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Resenha | Valerian Integral: Volume 1

Valerian é um agente espaço-temporal. Laureline, sua parceira, divide o protagonismo das aventuras. Clássico dos quadrinhos europeus, com mais de vinte álbuns publicados, esta série de ficção científica retornou ao Brasil pela SESI-SP Editora, possibilitando que novos leitores tenham contato com tudo que torna Valerian e Laureline uma obra-prima.

Frutos da imaginação transbordante de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, os personagens Valerian e Laureline surgiram pela primeira vez nas páginas da revista Pilote n° 420, em 1967. Por sua inventividade e audácia, a série rapidamente se tornou referência absoluta para os leitores de histórias em quadrinhos de ficção científica. Cinquenta anos após o início de sua publicação original, Valerian retornou ao Brasil pela SESI-SP Editora (já tendo sido publicado por aqui n’O Globinho), que publicará os sete volumes integrais da série, compilando todas as aventuras.

Uma característica típica das obras de ficção científica que envolvem viagem no tempo, especialmente da década de 60, é começar com uma viagem ao passado. Doctor Who, The Time Tunnel, It’s About Time e outras produções dividem essa característica em comum. Valerian não é diferente. Em seu primeiro álbum, publicado em 67, Valerian volta à Idade Média para impedir um vilão, Xombul, que possui planos nefastos.

A simplicidade do plot de Os Maus Sonhos é refletida na simplicidade do início de Valerian como uma publicação de quadrinhos. Mézières não estava em seu auge artístico, ainda assim entregando cenários bem detalhados e personagens caricatos. Christin, que assinava como Linus, também estava refinando seu texto, com boas doses de absurdo e bom humor. Nesta primeira história Valerian conhece Laureline, uma garota da Idade Média, que vem a se tornar sua parceira. E com toda a simplicidade narrativa, destaca-se sempre a criatividade da dupla de artistas.

“Ano 2720, Galaxity, capital da Terra e do Império Galáctico Terrestre.” Com estas palavras, o primeiro quadro de Os Maus Sonhos chama a atenção do leitor pelo vislumbre do futuro. Apesar de primitiva, esta história faz a apresentação dos elementos básicos da série, com criaturas fantásticascenas divertidas e batalhas. Aqui temos a chance de visitar uma Idade Média com fórmulas mágicas, répteis gigantes e unicórnios.

Em A Cidade das Águas Movediças, de 1970, a dupla de autores parece estar encontrando o ponto ideal de suas capacidades. Perseguindo Xombul mais uma vez, Valerian e Laureline viajam para o futuro, especificamente para o ano de 1986, onde a Terra passa por um grande cataclismo e os EUA é um local instável. Nova York está submersa e Yellowstone sofre tremores e erupções, e o caos parece reinar. O mundo ruma aos seus últimos suspiros.

Esta segunda aventura, mais longa, parece um conto de literatura de onde Christin tirou parte de sua inspiração, enquanto vivia nos EUA. Na altura, Mézières aparenta estar refinando sua arte, entregando lindos quadros de paisagens devastadas e personagens menos caricatos. Parodiando figuras reais, como o pianista Sun Ra, o elenco de personagens de apoio é bem mais interessante quando comparado a primeira aventura. E em sua continuação, Terras em Chamas, o arco de perseguição a Xombul finalmente acaba.

Apesar dos pontos positivos das histórias anteriores, é nítida a adaptação para que seja atingida a plena utilização dos talentos envolvidos. Ambas as histórias servem como uma grande apresentação a este universo, com a viagem no tempo e a organização para qual Valerian responde, bem como a introdução ao status da humanidade no século XXVIII. E então, surge O Império dos Mil Planetas, de 1971.

O terceiro álbum de Valerian é uma aventura fantástica do início ao fim. Com um texto poético, situações dignas do melhor da ficção científica e desenhos em pleno potencial, O Império dos Mil Planetas mostra a que veio este clássico. E lidando de forma humanista com uma situação que envolve o domínio de um planeta inteiro, Mézières e Christin narram juntos este conto que, numa crescente, introduz elementos fantásticos, cenas memoráveis e batalhas incríveis com tecnologias de cair o queixo, além de questionarem a devoção às figuras religiosas e falarem sobre escravidão e miséria.

Enquanto os álbuns anteriores criavam a pedra angular da série, O Império dos Mil Planetas refina a construção deste universo, com o que viria a se repetir nas histórias subsequentes, alcançando a popularidade que possui hoje, graças a viagens fantásticas pelo espaço, lutas contra vilões ditadores e diálogos profundos, com tramas fechadas e belas ilustrações não somente nos cenários, como também em todos os seres de outros planetas.

A figura de Laureline, uma das pioneiras no protagonismo feminino dos quadrinhos, é adaptada com o passar das histórias, ganhando mais força no decorrer das aventuras. Independente, forte, sensível e bela, a garota ruiva fica com os diálogos mais naturais, enquanto Valerian se assemelha a um estrategista militar. O bom-humor característico dos quadrinhos franco-belgas é marcante em ambos os personagens.

O Império dos Mil Planetas também é uma história marcada pela forte influência exercida na criação de Star Wars, de George Lucas. Algumas ideias e visuais da trilogia original foram nitidamente inspirados em situações deste álbum, e cenas de álbuns seguintes também vieram a criar visuais de Guerra nas Estrelas. Uma imagem presente nos extras da edição nacional faz a comparação entre as duas obras, após uma grande entrevista com os autores e com o diretor Luc Besson.

Besson, fã declarado e apaixonado pela série, está lançando em agosto de 2017 o filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, onde após alguns anos de ideias e preparações, os atores Dane DeHaan e Cara Delevingne darão vida aos personagens na telona.

O retorno de Valerian e Laureline ao Brasil é um dos eventos mais fantásticos do ano para fãs da nona arte, marcado inclusive por um evento especial de lançamento realizado há cerca de um mês. A edição nacional da SESI-SP Editora possui um capricho gráfico louvável, bem como um tratamento editorial ótimo. Com orelhas, efeito metálico e papel de boa qualidade, a coleção dos volumes Integrais de Valerian será uma belíssima adição às livrarias de todo o Brasil.

E enquanto admiramos a volta deste clássico space opera de viagem no tempo, fica a esperança de que os fãs brasileiros abracem a série, tornando-a mais um sucesso franco-belga no Brasil, tal qual Asterix e Tintim.

Valerian Integral: Volume 1 possui 160 páginas, capa cartão, e compila as três primeiras histórias da série, em formato 29 cm x 22 cm. O preço de capa sugerido é R$ 58,00.

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Quadrinhos

Mulher-Maravilha e Conan, o Bárbaro irão se encontrar

Foi divulgada a primeira imagem do crossover entre a Mulher-Maravilha e Conan, o Bárbaro. A parceria entre a DC Comics e a Dark Horse vai render uma minissérie em seis capítulos.

A trama começa com Conan chegando a uma terra desconhecida e encontra uma arena de lutas e a mais terrível guerreira do local: a Mulher-Maravilha. A arena é controlada por Dellos, um poderoso e rico Senhor de Escravos. Por circunstâncias ainda não explicadas, Diana e o Cimério são obrigados a lutar como escravos na tenebrosa arena. Enquanto isso, uma antiga magia negra desce sobre o local para destruí-los. Mas quem tem o poder para parar os mais talentosos gladiadores que já existiram?

“É o encontro da maior heroína da DC Comics com um dos personagens mais notáveis da cultura pop” disse o Editor-Chefe da Editora das Lendas, Bob Harras. “É um dos crossovers mais incríveis que já realizamos.”

A equipe criativa responsável pelo encontro é Gail Simone e Aaron Lopresti.

“Amo crossovers, amo a Mulher-Maravilha, e mostrar a maior guerreira da DC com o lendário personagem de Robert E. Howard juntos pela primeira vez, é a realização de um sonho” disse Simone. “E trabalhar junto com o Aaron é fantástico!”

Wonder Woman/Conan será lançado em setembro nos Estados Unidos.

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Cinema

Eu sou a vingança! Eu sou a noite! Seis vilões que poderiam aparecer em The Batman

Muita expectativa está sendo colocada sobre o primeiro filme-solo do Cruzado Encapuzado e uma questão que paira na mente dos fãs é sobre o vilão principal da trama. Apesar do ator Joe Manganiello ter sido confirmado como Exterminador, ainda existem dúvidas se ele será de fato o antagonista do longa.

Pensando nisso, o Comic Book Movie fez uma pequena lista mostrando os possíveis personagens que poderiam aparecer.

Corte das Corujas

A Corte é uma organização clandestina de Gotham City, composta de vários dos ricos e poderosos de famílias antigas que buscam manipular a cidade por trás dos panos. Para esse fim, usam tanto sua influência quanto seus assassinos particulares, chamados Garras. Se tornaram uma grande presença durante os Novos 52 na história de Scott Snyder e Greg Capullo.

Com o debut da Corte, a trama teria uma boa pegada de suspense e colocaria Batman em seu melhor modo detetive para expor e livrar sua cidade dessa rede secreta. E também seria a oportunidade de explorar um grupo que ainda não teve a oportunidade de aparecer no cinema.

Silêncio 

Thomas Elliot era amigo de infância de Bruce Wayne e após a morte dos Wayne, Thomas começou a ter inveja de Bruce e por conta disso, planejou matar seus pais para ter o mesmo destino, só que acabou não tendo o efeito esperado. O próximo passo foi tentar acabar com Bruce. Assim como Thomas Wayne, ele se tornou médico e começou a trabalhar como Silêncio ao lado do Charada. Surgiu na Batman #609 (2003), num arco chamado Silêncio.

Sua presença traria bons flashbacks da vida dos Wayne antes da fatídica morte no Beco do Crime e veríamos mais de Jeffrey Dean Morgan e Lauren Cohan como Thomas e Martha, respectivamente. Além disso, tornaria a história bem pessoal entre protagonista e vilão.

Senhor Frio

Sua primeira aparição foi em Batman #121 (1959). Victor Fries já tinha gosto pela criogenia ainda criança, quando divertia-se congelando animais. Após sua esposa Nora contrair uma doença incurável, Victor usou equipamentos de seu trabalho sem permissão e acabou preservando-a em estado criônico até encontrar uma cura. Foi confrontado por seu chefe, onde Fries acabou caindo numa mesa cheia de produtos químicos. Apesar de ter sobrevivido, descobriu que só seria possível em temperaturas abaixo de zero.

Desde Batman e Robin na interpretação de Arnold Schwazenegger que não vimos mais nada do vilão em live-action nos cinemas e seria uma boa oportunidade de usá-lo. Podendo ser o antagonista principal ou até contratado por outro personagem já conhecido pelos fãs.

Duas-Caras

Tendo sua primeira aparição em Detective Comics #66 (1937), Harvey Dent era um promissor promotor público que lutou — ao lado de Batman e do Comissário Gordon — contra o crime organizado que dominava a cidade. Durante o julgamento de um chefão do crime, o acusado jogou ácido no rosto de Harvey, desfigurando seu lado esquerdo e estilhaçando sua mente. Dent enlouqueceu e assumiu o nome Duas-Caras, usando uma moeda de prata rabiscada para determinar suas ações.

Recentemente, ele ganhou uma história no primeiro arco do título Grandes Astros: Batman na fase atual da Editora das Lendas, o Rebirth. A trama consistia numa corrida contra o tempo no melhor estilo road trip onde Duas-Caras está algemado ao Cavaleiro das Trevas e mesmo assim, colocou uma recompensa para quem conseguir pegá-los. O vindouro projeto poderia adaptar parte desde arco, seja com este mesmo vilão ou não. Só que seria interessante uma trama ambientada por diversos locais dos EUA, enquanto Bruce está sendo caçado por diversas pessoas.

Homem-Calendário

Ele é é fascinado por datas e calendários, até o seu nome é um jogo feito pelo calendário gregoriano e pela data juliana. Os seus crimes têm sempre alguma relação com a data em que são executados. Apareceu pela primeira vez em Detective Comics #259 (1958).

The Batman tendo uma premissa básica poderia precisar deste personagem, uma vez que seria necessário que o lado detetivesco do Morcego seja colocado à prova para prendê-lo.

Capuz Vermelho

Jason Todd, o ex-Robin morto pelo Coringa, em Morte em Família, ressurge e é revelado como o novo Capuz Vermelho. Ele logo assume controle sobre diversas gangues em Gotham e começa uma guerra contra Máscara Negra pelo domínio dos territórios.

Desde que Batman vs Superman mostrou que no atual Universo da DC nos cinemas o Robin está morto, muito tem sido especulado sobre quando veremos a icônica morte de Jason nas mãos do Palhaço do Crime e parte dos fãs esperam que o diretor Matt Reeves explore isso de alguma maneira, apesar do contragosto em rever Jared Leto na pele do personagem. Assim como mencionado com Silêncio, aqui o recurso de flashback também seria utilizado para mostrar as primeiras aventuras de Batman com o menino-prodígio até sua morte, além de seu retorno. Realizando assim, uma adaptação de Batman – Sob o Capuz.

Bônus: 

Pinguim

Um mestre do crime, o Pinguim usa seu considerável intelecto para ganhar poder e riqueza através de meios ilícitos. Embora aparente estar em péssimas condições físicas, é notavelmente ágil e possui treinamento no combate mão-à-mão.

De todos os personagens citados acima, este é o que possui um holofote maior sobre si. Tudo por causa do ator Josh Gad (A Bela e a Fera), que há algumas semanas resolveu instigar os fãs ao postar uma imagem de Oswald Cobblepot e logo depois, uma foto ao lado de Geoff Johns e Jon Berg, onde estava segurando um gibi com o vilão na capa. Claro que nada foi confirmado pela Warner Bros. até o momento.

Jon, Josh e Geoff.

Seguindo o mesmo exemplo de Senhor Frio, não vimos mais de Oswald  nas telonas desde 1992 com Danny DeVito interpretando-o em Batman- O Retorno.

Concluindo, existem inúmeros personagens que Reeves poderá usufruir em seu filme para expandir a mitologia do vigilante e dar destaque naqueles que não tiveram a oportunidade de aparecer na trilogia do Nolan.

Claramente ainda está faltando bastante vilão, mas esse texto ficaria bem longo e a proposta foi mostrar apenas uma pequena parte dessa galeria. The Batman segue uma longa trajetória em sua estrutura e ainda não possui data prevista para início das filmagens. Enquanto isso, Mulher-Maravilha está atualmente nos cinemas e Liga da Justiça terá um espaço nas telonas a partir de novembro deste ano.

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A Gigantesca Barba do Mal e o medo do desconhecido

A ilha de Aqui é um lugar perfeito. Tudo é meticulosamente organizado, certinho e todas as pessoas seguem suas vidas corretas. Dave, um assalariado com um forte senso de organização, é o protagonista de A Gigantesca Barba do Mal, uma história lançada pela Editora Nemo que lida com o medo do desconhecido, tece críticas à rotina e brinca com a linguagem dos quadrinhos.

Seguindo sua rotina como toda a população de Aqui, Dave tem medo de . Todos tinham medo de Lá: um local afastado, além-mar, onde ninguém jamais esteve. Contudo, Dave também sonhava com Lá. Sonhos terríveis, pesadelos onde a desordem e caos reinavam. E num belo dia seu único fio de cabelo do rosto cresceu e trouxe a temida desordem para Aqui.

O crescimento da barba de Dave mergulha Aqui em um caos assombroso. Nesta sociedade onde tudo é perfeito, a barba é algo impensável. Os enormes fios no rosto de Dave interferem nas vidas alheias, impedindo fluxos e mobilizando governos. A rotina de Aqui é transformada, e as pessoas devem descobrir novas formas de tocar seus dias.

A genialidade por trás de A Gigantesca Barba do Mal, que é a estreia de Stephen Collins com graphic novels, é a crítica bem-humorada. Com esta premissa tão estranha, Collins sutilmente aborda os principais aspectos do dia-a-dia das pessoas de cidades grandes ou médias, onde todos são regidos por conservadorismo e ignorância com relação ao diferente.

A gigantesca barba de Dave, que chega a cobrir toda a cidade, é declarada um incidente nacional. Sem maiores explicações nada consegue ir contra a força dos pelos, e com o caos na vida dos moradores de Aqui, Collins também brinca com o caos na linguagem dos quadrinhos.

Trespassando quadros e consumindo páginas inteiras, a arte desta história é feita para criar a sensação de quebra. O início demonstra a rotina das pessoas com características ultra-certinhas, em páginas ideais e quadros perfeitos, e quando a rotina é rompida, rompem-se também os limites. A narrativa é transformada com o crescimento da barba de Dave, e as sátiras à ignorância e tédio também passam a abordar a forma como as celebridades são tratadas.

O tédio da rotina finalmente torna-se algo interessante, pelos motivos mais absurdos possíveis.

O desenrolar deste conto surreal é tomado em proporções… gigantescas. Collins, além de falar sobre a tediosa rotina, a ignorância, sensacionalismo, espetacularização e o caos já citados, dá um charme a mais quando utiliza trechos musicais no texto, muito bem traduzido por Eduardo Soares. Terrorismo, xenofobia e patriotismo também são assuntos tocados, firmando o teor tão atual das críticas da obra.

O caráter inventivo do quadrinho é mantido até o fim. A mídia, as corporações, as pessoas e os animais exercem alguma importância para o crescimento da barba de Dave, que pode ser inserido em diferentes perguntas. Seria o momento de rebeldia em oposição ao tédio? Seria a pressão social para com o diferente? Ou só a vontade em desbravar o desconhecido de Lá, onde tudo que foge do padrão supostamente habita?

Aqui é o que conhecemos. O mar representa o trajeto, enquanto Lá é o temido, desconhecido e diferente.

A Gigantesca Barba do Mal é uma verdadeira fábula moderna em quadrinhos. O texto é poético, as ilustrações são estilizadas e o desfecho é inesperado e melancólico. Inteligente, ousada e real, esta história marca com louvor a estreia de Stephen Collins no mercado das graphic novels, um sopro de criatividade para as HQs, tendo sido indicada ao Prêmio Eisner de Melhor Álbum Inédito.

A Gigantesca Barba do Mal possui 240 páginas encadernadas em brochura no formato 24 x 17 cm, com preço de capa sugerido R$ 44,90.

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Cinema

Universo Homem-Aranha | Produtora da Sony confirma Venom e Gata Negra no MCU

Durante uma coletiva de imprensa para divulgar Homem-Aranha: De Volta ao Lar, a produtora da Sony (Amy Pascal) confirmou que os projetos independentes do estúdio como Gata Negra e Venom estarão situados no Universo Cinematográfico da Marvel. Confira a entrevista abaixo:

Amy”Todos esses filmes se passarão no universo que estamos criando para Peter Parker. Quer dizer, eles serão derivados,  podem estar em diferentes locais, mas ainda estarão no mesmo mundo e estarão conectados uns aos outros.”

Ainda na coletiva, Pascal foi questionada sobre a provável participação de Tom Holland. Ela respondeu:

”Sim, há uma chance. Sempre há uma possibilidade.” 

Homem-Aranha: De Volta ao Lar será lançado em 7 de julho nos cinemas brasileiros.

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Guardiã | A Detetive do Sobrenatural de Robbert Damen

Casos sobrenaturais acontecem em uma Londres vitoriana, especialmente durante as noites cheias de nevoeiros e na presença de pessoas influentes. A Guardiã, criação do holandês Robbert Damen, é uma investigadora da Scotland Yard responsável por lidar com o paranormal, confrontando criaturas bizarras que desafiam a lei. As histórias desta forte personagem feminina chegaram ao Brasil pela AVEC Editora em um álbum que compila três aventuras fechadas cheias de ação, humor e reviravoltas!

A revista holandesa Eppo, resultado de uma fusão entre as revistas Pep e Sjors, possui uma extensa história que vem desde os anos 70. Em 1975, a Eppo foi criada como uma revista semanal, publicada até 1988, quando tornou-se quinzenal até ser cancelada em 1999 (durante todo este período, com nomes diferentes do atual). Dez anos depois, em 2009, a revista foi ressuscitada. No semanário surgiram grandes séries como Storm, Roel Dijkstra e Franka, sendo que em 2012 Damen deu início à sua série da Guardiã.

Imagine Sherlock Holmes com alguns poderes mágicos investigando somente casos que fogem do normal, indo da magia ao licantropismo. A Guardiã, detetive do sobrenatural, é uma personagem feminina forte que vive suas investigações em uma época muito marcante, especialmente por conta da visão machista exacerbada que a sociedade tinha da mulher. Sendo a protagonista e principal investigadora da organização policial britânica, a heroína quebra paradigmas retratados com fidelidade histórica, e com carisma e charme únicos, desvenda os três mistérios deste primeiro álbum.

As histórias da Guardiã são divididas em figuras centrais que dão nome às aventuras. Sir Godfried, Srta. Banning e Doutor Lowe são, de alguma forma, os principais enigmas que e detetive deve solucionar, usando seu bastão mágico e seu conhecimento adquirido ao longo de uma extensa carreira. O passado da Guardiã e tudo que a cerca é bem misterioso: não sabemos praticamente nada sobre sua vida, sendo que apenas uma figura familiar é apresentada no decorrer do álbum. “De onde ela veio? Como se tornou o que é hoje? Como funciona seu bastão mágico?” são algumas das perguntas que ficam abertas na cabeça do leitor, aumentando o desejo de conhecer mais sobre este mundo.

A arte de Robbert Damen, que iniciou sua carreira nos anos 90 como colaborador de publicações independentes e tornou-se posteriormente argumentista e ilustrador da revista semanal do Pato Donald, é típica do quadrinho europeu de linha clara, muito marcante no mercado franco-belga, onde com traços suaves o autor passa expressão e fidelidade aos cenários da época em que a série está situada, no século XIX. Suas personagens femininas são sensuais enquanto os homens são volumosos ou nobres, e as cores são competentes para criar a atmosfera ideal em cada um dos cenários, indo do raiar do dia ao sombrio e temeroso aspecto da madrugada.

A principal diversão das histórias da Guardiã é acompanhar sua narração de pensamento, como uma espécie de diário, sempre um passo adiante da polícia comum. Apesar de curtos, os relatos se desenvolvem agradavelmente guardando plot twists para o meio e para o final das investigações. Uma leve dose de humor se faz presente em alguns diálogos, e as cenas de ação sempre são muito bem retratadas. Especificamente na terceira história, há uma sequência com uma carruagem na chuva que é lindamente ilustrada, com uma fluidez única.

Apesar de um leve exagero em alguns diálogos, a HQ da Guardiã acrescenta muito ao mercado nacional e ao catálogo da AVEC Editora, que já possui um bom número de quadrinhos europeus protagonizados por personagens femininas (Alena, January Jones, Ember e a própria Guardiã), sem falar das ótimas histórias nacionais como Beladona e Galicia.

No exterior há também um segundo álbum, intitulado “Gillian – Edward“, que compila mais duas histórias da personagem. Espera-se que a AVEC Editora possa trazê-lo ao Brasil, repetindo a lufada de ar fresco para as livrarias nacionais como foi este primeiro compilado de aventuras, um material tão diferente e de qualidade acima da média.

Guardiã: A Detetive do Sobrenatural – Vol. 1 possui 48 páginas encadernadas no formato 28 x 21 cm com preço de capa sugerido R$ 34,90.

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Amazing Adventures

Guia de Leitura #24 | Sociedade da Justiça da América

”A Liga da Justiça é uma força de ataque. A Sociedade da Justiça é uma família.”

Batman.

Iniciando mais um guia do Amazing Adventures com a equipe que precedeu a tão conhecida Liga da Justiça, a Sociedade da Justiça da América.

No original Justice Society of America, a SJA foi o primeiro grupo a surgir nos gibis em All-Star Comics #3 durante a Era de Ouro, tendo sido criado por Sheldon Mayer e Gardner Fox. Os integrantes eram: Senhor Destino, Alan Scott, Jay Garrick (Joel Ciclone), Homem-Hora, Sandman, Gavião Negro, Átomo e Espectro.

Integrantes da SJA.

A criação aconteceu a pedido do Presidente Roosevelt, que procurava ajudar os aliados na Europa sem envolver oficialmente o povo americano. Formado pelos membros mencionados acima junto com as versões da Terra-2 de Superman e Batman — frustraram os ataques de Hitler na Inglaterra, bem como um bombardeio na Casa Branca.

Mesmo com personagens poderosos, por que eles não invadiram a Alemanha e encerraram o conflito? Personagens místicos ou suscetíveis a magia ficavam sob o domínio do Führer, e meta-humanos comuns tinham seus poderes temporariamente cancelados. Esta barreira foi criada pelo ocultista Rei Dragão a serviço de Hitler, utilizando uma máquina energizada pelo Santo Graal e a Lança do Destino.

Com o final da II Guerra, os super-heróis perderam popularidade e, consequentemente, os gibis da SJA foram canceladas na edição #57 e a revista mudou seu nome para All-Star Western (contando com a participação de Jonah Hex). Depois, a Editora das Lendas resolveu trazer de volta histórias próprias da equipe e também sua revista original de volta, All-Star Comics, a partir do número que havia parado, a edição #58.

Sociedade da Justiça da América por Alex Ross.
Sociedade da Justiça da América por Alex Ross.

Outros personagens que já passaram pela equipe foram: Adão Negro, Arqueiro Verde da Terra-2, Caçadora da Terra-2 (Helena Wayne), Canário Negro (Dinah Drake Lance e Dinah Laurel Lance), Shazam, Doutor Meia-Noite, Esmaga-Átomo, Jesse Quick, Johnny Quick, Senhor Incrível, Poderosa, Pantera, Mulher-Maravilha Terra-2, Robin, Sideral, Pantera, Starman e Johnny Trovoada.

Além do histórico nos quadrinhos, o grupo também fez uma aparição em Smallville e Legends of Tomorrow.

Sem mais delongas, fiquem agora com o Guia de Leitura da Sociedade da Justiça da América:

por Gardner Fox
por Roy Thomas & Rich Buckler
por Roy Thomas, Dann Thomas & Jerry Ordway
por Roy Thomas & Dann Thomas
por Roy Thomas, Dann Thomas & Mike Gustovich
por Len Strazewski & Rick Burchett
por Len Strazewski & Mike Parobeck
por John Ostrander & Luke McDonnell
por James Robinson & David S. Goyer
por James Robinson & David S. Goyer
por Grant Morrison, Howard Porter & John Dell
por Dan Jolley & Tony Harris
por Gardner Fox & Carmine Infantino
por Geoff Johns & Javier Saltares
por Geoff Johns e David S. Goyer
por Geoff Johns & David Goyer
por Tony Harris e Dan Jolley
por Kevin J. Anderson, Barry Kitson & Gary Erskine
por Geoff Johns & Don Kramer
por Geoff Johns, Amanda Conner & Jimmy Palmiotti
por Geoff Johns & Dale Eaglesham
por Eric Trautman, Don Kramer & Michael Babinski
por Len Wein, Andy Kubert, Joe Kubert & Scott Kolins
por James Robinson, Marcos Marz & Eddy Barrows
por Matthew Sturges & Freddie Williams II
por James Robinson & Nicola Scott
por Tony Harris & B. Clay Moore
por Marguerite Bennett, Mike Johnson & Daniel H. Wilson
por Dan Abnett & Tom Derenick
por Daniel H. Wilson & Jorge Jiménez

 

E não para por aí, vigilantes. Tudo indica que veremos a SJA em breve na atual fase da editora, o Rebirth. Desde a edição especial lançada em maio do ano passado, pistas sobre os membros da equipe estão sendo jogadas para os leitores e não deve demorar muito para vermos estes icônicos e queridos personagens de volta. Por hoje é só, pessoal! Fiquem ligados que o Amazing Adventures trará mais novidades.

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Amazing Adventures

Guia de Leitura #23 | Hellboy

Criado por Mike Mignola em 1993, Hellboy rapidamente tornou-se um fenômeno dos quadrinhos e da cultura pop. Tendo surgido inicialmente em uma história curta feita para a San Diego Comic-Con, o Garoto do Inferno é publicado nos Estados Unidos desde 1994 pela Dark Horse Comics, onde histórias cronológicas, flashbacks e spin-offs são produzidos massivamente. No Brasil, o personagem é publicado desde 1998 pela Mythos Editora, que segue com novidades até os dias de hoje. Este Guia tem como objetivo introduzir o personagem a novos leitores e estabelecer uma ordem correta de leitura para seus encadernados, contendo todas as informações básicas e intermediárias para um iniciante. Confira abaixo o Guia sobre Hellboy mais completo do Brasil!

Introdução ao universo

Hellboy, nascido nas profundezas do Inferno com o nome Anung un Rama, é filho do demônio Azzael com uma feiticeira humana, Sarah Hughes. Após ter sido invocado pelo monge louco Rasputin, em parceria com a Alemanha Nazista visando o projeto que viria a trazer o apocalipse à Terra, Ragnarok, o garoto demoníaco é salvo pelo Professor Trevor Bruttenholm e soldados aliados em 1944. Ensinando boa índole ao garoto, o apelidado Hellboy ganha status honorário de humano pelas Nações Unidas em 1952 e torna-se, na maioridade, um agente especial do B.P.D.P., o Bureau de Pesquisas & Defesa Paranormal, que trabalha na investigação de casos sobrenaturais que vão desde aparições de lobisomens e vampiros até fantasmas, demônios e principalmente nazistas.

Trabalhando para o B.P.D.P. Hellboy aprende mais sobre suas origens, seu passado e seus companheiros, interagindo com figuras como Abe Sapien, Liz Sherman, Roger e Johann Kraus. Entre as mais variadas histórias, que vão desde revisitações de contos mitológicos antigos até encontros retrofuturistas com cientistas loucos, a vida do Vermelhão é cheia de reviravoltas e novas descobertas. O propósito de Hellboy é servir como chave para a libertação do Ogdru Jahad, os Sete Deuses do Caos, por isso as alcunhas de Grande Fera e Destruidor do Mundo o acompanham em qualquer lugar que vá, atormentado pelos propósitos nefastos de sua existência. E o herói deve lidar com este fato, tendo de escolher entre servir ao seu destino estabelecido pelos demônios ou seguir sua criação humana ensinada por seu pai adotivo.

A Mão Direita da Perdição, poderes e companheiros

Hellboy possui alguns equipamentos e poderes que o ajudam em suas aventuras, especialmente quando precisa cair na porrada. Sua marca registrada é a Mão Direita da Perdição, um símbolo criado para ser algo como o Mjolnir é para o Thor, sendo que este fardo para o herói infernal possui o propósito de ser a chave da libertação do Ogdru Jahad. Além de sua mão direita, Hellboy também possui uma resistência sobre-humana, longevidade, força, regeneração celular acelerada, amplo conhecimento do sobrenatural e um tipo leve de invulnerabilidade, sempre carregando também sua pistola, já que foi treinado na arte do tiro pelo herói Tocha da Liberdade, tornando-o o investigador ideal para qualquer caso, dos intelectuais aos mais brutos.

Durante sua infância, Hellboy era fã de personagens fictícios ou históricos como Lagosta Johnson e o já citado Tocha da Liberdade. Entrando para o B.P.D.P., o herói fez amizade com figuras bem peculiares. Destacam-se: Abe Sapien, um ser similar ao tritão que possui habilidades telepáticas; Liz Sherman, espiã e pirocinética; Roger, o homúnculo criado por alquimia e Johann Kraus, um espírito ectoplasmático com habilidades psíquicas que habita uma roupa de contenção.

Mundo real: inspirações e como funciona sua publicação

Mignola criou o Hellboy através de uma mistura entre diversos estilos literários. A principal influência é a literatura pulp, onde destaca-se a forte inspiração em H.P. Lovecraft, utilizada especialmente nas criaturas do submundo. Unindo Lovecraft a alguns clássicos dos quadrinhos com principal inspiração em Jack Kirby, o autor também mistura mitos folclóricos de diversas regiões do mundo, especialmente da Europa, com monstros clássicos típicos do Expressionismo Alemão, e fecha o bem-bolado com uma pitada recorrente de steampunk e arquitetura gótica.

A publicação dos quadrinhos do Hellboy pode ser dividida em três tipos: histórias cronológicas, flashbacks e spin-offs. As histórias cronológicas, como o nome já diz, seguem um rumo definido e contínuo, que começou na história de origem do personagem e segue numa crescente de descobertas e acontecimentos situados no presente. Os famosos flashbacks são histórias situadas no passado de Hellboy, trabalhando no B.P.D.P. (ou não) ao longo de seus muitos anos de carreira, e os spin-offs são as séries dedicadas ao próprio B.P.D.P. e a outros personagens deste universo. Autores variados trabalham nas histórias de flashback e spin-offs, porém as histórias situadas no presente são majoritariamente escritas e desenhadas por Mignola, com apoio do artista Duncan Fegredo em alguns momentos.

Ordem de leitura

Como dito no parágrafo anterior, existem diversas ordens de leitura para os materiais do Hellboy. Abaixo, separamos os encadernados publicados no Brasil em ordem cronológica, em ordem de flashbacks e, por fim, na ordem correta e cronológica dos spin-offs. Através desta separação o leitor poderá conhecer a cronologia contínua do personagem e optar por desbravar outros momentos da história do Hellboy com gibis alternativos. É importante lembrar que, apesar de separadas, algumas das histórias tidas como flashbacks acrescentam algo à mitologia principal do personagem, e alguns dos spin-offs também são essenciais para a história principal deste universo. Sem mais delongas, vamos aos quadrinhos cronológicos situados no presente:

Flashbacks & Outras Histórias

Spin-offs

Livros

Curiosidades

Quando criou Hellboy, Mike Mignola pediu ajuda a John Byrne no que tange aos diálogos. Inseguro, ainda em início de carreira como argumentista, logo Mignola percebeu (com um toque óbvio de Byrne) que não precisava mais de ajuda para escrever, já que sua segunda história, O Despertar do Demônio, era uma pequena obra-prima por si só. Graças a esta parceria com Byrne, a origem do Hellboy está atrelada ao Tocha da Liberdade, que é uma criação do quadrinista e colaborador.

O personagem teve dois filmes live-action dirigidos por Guillermo del Toro e protagonizados por Ron Perlman, sendo eles Hellboy (2004) e Hellboy II: O Exército Dourado (2008). Apesar de serem sucessos leves de bilheteria, devido a diferenças criativas com Mignola, os boatos são de que um terceiro filme foi engavetado. Um reboot para maiores de 18 anos foi anunciado recentemente, dirigido por Neil Marshall e protagonizado por David Harbour. Existem também dois filmes animados, Espada das Tempestades (2006) e Sangue & Ferro (2007).

Por muitos anos Mignola não permitiu que outros profissionais tocassem em seu personagem. Com o passar do tempo, diversos nomes foram rigorosamente selecionados, dentre eles Richard Corben, Duncan Fegredo, Gabriel Bá, Fabio Moon, Alex Maleev, Paolo Rivera, John Arcudi, Scott Hampton, Kevin Nowlan e Chris Roberson. Hoje, após um longo período afastado das pranchetas, Mignola voltou a ilustrar as histórias do Hellboy situadas no presente.

Há poucas semanas foi anunciada uma bebida destilada que leva o personagem em seu rótulo. O nome da marvada é Hellboy Hell Water Cinnamon Whiskey.

E aí? Ficou interessado em acompanhar as histórias do Garoto do Inferno? Compre os encadernados através da Amazon, e fique ligado pois os lançamentos não param por aí, e conforme as novidades forem chegando, este Guia irá acompanhá-las. Boa leitura!

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Música Vitrola

Discografia Sepultura

Foi no ano de 1984 que os irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, em Belo Horizonte, deram o pontapé inicial para a considerada a melhor banda brasileira e de maior repercussão em todo mundo. O Sepultura.  A influência musical dos irmãos eram bandas como Black Sabbath, Van Halen, Iron Maiden, Motörhead, AC/DC entre outras do heavy metal. Só que depois de uma viagem para São Paulo, onde ouviram Venom pela primeira vez, os ouvidos passaram a escutar Kreator, Megadeth, Exodus e as brasileiras Stress, Sagrado Inferno e Dorsal Atlântica. Sons que se tornaram base musical do Sepultura.

O Sepultura em 1985.

Com Max na guitarra, Igor na bateria, Paulo Jr. no baixo e Wagner Lamounier no vocal, a primeira formação do Sepultura estava pronta. Logo depois, Wagner saiu para formar a banda de black metal Sarcófago, Max então assumiu de vez os vocais e Jairo Guedez foi recrutado para a segunda guitarra. O Sepultura em 1985 participa de um festival de bandas em Belo Horizonte, onde é contratada pela Cogumelo Records. A partir desse momento para frente a Torre de Vigilância tem o orgulho de trazer para você, estimado leitor, a discografia e um pouco da história da banda que sempre foi referência do Brasil lá fora, influenciou diversos artistas  nacionais e internacionais, chegou ao posto até hoje nunca alcançado por nenhuma banda brazuca  e construindo assim uma carreira mais do que sólida no mercado fonográfico mundial.

Formação clássica

Mas nem tudo são flores na longa estrada do Sepultura. Brigas, mudanças de formação, membros fundadores que saíram… bem, continue a sua leitura, ligue o som no talo e vamos viajar nos riffs de guitarras e vocais guturais que são uma identidade da banda!


Bestial Devastation (1985)

Poucas pessoas sabem, mas o primeiro registro em estúdio para valer do Sepultura foi esse EP em formato de vinil lançado no mês de dezembro de 1985. Com produção de Tarso Senra, João Guilherme e da banda, o LP foi gravado e mixado em apenas dois dias em Belo Horizonte. Max, Jairo e Paulo tinham na época 16 anos e Igor tinha 14. Com poucos recursos a banda usou instrumentos emprestados de amigos.

O LP ainda era dividido com a banda Overdose (procurem saber sobre a banda é muito boa), com cinco músicas do Sepultura no lado A e três da Overdose no lado B. O disco no total vendeu 8 mil cópias, com destaque para a faixa título que já dava um gostinho do que vinha para o futuro.

Formação:

Max “Possessed” CavaleraVocal, guitarra base
Jairo “Tormentor” GuedezGuitarra solo
Paulo “Destructor” Jr.Contra Baixo
Igor “Skullcrusher” CavaleraBateria

Sim. Eram esses os nomes que os caras usavam na época.


Morbid Visions (1986)

O álbum (pra valer) de estreia do Sepultura foi gravado, produzido e mixado por Eduardo Santos, Zé “Heavy” Luiz e a própria banda.  O estilo death metal percorre por todo o trabalho e foi bem aceito na critica especializada na época do lançamento, apesar de ser uma produção em tanto quanto pobre.

A arte da capa foi feita por Alex, um antigo amigo da banda. Com o disco embaixo do braço a banda sai em turnê por alguns lugares do país. Pouco depois a Cogumelo Records relança o Bestial Devastation. “Troops of Doom” é um dos destaques do disco.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra
Jairo GuedezGuitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O guitarrista Jairo Guedez, alegando problemas particulares, deixa a banda. No seu lugar assume Andreas Kisser, que já vinha tocado em alguns shows com a banda como uma espécie de terceiro guitarrista. Ainda em 86, o Sepultura processa a gravadora Shark por lançar os discos da banda fora do país sem nenhum acordo.


Schizophrenia (1987)

O segundo álbum oficial do Sepultura, sai novamente pela Cogumelo Records, é o primeiro trabalho com o Andreas Kisser na guitarra como membro oficial. Com produção da banda é do velho conhecido Tarso Senra, o som vai contra o Morbid Visions (que era um disco mais death metal), o novo álbum tem mais influências de trash metal.

Foi com o Schizophrenia que o Sepultura ficou mais conhecido. Nas primeiras semanas de venda, foram comercializados cerca de 10 mil cópias, e a gravadora New Renaissance lançou o disco nos Estados Unidos. O sucesso fez que houvesse um lançamento pirata do disco por uma produtora europeia, que vendeu 30 mil cópias, mas a banda não pode usufruir dos direitos autorais. Mas de um jeito ou de outro, abriu as portas desses mercados. O álbum virou uma sensação da critica tanto na Europa quanto na América do Norte.

https://www.youtube.com/watch?v=AUdFMV7yqYA

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na História: A gravadora Roadrunner Records, conhecida por ter grandes nomes do heavy metal em seu cast, assina com o Sepultura e lança o Schizophrenia oficialmente em todo o mundo. O detalhe é que todo o processo foi feito sem que ninguém da gravadora tivesse encontrado com a banda pessoalmente.


Beneath the Remains (1989)

Com letras escritas por Andreas Kisser e Max Cavalera, o terceiro disco do Sepultura é lançado. E do jeito que eles sempre queriam: por uma grande gravadora e uma grande distribuição. A história de Beneath the Remains começa com Max indo para Nova York em fevereiro de 1988, para negociar com a Roadrunner o orçamento da gravação. Apesar de terem fechado com o Sepultura, a gravadora ainda tinha um pé atrás com o potencial de vendas da banda. Depois de uma semana de conversas, o orçamento inicial foi de U$ 8.000, mas no final custou quase o dobro.

Para a produção foi escolhido Scott Burns, que aceitou trabalhar por uma quantia bem abaixa do normal na época. O produtor mesmo disse em diversas ocasiões que estava curioso sobre o som que era feito no Brasil, por isso aceitou. O som apresentado em Beneath the Remains é bem mais limpo do que os seus antecedores. A melhora da técnica dos músicos e os belos solos de guitarras são destaques do disco, que vendeu 800 mil cópias ao redor do mundo. Foi com esse trabalho que o Sepultura provou que era sim um dos grandes no rock mundial, e que poderia vender milhões.

Contra-capa de Beneath the Remains

O álbum foi muito celebrado por toda a critica especializada, a revista britânica Terrorizer o classificou com um dos “20 melhores álbuns de thrash metal de todos os tempos”, o disco, após seu lançamento, acabou sendo comparado com o clássico álbum do Slayer, Reign in Blood. E pela primeira vez, o Sepultura sai em uma turnê internacional, tocando junto com os alemães do Sodom. Os shows aconteceram na Áustria, Estados Unidos e México. A turnê foi marcada pelos diversos conflitos entre os membros das duas bandas.

Mas foi nessa série de shows internacionais que a banda aumentou sua popularidade. O mundo já sabia quem era o Sepultura e o som pesado e bem feito que se resumia em um tapa na orelha, muito lindo e perfeito, dos fãs. Foi nessa época que eles conheceram Lemmy Kilmister e o Motörhead, passaram por Berlim e seu muro durante a Guerra Fria e conheceram o Metallica que estava no auge da carreira.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: Em 1990 durante a apresentação no Dynamo Open Air Festival, eles conhecem a Gloria Bujnowski, empresária do Sacred Reich. Então, ela passa a lidar com os negócios do Sepultura e dos integrantes também. Depois se tornaria Gloria Cavalera ao se casar com o vocalista Max.


Arise (1991)

Em agosto de 1990, o Sepultura se juntou novamente com Scott Burns na Flórida para gravar o novo disco, a essa altura todos os membros da banda já moravam nos Estados Unidos.  A essência de Arise é praticamente o estilo death/thrash metal de Beneath the Remains (o trabalho anterior), mas claramente mostra que a banda buscava também um “quê” experimental. Elementos de música industrial, hardcore punk e até percussão latina são presentes no álbum.

Os membros da banda falavam na época que o Arise tem a mesma direção do disco anterior, mas percebesse que o ritmo estava um pouco mais lento e a bateria de Igor tinha estilos mais carregados para o groove. E marca também o inicio da “fase tribal” do Sepultura com a música “Altered State” e o hardcore dá as caras em “Subtraction” e “Desperate Cry”.

Arise recebeu excelente criticas ao redor do mundo e carimbou de vez o lugar do Sepultura como grande banda do rock mundial. O trabalho ficou em 119º na Billboard, algo inédito na carreira da banda, o primeiro a conseguir uma certificação musical (estatuto de ouro em 1992 por vender 25 mil cópias na Indonésia). Quando chegou o ano de 1993 já tinha atingido a marca de 1 milhão de unidades vendidas no mundo. E em 2001, mantendo o fôlego, ganhou a segunda certificação, estatuto de prata no Reino Unido por mais de 60 mil cópias vendidas. É particularmente o disco que mais gosto dos caras.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O Sepultura, apenas um dia após encerrar as gravações de Arise, começou uma pequena turnê com as bandas Obituary e Sadus. Foi o inicio da maior série de promoções feita pela banda, que correu o mundo e durou dois anos. Em 1991, eles se apresentaram no Rock in Rio 2 para uma plateia de 70 mil pessoas. No mesmo ano tocaram gratuitamente em São Paulo no fatídico show do dia 11 de maio na Praça Charles Miller. Os organizadores e a policia militar estimavam que tivessem cerca de 10 mil pessoas presentes, quando apareceram 30 mil. O que tornou o controle da multidão algo praticamente impossível. Na confusão seis pessoas ficaram feridas, 18 presas e uma foi morta a tiro. Há apenas uma semana antes, durante uma briga entre headbangers e skinheads um jovem foi morto a facadas durante uma apresentação dos Ramones também em São Paulo. Ambos os eventos repercutiram muito mal na mídia, criando um falso mito sobre o publico dos shows de rock. O Sepultura em particular tinha uma pequena dificuldade de tocar no Brasil por que produtores temiam que fosse acontecer alguma tragédia. Em compensação, a turnê internacional do Arise foi longa e passou por lugares como Grécia e Japão.


Chaos A.D. (1993)

O Sepultura já era considerado uma das melhores e maiores bandas de thrash metal do mundo. Foi então que a banda se juntou com o produtor Andy Wallace e nasceu o quinto álbum de estúdio da carreira. Dessa vez, eles realmente abraçaram o experimentalismo no som com um estilo groove metal que acabou os tornando uma grande influência para as bandas de groove, alternative e nu metal.

Os hinos “Refuse/Resist”, “Territory” e “Manifest” (que fala sobre o massacre do Carandiru) são destaques em Chaos A.D. que tem em suas letras assuntos geopolíticos mundiais. O estrondoso sucesso do álbum rendeu mais de 1 milhão de cópias por todo o mundo, levando o Sepultura em um patamar nunca alcançado por nenhuma banda brasileira. Foi a primeira banda do Brasil a se apresentar na Rússia, a primeira metal da América Latina a se apresentar no Monster of Rock na Inglaterra e depois de um abaixo-assinado organizado pelo fã clube oficial brasileiro, o Sepultura voltou a se apresentar no Brasil no festival Hollywood Rock. Vencendo assim o boicote de parte dos organizadores do evento, o incidente em São Paulo anos antes ainda amedrontava.

O lançamento foi feito em um castelo medieval na Inglaterra com a presença de convidados especiais e a imprensa mundial. O clipe de “Territory” foi gravado em Israel e eleito o melhor videoclipe do ano pela MTV Brasil. O álbum ainda conta com a participação de Jello Biafra, ex-vocalista do Dead Kennedys, na música “Biotech Is Godzilla” escrita pelo próprio, uma faixa onde os integrantes ficam rindo e gritando e na versão brasileira do álbum temos uma versão de “Polícia” dos Titãs.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria


Roots (1996)

Os fãs tiveram um gostinho do novo disco do Sepultura quando foi lançado compacto Roots Bloody Roots no começo de 1996. O EP tem a inédita faixa título, além de versões ao vivo de “Refuse/Resist”, “Territory” e um cover de “Procreation (Of The Wicked)” do Celtic Frost. Eis que então fevereiro do mesmo ano, com produção de Ross Robinson, Roots chega as lojas. E o novo trabalho marca uma mudança significativa no som da banda.

Com elementos como percussão, berimbau, a participação de Carlinhos Brown na música “Ratamahatta” e duas músicas gravadas com os índios Xavantes. É com certeza o trabalho mais experimental da carreira do Sepultura. A música “Itsari” foi gravada às margens do Rio das Mortes no estado do Mato Grosso na Aldeia Pimentel Barbosa em 1995. Os experimentos fizeram alguns fãs mais antigos da banda torcerem o nariz, mas não impediu o sucesso do Roots e tornou o trabalho referência para várias bandas que posteriormente seguiram o estilo nu metal. A versão brasileira do álbum contém os covers de, novamente, “Procreation (Of the Wicked)” do Celtic Frost e “Sympton of the Universe” do Black Sabbath, e a música “Lookaway” escrita pelo vocalista do Korn, Jonathan Davis.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: Dana Wells, filho de Gloria Cavalera, é assassinado em meados de 1996, Max e Gloria vão para os Estados Unidos e no festival Donnington o Sepultura toca em trio. O grupo cancela três semanas de shows em solo americano e encerra a turnê participando no OZZfest.


O furacão Max Cavalera

Andreas, Igor e Paulo estavam insatisfeitos com o modo que Gloria Cavalera estava lidando com a banda. O trio alegava que ela estava dando espaço apenas para o seu marido Max, e não para a banda como um todo. E a demissão da empresária foi colocada na mesa. Max por sua vez se sente traído e resolve sair da banda.

Gloria e Max Cavalera

A discussão chegou à mídia e o publico ficou apreensivo com um possível final do grupo, o trio decidiu não renovar o seu contrato de trabalho. Existiu a opção de que ela continuasse a cuidar dos interesses do vocalista em separado, mas ele não aceitou a decisão dos companheiros e se sentiu injustiçado. A separação estava sacramentada.

Com o passar do tempo, a banda decidiu continuar os trabalhos e começou a escrever o novo álbum, como um trio. E Max formou o Soufly.

Os fãs temiam o final da banda…

O gigante Derrick Green

O trio Sepultura começava a trabalhar na nova formação, o baixo de Paulo Jr. ganhou mais força nas músicas e Andreas Kisser assumiu os vocais. Mas este não se sentiu a vontade no posto e o impasse estava formado. Então decidiram buscar um novo vocalista, milhares de fitas chegavam aos escritórios da RoadRunner, houve uma seleção e um pequeno grupo de finalistas foi escolhido e receberam uma fita com as músicas que deveriam trabalhar antes dos testes com a banda.

Derrick Green

Tendo como principais tópicos para os testes finais, saber cantar no estilo proposto, é claro, integração e afeição com todos no grupo, Derrick Green foi o que mais impressionou.  Em sua estadia no Brasil durante os testes finais, o norte-americano, se entendeu muito bem com os membros e se sentiu em casa. Com a pressão de gravar logo um novo trabalho e boa parte das músicas prontas (só faltando um vocal) o novo disco já estava no forno.


Against (1998)

A estreia de Derrick Green no vocal aconteceu no sétimo álbum de estúdio do Sepultura. Produzido por Howard Benson, o novo trabalho chegava ao mercado cercado de desconfiança por causa da saída de Max Cavalera. Algo que, ao que parecia, se estendia aos membros do grupo.

Igor Cavalera, na época do lançamento, disse que ainda estavam em dúvidas em manter o nome Sepultura. Então decidiram fazerem as musicas primeiro, se não soasse com a identidade da banda, trocariam de nome. Mas ao modo que tocavam, que produziam, mas viram que o Sepultura estava ainda vivo e com muita lenha para queimar.

A turnê de Against passa roda o mundo e acaba com as desconfiança em torno do futuro da banda. O Sepultura tinha passado por uma tempestade e conseguido sobreviver ao período mais difícil de sua carreira.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria


Nation (2001)

O oitavo álbum do Sepultura é produzido por Steve Evetts e é também o ultimo da banda a ser lançado pela RoadRunner Records. Nation é recheado de participações especiais como do vocalista Jamey Jasta da banda Hatebreed, Jello Biafra ex-vocalista do Dead Kennedys, Cristian Machado vocalista do Ill Niño, João Gordo do Ratos de Porão e da banda Apocalyptica.

O álbum tinha uma temática que contava a história de uma nação utópica ao longo das faixas. Mas as vendas do Nation não foram grandes coisas, mas não desanimou os integrantes que entendiam o momento de transição em que passavam. Alem disso o Sepultura acusou a RoadRunner de não promover o álbum, um exemplo foi que o videoclipe de “One Man Army” estava programado para ser filmado em agosto de 2001, nunca foi realizado, por falta de apoio da gravadora.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: A turnê do Nation foi iniciada em janeiro de 2001 no festival Rock in Rio III. No ano seguinte, o Sepultura assinou contrato com a SPV Records.


Roorback (2003)

No primeiro trabalho junto com a gravadora SPV Records, o Sepultura novamente recrutou o produtor Steve Evetts, e assim Roorback foi lançado. A influência ao som groove/alternativo continua forte no decorrer das faixas.

Mas as vendas ainda continuavam baixas, apesar de Roorback ter tido analises melhores do que o anterior Nation. A versão brasileira do disco tem o cover de “Bullet the Blue Sky” da banda U2.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: em 2005 o Sepultura grava o show Live in São Paulo, comemorando os 20 anos da banda. O disco tem participações especiais de B-Negão, Alex Camargo, João Gordo, Jairo Guedez e Zé Gonzáles.


Dante XXI (2006)

Com produção de André Moraes, o novo álbum do Sepultura é completamente baseado na obra A Divina Comédia de Dante Alighieri. O tema  foi sugerido pelo vocalista Derrick Green, pois a banda passava por um período sem ideias para suas composições. É o terceiro disco temático  na carreira do Sepultura. O primeiro foi Roots (1996) inspirados nas culturas brasileiras e africanas, Nation (2001) onde falam sobre uma nação utópica e agora em Dante XXI.

A odisseia pelo inferno, purgatório e paraíso feita pelo personagem Dante é refeita musicalmente pelo som pesado, a ideia era fazer algo como uma “trilha sonora para o livro”. Para diferenciar as passagens do purgatório e paraíso, instrumentos como Celo e Piano foram usados com arranjos mais elaborados. Na sonoridade que marca o inferno, a bateria, baixo e guitarra soam mais pesadas.

Foi na turnê desse álbum que o Sepultura tocou pela primeira vez na índia, além dos locais tradicionais como Europa, América do Norte e América Latina. Em 2007, foram atração de festivais no Brasil como Abril Pro Rock em Recife e no Porão do Rock em Brasília. Dante XXI foi disco de ouro no Chipre, o primeiro desde Roots (1996).

https://www.youtube.com/watch?v=_hUM2YH41jE

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

A saída de Igor Cavalera

No inicio da turnê de Dante XXI, o Sepultura teve mais uma baixa da sua formação original. O baterista e membro fundador Igor Cavalera decidiu sair da banda. Ele foi substituído temporariamente por Roy Mayorga. Mais tarde Jean Dolabella assumiu as baquetas de forma definitiva.

Jean Dolabella

A saída de Igor, segundo Andreas Kisser, não foi tão traumática como a do seu irmão Max. O guitarrista falou que ele já tinha dividido com pessoas próximas o desejo de deixar a banda. Foi apenas uma questão de tempo.


A-Lex (2009)

Seguindo a linha de Dante XXI, um álbum temático, o Sepultura lança o interessante A-Lex, que é inspirado na obra A Laranja Mecânica de Anthony Burgess. Com produção de Stanley Soares o disco é lançado pela SPV Records e pela Atração Records no Brasil, sendo o primeiro trabalho sem Igor Cavalera, que foi substituído por Jean Dolabella.

O título é um trocadilho com Alex, personagem central da obra, e o latino para a expressão “sem lei”. Ab(longe de, sem) + Lex (lei). O disco foi bem recebido pela critica e vendeu 5 mil cópias no Brasil e 1.600 nos Estados Unidos. E a turnê, como de praxe, rodou mais uma vez o mundo.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria


Kairos (2011)

O primeiro trabalho na gravadora Nuclear Blast e com produção de Roy Z marca por ser algo como “de volta as origens” do Sepultura. Pode se dar bom credito disso ao produtor, que é considerado um dos melhores no segmento de Metal no mercado fonográfico.

Bem recebido pela critica, Kairos tem um som mais pesado e cru do que os dois últimos trabalhos da banda, e é considerado como o álbum que trouxe o Sepultura de volta. A participação especial é do grupo francês Les Tambours Du Bronx na faixa “Structure Violence (Azzes)”,  e o disco contém duas covers: “Just One Fix”, da banda Ministy e “Firestarter” do The Prodigy.

Formação:
Derrick Green Vocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O baterista Jean Dolabella deixa a banda ainda em 2011, falando que quer procurar rumos diferentes para sua carreira.

Eloy Casagrande

Em seu lugar entra o excelente Eloy Casagrande, que tinha 21 anos na época, e termina a turnê de Kairos.


The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013)

O novo álbum marca a volta do produtor Ross Robinson ao trabalho junto com a banda e o primeiro disco de Eloy Casagrande na bateria do Sepultura. Também é o primeiro disco a ser todo gravado nos Estados Unidos desde o Against (1998).

“Sinistro, sombrio e metal pra caramba!” assim o vocalista Derrick Green descreve o som do disco. A critica e os fãs  ficaram satisfeitos com o resultado final, muitos consideraram o melhor trabalho do Sepultura nesse milênio. Em sua primeira semana de vendas nos Estados Unidos o álbum vendeu mais de 1.800 cópias.

Andreas Kisser disse que o disco foi inspirado no filme Metropolis  (1927) do austríaco Fritz Lang.  O título é baseado em uma frase que significa a principal mensagem da história: “O Mediador entre a Cabeça e as Mãos deve ser o Coração”.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Eloy CasagrandeBateria


Machine Messiah (2017)

O elogiado novo trabalho do Sepultura foi lançado no começo desse ano e chegou com o pé na porta total. Para a gravação, a banda se refugiou na casa do produtor Jens Bogren em Estocolmo onde não tinham muito o que fazer, a não ser pensar em música 24 horas por dia.

Machine Messiah foi bem recebido pela critica como um disco bem sólido com a cara do Sepultura, mas ao mesmo tempo se propõe a mostrar algo novo na longínqua estrada da banda. Destaques do álbum são as faixas “I Am The Enemy”, “Alethea”, a instrumental “Iceberg Dances” e a incrível “Phanton Self”.

Formação:
Derrick Green Vocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Eloy CasagrandeBateria

Foi lançado o documentário Sepultura Endurance dirigido pelo cineasta Otávio Juliano. Confira AQUI. Apesar de não ter depoimentos dos irmãos Cavalera, o filme vai contar a trajetória da banda desde o inicio em Minas Gerais até sua afirmação como gigante no rock mundial.

Atual formação do Sepultura.

O grande resultado sobre a carreira fonográfica do Sepultura é com certeza o legado que eles deixam para todos. A forte influência em diversas bandas mundiais, muitas até chegaram ao estrelado como Slipknot, Godsmack e System of a Down. E levando o nome do Brasil para o ponto mais alto do rock mundial, por mais que sejam músicas cantadas em inglês, a banda nunca escondeu e renegou suas origens. Se você procura algo para ouvir pesado e de boa qualidade, o Sepultura é prato cheio!

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Detective Comics Quadrinhos

Zenith – Volume Um | A primeira obra-prima de Grant Morrison

Em 1986 Alan Moore estava lançando nos Estados Unidos sua obra seminal Watchmen. Poucos anos antes, o mago inglês criava sua fagulha inicial da ideia que viria a se tornar a já citada série da DC Comics enquanto escrevia Miracleman (na época ainda chamado de Marvelman). Em 1987, motivado pelo sucesso dos super-heróis sérios da época, Grant Morrison criou sua resposta a Watchmen através de Zenith, que viria a utilizar conceitos similares aos das obras de Moore com um estilo muito mais fantasioso e divertido, pegada típica do autor quando trabalha com super-heróis. Sem deixar de lado, é claro, o caráter louco que tornou-se marca registrada do escocês.

Após uma série de histórias curtas dos Choques Futuristas, e tendo trabalhado na série Zoids pouco tempo antes, Morrison estava finalmente criando sua primeira aventura mais longa. Esta série, que teve início na prog 535 da 2000 AD (em agosto de 1987), conta com arte de Steve Yeowell e designs originais de Brendan McCarthy, e já era uma amostra dos roteiros megalomaníacos de Morrison que iriam se estender para suas outras histórias no futuro. Nela, Zenith é o personagem principal, e o único descendente de uma geração de superseres desenvolvidos pelo governo britânico após/durante a 2ª Guerra Mundial.

Ao invés de usar seus poderes (voar, resistência, força) para o bem da sociedade, o protagonista se aproveita do título de único super-herói em atividade para seguir carreira como pop star, até que se encontra envolvido em um confronto contra um ser de outra dimensão, que toma posse do corpo de um meta-humano nazista revivido por cientistas loucos para servir como receptáculo de uma entidade lovecraftiana.

Apesar de toda a bizarrice descrita acima, esta série – pelo menos as duas primeiras fases, compiladas no encadernado Zenith – Volume Um da Mythos Editora – é de fácil compreensão, sem muita complexidade no roteiro. Mesmo sendo descrita como a primeira de super-heróis da 2000 AD, o personagem que dá o nome à história não é nada heroico, e os coadjuvantes são mais interessantes e possuem melhores personalidades do que ele. O grupo Nuvem 9 (que se assemelha aos Minutemen de Watchmen), composto por heróis como Voltagem, Dragão Rubro e Mandala, marcou o retorno de uma Era Heróica após a Segunda Guerra, onde Maximan e Masterman (a contraparte nazista do herói britânico) lutaram e foram eliminados em um teste de bomba nuclear na cidade de Berlim.

Morrison brinca com a história real da existência dos super-heróis ao longo da Fase Um de Zenith. Ao situar o início da Era Heróica como o período da Guerra, o autor cria um paralelo com a realidade, onde os heróis surgiram na década de 30 e tornaram-se um hit durante o conflito, caindo num período de esquecimento em seguida (durante os anos 50) e sendo revividos na década de 60. A trajetória é muito parecida no mundo real e no mundo fictício de Zenith, onde com maestria a dupla criativa responsável pela série costura muitas tramas paralelas e cria uma cronologia única e muito bem estabelecida. Ao invés de Hiroshima, temos Berlim. Maximan é uma espécie de Superman britânico. E sobra ironia até para Fredric Wertham, o psiquiatra autor da Sedução dos Inocentes.

Como diz em seu livro Superdeuses, Morrison utiliza a série para, pela primeira vez, transportar-se para os quadrinhos. Anos mais tarde, o autor faria algo parecido com o King Mob da série Os Invisíveis, e de forma literal no encontro das páginas do Homem-Animal. Na persona de Zenith o autor insere todas as suas características mentais (e algumas físicas) da época, transportando sua personalidade para o protagonista da série. Ao fazer isto, cria também personalidades fantásticas que vieram a se tornar verdadeiras celebridades dos quadrinhos britânicos, como o já citado Peter St. John, o Mandala (um tipo de Doutor Manhattan de Zenith), e rega suas páginas com muitas referências da cultura pop da época, criando um apelo adicional único sem pesar a mão nas alusões literárias.

Enquanto Watchmen é uma espécie de literatura séria e rebuscada, Zenith foi criado como um escapismo jovial puro e simples. A arte de Steve Yeowell é um mangá ocidental de alto contraste, onde os designs de Brendan McCarthy criam vida com fluidez e simplicidade extremamente agradáveis.

Durante toda a introdutória Fase Um, a dupla criativa Morrison & Yeowell trabalha para estabelecer as características primordiais da série, como a existência dos Multiângulos e dos heróis, para descambar na Fase Dois onde são explorados alguns detalhes do passado de Zenith, da existência dos Lloigor e o conceito do Multiverso, aqui apelidado de Alterna. A utilização de Terras Paralelas rendeu para a série a alcunha de “Crise nas Infinitas Terras dos quadrinhos britânicos.”

A edição de luxo nacional da Mythos Editora compila as Fases Um e Dois na íntegra, com seus interlúdios e extras. Apesar de não ser um material inédito no Brasil, por já ter sido publicado em meados dos anos 2000 pela extinta Pandora Books, é a primeira vez que a série chega ao país de forma oficial em seu formato original, sem cortes e com nova tradução pelas mãos do gabaritado Érico Assis. E o tratamento gráfico dado ao encadernado é primoroso.

Talvez o Grant Morrison de Zenith seja mais acessível para os leitores que gostam de séries descompromissadas e com uma dose de nonsense divertido e empolgante, coisa que o autor extrapolou em suas histórias para a DC e Marvel e também nas continuações desta própria publicação. E deixando um gancho para as continuações, encarnadas nas Fases Três e Quatro (esta última inédita no Brasil, totalmente colorida e sendo publicada em breve pela Mythos), a empolgante história do cantor Zenith e todos que o cercam parece estar apenas começando, de uma forma tão excelente que nem parece o início da carreira de um roteirista, provando sua genialidade desde cedo.

Zenith – Volume Um possui 212 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 19 cm, com preço de capa sugerido R$ 74,90.