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Aperta o play e viaje na batida de Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop

Eu tinha entre dez e onze anos, não me lembro direito, quando minha mãe me presenteou com um vinil. Era o Funk Brasil 1. Ali foi meu primeiro contato para valer com esse tipo de som. Minha veia musical estava começando a ser moldada, obviamente eu era um moleque que escutava de tudo um pouco, os sambas nas festas das minhas tias, os rocks que meus primos ouviam, os forrós dos discos do meu pai, mas sem entender nada direito. O disco tinha raps que são muito diferentes dos que conhecemos hoje em dia. Logo na primeira faixa era uma música do Cidinho Cambalhota com participação da Dercy Gonçalves chamada Rap das Aranhas (uma espécie de continuação de Rock das Aranhas do Raul Seixas). Outros clássicos do funk carioca se decorriam ao longo de suas oito faixas no primeiro disco do icônico DJ Marlboro. Essa sempre foi minha referência para esse tipo de som.

Ao longo dos tempos me encontrei melhor no rock, mais precisamente nos punks hardcores da vida, mas sempre que dava aquela vontade voltava para o Funk Brasil. Até que anos mais tarde, na escola, um amigo me emprestou uma fita cassete. Vale lembrar que estamos situados aqui na década de 90 e esse era o nosso modo de compartilhar músicas. A fita tinha uma penca de raps do RUN-D.M.C. e fiquei tipo: “Puta merda! Que parada foda demais!”. Logo após eu fui conhecer os Racionais MC, e um foi puxando o outro. Até as bandas de rock que na época misturavam com rap ajudaram nesse conhecimento. Como o Planet Hemp, Pavilhão 9, Cambio Negro etc e tal.

Fiz essa pequena introdução para poder falar que Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop da Editora Draco, me fez ter essa sensação novamente de estar descobrindo um novo mundo. Ao longo das suas 184 páginas me senti não apenas lendo um gibi. E sim escutando um disco de rap. As suas histórias me remeteram a canções e como uma ironia incrível, algumas você pode até cantar. Como Preta Maravilha Contra a União Golpista e Que Nem um Morcego. As letras (ou histórias) falam do cotidiano da comunidade, de preconceitos, de revolução, de correr atrás do seu sonho, de batalhar o seu sonho, a eterna luta contra os poderosos e de evoluir. Mas usando a magia que somente as HQ’s podem proporcionar. E faz todo o diferencial.

A primeira faixa é O Sampleador, com roteiro de Raphael Fernandes e arte de Braziliano, com uma bela história de um rapaz que tem um dom amaldiçoado que atormenta a sua vida. Depois o álbum pula para trama heroica Preta Maravilha contra a União Golpista com arte e texto de João Pinheiro. Aqui somos apresentados a uma super-heroína urbana que está em combate contra os poderosos iniciando uma revolução. A história toda é um grande rap e como disse antes, dá para ler cantando com uma batida imaginária na mente. Que Nem um Morcego do trio Cirilo S. Lemos, Giovanni Pedroni e o rapper De Leve. É a minha preferida da coletânea. A história do cativante Ramiro descobrindo o hip hop e iniciando nas batalhas de MC’s te abraça e te leva para um mundo fantástico. Fechando o “lado A” do disco Na Quebrada, vem a importante Meu Corpo, Minhas Regras escrito pela ótima Larissa Palmieri e com arte de Vitor Flynn. Uma trama cyberpunk que mistura fanatismo religioso, direitos das mulheres, machismo, corrupção e o poder da fake news. Mais atual impossível.

Virando para o “lado B” de Na Quebrada, começamos com Um Conto de Duas Cidades, onde dois grupos rivais se unem contra um mal comum que ameaça a todos. Um aviso bem real para os dias de hoje. O texto é de Felipe Cazelli e arte de Marc Weslley, com os desenhos mais bonitos da coletânea. Em seguida vem Darréu – A Lei do Mundo, uma divertida e leve trama escrita pelo entregador de gás Alessio Esteves e com artes de  Felipe Sanz. A história de dois meninos que queriam tirar uma onda com os amigos é a mais descompromissada da coletânea, lembrando até aqueles filmes gostosos de assistir como Goonies ou Uma Noite de Aventuras. Já em Olido de Juju Araújo e com o retorno de Braziliano na arte, trata da famosa arte urbana. Assim como a galeria homônima que fica em São Paulo, o texto abraça os traços grafiteiros de Braziliano e apresenta uma trama de poder, busca pelo sucesso e reconhecer suas raízes. O fechamento fica por conta da excelente O Rei do Groove que tem arte e texto de Guabiras. É uma grande homenagem ao hip hop mundial disfarçada em um conto fantástico de um DJ que beirava o fracasso e se torna um dos maiores. A história, em todos os seus quadros têm referências ao hip hop, é uma aula de história sobre o estilo com artistas dos mais variados tipos que contribuíram de alguma forma com o movimento. É bem legal ficar caçando as referências.

Além dos quadrinhos, o volume conta com uma introdução de Alê Santos, contador de narrativas negras (confira seu trabalho em sua conta no Twitter), e comentários do grande Gil Santos, o popular Load, e do rapper Rashid.

Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop tem na sua maior qualidade o fato de ser um trabalho necessário para a galera. Disseminar essa cultura para o leitor é de suma importância. E tomara que quem venha a ler, passe a se interessar e a consumir as artes que o movimento gera no total. E como disse o meu amigo Gigalovax Cândido, todas as histórias acabam de forma positiva. Apontando que o futuro pode sim ser melhor.

Na Quebrada – Quadrinho de Hip Hop tem formato 17 x 24 cm, 184 páginas e capa em papel cartão. A coletânea está em pré-venda no site oficial da Draco.

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Quadrinhos

Batman e Mulher-Gato é a nova minissérie da DC por Tom King

Conforme noticiado aqui, o run de Tom King pelo título do Morcego se encerrará este ano. Contudo, isso não significa que o autor não escreverá mais o personagem. A DC Comics anunciou hoje Batman e Mulher-Gato, nova minissérie por King e pelo desenhista Clay Mann.

Arte promocional de Batman e Mulher-Gato #1 por Clay Mann

Além disso, o editor-chefe Bob Harras finalmente esclareceu a situação:

“Estamos realizando mudanças em nossas publicações para continuar a garantir o nosso sucesso. A primeira delas será Batman, após o final de Cidade de Bane em dezembro. É uma história incrível e Batman e Mulher-Gato suprirá o vazio até que o título do personagem se torne mensal.”

Enquanto isso, o autor Tom King, lamenta pela sua saída da revista:

“É difícil deixá-lo, mas foi um presente prazeroso fazer parte do título. Contudo, estou o deixando para trabalhar nos projetos mais ambiciosos da minha carreira, com os melhores artistas. Isso é um presente também.”

De acordo com King, Batman e Mulher-Gato é uma chance dele repetir o feito de Grant Morrison e Frank Quitely em Batman e Robin. Trazendo uma acessível e ambiciosa história, o autor concluirá as ideias de seu run dentro da minissérie:

“Esse será quadrinho sobre o que o personagem sempre foi: Transformar medo, em coragem. Dor, em esperança. Trauma, em amor.”e acrescenta“É a história que eu sempre quis contar. E eu estou contando-na com o melhor artista ao meu ver: Clay Mann.”

Batman e Mulher-Gato #1 será publicado em janeiro de 2020. A minissérie contará com 12 edições. Para saber sobre tudo o que acontece na Editora das Lendas, mantenha-se ligado na Torre de Vigilância.

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Decepcionado com o final de Game of Thrones? Conheça boas HQs de fantasia medieval!

Sucesso da televisão que ao longo de oito anos conquistou milhares de fãs ao redor do mundo, Game of Thrones finalmente chegou ao fim, e a luta pelo controle dos Sete Reinos atingiu sua derradeira conclusão. Entretanto, esta conclusão deixou uma sensação ruim para muitos que acompanhavam a série, após deslizes no decorrer de toda a oitava temporada.

E qual a melhor forma de apagar o gosto ruim deixado por finais insatisfatórios? Conhecendo outras obras! E abaixo elencaremos alguns ótimos quadrinhos de fantasia medieval, publicados no Brasil nos últimos anos e que possuem status de grandes obras do gênero, seja pelas intrigas políticas, batalhas épicas ou personagens cativantes. Vale lembrar que o gênero de fantasia medieval é muito extenso, e seria impossível comentar sobre TODAS as histórias deste tipo de uma só vez.

Dragonero: O Caçador de Dragões

Série italiana publicada pela Sergio Bonelli Editore, Dragonero é um dos maiores sucessos modernos da editora, sendo consagrada como uma das maiores séries de fantasia da Europa.

Fora das terras civilizadas do Erondar, além da ciclópica barreira do Valo, que separa o Império da Terra dos Dragões, a Antiga Interdição, que sela e aprisiona os abominosos em seu mundo escuro, está para ser quebrada. O mago Alben sabe o que deve fazer para evitar essa catástofre: ele convocará a oficial Myrva, a monja guerreira Ecuba e Ian Aranill, ex-oficial do Império, além do orc Gmor, amigo leal de Ian. Alben sabe que eles deverão enfrentar as forças maléficas evocadas por Shiverata, seu antigo inimigo, e as hordas dos algentes, os únicos seres sencientes que habitam a Terra dos Dragões. E sabe que Ian, membro da família dos Varliedartos, os Matadores de Dragões, é o único que poderá encarar a última terrível ameaça que deverão enfrentar. Junte-se a esses cinco heróis para fazer uma incrível viagem através de uma terra de maravilhas, prodígios, fantasia e horrores mortais.

Este encadernado da editora Mythos reúne a primeira minissérie completa de Dragonero, em uma edição que contém mais de 290 páginas. Porta de entrada ideal para novos leitores.

Os Companheiros do Crepúsculo

Uma das mais aclamadas obras de François Bourgeon, Companheiros do Crepúsculo chegou ao Brasil (com o merecido tratamento, pois já havia sido lançado antes) através da editora Nemo.

Considerado um dos melhores álbuns de quadrinhos já produzidos, Os Companheiros do Crepúsculo se passa na Idade Média durante a Guerra dos Cem Anos. A história é centrada nos personagens do Cavaleiro, Mariotte e Anicet, em sua busca por redenção ou pela simples sobrevivência. Misturando fantasia e lutas sangrentas, cenas cotidianas e um tom de erotismo, um dos destaques desta obra-prima das HQs é o belo e detalhado traço do autor, que transporta os leitores para os cenários e o clima da época.

Através de linguagem rebuscada que situa muito bem o leitor, esta edição de um clássico é imperdível para quem gosta de grandes histórias e para os amantes da arte dos quadrinhos.

Rat Queens

O grupo das Ratas Rainhas, quatro amigas que se assemelham às classes típicas de boas aventuras de RPG, dão vida ao título Rat Queens da Image Comics (com selo Shadowline), trazido ao Brasil pela editora Jambô.

As personagens formam um grupo de aventureiras matadoras, beberronas e mercenárias, e seu negócio é trucidar todas as criaturas dos deuses em troca de grana. Conheça Hannah, a elfa maga rockabilly; Violet, a anã guerreira hipster; Dee, a humana clérigo ateia; e Betty, a miúda ladra hippie. Suas aventuras são um épico de estilo moderno, dentro do gênero tradicional de matança violenta de monstros — como se Buffy encontrasse Tank Girl em um mundo de RPG… Mas pra lá de chapada!

Já foram publicados em terras brasileiras dois encadernados com capa dura reunindo as dez primeiras edições da série original, muito elogiada nos EUA.

Elfos

Um dos maiores sucesso do mercado francês, a série Elfos está sendo publicada atualmente no Brasil pela editora Mythos.

Com narrativa rotativa e dividida entre diversas espécies de elfos, onde cada história possui foco num tipo específico (são eles: azuis, silvestres, brancos, negros e meio-elfos), os autores constroem aos poucos uma trama maior e cheia de nuances e interconexões. O primeiro volume possui duas histórias, uma focada nos elfos azuis e outra nos elfos silvestres. O segundo volume já foi lançado pela editora e apresenta duas novas histórias, uma com foco nos elfos brancos e outra nos meio-elfos.

Graças a esta publicação surgiram diversos spin-offs trabalhando outras raças/espécies fantásticas deste mundo. O formato da publicação é luxuoso, tamanho álbum, em capa dura.

Anões

Série que divide o mesmo universo de Elfos, Anões também chegou ao Brasil em lançamento da editora Mythos, e traz uma perspectiva de vida bem diferente se comparada às criaturas de orelhas pontudas.

Assim como Elfos, Anões é uma série dividida em histórias curtas (um escritor, cinco artistas) que englobam os diferentes tipos de anões deste universo fantástico. Existem quatro ordens principais: a Forja, Retaliação, Templo e Escudo. Além delas, uma quinta ordem foi criada e inclui proscritos e desfavorecidos: a Ordem dos Andarilhos. O primeiro volume conta uma história da Ordem da Forja e outra da Ordem da Retaliação, e mostra nitidamente as diferenças entre as duas ordens e dita os rumos das próximas aventuras.

O encadernado brasileiro também segue o padrão da série irmã: formato álbum com acabamento luxuoso em capa dura.

Lanfeust de Troy

Outro sucesso arrebatador dos quadrinhos europeus, Lanfeust de Troy chegou ao Brasil pela Jupati Books (selo da Marsupial Editora), e conta com dois volumes publicados até o momento, um da série principal e outro do spin-off.

Troy é um mundo fascinante, onde a magia faz parte do cotidiano de todos. Cada pessoa possui um poder, pequeno ou grande, mais ou menos útil. Um tem o dom de transformar água em gelo, outro o poder de soltar puns coloridos… Lanfeust consegue fundir metal só com o olhar. Ele naturalmente se tornou aprendiz do ferreiro de sua aldeia. Até que, quando tocou numa misteriosa espada vinda dos distantes Baronatos, uma força excepcional se revelou: ele não dispõe mais de um único dom, mas de um poder absoluto e ilimitado. Acompanhado do velho sábio Nicoledes e das suas duas filhas de personalidades muito distintas, Lanfeust é transportado para um turbilhão de aventuras, encontrando as criaturas mais estranhas, surpreendentes e perigosas.

A série já foi concluída em seu país de origem. O spin-off, Trolls de Troy, lida com os fantásticos trolls deste universo, em uma série muito mais bem-humorada.

Dragão Negro

Trazida ao Brasil pela editora Pipoca e Nanquim, Dragão Negro é uma das obras definitivas de Chris Claremont (X-Men) e do artista John Bolton (Os Livros da Magia).

O ano é 1193 da Era Cristã. James Dunreith, exilado pelo seu senhor e rei, Henrique, voltou para reivindicar a terra que é sua por direito de nascença. Acusado de feitiçaria, Dunreith é pressionado pela rainha Leonor da Aquitânia e incumbido de uma missão: encontrar uma pessoa que vem se rebelando contra a coroa e resolver a questão a qualquer custo; o problema é que essa pessoa já foi o seu melhor amigo. Ainda mais perigosa do que qualquer ameaça política é a conspiração para dominar os poderes ocultos ancestrais advindos daquela região, que podem desencadear o mal supremo. Será que o coração valente do herói e o poder das rainhas das fadas e do mundo terreno serão capazes de salvar a Inglaterra da voracidade do Dragão Negro?

Graphic novel publicada originalmente pela Epic Illustraded, da Marvel Comics, Dragão Negro é uma incrível história de fantasia situada na Inglaterra medieval, combinando contos de fadas com figuras históricas. O encadernado nacional é um show a parte, com acabamento luxuoso em capa dura e formato diferenciado do original, valorizando a arte.

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Review | Rage 2

Autoridade é uma força de guerra, que atua em um deserto apocalíptico, no ano de 2165, você é um(a) sobrevivente de nome Walker, e tem como missão, além de sobreviver neste mundo pesteado, formar alianças com outros sobreviventes para que juntos consigam mudar o rumo de suas vidas, neste período de pouca esperança.

O jogo é um acerto da id Software e da Avalanche Studio, as duas empresas conhecidas por jogos frenéticos e de ação desenfreada, nos entrega mais uma vez uma aventura com frenesi desencadeado, uma história anárquica e caótica. Tudo o que há de bom em séries famosas como Doom, Just Cause, e a adaptação de Mad Max para videogames, está presente em Rage 2.

A ambientação da história é um clássico dos filmes dos anos 80 e 90, a clássica vingança por aqueles que destruíram sua antiga vida, e te fizeram estar nas piores situações possíveis, se já não fosse suficiente estar em um ambiente hostil 24 horas por dia, normalmente. Os responsáveis por transformar cada segundo da existência de civis, no verdadeiro inferno são, nada mais que uma milícia denominada Autoridade que possui um exército de mutantes/robôs equipados com armas e equipamentos cyberpunks. Você então, está encarregado de se aventurar e espalhar as palavras da vingança por todos os cantos, e reunir aliados para a batalha.

O que há para ser adiantado aqui é que no geral esta história é curta, o que significa que, se você estiver esperando em Rage 2, uma história envolvente, você não encontrará isso aqui. O jogo está sustentado em momentos de ação, e de exploração. Ter uma história assim, não necessariamente é um ponto negativo, desde o início o jogo deixa claro seu propósito de divertir sem se importar como enredo, porém, mesmo a todo momento você recendo esta informação, o que te deixará nas mãos apenas das missões adicionais ou objetivos de exploração em grandes torres da Autoridade, fica uma sensação de dever cumprido, mas uma insatisfação imensa, por que sabemos que Rage 2 poderia ter nos oferecido algo melhor. Há muito o que explorar no mundo, mas nada realmente desafiador, nada que te faça pensar duas vezes antes de enfrentar qualquer coisa que se mova a sua frente, é uma oportunidade perdida, que o jogo tenta validar, mas infelizmente não consegue.

Basicamente os locais que você explorará serão praticamente os mesmos. Os acampamentos dos mutantes, servem apenas para dar um pouco de ação ao jogo, jogados de maneira aleatória, algumas possuem inimigos um pouco mais fortes, mas nada que você não derrote facilmente. Quando você aprende a desviar dos ataques a distância tudo se torna muito mais fácil. Alguns destes acampamentos por sua vez, possuem objetivos a mais do que simplesmente derrotar todos os que ali estão, algumas possuem objetivos a serem conquistados, ou destruídos. Em todo o percusso por terra, você pode dar de cara com alguns bandidos realizando emboscadas para viajantes desprevenidos.

De fato o mapa de Rage 2 é grande, e alguns pontos estão bem distantes um do outro, mesmo com seu veículo terrestre chegará um ponto em que você simplesmente já explorou tudo, e não precisa mais andar pelos mesmos caminhos, neste ponto aparece o girocóptero. Os fast travels são uma adição bacana, você pode facilmente revisitar áreas para recolher coisas que ficaram para trás no frenesi das batalhas, mas recebendo a liberdade de ignorar todos os lugares sem interesse e ir direto para o ponto principal da missão. Isso foi algo bem facilitador, já que a proposta do jogo é a ação, e com este gadget, você pode pular de momentos de ação direto para outros momentos de ação, sem ter que esperar alguns minutos para encontrá-los.

Rage 2 não é um jogo linear, mas bem que poderia ser, se pararmos para analisar que no decorrer da gameplay você pode se desvincilhar da história, e começar a explorar tudo, já que durante a Campanha Principal, o jogo não leva você a grande parte do mapa, a sensação do mundo aberto ser utilizado apenas para preencher o vazio da Campanha vem a tona em alguns momentos.

A mecânica de combate encontrada aqui é rápida, fluida, todos os armamentos são incríveis, poderíamos estar falando aqui de algum jogo focado no FPS, mas não, Rage 2 trabalha muito bem quando o assunto é ação e combate. Mesmo que o jogo te ofereça uma série de habilidades para serem usadas em combates, elas raramente precisam ser usadas de fato, tudo pode ser resolvido com o leque de armas disponíveis no inventário, e se você obtê-las antes de finalizar com a história, elas te darão uma vantagem gigantesca, é uma forma do jogo te premiar por explorar seu terreno de maneira arbitrária.

VEREDITO:

Rage 2, no final das contas não parece uma sequência, mas sim um reboot do jogo anterior, melhora tudo que foi apresentado no passado e oferece muito mais para o jogador. Infelizmente isto, não é suficiente fazer o jogo se destacar entre vários outros lançamentos. Seu mundo aberto por muitas vezes não vale o tempo investido, sua história pouco aproveitada para focar no mundo aberto, a imersão no cenário apocalíptico, é uma das coisas mais bem desenvolvidas além do seu combate bem estruturado.

O jogo funciona como um passa tempo, sentar e simplesmente jogar, sem querer ser surpreendido, o foco na diversão aqui foi alcançado com sucesso, o problema é quando o jogo quer ser algo mais.

PONTOS POSITIVOS:

  • Ambientação imersiva.
  • Atividades Secundárias.
  • Combate Fluido.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Mundo aberto sem sentido.
  • História curta.
  • Curva de aprendizado da batalha é alta.

Revisado no PC. Agradecimentos à Bethesda pelo envio do código para análise.

 

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Séries

Ao som de Brain Damage, HBO libera trailer de Westworld III

O futuro distópico transmitido pela HBO ganhou um vídeo inédito antes da exibição do Series Finale de Game of Thrones.

Westworld é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por andróides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à “evolução do pecado”. Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), programada para ser a típica garota da fazenda, que está prestes a descobrir que toda a sua existência não passa de bem arquitetada mentira.

Muita coisa mudou desde o início da série e agora, lidaremos com Dolores e Bernard como os grandes antagonistas da história após saírem do parque temático.

Westworld retorna com novos episódios em 2020.

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Serial-Nerd

Do Gelo ao Fogo, quem realmente merece o Trono de Ferro?

Bastardo. Refugiada. Intendente. Khaleesi. Senhor Comandante da Patrulha da Noite. Quebradora de Correntes. Rei do Norte. Conquistadora.

É bastante comum que a trajetória de um herói seja marcada por alegrias e tragédias. Elementos basais para amadurecer o personagem e se tornar aquilo que está destinado, como se fosse uma espécie de profecia há tantos anos contada. Nada de Azor Ahai e Nissa Nissa. Aqui temos, Jon Snow e Daenerys Targaryen. E só.

A rejeição e o medo que ambos sofreram bem no início foram a prova necessária para o início de suas jornadas como herói e heroína. Sem olhar para trás, Jon foi para a Muralha. Daenerys como refugiada e distante de seu lar, permitiu ser moeda de troca para que seu insano irmão, Viserys, conseguisse um exército digno para conquistar os Sete Reinos. Decisões que mudariam suas vidas para sempre. Até porque, caos é uma escada.

Momentos icônicos de Dany.

Daenerys da Casa Targaryen, a Primeira do Seu Nome, Rainha dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Nascida na Tormenta, Khaleesi do Grande Mar Dothraki, A Não-Queimada, Mãe dos Dragões, Quebradora de Correntes e Mhysa.

Quando você possui Targaryen no sobrenome, os olhos se voltam para você e esperam muito de você. A dinastia dos senhores dos dragões que teve início quando Aegon I desembarcou com suas irmãs-esposas Visenya e Rhaenys, e chegou ao fim com a morte de Aerys II durante o Saque de Porto Real. A magia e soberania tinham morrido, mas o destino resolveu agir novamente. A Nascida na Tormenta foi capaz de trazer o renascimento dos dragões e com isso, o retorno da magia. Só faltou a soberania.

É sabido que os títulos dizem muito sobre o seu portador e assim, Dany o fez. Sua fama foi feita por seus grandes feitos do Outro Lado do Mar Estreito em Essos. Enquanto em Westeros acontecia a Guerra dos Cinco Reis e tudo que veio em seguida como consequência, nossa personagem foi aos poucos conquistando seu devido espaço e ganhando respeito mesmo sendo uma mulher. Até porque o valor feminino era desprezado e muitas vezes, ignorado pelos homens.

Existe recompensa no esforço, certo? Daenerys fez e fez muito mais para si, e principalmente por seu povo. Até porque além de Mãe dos Dragões (ao menos na época), ainda era uma Mhysa. Todas as suas realizações foram por mérito próprio. Suas conquistas na Baía dos Escravos (Astapor, Yunkai e Meereen) serviram para catapultar o seu nome pelo Mundo Conhecido, onde ajudou a libertar seus filhos da escravidão e dando uma nova vida para todos. Meereen serviu como um grande preparatório para a mesma no que diz respeito ao ato de governar, tendo assim acertos e erros. Nada anormal para uma governante. A prova de fogo veio em Westeros e apesar das vitórias, vieram a partir de sacrifícios. Que deixaram uma marca em sua alma e resultou numa atitude sombria, porém esperada há muito tempo.

Principais momentos de Jon na série.

Snow não possui um apelo popular quanto Daenerys possui, mas é impossível não reconhecer seus feitos durante sua trajetória como herói. O que ele fez pela Patrulha durante a Batalha na Muralha e a consequente aliança com os selvagens merecem nota, apesar de ter sido a sua queda como Senhor Comandante. A traição doeu nele e doeu na gente. Foi sujo e cruel, mas permitiu o seu amadurecimento. Sem as amarras do importante juramento, agora precisava colocar ordem em casa. Sua Casa.

O título denominado Rei do Norte é uma herança que remonta por milhares de anos quando aquele que tinha a coroa era chamado de Rei do Inverno. O último foi Torrhen Stark, também conhecido como o Rei Que Ajoelhou, durante a Conquista de Aegon. Este título retornou com a proclamação de Robb Stark durante o conflito dos Cinco Reis. Jon veio receber um pouco depois após a vitória na Batalha dos Bastardos. Sua proclamação foi tão bonita quanto de seu primo. Além de merecido, foi também a recompensa por vingar o sangrento Casamento Vermelho. Os Stark estavam de volta em seu lar ancestral.

Jon durante toda a sua vida foi reconhecido como um bastardo, porém vem descobrir que na verdade tem sangue de dragão. Como lidar com esta importante revelação? Algo que o retira de uma posição de tremendo conforto e o joga para uma posição de suma relevância perante todos. Ah, se Janos Slynt e Alliser Thorne estivem vivos agora. O Rei Corvo agora é um Rei Targaryen, primogênito de Rhaegar e Lyanna Stark. Não é qualquer coisa. O verdadeiro herdeiro para o Trono muda tudo aquilo que a Rainha Prateada estava almejando por anos.

Gelo e Fogo. A união de elementos que ferem, mas que também possuem sua estética e significado. Podemos considerar que as Crônicas de Gelo e Fogo faz referência aos dois personagens? Saberemos em algum século. Só que aqui nesta adaptação televisiva, a referência se fez mais presente. Seus feitos foram responsáveis por juntá-los. A aliança se transformou em amor. Essa ironia do destino permitiu que familiares se juntassem sem saberem do real parentesco por um instante e assim, honrando o preceito Targaryen de manter o sangue puro entre os próprios parentes.

A legitimidade ao Trono de Ferro sempre foi uma linha tênue durante a história westerosi e esta questão se complica quando nos deparamos com dois familiares da mesma Casa como pretendentes a governar, tal como foi durante a guerra civil conhecida como a Dança dos Dragões, que levou a grande conflitos desses dois lados.

Com apenas um episódio para encerrar a série, pode ser que exista uma certa pressa para lidar com o assunto e por assim dizer, ser aquém do esperado. Esse plot demandaria mais episódios para ser explorado, mas entendo que as Batalhas em Winterfell e Porto Real demandaram um esforço maior para uma temporada mais reduzida.

O lance é que Daenerys seria a mais digna para governar devido ao seu longo histórico até aqui. Só que se descobrissem a verdade, Jon seria o preferido pelo povo. Ele é mais amado em seu lar que a própria Rainha. É uma problemática para considerar. Quem estará disposto a abrir mão de sua pretensão por amor? Quais serão as consequências depois da Destruição de Porto Real? Saberemos logo mais com o Series Finale.

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Com um elenco feminino poderoso, Big Little Lies é uma lição de amor, amizade e superação.

É notório que a HBO se destaca em suas produções originais e garante atenção merecida de seus telespectadores devido a qualidade de roteiro, elenco cativante e temporadas curtas, permitindo que não haja enrolações em demasia. Big Little Lies se encaixa nesses quesitos e oferece mais. Muito mais.

A história se passa na península de Monterey (Califórnia) e acompanhamos a adaptação de Jane (Shailene Woodley) junto com seu filho Ziggy neste lugar. Num simples ato de gentileza, a relação entre ela e Madeline (Reese Witherspoon) teve início.

Amizade é definida como: ”Afeição, estima, dedicação recíproca entre pessoas: laços de amizade.” Esse sentimento veio de uma forma tão orgânica e bem construída, que parecia algo de muitos anos. Celeste (Nicole Kidman) também aceita Jane de braços abertos e assim, temos o Trio de Monterey. Cada uma esconde algo e as respectivas revelações vão sendo feitas sem pressa, e no momento certo.

Você aprende a se importar com essas personagens quando as atrizes conseguem entregar a atuação correta para nos convencer sobre o que acontece com ambas e como isso as afetam, além de seus filhos.

Mãe solteira e tendo na bagagem um grande trauma em seu passado, a personagem de Shailene retrata a realidade de boa parte da população feminina atualmente. Não entrarei em detalhes, pois não quero estragar a experiência de você que possa iniciar essa deliciosa maratona após finalizar o texto.

Só queria deixar claro a atuação fantástica da atriz em retratar todo o desespero e receio por conta deste trauma, que não pede licença para entrar e acaba causando pesadelos por fazê-la reviver tudo aquilo mentalmente. Isso é desgastante e Jane demonstra isso no seu dia-a-dia, juntamente com o fato de temer pelo futuro de seu filho por algo que possa estar enraizado em seu interior.

Renata (Laura Dern) aparece como ”antagonista” e entra em guerra com o Trio devido ao bullying recorrente que sua filha Amabella sofre na escola. A revelação sobre o verdadeiro culpado expõe o que citei ali em cima. Como as atitudes dos pais influenciam o comportamento de seus filhos em outros ambientes. Isso nos leva diretamente para Celeste.

O ser humano foi dotado da capacidade de não deixar transparecer nada que o deixe vulnerável perante outras pessoas. Isso vale desde um sorriso para disfarçar tristeza profunda ou um casamento de aparências. Achávamos que Celeste vivia perfeitamente com seu marido Perry (Alexander Skarsgård) até uma leve puxada de braço entregar aquilo que estava na penumbra.

A partir do momento em que utilizam do ódio como moeda de troca para o sexo selvagem e violento, configura num relacionamento abusivo e doentio. E o pior que ninguém percebe como esse círculo é bastante perigoso. Ninguém acredita no nível tóxico que isso se tornou. Não há espaço para refletir em como isso é errado, já que na concepção dada está tudo perfeito. Isso é normal entre eles e acabou.

Um empurrão hoje se transforma no soco amanhã. ”Desculpa! Vou mudar” < o mesmo lamento que já estamos cansados de ler e ouvir em tantas mídias. As agressões trazem repulsa para o telespectador e a atuação de Nicole é monstruosa. Alexander também merece elogios por sua interpretação que convence muito, pois você caminha por duas vias: pela simpatia ao personagem e depois inicia um ódio sem precedentes para com o mesmo.

O elenco mirim cativa e deixa qualquer um apaixonado. Chloe é o grande destaque com suas famosas playlist e sua boca afiada graças a sua mãe, Madeline. Os gêmeos de Celeste, Amabella de Renata, Skye da Bonnie (Zoë Kravitz) e Ziggy de Jane são tão fofos quanto. É um complemento para o que já estava bom com o elenco feminino.

Com um assassinato montado aos moldes de Revenge e How to Get Away with Murder, ele instiga e ao decorrer dos episódios, é possível imaginar quem é a vítima. Apesar do desfecho previsível, ainda é muito proveitoso todo o seu desenvolvimento até aquela fatídica noite.

São poucas as séries que me conquistam na abertura e me fazem assistir ou ouvir a trilha sonora até o final. Aqui é o exemplo perfeito.

https://www.youtube.com/watch?v=meJ2yK4boJE

A música é Cold Little Heart de Michael Kiwanuka. Os créditos iniciais de Big Little Lies mostram as personagens com seus filhos em direção à escola mesclando com a perfeita paisagem da Califórnia. Aliás, toda a trilha merece ser ouvida. Boas escolhas que intensificam as cenas.

E cadê a segunda temporada? Calma! Calma! Faltam um pouco mais de três semanas para o retorno e temos o trailer oficial.

https://www.youtube.com/watch?v=eCWevZV945M

Considero Big Little Lies como uma das séries mais importantes atualmente pela sua temática apresentada e todo cuidado em desenvolvê-la de forma competente em apenas sete episódios em sua primeira temporada. Pare um dia e veja o que esta belíssima produção tem para lhe mostrar.

Segunda temporada de Big Little Lies começa em 9 de junho.

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Frenético e violento, John Wick 3: Parabellum entrega o que há de melhor na franquia

Dando continuidade aos eventos do segundo filme, “John Wick 3: Parabellum” chega aos cinemas com a difícil tarefa de apresentar um encerramento para o arco construído até então, ao mesmo tempo em que deve expandir a mitologia deste universo sem deixar de abraçar seu gênero em todas as situações. Com muito mérito, já é possível afirmar que a trilogia do assassino Baba Yaga está consolidada como uma das melhores da história do cinema.

Na terceira película da saga, John Wick (Keanu Reeves) está sendo caçado pela associação após ter assassinado Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) dentro do Hotel Continental. Banido e com uma gorda recompensa de US$ 14 milhões pela sua cabeça, cabe ao herói encontrar formas de sobreviver para manter seu objetivo: preservar as boas memórias que possui de sua amada e falecida esposa.

“John Wick 3: Parabellum” se destaca em boa parte, pela terceira vez em três filmes, graças ao visual. O diretor e ex-dublê Chad Stahelski utiliza todo seu conhecimento para entregar ao espectador as melhores coreografias de ação possíveis, em sequências de luta imparáveis e totalmente compreensíveis cercadas por uma paleta de cores chamativa, aplicando movimentos inventivos e tomadas únicas para um filme deste tipo, com realismo através da utilização de golpes de artes marciais e belas batalhas com armas de fogo. O longa inicia de forma frenética, dada a situação em que John se encontra após o final do segundo filme, e segue com poucas interrupções para construir momentos vindouros.

Em uma entrevista dada ao The Graham Norton Show, Keanu Reeves comentou sobre as capacidades de sobrevivência de John Wick, bem como aceitar determinadas situações.

Entretanto, assim como seus predecessores, Parabellum não se limita à ação – apesar desta ser boa parte do longa. O universo dos assassinos ganha novas camadas através da atuação da Alta Cúpula, representada aqui pela juíza vivida por Asia Kate Dillon, e parte do passado de John também é pincelado de forma pontual e sem subestimar a capacidade do espectador em compreender as entrelinhas. Novas personagens, como Sofia (Halle Berry) e A Diretora (Anjelica Huston) acrescentam mais enigmas que podem vir a ser desenvolvidos em outras mídias, e o vilão Zero (Mark Dacascos) rouba a cena com sua canastrice de vilões caricatos, porém extremamente funcionais. Vale lembrar que os já conhecidos membros da sociedade, como o Rei do Bowery (Laurence Fishburne), Winston (Ian McShane) e Charon (Lance Reddick) retornam triunfantes às suas funções, com mais destaque e reviravoltas inesperadas.

Parte da diversão também se encontra no humor negro da fita, que não ameniza em brincar com seus absurdos típicos de bons filmes de ação. Ao conhecer as principais características deste universo como a palma de sua mão, o roteirista Derek Kolstad, agora contando com a colaboração do diretor Chad Stahelski, sabe dosar muito bem os momentos em que uma boa e inusitada piada será encaixada, ainda que de forma séria. A constante presença dos animais, marca registrada do filme, funciona de forma tão orgânica quanto todo o restante e rende alguns dos melhores momentos de alívio cômico.

Cena de John Wick 3: Parabellum presente no segundo trailer do filme.

A construção das hierarquias da associação e a reutilização de propostas dos longas anteriores também é muito orgânica, estabelecendo mais do mundo em que esta franquia se passa. John Wick é um homem de poucas palavras e isso colabora para agravar a forma mitológica como ele é encarado por todos que o cercam, apesar da crescente dificuldade em superar os desafios conforme o desenrolar da história. No terceiro ato, John já está em seu limite, cansado e quase incapaz, transformando com naturalidade algumas coreografias em um desenrolar mais lento, que peca um pouco pela excessiva quantidade de acontecimentos sem pausa.

Finalizando com um ótimo – e corajoso – gancho para continuação, sem um final feliz, “John Wick 3: Parabellum” é tudo que os fãs esperam da série. O herói de Keanu Reeves, em toda sua perfeição quase imperfeita, é um livro com algumas páginas em branco que podem ser preenchidas, e toda a associação regida pela Alta Cúpula possui enorme potencial para ser mais explorada em um futuro retorno às origens. A fidelidade e os votos prestados, com muita honra e sobriedade, podem e devem ser honrados, e determinadas ações exigem reações, por mais perigoso que isso possa ser.

As decisões tomadas pelo protagonista, neste que encerra a primeira trilogia da série, podem e devem reverberar de maneira retumbante no resto do mundo. É uma questão de tempo até que o preço seja pago, e o prognóstico não é muito bom. A não ser, é claro, que John possua uma nova carta na manga. E pelo histórico, essa é uma possibilidade bem forte.

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O lado mais sujo do ser humano é exposto em Chernobyl, nova série da HBO.

Choque. Medo. Ceticismo. Negligência. Omissão. Esperança. Tensão.

É completamente natural o ser humano entrar num misto desses sentimentos e atitudes quando se depara com uma grande catástrofe. É como um mar o afogando e não conseguir ver a superfície. Suas próprias emoções podem atrapalhar o seu julgamento. O pior é quando essa confusão emocional permite decisões falhas em prol do Estado e sem saber das consequências desses atos. Pensando que está fazendo um bem para o seu povo, pois este mesmo governo tem tudo sobre o controle. Esse é o clima que o Piloto de Chernobyl passou para o seu telespectador.

Pripyat, abril de 1986. A rotina de todos seguia de forma natural até o início de tudo. O início do fim. O incêndio pode ser visto por quilômetros e os habitantes locais começaram a se preocupar. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Já no interior da usina, a equipe de engenheiros cientes do problema começam a traçar planos para conter o incidente. Nisso entra o Camarada Dyatlov. Apesar dos relatos cada vez mais desesperadores sobre a explosão do núcleo, ele permaneceu cético e seguiu o episódio inteiro com uma opinião contrária sobre o ocorrido. Até porque era impossível fisicamente um núcleo explodir, certo?

Dyatlov expôs uma reação já conhecida de alguém que acredita ter a resposta para tudo nessas situações e jamais concluiria algo que fosse o contrário de sua ideia. Essa arrogância misturada com ceticismo são como veneno servido. Tapa os olhos para a verdade. E isso leva para uma outra camada que o episódio apresentou muito bem: A forma como o Estado soube lidar com a situação.

Sempre que acontece um evento desta magnitude é criado um Conselho de Crise com os principais representantes para lidar com o ocorrido e planejar de forma imediata planos de ação. O conselho deste episódio conseguiu deixar o telespectador indignado com a resolução dada, uma vez que souberam ser egoístas o suficiente para concluir de forma rápida que estava tudo tranquilo, apesar do protesto de apenas um membro. Foi como se fosse uma voz no meio da multidão. Foi em vão e essa negligência custou caro.

De um lado, bombeiros apagando o incêndio, segurando partes dos destroços contendo radiação e sofrendo queimaduras. De outro, crianças brincando e adultos olhando para cima enquanto são revestidos por fuligem contaminada. Além dos trabalhadores se tornando vítimas fatais. São cenas fortes que dão agonia por mostrar a falta de preparo de profissionais e a inocência destes moradores, mesmo sabendo que o caos foi iniciado no interior de uma usina nuclear.

Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.

Essa célebre frase foi dita pelo ministro nazista Joseph Goebbels e se encaixa como luva quando encontramos Valery Legasov, que após esconder gravações contendo todo o seu relato sobre Chernobyl decide cometer suicídio. Ao longo dessa cronologia de dois anos conheceremos inúmeras mentiras sendo ditas assumindo o poder da verdade e Valery será testemunha de tudo como o engenheiro que fez parte do comitê de investigação.

A minissérie convenceu em dar um grau de realismo ao capturar para as telinhas o maior desastre nuclear da história e seus efeitos são sentidos até hoje pela Ucrânia. HBO conseguiu deixar o telespectador compartilhar dos mesmos sentimentos dos personagens em toda a sua duração e o melhor é que os personagens são reais, dando mais veracidade para a trama. Tem tudo para manter a qualidade ao longo dos próximos episódios.

Sendo assim, finalizo mostrando atualmente como está a região afetada pela radiação.

Chernobyl terá apenas 5 episódios.

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Bem-vindos ao Fim! Supernatural surpreende em revelar o Criador da história como último vilão

Deus escreve com uma pena que nunca borra. Fala com uma língua que nunca erra. Age com uma mão que nunca falha.

Inicio este singelo texto com uma frase retirada da internet sobre uma das principais características que os religiosos utilizam para defini-Lo: como um escritor. Um Ser com o poder de escrever a nossa história, ou seja, o autor do maior best-seller conhecido pelo homem, a própria vida. Sendo assim, podemos afirmar que Ele é o dono do nosso destino? Esse questionamento pode deixar muitos sem uma resposta formada, porém Supernatural já respondeu na quarta temporada e nove anos depois, reafirmou de um jeito poderoso. E também perigoso.

Quando Chuck apareceu no episódio 4.18 (The Monster in the End of This Book), ele simplesmente era um escritor que escrevia sua única e importante obra: Supernatural. Situação esta que não passou despercebida pelos Winchesters que ficaram assustados com a fidelidade sobre os eventos de suas vidas sendo narradas nos livros. Numa temporada que estava lidando com a aparição cada vez mais frequente de anjos e demônios, a revelação de que o personagem era, na verdade, um profeta do Senhor acrescentou bastante para a mitologia bíblica para aquele ano que encerraria o maravilhoso ciclo da Era Kripke (criador da série).

Já em Swan Song (5.22) após o fim do embate entre Miguel e Lúcifer (usando Sam Winchester como receptáculo), Chuck é visto escrevendo seu último livro e trajado todo de branco acaba desaparecendo no ar. Tendo retornado apenas na décima temporada, ele deixou a importante pergunta no ar: Ele era Deus? Essa teoria foi a mais aceita pelos fãs, enquanto a própria série não tratava de confirmá-la ou desmenti-la. A resposta veio em 11.20 (Don’t Call Me Shurley) da forma mais simples e sem muitos alardes. Deus por muitas vezes deixou que os caçadores resolvessem os principais problemas e por causa disso, apenas interviu em assuntos de cunho apocalíptico. Sendo o último na forma do nefilim Jack. Desde o desfecho da Escuridão em 11.23 (Alpha and Omega), Deus se fez ausente mais uma vez e retornou apenas no Season Finale da atual temporada para lidar com o filho de Lúcifer.

Assim diz o Senhor dos Exércitos: Administrem a verdadeira justiça, mostrem misericórdia e compaixão uns para com os outros.

–  Zacarias 7:9

Quando Deus assume que a história deve seguir do jeito que escreveu, só mostra o quão egoísta demonstra ser com a sua série favorita. Ele preferiu não interveio durante grandes perdas de nossos personagens ao longo de toda a série. Apenas ficou observando nas sombras. Isso é compaixão?! Não existe misericórdia ao negar ajuda necessária para deter algum mal. Esta ajuda só se torna conveniente para os seus próprios meios, pois ameaça sua escrita. Algo que um escritor odeia é algo atrapalhando a sua narrativa. Por isso, mente. É um choque para Sam e Dean descobrirem que são marionetes do Criador e como sofreram por conta dessa falta de sensibilidade. Tudo por uma boa história, não é mesmo?

Nosso instinto em ler algo que não gostamos é simplesmente fechar o livro e deixá-lo guardado para uma próxima oportunidade. Chuck não dá uma segunda chance. A decisão de Dean em não assassinar Jack acaba com todo o seu planejamento e isso gera uma certa surpresa, pois não era para acontecer. Sua escrita deveria ser imutável, ou seja, sua função acaba perdendo todo o significado.

Ao dar boas-vindas ao Fim de Tudo, temos aqui o anúncio oficial do término de Supernatural. Seu livro acabará por definitivo na 15° temporada. O prazo foi dado com uma enorme bomba relógio trazendo todas as criaturas que os caçadores enfrentaram nessa longa estrada até aqui. Foi uma das táticas mais geniais da equipe criativa da série tornar uma criatura Onipresente, Onipotente e Onisciente como o principal vilão para o seu último ano. Nada mais poético que enfrentar o principal monstro que já assolou o universo desde que O mesmo o criou.

O futuro parece muito promissor e se for feito em mãos capazes, teremos um final digno para uma série que iniciou na busca pelo pai desaparecido sedento por vingança ao demônio que assassinou sua esposa e finalizará com a caçada definitiva a Deus. Chegada a hora de administrar a verdadeira justiça. Sem compaixão. Sem misericórdia.