
O tédio da rotina finalmente torna-se algo interessante, pelos motivos mais absurdos possíveis.
O desenrolar deste conto surreal é tomado em proporções… gigantescas. Collins, além de falar sobre a tediosa rotina, a ignorância, sensacionalismo, espetacularização e o caos já citados, dá um charme a mais quando utiliza trechosmusicais no texto, muito bem traduzido por Eduardo Soares. Terrorismo, xenofobia e patriotismo também são assuntos tocados, firmando o teor tão atual das críticas da obra.
O caráter inventivo do quadrinho é mantido até o fim. A mídia, as corporações, as pessoas e os animais exercem alguma importância para o crescimento da barba de Dave, que pode ser inserido em diferentes perguntas. Seria o momento de rebeldia em oposição ao tédio? Seria a pressão social para com o diferente? Ou só a vontade em desbravar o desconhecido de Lá, onde tudo que foge do padrão supostamente habita?
Aqui é o que conhecemos. O mar representa o trajeto, enquanto Lá é o temido, desconhecido e diferente.
A Gigantesca Barba do Mal é uma verdadeira fábula moderna em quadrinhos. O texto é poético, as ilustrações são estilizadas e o desfecho é inesperado e melancólico. Inteligente, ousada e real, esta história marca com louvor a estreia de Stephen Collins no mercado das graphic novels, um sopro de criatividade para as HQs, tendo sido indicada ao Prêmio Eisner de Melhor Álbum Inédito.
A Gigantesca Barba do Mal possui 240 páginas encadernadas em brochura no formato 24 x 17 cm, com preço de capa sugerido R$ 44,90.
Após exatos 30 anos, O Sombra de Howard Chaykin será republicado no Brasil. Chegando às livrarias em um encadernado de luxo lançado pela Mythos Editora, a republicação também irá conter uma história inédita do personagem. Confira os detalhes abaixo!
Sangue e Sentença, a história que fez a carreira de Howard Chaykin, pela primeira vez no Brasil desde 1987, num único e luxuoso volume! Quando os amigos e operativos do Sombra começam a ser brutalmente assassinados, o herói é obrigado a voltar de uma aposentadoria, depois de décadas. Também na edição, em aventura totalmente inédita, o triunfal retorno de Chaykin ao personagem, quase 30 anos depois, na história Meia- Noite em Moscou!
A minissérie foi publicada originalmente no Brasil em 1987 pela editora Abril na revista do Batman, entre os números 2 e 5. Na época a revista compilava histórias do Homem-Morcego, do Questão e a série do Sombra de Howard Chaykin, que assina tanto roteiro quanto arte.
Pela Mythos Editora O Sombra foi publicado em três outros encadernados: O Fogo da Criação, A Revolução e O Sombra/Besouro Verde: Cavaleiros das Trevas. Outro material clássico de Howard Chaykin republicado pela editora foi American Flagg, um dos destaques de 2015.
O Sombra: Grandes Mestres – Howard Chaykin possui 252 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 17 cm, com preço sugerido de R$ 84,90.
Há 25 anos atrás em um episódio da clássica série animada do Batman, a Arlequina fazia a sua primeira aparição. Foi no dia 11 de setembro de 1992 no episódio “Joker’s Favor” (Um Favor para o Coringa aqui no Brasil). Criada por Paul Dini e Bruce Timm, a personagem chegou a um patamar que nem a dupla gestora imaginou que a Dra. Harleen Frances Quinzel alcançaria.
A Arlequina já saiu da sombra do Coringa faz tempo, e é sucesso em diversas plataformas. Ganhou sua própria HQ, se tornou um dos principais nomes do Esquadrão Suicida e é um dos personagens mais rentáveis da Editora das Lendas.
Confira a capa variante feita por Jim Lee:
O one-shot tem lançamento planejado para setembro, no mesmo dia em que o episódio foi ao ar 25 anos atrás. E vai contar com diversas histórias da Arlequina, na equipe criativa fazem parte os escritores Amanda Conner e Jimmy Palmiotti. Oco-criador Paul Dini também vai produzir uma história. Os desenhos serão de Chad Hardin. Além deles a dupla Chip Zdarsky e Joe Quinones, que trabalharam muito tempo com Howard o Pato na Marvel Comics, também vão participar da edição.
Marvel Legacy #1 será uma história especial lançada em one-shot pela Marvel Comics que marcará o início de uma nova fase para a Casa das Ideias. O roteiro será de Jason Aaron e arte de Esad Ribic, a dupla consagrada de Thor: O Deus do Trovão.
A trama de Legacy ligará os personagens principais da Marvel a uma trama maior que envolve uma formação de Vingadores de 1.000.000 aC repleta de rostos conhecidos.
O que tudo isso significa? Todos os heróis da Marvel, novos e antigos, são parte de um Legado de heróis da antiguidade
E quem são os Vingadores de 1.000.000 ac? Odin, Agamotto e versões antigas do Punho de Ferro, Pantera Negra, Motoqueiro Fantasma, Fênix e Estigma.
“Marvel Legacy # 1apresentará a todos os fãs – novos leitores e leitores atuais – o melhor salto na história das histórias em quadrinhos”, disse o editor da Marvel, Axel Alonso. “O que Jason Aaron e Esad Ribic criaram é mais grandioso e mais gigantesco do que qualquer coisa que já vimos antes e introduz conceitos e personagens nunca vistos no Universo Marvel. Os fãs vão testemunhar um olhar totalmente novo sobre o Universo Marvel, começando em um dos primeiros momentos do tempo até o presente.”
Marvel Legacy #1 de Jason Aaron e Esad Ribic está previsto para estrear em Setembro nos EUA.
Para muitos, Batman: O Cavaleiro das Trevas se trata de uma simples história sobre um duelo entre os dois maiores ícones da DC Comics. E se eu te disser que não? E se eu te disser que ela vai muito além disso?
“Eu quero que você se lembre, Clark, em todos os anos que estão por vir, em seus momentos mais íntimos, eu quero que você se lembre da minha mão na sua garganta, eu quero que você se lembre do único homem que te derrotou.”
Vindo de uma família pobre de operários irlandeses, Frank Miller se mudou para o violento bairro de Hell’s Kitchen em Nova York ainda em sua adolescência, para tentar a vida como artista. No início, Miller trabalhou em títulos genéricos na Gold Key Comics. Até que, em 1979 teve a chance de mostrar seu talento a Jim Shooter, na época editor-chefe da Marvel Comics. Em pouco tempo, assumiu o título do Demolidor, que vinha de uma constante queda nas vendas, mas isso a gente deixa pra outro dia.
O jovem Frank Miller na San Diego Comic Con (direita) em 1982 e sua estreia no título do Demolidor na edição 158 de 1979
Em Batman: O Cavaleiro das Trevas, Frank Miller consagrou o Batman que conhecemos hoje. Psicótico, violento e sombrio, características que já estavam sendo apresentadas alguns anos antes por Denny O’Neil e Neal Adams na década de 70. Policiais não eram mais os mocinhos e você não podia confiar em seus pais, o morcego entrava na Era Moderna dos quadrinhos, onde o mundo não era mais o mesmo, e todos eram passíveis de corrupção.
Batman #244 (O Demônio vive outra vez) escrita por Denny O’Neil e desenhada por Neal Adams, já retratava um Batman mais adulto e sombrio.
Antes de tudo, é preciso entender o contexto e a época em que a história é baseada. O ano era 1986, a Era do novo conservadorismo de Ronald Reagan nos Estados Unidos e a tensão nuclear da Guerra Fria regiam o mundo. Era uma época sombria de incertezas. A energia nuclear poderia ser a nossa salvação ou nossa destruição. Muitos heróis e vilões criados durante o início dos anos 60 receberam seus poderes advindos da radiação.
Bruce Banner ganha seus poderes através da radiação gama em Hulk #1. A radiação era o assunto nos quadrinhos durante a Guerra Fria.
Desemprego, violência, inflação, decadência… eram coisas que incomodavam a mente tempestuosa de Miller na época.
Na história, ambientada em um futuro distópico e autoritário, Bruce Wayne está aposentado há 10 anos de suas atividades como vigilante, após a trágica morte de seu parceiro, Robin(Jason Todd) e de diversas pressões governamentais, que tornara qualquer atividade de mascarados ilegais. O Batman não existe mais e o mundo vive em decadência, a mercê das gangues e da corrupção. Mas agora, com 55 anos, ele se vê obrigado a reviver velhos hábitos e vestir novamente o manto do protetor de Gotham:
”O momento chegou. Em seu íntimo você sabe, pois eu sou sua alma. Não há como escapar de mim. Você é frágil, você é pequeno…Você é menos que nada, uma carcaça vazia, um trapo que não pode me conter. Ardentemente eu queimo sua pele e assim brilho cada vez mais belo e feroz. Você não pode me deter, nem mesmo com o vinho ou o peso da idade! Você não tem como me deter, e mesmo assim ainda tenta, ainda foge.” Em uma de suas alucinações, vemos o morcego retomar o controle de Bruce Wayne.
Considerado um fora da lei, ele age como um agente anti-governo para proteger o povo. Para muitos, chega a ser um personagem com tendências fascistas, já que ele atua como juiz, júri e executor, passando por cima de qualquer burocracia ou legislação. O traço de Miller casa perfeitamente com a narrativa, dando um tom ”sujo” e decadente a história. Não podemos esquecer da arte-final magistral de Klaus Janson e as cores de Lynn Varley que complementam a obra e toda sua atmosfera.
Um detalhe interessante em algumas das páginas da Graphic Novel é seu formato 4×4. Uma grade de 16 quadros com textos e diálogos torna a leitura mais densa e pode assustar alguns leitores inexperientes logo de cara. A inspiração de Miller para o personagem veio de uma figura carimbada dos filmes de ação. Clint Eastwood, de Impacto Fulminante de 1983, onde o policial Harry Callahan é forçado a voltar a ativa e botar ordem na casa com sua Magnum 357. Um clássico do cinema Brucutu!
Cavaleiro das Trevas foi um marco no mercado também. Visto antes como um produto infantil, os quadrinhos ganharam notoriedade e atenção da mídia da época. O impacto da obra e o boca-a-boca fizeram com que o título tivesse 4 reimpressões seguidas, coisa que não acontecia há pelo menos 30 anos.
Entrevista de Frank Miller a badalada Revista Rolling Stone em Janeiro de 1986.
Logo na primeira parte da trama, somos apresentados ao reabilitado ex-promotor público e criminoso, Harvey Dent (Duas Caras). Através de uma cirurgia plástica, Harvey tem sua face reconstruída e aparentemente arrependido de seus crimes, deseja ser reintroduzido a sociedade. Mas se tratando de vilões do Batman, nada termina com um final feliz e Harvey acaba ressurgindo ainda pior e mais obssessivo com o número 2 e sua dualidade (bem e mal). Os diálogos poéticos de Miller trazem uma profundidade ímpar as páginas.
Fato curioso, é que percebemos que o Morcego é tão perturbado quanto os vilões que combate, e tudo que ele vê é um reflexo.
Também somos apresentados a Carrie Kelley, a carismática sidekick que, com uma fantasia caseira de Robin e inspirada pelos atos do Morcego decide fazer a diferença no mundo e lutar contra aquilo que acha errado. Essa é uma característica muito marcante de Frank Miller e seus personagens. O “American Way of Life” de fazer as coisas. Lutar por aquilo em que acredita, liberdade, direitos à vida e a busca pela felicidade. A relação paternal e hierarquica entre os dois personagens ao decorrer da trama é outro ponto alto do gibi.
Não faltam críticas ácidas às políticas brandas de punição e aos Direitos Humanos. Os diálogos televisivos mostram sempre a dualidade das opiniões em relação a violência. De um lado, a hipocrisia dos intelectuais, do outro, Lana Lang, a ‘advogada do Diabo’, defendendo os atos ilegítimos do Morcego.
Até onde vão os direitos de um criminoso? Tema muito debatido até hoje, principalmente nas Redes Sociais.
Nem a mídia escapa. Em seu prefácio, publicado aqui no Brasil na edição definitiva, Miller faz duras críticas aos meios de comunicação, e a parcialidade dos mesmos.
“O Cavaleiro das Trevas é, obviamente, uma história do Batman. Em grande parte, procurei usar a escalada da criminalidade no mundo ao meu redor para retratar um mundo que precisava de um gênio obsessivo, hercúleo e razoavelmente maníaco para por as coisas em ordem. Mas isso era apenas metade do serviço. Eu não guardei meu veneno mais poderoso pro Coringa ou pro Duas-Caras, mas para as insípidas e apelativas figuras da mídia que cobriam de forma tão pobre os gigantescos conflitos daquela época. O que essas pessoas insignificantes fariam se gigantes andassem sobre a Terra? Que tratamento elas dariam a um herói poderoso, exigente e inclemente?”
As autoridades sempre se esquivam quando questionadas sobre a escalada da violência em Gotham. Um jogo de Volleyball de responsabilidades, que passa do Presidente, ao Governador, do Prefeito ao Comissário.
O Dr. Bartholomew Wolper representa os direitos humanos. Cumpre o papel de sempre defender vilões, e sempre atribuir a culpa a terceiros e ao próprio Batman pela violência em Gotham.
Batman passa a sentir prazer na tortura que inflige aos criminosos. Miller nos faz sentir empatia por um personagem sádico e violento, ao mesmo tempo que nos apresenta adversários tão violentos quanto. Seria uma forma de justificar os seus métodos. Fogo contra fogo.
“Foi difícil carregar 120 quilos de sociopata até o topo das Torres de Gotham… o ponto mais alto da cidade. Mas os gritos compensaram”.
Alguém está armando a Gangue Mutante em Gotham. Ao interrogar um dos membros da sádica gangue de jovens, Batman chega ao General do Exército, que se suicida ao saber que foi descoberto. Impossível não associar ao famoso escândalo Caso Irã-Contras, episódio onde os EUA facilitara a venda de armas aos Iranianos em troca de reféns estadunidenses, sequestrados pelo Hezbollah e o Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica. Oliver North, na época membro do Conselho de Segurança Nacional, usara o dinheiro das armas para financiar os Contras na Nicarágua em uma campanha rebelde anticomunista.
O Coronel Oliver North na capa da revista Time (esquerda) O General do exército se suicida ao ser descoberto (direita) O quadro representa a morte da moral e da ética.
Os jovens integrantes da Gangue Mutante se resumem simplemente a brutalidade. Não se importam com dinheiro, apenas chocar a sociedade.
“Mulher explode no Metrô. Imagens no noticiário às onze.” A violência nas estações de metro nos anos 80 retratada em ‘Cavaleiro das Trevas.
As gangues eram o assunto do momento, inclusive na música e no cinema.
Em seu primeiro confronto contra o Líder Mutante, Batman acaba percebendo que não é páreo para o vigor e a selvageria da juventude. Outro ponto interessante que marcou e influenciou o personagem em seus anos seguintes nos quadrinhos: a necessidade constante de sempre estar se testando diante de inimigos mais fortes.
A juventude em Cavaleiro das Trevas é retratada como uma massa sem direção, a procura de um líder. Ela clama por um líder. Um tópico bem atual hoje em dia também. Isso é exemplificado na épica luta contra os Mutantes, onde, após humilhar o Líder Mutante em uma poça de lama, ganha a liderança dos jovens, sedentos por brutalidade.
“Isso não é uma poça de lama! É uma mesa de operação, e eu sou o cirurgião!”
O Líder Mutante é humilhado na frente de todos os seus soldados, brutalmente espancado. Uma vitória moral.
Os Mutantes agora não existem mais e têm um novo líder.
”Gotham City pertence ao Batman!” Os Mutantes foram extintos. Os remanescentes da antiga gangue foram presos, e a maioria se juntou a nova gangue: Os Filhos do Batman.
Ainda falando de vilões, Brüno, uma vilã com suásticas nazistas tatuadas nos seios e glúteos, aterroriza Gotham a serviço do Coringa.
Brüno teve seu visual inspirado em um vilão de sucesso da época: Ivan Drago de Rocky IV (1985).
A volta de Batman a ativa trouxe não só os holofotes da mídia para si, mas também de um antigo inimigo: O Coringa, há 10 anos no Asilo Arkham sem um objetivo, agora desperto, planeja uma aparição na TV junto ao seu médico, o Dr.Bartholomew Wolper.
O Coringa planeja algo grande para sua aparição na TV.
The David Endochrine Show vs Late Show With David Letterman: uma paródia ao icônico apresentador, responsável por difundir formatos de Talk Shows.
O Palhaço do Crime está no ápice de sua insanidade. Mata todos no estúdio, centenas de pessoas inocentes. Agora, ele quer que o Batman o cace, como um jogo de gato e rato, como nos velhos tempos. Mas agora é diferente. O morcego se sente responsável por todas aquelas vidas ceifadas. Decidido de vez a acabar com o Coringa, parte com tudo pra cima do Palhaço. Desta vez não haverá prisioneiros.
Carrie Kelley fica chocada com a pilha de mortos deixada pelo Coringa na Feira da Amizade. Pelo menos 16 escoteiros.
“Pretendo contar os mortos, um a um. Vou pôr todos na lista, Coringa. A lista das pessoas que eu assassinei, por ter deixado você viver[…] Consegue ver, Coringa? Eu sinto como estivesse escrito em meu rosto. Passei noites em claro planejando, visualizando a cena. Noites sem fim. Considerando todos os métodos possíveis, saboreando cada momento imaginário. Desde o começo eu sabia, que não há nada errado em você que eu não possa resolver com minhas mãos.”
A luta contra o Coringa é sangrenta e implacável. Ela se estende por toda a Feira, passando pela casa de espelhos até ter seu desfecho no Túnel do Amor. Miller não poderia ter escolhido lugar melhor para terminar. No último instante, a moral do Morcego prevalece.
“Vozes me chamando de assassino. Eu gostaria de ser.”
Ele desiste da ideia de matar o Coringa, mas o aleija, deixando o vilão paralítico do pescoço pra baixo e um pouco decepcionado.
“Eu estou desapontado com você, querido. O momento era tão perfeito, e você não teve coragem. Uma pressãozinha a mais e eu teria…”
Em um último ato de vilania, ele termina de quebrar o próprio pescoço. Este é o fim do Palhaço do Crime. Batman agora precisa fugir da polícia o quanto antes, mas não sem antes de um último adeus. Digno.
Na útlima parte, temos a cereja do bolo, ou pelo menos o momento mais lembrado pelos fãs. Batman x Superman.
Mesmo impedindo a bomba nuclear, o Superman não consegue impedir o blackout total, gerado pelo pulso eletromagnético da explosão. Antes, sufocando pelo calor angustiante, agora a cidade perece com a ausência de energia elétrica e luz solar, esta última bloqueada pela fuligem das cinzas da bomba. Pessoas estão morrendo de frio e de fome, o caos é instaurado e o sentimento de egoísmo toma conta dos corações dos cidadãos de Gotham, que querem a qualquer custo sobreviver. Mesmo que para isso tenham que matar seus vizinhos.
“Não existe desculpa pro que fizemos. Não estávamos loucos. Simplesmente viramos um bando de animais egoístas”.
Batman e sua nova Gangue, os Filhos do Batman, botam ordem ao caos, não só combatendo aqueles que se negam a ajudar, mas inspirando os cidadãos a despertar o seu bom senso. Dentre todas as cidades afundadas em desordem e desespero, Gotham é a única que consegue se manter no controle.
“Hoje nós somos a lei. Hoje, eu sou a lei”.
Isso enfurece o presidente, que agora com a opinião publica contra suas políticas, aciona o Superman para dar cabo, de uma vez por todas no Vigilante de Gotham. Presidente este que atua diante as câmeras, um falso otimismo em meio ao pânico nacional. Uma alfinetada de Miller ao presidente Ronald Reagan, que foi ator em sua juventude.
“Nada que não possamos resolver, pessoal. Nós ainda somos a América e eu ainda sou o presidente.”
É interessante frisar que este Superman submisso ao presidente não é o mesmo Superman que estamos acostumados. Há sempre aquele papo de “Frank Miller descaracterizou o meu Superman”. É bom lembrar que este universo é pertencente a Terra-31. Essa é a beleza do Multiverso da DC Comics e as variadas versões de seus personagens. Voltando…
A luta contra o Escoteiro é curta e épica. Contando com apenas meia dúzia de páginas, cheia de simbolismos, e com diálogos magistrais e poéticos, nos apresenta uma analogia do Povo contra o Estado. Um Estado este ausente e omisso, que não garante nem protege nenhum dos direitos básicos, e manipula a opinião pública a seu favor. Todos falharam, é a nossa vez de tentar.
”Naquele momento víamos o fogo do Liberalismo acabar com a época calma e conservadora dos anos 80.”
-Mark Waid
A surra no Azulão dói. Mas não é uma dor física. O Superman toma uma surra moral, um choque de realidade.
“Você traiu a todos nós, Clark. Deu a eles o poder que devia ter sido nosso!”
Um ataque cardíaco coloca fim a luta. O Batman está morto, ou quase isso. Depois de forjar a própria morte, e com um exército secreto no subterrâneo, o Morcego é um fantasma, que agirá pelas sombras secretamente onde o Estado falhar, para proteger e guiar a população. Fascista para alguns, herói para outros, o Batman de Frank Miller sempre vai dividir opiniões nos campos ideológicos.
Em 2012 e 2013, Batman: O Cavaleiro das Trevas ganhou uma adaptação animada. Não tem todo o background dos quadrinhos, mas mesmo assim é um ótimo entretenimento.
Em 2015 foi lançado um prequel da história, The Dark Knight Returns: The Last Crusade. Confira nossa crítica aqui.
Resumir Batman: O Cavaleiro das Trevas a uma simples porradaria entre Batman e Superman ou ao “Roteirismo” deveria ser um crime. Ela é muito mais que isso. É uma história atemporal, de relevância histórica, com uma narrativa desafiadora que até hoje influencia os autores e personagens de quadrinhos. É, sem dúvidas, um material indispensável em qualquer coleção e independente de qualquer orientação política.
Dark Nights: Metal, o próximo grande evento da DC começa em setembro. Nele teremos a introdução de um novo conceito chamado Multiverso Sombrio. A editora anunciou os one-shots da saga, que serão protagonizados por versões malignas do Batman. Além disso, teremos um crossover entre as revistas do Asa Noturna, Esquadrão Suicida e Jovens Titãs chamado Gotham Resistance. Conheça as equipes criativas por trás dos one-shots.
Batman: The Read Death é o primeiro a ser lançado. Escrito por Joshua Williamson e desenhado por Carmine Di Giandomenico (Flash). Ainda em setembro, Batman: The Murder Machine, escrito por Frank Tieri (Mulher-Gato) e com desenhos de Ricardo Federeci.
Em outubro, Batman: The Dawnbreaker, escrito por Sam Humphries e desenhado por Ethan Van Sciver, e o roteirista Dan Abnett(Aquaman) colaborará com o artista Phillip Tan em Batman: The Drowned. O mês será concluído comBatman: The Merciless contando com Peter J. Tomasi (Superman) no roteiro e Francis Manapul (Trindade) na arte.
Em novembro teremos mais dois one-shots adicionais: Batman: The Devastator e The Batman Who Laughs, sem equipes criativas ainda definidas.
Além disso, Dark Nights: Metal contará com o crossover Gotham Resistance o qual ocorre em setembro. Na trama, os Batmen malignos infectaram os mais perigosos vilões da DC que estão prontos para dominar Gotham. Mas os heróis estão prontos para lutar pela cidade. O crossover compila Jovens Titãs #12 escrito por Benjamin Percy com desenhos de Mirka Andolfo, Asa Noturna #29 por Tim Seeley e Paul Pelletier, e Esquadrão Suicida #26 com roteiro de Rob Williams e arte de Stjepan Sejic.
O Renascimento já está sendo publicado no Brasil pela editora Panini. Para mais informações fique ligado na Torre de Vigilância.
Baseado na premiada HQ Beladona de Ana Recalde e Denis Mello, Pesadelos Terríveis é um jogo de terror que expande este universo ficcional. Este é um RPG de mesa no qual cria-se coletivamente um conto que flerta com terror, loucura e mistério, e será lançado em breve pela AVEC Editora. Confira os detalhes abaixo.
Pesadelos Terríveis é um jogo de fácil aprendizagem destinado àqueles que não se furtam de seguir em busca do sobrenatural que se espreita em Nosso Mundo ou de Fugir dos perigos criados no Mundo dos Pesadelos. Em entrevista, o autor Jorge Valpaços declara ser fã da história em quadrinhos, e um dos requisitos para a criação do jogo foi a acessibilidade, podendo ser jogado por pessoas inexperientes neste tipo de imersão.
Valpaços é parte do Lampião Game Studio, sendo um dos responsáveis gabaritados por outros jogos como Déloyal e Odú. Para criar Pesadelos Terríveis o autor teve que trabalhar com ideias como suspense, terror e horror, balanceando-os com elementos como ansiedade, dúvida, receio, etc. O nome do jogo surgiu das experiências de Samantha em Beladona, que tinha pesadelos terríveis ao longo da narrativa.
Confira abaixo algumas páginas de preview do livro:
A diagramação ficou por conta de Vitor Coelho, com o projeto supervisionado pelo editor Artur Vecchi. A previsão de lançamento é para o final do mês de junho, já podendo ser adquirido em pré-venda na AVEC Store ou na Amazon.
Pesadelos Terríveis: Beladona RPG possui 144 páginas em papel Lux cream 90g, encadernadas com capa cartão no formato 21 x 28 cm, com verniz localizado e preço de capa sugerido R$ 39,90.