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Rocky: Um Lutador | O conto de fadas completa 40 anos

Dia 3 de dezembro de 1976. Foi nessa data em que Rocky Balboa subia no ringue pela primeira vez para se tornar um dos personagens mais queridos e famosos da história do cinema mundial. O filme estrelado por Sylvester Stallone chegava às salas de exibições americanas como uma grata surpresa. Tanto para o público, para a crítica e até para o próprio estúdio. Menos para Stallone e as pessoas que embarcaram com ele para a realização do clássico. O filme rompe gerações e ao completar 40 anos, o personagem conviveu, cresceu e arrebatou muitos fãs e soube renovar uma nova quantia com o recente Creed: Nascido para Lutar.

Como disse Vicent Canby, crítico do The New York Times, que assistiu a première 13 dias antes da estreia no circuito dos EUA: “é um faz de conta à moda dos anos 30”. A história de Rocky, um boxeador amador da Filadélfia que trabalha paralelamente como capanga de um agiota, que tem como única e maior ambição na vida, até então, de namorar a irmã do seu melhor amigo Paulie, acaba tendo a sua vida transformada quando o campeão peso-pesado Apollo Creed lhe dá a oportunidade de disputar o título máximo do boxe. Realmente as semelhanças de contos de fadas, como Cinderela ou Patinho Feio são inevitáveis.

Cartaz do filme

E as semelhanças não lhe dão somente no enredo do filme. A própria produção tem um ar de Gata Borralheira. Stallone é a Cinderela tanto como Rocky, como na vida real. Na época ainda desconhecido, o aspirante a ator rodava por produções que iam do filme pornô The Party at Kitty and Stud’s (1970). O pornô para pegar a onda do sucesso do ator em Rocky, foi relançado anos depois com o nome de Italian Stallion (Garanhão Italiano). Stallone esteve em pequenas participações em filmes de Woody Allen, Jack Lemmon. Participou de algumas séries e protagonizou dois filmes Rebel (1970) e The Lords of Flatbush (1974). Mas nada marcante que alavancasse a carreira de ator.

Nessa época Stallone estava muito mal financeiramente. Ele chegou a roubar as poucas joias que sua mulher tinha e as vendeu para pagar dívidas. Chegou morar na rua, e a ruína chegou quando teve que vender seu cachorro em uma loja de bebidas para um estranho qualquer por 25 dólares, pois não tinha dinheiro para alimentá-lo. Algo que fez chorando. A vida tinha jogado Stallone na lona. Foi quando depois de assistir uma luta de boxe entre Muhammad Ali e Chuck Wepner se inspirou em fazer o roteiro de Rocky. Na luta, Wepner conseguiu resistir a 15 rounds contra Ali, inclusive chegando a derrubar o campeão em certo momento da luta. O roteiro foi escrito em três dias e meio.

Rocky Balboa contra Apollo Creed

O segundo round foi vender o filme. Quando a United Artists se ofereceu para comprar o roteiro com uma oferta de US$ 125 mil dólares. Mas Stallone fez um pedido. Ele queria estrelar o filme. Os executivos disseram que não. Ele não era o ator certo para o papel. E lhe aumentaram para US$ 250 mil e depois US$ 350 mil. Duplamente recusados pelo ator. O estúdio queria nomes como Ryan O’Neal, Robert Redford, James Caan ou Burt Reynolds como Rocky. Mas diante da insistência de Stallone, eles aceitaram a proposta, Mas pagaram US$ 35 mil. Stallone então pegou o dinheiro e voltou para frente da loja de bebidas para comprar seu cachorro de volta. Esperou por três dias até o homem voltasse. Que recusou em vender por US$ 100 dólares, o ator então ofereceu 500, e teve uma nova recusa. O negocio foi fechado por US$ 15 mil, no mesmo cachorro que ele vendera por US$ 25 dólares. Round vencido por Stallone.

Como visto até aqui, a produção de Rocky se confunde um pouco com a vida real do seu astro. Nunca desista é a lição de moral aprendida com o filme. Por mais que ele trate o boxe, Rocky lida com a linha tênue da vida onde diz se o que queremos vale a pena lutar. O filme não é somente sobre boxe. O boxe é o pano de fundo. É sobre viver o sonho e aproveitar dele o máximo possível. Mesmo que todos em volta desacreditem. O próprio ano de 1976 não é a época dos lutadores ítalo-americanos, como era o personagem, já não tinham tanto destaques de outros tempos. Era o domínio de afros descentes e dos latinos no esporte.

Elenco de Rocky: embaixo – Burgess Meredith, Sylvester Stallone e Talia Shire. Parte de cima: Burt Young e Carl Weathers

A produção de Rocky teve inicio e a sua gravação foi feita em rápidos 28 dias. John G. Avildsen assumiu a direção. O cineasta até então nunca tinha visto uma luta de boxe ou qualquer filme do gênero. Com um orçamento apertado, por imposição do estúdio, Stallone colocou a sua família para trabalhar nas filmagens. Seu pai soava o gongo nas lutas, seu irmão interpretou um artista de rua e Sasha, a sua primeira esposa, foi responsável pela fotografia.

Talvez o nome mais badalado da produção fosse o da atriz Talia Shire, que fez Adrian Pennino, o par romântico de Rocky, Talia, que é irmã do diretor Francis Ford Coppola, tinha participado de O Poderoso Chefão (1972) e O Poderoso Chefão II (1974), onde tinha sido indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Carl Weathers deu vida ao impagável Apollo Creed (Apollo Doutrinador aqui no Brasil), Burgess Meredith fez o ranzinza treinador Mickey Goldmill (papel que conseguiu por nenhum ator querer fazer teste) e Burt Young fez o Paulie Pennino, cunhado e melhor amigo de Rocky.

Adrian Pennino (Talia Shire) e Rocky Balboa ( Sylvester Stallone) no primeiro encontro no filme.

Entre orçamentos baixos, o valor inicial era de US$ 2 milhões que foram reduzidos pela metade, pois o estúdio tinha o receio de prejuízo por ser tratar de um desconhecido como protagonista, atores dividindo minúsculos camarins e algumas mudanças de cenas, o longa ficou pronto e estreou para pegar os consumidores de filmes no final do ano. Alguns cineastas hollywoodianos estavam seguindo a onda que tinha se instalado desde Easy Rider (Sem Destino aqui no Brasil) do ano de 1969. Os diretores estavam praticando o que foi chamado de Easy Rider Generation. Um termo usado para os cineastas contestadores que afloravam na época. O filme antes do seu lançamento, foi meio que deixado de lado pelos grandes nomes de Hollywood. Os cineastas buscavam fazem produções com o realismo de Taxi Driver dirigido por Martin Scorsese, que até então era o grande filme de 1976. E Rocky ia ao contrário dessa onda. Era o conto de fadas. Lidava com o sonho. Jogou no imaginário do povo um personagem, que tinha descendência italiana, enfrentando um boxeador matreiro que usa um calção com as cores da bandeira americana. Era realização do Sonho Americano por um imigrante. Houve quem torcesse o nariz para o filme.

Mas o público abraçou o conto de fadas. E junto com ele veio à crítica. E o que era um desconhecido como ator no papel de protagonista se tornou em indicado ao Oscar de Melhor Ator e o filme teve outras oito categorias. A produção que teve orçamento de US$ 1,1 milhão arrecadou US$ 225 milhões e três Oscars. Melhor Filme, Diretor e Montagem.

 Bill Conti compôs a trilha sonora e o famoso tema “Gonna Fly Now”. A música imortalizou nas cenas dos treinos de Rocky, e quando ele corre pelas as ruas da Filadélfia. Transformando a cena das escadarias do Museu de Arte da Filadélfia, em uma das mais inesquecíveis da história do cinema mundial.

O filme estreou aqui no Brasil com o nome de Rocky: Um Lutador, em janeiro de 1977, já seguindo o burburinho do sucesso que era nos EUA. Mas foram as exibições na TV, com a inconfundível dublagem de André Filho (falecido em 1997) que popularizaram Rocky por aqui.

O sucesso de Rocky rendeu ao filme seis continuações, todas elas foram lucrativas. A única que capengou mais foi o Rocky V. Mas no saldo final a receita da franquia soma-se por volta de US$1,1 bilhão. Sequências que transformaram o personagem atemporal. O primeiro filme era de 1976. Lembro-me de quando criança assistir muito os filmes do Rocky Balboa pelas Sessões da Tarde e Telas Quentes da vida. Uma época sem internet, Netflix, Youtube… e deixou o personagem vivo na mente de todas as pessoas. Seja para fazer uma paródia, para fingir boxear o ar assobiando a famosa música ou simplesmente para assistir o filme de novo. Ao se manter vivo durante 40 anos, Rocky venceu a luta.

O conto de fadas da Cinderela que mal sabe falar direito, lutava boxe e atendia pelo apelido de Garanhão Italiano, completa 40 anos ainda conquistando gerações. O que Rocky nos brinda é o fator perseverança. Para se ter um lugar no mundo tem que perseverar. Tem que tentar e fazer valer a tentativa. Ainda bem que Stallone não jogou a toalha e persistiu no sonho de Rocky Balboa. Ainda bem para ele. Ainda bem para nós. Obrigado Stallone!

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Muu! | Saiba tudo sobre a Batvaca

Se você está meio perdido, saiba que não leu o título errado. A Batvaca existe, e ela é maravilhosa. Criada nas páginas de Corporação Batman pelas mãos de Grant Morrison e Chris Burnham, a simpática vaquinha rapidamente se tornou um dos membros mais queridos (e inusitados) da Bat-Família. Confira abaixo tudo sobre a vida da personagem até os dias de hoje! CONTÉM SPOILERS DE “BATMAN INCORPORATED” E “BATMAN & ROBIN”.

Corporação Batman foi a série final de Grant Morrison na vida do Homem-Morcego. O renomado escritor deu início à sua fase no personagem em 2006, na revista Batman #655, onde começou o arco que apresentaria o filho de Bruce Wayne com Tália al Ghul, Damian Wayne. Reaproveitando a ideia de uma história que até então não fazia parte do cânone do Batman (O Filho do Demônio), Morrison explorou Damian ao longo dos anos, com passagens memoráveis como a época em que o garoto assumiu o manto de Robin ao lado de Dick Grayson (atuando como Batman após a “morte” de Bruce na Crise Final), e toda sua passagem no título da Corporação.

Dick Grayson e Damian Wayne na revista Batman & Robin. Arte de Frank Quitely.

A ideia da Corporação Batman pode ser resumida em poucas linhas: Bruce Wayne, após voltar de sua viagem temporal forçada por Darkseid na Crise, assume que financia o Batman e deseja criar um grupo de Batmen ao redor do mundo, unindo justiceiros mascarados de todas as partes do globo (a maioria previamente apresentados no arco A Luva Negra). É então que, na edição número #1 do Volume 2 da Corporação Batman (já nos Novos 52), Damian resgata uma vaca dentro de um abatedouro, enquanto declara que agora é vegetariano e a vaquinha “diferenciada” será a Batvaca.

“A partir de agora, eu sou vegetariano. E esta é a Batvaca.” Arte de Chris Burnham.

A forma como a Batvaca foi introduzida serviu para estabelecer que, apesar de ser treinado pela Liga das Sombras de Ra’s Al Ghul e ser praticamente uma máquina de matar, Damian ainda é uma criança. Outros animaizinhos, como o cachorro Titus e o gatinho Alfred também passaram a habitar a Batcaverna até os dias de hoje. Mas voltando ao tema principal deste texto, a partir da sua primeira aparição a simpática vaquinha marcou presença durante todo o run do Morrison na Corporação.

Corporação Batman #3.
Corporação Batman #3.
Corporação Batman #6.
Corporação Batman #6.
Corporação Batman #7.
Corporação Batman #7.

Então, nas páginas de Corporação Batman #8, Damian Wayne morre. Em uma batalha cruel, o filho do Batman é espancado e empalado por uma espada, encontrando seu derradeiro fim. Bruce dá início aos seus planos em busca de vingança pelo que Tália fez ao seu filho, e a Batvaca protagoniza um momento emocional onde o herói, deprimido, demonstra um pouco de carinho pelo animalzinho que traz lembranças de seu filho.

Corporação Batman #9.
Corporação Batman #9.

Ao final do arco, Morrison encerra em julho de 2013 sua longa passagem pela vida do Cruzado Encapuzado mostrando um Batman de luto, mais revoltado e menos… Atencioso com os pets de seu falecido filho.

"Muu. Cale-se. Miau." Corporação Batman #13.
“Muu. Cale-se. Miau.” Corporação Batman #13.

A próxima aparição da vaquinha foi numa revista especial, em agosto do mesmo ano, protagonizando sua própria aventura. Parece loucura, mas em “Batman Incorporated Special #1” diversos artistas e roteiristas trabalharam com os vários heróis da Corporação, e coube a Dan Didio (Editor Executivo da DC) e Ethan Van Sciver a missão de contar uma história de seis páginas onde a Batvaca (trajada de uma bela capa negra e esvoaçante) salva um bebê que havia sido sequestrado. Ao entrar na frente do carro dos sequestradores, fazendo com que eles batessem o veículo e a polícia os alcançasse, a vaquinha salva o dia. De quebra, a heroína ainda forneceu leite para a mamadeira do bebê.

Capa variante de "Corporação Batman Especial #1"
Capa variante de “Corporação Batman Especial #1”.
A Batvaca fornece leite para o bebê recém resgatado.
A Batvaca fornece leite para o bebê recém resgatado ao final de “Corporação Batman Especial #1”.

Se desvencilhando dos títulos do Homem-Morcego, a Batvaca voltou a aparecer nas páginas dos quadrinhos da DC Comics em outubro de 2014, num encontro especial do Povo da Eternidade com a “Bat-aparição gratuita!“. A revista escrita por Keith Giffen e Dan Didio mostrou o encontro dos protagonistas com a Batvaca na edição número #4. A Bat-vaquinha lambe uma Caixa Materna e dá um presente para Serafina Baldaur. Tudo isso em apenas duas páginas!

Infinity Man and the Forever People #4. Bat-Aparição gratuita!

Dois meses antes, voltando à cronologia do Batman, o escritor Peter Tomasi deu início ao retorno de Damian com o arco “Robin Rises“. Tomasi foi o responsável pela excelente revista Batman & Robin ao longo dos Novos 52, onde trabalhou muito bem a relação de pai e filho entre Bruce e Damian. O arco da ressurreição do Robin teve início na revista especial “Robin Rises: Omega” e se desenvolveu entre as edições #33 e #37 da revista da dupla. Na edição #35 a Batvaca faz uma pequena aparição.

"Batman & Robin #35". Arte de Patrick Gleason.
Batman & Robin #35. Arte de Patrick Gleason.

Ao final do arco, na revista “Robin Rises: Alpha“, a vaquinha marcou presença novamente, e ainda confrontou Kalibak, filho de Darkseid:

Robin Rises: Alpha #1.
Robin Rises: Alpha #1.
Robin Rises: Alpha #1. A Batvaca consegue peitar o Kalibak!
Robin Rises: Alpha #1. A Batvaca consegue peitar o Kalibak!

Pouco tempo depois, já em 2015, a vaquinha voltou a aparecer na revista de Peter Tomasi:

Batman & Robin #40.
Batman & Robin #40.

Meses depois, ainda em 2015, Damian ganhou seu título próprio que durou pouco mais de um ano, chamado “Robin: Son of Batman (Robin: Filho do Batman), escrito e desenhado inicialmente por Patrick Gleason, o artista que trabalhou com Tomasi no título da dupla dinâmica. Esta revista introduziu alguns personagens que vieram a se tornar recorrentes na vida do Robin, durou 13 edições e a Batvaca fez aparições em algumas delas.

Robin: Son of Batman #1.
Robin: Son of Batman #1.
Robin: Son of Batman #9.
Robin: Son of Batman #9.
Robin: Son of Batman #10.
Robin: Son of Batman #10.

Voltando um pouco no tempo, em Abril deste ano a Batvaca também fez uma aparição rápida na revista Batman/Superman #31, escrita por Peter Tomasi e desenhada por Doug Mahnke, onde ela recebe um carinho do Superman em carne e osso.

Batman/Superman #31.
Batman/Superman #31.

Então veio o Rebirth. O grande evento da DC Comics que reiniciou a numeração de suas revistas, trouxe de volta revistas antigas e elementos clássicos da editora e renovou suas equipes criativas vem se provando um grande sucesso de público e crítica. Um dos grandes acertos da editora com este evento foi trazer de volta o Superman pós-Crise, casado com Lois Lane e criando seu filho, Jon Kent, o novo Superboy.

A revista do azulão ficou a cargo das mãos abençoadas de Peter Tomasi, onde ele vem desenvolvendo a relação familiar dos personagens ao longo de suas onze edições publicadas até o momento. Além disso, Superman também vem sendo utilizada para dar início ao título Super Sons, revista que também será escrita por Tomasi e será protagonizada por Damian e Jon, ambos personagens carimbados no currículo do roteirista. Para a surpresa de muitos, na revista Superman #10, Tomasi promoveu o primeiro encontro dos garotos, e de quebra trouxe a Batvaca de volta, em sua aparição mais recente.

Em Superman #10, Damian faz as pazes com Jon Kent e apresenta todos seus mascotes ao Superboy.
Em Superman #10, Damian faz as pazes com Jon Kent e apresenta todos seus mascotes ao Superboy.

A aparição da Batvaca na revista do Superman foi a mais recente até agora. A revista foi lançada há pouco menos de um mês, e os leitores tiveram a chance de vislumbrar mais uma vez os belos olhos brilhantes da vaquinha mais querida da DC Comics.

O conceito da Batvaca foi utilizado por Morrison (seu criador) para, além de humanizar Damian, dar um tom mais leve e aventuresco ao redor do Batman, similar a aventuras do personagem na Era de Prata, época em que Morrison se baseia para criar boa parte de suas histórias. Durante sua passagem na Corporação, Morrison satiriza o ridículo da situação (de um animal qualquer estar vestido de morcego), e ao mesmo tempo torna a ideia aceitável e cria um laço afetivo com os leitores. A própria DC brincou com a personagem, quando sites estrangeiros especularam, na brincadeira, que a grande revelação sobre quem estava vestindo a roupa do Alado (membro da Corporação), seria inusitadamente a Batvaca.

Alado é, na verdade, a Batvaca. Teria sido uma revelação bem mais surpreendente do que a real.
Alado é, na verdade, a Batvaca. Teria sido uma revelação bem mais surpreendente do que a real…

Com Tomasi a cargo de duas revistas da DC, as chances da vaquinha voltar a aparecer são bem grandes. O que será que o futuro reserva para o mamífero ruminante? Será que um dia veremos sua trágica morte nas páginas de um gibi? Só o tempo dirá. E até lá, esperamos que Damian mantenha o melhor feno disponível no comedouro da mimosa.

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Ghost In The Shell | Páginas que foram censuradas do mangá

Graças ao relançamento na CCXP, muito começou a ser falado sobre a censura de algumas páginas do mangá GITS (Ghost In The Shell), e dada a repercussão do caso, a curiosidade também bate forte no leitor para saber o por quê do acontecido.

[AVISO: CONTEÚDO ADULTO ABAIXO, SÓ CONTINUE A LEITURA DA MATÉRIA SE FOR MAIOR DE 18 ANOS]

Censura nunca é algo bom. Porém, especificamente nesse caso, o próprio autor da obra, Masamune Shirow, foi o responsável pelo feito, alegando sentir vergonha pelas páginas. Confira abaixo todos os detalhes:

Página 52 censurada, refeita para o mangá:

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Mesma página sem censura, onde mostra uma cena de sexo:

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Páginas 53 e 54 retiradas do mangá:

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Inicialmente, a decisão de Shirow, foi tomada quando a obra foi traduzida para os EUA. A censura também aconteceu na publicação da Alemanha logo depois, mas nesse caso não se sabe se foi proposital, já que a publicação era adaptação da tradução americana.

O mangá, que será publicado pela editora JBC, tem previsão de lançamento para a CCXP (Comic Con Experience), e sua adaptação para os cinemas, estrelada por Scarlett Johansson, tem previsão de estreia para 30 de março de 2017.

Mesmo tendo duas páginas retiradas, a alteração nada influenciou no desenrolar da história. Ou seja, a qualidade da obra ainda continua intacta, sem comprometer a continuidade. Mas, mesmo assim, ainda gera polêmica e controvérsias entre os leitores, afinal, censura é censura. Vocês concordam com a decisão do autor? Deixe a resposta nos comentários!

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Cinco coisas que queremos ver no filme da Mulher-Maravilha

O primeiro lançamento da DC Comics para os cinemas em 2017 será somente no meio do ano. Mulher-Maravilha, com data de estreia marcada para o dia 2 de Junho, será o primeiro filme moderno protagonizado por uma super-heroína. A personagem interpretada por Gal Gadot já fez sua estreia em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, e terá sua origem contada pela diretora Patty Jenkins no filme solo.

O roteiro do filme foi escrito por Geoff Johns e Allan Heinberg, baseado num concept criado por Heinberg e Zack Snyder. Gal Gadot voltará a dar vida à personagem, e com dois fantásticos trailers divulgados até o momento, a existência de alguns aspectos dos quadrinhos da Amazona na mitologia do filme não ficaram explícitas. A ausência do clássico jato invisível já foi confirmada, mas e quanto a outros elementos clássicos e modernos da personagem? Confira abaixo cinco coisas que devem ser mostradas no filme da Princesa de Themyscira!

5 – Figuras Mitológicas

Os trailers do filme já deixaram claro que irão tomar como base a origem moderna da personagem, contada por Brian Azzarello nos Novos 52. Ao contrário da origem clássica ou da origem pós-Crise de George Pérez, nesta versão ela não foi criada do barro, mas sim da relação entre Hipólita e Zeus, tornando a personagem não somente uma Princesa como também uma semideusa. Durante toda sua fase na personagem, Azzarello utiliza as figuras mitológicas do Panteão Grego como vilões ou personagens de apoio, abordando os deuses e semideuses de diferentes formas. A presença dos mitos é constante, e apesar de sabermos da existência deles através das falas de Diana no primeiro trailer, não ficou claro se os regentes do Olimpo e relacionados irão de fato aparecer. E deveriam.

4 – Laço da Verdade

Apesar da personagem carregar seu laço em Batman vs Superman e até utilizá-lo para segurar o Apocalypse no ato final do filme, os trailers mostraram Diana usando sua corda mágica forjada por Hefesto somente como uma arma de batalha. Em determinado momento do segundo trailer é possível deduzir que as amazonas estejam utilizando-o para que Steve Trevor (Chris Pine) diga a verdade, contudo este elemento também não ficou claro e este pequeno trecho cria somente uma especulação. Nos quadrinhos a Mulher-Maravilha utiliza seu laço como uma ferramenta de batalha, mas também considera que “a verdade é a maior arma que existe“. Uma ideia plausível é que a heroína utilize o laço nos vilões no ato final do filme, obrigando-os a contarem seus planos e coisas do tipo, ou até mesmo no desenrolar da história para facilitar a narrativa no mundo dos homens. Como curiosidade, o criador da personagem sempre alegou ser também um dos precursores da invenção do polígrafo, o detector de mentiras. Mas sua fama nunca foi das melhores.

3 – Poder de Voo

Enquanto divulgava Batman vs Superman, Gal Gadot deixou claro que a Mulher-Maravilha seria capaz de pular grandes alturas e praticamente voar. Durante o filme vemos a personagem entrando em um avião, automaticamente descartando a possibilidade da heroína de fato ser capaz de voar. Contudo, no segundo trailer divulgado recentemente é possível ter um vislumbre da personagem parada no ar enquanto bate seus braceletes, levando muitos fãs a especularem que ela será capaz de voar pelo menos no ato final do filme. A ausência do jato invisível também fomenta a especulação do voo, apesar desta ser uma característica muito improvável que seja adaptada a esta altura do campeonato, levando a crer que a Amazona ficará somente com os pulos no universo cinematográfico. Nos quadrinhos de tempos em tempos a heroína tem suas habilidades alteradas, sendo inconstante se ela é ou não capaz de voar.

2 – A clássica armadura de Ares

Os vilões do filme ainda não foram revelados. A Doutora Veneno (Elena Anaya) está confirmada, e tudo leva a crer que o personagem interpretado por Danny Huston será de fato o Deus da Guerra, Ares. O vilão já foi retratado de diferentes formas ao longo dos anos, e no filme ele deve estar se beneficiando da Primeira Guerra Mundial para obter mais poder. Na fase de Brian Azzarello, Ares é retratado como um velho cansado e decrépito, criando um paralelo com o fato de que a guerra nem sempre é regozijante, mas sim exaustiva até o limite. Já o visual clássico do Deus da Guerra é de fato uma grande armadura de combate, imponente e ameaçadora, e caso o deus seja mesmo o principal antagonista do filme, apelar para este visual seria uma forma muito boa de criar um vilão intimidador.

1 – O Torneio das Amazonas

Nos quadrinhos, as amazonas organizam um torneio para decidir qual será a campeã da ilha. Na origem atual de Greg Rucka a decisão é sobre qual amazona irá acompanhar o soldado Steve Trevor ao mundo dos homens e servir como uma embaixadora da paz e mediadora entre a humanidade e as guerreiras de Themyscira. Já na origem de George Pérez, Hipólita proíbe que sua filha, a Princesa Diana, participe do torneio. Diana então se disfarça e acaba vencendo todas as disputas, provando para a mãe que ela é capaz de feitos grandiosos. A heroína então recebe seu traje e suas armas e parte para o mundo dos homens, tornando-se a campeã da ilha com o objetivo de impedir os planos malignos de Ares. Após uma viagem com Hermes ela acaba conhecendo Steve quando ele cai na ilha. Não ficou claro se a personagem irá participar do torneio no filme, já que ela aparenta muito mais estar fugindo da ilha do que sendo enviada, mas a ideia do Torneio é um elemento clássico da personagem que deveria ser mantido no longa.

Existem diversos outros elementos dos quadrinhos que podem ser utilizados no universo cinematográfico. Algum tipo de rivalidade entre Themyscira e Atlântida, criaturas mitológicas (como centauros), e obviamente respeitar tudo que a personagem representa desde sua criação, como um símbolo feminista e totalmente representativo do empoderamento feminino. Com uma diretora no comando, tudo leva a crer que o filme da Amazona será um ponto de virada no Universo Cinematográfico da DC, elevando as expectativas do público que obrigatoriamente devem ser sanadas com a obra.

Com 75 anos de vida, a Mulher-Maravilha tem muitas ideias contadas para inspirar a divisão de cinema. O que mais você gostaria de ver no filme da heroína? Comente abaixo!

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Resenha | Jonathan Strange & Mr. Norrell

Sinopse: ”Em 1806, a maioria da população britânica acreditava que a magia estava perdida há muito tempo – até que o sábio Mr. Norrell revela seus poderes, tornando-se célebre e influente. Ele abandona a reclusão e parte para Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte. Tudo corre bem até que Jonathan Strange, um jovem nobre e impetuoso, descobre que também possui talentos mágicos.  […]

Misturando ficção e fatos históricos, Jonathan Strange & Mr. Norrell levou dez anos para ser escrito e foi baseado em uma extensa pesquisa da autora sobre a história da magia inglesa. Recebeu o Hugo Award, um dos prêmios mais importantes no gênero fantástico, além de ter sido indicado ao Man Booker Prize e eleito o melhor livro do ano pela revista Time. Agora adaptado para a TV pela BBC, o livro recebe nova edição, com introdução do escritor Neil Gaiman.

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Susanna Clarke, escritora inglesa, demorou 10 anos para concluir Jonathan Strange & Mr. Norrell. Publicada em 2004, a história foi premiada com o Hugo Award e diversos elogios. Nessa edição pelo selo Seguinte (Editora Schwarcz), temos o prefácio de Neil Gaiman, renomado escritor de fantasia, também inglês, que esbanja elogios ao livro: ‘’ […] escrevi para o editor de Susanna, pedindo-lhe para dizer a ela que, na minha cabeça, aquela era uma das melhores obras de fantasia em língua inglesa dos últimos setenta anos. […]’’.

Recentemente adaptado pela BBC, Jonathan Strange & Mr. Norrell merece mais do que elogios, é a continuidade de histórias um tanto quanto esquecidas em tempos de rapidez e livros com ”roteiros hollywoodianos”. Rico em linguagem, magia e um belo retrato da sociedade britânica em pleno conflito com Napoleão. A autora é original ao criar seu mundo, os magos da Inglaterra não usam varinhas ou chapéus pontudos, mas parecem ter vindos de um livro da Jane Austen com seu cavalheirismo.

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Jonathan Strange, Mr. Drawlight e Mrs. Bullworth.

Os acontecimentos se iniciam em 1806 no Condado de York na Inglaterra. Existia ali uma sociedade de magos, não magos que usam magias ou maldições, eles estudavam a história da magia. Tudo estava calmo quando John Segundus adentrou nesse pequeno grupo com o questionamento: por que não se fazia mais magia na Inglaterra? Após ser ridicularizado, John Segundus encontra Gilbert Norrell que afirma ser um mago praticante, e a partir daí a tentativa de reavivar a magia na Inglaterra vem à tona. Jonathan Strange aparece mais tarde junto com Arabella Woodhope, Stephen Black, Lady Pole e outros personagens.

-Pode um mago matar um homem com magia? – perguntou Lorde Wellington a Strange.

Strange franziu o cenho. Pareceu não gostar da pergunta. 

– Creio que um mago poderia – admitiu. – Um cavalheiro, jamais.

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Lady Pole e John Uskglass.

Com mais de 800 páginas, a história requer tempo do leitor que terá de ler diversas notas de rodapé que, na verdade, são histórias ou explicações muitas vezes necessárias para a continuidade do enredo, então nada de ignorá-los. As descrições são exuberantes e há um pouco do velho e bom humor inglês.

A magia no universo de Clarke se aproxima bastante da realidade, às vezes é difícil distinguir a realidade, o nosso mundo, com o ficcional. Referências memoráveis e participação de personagens históricas como Lord Byron, polêmico escritor inglês conhecido por sua melancolia. Personagens bem construídos, ambientado no inicio do séc. XIX com uma atmosfera obscura, como não se lembrar de Edgar Allan Poe? Personagens também são inesquecíveis, há uma brutalidade com sensibilidade em cada um.

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Jonathan Strange e Gilbert Norrell.

Resumi-se Jonathan Strange & Mr. Norrell um perfeito escrito nos temas de fantasia e ficção, há também um tanto de psicologia na obra. Talvez a obra não conquiste aqueles que não gostam de uma história longa e bem detalhada, o que pode ser bom para outros. Cativante e excepcional Susanna pode ser colocada a um patamar entre os mestres e mestras da literatura fantástica.

O que tange a adaptação, ela é fiel, porém perde-se um pouco do charme do livro, como em toda adaptação. Muitas coisas que aparecem nos últimos capítulos aparecem nos primeiros episódios que no total são sete, então é difícil conciliar a leitura e a série caso sejam simultaneamente acompanhadas.

Tenham uma ótima leitura!

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Primeiras Impressões | Soushin Shoujo Matoi

Um antigo provérbio japonês, datado do período Edo (1603-1868), diz que “Kawaii uguu baka desu sushi katana wasabi ne?“. Traduzindo, significa “Melhor postar dois meses atrasado do que deixar passar em branco, né?“. Não sei o que eles queriam dizer com isso na época, mas dá pra ver que desde muito tempo, japonês é um povo estranho.

Começamos essa temporada com presidiários, passamos por patinadores e viajantes do tempo-espaço, para chegarmos em garotas mágicas exorcistas…? Pera, tá certo isso aqui, produção, é isso mesmo? Parece que sim. Nessa famigerada season onde tudo é sempre tão melhor do que no resto do ano, e as esperanças estão sempre em alta para aquele conteúdo de qualidade, nós recebemos… Bem, isso. Mas de qualquer forma, segue o trailer abaixo e bola pra frente:

Resumir em uma só palavra a experiência inicial de MATOI THE SACRED SLAYER (que convenhamos, tem o nome anglófono muito mais legal que o original em japonês) seria desafiador. Isso porque todas que passam por minha mente, descrevem muito bem um dos aspectos do show, enquanto são uma abominação completa para com outro aspecto. Talvez pudesse usar “confuso”, mas até mesmo essa não se adequa o suficiente.

Prefiro começar pelas coisas que são mais consistentes. A representação visual, por exemplo. Cortesia da White Fox (Steins;Gate, Katanagatari), temos uma animação que… Poxa, não posso dizer que é excelente. Tem seus momentos, mas na média, ficamos apenas naquele limiar de “o mínimo aceitável para obras recentes“. Talvez um ponto que consiga compensar essa ‘falha’, seja o design de personagens: Todas elas são detalhadas, extravagantemente exclusivas e, principalmente, bonitinhas pra caramba (e estou incluindo os homens nisso também. Tenho uma queda por cavanhaques…). Um ótimo trabalho por parte de Mai Toda.

Ok, eu elogiei o design e tudo mais, mas que diabos é essa coisa? O cabelo dela tá preso numa forma bizarra? É um broche? wtf
Ok, eu elogiei o design e tudo mais, mas que diabos é essa coisa? O cabelo dela tá preso numa forma bizarra? É um broche? wtf

Depois, outra consistência é a sonora: uma OST forte e envolvente é uma das qualidades do show. Criar a ambientação através da música, seja ela uma suave melodia pra demonstrar a calmaria do dia-a-dia, ou um ritmo acelerado a intenso pra captar a agressividade de um combate, o anime o faz de forma excepcional. O responsável por esse feito de fazer um desinteressado como eu notar o seu trabalho foi o diretor sonoro Takayuki Yamaguchi (Terra Formars, NouCome). Só que vocês não ligam para esses detalhes industriais (e nem eu, pra ser sincero), então a abertura (“Chou Musubi Amulet” pelo grupo Mia REGINA) e o encerramento (“My Only Place” pelo grupo Sphere) seriam assuntos mais relevantes. O primeiro é perfeito para cumprir o seu dever, pois é empolgante e animador, te deixa com o sangue pulsando para finalmente chegar no episódio em si. E depois de tudo, você chega na segunda música e ela te acalma e bota seus nervos no lugar, te fazendo lembrar que isso tudo é só um desenho e que você não devia quase ter um ataque cardíaco por causa de garotas mágicas (Mas escrevo isso enquanto escuto a abertura em loop por mais de 2h).

Só que como nem tudo são flores… A ‘inconsistência‘ presente no feeling do show é tão grande que chega a ser… Inconsistente. Caramba, entende agora o meu drama sobre definir numa palavra só?! De qualquer maneira… Minha reclamação, indo direto ao ponto, é sobre o público-alvo: na prática, sabemos que garotinhas mágicas com roupas bonitinhas são sempre assistidas por homens de meia idade, independentemente de o quê a obra queria pra início de conversa (Precure, estou olhando pra você). Mas elas são, na maioria das vezes, feitas para A) Um mercado muito específico de garotinhas; ou B) Um público mais abrangente de crianças. O que atrai essas pessoas fora do nicho, via de regra, são justamente os aspectos infantis da obra. A ‘felicidade’, a ‘ingeniudade’, a ‘pureza’ que estão sempre presentes no decorrer desses shows são os pontos buscados…

Claramente uma série cheia de fãs homens entre 17 e 48 anos, não acha? Pois está corretíssimo.
Claramente uma série cheia de fãs homens entre 17 e 48 anos, não acha? Pois está corretíssimo.

E então temos Matoi, que decidiu fazer uma obra já diretamente voltada para esse grupo fora do nicho, sem inventar desculpas e sem papas na língua. Podemos ver que a própria produção do anime classifica-o como “Público alvo da obra original: Masculino“, dando suporte a essa minha teoria. Só que eles conseguiram a façanha de arruinar completamente toda e qualquer chance de fazer sucesso com quem eles queriam, ao destruir justamente os elementos mais importantes do gênero: as tais ‘ingenuidade‘ e ‘pureza‘. Eles mantiveram todos os outros pontos, o suficiente para ainda reconhecermos a trama como fiel ao que queria retratar (e não um rip-off de mahou shoujo como Madoka foi, por exemplo. Matoi é claramente um Mahou Shoujo vanilla, original), mas trocaram os detalhes que funcionam como a ‘cereja‘ do bolo por seu completo oposto. É tipo você comprar uma cereja pra então descobrir que é só chuchu.

Houve essa troca de ‘ingenuidade’ por ‘sexualidade‘, e eu simplesmente não consigo entender mais pra que lado eles estão atirando. Fica claro que eles tentavam atingir a famigerada “Pandemia Otaku“, aquela super estereotipada e que aparece no programa da Fátima Bernardes (que apesar de ser minoria e não representar as pessoas que gostam de anime num geral… Bem, elas existem), mas eles tentaram fazer isso da pior forma possível: juntaram duas coisas que fazem sucesso com o público-alvo, mas escolheram justamente as ‘piores partes‘ de ambos. Garotas mágicas fazem sucesso? Fazem. Softporn japonês faz sucesso? Também faz. Mas o que trás o sucesso de ambos são dois extremos completamente diferentes, e que se misturam tanto quanto Iodo em Tetracloreto de Carbono e Água (eu sou químico e digo: essas coisas aí não se misturam).

Garotas mágicas precisam da ‘ingenuidade’ para funcionar. Elas são garotas mágicas, afinal de contas! E softporn só dá certo por estar já num ambiente absurdo desde o princípio. Se ao menos eles tivessem estabelecido um tipo de atmosfera imbecil logo nos primeiros momentos do show, todo o papo de demônios, dimensões paralelas e garotas mágicas poderiam funcionar como absurdidade. Mas o que ocorre é uma normalidade excessiva, eles se esforçam ao máximo para dar a impressão de que aquilo vai ser um mahou shoujo vanilla, pra logo depois acabar com tudo isso sem nem perceber.
Colocando em outros termos: eles tentaram fazer o Batman ser sociável; Tentaram fazer o Homem-Aranha ser rico; Tentaram fazer o Aquaman ser útil; Tentaram fazer o Homem de Ferro não ser a pessoa mais detestável da história da ficção recente; etc.

A weapon to surpass metal gear... ai é só uma colher. Deu pra entender ou quer mais exemplos?
A weapon to surpass metal gear… Aí é só uma colher. Deu pra entender ou quer mais exemplos?

O mais impressionante é que, apesar de TODOS esses problemas, o aspecto mais de raiz dos Mahou Shoujos até que não ficou ruim. Depois de ignorar todos os zooms em peitos, garotinhas de 14 anos correndo peladas e piadas forçadas sobre exibicionismo, a trama conseguiu me deixar interessado o suficiente para continuar. Mesmo com uma desinformação enorme que chega a ser perturbadora, e que foi só parcialmente sanada no longínquo episódio 3, eu vejo um bom potencial para esse show, que por não ser baseado em nada (foi originalmente escrito para o anime), pode ir para qualquer lugar.

Acontece que potencial não significa nada se não for aplicado corretamente, e que apesar de serem em parte ignoráveis, todos os problemas de coerência ainda existem. Deixo minhas primeiras impressões de Soushin Shoujo Matoi como um 5/10, já sendo muito otimista no futuro da série e torcendo para que não caia num desfiladeiro.

O anime não possui simulcast em português, porém pode ser encontrado legalmente nos serviços de streaming da Anime Network,

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Amazing Adventures

Guia de Leitura #14 | Lobo

Imagina a cena: você está no espaço sideral, com sua nave indo a toda velocidade quando de repente… POW!!! Você acerta algo. Ao parar em um bar espacial mais próximo você vai olhar o que foi atingido e então tem um golfinho espacial morto, com o sangue todo espalhado na frente da nave. É quando você escuta um grito que congela a sua alma e faz trancar o seu botãozinho: “GIZZ DE FEETAL!!!”. Você vira a cabeça já se borrando e vê que o Lobo está espumando de raiva te olhando.

O que você faz:

  1. Aceita a morte;
  2. Sai correndo rezando para todos os santos, deuses, demônios e aceita a morte;
  3. Entra na nave com o desespero subindo na garganta e sai desembestado? E aceita a morte.

Na boa, você sabe que a única saída é morrer de forma terrível, dolorosa e sanguinolenta. Porque nada deixa o Maioral mais p*to da vida do que matar algum dos seus golfinhos espaciais.

Para você que não conhece o Lobo, essa edição da Amazing Adventures traz mais um super Guia de Leitura. Conhecido como O Flagelo do Universo, o Caçador de Recompensas, o Mestre da F*delança entre tantos outros simpáticos adjetivos.

Criado por Keith Giffen, o Lobo teve dois momentos distintos. A primeira logo na sua criação em 1983, no período Pré-Crise. O personagem era um mero coadjuvante, um caçador de recompensas que tinha a tarefa de capturar o grupo Omega Men. Com um visual futurista de cores laranja e roxa, esse Lobo não era brutal, não fumava, não bebia, não falava palavrões e nem era super-forte. Ele também não se atentava a sua palavra. Às vezes mudava de lado se a outra parte pagasse mais. O curioso é que esse Lobo emanava luzes das mãos, para iluminar o local onde estava.

 Nessa versão, seu planeta de origem era Velórpia, e ele não tinha matado todos do seu planeta. Velórpia tinha um problema de super população, pois seus habitantes tinham a capacidade de se reproduzir cada vez que eram feridos, os Psions ofereceram riquezas para estudar o sistema de reprodução e ao entenderem melhor, criaram um vírus que matou todos no planeta. Menos o Lobo que não estava presente.

Quando chegou a fase Pós-Crise, Lobo ganhou o visual mais icônico. E se tornou o Maioral que todos nos amamos. Nesse tempo, ele entrou para a L.E.G.I.Ã.O, tampou o Superman na porrada, enfrentou a Mulher-Maravilha e participou de diversas histórias da Liga da Justiça. O personagem ganhou força mesmo com a dupla Simon Bisley e Alan Grant. Ambos trouxeram as loucuras e bizarrices às histórias do Lobo. As veias saltadas, o olhar sádico, a porradaria incansável se tornaram características da nova fase.

A sua origem também foi reformulada, agora Lobo tinha nascido há 400 anos no planeta Czárnia, o seu nome era original de um dialeto Khúndio que significa “aquele que arranca suas tripas e gargalha de alegria com isso”. Sua fonte de poder? Pura sacanagem do destino. Os Czarnianos viviam em paz e alegria, Lobo se cansou daquilo tudo e matou todos.

Com o crescimento da sua popularidade, principalmente durante o ano de 1993, Lobo ganhou uma revista mensal. O que causou descontentamento do seu criador Keith Giffen, que acabou saindo da DC Comics naquela ocasião. Giffen acreditava que as histórias do Lobo, funcionavam melhor no estilo nonsense. Onde nada fazia sentido com nada. E a proibição da editora em uma sátira a Jesus Cristo em Lobo Está Morto chateou o roteirista. A mensal decepcionou, pois os fãs sentiram falta das histórias loucas e bizarras, muitas das ideias de Alan Grant, que assumiu o titulo, eram vetadas pela editora que queria pegar um publico maior. A popularidade começou a cair e a mensal foi cancelada no número 64. Então Keith Giffen voltou para a editora e o Lobo voltou para os especiais e minisséries com histórias loucas e sanguinolentas. Que seguiram até o polêmico e contestado Lobo criado nos Novos 52. Em 2017, Lobo vai voltar ao visual antigo e fará parte da nova Liga da Justiça da América liderada pelo Batman.

Aqui no Brasil, as publicações do personagem rodaram nas mãos das Editoras Globo, Brainstore e Abril até chegar à Panini. Infelizmente, algumas edições nunca foram publicadas em terras tupiniquins. Mas use seu faro de caçador de recompensas e com a ajuda da Torre de Vigilância cace as histórias.

Por Keith Giffen & Mike DeCarlo
Por Keith Giffen & J. M. DeMatteis
Por Keith Giffen & J. M. DeMatteis
Por Keith Giffen & Alan Grant
Por Keith Giffen & Alan Grant

 

Por Alan Grant & Jim Fern
Por Len Wein & Joe Phillips

 

Por Keith Giffen, Alan Grant & Simon Bisley
Por Dan Djurgens & Jerry Ordway
Por Al Gordon & Keith Giffen
Por Alan Grant & Mike McKone
Por George Pérez, Cynthia Martin & Joe Phillips
Por Keith Giffen, Gerard Jones & Darick Robertson
Por Barry Kitson & Alan Grant
Por Alan Grant & Jim Fern
Barry Kitson & Alan Grant
Por Alan Grant & Val Semeiks
Gerard Jones & Joe Station
Por Len Strazewski & Vince Giarrano
Por Alan Grant, Barry Kitson & Lee Moder
Por Barry Kitson & Vince Giarrano
Por Alan Grant, John Wagner & Cam Kennedy
Por Alan Grant & Val Semeiks
Por Alan Grant & Val Semeiks
Por Alan Grant & Christian Alamy
Por Alan Grant & Val Semeiks
Por Alan Grant & Val Semeiks

 

Por Alan Grant & Kieron Dwyner
Por Alan Grant & Martin Emond
Alan Grant & diversos artistas
Por Peter David & Martin Egeland
Por Alan Grant, John Wagner, Val Semeiks & John Dell
Por Alan Grant & Martin Emond
Por Alan Grant & Val Semeiks
Por Alan Grant & Vince Giarrano
Por Alan Grant & Carlos Ezquerra
Por Alan Grant & Carl Critchlow
Por Dan Jurgens, Claudio Castellini, Joe Rubinstein & Paul Neary
Por Keith Giffen & Alan Grant
Por Alan Grant & Vince Giarrano
Por Alan Grant & Greg Luzniak
Por Peter David & Todd Nauck
Por Keith Giffen & Alex Horley
Por Sam Kieth
Por Sam Kieth & Scott Ian
Por Tom Taylor & Mike Miller
Por Culen Bunn & Reily Brown

As histórias ilógicas e sem noção de nada do Lobo, levantaram muito a popularidade do personagem. Coisas como ser jurado de um concurso de Spring Brake, ou ser contratado pelo Coelhinho da Páscoa para matar o Papai Noel, ou quando vai para Hollywood porque estão produzindo um filme sobre ele sem sua autorização ou simplesmente quando Lobo invade a San Diego Comic Con.

Por Keith Giffen, Alan Grant & Simon Bisley
Por Keith Giffen, Alan Grant & Simon Bisley
Por Keith Giffen, Alan Grant & Simon Bisley
Por Keith Giffen & Alan Grant
Por Keith Giffen & Alan Grant
Por Alan Grant & Val Semeiks
Por Alan Grant , John Wagner & Carlos Ezquerra
Por Mike Carlin & Denis Rodier
45 - manual
Por Alan Grant & diversos artistas
Por Alan Grant & Jim Balent
Por Alan Grant & Christian Alamy
Por John Arcudi & Alan Grant
Por Alan Grant & Rafael Garres
Por Alan Grant & Vel Semeiks
Por Alan Grant & Greg Luzniak
Por Garth Ennis & Doug Mahnke
Por Alan Grant & Simon Bisley

 

Por Keith Giffen & Simon Bisley

Bem aqui está o Guia de Leitura do Maioral. E se tiver algum problema, o setor de reclamações fica em um bar espacial, na mesa perto da janela, onde tem intermináveis garrafas de cerveja, falar diretamente com o senhor Lobo.

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Análise | Watch Dogs 2

A baía de São Francisco se espalha perante seus olhos, o sol brilha incansavelmente, o oceano reluz a atmosfera festiva da cidade, os suportes da ponte Golden Gate se estendendo em um céu de verão enrugado por nuvens e mais nuvens. Este é o seu playground em Watch Dogs 2, rico em profundidade e em detalhes, um mundo vívido e vibrante, e uma grande variedade de missões e missões diferentes. É um espetáculo, mas a grande pergunta que permanece na cabeça de muitos gamers é: Watch Dogs 2 é na verdade a aventura de mundo aberto, ultramoderna, que o original deveria ter sido?

Os subúrbios cinzentos de Chicago eram o pano de fundo perfeito para Aiden Pearce, em Watch Dogs. Em 2014 o primeiro jogo prometeu muito, o desempenho de Pearce e a inflexível falta de remorso estavam em desacordo com sua história, que era socialmente costurada para expor os perigos e problemas causados por consentir com aqueles acordos de usuário que a maioria de nós nunca lê. Enquanto a construção do mundo foi meticulosa, no final as ideias inovadoras de Watch Dogs foram lamentavelmente perdidas em um mar de novidades.

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De fora, a sequência veio para inverter isso. São Francisco é minuciosamente recriada com uma autenticidade que vai fazer aqueles familiarizados com a cidade se sentirem instantaneamente familiarizados com esta versão virtual. Enquanto Pearce, não passava de um homem que visava causar estragos na cidade – e sem finalidade explorar a privacidade pública em nome de um “bem maior” – em Watch Dogs 2, você executa suas missões com uma base de ideias, além de possuir uma base mais colaborativa.

Marcus Holloway – protagonista do game – é agressivamente cordial, o que é novamente uma decisão deliberada para desemaranhar a marca Watch Dogs de Pearce. Etiquetado para um crime que não cometeu, Holloway utiliza sua habilidade de hacker para limpar seu registro, atraindo a atenção – e o convite – de um grupo chamado DedSec, disposto a revelar as reais intenções de uma organização multimilionária que utiliza os dados de seus usuários para fins ilegais.

A história se move rapidamente da introdução do personagem até a inclusão a equipe, isso é proposital, porque Holloway completa a DedSec, fazendo parte de seu elenco eclético. Modesto sobre suas realizações, e desconfortável pelos elogios da equipe, apesar de seu status novato Holloway parece estar em casa com seus companheiros da DedSec. É a sua atitude alegre e fácil que faz com que você interaja com NPCs e se surpreenda com a profundidade de as conversas podem chegar.

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O enredo pode parecer familiar. Indignado com o uso indevido de dados de clientes e violações de privacidade, o pequeno grupo de hackers vigilantes, DedSec – sim, isso deve soar bem alto, como um sino caso você jogou o jogo anterior – busca recuperar “o que é nosso” infiltrando conglomerados para recuperar dados ou reapropriá-los para seus próprios meios. Cada vez que você completa uma missão de história, os frutos de seu trabalho – ou o estrago que você desencadeia – é resumidamente resumido em um boletim de notícias em formato pop-up, trazendo um lembrete grave e muitas vezes oportuna de que todas as ações têm consequências.

O jogo não é tímido com as referências. Você terá vislumbres em missões e reconhecerá pela área de atuação, como por exemplo, a gigante de pesquisas on-line Nudle – sim, exatamente o que você está pensando – ou até mesmo própria cede da Ubisoft. Tudo isso está espalhando no jogo, entre missões, conversas e interações.

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As missões da história são contadas principalmente no mesmo molde. Geralmente você viola compostos ou edifícios, hackeia computadores e, geralmente, há caras maus para atirar – se você não ligar para o stealth – ao longo do caminho. Falhar é decepcionante, raramente há pontos de verificação no meio da missão, então uma bola é suficiente para provocar um reinício agonizante, mesmo se você estiver fugindo no final. No entanto, uma vez que você adquiri um bom kit de gadgets, qualquer lugar, mesmo os mais densamente povoados podem ser derrubados sem derrubar um suor, com a ajuda de drones.

A maneira como você realiza suas missões, é a parte mais divertida em Watch Dogs 2 é como sua impressão digital, sua marca própria dentro do jogo. Você pode pular todas as armas de fogo, e partir para um combate corpo a corpo, pode deixar inimigos incapacitados com a sua arma de choque, ou rastejar entre pontos alternando entre agressão e stealth para derrubar os inimigos, ou como já dito, utilizando os drones sem nunca colocar o pé dentro do recinto. A maioria de suas ferramentas e gadgets são construídos para atordoar os inimigos, não assassiná-los – fora algumas armar de fogo que em nada acrescentam na jogabilidade. O que é justo, realmente. Sendo um ponto glorioso, já que o que você pretende é acabar com um registro criminal falso. E do que adianta matar as pessoas para fazê-lo?

Transformando caixas de força em tasers, evocando falsas guerras de gangues, ou inventando falsas informações em redes sociais – tudo está disponível para você. Cada edifício vem com seus próprios pontos fortes e fracos. Nem tudo funciona todas as vezes, também, por isso há incerteza suficiente para forçá-lo a montar estratégias, ou seguir o fluxo jogo em alguns momentos. Tudo muito bem equilibrado.

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Sua capacidade de controlar elementos eletrônicos em torno de você é alimentada por sua carga de Botnet, um medidor construível que encerrará ou diminuirá dependendo de seu uso. Como você pode esperar, algumas de suas atividades exigem mais poder do que outros, mas raramente você se encontrará em alguma situação que exija tanto poder do Botnet. Nas escassas vezes que será necessário recarregar a energia, é bem fácil e tranquilo, considerando a quantidade de civis e vilões ao seu redor. E também existe o Nethack – uma espécie de eagle vision do Assassin´s Creed – vantagem que permite que você explore o mundo em tons de cinza em busca de explorações úteis, também auxiliando na marcação dos inimigos e ajudando a rastrear cabos de alimentação de volta à sua fonte. É tentador jogar boa parte do game nestes tons de cinza, mas resista o quanto puder.

Às vezes, o próprio Holloway se move como um carrinho de compras, além dos elementos parkour serem lamentavelmente subutilizados. Mas onde as limitações de Marcus ocasionalmente prejudicam o progresso, é aqui que seus brinquedos entram em cena – como, por exemplo, seus drones e outros objetos que podem ser movidos remotamente – trazendo a variedade necessária para o divertimento de outra forma. Sem deixar o jogador atolado na mesmice.

VEREDITO:

Watch Dogs 2 é uma sequência sólida e satisfatória que resolve com êxito as fraquezas de seu antecessor, baseando-se nos pontos fortes do jogo original, enquanto polia aspectos que careciam de profundidade para oferecer uma experiência coerente e abrangente. Seu elenco diversificado e (principalmente) sua narrativa estimulante provocam o jogador de todas as maneiras, desde ânsia a um sossego imenso, e embora o humor da juventude urbana às vezes caia por terra, a maioria dos personagens sentem as conversas e reagem de forma convincente. A missão história só oferece horas e horas de combate e exploração, mas, ao contrário do original, ela faz com que você experimente mais uma vez… e desta vez, por todas as razões certas.

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No momento da análise ainda não tivemos a chance de explorar corretamente o que Watch Dogs 2 oferece por meio de multiplayer, como servidores encontram-se off-line e co-op com conexão irregular. 

Watch Dogs 2 está disponível para PlayStation 4Xbox One e PC. O jogo foi testado em um PlayStation 4. 

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Detective Comics Quadrinhos

DC Comics e a representatividade feminina

O mundo dos quadrinhos vem mudando aos poucos. Discussões sobre igualdade de gênero e sexualização de personagens aparentam estar criando mais consciência dentro das editoras americanas, e a DC Comics tem abraçado a causa em diferentes mídias nos últimos anos. Apesar de estar longe do que seria o ideal com relação à igualdade de gênero, tanto dentro das histórias quanto fora (nas equipes criativas), a Editora das Lendas vem sendo pioneira quando o assunto é a representatividade feminina.

Recentemente, a Mulher-Maravilha, maior heroína da editora, tornou-se embaixadora honorária da ONU para promover o empoderamento feminino. A ação, envolta em polêmicas e discussões sobre o que a personagem, fictícia, representa sendo branca e carregando uma bandeira americana no peito, ainda assim foi de extrema importância histórica para a Amazona, para a DC Comics e para todas as mulheres que se sentem representadas pela personagem e tudo que ela simboliza: força, compaixão, igualdade e paz. Na cerimônia, Lynda Carter e Gal Gadot (ambas atrizes que deram vida à personagem) discursaram sobre a ação, além de outras mulheres envolvidas, como Patty Jenkins, diretora do vindouro filme da personagem.

Mulher-Maravilha tornou-se embaixadora honorária da ONU para empoderamento feminino.
Mulher-Maravilha tornou-se embaixadora honorária da ONU para empoderamento feminino.

A ação tomada pela Organização das Nações Unidas não foi o único feito representativo da personagem nos últimos tempos. No cinema, a Mulher-Maravilha protagonizará, apenas um ano após sua estreia nas telonas, o primeiro filme moderno de uma super-heroína. Com sua estreia em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” a personagem tornou-se praticamente uma unanimidade de adoração entre os fãs (que tiveram opiniões divididas sobre o filme, bem como sobre o anúncio da atriz escalada, caindo sempre na questão da sexualização da personagem), e voltou a se tornar um pilar da DC Comics, algo que não acontecia há alguns anos. Além disso, Patty Jenkins é uma das poucas diretoras de Hollywood a dirigir um filme blockbuster com um orçamento acima dos 150 milhões de dólares.

Para traçarmos um panorama geral das mudanças mais recentes devemos voltar apenas 5 anos no tempo e tomarmos a iniciativa dos Novos 52 como um pilar de comparação. Na época, a decisão completamente empresarial da DC focava unicamente na quantidade de vendas de cada título, e como consequência, todos os personagens sofreram re-designs. Apesar de boas fases como a de Brian Azzarello no título da Princesa Amazona, ou a Batwoman de J.H. Williams III, grande parte das heroínas e vilãs foram hiper-sexualizadas com seus novos trajes. Supergirl, Estelar, personagens da Legião dos Super-Heróis e a Mulher-Gato ganharam novos uniformes, sendo todos micro-roupas ou trajes colados, afetando diretamente a arte interna das revistas, sempre priorizando as características sexuais de cada uma.

Sonhadora, Supergirl e Estelar após o reboot dos Novos 52.
Sonhadora, Supergirl e Estelar após o reboot dos Novos 52.

Na mesma época a DC também vinha sendo alvo de questionamentos por conta da massiva demissão de funcionárias de cargos criativos. Mais uma vez, a priorização do número de vendas de cada revista afetou o relacionamento entre a editora e as profissionais, tornando o percentual de artistas e roteiristas mulheres dentro da editora um número baixíssimo. Existem diversas artistas que passaram por más experiências na época, trabalhando para a DC, que juram não voltar a trabalhar lá nunca mais.

Polêmicas e um passado ruim (não tão distante) postos de lado, surgiu a reformulação da Batgirl, no número #35 de sua revista, em 2014. Escrita pelos roteiristas Brenden Fletcher e Cameron Stewart, a nova vida da Garota Morcego (que até então era escrita por Gail Simone, famosa roteirista) foi marcada pela reformulação de seu uniforme nas mãos da artista Babs Tarr, tirando o caráter sexual da personagem e criando um apelo para o público feminino (e mais jovem) que até então quase não consumia DC. O chamado “fator Batgirl” abriu os olhos da editora para as mudanças que vieram em seguida, como a reformulação da Canário Negro, das Aves de Rapina, da Arlequina, da Estelar, da Supergirl e de outras personagens. A maioria destas reformulações tiveram, em algum quesito (roteiro ou arte), dedo criativo de mulheres recém-contratadas, especialmente durante o DC You, selo criado após o fim dos Novos 52 visando adotar um aspecto mais indie para os quadrinhos da editora. Nomes como Amanda Conner, Meredith Finch, Annie Wu, Pia Guerra e Emanuela Lupacchino são, dentre outras, algumas das autoras envolvidas neste período, aumentando (e muito) o percentual de mulheres trabalhando na editora.

A jovem heroína de Gotham foi a responsável por grandes mudanças no panorama da editora.
A jovem heroína de Gotham foi a responsável por grandes mudanças no panorama da editora. Na mesma época, a Arlequina de Amanda Conner crescia e tornava-se um sucesso de vendas.

Tamanha foi a mudança no cenário dos quadrinhos que os produtos derivados (como as animações e séries de TV) também começaram a passar por mudanças ao longo dos anos. Em 2012, um ano após o início dos Novos 52, estreava a série de TV Arrow no canal CW. Algum tempo depois a Canário Negro (na época, Sara Lance) foi introduzida na mitologia da série, e posteriormente surgiram outras mulheres para compor as equipes de personagens, como a segunda Canário Negro (Laurel Lance, em seu uniforme muito similar ao da Batgirl de Babs Tarr), Nyssa Al’Ghul, Thea tornando-se a Speedy, assumindo o legado de Roy Harper, e mais recentemente, na quinta temporada, a Ártemis.

O canal CW sempre foi criticado pela escrita pobre de suas personagens femininas. Resumidas a interesses amorosos ou garotas em perigo, por um bom tempo as mulheres de suas séries eram somente alívios cômicos e românticos dentro da história focada em seus heróis. Em 2014, The Flash marcou sua estreia introduzindo Iris West e Caitlin Snow, ambas na época ainda sofrendo de uma má escrita dos roteiristas. E em 2015 os produtores do “CW-verso” criaram a série da Supergirl (primeira série moderna de uma heroína), onde a protagonista é uma mulher, com uma irmã forte (e, mais recentemente descoberta, homossexual), cercada por homens que servem na maioria das vezes exclusivamente como interesse amoroso ou alívio cômico.

Os papéis se inverteram, e o reflexo do sucesso de Supergirl, que lida com discussões sobre igualdade e racismo, foi instantâneo no universo das séries. Vixen ganhou uma série animada e foi apresentada em Arrow; Sara Lance foi, ao lado da Mulher-Gavião, viajar na Waverider com os membros de Legends of Tomorrow; Iris foi ganhando mais foco em suas características de repórter investigativa, enquanto Jesse Quick era apresentada, e gradativamente as personagens deste universo foram sofrendo mudanças e ganhando mais espaço. Mais recentemente, Sara assumiu o posto de Capitã da nave das Lendas e Caitlin Snow começou a desenvolver seus poderes de Nevasca ao mesmo tempo que Jesse foi desenvolvida como uma velocista. Além das séries heroicas o canal também conta com iZombie, adaptação de uma série da Vertigo protagonizada por uma mulher zumbi chamada Olivia Moore.

Em pouco tempo as personagens femininas das séries da CW foram ganhando mais espaço. Longe do que seria ideal e perfeito, mas conquistando gradativamente seus lugares de destaques tão merecidos.
Em pouco tempo as personagens femininas das séries da CW foram ganhando mais espaço. Longe do que seria ideal e perfeito, mas conquistando gradativamente seus lugares de destaques tão merecidos.

Como um ciclo sem fim, o impacto do sucesso das séries e filmes começou a afetar os quadrinhos mais recentes. Com a iniciativa do Rebirth, o aclamado roteirista Greg Rucka retornou à editora assumindo total controle criativo do título da Mulher-Maravilha, acompanhado dos artistas Liam Sharp e Nicola Scott (esta segunda, mulher, desenhando a nova origem da personagem). A Supergirl do DC Rebirth, reformulada, se assemelha muito à forma como a série retrata a personagem. A revista da Garota de Aço (que é escrita por um roteirista homossexual e teve edições desenhadas por uma mulher) somada a outras HQs de heroínas e vilãs como Batgirl, Arlequina, Aves de Rapina, Superwoman e a já citada Mulher-Maravilha compõem parte do atual catálogo diversificado da editora.

Além dos títulos solo, a Mulher-Maravilha também faz parte da Liga da Justiça e da revista Trindade, enquanto Jessica Cruz (a Anel Energético) assumiu o posto de Lanterna Verde na revista Green Lanterns e também faz parte da Liga. O Esquadrão Suicida conta com a presença da Arlequina, Katana e Magia, e os Titãs contam com Donna Troy e Lilith na equipe, enquanto os Jovens Titãs possuem Estelar Ravena (a segunda protagonizando também uma minissérie). O Arqueiro Verde divide seu título com a Canário NegroAcademia Gotham é uma revista protagonizada por uma garota. Detective Comics, clássico título do Batman, conta com uma equipe formada por Batwoman, Stephanie Brown e Cassandra Cain, além das séries paralelas e minisséries como DC Bombshells e Catwoman. Em breve o Cyborg ganhará uma contraparte feminina chamada She-Borg. O novo selo da DC chamado Young Animal traz a reinvenção do clássico personagem Shade, O Homem Mutável, agora reformulado para Shade, A Garota Mutável. Quadrinhos da Hanna Barbera como Flinstones tomam o fronte de criticar as imposições de uma sociedade machista, criando paralelos com os homens das cavernas, e aos poucos todas as obras da DC rumam cada vez mais a uma Era de Ouro de suas personagens.

O DC Rebirth, momento atual da editora nos EUA, é marcado por uma boa quantidade de títulos protagonizados ou com presenças femininas constantes.
O DC Rebirth, momento atual da editora nos EUA, é marcado por uma boa quantidade de títulos protagonizados por mulheres ou com presenças femininas constantes, quase sempre contando também com mulheres nas equipes criativas.

E nas animações? Com uma alta produtividade anual a DC Comics conta com diversos longas animados e séries para TV e web sendo produzidas constantemente. Apesar de deslizes (como o irrefutável erro cometido na animação da Piada Mortal, envolvendo a Batgirl), há também uma preocupação constante com o protagonismo feminino em suas séries e filmes cartoon. As atuais e vindouras séries (como Justice League Action) contam sempre com personagens femininas no elenco fixo, e existem exceções que são totalmente focadas nas garotas.

DC Super Hero Girls é uma série animada que estreou em 2015 visando o público infantil. Com duas temporadas exibidas até o momento, sendo a segunda ainda em andamento, a série de curtas vem fazendo sucesso entre garotas graças ao protagonismo de uma variedade de heroínas e vilãs da editora, todas com designs leves e agradáveis, como a Mulher-Maravilha, Hera Venenosa, Batgirl, Katana, Arlequina e outras. A marca tornou-se forte dentro da DC e o interesse das garotas nas bonecas e produtos derivados da obra (que é focada nas garotas frequentando uma Escola de Super-Heróis) foi tornando a animação uma grande marca, já contando com spin-offs e até mesmo quadrinhos baseados neste universo.

A animação focada nas garotas da DC Comics é um sucesso graças ao streaming nos canais oficiais da série.
A animação focada nas garotas da DC Comics é um sucesso graças ao streaming na internet através dos canais oficiais da série.

Pode não parecer a primeira vista, especialmente quando você está ocupado constantemente em acompanhar universos tão ricos derivados das propriedades intelectuais da DC Comics, mas o fato é que as garotas vem ganhando cada vez mais espaço dentro da editora. A somatória de uma boa representação, oportunidades de trabalho para mulheres dentro da editora, não sexualização das personagens e outros fatores que devem se tornar absolutos vem transformando as iniciativas da casa dos Maiores Heróis do Universo em ideias verdadeiramente revolucionárias.

É inegável que nem tudo são flores. Boa parte das mudanças proporcionadas nos últimos 5 anos tiveram colaboração de fatores externos nem sempre positivos, como as reclamações, denúncias de abuso, algumas poucas ideias inspiradas da Marvel (como a Miss Marvel fazendo sucesso alguns anos atrás), mas o fato também incontestável é que a Editora Azul passou disparada na frente da concorrência na questão da representatividade feminina, em todas as mídias, especialmente nos últimos dois anos com tantas ideias sendo botadas em prática, criando um parâmetro de comparação que, se for seguido por outras editoras, somente beneficiará as consumidoras e todos os leitores de quadrinhos. A expectativa é que as coisas melhorem ainda mais, e que no futuro possamos olhar para trás não lamentando os erros, mas sim nos vangloriando de todos os acertos.

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Crítica | O Contador

“Solomon Grundy. Nasceu numa segunda. Batizou-se numa terça. Casou-se numa quarta. Adoeceu numa quinta. Piorou numa sexta. Morreu num sábado. Enterrou-se no domingo. E este foi o fim de Solomon Grundy.”

 O Contador apresenta a história de Chris Wolff (Ben Affleck), um contador que trabalha para organizações criminosas e que sofre de Síndrome de Savant. Com uma narrativa coerente, surpreendente e bem desenvolvida, além de um elenco excepcional, este é um dos melhores filmes do ano e que quase chegou à perfeição… quase.

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Ben Affleck está criando uma carreira de sucesso. Escolhendo minuciosamente os papéis que irá atuar e trabalhando muito para ser o mais agradável possível nas telas. Pode-se dizer que Wolff é um dos personagens mais difíceis que Affleck já protagonizou. Por causa da síndrome, o contador sofre com problemas sociais, psicopatia, manias, etc…  mas também é super inteligente com capacidades físicas impressionantes. Tudo isso compõe o personagem, e Affleck entrega. Os holofotes ficam no protagonista. Sua história é contada por flashbacks nos momentos certos e precisos da trama, criando reviravoltas a todo momento, deixando o desfecho cada vez mais imprevisível.

J.K. Simmons (Ray King) , Jon Bernthal (Braxton) e Anna Kendrick (Dana Cummings) são integrantes relevantes no elenco. Se esperava um pouco mais de Kendrick pela sua forte presença  nos trailers, mas ficou na sombra no fim das contas. Bernthal é um ator de ação de primeira  qualidade e é o antagonista que o filme precisa.  Simmons decepciona no começo, mas é aplaudido no final. Só vendo para entender.

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O roteiro ficou na responsabilidade de Bill Dubuque, que pode ser um forte candidato ao Oscar. Redondinho, sem furos ou erros, conta uma história de ação movida por dramas familiares com um debate inteligente sobre autismo e fraudes. Referências ao universo da DC Comics nos quadrinhos não faltam, qualquer nerd que for assistir não vai se arrepender. Também não há nenhum gancho para uma continuação, e não seria uma boa ter uma franquia como Jason Bourne novamente. Dirigido por Gavin O’Connor, as edições e mixagens de som assustam e colocam o espectador no meio de um tiroteio que parece real. Contudo, O’Connor peca em tentar colocar  o filme em uma faixa etária de 14 anos para conseguir aumentar o público nos cinemas.

Se o script estivesse nas mãos do Tarantino, talvez levaria o Oscar para casa. Faltou violência e muito sangue. São tiros para todo o lado e lutas  mão a mão acontecendo ao longo do filme, e incomoda ficar vendo os dublês apenas caindo no chão sem nenhum arranhão. Uma classificação 16 anos, ou até mesmo 18 anos seria mais apropriada. A trilha sonora também ficou a desejar, já que estava muito presente no trailer, mas ficou apagada sem nenhuma relevância nos 128 minutos.

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Ao final, o resultado é positivo mesmo assim. O Contador é um dos melhores filmes de drama do ano. Apresentou uma história coesa, repleta de flashbacks, reviravoltas surpreendentes e personagens acima da média. Falando em personagens, a cada momento em que aparecia Affleck e Simmons nas telonas, ambos não aparentavam ser Ray King e Chris Wolff, mas Batman e Gordon no telhado do Departamento de Polícia de Gotham.