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Tokyo Ghoul:re 1ª Temporada | Melhor que o esperado, mas ainda ruim

Chegou ao fim nessa última terça-feira, a exibição da primeira metade do anime Tokyo Ghoul:re, digo metade, pois foi confirmado recentemente que o anime terá uma “segunda temporada” que estreará em outubro desse ano.

Assim como eu disse em minhas primeiras impressões, a adaptação animada de Tokyo Ghoul:re continuou com os mesmos defeitos ao longo dos seus 12 episódios: designs mal feitos, história rushada, trilha sonora quase inexistente e uma animação bem mediana.

Na metade do anime, eu já havia aceitado que teríamos 0 diálogos e desenvolvimentos de personagem, somente porradaria. Isso acontece, porque o Studio Pierrot ainda acha que Tokyo Ghoul é um mangá somente de batalhas. É claro, temos batalhas, mas elas não são o foco da obra, inclusive as batalhas são o ponto mais fraco do mangá, isso se deve ao fato de Sui Ishida, autor de Tokyo Ghoul, não conseguir desenhar bem cenas de luta, que são simplesmente uma confusão.

Enfim, voltando para o anime, essa primeira temporada adaptou por volta de 58 capítulos do mangá, o que é muita coisa para 12 episódios, terminando na aparição do Black Reaper, uma das personalidades de Kaneki Ken, que é um tremendo “cuzão”. Mas não se deixem enganar, o Kaneki continuará apanhando :p . Visto que o mangá está para acabar, com 179 capítulos, é esperado que a segunda temporada do anime adapte os capítulos restantes, então se preparem para mais uma rushada.

Habemos Black Reaper

Como disse anteriormente, nenhum personagem, além do Kaneki, teve algum desenvolvimento (na real, nem ele…), o estúdio decidiu partir para a porrada, deixando de lado os momentos filosóficos e de simbolismo, que fizeram o mangá de Tokyo Ghoul se sobressair. No entanto, a animação é bastante ruim, então as lutas acabam não sendo nem ao menos impactantes ou empolgantes, isso somado a trilha sonora que simplesmente parece que nem existe.

Como se era esperado, o anime ignorou o desprezível Tokyo Ghoul√A de 2015, e mesmo assim os produtores decidiram não colocar nenhum resumo da parte que ficou faltando ser adaptada do mangá original, o que deixou aqueles que não leram, bastante confusos. Mas ai já era esperar demais da Pierrot

Nota: 6/10

Teaser da segunda temporada.

Enfim, agora é esperar a segunda temporada do anime, que estreará em Outubro de 2018 no Japão, e não deve ter nenhuma alteração em sua staff.

Visual Key da S02 de Tokyo Ghoul:re (sim, eles deram spoiler para aqueles que só acompanham o anime)

No Brasil, o anime não foi licenciado oficialmente. Já o mangá está sendo publicado pela Editora Panini e se encontra no volume 4.

EXTRA: 

Uma pequena, e triste, comparação entre o mangá e o anime, é impressionante como não conseguem acertar no visual…

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Primeiras Impressões | Magical Girl Ore

Tá, admito que esse parágrafo inicial normalmente é usado apenas para tirar um sarro e dizer que Japonês é um povo estranho, mas dessa vez, eu acho que eles têm razão. Presta atenção nisso: duas garotas que são idols, que se encontram com um membro da Yakuza que transforma elas em garotas mágicas, cuja verdadeira forma são homens sarados. Daí elas decidem virar idols ENQUANTO TRANSFORMADAS EM HOMENS SARADOS MÁGICOS.

Sério, como você pode não gostar de algo assim? É sensacional!

Ok, tudo bem. Sabemos que nem todos gostam de tudo, e que cada um tem o seu tipo predileto de mídia. Não somos todos iguais (graças a Deus!) e as diferenças são nossa força motriz. Mas mesmo assim, como que você pode ler uma descrição dessas e simplesmente não pensar “irado!“? Esse é o ápice da Japanimação e nem a vergonha alheia enorme de usar a palavra “Japanimação” não-ironicamente poderia superar a epicidade que estamos encarando aqui hoje.

Assim como One-Punch Man foi uma sátira que conseguiu rir de si próprio e se manter como um Battle Shounen enquanto tirava sarro de Battle Shounens, Magical Girl Ore faz exatamente a mesma coisa com o gênero Mahou Shoujo: é claramente um deboche de todas as obras semelhantes, mas continua sendo uma delas.

A cena de transformação; as roupinhas exageradamente coloridas; o mascote; a premissa confusa; os ‘vilões’ semanais e episódicos que não agregam em nada; armas duvidosas e questionáveis; o poder do amor movendo as personagens; aquela personagem chata que só existe para atrapalhar a vida das protagonistas…
Tudo está lá, todos os elementos de um Mahou Shoujo estão lá. É inegável que o show se trata, de fato, de um Mahou Shoujo. E o grande charme do show é justamente ser aquilo que eles mesmos parodiam.

Você já fez coraçãozinho com um membro da Yakuza hoje?

Se a simples meta-linguagem não for suficiente para te comprar, talvez o excessivo humor seja. Eu sou um cara que gosta de comédias (é o meu gênero predileto), e me agrado com tudo um pouco. Não tem tempo ruim comigo, desde que o negócio me faça dar risada, propositalmente ou não. Inclusive algumas das melhores obras que tem são aquelas acidentalmente engraçadas.

Com Magical Girl Ore, eu me vi não apenas dando risada, mas tendo crises de riso, em diversos momentos dos episódios. Além do humor parodial – que, confesso, você precisa ter ao menos uma base de conhecimento sobre clichês de garotas mágicas para entender – de excelente qualidade, o show ainda apresenta uma premissa tão absurda, e acontecimentos tão insanos, que simplesmente por existirem, certas situações já são engraçadas. É uma mistura maravilhosa de humor de nicho com humor nonsense, que trouxe o melhor dos dois mundos e conseguiu mascarar as falhas de ambos.

No elenco, temos personagens que são claramente esteriótipos ambulantes. Quando falamos de sátiras, fica difícil de fugir disso. Mas eles conseguem sair pela tangente ao colocar os esteriótipos em “carcaças” diferentes do comum. Essa diferença abismal entre cara-crachá que algumas personagens apresentam só acrescenta ao senso de humor que é o forte do anime (assim como era na antiga Zorra Total).

Mudando de assunto pra falar da parte técnica, Magical Girl Ore trabalha com bons visuais. Não é uma animação cinemática (às vezes, muito pelo contrário), mas faz um excelente uso de “carinhas”. Uma vez eu estava conversando com um amigo meu sobre o motivo dele não gostar de animes. A resposta dele foi que “personagem de anime faz muita ‘carinha’ e isso me irrita“. Desde então, passei a chamar qualquer expressão caricata usada por personagens de “carinha”. Esse show tem excelentes carinhas.

Meu amigo odiaria isso. Acho que nem por causa das carinhas, mas…

E não tem mais o que falar, sem se tornar repetitivo. Apesar dos três princípios da comédia (Não se lembra? O primeiro princípio da comédia é a repetição, e o segundo princípio da comédia é a repetição), e apesar de eu ser um palhaço, e apesar do anime de hoje ser uma excelente comédia… Chega de falar mais do mesmo.

Para finalizar, então: Magical Girl Ore apresenta exatamente o que promete em uma paródia ciente de si mesma e que tem um senso de humor hilário para 3% da população, mas que ainda pode oferecer algumas boas risadas para os outros 97%. Não sei você, mas ainda estou estupefato pelas garotas mágicas serem homens bombados contratados pela Yakuza.

Não conseguiria dormir a noite se desse uma nota inicial menor que 9/10 para Magical Girl Ore, que é a definição da frase “Deus abençoe essa bagunça“. O show está disponível na Crunchyroll, com novos episódios toda segunda-feira.

E não esquecer que pegar a pessoa desprevenida é o terceiro princípio da comédia.

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Mangá The Promised Neverland ganhará anime

Na mais recente edição da revista Weekly Shonen Jump, foi anunciado que o mangá The Promised Neverland (Yakusoku no Neverland) receberá uma adaptação em anime.

O mangá é um dos mais recentes sucessos da revista e vem batendo recordes de vendas, então já era de se esperar que teria um anuncio em breve.

Um PV com o anuncio foi divulgado, confira:

O anime também deve seus primeiros posteres divulgados, mostrando os protagonistas, Norman, Emma e Ray, respectivamente.

Escrito por Kaiu Shirai e desenha por Demizu Posuka, The Promised Neverland se passa no Orfanato Grace Field, onde aparentemente está tudo tranquilo, até que as crianças descobrirem que na verdade são criadas para serem comida de demônios.

Segundo os rumores, a produção ficará a cargo do recém formado estúdio Cloverworks, que vem trabalhando em conjunto com a A-1 Pictures nos animes Darling in the FranXX e na adaptação do jogo Persona 5. Membros da staff ainda não foram confirmados.

The Promised Neverland tem estreia prevista para Janeiro de 2019 e será exibido no bloco noitanimA, então chegará ao Brasil via Amazon Prime Video, com delay de uma semana em relação ao Japão.

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Primeiras Impressões | 3D Kanojo: Real Girl

Se você arruma uma namorada, por aqui você não precisa deixar claro de quantas dimensões ela é. Já no Japão, essa diferenciação não só é necessária como é obrigatória. Se isso não for ser um povo estranho, eu não sei mais o que é. Veja a prova no próprio anime que vamos comentar sobre, hoje. Não basta dizer que a namorada é 3D, tem que dizer também que ela é real. Incrível.

Mas tiração de sarro de lado, e indo praquilo que vocês realmente vieram aqui para, vou direto ao ponto com vocês, pois não há forma melhor de descrever esse show do que assim: O que diabos está acontecendo aqui?

Baseado num mangá relativamente antigo (início em 2011, com término em seu décimo segundo volume no ano de 2016), 3D Kanojo: Real Girl é da autora Mao Nanami, uma mulher que, por trabalhar num meio dominado por homens, tenta se destacar ao fugir dos padrões e mostrar facetas que não estamos acostumados a lidar nesse tipo de mídia. Já vou falar disso.
Mas antes tenho que expressar minha frustração.

A premissa do anime não é difícil de se entender, na real. É o clássico onde um garoto otaku nerd gótico diferente e raro, feito pra ser o self-insert do maior número de japoneses possíveis, DO NADA, consegue uma vida maravilhosa e que ele não merece de jeito nenhum. Se você parar pra buscar outras séries com mote semelhante, vai achar aos montes. Sério, não é difícil de encontrar, escapismo faz sucesso.

O que veio para – tentar – diferenciar o dito cujo dos seus milhares de concorrentes, ao que parece, não foi o seu roteiro, sua trilha sonora, nem sua animação. Suas personagens (ou melhor, suas personalidades e atitudes) aparentam ser o divisor de águas. Ao menos foi o que os três primeiros episódios tentaram passar.

Senta que lá vem a história…

Normalmente temos um elenco ideal: personagens boas, talvez injustiçadas, beirando a perfeição. Problemas nunca são culpa do protagonista, mas sim desse mundo cruel onde uma boa alma não consegue perambular em paz, sem ser julgada e abusada.

Não aqui. Não nesse show. O garoto é recluso, pouco confiante, covarde, desdenhoso e suas ações são mais movidas a orgulho do que benevolência. A garota é rebelde, promíscua, impulsiva, mentirosa e não possui um só pingo de juízo.

As nossas personagens principais são pessoas repletas de problemas, com personalidades questionáveis e defeitos até faltar adjetivos (tive certa dificuldade pra completar o último parágrafo, inclusive). Falando em bom português, ambos garoto e garota são péssimas pessoas. Não é um nível de problemática onde você pode usar o discurso de que as personagens são “realistas por terem defeitos”. São defeitos demais, pontos negativos demais, pra poucos elogios.

O mais intrigante, porém, é que a velha regra da matemática se aplica também ao show business: menos com menos dá mais. Eu passei nervoso vendo os dois protagonistas sozinhos, mas quando estão juntos… Parece que funciona? A interação entre os dois é sensacional, e consegue usar os seus respectivos defeitos de uma forma que complementam as falhas do outro.
Mas quando eles estão separados, continuam detestáveis.

Só que as coisas entendíveis acabam por aí. O ritmo do anime é frenético, e as coisas acontecem uma atrás da outra, sem te dar tempo para respirar ou tentar entender o que diabos rolou. Não é que o show seja rushado, é mais que as próprias personagens são frenéticas, e tomam decisões além da compreensão de um humano normal. Você vê mil coisas sendo ditas e acontecendo dentro e fora da tela, e nenhuma delas é explicada em momento nenhum.

Tanto os fatos quanto os “defeitos” das personagens mencionados anteriormente não são explicados e ficam no ar para entender como ou o motivo deles existirem. Claro que com apenas três episódios, não dá pra ter certeza de nada mesmo que a autora tentasse explicar, mas ficar no escuro assim não é muito legal.

Quando você finalmente você tem uma namoradinha e seu tio chega no churrasco.

Apesar de ser chamado de “comédia-romântica”, o show tem seus momentos divertidos, mas nada de extraordinário até então. Coisa no nível Os Trapalhões, no máximo (não que Os Trapalhões seja ruim, é claro). E eu não pude deixar de reparar no enorme CLIMÃO que a atmosfera do anime passa com sua abertura (“Daiji na Koto” por Quruli) e suas músicas de fundo. Parece que algo vai dar errado, lágrimas vão ser derramadas e pessoas vão ser atropeladas por caminhões a qualquer momento. Não sei se estou preparado para isso.

Só para não perder o costume, podemos falar da parte técnica: o estúdio responsável é a Hoods Entertainment; e quem dirige é Takashi Naoya, que tem em seu currículo a direção de um terço de um de meus animes prediletos, que por acaso também é uma comédia-românica: Sakurasou no Pet na Kanojo. Lá, o trabalho foi bem feito. Podemos esperar algo no mesmo nível para cá.

No final das contas, 3D Kanojo: Real Girl consegue ser divertido, apesar de você não entender o que está acontecendo por 90% do episódio. Tenho como esperança de que no futuro, todas as decisões tomadas e todos os defeitos dos personagens sejam devidamente explicados. Por enquanto, um 6/10 parece ser razoável, e ainda aguardamos por fatos (ou pela falta deles) para saber se essa nota desce ou sobe ou empina ou rebola.

O show pode ser assistido legalmente no sistema de streaming da Hidive, com legendas em português.

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Primeiras Impressões | Golden Kamuy

Um dos maiores hypes para a temporada de Primavera 2018 com certeza era Golden Kamuy. O mangá de Satoru Noda vem ganhando espaço na indústria nos últimos anos, conquistando fãs e prêmios e com isso, criando bastante expectativa para a sua versão animada.

Pois bem, após assistir aos dois primeiro episódios do anime, decidi dar meu parecer sobre o mesmo, e já digo de antemão, que decepção.

A adaptação de Golden Kamuy ficou a cargo do Geno Studio, um estúdio recém formado que tem em seu currículo apenas dois projetos, o filme Gyakusatsu Kikan, lançado em 2017 em pareceria com o estúdio Manglobe, e o anime Kokkoku, que foi transmitido agora no início do ano, cujo eu dropei no segundo episódio, após dormir no mesmo (e pelos comentários que eu li, não melhorou em nada). Então era de se esperar que Golden Kamuy teria uma produção meia boca, fazer dois animes seguidamente demanda tempo e dinheiro, além de mão de obra.

O primeiro episódio já trouxe logo de cara, um meme instantâneo: os ursos em CGI. Quando eu vi a screenshot da cena, jurava que era montagem de tão mal feita que ficou, mas infelizmente, ao assistir o episódio, me deparei a aberração. Simplesmente ficou horroroso, mas só isso não tinha sido suficiente, eles ainda tiveram a pachorra de dar um close em uma das criaturas.

Em uma entrevista publicada em Janeiro desse ano, o diretor, Nanba Hitoshi e o roteirista, Takagi Noboru, disseram que colocariam o Urso em CGI, pois queriam que ele emanasse uma presença maior da dos personagens. O uso do 3D causaria uma “atmosfera incomum”, e bem… eles conseguiram.

Que fofo, quero um para mim.

Tirando essa bizarrice, a história de Golden Kamuy é até que interessante, e simples. Sugimoto é um ex-soldado que está a procura de ouro para poder sustentar a família de seu amigo morto na Guerra Russo-Japonesa, cuja a esposa está ficando cega. Em sua busca ele descobre que um carregamento de ouro roubado do povo Ainu está escondido, e o caminho só pode ser descoberto através de tatuagens nos corpos dos companheiros de cela do ladrão. No entanto, ele logo descobre que não é o único que está a procura desse tesouro, e assim começa a “Corrida pelo Ouro”.

Além da história, o protagonista, Sugimoto, foi a melhor coisa desse primeiro episódio. Denominado de Sugimoto, o Imortal, ele não pensa duas vezes antes de fazer algo, e isso incluí dar um soco em um urso. Aos poucos iremos saber os verdadeiros objetivos dele. Fomos apresentados também a Asirpa, uma Ainu, que teve seu pai assassinado pelo mesmo ladrão do ouro, e decide ajudar Sugimoto em sua aventura.

Já no segundo episódio, apesar de não ter outro urso de CGI, o anime trouxe um design totalmente relaxado e mal feito. A cada cena os personagens simplesmente não se pareciam com nada do que tinha sido apresentado nas cenas anteriores. É nítido a falta de tempo que o Geno Studio teve, visto que tinha acabado de produzir Kokkoku.

Mas, novamente, a história e os personagens foram os destaques do episódio. Foi apresentado um pouco sobre a cultura Ainu, além de apresentar um novo personagem: Yoshitake, o “Rei das Escapadas”, um dos prisioneiros que foram tatuados, e traz cenas divertidíssimas. Também foi mostrado o que pode ser o inimigo desse início de Golden Kamuy, a 7ª Divisão.

Nota: 5/10

Eu não continuarei assistindo ao anime, pois, eu gostei tanto da história, dos personagens, e ambientação, que irei passar para o mangá. Infelizmente ele não é publicado aqui no Brasil, mas torçamos para que o anime possa fazer alguma das editoras mudar de ideia.

Golden Kamuy é exibido no Brasil pela Crunchyroll.

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Bleach ganha novo trailer com Shinigamis e Hollows

A Warner Bros. divulgou um vídeo promocional inédito de Bleach, adaptação em live action do famoso mangá e anime de Tite Kubo, que conta a saga de Kurosaki Ichigo. Confira.

Bleach chega aos cinemas japoneses no dia 20 de julho.

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Primeiras Impressões | Tokyo Ghoul:re

Quando estreou em 2014, o anime Tokyo Ghoul se tornou um grande fenômeno naquele ano, e não era para menos, apesar de ter sido uma adaptação rushada do mangá, cortando diversas partes importantes, ele possuia uma ótima produção, tanto em sua direção e animação quanto na sua trilha sonora. Contudo, em 2015, Tokyo Ghoul√a veio ao mundo, e… foi deplorável.

Seguindo um rumo completamente diferente do mangá, essa temporada não fazia nenhum sentido, além de possuir escolhas bastante duvidosas em relação aos seus personagens, muita coisa do original foi deixada de lado, se tornando um tremendo desastre, tanto de crítica quanto de público, fazendo com que os, possíveis, planos para uma terceira temporada fosse engavetada (digo possíveis porque o anime termina em aberto). Lembrando que o material original já havia sido finalizado em 2014, com 14 volumes.

Ainda em 2014, a obra recebeu uma sequência, chamada de Tokyo Ghoul:re, que é publicado até hoje, e que já se encontra em seu arco final. Ele se passa 2 anos após os eventos do primeiro mangá, apresentando novos personagens e dando continuação ao enredo, mas dessa vez com foco na CCG, a polícia anti-Ghoul da obra.

No final de 2017 foi anunciado que Tokyo Ghoul:re receberia uma adaptação em anime, também pelo estúdio Pierrot, mas com um novo diretor no comando, Odahiro Watanabe (Soul Buster). Visto que o √a tomou um rumo diferente da obra original, incluindo o seu final, como eles fariam para ligar, sem confundir aqueles que não leram o mangá? O que no caso é muita gente.

A resposta é simples: eles ignoraram a existência do √a, pelo menos é o que indica esse primeiro episódio.

Os novos “protagonistas”.

Aqueles que tiveram o desprazer de assistir a temporada anterior devem ter percebido que decidiram matar o Hide, melhor amigo do protagonista, no entanto, na obra original, isso nunca aconteceu. O destino de Hide, inclusive, era um dos mistérios que o primeiro mangá havia deixado, pois a última vez que o vemos, ele, aparentemente, tinha sido comido por Kaneki, o dando forças para enfrentar Arima.

O novo anime ignora o fato de Hide ter morrido e o trata apenas como desaparecido. É claro que isso pode ser revertido mais para frente, mas é o que eu acredito no momento.

Agora sobre o anime em si, eles novamente erraram, mas talvez tenha sido compreensível (?).

A maioria dos leitores acham o início de Tokyo Ghoul:re maçante, pois há mais diálogos e ação, por se tratar de um lado oposto do que havíamos tido no primeiro mangá, sai a Anteiku, e entra a CCG. Como o estúdio Pierrot ainda acha que Tokyo Ghoul é um battle-shounen, decidiram correr, mais uma vez, com a história, indo direto para a ação.

O primeiro episódio adapta os 6 primeiros capítulos do mangá, isso é, 2/3 do primeiro volume, e corta bastante diálogos, incluindo um flashback sobre um dos personagens principais, mas esse eu creio que irão mostrar no futuro, pois é algo essencial para a trama.

Acerca do protagonista, por mais que a abertura tenha dado spoiler de quem ele é, muitas pessoas se perguntam como isso aconteceu. Eu realmente não sei se o anime decidirá mostrar essa parte, que não chegou a ser adaptada, então deixo aqui meu parecer sobre isso. Spoilers abaixo:

[spoiler]No final do mangá original, ocorre uma luta entre Kaneki e Arima, onde o protagonista leva uma surra, perde seus olhos e é dado como morto. Ao final da obra, somos apresentados a Haise Sasaki, o novo protagonista. E como falei acima, a própria abertura acaba dando o spoiler sobre a identidade de Haise, além de ser o gancho dado pelo primeiro episódio.[/spoiler]

Sobre os demais personagens, foi mostrado muito pouco deles nesse primeiro episódio, tirando o Urie, onde foi apresentado um pequeno trauma e uma vontade de sempre querer subir de rank e ser o melhor. O personagem no começo é bem irritante, mas nos capítulos atuais ele dá uma melhorada, assim como aconteceu com o Tsukiyama.

Uma comparação entre a última página do capítulo 6 e a última cena do episódio.

O novo anime possui uma produção bem abaixo das anteriores, os novos designs de personagens são horrendos, eles não se deram nem ao trabalho de copiar a arte original de Sui Ishida, você só reconhece os personagens pois é dito o nome deles, e a trilha sonora não é nada marcante, algo que as primeiras temporadas tinham de bom.

A direção não consegue passar emoção nenhuma, as cenas parecem sem vida. Mas pelo menos a animação está razoável.

Minha nota para essa estreia é 5/10. Foi menos pior do que eu havia imaginado.

Foi confirmado que o anime terá ao todo 12 episódios. Até o momento dessa publicação, Tokyo Ghoul:re não está disponível em nenhuma plataforma de streaming oficial no Brasil. O mangá é publicado pela Editora Panini.

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Caça Níquel ou Vale a Pena? O Primeiro Ano do anime de Boruto

Desde que o mangá de Naruto chegou ao fim, em 2014, tanto a Shueisha, quanto a TV Tokyo/Pierrot, sabiam que teriam que fazer algo para continuar a nadar no dinheiro que a obra proporcionava. O primeiro passo já tinha sido dado ao apresentar o filho de Naruto, Boruto, no último capítulo do mangá. Após isso, tivemos um filme sobre o protagonista, em 2015, chamado de Boruto: Naruto the Movie. Era questão de tempo para que o filho do ninja laranja ganhasse sua própria série.

Cap. 700 do mangá.

Em 2016, começou a ser serializado mensalmente, na revista Shounen Jump, o mangá Boruto: Naruto Next Generations, que começou adaptando o filme de 2015, e depois seguiu seu rumo, se tornando uma das piores coisas em publicação na revista atualmente. Incluindo sexualização de personagens, como Sarada. Mas isso é papo para outra hora.

Já no anime, a Pierrot, estúdio responsável pela série, como sempre, esticou Naruto Shippuden até o episódio 500, adaptando algumas das light novels da série, que se passam pós-mangá. Com isso, em Abril de 2017, começou a exibição do anime. Não adaptando nem o filme, nem o mangá, mas sim trazendo uma história original, mostrando Boruto entrando na Academia Ninja. E… acabou não sendo o que os fãs esperavam, se é que esperavam alguma coisa.

Então, respondendo a pergunta do título: ambos.

Claramente Boruto: Naruto Next Generations é um caça níquel, mas isso não quer dizer ele que seja de todo ruim, pelo contrário, o anime, em sua maioria, apresenta histórias muito boas. Claro, tem episódios fracos, o próprio inicio do anime (Arco da Academia/Fantasmas) é bem meia boca, o que fez com que as pessoas o dropassem.

Eu gosto de dizer que Boruto: Naruto Next Generations possui uma vibe meio slice of life, é simplesmente o dia-a-dia dos alunos na Academia Ninja, e não simplesmente porradaria toda semana. É bem desenvolvido, apesar de episódios de pura vergonha alheia, como o 49, com personagens vestidas de animais, é algo que tem que ser relevado.

Conforme o anime vai avançando, percebe-se uma melhoria, mas tem que ter paciência, e, antes que eu me esqueça, Boruto é um péssimo personagem, namoral.

Não só de história original tem vivido o anime. Durante os episódios 19 e 23, foi adaptado o mangá Naruto Gaiden: O Sétimo Hokage e a Lua que Floresce Vermelha, a primeira continuação oficial do mangá de Masashi Kishimoto, e escrito pelo mesmo, servindo de prólogo para o filme de 2015. Ele desenvolve a personagem Sarada e sua relação com seu pai, Sasuke, e sua admiração por Naruto, tendo assim, seu sonho de se tornar Hokage. Sarada de longe, é a melhor personagem dessa nova safra de Naruto. Esse é o segundo arco do anime, apelidado de “Arco da Uchiha Sarada“.

O novo Clã Uchiha.

O terceiro arco do anime, chamado de Excursões Escolares (25-32), ocorre na Vila da Névoa, e possui boas lutas, além de ser bem animado. Sua história é um tanto simples, e só serviu pra fazer ligação entre o anime e o mangá, que é pós-filme, canonizando o anime na timeline oficial da série. Apesar de ser óbvio que o personagem Kagura irá retornar para a série em breve.

Após isso, veio o arco da Graduação (33-41), que como o nome já diz, traz a graduação de Boruto e seus amigos como Genins, dando inicio assim, as suas missões em time. Vale mencionar que o episódio 39 adapta o one-shot Naruto Gaiden: O Caminho Iluminado pela Lua Cheia, focado em Mitsuki.

Novo Time 7

Já o arco da Gangue Byakuya (42-47) traz um foco maior em Shikadai e possui uma ótima animação, mostrando que quando a Pierrot quer, ela consegue trazer uma boa animação. Para falar a verdade, o anime em si é bem consistente em questão de animação, parece que o estúdio decidiu colocar os animadores de verdade trabalhando em Boruto, e deixou o resto em Black Clover.

Já os episódios 48 e 49 são focados em times de personagens B, os desenvolvendo para o próximo arco, que trará o exame Chuunin, e será uma adaptação do filme, trazendo personagens novos, que, segundo informações, estavam no roteiro original do filme, escrito por Kishimoto. O episódio 50 é nada mais do que uma recapitulação do anime até então.

Quando veremos a explicação para isso? Só quando Deus quiser…

Pode ser clichê o que vou falar, mas sim, dá para se divertir com Boruto: Naruto Next Generations, basta desapegar ao passado, ter paciência e abraçar o novo. Ou simplesmente assistir outro anime :p

No episódio 51, exibido no dia 28 de março, foi iniciada a adaptação do filme. Vamos ver como isso será.

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Crítica | B: The Beginning

Estreou nessa última sexta-feira (2), o anime B: The Beginning, que tem produção do estúdio Production I.G (Haikyuu!!, Psycho-Pass), e possui exibição exclusiva pela Netflix, ou seja, ao contrário de animes como Kakegurui, Nanatsu no Taizai, o anime não foi exibido no Japão antes de chegar ao serviço de streaming.

A direção ficou nas mãos de Kazuto Nakazawa (sequência animada de Kill Bill) a e Yoshiki Yamakawa (Little Busters!).

A animação, de longe é a parte mais chamativa de B: The Beginning, e é o que o fará ser bem popular. As sequências de luta são excepcionalmente bem animadas, se você procura fluidez, aqui encontrará. Prepare-se para os inúmeros AMVs que irão surgir. A Production I.G soube aproveitar o fato do anime ir direto para um serviço de streaming, e com isso colocou bastante sangue e gore durante as lutas.

A única ressalva, é em relação aos CGI utilizado nos carros. Ele funciona durante os primeiros episódios, em cenas de perseguição, mas conforme o anime vai avançando, os carros acabam destoando muito em relação aos cenários e personagens, e eles aparecem bastante. Não é algo que possa estragar a experiência, mas é incomodo.

A ideia de colocar os pensamentos do Keith na tela foi bastante acertada e trouxe um diferencial ao anime.

O design de personagens não é lá muito original, é mais algo que irá chamar o publico geral para assistir ao anime.  Já o design de mundo, chama atenção, sobre o quão bem ele é estruturado, a cidade é muito bonita.

A trilha sonora composta por Yoshihiro Ike também chama bastante atenção, em especial nos momentos finais do anime. E o encerramento com a música “Perfect World“,  é simplesmente incrível.

No entanto, se as partes técnicas são bastante bem feitas, não se pode dizer o mesmo do roteiro. Primeiramente, nem de longe B: The Beginning é um anime para pensar (apesar dele querer forçar isso com os tiques do Keith), ele é puro entretenimento. Mas, isso não quer dizer que os mistérios do mesmo, possam ser bastante previsíveis. O próprio “plot twist” sobre quem é o vilão é bastante meia boca, e é praticamente revelado por causa do visual do mesmo, assim que o personagem aparece pela primeira vez, você já sabe que ele é o vilão.

O desenvolvimento de personagens é algo que poderia ser mais explorado, alguns deles são unidimensionais e você acaba esquecendo que estão ali. A relação entre eles também é algo deficiente. Gostaria de ter visto o que o Koku fez durante esses anos (além de matar), e até mesmo como ele conheceu a Lily e sua família. Dá a entender que ele só apareceu ali e pronto.

Os diretores decidiram incluir uma cena pós-créditos nos levando a acreditar que uma possível segunda temporada está por vir. Desnecessária, ao meu ver, pois o anime já havia encerrado sua história, e não precisava ser continuado.

Apesar de previsível e esquecível, B: The Beginning funciona como entretenimento.

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Primeiras Impressões | Koi wa Ameagari no You ni

Para abrir esse post, eu poderia falar que japonês é um povo estanho, mas vou deixar isso pra lá. Afinal, nada se encaixa melhor do que citar o nobre compositor e violinista brasileiro Luis Carlinhos, com a música que se popularizou na voz de Tato, vocalista do grupo Falamansa:

Experimente tomar banho de chuva
E conhecer a energia do céu
A energia dessa água sagrada
Nos abençoa da cabeça aos pés”

Baseado no mangá de Jun Mayuzuki, ganhador do 63º Shogakukan Manga Awards, serializado desde 2014 e que conta atualmente com nove volumes, “Koi wa Ameagari no You ni” (lit. “O amor é como o cessar da chuva”) é o show que iremos fazer uma análise precoce hoje. E amigos, acho que “show” é uma palavra perfeita pra isso.

Tudo, absolutamente TUDO no anime é demasiadamente pomposo, e merece o título de “show”. A premissa é o que mais chama a atenção, mas o desenvolvimento, a direção artística e as personagens não ficam para trás, formando um enorme mosaico de coisas espalhafatosas (positivamente falando) que quando juntas, acabam funcionando muito bem. Falemos de cada um desses pontos.

Quando o amor é pelo administrador do grupo

Primeiro, a premissa: Sabemos que o amor não tem barreiras; que não escolhe alguém por aparência, cor, credo ou idade; e que é responsável por muitas ações policiais envolvendo garotinhas que dizem ter 900 anos de idade, mas aparentam ter 12.
Uma garota de dezessete anos e um homem de quarenta e cinco. Esse é o tipo de história que poderia tanto ser um belo conto sobre a luta pelo triunfo do amor, como poderia ser o tipo de história que levanta diversos questionamentos sobre a integridade da mídia “anime” como um todo e geraria polêmicas reportagens no Fantástico.

Felizmente, até então, tivemos personagens extremamente racionais, tendo reações e tomando decisões também racionais, que fizeram com que a trama conseguisse se manter verossímil em seu desenvolvimento. É essa verossimilhança que me deixou tão intrigado (de novo, positivamente) com o show, por me mostrar que não importa o que o autor quiser fazer, ele tentará traçar um caminho que não ofenda a inteligência (e a ética) de ninguém.

Apesar de todos os elogios aos pontos anteriores, nenhum deles chega aos pés da qualidade de sua direção artística. Com Ayumu Watanabe no cargo-chefe, o anime consegue ser lindo e maravilhoso, sem exagerar. Nessa mesma temporada temos Violet Evergarden, que é considerado por muitos como um dos shows de TV mais bonitos da história. Pra mim? Eles exageram demais, tudo é demasiadamente detalhado, é como se eles tentassem demais fazer o negócio ficar bonito, e acaba não soando tão natural.

Já aqui, tudo é naturalmente bonito, os cortes são belos por sua simplicidade e por estarem sempre adequados ao momento. O estilo muda repentinamente, e você é pego de surpresa por isso. Ele muda, mas para algo que retrate bem a situação, e tudo flui perfeitamente. É um bagulho 5000% AESTHETICS o tempo todo. Mesmo quando não tenta ser cinematográfico, o show tem cenas bem animadas e agrada a todos os públicos.

Por fim, mas não menos importante, as personagens: Cara, o que falar dessas pessoas que eu mal conheço e já considero pacas? Todas as personagens são idiotas, mas são idiotas adoráveis. Desde a protagonista que não sabe ajustar o seu temperamento, até o gerente de meia-idade com mania de perseguição. Os secundários também brilham de uma forma incrível, com designs interessantes e personalidades que completam perfeitamente o quadro de pessoas da trama. É um elenco perfeito para uma obra que tenta pagar de hipster sem querer passar longe do palpável.

Minha única recomendação é: Dá uma chance pra esse negócio, venha de coração e mente abertas, e você não vai se arrepender de tentar. Você pode até não gostar, mas com certeza será uma experiência única. Pra mim, acho difícil alguma outra estréia bater essa, e carimbo um 8/10 para o começo dessa história que olha… Ainda tem muito chão pra andar, e muita água pra cair do céu.

O show pode ser assistido por assinantes da Amazon Prime.