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Primeiras Impressões | Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai

Sei que vai ser difícil de acreditar, mas é verdade, então leia tudo até o fim. Faça isso, por favor! Apesar de estarmos falando de um animê, com um nome pouco chamativo e que provavelmente já te passou uma péssima primeira impressão, fazendo você achar que Japonês é um povo estranho… Dessa vez, tem algo a mais nisso. Algo que você precisa ver com seus próprios olhos. Dessa vez, até que animê não foi uma ideia tão ruim assim.

Fica bem fácil de saber que esse animê é baseado numa Light Novel, não fica? Digo, os sinais são óbvios: um nome longo e que descreve (ao menos) metade da sinopse; Nome, aliás, que soa ridículo para qualquer pessoa que já não esteja acostumada com esse tipo de coisa; Uma garota bonita na capa em alguma situação inusitada; Estrutura em arcos que fica óbvio onde cada volume acaba e onde o próximo começa… Poderia ficar aqui por horas, mas meu papel nessa postagem é outro, né?

Sabe o que é importante sobre uma Light Novel? Seu Autor. E o da Novel que deu origem a este animê é um já bem conhecido pelos fãs de melodrama adolescente: Hajime Kamoshida. Esse japonesinho com cara de simpático já passou pelas Primeiras Impressões quando o Luís comentou sobre Just Because!, quase um ano atrás. Se você assistiu a última obra adaptada do homem, sabe exatamente o que esperar disso aqui.

O estilo de escrita dele continua o mesmo, só mudando o enfoque: enquanto Just Because! se destacou por ser extremamente realista e pé no chão, Bunny Girl (que, desculpem, vou abreviar) parece ser uma primeira tentativa de trazer o sobrenatural para seu repertório.

E rapaz… Não é que ele está acertando em cheio?

Para explicar como que o nosso autor predileto consegue manter sua escrita “humanizada” enquanto parte para histórias além da compreensão humana, precisamos analisar justamente os humanos que estão inseridos nessa história: suas personagens.

Basta olhar para trás, que você verá o histórico do cara com seus protagonistas: tanto o Sorata de Sakurasou no Pet na Kanojo, como o Eita de Just Because! são farinha do mesmo saco. Apesar de terem suas próprias peculiaridades que conseguem distingui-los bem, eles têm um ‘esqueleto’ em comum: sua boa vontade e bom coração, sempre buscando ajudar os outros, mas cercado por diversas camadas de ironia e sarcasmo, que vão sendo derrubadas (e, às vezes, reconstruídas) com o passar da trama.

Em Bunny Girl, ele repete a fórmula, e consegue fazê-la bem, mais uma vez. E o motivo é simples: esse é o perfil mais genérico para um adolescente dos dias de hoje. É difícil errar quando você sabe exatamente onde quer acertar.

Esse garoto está saindo com coelhinhas bonitas graças a esse truque estranho. >>CLICA AQUI<<

Já a garota, tem suas peculiaridades (até por conta de suas circunstâncias), mas também é convincente. Também é uma pessoa que você consegue imaginar sendo real, existindo e tendo problemas semelhantes aos que você vê na tela. E o jeito como ela reage, tanto ao mundo ao seu redor (já falo disso) como aos esforços do garoto, duas coisas que beiram o sobrenatural… É deveras realista. Você se surpreende com a racionalidade dela.

A ambientação do mundo é a grande novidade da obra. Pela primeira vez, ele tenta fazer algo além de sua zona de conforto, e traz o místico pro palco principal. Fica claro que ele não tem muita experiência com o assunto, mas que está se esforçando para dar o seu melhor.

Ele explica a visão geral das coisas e deixa com que você preencha as lacunas com seus próprios pensamentos e ideais sobre o oculto… Mas cinco minutos depois, traz a personagem que é o bode expiatório da sua própria culpa, e tenta desmentir tudo.

Você reclamando de política na sua timeline depois de já ter excluído todo mundo.

Exatamente, essa analogia é perfeita: o autor queria escrever uma obra sobrenatural, mas sua racionalidade é muito arraigada ao seu jeito de redigir… Daí, para desencargo de consciência própria, ele fez questão de tentar racionalizar, equacionar e desmistificar qualquer aspecto que não seja cientificamente comprovável.

Talvez esse defeito acabe sendo uma de suas maiores façanhas, no final das contas. O clima que temos acerca desta tal “Síndrome da Adolescência” é justamente de mistério. É uma “doença” que não faz sentido algum para a “ciência tradicional”, mas que, quando analisada psicologicamente por moleques de quinze anos, faz todo o sentido.

É a tal da “puberdade” sendo explicada em formato mais entretível. Ambas as personagens estão mergulhadas no oculto, em coisas sem explicação… Mas você consegue trazer todos os problemas que elas possuem para o âmbito de carne e osso. O real “inimigo” da série não é o fenômeno sobrenatural que é chamado de “Síndrome da Adolescência”, mas sim o fenômeno real de se viver numa sociedade e de ver e experienciar as consequências disso.

Agora, vem cá… O QUE ESSES JAPONESES TEM COM O SCHRÖDINGER E SEU MALDITO GATO? Desculpem a exaltação, mas francamente… Toda hora, o tempo todo, esse maldito experimento sendo citado e redesenhado e remodelado por animês e afins. E o pior de tudo? METADE DAS VEZES, ELES TÃO ERRADOS! O Gato de Schrödinger é um experimento criado pelo cientista de mesmo nome para mostrar justamente… o quão ABSURDO é o conceito por trás da Mecânica Quântica. Mas parece que gostam de citá-lo como uma fonte de razão e de racionalidade sempre que possível… E não é isso… Não assim… Não desse jeito…

Desculpem o desabafo.

Eu nem vou me dar ao trabalho de mostrar os erros científicos do show, então fiquem com esse meme de baixa qualidade ao invés disso…

Voltando a programação normal, podemos falar da parte técnica, que vejam só, não está decepcionando nem um pouco! A animação é do estúdio CloverWorks (que fez relativo sucesso recentemente com Darling in the FranXX); tem direção de Souichi Masui (que já tem um bom tempo na indústria); Um destaque também vai para Satomi Tamura, que fez os excelentes Designs de Personagens, e participou da animação dos primeiros episódios.

O visual é lindo, as personagens são muito bem desenhadas e se envolvem perfeitamente com o mundo (também belamente desenhado) em que estão. Até os figurantes e personagens de fundo, que muitas vezes são ignorados (ou renderizados em 3D) acabaram ficando bons. E a trilha sonora não deixa a desejar, sendo perfeita para todas as ocasiões, quase todas as vezes.

No mais, fica claro que Bunny Girl é muito mais do que aparenta ser, e que traz muito mais do que seu título poderia te fazer imaginar. É, literalmente, um livro que não se pode julgar pela capa, e parte disso se reflete até na própria trama do show. Sinceramente, não gostaria de me exaltar aqui, mas creio que, no mínimo, 8/10 para essa estreia é o que ela merece.

A série está sendo transmitida pela Crunchyroll, com novos episódios todas as quartas-feiras.

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Papo de Saloon | Tex Edição Histórica 103

Tex Willer, personagem criado em 1948 por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini, é publicado no Brasil de forma ininterrupta desde os anos 70. Passando por várias editoras ao longo dos anos e contando mensalmente com diversas revistas publicadas em banca, tornou-se sem delongas o herói da editora italiana Bonelli de maior influência no Brasil. Um fenômeno que se estendeu para o mundo todo e um dos personagens de westerns mais longevos da história dos quadrinhos, agora, Tex também será o tema central da coluna Papo de Saloon, dedicada inteiramente às análises esporádicas de quadrinhos do ranger!

Para dar início e marcar a estreia desta coluna com pé direito, foi selecionada uma história clássica e impressionante, desenvolvida pelos autores originais do personagem citados acima, G. L. Bonelli e Galep. Publicada originalmente na Itália em Tex 207/209 (jan/mar de 1978) e chegando ao Brasil pela primeira vez em Tex Coleção 259/261 (ago/out 2008), a história A Águia e o Relâmpago, republicada em Tex Edição Histórica 103 da Mythos Editora, serve como ótima porta de entrada para novos leitores, ao mesmo tempo que traz de volta elementos que agradam os fãs de longa data, inclusive se utilizando de piadas costumeiras das aventuras para criar situações diferentes e inusitadas.

Tex Willer e Kit Carson aceitam a missão de investigar uma série de assaltos a uma linha de diligências que transporta ouro extraído da mina Golden Well, de propriedade de John Walcott. Esta linha, que faz o caminho entre as cidades de Silverton e Durango, está sendo alvo preciso e constante de um grupo de bandidos que não deixa vítimas, porém um dia, assassina um dos passageiros da diligência e rouba seu anel entalhado com uma águia e um relâmpago. O passageiro morto era sobrinho de um velho conhecido de Tex e Kit, e isto motiva os rangers a darem cabo dos malfeitores para resolver a situação.

A investigação de Tex e Kit os leva ao rico e diabólico banqueiro da cidade de Durango, Paul Brady, que parece ter alguma motivação específica para armar golpes direcionados à mina Golden Well. Brady e o chefe do bando de assalto, Tom Horan, possuem uma relação de negócios que podem ser lucrativos para ambos, e os heróis devem também descobrir até onde as garras de Brady e Horan chegam nas duas cidades e dentro da mina de John Walcott.

Conforme os pards descobrem detalhes das ações criminosas e quem são os envolvidos, detalhes estes que não serão citados aqui para preservar as surpresas da aventura, um plano mirabolante começa a tomar forma, e seu sucesso dependerá de todas as partes benignas agindo corretamente.

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Tex Edição Histórica 103: A Águia e o Relâmpago apresenta uma estrutura clássica de algumas histórias do Tex. Infiltrados em uma cidade dos possíveis bandidos, se utilizando de nomes falsos e bolando planos para encurralar os diabos, Tex e Kit contam com o apoio (na outra cidade, e revezando) de Kit Willer e Jack Tigre, tornando esta uma aventura completa com os quatro pards agindo juntos. E ao longo de toda a história, o texto de G. L. Bonelli é desenvolvido com maestria típica do autor, que gosta de aprofundar os mínimos detalhes que farão sentido no decorrer das revelações e tiroteios.

É criado para esta história um elenco de apoio extremamente carismático, com destaque especial para o velho Pop, dono da estrebaria de Silverton, e também para o xerife de Durango. Todos, heróis e vilões com características visuais únicas, cortesia da arte extremamente competente de Galep, possuem seu ‘tempo de tela’ e desenvolvimento, fazendo com que a investigação dos assaltos às diligências não seja algo superficial. E os quatro pards, agindo como rebeldes durões para manter seus disfarces, soltam pérolas impagáveis em quase todo momento da aventura, especialmente quando resolvem socar gratuitamente alguns canalhas e salafrários.

Como quase toda história de Tex e seus amigos, o enredo parece simples, porém seu desenvolvimento é rico de uma forma que prende a atenção do leitor do começo ao fim. Para fãs mais antigos, por exemplo, há brincadeiras como o fato de Kit Carson ganhar uma aposta feita com Tex, algo que nunca ocorre nas histórias, onde Kit simplesmente afirma algo como “só apostaria se fosse um louco com vontade de perder!”

E a reta final da história, repleta de ação e conclusões, alcança momentos de tirar o fôlego (quase que literalmente) dignos de bons filmes de ação, culminando no desfecho inesperado para a história de alguns dos protagonistas (do lado bom ou mau?) desta aventura.

Tex Edição Histórica 103 foi publicada no formato típico da maioria dos quadrinhos Tex no Brasil (13,5 x 17,6 cm) e compila a aventura completa que foi lançada originalmente dividida em três partes. Totalizando 268 páginas repletas de tiroteios, brigas, muitas viagens à cavalo e larápios covardes, esta edição custa R$ 26,90 e está disponível para compra na Loja da Mythos Editora, que pode ser acessada clicando aqui.

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Detective Comics Quadrinhos

A Marcha – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade

“Segregação racial é o impedimento, com base na origem étnica, do usufruto dos direitos disponíveis para todos os membros de determinada sociedade.”

Transportar grandes momentos históricos para as mídias é algo comum e rotineiro. Filmes e livros sempre contam passagens interessantes ocorridas no passado, que entraram para a história, sendo protagonizadas por grandes pessoas. Quando o lendário congressista americano John Lewis teve a ideia de contar a sua saga de vida e luta contra a segregação racial, ele recorreu aos quadrinhos.  E ao se juntar com Andrew Aydin e Nate Powell realizaram um dos trabalhos autobiográficos mais importantes dos últimos anos.  A graphic novel A Marcha – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade – Livro 1.

É interessante saber o porquê Lewis escolheu contar a sua história em forma de quadrinhos. Quando era adolescente, ele se inspirou em uma HQ chamada Martin Luther King and the Montgomery Story, que custava dez centavos na época que foi publicada em 1956. Em diversas oportunidades, o congressista revelou que era como uma “bíblia” para ele e seus amigos ativistas. Como uma ferramenta indispensável para aprender como implementar o ativismo não violento nos protestos.

A Marcha foi lançado originalmente em agosto de 2013 nos Estados Unidos, e é a primeira parte de uma trilogia que foram publicados nos dois anos seguintes.  É um retrato sobre o movimento de direitos civis na América, sob a perspectiva de John Lewis e a influencia exercida sobre ele pelo ícone Martin Luther King. Ao longo da trilogia, vemos a longa jornada de Lewis pelos direitos humanos e civis, seu encontro com Martin Luther King Jr. e a infindável luta pelo fim das políticas de segregação nos EUA.

A publicação se tornou a primeira HQ a ganhar o National Book Award, um dos principais prêmios literários dos Estados Unidos, que geralmente só premia livros. O volume três levou na categoria Literatura Juvenil no ano de 2015. A Editora Nemo publicou aqui no Brasil o primeiro volume. E é dele que vamos falar aqui.

A graphic novel começa com a famosa marcha na Ponte Edmund Pettus, quando 600 manifestantes pacíficos foram atacados por tropas do estado do Alabama sob as ordens do então governador George Wallace. Onde veio ocorrer uma truculenta e violenta ação das autoridades contra os manifestantes. Recomendo assistir o filme Selma.

É bom falar que A Marcha é realmente uma histórias sobre “marchas”.  Esse primeiro volume fala sobre a marcha que foi Lewis sair da sua pequena fazenda no condado de Pike, Alabama, e contra a vontade dos seus pais, que tinham medo das leis opressivas e humilhantes das segregações, foi buscar nos estudos o seu futuro.  Quando acompanhamos a infância de Lewis, percebemos que ele não ficaria nos limites de sua fazenda. Ele fermentou relações com as galinhas da fazenda de seus pais, cuidado deles como pessoas e realizando até pregações religiosas para elas. Lewis eventualmente fazia um “protesto” contra os pais quando esses tinham que matar alguma das galinhas para servir de alimento.

Como dito antes, é uma história sobre marchas. É a marcha de um jovem em direção ao seu futuro inevitável de lutas, a marcha de uma nação em direção a algo maior, a marcha de uma raça para se unirem contra a opressão e a marcha de um grupo de jovens em busca de sua auto-realização. E como a marcha que ele começou quando a justiça considerou inconstitucional parte da segregação racial com que ele tinha que conviver, a vida de Lewis foi direcionada para que pudesse fazer a oportunidade valer a pena.

O texto implantado por John Lewis e Andrew Aydin flui muito bem deixando a leitura cada vez mais prazerosa a cada página, existem momentos de calmaria e bem agradáveis.mas existem momentos em que somos lembrados de como o ser humano pode ser cruel e estúpido. Um dos momentos mais fortes é quando no julgamento do grupo de ativista de Lewis, o advogado de defesa dos jovens tenta expor os seus argumentos ao juiz que simplesmente vira as costas e o ignora em pleno tribunal. Como se ele não estivesse no local.

Outras cenas fortes são as dos “treinamentos contra o ódio”. Era uma espécie de provocação que os membros do grupo de Lewis fazia um com os outros simulando ataques racistas. O intuito era segurar a raiva e agir de forma pacífica. E muitos não conseguiam passar no teste. A questão que logo surgiu para mim foi: “será que eu também conseguiria me segurar sendo afrontado e humilhado? Como eu agiria diante de um ato desse contra mim?” A Marcha desperta isso no leitor o famoso “e se fosse comigo?” 

Durante esse volume, vários momentos de racismo são apresentados, e nos faz pensar o porque as pessoas tem esse tipo de pensamento. E o pior fica quando pensamos: isso está cada vez mais latente.

A segregação racial ainda existe no nosso dia a dia, de vários modos diferentes que estão implantados em nossa sociedade. Mas ultimamente esse discurso de ódio tem se estendido as pessoas de diversas etnias, sexualidade, posição financeira e nacionalidade. O mais grave é que estamos vendo esse discurso crescendo e estamos caminhando direto para ele. Por isso que obras como A Marcha e Jeremias–Pele são importantes. Para lembrarmos que somos todos humanos. Que ainda devemos ter amor pelo próximo dentro de nós.

E com certeza um dos pontos fortes de A Marcha é a sua arte. O desenhista Nate Powell conseguiu captar e passar visualmente todo o roteiro com seu realismo expressionista com umas certas pitadas de estilo noir. O dinamismo atrai, sem esforço, o leitor para a história e prende até o fim. As vezes se pegar olhando os detalhes de cada traço nas páginas, depois de já ter lido, é algo normal pela quantidade de cenas bonitas. A visão de Washington/ DC no começo da graphic novel é uma cena digna de cinema, quando vagamos por uma imagem aérea do sol nascendo e depois caminhamos por uma rua vazia e silenciosa entrando no prédio onde mora Lewis.

A história de John Lewis é contada através de uma narração gentil e uma arte linda, onde parece que somos transportados para aquele momento. Sentimos a calmaria da fazenda, e a angústia da pressão racista da segregação racial que paira no ar. A torcida agora é que a Editora Nemo anuncie a publicação das sequencias.

A Marcha – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade – Livro 1 é uma leitura obrigatória para todos que precisam saber como foram anos difíceis e como podemos mudar o futuro com ações sem violência e com inteligência contra o ódio.

E quem sabe poder presentear aquela pessoa que ainda insiste nesse discurso e poder mudar um pensamento?

 

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Review | Call of Duty: Black Ops 4

Mais um ano, mais um Call of Duty chega às lojas. Seguindo a já tradicional troca de franquias, a série Black Ops chega em seu quarto título, trazendo como novidade, o famigerado Battle Royale. Desenvolvido novamente pela Treyarch, Call of Duty: Black Ops 4 foi lançado no último dia 12 de outubro. Mas será que vale a pena?

Sai o Modo Campanha, entra o Battle Royale

Vamos começar pelo que todo mundo quer saber: o modo Blackout, presta?

Muitos torceram o nariz quando disseram que Black Ops 4 não teria a presença de um Modo Campanha, como todos os jogos anteriores. E quando anunciaram que o jogo teria um Modo Battle Royale, a comunidade se revoltou. Mas parece que isso não se reverteu nas vendas, afinal, Call of Duty: Black Ops 4 faturou mais de U$500 milhões em seu primeiro final de semana.

O estouro de PlayerUnknown’s Battlegrounds, seguido pela explosão de popularidade de Fortnite, fizeram com que o gênero Battle Royale se tornasse uma febre entre os gamers e desenvolvedoras, todo mundo quer um Battle Royale em seu jogo, ainda que grande parte do público não suporte ver jogos do tipo fazendo sucesso.

O Mapa de Blackout.

O modo Blackout traz um gigantesco mapa, que reúne lugares conhecidos da série Black Ops em um só lugar. Como a maioria dos jogos desse estilo, o mapa traz suporte para até 100 jogadores, quando o servidor decide funcionar, e ganha quem sobreviver por último. Caso tenha jogado PUBG, o esquema é o mesmo. O jogador deve catar armas, miras, grips, granadas, coletes, entre outros. Todos os itens são encontrados por todo o mapa e o player deve escolher as melhores configurações para a sua arma. Há opções de partidas Solo, Duo e em Squad de até 4 pessoas.

No entanto, apesar dos mapas aguentarem até 100 pessoas, raramente, pelo menos nessa semana inicial do jogo, as partidas serão preenchidas com a total quantidade. Ao que parece, mesmo que muita gente esteja jogando Black Ops 4, a maioria das pessoas decidiram partir para os outros modos de jogo. Parece que Blackout ainda não caiu no gosto dos fãs de Call of Duty.

Mas o que faz Blackout se destacar no meio de todos esses jogos do mesmo gênero que surgiram recentemente?

A resposta é simples: é Call of Duty.

É praticamente o mesmo jogo, somente aperfeiçoado com a jogabilidade de um Battle Royale, tudo o que você conhece na franquia, está presente aqui. Os gráficos do modo Blackout são bem inferiores aos dos demais modos do jogo, provavelmente para que a visão dos jogadores fique mais “embaçada”, e causar uma imersão maior. Mas isso é um achismo meu.

Os modos Multiplayer são os já conhecidos pelos fãs da franquia, Free For All, Team Deathmatch, Heist, entre outros. Não tem muito o que falar sobre eles, tirando o fato de que a cura automática não está mais presente, agora temos um botão específico para ele, e também não há Jetpacks ou andar pela parede. Há 10 tipos de especialistas, cada um possuindo uma habilidade especial. Escolha aquele que te agrade e que possa ajudar a sua equipe.

Os jogadores casuais não irão ligar tanto para a parte de customização de Classes e Scorestreaks, mas aqueles que já estão acostumados com a franquia, podem esperar um prato cheio.

Também temos a possibilidade de jogar em splitscreen, algo que não havia sido anunciado anteriormente e só foi descoberto no dia do lançamento.

O modo Zombies também está de volta, completando 10 anos de existência, e agora com uma estética diferenciada, trazendo uma espécie de Gladiadores Romanos, e talvez seja o que mais se assemelha a um modo Campanha em Black Ops 4, tendo uma lore em volta dele. Há três tipos de jogos disponíveis até o momento: IX, Voyage of Despair e Blood of the Dead. Se você procura uma diversão, Zombies é para você.

Falando novamente do Modo Campanha, a falta do mesmo é um buraco que Blackout não conseguiu preencher. Apesar de não possuírem uma história tão inspiradora, ela chamava novos jogadores, ao utilizar atores conhecidos do público em geral, e era uma opção para aquele jogador que não possui vontade de jogar online.

A jogabilidade em Call of Duty: Black Ops 4 em um modo geral, não apresenta tanta diferença se comparada aos seus antecessores, tirando alguns detalhes já citados acima. É algo bom, mas ao mesmo tempo ruim, pois dá um sinal de comodidade, ainda que Blackout tenha vindo para dar um novo ar a franquia.

VEREDITO:

Apesar de Blackout ser uma ótima adição à franquia, ele não consegue suprir a necessidade de um Modo Campanha, ainda mais quando se tem um jogo que custa tão caro no Brasil. Se eu tivesse que sugerir algo, seria que, o modo deveria ser de graça. Ou quem sabe, um jogo separado. Para os fãs de Multiplayer, onde a Activision realmente quer se focar agora, Call of Duty: Black Ops 4, é um prato cheio.

NOTA: 8.5

A análise foi feita a partir de uma versão do PlayStation 4, e agradeço a Activision pelo envio do código. Call of Duty: Black Ops 4 também está disponível para Xbox One e PC (via Battle.Net).

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Conheça o lindo e criativo universo de Desafiadores do Destino

Recentemente a AVEC Editora consagrou as livrarias com mais um belíssimo quadrinho nacional. Trata-se de Desafiadores do Destino: Disputa por Controle, de autoria de Felipe Castilho e Mauro Fodra, com cores de Mariane Gusmão. E ao mesmo tempo que entrega um universo criativo e cativante, este também é um dos mais belos e divertidos gibis lançados em 2018.


Ilhas. Criaturas fantásticas. Steampunk e tecnologia. Magia e divindades. Desafiadores do Destino entrega tudo isso e mais um pouco, brindando o leitor com personagens cativantes, com boas motivações e personalidades bem definidas, e o tom perfeito equivalente ao que há de melhor nos bons quadrinhos de super-heróis. E da mesma forma que o exterior produz excelentes histórias deste gênero, há autores, no Brasil, dedicados a criar boas aventuras.

Todo supergrupo deve conter personagens com diferentes problemas e questões pessoais que serão abordadas ao longo das histórias. Ao mesmo tempo, estes personagens que não se dão tão bem devem agir em prol de algo maior. A história deste quadrinho não foge disso, e nem deveria: unidos pela ORU (Organização dos Reinos Unidos), cinco famosos guerreiros deverão intervir no confronto entre dois reinos, a Lemúria e Atlântida. Este confronto grandioso vem afetando a vida dos nativos das Ilhas Falkland, os Gorgs, e Lune Lefevre, Redhawk, Dr. Loberstein, Lockwood e Nay irão lidar com as consequências dos atos de todas as partes do confronto.

Uma das principais características estruturais de Desafiadores do Destino é a narrativa que contém alguns flashbacks do recrutamento dos cinco membros que compõem o grupo, e desta forma, parte do passado dos mesmos acaba sendo abordado. O roteiro de Castilho é direto e extremamente instigante, entregando reviravoltas inesperadas (como aparições de diferentes monstros e deidades) e aprofundando aos poucos este universo que é, de longe, um dos mais criativos dos quadrinho nacionais.

Podendo ser analisado de forma mais profunda com relação ao conflito central que se passa nas Ilhas Falkland (claramente uma disputa territorial tal qual acontece em diversas partes do mundo real), o propósito desta história é, também, a diversão. Como citado anteriormente, o que há de melhor nos quadrinhos de super-heróis é a capacidade de fazer o leitor se desprender da realidade por algum tempo e mergulhar num universo fictício cheio de cores e impossibilidades físicas. E quando a arte é magistral, como é o caso do desenho de Mauro Fodra, esta viagem em direção ao impossível é ainda mais palpável.

Fodra ilustra todos os quadros de maneira impressionante. Elaboradas com muito esmero e traços finos, as criaturas fantásticas e visuais mirabolantes de cada um dos personagens são pratos cheios para se admirar os mínimos detalhes de cada uma das cenas. As lindas cores de Mariane Gusmão (este é seu primeiro trabalho como colorista de quadrinhos) complementam perfeitamente o tom da história, e a aventura torna-se um deleite artístico completo.

Dividida em três partes, a trama desta primeira aventura dos Desafiadores do Destino se encerra prometendo mais, e isso é tudo pela qual os leitores podem torcer no momento. Mais histórias situadas neste mundo, talvez lidando com algum outro conflito bélico e político, podem vir bem a calhar para espairecer a mente e também apresentar algum tipo de reflexão, dado o contexto atual do nosso país e do mundo real.

E mesmo sem autômatos gigantes e barcos voadores, quem sabe por um pequeno momento podemos nos sentir mais uma vez capazes e inspirados a fazer coisas grandiosas ou enfrentar dificuldades, sejam elas proporcionadas por culpa, dívida, amor, competição… Ou até vingança.

O acabamento proporcionado pela AVEC Editora também se encaixa perfeitamente à premissa do quadrinho: é uma história leve, encadernada em capa cartão e formato 27,8 x 19,2 cm, com um total de 64 páginas, custando apenas R$ 39,90. Clique aqui e compre sua edição com desconto!

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Serial-Nerd

Better Call Saul: O nascimento de Saul Goodman

Breaking Bad foi e continua sendo um marco televisivo. Uma série que começou com seus tropeços e problemas, mas que em pouco tempo cresceu imensamente e se tornou sucesso absoluto no mundo inteiro. Para aqueles que estão iniciando suas empreitadas, ou até para os mais experientes, a série de Vince Gilligan se tornou referência para trabalhos nesta mídia. Tal fama se deve muito ao próprio diretor, roteirista e produtor, que trouxe identidade ao apresentar um trabalho de transformação de personagem completo e competente. Após a conclusão da série, foi decidido a criação de um spin-off, Better Call Saul, que contaria a origem do advogado corrupto Saul Goodman (Bob Odenkirk). Repetindo o feito, Gilligan tenta trazer seu toque autoral e um novo ponto de vista para esse universo. Mesmo que esta série não esteja tendo tanta notoriedade quanto a sua fonte, seu quarto ano se demonstrou corajoso em criar pernas próprias e não depender do passado.

Em três temporadas, Bob Odenkirk, Gilligan e Peter Gould, tentaram reproduzir o mesmo discurso do sucesso de cinco anos atrás. Desde a fotografia até o tratamento de personagens e cenário, Better Call Saul parecia ser apenas uma homenagem a Breaking Bad. Tinha seus bons momentos, guardando linhas próprias e originais. Porém, a falta de identidade era o que faltava para ela realmente se estabelecer como um programa televisivo autêntico. E a morte de Chuck McGill (Michael McKean) no final do terceiro ano foi a cartada final para a reviravolta completa.

Os primeiros episódios da quarta temporada já demonstram diferenças em relação aos seus antecessores, além de serem constituídos por uma pesada carga de luto, houve mudanças na caracterização dos personagens. Parecia que eles estavam transformados pelo ocorrido, e esta mudança se refletiu na condução do restante dessa temporada. Novos personagens e novos conflitos, que estão relacionados com o futuro de Breaking Bad, mas que não são introduzidos a favor da primeira obra. A preocupação está em como os personagens serão representados e trabalhados NESSA trama, com dilemas pessoais e morais sendo desconstruídos de forma absolutamente brilhante.

Jimmy McGill está suspenso de seu cargo de advogado e precisa buscar um novo emprego e certa dignidade perante Kim Wexler (Rhea Seehorn), atual namorada. A busca por emprego é moldada pelos discursos persuasivos de McGill, que serão o trunfo dos conflitos do protagonista. Se nos últimos anos o desenvolvimento focava no trabalho de Wexler e nos trambiques de Jimmy, o quarto foca na vocação pessoal do protagonista em advogar. O enredo fica nos jogando na cara o tempo inteiro a necessidade de ele voltar para os tribunais, sua vida está dentro deles e só com a sua carreira poderá provar seu valor e utilidade para a sociedade.

A morte de Chuck também está pesando na relação de Wexler e McGill, ao passo em que a advogada não entende o porquê de seu namorado não estar impactado com a morte do irmão. Essa problemática é o principal elemento dramático que Gilligan irá se utilizar até o nascimento de Saul Goodman, um ponto final entre a relação dos irmãos e o desprendimento de Jimmy da sua vida atual.

Há, como de costume, um outro lado dessa história. Enquanto Jimmy está resolvendo sua vida, Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) e Gustavo Fring (Giancarlo Esposito) estão em uma narrativa própria e bem particular. Suas narrativas giram em torno da construção do famoso laboratório subterrâneo, que será utilizado por Walter White no futuro. Surpreendendo a todos, Mike e Fring se mantém mais nas sombras nesta temporada, deixando a equipe de construção como o principal condutor. Fica nítido a mudança de perspectiva trazida pelo diretor, de demonstrar as dificuldades do grupo e de seu líder: Werner Ziegler (Rainer Bock), o reflexo da vida de Mike.

O estranhamento de tratar personagens desconhecidos, e até dispensáveis, é válido. Porém, tal prática guarda um objetivo maior, que é trazer uma contraparte de Mike. Zigmur tem esposa e uma vida tranquila. Seu cotidiano é completamente distinto do que nós conhecemos neste universo. Com isso, a vida dele é utilizada para completar a transformação de Mike, negando a vida comum e tranquila, se fechando para o mundo. Aliás, a cena de ambos na montanha durante a season finale é uma das mais sensíveis e bonitas já feitas nas duas séries.

No entanto, há um único problema em todos os núcleos presentes, que é o arco da família Salamanca. Depois de tantos bons momentos trazidos por Jimmy e Mike, parecia que não havia espaço para o desenrolar necessário dos personagens envolvidos na máfia mexicana. Talvez o único que deva ser ressaltado seja Hector Salamanca (Mark  Margolis), que, como os outros protagonistas, torna-se o que veremos em Breaking Bad.

Tecnicamente a série continua impecável. O nível de paciência e detalhamento de Gilligan e seus diretores, aliado ao seu senso estético apurado em deixar seus planos parados, silenciosos e um tanto quanto reflexivos, torna a experiência de assistir a série agradável. Aqui dá para encontrar diferenças em relação aos anos passados, há mudanças nas colorações dos ambientes, antes mais saturados, agora mais limpos e claros. Há um sentimento de quietação e lentidão, estamos presenciando a virada da trama e de seus componentes.

Ao final da quarta temporada, presenciamos o começo de uma nova era para todos. Mike se transformou no pior dos seres humanos, e Jimmy McGill deu o último passo para virar Saul Goodman. Com tantos pontos positivos e autenticidade, nota-se o amadurecimento de Better Call Saul como série. Enquanto ela se aproxima cada vez mais de Breaking Bad, parece criar autonomia para estabelecer sua própria voz e essência.

It’s all good, man.

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Cinema Tela Quente

A promessa do divino é uma ilusão em Apóstolo

Ultimamente, a Netflix vem apostando todas as suas fichas em produções originais de terror para o seu público. O que mais chama atenção nessa leva de contos sobrenaturais, é que cada história se distancia do restante famigerado ‘arroz com feijão’ de Hollywood, como A Bruxa, para citar um exemplo recente.

São produções que oferecem muito mais do que apenas assustar, mas intimidam a mente do telespectador através de diversos fatores, não ficando apenas nos famosos e preguiçosos jump scares. O Apóstolo se enquadra perfeitamente neste quesito desafiador, e  brinca com o comportamento humano selvagem para aterrorizar quem está assistindo.

Ambientado em 1905, Thomas Richardson é enviado por seu pai para um vilarejo isolado para investigar o suposto sumiço de sua irmã, que crê estar envolvida em uma espécie de culto religioso que alimenta a crença dos habitantes locais. 

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Dan Stevens é quem interpreta o protagonista do longa. Um homem desolado com a vida e que acredita que Deus é tão pecador quanto o Diabo, demonstrando o seu desprezo por ambas  entidades em uma única cena sem cortes e com um diálogos mais filosóficos. Suas unhas sujas, vestimentas emporcalhadas e olhar de desprezo sob os residentes do local demonstra o quão Thomas é um homem caído sob a visão da sociedade.
A atuação de Stevens, assim como a do elenco de apoio (Kristine Frøseth, Lucy Boynton, Michael Sheen, Annes Elwy, Bill Milner e Mark Lewis Jones), convence quem está assistindo de que o drama vivido por todos eles são reais, como se estivessem realmente sofrendo por algo além da ficção. 
O ritmo da produção é lenta mas necessária. Assim como sua história, que  durante o primeiro ato, decide-se focar apenas em temas do cotidiano, O Apósoto crítica ao fanatismo religioso da época. No segundo ato, é quando o sobrenatural começa a dar as caras, dando início a algo muito maior do que apenas uma freira que assombra um convento. Aqui, a fantasia é tratada de maneira mais palpável e menos fantasiosa, um belo de um ponto positivo.
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A fotografia e a trilha sonora fazem o trabalho de causar um certo desconforto para aqueles que estão aproveitando da obra. De um lado, temos um fator importantíssimo que faz o favor de não utilizar luzes artificiais, dando uma sensação convincente a ambientação e ao espectador, que está imerso com os personagens durante os momentos mais tensos da narrativa.
As músicas com altos e perturbadores acordes trabalham de maneira conjunta, para que o público sinta que algo de errado está por vir. O medo, a salvação, depressão e tensão são todos contados a partir de cenas perturbadoras e agonizantes, que usufruem da tortura e do sobrenatural para encerrar o seu ciclo do horror. 
Uma curiosidade: durante os créditos, as imagens de fundo são citações de diferentes versículos da Bíblia, que de certa maneira, são vistos no longa metragem como metáforas para diversas situações.
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Sem sombras de dúvidas, Apóstolo além de ser um filme de terror inteligente. é uma das melhores produções de horror que a Netflix já investiu, e que poderia muito facilmente ser adaptada através de uma série com 13 ou mais episódios.
Espero que tenha gostado, e cuidado com os falsos profetas vestidos em roupas de cordeiros.
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Nasce Uma Estrela é poético, emocionante e arrebatador

Existem dois tipos de silêncio ao deixar uma sala de cinema: O negativo, de desinteresse em relação ao que foi assistido, aquele constrangedor o qual não procura sequer, buscar pela mensagem transmitida. E o positivo, de impacto em relação ao que foi testemunhado, não apenas assistido, aquele silêncio, o qual faz perder nos seus próprios pensamentos e sentimentos, remoendo e refletindo até a hora de voltar para casa. Nasce Uma Estrela definitivamente se enquadra na segunda opção. O remake deste clássico, é poético, emocionante e arrebatador.

A alma do filme está nos protagonistas, verdadeiros lados opostos de uma mesma moeda, também conhecida como arte. De um lado, temos Jackson, um músico bem sucedido e com vários problemas envolvendo drogas. Do outro lado, temos Ally, uma jovem garçonete tímida com o sonho de se tornar uma cantora. O acaso entrelaça o destino dos dois e uma linda história de amor começa. Ela progride alcançando o sucesso , enquanto ele afunda nas drogas.

 

Nasce Uma Estrela é um filme sobre sucesso e lama. As duas concepções são exploradas de forma extrema durante a narrativa. Qual o preço do sucesso? Perder sua identidade e originalidade em prol daquilo que as pessoas anseiam, ou ser autêntico, ter algo a dizer, mas não ser compreendido? Há uma discussão sobre subjetividade e liberdade artística muito grande aqui. Até onde podemos afundar? É possível se reerguer? Se sim, como? Nasce Uma Estrela não apenas tece comentários sobre a indústria do entretenimento, seu principal pilar está no romance, na história de amor entre dois personagens com problemas diferentes, doando-se um ao outro no decorrer da narrativa.

Devoção e entrega, são dois adjetivos para descrever a química existente entre Lady Gaga, entregando uma personagem sonhadora, o lado mais positivo do filme e Bradley Cooper, entregando um personagem melancólico e problemático, sendo impossível determinar quando o personagem se encontra em seus momentos de sobriedade ou alucinação, a dupla é excelente, mas Cooper é quem definitivamente entrará na corrida do Oscar e arrancará as lágrimas da audiência com sua poderosíssima atuação e direção.

Este é o primeiro filme dirigido pelo ator e ele, sinceramente, não aparenta ser tão novato assim. Priorizando o silêncio, closes e movimentos de câmera agitados, Cooper traz um filme o qual parece ter vida, pulsando constantemente. Os momentos de maior destaque com certeza residem nas cenas envolvendo shows, com uma grande quantidade de flashes em cima dos personagens, neste sentido de dar vida ao filme, a edição de som, também é perfeita, assistir a obra na tela grande, é como assistir o seu músico favorito ao vivo, mas sob uma perspectiva muito mais pessoal.

Falando em perfeição, o aspecto mais poderoso e o qual será levado pelo espectador após o final da projeção, é a trilha sonora, a qual não apenas é literalmente “música para os ouvidos”, mas tem um propósito gigantesco dentro da narrativa e nos dizeres dos seus personagens.

É muito cedo para afirmar se esta versão de Nasce Uma Estrela é realmente um clássico, mas é um daqueles dramas sobre sucesso e lama o qual definitivamente merece seu ingresso e algumas indicações ao Oscar.

“Maybe it’s time to let the old ways die.”

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Serial-Nerd Séries

Titãs definitivamente não é o seu desenho animado

Os Jovens Titãs são uma das equipes de super-heróis mais queridas pelos fãs de quadrinhos. Quando Marv Wolfman e George Pérez tiveram a brilhante ideia de reunir super-heróis jovens, ninguém pensaria que se tornaria um grande sucesso. Mas se tornou. Não apenas nas páginas, mas na TV, com o desenho animado de 2003 e sua paródia, em 2013. Os Titãs atingem todas as idades, então por quê não trazer uma adaptação mais adulta destes personagens icônicos? Com este propósito, o primeiro live-action do grupo surgiu.

O anúncio da série foi recebido calorosamente pelos fãs, mas suas prévias, dividiram opiniões. Enquanto uns acreditavam que o show estava se tornando muito sombrio, apenas para se tornar legal. Outros acreditavam que o tom se encaixava perfeitamente aos personagens. Finalmente, o piloto foi divulgado, para sanar todas as preocupações em relação ao tom e aos visuais. Titãs definitivamente não é o seu desenho animado e isso é ótimo.

Brendon Thwaites como Robin

O primeiro episódio serve como uma mera introdução aos personagens e ao quebra-cabeça o qual virá a ser o formato da trama. Tudo começa com Rachel (Teagan Croft) tendo um pesadelo envolvendo a morte dos Graysons Voadores. Paralelamente, somos introduzidos ao detetive Dick Grayson (Brendon Thwaites) atuando como o vigilante Robin em DetroitKory Anders (Ana Diop), uma mulher desmemoriada. As primeiras duas tramas convergem no decorrer do primeiro capítulo.

Os roteiristas Akiva Goldsman e Geoff Johns entendem perfeitamente as regras da mídia audiovisual. Além de roteirizarem bem os diálogos entre os personagens, seu script se utiliza muito da lógica: Mostrar, não contar. tornando o ritmo da série extremamente dinâmico e reduzindo diálogos expositivos desnecessários. Assim como a escrita, a direção de Brad Anderson é extremamente inspirada, com cenas de ação brutais, no sentido literal.

Ana Diop como Estelar

 

A trilha sonora flerta com o épico super-heroico, ficção científica e horror. Visualmente, o show é um primor, os efeitos especiais não destoam da belíssima fotografia escura e cheia de flashes, mas sim, acrescentam e muito. O grande destaque vai para os incríveis poderes flamejantes da Estelar.

Falando em destaque, cada membro do elenco traz algo único para a dinâmica da série. Brenton Thwaites traz um sentimento incontrolável por justiça em sua violenta performance como Robin. A jovem Teagan Croft traz medo e confusão para a mente de Ravena. Enquanto Ana Diop traz imponência e mistério, entregando a melhor performance da série, como Kory Anders. Ryan Potter, em sua pequena aparição como Mutano no fim do primeiro capítulo, entrega o humor característico do personagem.

Teagan Croft como Ravena

Titãs é sombrio, visceral e promissor. É diferente de tudo o que já foi feito com os personagens e pode vir a se tornar um dos melhores seriados de super-heróis de todos os tempos. Até agora, o maior mal da produção, é a decisão de ser lançada como uma série semanal. Torçamos para que seja o único problema até o final da temporada.

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Review | Assassin’s Creed Odyssey

Se você está cansado de jogos de mundo abeto, definitivamente Assassin’s Creed Odyssey não é um jogo pra você. A Ubisoft realmente não estava brincando quando falou que seu mais novo jogo seria uma verdadeira Odisseia (desculpem o trocadilho). Não só a história inspirada na tragédia grega, mas no vasto mapa e na jornada de destrinchar todos as pequenas lacunas que se encontram no grande mundo aberto.

Em Assassin’s Creed Odyssey, você escolherá entre dois personagens, Alexios e Kassandra. Decidir com qual desses dois assassinos jogar é basicamente sua primeira missão no jogo, além de ter que adaptar-se ao uso do novo modo de exploração. Fazer escolhas, reagir a acontecimentos, tudo isso te fará mergulhar no conteúdo da história principal, e até mesmo nas missões secundárias e eventos que aparecerão durante toda sua gameplay.

Não se preocupe porque os diálogos são padronizados, ou seja, independente de qual personagem você escolha os diálogos serão sempre os mesmos, o que interferirá na história como já mencionado são suas ações. E acredite, este jogo tem mais reviravoltas que uma montanha-russa da Disney, cada escolha pode ter uma consequência, que pode chegar mais longe do que você imagina.

Há uma riqueza nos diálogos, que eu ouso dizer que só vimos igual na trilogia de Ezio. Embora todos os jogos sejam cheios de adrenalina e missões, em Assassin’s Creed Origins, as missões secundárias pareciam um pouco com “preenchedor de espaço”, missões que não acrescentavam em nada na história, mas aqui eles acertaram. Foi uma subida de degraus muito importante para a saga Assassin’s Creed.

O jogo te confunde em relação ao que é a linha de missões principais e missões secundárias, isso por conta de todas as suas missões são entregues com o mesmo peso de consequências. Às vezes é realmente difícil descobrir se você se deparou com uma conquista lateral particularmente longa ou seguiu um arco de história principal.

As grandes peregrinações de uma ilha grega para outra, estão longe de serem monótonas. Você viajará entre paisagens deslumbrantes, desde florestas, até edifícios de mármore branco na costa grega, com golfinhos e baleias coroando as ondas ao lado de seu barco. Por esses motivos, é fácil se apaixonar pela história e por esse par de assassinos.

Nessa beleza de Odyssey, é muito fácil se distrair com cada pequeno detalhe encontrado no mapa durante suas missões. A maneira como você criará sua jornada é uma experiência inteiramente única, o fato de suas escolhas serem tão abundantes, as consequências podem ser drásticas, e o mundo tão vasto, que ao participar de tudo isso você já se sente parte de uma comunidade.

E agora, o combate, precisamos conversar sobre o combate. Origins marcou um grande passo em direção a uma maneira mais RPG de fazer as coisas, nivelar seu personagem, trocar armas para adicionar nuances ao combate, e uma infinidade de outros novos recursos, mas Odyssey leva a décima potência. É resolvido algumas das peculiaridades do sistema de Origins, e outros são simplificados. Há algumas habilidades que foram trazidas e mantidas de Origins, outras melhoradas, e uma infinidade de habilidades novas implantadas, que podem ser niveladas e ativadas. E o que é ainda melhor é que você pode redefinir suas habilidades a qualquer momento por algumas centenas de dracmas, a moeda grega do jogo, ou seja, se as coisas não estão funcionando para você, você pode tentar de novo.

É esse tipo de refinamento que está presente em todo o Odyssey, mas é particularmente óbvio no combate. Falando em melhorias, podemos cravar que o desenvolvimento de Origins e Odyssey funcionou, já foi divulgado que as equipes responsáveis por ambos os jogos trabalharam em paralelo, com a equipe Odyssey aprendendo tudo o que a equipe Origins criou e depois aprimorando-a. E isso não resultou apenas no jogo sendo vendido apenas um ano após o lançamento do Origins, mas também significava que as equipes não estavam apenas jogando o sistema de combate no lixo e começando de novo, ou pensando em melhorias apenas para “rebootar” tudo. Odyssey parece uma evolução em todos os sentidos sobre Origins, mas ele usa como uma base central para se tornar um verdadeiro RPG.

Você precisará manter ajustes e trocar seus itens, porque o combate vai continuar testando você constantemente. Você não só terá que lutar contra espartanos e atenienses, mas também contra caçadores de recompensas, e mercenários que virão atrás de você, se você começar a roubar, saquear ou você sabe, assassinar. O sistema de salvamento é um tanto quando inconsistente, não ajuda muito, há momentos que é necessário um autosave, mas ele não é incorporado no momento, e a depender de seu resultado na missão, você pode perder um bom progresso no game. E por ser um jogo bem detalhado e muito “recheado”, seus tempos de carregamento são muito longos.

Levando em consideração que essas são as únicas coisas que chamaram atenção de forma negativa em toda a gameplay, realmente Assassin’s Creed Odyssey clama por elogios.

VEREDITO:

No final das contas toda sua jornada é sobre escolhas. As pessoas que você decide deixar que sigam suas vidas normais, os relacionamentos com outros personagens, as linhas de história que você segue. É um mundo e uma história extremamente “abertos”, bem feitos, com cenas extremamente bem feitas. Depois de quase 60 horas, ainda tenho muito para ver na Grécia da Odyssey, e é bem gratificante continuar explorando esse mundo. Além de aperfeiçoar tudo o que Origins fez e aprimorar de uma forma que você nunca imaginou Assassin’s Creed Odyssey pode ser muito bem o jogo definitivo da saga.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Carregamentos lentos.
  • Sistema de salvamentos.

PONTOS POSITIVOS:

  • História Envolvente
  • Personagens
  • Aprimoramento de tudo que funcionou, e melhoramento do que não funcionou em Origins.
  • Mundo aberto bem detalhado.

NOTA FINAL: 9,5