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Análise | The Escapists 2

The Escapists 2 chegou com uma aposta para o mercado, com uma experiência digna de filmes de ação o game vai te fazer sentir em uma montanha russa de emoções, a claustrofobia vai ser sua companheira por muito tempo aqui.

Numa primeira visão da série, The Escapists 2 oferece o jogo drop-in / drop-out oferecendo tela dividida e jogo online para até quatro jogadores nos modos cooperativo e versus! Um sistema de combate completamente renovado com novos sistemas de bloqueios, além de ataques leves e pesados, enquanto os recursos aprimorados de criação permitem que você crie suas próprias ferramentas para escapar da prisão.

Nunca foi tão simples criar amarras e usá-las para subir janelas altas, criar tasers caseiros para eliminar os guardas e, tudo o que você encontrar pode ser anexado ao seu equipamento para ajudar em sua fuga das novas prisões. O novo visual de The Escapists 2 imersa os jogadores em um mundo mais profundo e rico, enquanto mantém esse exclusivo estilo próprio e novas opções de personalização que permitem aos jogadores ajustarem seu avatar a um nível totalmente novo, incluindo a opção de jogar como escapista masculino ou feminino!

E uma  novidade muito legal, é que fora de suas tentativas de fuga, pode ser feitas outras atividades, como participar de uma banda! Aprenda a pintar! The Escapists 2 oferece mais maneiras do que nunca para passar o tempo enquanto você esta preso.

Mesmo com toda essa pompa visual, e com um número grande de possibilidades in game, infelizmente não podemos dizer que The Escapists 2 funciona individualmente. Pode-se dizer que se você está aterrizando pela primeira vem no solo da prisão, o jogo vai te punir um pouco, nada que dificulte seu progresso, mas pode atrapalhar sua curva de aprendizado.

Mas posso afirmar, ao compreender o funcionamento da I.A, o jogo fica maravilhoso e entrega o que queríamos. Como preso, podemos optar por ignorar as chamadas de revista e as refeições obrigatórias, mas isso ocorre com um custo, na forma de criar uma má reputação com os guardas. Isso pode torná-los mais desconfiados das suas atividades, e para quem está se preparando para escapar, atenção adicional certamente não é bem-vinda.

Durante as primeiras semanas (do tempo no jogo), seu tempo livre é importantíssimo para trabalhar na sala de exercícios para melhorar sua força corporal, para tanto ajuda-lo a correr, quanto para fugir de brigas com os outros internos, e claro, ir à biblioteca para ler e melhorar seu conhecimento. Ganhar conhecimento é importante quando se trata de saber como criar itens que podem ser usados como armas ofensivas ou defensivas, ferramentas para cavar, cortar cercas, ou fazer vários adereços para esconder essas outras atividades. O truque com crafting em The Escapists 2, no entanto, não é apenas descobrir como criar um item, mas determinar o que criar. Não há livro de receitas, então o melhor que se consegue fazer é escanear a lista de itens de baixa inteligência na tela de artesanato para ver o que estava disponível, e só então tentar imaginar como eles poderiam ser melhor usados.

Uma coisa que é clara ao se deparar como o crafting é a necessidade de coletar muitos itens que precisam ser combinados. Alguns desses itens eram inócuos e podiam ser carregados abertamente ou simplesmente deixados na mesa da minha cela, mas outros eram considerados como contrabando e tinham que estar escondidos com mais cuidado. É preciso ter cuidado com o que se mantém, mesmo escondido. Sempre há a possibilidade de descartar coisas que não serão necessárias ou que você não queira apanhar.

O Co-op em The Escapists 2 pode ser uma ótima escolha, caso o seu companheiro tenha habilidades de interpretação e raciocínio mais rápidos que você. A maneira como o modo cooperativo foi projetado é interessante: um jogador cooperativo pode cair na sua prisão, mas sua vida na prisão não dependerá exclusivamente dele, você pode continuar jogando o modo singleplayer, até ele voltar. Isso ajuda a mitigar um dos desafios maiores com a cooperativa: fazer com que os horários coincidam. Com este design, você pode seguir em frente e jogar sempre que quiser, se o seu amigo cooperativo está disponível para jogar ou não.

VEREDITO:

The Escapists 2 é sem dúvida um passatempo perfeito. E sim você continuará jogando este game mesmo depois de conseguir escapar com êxito da prisão. Testar novas possibilidades, encontrar novos caminhos (até mais fácies do que você havia encontrado), ter as peças e as peças que precisa para criar diferentes aparatos.

Escapar da prisão, ao que parece, é uma daquelas situações em que você acha que é fácil até tentar pela primeira vez. Digamos que assim como seu antecessor The Escapists 2 estará vivo, tanto na lembrança quando na sua biblioteca de jogos.

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One Piece | Guia dos Episódios (Sem Fillers)

One Piece. O “anime infinito.” A história criada por Eiichiro Oda sobre a procura do tesouro que é capaz de dar o título de Rei dos Piratas a quem o achá-lo, é uma das melhores coisas já feitas. Rico em história e personagens, One Piece é capaz de fazer qualquer um se relacionar e se emocionar.

Mas graças a enorme quantidade de episódios, One Piece é um dos animes que mais espantam o público. Afinal de contas, já fazem 20 anos que o mangá está sendo publicado, e o anime não fica muito atrás. Por este motivo, ele contém os temerosos fillers.

Comparado com Naruto, o número de fillers de One Piece não são tão extensos, levando em conta a longevidade da história.

O começo de tudo, a execução de Gol D. Roger. Episódio 01
  • Saga East Blue:
    Arco Romance Dawn – Episódios 01-03
    Arco Orange Town – Episódios 04-08
    Arco Vila Syrup – Episódios 09-18
    Arco Baratie – Episódios 19-30
    Arco Arlong Park – Episódios 31-44
    Arco Loguetown – Episódios 45, 48-53

East Blue é a saga introdutória de One Piece. Basicamente nos apresenta a Monkey D. Luffy, e ao seu sonho de se tornar o Rei dos Piratas. Zoro, Nami, Usopp e Sanji entram para a tripulação de Luffy.

Aparecendo com estilo. Episódio 01
  • Saga Alabasta:
    Arco Montanha Reversa – Episódios 62-63
    Arco Whiskey Peak – Episódios 64-67
    Arco Little Garden – Episódios 70-77
    Arco Ilha Drum – Episódios 78-91
    Arco Alabasta – Episódios 92-130

Seguimos o Bando dos Chapéu de Palha, que levam a Princesa Vivi de volta para sua terra natal, Alabasta. O Bando enfrenta a organização Baroque Works, comandada por Crocodile. Também somos apresentados a Portgas D. Ace, irmão de Luffy. Chopper e Nico Robin também entram para a tripulação.

Despedida. Episódio 129
  • Saga Skypiea:
    Arco Jaya – Episódios 144-152
    Arco Skypiea – Episódios 153-195

Luffy e sua tripulação desvendam a lenda da Ilha no Céu. Somos apresentados ao falso Deus, Enel.

Best reaction. Episódio 182
  • Saga Water 7:
    Arco Davy Back Fight – Episódios 207 – 219
    Arco Water 7 – Episódios 227 – 265
    Arco Enies Lobby – Episódios 266-290, 293-302 e 304-312

Os Chapéus de Palha chegam em Water 7, a procura de um carpinteiro para a tripulação. Luffy e Usopp brigam entre si, e Robin é sequestrada pelo Governo Mundial. Somos apresentados a Sogeking. Luffy declara Guerra ao Governo Mundial e Franky entra para a tripulação.

O anime que irá ter fazer chorar, pela morte de um barco. Episódio 312
  • Saga Thriller Back:
    Arco Thriller Back – Episódios 337-381

O melhor apocalipse zumbi que você verá. Brook se junta a tripulação.

Yo-hohoho, Yo-hohoho. Episódio 380
  • Saga Guerra de Marineford/Guerra dos Maiorais:
    Arco Arquipélago Sabaody – Episódios 385-405
    Arco Amazon Lily – Episódios 408-417
    Arco Impel Down – Episódios 422-425 e 430-452
    Arco Marineford – Episódios 457-489
    Arco Pós-Marineford – Episódios 490-491 e 493-516

O Bando é dividido. Ace é condenado a morte, Prison Break em One Piece e uma Guerra foderosa.

3D2Y. Episódio 511.

Após a Guerra de Marineford, One Piece passou por um timeskip de 2 anos. A tripulação, ainda separada, decidiu treinar, para então se reunir no futuro. E chegamos a segunda parte da Grand Line (e da obra), chamada de Novo Mundo.

  • Saga Ilha dos Tritões:
    Arco Reunião em Sabaody – Episódios 517-522
    Arco Ilha dos Tritões – Episódios 523-541 e 543-574

A tripulação se reúne. Luffy declara Guerra a Big Mom e o Bando parte de vez para o Novo Mundo.

Reunião! Episódio 522
  • Saga Dressrosa:
    Arco Punk Hazard – Episódios 579-589 e 591-625
    Arco Dressrosa – Episódios 629-746

Os Chapéus de Palha chegam ao Novo Mundo e recebem uma ligação pedindo um resgate em Punk Hazard. Formam uma aliança com o bando comandado por Trafalgar Law e partem para Dressrosa, onde enfrentam Donquixote Doflamingo. Rola até uma batalha de Gladiadores, e um encontro inesperado (ou não :p ) É a maior saga da obra, que infelizmente tem uma narrativa muito trancada, que engata somente de vez em quando.

Esse momento… Não vou nem numerar o episódio.
  • Saga Yonkou:
    Arco Zou – Episódios 751-779
    Arco Ilha Whole Cake – Episódios 783-atual

Saga atual do anime e mangá. No momento, o Bando está atrás de Sanji, que foi levado pela sua família e é obrigado a se casar. O Bando lutará contra a Big Mom. No mangá, o arco Ilha Whole Cake está caminhando para o seu final, já no anime, recém começou a ser adaptado.

Poster do atual arco.

No Brasil, One Piece é transmitido oficialmente pela Crunchyroll. Já o seu mangá, é publicado pela Editora Panini. Clique aqui, para adquirir o mangá.

Confira também o Guia de Naruto.

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Serial-Nerd

Os Defensores infelizmente não defendem nada

Se a união dos Vingadores foi épica, o mesmo não se pode dizer de Os Defensores, o crossover entre os quatro heróis urbanos da Marvel/Netflix. Uma ótima ideia, visto que estes personagens mais “pé no chão” sempre tiveram histórias melhores e mais interessantes que o Homem de Ferro por exemplo. Infelizmente, o resultado é uma ideia mal executada. 

Uma série precisa começar interessante se ela quiser a atenção do público e Os Defensores começa confuso, não confuso no sentido de complexo, confuso no sentido de mal executado. O piloto começa com uma cena de ação em um esgoto, é impossível entender o que está se passando ali e essa primeira cena dita como serão a maioria das cenas de ação nos próximos episódios. Ainda não sei se elas são mal filmadas ou mal coreografadas, provavelmente os dois. Demolidor dá suas piruetas, Punho de Ferro continua não sabendo lutar nenhum tipo de arte marcial (e a repetir que ele é o Punho de Ferro Imortal), Luke Cage e Jessica Jones jogam pessoas no chão e é isso. Claro que temos uma exceção, no terceiro episódio temos uma cena ao melhor estilo “luta no corredor” que é extremamente empolgante, bem filmada, coreografada e com uma trilha que se encaixa de forma orgânica, sem sombra de dúvidas, é a melhor cena da temporada. Não existe o mesmo cuidado que existia na primeira temporada de Demolidor

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Essa cena é bacana.

Os dois primeiros episódios são uma aula de como não se montar e dirigir um episódio. Os diretores abusam do uso da câmera giratória sem motivo algum, inclusive existe uma simples tomada com uma porta giratória. O pior exemplo que eu posso dar deste recurso está no primeiro episódio quando Matt está defendendo seu cliente e a câmera não sabe quando parar, causando tonteira no espectador. Quem dera fosse apenas isso, a transição de cenas com o metrô de Nova York dá uma cara de novela para a série e as cenas são mal encaixadas, a montagem delas é desconexa. Nesses dois primeiros episódios que por assim dizer, são fillers, a direção e o roteiro tentam construir um quebra cabeça para a união dos personagens, mesmo sendo desnecessário, pois ele já está montado, mas eles estão cegos para perceberem isto. 

Os Defensores também peca nos antagonistas. Depois de vilões fantásticos como o poderoso Rei do Crime de Vincent O’Donofrio e o manipulador Kilgrave de David Tennant, a Alexandra da Sigourney Weaver vem como um balde de água fria. Apesar da atriz ter feito o que pôde com o roteiro que tinha em mãos, é uma vilã com motivações não tão claras e mal escrita. Ela está morrendo, ela almeja a vida eterna, mas em nenhum momento nós sentimos que a personagem está perseguindo o seu objetivo, o que há de interessante nela, é a sua briga hierárquica com os membros do Tentáculo, se o roteiro tivesse investido um pouco mais nisso, não teríamos uma vilã memorável, mas uma vilã decente ao menos. Quando nós não tememos o antagonista, quase toda a tensão se perde e apesar do ótimo retorno da Elektra da Elodie Young – muito mais mortal e psicótica desta vez – não temos uma grande ameaça.

Caros roteiristas, não se desperdiça a Ripley deste jeito.

Já os nossos heróis, em sua maioria são carismáticos, mas alguns só funcionam ao lado de outro personagem, como é o caso do Punho de Ferro com o Luke Cage. Sozinho, Danny Rand é o pior Punho de Ferro que existe, é um personagem chato que recebe um destaque maior do que deveria, ao lado do Herói do Harlem, ele é um personagem mais interessante e um pouco mais carismático. Talvez a Marvel e a Netflix devam investir em uma série dos Heróis de Aluguel. Cage, Jessica Jones são bons personagens e tem seus momentos, mas quem brilha é o Demolidor. Ele é o personagem com o arco mais bem desenvolvido e mais bem escrito. Com o retorno da Elektra, temos ainda mais dilemas para o herói lidar. Esses dilemas poderiam ter sido facilmente abordados em uma terceira temporada da série dele, mas os roteiristas fizeram um bom trabalho aqui. Juntos, o grupo pode não impressionar nas cenas de ação, nem mesmo na química, mas é inegável afirmar a existência de boas interações aqui. 

Os Defensores, infelizmente não defendem nada e provavelmente foi pensado como uma forma de definir as tramas das próximas temporadas dos heróis da Marvel/Netflix. Em meio a inúmeros erros amadores, mais uma vez o maior problema é a montagem do quebra cabeça do “Universo Expandido”. O maior acerto foi a quantidade de episódios, tornando-a menos arrastada em relação às três séries anteriores. 

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Tela Quente

O que esperar de Kingsman: O Círculo Dourado?

Kingsman: Serviço Secreto parecia ser um simples blockbuster, que cairia em clichês do seu próprio gênero e que não traria uma trama e personagens convincentes como nos trouxe. Foi uma surpresa agradável em 2014 e, neste ano, Kingsman: O Círculo Dourado pode rasgar expectativas e surpreender a todos novamente, uma missão difícil, mas aprendemos com o universo de Kingsman que nada é impossível.

Esse lema de nada ser impossível e tudo ser condizente dentro do universo de espiões foi bastante aceito no primeiro longa. Primeiramente pelas cenas de ação que foram sensacionais, bem gravadas e editadas, revitalizaram o gênero de ação e espionagem com esse gostoso exagero de se ver na telona. Do outro lado, há os personagens caricatos e que sugaram os traços de seus atores; Taron Egerton como Eggsy faz um garoto suburbano que deve se transformar em um espião da agência Kingsman na missão de salvar o mundo, Samuel L. Jackson como Valentine, o vilão de língua presa e que tem inspirações diretas aos grandes empresários atuais: Bill Gates, Mark Zuckerberg, etc… Harry Harty (o clichê proposital), interpretado por Colin Firth, é lembrado pelos fãs até hoje e foi o responsável pela melhor cena de ação em 2014, digna de Oscar.

A “missão de salvar o mundo”, os “exageros” e até as cenas mais “galhofas” são o que comprovam a questão do possível neste universo. Parece ser clichê e uma linha parecida com a dos blockbusters, mas não. Toda a direção de Matthew Vaughn e o roteiro de Jane Goldman e do próprio Vaughn, que cria regras próprias, tornam Kingsman completamente aceitável, com sua ação frenética, diálogos irônicos que remetem à própria indústria e personagens nada convencionais.

Agora em 2017, Kingsman: O Círculo Dourado não irá causar a mesma surpresa, mas poderá satisfazer expectativas altíssimas. O universo extrovertido de Vaughn baseado na trama de Mark Millar expandirá seus “limites” no fim de setembro na promessa de ultrapassar seu antecessor. Tudo está no caminho correto para que isso aconteça e traga o divertimento exagerado novamente.

Começando pelo antagonismo, a atriz que interpretará a vilã Poppy é a vencedora do Oscar 2015: Julianne Moore. Tem ótimas interpretações no seu currículo e coloca traços pessoais nelas. Uma ótima substituta no lugar de Jackson e parece ter todos os pré-requisitos do roteiro.

A expansão não deve ficar apenas na área técnica, na narrativa deve haver uma evolução significativa, principalmente com uma nova agência secreta que nos será apresentada, chamada Statesman, uma filial americana. Dentro dela, serão introduzidos Channing Tatum, Pedro Pascal, Jeff Bridges, entre outros. A Statesman com a Kingsman será um contraste interessante de ver, para a própria história traçar paralelos entre britânicos e americanos, trazendo à tona discussões de diferenças culturais e artísticas, sempre aliadas com o tom cômico e irônico do primeiro.

Haverá o retorno dos queridos personagens de Eggsy e do agente Harty, que foi morto anteriormente. Além de Mark Strong como Merlin. A química entre os atores e os personagens deve estar mais amadurecida, podendo resultar em bons momentos.

Não tem como esquecer do que fez Kingsman: Serviço Secreto triunfar, que foram as cenas de ação. O que mais se diz pelas redes sociais é de como eles irão fazer uma sequência de tirar o fôlego como foi a da igreja. Esse parece ser o grande desafio do diretor nessa sua nova empreitada. Se Vaughn ter a cabeça fora da caixinha e deixar a criatividade solta, pode-se esperar sequências fantásticas de brilharem os olhos. É o famoso esperar para ver.

Kingsman: O Círculo Dourado tem uma coisa que o primeiro não tinha: o apoio total dos fãs. Agora é aguardar o dia 21 de setembro para conferir a continuação, e ver se nossas expectativas serão atendidas ou destruídas. Enquanto não estreia, dá para assistir Kingsman: Serviço Secreto por mais algumas semanas e dar o replay na cena da igreja umas milhares de vezes.

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Tela Quente

Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

O universo de terror criado por James Wan em 2013 estreou uma nova obra, intitulada Annabelle 2: A Criação do Mal. Dirigido por David F. Sandberg, o segundo filme conta a origem da boneca demoníaca apresentada em Invocação do Mal (2013) em uma dose acertada de terror e suspense.

Depois do péssimo filme em 2014, Sandberg ficou responsável por contar a origem de Annabelle, que se tornou uma imagem famosa relacionada ao gênero desde sua aparição. A decisão foi contar uma história simplória, que segue traços  característicos da franquia de Invocação do Mal, focando em apenas um cenário, criando uma atmosfera aterrorizante que fica em primeiro plano, deixando o desenvolvimento de personagens e da própria história esquecido.

Em relação ao gênero, a continuação entrega um trabalho decente. A história da menina Annabelle que foi morta em um atropelamento e que acaba possuindo sua boneca preferida é o início de toda a construção da atmosfera. Se passam doze anos e descobrimos que a casa de seu pai Samuel, um artesão de bonecas, se torna um abrigo para garotas órfãs. Todo o cenário é apresentado detalhadamente, há uma escuridão eminente, além de cômodos proibidos, corredores longos e estreitos, paredes mal acabadas e móveis com aparência desgastada.

Sandberg demonstra talento em sua direção . Cria planos que acabam enganando o espectador na hora que vai provocar o susto, usa a iluminação e todos os objetos na casa ao seu favor. A trilha sonora o acompanha e também ajuda na criação da expectativa. Há muita inspiração em James Wan, utilizando poucos cortes e mais planos longos em algumas cenas.

As personagens que merecem ser citadas são as interpretadas por Talitha Bateman e Lulu Wilson. Dito anteriormente, o filme não se preocupa com os personagens e a história, mas as duas garotas são boas, aparecem bastante em tela e têm um futuro promissor em suas carreiras. Atores e atrizes mais experientes como Stephanie Sigman e Anthony LaPaglia servem apenas como um elenco de apoio.

O roteiro de Gary Dauberman não impressiona. História nada original e não traz nenhuma inovação, porém funciona como uma peça desse universo. Há muitas referências relacionadas aos outros longas já lançados e aos que ainda serão. Annabelle 2 parece ser a obra que mais está inserida no contexto de universo compartilhado e tem um final que surpreende por estar relacionado.

Annabelle 2: A Criação do Mal entrega uma história de origem nada inovadora. Porém, é um ótimo entretenimento para os fãs de terror e não se torna facilmente esquecível, nos deixando ansiosos para os próximos lançamentos.

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Detective Comics Quadrinhos

O nazismo em quadrinhos: conheça ótimas HQs sobre a Segunda Guerra

O nazismo tem retornado aos principais assuntos discutidos na mídia graças às recentes vertentes neonazistas dando as caras nos Estados Unidos, com protestos contra gays, judeus, negros e imigrantes. A ideologia de extrema-direita surgida no final dos anos 30 na Alemanha também é discutida em diferentes formas de arte, como no cinema, nos livros e nos quadrinhos.

Os quadrinhos em especial possuem um longo histórico de representação e batalhas contra os nazistas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos utilizaram as HQs para motivarem as tropas enviadas à Guerra, e personagens como Superman e Capitão América até mesmo lidaram diretamente com figuras como Hitler. A Sociedade da Justiça atuou durante a Segunda Guerra. Na Marvel, temos vilões como o Caveira Vermelha e a Hidra, enquanto na DC Comics temos o Capitão Nazi, vilão recorrente do Shazam. Além dos super-heróis, quadrinhos de guerra também eram populares durante os anos 40 e 50, e grupos como os Falcões Negros surgiram neste período, ao lado de personagens e séries como Soldado Desconhecido, Tanque Mal Assombrado e G.I. Combat, seguindo a mesma vertente. Obviamente, o assunto é muito mais extenso, e poderíamos falar sobre ele por longos parágrafos.

Após (e até mesmo durante) os conflitos da Segunda Guerra algumas obras-primas dos quadrinhos foram surgindo, lidando com o assunto das mais variadas formas. O mercado europeu, em específico, sentiu muito mais o conflito e por conta disso boa parte dos autores são impactados e influenciados pelo tema, além de possuírem muito mais conhecimento histórico que a média de autores de outros países. O Tintim de Hergé, por exemplo, era publicado durante a ocupação da França, e enfrentou problemas como a falta de papel e a necessidade de ser publicado em jornais pró-Alemanha Nazista. Spirou, de Rob-Vel, enfrentou problemas parecidos. Autores da época, na visão menos elucidada de alguns leitores, são assumidos como nazistas, quando na verdade como fator de comparação, o próprio Hergé criou em O Cetro de Ottokar um vilão chamado Mussler, um amálgama de Mussolini com Hitler, e criticou as formas de governo totalitárias em álbuns específicos como A Estrela Misteriosa. O impacto da Segunda Guerra nos quadrinhos europeus também é um assunto extenso e interessante, esmiuçado em literaturas e documentários.

O objetivo deste post é recomendar, com pequenos textos, ótimas obras sobre o assunto, que servem como verdadeiros relatos históricos ou misturam ficção e realidade, e tornam-se fontes de aprendizado para os leitores. Abaixo, segue uma lista de recomendações, com quadrinhos publicados no Brasil e de fácil (ou relativamente fácil) acesso:

Eu Sou Legião (Panini)

Europa, 1942, tempos de Segunda Guerra Mundial. Um ritual de sangue acaba com a morte de Victor Thorpe. O crime se torna um mistério para a inteligência dos Aliados. Enquanto isso, na Transilvânia Romena, uma garota capaz de controlar outros seres vivos à distância está prestes a se transformar na mais poderosa arma dos nazistas

Sorge, O Espião (Veneta)

Mais surpreendente que tantos espiões dos livros de ficção, Richard Sorge mudou a história da Segunda Guerra Mundial. Baseada nas mais recentes descobertas e pesquisas históricas, a alemã Isabel Kreitz criou esse livro, em quadrinhos, que retrata o homem que se tornou uma lenda. E o que ela revela é um herói contraditório, desesperado, bon vivant, mulherengo, mas pronto a morrer pelos seus ideais.

A Busca O Segredo de Família (Cia. das Letras)

A Busca é um abrangente panorama da perseguição nazista e de como as ideias de um homem afetaram de modo tão brutal a vida de milhões de pessoas. Com apenas dezesseis anos, Esther é bruscamente separada de seus pais e refugia-se em uma fazenda no sul da Holanda. Muitos anos depois, em companhia do filho e do neto, Esther visita o lugar que lhe serviu de esconderijo e conta, pela primeira vez, as atrocidades que ela presenciou e viveu durante o Holocausto.

Em O Segredo de Família, fiel aos acontecimentos históricos, pessoas comuns assumem papéis variados – vítima, observador, colaborador, criminoso – e têm que tomar as decisões mais importantes e difíceis de suas vidas. Quando Jeroen vai ao sótão da avó Helena procurar algo interessante para vender, ele descobre o livro de recortes que ela manteve durante a Segunda Guerra Mundial. Esse fato desperta memórias dolorosas, e leva a avó a contar pela primeira vez a Jeroen como foi ser uma menina em Amsterdam durante a ocupação alemã da Holanda e sobre a perda de sua melhor amiga judia, Esther.

Adolf (Conrad)

Mangá de Osamu Tezuka, a história é ambientada antes da Segunda Guerra Mundial e é centralizada em três personagens de nome Adolf. Adolf Kamil é um judeu Asquenaze que mora no Japão. Seu melhor amigo, Adolf Kaufmann, é descendente de japoneses e alemães. O terceiro Adolf é Adolf Hitler, ditador da Alemanha.

Maus (Cia. das Letras)

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros.

1945 (NewPOP)

Mangá de Keiko Ichiguchi, em 1945 Elen e Max são dois irmãos, adolescentes que não gostam nada do estilo dos nazistas, partido que comanda a Alemanha. Além dos dois, há também Alec, que é um dos protagonistas. Elen e Max se conhecem e se apaixonam, mas a guerra entra na vida dos três. Max e Alex vão para a frente de batalha e lutam contra a Rússia. Max fica horrorizado com a violência das batalhas e quando retorna à Alemanha, organiza um grupo de estudantes que passa a distribuir panfletos contra o regime nazista. Por outro lado, Alex entra para a Gestapo, motivado por seu ódio aos judeus. A partir daí você segue pelo roteiro que mostram as dúvidas de todos os principais personagens frente ao conflito da guerra.

A Guerra de Alan (Zarabatana Books)

Esse livro é o relato gráfico da vida do soldado norte-americano Alan Ingram Cope durante a Segunda Guerra Mundial. A graphic novel mostra a fase de alistamento e treinamento do jovem em bases militares norte-americanas, os combates nos últimos meses da guerra na França e Alemanha, e a vida de Alan no pós-guerra na Europa.

O Boxeador (8Inverso)

Narrada pelo ponto de vista do filho do pugilista amador Hertzko Haft, a história de O Boxeador retrata um lado ainda pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial – a prática do pugilismo como forma de sobrevivência em campos de concentração nazistas.

Campos de Batalha (Mythos Editora)

Coletânea de histórias de guerra escritas por Garth Ennis, publicadas pela editora norte-americana Dynamite, este encadernado possui histórias ambientadas no ano de 1942 e lida com esquadrões de bombardeiros, o lado oriental da guerra e todos os dramas de romance e tragédia da época.

A Força da Vida (Devir)

Em A Força da Vida o genial Will Eisner examina as vidas e os sonhos, as esperanças e os temores de personagens comuns que perseveram e sobrevivem à Grande Depressão econômica dos anos 30. Então, em meio a essa luta diária, a ascensão da Alemanha de Hitler projeta sua longa sombra sobre os moradores de um cortiço na Avenida Dropsie.

Era uma Vez na França (Galera Record)

Era uma Vez na França, de Sylvain Vallee, narra a história de Joseph Joanovici, um judeu na França ocupada na Segunda Guerra Mundial que construiu sua fortuna através dos nazistas. Mas qual será a verdade sobre sua história?

Jambocks! (Zarabatana Books)

Jambocks!, de Celso Menezes e Felipe Massafera, apresenta uma bela graphic novel sobre um tema pouco explorado nos quadrinhos brasileiros – a participação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial –, e que envolveu um grande trabalho de pesquisa dos autores, e conta como foram os primórdios da Força Aérea Brasileira e sua atuação na guerra.

O Mensageiro Verde-Cinza (SESI-SP Editora)

Em O Mensageiro Verde-Cinza, história situada em 1942, Bruxelas está ocupada e Spirou atua como um membro ativo da Resistência. Porém o coronel alemão Von Knochen, principal hóspede do hotel Moustic, está prestes a encurralar uma das mais importantes redes da resistência belga.

O Diário de um Ingênuo (SESI-SP Editora)

História situada em 1939, O Diário de um Ingênuo lida com o início da Segunda Guerra, sendo um dos mais premiados álbuns da série Spirou de, mostrando mais do lado e consciência política do personagem e seus coadjuvantes.


No Brasil outras editoras mais antigas, como Abril e Ebal, publicaram histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial. O catálogo de obras que exploram o assunto, tão antigo porém atual, é muito mais extenso. As recentes polêmicas nos EUA, que motivaram campanhas no Twitter onde pessoas publicam cenas antológicas de heróis batendo em nazistas, são retratos claros de como algumas pessoas não aprendem com os erros do passado, e também de como a ‘ideologia‘ preconceituosa ainda é tão forte no mundo, por mais surreal que isso possa parecer.

Cabe a cada um nós, como futura e atual geração, estudar sobre o assunto e tentarmos ser melhores com o passar dos anos, começando hoje mesmo. E como foi mostrado acima, muitas histórias em quadrinhos podem colaborar com essa mudança positiva e até mesmo ensinar história pra muita gente. É só saber onde procurar, evitando que se fale besteira na internet e na vida real.

Agradecimentos especiais ao Pedro “Hunter” Bouça

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Primeiras Impressões | Princess Principal

Alguns períodos da história humana acabam sendo fetichizados pelo homem moderno. Nunca paramos para pensar em como a Peste Negra assolava a Idade Média; como a discriminação era a norma na Era Vitoriana; ou como as pessoas viviam com medo do fim dos tempos durante a Guerra Fria. É com esses aspectos mais viscerais do passado que autores como Philip Pullman, Scott Westerfeld, Stephen Hunt e China Miéville (que eu descaradamente copiei e colei da Wikipédia) “fundaram” o subgênero steampunk.

E isso tudo é relevante para nosso tópico pois tratamos de uma série com canos, engrenagens e vielas londrinas pra tudo que é lado. E que apesar de abraçar fortemente a temática de “Crítica social foda” que é o steampunk, ainda não deixa de ser japonês, então vemos a fetichização de outras formas.

Mas convenhamos, quem é que não gostaria de ver garotinhas moe encarnando o 007 numa Londres Steampunk durante uma releitura da Guerra Fria? Esse é o seriado que você nunca soube que queria tanto.

Com um primeiro episódio sensacional, provavelmente um dos melhores que eu vi nos últimos anos, o show conseguiu usar aquele truque que é mais velho que vovó menina, mas que funciona perfeitamente quando bem executado: a Premonição Sugestiva.

Não sei se já existe um nome pra isso, mas acabei de inventar um, e na minha cabeça ficou muito legal.

Começos de história são sempre chatos. Você é obrigado a explicar o que está acontecendo, quem são essas pessoas, o motivo delas estarem fazendo aquilo, em que mundo estamos, de onde viemos, para onde vamos, e aquela coisa toda. Dependendo de como você faz isso (tipo o clássico “Ficar sentado num restaurante por vinte minutos“), o espectador já transcendeu a morte de tão entediado que ele ficou. O que vem depois pode até ser bom, mas ninguém aguenta passar por tanta exposição chata logo de cara.

Por isso que a Premonição Sugestiva existe. Tasque um episódio intenso, porém independente, do meio da temporada logo no começo. Pegue o telespectador desprevenido, mostre para qual lado o negócio vai andar, e o que o espera no futuro. Depois que ele pegar o queixo do chão, você pode voltar pro começo e ficar naquele lero-lero nada acontece feijoada, que vai ser mais fácil de engolir.

E até nisso o nosso anime da vez dá um show. Em cada episódio após o nosso prólogo de nome elegante, eles conseguem: apresentar uma personagem; introduzi-la na história de forma satisfatória; contar parte dos acontecimentos que moldam o mundo sem apelar pra fatídica cena do café; e ainda ter uma sequência de ação de dar inveja no Jack Splinter.

Weebs, a maior fraqueza da Máfia

Só que eu já gastei metade da postagem falando da mesma coisa, então vamos comprimir todo o resto na segunda metade e torcer para ficar legível.

O elenco não tem lá grandes nomes. As personagens são espiãs (e elas adoram dizem que são espiãs. Elas farão questão de te lembrar que elas são espiãs a cada dez segundos e vão repetir caso você tenha esquecido que elas são espiãs), então é meio óbvio que elas não queiram se destacar demais.

Mas mesmo assim temos uma guria que brilha verde e voa, outra que anda por aí com espadas na mão e uma que é basicamente o Stephen Hawking moe. Tanto em Character Design como em notoriedade, elas se destacam mais do que deviam. Ah, e elas são espiãs.

Desnecessário falar, os visuais são simplesmente deslumbrantes. Não dá pra fazer um steampunk de qualidade sem artwork de mesmo nível. Eles se preocuparam tanto com isso que na lista de staff tem pra mais de dez pessoas creditadas como responsáveis ou envolvidos na parte artística. É mais gente nisso do que muito anime por aí tem pra produção inteira

Por outro lado, a animação (por conta dos não-tão-influentes ‘Actas’ e ‘Studio 3Hz’) é tão flutuante quando a protagonista (já que ela voa… sacou?). Temos muitas cenas lindíssimas, que são seguidas por cortes questionáveis e de qualidade duvidosa. Não gosto de me prolongar nisso pois é um buraco bem mais fundo do que aparenta e quase ninguém tem coragem de descer isso tudo.

DELET THIS

Uma surpresa agradável, que vai te interessar por soar extremamente bobo (e, como é de praxe nas mídias nipônicas, realmente é tão idiota quanto soa), mas vai te fisgar e te manter entretido pelos episódios intensos; pelas personagens (que são espiãs) e seus objetivos; e toda aquela bagunça de espionagem e politicagem no melhor estilo House of Cards. A nota não podia ficar abaixo de 8/10.

Você pode assistir este excelente show legalmente pelo sistema de Streaming de anime da Amazon, o Anime Strike.

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Zenith – Volume Dois | A Crise nas Infinitas Terras de Grant Morrison

Após criar sua resposta a Watchmen nas primeiras Fases de Zenith, compiladas no encadernado Zenith – Volume Um, Grant Morrison retornou ao universo da série com o objetivo de expandir sua criação. Em Zenith – Volume Dois, lançamento da Mythos Editora, o escocês e mago do caos converge os elementos apresentados nas histórias anteriores e, com a magnífica escrita típica de suas obras, encerra o arco do super-herói pop star da música com o envolvimento de Terras paralelas, mais criaturas Lovecraftianas e a condenação do universo.

As Fases Três e Quatro de Zenith se opõem às duas primeiras na linearidade. Ao criar seu universo de super-heróis para a revista semanal britânica 2000 AD, Morrison se utilizou de alguns conceitos e metáforas para contar uma história linear, apesar dos elementos bizarros. O surgimento dos super-heróis, recriado como escapismo puro e jovial que serviu para pela primeira vez Morrison transportar-se para os quadrinhos, na persona do protagonista, estabelece as bases para o que vem a seguir: uma verdadeira Crise nas Infinitas Terras dos quadrinhos britânicos.

A Fase Três de Zenith germina as sementes plantadas ao longo das duas primeiras Fases da série. Com o envolvimento dos Multiângulos, dos vilões fantásticos Lloigor e de outros super-heróis, vindos de diferentes Terras (aqui, apelidadas de Alternas), Zenith e Peter St. John devem obedecer às ordens do Maximan de outra Alterna, com o objetivo de destruir o Omniedro e impedir que os Lloigor conquistem todo o Multiverso.

A temática desta história é similar a megassaga da DC Comics, Crise nas Infinitas Terras, publicada poucos anos antes nos Estados Unidos. Morrison estabelece o início de sua história com o uso de um herói velocista, que acaba por se desintegrar, remetendo diretamente ao uso de Barry Allen, primeiro Flash, na história de Marv Wolfman e George Pérez. A carreira de Zenith, neste momento (um ano após os acontecimentos da Fase Dois), está ruindo, e ser envolvido na batalha para salvar o universo é seu último desejo. E aparentemente, também não é algo que os outros personagens queiram: ao longo dos 26 capítulos, muitos dos heróis vão embora, morrem ou revelam-se como vilões. O caos proporcionado pelos Lloigor se espalha e tudo parece perdido, enquanto a última resistência luta para desvendar certos mistérios.

Estruturalmente a terceira Fase de Zenith lembra a ordem dos acontecimentos da primeira, porém o nível do perigo enfrentado é muito maior. Alguns personagens (como Ruby) sofrem mudanças drásticas, novos personagens surgem e, com a arte competente em alto contraste de Steve Yeowell, todas as Alternas e heróis possuem suas características próprias e reconhecíveis. Através do uso da mídia, Morrison transporta para a história alguns de seus temores mais íntimos da infância, como o medo nuclear. E com doses pontuais de bom-humor a história se desenrola para três anos depois, em 1992, com a Fase Quatro, que retorna ao início de tudo.

Lindamente colorida por Gina Hart, a quarta e última Fase de Zenith é uma crônica caótica e imaginativa. No final desta epopeia voltamos às origens dos superseres, com o surgimento de Masterman e Maximan em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, não estamos lá em corpo, mas sim em mente. Morrison traz de volta o criador da Era Heroica, Dr. Michael Peyne, que narra a ordem dos acontecimentos que levaram o mundo ao completo caos, dominado pelos Lloigor.

Neste fatídico fechamento da saga, um show visual que se sobressai quando comparado com as Fases anteriores, a história de Zenith e outros heróis remanescentes da aventura anterior possui doses do que, no futuro, viria a se tornar obras como Authority, onde os heróis passam a intervir nas ações dos seres humanos normais com a vontade de tornar o mundo um lugar melhor. Obviamente, a diferença aqui é clara: os Lloigor mais uma vez estão agindo, e se incubaram no Sol, que tornou-se uma grande esfera negra.

Com viagem no tempo ao futuro e de forma retroativa, e também com leves críticas às diferentes formas de veneração religiosa existentes, a trama da Fase Quatro possui as batalhas mais psicodélicas da série, com lutas mentais e cenas que, graças às cores, enchem os olhos constantemente, até mesmo nos menores quadros.

O segundo encadernado de Zenith fecha todas as tramas criadas desde a Fase Um, com Peter St. John e Robert lidando com o presente e recebendo, cada um, seus merecidos finais após os 14 capítulos da última parte. Um epílogo bem-humorado chamado zzzzenith.com foi produzido, situado no ano 2000 (oito anos após os acontecimentos da Fase Quatro), e brinca com figuras reais e música. Há também um conto ilustrado, escrito por Mark Millar (na época, parceiro de trabalho de Morrison), que faz piadas sobre a existência de tantos super-heróis e nenhum humano simples.

Zenith, desde o início, ressalta a imaginação fértil de Grant Morrison. Sua história tornou-se um verdadeiro cult dos quadrinhos ingleses, e agora republicada na íntegra pela Mythos Editora, com duas belíssimas edições de luxo e tradução de Érico Assis, recebeu o tratamento que merece. Divertida, criativa, escapista e bizarra, a saga do não-tão-herói Zenith se encerra com ainda mais qualidades que a primeira metade, por mais improvável que isso possa parecer. Mas a equipe criativa envolvida, conhecendo cada centímetro deste universo, se superou mais vez. Pelo menos até os Lloigor decidirem voltar…

Zenith – Volume Dois possui 252 páginas encadernadas em capa dura no formato 25,9 x 18,7 cm, com preço sugerido de R$ 84,90. Garanta seu exemplar com 40% de desconto na Amazon.

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Detective Comics Quadrinhos

Resenha | A Diferença Invisível

A Diferença Invisível é uma história tocante, interessante e didática. Todos os dias interagimos com alguém. De forma automática dizemos “como vai?“, perguntamos se “está tudo bem?” e temos como resposta (por nossa parte ou dos outros) um “tudo!“. Mas o que é esse tudo? Ele existe mesmo?

Por mais que pareçam fortes do lado de fora, por dentro muitas pessoas pedem ajuda. Marguerite é mais uma francesa: Tem seu emprego, namorado, bichos de estimação, tarefas diárias, cuida de sua vida… mas ainda assim se sente desencaixada do resto.

Ela tem dificuldades em realizar ações que para muitos são simples, como se relacionar com colegas de trabalho, viajar, ir à festas, usar roupas de determinados tecidos e até um despertador. Não entende piadas e um fim de semana longe de casa já é um estorvo. A solução encontrada durante grande parte de sua vida foi viver em seu casulo. Mas um casulo, apesar de protetor, é frágil. Em algum momento se quebra e é necessário encarar o que há fora dele.

Graças à esse déficit social Marguerite descobre que tem a Síndrome de Aspenger, uma variação do autismo. Ela não se abate com isso. Finalmente ela está livre e se sente levada a sério e a partir daí começa a se redescobrir.

Todas estas dificuldades vividas por Marguerite e mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo são apresentadas em A Diferença Invisível, publicada no Brasil pela Editora Nemo. A obra traz ilustrações de Mademoiselle Caroline e roteiro de Julie Dachez, que é ninguém menos que a própria protagonista Marguerite.

O número total de autistas equivale a 1% da população mundial. A sua perseverança mostra que não há o que é impossível de se fazer, se sim de ser feito de alguma outra forma. A vida para muitos precisa ser adaptada, e é assim que se segue. Assunto que, aliás, é pouco visto em HQs. Para quem é interessado em pesquisar sobre situações similares, a HQ Parafusos publicada em 2014 pela Editora Martins Fontes segue esta linha.

O uso de cores (que no início da HQ limita-se ao preto, branco, cinza e vermelho) vai se diversificando ao longo da história a cada nova descoberta de si mesma feita por Marguerite. Sua vida agora é outra: mais colorida, apropriada e dinâmica. O traço leve e simples de Caroline denota o tom direto de como o assunto é tratado na obra.

Um anexo chamado O que é Autismo? ao fim da edição esclarece também outros ponto importantes da síndrome. Dachez se tornou uma grande pesquisadora sobre o assunto. Vários textos e trabalhos seus podem ser consultados em seu blog http://emoiemoietmoi.over-blog.com/ (em francês) que ajudam principalmente a quem ainda tem dificuldade em se adaptar a este novo mundo que se revela para cada um deles. No Brasil também há instituições que trabalham para entender, identificar, tratar e a conviver com a situação, seja este indivíduo o diagnosticado ou pessoa próxima, e informações podem ser consultadas em http://autismobrasil.org/por exemplo.

A edição da Nemo não foge do padrão adotado em outras publicações da editora, em formato 24 x 17 cm e 192 páginas com papel offset encadernado em brochura com orelhas e com edição e conteúdo muito fiel à publicação original com preço sugerido de R$44,90, com sua distribuição destinada à livrarias e lojas especializadas. Vale a pena a descoberta, seja você Marguerite ou qualquer outra pessoa.

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Tela Quente

Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Maduro e ao mesmo tempo poético, Planeta dos Macacos: A Guerra encerra com chave de ouro uma das melhores trilogias atuais. Mostrando o desfecho da guerra entre símios e humanos, o terceiro filme é muito mais do que o embate final entre as raças, é o ponto final de uma discussão poderosa iniciada desde o primeiro filme sobre nosso senso de humanidade e superioridade que nunca nos deixa.

Matt Reeves trabalhou o segundo filme, intitulado O Confronto, mostrando os dois lados da moeda. Os humanos lutando para sobreviverem contra o vírus e a ameaça dos símios, e estes tentando criar sua própria comunidade e restabelecer a paz entre as comunidades. Já em A Guerra, Reeves dá um salto na história, mostrando dois lados ainda mais problemáticos e desconfortáveis com suas respectivas situações. Liderados pelo Coronel (Woody Harrelson), o restante do exército americano se tornou um esquadrão força tarefa, com um objetivo sanguinário e persistente de eliminar todos os macacos possíveis. Do lado do grupo de César, os macacos lutam por sua sobrevivência enquanto procuram um novo lar.

Ambos os lados são bem representados com atores certíssimos. O personagem de Woody Harrelson, extremista e nacionalista, poderia ser mais aproveitado. Fica pouco tempo em tela e suas ações são mais faladas do que mostradas, mas é um bom personagem que reflete o último retrato do que restou da humanidade. Já o genial Andy Serkis, que interpreta César na captura de movimentos, faz um dos seus melhores trabalhos aqui, juntando todas as emoções acumuladas nos filmes anteriores. César se tornou o líder definitivo e incontestável, se provando um grande nome que será lembrado por nós.

Tendo bons personagens já estabelecidos, a guerra fica em primeiro plano. O ritmo do filme é mais acelerado do que o normal, o conflito é fragmentado em várias partes. Tanto soldados quanto símios são mortos a todo momento e descartados como cartas no baralho. Como filme de guerra, Planeta dos Macacos é cruel e realístico na medida certa. Exemplifica lados extremos e violentos, resultando em um ato final de proporções épicas.

Deixando a guerra de lado, Planeta dos Macacos não larga a mão de ser poético. A personagem Nova (Amiah Miller) é uma criança bem inocente e traz a essência de toda a trilogia em suas costas, mostrando as similaridades que foram se criando entre macacos e humanos. A fotografia também carrega significado, com planos gerais e ângulos transformando em um documentário do que teria acontecido.

Há a trilha sonora composta por Michael Giacchino, que faz um trabalho extraordinário em todos os sentidos. Toda a música carrega uma tensão e te insere dentro do cenário. Ela só relaxa no final derradeiro, onde se encerra a trilogia Planeta dos Macacos, sem pontas soltas e com várias mensagens deixadas para que interpretemos a nossa maneira.

O terceiro filme da franquia Planeta dos Macacos, dirigido por Matt Reeves, é muito mais do que apenas um blockbuster. Faz jus à franquia e traz muito significado no meio de tanta violência. Um encerramento brilhante para uma trilogia brilhante.