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Venom não é o parasita que queríamos, mas é aquele que merecemos

Desde a estreia de Homem-Aranha 3 em 2007, a Sony Pictures lutou constantemente em desenvolver um filme do Venom, que segundo olhares mais minuciosos e gananciosos dos produtores, o monstrengo sempre foi um personagem que pudesse segurar uma trama sozinho sem a presença direta do amigão da vizinhança. Contudo, após diversos problemas envolvendo a franquia dirigida pelo cineasta Sam Raimi, a película do simbionte assassino ficou cerca  de sete anos engavetada. Até agora.

Então, o estúdio decidiu dar mais uma chance ao anti-herói, lançando Venom neste ano com força total. A película será a primeira de um universo cinematográfico composto por diversos heróis e vilões da Marvel em que a Sony tem propriedade, sendo Morbius de Jared Leto, a próxima obra a entrar em produção.

Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo, que tem um quadro próprio em uma emissora local. Um dia, ele é escalado para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, que tem investido bastante em missões espaciais de forma a encontrar possíveis usos medicinais para a humanidade. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela doutora Dora Skirth (Jenny Slate) com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias.

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Aclamados por muitos, Tom Hardy não entrega a sua melhor atuação para o público, pelo ao contrário, ele concede algo mais bem humorado e que no fundo, sabe que não será levado a sério por aqueles que estão o assistindo. No entanto, é perceptível o nível de esforço do ator em entregar um comportamento mais hostil vindo de um olhar desesperador de Brock por conter um parasita vivendo dentro do seu corpo e mente. 

A interação entre os protagonistas é o ponto alto da história. O modo de que os seres interagem entre si chega a dar brilho nos olhos, fazendo em determinados momentos com que o telespectador se simpatize com a relação problemática dos personagens. Mas, nem tudo é um mar de rosas. Piadas fora do tempo chegam a ser um problema, mas ainda sim, uma pequena pedra no sapato na narrativa como um todo.

Ao mesmo tempo que é uma criatura sedenta por sangue, o Venom se prova como um verdadeiro herói diante de um mundo sujo e irracional no qual ele veio. Já Brock, é a representação perfeita do fracasso, perda e depressão, mas tudo feito a partir de uma maneira divertida e menos desastrosa.

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Sem sombras de dúvidas, o enredo é o mais simples e corrido possível. A sensação que o filme passa para quem está assistindo, é de que o conto visto durante duas horas, foi feito as pressas e sem nenhum cuidado aparente, ainda que contenha elementos 100% fiéis a mitologia do personagem, existe uma sensação de insatisfação após o seu término, que é amenizada por sua primeira cena pós-créditos. É um gancho perfeito para uma eventual continuação.

Riz Ahmed interpreta dois antagonistas, o doutor Carlton Drake e o monstro RiotDrake é egoísta e perfeccionista ao extremo, indo até o fim para que os seus desejos mais profundos sejam realizados. Já Riot, é uma versão menos simpática do protagonista alienígena, mas é clara a preguiça por parte dos produtores e diretor Ruben Fleischer em desenvolver uma nova personalidade ao antagonista. Ele é basicamente o Venom, só que mais malvado e com poderes acima de qualquer outra criatura de sua terra natal. 

Além de Tom Hardy, Michelle Williams que dá vida a Anne Weying, é a cereja do bolo. Sua interação com Brock é desafiadora e empolgante, e no fim das contas, ter amizade com o ex-marido e ainda ajudá-lo nos momentos mais difíceis da vida, é pedir para ser elogiada.

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Desta maneira, Venom consegue ser competente sem a presença do Homem-Aranha em sua composição cinematográfica, que por sinal, era a preocupação de muitos em relação ao longa. Se a Sony Pictures investir mais em suas produções e pensar menos com um olhar empresarial e mais com uma visão de fã, seu universo cinematográfico pode ir longe, e quem sabe, incluir o escalador de paredes do Tom Holland em sua mitologia.

Espero que tenha gostado, até a próxima e nunca na sua vida, deixe que um parasita te dê conselhos amorosos.

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A Balada de amor e tragédia da Família Visão

Finalmente chegou ao Brasil o tão comentado e elogiado arco de Tom King para o vingador Visão. A reformulação do personagem nas mãos do escritor trouxe um vendaval de inovações na mitologia do personagem, que muitas vezes só ganhava importância quando Ultron voltava a ser uma ameaça pela enésima vez ou quando estava nos braços da Feiticeira Escarlate. Venhamos e convenhamos, Visão sempre fui um dos personagens do segundo escalão dos Vingadores. Que teve uma origem fantástica, mas com o passar do tempo, fosse por desinteresse da Marvel ou dos roteiristas, nunca ganhou algo tão incrível como o que Tom King fez.

A história suburbana criada por King é uma mistura de filmes de suspense, ficção cientifica e comédia de erros no estilo de Fargo. Engana-se quem pensa que se trata de uma simples história de super-heróis, assim como fez em Xerife da Babilônia, Tom King cria um trilher que caberia muito bem no cinema, obviamente usando outros personagens e contextos. As reviravoltas existentes durante toda a história fazem o leitor perder o fôlego, e cria uma simpatia com os personagens.

A simpatia pelo Visão não é algo que ocorre de imediato. Algo normal se levarmos em consideração que ele sempre foi  um personagem frio. E Tom King deixa isso bem explicito. Ele na verdade é até um tanto ausente. Por causa dos seus trabalhos, uma critica velada no roteiro para as famílias que vivem longe dos pais. Mas com o andamento da história, o Visão vai se apresentando um personagem protetor. Um pai de família zeloso, que acabamos criando laços. Mas os grandes protagonistas são a sua esposa Virginia e seus filhos Viv e Vin. Muitas vezes a torcida cresce dentro do leitor para o trio.

Tom King em diversas vezes, meio que cria uma armadilha para o leitor, o colocando em uma zona de conforto dentro da leitura, mas do nada, aparece uma arapuca. Seja na trama principal, ou seja, na hora de lidar com a emoção dos personagens. A Família Visão não apresenta emoções tão facilmente, a não ser quando estão sendo teatrais para vizinhos, mas sentimos, vindo dos personagens, coisas como alegria, fúria, amor, solidão e decepções. Como quando o Visão descobre que seu trabalho junto a Casa Branca não é remunerado e ele se preocupa com e renda familiar. O modo que é colocado, sentimos a decepção do personagem por isso.

Visão criou a sua família e se mudou para um subúrbio. Ele tem um ideal de ter uma vida normal com os vizinhos, trabalhando como contato dos Vingadores na Casa Branca, os filhos frequentando a escola. Mas não existe vida normal para super seres. Em um momento em que o patriarca está fora, o vilão Ceifador ataca a casa, e feri a filha Viv. Virginia então mata o agressor e o enterra no quintal. Então alguém (como no filme Janela Indiscreta) a filma fazendo isso e começa uma chantagem e o jogo dos erros sucessivos.

O texto visceral, que há muito tempo eu não via em um personagem da Marvel Comics, constrói o fato da Família Visão tentar ser o mais normal possível, as conversas familiares são de pessoas normais, mas o dialogo construído está longe disso. Eles se são figuras circenses aos olhares das pessoas próximas, e também alvo de preconceitos. Algo decorrente durante arco, mas que não é o principal tema. O tentar ser normal, tentar levar uma vida normal é o que nos faz pensar sobre o arco de Visão. Quantas e quantas famílias que vivem com diversos problemas internos tentam passar uma vida rotineira para quem está de fora?

O ato final estampa na cara do leitor que ainda é, apesar de todo o contexto diferenciado, uma história com personagens super-heróis. Mas o final, que é digno de um grande filme de suspense e com uma revelação incrível, bate na nossa cara a grande obra que é. Tom King realmente acertou no ponto certo em Visão, coisa que ainda falta fazer na sua mensal do Batman. 

Os desenhos de Gabriel Hernandes Walta apresentam personagens com belos traços humanos e variadas expressões dignas de vencedores de Oscars, mas no o resultado final é bem comum. Mas não que seja por culpa do desenhista, mas o projeto em si, como a própria história pede, tem um ar de “normalidade”. A série tem menos ação que um gibi de heróis teria, com bastantes diálogos e situações de cotidiano. Acaba meio que indo no automático em alguns momentos.

Lançado originalmente em 12 edições, a Panini publicou em dois volumes, Pouco Pior Que Um Homem (Vol 1) e Eu Também Serei Salvo Pelo Amor (Vol. 2), essa fase de Tom King na HQ do Visão. Edições que não podem faltar na estante de nenhum amante de quadrinhos.

 

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Venom por Donny Cates é um verdadeiro épico de ação e horror

“A parte mais surreal em escrever Venom é que todas as perguntas que eu tinha quando era criança, seriam eventualmente respondidas. E o estranho é que todas seriam respondidas por mim.”Donny Cates sobre seu run pelo simbionte. Em maio deste ano, Marvel começou um novo relaunch chamado Fresh Start. Semelhante ao Rebirth da DC Comics, a iniciativa prometia trazer os personagens de volta ao básico. Entretanto, alguns títulos fugiram dessa linha, tais como Venom. Um quadrinho o qual vem chamando a atenção de muitos leitores lá fora. Por quê?

Desde sua criação, na década de 90, o personagem sempre esteve ligado ao Homem-Aranha, de alguma forma. Não importava se ele tivesse transformado em Protetor Letal, Agente ou Guardião da Galáxia. O Amigão da Vizinhança sempre está lá. Entretanto, Venom é um personagem muito popular e muito interessante. Talvez fosse a hora dele ser algo a mais do que um derivado da franquia do Teioso. Ele tem sua própria revista mensal há anos, era uma questão de tempo até alguém começar a criar uma mitologia própria para o simbionte. Pois é, era uma questão de tempo até Donny Cates falar com os editores da Marvel: “Que tal contarmos a origem dos simbiontes?” Graças a Odin – e outros deuses – eles disseram sim.

Quem é Eddie Brock?

No primeiro arco da revista, chamado Rex, acompanhamos Venom (Eddie Brock) tendo pesadelos sobre outros simbiontes na Terra, durante a Idade Medieval. O que os leva a um militar chamado Rex, revelando ao leitor a existência de hospedeiros militares, antes de Flash Thompson, o Agente Venom. Para finalizar, o Deus dos Simbiontes está vindo para a Terra por motivos desconhecidos. Sim, esta é a premissa da primeira história do título.

O roteiro de Cates condensa perfeitamente todos esses elementos, trazendo um verdadeiro épico de ação e horror. É notável as influências do roteirista em Lovecraft, Stephen King e até mesmo, George Miller. Eddie Brock aqui, é em suma, o Max de Mad Max. Um homem incompleto, impossível de ser definido, sobrevivendo a todo tempo, servindo como uma espécie de espectador em um show de loucuras.

“Meu nome é Eddie. Meu mundo é sangue e fúria.”

Percebe-se como o autor tem certo apreço pelas obras noventistas, não economizando nos absurdos (o simbionte tem novos poderes) ocorridos nos momentos de ação, mas ao mesmo tempo, encontrando um equilíbrio entre o escapismo e o autoral. Algo bem raro no mercado de quadrinhos mainstream atual.

Os desenhos de Ryan Stegman, a arte-final de JP Mayer e as cores de Frank Martin são uma combinação tão perfeita quanto simbiontes e humanos. Enquanto os traços evocam grandes desenhistas como Todd Mcfarlane, as cores se destacam pelo contraste entre os fracos feixes de luz e a plena escuridão contínua. Há uma presença forte de psicodelia, dando sentido literal ao nome do personagem. Há diversas viagens a serem feitas nesse quadrinho, desde as mais lúcidas até as mais alucinógenas.

Por fim, Cates inventa uma nova e incrível origem para os simbiontes, revelando que o planeta Klyntar, nada mais é do que uma prisão. Não apenas isso, ele cria um deus para eles, chamado Knull, o qual provavelmente, será um antagonista recorrente nas próximas edições.

Através de um ritmo frenético e aterrorizante composto pelos elementos mais diversos e improváveis de serem condensados de forma tão coesa, Venom é, surpreendentemente, o melhor título publicado pela Marvel Comics, no momento o qual eu vos escrevo.

Knull: Deus dos Simbiontes

Estamos diante de um run o qual pode vir a se tornar tão importante quanto Jason Aaron em Thor, ou Brian Bendis em Vingadores.

 

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A simpatia de um namoro fiel criado por Para Todos os Garotos que já Amei

Se apaixonar é fácil, difícil mesmo é amar, mas quando amamos, nada se compara com essa sensação. A frase que você acabou de ler nada mais é do que um fato que acompanha o ser humano desde a época que os primeiros seres pensantes da nossa linhagem histórica começaram a caminhar pelo globo. Durante toda a vida, nós nos apegaremos de maneira amorosa por diversas pessoas, seja você homem ou mulher, mas, na visão de quem vos escreve, o coração de um determinado indivíduo só pertencerá ao seu companheiro(a) apenas uma única vez, afinal, se amar fosse tão simples assim, ninguém estaria sofrendo pelo amor após o término de uma relação duradoura (ou não).

Estou cursando o terceiro ano do colegial e assumo que apesar de ser um garoto um tanto quanto jovem, já sei o que é o amor, e ele é lindo. Comecei a namorar no início desse ano com uma garota que eu julgo ser a melhor do mundo. Você deve estar se perguntando: ”como que esse mero rapaz tem tanta propriedade no que fala? Sendo que ele começou a namorar nesse ano pela primeira vez?”  Eu apenas sei do que estou falando. Lembra da primeira frase que você leu nessa coluna? Então… Mas, estou aqui para falar da excelente comédia romântica Para Todos os Garotos que já Amei, adaptação cinematográfica da série de livros de mesmo nome, composta por mais duas obras, que são: Agora e Para Sempre, Lara Jean e P.S. – Ainda Amo Você e que me fez pensar muito mais sobre o meu atual relacionamento.

No longa, acompanhamos a personagem Lara Jean Song Covey, que escreve cartas de amor secretas para todos os seus antigos paqueras. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando sua vida de cabeça para baixo.

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Mesmo sendo uma história deveras clichê, a produção me surpreendeu em diversos aspectos. Confesso que de primeira, fui conferir o filme com olhar pessimista e um tanto quanto ranzinza, mas óbvio, esses pensamentos ”chulos” da minha parte, desapareceram logo nos primeiros minutos, após a película se provar como uma transposição extremamente fiel ao material original.

Lara Jean, vivida pela atriz Lana Condor, se sustenta por si mesma. Ela está longe de ser aquela pobre coitada que o telespectador está acostumado a presenciar nos longas de comédia romântica mais usuais. Sua inteligência e a maneira que ela trata as coisas, principalmente os seus problemas, são os pontos chaves da composição sentimentais de sua personagem; lidando com bom humor em diversas situações tensas e constrangedoras que vão lhe perseguindo em determinados momentos fundamentais da trama. Mas como tudo não é um mar de rosas, a garota também chora e sofre pelos amores de sua vida, transformando alguns momentos da trama em algo mais raso e menos alegre.

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Assim como Lara, os personagens secundários são os pontos altos do longa. Peter Kavinsky e Josh Sanderson, interpretados respectivamente por Noah Centineo e Israel Broussard, são os principais crush’s da personagem principal, que demostra ter um enorme carinho e compaixão pelos dois rapazes, nos quais em resolutos momentos, alegam a si mesmos e para quem está assistindo, de que são excelentes possíveis futuros namorados ideais para a garota.

Além dos dois rapazes, está a presença de mais três garotos que não são tratados com muita ênfase durante a narrativa, esquecendo de mostrar um deles durante a jornada cinematográfica e deixando os outros dois de escanteio apenas para serem usados em ápices temporais mais insignificantes. Primeiro e único ponto fraco do filme.Sua trilha sonora também não é uma das mais memoráveis, mas, com certeza despertará um certo nível de curiosidade na mente de quem está assistindo para que após a conclusão da película, vá correndo procurar quem é o produz um ou outro hit presente na obra.

Vale mencionar, que as atuações dos atores John Corbett, Anna Cathcart  e Janel Parrish estão entre o alto panteão da película, sendo os responsáveis por fazer diversas piadas geniais ao desenrolar da narrativa, que por incrível que pareça, não cansam e muito menos perdem a graça com o passar do tempo.

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Para Todos os Garotos que já Amei representa a minha vida amorosa nos últimos meses. Demorou muito para que eu encontrasse ”aquela que eu pudesse colocar a sapatilha de vidro em seus pés”, mas, finalmente ela apareceu e a espera valeu muito a pena. O que foi testemunhado durante os seus primeiros minutos até os seus últimos segundos é totalmente incrível e até mesmo um pouco mágico, afinal de contas, um filme de comédia romântica que não cansa e inspira é até um pouco difícil de se ver (sim, eu conheço mais alguns, mas vamos dar o foco para a história de Lara, ok?).

Espero que tenha gostado, até a próxima e não se esqueça: ”eu darei todo o meu amor à você em letras maiúsculas” <3  

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Review | Shadow of the Tomb Raider

Desenvolvido pela Eidos Montreal em colaboração com a Crystal Dynamics, Shadow of the Tomb Raider traz uma Lara bem diferente daquela de alguns anos atrás. Sua evolução como personagem é nítida em cada diálogo e ações da protagonista. O fechamento da trilogia do reboot de Lara Croft é complicado. É ao mesmo tempo o mais bem realizado até agora, mas também carrega o peso de seus antecessores.

O que você precisa saber basicamente é que Lara acidentalmente coloca um apocalipse maia em ação depois de enfrentar a Trinity pela posse de um artefato místico. E isso faz com que nossa protagonista seja colocada em uma cadeia de eventos com ritmos conturbados e uma estranha mistura de fatos. O principal fator que vemos em Shadow of the Tomb Raider é o ritmo enfraquecido do roteiro, seus arcos são estabelecidos sem um background, e as vezes vagam no limbo sem serem citados por muito tempo

Jonah é seu único vínculo com a humanidade de Lara, um amigo íntimo, cujo relacionamento é um prazer testemunhar, pois de algum modo a relação dos dois é brilhante, se compararmos com o restante das interações durante o jogo. Deveria ter sido o foco principal do jogo, mas, em vez disso, foi jogado para escanteio, resultando em várias cenas sem profundidade que não acrescentam em nada tanto para a história, quanto para a personagem.

 

Além de alguns locais feitos exclusivamente para que aconteçam a progressão da história, a maior parte do seu tempo será gasto nas cavernas e na cidade principal, são sem dúvida a parte mais interessante de todo o universo de Tomb Raider, e em Shadow, eles não são diferentes. A cidade é inteligentemente projetada e movimentada como a vida real, com os cidadãos realizando suas rotinas diárias, e Lara sendo uma estranha em terras estranha e seus ocupantes reagem de acordo. Por sua vez, as cavernas trazem puzzles, alguns muito bem elaborados, enquanto outros não passam de perda de tempo, mas nada que diminua a experiência da gameplay. Nenhum deles é tão complexo que você precise de uma folha de papel para anotar informações ou muita raiva para resolvê-los, mas nenhum deles é tão fácil que te faça se sentir estranho.

O combate também reflete a evolução de Lara, agora sujeita a flechas feitas com o veneno de aranhas e sendo pendurada em árvores. Você pode entrar na briga com armas de fogo, mas não vai se divertir muito assim, a verdadeira emoção é se utilizar das suas habilidades do modo stealth, se camuflando e se protegendo de ser vista e em seguida derrubar inimigos um a um.

Não há dúvida de que Tomb Raider influenciou Uncharted no passado, e agora Uncharted está retribuindo o favor. E isso é muito bom, mostra que quando se tem alguma coisa boa no mercado que dá certo, outros jogos do gênero procuram melhorar da mesma maneira, implementando o que deu certo, mas sem copiar. O ritmo do jogo, cenas de Lara criança, cena de desastres com o terreno desmoronando ao seu redor, se você jogou Uncharted, tudo isso não é novidade, mas a maneira como foi aplicada dar um peso maior em toda a gameplay.

VEREDITO:
Shadow of the Tomb Raider é uma aventura de ação agradável na maior parte do tempo, mas frequentemente é vítima de uma narrativa aleatória e de um ritmo estrutural que impede que o final da trilogia seja realmente genúino.

PONTOS POSITIVOS:

  • Aulas de sobrevicência com a Lara.
  • Cenário grandioso.
  • Aventureiro e divertido.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Mecânica pouco desenvolvida, comparada com os antecessores.
  • Personagens sem profundidade, exceto Lara e Jonah.

NOTA: 8,5

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Buscando…: A sombria realidade falsa

Buscando… consiste em um trabalho pensado profundamente, que se sustenta no suspense para transformar sua narrativa em uma verdadeira experimentação. Gerando um conflito entrelaçado com seus personagens e relacionamentos, o filme consegue demonstrar a dramaticidade e urgência de sua história, mas sem ignorar a autenticidade da linguagem cinematográfica adotada. A internet e os meios eletrônicos como base para toda a construção da narrativa trazem identidade a obra, que discute polêmicas e problemáticas envolvendo os espectadores numa progressiva descoberta ligada ao enredo e à nossa própria realidade.

Nos primeiros minutos de exibição, há dois elementos fundamentais estabelecidos: o psicológico dos personagens e a linguagem. Através da tela de um computador – que será o cenário até o final – nos é transmitido o passado da família Kim até os dias de hoje. Os registros dos familiares ficam contidos nos incontáveis documentos no computador. Através de fotos, vídeos, telefonemas e notificações, conseguimos entender os acontecimentos de forma cronológica e coerente. Mesmo sendo previsível o que acontecerá com uma das personagens, o diretor Aneesh Chaganty encontra maneiras inventivas e criativas de revelar os desfechos. A partir deste início, a conexão com o filme está realizada, e a linguagem estabelecida.

O mistério é transmitido ao redor do desaparecimento da filha (Margot Kim) e a tentativa desesperado do pai (David Kim) de reencontra-la. Com isso, ele começa uma busca incansável nas redes sociais da garota, tomando conhecimento de outras dificuldades enfrentadas e escondidas por sua filha. As descobertas do pai são empolgantes, já que estão inseridas no conceito da linguagem do computador acompanhado de uma trilha tensa – intensificando a dramaticidade e a perturbação. Porém, a melhor de todas adaptações decorrentes da técnica de produção é a utilização da webcam como ponto de vista. Os planos e enquadramentos são fixos e inexpressivos, abrindo total espaço para atuação dos personagens – por outro lado, os planos do Windows e do MacBook são intercalados para se criar dinamismo na hora do suspense, incluindo cortes secos e zoom.

Bem montado e estruturalmente sem falhas, Buscando… consegue implementar um discurso rígido e sério sobre a utilização da tecnologia nos dias atuais. Contudo, nada é nu e cru. O trabalho é fragmentado pelas questões de justiça cibernética, exclusão social, pós-verdade e até julgamento público. Tais problemáticas não são abordadas de forma direta, sendo diluídas através das cenas no clímax do suspense. E, consequentemente, o filme nos coloca na posição de julgarmos as ações dos personagens, decorrentes das descobertas ao longo da exibição.

Mesmo assim, o thriller mostra que as suspeitas estavam equivocadas, nos colocando contra a parede. Neste momento, percebemos que nos tornamos logo aquilo que Buscando… estava criticando. A obra  deixa de ser um mero suspense para dar espaço a um experimento social válido e complexo, demonstrando que as influências da tecnologia são um ciclo interminável. Os pensamentos e os julgamentos estão em nossas cabeças, só basta um meio de alcance considerável para expô-los. Não importando quem esteja do outro lado da tela.

O terceiro ato é constituído por dois plot twists coerentes com o que foi contado. Existem, obviamente, algumas extrapoladas inevitáveis para concretizar o destino dos personagens, mas aceitáveis na presença de uma ótima construção e ambientação. Imitando o começo, o final combina os elementos cinematográficos na transmissão de uma conclusão em nível de excelência.

Buscando… é o tipo do gênero de suspense que consegue captar o público de primeira e desenvolver satisfatoriamente sua história. Entretanto, o principal atrativo fica com o experimento feito simultaneamente, que nos demonstra a incapacidade do ser humano diante da nova realidade dominada pela tecnologia, falsa e obscura.

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Review | Marvel’s Spider-Man

Você se lembra da cena de abertura do filme Amazing Spider-Man 2? Há muitas divergências quanto a sua qualidade como filme, mas a cena inicial onde ele utiliza a cidade de Nova York como um grande playground, é com certeza muito boa. E aquela sensação de liberdade é exatamente o que você encontrará em Marvel’s Spider-Man. Um jogo que vem numa época de hiato de alguns dos principais jogos de super-heróis, com uma história inédita que mescla a vida pessoal de Peter com as suas obrigações diárias de combate ao crime organizado na Grande Maçã. Podemos afirmar de antemão que a Insomniac, a Sony Interactive Entertainment e a Marvel acertaram bonito.

O seu modelo de mundo aberto já é bem conhecido, mas com uma história principal que cruza distritos cheios de desafios, missões secundárias e colecionáveis, acaba sendo agradável, mesmo que já vivenciamos várias e várias vezes esse sistema. A jogabilidade é tão suave que é facilmente aprendida, e sua curva de aprendizado é tão curta que em pouco tempo, parece que já temos mais de 10 horas de gameplay. O combate é uma satisfação hipnótica, enquanto o seu balanço na teia é sempre divertido. E diversão é a palavra-chave, a luta, o balanço na teia, até mesmo os personagens e a história em certos pontos, é tudo muito divertido de se jogar.

A versão do Homem-Aranha que somos apresentado é um personagem mais antigo, já com alguns anos de carreira. Portanto, sem história de origem. Isso significa que você é jogado quase em um clímax inicial, enquanto o tutorial de sugere sem esforço suas ações. Em poucos segundos, você se sente como se sempre tivesse sido o Homem-Aranha.

A história central é cheia de surpresas e descobertas, Peter Parker não apenas persegue bandidos, mas realmente faz jus ao título de “amigão da vizinhança”. Os crimes surgem e as coisas acontecem para mantê-lo ocupado em uma Nova York tão viva, movimentada e cheia de gente. É impressionante o nível de cuidado que a equipe de desenvolvimento dedicou a cidade como um todo, durante todo o jogo, você poderá presenciar pequenos eventos aleatórios, como acidentes automobilísticos, assaltos, assaltos a lojas e outros crimes comuns, tudo isso para ajudar a criar um maior realismo à cidade e às pessoas que nela participam. Durante toda a gameplay, vários vilões clássicos do Spider aparecem, entre eles Wilson Fisk, Otto Octavius, Shocker e Black Cat.

Falando em gráficos, você não precisa ter um PS4 Pro, para aproveitar Marvel’s Spider-Man de forma satisfatória. Nova York se estende em detalhes formidavelmente nítidos até onde a vista alcança, com um sol alaranjado da tarde, digno de filmes vencedores de Oscar em fotografia. É raro ver algo tão grande e detalhado parecer consistentemente tão bom e vivo, com os momentos finais do modo história em particular, algumas das coisas mais espetaculares que eu vi em jogos no últimos tempos

Conforme a história de Marvel’s Spider-Man avança, o jogo cresce em escala, mas de uma maneira administrável. Os colecionáveis, desafios e missões secundárias que aparecem, desempenham seu papel de preencher lacunas muito bem. Por que além disso você ganha várias moedas ao final de cada missão que você pode usar para comprar novos gadgets, habilidades, dando-lhe mais uma aplicação prática do que apenas o preenchimento puro da jogabilidade. Dominar os novos equipamentos e habilidades que você desbloqueia permite que o jogo continue a crescer.

É bem equilibrado em termos de escala, crescimento e viabilidade, embora o trabalho diurno de Parker como cientista ser um pouco exaustivo, sendo repleto de circuitos elétricos e quebra-cabeças de espectrógrafos que, apesar de divertidos o suficiente, que diferente das missões secundárias, parecem uma tentativa de dar algum propósito de jogabilidade além das cenas jogáveis.

Uma coisa que é difícil de ignorar, não sendo necessariamente uma coisa ruim, é o quanto o jogo apresenta coisas que já vimos na série Batman Arkham. Não é apenas as mecânicas, mas também os conceitos dos jogos de Arkham. De certa forma isso pode ser interpretado de várias maneiras. Qual o problema de “copiar” algo que funciona tão bem? Mas também pode vim o questionamento, “Eles não conseguem criar sua própria jogabilidade?”. No que diz respeito a jogos de introdução, é uma ótima escolha e isso não é um problema, mas ainda parece um pouco estranho. Os quick time events, são um desafio a parte, quando aparecem, têm uma ponderação estranha. Eles são tão lentos que quase os tornam mais difíceis.

Embora estejamos em negativos, falar da dublagem é obrigação. Todas as partes principais são dubladas e tocadas com profundidade e carisma. Tanto em português, quanto em inglês Peter Parker, é instantaneamente simpático e uma adição valiosa ao universo do Homem-Aranha. Ele é envolvente, super-heroico, mas humano, e há risadas reais em certos pontos, isso se encaixa perfeitamente no fato de que, sob a máscara, ele é apenas um cara normal do Queens.

VEREDITO:

Marvel’s Spider-Man é uma aventura extremamente divertida, cheia de grandes personagens e momentos, e apenas uma das melhores realizações de videogame de super-herói até hoje. A Insomniac é um estúdio com quase 25 anos de experiência em produzir aventuras de ação tátil e bacanas que são ótimas para se jogar, e ver que a experiência voltada para um jogo licenciado criou uma experiência impressionante, polida e trabalhada.

Pros:

  • Sensação de liberdade e controle.
  • Mundo aberto de Nova York, detalhamento e cidade viva.
  • Personagens simpáticos e ótimos desempenhos.

Contras:

  • Praticamente Spider-Man Arkham.
  • Estrutura familiar de mundo aberto.

NOTA FINAL: 9,5

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A Freira: Muito potencial, razoável aproveitamento

Os spin-offs de Invocação do Mal começaram com o pé esquerdo. Tendo Annabelle (2014) como seu ponto de partida, era nítida a falta de empenho dos realizadores em tentar produzir algo de verdadeira qualidade e significância, como as obras principais que serviam de base temática para estas outras empreitadas. Depois veio a continuação, intitulada A Criação do Mal (2017), que se distanciou do seu antecessor fazendo um filme com muito mais perspectiva, apesar de ainda ser bem inferior em relação aos dois Invocação do Mal. Agora, com A Freira, a esperança de finalmente ter um filme competente e que faria jus aos principais renascia. Prometendo uma premissa pautada diretamente a religiosidade, utilizando uma das figuras mais icônicas de Invocação do Mal 2 (2016), A Freira é, sem dúvida alguma, MAIS um erro dos realizadores que não encontraram o equilíbrio entre criatividade e reverência.

A Freira escancara o principal problema de todos os filmes paralelos, que juntos, tendem a criar um universo integrado: a falta de uma mente ambiciosa como a de James Wan. É nítida a falta de visão do diretor Colin Hardy em tentar criar algo inédito. Enquanto vemos Invocação do Mal corajoso na tentativa de alterar os padrões técnicos do terror, presenciamos A Freira indo para a direção contrária. Mesmo se sustentado na religiosidade, que poderia ser seu trunfo, o filme não ultrapassa a linha das convenções e dos clichês do gênero, resultando em outro trabalho sem personalidade e comprometimento com o que está sendo contado.

Em relação ao Annabelle, A Freira se assemelha muito no que se entende como falta de ritmo e ambientação. Se em Annabelle os ambientes e personagens soavam forçados, este não se diferencia muito. Até os primeiros dois planos gerais em que vemos a visão do castelo como uma forma de nos situarmos dentro do campo de ação, havia um certo cuidado em relação a composição espirituosa do convento e seus integrantes. Porém, o problema é quando as repetições de enquadramentos e sequências se tornam obstáculos para o fluxo da experiência: não há sentimento de claustrofobia ou inquietação em nenhum dos ambientes internos, porque o longa não se preocupa com tal.

Já falando em ritmo, A Freira consegue estragar seus pontos mais altos com bizarrices envolvendo alívio cômico sem nenhum impacto, e diálogos fracos e superficiais entre personagens quase inexpressivos. Quando há esse tipo de situação, fica escancarado o descuido em tratar seu gênero como mero entretenimento passageiro, estragando uma experiência que poderia ser, no mínimo, interessante.

Se a criatividade passou distante do processo de filmagens de A Freira, não há como se negar as reverências às convenções do gênero de terror. O momento do susto – referenciado pela expressão jump scare – as aparições diante do escuro e do vazio, o som ensurdecedor, o corte seco e preciso, além de várias outras técnicas já manjadas por fãs de longa data. Há de ser justo e dizer que, quase sempre, Hardy acerta a mão em tratar seu filme como um simples precursor do bom e velho terror. As luzes, que formam sombras e escuridões, dão uma sensação sombria satisfatória, além de trazer cores como o vermelho e o azul para irem se alternando entre as passagens. A edição e mixagem de som são, facilmente, a melhor coisa de A Freira. Correntes, vozes, passos, gritos, orações, trovões, entre outros, constroem, gradativamente, um conjunto de elementos que são encaixados de acordo com a movimentação dos objetos – corretamente dispostos no quadro, conseguindo captar a essência da religiosidade – e da tensão na cena.

O jump scare também é altamente utilizado. Vários cortes e panorâmicas são propositais, tornando previsível alguns espantos aos espectadores mais experientes. Mas há alguns bons sustos que pegam todos os públicos desprevenidos. Os que envolvem a freira são os melhores e eficazes, porque são esses que vão trabalhar toda a figura dela, desde a vestimenta até a maquiagem. Continua sendo uma das figuras mais aterrorizantes desse universo, mesmo com o excesso de CGI em quase todas as aparições.

Há um elenco formado por bons atores e atrizes, mas que trabalham pouco por seus personagens, provavelmente pelo texto fraco. O Padre Burke (Demián Bichir) e Frenchine (Jonas Bloquet) são os mais dispensáveis e entram para alguns dos piores da franquia. Ambos são os típicos que farão as maiores burrices, e às vezes ultrapassando o limite entre a facilitação do roteiro e a coerência da própria personalidade. Se um é o padre mais inútil da face da Terra, o outro é o personagem da Marvel com o pior timing da história.

Contudo, o núcleo feminino composto pela Taissa Farmiga e Charlotte Hope é formidável. Ainda acontece algumas incoerências, desta vez toleráveis. A Irmã Irene (Farmiga) chama a atenção no terceiro ato, quando é exigida pelos sufocos e dramas que envolvem a sua maturidade. Já a Irmã Oana (Hope) é rápida em sua aparição, porém marca com o peso dramático em que está envolvida. Duas personagens femininas que conseguem entregar uma parcela significativa de seu potencial.

A Freira consiste na falta do novo e na insistência do velho. Carece de criatividade e da ambição de seu próprio diretor, que parece não se importar com a falta do seu envolvimento. Como filme de terror, consegue se sair razoável por apresentar um bom domínio das velhas técnicas e truques para prender o espectador na poltrona. Talvez seja exatamente isso que o público espera, já para aqueles que buscam inovação e experiências únicas e particulares, A Freira não seria a melhor opção.

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Os Jovens Titãs em Ação: Nos Cinemas é uma crítica ácida aos filmes de HQs

Os Jovens Titãs em Ação é provavelmente o desenho de super-heróis mais controverso da face da Terra. Dito isso, a paródia baseada na série animada de 2003, acumulou no decorrer dos anos, o desgosto de inúmeros fãs da equipe e o amor, do público infantil. Entretanto, pouco importam as críticas ao fato de ser uma animação com piadas de pum constante, eles acabaram de ganhar um filme, o qual, sinceramente, no quadro mercadológico cinematográfico atual, merece sua atenção, pois acreditem ou não, é menos infantil do que aparenta.

O ditado: “Nunca julgue um livro pela capa” se aplica bem aqui. Os Jovens Titãs em Ação: Nos Cinemas – que título longo – é uma crítica ácida à saturação dos filmes baseados em HQs disfarçada de animação infantil. Na trama, a equipe faz de tudo para ganhar o seu próprio filme, pois esta é a única forma de ser considerado um super-herói de verdade. Entretanto, o mundo os enxerga como uma piada ruim (qualquer semelhança com a nossa realidade está fora de questão). Logo, para realizarem seu sonho e alcançarem a dignidade, eles precisam encontrar o seu arqui-inimigo. Assim surge, mais tarde, Slade, com o objetivo de controlar todas as mentes do mundo.

Titãs e Jade Wilson (Nome estranho, certo?)

Sem limites, o roteiro de Aaron Horvath e Michael Jelenic desconhece a linha tênue entre DC e Marvel. Fazendo as piadas mais óbvias, se aproveitando da popularidade de certas produções (Batman vs Superman é a diva a qual todos querem copiar) e até mesmo, da falta de popularidade de alguns personagens. Fãs de carteirinha da Casa Erguida pelo Batman, rirão alto durante a sessão. O script é absurdo e inclui inúmeras canções para nos lembrar que isto ainda é uma animação para crianças, mas sabe como ser sombrio em expôr a compulsividade de Hollywood em produzir adaptações baseadas em quadrinhos. Se até o Alfred pode ter um filme, por que os Titãs não podem?

Outro aspecto o qual merece atenção, é o uso de diversos estilos de animação durante a película, não apenas como uma forma de homenagear determinadas séries animadas, mas também, para se adequar ao tom de determinadas cenas. A movimentação é fluída e as cores enchem os olhos de quem assiste, principalmente os cenários desenhados pelo artista Dan Hipp, com diversos easter-eggs e trocadilhos, alguns cruéis, para os mais atentos. A trilha sonora, sempre evidenciando o tema original da série, dinamizam as cenas de ação e as canções grudam como chiclete.

Em um ano em que metade do universo foi obliterado e estamos sendo bombardeados por suposições e rumores envolvendo saída de atores, Os Jovens Titãs em Ação: Nos Cinemas vai ser amado pelas crianças, talvez odiado pelos adultos, mas nunca esquecido por este redator que vos escreve, assim como uma certa continuação de uma animação bem adorada, é uma crítica ao modo como estamos consumindo a cultura pop e como ela está nos consumindo. Mas é claro, no fim do dia, todos continuarão a pensar: “É apenas um desenho com piadas de pum.”

 

 

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House of Cards: VOTE EM CLAIRE UNDERWOOD

Após meses conturbados na produção de House of Cards, devido as polêmicas e acusações envolvendo o nome de sua estrela, Kevin Spacey, a série finalmente irá voltar com seu último e derradeiro ano. Para qualquer projeto que conte com Spacey no elenco, a perda de um ator desse calibre tem um peso considerável. Entretanto, diante dos crimes cometidos por Spacey, é inaceitável para os fãs e a própria Netflix o seu retorno. Não importa o sucesso ou o dinheiro, há assuntos fora das telas que devem ter uma supervisão rígida com uma seriedade extrema.

Com dois Oscars na carreira, Kevin Spacey é um dos maiores atores na atualidade. Protagonista em filmes estrelados como Seven – Os Sete Pecados Capitais (1995), Beleza Americana (1999), Baby Driver (2017) e Os Suspeitos (1995), entre outros, seu currículo é melhor do que de muitos em Hollywood. Um ator que sempre explorou o melhor de seus personagens, construindo personalidades próprias, demonstrando seus comportamentos e ideais. Spacey dava a vida pelo personagem. Alguns memoráveis, como Lester Burnham, que tem atitudes controvérsias e instáveis ao longo do excelente Beleza Americana. O retrato perfeito da classe média americana e a sua degradação em prol do estilo de vida ideal.

Já em Seven, o sociopata John Doe cria uma teia para divulgar seus ideais morais em relação ao comportamento humano. Apesar de aparecer em poucos minutos, Spacey parece se personificar no personagem, com um olhar duvidoso e ameaçador, ao mesmo tempo que retrata um psicológico profundo divido em psicopatia e serenidade. Em Os Suspeitos, o ator consegue extrair o essencial de seu personagem: confuso, perturbado e com problemas motores. E, consequentemente, sua atuação alcança o “clímax” nos últimos minutos, junto a um dos mais impactantes plot twists do cinema. Méritos do roteirista Christopher McQuarrie, do diretor Bryan Singer e do próprio ator.

Em 2013, estreava a promissora obra original da Netflix: House of Cards. A série que conquistou o público, e ajudou a Netflix crescer progressivamente, retratou de forma cruel e de certa forma, melancólica, a atuação política dentro do cenário americano. E a sua representação mais forte, intensa e objetiva é Frank Underwood, impiedoso e inescrupuloso na busca por poder. Talvez seja o resultado de toda a carreira de Spacey, depois de incontáveis personagens que exploram de forma crua a condição humana, Underwood foi o personagem que mais explorou essa variável. Da mudança de sotaque ao olhar penetrante, o premiado ator somou outro fenômeno em sua carreira, conquistando diversos prêmios e nomeações.

Se Underwood foi o resultado de diversas construções de personagens, Kevin Spacey é o retrato de tudo que explorou com eles. A crueldade, a necessidade de estar por cima e o egocentrismo extremo foram cruciais para a queda brusca de sua carreira, ainda, promissora. Foi a vida imitando a arte da forma mais surpreende que poderíamos presenciar. Nesse momento, a arte entregue por todos esses anos está manchada? Será influenciada por nossos pensamentos diante das ações do ator? Ou tudo deve ser ignorado, e a arte não tem nenhuma ligação com a vida exterior? Perguntas difíceis de serem respondidas. É no mínimo discutível todas elas, e, obviamente, cada um terá uma opinião sobre. Deixemos elas de lado por enquanto.

O que está em jogo, contudo, é o que irá acontecer daqui pra frente com a série americana. A saída afeta diretamente a parte comercial de House of Cards, porém, dar continuidade a história pode não afetá-la qualitativamente. Há um fator que muda tudo, há algo que pode conquistar novos públicos, concluir pontas soltas, e encerrar a série com chave de ouro. Este fator é Claire Underwood.

Robin Wright é versátil em cada papel que trabalha. Construiu uma carreira sólida e Claire Underwood é a sua personagem de maior destaque. Em duas temporadas mais tímidas e menos presente, Wright foi estabelecendo sua personagem. Não havia a presença da figura da mulher empoderada e independente. Claire era completamente cercada por Underwood, dependia dele para sua carreira e sucesso. Foi-se demonstrando vulnerável e submissa. Os esquemas do protagonista sempre se colocaram em cima de seus projetos pessoais. Mas não por muito tempo.

A partir da terceira temporada, os roteiristas deveriam ter percebido o valor que Claire e Wright tinham para a série. Em poucos episódios, a esposa submissa de Frank Underwood, se tornou autônoma e independente. Parecia que ela estava começando a tramar seus planos de forma concisa e independente. A série foi desconstruída em dois paralelos distintos, entre Frank e Claire. Cada um com seus objetivos e histórias próprias, lutando por benefícios individuais, mesmo que o casal continuasse junto.

Na quarta temporada, a equiparação dos personagens atingiu o mundo real. Ainda mais promissora, Claire Underwood estava se tornando o que as mulheres queriam ver em suas representações. Embora criticada por muitos e perdendo uma parte da velha audiência, House of Cards estava tornando sua protagonista feminina no que todas deveriam ser um dia. Embora a mídia e o público em si, não estejam se importando com isso. O desenvolvimento foi claro e óbvio durante as três últimas temporadas, e a quinta temporada, que seria marcada pela queda de Kevin Spacey, foi a ascensão de Robin Wright.

Era estranho os primeiros episódios, a quebra da quarta parede não era só mais feita por Frank, havia episódios que o próprio quase não aparecia. Sua ânsia de poder parecia estar sendo substituída pela jornada de sua parceira. E na cena final, na câmera focando em Claire Underwood e a bandeira americana furada pelo ex-presidente, foi o ponto final para sua consagração completa. O começo de uma nova era, dentro e fora.

Sem Spacey e Frank, mas com Claire e Wright, House of Cards tem a chance de retomar sua posição como a grande série que foi em suas primeiras temporadas. Mesmo mantendo o nível, o público e a crítica não parecem ter gostado das últimas mudanças ocorridas na série. As pontas soltas deixadas, e as conclusões da quinta temporada, pareciam ter encerrado a trajetória de Frank Underwood, que coincidiu com a saída do ator. Não há mais sombras para finalizar a trajetória da melhor protagonista feminina na TV atualmente.

HAIL TO THE CHIEF, diz o teaser da sexta temporada. É a troca de lugares e posições. Junta dos produtores e roteiristas, Wright pode explorar cada minúcia da forma que bem querer. O espaço é todo dela, seu desenvolvimento será completo e único. Enquanto a sua trajetória possa ser a salvação da série, também pode ser um novo ponto de referência para todos os homens e mulheres que lutam pela igualdade de gênero e a transformação total desses paradigmas sociais. Como A presidente disse no final do teaser: We’re just getting started. E é o que todos nós esperamos.