Categorias
Tela Quente

Unfriended: Dark Web mostra que não se deve subestimar o poder da internet

A Era da Tecnologia veio para transformar as nossas vidas para sempre e com ela, conseguimos uma maior facilidade e melhor comodidade. Só uma conexão via wifi se torna o suficiente para navegarmos em nossas redes sociais, procurar aquela música que só conhecemos por trechos e claro, adentrar-se na camada sombria da internet. Caminho este perigoso que segue um lema conhecido: O que acontece na Dark Web, fica na Dark Web! Porém, os protagonistas resolveram ignorá-lo.

A trama de Unfriended: Dark Web (Amizade Desfeita 2) inicia quando um atendente de Cyber Café pega emprestado um notebook no Achados e Perdidos. Tudo segue tranquilamente até o dono começar a reivindicar o aparelho ao mesmo tempo que Matias descobre uma rede ilegal de vídeos compartilhados por usuários denominados Charon e resolve contar para seus amigos. A partir disso, a tensão aumenta consideravelmente com os jovens tentando lidar com a ameaça. Em vão.

Se você não está familiarizado com o termo, dark web é então classificada como uma pequena parte da Deep Web que foi intencionalmente ocultada e inacessível através de navegadores padrões. Como uma lenda urbana, esta terceira camada é rodeada de temor e mistério entre os curiosos. Muitos querem conhecer, porém temem o risco de serem pegos por organizações que vigiam muitas atividades suspeitas que acontecem na hora mais sombria do dia.

Apesar de não terem explorado mais do conteúdo encontrado no notebook, o que foi visto consegue deixar uma leve perturbação. São pessoas em seus momentos de lazer e pior, mulheres sequestradas para a diversão de seus usuários. Somos vigiados a todo instante por inúmeras câmeras pela cidade e somos violados quando informações de Facebook são vazadas devido a um ataque cibernético. Como se tivéssemos num reality show macabro. Esse é o tal do Big Brother. Tema este já muito bem apresentado também em Black Mirror.

A expressão A curiosidade matou o gato! foi bem usada no filme e o preço da exposição veio com um gosto nada agradável para todos os envolvidos no Skype. Sobrando até para a Amaya (interesse romântico de Matias), que não estava envolvida diretamente na descoberta dos vídeos e mesmo sem saber, acabou entrando na Noite de Jogos. Esse pequeno detalhe não é nenhuma novidade em nossos tempos, onde uma simples mentira pode desencadear  situações perigosas para a vítima e para qualquer pessoa que esteja em seu círculo de amizade.

A imersão para toda a ambientação é boa, uma vez que estamos lidando com todo o tipo de tecnologia e aqui é feito de forma satisfatória. Tem-se um plot twist que demonstra como as armadilhas da Internet também possuem suas devidas armadilhas. Apesar de não ser um filme perfeito ou revolucionário, ele instiga como o ser humano se comporta quando não está sendo vigiado.

Unfriended: Dark Web foi lançado em 2018 e segue como sequência de Unfriended (2014).

Categorias
Anime Cultura Japonesa Pagode Japonês

A dublagem da Crunchyroll: KonoSuba

Tenho certeza que se você perguntar para alguém que curte animês hoje, sobre como ele conheceu a mídia e se envolveu pela primeira vez nela, as chances dele responder “assisti um animê dublado na minha infância” é de pelo menos 70%.

Para muitos, a dublagem de Dragon Ball (e suas respectivas sequências), Yu Yu Hakusho, Sailor Moon, Cavaleiros do Zodíaco ou Sakura Card Captors – entre outros títulos – foram a porta de entrada para o mundo da animação japonesa, muito antes de sabermos que se tratavam disso. Por conta desse histórico, acabamos por arraigar o conceito de que animês dublados são entry-level, e que devem ter como função a de introduzir esse universo para alguém sem nenhuma experiência prévia.

Sendo isso verdade ou não, é o que grande parte das pessoas acredita, e de certo modo funciona assim mesmo (quem nunca falou do Narutinho dublado que atire a primeira pedra). Por isso, quando soube da iniciativa da Crunchyroll Brasil de dublar para o português alguns animês de seu catálogo, imaginei que eles escolheriam títulos “seguros” que pudessem ser mostrados até para a sua mãe. E embora alguns dos felizardos se encaixem nessa descrição (Orange e The Ancient Magus Bride, por exemplo)… KonoSuba com certeza não é um deles.

Longe de mim ser elitista (muito pelo contrário), mas como comentei anos atrás, quando falei sobre o “Choque Cultural” de um iniciante em animês, tem certas coisas que você precisa estar preparado mentalmente para encarar. Chega um momento que isso tudo não passa de algo normal, mas pra quem está começando, pode assustar. E KonoSuba assusta os despreparados.

Essa montagem é boa demais para eu desperdiçar num post de três anos atrás.

Mas talvez isso seja exatamente o que faça com que KonoSuba seja um candidato ideal para ser dublado. Se a palavra-chave é “acessibilidade” (isso é, estar em português torna a obra mais acessível), dar uma opção de algo que mostra que o buraco é bem mais fundo para mais pessoas pode ser considerado uma jogada de marketing genial. Se isso tudo foi pensado ou não, deixo em aberto.

De qualquer maneira, podemos largar o achismo de lado e falar sobre fatos. Começando pelos culpados e pelo local do crime: KonoSuba foi dublado pelo Estúdio Som de Vera Cruz, no Rio de Janeiro; Também dublados lá, tivemos Black Clover, Re:Zero, Free!, Interview With Monster Girls, Orange e The Ancient Magus Bride; Quem dirigiu o elenco foi Leonardo Santhos, que estará presente no Anime Friends Rio 2019 como convidado da Crunchyroll, e é incrivelmente ativo e receptivo nas redes sociais.

Nos papéis principais, temos:

  • Erick Bourgleux como Kazuma (Conhecido como a voz de Aang, o avatar e Omi de Duelo Xiaolin);
  • Natali Pazete como Aqua (A voz da famosa YouTuber Virtual, Any Malu);
  • Isabella Simi como Megumin (Que cedeu vocais para a protagonista da recente adaptação hollywoodiana de Alita: Anjo de Combate);
  • Natália Alves como Darkness (A “Cara” de Luke Cage, e a “Tanya” de Supergirl).

Agora que as fichas estão na mesa, acabamos sempre caindo na mesma história toda santa vez: querer comparar a dublagem nacional com a original, seja lá de qual idioma ela seja.

Os japoneses são uma potência quando o assunto é dublagem, tendo sob sua bandeira uma lista gigantesca de atores de voz dignos de nota. Eu mesmo sou um fã que acompanha de perto o trabalho de alguns deles. Por causa disso, os comentários comparativos surgem sem falhar uma única vez, normalmente em defesa dos asiáticos.

Meu único pitaco no assunto é o seguinte: Isso acaba sendo questão de costume, e não culpo quem diz que prefere o original. É a velha história de que a primeira impressão é a que fica. Quer um exemplo? Eu não tinha assistido KonoSuba antes, vi pela primeira vez com a dublagem da Crunchyroll. E após dar uma ouvida no áudio japonês, digo que o Kazuma do Erick Bourgleux é até mais agradável do que o do Jun Fukushima, o dublador japonês do garoto.

Acostumado ou não com o idioma da dublagem, o trabalho que foi feito pelo Som de Vera Cruz está excelente, num nível geral. A escolha das vozes foi feliz (já comentei como adorei a voz do Kazuma), a adaptação e localização das conversas e das piadas (PRINCIPALMENTE DAS PIADAS!) foi feita no capricho, e tudo parecia muito natural.

Se eu fosse reclamar, seria do lipsync. Para quem não sabe, é adaptar o áudio de forma que ele “se encaixe” nos movimentos labiais do ator (ou no caso, da personagem). Eu senti com muito mais frequência do que gostaria que as personagens estavam falando pelos cotovelos. Quem mais sofreu com isso foi a Megumin. Até entendo que por conta da natureza da personagem (que adora fazer longos discursos sem nenhum nexo) o lipsync seja complicado, mas nas cenas de conjuração de magia com a garota, o assincronismo fica evidente demais.

A experiência geral, porém, é extremamente positiva, e fiquei muito feliz com o que assisti. O show em si já é de uma qualidade tremenda (de novo, para quem gosta de comédias idiotas e está psicologicamente preparado para ela), então poder vê-lo em meu idioma materno foi apenas um mimo a mais. Deixo meus parabéns para a equipe da Crunchyroll Brasil, por dar pique nesse projeto audacioso, e a todos do Estúdio Som de Vera Cruz, pelo trabalho bem feito.

Você pode assistir tanto a versão dublada como a original de KonoSuba na Crunchyroll, assim como outros títulos também disponíveis em português.

Categorias
Consoles Gameplay Games

Review | Final Fantasy XII: The Zodiac Age Nintendo Switch

Na reta para a maior feira de jogos eletrônicos do mundo, a E3, temos por consequência que os lançamentos próximos a ela sejam mais mornos sem muito destaque, posto que a maioria das empresas costumam guardar o ouro para a divulgação no evento.

No entanto, algumas pérolas podem passar despercebidas neste período, o que é o caso do lançamento de Final Fantasy XII – The Zodiac Age, a versão mais parruda remasterizada do jogo lançado inicialmente em 2006 para PS2, e com novidades notáveis, lançada no mês passado para Nintendo Switch e Xbox One.

É importante lembrar que a versão já havia sido lançada para PS4 e a análise em questão foi realizada no Nintendo Switch.

A versão Zodiac Age original chamada Zodiac Age International foi lançada somente no Japão em 2007 para PS2 e possui mudanças relevantes em relação ao jogo original como por exemplo uma classe definida que correspondem a um signo do zodíaco sendo possível que cada membro da sua equipe tenha até 2 classes diferentes, cada uma com a sua respectiva árvore de habilidades.

Final Fantasy XII se passa em Ivalice, reino amado por muitos fãs da saga e que muita gente conheceu através de Final Fantasy Tactics para o Game Boy Advance.

Mapa dos reinos

Mais especificamente no reino de Dalmasca, que está entre dois gigantes impérios que travam guerra por poder sem fim, a nossa jornada começa através da perspectiva do irmão do nosso protagonista carismático Vaan.

Com um tom tecnológico que usa “magia ao invés de eletricidade”, uma resistência em meio a um império tirano e uma aventura que vai contra todas as probabilidades, temos a trama bem desenvolvida e fechada em uma das melhores ambientações já feitas na série (E confesso que em muitas vezes me remeteu à sensação passada pelos Star Wars clássicos).

O combate de Final Fantasy XII sempre foi aclamado por estar muito à frente do seu tempo e isso se reflete ainda hoje, mais de 10 anos depois do lançamento do jogo original.

Isso porque o jogo te dá as ferramentas necessárias para se moldar o comportamento das inteligências artificiais de todos os membros da sua equipe de uma maneira bem intuitiva e descomplicada que é o sistema de “Gambits”.

Comprando mais gambits e abrindo mais espaços para novos, você vai podendo expandir ainda mais o comportamento de cada personagem.

Parece difícil mas é nada mais que um sistema de “condições” para cada situação onde você vai definir o comando a ser cumprido caso aquela condição seja cumprida, isso tudo numa ordem de prioridades.

No quadro acima por exemplo temos na primeira linha a condição “se algum aliado estiver com o status de silence” e na sua frente a ação escolhida que é “usar o item echo herbs” (que curam o status silence).

Caso não haja ninguém com status silence ele segue para o próximo gambit que tem a condição “se ele próprio estiver com HP menor que 70%” com a ação determinada “first aid”, que é a auto-cura do personagem, e por aí vai.

Pode parecer muito complexo de início mas o jogo é extremamente intuitivo e flui numa cadência amigável que lhe permite aprender, testar e aperfeiçoar as várias combinações de condições, ações e ordens de prioridade,

A história possui uma cadência invejável a muito jogo atual e ainda conta com uma trilha sonora reorquestrada, mas que pode ser mudada pra trilha original caso você seja nostálgico.

Os gráficos fluem muito bem, tanto no modo portátil como na TV e mais uma vez o console portátil da Nintendo tem se reafirmado como uma das melhores plataformas pra se jogar RPG’s na atualidade pela portabilidade que ajuda nas horas do bom e velho “farm”.

O folclore, as criaturas e mais diferentes raças em Ivalice mostram uma diversidade crível e o ambiente é bem imersivo fazendo deste um jogo indispensável a qualquer possuidor de Nintendo Switch.

Nota 9/10

Enquanto o remake do Final Fantasy VII não sai, dá pra se divertir com outros universos tão ricos da série e Ivalice e Final Fantasy o fazem com louvor, te garantindo, dependendo do tipo de jogador que você é, em torno de 100 horas de jogo.

Agradecimentos à Square Enix pela cópia digital do jogo, e ao Luiz Cláudio Andrade pelo desenvolvimento e ajuda.

 

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

O maior, mais lindo e furioso som tocado em Xampu é do sentimento!

“Aumenta que isso aí é rock ‘N Roll!” (Celso Blues Boy)

Já fazia muito tempo que eu queria ler Xampu do Roger Cruz. O trabalho totalmente autoral de um dos maiores quadrinistas brazucas já tinha me chamado atenção quando foi publicado pela primeira vez pela Devir, mas na época, em 2010, não consegui comprar. Anos se passaram, chegavam momentos, em que eu quase as comprava, mas sempre acontecia algo inesperado e as HQ’s ficavam para trás. Que naquele momento já acumulavam três volumes elogiadíssimos por várias pessoas. Mas finalmente a espera acabou. Já sendo publicada pela Panini, com um lindo box que lembra um vinil, a trilogia Xampu estava nas minhas mãos. E que satisfação.

Falar de uma história que foi publicada dez anos atrás, ou melhor, que começou dez anos atrás, é chover no molhado. Inúmeras resenhas sobre os três volumes estão aí na internet a um clique de distância para quem quiser. Eu prefiro falar de sentimentos. Prefiro falar de como me tocou ler algo que me pareceu tão próximo. Algo que imagino que o Roger Cruz sentiu ao fazer essa epopeia musical que mistura vidas, emoções, passado e lida com o futuro de cada um. E como cada caso parece peculiar e tão próximo.

Vamos ambientar. Era década de 90. O Brasil estava recém-saído de uma ditadura terrível. Começávamos a dar os primeiros passos para uma liberdade de expressão que os jovens não estavam preparados ainda. Não tínhamos mais as cabeças de poesias de protestos contra militares e regimes ditatoriais. Estávamos indo na emoção de onde o vento apontava. O ruim? Viramos muitas vezes massa de manobra. O jovem começou a ser visto como o futuro do país que era regido por velhos dinossauros de Brasília que estavam lá desde antes do Golpe Militar. Os Caras Pintadas foram para as ruas e “derrubaram” um presidente jovem cheio de erros. De uma democracia jovem e ainda cambaleava. Era meio que anunciado que as eleições de 1989 seriam uma bomba pelo caminho que estava seguindo. Mas era uma época em que mexer com política, não era o forte do pessoal. Nem muito o objetivo. Estávamos em uma época que o som era sujo. Amplificadores ao máximo e distorção potente. Era o nosso momento de gritar. Algo do tipo: “vocês lutaram bem, mas quem vai surfar essa onda seremos nós!” 

Xampu retrata muito disso. Do estarmos vivendo o agora. O agora é que importa. Deixa-me curtir minha vibe. E o depois? Que se foda o depois! Roger Cruz, em um relato pessoal e visceral, faz o leitor entrar no apartamento de Max, Sombra e do resto da banda The Suckers e se sentir parte da história viva. Nas festas. Nos momentos alegres. Nos momentos de papo furado. Nas transas. E nos momentos conturbados e sombrios. Tudo esteve ali. Tudo aconteceu ali. E dá para sentir. As pequenas tramas, que são fechadas, vão se desenrolando e se misturando cronologicamente, mostrando sentimentos incríveis de cada personagem. E cada personagem sempre lembra de alguém que você realmente conheceu na vida real. Assim como o seu auge e como o seu final. Impossível você não ter conhecido alguém que era o fodão da turma. A mina mais linda da turma. O cara mais legal e sensível da turma. O mais desligado. A pessoa que se perdeu na vida. Aquele ou aquela que teve um triste fim.

Particularmente, Xampu, mexeu muito comigo. Eu tive diversas bandas durante a década de 90, e como toda banda daquela época, o sonho de gravar um CD, ficar famoso, aparecer no Programa Livre do Serginho Groisman, ter um clipe na MTV e viver em turnê pelo mundo era forte. Quantos e quantos shows undergrounds em lugares fedorentos foram feitos! Diversas roubadas se metemos! Quantas bebedeiras. Algumas drogas. Algumas paixões. Correspondidas. Outras paixões não. Quantas decepções. E quantas risadas! Ah foram muitas risadas!

Esse de blusa verde sou eu!

O mais legal de uma mídia como os quadrinhos é despertar isso em você. Velhos sentimentos. Antigos cheiros. Se fazer questionar. “Se eu tivesse agido assim… como seria?”, sim esse é o verdadeiro intuito de um quadrinho potente como Xampu. Acredito por ser autobiográfico, ele tenha essa facilidade. Mas ao mesmo tempo ele é acolhedor. Como um velho amigo que te abraça e vocês começam a relembrar antigas histórias da galera e procura saber como está o pessoal atualmente.

Mas engana-se quem pensa que Xampu é somente para quem viveu, ou esteve próximo daquela época. Não. Como eu disse antes, é fácil você reconhecer alguém da sua turma que seja como os personagens da HQ. E até mesmo se reconhecer nela. Eu mesmo lendo o quadrinho, comecei a me enxergar em um mix de personagens. Mas Xampu é sobre isso. É sobre uma época que foi única, que serve de reflexo para amigos que você conheceu ou ainda conhece. Um registro bem incrível da década de 90, que eu gostaria de ver mais em quadrinhos nacionais.

 

Categorias
Cinema Tela Quente

Godzilla: Rei dos Monstros é bíblico, caótico e visualmente soberbo

Godzilla: Rei dos Monstros é uma produção apaixonada por seu material-base, por diversos fatores. Mas os monstros sendo creditados como eles mesmos, é provavelmente o mais fascinante. Talvez seja pelo fato de que eles são tratados como as grandes estrelas e isso demonstre um certo respeito para com a audiência. Pois o que o público quer ver é simples: Uma gigantesca batalha de titãs. Sob essa ótica, o longa é mais do que apenas satisfatório.

Enquanto o primeiro filme revela a existência dos titãs, Rei dos Monstros lida com as consequências disso. A Monarca responde processos e a humanidade questiona: “O que devemos fazer com essa criaturas?” Mas quando King Ghidorah (um dragão de três cabeças) emerge, só há uma forma de pará-lo: Godzilla.

Ghidorah

Para representar lados opostos de uma mesma moeda, o roteiro de Michael Dougherty, Max Borenstein e Zach Shields, utiliza Emma Russel (Vera Farmiga), Mark Russel (Kyle Chandler) e Madison (Millie Bobby Brown) para construir um drama de cisão familiar. Tudo isso serve como pano-de-fundo a fim de que se construa uma óbvia porém eficiente metáfora sobre o tema do filme: Coexistência.

Apesar de ser permeado por diálogos redundantes, o script de Rei dos Monstros é extremamente interessante. Pontuado por questões ambientais relevantes e até mesmo inesperadas reviravoltas, é incompreensível pensar que esse filme é incompreensível. Contudo, as performances auxiliam bastante esse aspecto. Não apenas Farmiga obtém atenção do espectador com um ótimo discurso sobre a estupidez humana. Assim como, Ken Watanabe, com seu Serizawa, entrega um ótimo e quase poético arco.

Emma Russel (Vera Farmiga)

Mesmo que os humanos sejam surpreendentemente interessantes, o público veio pelos monstros. Cada aspecto técnico contribui para a construção dos personagens. Não apenas como eles parecem, mas como se comportam. Acredite ou não, existe um arco dramático para Godzilla extremamente bem executado. Não apenas ele, mas a encantadora Mothra, o furioso Rodan e o implacável King Ghidorah também possuem funções claras dentro da narrativa.

Quanto à direção, Dougherty traz um gigantesco senso de imponência nas batalhas e faz o impossível para imergir o público nesse mundo. Porém, nada disso seria possível sem a direção de fotografia de Lawrence Sher, com a escuridão contrastando com as diferentes cores fluorescentes representadas pelas habilidades dos titãs. Cada traço de sua identidade visual contribui para o tom apocalíptico do longa. As imagens são extremamente poderosas e o  que é feito aqui, beira ao bíblico.

A trilha sonora por Bear McCreary também possui relevância para o individualismo das criaturas. O compositor retoma alguns dos temas originais compostos por Akira Ifukube e os utiliza da maneira mais gloriosa possível. É tão satisfatório testemunhar Zilla rugindo ao som de seu tema, elevando o épico de uma forma indescritível. Cada faixa parece compreender a emoção necessária existente em cada cena.

Em suma, Godzilla: Rei dos Monstros é basicamente o filme de kaiju perfeito. A produção compreende o desejo do público enquanto entrega um épico caótico visualmente soberbo e o maior confronto de monstros da história do cinema. Pelo menos até o momento em que o King Kong quiser reivindicar o trono.

Mas até lá, vida longa ao rei.

 

 

 

Categorias
Gameplay Games

Review | Gato Roboto

Mesmo não sendo o primeiro do gênero, Metroid (1986) e Castlevania (1986) são um dos jogos mais reconhecidos quando falamos no sistema de mapa interconectado, com exploração, podendo ser de plataforma ou não. Conhecido como gênero metroidvania, inspirou vários outros jogos como, a sequência Castlevania: Symphony of the Night (1997), e alguns mais recentes como Ori and the Blind Forest (2015), Hollow Knight (2017) e Dead Cells (2018).

E Gato Roboto busca unir este gênero tão conhecido, com uma história um tanto quanto for a do convencional para jogos semelhantes, utilizando algumas concepções conhecidas e buscando inovar com a ajuda da tecnologia contemporânea.

“O cão é o melhor amigo do ser humano”, isso quando não estão em um planeta alienígena, cheio de perigos escondidos e ação frenética, nesse aspecto o gato vem para salvar o dia. A história é encantadora, e aborda o relacionamento entre ser humano e animal de uma maneira simples e convincente. Como todo bom animal de estimação o gatinho tem um nome, na verdade a gatinha, ela se chama Kiki, e é a protagonista em Gato Roboto. Assim que a nave em que Kiki e Gary cai em um planeta desconhecido, onde está localizada uma base de estudos tecnológicos, a gatinha tem a missão de completar toda a aventura que seria destinada a seu dono humano que ficou preso dentro da nave espacial. Quando Kiki passeia pelo novo mundo, e encontra um traje robótico, a felina ganha acesso a armas high tech e com poder de fogo capaz de ajuda-la na tarefa. Você aprende sobre o planeta alienígena no decorrer da gameplay, encontrando algumas gravações dos que ali trabalhavam anteriormente, e descobrindo novas localidades dentro do game.

Uma característica dos jogos metroidvanias é o fato de focarem no aspecto exploratório, algumas vezes nos deixando perdido entre uma cena e outra do mapa em busca de objetos e equipamentos, o que pode demandar um pouco de tempo e paciência para o jogador. Gato Roboto utiliza de uma fórmula conhecida, ele é linear com alguns pontos fora da curva, como Uncharted (2007), com pitadas frenéticas de ação, o jogo apresenta durante toda sua gameplay, uma energia própria, sem descanso. A todo momento você é apresentado a novos conceitos e novas informações que te levarão ao sucesso da missão, e na alternância entre gato e robô, que te faz criar novas estratégias a todo minuto para conseguir superar todas as adversidades que aparecem no caminho de Kiki. Por outro lado essa mesma velocidade que acabou se tornando o sinônimo de Gato Roboto, acaba tirando o brilho de outras mecânicas, que não conseguem aparecer devido ao frenesi de pulos e tiros. 

Gato Roboto é um jogo da atualidade que não se encaixa muito bem no presente, e isto é maravilhoso. Estamos cercados de jogos com volumes inacreditáveis de conteúdo, onde o jogo pretende te apresentar “n” propostas em um curto espaço de tempo, que no final não irá acrescentar em nada. Ele é um jogo para relaxar, sem nenhuma pretensão de ser o melhor do mundo ele encanta pela simplicidade e sua trilha sonora clássica de jogos do SNES, e seus mapas preto e branco básicos, mas bem elaborados. Cada espaço é único, muito bem explorado pelos desenvolvedores, que não tiveram a má fé de encher o cenário com objetos idênticos, apenas para acrescentar algo na tela, cada cena te instiga a explorar os espaços e buscar novos caminhos. 

VEREDITO:

Gato Roboto, melhora o jeito de jogar metroidvanias, além de apresentar uma gameplay limpa, e bem explorada. O segredo do jogo é realmente ser simples. Um passatempo divertido e satisfatório, que ousa na medida certa, mas se sustenta em aspectos já consagrados. Algumas explorações de fato não tem uma recompensa a altura, mas o “pulo do gato” é justamente o caminho que você faz, encontrado adversários e atirando ainda mais com seu traje mecânico. Qualquer um que esteja seja fã de Metroid certamente se sentirá em casa.

PONTOS POSITIVOS:

  • Gameplay simples e divertida.
  • Trilha sonora.
  • Mecânica.
  • Desing das cenas.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Inimigos genéricos.
  • Gameplay curta.

RECOMENDADO!

 

 

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

Matar e Morrer: os dois Prelúdios de Dario Argento

Em 1975 o renomado cineasta italiano Dario Argento lançava o que viria a se tornar sua obra-prima mais cultuada: Prelúdio para Matar (Profondo Rosso no original), um suspense policial escrito por Argento, com produção de seu pai e de seu irmão mais novo, e trilha sonora composta pela banda Goblin.

Dario Argento iniciou sua carreira em meados dos anos 60 e ganhou notoriedade pelo trabalho realizado ao lado de Bernardo Bertolucci no filme de Sergio Leone, Era uma Vez no Oeste (1968). Após o sucesso de sua produção de 1970, O Pássaro das Plumas de Cristal, o diretor investiu em outros dois filmes que seguem a mesma temática, e esta trinca foi apelidada de “trilogia animal“. Outro filme foi lançado em 1973, e exatamente em 75 Profondo Rosso chegou aos cinemas.

Uma das cenas de Prelúdio para Matar, em que o protagonista investiga o misterioso assassino.

Prelúdio para Matar, um trabalho que Argento dividiu com Bernardino Zapponi, une as características dos filmes thriller do diretor com pitadas de sobrenatural e fantasia. Na trama, um pianista vivido pelo ator David Hemmings é testemunha do assassinato de Helga Ulmman (Macha Méril), e decide investigar os fatos contando com a ajuda de uma amiga repórter, interpretada por Daria Nicolodi.

O filme tornou-se um sucesso de público e crítica e hoje figura no topo das listas de melhores obras da filmografia do diretor. A produção envolveu particularidades da vida pessoal de Argento, tal qual sua separação com a segunda esposa. O título do longa significa, em português, Sangue Profundo, e a composição única que dá vida à história contada, com ambientação espetacular por parte da direção das cenas e da trilha sonora desenvolvida pela banda italiana de rock progressivo são os pontos altos da fita.

O diretor e roteirista elabora um mistério intrigante e cheio de surpresas enquanto o protagonista está em sua investigação. Levando o espectador a um ponto final graças às descobertas, Dario não falha em surpreender e entrega um plot twist memorável. O sombrio assassino, que no filme é interpretado pelo próprio Argento (nas cenas em que somente as luvas estão visíveis), promove uma verdadeira chacina no decorrer das – rápidas – duas horas de mistério. Quando chega ao fim, sobra a satisfação por ter presenciado tamanho esmero em uma tela. E a influência deixada por suas obras ao legado do cinema é gigantesca, retirando-se do posto de ícone italiano para se tornar referência mundial.

Mais de quarenta anos depois, Dario Argento revisitou as principais características de sua obra definitiva. Agora, nas páginas de um personagem das histórias em quadrinhos: o Dylan Dog.

“O maior ícone italiano de terror depois de mim”, disse o diretor com um sorriso.

Foi através do roteirista da Sergio Bonelli Editore Stefano Piani que Dylan Dog teve uma história escrita por Argento lançada na Itália, na edição 383 da revista do personagem, datada de junho de 2018. Amigo pessoal de Dario, Piani abordou-o ao mesmo tempo em que trocou mensagens com o editor de DyD, Roberto Recchioni. Foi dada a largada para que o Investigador do Pesadelo criado por Tiziano Sclavi, tal qual uma marionete, fosse conduzido pelas hábeis mãos do diretor. O título da obra: Profondo Nero (Terror Profundo), seguindo o italino, e no Brasil, Prelúdio para Morrer.

Uma misteriosa mulher é destaque na bela capa de Prelúdio para Morrer.

Mas as semelhanças entre o clássico filme e a história de Dylan não se limitam ao título. Aqui, com colaboração de Piani, Argento cria uma história de investigação mestrada por BDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo), e apesar do plot geral não se assemelhar ao de sua obra máxima, a condução de ambas possuem paralelos.

Os dois Prelúdios de Argento têm início com uma cena ambientada no passado. No filme, alguém assassina um homem e uma criança está com a faca em uma das mãos. No quadrinho, duas filhas de um nobre são pegas roubando a gaveta de dinheiro do pai. Ambos os prólogos são, ao final da narrativa, trazidos de volta para mente do espectador/leitor e utilizados como gatilho para solução de um mistério maior. E como o clássico de 1975, Prelúdio para Morrer traz alguns elementos fantasiosos que o diretor trabalha em algumas das suas produções, uma vertente favorita do mesmo.

A cena inicial do filme mostra uma criança presenciando uma faca ensanguentada.

A sinopse desta história é direta: ao visitar uma exposição de quadros e fotografias BDSM, o herói avista uma linda mulher de longos cabelos pretos e muitas cicatrizes nas costas. Ao segui-la através da multidão, ela desaparece na cidade e Dylan se vê em uma experiência bizarra onde, seminua e amarrada, com uma estranha multidão assistindo ao redor, a mulher que avistara anteriormente pede para que ele a chicoteie. Ao acordar do que se assemelhou a um sonho, o dever é descobrir quem diabos é essa mulher.

“A dor é prazer, Dylan!”

A paixão do autor por obras de arte se faz presente em seu filme como elemento chave para a resolução do mistério, e é o principal gatilho para que o Investigador do Pesadelo dê início às suas buscas, motivadas também por avistar uma mulher em situação estranha. E as referências ao filme também se apresentam de forma visual: há um pôster da banda Goblin em determinado quadro, dividindo cena com uma marionete que, no longa, protagoniza uma das mais impactantes cenas de ação e terror.

A utilização de bonecas e marionete em Prelúdio para Matar cria um suspense único.

Enforcamentos, desmaios, facadas e mortes por um ataque de cutelo promovem a sanguinolência, que sempre se encerrará com balas e pólvora. E além dos paralelos, esta é uma aventura cronológica do herói, com utilização dos aparatos tecnológicos que o leitor conheceu na aventura A Serviço do Caos, cronologia esta situada em um texto editorial.

“Quem junta tudo é Dario, que, como faz todas as vezes, se fecha em um quarto de hotel em algum lugar, junto com um computador sem wifi, para escrever.”

O desfecho, mais uma vez remetendo ao Prelúdio para Matar, entrega uma reviravolta que esteve o tempo todo escancarada para o leitor, incapaz de notar e mergulhado na assombrosa arte do genial artista Corrado Roi.

E enquanto adiciona componentes novos para sua trama, incluindo até mesmo algumas atitudes polêmicas às mãos de Dylan Dog, esta revisitação histórica de um clássico do suspense e terror demonstra a força não somente do Old Boy que vive a aventura, como também do autor, que hoje possui 78 anos de idade e ainda é capaz de mergulhar-nos em tanta ansiedade curiosa.

A obra foi trazida ao Brasil pela Mythos Editora em uma graphic novel luxuosa, com capa dura e textos que complementam a leitura. Confira detalhes clicando aqui.

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

Aperta o play e viaje na batida de Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop

Eu tinha entre dez e onze anos, não me lembro direito, quando minha mãe me presenteou com um vinil. Era o Funk Brasil 1. Ali foi meu primeiro contato para valer com esse tipo de som. Minha veia musical estava começando a ser moldada, obviamente eu era um moleque que escutava de tudo um pouco, os sambas nas festas das minhas tias, os rocks que meus primos ouviam, os forrós dos discos do meu pai, mas sem entender nada direito. O disco tinha raps que são muito diferentes dos que conhecemos hoje em dia. Logo na primeira faixa era uma música do Cidinho Cambalhota com participação da Dercy Gonçalves chamada Rap das Aranhas (uma espécie de continuação de Rock das Aranhas do Raul Seixas). Outros clássicos do funk carioca se decorriam ao longo de suas oito faixas no primeiro disco do icônico DJ Marlboro. Essa sempre foi minha referência para esse tipo de som.

Ao longo dos tempos me encontrei melhor no rock, mais precisamente nos punks hardcores da vida, mas sempre que dava aquela vontade voltava para o Funk Brasil. Até que anos mais tarde, na escola, um amigo me emprestou uma fita cassete. Vale lembrar que estamos situados aqui na década de 90 e esse era o nosso modo de compartilhar músicas. A fita tinha uma penca de raps do RUN-D.M.C. e fiquei tipo: “Puta merda! Que parada foda demais!”. Logo após eu fui conhecer os Racionais MC, e um foi puxando o outro. Até as bandas de rock que na época misturavam com rap ajudaram nesse conhecimento. Como o Planet Hemp, Pavilhão 9, Cambio Negro etc e tal.

Fiz essa pequena introdução para poder falar que Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop da Editora Draco, me fez ter essa sensação novamente de estar descobrindo um novo mundo. Ao longo das suas 184 páginas me senti não apenas lendo um gibi. E sim escutando um disco de rap. As suas histórias me remeteram a canções e como uma ironia incrível, algumas você pode até cantar. Como Preta Maravilha Contra a União Golpista e Que Nem um Morcego. As letras (ou histórias) falam do cotidiano da comunidade, de preconceitos, de revolução, de correr atrás do seu sonho, de batalhar o seu sonho, a eterna luta contra os poderosos e de evoluir. Mas usando a magia que somente as HQ’s podem proporcionar. E faz todo o diferencial.

A primeira faixa é O Sampleador, com roteiro de Raphael Fernandes e arte de Braziliano, com uma bela história de um rapaz que tem um dom amaldiçoado que atormenta a sua vida. Depois o álbum pula para trama heroica Preta Maravilha contra a União Golpista com arte e texto de João Pinheiro. Aqui somos apresentados a uma super-heroína urbana que está em combate contra os poderosos iniciando uma revolução. A história toda é um grande rap e como disse antes, dá para ler cantando com uma batida imaginária na mente. Que Nem um Morcego do trio Cirilo S. Lemos, Giovanni Pedroni e o rapper De Leve. É a minha preferida da coletânea. A história do cativante Ramiro descobrindo o hip hop e iniciando nas batalhas de MC’s te abraça e te leva para um mundo fantástico. Fechando o “lado A” do disco Na Quebrada, vem a importante Meu Corpo, Minhas Regras escrito pela ótima Larissa Palmieri e com arte de Vitor Flynn. Uma trama cyberpunk que mistura fanatismo religioso, direitos das mulheres, machismo, corrupção e o poder da fake news. Mais atual impossível.

Virando para o “lado B” de Na Quebrada, começamos com Um Conto de Duas Cidades, onde dois grupos rivais se unem contra um mal comum que ameaça a todos. Um aviso bem real para os dias de hoje. O texto é de Felipe Cazelli e arte de Marc Weslley, com os desenhos mais bonitos da coletânea. Em seguida vem Darréu – A Lei do Mundo, uma divertida e leve trama escrita pelo entregador de gás Alessio Esteves e com artes de  Felipe Sanz. A história de dois meninos que queriam tirar uma onda com os amigos é a mais descompromissada da coletânea, lembrando até aqueles filmes gostosos de assistir como Goonies ou Uma Noite de Aventuras. Já em Olido de Juju Araújo e com o retorno de Braziliano na arte, trata da famosa arte urbana. Assim como a galeria homônima que fica em São Paulo, o texto abraça os traços grafiteiros de Braziliano e apresenta uma trama de poder, busca pelo sucesso e reconhecer suas raízes. O fechamento fica por conta da excelente O Rei do Groove que tem arte e texto de Guabiras. É uma grande homenagem ao hip hop mundial disfarçada em um conto fantástico de um DJ que beirava o fracasso e se torna um dos maiores. A história, em todos os seus quadros têm referências ao hip hop, é uma aula de história sobre o estilo com artistas dos mais variados tipos que contribuíram de alguma forma com o movimento. É bem legal ficar caçando as referências.

Além dos quadrinhos, o volume conta com uma introdução de Alê Santos, contador de narrativas negras (confira seu trabalho em sua conta no Twitter), e comentários do grande Gil Santos, o popular Load, e do rapper Rashid.

Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop tem na sua maior qualidade o fato de ser um trabalho necessário para a galera. Disseminar essa cultura para o leitor é de suma importância. E tomara que quem venha a ler, passe a se interessar e a consumir as artes que o movimento gera no total. E como disse o meu amigo Gigalovax Cândido, todas as histórias acabam de forma positiva. Apontando que o futuro pode sim ser melhor.

Na Quebrada – Quadrinho de Hip Hop tem formato 17 x 24 cm, 184 páginas e capa em papel cartão. A coletânea está em pré-venda no site oficial da Draco.

Categorias
Detective Comics Quadrinhos

Decepcionado com o final de Game of Thrones? Conheça boas HQs de fantasia medieval!

Sucesso da televisão que ao longo de oito anos conquistou milhares de fãs ao redor do mundo, Game of Thrones finalmente chegou ao fim, e a luta pelo controle dos Sete Reinos atingiu sua derradeira conclusão. Entretanto, esta conclusão deixou uma sensação ruim para muitos que acompanhavam a série, após deslizes no decorrer de toda a oitava temporada.

E qual a melhor forma de apagar o gosto ruim deixado por finais insatisfatórios? Conhecendo outras obras! E abaixo elencaremos alguns ótimos quadrinhos de fantasia medieval, publicados no Brasil nos últimos anos e que possuem status de grandes obras do gênero, seja pelas intrigas políticas, batalhas épicas ou personagens cativantes. Vale lembrar que o gênero de fantasia medieval é muito extenso, e seria impossível comentar sobre TODAS as histórias deste tipo de uma só vez.

Dragonero: O Caçador de Dragões

Série italiana publicada pela Sergio Bonelli Editore, Dragonero é um dos maiores sucessos modernos da editora, sendo consagrada como uma das maiores séries de fantasia da Europa.

Fora das terras civilizadas do Erondar, além da ciclópica barreira do Valo, que separa o Império da Terra dos Dragões, a Antiga Interdição, que sela e aprisiona os abominosos em seu mundo escuro, está para ser quebrada. O mago Alben sabe o que deve fazer para evitar essa catástofre: ele convocará a oficial Myrva, a monja guerreira Ecuba e Ian Aranill, ex-oficial do Império, além do orc Gmor, amigo leal de Ian. Alben sabe que eles deverão enfrentar as forças maléficas evocadas por Shiverata, seu antigo inimigo, e as hordas dos algentes, os únicos seres sencientes que habitam a Terra dos Dragões. E sabe que Ian, membro da família dos Varliedartos, os Matadores de Dragões, é o único que poderá encarar a última terrível ameaça que deverão enfrentar. Junte-se a esses cinco heróis para fazer uma incrível viagem através de uma terra de maravilhas, prodígios, fantasia e horrores mortais.

Este encadernado da editora Mythos reúne a primeira minissérie completa de Dragonero, em uma edição que contém mais de 290 páginas. Porta de entrada ideal para novos leitores.

Os Companheiros do Crepúsculo

Uma das mais aclamadas obras de François Bourgeon, Companheiros do Crepúsculo chegou ao Brasil (com o merecido tratamento, pois já havia sido lançado antes) através da editora Nemo.

Considerado um dos melhores álbuns de quadrinhos já produzidos, Os Companheiros do Crepúsculo se passa na Idade Média durante a Guerra dos Cem Anos. A história é centrada nos personagens do Cavaleiro, Mariotte e Anicet, em sua busca por redenção ou pela simples sobrevivência. Misturando fantasia e lutas sangrentas, cenas cotidianas e um tom de erotismo, um dos destaques desta obra-prima das HQs é o belo e detalhado traço do autor, que transporta os leitores para os cenários e o clima da época.

Através de linguagem rebuscada que situa muito bem o leitor, esta edição de um clássico é imperdível para quem gosta de grandes histórias e para os amantes da arte dos quadrinhos.

Rat Queens

O grupo das Ratas Rainhas, quatro amigas que se assemelham às classes típicas de boas aventuras de RPG, dão vida ao título Rat Queens da Image Comics (com selo Shadowline), trazido ao Brasil pela editora Jambô.

As personagens formam um grupo de aventureiras matadoras, beberronas e mercenárias, e seu negócio é trucidar todas as criaturas dos deuses em troca de grana. Conheça Hannah, a elfa maga rockabilly; Violet, a anã guerreira hipster; Dee, a humana clérigo ateia; e Betty, a miúda ladra hippie. Suas aventuras são um épico de estilo moderno, dentro do gênero tradicional de matança violenta de monstros — como se Buffy encontrasse Tank Girl em um mundo de RPG… Mas pra lá de chapada!

Já foram publicados em terras brasileiras dois encadernados com capa dura reunindo as dez primeiras edições da série original, muito elogiada nos EUA.

Elfos

Um dos maiores sucesso do mercado francês, a série Elfos está sendo publicada atualmente no Brasil pela editora Mythos.

Com narrativa rotativa e dividida entre diversas espécies de elfos, onde cada história possui foco num tipo específico (são eles: azuis, silvestres, brancos, negros e meio-elfos), os autores constroem aos poucos uma trama maior e cheia de nuances e interconexões. O primeiro volume possui duas histórias, uma focada nos elfos azuis e outra nos elfos silvestres. O segundo volume já foi lançado pela editora e apresenta duas novas histórias, uma com foco nos elfos brancos e outra nos meio-elfos.

Graças a esta publicação surgiram diversos spin-offs trabalhando outras raças/espécies fantásticas deste mundo. O formato da publicação é luxuoso, tamanho álbum, em capa dura.

Anões

Série que divide o mesmo universo de Elfos, Anões também chegou ao Brasil em lançamento da editora Mythos, e traz uma perspectiva de vida bem diferente se comparada às criaturas de orelhas pontudas.

Assim como Elfos, Anões é uma série dividida em histórias curtas (um escritor, cinco artistas) que englobam os diferentes tipos de anões deste universo fantástico. Existem quatro ordens principais: a Forja, Retaliação, Templo e Escudo. Além delas, uma quinta ordem foi criada e inclui proscritos e desfavorecidos: a Ordem dos Andarilhos. O primeiro volume conta uma história da Ordem da Forja e outra da Ordem da Retaliação, e mostra nitidamente as diferenças entre as duas ordens e dita os rumos das próximas aventuras.

O encadernado brasileiro também segue o padrão da série irmã: formato álbum com acabamento luxuoso em capa dura.

Lanfeust de Troy

Outro sucesso arrebatador dos quadrinhos europeus, Lanfeust de Troy chegou ao Brasil pela Jupati Books (selo da Marsupial Editora), e conta com dois volumes publicados até o momento, um da série principal e outro do spin-off.

Troy é um mundo fascinante, onde a magia faz parte do cotidiano de todos. Cada pessoa possui um poder, pequeno ou grande, mais ou menos útil. Um tem o dom de transformar água em gelo, outro o poder de soltar puns coloridos… Lanfeust consegue fundir metal só com o olhar. Ele naturalmente se tornou aprendiz do ferreiro de sua aldeia. Até que, quando tocou numa misteriosa espada vinda dos distantes Baronatos, uma força excepcional se revelou: ele não dispõe mais de um único dom, mas de um poder absoluto e ilimitado. Acompanhado do velho sábio Nicoledes e das suas duas filhas de personalidades muito distintas, Lanfeust é transportado para um turbilhão de aventuras, encontrando as criaturas mais estranhas, surpreendentes e perigosas.

A série já foi concluída em seu país de origem. O spin-off, Trolls de Troy, lida com os fantásticos trolls deste universo, em uma série muito mais bem-humorada.

Dragão Negro

Trazida ao Brasil pela editora Pipoca e Nanquim, Dragão Negro é uma das obras definitivas de Chris Claremont (X-Men) e do artista John Bolton (Os Livros da Magia).

O ano é 1193 da Era Cristã. James Dunreith, exilado pelo seu senhor e rei, Henrique, voltou para reivindicar a terra que é sua por direito de nascença. Acusado de feitiçaria, Dunreith é pressionado pela rainha Leonor da Aquitânia e incumbido de uma missão: encontrar uma pessoa que vem se rebelando contra a coroa e resolver a questão a qualquer custo; o problema é que essa pessoa já foi o seu melhor amigo. Ainda mais perigosa do que qualquer ameaça política é a conspiração para dominar os poderes ocultos ancestrais advindos daquela região, que podem desencadear o mal supremo. Será que o coração valente do herói e o poder das rainhas das fadas e do mundo terreno serão capazes de salvar a Inglaterra da voracidade do Dragão Negro?

Graphic novel publicada originalmente pela Epic Illustraded, da Marvel Comics, Dragão Negro é uma incrível história de fantasia situada na Inglaterra medieval, combinando contos de fadas com figuras históricas. O encadernado nacional é um show a parte, com acabamento luxuoso em capa dura e formato diferenciado do original, valorizando a arte.

Categorias
Consoles Gameplay PC

Review | Rage 2

Autoridade é uma força de guerra, que atua em um deserto apocalíptico, no ano de 2165, você é um(a) sobrevivente de nome Walker, e tem como missão, além de sobreviver neste mundo pesteado, formar alianças com outros sobreviventes para que juntos consigam mudar o rumo de suas vidas, neste período de pouca esperança.

O jogo é um acerto da id Software e da Avalanche Studio, as duas empresas conhecidas por jogos frenéticos e de ação desenfreada, nos entrega mais uma vez uma aventura com frenesi desencadeado, uma história anárquica e caótica. Tudo o que há de bom em séries famosas como Doom, Just Cause, e a adaptação de Mad Max para videogames, está presente em Rage 2.

A ambientação da história é um clássico dos filmes dos anos 80 e 90, a clássica vingança por aqueles que destruíram sua antiga vida, e te fizeram estar nas piores situações possíveis, se já não fosse suficiente estar em um ambiente hostil 24 horas por dia, normalmente. Os responsáveis por transformar cada segundo da existência de civis, no verdadeiro inferno são, nada mais que uma milícia denominada Autoridade que possui um exército de mutantes/robôs equipados com armas e equipamentos cyberpunks. Você então, está encarregado de se aventurar e espalhar as palavras da vingança por todos os cantos, e reunir aliados para a batalha.

O que há para ser adiantado aqui é que no geral esta história é curta, o que significa que, se você estiver esperando em Rage 2, uma história envolvente, você não encontrará isso aqui. O jogo está sustentado em momentos de ação, e de exploração. Ter uma história assim, não necessariamente é um ponto negativo, desde o início o jogo deixa claro seu propósito de divertir sem se importar como enredo, porém, mesmo a todo momento você recendo esta informação, o que te deixará nas mãos apenas das missões adicionais ou objetivos de exploração em grandes torres da Autoridade, fica uma sensação de dever cumprido, mas uma insatisfação imensa, por que sabemos que Rage 2 poderia ter nos oferecido algo melhor. Há muito o que explorar no mundo, mas nada realmente desafiador, nada que te faça pensar duas vezes antes de enfrentar qualquer coisa que se mova a sua frente, é uma oportunidade perdida, que o jogo tenta validar, mas infelizmente não consegue.

Basicamente os locais que você explorará serão praticamente os mesmos. Os acampamentos dos mutantes, servem apenas para dar um pouco de ação ao jogo, jogados de maneira aleatória, algumas possuem inimigos um pouco mais fortes, mas nada que você não derrote facilmente. Quando você aprende a desviar dos ataques a distância tudo se torna muito mais fácil. Alguns destes acampamentos por sua vez, possuem objetivos a mais do que simplesmente derrotar todos os que ali estão, algumas possuem objetivos a serem conquistados, ou destruídos. Em todo o percusso por terra, você pode dar de cara com alguns bandidos realizando emboscadas para viajantes desprevenidos.

De fato o mapa de Rage 2 é grande, e alguns pontos estão bem distantes um do outro, mesmo com seu veículo terrestre chegará um ponto em que você simplesmente já explorou tudo, e não precisa mais andar pelos mesmos caminhos, neste ponto aparece o girocóptero. Os fast travels são uma adição bacana, você pode facilmente revisitar áreas para recolher coisas que ficaram para trás no frenesi das batalhas, mas recebendo a liberdade de ignorar todos os lugares sem interesse e ir direto para o ponto principal da missão. Isso foi algo bem facilitador, já que a proposta do jogo é a ação, e com este gadget, você pode pular de momentos de ação direto para outros momentos de ação, sem ter que esperar alguns minutos para encontrá-los.

Rage 2 não é um jogo linear, mas bem que poderia ser, se pararmos para analisar que no decorrer da gameplay você pode se desvincilhar da história, e começar a explorar tudo, já que durante a Campanha Principal, o jogo não leva você a grande parte do mapa, a sensação do mundo aberto ser utilizado apenas para preencher o vazio da Campanha vem a tona em alguns momentos.

A mecânica de combate encontrada aqui é rápida, fluida, todos os armamentos são incríveis, poderíamos estar falando aqui de algum jogo focado no FPS, mas não, Rage 2 trabalha muito bem quando o assunto é ação e combate. Mesmo que o jogo te ofereça uma série de habilidades para serem usadas em combates, elas raramente precisam ser usadas de fato, tudo pode ser resolvido com o leque de armas disponíveis no inventário, e se você obtê-las antes de finalizar com a história, elas te darão uma vantagem gigantesca, é uma forma do jogo te premiar por explorar seu terreno de maneira arbitrária.

VEREDITO:

Rage 2, no final das contas não parece uma sequência, mas sim um reboot do jogo anterior, melhora tudo que foi apresentado no passado e oferece muito mais para o jogador. Infelizmente isto, não é suficiente fazer o jogo se destacar entre vários outros lançamentos. Seu mundo aberto por muitas vezes não vale o tempo investido, sua história pouco aproveitada para focar no mundo aberto, a imersão no cenário apocalíptico, é uma das coisas mais bem desenvolvidas além do seu combate bem estruturado.

O jogo funciona como um passa tempo, sentar e simplesmente jogar, sem querer ser surpreendido, o foco na diversão aqui foi alcançado com sucesso, o problema é quando o jogo quer ser algo mais.

PONTOS POSITIVOS:

  • Ambientação imersiva.
  • Atividades Secundárias.
  • Combate Fluido.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Mundo aberto sem sentido.
  • História curta.
  • Curva de aprendizado da batalha é alta.

Revisado no PC. Agradecimentos à Bethesda pelo envio do código para análise.