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A Gigantesca Barba do Mal e o medo do desconhecido

A ilha de Aqui é um lugar perfeito. Tudo é meticulosamente organizado, certinho e todas as pessoas seguem suas vidas corretas. Dave, um assalariado com um forte senso de organização, é o protagonista de A Gigantesca Barba do Mal, uma história lançada pela Editora Nemo que lida com o medo do desconhecido, tece críticas à rotina e brinca com a linguagem dos quadrinhos.

Seguindo sua rotina como toda a população de Aqui, Dave tem medo de . Todos tinham medo de Lá: um local afastado, além-mar, onde ninguém jamais esteve. Contudo, Dave também sonhava com Lá. Sonhos terríveis, pesadelos onde a desordem e caos reinavam. E num belo dia seu único fio de cabelo do rosto cresceu e trouxe a temida desordem para Aqui.

O crescimento da barba de Dave mergulha Aqui em um caos assombroso. Nesta sociedade onde tudo é perfeito, a barba é algo impensável. Os enormes fios no rosto de Dave interferem nas vidas alheias, impedindo fluxos e mobilizando governos. A rotina de Aqui é transformada, e as pessoas devem descobrir novas formas de tocar seus dias.

A genialidade por trás de A Gigantesca Barba do Mal, que é a estreia de Stephen Collins com graphic novels, é a crítica bem-humorada. Com esta premissa tão estranha, Collins sutilmente aborda os principais aspectos do dia-a-dia das pessoas de cidades grandes ou médias, onde todos são regidos por conservadorismo e ignorância com relação ao diferente.

A gigantesca barba de Dave, que chega a cobrir toda a cidade, é declarada um incidente nacional. Sem maiores explicações nada consegue ir contra a força dos pelos, e com o caos na vida dos moradores de Aqui, Collins também brinca com o caos na linguagem dos quadrinhos.

Trespassando quadros e consumindo páginas inteiras, a arte desta história é feita para criar a sensação de quebra. O início demonstra a rotina das pessoas com características ultra-certinhas, em páginas ideais e quadros perfeitos, e quando a rotina é rompida, rompem-se também os limites. A narrativa é transformada com o crescimento da barba de Dave, e as sátiras à ignorância e tédio também passam a abordar a forma como as celebridades são tratadas.

O tédio da rotina finalmente torna-se algo interessante, pelos motivos mais absurdos possíveis.

O desenrolar deste conto surreal é tomado em proporções… gigantescas. Collins, além de falar sobre a tediosa rotina, a ignorância, sensacionalismo, espetacularização e o caos já citados, dá um charme a mais quando utiliza trechos musicais no texto, muito bem traduzido por Eduardo Soares. Terrorismo, xenofobia e patriotismo também são assuntos tocados, firmando o teor tão atual das críticas da obra.

O caráter inventivo do quadrinho é mantido até o fim. A mídia, as corporações, as pessoas e os animais exercem alguma importância para o crescimento da barba de Dave, que pode ser inserido em diferentes perguntas. Seria o momento de rebeldia em oposição ao tédio? Seria a pressão social para com o diferente? Ou só a vontade em desbravar o desconhecido de Lá, onde tudo que foge do padrão supostamente habita?

Aqui é o que conhecemos. O mar representa o trajeto, enquanto Lá é o temido, desconhecido e diferente.

A Gigantesca Barba do Mal é uma verdadeira fábula moderna em quadrinhos. O texto é poético, as ilustrações são estilizadas e o desfecho é inesperado e melancólico. Inteligente, ousada e real, esta história marca com louvor a estreia de Stephen Collins no mercado das graphic novels, um sopro de criatividade para as HQs, tendo sido indicada ao Prêmio Eisner de Melhor Álbum Inédito.

A Gigantesca Barba do Mal possui 240 páginas encadernadas em brochura no formato 24 x 17 cm, com preço de capa sugerido R$ 44,90.

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Cavaleiro das Trevas | O Batman definitivo de Frank Miller

Para muitos, Batman: O Cavaleiro das Trevas se trata de uma simples história sobre um duelo entre os dois maiores ícones da DC Comics. E se eu te disser que não? E se eu te disser que ela vai muito além disso?

“Eu quero que você se lembre, Clark, em todos os anos que estão por vir, em seus momentos mais íntimos, eu quero que você se lembre da minha mão na sua garganta, eu quero que você se lembre do único homem que te derrotou.”

Vindo de uma família pobre de operários irlandeses, Frank Miller se mudou para o violento bairro de Hell’s Kitchen em Nova York ainda em sua adolescência, para tentar a vida como artista. No início, Miller trabalhou em títulos genéricos na Gold Key Comics. Até que, em 1979 teve a chance de mostrar seu talento a Jim Shooter, na época editor-chefe da Marvel Comics. Em pouco tempo, assumiu o título do Demolidor, que vinha de uma constante queda nas vendas, mas isso a gente deixa pra outro dia.

O jovem Frank Miller na San Diego Comic Con (direita) em 1982 e sua estreia no título do Demolidor na edição 158 de 1979

Em Batman: O Cavaleiro das TrevasFrank Miller consagrou o Batman que conhecemos hoje. Psicótico, violento e sombrio, características que já estavam sendo apresentadas alguns anos antes por Denny O’NeilNeal Adams na década de 70. Policiais não eram mais os mocinhos e você não podia confiar em seus pais, o morcego entrava na Era Moderna dos quadrinhos, onde o mundo não era mais o mesmo, e todos eram passíveis de corrupção.

Batman #244 (O Demônio vive outra vez) escrita por Denny O’Neil e desenhada por Neal Adams, já retratava um Batman mais adulto e sombrio.

Antes de tudo, é preciso entender o contexto e a época em que a história é baseada. O ano era 1986, a Era do novo conservadorismo de Ronald Reagan nos Estados Unidos e a tensão nuclear da Guerra Fria regiam o mundo. Era uma época sombria de incertezas. A energia nuclear poderia ser a nossa salvação ou nossa destruição. Muitos heróis e vilões criados durante o início dos anos 60 receberam seus poderes advindos da radiação.

Bruce Banner ganha seus poderes através da radiação gama em Hulk #1. A radiação era o assunto nos quadrinhos durante a Guerra Fria.

Desemprego, violência, inflação, decadência… eram coisas que incomodavam a mente tempestuosa de Miller na época.

Na história, ambientada em um futuro distópico e autoritário, Bruce Wayne está aposentado há 10 anos de suas atividades como vigilante, após a trágica morte de seu parceiro, Robin (Jason Todd) e de diversas pressões governamentais, que tornara qualquer atividade de mascarados ilegais. O Batman não existe mais e o mundo vive em decadência, a mercê das gangues e da corrupção. Mas agora, com 55 anos, ele se vê obrigado a reviver velhos hábitos e vestir novamente o manto do protetor de Gotham:

”O momento chegou. Em seu íntimo você sabe, pois eu sou sua alma. Não há como escapar de mim. Você é frágil, você é pequeno…Você é menos que nada, uma carcaça vazia, um trapo que não pode me conter. Ardentemente eu queimo sua pele e assim brilho cada vez mais belo e feroz. Você não pode me deter, nem mesmo com o vinho ou o peso da idade! Você não tem como me deter, e mesmo assim ainda tenta, ainda foge.” Em uma de suas alucinações, vemos o morcego retomar o controle de Bruce Wayne.

Considerado um fora da lei, ele age como um agente anti-governo para proteger o povo. Para muitos, chega a ser um personagem com tendências fascistas, já que ele atua como juiz, júri e executor, passando por cima de qualquer burocracia ou legislação. O traço de Miller casa perfeitamente com a narrativa, dando um tom ”sujo” e decadente a história. Não podemos esquecer da arte-final magistral de Klaus Janson e as cores de Lynn Varley que complementam a obra e toda sua atmosfera.

Um detalhe interessante em algumas das páginas da Graphic Novel é seu formato 4×4. Uma grade de 16 quadros com textos e diálogos torna a leitura mais densa e pode assustar alguns leitores inexperientes logo de cara. A inspiração de Miller para o personagem veio de uma figura carimbada dos filmes de ação. Clint Eastwood, de Impacto Fulminante de 1983, onde o policial Harry Callahan é forçado a voltar a ativa e botar ordem na casa com sua Magnum 357. Um clássico do cinema Brucutu!

Cavaleiro das Trevas foi um marco no mercado também. Visto antes como um produto infantil, os quadrinhos ganharam notoriedade e atenção da mídia da época. O impacto da obra e o boca-a-boca fizeram com que o título tivesse 4 reimpressões seguidas, coisa que não acontecia há pelo menos 30 anos.

Entrevista de Frank Miller a badalada Revista Rolling Stone em Janeiro de 1986.

Logo na primeira parte da trama, somos apresentados ao reabilitado ex-promotor público e criminoso, Harvey Dent (Duas Caras). Através de uma cirurgia plástica, Harvey tem sua face reconstruída e aparentemente arrependido de seus crimes, deseja ser reintroduzido a sociedade. Mas se tratando de vilões do Batman, nada termina com um final feliz e Harvey acaba ressurgindo ainda pior e mais obssessivo com o número 2 e sua dualidade (bem e mal). Os diálogos poéticos de Miller trazem uma profundidade ímpar as páginas.

Fato curioso, é que percebemos que o Morcego é tão perturbado quanto os vilões que combate, e tudo que ele vê é um reflexo.

Também somos apresentados a Carrie Kelley, a carismática sidekick que, com uma fantasia caseira de Robin e inspirada pelos atos do Morcego decide fazer a diferença no mundo e lutar contra aquilo que acha errado. Essa é uma característica muito marcante de Frank Miller e seus personagens. O “American Way of Life” de fazer as coisas. Lutar por aquilo em que acredita, liberdade, direitos à vida e a busca pela felicidade. A relação paternal e hierarquica entre os dois personagens ao decorrer da trama é outro ponto alto do gibi.

Não faltam críticas ácidas às políticas brandas de punição e aos Direitos Humanos. Os diálogos televisivos mostram sempre a dualidade das opiniões em relação a violência. De um lado, a hipocrisia dos intelectuais, do outro, Lana Lang, a ‘advogada do Diabo’, defendendo os atos ilegítimos do Morcego.

Até onde vão os direitos de um criminoso? Tema muito debatido até hoje, principalmente nas Redes Sociais.

Nem a mídia escapa. Em seu prefácio, publicado aqui no Brasil na edição definitiva, Miller faz duras críticas aos meios de comunicação, e a parcialidade dos mesmos.

“O Cavaleiro das Trevas é, obviamente, uma história do Batman. Em grande parte, procurei usar a escalada da criminalidade no mundo ao meu redor para retratar um mundo que precisava de um gênio obsessivo, hercúleo e razoavelmente maníaco para por as coisas em ordem. Mas isso era apenas metade do serviço. Eu não guardei meu veneno mais poderoso pro Coringa ou pro Duas-Caras, mas para as insípidas e apelativas figuras da mídia que cobriam de forma tão pobre os gigantescos conflitos daquela época. O que essas pessoas insignificantes fariam se gigantes andassem sobre a Terra? Que tratamento elas dariam a um herói poderoso, exigente e inclemente?”

As autoridades sempre se esquivam quando questionadas sobre a escalada da violência em Gotham. Um jogo de Volleyball de responsabilidades, que passa do Presidente, ao Governador, do Prefeito ao Comissário.

O Dr. Bartholomew Wolper representa os direitos humanos. Cumpre o papel de sempre defender vilões, e sempre atribuir a culpa a terceiros e ao próprio Batman pela violência em Gotham.

Batman passa a sentir prazer na tortura que inflige aos criminosos. Miller nos faz sentir empatia por um personagem sádico e violento, ao mesmo tempo que nos apresenta adversários tão violentos quanto. Seria uma forma de justificar  os seus métodos. Fogo contra fogo.

“Foi difícil carregar 120 quilos de sociopata até o topo das Torres de Gotham… o ponto mais alto da cidade. Mas os gritos compensaram”.

Alguém está armando a Gangue Mutante em Gotham. Ao interrogar um dos membros da sádica gangue de jovens, Batman chega ao General do Exército, que se suicida ao saber que foi descoberto. Impossível não associar ao famoso escândalo Caso Irã-Contras, episódio onde os EUA facilitara a venda de armas aos Iranianos em troca de reféns estadunidenses, sequestrados pelo Hezbollah e o Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica. Oliver North, na época membro do  Conselho de Segurança Nacional, usara o dinheiro das armas para financiar os Contras na Nicarágua em uma campanha rebelde anticomunista.

O Coronel Oliver North na capa da revista Time (esquerda) O General do exército se suicida ao ser descoberto (direita) O quadro representa a morte da moral e da ética.

Os jovens integrantes da Gangue Mutante se resumem simplemente a brutalidade. Não se importam com dinheiro, apenas chocar a sociedade.

“Mulher explode no Metrô. Imagens no noticiário às onze.” A violência nas estações de metro nos anos 80 retratada em ‘Cavaleiro das Trevas.

As gangues eram o assunto do momento, inclusive na música e no cinema.

Em seu primeiro confronto contra o Líder Mutante, Batman acaba percebendo que não é páreo para o vigor e a selvageria da juventude. Outro ponto interessante que marcou e influenciou o personagem em seus anos seguintes nos quadrinhos: a necessidade constante de sempre estar se testando diante de inimigos mais fortes.

A juventude em Cavaleiro das Trevas é retratada como uma massa sem direção, a procura de um líder. Ela clama por um líder. Um tópico bem atual hoje em dia também. Isso é exemplificado na épica luta contra os Mutantes, onde, após humilhar o Líder Mutante em uma poça de lama, ganha a liderança dos jovens, sedentos por brutalidade.

“Isso não é uma poça de lama! É uma mesa de operação, e eu sou o cirurgião!”

O Líder Mutante é humilhado na frente de todos os seus soldados, brutalmente espancado. Uma vitória moral.

Os Mutantes agora não existem mais e têm um novo líder.

”Gotham City pertence ao Batman!” Os Mutantes foram extintos. Os remanescentes da antiga gangue foram presos, e a maioria se juntou a nova gangue: Os Filhos do Batman.

Ainda falando de vilões, Brüno, uma vilã com suásticas nazistas tatuadas nos seios e glúteos, aterroriza Gotham a serviço do Coringa.

Brüno teve seu visual inspirado em um vilão de sucesso da época: Ivan Drago de Rocky IV (1985).

A volta de Batman a ativa trouxe não só os holofotes da mídia para si, mas também de um antigo inimigo: O Coringa, há 10 anos no Asilo Arkham sem um objetivo, agora desperto, planeja uma aparição na TV junto ao seu médico, o Dr. Bartholomew Wolper.

O Coringa planeja algo grande para sua aparição na TV.

The David Endochrine Show vs Late Show With David Letterman: uma paródia ao icônico apresentador, responsável por difundir formatos de Talk Shows.

O Palhaço do Crime está no ápice de sua insanidade. Mata todos no estúdio, centenas de pessoas inocentes. Agora, ele quer que o Batman o cace, como um jogo de gato e rato, como nos velhos tempos. Mas agora é diferente. O morcego se sente responsável por todas aquelas vidas ceifadas. Decidido de vez a acabar com o Coringa, parte com tudo pra cima do Palhaço. Desta vez não haverá prisioneiros.

Carrie Kelley fica chocada com a pilha de mortos deixada pelo Coringa na Feira da Amizade. Pelo menos 16 escoteiros.

“Pretendo contar os mortos, um a um. Vou pôr todos na lista, Coringa. A lista das pessoas que eu assassinei, por ter deixado você viver[…] Consegue ver, Coringa? Eu sinto como estivesse escrito em meu rosto. Passei noites em claro planejando, visualizando a cena. Noites sem fim. Considerando todos os métodos possíveis, saboreando cada momento imaginário. Desde o começo eu sabia, que não há nada errado em você que eu não possa resolver com minhas mãos.”

A luta contra o Coringa é sangrenta e implacável. Ela se estende por toda a Feira, passando pela casa de espelhos até ter seu desfecho no Túnel do Amor. Miller não poderia ter escolhido lugar melhor para terminar. No último instante, a moral do Morcego prevalece.

“Vozes me chamando de assassino. Eu gostaria de ser.”

Ele desiste da ideia de matar o Coringa, mas o aleija, deixando o vilão paralítico do pescoço pra baixo e um pouco decepcionado.

“Eu estou desapontado com você, querido. O momento era tão perfeito, e você não teve coragem. Uma pressãozinha a mais e eu teria…”

Em um último ato de vilania, ele termina de quebrar o próprio pescoço. Este é o fim do Palhaço do Crime. Batman agora precisa fugir da polícia o quanto antes, mas não sem antes de um último adeus. Digno.

Na útlima parte, temos a cereja do bolo, ou pelo menos o momento mais lembrado pelos fãs. Batman x Superman.

Mesmo impedindo a bomba nuclear, o Superman não consegue impedir o blackout total, gerado pelo pulso eletromagnético da explosão. Antes, sufocando pelo calor angustiante, agora a cidade perece com a ausência de energia elétrica e luz solar, esta última bloqueada pela fuligem das cinzas da bomba. Pessoas estão morrendo de frio e de fome, o caos é instaurado e o sentimento de egoísmo toma conta dos corações dos cidadãos de Gotham, que querem a qualquer custo sobreviver. Mesmo que para isso tenham que matar seus vizinhos.

“Não existe desculpa pro que fizemos. Não estávamos loucos. Simplesmente viramos um bando de animais egoístas”.

Batman e sua nova Gangue, os Filhos do Batman, botam ordem ao caos, não só combatendo aqueles que se negam a ajudar, mas inspirando os cidadãos a despertar o seu bom senso. Dentre todas as cidades afundadas em desordem e desespero, Gotham é a única que consegue se manter no controle.

“Hoje nós somos a lei. Hoje, eu sou a lei”.

Isso enfurece o presidente, que agora com a opinião publica contra suas políticas, aciona o Superman para dar cabo, de uma vez por todas no Vigilante de Gotham. Presidente este que atua diante as câmeras, um falso otimismo em meio ao pânico nacional. Uma alfinetada de Miller ao presidente Ronald Reagan, que foi ator em sua juventude.

“Nada que não possamos resolver, pessoal. Nós ainda somos a América e eu ainda sou o presidente.”

É interessante frisar que este Superman submisso ao presidente não é o mesmo Superman que estamos acostumados. Há sempre aquele papo de “Frank Miller descaracterizou o meu Superman”. É bom lembrar que este universo é pertencente a Terra-31. Essa é a beleza do Multiverso da DC Comics e as variadas versões de seus personagens. Voltando…

A luta contra o Escoteiro é curta e épica. Contando com apenas meia dúzia de páginas, cheia de simbolismos, e com diálogos magistrais e poéticos, nos apresenta uma analogia do Povo contra o Estado. Um Estado este ausente e omisso, que não garante nem protege nenhum dos direitos básicos, e manipula a opinião pública a seu favor. Todos falharam, é a nossa vez de tentar.

”Naquele momento víamos o fogo do Liberalismo acabar com a época calma e conservadora dos anos 80.”

-Mark Waid

A surra no Azulão dói. Mas não é uma dor física. O Superman toma uma surra moral, um choque de realidade.

“Você traiu a todos nós, Clark. Deu a eles o poder que devia ter sido nosso!”

Um ataque cardíaco coloca fim a luta. O Batman está morto, ou quase isso. Depois de forjar a própria morte,  e com um exército secreto no subterrâneo, o Morcego é um fantasma, que agirá pelas sombras secretamente onde o Estado falhar, para proteger e guiar a população. Fascista para alguns, herói para outros, o Batman de Frank Miller sempre vai dividir opiniões nos campos ideológicos.

Em 2012 e 2013, Batman: O Cavaleiro das Trevas ganhou uma adaptação animada. Não tem todo o background dos quadrinhos, mas mesmo assim é um ótimo entretenimento.

Em 2015 foi lançado um prequel da história, The Dark Knight Returns: The Last Crusade. Confira nossa crítica aqui.

Resumir Batman: O Cavaleiro das Trevas a uma simples porradaria entre Batman e Superman ou ao “Roteirismo” deveria ser um crime. Ela é muito mais que isso. É uma história atemporal, de relevância histórica, com uma narrativa desafiadora que até hoje influencia os autores e personagens de quadrinhos. É, sem dúvidas, um material indispensável em qualquer coleção e independente de qualquer orientação política.

“A good life. Good enough.”

Minha tattoo.

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Guardiã | A Detetive do Sobrenatural de Robbert Damen

Casos sobrenaturais acontecem em uma Londres vitoriana, especialmente durante as noites cheias de nevoeiros e na presença de pessoas influentes. A Guardiã, criação do holandês Robbert Damen, é uma investigadora da Scotland Yard responsável por lidar com o paranormal, confrontando criaturas bizarras que desafiam a lei. As histórias desta forte personagem feminina chegaram ao Brasil pela AVEC Editora em um álbum que compila três aventuras fechadas cheias de ação, humor e reviravoltas!

A revista holandesa Eppo, resultado de uma fusão entre as revistas Pep e Sjors, possui uma extensa história que vem desde os anos 70. Em 1975, a Eppo foi criada como uma revista semanal, publicada até 1988, quando tornou-se quinzenal até ser cancelada em 1999 (durante todo este período, com nomes diferentes do atual). Dez anos depois, em 2009, a revista foi ressuscitada. No semanário surgiram grandes séries como Storm, Roel Dijkstra e Franka, sendo que em 2012 Damen deu início à sua série da Guardiã.

Imagine Sherlock Holmes com alguns poderes mágicos investigando somente casos que fogem do normal, indo da magia ao licantropismo. A Guardiã, detetive do sobrenatural, é uma personagem feminina forte que vive suas investigações em uma época muito marcante, especialmente por conta da visão machista exacerbada que a sociedade tinha da mulher. Sendo a protagonista e principal investigadora da organização policial britânica, a heroína quebra paradigmas retratados com fidelidade histórica, e com carisma e charme únicos, desvenda os três mistérios deste primeiro álbum.

As histórias da Guardiã são divididas em figuras centrais que dão nome às aventuras. Sir Godfried, Srta. Banning e Doutor Lowe são, de alguma forma, os principais enigmas que e detetive deve solucionar, usando seu bastão mágico e seu conhecimento adquirido ao longo de uma extensa carreira. O passado da Guardiã e tudo que a cerca é bem misterioso: não sabemos praticamente nada sobre sua vida, sendo que apenas uma figura familiar é apresentada no decorrer do álbum. “De onde ela veio? Como se tornou o que é hoje? Como funciona seu bastão mágico?” são algumas das perguntas que ficam abertas na cabeça do leitor, aumentando o desejo de conhecer mais sobre este mundo.

A arte de Robbert Damen, que iniciou sua carreira nos anos 90 como colaborador de publicações independentes e tornou-se posteriormente argumentista e ilustrador da revista semanal do Pato Donald, é típica do quadrinho europeu de linha clara, muito marcante no mercado franco-belga, onde com traços suaves o autor passa expressão e fidelidade aos cenários da época em que a série está situada, no século XIX. Suas personagens femininas são sensuais enquanto os homens são volumosos ou nobres, e as cores são competentes para criar a atmosfera ideal em cada um dos cenários, indo do raiar do dia ao sombrio e temeroso aspecto da madrugada.

A principal diversão das histórias da Guardiã é acompanhar sua narração de pensamento, como uma espécie de diário, sempre um passo adiante da polícia comum. Apesar de curtos, os relatos se desenvolvem agradavelmente guardando plot twists para o meio e para o final das investigações. Uma leve dose de humor se faz presente em alguns diálogos, e as cenas de ação sempre são muito bem retratadas. Especificamente na terceira história, há uma sequência com uma carruagem na chuva que é lindamente ilustrada, com uma fluidez única.

Apesar de um leve exagero em alguns diálogos, a HQ da Guardiã acrescenta muito ao mercado nacional e ao catálogo da AVEC Editora, que já possui um bom número de quadrinhos europeus protagonizados por personagens femininas (Alena, January Jones, Ember e a própria Guardiã), sem falar das ótimas histórias nacionais como Beladona e Galicia.

No exterior há também um segundo álbum, intitulado “Gillian – Edward“, que compila mais duas histórias da personagem. Espera-se que a AVEC Editora possa trazê-lo ao Brasil, repetindo a lufada de ar fresco para as livrarias nacionais como foi este primeiro compilado de aventuras, um material tão diferente e de qualidade acima da média.

Guardiã: A Detetive do Sobrenatural – Vol. 1 possui 48 páginas encadernadas no formato 28 x 21 cm com preço de capa sugerido R$ 34,90.

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Guia de Leitura #24 | Sociedade da Justiça da América

”A Liga da Justiça é uma força de ataque. A Sociedade da Justiça é uma família.”

Batman.

Iniciando mais um guia do Amazing Adventures com a equipe que precedeu a tão conhecida Liga da Justiça, a Sociedade da Justiça da América.

No original Justice Society of America, a SJA foi o primeiro grupo a surgir nos gibis em All-Star Comics #3 durante a Era de Ouro, tendo sido criado por Sheldon Mayer e Gardner Fox. Os integrantes eram: Senhor Destino, Alan Scott, Jay Garrick (Joel Ciclone), Homem-Hora, Sandman, Gavião Negro, Átomo e Espectro.

Integrantes da SJA.

A criação aconteceu a pedido do Presidente Roosevelt, que procurava ajudar os aliados na Europa sem envolver oficialmente o povo americano. Formado pelos membros mencionados acima junto com as versões da Terra-2 de Superman e Batman — frustraram os ataques de Hitler na Inglaterra, bem como um bombardeio na Casa Branca.

Mesmo com personagens poderosos, por que eles não invadiram a Alemanha e encerraram o conflito? Personagens místicos ou suscetíveis a magia ficavam sob o domínio do Führer, e meta-humanos comuns tinham seus poderes temporariamente cancelados. Esta barreira foi criada pelo ocultista Rei Dragão a serviço de Hitler, utilizando uma máquina energizada pelo Santo Graal e a Lança do Destino.

Com o final da II Guerra, os super-heróis perderam popularidade e, consequentemente, os gibis da SJA foram canceladas na edição #57 e a revista mudou seu nome para All-Star Western (contando com a participação de Jonah Hex). Depois, a Editora das Lendas resolveu trazer de volta histórias próprias da equipe e também sua revista original de volta, All-Star Comics, a partir do número que havia parado, a edição #58.

Sociedade da Justiça da América por Alex Ross.
Sociedade da Justiça da América por Alex Ross.

Outros personagens que já passaram pela equipe foram: Adão Negro, Arqueiro Verde da Terra-2, Caçadora da Terra-2 (Helena Wayne), Canário Negro (Dinah Drake Lance e Dinah Laurel Lance), Shazam, Doutor Meia-Noite, Esmaga-Átomo, Jesse Quick, Johnny Quick, Senhor Incrível, Poderosa, Pantera, Mulher-Maravilha Terra-2, Robin, Sideral, Pantera, Starman e Johnny Trovoada.

Além do histórico nos quadrinhos, o grupo também fez uma aparição em Smallville e Legends of Tomorrow.

Sem mais delongas, fiquem agora com o Guia de Leitura da Sociedade da Justiça da América:

por Gardner Fox
por Roy Thomas & Rich Buckler
por Roy Thomas, Dann Thomas & Jerry Ordway
por Roy Thomas & Dann Thomas
por Roy Thomas, Dann Thomas & Mike Gustovich
por Len Strazewski & Rick Burchett
por Len Strazewski & Mike Parobeck
por John Ostrander & Luke McDonnell
por James Robinson & David S. Goyer
por James Robinson & David S. Goyer
por Grant Morrison, Howard Porter & John Dell
por Dan Jolley & Tony Harris
por Gardner Fox & Carmine Infantino
por Geoff Johns & Javier Saltares
por Geoff Johns e David S. Goyer
por Geoff Johns & David Goyer
por Tony Harris e Dan Jolley
por Kevin J. Anderson, Barry Kitson & Gary Erskine
por Geoff Johns & Don Kramer
por Geoff Johns, Amanda Conner & Jimmy Palmiotti
por Geoff Johns & Dale Eaglesham
por Eric Trautman, Don Kramer & Michael Babinski
por Len Wein, Andy Kubert, Joe Kubert & Scott Kolins
por James Robinson, Marcos Marz & Eddy Barrows
por Matthew Sturges & Freddie Williams II
por James Robinson & Nicola Scott
por Tony Harris & B. Clay Moore
por Marguerite Bennett, Mike Johnson & Daniel H. Wilson
por Dan Abnett & Tom Derenick
por Daniel H. Wilson & Jorge Jiménez

 

E não para por aí, vigilantes. Tudo indica que veremos a SJA em breve na atual fase da editora, o Rebirth. Desde a edição especial lançada em maio do ano passado, pistas sobre os membros da equipe estão sendo jogadas para os leitores e não deve demorar muito para vermos estes icônicos e queridos personagens de volta. Por hoje é só, pessoal! Fiquem ligados que o Amazing Adventures trará mais novidades.

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Guia de Leitura #23 | Hellboy

Criado por Mike Mignola em 1993, Hellboy rapidamente tornou-se um fenômeno dos quadrinhos e da cultura pop. Tendo surgido inicialmente em uma história curta feita para a San Diego Comic-Con, o Garoto do Inferno é publicado nos Estados Unidos desde 1994 pela Dark Horse Comics, onde histórias cronológicas, flashbacks e spin-offs são produzidos massivamente. No Brasil, o personagem é publicado desde 1998 pela Mythos Editora, que segue com novidades até os dias de hoje. Este Guia tem como objetivo introduzir o personagem a novos leitores e estabelecer uma ordem correta de leitura para seus encadernados, contendo todas as informações básicas e intermediárias para um iniciante. Confira abaixo o Guia sobre Hellboy mais completo do Brasil!

Introdução ao universo

Hellboy, nascido nas profundezas do Inferno com o nome Anung un Rama, é filho do demônio Azzael com uma feiticeira humana, Sarah Hughes. Após ter sido invocado pelo monge louco Rasputin, em parceria com a Alemanha Nazista visando o projeto que viria a trazer o apocalipse à Terra, Ragnarok, o garoto demoníaco é salvo pelo Professor Trevor Bruttenholm e soldados aliados em 1944. Ensinando boa índole ao garoto, o apelidado Hellboy ganha status honorário de humano pelas Nações Unidas em 1952 e torna-se, na maioridade, um agente especial do B.P.D.P., o Bureau de Pesquisas & Defesa Paranormal, que trabalha na investigação de casos sobrenaturais que vão desde aparições de lobisomens e vampiros até fantasmas, demônios e principalmente nazistas.

Trabalhando para o B.P.D.P. Hellboy aprende mais sobre suas origens, seu passado e seus companheiros, interagindo com figuras como Abe Sapien, Liz Sherman, Roger e Johann Kraus. Entre as mais variadas histórias, que vão desde revisitações de contos mitológicos antigos até encontros retrofuturistas com cientistas loucos, a vida do Vermelhão é cheia de reviravoltas e novas descobertas. O propósito de Hellboy é servir como chave para a libertação do Ogdru Jahad, os Sete Deuses do Caos, por isso as alcunhas de Grande Fera e Destruidor do Mundo o acompanham em qualquer lugar que vá, atormentado pelos propósitos nefastos de sua existência. E o herói deve lidar com este fato, tendo de escolher entre servir ao seu destino estabelecido pelos demônios ou seguir sua criação humana ensinada por seu pai adotivo.

A Mão Direita da Perdição, poderes e companheiros

Hellboy possui alguns equipamentos e poderes que o ajudam em suas aventuras, especialmente quando precisa cair na porrada. Sua marca registrada é a Mão Direita da Perdição, um símbolo criado para ser algo como o Mjolnir é para o Thor, sendo que este fardo para o herói infernal possui o propósito de ser a chave da libertação do Ogdru Jahad. Além de sua mão direita, Hellboy também possui uma resistência sobre-humana, longevidade, força, regeneração celular acelerada, amplo conhecimento do sobrenatural e um tipo leve de invulnerabilidade, sempre carregando também sua pistola, já que foi treinado na arte do tiro pelo herói Tocha da Liberdade, tornando-o o investigador ideal para qualquer caso, dos intelectuais aos mais brutos.

Durante sua infância, Hellboy era fã de personagens fictícios ou históricos como Lagosta Johnson e o já citado Tocha da Liberdade. Entrando para o B.P.D.P., o herói fez amizade com figuras bem peculiares. Destacam-se: Abe Sapien, um ser similar ao tritão que possui habilidades telepáticas; Liz Sherman, espiã e pirocinética; Roger, o homúnculo criado por alquimia e Johann Kraus, um espírito ectoplasmático com habilidades psíquicas que habita uma roupa de contenção.

Mundo real: inspirações e como funciona sua publicação

Mignola criou o Hellboy através de uma mistura entre diversos estilos literários. A principal influência é a literatura pulp, onde destaca-se a forte inspiração em H.P. Lovecraft, utilizada especialmente nas criaturas do submundo. Unindo Lovecraft a alguns clássicos dos quadrinhos com principal inspiração em Jack Kirby, o autor também mistura mitos folclóricos de diversas regiões do mundo, especialmente da Europa, com monstros clássicos típicos do Expressionismo Alemão, e fecha o bem-bolado com uma pitada recorrente de steampunk e arquitetura gótica.

A publicação dos quadrinhos do Hellboy pode ser dividida em três tipos: histórias cronológicas, flashbacks e spin-offs. As histórias cronológicas, como o nome já diz, seguem um rumo definido e contínuo, que começou na história de origem do personagem e segue numa crescente de descobertas e acontecimentos situados no presente. Os famosos flashbacks são histórias situadas no passado de Hellboy, trabalhando no B.P.D.P. (ou não) ao longo de seus muitos anos de carreira, e os spin-offs são as séries dedicadas ao próprio B.P.D.P. e a outros personagens deste universo. Autores variados trabalham nas histórias de flashback e spin-offs, porém as histórias situadas no presente são majoritariamente escritas e desenhadas por Mignola, com apoio do artista Duncan Fegredo em alguns momentos.

Ordem de leitura

Como dito no parágrafo anterior, existem diversas ordens de leitura para os materiais do Hellboy. Abaixo, separamos os encadernados publicados no Brasil em ordem cronológica, em ordem de flashbacks e, por fim, na ordem correta e cronológica dos spin-offs. Através desta separação o leitor poderá conhecer a cronologia contínua do personagem e optar por desbravar outros momentos da história do Hellboy com gibis alternativos. É importante lembrar que, apesar de separadas, algumas das histórias tidas como flashbacks acrescentam algo à mitologia principal do personagem, e alguns dos spin-offs também são essenciais para a história principal deste universo. Sem mais delongas, vamos aos quadrinhos cronológicos situados no presente:

Flashbacks & Outras Histórias

Spin-offs

Livros

Curiosidades

Quando criou Hellboy, Mike Mignola pediu ajuda a John Byrne no que tange aos diálogos. Inseguro, ainda em início de carreira como argumentista, logo Mignola percebeu (com um toque óbvio de Byrne) que não precisava mais de ajuda para escrever, já que sua segunda história, O Despertar do Demônio, era uma pequena obra-prima por si só. Graças a esta parceria com Byrne, a origem do Hellboy está atrelada ao Tocha da Liberdade, que é uma criação do quadrinista e colaborador.

O personagem teve dois filmes live-action dirigidos por Guillermo del Toro e protagonizados por Ron Perlman, sendo eles Hellboy (2004) e Hellboy II: O Exército Dourado (2008). Apesar de serem sucessos leves de bilheteria, devido a diferenças criativas com Mignola, os boatos são de que um terceiro filme foi engavetado. Um reboot para maiores de 18 anos foi anunciado recentemente, dirigido por Neil Marshall e protagonizado por David Harbour. Existem também dois filmes animados, Espada das Tempestades (2006) e Sangue & Ferro (2007).

Por muitos anos Mignola não permitiu que outros profissionais tocassem em seu personagem. Com o passar do tempo, diversos nomes foram rigorosamente selecionados, dentre eles Richard Corben, Duncan Fegredo, Gabriel Bá, Fabio Moon, Alex Maleev, Paolo Rivera, John Arcudi, Scott Hampton, Kevin Nowlan e Chris Roberson. Hoje, após um longo período afastado das pranchetas, Mignola voltou a ilustrar as histórias do Hellboy situadas no presente.

Há poucas semanas foi anunciada uma bebida destilada que leva o personagem em seu rótulo. O nome da marvada é Hellboy Hell Water Cinnamon Whiskey.

E aí? Ficou interessado em acompanhar as histórias do Garoto do Inferno? Compre os encadernados através da Amazon, e fique ligado pois os lançamentos não param por aí, e conforme as novidades forem chegando, este Guia irá acompanhá-las. Boa leitura!

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Música Vitrola

Discografia Sepultura

Foi no ano de 1984 que os irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, em Belo Horizonte, deram o pontapé inicial para a considerada a melhor banda brasileira e de maior repercussão em todo mundo. O Sepultura.  A influência musical dos irmãos eram bandas como Black Sabbath, Van Halen, Iron Maiden, Motörhead, AC/DC entre outras do heavy metal. Só que depois de uma viagem para São Paulo, onde ouviram Venom pela primeira vez, os ouvidos passaram a escutar Kreator, Megadeth, Exodus e as brasileiras Stress, Sagrado Inferno e Dorsal Atlântica. Sons que se tornaram base musical do Sepultura.

O Sepultura em 1985.

Com Max na guitarra, Igor na bateria, Paulo Jr. no baixo e Wagner Lamounier no vocal, a primeira formação do Sepultura estava pronta. Logo depois, Wagner saiu para formar a banda de black metal Sarcófago, Max então assumiu de vez os vocais e Jairo Guedez foi recrutado para a segunda guitarra. O Sepultura em 1985 participa de um festival de bandas em Belo Horizonte, onde é contratada pela Cogumelo Records. A partir desse momento para frente a Torre de Vigilância tem o orgulho de trazer para você, estimado leitor, a discografia e um pouco da história da banda que sempre foi referência do Brasil lá fora, influenciou diversos artistas  nacionais e internacionais, chegou ao posto até hoje nunca alcançado por nenhuma banda brazuca  e construindo assim uma carreira mais do que sólida no mercado fonográfico mundial.

Formação clássica

Mas nem tudo são flores na longa estrada do Sepultura. Brigas, mudanças de formação, membros fundadores que saíram… bem, continue a sua leitura, ligue o som no talo e vamos viajar nos riffs de guitarras e vocais guturais que são uma identidade da banda!


Bestial Devastation (1985)

Poucas pessoas sabem, mas o primeiro registro em estúdio para valer do Sepultura foi esse EP em formato de vinil lançado no mês de dezembro de 1985. Com produção de Tarso Senra, João Guilherme e da banda, o LP foi gravado e mixado em apenas dois dias em Belo Horizonte. Max, Jairo e Paulo tinham na época 16 anos e Igor tinha 14. Com poucos recursos a banda usou instrumentos emprestados de amigos.

O LP ainda era dividido com a banda Overdose (procurem saber sobre a banda é muito boa), com cinco músicas do Sepultura no lado A e três da Overdose no lado B. O disco no total vendeu 8 mil cópias, com destaque para a faixa título que já dava um gostinho do que vinha para o futuro.

Formação:

Max “Possessed” CavaleraVocal, guitarra base
Jairo “Tormentor” GuedezGuitarra solo
Paulo “Destructor” Jr.Contra Baixo
Igor “Skullcrusher” CavaleraBateria

Sim. Eram esses os nomes que os caras usavam na época.


Morbid Visions (1986)

O álbum (pra valer) de estreia do Sepultura foi gravado, produzido e mixado por Eduardo Santos, Zé “Heavy” Luiz e a própria banda.  O estilo death metal percorre por todo o trabalho e foi bem aceito na critica especializada na época do lançamento, apesar de ser uma produção em tanto quanto pobre.

A arte da capa foi feita por Alex, um antigo amigo da banda. Com o disco embaixo do braço a banda sai em turnê por alguns lugares do país. Pouco depois a Cogumelo Records relança o Bestial Devastation. “Troops of Doom” é um dos destaques do disco.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra
Jairo GuedezGuitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O guitarrista Jairo Guedez, alegando problemas particulares, deixa a banda. No seu lugar assume Andreas Kisser, que já vinha tocado em alguns shows com a banda como uma espécie de terceiro guitarrista. Ainda em 86, o Sepultura processa a gravadora Shark por lançar os discos da banda fora do país sem nenhum acordo.


Schizophrenia (1987)

O segundo álbum oficial do Sepultura, sai novamente pela Cogumelo Records, é o primeiro trabalho com o Andreas Kisser na guitarra como membro oficial. Com produção da banda é do velho conhecido Tarso Senra, o som vai contra o Morbid Visions (que era um disco mais death metal), o novo álbum tem mais influências de trash metal.

Foi com o Schizophrenia que o Sepultura ficou mais conhecido. Nas primeiras semanas de venda, foram comercializados cerca de 10 mil cópias, e a gravadora New Renaissance lançou o disco nos Estados Unidos. O sucesso fez que houvesse um lançamento pirata do disco por uma produtora europeia, que vendeu 30 mil cópias, mas a banda não pode usufruir dos direitos autorais. Mas de um jeito ou de outro, abriu as portas desses mercados. O álbum virou uma sensação da critica tanto na Europa quanto na América do Norte.

https://www.youtube.com/watch?v=AUdFMV7yqYA

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na História: A gravadora Roadrunner Records, conhecida por ter grandes nomes do heavy metal em seu cast, assina com o Sepultura e lança o Schizophrenia oficialmente em todo o mundo. O detalhe é que todo o processo foi feito sem que ninguém da gravadora tivesse encontrado com a banda pessoalmente.


Beneath the Remains (1989)

Com letras escritas por Andreas Kisser e Max Cavalera, o terceiro disco do Sepultura é lançado. E do jeito que eles sempre queriam: por uma grande gravadora e uma grande distribuição. A história de Beneath the Remains começa com Max indo para Nova York em fevereiro de 1988, para negociar com a Roadrunner o orçamento da gravação. Apesar de terem fechado com o Sepultura, a gravadora ainda tinha um pé atrás com o potencial de vendas da banda. Depois de uma semana de conversas, o orçamento inicial foi de U$ 8.000, mas no final custou quase o dobro.

Para a produção foi escolhido Scott Burns, que aceitou trabalhar por uma quantia bem abaixa do normal na época. O produtor mesmo disse em diversas ocasiões que estava curioso sobre o som que era feito no Brasil, por isso aceitou. O som apresentado em Beneath the Remains é bem mais limpo do que os seus antecedores. A melhora da técnica dos músicos e os belos solos de guitarras são destaques do disco, que vendeu 800 mil cópias ao redor do mundo. Foi com esse trabalho que o Sepultura provou que era sim um dos grandes no rock mundial, e que poderia vender milhões.

Contra-capa de Beneath the Remains

O álbum foi muito celebrado por toda a critica especializada, a revista britânica Terrorizer o classificou com um dos “20 melhores álbuns de thrash metal de todos os tempos”, o disco, após seu lançamento, acabou sendo comparado com o clássico álbum do Slayer, Reign in Blood. E pela primeira vez, o Sepultura sai em uma turnê internacional, tocando junto com os alemães do Sodom. Os shows aconteceram na Áustria, Estados Unidos e México. A turnê foi marcada pelos diversos conflitos entre os membros das duas bandas.

Mas foi nessa série de shows internacionais que a banda aumentou sua popularidade. O mundo já sabia quem era o Sepultura e o som pesado e bem feito que se resumia em um tapa na orelha, muito lindo e perfeito, dos fãs. Foi nessa época que eles conheceram Lemmy Kilmister e o Motörhead, passaram por Berlim e seu muro durante a Guerra Fria e conheceram o Metallica que estava no auge da carreira.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: Em 1990 durante a apresentação no Dynamo Open Air Festival, eles conhecem a Gloria Bujnowski, empresária do Sacred Reich. Então, ela passa a lidar com os negócios do Sepultura e dos integrantes também. Depois se tornaria Gloria Cavalera ao se casar com o vocalista Max.


Arise (1991)

Em agosto de 1990, o Sepultura se juntou novamente com Scott Burns na Flórida para gravar o novo disco, a essa altura todos os membros da banda já moravam nos Estados Unidos.  A essência de Arise é praticamente o estilo death/thrash metal de Beneath the Remains (o trabalho anterior), mas claramente mostra que a banda buscava também um “quê” experimental. Elementos de música industrial, hardcore punk e até percussão latina são presentes no álbum.

Os membros da banda falavam na época que o Arise tem a mesma direção do disco anterior, mas percebesse que o ritmo estava um pouco mais lento e a bateria de Igor tinha estilos mais carregados para o groove. E marca também o inicio da “fase tribal” do Sepultura com a música “Altered State” e o hardcore dá as caras em “Subtraction” e “Desperate Cry”.

Arise recebeu excelente criticas ao redor do mundo e carimbou de vez o lugar do Sepultura como grande banda do rock mundial. O trabalho ficou em 119º na Billboard, algo inédito na carreira da banda, o primeiro a conseguir uma certificação musical (estatuto de ouro em 1992 por vender 25 mil cópias na Indonésia). Quando chegou o ano de 1993 já tinha atingido a marca de 1 milhão de unidades vendidas no mundo. E em 2001, mantendo o fôlego, ganhou a segunda certificação, estatuto de prata no Reino Unido por mais de 60 mil cópias vendidas. É particularmente o disco que mais gosto dos caras.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O Sepultura, apenas um dia após encerrar as gravações de Arise, começou uma pequena turnê com as bandas Obituary e Sadus. Foi o inicio da maior série de promoções feita pela banda, que correu o mundo e durou dois anos. Em 1991, eles se apresentaram no Rock in Rio 2 para uma plateia de 70 mil pessoas. No mesmo ano tocaram gratuitamente em São Paulo no fatídico show do dia 11 de maio na Praça Charles Miller. Os organizadores e a policia militar estimavam que tivessem cerca de 10 mil pessoas presentes, quando apareceram 30 mil. O que tornou o controle da multidão algo praticamente impossível. Na confusão seis pessoas ficaram feridas, 18 presas e uma foi morta a tiro. Há apenas uma semana antes, durante uma briga entre headbangers e skinheads um jovem foi morto a facadas durante uma apresentação dos Ramones também em São Paulo. Ambos os eventos repercutiram muito mal na mídia, criando um falso mito sobre o publico dos shows de rock. O Sepultura em particular tinha uma pequena dificuldade de tocar no Brasil por que produtores temiam que fosse acontecer alguma tragédia. Em compensação, a turnê internacional do Arise foi longa e passou por lugares como Grécia e Japão.


Chaos A.D. (1993)

O Sepultura já era considerado uma das melhores e maiores bandas de thrash metal do mundo. Foi então que a banda se juntou com o produtor Andy Wallace e nasceu o quinto álbum de estúdio da carreira. Dessa vez, eles realmente abraçaram o experimentalismo no som com um estilo groove metal que acabou os tornando uma grande influência para as bandas de groove, alternative e nu metal.

Os hinos “Refuse/Resist”, “Territory” e “Manifest” (que fala sobre o massacre do Carandiru) são destaques em Chaos A.D. que tem em suas letras assuntos geopolíticos mundiais. O estrondoso sucesso do álbum rendeu mais de 1 milhão de cópias por todo o mundo, levando o Sepultura em um patamar nunca alcançado por nenhuma banda brasileira. Foi a primeira banda do Brasil a se apresentar na Rússia, a primeira metal da América Latina a se apresentar no Monster of Rock na Inglaterra e depois de um abaixo-assinado organizado pelo fã clube oficial brasileiro, o Sepultura voltou a se apresentar no Brasil no festival Hollywood Rock. Vencendo assim o boicote de parte dos organizadores do evento, o incidente em São Paulo anos antes ainda amedrontava.

O lançamento foi feito em um castelo medieval na Inglaterra com a presença de convidados especiais e a imprensa mundial. O clipe de “Territory” foi gravado em Israel e eleito o melhor videoclipe do ano pela MTV Brasil. O álbum ainda conta com a participação de Jello Biafra, ex-vocalista do Dead Kennedys, na música “Biotech Is Godzilla” escrita pelo próprio, uma faixa onde os integrantes ficam rindo e gritando e na versão brasileira do álbum temos uma versão de “Polícia” dos Titãs.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria


Roots (1996)

Os fãs tiveram um gostinho do novo disco do Sepultura quando foi lançado compacto Roots Bloody Roots no começo de 1996. O EP tem a inédita faixa título, além de versões ao vivo de “Refuse/Resist”, “Territory” e um cover de “Procreation (Of The Wicked)” do Celtic Frost. Eis que então fevereiro do mesmo ano, com produção de Ross Robinson, Roots chega as lojas. E o novo trabalho marca uma mudança significativa no som da banda.

Com elementos como percussão, berimbau, a participação de Carlinhos Brown na música “Ratamahatta” e duas músicas gravadas com os índios Xavantes. É com certeza o trabalho mais experimental da carreira do Sepultura. A música “Itsari” foi gravada às margens do Rio das Mortes no estado do Mato Grosso na Aldeia Pimentel Barbosa em 1995. Os experimentos fizeram alguns fãs mais antigos da banda torcerem o nariz, mas não impediu o sucesso do Roots e tornou o trabalho referência para várias bandas que posteriormente seguiram o estilo nu metal. A versão brasileira do álbum contém os covers de, novamente, “Procreation (Of the Wicked)” do Celtic Frost e “Sympton of the Universe” do Black Sabbath, e a música “Lookaway” escrita pelo vocalista do Korn, Jonathan Davis.

Formação:

Max CavaleraVocal, guitarra base
Andreas KisserGuitarra solo
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: Dana Wells, filho de Gloria Cavalera, é assassinado em meados de 1996, Max e Gloria vão para os Estados Unidos e no festival Donnington o Sepultura toca em trio. O grupo cancela três semanas de shows em solo americano e encerra a turnê participando no OZZfest.


O furacão Max Cavalera

Andreas, Igor e Paulo estavam insatisfeitos com o modo que Gloria Cavalera estava lidando com a banda. O trio alegava que ela estava dando espaço apenas para o seu marido Max, e não para a banda como um todo. E a demissão da empresária foi colocada na mesa. Max por sua vez se sente traído e resolve sair da banda.

Gloria e Max Cavalera

A discussão chegou à mídia e o publico ficou apreensivo com um possível final do grupo, o trio decidiu não renovar o seu contrato de trabalho. Existiu a opção de que ela continuasse a cuidar dos interesses do vocalista em separado, mas ele não aceitou a decisão dos companheiros e se sentiu injustiçado. A separação estava sacramentada.

Com o passar do tempo, a banda decidiu continuar os trabalhos e começou a escrever o novo álbum, como um trio. E Max formou o Soufly.

Os fãs temiam o final da banda…

O gigante Derrick Green

O trio Sepultura começava a trabalhar na nova formação, o baixo de Paulo Jr. ganhou mais força nas músicas e Andreas Kisser assumiu os vocais. Mas este não se sentiu a vontade no posto e o impasse estava formado. Então decidiram buscar um novo vocalista, milhares de fitas chegavam aos escritórios da RoadRunner, houve uma seleção e um pequeno grupo de finalistas foi escolhido e receberam uma fita com as músicas que deveriam trabalhar antes dos testes com a banda.

Derrick Green

Tendo como principais tópicos para os testes finais, saber cantar no estilo proposto, é claro, integração e afeição com todos no grupo, Derrick Green foi o que mais impressionou.  Em sua estadia no Brasil durante os testes finais, o norte-americano, se entendeu muito bem com os membros e se sentiu em casa. Com a pressão de gravar logo um novo trabalho e boa parte das músicas prontas (só faltando um vocal) o novo disco já estava no forno.


Against (1998)

A estreia de Derrick Green no vocal aconteceu no sétimo álbum de estúdio do Sepultura. Produzido por Howard Benson, o novo trabalho chegava ao mercado cercado de desconfiança por causa da saída de Max Cavalera. Algo que, ao que parecia, se estendia aos membros do grupo.

Igor Cavalera, na época do lançamento, disse que ainda estavam em dúvidas em manter o nome Sepultura. Então decidiram fazerem as musicas primeiro, se não soasse com a identidade da banda, trocariam de nome. Mas ao modo que tocavam, que produziam, mas viram que o Sepultura estava ainda vivo e com muita lenha para queimar.

A turnê de Against passa roda o mundo e acaba com as desconfiança em torno do futuro da banda. O Sepultura tinha passado por uma tempestade e conseguido sobreviver ao período mais difícil de sua carreira.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria


Nation (2001)

O oitavo álbum do Sepultura é produzido por Steve Evetts e é também o ultimo da banda a ser lançado pela RoadRunner Records. Nation é recheado de participações especiais como do vocalista Jamey Jasta da banda Hatebreed, Jello Biafra ex-vocalista do Dead Kennedys, Cristian Machado vocalista do Ill Niño, João Gordo do Ratos de Porão e da banda Apocalyptica.

O álbum tinha uma temática que contava a história de uma nação utópica ao longo das faixas. Mas as vendas do Nation não foram grandes coisas, mas não desanimou os integrantes que entendiam o momento de transição em que passavam. Alem disso o Sepultura acusou a RoadRunner de não promover o álbum, um exemplo foi que o videoclipe de “One Man Army” estava programado para ser filmado em agosto de 2001, nunca foi realizado, por falta de apoio da gravadora.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: A turnê do Nation foi iniciada em janeiro de 2001 no festival Rock in Rio III. No ano seguinte, o Sepultura assinou contrato com a SPV Records.


Roorback (2003)

No primeiro trabalho junto com a gravadora SPV Records, o Sepultura novamente recrutou o produtor Steve Evetts, e assim Roorback foi lançado. A influência ao som groove/alternativo continua forte no decorrer das faixas.

Mas as vendas ainda continuavam baixas, apesar de Roorback ter tido analises melhores do que o anterior Nation. A versão brasileira do disco tem o cover de “Bullet the Blue Sky” da banda U2.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: em 2005 o Sepultura grava o show Live in São Paulo, comemorando os 20 anos da banda. O disco tem participações especiais de B-Negão, Alex Camargo, João Gordo, Jairo Guedez e Zé Gonzáles.


Dante XXI (2006)

Com produção de André Moraes, o novo álbum do Sepultura é completamente baseado na obra A Divina Comédia de Dante Alighieri. O tema  foi sugerido pelo vocalista Derrick Green, pois a banda passava por um período sem ideias para suas composições. É o terceiro disco temático  na carreira do Sepultura. O primeiro foi Roots (1996) inspirados nas culturas brasileiras e africanas, Nation (2001) onde falam sobre uma nação utópica e agora em Dante XXI.

A odisseia pelo inferno, purgatório e paraíso feita pelo personagem Dante é refeita musicalmente pelo som pesado, a ideia era fazer algo como uma “trilha sonora para o livro”. Para diferenciar as passagens do purgatório e paraíso, instrumentos como Celo e Piano foram usados com arranjos mais elaborados. Na sonoridade que marca o inferno, a bateria, baixo e guitarra soam mais pesadas.

Foi na turnê desse álbum que o Sepultura tocou pela primeira vez na índia, além dos locais tradicionais como Europa, América do Norte e América Latina. Em 2007, foram atração de festivais no Brasil como Abril Pro Rock em Recife e no Porão do Rock em Brasília. Dante XXI foi disco de ouro no Chipre, o primeiro desde Roots (1996).

https://www.youtube.com/watch?v=_hUM2YH41jE

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

A saída de Igor Cavalera

No inicio da turnê de Dante XXI, o Sepultura teve mais uma baixa da sua formação original. O baterista e membro fundador Igor Cavalera decidiu sair da banda. Ele foi substituído temporariamente por Roy Mayorga. Mais tarde Jean Dolabella assumiu as baquetas de forma definitiva.

Jean Dolabella

A saída de Igor, segundo Andreas Kisser, não foi tão traumática como a do seu irmão Max. O guitarrista falou que ele já tinha dividido com pessoas próximas o desejo de deixar a banda. Foi apenas uma questão de tempo.


A-Lex (2009)

Seguindo a linha de Dante XXI, um álbum temático, o Sepultura lança o interessante A-Lex, que é inspirado na obra A Laranja Mecânica de Anthony Burgess. Com produção de Stanley Soares o disco é lançado pela SPV Records e pela Atração Records no Brasil, sendo o primeiro trabalho sem Igor Cavalera, que foi substituído por Jean Dolabella.

O título é um trocadilho com Alex, personagem central da obra, e o latino para a expressão “sem lei”. Ab(longe de, sem) + Lex (lei). O disco foi bem recebido pela critica e vendeu 5 mil cópias no Brasil e 1.600 nos Estados Unidos. E a turnê, como de praxe, rodou mais uma vez o mundo.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria


Kairos (2011)

O primeiro trabalho na gravadora Nuclear Blast e com produção de Roy Z marca por ser algo como “de volta as origens” do Sepultura. Pode se dar bom credito disso ao produtor, que é considerado um dos melhores no segmento de Metal no mercado fonográfico.

Bem recebido pela critica, Kairos tem um som mais pesado e cru do que os dois últimos trabalhos da banda, e é considerado como o álbum que trouxe o Sepultura de volta. A participação especial é do grupo francês Les Tambours Du Bronx na faixa “Structure Violence (Azzes)”,  e o disco contém duas covers: “Just One Fix”, da banda Ministy e “Firestarter” do The Prodigy.

Formação:
Derrick Green Vocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Igor CavaleraBateria

Nota na história: O baterista Jean Dolabella deixa a banda ainda em 2011, falando que quer procurar rumos diferentes para sua carreira.

Eloy Casagrande

Em seu lugar entra o excelente Eloy Casagrande, que tinha 21 anos na época, e termina a turnê de Kairos.


The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013)

O novo álbum marca a volta do produtor Ross Robinson ao trabalho junto com a banda e o primeiro disco de Eloy Casagrande na bateria do Sepultura. Também é o primeiro disco a ser todo gravado nos Estados Unidos desde o Against (1998).

“Sinistro, sombrio e metal pra caramba!” assim o vocalista Derrick Green descreve o som do disco. A critica e os fãs  ficaram satisfeitos com o resultado final, muitos consideraram o melhor trabalho do Sepultura nesse milênio. Em sua primeira semana de vendas nos Estados Unidos o álbum vendeu mais de 1.800 cópias.

Andreas Kisser disse que o disco foi inspirado no filme Metropolis  (1927) do austríaco Fritz Lang.  O título é baseado em uma frase que significa a principal mensagem da história: “O Mediador entre a Cabeça e as Mãos deve ser o Coração”.

Formação:
Derrick GreenVocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Eloy CasagrandeBateria


Machine Messiah (2017)

O elogiado novo trabalho do Sepultura foi lançado no começo desse ano e chegou com o pé na porta total. Para a gravação, a banda se refugiou na casa do produtor Jens Bogren em Estocolmo onde não tinham muito o que fazer, a não ser pensar em música 24 horas por dia.

Machine Messiah foi bem recebido pela critica como um disco bem sólido com a cara do Sepultura, mas ao mesmo tempo se propõe a mostrar algo novo na longínqua estrada da banda. Destaques do álbum são as faixas “I Am The Enemy”, “Alethea”, a instrumental “Iceberg Dances” e a incrível “Phanton Self”.

Formação:
Derrick Green Vocal
Andreas Kisser  – Guitarra
Paulo Jr.Baixo
Eloy CasagrandeBateria

Foi lançado o documentário Sepultura Endurance dirigido pelo cineasta Otávio Juliano. Confira AQUI. Apesar de não ter depoimentos dos irmãos Cavalera, o filme vai contar a trajetória da banda desde o inicio em Minas Gerais até sua afirmação como gigante no rock mundial.

Atual formação do Sepultura.

O grande resultado sobre a carreira fonográfica do Sepultura é com certeza o legado que eles deixam para todos. A forte influência em diversas bandas mundiais, muitas até chegaram ao estrelado como Slipknot, Godsmack e System of a Down. E levando o nome do Brasil para o ponto mais alto do rock mundial, por mais que sejam músicas cantadas em inglês, a banda nunca escondeu e renegou suas origens. Se você procura algo para ouvir pesado e de boa qualidade, o Sepultura é prato cheio!

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Detective Comics Quadrinhos

Zenith – Volume Um | A primeira obra-prima de Grant Morrison

Em 1986 Alan Moore estava lançando nos Estados Unidos sua obra seminal Watchmen. Poucos anos antes, o mago inglês criava sua fagulha inicial da ideia que viria a se tornar a já citada série da DC Comics enquanto escrevia Miracleman (na época ainda chamado de Marvelman). Em 1987, motivado pelo sucesso dos super-heróis sérios da época, Grant Morrison criou sua resposta a Watchmen através de Zenith, que viria a utilizar conceitos similares aos das obras de Moore com um estilo muito mais fantasioso e divertido, pegada típica do autor quando trabalha com super-heróis. Sem deixar de lado, é claro, o caráter louco que tornou-se marca registrada do escocês.

Após uma série de histórias curtas dos Choques Futuristas, e tendo trabalhado na série Zoids pouco tempo antes, Morrison estava finalmente criando sua primeira aventura mais longa. Esta série, que teve início na prog 535 da 2000 AD (em agosto de 1987), conta com arte de Steve Yeowell e designs originais de Brendan McCarthy, e já era uma amostra dos roteiros megalomaníacos de Morrison que iriam se estender para suas outras histórias no futuro. Nela, Zenith é o personagem principal, e o único descendente de uma geração de superseres desenvolvidos pelo governo britânico após/durante a 2ª Guerra Mundial.

Ao invés de usar seus poderes (voar, resistência, força) para o bem da sociedade, o protagonista se aproveita do título de único super-herói em atividade para seguir carreira como pop star, até que se encontra envolvido em um confronto contra um ser de outra dimensão, que toma posse do corpo de um meta-humano nazista revivido por cientistas loucos para servir como receptáculo de uma entidade lovecraftiana.

Apesar de toda a bizarrice descrita acima, esta série – pelo menos as duas primeiras fases, compiladas no encadernado Zenith – Volume Um da Mythos Editora – é de fácil compreensão, sem muita complexidade no roteiro. Mesmo sendo descrita como a primeira de super-heróis da 2000 AD, o personagem que dá o nome à história não é nada heroico, e os coadjuvantes são mais interessantes e possuem melhores personalidades do que ele. O grupo Nuvem 9 (que se assemelha aos Minutemen de Watchmen), composto por heróis como Voltagem, Dragão Rubro e Mandala, marcou o retorno de uma Era Heróica após a Segunda Guerra, onde Maximan e Masterman (a contraparte nazista do herói britânico) lutaram e foram eliminados em um teste de bomba nuclear na cidade de Berlim.

Morrison brinca com a história real da existência dos super-heróis ao longo da Fase Um de Zenith. Ao situar o início da Era Heróica como o período da Guerra, o autor cria um paralelo com a realidade, onde os heróis surgiram na década de 30 e tornaram-se um hit durante o conflito, caindo num período de esquecimento em seguida (durante os anos 50) e sendo revividos na década de 60. A trajetória é muito parecida no mundo real e no mundo fictício de Zenith, onde com maestria a dupla criativa responsável pela série costura muitas tramas paralelas e cria uma cronologia única e muito bem estabelecida. Ao invés de Hiroshima, temos Berlim. Maximan é uma espécie de Superman britânico. E sobra ironia até para Fredric Wertham, o psiquiatra autor da Sedução dos Inocentes.

Como diz em seu livro Superdeuses, Morrison utiliza a série para, pela primeira vez, transportar-se para os quadrinhos. Anos mais tarde, o autor faria algo parecido com o King Mob da série Os Invisíveis, e de forma literal no encontro das páginas do Homem-Animal. Na persona de Zenith o autor insere todas as suas características mentais (e algumas físicas) da época, transportando sua personalidade para o protagonista da série. Ao fazer isto, cria também personalidades fantásticas que vieram a se tornar verdadeiras celebridades dos quadrinhos britânicos, como o já citado Peter St. John, o Mandala (um tipo de Doutor Manhattan de Zenith), e rega suas páginas com muitas referências da cultura pop da época, criando um apelo adicional único sem pesar a mão nas alusões literárias.

Enquanto Watchmen é uma espécie de literatura séria e rebuscada, Zenith foi criado como um escapismo jovial puro e simples. A arte de Steve Yeowell é um mangá ocidental de alto contraste, onde os designs de Brendan McCarthy criam vida com fluidez e simplicidade extremamente agradáveis.

Durante toda a introdutória Fase Um, a dupla criativa Morrison & Yeowell trabalha para estabelecer as características primordiais da série, como a existência dos Multiângulos e dos heróis, para descambar na Fase Dois onde são explorados alguns detalhes do passado de Zenith, da existência dos Lloigor e o conceito do Multiverso, aqui apelidado de Alterna. A utilização de Terras Paralelas rendeu para a série a alcunha de “Crise nas Infinitas Terras dos quadrinhos britânicos.”

A edição de luxo nacional da Mythos Editora compila as Fases Um e Dois na íntegra, com seus interlúdios e extras. Apesar de não ser um material inédito no Brasil, por já ter sido publicado em meados dos anos 2000 pela extinta Pandora Books, é a primeira vez que a série chega ao país de forma oficial em seu formato original, sem cortes e com nova tradução pelas mãos do gabaritado Érico Assis. E o tratamento gráfico dado ao encadernado é primoroso.

Talvez o Grant Morrison de Zenith seja mais acessível para os leitores que gostam de séries descompromissadas e com uma dose de nonsense divertido e empolgante, coisa que o autor extrapolou em suas histórias para a DC e Marvel e também nas continuações desta própria publicação. E deixando um gancho para as continuações, encarnadas nas Fases Três e Quatro (esta última inédita no Brasil, totalmente colorida e sendo publicada em breve pela Mythos), a empolgante história do cantor Zenith e todos que o cercam parece estar apenas começando, de uma forma tão excelente que nem parece o início da carreira de um roteirista, provando sua genialidade desde cedo.

Zenith – Volume Um possui 212 páginas encadernadas em capa dura no formato 26 x 19 cm, com preço de capa sugerido R$ 74,90.

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Amazing Adventures

Guia de Leitura #22 | Luke Cage

Apelidado de Poderoso, e inspirado em filmes dos anos 70, o protagonista da nossa coluna de hoje possui a pele indestrutível e uma incrível força. Sabem de quem estamos falando? É claro que sabem, é do Luke Cage!

Estreando no mundo das histórias em quadrinhos já com um título solo, Luke Cage foi um dos heróis mais marcantes da sua época, como uma conquista enorme, foi um dos primeiros super heróis Afro-Americanos a protagonizar uma revista.

Batizado com o nome de Carl Lucas, Luke cresceu no Harlem, e quando estava em uma certa idade foi acusado injustamente por um crime que não cometeu. Na prisão, Luke sofreu bastante sendo maltratado por um policial por um tempo. Os dias passam e a administração do lugar mudou, mas graças ao seu porte físico, um cientista, o Dr. Noah Burstein, o recruta para uma série de experimentos. O mesmo policial que o maltratava, havia sido rebaixado pelo que fazia e em uma noite decide ir atrás de sua vingança contra Cage, sabotando um dos experimentos. Mas ao invés de matá-lo, ele acaba deixando Luke muito mais forte que o normal, e assim nosso herói consegue fugir.

Não adiantarei mais nada além da origem dos poderes para não acabar com a surpresa, sugiro que comecem logo a leitura, pois há muito mais guias vindo aí, estão prontos?

por John Romita, Roy Thomas, Archie Goodwin e George Tuska
por Archie Goodwin e George Tuska
por Archie Goodwin e George Tuska
por Archie Goodwin e Billy Graham
por Steve Englehart e George Tuska
por Steve Englehart e George Tuska
por Steve Englehart e Billy Graham
por Gerry Conway, John Romita e Gil Kane
por Tony Isabella, Len Wein e Ron Wilson
por Chris Claremont e John Byrne
por Chris Claremont e John Byrne
por Chris Claremont e Mike e Zeck
por Chris Claremont, Ed Hannigan e Mike e Zeck
por Chris Claremont e Ed Hannigan
por Chris Claremont, Ralph Macchio e John Byrne
por Mary Jo Duffy e Trevor von Eeden
por Frank Miller e Herb Trimpe
por Mary Jo Duffy e Kerry Gammill
por Mary Jo Duffy e Denys Cowan
por Frank Miller e Klaus Janson
por Kurt Busiek e Ernie Chan
por Jim Owsley e Mark Bright
por Brian Azzarello e Richard Corben
por Bendis e Michael Gaydos
por Brian Michael Bendis, Manuel Gutierrez e Terry Dodson
por Brian Michael Bendis, Michael Gaydos e Mark Bagley
por Brian Michael Bendis e Mark Bagley
por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos
por Brian Michael Bendis e David Finch
por Brian Michael Bendis e Olivier Coipel
por Reginald Hudlin e Scot G. Eaton
por Brian Michael Bendis e Leinil Francis Yu
por Brian Michael Bendis e Leinil Francis Yu
Por Brian Michael Bendis
por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos
por Brian Michael Bendis, Billy Tan e Michael Gaydos
por Brian Michael Bendis e Billy Tan
por Rick Remender e Mahmud Asrar
por Brian Michael Bendis e Stuart Immonen
por Brian Michael Bendis
por John Arcudi e Eric Canete
por Andy Diggle e Billy Tan
por Brian Michael Bendis, Stuart Immonen, Daniel Acuna, Michael Gaydos, Carlos Pacheco, Michael Avon Oeming e Mike Deodato Jr.
por Al Ewing, Greg Land e Salvador Larroca
por David Walker e Sanford Greene

EXTRAS:

por Anthony Johnston e Sean Chen
por Mike Benson, Adam Glass e Shawn Martinbrough
por Adam Glassm, Mike Benson e Dalibor Talajic
por Genndy Tartakovsky

Esse foi o fim do nosso guia indestrutível, não fiquem tristes, o próximo está de tirar o fôlego. Fiquem ligados aqui, na Amazing Adventures!

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Detective Comics Quadrinhos

A Lenda da Mulher-Maravilha

Revisitando a origem clássica da Mulher-Maravilha – com direito ao saiote de estrelinhas brancas dos EUA – a escritora e desenhista Renae De Liz trouxe um olhar feminino para a origem da Era de Ouro da Princesa Amazona da DC Comics em The Legend of Wonder Woman (A Lenda da Mulher-Maravilha), lançado em 2016.

A Lenda Mulher-Maravilha é divido em nove partes, que vão desde a infância de Diana em Themyscira, desvendando mistérios sombrios de seu lar, até seu amadurecimento como Mulher, em que conquistou o título de campeã das Amazonas e descobriu o Mundo dos Homens. A história é ambientada no período da Segunda Guerra Mundial, e isso é constantemente mencionado na trama, inclusive com diversas menções das batalha do Eixo contra a Aliança.

Desde criança, Diana sente que é diferente das outras Amazonas, pois é nascida do barro e da magia, mas não é só isso, ela é capaz de sentir que Themyscira corre perigo, a ilha clama por sua ajuda. Então, contrariando o desejo de sua mãe de não treinar a arte da batalha, a jovem Diana pede ajuda de Alcippe, a maior lutadora Amazona, para que ela possa proteger seu lar. Em certo momento da trama, a ambientação muda para o Mundo dos Homens, em que Diana descobre o conceito da Guerra e seus horrores e isso a motiva a tornar-se a campeã da verdade e da justiça, a Mulher-Maravilha.

Jovem Diana

A Lenda Mulher-Maravilha, basicamente, é a origem clássica da Mulher-Maravilha que todos os fãs da personagem já conhecem. Nascida do barro. Campeã da Amazonas. Steve Trevor é o pivô da grande transição de Diana. O grande diferencial dessa história está na abordagem feita por Renae De Liz, que se preocupa em mostrar uma óptica feminina no Universo das Amazonas e no papel das mulheres na época da Segunda Guerra Mundial.

De Liz é escritora e desenhista do quadrinho e, junto a seu marido Ray Dillon, responsável pela colorização, entregam uma arte dinâmica e bonita. Todos os personagens e lugares desenhados e coloridos pelo casal são agradáveis de ver. Dillon não economiza nas cores, tudo é muito vibrante, principalmente quando envolve armaduras brilhantes.

Uma preocupação de Renae De Liz ao desenhar o quadrinho foi em não sexualizar as amazonas e, principalmente, a Mulher-Maravilha.  Nos 75 anos de existência da Mulher-Maravilha houve muitos retratados sensuais da personagem e também das Amazonas de Themyscira. Em A Lenda Mulher-Maravilha, não há qualquer sensualidade nas Amazonas. Elas são retratadas com um físico imponente e musculoso, mas não exagerado, e sem perder as curvas femininas.

Amazonas

Antes de concluir, não poderia deixar de falar de Etta Candy, a primeira amiga de Diana no Mundo dos Homens. Essa versão da Etta é, provavelmente, a mais carismática e divertida de todas as versões da personagem nos quadrinhos. Além de transmitir um sentimento que faz o leitor querer ter uma amiga igual a ela, Etta também é responsável pelos momentos mais divertidos da história.

Diana e Etta

A Lenda Mulher-Maravilha de Renae De Liz não é só mais uma das muitas origens da Mulher-Maravilha, é uma jornada heroica de descobertas com um novo olhar para o universo da heroína mais poderosa da DC.

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Amazing Adventures

Guia de Leitura #21 | Jovens Titãs

Por trás de uma grande editora sempre há uma grande equipe, e para que existam sempre uma geração de heróis, por que não uma equipe de parceiros mirins?

Começando a carreira pelo nome de Turma Titã, quando foi criada em 1964, por Bob Haney e Bruno Premiani, os Jovens Titãs marcaram uma fortíssima presença no universo da editora das lendas, a DC Comics.

Trazendo diversas formações e até subequipes (Como os Titãs da costa leste), inicialmente eles haviam conquistado o coração dos leitores infantis, que na época podiam se espelhar em heróis de sua mesma faixa etária, mas com o tempo os leitores foram crescendo e com eles os seus personagens favoritos, dando assim espaço para tramas mais adultas e complexas demais para crianças entenderem.

Bom… se eu falar demais por aqui, não terá material pra ler, certo? Sejam bem vindos a mais uma aventura dentro da Amazing Adventures e aproveitem a leitura!

por Bob Haney e Bruno Premiani
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e Rich Buckler
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman e José Luis García-López
por Marv Wolfman e Eduardo Barreto
por Marv Wolfman, Eduardo Barreto, Chuck Patton, Dick Giordano
por Marv Wolfman e Eduardo Barreto
por Marv Wolfman e Mike Collins
por Marv Wolfman, Paul Levitz Eduardo Barreto e Kerry Gammill
por Marv Wolfman e Eduardo Barreto
por Marv Wolfman e George Pérez
por Marv Wolfman, George Pérez e Jim Aparo
por Marv Wolfman, Tom Grummett, Curt Swan, Paris Cullins e Kerry Gammill
por Marv Wolfman, Tom Grummett, Al Vey, Steve Erwin, Art Nichols e Kevin Maguire
por Marv Wolfman e Phil Jimenez
por Mark Waid e Mike Wieringo
por Marv Wolfman, Rick Mays e Stephen Jones
por Marv Wolfman, William Rosado Dale Hrebik e Rick Mays
por Devin K. Grayson, Phil Jimenez, Wade Von Grawbadger e Mark Buckingham
por Devin K. Grayson, Jay Faerber e Tom Peyer
por Judd Winick e Ale Garza
por Geoff Johns, Judd Winick, Ivan Reis e Carlo Barberi
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Tom Grummett
por Geoff Johns, Mike McKone, Mark Waid, Ivan Reis e Joe Prado
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns e Tom Grummett
por Geoff Johns e Mike McKone
por Geoff Johns, Matthew Clark, Judd Winick e Carlos D’ Anda
por Geoff Johns e Tony S. Daniel
por Adam Beechen e Darryl Banks
por Gail Simone e Rob Liefeld
por Geoff Johns e Tony S. Daniel
por Geoff Johns, Tony S. Daniel, Todd Nauck e Scott Shaw
por Geoff Johns, Phil Jimenez, George Perez, Ivan Reis e Jerry Ordway
por Geoff Johns e Todd Nauck
por Marv Wolfman, Geoff Johns, Tom Grindberg, Ed Benes, Dale Eaglesham e Elton Ramalho
por Marv Wolfman, Geoff Johns e Todd Nauck
por Geoff Johns, Phil Jimenez, George Perez, Ivan Reis e Jerry Ordway
por Geoff Johns e Tony S. Daniel
por Geoff Johns, Carlos Ferreira, Ryan Benjamin, Paco Diaz Luque e Tony S. Daniel
por Geoff Johns, Tony S. Daniel, Adam Beechen e Al Barrionuevo
por Adam Beechen e Chris Batista
por Will Pfeifer, Pete Woods, Adam Beechen e Al Barrionuevo
por Marv Wolfman, Geoff Johns, Todd Dezago, Sean McKeever, George Pérez, Mike McKone, Todd Nauck e Randy Green
por Sean McKeever,Ale Garza, Jamal Igle e Eddy Barrows
por Sean McKeever e Jamal Igle, Eddy Barrows, Carlos Rodriguez
por Judd Winick e Joe Benitez
por Sean McKeever, Eddy Barrows, Allan Goldman e Fernando Dagnino
por Sean McKeever, Eddy Barrows e Fernando Dagnino
por Judd Winick, Howard Porter e Jesus Saiz
por Sean McKeever, Marv Wolfman, Ángel Unzueta, Tom Lyle, Fernando Dagnino, Rick Leonardi e Joe Bennett
por J.T. Krul, Ángel Unzueta, Wayne Faucher, Christopher Yost, Bryan Q. Miller, Eric Wallace e Michael Shoyket
por Bryan Q. Miller, Sean McKeever, J.T. Krul, Felicia D. Henderson, Jack Jadson e Joe Bennett
por Felicia Henderson, José Luís e Joe Bennett
por Eric Wallace, Cliff Richards e Fabrizio Fiorentino
Por J.T. Krul, Nicola Scott e Fabian Nicieza
por Eric Wallace, Cliff Richards e Fabrizio Fiorentino
por Eric Wallace, Philip Tan e Fabrizio Fiorentino
por J.T. Krul e Nicola Scott
por Eric Wallace, Philip Tan e Fabrizio Fiorentino
por Marv Wolfman, Marc Deering e Nicola Scott
por Fabian Nicieza, José Marzán e Jr. Ron Wagner
por Dan Abnett e Paulo Siqueira

EXTRAS:

por Chris Claremont e Walt Simonson
por George Pérez, Dick Giordano, Irv Novick, Trevor Von Eeden, Dave Cockrum, Michael Bair, Tom Grummett, Colleen Doran, Mark D. Bright, Kevin Maguire e Grant Miehm
por Glen Cadigan, Bill Walko, , George Perez, Nick Cardy, Phil Jimenez e Geoff Johns
por Glen Cadigan, Phil Jimenez, John Byrne, George Perez, Geoff Johns, Mike McKone
por Marv Wolfman, Karl Kerschl, Stephane Peru e Serge Laponte
por Judd Winick e Ian Churchill
por Marv Wolfman e George Pérez

 

Já terminaram? Qual foi o seu run preferido dentro das histórias? Falem pra nós, quem sabe pode acontecer uma coluna referente a ele? Obrigado pela presença e aguardem que virão muitas novidades por aí na Amazing Adventures.