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Bloodstained: Ritual of The Night não é perfeito, mas é o Castlevania moderno que o mundo precisava

Escrito por Pedro Ladino

Bloodstained: Ritual of The Night veio com a missão de resgatar o brilho dos clássicos jogos da franquia Castlevania, que agora se encontra abandonada no porão da Konami. Koji Igarashi, responsável pelos jogos mais bem sucedidos da franquia, retorna junto ao mundo dos jogos após uma bem sucedida campanha no Kickstarter, mas com um desenvolvimento infernal.

Em Bloodstained: Ritual of The Night controlamos Miriam que após ficar em coma por um bom tempo, acorda para poder deter seu irmão, Gebel. Miriam possui uma pele cristalizada, que absorve outros fragmentos, dando a ela a possibilidade de usar poderes baseados nos mesmos.

Como um não-jogador de Castlevania (algo que desejo mudar em breve), não possuo conexão com esse universo e com a figura do Iga em si. Nunca tive a oportunidade de jogar quando criança, então Bloodstained não foi algo que eu vinha esperando ansiosamente. 

Mesmo assim, eu acompanhava as notícias e os diversos updates que a equipe de desenvolvimento soltava.

É notável a influência do público durante o desenvolvimento do jogo, o que rendeu o vídeo de comparação feito pela própria desenvolvedora, mostrando as mudanças que o jogo recebeu, se baseando através do feedback da comunidade. Desde os gráficos às animações.

Ainda assim, mesmo após dois meses do lançamento do jogo, ele ainda possui problemas de performance. Enquanto jogava no PlayStation 4, o jogo crashava diversas vezes, além de travar direto em algumas partes, travamentos de cerca de 3~5 segundos. Como bem sabem, Bloodstained não possui autosave, então eu perdi progressos ao longo da jogatina.

Cheguei a pensar que fosse algo de errado com o meu console, mas procurando no Reddit e no Twitter, encontrei várias pessoas com o mesmo problema e em consoles diferentes. Claro que é algo que pode ser resolvido com atualizações, mas já se passaram dois meses desde que o jogo foi lançado e nada foi consertado.

Não só em performance o jogo peca, a renderização dos personagens em si, tanto na gameplay, quanto nos diálogos, é bastante feia. Muitas vezes estragando o ótimo character design que o jogo possui.

Em questão de roteiro o jogo não é tão inspirador. É uma história bem simples, mas que funciona. Já em lore, o jogo se sai bem. As histórias dos livros são bem interessantes e complementam aquele mundo. As descrições das armas são legais. Além de darem dicas para o jogo.

Quanto a ambientação do jogo, é incrível. Os cenários são variados e muito bem detalhados, além de serem interativos. A mistura entre Miriam e os cenários foi algo muito bem acertado pelos desenvolvedores. A arte é ótima. A trilha-sonora também é um dos grandes destaques, em especial a que começa a tocar assim que entramos no castelo pela primeira vez.

Agora, vamos falar do que importa: a gameplay.

A gameplay de Bloodstained é fluida e intuitiva. Temos uma variação enorme de poderes e descobrir em que situação usar cada um deles é interessante e divertido. Para isso temos os Fragmentos (Shards), que conseguimos ao derrotarmos X vezes uma criatura do jogo. Esses Fragmentos podem ser melhorados em uma das lojas do game, os tornando ainda mais fortes. Como há uma grande variação deles, o sistema do jogo tende a fazer com que o jogador experimente cada um deles, e decida qual é o melhor para se usar em cada situação.

As animações do jogo estão bem feitas, e isso faz com que a gameplay se torne ainda mais divertida. Há sistema de sidequests também, que são legais em questão de lore, mas pouco inspiradas, servem mais para dar itens melhores, que podem ser usados para o crafting.

Falando em crafting, assim como os fragmentos, cada arma de Bloodstained é única. Nem sempre a arma mais forte será a melhor opção em um chefe. Há armas de longo e curto alcance e lentas e rápidas. Cada chefe irá ditar o tipo de arma que você deve usar. Mas é claro que o jogador pode usar aquela que ele preferir.

Bloodstained: Ritual of The Night não é perfeito. Muito pelo contrário, sua história é rasa, há bugs e problemas de performance, mas o seu gameplay é ótimo e divertido. E que Koji Igarashi retorne com mais jogos, sejam eles metroidvanias ou novas aventuras.

Recomendável – Nota: 3.5/5

Agradecimentos à 505 Games pelo envio do código. O jogo foi rodado em um PlayStation 4 e está disponível também para Xbox One, PC e Nintendo Switch.

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Sobre o Autor

Pedro Ladino

"Just when I thought I was out...they pull me back in."

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