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Lost Girls, de Alan Moore, retorna às lojas pela Mythos Editora

A Mythos Editora está relançando no Brasil a série Lost Girls, de Alan Moore e Melinda Gebbie, completa em um único volume. Confira detalhes abaixo!

Em um luxuoso e luxurioso hotel austríaco nos anos 1910, três mulheres encontram-se e passam a contar suas aventuras sexuais enquanto experimentam novas formas de amor. Elas são Wendy, Dorothy e Alice. Quando garotas, elas nos guiaram por mundos de fantasia e, agora, adultas, nos levam a novas terras fantásticas da exploração sexual. Do premiadíssimo mestre dos quadrinhos Alan Moore e da artista Melinda Gebbie, a Mythos relança em formato único a erótica obra-prima Lost Girls! Uma edição de luxo para figurar na coleção dos aficionados pelo Rouxinol de Northampton, como uma de suas criações mais exóticas.

A série Lost Girls já havia sido publicada no Brasil pela editora Devir em 2007, dividida em três volumes. A nova edição da Mythos compila os três álbuns originais, publicados no exterior por Steve Bissette (com os seis primeiros capítulos lançados na antologia Taboo) e Tundra e, posteriormente, pela Top Shelf Productions.

As histórias são baseadas nos contos de fadas da infância das três mulheres. A publicação original, completa, data de 2006, com letras do famoso Todd Klein. A obra foi envolta em polêmicas quando lançada, com alguns lojistas se recusando a vendê-la por conta do conteúdo sexual explícito.

Lost Girls possui 336 páginas encadernadas em capa dura e formato 29,8 x 22,2 cm. O preço de capa sugerido é R$ 139,90. Clique aqui para reservar sua edição na pré-venda com preço mais baixo garantido.

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O Exorcismo de Emily Rose (2005): Ciência ou Religião?

Você crê? Não importa a sua vertente científica e/ou religiosa, a capacidade de crer está em nossa cultura. Até mesmo podemos crer em não crer. Parece meio confuso, mas a ideia é essa. Desde que mundo é mundo, ciência e religião foram grandes antagonistas nos campos do saber. Se comportavam como água e óleo, ou seja, sem chance de mistura. Atualmente, conseguimos perceber uma mudança nesse comportamento. Só que a resistência continua ali numa intensidade menor que antigamente. Hoje em dia, podemos acreditar na evolução e no criacionismo ao mesmo tempo. O máximo é rolar um extenso debate entre os envolvidos para colocarem nas mesas seus principais argumentos para corroborar ou derrubar.

A mídia sempre tratou de forma extensa os assuntos espirituais através dos clássicos O Exorcista e Poltergeist ou os mais recentes Invocação do Mal e Host, entre inúmeros outros que entraram no nosso imaginário popular. Acompanhávamos os mesmos roteiros sobre ameaças demoníacas que causavam eventos assombrosos, porém faltava um tempero novo. A resposta veio há 15 anos com o Exorcismo de Emily Rose sob a direção de Scott Derrickson e roteiro do próprio com Paul Harris.

Como seria um julgamento construído a partir de relatos de exorcismo em detrimento com dados científicos para derrubar esta possível experiência sobrenatural? A trama tratou desse extenso debate que mencionei acima. De um lado estava Erin Bruner, advogada e agnóstica, defendendo o padre acusado por negligência que ocasionou na morte de Emily. Do outro lado, tinha Ethan Thomas, promotor e metodista, do lado da acusação.

O longa conseguiu se sobressair entre os seus deste gênero por trazer esse grande olhar jurídico para esses imponentes antagonistas. As cenas do julgamento foram executadas maravilhosamente e trouxe os dois lados da mesma moeda. O efeito disso foi uma imersão completa, tendo assim o objetivo de Scott e Paul alcançado. Apresentaram as principais provas que assassinaram Emily e deixaram o júri tomar a sua decisão final. Os telespectadores também puderam brincar um pouco com essa função, uma vez que o roteiro trabalha o tempo todo na ambiguidade. Passamos a nos questionar o que de fato ocorreu nesses eventos e colocamos o nosso credo em cheque. Distúrbio psico-epiléptico ou possessão demoníaca? Fomos obrigados a chegar no final do filme com a resposta pronta.

Outro saldo positivo é que não ocorreu o clichê do promotor ser alvo de manifestações demoníacas para começar a crer e mudar todo o seu discurso no final, garantindo assim a absolvição de Padre Moore. Sua convicção era tão inabalável, que você conseguiu sentir-se atraído em seus argumentos e nas testemunhas de cunho científico que foram apresentadas ao longo do julgamento. Ao mesmo tempo que as testemunhas de cunho espiritual também agregaram muito para a criação desse panorama sobre o desfecho trágico da jovem.

Erin também convenceu por ser aquela que sentiu a influência do mal em sua própria casa. Justo ela uma agnóstica e por conta disso, começou a repensar o seu conceito estabelecido sobre a fé. Chegou a ser um clichê, porém foi um clichê bacana de acompanhar, já que ela e o padre garantiram boa parte dos diálogos pertinentes sobre o maligno agindo contra eles.

Jennifer Carpenter também deu um show de interpretação quando Emily iniciou com toda a crise e suas expressões estavam espetaculares. Você conseguia sentir pena e medo por tudo que estava acontecendo. A  sequência sensacional que começou no quarto e terminou no celeiro expressou por si só esse misto de sentimentos.

Como todos sabem, o filme foi baseado na história de Anneliese Michel, uma jovem alemã que morreu em 1976 por desnutrição e desidratação. O caso foi julgado no tribunal e contabilizaram 67 ritos de exorcismo ao longo dos meses antes de seu falecimento. No mesmo ano, o Estado acusou de homicídio os pais de Michel, o bispo Ernst Alt e o padre Arnold Renz. Os promotores afirmaram que a morte da menina poderia ter sido evitada até uma semana antes do óbito. Durante o julgamento foram apresentados vídeos do exorcismo e imagens do estado da adolescente. A Igreja foi condenada a pagar uma multa, e os pais foram absolvidos por, segundo uma lei alemã, terem sofrido o suficiente. Informações retiradas em Aventuras na História 

Outra fonte (Info Escola) apontou que ao fim do processo, os pais de Anneliese e o padre, foram considerados culpados de negligência médica e foi determinada uma sentença de 6 meses com liberdade condicional sob fiança.

Mesmo que o filme tenha sido amplamente adaptado, o conceito principal da história real foi preservada da melhor forma. Além deste, Requiem também tratou desse caso. O diferencial foi ter usado um lado mais dramático para narrar os fatos.

Ah, quem quiser ouvir o áudio resgatado do exorcismo de Emily Rose só clicar aqui .

Imagens do exorcismo de Anneliese. Crédito: Wikimedia Commons
Visual de Anneliese antes e durante os exorcismos. Fonte: Mais Horror.

Uma curiosidade interessante é que nos dias atuais, o túmulo de Anneliese Michel, tornou-se um local de peregrinação para cristãos que a consideram uma devota que experimentou sacrifícios extremos para possibilitar a salvação espiritual de muitos (Info Escola). A adaptação norte-americana abordou isso na cena emblemática em que a personagem decide continuar viva para que sua história pudesse ser contada para todos.

O Exorcismo de Emily Rose é incrível por si só por toda atmosfera e abordagem realizadas com maestria, criando o suspense necessário e a dúvida na mente de quem assiste sobre o que foi real ou não no sofrimento que a jovem passou nas duras sessões de exorcismo antes de falecer. Agora retorno ao meu questionamento que abriu este texto para você que chegou até o fim: No que você acredita? 

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Mank: Uma perspectiva familiar do cinema

“Você não pode captar a vida inteira de um homem em duas horas. No máximo pode deixar uma impressão.”, responde Mank ao editor John Hauseman (Sam Troughton) explicando as dificuldades sobre criar um roteiro tão complexo que captasse a essência da vida de um homem. Além de servir como uma contestação interessante e verdadeira, a fala reflete um pontual ato de metalinguagem de seu roteirista Jack Fincher, porque este próprio está tentando deixar a impressão sobre uma figura imprescíndivel para uma das mais revolucionárias obras da história do cinema. No caso, Herman J. Mankiewicz.

Usar a expressão “a mais revolucionária das obras…” pode soar ultrapassado e, realmente, demonstra certa limitação na tentativa de descrever e dar a devida importância à obra. Contudo, o uso da expressão em relação ao filme em que estamos referenciando não é má ideia, pelo contrário, estabelecer Cidadão Kane (1941) como um dos mais revolucionários filmes da história do cinema é responsabilidade de todos que prezam pela inventividade e criatividade artística. E de criatividade, o filme escrito por Herman e o lendário Orson Welles – que também dirige – entende muito bem. Foi o ponto onde a estrutura ímpar do roteiro excedeu as páginas e, através da montagem e edição perspicazes, além da concepção visual de Orson, fizesse com que os elementos básicos e complexos, dos diálogos às descrições de cena, fossem compreendidos e revelados na tela em excelência, resultando na história que marcaria a indústria americana para sempre.

O roteiro de Jack Fincher, pai do diretor David Fincher que faleceu antes de ver seu projeto ir às telonas, imprime o seu próprio vasto conhecimento sobre os bastidores da produção de Cidadão Kane, desde os processos criativos dos idealizadores ao contexto político em que a indústria estava inserida. Mank é, antes de tudo, um material de alta significância histórica, tanto política quanto cinematográfica. A história não só investiga as tramas pessoais de Herman, mas também trata de figuras importantes no meio da época, como donos de grandes estúdios e celebridades que tomariam seu caminho rumo ao estrelato posteriormente, estes que compuseram a classe hollywoodiana por longos períodos. Há de reconhecermos, assim como a vasta quantidade de figuras retratadas, o contexto em que a trama se insere; no quesito sócio-político, a indústria estava sofrendo as consequências decorrentes da Grande Depressão, enquanto na produção de filmes em si,  havia a crescente produção de filmes B por conta do orçamento limitado dos estúdios e a busca por formas mais baratas de manter a produção e a lucratividade.

Em pouco mais de um parágrafo, fica evidente o conteúdo que Jack transborda nas páginas e sua vasta sabedoria sobre os mecanismo e as relações no cinema americano. Contudo, a quantidade excessiva – embora fundamental – de personagens que aparecem na vida de Mank, além das inúmeras particularidades, tanto da época quanto do próprio processo genuíno de idealização do filme, tornam a narrativa demasiadamente complicada e de difícil acompanhamento em inúmeras passagens – e a direção de Fincher não alivia tampouco. Dessa forma, Mank se assemelha mais a um filme para se exibir aos apaixonados por cinema – estudantes e afins – do que àqueles que buscam obras próximas à filmografia marcante do diretor, mais investigativas e, por que não, inclusivas. E outro tropeço que deve ser mencionado é a falta de critérios para escolher os caminhos a serem seguidos, sendo que o maior foco deveria ser a vida e os conflitos do roteirista, mas que perdem espaço e força para os tantos contextos que o roteiro se propõe a retratar.

A vida de Mank nunca foi abordada de forma devida, enquanto Orson Welles sempre foi mais apreciado e paparicado pela mídia. Embora com grande prestígio dentro dos estúdios, conhecido só pelo nome por muitos, Mankiewicz tinha sérios problemas pessoais. Os vícios envolvendo bebidas alcoólicas o colocaram em uma situação de extrema vulnerabilidade e acarretaram em diversos problemas de alcoolismo, inclusive sua própria morte, que ocorre alguns anos após os acontecimentos retratados. Além do vício citado, a personalidade de Mank não era fácil de se lidar idem, havia certa soberba e arrogância que ficavam mais nítidas quando se relacionavam ao seu trabalho escrito. Confrontava diretamente os chefes dos estúdios e tinha uma postura profissional por vezes negligente. Esses problemas na vida de Mank, todavia, não comprometiam sua habilidade única na hora de escrever e trabalhar nos roteiros. Sua fama em Hollywood foi construída a partir do reconhecimento dos ótimos roteiros entregues por ele. O talento nunca foi deixado para trás em detrimento dos seus problemas.

Estas relações conflitantes com os magnatas e mandantes da época foram as principais inspirações da história de Kane, da ascensão ao declínio, que, após Cidadão Kane ser exibido, rendeu diversos problemas e discussões nos bastidores. E é irônico, como contraditório igualmente, que um dos maiores marcos da indústria cinematográfica americana fosse partir de uma reflexão crítica à própria, da escalada ao poder absoluto, os holofotes, a mídia e o capital, à decadência não só econômica, mas moral e ética, a escalada pelo poder é solitária tanto quanto a descida.

Pela complexidade dos aspectos da vida de Mank, o ator escolhido para interpretá-lo não poderia ser alguém que fosse impossibilitado de expressar as emoções do personagem, assim como os reflexos físicos de seus vícios. Gary Oldman foi a opção perfeita, porque sabe entregar qualquer exigência particular dos personagens, exemplo disso é sua dedicada atuação como Winston Churchill, que o rendera um Oscar em 2018. Oldman se entrega totalmente à interpretação, o corte de cabelo, o físico, a postura e o sotaque são transformações fundamentais nesse novo trabalho. Todas as cenas que envolvem diálogos são dominadas em tela pelo ator, é de uma naturalidade assustadora. O particular vício e a vida boêmia que Mank levava talvez fossem o maior desafio aqui, e Oldman sempre parece minimamente alcoolizado, e os excessos acarretam algumas cenas cômicas, mas profundamente trágicas. A sequência que se destaca aqui é o monólogo em uma mesa de jantar, como se todos os demônios de Herman fossem expulsos do corpo através das palavras proferidas.

O enorme foco na vida de Herman, como já comentado, fica disperso em meio de tantos contextos paralelos. Dentro desses contexto, se encontram dois atores que, mesmo com pouco tempo de tela, entregam ótimas performances. Amanda Seyfried, como Marion Davies, é brilhante na forma em que conduz a personagem, e quando compartilha cenas com Oldman expões domínio e química incomparáveis. Outro ponto alto no elenco, e ao mesmo tempo surpreendente, é Tom Burke como Orson Welles. Não apenas pela semelhança na aparência, mas o tom de voz de Burke remete muito ao lendário ator. A voz, por ser marca registrada e inigualável de Welles, é de extrema importância na caracterização, mas, em Mank, há uma importância narrativa pelo fato de que o personagem, primeiramente, faz quase todas suas aparições por telefone, coberto por sombras que entregam a imponência inerente à figura de Welles. Quando o telefone toca, o nervosismo dos personagens ao redor já dão relevância à pessoa que está na linha.

Para todos esses elementos se conversarem como em uma orquestra, só um maestro altamente competente como David Fincher é capaz de dar tom e ritmo imprescindíveis. Primeiramente, construir visualmente o roteiro concebido e criado pelo pai é de uma responsabilidade inigualável, como se a família Fincher escrevesse uma carta de amor ao cinema, e pai e filho trouxessem uma perspectiva conjunta sobre a paixão compartilhada pelos dois. Fincher surpreende em toda sua filmografia pelo fôlego que aplica nas obras, independente se a trama for extensa, complexa, recheada de personagens, o diretor domina tecnicamente e desenvolve uma linguagem particular e cheia de ânimo. Embora não consiga imprimir o mesmo ritmo pelas duas horas seguidas, devido às próprias limitações do roteiro, Mank esbanja domínio técnico. Como em alguns diálogos, onde se adota a metalinguagem, a direção adota-a por completo. O preto e branco habitualmente associado às obras da época, a montagem e a edição repletas de técnicas antigas (o uso dos fades nas passagens de ambiente, os detalhes de exibição das películas) e os movimentos bruscos de câmera, colocam toda a linguagem cinematográfica em prol de homenagear e tratar suas inspirações com reverência.

A trilha constituída por Trent Reznor e Atticus Ross é outro ponto fundamental para a ambientação completa. Confere autenticidade histórica e remete aos acordes usados anteriormente, as músicas nos colocam dentro da época toda hora, como se realmente estivéssemos assistindo a algo das décadas passadas. O diretor de fotografia Erik Messerchdmidt auxilia e aprimora a ambientação e expressa na cinematografia rimas visuais com o clássico Cidadão Kane, retratando e aproximando a vida do artista com a arte em si. Essas rimas, juntas aos trechos técnicos comuns na decupagem do roteiro, aparecendo em tela com objetivo de decretar a mudança dos ambientes em cena, são reflexos de inventividade que Fincher se permite dar, mas seu papel aqui é mais de se submeter e reproduzir uma linguagem anterior do que aplicar a sua.

Mank vai além dos bastidores e da relação acirrada entre Orson e Hellman na criação de Cidadão Kane, isto é, constrói uma observação analítica da indústria cinematográfica e dos integrantes que a compõe. Mesmo que se disperse nas duas horas em tantos contextos distintos, o roteiro trata de engrandecer a figura do roteirista e lhe conferir a devida importância, tratando as particularidades de sua vida como uma forma de expandir nossos olhares sobre um clássico absoluto. Pai e filho não captam a essência inteira do cinema – como se isso fosse possível – em duas horas, mas deixam juntos uma impressão apaixonada e reverente.

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Conheça os Vencedores do Troféu HQMIX de 2020

Foram divulgados os vencedores do Troféu HQMIX desse ano. A 32ª edição teve a consolidação da editora Pipoca & Nanquim levando o prêmio na categoria Editora do Ano e também estreantes, como a Editora Comix Zone que levou por O Eternauta 1969, na categoria Edição Especial Estrangeira. A Butantã GibiCon foi eleita o melhor Evento de Quadrinhos.

O homenageado desse ano como Grande Mestre é Miguel Paiva, criador da personagem Radical Chic, que foi a estatueta do troféu deste ano.  Confira abaixo os vencedores:

Adaptação para os quadrinhos: Travesti (Veneta)

Arte-finalista nacional: Shiko (Três Buracos)

Colorista nacional:
Wagner William (Silvestre)

Desenhista nacional:
Jefferson Costa (Roseira, Medalha e Engenho)

Edição especial estrangeira:
O Eternauta 1969 (Comix Zone)

Edição especial nacional:
Roseira, Medalha e Engenho (Pipoca & Nanquim)

Editora do ano:
Pipoca & Nanquim

Evento:
Butantã Gibicon

Exposição:
Angola Janga de Marcelo D´Salete em Angola/Moçambique

Livro teórico:
Mulheres & Quadrinhos por Dani Marino e Laluña Machado

Novo talento – desenhista
(será revelado na hora da premiação)

Estão concorrendo:
Andre Luis da Silva Pereira (Tuhu e o Andarilho do Tempo)

Brendda Maria (Cais do Porto)
Deborah Salles (Viagem em volta de uma ervilha)
Fabio Quill (Amálgama)
Gio Guimarães (Hologramas)
Gleisson Cipriano (Caçada Azul)
Greg (O obscuro fichário dos artistas mundanos)
Gustavo Novaes (A Cabana)
Juliana Fiorese (Lenora)
Natália Vulpes (A Casa da Lua Cheia)
Renato Dalmaso (O Elísio: Uma Jornada ao Inferno)
Victor Harmatiuk (Shimra)

Novo talento – roteirista (Será revelado na hora da premiação)


Estão concorrendo:
Al Stefano (Salseirada)

Amanda Miranda (Tabu)
Caru Moutsopoulos e Caroline Favret (A Cabana)
Gabriela Antonia Rosa (Shimra)
Guilherme Match (Kophee)
Jefferson Costa (Roseira, Medalha e Engenho)
Marília Marz (Indivisível)
Mille Silva (Doce Jazz)
Rafael Marçal (Filhote de Mandrião)
Renato Dalmaso (O Elísio)
Silva João (HQ de Briga)
Eliane Bonadio (Hologramas)

Produção para outras linguagens: Turma da Mônica: Laços – O Filme (Cinema)

Publicação de aventura/terror/fantasia:
Gibi de Menininha 2 (Zarabatana)

Publicação de clássico:
AKIRA 6 (JBC)

Publicação de humor:
Hell, No! Bem-vindo ao inferno (Balão)

Publicação de tiras:
Batatinha Fantasma (Independente)

Publicação em minissérie:
AKIRA 6 (JBC)

Publicação independente de autor:
São Francisco

Publicação independente de grupo:
VHS – Vídeo Horror Show

Publicação independente edição única:
Último Assalto

Publicação infantil:
Como fazer amigos e enfrentar fantasmas (Independente)

Publicação juvenil:
Tina – Respeito (Panini)

Publicação mix:
Mulheres & Quadrinhos (Skript)

Roteirista nacional:
Daniel Esteves (Último assalto e Sobre o tempo em que estive morta) e Fefê Torquato (Tina: Respeito)

Web quadrinhos:
Bendita Cura

Web tira:
Tirinhas do Silva João

Projeto editorial:
Coleção Batman Noir (Panini)

Projeto gráfico:
Cartas para Ninguém (Padê)

Relevância internacional:
Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Mestre:
Miguel Paiva

Grande contribuição do ano:
Exposição: O Pasquim 50anos

Grande contribuição do ano:
Site “O Pasquim” Da Biblioteca Nacional

Homenagem:
Cada Passo Importa

Homenagem:
Ivan Freitas da Costa

Homenagem:
20 anos do Universo HQ

TCC:
Leandro Carlos Blum. “Quadrinhos e matemática: algumas possíveis construções usando a imaginação”.

Mestrado:
Cátia Ana Baldoíno da Silva – “O tempo multidimensional nos quadrinhos: um estudo das estratégias narrativas em Here, de Richard McGuire”

Doutorado:
Vinícius da Silva Rodrigues “Quadrinhos no Rio Grande do Sul: um momento decisivo – o humor gráfico em debate & as produções de Sampaulo, Santiago e Edgar Vasques na formação de um polissistema.”

A novidade desta edição é que as categorias de “Novo Talento Desenhista” e “Novo Talento Roteirista” só serão reveladas durante a transmissão, em 12 de dezembro.

A cerimônia do HQMIX será virtual com apresentação do Serginho Groisman, padrinho do evento, e da dupla Gual e Jal, criadores do troféu.

Parabéns para todos os vencedores.

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Apagão, da Editora Draco, Ilumina e Reflete a Mudança da Sociedade Atual

Nos anos de 2014 e 2015, o roteirista Raphael Fernandes imaginou como seria o mundo se caíssemos em um caos total sem luz. Como a sociedade suportaria tendo que abrir mãos de todas as “maravilhas” tecnológicas, que faz mais parte das nossas vidas, e ao mesmo tempo ter as autoridades não se pronunciando sobre a situação. E ao mesmo tempo diversas vozes e grupos surgindo para demostrarem seus ideais e exemplos de como a lei deve ser.

Ou como eles acham que a lei deve ser.

As edições Apagão – Ligação Direta e Cidade Sem Lei/Luz apresenta no melhor estilo dos quadrinhos de The Walking Dead, onde o ser humano pode chegar e como ele pode se organizar em um lugar sem regras. Ou melhor, em um lugar onde cada um faz a sua própria lei, ideologia, regra e as apresentam como superior em cima das outras. Muitas vezes (ou na maioria delas) essas leis ou ideologias são empurradas goela a força dos mais fracos. Como pequenas ditaduras que se formam por territórios, à la Mad Max, buscando a sobrevivência do mais forte ou simplesmente colocarem para fora o pior de si.

O clima da São Paulo sem luz é aterrorizante e te faz pensar como você sobreviveria naquela situação distopica. A arte de Camaleão é gigante e os personagens, principalmente os Macacos Urbanos, que parecem que vão saltar da página em cada lance de capoeira. A mesma emoção e sentimento temos nas cenas de perseguições, ou nas pancadarias em auto velocidade das Irmãs Canivete. E do mesmo jeito em que os personagens parecem saltar, a arte te leva para vivenciar as ruas escuras e sujas da cidade. O constante pensamento de que não saber o que encontrar virando cada beco escuro ou página faz o leitor aprofundar mais na história.

Eu não li Apagão quando foi lançado. Somente agora consegui ler as HQs e considerando os fatos das gangues, as ideologias de algumas como Guardiões da Moral e dos Filhos de Deus, podemos afirmar que essas gangues já estão por aqui proliferando as suas ideologias. Racistas, nazistas, religiosas ditatoriais e até mesmo narcisistas. O que Raphael Fernandes escreveu lá em 2015 foi uma previsão do que surgiu nos esgotos de alguns fóruns de internet e de pessoas que se reuniam secretamente. E que por meio de personalidades e políticos A e B tiveram a coragem de começar a sair dos seus armários.

 

 

De lá para cá, o universo de Apagão cresceu, ganhou audiobook interativo Apagão – Entre o lobo e o cão. Narrado por Guilherme Briggs, o áudio-jogo se passa durante uma série de protestos políticos contra e a favor do presidente do Brasil. E vemos a jovem Heloísa no meio da calamidade, sendo obrigada a duas escolhas: salvar sua namorada que está presa em no elevador de um hospital próximo, ou voltar para o Capão Redondo e levar a insulina para a sua avó debilitada. O jogo foi produzido pela Rede Geek e você pode conferir AQUI.

E agora mais uma edição intitulada Apagão – Fruto Proibido, com desenhos do Abel e cores da Fabi Marques, e um belo card game Apagão – Ruas de Fúria criado por Gustavo Barreto e que será publicado pela FunBox Editora. O jogo foi ilustrado por Abel e Tiago Palma, além da arte da capa ser do Camaleão. Você pode conferir e apoiar a campanha no Catarse clicando AQUI.

Se algum dia a luz será ligada no universo de Apagão, somente o Raphael Fernandes pode falar. Mas acredito que ainda temos muito o que andar, correr, saltar e discutir sobre as ideologias das gangues e de como assustadoramente elas se aproximam da nossa realidade.

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Detective Comics Quadrinhos

E quando Maradona foi personagem de Mauricio de Sousa? Conheça a Turma do Dieguito

Eram o começo dos anos 80, quando o jovem Diego Maradona começava a ser considerado o melhor jogador da época, sua passagem para ir defender a camisa do Barcelona já estava pronta. Então em um encontro realizado na concentração da seleção argentina, Mauricio de Sousa teve apresentou uma proposta para El Pibe. Lá ele manifestou a vontade de transformar o jogador em personagem em quadrinhos.

Já existia, nessa época, o Pelezinho. Sucesso nos quadrinhos no Brasil, o projeto idealizado por Mauricio de Sousa era seguir os mesmos passos do brasileiro mas buscando atingir um publico argentino. Foram feitos testes e até um desenho animado foi produzido, a animação foi guardada para lançar em um melhor momento. A tática de guardar valeria a pena, depois de um amistoso da seleção argentina conta a Inglaterra, com mais um show de Maradona, o empresário Jorge Fisbein, representante de Maurício no país hermano, alegou que estavam com uma mina de ouro nas mãos. O brasileiro tinha acabado de recusar uma proposta de 500 mil dólares de um grupo italiano pelos direitos.

A animação foi exibida no La Noche del 10, programa de TV de Maradona, bem no dia em que ele recebeu o brasileiro Pelé. Confira abaixo:

 

O lançamento seria simultâneo na Argentina, Espanha e Itália. E não tinha previsão de chegar nas bancas brasileiras. As histórias de Dieguito Maradona (essa foi uma das exigências do jogador, de não chamar o personagem de “Maradoninha”), ou Turma do Dieguito, iam reunir momentos da infância do jogador, tendo como cenário os campos de futebol, ao lado de criações baseadas em amigos e familiares do atleta. Os personagens se chamariam El Negro, Vaquita, Peluza, Bombolito, Coloradito, Choco, Flaquito, Sylvia, Morena, Rosita e Chena.

Porém o projeto não foi para frente. As inúmeras transferências de carreira de Maradona, comprometeram o planejamento. Mas o seu comportamento fora campo também foi um fator importante para o Dieguito Maradona ficar para escanteio. Maradona frequentemente se envolvia em polêmicas com jornalistas, drogas, bebidas, violência etc.

Pela conta do Twitter da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa lamentou a recente morte de Maradona e falou um pouco sobre o projeto, de como o jogador foi solicito e ainda sugeria temas para as histórias. Mauricio disse que todo o material foi encaminhado para a família do jogador.

E hoje, dia 25 de novembro de 2020, Diego Maradona veio a falecer de aos 60 anos em sua casa em Tigre, cidade vizinha de Buenos Aires, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória.

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O Novo Filme do Borat Incomoda por ser real (Mas incomoda quem tem que Incomodar)

O Ministério da Informação do Cazaquistão apresenta,
uma produção do Ministério da Agricultura e
da Vida Selvagem,

em associação com o Centro Almaty de Controle de Doenças:
A Resenha de Borat: Fita de cinema seguinte

 

Um ano complicado. O 2020 entrou para a história por ser um ano em que uma pandemia varreu o mundo e vitimou milhares de pessoas ao redor do globo. 2020 está sendo um ano pesado onde vemos casos de violências aumentando, racismo/preconceitos/xenofobias cada vez mais sendo explícito, líderes mundiais que tomam decisões equivocadas por simples orgulho e por nuances de ideologias políticas que disfarçam interesses obscuros próprios. E vemos cada vez mais as pessoas apoiando esse tipo de coisa.

E na quase reta final desse pardieiro trágico disfarçado de ano, temos o retorno de um polêmico personagem. E ele volta em momento muito oportuno. Borat: Fita de cinema seguinte traz de volta o segundo melhor repórter do Cazaquistão, com seu humor ácido e terrivelmente realista. Aqui temos Sacha Baron Cohen em grande forma, assumindo novos disfarces e buscando passar mensagens contra aqueles que consideramos os grandes vilões do mundo. O roteiro escrito por Sacha em parceria com Peter Baynham, Anthony Hines, Dan Mazer e Dan Swimer, é afiado e atinge de Disney passando por Kevin Spacey. Da Primeira Dama dos EUA e o Brasil. Nada escapa.

Mas apesar de tudo isso, o filme não é engraçado. E lá embaixo explico o motivo.

Borat: Fita de cinema seguinte não é tão impactante quanto foi o primeiro filme, sim o fator surpresa meio que se perde na continuação. Mas é o filme mais necessário que foi lançado em 2020 se tratando de como o mundo está reagindo a políticas fascistas, racistas, machistas em geral. Sacha ainda coloca pessoas em situações incomodas e aperta a ferida até o pus espirrar. E sim, como disse antes, é necessário colocar esse tipo de pessoas contra a parede. Como nas cenas que desmontam as finas camadas de hipocrisia como no baile das debutantes e na clínica médica, quando sua filha engoliu um brinquedo.

Aliás tem que ser destacado (e muito) a dobradinha Sacha Baron Cohen e Maria Bakalova. A atriz está imperdível como Tutar Sagdiyev, a filha adolescente e única da família que segue e acredita no pai. Pode-se dizer que a personagem é o ponto mais importante de Borat: Fita de cinema seguinte. Ela consegue ser engraçada e bizarra, como o seu pai tinha sido no primeiro filme e ainda evoluir para repassar uma mensagem importante. E essa mensagem é um tapa na realidade da sociedade e seus costumes patriarcais que são fortes.

Tutar Sagdiyev vive para satisfazer a sociedade patriarcal e desde tempo foi criada desse jeito. Como acontece na vida real de muitas outras meninas e mulheres, ela é condicionada em ficar como sempre como o ser inferior, que a vida é como o conto de fadas que ela assiste desde pequena, aceitando a submissão praticada por uma… digamos… “cultura”. O aterrador é saber que isso é a realidade em todo mundo, em qualquer país…

Mas Sacha Baron Cohen sabe muito bem onde atingir e expor as pessoas que praticam esses e outros costumes nefastos, ele atua em cima de suas decisões e onde eles se espelham: em seus líderes políticos e figuras da mídia. Quando ele mira em Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, que atualmente é advogado e conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, ele sabe que está atingindo não somente um politico como Trump. Mas também toda a sua campanha (o filme foi lançado propositalmente momentos antes da eleição presidencial americana) e o orgulho de seus eleitores que acreditam no discurso de família em primeiro lugar que esse tipo de político branda sem praticar na vida real.

Quando eu falo que Borat: Fita de cinema seguinte não é engraçado, eu na verdade armei uma falsa chamada para você, estimado leitor, chegar até esse ponto da resenha. Sim, você caiu na minha pegadinha. E sim, Borat tem momentos engraçados, mas ao mesmo tempo os momentos vão desnudando pessoas e atos terríveis onde Sacha aperta as fakes news como as que negam o Holocausto, ou eleva pessoas a cantarem que devemos queimar outras pessoas por terem posições políticas diferentes e cutuca o conservadorismo presente em todo lugar. Quando acontece essa transformação, o filme aborda, em sua forma ácida, assuntos sérios que são assustadoramente reais, a comédia fica por ali mesmo e faz  os espectadores (não todos, infelizmente) pensar.

Como eu disse lá pelo meio do texto, Borat: Fita de cinema seguinte não tem o mesmo impacto do primeiro filme, mas é tão importante e tão necessário como o seu antecessor. Arrisco dizer que ele é até mais importante, dado o momento em que vivemos. Tornando-se assim um dos melhores filmes do ano. E com um final totalmente genial!

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Nocturne: O piano, a irmã e o demônio

Se juntarmos Whiplash (2014) e Cisne Negro (2010), teríamos como provável resultado Nocturne. Embora acredite que o filme não seja absolutamente uma mistura dos dois – porque o resultado de uma junção total seria potencialmente melhor -, Nocturne sugere uma história de terror aos moldes dessas narrativas, misturando elementos psicológicos e sobrenaturais, tratando da obsessão em um cenário musical extremamente competitivo, requisitando sacrifícios de seus competidores, sejam eles no âmbito físico, psicológico, ou até mesmo espiritual.

Nocturne se apoia em uma ambientação muito bem fundamentada. Começando por uma cena completamente aterrorizante, onde vemos um corredor vazio fazendo alusão à “perspectiva kubrickiana”, ao passo em que revela uma porta semiaberta e o cometimento de um suicídio sem explicação aparente, nos introduzindo um mistério que perturba tanto o espectador como a própria trama. Esse momento é parte importantíssima da obra, e é tratado pelas pessoas da cidade como qualquer outro personagem genérico do gênero: “Viram que tal moça morreu?”. Apesar de tantas limitações criativas, Nocturne cria um cenário harmônico interessante, onde a obsessão pela perfeição, a tensão competitiva e o mistério sobrenatural se correlacionam. Somos apresentados à Juliet e Vivian, irmãs gêmeas que estudam no mesmo colégio de música e batalham por uma vaga em um instituto altamente reconhecido.

Vivian e Juliet podem ser gêmeas, mas vivem vidas distintas, apenas compartilhando gostos e sonhos semelhantes. Enquanto Vivian é bem-sucedida nos ensaios e nas apresentações, conseguindo vagas para competições, além de ter uma vida cercada de amigos, sexualmente ativa, Juliet, a protagonista aqui, é introvertida, com poucos amigos e sem atingir o prestígio musical de sua irmã. Mesmo sendo esforçada desde pequena, Juliet viveu às sombras da irmã pela vida toda. O sentimento ambíguo por Vivian é tratado de maneira pouco surpreendente, sendo mais um elemento genérico (dentre vários). A tentativa de se sobressair à imagem da irmã, traçando um horizonte de vingança e ódio, é um aspecto ultrapassado que não consegue ser abordado por uma outra perspectiva, tratando as impulsões da protagonista por meio de justificativas superficiais, dignas de produções juvenis de baixíssima qualidade.

Pelos exemplos acima, dos personagens discutindo as mortes aos fundamentos da protagonista, percebemos que esses elementos, apesar de genéricos, funcionam até determinado ponto. A responsabilidade disso está nas mãos do diretor Zu Quirke, que parece tirar leite de pedra. Para ser mais exato, o diretor busca tirar algo de proveitoso de um roteiro que, nas mãos de alguém um pouco menos capaz, resultaria em um novo 7 Desejos (2017) (Deus nos livrou dessa). As construções visuais e as soluções propostas por ele para exemplificar os esforços e os conflitos de Juliet são de alto nível, sejam por reflexos através de objetos em cena, ou da inserção da trilha em planos que têm algum valor à trama. Contudo, tenho a leve impressão que os sintomas do roteiro são altamente transmissíveis, porque afetam o próprio trabalho do diretor. Apesar dos esforços e das belas concepções visuais, a execução trava na pouca ambição refletida do roteiro. Nocturne não tenta impactar o público, criar uma história única, ou tentar, mesmo estando na zona de conforto, apresentar um material de alta qualidade. Nocturne é mais um tapa-buraco do catálogo do Prime Video que uma obra cinematográfica digna de nota.

E onde está o terror em Nocturne? Não existe uma resposta concreta para a pergunta; posso relatar que não há jump scares convincentes, ou algo que se desenvolva para criar um cenário amedrontador, o filme é tão leve nesse sentido que talvez funcione até para crianças. Infelizmente, Nocturne se inspira em grandes filmes, contudo, não os aproveita como deveria. Se tratando de Whiplash, a obsessão pela prática e o caminho em busca da perfeição poderiam dar à narrativa um peso opressor e dramático substancial, mas são quase que descartados do meio pro final; enquanto, por parte de Cisne Negro, os conflitos psíquicos de Juliet são minimizados, tratando superficialmente as relações entre ela e os seus obstáculos, comprometendo sua transformação enquanto musicista. Devido às atuações das atrizes Sydney Sweeney e Madison Iseman – com um futuro brilhante pela frente – os conflitos das personagens ganham uma parcela de dramaticidade, porém, o filme não se encontra, ficando em uma corda bamba, nem indo para o lado da trama psicológica, tampouco ao terror sobrenatural, ambos reduzidos às conveniências do roteiro previsível.

Nocturne, portanto, é um filme que tem seus bons momentos e, através das soluções de seu diretor e das ótimas atuações de seu elenco, consegue apresentar um ambiente introdutório que dita um tom misterioso agradável. Entretanto, suas competências esbarram em um roteiro absolutamente limitado, que não sabe expressar as reais intenções da história. Há sempre um limite para a quantidade de leite, possível de ser retirado, de uma pedra. Em um gênero tão amplo e complexo, que ganha cada vez mais notoriedade nas mãos de grandes artistas, obras pouco ambiciosas ficarão nas sombras do esquecimento.

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Cinema

Filme do Super Choque é oficializado com Michael B. Jordan como produtor

O longa-metragem do Super Choque foi oficializado em comunicado do The Hollywood Reporter. Anteriormente, foi revelado durante o DC Fandome 2020, que a produção estava em estágios de negociações com a Warner. A principal novidade, é que o ator Michael B. Jordan será o produtor do longa, ao lado de Reginald Hudlin. 

“A Outlier Society está comprometida em dar vida a diversos conteúdos de quadrinhos em todas as plataformas e estamos entusiasmados com a parceria com Reggie e Warner Bros nesta etapa inicial.” Disse Jordan ao THR.

“Virgil é um jovem esperto, inteligente, atlético, vivaz e muito bem-humorado. Ele foi exposto acidentalmente a um gás desconhecido. Ele ganhou superpoderes eletrostáticos, e os usou para tornar-se um super-herói chamado Super Choque.” Diz a sinopse da aclamada animação.

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Evil Eye (2020): A história se apoia num conceito religioso para abordar relacionamento abusivo

Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos, auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.

      –  Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas.

Neste mês de outubro, Amazon Studios junto com Blumhouse Productions lançou sua antologia de filmes formada por: The Lie, Black Box, Nocturne e Evil Eye. Estou aqui para falar brevemente deste último. Afinal, do que se trata esse filme e qual motivo comecei o texto usando uma definição sobre reencarnação? Pois bem, eu explico. A trama mostra a grande preocupação de Usha Kharti quando sua filha, Pallavi, começa a se relacionar com Sandeep. O roteiro resolve fugir do padrão e resolve adicionar esse elemento religioso para trazer mais suspense. Mas e aí, será que deu certo?

O que chama atenção no roteiro é a forma como ele vai lidando com a superstição de Usha, seja no bracelete para combater o mau-olhado ou o mapa astral guardado na gaveta servindo como principal apoio para conhecer os prováveis genros. São coisas simples que vão tomando uma nova proporção aqui. A proteção consegue beirar ao exagero que chega a criar uma atmosfera claustrofóbica para Pallavi e conseguimos sentir esse peso no decorrer da trama.

Usha passou por uma relação abusiva quando era mais jovem e por causa do trauma gerado, ela adotou um sistema rígido para sua filha com potenciais caras para seguir num relacionamento, porém nunca dava o fruto esperado devido a resistência de Pallavi em se acostumar com essa política adotada. O longa não demora muito para apresentar Sandeep e tudo segue bem até algumas coincidências começarem a incomodar essa mãe já bem protetora.

Conforme Usha vai se fechando sobre o avanço bem rápido da relação do casal, o roteiro brinca com os telespectadores sobre a consequência disso. Estamos lidando com um caso de reencarnação ou é apenas fruto da imaginação de uma mãe zelosa? O suspense acaba sendo arrastado até termos uma resposta definitiva sobre a situação, mas foi bem trabalhado. Não tem sustos ou qualquer elemento de horror que te faça pular do sofá, mas a tensão consegue te prender positivamente.

Fica notável como o plot da reencarnação é apenas um pano de fundo para lidar com o assunto delicado da violência doméstica, porém que precisa ser discutido. A ideia de reviver o horror no passado através de um corpo reencarnado é apenas a triste analogia do parceiro não saber lidar com um término, por exemplo, e começar a perseguir constantemente sua ex-parceira por não aceitar essa condição imposta. O terror psicológico que pode ocasionar um fim trágico para a mulher, como quase ocorreu com Usha. Isso é exemplificado no decorrer do filme, o que acaba enriquecendo bastante o debate.

Deixo abaixo o trailer de Evil Eye para atiçar a curiosidade:

Então, envolver religião com relacionamento abusivo deu certo? Deu. Poderia ter dado muito errado, mas o filme conseguiu conduzir bem e como mencionado anteriormente, o assunto religioso foi apenas um coadjuvante para o verdadeiro protagonista na história. Poderia ter sido apenas um filme direto em sua proposta de debater o assunto? Claro que poderia, mas o charme foi exatamente apresentar um pouco desse realismo fantástico. Porém, vale lembrar que a violência doméstica não foi minimizada em nenhum momento.

E dessa forma, me despeço. Que eu tenha conseguido convencê-los a dar uma chance para Evil Eye. Para finalizar: Não se calem. Denunciem!